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Informativo mensal nº 54. Julho/2018

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Informativo mensal nº 54 Julho/2018

AMÉRICA/EUROPA OCIDENTAL

PROTESTOS NA NICARÁGUA CONTINUAM

Durante todo o mês de julho, mais cidadãos nicaraguenses foram mortos e feridos durante a crise política do país, que teve início após o Presidente Daniel Ortega, ter decretado uma reforma da previdência social através de medidas para aumentar a taxa de contribuição para trabalhadores formais e aplicar um imposto sobre as pensões de aposentados. O governo defendeu que a reforma previdenciária era necessária para equilibrar as contas públicas e o crescente déficit do país. No entanto, a população contrária à reforma temia que as medidas pudessem gerar mais desemprego, menos consumo e uma perda de competitividade econômica. Logo surgiram as primeiras manifestações, organizadas nas universidades da capital do país, Manágua, onde estudantes ocuparam os campi e realizaram protestos, sendo reprimidos pela polícia nacional, agravando a situação e fazendo com que outros setores da sociedade civil aderissem à causa. Até o momento, já são centenas de mortos e feridos, além de centenas de pessoas detidas pelas forças de Ortega. Diversos líderes internacionais se manifestaram sobre a situação no país e divergiram suas opiniões. Os governantes de Bolívia e Venezuela, Evo Morales e Nicolás Maduro, respectivamente, declararam apoio a Ortega, vendo-o como um símbolo contra o imperialismo dos Estados Unidos no continente americano. Por outro lado, visões mais moderadas ficaram a cargo de José Mujica, ex- presidente do Uruguai, que pediu a renúncia de Ortega. Os protestos não parecem ter fim tão cedo e tendem a polarizar mais ainda as lideranças e a população nicaraguense.

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COLÔMBIA: PROCESSO DE PAZ COM ELN SEGUE SEM DESFECHO Com as recentes eleições na Colômbia, o atual presidente Juan Manuel Santos não conta, por enquanto, com algum desfecho em relação ao acordo de paz com o último grupo guerrilheiro ainda ativo no país, o Exército de Liberação Nacional (ELN). O ELN, apesar de ter anunciado e cumprido um armistício durante o processo das eleições federais, foi acusado de estar envolvido em episódios como sequestros e atentados de pequeno porte, que deixaram soldados e civis feridos e mortos. Apesar das conturbadas relações com o ELN, o governo de Juan Manuel Santos tem seu mérito pelos diálogos realizados com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), histórico grupo de guerrilha que bateu de frente com governos e líderes do país por décadas e, após as negociações de paz, se tornou parte do governo colombiano, buscando vias democráticas de participação política.

ÁSIA/LESTE EUROPEU

TURQUIA INTENSIFICA INVESTIGAÇÕES SOBRE MOVIMENTO GÜLEN No último mês, o governo turco ordenou a detenção de pelo menos 330 soldados que supostamente eram simpatizantes ao clérigo islâmico de Fethullah Gülen, que teria organizado a tentativa de golpe contra o governo turco, há dois anos. Nas investigações, centenas de pessoas já foram detidas pro supostas relações diretas ou indiretas com o ocorrido, bem como outras centenas de funcionários públicos já foram demitidos. Entre os detidos estava um pastor norte-americano, identificado como Andrew Brunson. Em função disso, os Estados Unidos requisitaram a extradição do pastor, porém o governo turco recusou, causando sanções econômicas contra o Ministro da Justiça e o Ministro do Interior da Turquia, piorando as relações entre Estados Unidos e Turquia.

AFEGANISTÃO SEGUE COM OFENSIVAS TERRORISTAS EM EVIDÊNCIA O Afeganistão continua sofrendo com ataques, não apenas com grupos rebeldes já conhecidos, como o Talibã e o Estado Islâmico, mas também de grupos ainda não identificados. No último mês, mais de 40 pessoas foram mortas por ataques de homens- bomba no país, sem que nenhum grupo tenha assumido a autoria dos ataques, deixando até mesmo uma funcionária das Nações Unidas morta. No entanto, o Talibã assumiu um ataque a um comboio da inteligência do Afeganistão, que deixou cinco mortos, enquanto o Estado Islâmico realizou um ataque aos portões do aeroporto de Cabul, capital afegã, em função da

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chegada do vice-presidente Rashid Dostum ao local, deixando 14 mortos e 40 feridos. Além desses ataques, um soldado afegão atacou uma base dos Estados Unidos no país, matando um soldado americano e deixando mais dois feridos. O Talibã afirmou que o soldado agiu por conta própria. No final deste mês, o Talibã começou contatos com os Estados Unidos para um futuro de paz no Afeganistão. O grupo rebelde disse que foi uma reunião bastante proveitosa.

ATAQUES TERRORISTAS NAS ELEIÇÕES DO PAQUISTÃO

Cerca de 130 pessoas foram mortas em ataques suicidas no Paquistão, durante o período de eleições no país, durante o mês de julho. Um dos ataques foi em um comício, onde a explosão ocorreu em meio a um encontro de simpatizantes do líder local Siraj Raisani, que concorria a um cargo da legislatura provincial. O ataque foi assumido pelo Estado Islâmico. Outro ataque ocorreu durante o comício do Awami National Party, com a presença de homem-bomba, deixando mais de 60 mortos, com o Talibã assumindo a autoria do ataque.

ORIENTE MÉDIO

ISRAEL CONTINUA OFENSIVAS CONTRA-TERRORISTAS

O Knesset (Parlamento) sancionou que o direito à autodeterminação em Israel é reservado exclusivamente ao povo judeu, apesar da carta aberta enviada pelo chefe do Estado do País, Reuven Rivlin, à Comissão Constitucional do Parlamento pedindo para a lei não fosse aprovada. Membros da sociedade civil convocaram uma grande marcha de protesto em Tel Aviv, capital israelense, contra a legislação acusada de endossar discriminação. Além disso, foi ativado pela primeira vez o sistema defensivo israelense, batizado como “Honda de David”. De acordo com as informações fornecidas pelos militares israelenses, o escudo de proteção israelense detectou dois mísseis balísticos de curto alcance, disparados como parte da luta interna entre as tropas do exército do presidente sírio, Bashar Assad e grupos rebeldes.

O exército israelense também declara que abateu um avião de guerra sírio que teria invadido o espaço aéreo controlado pelos israelenses nas colinas de Golã. Por fim, dois palestinos foram mortos e 184 ficaram feridos, depois de confrontos entre manifestantes palestinos e soldados israelenses perto da fronteira entre o leste da Faixa de Gaza e Israel, além de Ahed Tamimi, de 17 anos, após ser libertada, depois de ficar 8 meses presa por chutar um soldado de Israel.

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SÍRIA ENFRENTA PROBLEMAS COM FLUXO DE REFUGIADOS E CONFLITO CONTINUA

Cerca de 900 sírios fazem fila para entregar sua documentação aos militares libaneses no último posto de controle antes da fronteira com a Síria. Os soldados vão riscando os sobrenomes numa longa lista entregue previamente pelo Exército regular sírio. Os mais velhos sem contas pendentes com o Estado, estão sendo enviados primeiro, parte de uma estratégia compartilhada por muitas famílias. Além disso, o Estado Islâmico foi retirado das últimas grandes aldeias onde ainda mantinha perto das Colinas de Golã, de acordo com o regime sírio e sites locais. Em meados de julho, o regime sírio, depois de derrotar os rebeldes perto do Golã, atacou o Estado Islâmico com uma ofensiva importante. Do outro lado do bolsão do Estado Islâmico, as forças do regime forçaram a caminho de Qusayr, perto de uma pequena represa e em Beit Arrah, perto da fronteira com a Jordânia. O número de mortos agora é de até 255 civis drusos. Sem contar, que um atentado e um combate entre as forças governamentais e o grupo terrorista Estado Islâmico (EI) na cidade de Sueida deixou pelo menos 156 mortos.

SITUAÇÃO POLÍTICA DA TURQUIA SE DESTACA NO CENÁRIO INTERNACIONAL

Após dois anos do Golpe de Estado, chegou ao fim o Estado de emergência da Turquia.

Porém, o regime de “autoridade de exceção” continuará a ser mantido. O estado de emergência foi justificado como uma medida para combater o terrorismo e, depois de ser reconduzido como presidente, Erdogan optou por não estendê-lo. Além disso, o presidente Erdogan pediu aos líderes do BRICS que tomem as medidas necessárias para que a Turquia possa ingressar no grupo. Segundo ele, sua sugestão foi bem recebida pelos países membros do BRICS, especialmente a China, que estariam considerando a possibilidade de envolver outros países no grupo.

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ÁFRICA

ACORDOS ENTRE ERITÉRIA E SOMÁLIA E ENTRE SUDÃO DO SUL E OPOSIÇÃO SÃO ASSINADOS

Isaias Afwerki, presidente da Eritreia e Mohamed Abdullahi Mohamed, presidente da Somalia, assinaram um acordo para reestabelecer os laços diplomáticos depois de uma década de desavenças devido à acusação de que a Eritreia estaria apoiando ações de militantes islâmicos na Somália em uma guerra por procuração com a Etiópia. Paralelamente, o governo do Sudão do Sul assinou um acordo com o SPLM-IO (Movimento Popular de Libertação do Sudão- Oposição) para tentar colocar um fim na guerra civil que ocorre no país. Este acordo garante o retorno do líder da oposição, Riek Machar, à vice-presidência.

PAÍSES AFRICANOS CONTINUAM ENFRENTANDO ATAQUES DE GRUPOS REBELDES E CONFLITOS ÉTNICOS

As atividades do MSF (Médicos Sem Fronteiras) no nordeste do Sudão do Sul foram suspendidas após uma invasão na base feita por homens armados, que queimaram equipamentos e saquearam objetos da organização e também objetos privados, destruindo os meios de comunicação. Nenhum funcionário ficou ferido. O MSF declarou que pelo menos 88 mil pessoas passariam a ter acesso limitado a ajuda antes oferecida. Uma agência do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) sofreu ataque na mesma área, onde os agressores alegaram que a população local estava sendo negligenciada na contratação pelos grupos de ajuda. Segundo o ACNUR, 10 outras organizações também foram invadidas e saqueadas. No Mali, mesmo com 30 mil agentes de segurança espalhados pelo país para garantir a segurança durante as eleições para a presidência, muitas urnas foram queimadas por homens armados não identificados, além de outros incidentes, principalmente no norte e no centro do país. Na Tunísia, na cidade de Ghardimaou, próxima à fronteira com a Argélia, um ataque deixou pelo menos nove policiais mortos. Os policiais estavam realizando uma patrulha no local quando foram surpreendidos pela explosão de um dos veículos utilizados.

Após a explosão, houve troca de tiros entre terroristas e agentes de segurança. Enquanto isso, na Líbia, no início de julho, dois trabalhadores foram mortos e outros dois foram sequestrados em ataque realizado por militantes de grupo terrorista à estação de tratamento de água de Tazirbu. Os militantes também roubaram suprimentos e carros da estação de água. As

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autoridades suspeitam que o ataque foi de autoria do Estado Islâmico (EI). No dia anterior, foi reportado um outro ataque a base de tratamento de água de Al-Hassouna, no qual foram sequestradas quatro pessoas. As duas estações fazem parte da mesma rede de distribuição de água, que conecta o deserto a cidades no norte do país. Um ataque ocorrido no mês passado na base militar em Baar Sanguni, a 50 quilômetros da cidade de Kismayu, feriu 7 soldados.

Em outro ataque sequencial à base, militantes detonaram um carro-bomba, , antes de atacar a base no sul do país matando 27 soldados. Após o ocorrido os militares enviaram reforços e o combate pesado resultou em 87 militantes mortos.

OTAN TEM NOME CITADO EM INVESTIGAÇÕES SOBRE UTILIZAÇAÕ DE URÂNIO EMPOBRECIDO NA LÍBIA

Um relatório, feito no mês de julho pelo Comitê Líbio para o Meio Ambiente e Comitê para Energia Atômica, indicou que, nos bombardeios realizados pela Organização do Tratado Atlântico Norte (OTAN) em 2011, a Organização usou urânio empobrecido nas armas.

Durante as investigações, foram coletados materiais de locais que foram atacados pela OTAN e, após uma série de análises, foi revelada a presença de um alto índice radioativo no material coletado. Os bombardeios executados pela OTAN tinham o objetivo de combater o regime político de Muammar Kadhafi, que governava o país na época.

MULTIDÃO MATA SOLDADOS EM UGANDA E 20 SOLDADOS ESTÃO DESAPARECIDOS NA NIGÉRIA

A região entre Uganda e República Democrática do Congo está sendo alvo de grande número de criminalidade devido à permeabilidade da fronteira, atravessada por grupos armados para roubar e atacar os habitantes locais. No início de 2018, o governo proibiu os civis de usar uniformes camuflados devido ao número de criminosos que usavam uniformes militares. A polícia de Uganda afirmou que no dia 22 de julho de 2018 três soldados foram linchados nesta região por uma multidão enfurecida, após serem acusados de serem criminosos pelos moradores locais. Os soldados estavam ligados a uma unidade do exército que vigiava o posto de fronteira ugandense. Paralelamente, na Nigéria, um confronto entre insurgentes do Boko Haram e o exército na área do estado de Borno resultou em 20 soldados desaparecidos, embora o exército negue esse fato, três soldados presentes na batalha afirmam o ocorrido. O

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confronto teria ocorrido após uma tentativa dos insurgentes de furtarem veículos militares e no combate o exército conseguiu neutralizar 22 jihadistas.

CIVIS SÃO MORTOS EM CAMARÕES E NA RCA

Em Camarões, um vídeo que circula na internet causou polêmica ao mostrar dois homens, em uniformes militares, executando duas mulheres e duas crianças. A Anistia Internacional condenou o ato, atribuído às Forças Armadas do Camarões, que combatem o Boko Haram no extremo-norte do país, chegando a tal conclusão através dos diálogos no vídeo. O governo negou, afirmando que não há ligações entre os homens e as Forças Armadas, porém abriu uma investigação e quatro soldados foram presos. Enquanto isso, na República Centro-Africana (RCA), três jornalistas investigativos foram mortos após serem pegos em uma emboscada. Os jornalistas investigavam um grupo mercenário, chamado Wagner, ligado a um aliado de Putin e que já atuou na Síria a serviço de Bashar Al-Assad. Acredita-se que tal grupo estaria defendendo minas de diamantes dentro de território rebelde e seria responsável pelos assassinatos. Dois civis foram mortos e três peacekeepers, além de outros 20 civis, ficaram feridos em troca de tiros entre forças das Nações Unidas e milícias anti-Balaka, no vilarejo de Pombolo. Tal ato faz parte de uma série de outros ataques que já deixaram 600 mortos na parte sul do país. Além disso, um dos líderes católicos da República Centro-Africana, Vicar General, foi morto por rebeldes, agravando a crise e o ressentimento entre cristãos e mulçumanos.

TUNÍSIA NÃO PERMITE MIGRANTES DESEMBARCAREM EM SEU TERRITÓRIO

Mais de quarenta migrantes africanos em um barco tunisiano foram impedidos de desembarcarem na Tunísia, ficando presos em más condições a 12 milhas da costa. Um funcionário do Crescente Vermelho tunisiano afirmou que as autoridades do país argumentaram que a Itália ou Malta deveriam receber os migrantes. Já o Ministro do Interior tunisiano não fez nenhuma declaração. Não se sabe ao certo de onde os migrantes partiram antes de serem resgatados pela embarcação tunisiana. Somente após duas semanas o país permitiu o desembarque da tripulação.

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ONU

CONSELHO DE SEGURANÇA COMEMORA DECLARAÇÃO DE PAZ ENTRE ETIÓPIA E ERITREIA E IMPÕE EMBARGO DE ARMAS AO SUDÃO DO SUL O Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU) apoiou a “Declaração Conjunta de Paz e Amizade” assinada pelos governos presidente da Eritreia e da Etiópia e o Secretário Geral das Nações Unidas, António Guterres, disse que a ONU está disposta a ajudar as duas partes a superar quaisquer dificuldades no processo de retorno de relações pacíficas entre os dois países. Além disso, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou o embargo de armas ao Sudão do Sul.

MISSÕES DE PAZ DA ONU SOFREM BAIXAS E TÊM MANDATOS RENOVADOS A Organização das Nações Unidas (ONU) condenou um ataque realizado contra forças internacionais na região de Mopti, no Mali. O ataque, que causou elevado número de vítimas, foi realizado contra a base de operações da força de combate conhecida como G5 do Sahel, uma organização formada pelas forças armadas de Burkina Faso, Chade, Mali, Mauritânia e Níger. O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, condenou o ataque e enfatizou a importância da atuação do G5 do Sahel no combate ao terrorismo e à violência na região.

Ainda, o Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU) renovou o mandato da Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização do Mali (MINUSMA) por mais um ano, advertindo que o país africano deve alcançar a paz rapidamente. Caso contrário, há a possibilidade da saída da Missão do país, junto à imposição de sanções sobre os responsáveis diretos pelo conflito. Por outro lado, a Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização da República Centro-Africana (MINUSCA) condenou ataques recentes contra civis e tropas de paz em Pombolo, na província de Mbomou, onde dois civis foram mortos e 27 ficaram feridos e três soldados da paz também ficaram feridos enquanto tentavam proteger os civis dos agressores.

Referências

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