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CÂNCER DE PULMÃO: OS OBSTÁCULOS PARA O DIAGNÓSTICO PRECOCE

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Academic year: 2021

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| Revista GETS, Sete Lagoas, n.2: p.57-64, 2020. | 57

CÂNCER DE PULMÃO: OS OBSTÁCULOS PARA O

DIAGNÓSTICO PRECOCE

Elaine Alves de Souza *

[email protected]

Isabel Assunção Maia *

[email protected]

Ana Carolina da Costa Ferreira *

[email protected]

Mithally Suanne Ribeiro Rocha *

[email protected]

Tainara Ribeiro Lima *

[email protected]

Karina Araújo Mendes *

[email protected]

Ananda Maria Ferreira da Costa *

[email protected]

Victor Domingos Lisita Rosa *

[email protected]

* Faculdade Alfredo Nasser – FAN e Faculdade Morgana Potrich – FAMP, Aparecida de Goiânia e Mineiros /GO, Brasil

Resumo

INTRODUÇÃO: O câncer de pulmão é o tumor maligno mais comum

mundialmente, refere ser 13% dos casos de câncer. A variação mais prevalente é o carcinoma de pulmão de células não pequenas.

METODOLOGIA: Este presente estudo constitui-se de uma revisão da

literatura especializada, realizada a partir de materiais recentes, no qual se analisaram buscas por artigos científicos. DISCUSSÃO: Mesmo com o declínio da utilização do tabaco, pesquisas nacionais mostram que a tendência é um aumento exponencial entre os jovens, e isso continua a ser um grande problema de saúde pública para o país. A associação do tabagismo com o câncer de pulmão no Brasil até 2020 será entre os homens de 83,3% e nas mulheres de 64,8%. CONCLUSÃO: No que diz respeito ao diagnóstico precoce, para determinar o estadiamento mediastinal e avaliar lesão suspeitas

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utiliza-se a USG endoscópica. Utiliza-se também outros métodos diagnósticos como RX de tórax e TC.

Palavras-chave: Câncer de pulmão. Adenocarcinoma. Saúde pública.

Tabagismo.

1 INTRODUÇÃO

O câncer de pulmão (CP) é o tumor maligno mais comum mundialmente, refere ser 13% dos casos de câncer. Dados do Global Burden os Diesease Study 2015, a causa primordial de mortalidade por câncer é o CP. Cerca de mais de 1,7 – 1,8 milhões de morte/ano e com maior taxa de mortalidade (26,6 mortes por 100.000 habitantes). Para o Brasil, estimam-se 18.740 casos novos de câncer de pulmão entre homens e de 12.530 nas mulheres para cada ano do biênio 2018-2019. Esses valores correspondem a um risco estimado de 18,16 casos novos a cada 100 mil homens, sendo o segundo tumor mais frequente; e com um risco estimado de 11,81 para cada 100 mil mulheres, ocupando a quarta posição. (ARAUJO et al., 2017; INCA, 2018-05-13)

O tipo mais prevalente é o carcinoma de pulmão de células não pequenas (CPCNP), correspondendo a 85% dos casos, sendo uma circunstância significativa de morte no Brasil e a nível mundial. No ano de 2012, aproximadamente 1,6 milhões de mortes ocorreram em todo o mundo devido ao CPCNP; em comparação ao Brasil que foram 23.493 mortes.(FERNANDES, 2017)

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Segundo a Organização Mundial de Saúde, ocorrem 1,6 milhão de mortes por ano devido ao câncer de pulmão. É um tipo de câncer que tem sua etiologia estabelecida, o tabagismo. É possível modificar a epidemiologia da doença com o simples fato do uso de filtros nos cigarros e reduzir o tabagismo. É possível ainda evidenciar o aumento dos casos no sexo feminino. (TSUKAZAN et al., 2017)

Quanto ao tipo histológico, diferenças referentes ao gênero, e a ocorrência do câncer de pulmão sobre os brasileiros, os estudos são escassos.(TSUKAZAN et al., 2017)

Avanços no tratamento cirúrgico, quimioterapia, radioterapia, diagnóstico precoce, cuidado perioperatório e tratamento sistêmico, colaboraram com a diminuição discreta nas taxas de letalidade da doença ao longo dos anos.(FERNANDES, 2017)

A sobrevida da doença em torno de 5 anos no Brasil é de 18%, equivalente aos dados mundiais, que giram em torno de 10 a 20%. O diagnóstico precoce exerce grandes determinantes do curso da doença já que estágios avançados cursam com baixas taxas na sobrevida do paciente. (ARAUJO et al., 2017)

O desenvolvimento do aperfeiçoamento no diagnóstico precoce vem sendo demonstrado pelo uso da ultrassonografia (USG) endoscópica quanto ao estadiamentomediastinal, e para avaliar também as lesões suspeitas que estejam mais periféricas. Os pacientes com CPCNP que tem assistência médica em centros de referência se beneficiam com impactos no prognóstico da doença, com tendência a melhorias no tratamento; quando comparados a hospitais gerais. (FERNANDES, 2017)

2 METODOLOGIA

Este presente estudo constitui-se de uma revisão da literatura especializada, realizada a partir de materiais do anos recentes, no qual se analisaram buscas por artigos científicos em banco de dados como Scielo e Bireme. A busca em bancos de dados foi feita utilizando-se termos específicos

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do presente estudo, priorizando trabalhos recentes e de relevância; excluíram-se aqueles cujos respectivos anos não fosexcluíram-sem atuais.

3 DISCUSSÃO

Segundo Zamboni, 2002, a primeira vez que se relacionou o tabaco ao desenvolvimento de câncer de pulmão, foi em 1927, na Inglaterra.

Desde então o aumento exorbitante de casos e a correlação com o tabaco, levaram o desenvolvimento de diversas pesquisas sobre o assunto, dentre eles, um de expressiva importância, realizado por Doll e Hill, onde deixou bastante estreita a relação da neoplasia de pulmão com a carga tabágica total inalada pelo paciente. (ZAMBONI, 2002)

O uso do tabaco foi ampliado entre as décadas de 50 e 60, com isso as políticas públicas de saúde foram implementadas e tiveram como resultado a diminuição do seu uso. Estudos no Brasil demonstram que a prevalência do uso do tabaco decaiu cerca de 50% após as políticas. Dados epidemiológicos de 2016 relatam que 8% das mulheres e 12,7% dos homens eram tabagistas com 18 anos ou mais.(ARAUJO et al., 2017)

Mesmo com o declínio da utilização do tabaco, pesquisas nacionais mostram que a tendência é um aumento exponencial entre os jovens, e isso continua a ser um grande problema de saúde pública para o país. A associação do tabagismo com o câncer de pulmão no Brasil até 2020 será entre os homens de 83,3% e nas mulheres de 64,8%. (ARAUJO et al, 2017)

Diante desse exposto, o diagnóstico precoce se torna um desafio devido aos poucos trabalhos relacionados sobre esse tema, como também não é bem estabelecido o tempo correto, entre os inícios do sintomas e o diagnóstico. No sistema público de saúde ocorre uma gama de casos, em que o paciente recebe outros tipos de tratamento, devido ao diagnóstico lento e ineficaz. (BARROS et al, 2006)

Em um estudo retrospectivo realizado, mostraram que 89% dos diagnósticos realizados de câncer de pulmão foi através de radiografia de tórax

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(RX) e que apenas 20% foram realizados por tomografia devido à falta de acesso ao aparelho de tomógrafo como também ao restrito uso de métodos invasivos como broncoscopia ou biópsia. (ARAÚJO et al, 2017)

Porém, 50% dos nódulos menores que 2 cm não são vistos no raio-x, sendo a tomografia computadorizada (TC) um método superior de diagnóstico. (IRION, 2002)

Em 2005, a taxa de tomógrafos no Brasil era de 4,9 e 30,9 por milhão de habitantes, no SUS e no setor privado, respectivamente. Havendo portanto, uma desproporção grande entre esses dois sistemas, e também entre as regiões geográficas, com muito mais recurso tecnológico no sudeste e sul e menos no nordeste e norte do país, mostrando o quão é difícil o acesso a avaliação diagnóstica. (ARAÚJO et al, 2017)

O uso do PET/CT (tomografia por emissão de pósitrons), que permite a junção de imagens metabólicas do PET com as anatômicas da CT (tomografia computadorizada), foi incluso em 2014, no Sistema Único de Saúde (SUS) permitindo tanto o diagnóstico precoce, tardio, recidiva, estadiamento, quanto a distinção entre neoplasias benignas e malignas. Porém, a disponibilidade dessa tecnologia ainda é escassa no sistema público. (Rosa; Val Ietsugu, 2015)

Os procedimentos diagnósticos invasivos, tais como broncoscopia, aspiração transtorácica com agulha fina guiada por TC, ultrassonografia endobrônquica são usados para o diagnóstico; os centros de referência têm experiência adequada, mas são exames de difícil acesso e os relatos sobre deles são escassos. (ARAÚJO et al, 2017)

O mesmo acontece com os testes moleculares no Brasil, onde a incorporação deles e o acesso são muito limitados. Em um estudo feito em 2014, observou-se que os testes de mutações do gene EGFR são feitos em menos da metade dos pacientes no Brasil, sendo que em apenas um terço deles são realizados no setor público. Isso ocorre devido em suma a quatro fatores: 1) reembolso e logística; 2) falta de acesso a terapia específica; 3) desconhecimento por parte do médico e do paciente; 4) infraestrutura

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laboratorial limitada a grandes centros ou cidades para a realização de testes moleculares. (ARAÚJO et al, 2017)

4 CONCLUSÃO

O câncer de pulmão é um problema de saúde pública, além de ser o tumor maligno mais recorrente tem alto índice de mortalidade. O tabagismo é a causa para a sua patogênese ea redução é crucial para que haja uma alteração na sua epidemiologia. Observa-se um decréscimo do mesmo, mas em contra partida há um aumento entre os jovens.

No que diz respeito ao diagnóstico precoce para determinar o estadiamento mediastinal e avaliar lesão suspeitas utiliza-se a USG endoscópica. Porém, a poucos estudos relacionados para estabelecer o tempo necessário para que se faça o diagnóstico precoce.

Utiliza-se também outros métodos diagnósticos como RX de tórax e TC. Este apesar de ser umatécnica superior tem o seu uso restrito devido à carência deste equipamento em estabelecimentos de saúde.Os procedimentos invasivos, também, são utilizados para o diagnóstico.

O PET/CT permite o diagnóstico precoce, tardio, recidiva, estadiamento e a caracterização do tipo de neoplasia, e foi implementado no ano de 2014 pelo SUS.

REFERÊNCIAS

ARAUJO LH, BALDOTTO C, JUNIOR GC, KATZ A, FERREIRA CG, MATHIAS C, MASCARENHAS E, LOPES GL, CARVALHO H, TABACOF J, MESA JM, VIANA LS, CRUZ MS, ZUKIN M, MARCHI P, TERRA RM, RIBEIRO RA, LIMA VCCL, WERUTSKY G, BARRIOS CH. Câncer de pulmão no Brasil. J

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BARROS JA, VALLADARES G, FARIA AR, FUGITA EM, RUIZ AP, VIANNA AG. Earlydiagnosisoflungcancer: thegreatchallenge. Epidemiologicalvariables, clinicalvariables, stagingandtreatment. J BrasPneumol., v.32, n.3, p.221-7, 2006.

FERNANDES CJCS. A evolução no manejo do câncer de pulmão de células não pequenas no Brasil. J BrasPneumol., v.43, n. 6, p.403-404, 2017;.

IRION, KL. Diagnóstico precoce do câncer de pulmão. Radiologia Brasileira, São Paulo, v.35, n.3, maio/junho 2002. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/S0100-39842002000300001. Acesso em: 5 mai. 2018.

ROSA MV, VAL IETSUGU, M. Utilização de PET CET no diagnóstico de neoplasia pulmonar. In: 4ª Jornada Científica e Tecnológica da FATEC,

Botucatu- SP, 2015. Disponível em:

http://www.fatecbt.edu.br/ocs/index.php/IVJTC/IVJTC/paper/viewFile/223/445. Acesso em: 5 mai. 2018

TSUKAZAN MTR, VIGO A, SILVA VD, BARRIOS CH, RIOS JO, PINTO JAF. Câncer de pulmão: mudanças na histologia, sexo e idade nos últimos 30 anos no Brasil. J BrasPneumol.; v.43, n.5, p.363-367, 2017.

ZAMBONNI M, Epidemiologia do câncer de pulmão. J Pneumol, v. 28, n.1, . p.41-47, jan-fev de 2002.

Recebido em: 08/04/2020 Aceito em: 12/12/2020

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