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ADVOGADO CRIMINALISTA

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Academic year: 2021

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2021

MANUAIS DAS

CARREIRAS

Teoria e Prática

Coordenação: Paulo Lépore

Coleção

Teoria e Prática

Manual do

ADVOGADO

CRIMINALISTA

Nathan Castelo Branco

Paulo Lépore

6ª Edição

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INQUÉRITO POLICIAL

1. CONCEITO E NATUREZA JURÍDICA

O inquérito policial é procedimento administrativo, inquisitório e prepara-tório, conduzido pelo Delegado de Polícia, que consiste na realização de uma série de atos pela polícia investigativa visando, a priori, apurar a infração penal e sua autoria para, a posteriori, fornecer os elementos de informação colhidos para que o titular da ação penal possa ingressar em juízo.

O inquérito policial tem como função servir de base para um juízo de valor mínimo feito pelo Ministério Público para oferecer a denúncia, descrevendo a existência do fato e sua autoria.

O termo circunstanciado, e não o inquérito policial, será cabível quando a investigação for relativa a infração de menor potencial ofensivo, isto é, contra-venções penais e crimes cuja pena máxima não seja superior a 2 anos, cumulada ou não com multa, sujeitos ou não a procedimento especial.

Tratando-se o inquérito policial de mero procedimento administrativo, ins-ta esclarecer que eventuais vícios nele consins-tantes não afeins-tam a ação penal a que deu origem. Logo, se, por exemplo, a ação se fundou em provas ilícitas produzi-das no inquérito, não é necessária a sua anulação, bastando o desentranhamen-to da prova do processo.

2. CARACTERÍSTICAS

a) Escrito

O inquérito policial é instrumento escrito, devendo as diligências nele rea-lizadas, como depoimentos de testemunhas, perícias etc., ser reduzidas a ter-mo. Nesse sentido o art. 9º do CPP: “Todas as peças do inquérito serão, num só processado, reduzidas a escrito ou datilografadas e, neste caso, rubricadas pela autoridade”.

b) Dispensável

Sendo um procedimento que tem por objetivo fornecer elementos de infor-mação ao titular da ação penal, caso este disponha das provas necessárias para ingressar em juízo, fica dispensada a realização do inquérito que é, portanto, um instrumento facultativo.

c) Sigiloso

O inquérito policial não é acessível ao público, conforme prevê o art. 20 do CPP. Apesar do sigilo, terão acesso aos autos: o juiz, o Ministério Público

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e o advogado1 (art. 5º, LXIII, da Constituição e art. 7º, XIV, do Estatuto da

OAB).

Vale destacar que o advogado tem acesso apenas às informações já introdu-zidas no inquérito. Portanto, à diligência em andamento, como interceptação telefônica, busca em apreensão, não terá acesso o advogado.

Este sigilo tem por objetivo evitar a divulgação de informações do inquérito ao público em geral, não atingindo o acusado e seu advogado. A esse respeito: “O sigilo do inquérito é o estritamente necessário ao êxito das investigações e à

preservação da figura do indiciado, evitando-se um desgaste daquele que é presu-mivelmente inocente”. 2 O sigilo, portanto, garante a preservação do princípio do

estado de inocência, em especial diante de casos de grande repercussão social e principalmente aqueles divulgados pela imprensa.

O Estatuto da OAB garante ao advogado acesso ao inquérito mesmo sem procuração, ressalvadas as hipóteses em que houve quebra de sigilo (telefônico, fiscal, bancário) no procedimento, casos em que apenas o advogado constituído poderá acessar os autos. A Lei 13.245/2016 alterou o Estatuto da OAB e garan-tiu ao advogado o acesso ao inquérito policial, mesmo sem procuração, excep-cionadas as diligências ainda não juntadas aos autos, em consonância com o disposto na Súmula Vinculante n. 14, que diz: “É direito do defensor, no interes-se do repreinteres-sentado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documen-tados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa”.

d) Inquisitivo

No inquérito policial não há contraditório ou ampla defesa. Atualmente, vale dizer, essa inquisitoriedade vem sendo mitigada, por exemplo, com o acesso do advogado aos autos, que possibilita de certa forma o exercício do direito de defesa.

Hidejalma Muccio,3 acerca da natureza inquisitiva do inquérito, pontua:

“Embora seja inquisitivo o inquérito policial, na da impede que a vítima ou o in-diciado requeiram a realização de uma diligência que julguem necessária para resguardar algum direito; contudo, a realização dela dependerá do juízo de va-lor a ser feito pela autoridade policial, tendo em vista o poder discricionário que lhe é conferido no investigatório (CPP, art. 14)”.

Em parte discordamos da posição do autor mencionado, haja vista que o pedido de diligência feito pela defesa do acusado, ou mesmo a mera juntada

1 Súmula Vinculante 14: “É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo e

irrestri-to aos elemenirrestri-tos de prova que, já documentado em procedimenirrestri-to investigatório, realizado por órgão de competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa”.

2 TAVORA, Nestor e ALENCAR, Rosmar Rodrigues. Curso de Direito Processual Penal. p. 97. 3 Prática de Processo Penal. p. 9.

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de documentos e outras provas, devem ser observadas, em especial quando forem suficientes e imprescindíveis para o trancamento do inquérito, ou ainda quando servirem para formar juízo de valor negativo para o oferecimento da denúncia.

A autoridade que preside o inquérito pode ou não atender o pedido da de-fesa, de acordo com a possibilidade de realização do pedido feito ou se puder dificultar o andamento do procedimento e apuração dos fatos.

Jorge Candido S. C. Viana4, a esse respeito diz: “A finalidade do inquérito é

apurar a existência de uma infração punível e descobrir os responsáveis por ela; não visa determinar a condenação do ou dos indivíduos que são apontados como culpados; esses indivíduos têm o direito de promover, desde logo, os ele-mentos capazes de ilidir a acusação contra eles dirigida; é lhes, portanto, perfei-tamente lícito requerer qualquer diligência que considerem útil dos interesses de sua defesa. Fica a critério da autoridade, que preside o inquérito, deferir tal pedido, ou não o atender, o que, naturalmente, só faria entender que a diligência desejada não é realizável praticamente, ou é inócua ou prejudicial à apuração exata dos fatos”.

O que se verifica no quadro processual preliminar é que o exercício de atos de defesa praticado por advogado estaria obstruindo a investigação policial, o que não é necessariamente verdadeiro e absoluto.

A participação do advogado no inquérito não se aplica ao procedimento todo, mas nos casos essenciais para mudança dos fatos e consequentemente gerar efeito na convicção jurisdicional. A doutrina aponta como sendo o caso de contraditório impróprio ou antecipado, e cita ainda como exemplo a possibili-dade de participação da defesa do acusado na elaboração de quesitos em exame pericial pelo crime de lesões corporais, a teor do art. 159, § 3°do CPP, para que no momento futuro o contraditório seja preservado.5

Dessa maneira comungamos do entendimento de que o inquérito deve fun-cionar como procedimento de filtro, viabilizando as condições para a justa cau-sa de sua continuidade, mas também, contribuindo para que pessoas inocentes não sejam processadas.6

Ressaltamos que diante da cadeia de custódia da prova, agora expressa-mente prevista do art. 158-A ao art. 158-F do CPP, surge mais um importante instrumento de preservação da prova, e que, dessa forma, permite o advogado participar e ter ciência de toda movimentação da custódia do vestígio.

4 Como Peticionar no Juízo Criminal. p. 14.

5 BRITO, Alexis Couto. FABRETTI, Humberto Barrionuevo. LIMA, Marco Antônio Ferreira. Processo Penal Brasileiro. p. 56/57.

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e) Informativo

Trata-se de instrumento que visa a colheita de elementos de informações relativas à autoria e materialidade do crime, com o objetivo de instruir e formar o convencimento do titular da ação penal.

f) Indisponível

Uma vez instaurado o inquérito policial, não pode ser arquivado pelo delegado. Somente pode ser arquivado pelo juiz, mediante pedido do Ministério Público.

g) Discricionário

Compete à autoridade policial, analisando o caso concreto, eleger as diligên-cias necessárias para a elucidação do delito.

3. DEFESA OBRIGATÓRIA DOS SERVIDORES PREVISTOS NO ART. 144

DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL

O art. 14-A do CPP, acrescentado pela Lei nº 13.964/2019, lei anticrime, trouxe a possibilidade de citação (termo sem atenção técnica) e a defesa obriga-tória dos agentes enumerados no art. 144 e da Constituição Federal. A medida também é aplicada aos agentes do art. 142 da Constituição Federal.

Os agentes investigados por fatos relacionados ao uso da força letal no exer-cício profissional têm direito de constituir defensor na investigação ou, ainda, de ser nomeado, caso não tenha condições de constituir.

A medida permite à defesa a atuação do advogado constituído ou ainda no-meado, o que garante a possibilidade, mesmo durante a investigação, do contra-ditório e da amplitude de defesa.

A alteração, entretanto, parece não garantir a isonomia, pois não se aplica pessoas na mesma na referida hipótese (uso letal da força), além de instituir o contraditório em procedimento de natureza inquisitiva.

Em 29 de abril de 2021, novos parágrafos foram adicionados ao artigo 14-A, tratando da indicação de defensor e da Defensoria Pública.7

7 Art.14-A

§ 3º Havendo necessidade de indicação de defensor nos termos do § 2º deste artigo, a defesa caberá pre-ferencialmente à Defensoria Pública, e, nos locais em que ela não estiver instalada, a União ou a Unidade da Federação correspondente à respectiva competência territorial do procedimento instaurado deverá disponibilizar profissional para acompanhamento e realização de todos os atos relacionados à defesa administrativa do investigado.

§ 4º A indicação do profissional a que se refere o § 3º deste artigo deverá ser precedida de manifestação de que não existe defensor público lotado na área territorial onde tramita o inquérito e com atribuição para nele atuar, hipótese em que poderá ser indicado profissional que não integre os quadros próprios da Administração.

§ 5º Na hipótese de não atuação da Defensoria Pública, os custos com o patrocínio dos interesses dos investigados nos procedimentos de que trata este artigo correrão por conta do orçamento próprio da instituição a que este esteja vinculado à época da ocorrência dos fatos investigados.

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4. FORMAS DE INSTAURAÇÃO

A forma de instauração do inquérito policial leva em consideração a espécie de ação penal.

4.1. Ação penal privada

Na ação penal privada o inquérito será instaurado pelo delegado mediante requerimento do ofendido. Nesse caso a peça inicial do inquérito será o pró-prio requerimento ou uma portaria do delegado de polícia que faça menção ao requerimento.

Existe também a possibilidade do inquérito policial em delitos de ação penal privada ser instaurado por auto de prisão em flagrante. Nessa hipótese, será necessária a colheita do requerimento da vítima no auto de prisão em flagrante, que servirá como peça inicial do inquérito.

4.1.1. Fluxograma: instauraçãodoinquéritonoscrimesdeaçãopenalprivada

Inquérito Policial em Crimes de Ação Penal Privada

Auto de prisão em flagrante delito (necessi-dade de requerimento no auto de flagrante

ou no momento da sua lavratura)

Requerimento do ofendido ou seu representante legal

Auto de prisão em

flagrante delito Portaria

4.2. Ação penal pública condicionada à representação

Sendo o delito de ação penal pública condicionada à representação do ofen-dido ou de seu representante legal, vale adiantar que esta será sempre necessá-ria para a instauração.

Partindo dessa premissa, a instauração pode decorrer da própria represen-tação, de requisição da autoridade judiciária ou do Ministério Público, com a devida representação, solicitando a instauração do inquérito. Nessas hipóteses, a peça inicial do inquérito pode ser a própria representação ou requisição, ou poderá o delegado de polícia substituir essas peças por uma portaria.

Em caso de prisão em flagrante, havendo a colheita da representação, o pró-prio auto servirá como peça inicial do inquérito.

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4.3. Ação penal pública condicionada à requisição do Ministro da Justiça

Na hipótese de ação penal pública condicionada à requisição do Ministro da Justiça, o inquérito policial também será instaurado apenas após a observância dessa condição de procedibilidade.

Poderá servir de peça inicial de instauração a própria requisição do Minis-tro da Justiça ou a requisição do Procurador Geral da República, do Procurador Geral de Justiça ou de promotor de justiça, desde que acompanhados da requi-sição do Ministro da Justiça.

Em qualquer das hipóteses, a portaria poderá servir também como peça ini-cial de instauração.

4.3.1. Fluxograma: instauraçãodoinquéritonoscrimesdeaçãopenalpública condicionada Inquérito Policial em Crimes de Ação Penal Pública Condicionada Representa-ção do ofendi-do ou seu representante legal Requisição do Ministro da Justiça Representação do ofendido ou seu representante legal Requisição da autoridade

judiciária Requisição do Ministério Auto de prisão em flagrante delito colhida a representação

Requisição do Ministro da Justiça

Requisição do PGR, desde que acompanhada da requisição do MJ Requisição do promotor de justiça, desde que

acompanhada da requisição do MJ

4.4. Ação penal pública incondicionada

Tratando-se de ação penal pública incondicionada, são diferentes as formas de instauração: mediante requisição do juiz ou do Ministério Público, por re-querimento do ofendido ou seu representante.8 Nesses casos a própria

requisi-ção ou requerimento podem servir de peça inicial do inquérito, ou este pode ser iniciado por portaria do delegado.

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14. MODELOS DE PEÇAS

14.1. Instauração de Inquérito policial

ELEMENTOS

a) Cabimento: diante de um crime de ação penal privada, o inquérito

po-licial somente será instaurado mediante requerimento da vítima. Nos crimes de ação penal pública, ademais, pode a vítima requerer a instauração para que sejam iniciadas as investigações.

b) Estrutura: peça única.

c) Prazo: o prazo que deverá ser observado pelo advogado da vítima é

ape-nas o decadencial de 6 meses, contados do conhecimento da autoria, no caso da ação penal privada; e o prescricional do delito nos casos de ação penal pública incondicionada.

d) Endereçamento: delegado de polícia civil ou da polícia federal, conforme

a competência do delito.

e) Verbo: requerer INSTAURAÇÃO DE INQUÉRITO POLICIAL.

f) Fundamentação legal: para os crimes de ação penal privada: art. 5º, § 5º,

do CPP. Para os crimes de ação penal pública incondicionada: art. 5º, II, do CPP.

g) Terminologia: requerente/requerido.

h) Argumentos jurídicos: na peça, limita-se o advogado a descrever o fato

criminoso e demonstrar a figura típica na qual ele se adequa.

i) Pedido: o advogado deve requerer ao final da peça a instauração do

inqué-rito policial e a notificação das testemunhas eventualmente arroladas.

j) Tramitação: após o pedido de instauração a autoridade policial poderá

instaurar o inquérito, dando início às investigações para apurar o fato crimi-noso ocorrido. Sendo indeferido o pedido de instauração do inquérito policial caberá recurso ao Chefe de Polícia, nos termos do art. 5º, §2º, do CPP.

k) Observações: tendo em vista tratar-se de uma peça na qual atribui-se a

alguém a prática de um delito, é recomendável que a inicial seja assinada tam-bém pela vítima, para evitar responsabilização do advogado.

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MODELO

ILUSTRÍSSIMO SENHOR DOUTOR DELEGADO DE POLÍCIA DO __° DISTRITO POLICIAL DA CIDADE DE _______________, ESTADO DE ____________.

“A”, nacionalidade _______, estado civil _______, profissão _____________, portador da cé-dula de identidade RG nº ______________ e do CPF nº ____________________, domiciliado na Rua _______________, nº ___, na cidade de _______________, Estado de ____________, por meio de seu ad-vogado que esta subscreve, vem respeitosamente à presença de Vossa Senhoria, requerer a INSTAURAÇÃO DE INQUÉRITO POLICIAL, com fundamento no art. 5°, inciso II do CPP, em face de “B”, nacionalidade _______, estado civil _______, profissão _____________, portador da cédula de identidade RG nº ______________ e do CPF nº ____________________, domiciliado na Rua _______________, nº ___, na cidade de _______________, Estado de ____________ conforme os fatos a seguir expostos.

I – DOS FATOS

No dia 29 de novembro o requerido, por volta das 8:40 da manhã entrou no salão de venda da empresa CERTA esbravejando e gritando, dizendo que queria fazer o acerto de contas com o proprietário.

No momento que lhe foi informado que o dono da empresa não se encontrava no local, imediatamente virou para o requerente, que prestou a informação acima e, utili-zando-se de um grampeador grande, desferiu-lhe um golpe no rosto, provocando lesões e cortes, sendo necessária e intervenção médica urgente.

Após a intervenção médica, ficou constada a ruptura do osso frontal da face do reque-rente, fato que causou a debilidade permanente na sua função respiratória, o que deve ser constatado por Exame de Corpo de Delito, a ser determinado por esta Autoridade Policial, tendo em vista que os fatos ocorreram na data de hoje.

II – DO DIREITO

Diante dos fatos narrados verifica-se, ao menos em tese, o crime de lesão corporal de natureza grave.

Com efeito, o art. 129 do Código Penal, que tipifica a lesão corporal, em seu §1º, inci-so III, destaca que a lesão será considerada grave se provoca debilidade permanente de membro, sentido ou função.

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No caso em estudo, constatada a debilidade na função respiratória do requerente, fica configurada a lesão corporal de natureza grave, devendo o delito ser investigado pela polícia.

Em conclusão, caracterizado o delito do art. 129, §1º, III, do Código Penal, é mister a instauração de inquérito policial para a averiguação dos fatos.

III – DO PEDIDO

Ante os fatos expostos, requer a instauração do competente INQUÉRITO POLICIAL, para que posteriormente possa a autoridade competente promover ação penal em face do requerido.

Postula-se, ademais a notificação e oitiva das testemunhas abaixo arroladas para o esclarecimento dos fatos.

Nome __________, Endereço __________________________ Nome __________, Endereço __________________________ Nome __________, Endereço __________________________ Nestes termos, Pede deferimento. Local ________, Data ________ Advogado _______________ OAB ________ Requerente _______________ 14.2. Representação ELEMENTOS

a) Cabimento: diante de um crime de ação penal pública condicionada, é

necessária a representação do ofendido para que a autoridade policial possa instaurar o inquérito.

b) Estrutura: peça única.

c) Prazo: o prazo que deverá ser observado pelo advogado da vítima é

ape-nas o decadencial de 6 meses, contados do conhecimento da autoria.

d) Endereçamento: delegado de polícia civil ou da polícia federal, conforme

a competência do delito. Poderá, ainda, ser endereçada ao juiz ou promotor de justiça, para que eles requisitem a instauração do inquérito.

e) Verbo: oferecer REPRESENTAÇÃO.

f) Fundamentação legal: art. 5º, §4º, do CPP. g) Terminologia: representante/representado.

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h) Argumentos jurídicos: na peça limita-se o advogado a descrever o fato

criminoso e demonstrar a figura típica na qual ele se adequa, apontando a exi-gência de representação e revelando a intenção da vítima de ver o inquérito policial instaurado e o criminoso processado.

i) Pedido: o advogado deve requerer ao final da peça a instauração do

inqué-rito policial e a notificação das testemunhas eventualmente arroladas.

j) Tramitação: após a representação a autoridade policial poderá instaurar

o inquérito, dando início às investigações para apurar o fato criminoso ocorrido.

k) Observações: a representação demanda procuração com poderes

especí-ficos, especificando o fato sobre o qual a vítima quer ver o inquérito instaurado.

MODELO

ILUSTRÍSSIMO SENHOR DOUTOR DELEGADO DE POLÍCIA DO __° DISTRITO POLICIAL DA CIDADE DE _______________, ESTADO DE ____________.

“A”, nacionalidade _______, estado civil _______, profissão _____________, portador da cé-dula de identidade RG nº ______________ e do CPF nº ____________________, domiciliado na Rua _______________, nº ___, na cidade de _______________, Estado de ____________, por meio de seu advogado que esta subscreve (procuração com poderes específicos em anexo), vem respeitosamente à presença de Vossa Senhoria, oferecer REPRESENTAÇÃO, com funda-mento no art. 5°, §4º, do CPP, em face de “B”, nacionalidade _______, estado civil _______, profissão _____________, portador da cédula de identidade RG nº ______________ e do CPF nº ____________________, domiciliado na Rua _______________, nº ___, na cidade de _______________, Es-tado de ____________ conforme os fatos a seguir expostos.

I – DOS FATOS

No dia 04 de novembro o representante encontrava-se em um bar acompanhado de sua namorada Maria, e na companhia de dois amigos, João e Felipe.

Ocorre que o representado, ex-namorado de Maria, compareceu no local e pro-feriu ameaças contra o representante, dizendo que o mataria caso não terminasse o relacionamento.

II – DO DIREITO

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O art. 147 do Código Penal tipifica a conduta de ameaçar alguém, com palavras, de causar-lhe mal injusto em grave, exigindo, no parágrafo único, representação para que se possa proceder.

Trata-se da conduta do qual o representante foi vítima, manifestando, no momento, a intenção de ver o inquérito policial instaurado em face do representado, com posterior ação penal.

Em conclusão, caracterizado o delito do art. 147 do Código Penal, e diante da repre-sentação do representante, é mister a instauração de inquérito policial para a averiguação dos fatos.

III – DO PEDIDO

Ante os fatos expostos, requer a instauração do competente INQUÉRITO POLICIAL, para que posteriormente possa a autoridade competente promover ação penal em face do requerido.

Postula-se, ademais a notificação e oitiva das testemunhas abaixo arroladas para o esclarecimento dos fatos.

1. Maria, Endereço __________________________ 2. João, Endereço __________________________ 3. Felipe, Endereço __________________________ Nestes termos, Pede deferimento. Local ________, Data ________ Advogado _______________ OAB ________

1

4

.3. Modelo de procuração com poderes para advogado requerer instauração de inquérito policial e ajuizar queixa-crime (art. 44 do CPP)

PROCURAÇÃO

O abaixo-assinado (nome completo ___________), RG_______, CPF________, profissão __________, residência _____________, pelo presente instrumento particular de PROCURAÇÃO nomeia e constitui seu procurador (nome do advogado___________), advogado, inscrito na OAB – Secção (estado_____), sob o n. º ________ com escritório à (endereço_____________), ao qual confere poderes para praticar todos os atos de persecução penal, arrolar teste-munhas, requerer diligências, tudo quanto for necessário para com o desempenho do presente mandado, com a finalidade específica de requerer perante a DD. Autoridade Policial a instauração do Inquérito Policial, e posteriormente ajuizar a Queixa-Crime, em face de (nome completo ___________), RG_______, CPF________, profissão __________, residên-cia__________, para que seja processado pelo crime de difamação e injúria, pois, segundo

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o apurado, na data de 23 de outubro de 2012 às 15:22 horas, na revista eletrônica de-nominada “Debate On-Line”, o difamou e injuriou a dignidade e decoro do Querelante, consistente nas afirmações de que é médico desqualificado e possui diversos B.O porque é péssimo profissional.

__________/___________/_____ ____________________________ Outorgante

14.

4

. Modelo de procuração com poderes para advogado ofertar representação (art. 39, CPP)

PROCURAÇÃO

O abaixo-assinado (nome completo ___________), RG_______, CPF________, profissão __________, residência _____________, pelo presente instrumento particular de PROCURAÇÃO nomeia e constitui seu procurador (nome do advogado___________), advogado, inscrito na OAB – Secção (estado_____), sob o n. º ________ com escritório à (endereço_____________), ao qual confere poderes para praticar todos os atos de persecução penal, arrolar testemu-nhas, requerer diligências, tudo quanto for necessário para com o desempenho do pre-sente mandado, com a finalidade específica de ofertar a Representação em face de (nome completo ___________), RG_______, CPF________, profissão __________, residência _____________, para que seja processado pelo crime de ameaça, sendo certo que no dia ____/____/________, dentro do Supermercado _______________, fazendo uso de um canivete prometeu matá-lo assim que se encontrasse fora de local público caso não desistisse da ação de cobrança.

_________/______/________ _________________________ Outorgante

(14)

15. PASSO A PASSO DA ATUAÇÃO DO ADVOGADO NO INQUÉRITO

POLICIAL

1

5

.1. Providências e acompanhamento

Juntada procuração, contendo esta a finalida-de finalida-de acompanhar a fase

inquisitorial.

Quando iniciado o inqué-rito pelo Auto de Prisão em Flagrante, a participação do advogado é imprescindível.

Em que pese a nature-za inquisitiva do Inquérito

Policial, a defesa deve reque-rer diligências necessárias a ilidir a acusação que é

dirigi-da ao acusado.

O advogado deve realizar atos de defesa no inquérito policial, visando a formação

do juízo de valor acerca da viabilidade de futura ação, ou que permita desde logo o

trancamento.

Com a Lei 13.245 de 12 de janeiro de 2016, que alterou o Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil19, a participação do advogado no inquérito policial

ga-nhou relevo, pois permite o acesso, mesmo sem procuração, em qualquer tipo de investigação, tomando ciência da apuração por meio físico e digital, sendo que o descumprimento implicará em responsabilização criminal e funcional por abuso de autoridade do responsável que impedir o acesso do advogado com o intuito de prejudicar o exercício da defesa.

A mencionada lei ainda tratou da nulidade dos atos praticados no inquérito quando ao acusado por ocasião de depoimentos ou interrogatório for negada a assistência pelo seu defensor. Em caso de sigilo da investigação deve ser juntada a procuração, mantendo-se o previsto na Súmula vinculante nº 14, no que se refere aos atos e diligências ainda não documentados nos autos.

Com a alteração promovida no art. 28 do CPP, pela Lei 13.964/19, que per-mite ao advogado constituído representar os interesses da vítima e apresentar recurso da decisão de arquivamento, o que permite maior participação e discus-são sobre esta decidiscus-são. O mesmo dispositivo prevê a legitimidade das chefias de órgãos que representem judicialmente nos crimes praticados em detrimento da União, Estados e Municípios.

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16. QUESTÕES DE CONCURSOS PÚBLICOS E EXAME DA OAB

1. XVII – EXAME UNIFICADO – Após receber denúncia anônima, por meio de disque denúncia, de grave

crime de estupro com resultado morte que teria sido praticado por Lauro, 19 anos, na semana pretéri-ta, a autoridade policial, de imediato, instaura inquérito policial para apurar a suposta prática delitiva. Lauro é chamado à Delegacia e apresenta sua identidade recém-obtida; em seguida, é realizada sua identificação criminal, com colheita de digitais e fotografias. Em que pese não ter sido encontrado o ca-dáver até aquele momento das investigações, a autoridade policial, para resguardar a prova, pretende colher material sanguíneo do indiciado Lauro para fins de futuro confronto, além de desejar realizar, com base nas declarações de uma testemunha presencial localizada, uma reprodução simulada dos fatos; no entanto, Lauro se recusa tanto a participar da reprodução simulada quanto a permitir a co-lheita de seu material sanguíneo. É, ainda, realizado o reconhecimento de Lauro por uma testemunha após ser-lhe mostrada a fotografia dele, sem que fossem colocadas imagens de outros indivíduos com características semelhantes. Ao ser informado sobre os fatos, na defesa do interesse de seu cliente, o(a) advogado(a) de Lauro, sob o ponto de vista técnico, deverá alegar que

A) o inquérito policial não poderia ser instaurado, de imediato, com base em denúncia anônima isoladamente, sendo exigida a realização de diligências preliminares para confirmar as infor-mações iniciais.

B) o indiciado não poderá ser obrigado a fornecer seu material sanguíneo para a autoridade policial, ainda que seja possível constrangê-lo a participar da reprodução simulada dos fatos, independentemente de sua vontade.

C) o vício do inquérito policial, no que tange ao reconhecimento de pessoa, invalida a ação penal como um todo, ainda que baseada em outros elementos informativos, e não somente no ato viciado.

D) a autoridade policial, como regra, deverá identificar criminalmente o indiciado, ainda que civilmente identificado, por meio de processo datiloscópico, mas não poderia fazê-lo por fotografias.

2. (Delegado de Polícia – AP/2010/FGV) A respeito do inquérito policial, analise as afirmativas a seguir:

I. Se o investigado estiver sob prisão cautelar, o prazo para encerramento do inquérito policial é de dez dias, contando o prazo do dia em que se executar a ordem de prisão. Concluído tal prazo, nada obsta que a autoridade policial requeira sua prorrogação para a realização de diligências imprescindíveis. Contudo, acolhido tal requerimento pelo Ministério Público, o juiz deverá relaxar a prisão cautelar, por excesso de prazo.

II. A instauração de inquérito policial para apuração de fatos delituosos decorre da garantia de que ninguém será processado criminalmente sem que tenham sido reunidos previamente elementos pro-batórios que apontem seu envolvimento na prática criminosa. Assim, não há possibilidade no sistema brasileiro de que seja ajuizada ação penal contra alguém, sem que a denúncia esteja arrimada em in-quérito policial.

III. Nos crimes de ação penal pública, quando o ministério público recebe da autoridade policial os au-tos do inquérito policial já relatado, deve tomar uma das seguintes providências: 1. Oferecer denúncia; 2. Baixar os autos, requisitando à autoridade policial novas diligências que considerar imprescindíveis à elaboração da denúncia; 3. Promover o arquivamento do inquérito policial, na forma do art. 28 do CPP. Assinale:

(A) Se somente as alternativas I e III estiverem corretas. (B) Se somente as alternativas I e II estiverem corretas. (C) Se somente as alternativas II e III estiverem corretas. (D) Se somente a alternativa III estiver correta.

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3. (Promotor de Justiça – BA/2010/FESMIP) Assinale qual a alternativa incorreta:

(A) Segundo o Superior Tribunal de Justiça, a participação de membro do Ministério Público na fase investigatória criminal não acarreta o seu impedimento ou suspeição para o oferecimen-to da denúncia.

(B) A Comissão Parlamentar de inquérito tem poderes de investigação próprios das autoridades judiciais.

(C) É possível à Polícia Federal investigar um crime de extorsão mediante sequestro, quando pra-ticado em razão da função pública exercida pela vítima.

(D) É possível obstar o prosseguimento do inquérito policial, utilizando-se do habeas corpus. (E) O civilmente identificado não mais poderá ser submetido à identificação criminal.

4. (Promotor de Justiça – PR/2009/MPE-PR) Aponte a opção correta. Se o Promotor de Justiça, de

comarca de entrância inicial, promove o arquivamento do inquérito policial, o juiz discorda e remete os autos à Procuradoria Geral da Justiça:

(A) Caso não confirme a promoção de arquivamento, o Procurador-Geral designará outro agente que poderá, assim que receber os autos, ratificar o arquivamento ou oferecer denúncia; (B) Caso ratifique a promoção de arquivamento, o Procurador-Geral submeterá seu

pronuncia-mento ao exame do Tribunal de Justiça;

(C) Se o Procurador-Geral insistir no arquivamento, o juiz deverá homologá-lo;

(D) Discordando do arquivamento, o Procurador-Geral designará outro representante do Minis-tério Público, que só poderá oferecer denúncia com base em novas provas;

(E) Se o Procurador-Geral discordar da promoção de arquivamento determinará o retorno dos autos ao próprio Promotor de Justiça que obrigatoriamente oferecerá denúncia.

5. (Promotor de Justiça – CE/2009/FCC) Avaliando inquérito instaurado para apurar eventual crime de

roubo cometido por João, o Promotor de Justiça decide por requerer o arquivamento, sendo o pedido homologado pelo juiz. Menos de seis meses depois, o ofendido oferece queixa-crime. O juiz deverá:

(A) Receber a queixa, pois em caso de arquivamento de inquérito é possível ser reaberto com novas provas.

(B) Receber a queixa, porque ainda não houve decadência.

(C) Rejeitar a queixa, porque o crime de roubo é de ação penal pública e nunca ensejaria queixa subsidiária.

(D) Receber a queixa, porque se trata de hipótese de ação penal privada subsidiária da pública e foi ajuizada no prazo legal.

(E) Rejeitar a queixa, com o fundamento de que a queixa subsidiária somente é cabível em caso de inércia do promotor, não quando este pede o arquivamento.

6. (Promotor de Justiça – PR/2008/MPE-PR) Assinale a alternativa INCORRETA:

(A) Nos crimes de ação penal pública o inquérito policial será iniciado de ofício.

(B) Nos crimes de ação penal pública o inquérito policial será iniciado mediante requisição da autoridade judiciária ou do Ministério Público, ou a requerimento do ofendido ou de quem tiver qualidade para representá-lo.

(C) O Ministério Público pode requerer a devolução do inquérito policial para novas diligências imprescindíveis ao oferecimento da denúncia.

(D) A autoridade policial poderá mandar arquivar os autos de inquérito policial.

(E) A autoridade policial assegurará no inquérito policial o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da sociedade.

7. (Procurador da República/24º concurso) O acesso aos autos do inquérito por advogado de

investigado:

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