Vasco Miguel Cardoso Ferreira
Análise de conforto térmico em
espaços públicos na cidade de Barcelos
Vasco Miguel Cardoso Ferreira
Julho de 2013
UMinho | 2013
Análise de conf
or
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mico em espaços públicos na cidade de Bar
Julho de 2013
Tese de Mestrado
Ciclo de Estudos Integrados Conducentes ao
Grau de Mestre em Engenharia Civil
Trabalho efetuado sob a orientação da
Doutora Júlia Maria Brandão Barbosa Lourenço
Vasco Miguel Cardoso Ferreira
Análise de conforto térmico em
i
AGRADECIMENTOS
Aproveito este momento e oportunidade para deixar algumas palavras de apreço àqueles que, de uma forma ou de outra, me acompanharam e ajudaram a concretizar este trabalho.
Em primeiro lugar, e como não poderia deixar de ser, deixo uma palavra de agradecimento à minha orientadora, Professora Doutora Júlia Lourenço, pelo acompanhamento prestado, pelas dúvidas esclarecidas e pelos incentivos e motivação que sempre me foi dando.
Em segundo lugar, o meu agradecimento ao Laboratório de Física e Tecnologia das Construções, da Escola de Engenharia da Universidade do Minho, nas pessoas do Engenheiro Daniel Pinheiro, Professora Doutora Manuela Almeida e Professora Doutora Sandra Silva, por me permitirem a utilização do termo-anemómetro, imprescindível para efetuar as medições das variáveis ambientais.
Em terceiro lugar, deixo algumas palavras de agradecimento à Câmara Municipal de Barcelos, na pessoa do Arquiteto Rui Vieira por me ter disponibilizado as plantas das praças.
Em quarto lugar, expresso o meu agradecimento aos meus pais, Augusto Ferreira e Isabel Pereira, pelo apoio e pela aposta que fizeram na minha formação e sem a qual esta dissertação não seria possível. De um modo muito particular, agradeço-lhes os recursos, os meios e as experiências que, com crença e persistência, me proporcionaram sem quererem nada em troca.
Em quinto lugar, o meu reconhecimento à minha irmã, Engenheira Teresa Ferreira, e ao meu cunhado, Engenheiro Paulo Marinho que, na primeira pessoa, me deram o seu exemplo.
Em sexto lugar, agradeço aos demais familiares e amigos pelo incentivo permanente.
Por fim, agradeço à minha namorada, Professora Cidália Alves, que sempre me incentivou, que me animou nos momentos de descrença, que me deu força para fazer mais e melhor, que me aconselhou e ajudou a nível da escrita desta dissertação, por estar sempre presente nos momentos mais importantes…
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RESUMO
Esta dissertação de mestrado analisa o conforto térmico de espaços públicos, na cidade de Barcelos, através da medição de variáveis ambientais de conforto térmico e da análise do perfil, perceção e satisfação térmica dos utilizadores que as exploram. A escolha do estudo de caso na cidade de Barcelos, encontra na proveniência do autor nesta região, a motivação para indagar esta investigação.
As áreas selecionadas para o estudo são a Avenida da Liberdade, a Praça Pontevedra e o Campo Camilo Castelo Branco que, embora com diferentes designações, não são consideradas, neste estudo, enquanto praças, campos ou avenidas. Optou-se, assim, por generalizar o termo praça a todos os espaços mencionados.
Na escolha destes espaços teve-se em consideração variáveis da forma urbana como a altura e
densidade dos edifícios envolventes, natureza das superfícies de revestimento e
presença/ausência de vegetação.
O trabalho de campo foi realizado nos dias 25 e 26 de maio de 2013, nas três praças, através da medição das variáveis ambientais – temperatura do ar, humidade relativa do ar e velocidade do vento –, da aplicação de questionários a utilizadores e do preenchimento dos Referenciais de Observação Direta.
Os resultados deste estudo, apenas indicativos e nunca generalizadores, apontam para uma utilização diferenciada dos três espaços públicos estudados, sendo que uma das praças se mostrou largamente mais utilizada, comparativamente às restantes praças em estudo. Observou-se que a Avenida da Liberdade registou um maior número de utilizadores, seguida da Praça Pontevedra e, por fim, o Campo Camilo Castelo Branco. Contudo, ainda que mais utilizada, os utentes da Avenida da Liberdade mostraram-se, na sua maioria, desconfortáveis termicamente, possibilitando-nos sugerir algumas ações com vista à otimização do conforto térmico nos diferentes locais.
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ABSTRACT
This dissertation analyses the thermal comfort condition public spaces, in the city of Barcelos, by measuring environmental variables of thermal comfort and profile analyses, perception and thermal satisfaction of the users who use them. The selection of the case study in the city of Barcelos finds in the provenance of the author in this region, the motivation for this investigation question.
The areas selected for the study are the Liberty Avenue, the Pontevedra Square and Camilo Castelo Branco Field that although with different nominations are not considered in this study, as squares, fields or avenues. Opted to generalize the term squares to all spaces mentioned.
The selection of these spaces took into account variables such as height of urban form and density of the surrounding buildings, nature of coating surfaces and the presence / absence of vegetation.
The field work was conducted on May 25 and 26, 2013, in the three squares, by measuring the environmental variables - air temperature, relative humidity and wind speed -, the administration of questionnaires to the users and filling Referential of Direct Observation.
The results of this study, only indicative and not generalizing, point to a different use of the three public spaces studied, one of the squares was the most widely utilized, comparatively to the remaining squares in the study. It was observed that the Liberty Avenue registered a greater number of users, then the Pontevedra Square and finally, the Camilo Castelo Branco Field. However, although most utilized, Liberty Avenue users showed up, mostly uncomfortable thermally, allowing us to suggest some actions with a view to optimizing the thermal comfort in the different places.
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ÍNDICE GERAL
CAPÍTULO 1 – INTRODUÇÃO ... 1
1.1. Âmbito de estudo e motivações para a escolha do tema... 1
1.2. Objetivos/Questões de investigação ... 3
1.3. Estrutura da dissertação.………...3
CAPÍTULO 2 – ENQUADRAMENTO TEÓRICO... 5
2.1. Introdução……….5
2.2. Praça: etimologia, conceito e história ... 5
2.3. Exemplos de praças no mundo... 7
2.4. Exemplos de praças em Portugal ... 12
2.5. Classificação tipológica de praças ... 15
2.6. Qualidade ambiental nas praças ... 20
2.7. Conceito de conforto térmico... 21
2.7.1. Temperatura do ar ... 23
2.7.2. Humidade relativa do ar... 24
2.7.3. Velocidade do vento ... 24
2.7.4. Atividade física ... 25
2.7.5. Vestuário utilizado ... 26
2.7.6. Características físicas dos utilizadores ... 27
2.7.7. Nível económico dos utilizadores... 27
2.7.8. Sensações e preferências térmicas ... 27
2.8. Síntese ... 28
CAPÍTULO 3 – METODOLOGIA DE INVESTIGAÇÃO ... 29
3.1. Introdução………...29
3.2. Abordagem e processo metodológico ... 31
3.3. Contextos e sujeitos de investigação... 32
3.4. Procedimentos e técnicas de recolha de dados... 35
3.5. Síntese.………... 41
CAPÍTULO 4 – RECOLHA E APRESENTAÇÃO DE DADOS... 43
4.1. Introdução……….. 43
v
4.2.1. Avenida da Liberdade ... 43
4.2.2. Praça Pontevedra ... 45
4.2.3. Campo Camilo Castelo Branco ... 47
4.3. Comportamento das variáveis ambientais ... 49
4.3.1. Avenida da Liberdade ... 50
4.3.2. Praça Pontevedra ... 52
4.3.3. Campo Camilo Castelo Branco ... 54
4.4. Perfil, perceção e satisfação térmica dos utilizadores ... 56
4.4.1. Avenida da Liberdade ... 56
4.4.2. Praça Pontevedra ... 58
4.4.3. Campo Camilo Castelo Branco ... 60
4.5. Locais preferidos pelos utilizadores ... 62
4.5.1. Avenida da Liberdade ... 62
4.5.2. Praça Pontevedra ... 66
4.5.3. Campo Camilo Castelo Branco ... 72
4.6. Síntese………76
CAPÍTULO 5 – REFLEXÃO E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS... 77
5.1. Introdução ……….77
5.2. Comportamento das variáveis ambientais nos três espaços estudados ... 77
5.3. Comparação do perfil, perceção e satisfação térmica dos utilizadores das praças ... 86
5.4. Localizações preferenciais dos utilizadores das várias praças ... 90
5.5. Síntese………92
CAPÍTULO 6 – CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 93
6.1. Conclusões ………93
6.2. Sugestões de melhoria e desenvolvimentos futuros ... 96
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 99
ANEXOS ... 103
1. Plantas dos três espaços públicos……….103
2. Questionário administrado………..……….106
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ÍNDICE DE FIGURAS
Figura 1 - Praça de Merdeka, Indonésia ... 8
Figura 2 - Praça dos Girassóis, Brasil... 8
Figura 3 - Praça da Constituição, México ... 9
Figura 4 - Praça de Maio, Argentina ... 9
Figura 5 - Praça da Concórdia, França ... 10
Figura 6 - Praça Maior, Espanha ... 10
Figura 7 - Praça de São Pedro, Vaticano ... 11
Figura 8 - Praça Alexandre Albuquerque, Cabo Verde ... 11
Figura 9 – Praça da Federação, Austrália ... 11
Figura 10 - Praça do Areeiro ... 12
Figura 11 - Praça Mouzinho de Albuquerque... 13
Figura 12 - Praça do Comércio ... 13
Figura 13 - Campo Camilo Castelo Branco... 14
Figura 14 - Praça Pontevedra... 14
Figura 15 - Avenida da Liberdade ... 14
Figura 16 - Praças triangulares ... 17
Figura 17 - Praça trapezoidal ... 18
Figura 18 - Praças retangulares... 18
Figura 19 - Praça com formato em "L"... 18
Figura 20 - Praças circulares, elipsoidais ... 19
Figura 21 - Praças semicirculares ... 19
Figura 22 - Barcelos: localização e organização ... 33
Figura 23 - Localização das praças selecionadas, na cidade de Barcelos ... 35
Figura 24 - Termo-anemómetro utilizado na investigação ... 36
Figura 25 - Localização dos três pontos de medição na Avenida da Liberdade ... 37
Figura 26 - Localização dos três pontos de medição na Praça Pontevedra ... 37
Figura 27 - Localização dos três pontos de medição no Campo Camilo Castelo Branco ... 38
Figura 28 - Delimitação da Avenida da Liberdade... 44
Figura 29 - Estátua ao Bombeiro Voluntário, Avenida da Liberdade ... 44
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Figura 31 - Áreas de vegetação, Avenida da Liberdade ... 45
Figura 32 - Delimitação da Praça Pontevedra ... 46
Figura 33 - Área de vegetação, Praça Pontevedra ... 46
Figura 34 - Chafariz, Praça Pontevedra ... 47
Figura 35 - Delimitação do Campo Camilo Castelo Branco ... 48
Figura 36 - Área de vegetação, Campo Camilo Castelo Branco ... 48
Figura 37 - Chafariz, Campo Camilo Castelo Branco ... 49
Figura 38 - Áreas de preferência dos utilizadores, Avenida da Liberdade ... 91
Figura 39 - Áreas de preferência dos utilizadores, Praça Pontevedra ... 91
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ÍNDICE DE TABELAS
Tabela 1 - Relação de algumas praças no mundo ... 7
Tabela 2 - Designação das praças e sua definição, segundo Angelis et al, 2004 ... 16
Tabela 3 - Designação das praças e sua definição, segundo Rigotti, 1956 ... 17
Tabela 4 - Variáveis de Conforto Térmico ... 23
Tabela 5 - Limites de Conforto Térmico ... 24
Tabela 6 - Escala de Beaufort ... 25
Tabela 7 - Relação entre o metabolismo e as atividades quotidianas ... 26
Tabela 8 - Resistência térmica do vestuário ... 26
Tabela 9 - Relação dos objetivos de investigação com as questões de investigação ... 30
Tabela 10- Momentos e locais de aplicação do Referencial de Observação Direta ... 40
Tabela 11 - Resultados das medições efetuadas na Avenida da Liberdade no dia 25.05.2013. ... 50
Tabela 12 - Resultados das medições efetuadas na Avenida da Liberdade no dia 26.05.2013. ... 51
Tabela 13 - Resultados das medições efetuadas na Praça Pontevedra no dia 25.05.2013. ... 52
Tabela 14 - Resultados das medições efetuadas na Praça Pontevedra no dia 26.05.2013. ... 53
Tabela 15 - Resultados das medições efetuadas no Campo Camilo Castelo Branco no dia 25.05.2013. ... 54
Tabela 16 - Resultados das medições efetuadas no Campo Camilo Castelo Branco no dia 26.05.2013. ... 55
Tabela 17 - Resultados dos questionários aplicados aos utilizadores da Avenida da Liberdade nos dias 25.05.2013 e 26.05.2013... 57
Tabela 18 - Resultados dos questionários aplicados aos utilizadores da Praça Pontevedra nos dias 25.05.2013 e 26.05.2013 ... 59
Tabela 19 - Resultados dos questionários aplicados aos utilizadores do Campo Camilo Castelo Branco nos dias 25.05.2013 e 26.05.2013 ... 61
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ÍNDICE DE GRÁFICOS
Gráfico 1 - Temperaturas médias anuais, em Barcelos, 2012-2013 ... 34 Gráfico 2 – Descrição do perfil dos utilizadores da Avenida da Liberdade nos dois dias de investigação, variável “sexo”... 62 Gráfico 3 - Descrição do perfil dos utilizadores da Avenida da Liberdade nos dois dias de investigação, variável “classe etária” ... 63 Gráfico 4 - Descrição do perfil dos utilizadores da Avenida da Liberdade nos dois dias de investigação, variável “Atividade física” ... 64 Gráfico 5 - Descrição do perfil dos utilizadores da Avenida da Liberdade nos dois dias de investigação, variável “Localização”... 65 Gráfico 6 - Descrição do perfil dos utilizadores da Avenida da Liberdade nos dois dias de investigação, variável “Utilização de elementos” ... 66 Gráfico 7 - Descrição do perfil dos utilizadores da Praça Pontevedra nos dois dias de
investigação, variável “sexo”... 67 Gráfico 8 - Descrição do perfil dos utilizadores da Praça Pontevedra nos dois dias de
investigação, variável “classe etária” ... 68 Gráfico 9 - Descrição do perfil dos utilizadores da Praça Pontevedra nos dois dias de
investigação, variável “atividade física”... 69 Gráfico 10 - Descrição do perfil dos utilizadores da Praça Pontevedra nos dois dias de
investigação, variável “Localização”... 70 Gráfico 11 - Descrição do perfil dos utilizadores da Praça Pontevedra nos dois dias de
investigação, variável “Utilização de elementos” ... 71 Gráfico 12 - Descrição do perfil dos utilizadores do Campo Camilo Castelo Branco nos dois dias de investigação, variável “sexo” ... 72 Gráfico 13 - Descrição do perfil dos utilizadores do Campo Camilo Castelo Branco nos dois dias de investigação, variável “classe etária” ... 73 Gráfico 14 - Descrição do perfil dos utilizadores do Campo Camilo Castelo Branco nos dois dias de investigação, variável “Atividade física” ... 74 Gráfico 15 - Descrição do perfil dos utilizadores do Campo Camilo Castelo Branco nos dois dias de investigação, variável “Localização” ... 75
x
Gráfico 16 - Descrição do perfil dos utilizadores do Campo Camilo Castelo Branco nos dois dias de investigação, variável “Utilização de elementos” ... 75 Gráfico 17- Média da temperatura do ar, nos dois dias de investigação, nos vários pontos da Avenida da Liberdade ... 78 Gráfico 18 - Média da temperatura do ar, nos dois dias de investigação, nos vários pontos da Praça Pontevedra ... 79 Gráfico 19 - Média da temperatura do ar, nos dois dias de investigação, nos vários pontos do Campo Camilo Castelo Branco ... 80 Gráfico 20 - Variação média da temperatura do ar, nos dois dias de investigação, nas várias praças em estudo ... 81 Gráfico 21 - Média da humidade relativa do ar, nos dois dias de investigação, nos vários pontos da Avenida da Liberdade ... 81 Gráfico 22 - Média da humidade relativa do ar, nos dois dias de investigação, nos vários pontos da Praça Pontevedra ... 82 Gráfico 23 - Média da humidade relativa do ar, nos dois dias de investigação, nos vários pontos do Campo Camilo Castelo Branco ... 83 Gráfico 24 - Variação média da humidade relativa do ar, nos dois dias de investigação, nas várias praças em estudo ... 84 Gráfico 25 - Média da velocidade do vento, nos dois dias de investigação, nos vários pontos da Avenida da Liberdade ... 84 Gráfico 26 - Média da velocidade do vento, nos dois dias de investigação, nos vários pontos da Praça Pontevedra... 85 Gráfico 27 - Média da velocidade do vento, nos dois dias de investigação, nos vários pontos do Campo Camilo Castelo Branco ... 85 Gráfico 28 - Variação média da velocidade do vento, nos dois dias de investigação, nas várias praças em estudo ... 86 Gráfico 29 - Resposta dos utilizadores das três praças à questão "Como se sente agora?"... 88 Gráfico 30 - Resposta dos utilizadores das três praças à questão "Sente-se confortável ou desconfortável?" ... 88 Gráfico 31 - Resposta dos utilizadores das três praças à questão "Como gostaria de sentir-se agora?... 89 Gráfico 32 - Resposta dos utilizadores das três praças à questão sobre as finalidades das mesmas ... 89
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LISTA DE ABREVIATURAS
ASHRAE American Society of Heating, Refrigeration and Air Conditioning INE Instituto Nacional de Estatística
Inq. Inquérito
IPMA Instituto Português do Mar e da Atmosfera m/s Metros por segundo
m² Metros quadrados m³ Metros cúbicos ºC Grau Celsius
ROD Referencial de Observação Direta W/m² Watts por metro quadrado
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CAPÍTULO 1 – INTRODUÇÃO
1.1. Âmbito de estudo e motivações para a escolha do tema
O estudo que aqui se apresenta – Análise de Conforto Térmico em Espaços Públicos na Cidade de Barcelos – surge no âmbito do Mestrado Integrado em Engenharia Civil, ministrado na Universidade do Minho.
Com efeito, a sociedade portuguesa vive, atualmente, uma situação económica desfavorável e que se traduz em carências a nível emocional, social e relacional, sentimentos que é necessário combater ou apaziguar. O estudo das cidades, da sua evolução, dos seus espaços, das respostas que estas dão aos utilizadores é fulcral para a compreensão do mundo em que se vive e para repensar a planificação de novas cidades, de novos espaços, de novas respostas a uma sociedade cada vez mais inconformada e, por isso, mais exigente, numa perspetiva de inovação e mudança.
O crescimento urbano, quando previamente mal estruturado e planificado, corre o risco de não passar de uma substituição de áreas naturais por áreas construídas arbitrária e densamente, o que leva ao aparecimento de problemas ambientais, dos quais o desconforto térmico faz parte. Para Giralt (2006), estas condições problemáticas podem estar relacionadas com a rugosidade, a ocupação do solo, a verticalização dos edifícios, a orientação, a permeabilidade e as propriedades dos materiais constituintes e a redução das áreas verdes. Estas caraterísticas conjugadas com a velocidade e direção dos ventos, com a temperatura, com a humidade e a precipitação, podem resultar em condições adversas, que comprometerão logicamente a permanência ou visita de utentes a determinados espaços na cidade. Por outro lado, as intervenções urbanas condicionam e interferem diretamente na qualidade de vida da população citadina. Por isso, estudos (Giralt, 2006) demonstram que o ambiente artificial tem--se sobreposto à capacidade biológica dos seus habitantes. Estes sentem necessidade da existência de espaços sem construções e com presença de vegetação e água.
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Concorda-se, nessa medida, com Romero (2001) quando enfatiza a necessidade de conhecer a forma como as variáveis do meio (temperatura, radiação, movimento e humidade do ar) atuam sobre a perceção térmica sentida pelo ser humano.
Neste quadro, torna-se desafiador e importante analisar o papel que os espaços públicos desempenham na vida da atual sociedade, uma vez que estes “são elaborados para desempenharem um papel importante para a socialização, além de representarem os espaços indicados para atividades físicas e de recreação” (Souza, 2010, p. 53).
Neste estudo, os espaços públicos analisados situam-se na cidade de Barcelos e são a Praça Pontevedra, a Avenida da Liberdade e o Campo Camilo Castelo Branco. Embora os documentos oficiosos lhes atribuam diferentes designações, encarar-se-ão, nesta investigação, como praças, uma vez que os três espaços cumprem os requisitos significativos do termo praça como adiante se explicitará. Estes espaços públicos serão estudados enquanto áreas urbanas polifuncionais. Esta polifuncionalidade é encarada numa perspetiva de possibilitarem situações de encontro, de interação, de lazer, intimamente relacionadas com o seu papel social, reflexivo e introspetivo.
Segundo Wilheim (1976) citado por Pizarro et al (2007):
“as praças também têm forte desempenho na perceção da qualidade de vida urbana e entre os fatores (...) destacam-se o papel de favorecer ao Homem o prazer através da satisfação sensorial, o proporcionar da sensação de saúde e salubridade, o conforto ambiental, a liberdade espacial, a prática do silêncio, momentos de privacidade (...), o uso de equipamentos coletivos, a possibilidade de inserção social e favorecimento da autoestima e liberdade de expressão individual ou coletiva” (p. 1510).
É precisamente a importância da existência de praças no espaço urbano o mote para este estudo. De forma a agilizá-lo e a adequá-lo às condições e trâmites temporais em que se desenrolou, apresenta-se aqui uma análise breve dos três espaços, dando-se especial relevância às variáveis de conforto térmico que os mesmos apresentam e a forma como estas se relacionam com as funções que desempenham, bem como a utilização que despoletam por parte dos utilizadores.
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1.2. Objetivos/Questões de investigação
Nesta dissertação traçam-se alguns objetivos a atingir para, por um lado, se criar uma linha orientadora de investigação e, por outro lado, se conseguir sintetizar e expor a informação recolhida, de forma clara, direta e assertiva.
Assim, o primeiro objetivo de investigação é a elaboração de um quadro teórico que contextualize a problemática do conforto térmico em espaços públicos; o segundo objetivo passa por analisar a Avenida da Liberdade, a Praça Pontevedra e o Campo Camilo Castelo Branco e os elementos que deles fazem parte; em terceiro lugar, pretende-se aferir o conforto térmico sentido nos referidos espaços e, por fim, elaborar propostas de intervenção com vista à rentabilização do conforto térmico. Nessa linha de ideias, procura-se responder às necessidades e interesses dos seus utilizadores, fomentando uma visita mais sistemática a esses locais e uma permanência mais duradoura.
Para se atingirem os objetivos propostos, organiza-se o registo da investigação em diferentes capítulos e itens, como adiante se pormenoriza.
1.3. Estrutura da dissertação
Esta dissertação organiza-se em seis partes lógicas e sequenciais que se designam por capítulos, no cerne dos quais se apresentam diferentes itens ou subcapítulos, com o intuito de dar resposta às questões de investigação inicialmente formuladas, atingindo os objetivos que nos movem.
Assim, no capítulo 1 – Introdução – é feita uma contextualização da problemática a estudar, em harmonia com a atualidade portuguesa, no que diz respeito às dimensões políticas, financeiras, económicas, sociais e éticas que a sociedade vive e às quais necessita de dar resposta. É mencionado o âmbito e a abrangência do estudo, bem como as motivações que nos levaram a enveredar pela problemática. São apresentados, ainda, os objetivos de investigação que se pretendem atingir e, consequentemente, a forma de operacionalização que se estabeleceu para esse fim. A definição da estrutura da dissertação faz, pois, parte deste capítulo.
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Seguidamente, faz-se um Enquadramento Teórico do tema – Capítulo 2 – no qual se trilha um breve percurso histórico pelas origens do termo praça, seguido de uma definição atual e munido de exemplos de praças nacionais e internacionais. Considera-se, ainda, importante referenciar mecanismos e estruturas da análise de praças, bem como identificar e fundamentar o conceito de qualidade ambiental nas praças. Intimamente ligado com este conceito, está também o de conforto térmico pelo que se define também nesta parte do trabalho. Além da definição, opta-se também por mencionar e estudar as variáveis que o condicionam, uma vez que serão tidas em conta no trabalho empírico posteriormente apresentado.
No capítulo 3, designado Metodologia de Investigação, apresenta-se o problema que originou a investigação, bem como as questões e objetivos que a circunscrevem. Esclarece-se o processo metodológico, utilizando-se como estratégia investigativa o estudo de caso de três praças na cidade de Barcelos. Delimita-se o contexto de investigação e procede-se às linhas gerais da escolha dos sujeitos de investigação. Esclarecem-se, ainda, os procedimentos e as estratégias de recolha de dados utilizados.
Após esta explanação, surge o capítulo 4 – Recolha e Apresentação de Dados – no qual os dados recolhidos são apresentados, tratados e categorizados, possibilitando a sua Reflexão e Interpretação no capítulo sequente – Capítulo 5. Neste capítulo, à medida que os dados vão sendo interpretados, vão também sendo descritas algumas sugestões de melhoramento dos índices de conforto térmico, acompanhadas de uma triangulação com o enquadramento teórico previamente conseguido, de forma a poderem-se enunciar algumas conclusões.
Por fim, no capítulo 6 – Considerações Finais – são tecidas algumas apreciações sobre a totalidade da investigação, os aspetos superados, os aspetos menos conseguidos, as condicionantes que contribuíram para que tal ocorresse e sugestões para próximas investigações nesta área.
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CAPÍTULO 2 – ENQUADRAMENTO TEÓRICO
2.1. Introdução
O sucesso de qualquer investigação carece de uma articulação teoria-prática, pelo que é necessário que o estudo empírico seja acompanhado de uma revisão da literatura que permita enquadrar o tema e as palavras-chave intimamente ligadas ao mesmo.
Neste sentido, apresenta-se, em seguida, um quadro teórico, cujo objetivo é dar a conhecer, ao leitor e ao investigador, as linhas gerais da problemática estudada, possibilitando, mais adiante, uma triangulação e/ou contrastação dos dados obtidos com esta fundamentação.
2.2. Praça: etimologia, conceito e história
Etimologicamente, o termo praça origina-se do latim platea que significa rua larga e local para reuniões públicas. Ao longo dos tempos, o termo praça foi sofrendo alterações de significado e, ainda hoje, é um termo polissémico, mudando de características de local para local, de cultura para cultura.
Traçando a sua trajetória histórica, sabe-se que as praças eram utilizadas pelos Gregos e pelos Romanos como local propício à discussão e debate de ideias e, nesse contexto, materializavam as ideias de quem as frequentava, assumindo-se como local para a prática da democracia direta.
Referindo-se à ágora (praça pública grega), Neves (2009, p.38) afirma que “nela se concentravam as atividades sociais e económicas, religiosas e culturais”. Conclui afirmando que a ágora passou a centralizar o mercado e as assembleias e a ser o centro cívico e político da cidade. Por seu turno, o fórum (praça pública romana) continha em si toda a monumentalidade do Estado. Era um espaço fechado de edifícios e quem o frequentava estava subordinado a esses enormes prédios públicos.
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De acordo com Macedo & Robba (2002), até meados do século XVIII, o projeto de praças restringia-se ao tratamento paisagístico de grandes palácios, estivessem estes inseridos ou não em contexto urbano.
Respeitando a classificação de Harder (2002), pode-se definir a praça como um espaço de uso público nas cidades que pode contar com bancos, parque infantil, recursos desportivos ou outro mobiliário urbano. Refere o mesmo autor, que as praças apresentam três características fulcrais: em primeiro lugar, a característica social, possibilitando o exercício de inúmeras atividades de lazer, desportivas ou contemplativas dos seus utilizadores; em segundo lugar, a característica simbólica, na medida em que podem representar as memórias que fazem parte da história de determinada cidade; em terceiro e último lugar, o carácter ambiental já que, nas praças, pode ser encontrada vegetação de diferentes espécies e portes. A este respeito Mascaró & Mascaró (2002) defendem que a vegetação “ameniza a radiação solar nas estações quentes, através da sombra; reduz a carga térmica recebida pelos edifícios, veículos e peões; modifica a velocidade e direção dos ventos; atua como barreira acústica; reduz a poluição do ar através da fotossíntese e da respiração”.
Do que foi sendo exposto se entende que uma praça é um espaço público que, como o nome indica, não apresenta implantação de edifícios e que estimula a convivência, a recreação, o lazer, o descanso e a vida pública. Apesar de não ser uma regra, nas praças costuma privilegiar-se o peão e não a acessibilidade de veículos.
Como foi referido, praça é um conceito polissémico e gerador de algumas controvérsias sobre a sua definição. Contudo, é consensual que na definição de praça estejam presentes elementos ligados às suas funções e ao conforto térmico como está descrito nos textos seguintes:
“As praças são espaços livres que constituem zonas de amenização do clima, cumprem funções sociais, culturais e higiénicas. Contribuem para uma melhor movimentação do ar, transformando as condições de salubridade”.
(Cavalcante e Veloso, 2001, p. 1) “A praça é o lugar intencional do encontro, da permanência, dos acontecimentos, de práticas sociais, de manifestações da vida urbana e comunitária e, consequentemente, de funções estruturantes e arquiteturas significativas”.
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“A praça, delimitada pelas fachadas das edificações que a circundam, é um espaço pleno de significados e com ambiência própria (...) No sentido restrito, a praça é um local fechado – ou um interior aberto – ao qual se aplica a noção de lugar, possuindo um alto conteúdo simbólico”.
(Mascaró, 1996, p. 155)
De forma sintética, as praças funcionam como locais de convívio e encontro e traduzem, muitas vezes, acontecimentos históricos importantes para os locais onde se situam. Seguidamente, apresentam-se alguns exemplos de praças existentes a nível nacional e internacional.
2.3. Exemplos de praças no mundo
Como foi referido, a noção de praça diferencia-se de local para local, de país para país, de região para região, de cultura para cultura. Assim, apresenta-se, em seguida, um estudo breve mas comparativo de algumas das praças existentes no mundo, situadas nos cinco continentes – Europa, Ásia, América, Oceania e África. A seleção feita é meramente indicativa sendo, por isso, aleatória. Tem-se, como objetivo, apenas exemplificar o conceito trabalhado.
Tabela 1 - Relação de algumas praças no mundo
Fonte: Elaboração própria, 2013
Continente Praça País Cidade Área (m2) Ásia Praça Merdeka Indonésia Jacarta 1.000.000
América
Praça dos Girassóis Brasil Palmas 750.000
Praça da Constituição México Cidade do México 57.600
Praça de Maio Argentina Buenos Aires 19.713
Europa
Praça da Concórdia França Paris 86.400
Praça Maior Espanha Madrid 12.126
Praça de São Pedro Vaticano Cidade do Vaticano 22.783
África Praça Alexandre
Albuquerque Cabo Verde Praia 7.500
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A Praça de Merdeka é a praça com a área maior em todo o mundo. Possui uma zona de vegetação, zona pavimentada e lagos (Figura 1).
Figura 1 - Praça de Merdeka, Indonésia
Fonte: http://www.bigviagem.com/os-10-mais-de-todo-o-mundo/ (Online: 13.01.2012)
A Praça dos Girassóis (Figura 2) é uma praça pública que fica localizada em Palmas, no Brasil. Devido à sua grande área, é o principal ponto turístico de Palmas, concentrando os prédios-sede dos três poderes estaduais.
Figura 2 - Praça dos Girassóis, Brasil
Fonte: http://superinforpg.blogspot.pt/2012/04/praca-dos-girassois-em-palmas-to-maior.html
(Online: 13.01.2012)
A Praça da Constituição (Figura 3) está localizada no Centro Histórico da Cidade do México. Está rodeada pela Catedral Metropolitana da Cidade do México, o Palácio Nacional do México e o edifício do Governo do Distrito Federal. Adicionalmente, a praça está rodeada por edifícios comerciais, administrativos e hotéis.
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Figura 3 - Praça da Constituição, México
Fonte: http://turismo.culturamix.com/atracoes-turisticas/a-praca-da-constituicao
(Online: 13.01.2012)
A Praça de Maio (Figura 4) é a principal praça do centro da cidade de Buenos Aires. A praça sempre foi o centro da vida política de Buenos Aires, desde a época colonial até à atualidade. O nome comemora a Revolução de Maio de 1910 que iniciou o processo de independência das colónias da região sul da América do Sul.
Figura 4 - Praça de Maio, Argentina
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A Praça da Concórdia (Figura 5) foi concebida, em 1755, como um octógono limitado pelos Campos Elísios e pelo Jardim das Tulheiras. É utilizada vulgarmente para a comemoração de vitórias políticas.
Figura 5 - Praça da Concórdia, França
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Pra%C3%A7a_da_Conc%C3%B3rdia
(Online: 13.01.2012)
A Praça Maior (Figura 6) é uma praça retangular, rodeada por edifícios de três pisos, sendo a entrada possível apenas através dos nove pórticos. Debaixo dos pórticos, nas arcadas, localizam-se lojas tradicionais, configurando-se como um dos pontos turísticos mais relevantes da cidade de Madrid.
Figura 6 - Praça Maior, Espanha
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Plaza_Mayor_(Madrid) (Online: 13.01.2012)
A Praça de São Pedro (Figura 7) situa-se em frente à Basílica de São Pedro, no Vaticano. Foi desenhada por Bernini, no século XVII. Nas maiores festas da Igreja, é nesta praça que o Papa celebra a Missa Pontifícia.
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Figura 7 - Praça de São Pedro,Vaticano
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Vatican_StPeter_Square.jpg
(Online: 13.01.2012)
A Praça Alexandre Albuquerque (Figura 8) situa-se na cidade de Praia. É possível encontrar vendas na rua, sapateiros e até serviços de costura. É muito utilizada pelos jovens para terem acesso à internet gratuita e para andarem de patins.
Figura 8 - Praça Alexandre Albuquerque, CaboVerde
Fonte: http://fotos.sapo.pt/cabo_verde/fotos/?uid=dLZZ9caHCu59nyOiijv1&aid=208
(Online: 13.01.2012)
A Praça da Federação (Figura 9) é um espaço público de grande valor cultural de Melbourne. Engloba vários museus, cinemas, teatros e restaurantes, formando um centro de lazer.
Figura 9 – Praça da Federação, Austrália
Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/File:FederationSquare-panorama.jpg
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2.4. Exemplos de praças em Portugal
Em Portugal, a praça é um elemento morfológico da cidade marcado pela organização espacial e intencionalidade do desenho. Segundo Lamas (1992), citado por Ferreira (2009) “a praça pressupõe a vontade e o desenho de uma forma e de um programa”, sendo que essa forma terá que se “relacionar com a função de modo a permitir o desenvolvimento eficaz das atividades que nela se processam” (p. 14).
Coelho (2008) defende que um fator de distinção entre as praças é o processo de origem das mesmas. Importa saber se resultaram de um processo evolutivo que foi sedimentando, progressivamente, a sua forma ou se a praça foi construída a partir de um projeto único pré-concebido. Toma como exemplos a Praça do Areeiro (Figura 10), em Lisboa, projetada integralmente e a Praça Mouzinho de Albuquerque (Figura 11), no Porto, que resulta de um processo evolutivo de construção.
Fonte:http://www.panoramio.com/photo_exp lorer#view=photo&position=3628&with_photo
_id=1292333&order=date_desc&user=226942 (Online: 13.01.2012)
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Fonte:
http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Porto_-_Pra%C3%A7a_Mouzinho_de_Albuquerque.jpg (Online: 13.01.2012)
Para além destas, pode-se ainda referir a Praça do Comércio (figura 12), em Lisboa, que é uma das maiores praças da Europa, com cerca de 36 000 m².
Figura 12 - Praça do Comércio
Fonte: http://www.portugaltours.com.pt/br/blog-
viagens/20115/praca-do-comercio-lisboa.aspx (Online: 13.01.2012)
No que respeita ao concelho de Barcelos e aos espaços públicos existentes, que serão objeto deste estudo, referem-se o Campo Camilo Castelo Branco (Figura 13), a Praça Pontevedra (Figura 14) e a Avenida da Liberdade (Figura 15) como espaços cujo estudo vai ser aprofundado.
Não se quer deixar de esclarecer que as nomenclaturas existentes nos documentos oficiais que se referem a estes espaços públicos, apontam para designações de espaços públicos diferentes: campo, praça, avenida. Contudo, neste estudo, pela limitação temporal que se tem, e que não
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permite abordar mais do que uma designação de espaço público, referir-se-ão estes três espaços sempre à luz do conceito de praça, na medida em que, se considera que se enquadram nos critérios a que as praças devem responder e que se enunciam ao longo desta dissertação.
Fonte: Elaboração própria, 2013
Fonte: Elaboração própria, 2013
Figura 15 - Avenida da Liberdade
Fonte: Elaboração própria, 2013 Figura 13 - Campo Camilo Castelo Branco
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2.5. Classificação tipológica de praças
As praças, enquanto elemento central do espaço público urbano, são suscetíveis de serem analisadas do ponto de vista da qualidade que possuem. Existem, nesse sentido, algumas características que permitem a análise das mesmas.
No que concerne às características arquitetónicas dos edifícios envolventes, a escolha de materiais na sua construção desempenha um papel fundamental tanto a nível estético como a nível de alteração das condições de microclima, aspetos que influenciam o comportamento dos utilizadores. Para além disso, a função que determinado edifício desempenha condiciona também a utilização da praça em que se insere.
A propósito dos microclimas urbanos, Almeida (2006), referenciado por Sousa (2009, pp. 8, 9) defende que:
“o clima de uma cidade é função de diversas variáveis, assumindo maior relevância o clima e a geografia da região. Contudo, fatores como o aumento da área edificada e pavimentada, o crescimento da população e o consequente agravamento dos índices de poluição induzem alterações radioativas, térmicas e de determinadas características da atmosfera que conduzem a climas urbanos específicos”.
A existência de obras de arte e mobiliário urbano é outro fator que condiciona a frequência e permanência dos utilizadores nas praças. A par disso, também as infraestruturas existentes enriquecem ou empobrecem a utilização das praças e respetiva permanência nas mesmas. As necessidades a nível da mobilidade urbana devem também ser tidas em conta. É de evitar passeios estreitos e construções desniveladas, por forma a dar uma resposta agradável aos utilizadores das mesmas, aumentando o nível de mobilidade destes.
Tipologicamente, os espaços públicos podem ser categorizados de acordo com várias dimensões, assumindo designações diferentes à medida que se referem a distintos autores. Lynch (1981), citado por Ferreira (2009), classifica os espaços públicos como lineares e não lineares, sendo que nos primeiros encaixa as ruas e as frentes ribeirinhas e nos segundos enquadra os largos, os parques e as praças, entre outros.
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Já para Angelis et al (2004), na linha de ideias de outros autores referenciados (Matas Colom et al, 1983), as praças podem assumir quatro definições: praças de significação simbólica, praças de significação visual, praças com função de circulação e praças com funções recreativas. A Tabela 2 espelha o significado de cada uma das tipologias de praça.
Tabela 2 - Designação das praças e sua definição, segundo Angelis et al, 2004
Fonte: Elaboração própria, com base nas ideias de Ferreira (2009)
Tipologias de praças
Designação Definição
Significação simbólica
Marco urbano, quase sempre, de desenho monumental e que se relaciona com algum acontecimento de importância nacional.
Significação visual
Não se recorda por si, mas sim pelo monumento ou edificação, geralmente pública, que a define e ao qual ela está subordinada.
Circulação Devido à sua localização, converte-se num lugar de passagem obrigatória de
veículos e/ou pedestres.
Recreação Reconhece-se pelo desenvolvimento de atividades de entretenimento, passeio
ou encontro.
Em 1956, Rigotti considerou a presença e o número de vias numa praça, um elemento importante para a caracterização da mesma. Definiu, assim, quatro grupos de praças – praças radiais, praças em leque, praças de junção tangencial e praças de junção axial ou de atravessamento direto –, cujas ideias a Tabela 3 sintetiza.
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Tabela 3 - Designação das praças e sua definição, segundo Rigotti, 1956
Fonte: Elaboração própria, com base nas ideias de Ferreira (2009)
Tipologias de praças
Designação Definição
Radiais Diversas vias confluem simetricamente, ou não, a um único foco no
centro de um amplo espaço.
Em leque A confluência num ponto é limitada a poucas vias que partem em
raios de um único sector.
Junção tangencial Permitem uma circulação giratória, a partir de uma única via que faz
a circulação da mesma. Junção axial ou de
atravessamento direto Propiciadas pela interseção ortogonal de duas vias.
Por sua vez, Kostof (1992), referenciado por Ferreira (2009), aludiu ao desenho das praças, encontrando vários tipos: triangulares (Figura 16), trapezoidais (Figura 17), retangulares (Figura 18), formatos em “L” (Figura 19), circulares, elipsoidais (Figura 20) e semicirculares (Figura 21).
Fonte: Ferreira, 2009, p.17
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Fonte: Ferreira, 2009, p.17
Fonte: Ferreira, 2009, p.17
Fonte: Ferreira, 2009, p.17 Figura 17 - Praça trapezoidal
Figura 18 - Praças retangulares
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Fonte: Ferreira, 2009, p.17
Figura 21 - Praças semicirculares
Fonte: Ferreira, 2009, p.17
Tanto para Kostof (1992) (em Ferreira, 2009) como para Coelho (2008), a forma que, mais vezes, é utilizada no espaço público é a forma retangular, na medida em que este traçado tem como vantagem a possibilidade de evidenciar um edifício ou monumento que esteja disposto quer paralela quer perpendicularmente ao eixo maior.
Porém, os espaços triangulares e os espaços circulares, embora menos frequentes, surgem também no desenho urbano. De acordo com Ferreira (2009), os espaços triangulares “surgem, muitas vezes, associados ao entroncamento de arruamentos, possibilitando uma aproximação axial à frente perpendicular ao eixo da via principal, ou à ação de edifícios de grande dimensão sobre o tecido urbano” (p. 19). Os espaços circulares, em particular, “ocorrem na cidade europeia como resultado do processo de sedimentação, determinado, em geral, por efeitos de atração de um edifício isolado, num contexto bem distinto e mais recente, como resultado dos projetos de expansão da cidade oitocentista” (idem, ibidem).
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2.6. Qualidade ambiental nas praças
Considerando que as praças são espaços destinados ao uso público, convém ter presente a ideia de que devem ter uma boa qualidade do espaço envolvente, favorecendo o desenvolvimento das atividades que estas propiciam.
De acordo com Ferreira (2009) “uma praça não é um elemento disperso na cidade, mas sim um elemento que compõe e interage com todos os outros espaços públicos” (p. 20). A mesma autora prossegue com a ideia de que se uma praça for um espaço público agradável tornar-se-á um polo de atração, contribuindo para o desenvolvimento da envolve nte e vice-versa.
Várias pesquisas denotam que a qualidade do espaço influencia o uso que a praça despoleta. Por exemplo, Fontes & Gasparini (2003) observaram que, em áreas com sombra, existia um maior número de pessoas, concluindo que o planeamento arbóreo correto pode influenciar a utilização das praças. Da mesma forma, verificaram a importância do mobiliário nas praças, já que o mesmo era utilizado frequentemente para as práticas que lhes estão associadas.
Defende Alva (1997), citado por Cavalcante (2007) que a qualidade ambiental urbana diz respeito ao conjunto de condições materiais, sociais e psicológicas que maximizam o bem-estar humano nas cidades.
Por essa razão, Romero (2001) alerta para o facto de que “desenhar espaços públicos não é dispor massas de edifícios ou fachadas nos mesmos, mas criar uma experiência de espaço envolvente articulado entre si e apto para o uso comum a que se destina” (p. 30).
Para terminar, no que se refere ao revestimento do solo, este tem impacto no clima urbano. Segundo Mascaró (1996) o solo dos espaços urbanos é mais impermeável do que o dos espaços rurais. Acrescenta que “essa impermeabilização pode causar o aumento da temperatura do ar nessas áreas, a redução da humidade do ar, a diminuição da evaporação na área urbana e acúmulo [acumulação] da radiação térmica na estrutura urbana” (idem, ibidem).
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Pelo que foi exposto, os projetos de construção de praças tornam-se um desafio para os seus executores, na medida em que muitas são as variáveis a ter em consideração para otimizar o conforto térmico das praças.
2.7. Conceito de conforto térmico
O conceito de Conforto Térmico diz respeito a uma condição mental do ser humano que expressa satisfação com o ambiente térmico que o rodeia. Por outras palavras, ter conforto térmico significa que uma pessoa, usando uma quantidade adequada e normal de roupa, não sente frio nem calor.
Numa linguagem mais técnica, é sabido que o ser humano é homeotérmico. Significa que a temperatura interna do corpo humano é controlada pelo Hipotálamo, responsável pela estabilização térmica interna do corpo entre os 36,6ºC e 37ºC. Este equilíbrio é concretizado através da perda e da produção de calor, em interação com o ambiente externo, quente ou frio respetivamente. Não se estranha, pois, que Souza (2010) defenda que “para que aconteça conforto térmico, é preciso que todo o calor produzido pelo organismo seja eliminado na mesma proporção, permanecendo o organismo em temperatura estável, sem que precise de ativar os mecanismos de troca de calor (p. 43).
Os estudos apontam para que, se o ambiente externo estiver muito frio, dar-se-á a vasoconstrição com o aumento do fluxo sanguíneo no interior do corpo e dos batimentos cardíacos e redução do fluxo à superfície e consequente redução de perdas de calor . Notar-se-á o aumento do ritmo do metabolismo e a carga de trabalho no organismo, aumentando o tónus muscular e tremores musculares. Em conjunto, essas reações permitem a produção de energia térmica, aquecendo o corpo internamente. Trata-se, pois, de um processo de Termogénese. Pelo contrário, se o ambiente externo for muito quente e as perdas de calor não permitirem a manutenção de uma temperatura interna constante, dar-se-á a vasodilatação (dilatação dos vasos sanguíneos), aumentando o fluxo sanguíneo à superfície e os batimentos cardíacos. Estamos, então, perante um processo de Termólise.
Para estarmos numa situação de conforto térmico necessitamos que os mecanismos ativados, tanto pela Termólise como pela Termogénese estejam em repouso (Guyton, 1988).
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Assim, concorda-se com Giralt (2006) quando afirma que:
“o conforto térmico está diretamente ligado ao conforto humano, cuja teoria convencional se baseia num modelo de estado fixo onde a produção de calor é igual às perdas de calor para o ambiente, buscando-se manter uma temperatura interna do corpo constante (...) para que as condições ambientais, que fornecem satisfação e conforto térmico, caiam dentro de uma estreita faixa e sejam dependentes somente da atividade dos sujeitos e dos seus níveis de vestimenta [vestuário]” (p.49).
Na mesma linha de ideias, a ASHRAE (2010), entende o conforto térmico enquanto estado de espírito que reflete a satisfação com o ambiente térmico que envolve a pessoa. Por seu turno, García (1985) considera que o “conforto térmico consiste no conjunto de condições em que os mecanismos de autorregulação são mínimos, ou ainda, na zona delimitada por características térmicas em que o maior número de pessoas manifestem sentir-se bem” (p.199).
Pelo que foi exposto se percebe que é importante estudar o conforto térmico nas praças públicas, uma vez que, como locais públicos de lazer próximos à generalidade da população, devem proporcionar condições de bem-estar para quem as frequenta. A sensação de conforto térmico por parte dos utilizadores depende daquilo que se designam por variáveis de conforto térmico.
Um estudo de Frota & Shiffer (1988), citados por Souza (2010), demonstra que “as variáveis de conforto térmico são diversas, quando consideradas as possibilidades de combinação entre os seus fatores de influência” (p.47).
Considera-se, nessa linha de ideias, as variáveis medidas e as variáveis pessoais. As primeiras dizem respeito às variáveis ambientais ou climáticas que se referem a elementos climáticos, recolhidos no ambiente através de medições e, consequentemente, respetivo tratamento de dados (temperatura do ar, humidade relativa do ar, velocidade do vento e radiação solar); as últimas consistem em variáveis humanas relacionadas com as caraterísticas individuais de cada pessoa (altura, idade, peso, género, atividade física, vestuário que utiliza) e com características mais subjetivas, como sejam a sensação e preferência térmica. Sabemos que essas sensações e preferências são, em geral, influenciadas pelos estados emocionais, hábitos alimentares e estados de saúde de cada indivíduo (Tabela 4).
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Tabela 4 - Variáveis de Conforto Térmico
Fonte: Elaboração própria com base nas ideias de Souza (2010)
Variáveis Medidas → Variáveis
Ambientais ou Climáticas Variáveis Pessoais → Variáveis Humanas
- Temperatura do ar; - Humidade relativa do ar; - Velocidade do vento; - Radiação solar.
- Atividade física; - Vestuário utilizado;
- Complexidade física dos utilizadores: sexo, idade, peso, altura, cor da pele, aclimatação;
- Nível económico dos utilizadores; - Sensações e preferências térmicas.
A sensação ou não de conforto térmico pelo ser humano é, sem dúvida, influenciada pela temperatura e pela humidade do ar, bem como pela ação do vento. Uma vez que a temperatura e humidade do ar variam de acordo com o clima específico de cada lugar, adivinha-se o papel importante que as condições climáticas do lugar onde cada indivíduo habita terão na determinação do conforto térmico.
Baldini & Tavares (1985) defendem que os limites de temperatura onde se verificará uma sensação de desconforto térmico variarão de acordo com a individualidade humana, uma vez que cada indivíduo está adaptado a um clima específico. Na mesma linha de ideias a ASHRAE (2010) define essa situação como conforto térmico adaptativo.
Seguidamente apresenta-se uma breve definição sobre as variáveis de conforto térmico, objetivo de estudo desta dissertação.
2.7.1. Temperatura do ar
Trata-se de uma grandeza física que resulta do balanço energético entre a superfície terrestre e a atmosfera, cuja unidade de medida é o º C. Varia de acordo com o lugar e com a passagem do tempo. É influenciada pela insolação, natureza da superfície, localização dos elementos hídricos, relevo, natureza dos ventos predominantes (Ayoade, 2001).
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Rivero (1985) classifica os limites de conforto a partir da temperatura do ar, expressos na Tabela 5.
Tabela 5 - Limites de Conforto Térmico
Fonte: Elaboração própria com base nas ideias de Rivero (1985)
Sensação Limites de Conforto Térmico Temperaturas Registadas
Conforto Térmico
Ótimo 23ºC a 25ºC
Levemente quente 25ºC a 28ºC
Quente 28ºC a 31ºC
Desconforto Térmico Muito quente 31ºC e 35ºC
2.7.2. Humidade relativa do ar
Indicada em percentagem (%), é a razão, para uma determinada temperatura, entre o número de gramas de vapor de água existente em 1m³ de ar e o número máximo de gramas de água que 1m³ de ar pode conter (Ruas, 1999).
É a relação entre a pressão parcial do vapor de água e a pressão parcial de saturação do vapor de água (Coelho, 2007).
Esta variável influencia muito o estado de conforto térmico, uma vez que “quanto maior for a humidade relativa do ar, menor é a velocidade do vento e maior é a temperatura do ar” (Souza, 2010, p.49). Relaciona-se, também, de forma direta, com a proximidade dos recursos hídricos.
De acordo com Lamberts & Xavier (2002), quando a humidade relativa do ar se situa entre os 30 e os 70 pontos percentuais, é considerada satisfatória para o conforto térmico.
2.7.3. Velocidade do vento
A velocidade do vento é uma variável muito instável, descrita por magnitude, direção e sentido.
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De acordo com a Escala de Beaufort (Tabela 6), o vento é classificado a partir da sua velocidade e medido em m/s.
Tabela 6 - Escala de Beaufort
Fonte: Adaptado de Mascaró (1996)
Velocidade do vento (m/s) Descrição do vento
<0,4 Calmo 0,5 a 1,5 Ventos leves 1,6 a 3,3 Brisa leve 3,4 a 5,4 Brisa suave 5,5 a 7,9 Brisa moderada 8,0 a 10,7 Brisa fresca 10,8 a 13,8 Brisa forte 13,9 a 17,1 Ventania moderada 17,2 a 20,7 Ventania fresca 20,8 a 24,4 Ventania forte 2.7.4. Atividade física
A qualquer movimento ou atividade física desempenhados por um indivíduo, corresponde um valor atribuído para a quantidade de energia produzida. Uma vez que o ser humano está constantemente a produzir e libertar energia, quanto maior for a atividade física do indivíduo, maior será também a energia que o corpo necessitará de produzir.
A Tabela 7 relaciona as atividades metabólicas, apresentadas em W/m², e as atividades quotidianas.
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Tabela 7 - Relação entre o metabolismo e as atividades quotidianas
Fonte: Sousa, 2001, p.20
2.7.5. Vestuário utilizado
Na sensação de conforto térmico, a resistência térmica do vestuário também exerce grande importância. O vestuário acumula mais ou menos calor produzido e libertado pelo corpo, dependendo do material e espessura que o compõe. A sua unidade de medida é o clo. A Tabela 8 demonstra a resistência térmica associada a diferentes peças de vestuário.
Tabela 8 - Resistência térmica do vestuário
Fonte: Adaptado de Sousa, 2009: p. 21
Vestuário Resistência Térmica (clo)
Corpo nu 0,0
Calções 0,1
Leve de Verão 0,5
Fato Completo de Inverno 1,0
Fato Completo Pesado 1,3-1,7
Atividade Metabolismo (W/m²) Deitado 46 Sentado a descansar 58 Atividade sedentária 70 De pé, atividade leve 93 De pé, atividade média 336 De pé, atividade elevada 200
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2.7.6. Características físicas dos utilizadores
Sexo e idade:
Existem diferenças entre indivíduos do sexo masculino e do sexo feminino quando se referem à perceção térmica dos mesmos. Sabe-se que os indivíduos do sexo masculino possuem um metabolismo mais rápido do que os indivíduos do sexo feminino, razão pela qual as mulheres têm a tendência a preferir temperaturas mais altas do que os homens (Giralt, 2006). Para além disso, a idade é também um fator que interfere no conceito de perceção térmica. À medida que se envelhece, a atividade metabólica do ser humano é mais lenta e, por essa razão, tem-se tendência a preferir temperaturas mais elevadas.
Peso e altura:
Outra variável importante a ter em conta na perceção térmica é o peso e a altura dos indivíduos. De acordo com Sousa (2009) “um indivíduo alto e magro possui uma superfície corporal maior do que a de um indivíduo baixo e gordo do mesmo peso, pelo que consegue dissipar mais energia e, assim, tolerar temperaturas mais elevadas” (p.22).
2.7.7. Nível económico dos utilizadores
O nível económico dos utilizadores das praças pode estar relacionado com o conceito de conforto térmico, devido a fatores como o efeito da memória e experiência passada. Um poder aquisitivo maior pode proporcionar, aos indivíduos, um maior conforto térmico (Giralt, 2006).
2.7.8. Sensações e preferências térmicas
De acordo com Souza (2010), “embora as sensações e as preferências térmicas dos indivíduos não possam ser inteiramente explicadas pelo balanço de energia do corpo humano (…), admite-se a equivalência das respostas pela maioria dos indivíduos, pela particularidade intrínseca do indivíduo em responder de forma semelhante aos estímulos” (p.52).
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2.8. Síntese
Neste capítulo, traçaram-se as principais linhas orientadoras do trabalho em termos de enquadramento e conhecimento teórico.
Referiu-se que o termo praça, bastante antigo, não conseguiu ainda unanimidade em relação à sua definição, na medida em que depende muito da perspetiva dos diferentes autores e das diferentes regiões e culturas em que estas se localizam. Esta realidade foi exemplificada, neste capítulo, por uma seleção de algumas praças localizadas nos cinco continentes e também por uma amostra de praças existentes em Portugal.
Aludiu-se à classificação de praças apresentada por diferentes autores e à importância das praças serem espaços públicos confortáveis que promovam a utilização, frequência e permanência de utilizadores nas mesmas.
Intimamente ligado a esta qualidade ambiental das praças, está o conceito de conforto térmico, também explicitado neste capítulo. Para a existência ou não de conforto térmico em espaços públicos, assumem especial relevância as variáveis, tanto ambientais como humanas.
Em termos ambientais, debruçou-se este capítulo, sobre a temperatura do ar, a humidade relativa do ar e a velocidade do vento, bem como a radiação solar, embora não detalhadamente.
No que às variáveis pessoais diz respeito, caracterizou-se a atividade física, vestuário utilizado, características físicas dos utilizadores (sexo, idade, altura, peso), nível económico dos utentes e sensações e preferências térmicas dos mesmos.
A explanação e interligação destes conceitos teóricos, permitiu desenvolver um conhecimento sólido sobre a teoria dos processos de análise de conforto térmico de espaços públicos e, desta forma, responder ao primeiro objetivo ambicionado para esta dissertação.
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CAPÍTULO 3 – METODOLOGIA DE INVESTIGAÇÃO
3.1. Introdução
Neste capítulo, apresentam-se os aspetos relativos aos métodos e instrumentos de pesquisa adotados, para cumprir os objetivos e responder às questões de investigação que, a seguir, se explanam.
Antes de se definir a abordagem e o processo metodológico a utilizar, elaborou-se um quadro condutor da investigação, analisando, frisando e interrelacionando os objetivos de investigação com as questões a que se pretende dar resposta. Esta opção fundamenta-se na necessidade de criar um trabalho claro e coerente, articulado e fundamentado e não uma amálgama de ideias soltas e sem objetivos comuns.
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Tabela 9 - Relação dos objetivos de investigação com as questões de investigação
Fonte: Elaboração própria, 2013
Objetivos de investigação Questões de investigação
1. Elaboração de um quadro teórico que contextualize a problemática
- O que é uma praça?
- Que origens históricas tem o termo praça? - Que praças existem no mundo e em Portugal?
- Como se procede à análise de praças? A que critérios obedecem?
- O que se entende por qualidade ambiental das praças? - O que é o conforto térmico?
- Que variáveis condicionam ou favorecem a existência de conforto térmico?
2. Análise de três espaços públicos na cidade de Barcelos e respetivos elementos
- Que elementos existem nas praças estudadas? - Qual a disposição que têm esses elementos?
3. Aferição do conforto térmico nos espaços públicos selecionados
- Como se comportam as medições das variáveis de conforto térmico em diferentes pontos e em diferentes praças?
- Qual a perceção que têm os utilizadores sobre o conforto térmico existente?
- Os utilizadores utilizam as praças com que fim?
- Quais os pontos ou a praça que têm mais utentes? Porquê? (Levantamento de hipóteses)
4. Elaboração de propostas de intervenção com vista à rentabilização do conforto térmico
- Que medidas devem ser tomadas?
Para cada um dos objetivos propostos serão traçados abordagens e processos metodológicos distintos e utilizados diferentes meios de recolha e tratamento de dados.