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AÇÕES PARA UM PROCESSO DE PINTURA SUSTENTÁVEL

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Academic year: 2021

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AÇÕES PARA UM PROCESSO DE PINTURA SUSTENTÁVEL

Luciane Souza, Ronnie Oliveira

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RESUMO

A Mercedes-Benz tem como princípio a sustentabilidade. Baseado nesse princípio, nos anos de 2013 e 2014 a equipe de Pintura a equipe de Pintura da unidade Juiz de Fora buscou iniciativas para tornar seus processos ainda mais sustentáveis. As ideias surgiram por meio de fóruns regulares e kaizens onde todos os colaboradores foram envolvidos. As iniciativas aplicadas em todo o processo: do Pré-tratamento ao Acabamento foram acompanhadas semanalmente em um fórum coordenado pela gestão, a fim de prover meios e acompanhar de perto as ações para atingir as metas e os objetivos finais. O fator fundamental para o sucesso do projeto foi o total engajamento da equipe.

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APLICABILIDADE

No atendimento as necessidades do mercado buscar a sustentabilidade em seus processos de forma a reduzir custos e consumo de insumos, contribuindo para que as futuras gerações tenham acesso aos mesmos recursos hoje disponíveis.

OBJETIVO

Promover a responsabilidade ambiental no ambiente interno é um desafio diário para a gestão de uma indústria automobilística. Para isso, continuamente, mantem-se um programa de melhoria contínua gerenciado, implantado e trabalhado junto aos colaboradores o pensamento criativo para a inovação dos processos.

Objetivos gerais

• Atender à legislação ambiental

• Contribuir para a sustentabilidade do País

• Otimização do processo

Objetivos específicos

• Reduzir custos com o processo produtivo

• Reduzir o uso de substâncias perigosas

• Minimizar o consumo de insumos

1. Desenvolvimento do tema

1.1. Sustentabilidade

A indústria automobilística requer insumos que impactam diretamente no meio ambiente. Entre eles energia elétrica, água e produtos perigosos merecem destaque pelo impacto causado pelo seu uso, escassez desses recursos, riscos e retorno desses ao ambiente em forma de resíduos. Mediante esses fatos, a busca por processos enxutos é uma premissa para a sustentabilidade.

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Segundo Macedo, 2007 (apud Folha de São Paulo, 1999), a indústria é responsável por 22% da água consumida no mundo, ficando atrás apenas da agricultura. Em relação ao consumo de energia ela participa com 46%.

Conforme constatação do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) o aumento da temperatura do planeta é consequência de ações humanas, especialmente tomadas a partir da Revolução Industrial, no século 18.

1.3. Início da produção de caminhões em Juiz de Fora

Fig. Nº 01 – Unidade Operativa da Mercedes-Benz Juiz de Fora

A fábrica da Daimler em São Bernardo do Campo é o maior polo de produção de veículos comerciais fora da Europa e opera próximo ao limite de capacidade. Por isso, a Mercedes-Benz do Brasil decidiu que a fábrica de Juiz de Fora, no estado de Minas Gerais, a aproximadamente 150 quilômetros ao norte do Rio de Janeiro, passaria a fazer parte da rede global de produção de veículos comerciais da Daimler.

Desde 3 de janeiro de 2012, a unidade de Juiz de Fora, fabrica os modelos Actros e Accelo. A

planta possui as tecnologias de produção mais avançadas e é uma das fábricas mais modernas da Daimler a nível mundial.

Com o início da produção de caminhões em Juiz de Fora e o aumento da capacidade da fábrica de São Bernardo do Campo, a Mercedes Benz do Brasil está muito bem preparada para atender a procura por caminhões e manter a sua liderança de mercado no Brasil.

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Fig. Nº 02 – Unidade Operativa da Mercedes-Benz Juiz de Fora

1.5. Metodologia

A Mercedes-Benz tem como princípio a sustentabilidade. Baseado nesse princípio, nos anos de 2013 e 2014 a equipe de Pintura buscou iniciativas para tornar seus processos mais sustentáveis. As ideias surgiram através de fóruns regulares e kaizens onde todos os colaboradores foram envolvidos. As iniciativas aplicadas foram acompanhadas semanalmente em um fórum coordenado pela gestão, a fim de prover meios e acompanhar de perto as ações para atingir as metas e os objetivos finais. O fator fundamental para o sucesso do projeto foi o total engajamento das equipes.

Foi realizado um estudo no processo de aplicação de Primer entre produção, engenharia e planejamento para reduzir os pontos e áreas de aplicação. A partir do estudo foram sugeridas ações de melhorias de ajuste do contorno, redução de over spray e substituição da tecnologia de aplicação manual (pistola).

A aplicação de Esmalte foi vista com potencial de otimização em função da ampla da faixa de trabalho da camada de esmalte. Por segurança trabalhava na faixa máxima de camada, para verificar a possibilidade de redução de camada mínima foram pintadas cabinas sucata e analisado cor, uma vez consolidado foi realizado o ajuste para a camada mínima.

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A aplicação de Cera no Accelo era feito com base no processo da planta de São Bernardo Campo. Após estudo foi observado que a planta de Juiz de Fora possuía um processo mais eficiente (rotacional) de proteção de superfície. Daí foram realizados testes em laboratório e processo e reduzindo o volume aplicado, além de eliminar alguns pontos de aplicação.

A sequência de cabinas a serem pintadas era conforme programação logística e não eram blocadas por cores, gerando limpezas entre cores diferentes. Foi vislumbrada a possibilidade de sequenciar as cabinas por blocos de mesma cor. Essa ação reduziu a quantidade de limpezas, diminuindo o volume de tinta e solventes descartados na limpeza entre cabinas.

Considerando-se a produção reduzida, optou-se por produzir em duas etapas, “produção por segmento” (manhã – Pré-tratamento e tarde – Acabamento), deixando de ligar todos os equipamentos o turno inteiro que decorreram em economia de gás, energia elétrica e água.

Eram utilizados dois solventes para lavar as linhas de abastecimento de tinta para cores de grande volume e apenas um para a linha de pequenos volumes. Foram realizados testes em laboratório para verificar a eficiência de limpeza para todas as linhas com apenas o solvente. As análises confirmaram que após a primeira lavagem, a mesma estava em condições de abastecimento, não havendo necessidade do segundo solvente, eliminando seu uso.

No campo de consumo de energia elétrica, foram instalados interruptores nos postos de trabalho e desligado o abastecimento de ar condicionado após o expediente e nos finais de semana.

Para minimizar o volume de água no processo foi revisto o cronograma de troca dos banhos do Pré-Tratamento que antes eram: desengraxante e seus enxágues a cada 4 semanas e os enxágues do fosfato em 12 semanas. Após a melhoria implantada as trocas passaram de 4 para 6 e 7 semanas e de 12 para 24 semanas. As águas das casas de ar eram descartadas, após kaizen passaram a ser reaproveitadas no processo e em paralelo os equipamentos que eram ligados 6h antes do início da produção passaram a ser ligados 1,5h.

Foi realizado um trabalho de otimização do uso de toalhas brancas, resinadas e lixas e junto aos colaboradores nas áreas de controle que reduziu significativamente o consumo.

Os banhos que recirculam embaixo das cabinas de aplicação para captação do overspray também foram analisados. Antes recebiam dosagens diárias de produtos químicos conforme especificação do fornecedor, após um kaizen composto por equipe multidisciplinar, os químicos passaram a serem dosados conforme orientação dos laboratórios, reduzindo o volume por carro.

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Durante o trabalho foram apresentadas ao grupo as necessidades de buscar a sustentabilidade na Pintura de cabinas, novas tecnologias e os riscos ao negócio, caso houvesse no futuro escassez de recursos naturais. Essas premissas aumentaram o interesse e o comprometimento dos colaboradores em contribuir com ideias.

Foi necessário questionar as especificações de fornecedores, no entanto, todas as mudanças foram testadas e acompanhadas por especialistas para assegurar o atendimento as normas e estabilidade do processo.

As ações realizadas pela Pintura trouxerem vários benefícios ambientais para a empresa bem como para a sociedade.

Após ajustada a aplicação, houve a redução de Primer de 33,9% por cabina Accelo. Os benefícios foram a redução de consumo de substância perigosa (solventes, metais), emissões de poluentes atmosféricos e resíduo perigoso.

Com a otimização da camada de esmalte o consumo por cabina Accelo reduziu em 38,8%. Foi reduzido ainda o uso de substâncias perigosas (solventes, metais) e resíduos perigosos, além de redução nas emissões atmosféricas.

A redução do uso de cera de 57,7% impactou em menor consumo de substância perigosa, reduziu os resíduos perigosos e emissões atmosféricas.

A aplicação da blocagem teve como benefício a redução de consumo de solvente de 12,5% (por limpeza) que é uma substância perigosa, redução na emissão de poluentes atmosféricos e resíduo perigoso.

A eliminação do uso do um solvente trouxe os benefícios de redução de consumo de substância perigosa, geração de resíduo perigoso e menor lançamento de emissões. Depois de implantadas ações para otimização do consumo de energia elétrica, bem como a produção por bloco, houve um ganho em redução do consumo de recursos naturais e ganho em eficiência energética da ordem de 1.778.610 kWh/ano (equivalente ao consumo de 741 famílias por ano).

A produção por segmento proporcionou uma redução do consumo de gás de 691.200 Nm³/ano.

Mediante a revisão do cronograma de troca de banhos do Pré-tratamento, reuso de água das casas de ar e a revisão do horário de inicio dos equipamentos foram economizados 10.470m³ de água/ano (suficiente para abastecer 29 famílias por ano), o que aumentou a eficiência energética, reduziu as emissões de efluentes e reciclou mais de 200m³ de água/ano.

Implantadas as ações para redução o consumo por unidade produzida das toalhas brancas 73,7%, as resinadas de 33,3% e as lixas 42,58% reduzindo na mesmo proporção a geração de resíduo perigoso (elementos contidos no PVC).

Ao reduzir os químicos dosados nos banhos de circulação nas cabinas de Pintura em de 35,44% houve a redução de consumo de substâncias perigosas e emissões de poluentes.

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Após a aplicação das ações descritas foram economizados 0,351 milhão de Euros no ano de 2014.

Todas as melhorias aconteceram de forma controlada sem impactar na qualidade do produto e sem custos adicionais.

CONCLUSÃO

As mudanças realizadas no processo de Pintura, durante os anos de 2013 e 2014, impactaram positivamente na sociedade, uma vez que pouparam recursos naturais, a extração de matérias-primas e minimizaram o lançamento de emissões.

As ideias apresentadas podem ser aplicadas em outras unidades que utilizam o mesmo processo e em processos diferentes. Mais que ideias, são novos olhares sobre um processo moderno e que a olho nu não requeria modificações. Por meio de um benchmark, a unidade de São Bernardo do Campo já adotou a blocagem. Os paradigmas foram as maiores barreiras, afinal, fazer com que as pessoas vejam a possibilidade de mudar o que está funcionando bem e de forma segura é um trabalho árduo. Toda mudança gera desconforto, por isso o trabalho de conscientização das pessoas foi fundamental para vencer os desafios.

A Pintura da unidade Juiz de Fora está se desenvolvendo de forma sustentável, gerando conhecimento e contribuindo para que as futuras gerações tenham os mesmos recursos que hoje estão disponíveis.

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BIBLIOGRAFIAS

[1] De Macedo, Jorge Antônio de Barros. Águas & Águas. Belo Horizonte, 3ª edição, página 53, ano 2007.

[2] Grenpeace. Energias renováveis contra o aquecimento global. http://www.greenpeace.org/brasil/pt/O-que-fazemos/Clima-e-Energia/. Acesso em: 07/04/2015.

[3] Associação Brasileira de Tratamento de Superfície. Tratamento de efluentes residuais industriais. ABTS. Rio de Janeiro, volume único, página 3 a 23, ano 2008. [4] Indústria Automobilística e Sustentabilidade.

http://arquivos.portaldaindustria.com.br/app/conteudo_18/2013/09/23/4970/2013100 2175420378115i.pdf. Acesso em: 06/04/2015.

[5] Carvalho, Almir; Junior, Flavio Hourneaux. A sustentabilidade na Indústria Automobilística.

http://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=5&ved=0CD8 QFjAE&url=http%3A%2F%2Fwww.spell.org.br%2Fdocumentos%2Fdownload%2F95 85&ei=ZbciVa6DM8GRsgGXooTwDA&usg=AFQjCNGuPqfxLlIBbzxatsLiZk64HReDr A. Acesso em: 06/04/2015.

[6] De Oliveira, Rodrigo Minarelli. Gestão de Recursos Hídricos um estudo de caso na Indústria Automobilística.

http://www.aea.org.br/aea2009/downloads/trabalhospremio/. Acesso em: 06/04/2015.

Referências

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