ISSN 21794022
OS BENEFÍCIOS DO IDE E PRODUÇÃO INTERNACIONAL
Mara Janaina Gomes de Oliveria1
¹Mestre em Economia pela Unesp – Professora do IMMES
RESUMO
O investimento direto estrangeiro tornou-se, desde o inicio de 90, um meio pelo qual empresas integram verticalmente e horizontalmente atividades econômicas distintas, localizadas em diferentes países, através de clusters a fim de capturar maior competitividade e rentabilidade.
O presente trabalho objetiva descrever as características e benefícios do IDE e a forma como as empresas organizam-se no mercado internacional, com a única finalidade de obter maior lucro e vantagem competitiva perante aos seus concorrentes.
Palavras-chaves: Benefícios do IDE e Mercado Internacional.
INTRODUÇÃO
No inicio dos anos 90, houve mudança na atitude de países e empresas em relação aos custos e benefícios do IDE.
De acordo com Dunning2, as explicações a essa mudança pela perspectiva dos países são o renascimento do sistema de mercado; a globalização da atividade econômica; maior mobilidade de criação de riqueza em ativos e maiores números de países se aproximando do novo estágio de desenvolvimento.
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Mestre em Economia pela Unesp-FCL.
2DUNNING, J. H. “Re-evaluating the Benefits of Foreign Direct Investment”. Transnational
ISSN 21794022 Na perspectiva das empresas há elevada concorrência oligopolista entre as líderes; abertura de novas oportunidades territoriais para o IDE; necessidade de obter fontes estrangeiras de tecnologia, capacidade organizacional e explorar economias de aglomeração, o que traz incentivo a alianças.
As expectativas das empresas apontada por Dunning2 como aumento da necessidade de explorar mercados; pressões da concorrência para adquirir insumos; facilidade de comunicação transfronteiras; redução de custos de transporte e integração regional que requer maior eficiência na busca por investimentos.
Dessa forma, o motivo para a integração de corporações é melhorar a lucratividade e posição competitiva de longo prazo, explorar economias de escala da empresa e obter força competitiva. Para a integração de países, a maior eficiência ou o uso de recursos, o aumento econômico e estratégico e redução de imperfeições do câmbio estrangeiro, capital e mercado de trabalho.
1. Investimento Estrangeiro Direto (IDE)
De acordo com Dunning3, investimento direto estrangeiro torna-se meio pelo qual empresas integram verticalmente e horizontalmente atividades econômicas distintas, localizadas em diferentes países, a fim de capturar um conjunto de benefícios transnacionais classificando essas atividades sobre comum propriedade.
As generalizações de conseqüências do IDE requerem cautela, pois elas não irão apenas afetar acordos para o tipo de IDE realizado, mas esses efeitos também irão depender dos objetivos econômicos e outros objetivos estabelecidos pelo governo.4
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DUNNING, J.H. Explaining International Production. Londres: Unwin Hyman.1998, cap. 11 e 12.
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COOKE, Ph. Regionally Asymmetric Knowledge Capabilities and Open Innovation.Research Policy 34, p.1128-1149, 2005.
ISSN 21794022 Cabe ressaltar que a internacionalização da produção ocorre quando residentes de determinado país obtêm acesso a bens e serviços com origem em outro. Este tipo de processo de produção tem como agente principal a chamada Empresa Transnacional (ETN), firma que possui e controla todos os ativos produtivos em mais de um país.5
Os principais tipos de IDE, segundo Dunning2 são o inicial e seqüencial. Os motivos para IDE inicial, que ocorre entre 1960 e 1970, são a demanda por recursos naturais (recursos físicos e humanos) e demanda por mercado (mercado doméstico e adjacente), classificado como de primeiro e segundo tipos.
De 1980 e inicio de 1990, conforme Dunning2 há presença do terceiro tipo é IDE denominado seqüencial caracterizado pela demanda por eficiência, que é a racionalização da produção para explorar economias de especialização e escopo. Pode ser realizada através de valores correntes (ex.: especialização de produção) e/ou junto a valores correntes (especialização de processo). O IDE seqüencial de quarto tipo refere-se ao o avanço estratégico regional ou global para ligar redes estrangeiras na formação de ativos e utilização de tecnologia, capacidades organizacionais, mercados.
Portanto, dentre algumas contribuições dos diferentes tipos de IDE, destacam-se: a procura por recursos naturais; eficiência; estratégica por ativos, que fornece novos fundos de capital e ativos complementares; e procura por mercado, que fomenta links, clusters de trabalho especializado e economias aglomerativas.
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DUNNING, J. H. “Re-evaluating the Benefits of Foreign Direct Investment”. Transnational
Corporations,1994, 3, 23-48.
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UNCTAD. Globalization of R&D and Developing Countries: Proceedings of the expert meeting. Geneva, January, 2005a
ISSN 21794022
2.Produção Internacional
Para UNCTAD5, conforme os países tornam-se mais industrializados, com a melhoria tecnológica na industria e nos serviços, as empresas nacionais tendem a aumentar suas vantagens específicas, o que as torna mais capazes de competir internacionalmente.
A decisão das empresas em expandir suas atividades no exterior dependeria de três vantagens: as vantagens específicas à propriedade, relacionadas à firma; a vantagem de localização, que depende das características do país de origem ou do que recebe o investimento; e a vantagem da internalização, que depende da oportunidade da empresa para internalizar determinadas características ao invés de explorá-las nos mercados, o que a levaria a incorrer em custos de transação.2,3,4
De acordo com a UNCTAD5, são objetivos das empresas com relação ao IDE: - obter de mercados (acesso a mercados consumidores);
- obter eficiência (redução de custos e mão-de-obra); - busca de recursos (matérias-primas);
- busca de ativos já criados (por meio de fusões e aquisições);
- Outros objetivos, como: objetivos estratégicos e políticos; redução de risco; headging anti-ciclico.
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DUNNING, J. H. “Re-evaluating the Benefits of Foreign Direct Investment”. Transnational
Corporations,1994, 3, 23-48.
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DUNNING, J.H. Explaining International Production. Londres: Unwin Hyman.1998, cap. 11 e 12.
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COOKE, Ph. Regionally Asymmetric Knowledge Capabilities and Open Innovation.Research Policy 34, p.1128-1149, 2005.
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UNCTAD. Globalization of R&D and Developing Countries: Proceedings of the expert meeting. Geneva, January, 2005a
ISSN 21794022 Segundo Stopford6, um importante estímulo para o desenvolvimento de redes internas tem sido a necessidade de crescimento para hierarquias em recursos incorporados na imobilidade de clusters locais.
Porter7 classifica os clusters como concentrações geográficas de empresas interconectadas e instituições em um campo particular. Eles abrangem uma gama de indústrias ligadas e outras importantes entidades. Eles incluem, por exemplo, fornecedores de insumos especializados tais como componentes, equipamentos,
serviços e provedores de infra-estrutura especializada.
Os clusters ampliam-se freqüentemente a canais e clientes, bem como aos fabricantes de produtos complementares e às empresas em indústrias relacionadas por habilidades, tecnologias ou insumos comuns.
De acordo com Dunning3, para uma explicação interdisciplinar da produção internacional é estabelecida uma distinção entre razões externas (exógenas), que afeta facilmente produção internacional, política e aspectos legais; e internas (endógenas), relacionadas à interação entre variáveis econômicas, organizacionais, financeiras, marketing e gerenciamentos.
Dentre as razões externas, Dunning3 ressalta as diferenças no patrimônio cultural, religioso, ideologias políticas e valores morais, além dos sistemas de trabalho, padrões e normas sociais de lazer diferenciam-se não apenas em países desenvolvidos e em desenvolvimento, mas dentro deles.
Stopford6 refere-se a questão da legislação ambiental como fator de grande importância, apresentando diferença em sua rigidez entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. Como as leis apresentam maior flexibilidade em países em desenvolvimento e menos desenvolvidos, torna-se um beneficio para o IDE a sua produção e lucratividade.
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DUNNING, J.H. Explaining International Production. Londres: Unwin Hyman.1998, cap. 11 e 12.
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STOPFORD, J. “Competing Globally for Resources”. Transnational Corporations, 1995, 4, 34-57.
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PORTER, M. E. Clusters and New Economics of Competition. Harvard Business Review, November-December, 1998, pp. 77-79.
ISSN 21794022 Nas questões endógenas, segundo Dunning2, destacam-se a interação entre variáveis econômicas, organizacionais, financeiras, marketing e gerenciamentos.
A forma de organização, formal ou informal, e relações contratuais internas e externas podem influenciar o modo como a empresa irá investir e se posicionar no mercado. A forma hierárquica, lógica de estrutura de controle, interações horizontal ou vertical entre as empresas participantes, além do modo pelo qual o trabalho é organizado, desempenhado e monitorado são de grande relevância para atuação da empresa no mercado.
` Segundo Dunning2 há cinco formas de o país hospedeiro melhorar a competitividade e vantagem comparativa: a produção mais eficiente de um país (redução de custos e/ou aumento da produtividade de trabalho e capital); inovação ou melhoria na qualidade de produtos, processos e estrutura organizacional; realocação de recursos e capacidade de produção de bens e serviços; captura de novos mercados estrangeiros e aceleração do processo de adaptação às mudanças estruturais nas condições globais de demanda e oferta (redução de ineficiências burocráticas, encorajamento de mercados flexíveis de trabalho).
Para Stopford6, a pressão da competição força muitas empresas transnacionais a adaptarem novas estratégias para ganhar vantagem de escopo e escala, bem como eficiência. Declínio dos custos para muitas transações, especialmente aquelas dependentes de gerenciamento de informação, grandes possibilidades técnicas para produção flexível e uma tendência de liberalização na regulação ambiental tem auxiliado toda adaptação de novas estratégias.
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DUNNING, J.H. Explaining International Production. Londres: Unwin Hyman.1998, cap. 11 e 12.
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ISSN 21794022 As estratégias de especialização, segundo Stopford6 tem assegurado uma crescente disposição para atividades contratos externos que não são de importância de estratégia central para competitividade de uma empresa a longo prazo. Uma medida desse desenvolvimento é o rápido aumento de componentes serviços nas contas nacionais relacionados com o comércio e IDE. Também assegura as empresas a entrarem em alianças estratégicas e redes “networks”-especialização de localização, especialmente nas empresas de pesquisa intensiva.
Sendo assim, as relações network, conhecidas como rede de comunicações, possibilitam rapidez ao acesso de novas tecnologias, insumos, produtos e serviços transfronteiras.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Há grande relevância no surgimento da economia global e a integração estrutural dos mercados mundiais e sistemas de produção. Os benefícios do IDE dependem do tipo de IDE utilizado em um determinado país e da influência de fatores favoráveis e desfavoráveis do mesmo para a instalação da transnacional.
A mudança no papel do governo durante os últimos vinte anos, como eliminação de obstáculos estruturais e institucionais é pertinente no contexto, além dos custos do IDE considerados como meio de competitividade entre as diversas empresas e países, trazendo uma visão otimista à presença de IDE.
A nova divisão de trabalho internacional, parte integrante na qual a mobilidade crescente de intra-firmas de produtos intermediários entre países procura reavaliar filosofias econômicas e políticas de governos nacionais.
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ISSN 21794022 O termo competitividade é um conceito relativo e usado por analistas para comparar a desempenho econômico de firmas, indústrias ou países. No entanto, o fato de um país cujas empresas são não competitivas na produção de uma particular gama de produtos ou serviços, encorajar a entrada de IDE para melhorar sua competitividade é discutível.
Dessa forma, são muitos os motivos que levam empresas a se internacionalizar. As razões estão ligadas principalmente à racionalidade econômica de manter ou aumentar a competitividade, ganhar acessabilidade de mercado e diminuir os riscos de operação.
Portanto, torna-se necessário para estas empresas engajar-se em atividade econômica adequada para obtenção de melhor vantagem competitiva perante seus concorrentes e a interação de políticas e estratégias das transnacionais que determina à medida que o IDE é capaz de melhorar a vantagem competitiva de um país.
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REFERÊNCIAS
COOKE, Ph. Regionally Asymmetric Knowledge Capabilities and Open Innovation.Research Policy 34, p.1128-1149, 2005.
DUNNING, J.H. Explaining International Production. Londres: Unwin Hyman.1998, cap. 11 e 12.
DUNNING, J. H. “Re-evaluating the Benefits of Foreign Direct Investment”. Transnational Corporations,1994, 3, 23-48.
PORTER, M. E. Clusters and New Economics of Competition. Harvard Business Review, November-December, 1998, pp. 77-79.
STOPFORD, J. “Competing Globally for Resources”. Transnational Corporations, 1995, 4, 34-57.
UNCTAD. Globalization of R&D and Developing Countries: Proceedings of the expert meeting. Geneva, January, 2005a.