Narciso Gomes 1
Universidade de Cabo Verde
Departamento Ciˆencia & Tecnologia
Texto te´orico de An´alise Matem´atica III
Prof. Narciso Resende Gomes
Ano lectivo: 2012/2013
1.1 Derivadas parciais - ordem superior . . . 3
1.2 T´ecnicas de derivadas parciais . . . 3
1.3 Interpreta¸c˜ao geom´etrica de derivadas parciais . . . 4
1.4 Teorema de Schwarz . . . 5
1.5 Aplica¸c˜ao de derivadas parciais . . . 6
1.6 Exerc´ıcios propostos . . . 7
Referˆ
encias
[1] A. Breda e J. Costa,C´alculo com fun¸c˜oes de v´arias vari´aveis. McGraw Hill-Portugal, Lisboa, 1996.
[2] E. Lima, An´alise Real - Vol. 2. Rio de Janeiro, Brasil, 2004.
[3] H. Bertolossi, C´alculo diferencial a v´arias vari´aveis. Edi¸c˜oes Loyola e editora PUC-Rio, S˜ao Paulo, Brasil, 2002.
[4] S. Lang, Calculus of Several Variables. Adison-Wesley, 1973.
[5] T. Apostol, C´alculo (Vol. 2). Editora Revert´e, 1996.
2 Aula te´orica de apoio - An´alise Matem´atica III, UniCV
1
Derivadas parciais
Sejam D ⊂ Rn um conjunto aberto,
x= (x1, . . . , xn) e f :D →R uma fun¸c˜ao.
Defini¸c˜ao 1: A derivada parcial def em rela¸c˜ao `a j−esima´ vari´avel no ponto x∈ D´e denotada por
∂f ∂xj
(x) = lim
h→0
f(x1, . . . , xj+h, . . . , xn)−f(x1, . . . , xn)
h
se o limite existe.
Sendo n= 2, ou seja, D ∈R2
:
1. A derivada parcial de f em rela¸c˜ao `a vari´avel x, no ponto (x, y) ∈ D ´e denotada por ∂f∂x(x, y) e definida por
∂f
∂x(x, y) = limh→0
f(x+h, y)−f(x, y) h
se o limite existe.
2. A derivada parcial de f em rela¸c˜ao `a vari´avel y, no ponto (x, y) ∈ D ´e denotada por ∂f∂y(x, y) e definida por
∂f
∂y(x, y) = limh→0
f(x, y+h)−f(x, y) h
se o limite existe.
Analogamete para n = 3,
• ∂f
∂x(x, y, z) = limh→0
f(x+h, y, z)−f(x, y, z)
h .
• ∂f
∂y(x, y, z) = limh→0
f(x, y+h, z)−f(x, y, z)
h .
• ∂f
∂z(x, y, z) = limh→0
f(x, y, z+h)−f(x, y, z)
h .
Nota¸
c˜
oes
• ∂f
∂x(x, y) ou fx(x, y).
• ∂f
1.1
Derivadas parciais - ordem superior
Seja a fun¸c˜ao z =f(x, y).As derivadas parciais de segunda ordemdenotam-se por
• fxx =
∂ ∂x
∂f ∂x(x, y)
= ∂
2f
∂x∂x(x, y) = ∂2f
∂x2(x, y).
• fyy =
∂ ∂y
∂f ∂y(x, y)
= ∂
2
f
∂y∂y(x, y) = ∂2
f ∂y2(x, y).
• fxy =
∂ ∂x
∂f ∂y(x, y)
= ∂
2
f
∂x∂y(x, y).
• fyx=
∂ ∂y
∂f ∂x(x, y)
= ∂
2
f
∂y∂x(x, y).
Observa¸c˜ao 1: Se estas derivadas parciais existirem em todos os pontos de um aberto D, poder´a existir derivadas de terceira ordem, e assim sucessivamente. De forma an´aloga definimos derivadas parciais de ordem superior para a fun¸c˜ao de trˆes oumais vari´aveis.
Exerc´ıcio 1: Considere-se a fun¸c˜ao
f(x, y) =
xy, sey6=x x3
, sey=x.
Determine ∂f
∂x(1,1) e ∂f ∂x(2,2)
Exerc´ıcio 2: Usando a defini¸c˜ao da derivada parcial, determine:
1. ∂f
∂x(0,0) e ∂f
∂y(1,2), sendo f(x, y) =x
2y
;
2. ∂f
∂x(1,1) e ∂f
∂y(0,0), sendo f(x, y) =
x, x < y y, sex≥y.
1.2
T´
ecnicas de derivadas parciais
Derivar parcialmente em rela¸c˜ao ax significa derivar de forma simples em rela¸c˜ao a esta vari´avel e as demais vari´aveis s˜ao fixadas como constantes. O processo ´e an´alogo em rela¸c˜ao `as outras vari´aveis.
Exemplo 1: Dada a fun¸c˜ao f(x, y) = x3
y4
. A derivada de primeira ordem em rela¸c˜ao a
x, ∂f ∂x =
∂x3y4
∂x = 3x
2
y4
.A derivada de primeira ordem em rela¸c˜ao a y, ∂f ∂y =
∂x3y4
∂y = 4x3
y3.
Exerc´ıcio 3:
1. Seja f(x, y) = x2xy+y2. Determine ∂f ∂x e
∂f ∂y.
2. Seja a fun¸c˜aof(θ, φ) = sin(3θ) cos(2φ). Determine ∂f ∂θ e
∂f ∂φ.
3. Seja f(x, y, z) = arctan(xyz). Determine ∂f ∂x,
∂f ∂y e
∂f ∂z.
4. Seja u(x, y, z) = exysin(z). Determine ∂
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1.3
Interpreta¸
c˜
ao geom´
etrica de derivadas parciais
Consideremos o caso n = 2 de uma fun¸c˜ao real f de duas vari´aveis reais (x, y). No caso de existirem, as duas derivadas parciais de primeira de ordem num ponto a = (a, b)∈ D aberto pode ser interpretada da seguinte forma:
Fig. 1: O valor defx(a, b) ´e o declive da recta do planoy=btangente `a curvaz =f(x, b)
em (a, b, f(a, b)).
A derivada parcial de primeira de ordem num ponto em rela¸c˜ao ax, ∂f
∂x(a, b), pode ser interpretada como o declive da recta tangente ao gr´afico def no ponto x=a, isto ´e,
∂f
∂x(a, b) = tanα,
ondeα´e o ˆangulo formado pela tangente ao gr´afico da linhaf no pontox=a e o plano definido pelos eixos dos xxe dos yy. Analogamente,
∂f
∂y(a, b) = tanβ,
Fig. 2: O valor defy(a, b) ´e o declive da recta do planox=atangente `a curvaz =f(a, y)
em (a, b, f(a, b)).
Defini¸c˜ao 2: Seja f :D ⊂Rn →
R, com D aberto. A fun¸c˜ao f ´e dita de classe Ck com
k ≥ 1, em D se as derivadas parciais at´e a ordem k existirem e forem cont´ınuas em todos os pontos de D.Ainda, f diz-se de classe C∞
se f ´e de classeCk,∀k ≥1.
Nota¸c˜ao
f ∈Ck ou f ∈C∞ .
Observa¸c˜ao 2: Dizer que f ´e de classeC0
em D significa que f ´e cont´ınua.
Exemplo 2: A fun¸c˜ao f(x, y) = xy ´e de classe C∞
j´a que ∂f
∂x(x, y) = y e ∂f
∂y(x, y) = x.
As derivadas de segunda ordem ∂
2
f
∂x∂y(x, y) = 1 e ∂2
f
∂y∂x(x, y) = 1. As outras demais derivadas parciais de qualquer ordem s˜ao nulas. Como as fun¸c˜oes anteriores e a fun¸c˜ao nula s˜ao cont´ınuas temos que f ∈C∞
.
Exerc´ıcio 4: Verifique que a fun¸c˜ao f(x, y) =xsiny+y2
cosx ´e de classeC∞ .
1.4
Teorema de Schwarz
Teorema 1.1: Sejax∈ D ⊆Rn.Sef for de classe C2 ∈ D em a= (a1, a2, . . . , an), ent˜ao
∂2
f ∂xi∂xj
(a) = ∂
2
f ∂xj∂xi
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EmR2
, fica
∂2
f
∂x∂y(a, b) = ∂2
f
∂y∂x(a, b).
Observa¸c˜ao 3: Seja a fun¸c˜ao f : D ⊂R3 →
R uma fun¸c˜ao de classe C3
. Ent˜ao as suas derivadas mistas de terceira ordem satisfazem:
• ∂ 3 f ∂x∂x∂y = ∂3 f ∂x∂y∂x = ∂3 f ∂y∂x∂x. • ∂ 3f ∂y∂y∂x = ∂3f
∂y∂x∂y = ∂3f
∂x∂y∂y.
1.5
Aplica¸
c˜
ao de derivadas parciais
Defini¸c˜ao 3: Uma fun¸c˜ao f(x, y) diz-se harm´onica se verificar a equa¸c˜ao seguinte, dita
equa¸c˜ao de Laplace,
∂2
f ∂x2 +
∂2
f ∂y2 = 0.
Defini¸c˜ao 4: A equa¸c˜ao diferencial parcial
∂2u
∂t2 =c 2∂
2u
∂x2
´e chamada de equa¸c˜ao da onda unidimensional, com a constante c > 0.
Defini¸c˜ao 5: A equa¸c˜ao diferencial parcial
∂u ∂t =c
2∂ 2u
∂x2
´e chamada de equa¸c˜ao do calor, com a constante c >0.
Defini¸c˜ao 6: As equa¸c˜oes que satisfazem as seguintes igualdades
∂u ∂x =
∂v ∂y e
∂u ∂y =−
∂v ∂x,
s˜ao chamadas de equa¸c˜ao de Cauchy-Riemann.
Exerc´ıcio 5: Mostre que a fun¸c˜ao u(x, y) = ln(x2
+y2
) + 2 arctan(xy) satisfaz a equa¸c˜ao de Laplace.
Exerc´ıcio 6: Verifique que a fun¸c˜ao u(x, t) = sin(x−ct) ´e uma solu¸c˜ao da equa¸c˜ao de onda.
Exerc´ıcio 7: Mostre que a fun¸c˜ao u(x, t) =e−t sin(x
c) satisfaz aequa¸c˜ao do calor.
1.6
Exerc´ıcios propostos
1. Mostre que a fun¸c˜ao f definida por f(x, y) =
2xy
x2+y4, (x, y)6= (0,0)
0, se (x, y) = (0,0), possui derivadas parciais em (0,0),embora seja descont´ınua nesse ponto.
2. Calcule as derivadas parciais de primeira ordem das fun¸c˜oes seguintes:
(a) f(x, y) = e2xy3 .
(b) f(x, y, z) = ln(ex+zy).
(c) f(x, y) = arcsin
q
x2−y2
x2+y2
.
(d) f(x, y) =
xy
x+y, x+y6= 0
x, sex+y= 0.