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Retenção e evasão escolar na educação profissional de nível médio técnico: o que nos dizem as publicações da ANPED entre os anos 2012 a 2017 / School retention and evasion in technical mid-level professional education: what ANPED publications tell us from

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 6, n. 7, p.44829-44838 jul. 2020. ISSN 2525-8761

Retenção e evasão escolar na educação profissional de nível médio técnico: o que

nos dizem as publicações da ANPED entre os anos 2012 a 2017

School retention and evasion in technical mid-level professional education: what

ANPED publications tell us from 2012 to 2017

DOI:10.34117/bjdv6n7-195

Recebimento dos originais: 03/06/2020 Aceitação para publicação: 09/07/2020

Elza Magela Diniz

Pedagoga do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia de Minas Gerais - IFMG. Doutoranda no Programa de Educação da PUC-Minas.

E-mail: [email protected] Talitha Araújo Santos

ecnóloga em Recursos Humanos no Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia de Minas Gerais – IFMG. Mestre em Educação Tecnológica pelo CEFET-MG.

E-mail: [email protected]

RESUMO

O presente trabalho trata de uma pesquisa do tipo estado do conhecimento que aborda a questão da Retenção e Evasão na Educação Profissional de Nível Técnico na modalidade subsequente e como estas questões apresentam-se nas discussões dos Grupos de Trabalho da Associação Nacional de Pós Graduação e Pesquisa em Educação – ANPED, durante os anos de 2012 a 2017. Adotamos a metodologia qualitativa exploratória, centrada na pesquisa bibliográfica, onde será realizada uma analise de conteúdos para evidenciar conhecimentos gerados acerca do fenômeno ora proposto para investigação. A leitura dos resumos proporcionou realizar uma seleção dos trabalhos que retratavam a temática para que, a partir daí, pudesse ser feita a leitura completa da obra. A análise realizada aponta para a necessidade de estudos voltados para a modalidade de Ensino Técnico, ainda pouco pesquisado por esta instituição.

Palavras-chave: Educação Profissional, Evasão, Retenção, e Ensino Técnico. ABSTRACT

The present work deals with a state-of-the-art research that addresses the issue of Retention and Evasion in Professional Education at the Technical Level in the subsequent modality and how these issues are presented in the discussions of the Working Groups of the National Association of Graduate Studies and Research in Education - ANPED, from 2012 to 2017. We adopted an exploratory qualitative methodology, centered on bibliographic research, where a content analysis will be carried out to show knowledge generated about the phenomenon now proposed for investigation. The reading of the abstracts provided a selection of the works that portrayed the theme so that, from there, the complete reading of the work could be done. The analysis carried out points to the need for studies focused on the modality of Technical Education, still little researched by this institution.

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 6, n. 7, p.44829-44838 jul. 2020. ISSN 2525-8761

1 INTRODUÇÃO

O fenômeno da evasão escolar tem sido alvo de diversos estudos na literatura. De acordo com Lozano (2012), percebe-se que a teoria da evasão escolar está dividida em duas perspectivas de análise distintas: a que busca explicar o fato por meio teórico, por meio da psicologia e da sociologia e a que busca medir o problema, utilizando-se da forma empírica.

O aumento da evasão é uma preocupação generalizada, em especial na educação profissional técnica de nível médio, conforme asseguram Dore e Lüscher (2011) que concluíram seus estudos sobre evasão e permanência na educação técnica de nível médio em Minas Gerais, nos quais analisam o Programa de Educação Profissional de Minas Gerais (PEP-MG).

A existência de evasão elevada em cursos técnicos, organizados a partir de uma política pública que busca expressamente privilegiar a formação profissional como recurso de inserção dos jovens no mercado de trabalho, remete nossas reflexões, mais uma vez, para o contexto da política educacional brasileira na organização da escola média e da escola técnica. É indispensável que a atual política educacional para o ensino técnico, ao desenvolver suas estratégias de expansão, considere a evasão escolar e suas principais causas, de forma a evitar ou minimizar sua ocorrência.

Através da triagem e analise das obras, busca-se aqui, compreender quanto e como vem sendo abordada a questão e fazer um panorama ao longo dos últimos anos (2012-2017), derivando-se daí possíveis conclusões quanto ao que possa ser realizado ao longo da pesquisa proposta.

O objetivo deste trabalho é possibilitar uma aproximação com o referencial que trata do tema/problema levando-se em conta que “um discurso científico sobre a educação não deve ser um discurso de opinião; ele não é cientifico se não controla seus conceitos e não se apoia em dados” (CHARLOT, 2006, pag. 10). Ao delimitarmos um problema de pesquisa, precisamos ter em mente que “o problema tem origem num quadro teórico que lhe dá, supostamente, coerência, consistência e validade” (CHARLOT, 2006, pag. 89). Sendo assim, faremos uma analise das publicações da ANPED (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação), referência para a área de Pesquisa em Educação no país, nos debruçando sobre a produção dessa organização que reflete direta ou indiretamente o tema proposto de nossa pesquisa: Retenção e Evasão Escolar na Educação Profissional da Rede Federal.

Na busca por elementos que possam responder as indagações, este trabalho, assume característica de um estudo tipo estado do conhecimento, estudo este que nos possibilita “problematizar um tema, indicando a contribuição que seu estudo pretende trazer à expansão desse conhecimento, quer procurando esclarecer questões controvertidas ou inconsistências quer preenchendo lacunas” (ALVES-MAZZOTTI, 2012, pag. 55).

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 6, n. 7, p.44829-44838 jul. 2020. ISSN 2525-8761

2 CONTEXTUALIZANDO O MÉTODO

O material foi selecionado de acordo com Luna (2013, pag. 101) “proceder a consulta na seguinte ordem: Titulo – Resumo – Leitura do Texto. Se o título, de alguma forma, sugerir interesse para o seu trabalho, vale a pena ler o resumo. Com essa leitura será possível decidir se compensa ou não a leitura do texto.” As leituras dos resumos, conforme Ferreira (2002) foi com o objetivo de “avaliar o texto como objeto cultural, satisfazendo uma finalidade especifica”, os resumos “oferecem uma História da produção acadêmica” e possibilitam uma construção do conhecimento “trazendo dados e estudos de uma determinada área de conhecimento”. (FERREIRA, 2002, pag. 268).

Neste sentido, o material foi selecionado a partir das publicações nos GT´s da ANPED, inicialmente pesquisando-se em todos os Grupos de Trabalho palavras-chaves que pudessem remeter a temática da Educação Profissional, Evasão, Retenção, Repetência, Permanência e Ensino Médio. Consideramos todas as publicações relativas ao intervalo de 2012 a 2017 (35ª, 36ª, 37ª e 38ª reunião anual).

Do universo pesquisado, elaboramos o quadro a seguir:

Quadro 1: Publicações dos GT´s da ANPED e sua correlação com a Educação Profissional GT´s

Reuniões/Ano/Publicações

35ª / 2012 36ª / 2013 37ª / 2015 38ª / 2017

G R G R G R G R

GT 02 – História da Educação 11 - 15 1 18 1 12 -

GT 03 – Movimentos Sociais, Sujeitos e

Processos Educacionais 15 - 8 - 20 - 26 1

GT 04 – Didática 21 - 9 - 15 - 19 -

GT 05 – Estado e Política Educacional 19 - 17 1 30 3 31 -

GT 06 – Educação Popular 13 - 12 - 18 - 23 -

GT 07 – Educação de Crianças 0 a 6 anos 18 - 12 - 29 - 25 -

GT 08 – Formação de Professores 22 - 18 - 36 1 42 -

GT 09 – Trabalho e Educação 14 2 10 1 20 5 24 6

GT 10 – Alfabetização, Leitura e Escola 17 1 13 - 20 1 15 -

GT 11 – Política de Educação Superior 12 2 11 1 23 1 24 -

GT 12 – Currículo 15 - 18 2 27 - 25 - GT 13 – Educação Fundamental 19 - 17 1 23 - 19 - GT 14 – Sociologia da Educação 17 1 17 1 21 2 22 - GT 15 – Educação Especial 19 1 20 - 29 - 20 1 GT 16 – Educação e Comunicação 13 - 21 - 21 1 21 - GT 17 – Filosofia da Educação 16 - 11 1 16 - 19 -

GT 18 – Educação de Pessoas Jovens e Adultos 16 - 12 1 23 4 22 2

GT 19 – Educação Matemática 12 - 20 - 15 - 14 -

GT 20 – Psicologia da Educação 11 - 7 - 18 - 13 -

GT 21 – Educação e Relação Étnico-Raciais 22 - 18 - 29 1 30 -

GT 22 – Educação Ambiental 17 - 7 - 13 - 22 -

GT 23 - Gênero, Sexualidade e Educação 17 - 17 - 26 - 24 -

GT 24 – Educação e Arte 14 - 18 - 22 - 22 -

TOTAL 370 7 328 10 512 21 514 10

*G= Publicação Geral R= Publicação Relacionada à Educação Profissional

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 6, n. 7, p.44829-44838 jul. 2020. ISSN 2525-8761 Podemos perceber que houve uma crescente publicação na área que envolve a temática de Educação Profissional, mas, ainda assim, incipiente em relação às demais publicações, em um universo de 1.724, encontramos apenas 48 publicações relacionadas ao tema mais amplo. Ao restringir a pesquisa a temas mais específicos encontramos números bastante reduzidos de publicações sobre: Evasão (6), Repetência (4), Permanência (5) e Ensino Técnico (4). Ao acrescentarmos os temas ao Ensino Técnico de Nível Médio, não encontramos nenhum item associado.

Notamos um aumento significativo nas publicações na 37ª reunião, em todos os GT’s. Ao que se refere à Educação Profissional, destacamos um aumento significativo nos GT’s 05, 09 e 18, que, apesar de não tratarem do problema da evasão na modalidade proposta para estudo, representam um dado importante para Educação Profissional e nos mostra que está acorrendo uma mobilização de estudos diversificados para esta temática. Na 38º reunião ocorreu um decréscimo nas publicações, a penas o GT 09 – Trabalho e Educação – o número de publicações manteve-se constante.

3 APROXIMANDO DO NOSSO PROBLEMA

A fim de facilitar o entendimento desse fenômeno, os estudiosos criaram alguns conceitos, pois para que a questão seja abordada com profundidade, o primeiro aspecto a ser analisado é o conceito. Dore e Lüscher (2011) considera que a evasão pode se referir à retenção e repetência do aluno na escola, à saída do aluno da instituição, do sistema de ensino, da escola e posterior retorno, ou a não conclusão de um determinado nível de ensino. Para a autora, a evasão ou abandono escolar é um processo que tem natureza multiforme.

A escolha de abandonar ou permanecer na escola é fortemente condicionada por características individuais, por fatores sociais e familiares, por características do sistema escolar e pelo grau de atração que outras modalidades de socialização, fora do ambiente escolar, exercem sobre o estudante (DORE, SALES E CASTRO, 2014, p. 5).

Basso (2014) afirma que existem três modalidades principais de evasão, sendo elas as seguintes:

De acordo com a Comissão Especial de Estudos sobre a Evasão nas Universidades Públicas Brasileiras (1997), o estudante que sai do curso de origem sem concluí-lo é considerado evadido do curso. Quando o estudante desliga-se da IES é denominado evadido da instituição. Aquele estudante que abandona a formação de nível superior e não retorna mais é considerado evadido do sistema. Estas distinções da evasão na educação de nível superior também podem ser estendidas ao contexto da educação de nível técnico (BASSO, 2014, p. 29).

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 6, n. 7, p.44829-44838 jul. 2020. ISSN 2525-8761 Freitas (2009) destaca que na contemporaneidade as pesquisas na área têm ganhado atenção no Brasil, pois até a década de 1970, o foco dos pesquisadores sobre a evasão, concentrava-se apenas nas razões que levam os jovens a abandonar a escola. No início da década de 1980, as pesquisas passaram a incorporar outros aspectos significativos ao estudo do problema, focalizando os motivos que levaram os estudantes a persistirem na escola. “O objetivo de tais pesquisas é o de prevenir o abandono e identificar formas para encorajar a permanência do aluno na escola” (SILVA, 2013, p. 21).

Em relação à evasão, essa tem se tornado um problema cada dia maior, não apenas na educação profissional técnica de nível médio, mas também em outras modalidades de ensino, tais como o ensino à distância e as licenciaturas, sejam elas presenciais ou não. O Tribunal de Contas da União (TCU) (Brasil, TCU, 2012) assegura o registrado a seguir,

A evasão representa problema que alcança diferentes modalidades de ensino em maior ou menor medida. No Brasil, a educação profissional não foge a essa regra, sendo um importante vazamento que impede que boa parte dos alunos concluam seus respectivos cursos. A meta de 90% para a taxa de conclusão prevista no Projeto de Lei do Plano Nacional de Educação 2011-2020, ou mesmo da taxa de 80% para todas as modalidades de cursos ofertados pelos institutos prevista no Termo de Acordo de Metas, aparentemente, ainda é um ideal de longo-prazo. Quando se analisam as taxas de conclusão em nível nacional se situam em 46,8% para o Médio integrado, 37,5% para o Proeja, 25,4% para a Licenciatura, 27,5% para o Bacharelado e 42,8% para os cursos de tecnólogo (BRASIL, TCU, 2012, p. 10).

Quanto aos fatores de evasão na educação técnica de nível médio no Brasil, Lüscher e Dore (2011) ressaltam o exposto a seguir:

Do vasto e intricado conjunto de circunstâncias individuais, institucionais e sociais presentes na análise da evasão, destaca-se a explicação de que a evasão é um processo complexo, dinâmico e cumulativo de desengajamento do estudante da vida da escola (NEWMANN; WEHLAGE; LAMBORN, 1992; FINN, 1989). A culminância desse processo é a saída do estudante da escola. No caso da educação técnica de nível médio no Brasil, a evasão pode ser considerada sob várias perspectivas, o que torna mais difícil sua compreensão, seja quantitativa ou qualitativamente. Entre os percursos de formação profissional disponíveis no nível médio, o estudante pode, por exemplo, escolher um curso em uma determinada área, interrompê-lo e mudar de curso, mas permanecer na mesma área ou no mesmo eixo tecnológico. Pode também mudar de curso e de área/eixo ou, ainda, permanecer no mesmo curso e mudar apenas a modalidade do curso (integrado, subsequente ou concomitante) e/ou a rede de ensino na qual estuda. Outra opção é a de interromper o curso técnico para ingressar no ensino superior e, até mesmo, abandonar definitivamente qualquer proposta de formação profissional no nível médio (LÜSCHER; DORE, 2011, p. 152-153).

A análise desses fatores aponta que as causas mais frequentes estão relacionadas ao trabalho, tais como a incompatibilidade de horários, a dificuldade de conciliação e a necessidade de se trabalhar para sustentar a família.

A Constituição Federal de 1988 define, em seu artigo 6º, a educação como um direito social, sendo direito de todos e dever do Estado e da família (art. 205), devendo ser “promovida e incentivada

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 6, n. 7, p.44829-44838 jul. 2020. ISSN 2525-8761 com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho” (Brasil, 1988). Mas, de acordo com o Documento Orientador para a Superação da Evasão e Retenção na Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (BRASIL, 2014),

Não basta admitir a educação como um direito fundamental. É necessário concretizar e prover as ações que permitam a garantia desse direito. Nesse sentido, tanto a CF, em seu art. 206, quanto a LDB, em seu art. 3º, indicam os seguintes princípios, com relação direta com o sucesso escolar, para que o processo educacional ocorra de forma efetiva: a igualdade de condição para o acesso e permanência na escola, a garantia do padrão de qualidade, a valorização do profissional da educação escolar e a vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais. (BRASIL, 2014, p. 15).

É importante salientar que a permanência escolar tem sido um desafio para a educação brasileira, não apenas na educação profissional, mas também em outras modalidades de educação. Apesar de haver muitos debates sobre evasão e permanência escolar, o tema ainda não encontra grande espaço na literatura especializada. Dore e Lüscher (2011) reforça essa questão em seu projeto Educação Profissional no Brasil e Evasão Escolar e afirma que os estudos sobre a evasão no ensino técnico ainda são escassos.

Dore, Sales e Castro (2014, p. 381) complementam o exposto,

Particularmente, sobre a evasão no ensino técnico regular de nível médio, nota-se que não há uma quantidade relevante de estudos. Essa carência de pesquisas também foi identificada por Dore & Lüscher (2011), em levantamento realizado na base de dados da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais, que demonstrou o número escasso de estudos e informações sistematizadas sobre a temática da evasão na educação técnica de nível médio. Trata-se, portanto, de um campo de pesquisa a ser solidificado no país.

Diante disso, um dos objetivos desta pesquisa é contribuir com as discussões sobre retenção e evasão na modalidade técnica subsequente, ainda carente de pesquisas e investigações mais aprofundadas.

4 DIALOGANDO COM AS PUBLICAÇÕES: O QUE NOS DIZEM OS ARTIGOS ENCONTRADOS

Após leitura de resumos dos 48 artigos encontrados, selecionamos 04 artigos para leitura na integra e posteriormente traçar um breve diálogo com os mesmos. Gil (2015), nos trás o problema da reprovação e repetência escolar e o seu reconhecimento como problema Político Educacional. A autora nos apresenta uma discussão dos exames de seleção, da avaliação, a escola seriada e a sua não vinculação a produção do conhecimento por parte do aluno. O desempenho escolar medido de maneira a considerar que todos apendem da mesma forma.

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 6, n. 7, p.44829-44838 jul. 2020. ISSN 2525-8761 Para Gil (2015) a gestão da Educação Pública Brasileira, até as primeiras décadas do século XX, não consideravam a repetência e reprovação como um problema e, a partir de então, o tema começa a aparecer em documentos oficiais como uma questão a inspirar atenção. Com a melhor qualidade e quantidade de dados estatísticos, proporcionou uma maior visibilidade ao fenômeno da reprovação, repetência e evasão, numericamente expressivo. Salienta Gil (2015) que: “nas décadas seguintes – 1950, 1960, 1970 e 1980 – a questão seguiu sendo discutida com caraterísticas que interessa melhor compreender, o que motiva a continuidade das pesquisas acerca do tema” (GIL, 2015, p.8).

PELISSARI (2012) em sua pesquisa empírica relata dados de procura e abandono nos cursos Técnicos da Educação Profissional e Tecnológica de Nível Médio (EPTNM) no Paraná e, em uma concepção sócio histórica trabalha as questões ligadas ao jovem, a escola, trabalho e tecnologia. O autor aborda a questão dos sentidos e significados construídos pelos jovens a respeito dos cursos técnicos na área de tecnologia e a influencia das maneiras como o jovem identifica a tecnologia. “Nesse sentido, as discussões sobre o mercado de trabalho na área de tecnologia evidenciam uma intima relação entre o sentido construído pelo ideário juvenil” (PELISSARI, 2012, pag. 10), as discussões foram organizadas em grupo focais para coleta de dados.

Conclui Pelissari (2012), que o “discurso evidencia-se não só na ênfase da necessidade de novas competências profissionais como também no destaque de uma tecnologia sedutora, positiva solucionadora de problemas e libertadora” (PELISSARI, 2012, pag. 11), e prossegue destacando “que a escola técnica não se encastele em uma pretensa neutralidade, nem fique a reboque do discurso ideológico empresarial” (PELISSARI, 2012, pag. 12), para ao autor a escola deve estar aberta ao debate do mundo do trabalho e sua sustentação na área do conhecimento.

Apesar de não estarmos buscando publicações das reuniões da ANPED, encontramos um artigo que merece destaque. No artigo da X ANPED Sul, Beatrici & Gallina (2014), tratam o tema da Educação de Jovens e Adultos na Educação Profissional (PROEJA) e sua relação com o fracasso escolar, onde promovem uma discussão sobre Capital Cultural de Pierre Bourdieu e a teoria de relação com o saber de Bernard Charlot. No Conceito de Capital Cultural Beatrici & Gallina (2014) nos mostra a relação sobre o contexto da “atividade pensada e desenvolvida nas lutas sociais, nas funções sociais da escola e pelo processo de reprodução social através dela” (BEATRICI & GALLINA, 2014, p. 6), bem como, sua fragilidade em não permitir pensar na atividade do professor e do aluno em sala de aula.

Do ponto de vista da relação com o saber, Beatrici & Gallina (2014), fundamentam sua teoria “convidando a comunidade educativa a compreender a realidade dos estudantes e buscar caminhos que produzam uma leitura positiva da realidade social, procurando explicar a realidade pelo que os

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 6, n. 7, p.44829-44838 jul. 2020. ISSN 2525-8761 estudantes são e não pelo que eles não são” (BEATRICI & GALLINA, 2014, p. 8). E prossegue nos convidando a entender o que está acontecendo com o aluno em situação de fracasso escolar, “qual é a sua lógica e quais as relações com o mundo, com os outros e consigo mesmo” (BEATRICI & GALLINA, 2014, p. 8). Convida-nos a entender a história escolar como social e singular (individual), alertando para uma atenção ao educando quanto a sua relação com o saber escolar e cultural.

Na reunião de 2017 (38ª), não encontramos publicações que retratem questões ligadas à retenção e evasão. Dentre os artigos que tratam da educação profissional, encontramos apenas um que discute o lado oposto da evasão, a permanência escolar. O trabalho encontrado busca compreender os fatores que dificultam ou favorecem a permanência de alunos do PROEJA (Programa de Educação de Jovens e Adultos), de um Instituto Federal e encontrou como resultados as dificuldades no ambiente escolar, não apenas cognitiva, mas, também, de valorização das vivencias, das experiências e histórias de vida dos jovens e adultos (ABREU JUNIOR, 2017).

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Há uma diversidade de grupos e temáticas sendo abordadas na ANPED, o que é muito favorável, pois mostra amplitude e flexibilidade na visão da instituição. Percebemos o quanto as produções tem aumentado em todos os Grupos de Trabalho e em especial aqueles ligados à temática que optamos por discutir.

Nas publicações e abordagens apresentadas nos trabalhos analisados observamos um singelo movimento de expansão de olhares sobre a Evasão em todas as modalidades de ensino, podemos perceber que, apesar desta expansão, ainda são poucos os trabalhos produzidos sobre o tema/problema relacionados ao Ensino Técnico de Nível Médio.

Observa-se nos artigos avaliados, uma perspectiva dos autores em levantar aspectos que contribuem para evasão dos estudantes, porém, em sua grande maioria, evidenciam as limitações dos estudantes. Notamos também uma ausência de trabalhos que discutam a questão da retenção e repetência, bem como, estudos consistentes que possam analisar o problema através do viés da permanência do educando nos cursos profissionalizantes.

A pesquisa é um processo permanente de construção, e este trabalho possibilitou algumas reflexões que podem contribuir para a consolidação de fio condutor de nossa pesquisa: analisar a evasão na Educação Técnica e Nível Médio. Esta constatação nos estimula a buscar em outras bases de dados, leituras que possam contribuir para apropriação deste fio condutor.

Este trabalho nos mostrou que este campo da educação, possui pouco material produzido, abrindo assim, um leque de oportunidades para novas pesquisas. A busca por referencias deve continuar sendo feita para que possamos definir adequadamente uma linha teórica a ser utilizada, o

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 6, n. 7, p.44829-44838 jul. 2020. ISSN 2525-8761 desenvolvimento de metodologias adequadas e, principalmente, suporte teórico para a apropriação dos fundamentos necessários à defesa do tema proposto.

Sabemos que a construção de um estado da arte ou do conhecimento, é bastante complexa para iniciantes, mas, sem dúvida, este exercício é de grande valia para apreensão de proposições adequadas a este vasto ramo do conhecimento chamado Educação.

REFERÊNCIAS

ABREU JUNIOR, J.M. A permanência no PROEJA de um Instituto Federal: Entre limites, demandas e possibilidades. In: 38ª REUNIÃO CIENTÍFICA DA ANPED, 2017, São Luis. Anais... São Luis, 2017. ISSN: 2447-2808. Disponível em: <http://37reuniao.anped.org.br/wp-content/uploads/2017/18/Trabalho-GT18-967.pdf>. Acesso em: 03 jul. 2019.

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 6, n. 7, p.44829-44838 jul. 2020. ISSN 2525-8761 DORE, R.; LÜSCHER, A. Permanência e evasão na educação técnica de nível médio em Minas Gerais. Cadernos de Pesquisa, São Paulo, v. 41, n. 144, set./dez. 2011, p 772-789. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010015742011000300007&Ing=pt&nrm =iso>. Acesso em: 15 jul. 2018.

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Referências

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