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História vol.32 número1

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Academic year: 2018

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História (São Paulo)

História (São Paulo) v.32, n.1, p. 447-449, jan/jun 2013 ISSN 1980-4369 447 MARSON, Izabel Andrade; OLIVEIRA, Cecília Helena L. de Salles (orgs.). Monarquia,

Liberalismo e Negócios no Brasil: 1780-1860. São Paulo: EDUSP, 2013, 348 p.

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Milena da Silveira PEREIRA*

Monarquia constitucional, liberalismo, negócios e escravidão foram temas caros ao século

XIX e a toda uma historiografia brasileira, que passou boa parte do século XX ressignificando tais

conceitos e categorias com mais vigor, por vezes, que o próprio Oitocentos. Tomados por Izabel

Andrade Marson, Cecília Helena L. de Salles Oliveira e outros colaboradores da obra como uma

espécie de guia para se entender a formação e a constituição do Império do Brasil, tais conceitos são

explorados a partir da constatação e negação de três assertivas que, como defendem as

organizadoras da coletânea, estão no cerne de uma determinada leitura teórica e interpretativa da

história imperial.

Dialogando diretamente com parte da historiografia brasileira produzida no século XX, as

pesquisas que compõem Monarquia, Liberalismo e Negócios no Brasil: 1780-1860 (publicação da

EDUSP, com financiamento da Capes, CNPq e Museu Paulista) problematizam, debatem e refutam

esses três paradigmas. O primeiro desses modelos questionado é aquele que afirma ter a sociedade

brasileira do século XIX conservado uma herança colonial retrógrada, caracterizada pela

inexistência de cidadãos conscientes de seus direitos e, consequentemente, impossibilitados de uma

vivência revolucionária. O segundo é o que afirma que o período imperial foi concebido como uma

fase de transição entre o Brasil Colônia, marcado por instituições ultrapassadas, e o Brasil

República, caracterizado por uma experiência nacional “autêntica” e pela presença de instituições

“modernas”, como a república, a cidadania burguesa, o trabalho livre, a vida urbana, a

industrialização. O terceiro e último paradigma problematizado e rebatido nesta obra é o que

defende a falta de cadência entre as vivências brasileiras e europeias e o comportamento e

pensamento “imitativos” e “desprendidos” da realidade social brasileira.

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MARSON, Izabel Andrade; OLIVEIRA, Cecília Helena L. de Salles (orgs.). Monarquia, Liberalismo e Negócios no Brasil: 1780-1860

 

História (São Paulo) v.32, n.1, p. 447-449, jan/jun 2013 ISSN 1980-4369 448 A obra, retomando e realimentando um debate das décadas de 60 e 70 acerca da

incompatibilidade entre liberalismo e escravidão no Oitocentos brasileiro e do descompasso

histórico do Brasil em relação à Europa, pretende, pois, problematizar e revisar criticamente a

denominada “tese do atraso” da sociedade brasileira – ou seja, “o inacabamento, a inorganicidade e

a intangibilidade da nação brasileira” naquele tempo – a partir de diversificadas perspectivas do

fazer histórico, como as de E. P Thompson, Hannah Arendth, Claude Lefort, Cornelius Castoriadis,

Michel Foucault, Pierre Rosanvallon, Reinhart Koselleck, Quentin Skinner e John Pocock.

Assumindo tal propósito, esta reunião de escritos produzidos por pesquisadores do Museu

Paulista, da Universidade de São Paulo e da Universidade de Campinas está articulada em duas

partes. A primeira, intitulada (Re)configuração de pactos e negociações na (re)fundação do

Império, abarca trabalhos que exploram questões relacionadas: às negociações dos impostos,

honrarias e cargos administrativos entre Portugal e Brasil; à análise dos festejos públicos da

Monarquia e da arquitetura recriada por integrantes da missão artística francesa no Rio de Janeiro.

Abarca também estudos que passam pelo mapeamento dos diferentes pronunciamentos e

posicionamentos da Câmara do Império (1826-1827) sobre o tráfico e os significados da escravidão

para o país; e, por fim, os “incidentes” ocorridos, em 21 de abril de 1821, na Praça do Comércio –

centro de muitas e importantes negociações –, e seus desdobramentos políticos. Este primeiro

momento tem como colaboradores Ana Paula Medicci, Cecília Helena de Salles Oliveira, Emílio

Carlos Rodriguez Lopez, Vera Lúcia Nagib Bittencourt e João Eduardo Finardi Álvares Scanavini.

Compõe a segunda parte da coletânea os estudos de Erik Hörner, Izabel Andrade Marson,

Maria Cristina Nunes Ferreira Neto e Eide Sandra Azevêdo Abrêu. Denominado Revoluções e

conciliações: fluidez do jogo político, dos partidos e dos empreendimentos, este conjunto de textos

inclui um trabalho que relaciona os princípios do liberalismo e do comércio à formação do Partido

Liberal e do Partido Conservador e à participação política no Brasil da primeira metade do século

XIX. Outro estudo trata da relação entre monarquia, empreendedorismo – voltado ao

“livre-cambismo” e à defesa da “indústria nacional” – e Revolução Praieira (1842-1848). Compreende

ainda esta segunda parte um artigo sobre a trajetória pessoal e pública do importante político liberal

e negociante mineiro Theophilo Ottoni e um último que explora a proximidade dos embates entre

orientações político-econômicas liberais e o fracasso da Liga Progressista, grupo formado por

membros “moderados” do partido conservados e do partido liberal.

Em todas essas pesquisas, o leitor notará a preocupação dos autores em apresentar novas

perspectivas sobre a história política, do ponto de vista de sua cultura, da formação da opinião

pública, da atuação dos estadistas e dos grupos sociais. Notará igualmente a preocupação de

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Milena da Silveira Pereira  

 

História (São Paulo) v.32, n.1, p. 447-449, jan/jun 2013 ISSN 1980-4369 449 estradas, nas fazendas, nos festejos, nas manifestações, na imprensa, nos ambientes públicos e

privados”. Todos esses espaços, como o próprio título da obra sugere, são analisados à luz das

“imbricações entre política e negócios”. Aquele leitor interessado em revisitar a formação e a

consolidação do Império brasileiro a partir das mediações entre monarquia constitucional,

liberalismo, negócios e escravidão, encontrará, portanto, nesta coletânea um bom caminho.

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