29 Maio 2015
grande auditório / 21h / M/6
Kalaf em Carta Branca
no CCB
Kalaf
voz
Demian Cabaud
contrabaixo + voz
Ndu
bateria + voz
Toty Sa’Med
guitarra + voz
Pedro Cruz
técnico de Som
Victor azevedo
técnico de Luz
arruada
produção
Em 2015, o Centro Cultural de Belém entrega uma Carta-branca a Kalaf (Epalanga). agitador, poeta,
músico, ele mesmo ponto de encontro entre vários polos culturais, Kalaf inspira-se e deixa-se inspirar pela
sua Lisboa. “O angolano que comprou Lisboa (por metade do preço) ” é o título do seu mais recente livro,
que dá o mote para esta noite no CCB. Um punhado de histórias que resultam em canções, e canções
que são sempre histórias. Para esta viagem, Kalaf rodeia-se de amigos músicos para dar ginga, ritmo
e músculo às palavras e ideias num evento único no CCB.
Lisboa também é Africana, primeiro moura, depois bantu, depois de todos os portos do mundo.
Desde há muitos séculos, somos a Mouraria, somos o Poço dos Negros, somos a Rua das Pretas.
Nós, nós todos, nós que fizemos Lisboa. Somos o Zé da Guiné, somos o Hernâni Miguel, somos Alcino
Monteiro. Somos o Fado, na voz mulata da Mariza ou da Ana – a Moura. Somos as batucadeiras da Voz
d’ África e os meninos da Reboleira.
Somos o esplendor das gargalhadas nas esquinas do Bairro Alto, somos as meninas de cabeleira afro
tomando de assalto as passarelas. E eles e elas colorindo o asfalto.
Somos a banga dos pretos conduzindo as louras na passada da quizomba. Somos as festas de arromba
no B. Leza – que lindo o cavaquinho do John Luz! Somos essa luz que se faz melodia, e o bom dia
crioulo acordando o sol no inverno de Lisboa.
Somos a Liberdade na Avenida, desfilando de capulana, ou de bubu colorido, ou de Armani
– mas sempre com um sorriso.
É meu este chão que piso! É nosso este chão de Lisboa!
Texto de José Eduardo agualusa
Kalaf em Carta Branca
Por João Moço
“gosto de complicar a minha vida”, afirma Kalaf. Nos últimos anos, o músico tem estado particularmente ocupado a trabalhar à frente dos Buraka Som Sistema, mas, paralelamente, tem-se dedicado à arte que tem marcado todo o seu percurso: a escrita. Músico e poeta, Kalaf é também cronista no Público. reuniu essas suas crónicas no livro O Angolano que Comprou
Lisboa (Por Metade do Preço) e que o próprio define como
“literalmente uma declaração de amor a Lisboa”. O livro serviu de inspiração ao concerto especial que preparou para o palco do grande auditório do Centro Cultural de Belém, que este ano lhe entregou a Carta Branca.
Porque é que gosta de complicar a sua vida? Vejamos: para este espetáculo convocou um baterista que vive em Cabo Verde, um guitarrista que reside em angola e um contrabaixista que, apesar de viver em Portugal, tem sempre a agenda ocupada. Logo pela banda que lhe dará suporte é percetível como se cruzam nacionalidades, culturas, experiências de vida díspares. Partindo de músicas da sua angola natal, como o semba e a kizomba, Kalaf percorrerá histórias sobre Lisboa, onde vive há 20 anos. Em Lisboa o músico encontrou uma identidade verdadeiramente multicultural. O que é que encontra nesta cidade que tanto tem que ver também com angola? “Primeiro a língua e depois o número de pessoas que a praticam, que a falam, que a usam”, explica o músico. “Lisboa, ao contrário de Luanda, ou até do rio de Janeiro, é o lugar onde toda esta realidade, trágica por um lado, mas enriquecedora por outro, está escancarada. aqui é possível ver o confronto de várias
realidades, dos angolanos mais espampanantes e extrovertidos, tal como os brasileiros, aos cabo-verdianos e guineenses mais introvertidos, sem quererem chamar as atenções para si. No entanto, todos têm algo para dar com a sua riqueza e com as suas características. Se estivermos atentos e sensíveis, podemos retirar algo daqui muito bom.” É esta realidade multicultural e plural que o enrique e que tem distinguido o seu percurso artístico. “Os Buraka não existiriam sem estes fatores”, diz.
O grupo que saltou da amadora para alguns dos maiores palcos do mundo é sem dúvida o seu projeto mais mediático. “Tenho muito orgulho naquilo que conseguimos construir e realizar com Buraka e sem dúvida que aquilo que eu aprendi no grupo, esta ideia de olhar para as coisas sem preconceitos e sem reservas, é algo que aplico no meu trabalho fora daquele universo. isso é algo que tenho sempre de agradecer”, refere. No entanto, não se espere deste concerto que Kalaf preparou para o CCB uma réplica do que tem feito com os Buraka Som Sistema. até porque o seu percurso artístico está muito ligado ao spoken word. as histórias e reflexões reunidas no livro
O Angolano que Comprou Lisboa (Por Metade do Preço) vão
agora ganhar uma dimensão poética e, claro, musical, onde o semba e a kizomba são protagonistas. até porque a escrita de Kalaf, mesmo quando as palavras não servem uma canção, tem uma sensibilidade musical. “a minha escrita é muito influenciada pela música. Escrevo estando atento à forma como as pessoas ouvem. É algo que ainda estou a tentar aperfeiçoar, mas quando estou a escrever tenho essa preocupação, a de encontrar um ritmo”, explica.
Existe também humor nas suas palavras e o título O Angolano
que Comprou Lisboa (Por Metade do Preço) reflete essa
sensibilidade. “O humor é a única forma de chamarmos
à terra todas as nossas questões. Sempre que perdemos o controlo das nossas vidas a única forma de voltar a reequilibrar tudo é com humor e quando escrevo essa é uma das minhas preocupações, a de ter capacidade de nos rirmos de nós próprios, não só como indivíduo, mas também como coletivo.” Kalaf é mais poeta que cantor e, por isso, desafiou para este concerto alguns convidados que serão uma surpresa. “Sou um cantor limitado e preciso de ter outras vozes à minha volta, até porque gosto muito de ouvir música. Crio concertos para ouvir música. Na minha cabeça tenho um som e chamei as pessoas que podem concretizar essa ideia. Para mim uma experiência como esta tem de ser enriquecedora a vários níveis, não só para o público, mas para mim enquanto artista e para os meus cúmplices. Quero também apontar soluções ou ideias que, no futuro, possam ser postas em prática por outros.”
a ideia de refletir sobre o presente, sobre o que de mais vital está acontecer agora, seja a nível cultural ou social, é algo que tem enformado todo o percurso de Kalaf. há 20 anos, quando se mudou para Lisboa, foi o movimento rap que mais o marcou, como o próprio admite. “Devo muito à geração do Rapública [primeira compilação de rap português, editada em 1994]. Para já, obrigou-me a olhar para a minha bagagem cultural, para o que trazia comigo e a pensar em questões de identidade. Quando se vive num país em que a maioria é negra e africana não se discute questões de quão africana é Lisboa, o quão Lisboa é convidativa e acolhedora para com essas minorias e também para com a sua própria história, que é uma história de mistura e mestiçagem bastante rica. O rap foi o primeiro lugar onde esses temas eram abordados e isso foi muito entusiasmante.”
Mistura é realmente uma palavra-chave para Kalaf. antes ainda dos Buraka Som Sistema terem recriado o kuduro, o músico já tinha tido um outro projeto com Branko, também ele fundador dos Buraka, no qual Kalaf explorou com profundidade
o spoken word ao lado de uma paleta musical eletrónica.
O grupo chamava-se 1 UiK Project e apresentaram o seu disco no hot Club Portugal, espaço onde o jazz é rei.
No entanto, segundo Kalaf, nem sempre se tirou real partido da história mestiça que Lisboa tem. “hoje olhamos para trás e vemos que se tivéssemos tido uma relação mais estreita com África e com o Brasil teria sido muito melhor. a certa altura fechámos as nossas fronteiras e isso foi fatal na nossa relação com as Áfricas, porque criaram-se desconfianças
e ressentimentos que ainda hoje continuamos a pagar. Já podíamos ter resolvido os complexos que se tem uns com os outros. a forma de resolver isso é conversando, dialogando.” No CCB o diálogo será central, seja entre a poesia, o semba e a kizomba, seja entre Kalaf e os seus convidados, sempre com a Lisboa mestiça de hoje como pano de fundo.
Kalaf Epalanga
Benguelense, criado no seio de uma família de funcionários públicos,
com ligações à vila da Catumbela, lugar que visita com regularidade.
a música e os palcos do mundo permitiram-lhe traçar um mapa afetivo
das pessoas que habitam a sua memória, assim como os locais que o marcaram
– da fábrica de açúcar do Cassequel ao Caminho de ferro de Benguela,
da restinga do Lobito à rua Jacob de Paiva, onde aprendeu a equilibrar-se numa bicicleta.
a aventura poética teve início em finais dos anos 90, em Lisboa, numa altura
em que a cidade ensaiava novas linguagens rítmicas, buscando novos caminhos
para a música urbana feita em Português. Neste percurso cruzou-se com os
pioneiros do movimento de música eletrónica, contou estórias e gravou dois
«discos-falados» que lhe valeram o título de Poeta-Cantor: A Fuga… e Strategies
And Survival. Com o produtor João «Branko» Barbosa, crente de que era possível
exportar Lisboa para o mundo, fundou a Enchufada, núcleo de produção musical,
editora independente e incubadora de ideias, como Buraka Som Sistema.
Em 2011 é editado, pela Caminho, o seu primeiro livro de crónicas,
Estórias de Amor para Meninos de Cor. Escreve frequentemente para o portal
informativo e de entretenimento, Rede Angola.
CCB
CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO
aNTóNiO LaMaS PrESiDENTE
DaNiEL Vaz SiLVa
VOgaL
MigUEL LEaL COELhO
VOgaL DirEÇÃO DaS arTES DO ESPETÁCULO aSSiSTENTE
PaULa fONSECa
CONSULTOr Para a ÁrEa Da MÚSiCa
aNDrÉ CUNha LEaL
CONSULTOr Para DaNÇa E MÚSiCaS PLUraiS
fErNaNDO LUÍS SaMPaiO
aSSiSTENTE DE PrOgraMaÇÃO riTa BagOrrO PrODUÇÃO iNÊS COrrEia PaTrÍCia SiLVa hUgO COrTEz VEra rOSa JOÃO LEMOS PEDrO PirES DirETOr DE CENa COOrDENaDOr JONaS OMBErg DirETOrES DE CENa PEDrO rODrigUES PaTrÍCia COSTa JOSÉ VaLÉriO DirEÇÃO DE CENa TÂNia afONSO aNgiE giL ESTagiÁria SECrETariaDO
yOLaNDa SEara
ChEfE TÉCNiCO DE PaLCO
rUi MarCELiNO
ChEfE TÉCNiCO DE gESTÃO E MaNUTENÇÃO
SiaMaNTO iSMaiLy
ChEfE DE EQUiPa DE PaLCO
PEDrO CaMPOS TÉCNiCOS PriNCiPaiS LUÍS SaNTOS raUL SEgUrO TÉCNiCOS EXECUTiVOS f. CÂNDiDO SaNTOS CÉSar NUNES JOSÉ CarLOS aLVES hUgO CaMPOS MÁriO SiLVa riCarDO MELO rUi CrOCa hUgO COChaT DaNiEL rOSa ESTagiÁriO ChEfE TÉCNiCO DE aUDiOViSUaiS NUNO grÁCiO ChEfE DE EQUiPa DE aUDiOViSUaiS NUNO BizarrO TÉCNiCOS DE aUDiOViSUaiS rUi LEiTÃO EDUarDO NaSCiMENTO PaULO CaChEirO NUNO raMOS MigUEL NUNES
TÉCNiCOS DE aUDiOViSUaiS EVENTOS
CarLOS MESTriNhO rUi MarTiNS TÉCNiCOS DE MaNUTENÇÃO JOÃO SaNTaNa LUÍS TEiXEira VÍTOr hOrTa SECrETariaDO DE DirEÇÃO TÉCNiCa SOfia MaTOS
a seguir
ParCEirO MEDia aPOiO à PrOgraMaÇÃO aPOiO aPOiO iNSTiTUCiONaL
5 junho
201521h / Pequeno auditório / M/6
André Fernandes “1”
com Perico Sambeat,
alexi Tuomarila, Demian Cabaud
e iago fernandez
andré fernandes guitarras / Perico Sambeat saxofone alto e soprano alexi Tuomarila piano e fender rhodes / Demian Cabaud contrabaixo iago fernandez bateria / Nelson Carvalho som
Neste concerto prometedor, andré fernandes apresenta o álbum “1”, juntando em palco alguns dos seus músicos favoritos.
19 junho
201521h / Pequeno auditório / M/6
CCBEAT
D'Alva
alex D’alva Teixeira, Ben Monteiro, ricardo ramos gonçalo almeida e Carolina Barreiro músicos
a ideia é apresentar ao vivo o álbum de estreia da banda, com algumas surpresas e com convidados mais do que especiais à mistura. Mas tocar as canções e bem não chega; é preciso mais do que isso, é preciso um espetáculo e é a isso que os D'alva se propõem.