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Academic year: 2021

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Ocup@r, #compartilhar e Resistir!

O uso do Facebook por estudantes secundaristas durante as ocupações de escolas públicas em São Paulo

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Thaísa Côrtes

2

; Marianne Malini

3

Veronica Haacke

4

Tema Abordado

Em novembro de 2015 estudantes secundaristas iniciaram sucessivas ocupações de escolas públicas em várias cidades do país. Em um primeiro momento elas ocorreram de maneira localizada, centradas nas unidades federativas, como represália às reformas estruturais propostas pelos governos estaduais no campo da educação, tais como: reorganização do ensino, concessão da administração das escolas para Organizações Sociais (OS’s) e cortes de recursos para a educação. Os secundaristas acusaram os governos estaduais de ausência de diálogo, tentativa de precarização e privatização do ensino público, bem como a implementação de políticas públicas sem o estabelecimento de processos participativos.

A origem dessas ocupações no Brasil está vinculada às ações de estudantes paulistas contra o plano de reorganização escolar em São Paulo, que previa o fechamento de 94 escolas e a reconfiguração de outras 1.464 que passariam a receber apenas um único ciclo de ensino.

1 . Artigo apresentado ao Eixo Temático 02 – Movimentos sociais / Ciberativismo / Resistência do IX Simpósio Nacional da ABCiber.

2 . Graduanda em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).

Pesquisadora do Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura (Labic). Email: [email protected]

3 . Mestranda no Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais, na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).

Pesquisadora do Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura (Labic). Email: [email protected]

4 .Graduada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).

Pesquisadora do Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura (Labic). Email: [email protected]

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Além disso, a medida impactaria a vida de 311 mil alunos e 64 mil professores, que seriam removidos para outras unidades escolares do estado.

Munidos de informações compartilhadas na internet, em formato de cartilhas e documentário sobre as manifestações estudantis chilenas, estudantes secundaristas da Escola Estadual de Diadema decidiram realizar, no dia 09 de novembro, a primeira ocupação de muitas que viriam a ocorrer no país desde então. A tática de ocupação das escolas se tornou um símbolo da luta dos estudantes de São Paulo, sendo expandida para outros estados brasileiros.

Recentemente o Brasil vive um novo ciclo de ocupações de escolas públicas, agora de caráter nacional e centrado na pauta contra a aprovação da Medida Provisória de Reforma do Ensino Médio (MPL 746/2016) e a Proposta de Emenda à Constituição 241 (PEC - 241), elaborada pelo Governo do atual Presidente Michel Temer.

Durante as ocupações os estudantes têm se apropriado do espaço da escola e, por meio de comissões, realizaram uma série de atividades, desde serviços domésticos a palestras, atividades culturais, pinturas de salas, pequenos consertos de equipamento, arrumação de espaços da escola, etc. Tais práticas foram enquadradas e amplamente divulgadas em páginas no Facebook, sendo criada uma narrativa das atividades cotidianas do movimento, onde o narrador é quem participava da história.

Objetivo Principal

O objetivo central deste estudo é compreender o ativismo dos estudantes secundaristas no Facebook, concentrando-se no momento de eclosão das ocupações no país, portanto, naquelas realizadas no estado de São Paulo, em novembro de 2015. Para tanto, serão utilizados métodos mistos de pesquisa, que permitirão analisar redes e estatísticas de interações realizadas no ambiente online.

Bases Teóricas

A criação de uma rede global de computadores, em 1984, permitiu que nascesse um espaço de

comunicação e de circulação de informações entre indivíduos, sem que houvesse a

necessidade de presença física. O ciberespaço, ou popularmente denominado internet, passou

a se configurar em “um território virtual de trocas, ação coletiva e produção comum de

linguagens” (ANTOUN; MALINI, 2013, p.19).

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Por meio da web 2.0 - segunda geração de serviços online – maiores estímulos interacionais foram proporcionados aos usuários da internet, sendo oferecida uma série de serviços que permitiram novas formas de publicação, compartilhamentos e organização de informação em rede (D´ANDRÉA; ALCÂNTARA, 2009). Este foi o contexto de origem do Facebook, Twitter, Instagram, entre outras mídias sociais.

Muito além da ampliação de interações e compartilhamento de informações entre usuários da internet, a convergência entre informática e comunicação também fez ascender novas práticas de sociabilidade e de cultura, que passaram a levar em consideração para sua existência às tecnologias digitais (LEMOS, 2005). A internet hoje é parte fundamental de uma crescente parcela da população. E as redes sociais não são, como se costumava conceituar, uma alternativa à vida “real”, mas um componente desta, e “tornam-se cada vez mais instrumentos coordenadores de eventos no mundo” (SHIRKY, 2011, p. 37).

Os últimos anos, sobretudo a partir da década 1990, foram marcados por profundas mudanças nas dinâmicas dos movimentos sociais no mundo. Em parte, essas transformações têm sido associadas à apropriação de novas Tecnologias de Informação e Comunicação (nTIC's) pelos movimentos sociais, sendo potencial na emergência de uma nova forma de organização de ações coletivas, menos pautada por lideranças e estrutura organizacional hierarquizada, e muito mais por quadros de interpretações pessoais e uso de tecnologias (BENNET;

SEGERBERG, 2012).

Convergindo com o cenário das transformações trazidas pelas nTIC’s, Manuel Castells (2005) cunha o conceito de sociedade em rede, sendo ela:

“[...] uma estrutura social baseada em redes operadas por tecnologias de comunicação e informação fundamentadas na microeletrônica e em redes digitais de computadores que geram, processam e distribuem informação a partir de conhecimento acumulado nos nós dessas redes” (CASTELLS, 2005,pag.20).

Outro importante conceito criado por Castells, e relevante para este estudo é o de

autocomunicação de massas (CASTELLS, 2009). Para o autor, enquanto os meios de

comunicação de massas tradicionais exercem, preponderantemente, a comunicação

unidirecional - isto é, de um para muitos –, os novos meios de comunicação, diferentemente,

apresentam uma capacidade de interação, que vem a ser de muitos para muitos.

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Sobre mudanças do uso das TICS nos movimentos sociais, tem sido comumente citado na literatura especializada: a diminuição de recursos de mobilização para a ação; ampliação de redes de interações; maior difusão de informação; heterogeneidade de atores envolvidos;

ampliação da dimensão das ações do movimento à esfera global (CASTELLS, 2013;

PEREIRA, 2011; TORET, 2015; ANTOUN; MALINI, 2013; AMADEU, 2010, e outros).

As tecnologias digitais fortalecem as articulações e estratégias de visibilidade, reconfigurando formas de organização e de ações (GOHN, 2010). Os movimentos sociais descobrem as possibilidades oriundas do ciberespaço como uma forma de difundir suas reivindicações. O ativismo, apoiando-se na comunicação mediada por computador, segundo Antoun (2001), faz da internet uma maneira de expressar novas formas de viver.

O ativismo feito em rede, denominada de ciberativismo, é um meio propício de fomentar o exercício da cidadania. Trata-se, para Stresser (2010), de uma nova forma de ação política;

uma maneira de fazer política através de suportes cibernéticos, buscando a veiculação de um ideal através de uma mídia de grande alcance.

Justificativa

Uma importante agenda de pesquisas a respeito dos impactos da internet sobre as ações de movimentos sociais encontra-se em emergência no Brasil. Nascida em detrimento de junho de 2013, ganhou intensidade devido às recentes mobilizações que tomaram o país: Fora Dilma, Primavera das Mulheres, Ocupa Escolas, dentre outras.

Este artigo comunga com os recentes interesses de estudiosos, tanto da área de movimentos sociais como da área de comunicação e ciberativismo, justificando-se pela possibilidade de contribuição ao debate, abordando de maneira inédita e específica os usos da internet nas mobilizações sociais contemporâneas - no caso estudado é a de jovens estudantes secundaristas, pertencentes a escolas públicas e oriundos de classes populares.

Palavras-chave: ciberativismo; movimentos sociais; secundaristas; redes sociais; facebook.

Referências bibliográficas

ANTOUN, Henrique. Comunidades virtuais, ativismo e o combate pela informação.Lugar Comum–Estudos de Mídia, Cultura e Democracia. Rio de Janeiro, 2001.

BENNET, Lance e SERGEBERG, Alexandra. The Logic of Connective Action. Information, Communication

& Society, 2012, 15:5, p. 739-768.

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CASTELLS, Manuel. A Sociedade em Rede. vol.1 Trad. Roneide Venancio Majer com a colaboração de Klauss Brandini Gerhardt. 8 ed. São Paulo: Paz e Terra, 2005.

________________. “Comunicación y poder”. Madrid: Alianza, 2009

________________. Redes de Indignação e Esperança: Movimentos Sociais na Era da Internet. Rio de Janeiro: Zahar, 1° ed., 2013.

D’ANDREA, Carlos F. B.; ALCANTARA, Lívia M.. Movimentos Sociais na Web 2.0: a experiência da ocupação Dandara. Revista de C. Humanas, Vol. 9, N°2, p. 291-301, jul./dez, 2009.

GOHN, Maria da Glória M. Movimentos sociais e redes de mobilização civis no Brasil contemporâneo.

Petrópolis, RJ: Vozes, 2010.

LEMOS, A. CIBER-CULTURA-REMIX. In Seminário “Sentidos e Processos” dentro da mostra “Cinético Digital”. São Paulo, Itaú Cultural, ago. 2005. Disponível em: Acesso em: 31 maio. 2016.

MALINI, Fábio; ANTOUN, Henrique. @internet e #rua: ciberativismo e mobilizações nas redes sociais.

Porto Alegre: Sulina, 2013.

MIAN, Mariella Batarra. “O Poder nas Redes de Castells e a Esfera Pública Interconectada: Análise do

movimento Se Vira Ribeirão”. Intercom.Acesso dia 20 Outubro

2016:<http://portalintercom.org.br/anais/sudeste2013/resumos/R38-0280-1.pdf>

ORTELLADO, P. Os protestos de junho entre o processo e o resultado. In JUDENSNAIDER, E.; LIMA, L.;

ORTELLADO, P.; POMAR, M..Vinte Centavos: a luta contra o aumento. São Paulo: Veneta. 2013.

PEREIRA, Marcus Abílio. Internet e mobilização política – os movimentos sociais na era digital. Teoria &

Sociedade, n. 18, 2, jul-dez., 2010, p. 10-33.

STRESSER, Ronald. Ciberativismo: A política 2.0. Dissertação – Pós-Graduação em Mídias Digitais da Universidade Estácio de Sá, Rio de Janeiro, 2010.

TORET, Javier. Tecnopolítica Y 15M: La Potencia de las multitudes conectadas. Barcelona: UOC Ediciones,

2015.

Referências

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