• Nenhum resultado encontrado

Cad. Saúde Pública vol.22 número4

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2018

Share "Cad. Saúde Pública vol.22 número4"

Copied!
1
0
0

Texto

(1)

703

Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 22(4):702-703, abr, 2006 No crepúsculo do primeiro quarto de centenário de (des)conhecimento da infecção pelo HIV e respectiva síndrome clínica (AIDS) apresentamos a um público de profissionais, ati-vistas e comunidades trabalhos acerca do HIV/AIDS entre usuários de drogas injetáveis no Brasil, sob a ótica de um problema de saúde pública, em escala mundial.

O desafio colocado pelo consumo de drogas e pela disseminação, entre seus usuá-rios, do HIV e de outros patógenos de transmissão sangüínea e sexual tem gerado propos-tas que oscilam da repressão ao tráfico e ao uso de drogas a uma pluralidade de ações que visam a reduzir os danos decorrentes desse consumo, com uma atuação centrada na edu-cação e na saúde pública. O presente fascículo temático, longe de oferecer respostas defini-tivas, busca estimular a reflexão sobre o que tem sido feito e formular novas questões. Dis-cutem-se temas relacionados à evolução do conhecimento em HIV/AIDS na abordagem in-tegral ao paciente usuário de droga injetável vivendo com HIV/AIDS, às voltas com diferen-tes condições médicas e problemas familiares e sociais.

Em um quadro epidemiológico especialmente dinâmico, observa-se uma (re)con-centração da epidemia em populações particularmente vulneráveis, à margem dos seg-mentos sociais com maior capacidade de mobilização e reivindicação, rumo a estratos so-ciais numerosos, mas pouco visíveis. Dentre estes, os usuários de drogas são paradigmáti-cos, na medida em que sofrem as conseqüências não apenas da discriminação e do estig-ma, como também da ação repressiva do aparato jurídico-policial.

O Brasil vem oferecendo ao mundo lições de como combinar políticas públicas e res-peito à autonomia dos movimentos sociais e aos direitos humanos no enfrentamento à ameaça representada pelo HIV/AIDS. A face mais visível do programa brasileiro é, sem dú-vida, a distribuição de medicamentos anti-retrovirais nas unidades públicas de saúde. Tal programa não seria factível e ético caso excluísse qualquer segmento, tema que é objeto do debate que abre este fascículo. Iníqua seria qualquer política em que o esforço e o dispên-dio de prover tratamento gratuito àqueles já infectados não conjugasse às iniciativas de prevenção, apoio psicossocial, avaliação e pesquisa. Também neste aspecto o Brasil tem a ensinar o que aprendeu a partir da implementação de um conjunto de iniciativas em pre-venção, fortemente apoiadas pelo Governo Federal, em termos de financiamento e de ca-pacitação técnica e supervisão, sem que estejam subalternizadas quaisquer populações ou segmentos. Pelo contrário, a despeito de opiniões opostas, os usuários de drogas consti-tuem uma população estratégica para as iniciativas de prevenção e apoio, dada a sua cen-tralidade para a epidemia, além de uma combinação de danos e riscos que os afetam e a seus parceiros e pares, incluindo a violência estrutural, a desinserção familiar e social, além

das conseqüências negativas do próprio consumo, como a dependência e as overdoses.

Como afirma Walter Benjamin, para além da história dos vencedores, é preciso recupe-rar os vestígios das perdas e derrotas, pois só assim, segundo ele, o anjo da história pode soprecupe-rar um vento que não seja o da omissão. Esperamos que os diferentes autores, reunidos neste fas-cículo, possam contribuir com sua ciência e comprometimento para avançarmos em direção a uma saúde pública digna do seu nome, em um diálogo entre pesquisa, políticas de saúde e res-peito ao humano, demasiado humano, que ultrapassa as estatísticas de morbi-mortalidade. Muito está por fazer, mas nada pode ser construído sem uma reflexão sistemática e crítica sobre o já feito. Que os leitores desfrutem deste esforço!

Waleska Teixeira Caiaffa

Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Brasil. [email protected]

Francisco Inácio Bastos

Centro de Informação Científica e Tecnológica, Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, Brasil. [email protected]

Redução de danos: marcos, dilemas, perspectivas, desafios

Referências

Documentos relacionados

A Lista de Fauna Ameaçada de Extinção e os Entraves para a Inclusão de Espécies – o Exemplo dos Peixes Troglóbios Brasileiros.. The List of Endangered Fauna and Impediments

Para esse fim, analisou, além do EVTEA, os Termos de Referência (TR) do EVTEA e do EIA da Ferrogrão, o manual para elaboração de EVTEA da empresa pública Valec –

Requiring a realignment of the EVTEA with its ToR, fine-tuning it to include the most relevant socio-environmental components and robust methodologies for assessing Ferrogrão’s impact

• A falta de registro do imóvel no CAR gera multa, impossibilidade de contar Áreas de Preservação Permanente (APP) na Reserva Legal (RL), restrição ao crédito agrícola em 2018

• Não garantir condições dignas e saudáveis para os trabalhadores pode gerar graves consequências para o empregador, inclusive ser enquadrado como condições análogas ao

• Quando o navegador não tem suporte ao Javascript, para que conteúdo não seja exibido na forma textual, o script deve vir entre as tags de comentário do HTML. <script Language

O termo extrusão do núcleo pulposo aguda e não compressiva (Enpanc) é usado aqui, pois descreve as principais características da doença e ajuda a

Tais restrições, sendo convencionais, operam efeitos entre o loteador e os que vão construir no bairro, enquanto não colidentes com a legislação urbanística ordenadora da cidade e