1 INTRODUÇÃO 3
1.1 TEMA 3
1.2 PROBLEMA 4
1.3 HIPÓTESES 4
1.4 OBJETIVOS 4
1.4.1 Objetivo geral 4
1.4.2 Objetivos específicos 5
1.5 JUSTIFICATIVAS 5
2 REFERENCIAL TEÓRICO 7
2.1 RESPONSABILIDADE CIVIL 7
2.1.1 Conceito 7
2.1.2 Espécies 8
2.2 DA PROMESSA DE CASAMENTO 10
2.2.1 Histórico 10
2.2.2 Natureza Jurídica 11
2.2.2.1 Posições da Doutrina e Jurisprudência 12
3 METODOLOGIA 18
3.1 O MÉTODO 18
3.2 OS PROCEDIMENTOS TÉCNICOS 18
4 CRONOGRAMA 19
5 ORÇAMENTO 20
1 INTRODUÇÃO
O noivado é um compromisso firmado entre um homem e uma mulher que tem o intuito de se casarem em um futuro próximo. Conhecido também como Esponsais.
A Responsabilidade Civil pelo Rompimento dessa Promessa de Casamento é o tema central deste trabalho, o qual a doutrina e a jurisprudência se divergem muito em suas teorias e explicações.
O noivado configura uma realidade social diferenciada de um singelo namoro, porém mais rudimentar se comparado a um casamento ou mesmo a união estável. Não pode ser reputado como instituto do Direito de Família, até porque o noivado está ainda na fase embrionária da formação de uma família, mas há possibilidade de ser inserido nos estudos concernentes ao Direito das Obrigações e da Responsabilidade Civil.
Quem pratica um ato ilícito deve repará-lo, assim diz o nosso Ordenamento Jurídico, e sendo assim, este trabalho vem para demonstrar qual abrangência da Responsabilidade Civil na quebra da Promessa de Casamento, abordando elementos essenciais da responsabilidade civil, seu conceito e suas espécies; também estarão sendo analisadas as Histórias, a Natureza Jurídica e a Posições Doutrinárias e Jurisprudências sobre a Promessa de Casamento.
E por fim, serão enfocados alguns aspectos específicos da Formação e Dissolução dos Relacionamentos Amorosos.
1.1 TEMA
A Responsabilidade Civil pelo Rompimento da Promessa de Casamento, trata-se de um assunto atual e muito polêmico, não apenas no direito pátrio, cuja controvérsia na doutrina se reflete diretamente na jurisprudência.
assunto, se realmente cabe uma Ação de Indenização por Danos Materiais e Morais pela ruptura do noivado.
1.2 PROBLEMA
Na escolha do tema, surgiram as seguintes indagações, que serão especificadas no decorrer do trabalho:
Cabe reparação de Danos Materiais e Morais pela Ruptura da Promessa de Casamento? Qual a sua abrangência dentro da Responsabilidade Civil?
1.3 HIPÓTESES
Se o noivado tem sua natureza jurídica elencada como um pré-contrato, pois este, antecedendo o casamento, que é por natureza, um contrato nupcial, existindo portanto uma expectativa de direitos, estando este pois, alocado no campo do Direito das Obrigações, e com íntima vinculação à esfera da Responsabilidade Civil, gerando por conseguinte direito a reparação por Danos Morais e Materiais quando preenchidos os requisitos necessário para tal;
Se o noivado tem natureza jurídica puramente moral, e por isso mesmo ao desamparo de qualquer norma jurídica, assim, o seu rompimento, em teses, não admitirá, nenhuma sanção de ordem econômico-financeira;
Existe o posicionamento que acredita que apenas cabe indenização por danos materiais, pois tais “compromissos” não induzem início de execução por não se traduzir em um contrato, pois o desfazimento desse “compromisso amoroso” fica na dependência de motivos de ordem subjetiva e afetiva, inerentes ao ser humano;
1.4 OBJETIVOS
1.4.1 Objetivo geral
1.4.2 Objetivos específicos
Identificar as razões doutrinárias e jurisprudenciais ao caracterizarem a natureza jurídica do noivado como pré-contratual, vinculada assim com a Responsabilidade Civil, devendo portanto com o seu rompimento gerar indenizações tanto materiais, como morais;
Identificar as razões doutrinárias e jurisprudenciais ao caracterizarem a natureza jurídica do noivado como puramente moral, não tendo assim nenhuma sanção de ordem econômico-financeira com o seu rompimento;
Identificar as razões doutrinárias e jurisprudenciais que acreditam que há somente cabimento em indenizações por Danos Materiais, pois os motivos do rompimento dos noivados estão estritamente ligados à esfera subjetiva e afetiva dos seres humanos;
Chegar a uma conclusão se realmente cabe indenização por Danos Morais e Materiais pelo Rompimento da Promessa de Casamento, com base nas teorias descritas durante a pesquisa;
1.5 JUSTIFICATIVA
Ao analisar a área da Responsabilidade Civil, nos deparamos com uma vasta divergência de opiniões de Doutrinadores, Juristas, analisando essa divergência, focalizando a área do direito obrigacional, especificadamente no âmbito familiar, adentrando mais afundo no Noivado, uma relação que antigamente, existia norma regulamentadora, e hoje não mais, deixando assim, um espaço em branco em nosso ordenamento.
Apesar do atual Código Civil não fazer menção as responsabilidades por quebra da ruptura do noivado, é um tema levado em grande escala para os tribunais, alcançando perante estes, grandes discussões, de um lado aqueles que acreditam que a sua ruptura gera sim, indenizações, de outro, aqueles que são contra, e de outro ainda, existe sempre aqueles que estão no meio, que acreditam na possibilidade da indenização, mas apenas na esfera patrimonial.
2 REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 RESPONSABILIDADE CIVIL
O indivíduo tem a faculdade de agir conforme sua própria consciência, podendo, inclusive contrariar as normas jurídicas. Porem, mesmo que não exista normatização pré-estabelecida, o homem é sempre responsável por seus atos e suas condutas, ao menos em termos morais e de prestação de contas à consciência.
Como preceitua Carlos Roberto Gonçalves:
O instituto da responsabilidade civil é parte integrante do direito obrigacional, pois a principal conseqüência da prática de um ato ilícito é a obrigação que acarreta, para o seu autor, de reparar o dano, obrigação esta de natureza pessoal, que se resolve em perdas e danos. (GONÇALVES, 2003, p. 2).
Portanto a Responsabilidade Civil está adentrada no campo do Direito Obrigacional, obrigando assim os que infringem seus preceitos a repararem o mal causado.
2.1.1 Conceito
O ser humano ao tomar alguma atitude pode provocar reação da sociedade, seja de forma positiva ou negativa, seja engrandecendo ou prejudicando determinada comunidade.
“No campo da responsabilidade civil encontra-se a indagação sobre o prejuízo experimentado pela vítima, deve ou não ser reparado por quem o causou em que condições e de que maneira deve ser estimado e ressarcido.” (MATIELO, 1998, p.12)
Aquele que pratica um ato ou o deixe de praticar, resultando desta ação ou omissão um prejuízo, acarreta a responsabilidade de reparar o dano.
Assim, entende o doutrinador Joaquim A. Lopes:
De fato, o anseio de obrigar o agente causador do dano a repará-lo se inspira nos mais estritos princípios de justiça, principalmente quando o prejuízo foi consumado intencionalmente. Nesse caso, além de amparar-se a vítima, pune-se o delinqüente. (LOPES, 1987, p. 120).
Diante disto torna-se evidente afirmar que a responsabilidade civil esta embasada em previsão legal, devendo portanto, existir amparo jurídico ao bem lesado.
A norma prevista tem força suficiente para conduzir o transgressor ao dever de reestruturar os direitos ou interesses atingidos.
2.1.2 Espécies
No sistema jurídico brasileiro, existem duas teorias que buscam explicar a responsabilidade civil: a teoria subjetiva e a teoria objetiva.
Conforme o fundamento que se dê a responsabilidade, a culpa será ou não considerada elemento da obrigação de reparar o dano.
A primeira teoria a chamada subjetiva, é aquela que depende, para configuração, de um elemento subjetivo, que decorrera de um dolo1 ou da culpa2 , ou seja, o agente não tem intenção direta de atuar indevidamente, mas o faz em razão de um descuido – negligência ou imprudência – ou de uma inaptidão ou imperícia.
Essa espécie é dita como subjetiva porque está presente a ligação psíquica do agente, como resultado danoso, de modo que este quer diretamente produzir o efeito que efetivamente veio a ser constatado, ou aceita como viável a ocorrência do evento a partir da conduta assumida.
No direito brasileiro, a responsabilidade esta fundamentada na teoria subjetiva, ou seja, conforme prescreve o art. 927 do Novo Código Civil, para que haja responsabilidade é preciso que haja culpa.
A modalidade de dolo esta dividida em duas espécies: à primeira denomina-se dolo direto, ação ou omissão consciente direcionada ao alcance de um resultado certo; é a vontade deliberada de infringir o dever pré-estabelecido normativamente.
À segunda, o dolo eventual, que é a consciência do risco de que o evento danoso venha a produzir-se; mesmo que ciente deste fato, o agente toma a possibilidade abstrata da causação do prejuízo como parte integrante da sua ação e prossegue rumo ao que deseja.
Em se tratando da culpa, não esta presente nesta, a pretensão de ocasionar o dano, porém o prejuízo adveio, justamente, do comportamento ilícito do causador.
Vale mencionar o ensinamento do mestre Sergio Cavalieri Filho, citado por Antonio Couto Filho e Alex Pereira Souza:
Diferentemente do dolo, a culpa não é vontade de praticar determinado ato ilícito. É, antes, a vontade de praticar ato licito, mas o agente por não adotar a conduta adequada, acaba por praticar ato ilícito. Vê-se, então, que há na culpa uma conduta mal dirigida a um fim licito; uma conduta inadequada aos padrões sociais; ato ou fato de uma pessoa prudente e cautelosa não teria praticado. É imprevisão do previsível por falta de cautela do agente. Há na culpa, em ultima instância, um erro de conduta. (COUTO FILHO, SOUZA, 1999, p. 13)
Diante do exposto, não há que se olvidar, mesmo havendo uma conduta culposa, a existência do vinculo entre o efeito danoso e a conduta é a condição sine
qua non para o surgimento do dever de indenizar.
A lei impõe, entretanto, a certas pessoas, em determinadas situações a reparação de um dano cometido sem culpa. Quando isto acontece diz-se responsabilidade objetiva, pro que prescinde da culpa e se satisfaz apenas com o dano e o nexo de causalidade. Esta teoria dota objetiva ou do risco, tem como postulado que todo dano é indenizável e deve ser reparado porque a ele se liga por um nexo de causalidade, independentemente de culpa.
Portanto no caso dos Noivados, a Responsabilidade é a Subjetiva, pois aqui a vítima terá que demonstrar e provar o dano que o agente lhe casou, e ainda mais, dentro desses danos deverá mostrar a sua extensão, se foram somente patrimoniais ou se também atingiram a esfera extrapatrimonial
2.2 DA PROMESSA DE CASAMENTO
A Promessa de Casamento é também conhecida como Noivado, que antigamente era conhecido como Esponsais, derivado do latim sponsalia, indica o contrato ou a convenção, que precede o casamento, em virtude do qual os nubentes3, os futuros esposos assumem por si mesmos, ou por intermédio de seus parentes, o compromisso ou promessa de se casarem.
Noivado é o compromisso feito por um homem e uma mulher com o intuito de no futuro próximo constituir família.
2.2.1 Histórico
O nome de sponsalia, atribuído ao ato pelos romanos, provinha da forma por que se objetivavam, isto é, mediante uma estipulação, que servia de garantia à promessa, o que, primitivamente, dava o mesmo motivo a actio ex sponsu, contra aquele dos sponsi que não os cumprisse. Em certas ocasiões os sponsais chegaram a ter a mesma força do casamento. Mas sempre foram admitidos como dissolúveis, mesmo pela Igreja.
No direito romano. Os esponsais era convenção verbal e solene pela qual homem e mulher, ou seus pais comprometiam-se a contrair casamento.
O noivado, sob alguns aspectos, era equiparado ao casamento. A quebra desse compromisso gerava conseqüências patrimoniais, muito embora houvesse uma grande solenidade e importância, não se podia obrigar o noivo ou a noiva a casar-se.
No direito brasileiro. Nas Ordenações do Reino, no período da pré-codificação, havia previsão do contrato de esponsais e era celebrado por escritura pública, e quem não o cumprisse respondia por perdas e danos. E em 1858, Teixeira de Freitas, na Consolidação das Leis Civis, também regulamentou os esponsais.
Contudo, em 1916, não houve a previsão do instituto dos esponsais no Código Civil, desaparecendo desde então do nosso direito positivo.
2.2.2 Natureza Jurídica
O noivado não é um ato que na maioria das vezes se vê revestido de solenidade, não é comum que estes sejam feitos por escritos, e muito menos que sejam levados a registro público, como era feito antigamente.
Entretanto, isto não descaracteriza o noivado como um fato gerador de direitos e obrigações para os noivos, e que assim, portanto, mereça cautela na confecção de arestos legais e jurisprudenciais.
Muitos Tribunais já vem se manifestando sobre a possibilidade de reparação sobre ruinosos noivos, merecendo este estudo mais detalhado.
O Código Civil deve ser analisado e estudado a luz da Constituição Federal de 1988, respeitando a cima de tudo o Princípio da Dignidade da Pessoa Humana (CF/88, art. 1º, III) e aos demais princípios e garantias fundamentais elencados no artigo 5º da Magna Carta.
Com isto, fica cada vez mais firme uma estóica condenação à visões egoístas sobre a formação e dissolução do noivado, acentuando-se à ampla ojeriza aos primados estritamente privatistas sobre o tema. Um noivado está longe de ter a mesma imponência e sistemática jurídica de um casamento, mas, na medida em que existe até como compromisso para a existência futura do casamento, também tolhe qualquer dos noivos de atos unilaterais notadamente agressivos à dignidade alheia.
Em uma visão mais simplista, é bom dizer que um noivo não pode fazer o que bem entender com seu consorte, havendo liames éticos, morais e jurídicos a serem observados.
Se o casamento é um contrato e o noivado simboliza compromisso no sentido de firmar futuro casamento, nada mais simples do que dizer que o noivado pode ser reputado como um pré-contrato ou contrato preliminar.
Não podemos obrigar que isso aconteça, pois estaríamos contrariando a principal característica do casamento, a liberdade dos contraentes de firmar ou não o matrimônio.
Neste sentido, Silvio Rodrigues diz o seguinte:
Todavia, é óbvio que o casamento só passa a existir e a gerar efeitos a partir do momento da celebração, quando os nubentes, perante o oficial celebrante, afirmam o propósito de casar-se um com o outro, e ouvem daquela autoridade a proclamação de que os declara casados (CC, art. 1535). Até aquele momento qualquer dos noivos é livre para se arrepender, não podendo, de qualquer modo, o arrependido ser compelido a casar. Tal princípio, de grande vetustez, visa a assegurar a liberdade que a pessoa tem de casar-se ou não. (RODRIGUES, 2002, p.38)
2.2.2.1 Posições da Doutrina e Jurisprudência
A doutrina e a jurisprudência é bastante divergente sobre o assunto, em face de vários julgados encontrados, chegamos a três teorias distintas, as quais são elas:
1ª Teoria:
Se o noivado tem sua natureza jurídica elencada como um pré-contrato, pois este, antecedendo o casamento, que é por natureza, um contrato nupcial, existindo portanto uma expectativa de direitos, estando este pois, alocado no campo do Direito das Obrigações, e com íntima vinculação à esfera da Responsabilidade Civil, gerando por conseguinte direito à reparação por Danos Morais e Materiais quando preenchidos os requisitos necessário para tal;
De acordo com a teoria está a consagrada Maria Helena Diniz:
A quebra da promessa esponsalícia tem apenas o efeito de acarretar responsabilidade extracontratual, dando lugar a uma indenização por ruptura injustificada, pois, como afirma Jemolo, a atitude imprudente, tola ou malvada de estabelecer esponsais, despertando a confiança de um próximo casamento, a tal ponto que uma pessoa realize despesas com vistas a esse fim, e de retirar-se depois sem motivo plausível caracteriza uma atitude culposa e causadora de prejuízos; daí a obrigação da reparação. (DINIZ, 2007, p. 182).
Também no mesmo se sentido Patrícia Fernandes de Carvalho citada por Valéria Silva Galdino diz que:
promessa de casamento sujeita à regra geral do ato ilícito, pois o Código Civil brasileiro silencia completamente sobre a matéria. “Em princípio, a só ruptura do noivado por qualquer dos noivos não enseja indenização, visto que o relacionamento entre duas pessoas, livre de qualquer coação, ameaça ou engodo, visa estabelecer vínculos afetivos mais profundos, de modo a conduzir ao casamento. Não existindo ta afinidade, nada impede que se desfaça essa promessa (GALDINO apud CARVALHO, p.2)4.
Não resta dúvidas que para esta teoria o dever de indenizar está amparado na ilicitude do ato de abandonar a noiva ou o noivo antes do casamento se concretizar, e não pelo fato puro e simples de não ter havido casamento, mas sim pelos prejuízos que este veio a ocasionar, pois toda Ação ou Omissão que causar prejuízo a outrem cometerá Ato Ilícito e sua reparação será obrigatória, assim rezam os artigos 186 e 927 do Código Civil de 2002.
Tal pensamento recebe amparo na Doutrina pelo ilustre Rômulo Coelho que explicita:
Não Obstante, pode muito bem acontecer que a noiva tenha se preparado para as bodas, tenha realizado despesas peculiares ao ato, tendo em vista a cerimônia próxima. Via de regra, não são ordinários os dispêndios preparatórios do casamento. Papéis, documentos diversos, publicações, convites, gastos, enfim, os mais variados, que se tornam inúteis à outra destinação. Vez por outra, chega mesmo a abandonar o emprego, demitir-se de colocação rendosa, visando a desempenhar função mais atuante dentro do casamento, como dona de lar.
Conseguintemente, é possível que venha a sofrer graves prejuízos com o arrependimento ou desistência do ato por parte do outro nubente.
Nestas condições, não pode o direito simplesmente ignorar o caso, desamparando o inocente, olvidando uma ação voluntária danosa contra o patrimônio de quem laborou de boa fé, dentro das perspectivas de um consórcio futuro definitivo.
Em circunstâncias como estas, provado que o noivo retratante não teve justo motivo para a deserção, evidenciada a culpa do arrependimento, ao repudiado assiste o direito de reparação do dano, oriundo da injustificada desistência. (COELHO, 1992, p.7-8)
Não resta dúvida de que o afastamento voluntário, imotivado, como é a desistência injustificada do casamento, dando causa a prejuízos ao outro noivo, enquadra-se, perfeitamente, dentro do campo da ilicitude civil, reclamando ao direito uma reparação conveniente.
4 CARVALHO, Patrícia Fernandes de. Mulher ganha indenização depois que noivo
Põem para que isso ocorra, é necessário que haja a ocorrência de seus pressupostos, o noivado, a desistência voluntária e o dano causado.
2ª Teoria:
Se o noivado tem natureza jurídica puramente moral, e por isso mesmo ao desamparo de qualquer norma jurídica, assim, o seu rompimento, em teses, não admitirá, nenhuma sanção de ordem econômico-finânceira;
Ou seja, terminar um noivado é exercer um direito de cada um, não tendo nesse caso a prática de qualquer ato ilícito envolvido.
De acordo está um julgado de 1965 (RT, 360/398), que Silvio Rodrigues traz em sua doutrina para demonstrar pensamentos contrários ao seu, ao meu ver tal julgado, é um pouco retrógrado, porém neste momento, não me cabe um pré-julgamento, mas sim apenas a coletânea das posições sobre tema:
“Assim, em julgado de 1965 (RT, 360/398), o Tribunal do Rio de Janeiro denegou a pretensão de noiva que pedia indenização pelo rompimento de noivado, alegando, entre outros, prejuízo derivado de sua demissão do emprego. A Corte entendeu não ser indenizável tal dano, acrescentando, contudo, não ter sido injusto o desfazimento do noivado. Eis o trecho do aresto: ‘Reduzida a questão posta na inicial ao pedido de indenização pela ruptura de noivado, manifesta é sua improcedência. O nosso Código Civil exclui os esponsais dentre os contratos, cuja ruptura seja suscetível de indenização, dada a sua natureza especial, que não deve prejudicar o livre consentimento do matrimônio. Aliás, no caso está manifesto nos autos, inclusive pelo depoimento da própria autora, o justo motivo que teve o réu para desfazer esse noivado’. Vênia é pedida para a transcrição da ementa de um outro julgado, do mesmo Tribunal e no mesmo sentido: ‘Quem exerce direito seu não pratica ato ilícito de natureza alguma. Assim, o noivo que rompe o ajuste para seu casamento, rompimento, aliás, admissível até mesmo na hora deste, quando não tenha induzido a noiva a gastos despropositados, não tem a menor obrigação de a indenizar a qualquer título. Noivado é compromisso de natureza puramente moral e, por isso mesmo, ao desamparo de qualquer norma jurídica. Assim, o seu rompimento, em tese, não admitirá nenhuma sanção de ordem econômico-financeira’ (RT, 473/213) (RODRIGUES, 2002, p.39-40).
De certa forma, o que se percebe nestes julgados acima expostos são certos ranços de uma visão “machista” do Direito Civil, mentalidade tacanha, em acelerado processo de desaparecimento no civilismo dos tempos modernos.
pena de transformar pedido desta natureza em alimento do rancor do noivo abandonado. Trazendo esta explanação para apreciação, mister citar o seguinte:
[....]O risco da ruptura integra o risco do namoro, noivado, uma experiência nem sempre bem sucedida, porque é um fenômeno natural. Como imaginar violação de direitos subjetivos, no simples fato do rompimento do noivado, do namoro, ou até mesmo nas separações judiciais? Evidente que os contratempos existem, e também o desconforto pelo abandono de um projeto de vida a dois, o que não deixa de ser frustrante, para os personagens. Estes têm o direito de ser felizes juntos ou separados.
Não se consegue atinar, a pretexto de se obter uma reparação pecuniária, que alguém bata às portas da Justiça, aguardando durante meses ou anos por uma solução, comprometendo a sua felicidade pessoal em razão de dolorosa expectativa de uma indenização, que no mais das vezes tem o caráter de vindita. Sim, somente o sentimento negativo de vingança, por situações não bem resolvidas é que poderiam desencadear o processo.
Se a pessoa ainda estiver só, torcerá para que a demanda perdure ad seculorum para irritar bem o ex adversus. Se estiver acompanhada, que será de seu novo e pobre namorado, obrigado a “abanar”o incenso que a sua namorada alimenta para não deixar fenecer o caso antigo? Será que vale a pena, por dinheiro, viver em função de mágoas, somatizando sensações desconfortáveis, colocando em risco a sua felicidade pessoa e a de seu atual companheiro que nada tem a ver com o episódio? Neste, o namorado atual tem tudo para desconfiar de quem já demonstrou do que será capaz. E é bom que ele pense muito antes de dar o passo definitivo, porque ele passou a conhecer a posição beligerante da namorada. Quem poderá garantir que ele não será o próximo alvo?
É preciso considerar que o fato do abandono, por pior que possa parecer, constitui um presságio feliz, porque se o casamento se realizasse, havendo dúvidas e inquietações envolvendo os nubentes ou cada um deles, o fracasso é certo. E se houver filhos, aí então a situação pioraria.
É preferível capitular do que insistir na farsa de se realizar a cerimônia apenas para cumprir um protocolo social ou familiar de tão graves conseqüências. O casamento exige, antes de tudo, amor e parceria. Se esse binômio não existe, porque continuar?
O noivado não tem sentido de obrigatoriedade. Pode ser rompido até o momento da celebração do casamento (COUTO, 2007, p.02-03).
De fato, estes argumentos são fortes. Contudo, é preciso muita cautela quando nós deparamos com visões promíscuas acerca de relações sentimentais, principalmente se padecem do vício de tornar efêmero o rompimento de expectativas afetivas e menosprezam a dor alheia.
Existe o posicionamento que acredita que apenas cabe indenização por danos materiais, pois tais “compromissos” não induzem início de execução por não se traduzirem em um contrato, pois o desfazimento desse “compromisso amoroso” fica na dependência de motivos de ordem subjetiva e afetiva, inerentes ao ser humano.
A rigidez na caracterização da incidência efetiva de um dano moral pode ser demonstrada neste julgado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro:
[...] Só deve ser reputado como dano moral a dor, vexame, sofrimento ou humilhação que, fugindo a normalidade, interfira intensamente no comportamento psicológico do indivíduo, causando-lhe aflições, angústia e desequilíbrio em seu bem-estar. Mero dissabor, aborrecimento, mágoa, irritação ou sensibilidade exacerbada estão fora da órbita do dano moral, porquanto além de fazerem parte da normalidade do nosso dia-a-dia, no trabalho, no trânsito, entre amigos e até no ambiente familiar, tais situações não são tão intensas e duradouras, a ponto de romper o equilíbrio psicológico do indivíduo. Se assim não se entender, acabaremos por banalizar o dano moral, ensejando ações judiciais em busca de indenizações pelos mais triviais aborrecimentos. (Des. Sérgio Cavalieri Filho, mencionado na Ap. Cív. 9.852/2001, do TJ-RJ).
Para este discurso, frivolidades, veleidades, caprichos, rancores passageiros não poderiam gerar a necessidade de reparação por danos morais. A pergunta que se faz é a seguinte: o rompimento do noivado está nesta órbita fugaz?
Conferindo ainda mais espaço para aqueles que se postam contrários à indenização por dano moral em caso de rompimento de noivado, urge trazer ao estudo as considerações do outrora mencionado Sérgio Couto
E o rompimento do noivado, à evidência-reiterando as vênias - não se inclui na hipótese de indenizabilidade. Não foi mesmo a ação de dano moral idealizada para desatar nós que os laços do destino aplicam em nossas vidas, exatamente porque a revitalização dos sentimentos pelo outro romance que surge naturalmente a cada tropeço amoroso, enriquece a alma com a felicidade que indenização alguma poderá proporcionar.
Viver é melhor que sonhar com o quantum indenizatório. (COUTO, 2007, p.2)
moral, é você ter sua vida psicológica totalmente balançada com esse infortúnio que a vida lhe acarretou, e que o “outro” com todo a certeza a ajudou.
Trata-se de uma dor que atinge o âmago da pessoa, corrompe seus valores, frustra suas esperanças. Sem se falar que terapias e apoios psicológicos poderão talvez nem ajudar. Há ainda que se considerar que, um infortúnio drástico como este, instaura o medo na vida da pessoa, faz ela se sentir envergonhada na convivência social, e pode até inviabilizar o sucesso de futuros casamentos, pois o prejudicado, o abandonado terá em sua mente a frase “será que isto não pode acontecer comigo de novo”? Destruir os sonhos de alguém significa matar o que ela tem de mais sublime.
Data Vênia, porém o Direito está para os que podem alcançá-lo, estando o desafortunado que foi abandonado pelo noivo, ou pela noiva, totalmente amparado por este, para se socorrer do judiciário para ver seus direitos reparados, tantos na esfera Patrimonial quanto Moral.
3 METODOLOGIA
Portanto, pode-se observar duas etapas necessárias no desenvolvimento metodológico: o método e os procedimentos técnicos.
3.1 O MÉTODO
Definindo-se o método da pesquisa, determinou-se que esta apresenta as características focadas na estrutura qualitativa, onde o pesquisador busca dados contextualizados e holísticos, próximos da realidade e da prática.
Para Martins e Campos (2004, p. 19), “as informações, nesse campo de investigação, são ricas, profundas, específicas, variadas e, quando bem controladas com o meio, permitem uma profunda compreensão do fenômeno multicultural.”
A pesquisa qualitativa é aquela que envolve a obtenção de dados descritivos, colhidos no contato direto do investigador com a situação estudada.
A presente pesquisa apresenta aspecto teórico, é uma pesquisa teórica pelo fato de ser uma pesquisa dedicada a reconstruir teoria, conceitos, idéias, ideologias, polêmicas, tendo em vista, em termos imediatos, aprimorar fundamentos teóricos.
3.2 OS PROCEDIMENTOS TÉCNICOS
Os procedimentos técnicos são à vista dos objetivos perseguidos, da natureza do objeto pesquisado e dos procedimentos possíveis, indicam-se as etapas do processo de investigação, destacando-se que os resultados de cada uma das etapas é que formarão as partes do texto final do trabalho.
São instrumentos para coleta de dados dentro dos procedimentos técnicos na pesquisa as entrevistas junto a órgãos de competência específica, e observação. Nesta pesquisa será abordado o procedimento de observação, associada com um levantamento bibliográfico indireto, ou seja, doutrinas, jurisprudências, artigos, códigos, e pesquisa via Internet.
4 CRONOGRAMA
ITENS / MESES mar./08 abr./08 mai./08 jun./09 jan./09 jul./09 Planejamento, seleção de
Orientador
Estudo dos documentos e
redação preliminar X X
Apresentação ao Orientador X
Revisão dos conteúdos e
elaboração do relatório final X X
Digitação, correção do vernáculo, verificação final do Orientador e entrega da monografia à Instituição
X X
5 ORÇAMENTO
Recursos Financeiros Valor R$
Aquisição de Obras Técnicas R$ 300,00
Tinta para impressora R$ 100,00
Papel A4 R$ 60,00
Condução (combustível em veículo próprio) R$ 800,00
TOTAL: R$ 1.360,00
REFERÊNCIAS
COELHO, Rômulo. Direito de Família: rompimento de noivado, casamentos,
concubinato, poder dos pais sobre os filhos menores. 2. ed. São Paulo: Universitária de Direito, 1992.
COUTO, Sérgio. Dano moral-rompimento de noivado. Disponível em <http:// www.gontijo-familia.adv.br/2008/artigos_pdf/Sergio_Couto/NOIVADO.pdf> Acesso em: 21.mai.2008.
DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro: Responsabilidade Civil. 21. ed. rev. e atual. de acordo com a reforma do CPC. São Paulo: Saraiva, 2007. 7 v. ECHEVERRIA, Ivan. Metodologia da Pesquisa. Cuiabá: UCAM, 2008.
GALDINO, Valéria Silva. Responsabilidade civil por danos decorrentes da ruptura de esponsais. Maringá. Disponível em: <http://www.galdino.adv.br/ artigos/22010807_050807_15.pdf>. Acesso em: 14 abr. 2008.
GONÇALVES, Carlos Roberto. Responsabilidade Civil. 8. ed. rev de acordo com o novo código civil – Lei nº 10.406, de 10-01-2002. São Paulo: Saraiva, 2003.