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O SENSÍVEL E A RAZÃO: relato de uma prática pedagógica transdisciplinar

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Academic year: 2020

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DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA DO COLÉGIO PEDRO II – RIO DE JANEIRO

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O SENSÍVEL E A RAZÃO: relato de uma prática pedagógica transdisciplinar

Jacqueline Vasconcellos1

Lourdes Ferreira2

Marcelo Pangaio3

Resumo: Este trabalho descreve uma proposta pedagógica na qual as disciplinas de Artes Visuais e de Desenho Geométrico procuraram aliar a sensibilidade estética aos recursos técnicos e tecnológicos na criação de trabalhos plásticos. A prática educativa envolveu o estudo das estéticas barroca e modernista brasileiras, bem como a análise da influência da cultura portuguesa e do grafismo do arquiteto Athos Bulcão na azulejaria brasileira.

Palavras-chave: Transdisciplinaridade, Arte, Técnica e Tecnologia, Azulejaria.

Abstract: This paper describes a pedagogical proposal in which the disciplines of Visual Arts and Geometric Drafting sought to combine the aesthetic sensibility to technical and technological resources in creating plastic works. The educational practice involved the study of Baroque and Modernist aesthetics in Brazil, as well as the analysis of the influence of portuguese culture and the design of the architect Athos Bulcão in brazilian tiling.

Keywords: Transdisciplinarity, Art, Technique and Technology, Tiling.

1 Professora de Artes Visuais do Colégio Pedro II – Campus Humaitá II. Mestre em Ensino

de Ciências da Saúde e do Meio Ambiente. Especialista em Socioterapia (FAHUPE). Licenciada em Educação Artística (BENNETT) e Psicologia (UFRJ).

2 Professora de Desenho do Colégio Pedro II - Campus Humaitá II. Mestre em Ensino de

Ciências da Saúde e do Ambiente, com ênfase em Meio Ambiente (UNIPLI). Especialista em Docência Superior (FABES). Licenciada em Educação Artística (BENNETT).

3 Professor de Desenho do Colégio Pedro II – Campus Humaitá II. Licenciado em

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99 I. O conhecimento como construção transdisciplinar

O paradigma tradicional de um conhecimento multifacetado, onde não há trocas e nem a procura de soluções para problemas comuns, onde as fronteiras são rígidas e hierárquicas, precisa ser transformado em um novo modelo, no qual haja a integração entre os saberes, resultando em uma prática educativa transdisciplinar. Desse modo, o conhecimento a ser produzido no espaço pedagógico deve ser fruto da busca do sentido da vida através das relações entre os diversos olhares, em uma democracia cognitiva onde os limites entre as disciplinas se tornem fluidos e permeáveis.

O caráter transdisciplinar do processo pedagógico evidencia um novo modo de ver o mundo, de repensar o ato de ensinar e de aprender. De acordo com Morin (2000, p. 15):

na escola primária nos ensinam a isolar os objetos (de seu meio ambiente), a separar as disciplinas (em vez de reconhecer suas correlações), a dissociar os problemas, em vez de reunir e integrar. Obrigam-nos a reduzir o complexo ao simples, isto é, ao separar o que está ligado; a decompor, e não a recompor; a eliminar tudo o que causa desordens ou contradições em nosso entendimento.

Como a abrangência do que se entende por leitura ultrapassa as fronteiras das disciplinas, mediar o desenvolvimento de uma alfabetização que vá para além das palavras é a base de uma metodologia transdisciplinar na qual professores e alunos vão descobrindo e inferindo múltiplos caminhos para a decodificação de mensagens e de seus processos (FREIRE, 2002).

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100 A implantação gradual de projetos dessa natureza no contexto educacional conduz a ações transformadoras, favorecendo a flexibilidade e o pensamento crítico. Nesse sentido, os esforços para a democratização do trabalho com imagens na escola não podem ser negligenciados, pois os benefícios desse saber superam os aspectos unicamente estéticos, levando os alunos à compreensão da realidade social em que vivem e a participar ativamente de sua transformação (FREIRE, 1980).

Assim, com o propósito de estabelecer as necessárias pontes entre as diferentes competências e saberes, já que a realidade não existe seccionada em disciplinas estanques, foi elaborada uma proposta pedagógica que visa atender tanto à estrutura do calendário escolar quanto aos objetivos das disciplinas envolvidas.

II. Azulejaria: arquitetura ou decoração?

Alguns estudiosos afirmam que o termo azulejo deriva do árabe al

zullavcha ou al zulléija (pequena pedra polida ou ladrilho), já outros

afirmam que vem da palavra lazurd, assimilado do persa lachuard (pedra semipreciosa, de intensa cor azul, também conhecida como lápis-lázuli). O que se sabe é que o azulejo é uma placa de cerâmica, geralmente pouco espessa e quadrada, tendo uma das faces revestida por uma substância vítrea e pintada com motivos decorativos.

Na Península Ibérica, a arte da azulejaria foi trazida pelos mouros quando da expansão muçulmana. A influência de outras culturas

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101 promoveu o surgimento do estilo hispano-mourisc4 ou mudéjar, com sua

elaborada técnica e requintados desenhos geométricos (MUSEU DO AZULEJO, s/data).

Na visita à cidade espanhola de Sevilha, um dos maiores centros produtores de azulejos, D. Manuel I, rei de Portugal, ficou impressionado com a exuberância da azulejaria local e, ao retornar ao seu reino, mandou decorar o Palácio Real ou Palácio Nacional de Sintra com os azulejos andaluzes, iniciando uma ampla utilização da azulejaria em todo o reino português.

Em seguida surge uma nova fase, denominada ítalo-flamenga, originária da união entre o estilo gráfico flamengo e as tendências renascentistas, cuja minuciosa técnica pictórica resultou em uma harmoniosa estética sem precedentes na arte da azulejaria portuguesa. Com o fim da União Ibérica, a nobreza portuguesa desejosa de reafirmar a identidade nacional, recentemente conquistada, mandou construir novos palácios revestidos de azulejos importados da região de Flandres.

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102 A influência flamenga promoveu relevante renovação temática, com o predomínio dos conhecidos azul e branco e a figura avulsa5, em

que cada azulejo representava uma cena

autônoma. Em meados do século XVIII, a rica fase joanina da monarquia

portuguesa, financiada pelo ciclo do ouro no Brasil Colonial, propiciou um incremento da produção de azulejos em Portugal, por meio da criação de peças com motivos mitológicos, bucólicos, religiosos ou que retratavam o cotidiano da corte (REDE AZULEJOS, s/data).

A beleza ornamental do barroco finalmente chega à arte da azulejaria através da proliferação dos contrates claro-escuro, dos putti (desnudos meninos angelicais), dos painéis com motivos naturalistas, das representações com pássaros e golfinhos e das “figuras de convite” (pessoas da corte posicionadas nas entradas das edificações em um gesto de boas vindas aos visitantes).

Representação dos putti6 Figura de convite7

5 Disponível em www.cml.pt. Acesso em 14.04.2014

6 Disponível em www.redeazulejo.fl.ul.pt Acesso em 15.04.2014. 7 Disponível em www.olhares.sapo.pt Acesso em 15.04.2014.

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103 No início do século XX, surgem as representações de cunho histórico, o uso de formas sinuosas de enorme plasticidade e a exploração da cor. As novas propostas estéticas buscam integrar o uso dos azulejos em projetos modernos de arquitetura e urbanismo (MUSEU DO AZULEJO, s/data).

III. A azulejaria no Brasil Colonial

A variedade formal da azulejaria portuguesa resulta da influência de diferentes culturas, estimulada, ainda mais, por sua expansão marítima. Sendo parte dessa expansão territorial, o emprego de azulejos no Brasil seguiu o esquema da azulejaria tradicional. Os primeiros registros datam doinício do século XVII quando foram utilizadas peças, fabricadas na Metrópole, nas ornamentações do Convento de Santo Amaro de Água-Fria, do Convento dos Franciscanos8 e do Colégio dos

Jesuítas, todos em Olinda, Pernambuco.

8 Detalhe da sacristia. Disponível em www.pt.wikipedia.org/Ficheiro:Convento-de-s-

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104 Na segunda metade do século XVII, intensifica-se pelo Brasil afora a construção de inúmeras edificações religiosas e civis – templos, sobrados, engenhos – sendo raro encontrar uma que fosse desprovida de azulejos, na maioria com padrões policromáticos e os conhecidos tons de azul (SIMÕES, 1959). São exemplos desse período os revestimentos da Capela de Nossa Senhora do Pilar (Recife) e da Igreja do Antigo Convento de Nossa Senhora dos Anjos (Cabo Frio, RJ); o frontão do altar da Igreja de Nossa Senhora da Piedade (Recife) e o interior da Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres9 (Recife).

Quando a Corte Portuguesa fugiu para o Brasil, face à invasão francesa, a produção de azulejos na Metrópole experimentava uma fase de estagnação.

Por outro lado, a azulejaria no Brasil havia adquirido uma nova aplicação, não mais se limitando ao interior das edificações, mas sendo utilizada no revestimento externo das mesmas. Essa vertente utilitária acaba por influenciar a produção da Metrópole, onde, até então, os azulejos eram

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105 aplicados somente em “vergas de portas e janelas exteriores” (op. cit., p. 15).

É ainda no século XVIII que as casas e os palácios, principalmente no Rio de Janeiro e no Maranhão, adotam um estilo arquitetônico de influência francesa mantendo, contudo, o estilo formal da tradicional azulejaria portuguesa.

Foi do Brasil – continuação de Portugal – que veio para a velha metrópole a nova “moda” do azulejo de fachada (...) que encheu o norte do país de chalés e vivendas, com seu ar exótico e equatorial (...), de imóveis imponentes a dar ao Porto, principalmente, essa continuação de “ar de família” que notamos tão exuberantemente desde o Pará ao Rio de Janeiro (SIMÕES, 1959, p. 18). Casario de Palacete Pinho 10 11 12

IV. Athos Bulcão e a tradição da azulejaria barroca portuguesa

Athos Bulcão nasceu no Rio de Janeiro em 1918 e passou sua infância na residência de Teresópolis. Como a família mantinha interesse

10 Foto da autora Professora Lourdes Ferreira.

11 Disponível em www.skyscrapercity.com Acesso em 19.04.2014.

12 Disponível em www.azulejosantigos.blogspot.com Acesso em 20.04.2014.

Casario do São Luis,

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106 pela Arte em geral, Bulcão frequentou, desde pequeno, teatros, exposições e espetáculos. Aos quatro anos já ouvia música clássica e esboçava desenhos.

A utilização de azulejos no revestimento de construções brasileiras deriva do renascimento do uso de azulejos na modernização das cidades portuguesas no período pós-guerra. Essa renovação conceitual influenciou o arquiteto Lucio Costa no projeto do edifício Gustavo Capanema (RJ), optando o autor pelo revestimento do prédio com azulejos planejados por Portinari.

Aos 21 anos, Bulcão foi apresentado a Portinari com quem trabalhou na decoração do mural de azulejos da Igreja de São Francisco de Assis. A Igreja13 faz parte do Complexo da Pampulha (Belo Horizonte),

obra idealizada por Oscar Niemeyer:

Primeiro edifício moderno tombado pelo Patrimônio Histórico do Brasil.

A arquitetura de Niemeyer voltou a integrar o azulejo, agora de Athos Bulcão, naquela que era a sua visão de uma cidade do futuro e que veio a materializar-se na nova capital, Brasília.

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107 Bulcão potencializa a arquitetura dentro desse projeto trabalhando as peculiaridades oferecidas pelo espaço projetado e as relações deste com a paisagem e com a natureza, como a incidência da luminosidade solar.

Detalhes de revestimentos idealizados por Athos Bulcão.14

Em seus azulejos, com forte influência das linhas curvas e sinuosas do Barroco português, destacam-se a modulação e o grafismo, habilmente criados com base em formas geométricas. Sua obra, inscrita em alguns dos principais edifícios modernos brasileiros, notabiliza-se pelo equilíbrio encontrado nas relações entre arte e arquitetura, entre estaticidade e dinamismo, entre a unidade e o conjunto.

A trajetória artística de Athos Bulcão é essencialmente consagrada ao público em geral. Não ao que frequenta museus e galerias, mas ao que entra acidentalmente em contato com sua obra, quando passa para ir ao trabalho, à escola ou simplesmente passeia pela cidade, impregnada de sua obra, que “realça” o concreto da arquitetura de Brasília (MUSEU DO AZULEJO, s/data).

Bulcão trabalhou, ainda, como desenhista gráfico ilustrando vários livros e revistas literárias, além de fazer cenários para peças de teatro

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108 como Tio Vânia de Tchekov e O Dilema de um médico de Bernard Shaw (MESQUITA, 2008). O artista faleceu em Brasília, em 21 de julho de 2008, aos 90 anos.

V. Prática: união entre o sensível e a técnica

Tanto o Desenho quanto a Arte são linguagens que envolvem estruturas mentais que potencializam o pensamento visual. Segundo Rodrigues (1999, p.6), “quaisquer que sejam as estratégias e instrumentos utilizados, o que se deve entender por ‘pensamento visual’ é um potencial de dimensão ampla, ou seja, um leque de capacidades que atuam conjuntamente.” Dentre as capacidades mencionadas pela autora, citamos: percepção, análise, síntese, criatividade, visualização de

soluções, avaliação.

Por outro lado, também não podemos esquecer as especificidades de cada área que, antes de serem obstáculos, são oportunidades de captar a diversidades de ‘olhares’ e de ampliar as possibilidades de criação, observando-se, neste caso, os limites impostos pela estrutura/composição da matéria.

Nas múltiplas formas em que o homem age e onde penetra seu pensamento, nas artes, nas ciências, na tecnologia, ou no cotidiano, em todos os comportamentos produtivos e atuantes do homem, (...) São análogos os princípios ordenadores que regem o fazer e o pensar (...)

Embora os conceitos dinâmicos possam ser análogos, o fazer concreto (...) diferencia-se pelas propostas materiais a serem elaboradas em cada campo de trabalho, de acordo com o caráter da matéria (OSTROWER, 2001, p. 31).

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109 VI. Relato da Prática Educativa

As atividades foram desenvolvidas com seis turmas do 8o Ano do

Ensino Fundamental do Colégio Pedro II – Campus Humaitá II, tendo cada turma aproximadamente trinta alunos. No primeiro momento os alunos foram informados do projeto, de suas características transdisciplinares, das regras e possibilidades de trabalhos.

Nos encontros iniciais das aulas de Artes Visuais, os alunos analisaram através de imagens o estilo barroco em diferentes momentos da História da Arte, inclusive comparando a estética europeia com a brasileira. Em relação a esta última, foram observados os aspectos formais na arquitetura e na pintura, buscando registrar a presença do barroco nos períodos colonial e moderno brasileiros.

Paralelamente, nas aulas de Desenho, as turmas assistiram a uma apresentação sobre o desenvolvimento da azulejaria portuguesa, na qual foram mostradas imagens que exemplificavam a influência de diferentes culturas na estética e na fabricação portuguesa.

A criação dos módulos/azulejos teve como inspiração o trabalho do artista Athos Bulcão, cuja produção mantém estreita relação com os conteúdos programáticos de Desenho e Artes, tendo em vista o caráter geométrico de seus azulejos, a presença da influência portuguesa e a importância de sua produção no campo das artes e da arquitetura modernista brasileira.

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110 A trajetória artística de Bulcão foi apresentada às turmas tanto nas aulas de Arte quanto nas de Desenho, sendo abordados os aspectos relevantes relacionados às duas áreas. Consideramos ainda que seria interessante mesclar dois estilos estéticos presentes na azulejaria brasileira: o Barroco português e o modernismo de Athos Bulcão. Isso se traduziu pelo uso das cores, limitado ao branco e aos tons de azul (uma das características dos azulejos portugueses), e pela livre escolha das formas na criação do módulo/azulejo que serviria de base para as etapas seguintes do projeto.

A elaboração desse módulo utilizou, inicialmente, o papel (prancha A4) e o lápis de cor, sendo desenvolvida em dupla, estimulando-se, assim, a troca e a negociação entre os sujeitos. Nesse momento os alunos aplicaram os conhecimentos sobre as formas geométricas, conteúdo que faz parte do curso de Desenho ao longo de todo o 2o ciclo do Ensino

Fundamental. Além disso, os módulos foram feitos em escala reduzida - igualmente um conteúdo de Desenho - para posterior reprodução nas aulas de Artes Visuais.

Módulos produzidos pelos alunos Luiz Henrique S. M., Felipe Martinez, Carolina Tornaghi, Ana Carolina Meireles, Ana Carolina Marques, Igor Totti e

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111 A partir dessa produção, os trabalhos foram levados para as turmas nas aulas de Artes que, em grupos de quatro alunos, escolhiam um único módulo para ser reproduzido individualmente, tendo agora como suporte a tela e utilizando tinta acrílica.

O trabalho nessas aulas teve início com a ampliação em tela das imagens criadas, processo ao mesmo tempo inverso e complementar ao desenvolvido em Desenho no que tange as relações de escalas e proporções. Os grupos passaram a transpor o módulo escolhido para telas de 20cm x 20cm, construindo e avaliando a cada momento as relações de tamanho, proporção e encaixe entre as telas já que as mesmas estariam dispostas de modo a formar um único trabalho (polípticos).

Após os esboços prontos, os alunos iniciaram a pintura com tinta acrílica e a criação de escalas tonais para que pudessem trabalhar os azuis característicos da azulejaria colonial portuguesa.

A experiência em se construir diferentes arranjos com as telas e a consequente transformação das imagens a partir de suas variadas combinações permitiu não só a visualização da maleabilidade das formas e das múltiplas possibilidades de interpretação das imagens, mas ainda a concretude necessária para a compreensão de análises combinatórias matemáticas.

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Polípticos produzidos por Ana Luiza Ribeiro, Rebecca Reimol, Carolina Tornaghi, Camila Costa e Camila Montovani.

A atividade desenvolvida no Laboratório de Informática teve como objetivos estimular o senso estético, a percepção espacial e a criatividade dos alunos. Além disso, no processo de criação das composições estávamos aplicando as transformações pontuais – rotação, translação e reflexão - conteúdos que fazem parte do programa de Desenho e que são amplamente utilizados em projetos gráficos. A atividade consistiu na produção de dois ‘arranjos’ distintos utilizando o mesmo módulo/azulejo projetado pelas duplas no encontro inicial de Desenho.

Como o uso dos recursos computacionais permite a visualização imediata do resultado final de qualquer produção artística, os alunos puderam comparar/modificar seus desenhos em busca da melhor solução gráfica, exercitando, desse modo, a percepção, flexibilização e a análise crítica.

Ana Carolina Meirelles e

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113 VI. Considerações Finais

Neste projeto procuramos superar os obstáculos/limites impostos pela estrutura educacional brasileira através de um trabalho compartilhado, no qual o diálogo e a busca de pontos comuns às duas disciplinas serviram de bases para o desenvolvimento das atividades.

A presença cada vez maior das representações visuais em nossa sociedade determina a importância que deve ser dada ao desenvolvimento de atividades educacionais capazes de dinamizar a capacidade dos alunos de se expressarem graficamente. Neste aspecto, o Desenho - enquanto recurso técnico - e a Arte - como expressão do sensível - se tornam valiosos aliados, já que seus objetivos se relacionam com as capacidades que atuam no processo criativo.

Há, ainda, outro aspecto a ser mencionado: a crescente presença dos recursos tecnológicos na atual sociedade. Os jovens de hoje são estimulados a todo o momento pelas redes de comunicação e informação, pelos programas multimídias, pelos jogos eletrônicos e pela propaganda, exigindo deles uma nova maneira de raciocinar, aguçando-lhes a imaginação e a percepção. A incorporação do som e do movimento às linguagens visuais transformou a maneira pela qual nos relacionamos com o mundo real e o mundo das ideias (MENDONÇA, 2001).

Assim, devemos considerar que esses recursos, que tanto encantam os jovens fora da escola, podem contribuir para que as atividades pedagógicas se tornem mais atraentes e estimulantes.

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114 Ademais, as tecnologias digitais dinamizam os ambientes de aprendizagem, uma vez que possibilitam obter, armazenar e interagir com diversas formas de expressão.

Acreditamos que esta proposta não se encerra aqui, uma vez que o papel do professor, como mediador do processo educativo, se explicita através de leituras inovadoras de conteúdos pré-estabelecidos e cristalizados nas diversas áreas do saber, objetivando ampliar a formação dos jovens do século XXI.

Referências Obras e Artigos

FREIRE, P. Educação como prática de liberdade. São Paulo: Paz e Terra, 1980.

FREIRE, P., MACEDO, D. Alfabetização: leitura do mundo, leitura da

palavra. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2002.

MENDONÇA, A. C. As redes de significados como um novo paradigma na educação. Revista Brasileira de Tecnologia, vol. 30, p. 152-153, Jan/Jun. Rio de Janeiro, 2001.

MORIN, E. A cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o

pensamento. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2000.

OSTROWER, F. Criatividade e Processos de Criação. 15a edição.

Petrópolis: Vozes, 2001.

RODRIGUES, M. H. W. L. Da realidade à virtualidade. O “pensamento visual” como interface: contribuição das linguagens técnicas de representação da forma à Educação. Tese de Doutorado. Faculdade de Comunicação. UFRJ, 1999.

Em meio eletrônico

FUNDAÇÃO ATHOS BULCÃO. Artigos. Disponível em

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115 INSTITUTO CAMÕES. Disponível em: <http://cvc.instituto-

camoes.pt/conhecer/exposicoes-virtuais/a-arte-do-azulejo-em-portugal.html> Acesso em 13.04.2014.

MESQUITA, J. Athos Bulcão – Artista Plástico. Disponível em<www.biografia.inf.br/athos-bulcao-artista-plastico.html> Acesso em 16.05.2014.

MUSEU DO AZULEJO. Cronologia do Azulejo em Portugal. Disponível em<www.museudoalzulejo.pt> Acesso em 14.04.2014.

REDE AZULEJO. Cronologia do azulejo português. Disponível em http://reazulejo.fl.ul.pt/timeline/timeline-pt.html Acesso em 13.04.2014.

SIMÕES, J. M. S. Azulejaria no Brasil. Comunicação destinada ao colóquio de estudos luso-brasileiros na Bahia, 1959. Revista do

Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, no 14. Rio de Janeiro: MEC,

1959. Disponível em <www.iphan.gov.br/baixaFcdAnexo.do?id=3190> Acesso em 18.04.2014.

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Recebido em 30/05/2014 Aprovado em 30/06/2014

Referências

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