Resultados Preliminares Sobre as Diatomáceas dos Sedimentos Superficiais do Fundo da Laguna dos Patos

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Resultados Preliminares Sobre as Diatomáceas dos Sedimentos Superficiais do Fundo da Laguna dos Patos

Medeanic S.1; Corrêa I.C.S.1 & Weschenfelder J.1

1 Centro de Estudos de Geologia Costeira e Oceânica – CECO/IG/UFRGS (svetlana.medeanic@ufrgs.br).

RESUMO

Com base no estudo de 6 amostras de lama do fundo da Laguna dos Patos, foram encontradas nas lâminas palinológicas várias diatomáceas eurihalinas e mixohalinas. A descoberta de diatomáceas foi possível devido ao tratamento químico utilizado nas amostras para análise palinológica, sem o uso de HF. As diatomáceas mais abundantes, na região pré-límnica da Laguna dos Patos, são as eurihalinas: Actinoptychus, Coscinodiscus, Triceratium, e Paralia sulcata. A influência do rio Camaquã na salinidade da laguna resultou no aumento das diatomáceas mixohalinas de Diploneis e a diminuição das diatomáceas eurihalinas. Assembléias de diatomáceas da região límnica são semelhantes nas amostras e são caracterizadas pelo predomínio de mixohalinas Terpsinöe musica. Na parte leste da laguna, influenciada pelas marés, a freqüência das diatomáceas eurihalinas (Actinocyclis, Actinoptychus, e Coscinodiscus) aumenta.

ABSTRACT

Based on 6 muddy samples from the bottom sediments of the Patos Lagoon, various euryhaline and mixohaline diatoms were encountered in palynological slides. The discovery of diatoms was possible because during chemical treatment of the samples for palynological analysis we avoided HF using. The most abundant diatoms in pre-limnic part of the Patos Lagoon are euryhaline: Actinoptychus, Coscinodiscus, Triceratium, and Paralia sulcata.

The influence of the Camaquã River on salinity of the lagoon resulted in increase mixohaline Diploneis and decrease in euryhaline diatom taxa. The diatom assemblages from the limnic region are resembled the samples, characterized by predominance of mixohaline Terpsinöe musica. In the eastern part of the lagoon influenced by tides, the frequency of euryhaline diatoms (Actinocyclis, Actinoptychus, and Coscinodiscus) increase.

Palavras chave: eurihalinas e mixohalinas diatomáceas, sedimentos superficiais do fundo, Laguna dos Patos.

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INTRODUÇÃO

As aplicações de microalgas nas reconstruções de paleoambientes aquáticos e de paleoclima apresentam grande importância. As diatomáceas são microalgas, vastamente aplicadas nas reconstruções paleoambientais marinhas, lacustres, estuarinas e lagunares, pois são sensíveis a salinidade, a temperatura, ao pH, a profundidade e ao estado de nutrição (Baptista, 1977; Priddle & Fryxell, 1985; Canter-Lund &

Lund, 1995; Palmer & Abbott, 1994; Gutiérez Telluz, 1996; Garcia-Rodriguez et al., 2004;

Mayret al.,2005).

O uso de diatomáceas nas reconstruções paleoambientais do Quaternário, na Planície Costeira do Rio Grande do Sul, ainda não apresenta uma grande aplicação entre ficólogos (Abreuet al.; 1987; Callegaro & Lobo, 1990).

Apesar disso, os estudos de morfologia, de taxonomia, da ecologia e da distribuição de diatomáceas atuais nos diferentes ambientes, incluindo os ambientes de planícies costeiras, são amplamente conhecidos (Rosa, 1982;

Garcia, 2004; Torgan, et al., 1999, 2001, 2002, 2004; Torgan & Bahi dos Santos, 2006).

Os resultados dos estudos de diatomáceas nos sedimentos holocênicos nas amostras de furos de sondagens e de testemunhos da Planície Costeira do Rio Grande do Sul, encontradas junto com os palinomorfos nas lâminas palinológicas foram recentemente publicados (Medeanic et al., 2000, 2003; Medeanic &

Dillenburg, 2001). Diatomáceas marinhas identificadas (Coscinodiscus, Triceratium, Actinocyclis, Auliscus, Actinocyclis) foram usadas como importantes indicadoras da transgressão marinha pós-glacial. Nos sedimentos formados durante a regressão marinha posterior, as diatomáceas marinhas tornaram-se raras, predominando as diatomáceas de água salobra (Diploneis, Terpsinöe musica, Surirella) ou até de água doce. Nestes trabalhos, as diatomáceas tinham um papel muito importante, indicando as mudanças drásticas durante o Holoceno. Às vezes, as diatomáceas, encontradas nas amostras de um testemunho da Lagoa do Peixe correspondentes à transgressão marinha, foram mais abundantes e mais indicativas nas paleoreconstruções do que os palinomorfos (Arejano & Medeanic, 2007).

Entre as vantagens do uso das diatomáceas, é importante indicar que estas, compostas de sílica

e por isso mais resistentes nos sedimentos do que os palinomorfos, compostos de matéria orgânica. A probabilidade de serem encontradas é maior do que os palinomorfos, mesmo nos sedimentos que foram sujeitos a redeposição e oxidação posterior da sedimentação primária.

Para reconhecer as assembléias de diatomáceas fósseis, encontradas nos sedimentos holocênicos, é importante, além de usar os dados de botânicos sobre sua morfologia e ecologia, estudar as assembléias de diatomáceas nos sedimentos superficiais de diferentes ecossistemas aquáticos. Nas planícies costeiras é importante analisar os sedimentos superficiais do fundo das lagunas atuais, os quais foram formados como resultado de transgressão marinha e regressão posterior durante o Holoceno.

Neste trabalho são apresentados os primeiros dados sobre diatomáceas - presentes nos sedimentos superficiais do fundo da Laguna dos Patos. Os resultados são de relevante importância para uma melhor interpretação das reconstruções paleoambientais do Quaternário, conectadas com as mudanças na salinidade, profundidade e estado de nutrição das bacias de sedimentação da Planície Costeira do Rio Grande do Sul.

ÁREA DE ESTUDO

A Laguna dos Patos é conhecida como uma das maiores lagunas da América Latina. Sua formação está relacionada ao desenvolvimento da Planície Costeira do Estado do Rio Grande do Sul durante o Holoceno (Alvarez & Martins, 1981; Villwock et al., 1986; Martins et al., 1989). A Laguna desenvolveu-se de forma paralela à linha de costa e encontra-se abrigada da intensa atividade das águas do Oceano Atlântico, por um sistema de barreiras arenosas.

Esta laguna é relacionada ao ambiente marinho e influenciada, principalmente no setor sul, pela água oceânica. Seu escoamento acompanha o eixo principal NE-SW (Toldo Jr., 1991). A laguna recebe água doce do sistema de drenagem aproximadamente de 170.000 km2 do rio Jacuí, do qual faz parte o Lago Guaíba, e do rio Camaquã (Martins et al., 1989). Na parte estuarina, a salinidade é de aproximadamente 3‰, cujo valor, em determinadas épocas do ano, pode ser constatado até 200 km ao norte da desembocadura lagunar (Toldo Jr.et al., 2000).

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O tratamento químico das amostras foi feito segundo as técnicas usuais (Faegri & Iversen, 1989). As amostras (50 gramas cada) foram atacadas com HCl (10%) e KOH (10%), tendo sido aplicado o método de separação entre substâncias inorgânicas e orgânicas através de líquido denso (solução aquosa de ZnCl2 com densidade 2,2 g/cm3). A não aplicação do HF possibilitou a preservação das frústulas de diatomáceas. As lâminas do material estudado encontram-se arquivadas do Centro de Estudos de Geologia Costeira e Oceânica (CECO) do Instituto de Geociências da UFRGS.

Os resultados da distribuição (%) de diatomáceas nas amostras são apresentados nas figuras 2 a 7. A ordem das amostras mencionadas no referido quadro está de acordo com a localização das mesmas, na direção SW- NE. As identificações das diatomáceas e sua característica ecológica foram baseadas nos trabalhos de Moreira Filho & Teixeira (1963);

Moreira (1975); Rosa (1982); Abreu et al.

(1987); Torgan et al. (1999), entre outros. As diatomáceas mais representativas foram fotografadas usando-se microscópio óptico e câmara digital (Pranchas I e II).

Prancha I – 1) Actinocyclis, 2, 4) Actinoptychus, 3) Paralia sulcata, 5) Coscinodiscus, 6) Melosira. Escala: 10 µm.

(5)

Prancha II – 1) Auliscus, 2, 3) Diploneis, 4, 5) Terpsinöe musica, 6) Surirella, 7) Triceratium. Escala: 10 µm.

RESULTADOS E DISCUSSÕES

Foram analisadas 11 amostras, destas, somente em 6 amostras foram encontradas das diatomáceas com abundância e diversidade taxonômica bastante representativa. Nas amostras, compostas por areias ou lamas muito arenosas, não foi observada a presença de diatomáceas (Quadro 1). As diatomáceas são eurihalinas e mixohalinas. As diatomáceas eurihalinas são representadas por Actinocyclis, Actinoptychus, Auliscus, Coscinodiscus, Cyclotella, Triceratium. Coscinodiscus encontra-se permanentemente – uma espécie eurihalina, cosmopolita, planctônica de acordo

com Abreu et al. (1987). As diatomáceas mixohalinas são representadas pelas Terpsinöe musica, Diploneis, Paralia sulcata, Surirella, e raramente - Synedra.

As associações de diatomáceas, que foram determinadas nas amostras, se diferenciam pela freqüência relativa (%) de taxa de diatomáceas marinhas e mixohalinas.

(A) Região pré-limnica

Nessa região (amostras P1, P2 e P4), as assembléias de diatomáceas são parecidas entre si pela freqüência notável de diatomáceas eurihalinas (marinhas). As

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maiores freqüências de diatomáceas eurihalinas (Actinocyclis, Actinoptychus, Coscinodiscus, Auliscus, e Triceratium) encontram-se na amostra P1 que fica mais próxima da parte estuarina da Laguna dos Patos. Em todas as amostras observa-se

porcentagem significativa das diatomáceas estuarinas - Paralia sulcata (Zong, 1977). As diatomáceas mixohalinas são menos freqüentes (Surirella, Synedra, e Terpsinöe musica) (Fig. 2).

Figura 2. Distribuição relativa (%) de gêneros de diatomáceas na amostra P1.

Na amostra P2, no local de influência do rio Camaquã, as diatomáceas eurihalinas (Actinoptychus, Coscinodiscus, Triceratium)

diminuem, mas diatomáceas mixohalinas (especialmente Diploneis) aumentam significativamente (Fig. 3).

Figura 3. Distribuição relativa (%) de gêneros de diatomáceas na amostra P2.

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Na amostra P4, na parte leste da laguna, influenciada pelas marés, as diatomáceas eurihalinas (Actinocyclis, Coscinodiscus e Paralia sulcata) aumentam, mas as

diatomáceas mixohalinas (Diploneis, Surirella e Terpsinöe musica) estão raramente presentes (Fig. 4).

Figura 4. Distribuição relativa (%) de gêneros de diatomáceas na amostra P4.

As assembléias das diatomáceas, nos sedimentos superficiais do fundo da Laguna dos Patos (amostras P1 e P4) são bem comparáveis com as assembléias das diatomáceas registradas nos sedimentos holocênicos, formados durante a transgressão marinha pós-glacial na Laguna dos Patos na parte estuarina com as datações 7370 ± 150 anos AP (Weschenfelder et al., 2008), na região da Laguna de Tramandaí, com as datações 9620 ± 160, 5760 ± 120 anos AP (Medeanic & Dillenburg, 2001; Medeanic et al., 2003), e nos sedimentos holocênicos do fundo da Lagoa de Peixe, com as datações 7420-7020, 5820-5760, 5370-5340 cal anos AP (Arejano &

Medeanic, 2007).

A assembléia das diatomáceas da amostra P2 é caracterizada por predomínio de diatomáceas mixohalinas (Diploneis) e é comparável com a assembléia das diatomáceas descobertas nos

sedimentos holocênicos, correspondentes a regressão marinha que ocorreu após a transgressão marinha no vale do rio Maquiné (Medeanic et al., 2000).

(B) Região límnica

Nas amostras P6, P7 e P8 foram identificadas várias diatomáceas. As três assembléias das amostras são parecidas pelo predomínio de Terpsinöe musica – uma espécie de ocorrência rara na Europa, mas comum na América do Sul, em especial no Brasil, ocorre em águas doce e salobra (Abreu et al., 1987). A freqüência das algas eurihalinas nas amostras varia. As maiores freqüências são representadas pelas Actinocyclis, Actinoptychus, Coscinodiscus, e Triceratium e se encontram na amostra P6 (Fig. 5).

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Figura 5. Distribuição relativa (%) de gêneros de diatomáceas na amostra P6.

Permanentemente encontra-se Surirella - uma espécie, possivelmente, endêmica da América do Sul (Abreu et al., 1987). Na amostra P7, as diatomáceas mixohalinas de Terpsinoe musica alcançam a freqüência maior, e Diploneis aumentam também. Esse

aumento notável da porção das diatomáceas mixohalinas e diminuição notável das diatomáceas eurihalinas é conectado com a influência das águas do lago Guaíba que diminuem a salinidade da Laguna dos Patos (Fig. 6).

Figura 6. Distribuição relativa (%) de gêneros de diatomáceas na amostra P7.

A amostra P8 é caracterizada pela presença de diatomáceas eurihalinas: Actinocyclis, Auliscus, Cyclotella e Coscinodiscus, e ausência das diatomáceas marinhas:

Actinoptychus, Melosira, Synedra. As assembléias de diatomáceas dessas amostras são comparáveis com as assembléias de

diatomáceas fósseis encontradas nos sedimentos holocênicos, correspondentes à regressão marinha após a transgressão marinha pós-glacial do vale do rio Maquiné (Medeanic et al., 2000), caracterizando paleoambientes de água salobra (Fig. 7).

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Figura 7. Distribuição relativa (%) de gêneros de diatomáceas na amostra P8.

CONCLUSÕES

Os resultados obtidos mostram que as associações de diatomáceas são correlacionadas com a salinidade da Laguna dos Patos, influenciadas pelo oceano através do canal, na parte estuarina, pelas marés na parte leste, e pelo sistema de drenagem de água doce na parte oeste (principalmente, lago Guaíba e rio Camaquã). Todos esses fatores determinam à diversidade taxonômica de diatomáceas, razão entre táxons mixohalinos e eurihalinos.

As amostras da região pré-limnica e límnica são diferentes pela abundância e freqüência de táxons eurihalinos e mixohalinos que são controlados pela salinidade.

Na parte pré-límnica, as diatomáceas eurihalinas predominam na amostra mais próxima da parte estuarina, e na parte leste, no ponto influenciado pelas marés. Na parte oeste, onde a salinidade diminui por causa de correntes do rio Camaquã, as diatomáceas mixohalinas aumentam e, pelo contrário, as diatomáceas eurihalinas diminuem.

Na parte límnica, as assembléias das diatomáceas de todas as amostras são bem comparáveis pelo predomínio absoluto de diatomáceas mixohalinas - Terpsinöe musica.

As freqüências de táxons de diatomáceas eurihalinas diminuíram notavelmente. Num local na parte leste, influenciado pelas marés, as diatomáceas eurihalinas encontram-se raramente.

Os primeiros resultados, ainda preliminares, mostram que as assembléias das diatomáceas descobertas nos sedimentos superficiais do fundo da Laguna dos Patos são altamente aplicativas nas reconstruções paleoambientais e podem servir como padrões para a comparação com as assembléias de diatomáceas fósseis e subfósseis.

AGRADECIMENTOS

Os autores agradeçam ao CNPq (processos no 300005/2007-5 e n° 303956/2006-2) e a FAPERGS (processo nº 0521261) pelo apoio financeiro deste estudo. A GEOWORK e ao LOG/FURG, pelo apoio nos trabalhos de campo e na coleta das amostras.

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Referências