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Traços e Reflexões: Saúde e Movimento - Volume 2

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Academic year: 2023

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2023 – Editora Uniesmero

www.uniesmero.com.br [email protected]

Organizador Jader Luís da Silveira

Editor Chefe: Jader Luís da Silveira Editoração e Arte: Resiane Paula da Silveira

Imagens, Arte e Capa: Freepik/Uniesmero Revisão: Respectivos autores dos artigos

Conselho Editorial

Dr. Jadilson Marinho da Silva, Secretaria de Educação de Pernambuco, SEPE Dra. Claudia de Faria Barbosa, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, UESB Dra. Náyra de Oliveira Frederico Pinto, Universidade Federal do Ceará, UFC

Dr. Lucas Dias Soares Machado, Universidade Regional do Cariri, URCA

Dra. Rosilene Aparecida Froes Santos, Universidade Estadual de Montes Claros, UNIMONTES

Dr. Iran Rodrigues de Oliveira, Faculdade de Ciências e Tecnologia Professor Dirson Maciel de Barros, FADIMAB

Dra. Viviane Lima Martins, Instituto Federal de Ciência e Tecnologia de Minas Gerais, IFMG Dra. Cristiana Barcelos da Silva, Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, UENF

Me. Dirceu Manoel de Almeida Junior, Universidade de Brasília, UnB Ma. Cinara Rejane Viana Oliveira, Universidade do Estado da Bahia, UNEB Esp. Jader Luís da Silveira, Grupo MultiAtual Educacional

Esp. Resiane Paula da Silveira, Secretaria Municipal de Educação de Formiga, SMEF

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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

Os conteúdos dos artigos científicos incluídos nesta publicação são de responsabilidade exclusiva dos seus respectivos autores.

2023

Permitido o download da obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem a possibilidade de alterá-la de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais.

Todos os manuscritos foram previamente submetidos à avaliação cega pelos pares, membros do Conselho Editorial desta Editora, tendo sido aprovados para a publicação.

A Editora Uniesmero é comprometida em garantir a integridade editorial em todas as etapas do processo de publicação. Situações suspeitas de má conduta científica serão investigadas sob o mais alto padrão de rigor acadêmico e ético.

Editora Uniesmero Formiga – Minas Gerais – Brasil CNPJ: 35.335.163/0001-00 Telefone: +55 (37) 99855-6001 www.uniesmero.com.br

[email protected]

Acesse a obra originalmente publicada em:

https://www.uniesmero.com.br/2023/02/tracos-e-reflexoes- saude-e-movimento.html

Silveira, Jader Luís da

S587t Traços e Reflexões: Saúde e Movimento - Volume 2 / Jader Luís da Silveira (organizador). – Formiga (MG): Editora Uniesmero, 2023. 153 p. : il.

Formato: PDF

Requisitos de sistema: Adobe Acrobat Reader Modo de acesso: World Wide Web

Inclui bibliografia

ISBN 978-65-84599-97-0 DOI: 10.5281/zenodo.7627264

1. Reflexões em Saúde. 2. Saúde Física. 3. Saúde Mental. 4. Saúde Social. I. Silveira, Jader Luís da. II. Título.

CDD: 613 CDU: 614

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AUTORES

ALCIDES JOSÉ BRANCO FILHO AMANDA ALVES MORAES ANA JESSICA SILVA LOPES CLÁUDIO JOSÉ BELTRÃO DANILO BARBOSA MORAIS DIEGO AUGUSTO LOPES OLIVEIRA EDUARDA AUGUSTO MELO ELAYNE IASMIN DOS SANTOS ENRICO GUIDO OLIVEIRA MINNITI FERNANDA SILVA SANTOS FILIPE PEREIRA OLIVEIRA GABRIEL DE JESUS APRÍGIO GEANE MARIA DE LIMA QUEIROZ SILVA GEOVANA FERNANDA MARÇAL SCIÊNÇA HENRIQUE DE ALENCAR GOMES

INGRYD GARCIA DE OLIVEIRA IZABELLE ALVES MENDES DE OLIVEIRA JIULIA SILVA GONÇALVES JULIA MYLLENA FRANÇA BELARMINO DE OLIVEIRA LARISSA MARIA SILVA CARDOSO LUÍS HENRIQUE BENN DOS ANJOS LUIZA MENDES E SILVA GONÇALVES MAGDA ROSA RAMOS DA CRUZ MARCOS AURÉLIO FONSÊCA MARIA ALINNY REZENDE ACIOLI WANDERLEY MARIA CÉLIA DE FREITAS MARIA EULÁLIA LUCENA SILVA MATHEUS SOUZA BÉRGAMO MYRIA CONCEIÇÃO CERQUEIRA FÉLIX PAULO MÁRCIO DE SOUZA REZENDE PEDRINA HELLEN MIGUEL DOS SANTOS POLYANE CORREIA LIMA RENATO RIBEIRO DE OLIVEIRA SIMONE SANTOS SOUZA TATIANE SANTOS FONSECA GUIMARÃES

VANESSA LIMA DE OLIVEIRA

VICTORIA BELLIZZE

VINICIUS GOMES MOURA

VITÓRIA LUIZA RUFINO BEZERRA

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APRESENTAÇÃO

A Saúde é considerada o equilíbrio existente dentro de uma pessoa, é a sua qualidade de vida, estar próximo das pessoas que você ama, é conseguir realizar os seus sonhos. Além disso, é o estado de completo bem-estar físico, mental e social, tanto em sua vida pessoal quanto profissional. Outro ponto importante é que Saúde também é a ausência de doença, é o estado de pleno funcionamento do organismo humano, a falta de dor.

Num contexto onde crescem as doenças crônicas e as fontes de informação em Saúde, olhar para como as pessoas interagem com as informações e como os profissionais de Saúde explicam de forma que facilite o entendimento dos pacientes é fundamental para a eficiência e eficácia de tratamentos.

Isso mostra que é a base para a manutenção de todos os aspectos da vida, pois sem ela nós não conseguimos realizar nada nos outros aspectos de nossa vida.

Daí a importância do movimento em Saúde, em todos os sentidos e aspectos.

Entender Saúde pode influenciar significativamente o prognóstico e a qualidade de vida de um paciente. Pode se dizer que o limite da Saúde vai até o limite da compreensão das pessoas.Possuir conhecimentos sobre Saúde permite a busca pela vida saudável que terá como consequência a prevenção de doenças e o autocuidado que é influenciada pela educação, pela família, pelo ambiente de trabalho, pela comunidade e pela comunicação social.

Desta forma, esta publicação tem como um dos objetivos, garantir a reunião e visibilidade destes conteúdos científicos por meio de um canal de comunicação preferível de muitos leitores.

Este e-book conta com trabalhos científicos de diferentes áreas da Saúde, contabilizando contribuições de diversos autores. É possível verificar a utilização de muitas metodologias de pesquisa aplicadas, assim como uma variedade de objetos de estudo.

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SUMÁRIO

Capítulo 1

SATISFAÇÃO PROFISSIONAL DA EQUIPE DE ENFERMAGEM:

APONTAMENTOS PARA A GESTÃO DOS SERVIÇOS DE SAÚDE

Henrique de Alencar Gomes; Marcos Aurélio Fonsêca; Tatiane Santos Fonseca Guimarães; Paulo Márcio de Souza Rezende

9

Capítulo 2

IMPACTOS DA PANDEMIA DA COVID-19 NA VIDA DO ENFERMEIRO INTENSIVISTA

Luís Henrique Benn dos Anjos; Fernanda Silva Santos; Simone Santos Souza

28

Capítulo 3

PERFIL DOS PACIENTES QUE REALIZARAM A CIRURGIA REVISIONAL PARA CONVERSÃO DO SLEEVE GÁSTRICO PARA BYPASS GÁSTRICO Alcides José Branco Filho; Cláudio José Beltrão; Enrico Guido Oliveira Minniti; Luiza Mendes e Silva Gonçalves; Magda Rosa Ramos da Cruz;

Matheus Souza Bérgamo; Victoria Bellizze

43

Capítulo 4

GRUPO DE APOIO PSICOLÓGICO EM CONTEXTO DE CIRURGIA BARIÁTRICA E METABÓLICA

Vanessa Lima de Oliveira

62

Capítulo 5

PROMOÇÃO DA SAÚDE E TRADIÇÕES ALIMENTARES NO AMBIENTE ESCOLAR: EXPERIÊNCIA DO MUNICÍPIO DE URUTAÍ - GO

Geovana Fernanda Marçal Sciênça; Pedrina Hellen Miguel dos Santos; Jiulia Silva Gonçalves; Filipe Pereira Oliveira; Amanda Alves Moraes; Ingryd Garcia de Oliveira

78

Capítulo 6

CUIDADOS DE ENFERMAGEM NA PREVENÇÃO DE QUEDAS EM IDOSOS HOSPITALIZADOS

Renato Ribeiro de Oliveira; Ana Jessica Silva Lopes; Gabriel de Jesus Aprígio; Polyane Correia Lima; Vinicius Gomes Moura; Maria Célia de Freitas

92

Capítulo 7

ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM FRENTE A UMA LESÃO CRÔNICA:

RELATO DE EXPERIÊNCIA

Geane Maria de Lima Queiroz Silva; Julia Myllena França Belarmino de Oliveira; Maria Eulália Lucena Silva; Maria Alinny Rezende Acioli Wanderley;

Vitória Luiza Rufino Bezerra; Eduarda Augusto Melo; Diego Augusto Lopes Oliveira

101

Capítulo 8

INTERRELAÇÃO DAS VARIÁVEIS SOCIOECONÔMICAS, EPIDEMIOLÓGICAS E DE QUALIDADE DE VIDA DE ESTUDANTES DE ENFERMAGEM

Larissa Maria Silva Cardoso; Elayne Iasmin dos Santos; Danilo Barbosa Morais

110

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Capítulo 9

IMPACTO DA CIRURGIA BARIÁTRICA NA CONDIÇÃO DE SAÚDE BUCAL DO PACIENTE: UMA REVISÃO DE LITERATURA

Izabelle Alves Mendes de Oliveira; Myria Conceição Cerqueira Félix

124

AUTORES

147

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Capítulo 1

SATISFAÇÃO PROFISSIONAL DA EQUIPE DE ENFERMAGEM:

APONTAMENTOS PARA A GESTÃO DOS SERVIÇOS DE SAÚDE

Henrique de Alencar Gomes Marcos Aurélio Fonsêca Tatiane Santos Fonseca Guimarães

Paulo Márcio de Souza Rezende

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SATISFAÇÃO PROFISSIONAL DA EQUIPE DE ENFERMAGEM:

APONTAMENTOS PARA A GESTÃO DOS SERVIÇOS DE SAÚDE

Henrique de Alencar Gomes Doutor em Ciências da Reabilitação pela UFMG, fisioterapeuta e gestor hospitalar

Marcos Aurélio Fonsêca Doutorando em Saúde Coletiva pela FIOCRUZ – Instituto René Rachou,

professor adjunto da Universidade Federal de Minas Gerais, terapeuta ocupacional na FHEMIG, administrador, gestor público em saúde

Tatiane Santos Fonseca Guimarães Pós-graduada em Disfagia e Fonoaudiologia Hospitalar pela FONOHOSP, fonoaudióloga na FHEMIG

Paulo Márcio de Souza Rezende Pós-graduado em Gestão de Pessoas pela UEMG,

administrador na FHEMIG

RESUMO

A satisfação profissional ou satisfação no trabalho é uma condição importante para a compreensão da motivação, do desempenho e da produtividade do trabalhador, mas também por servir como indicador para possíveis ações da gestão visando à melhoria do ambiente e da qualidade de vida no trabalho e, consequentemente, os resultados da organização. Na área da saúde, este fenômeno complexo e multidimensional tem despertado o interesse de muitos pesquisadores, no Brasil e no contexto internacional.

Neste estudo, com abordagem quantitativa, transversal, de caráter exploratório e descritivo, o objetivo foi descrever e analisar de forma crítica a satisfação profissional dos 73 participantes (24 enfermeiros e 49 técnicos de enfermagem) que atuavam na área assistencial de um hospital público de pequeno porte localizado em Minas Gerais. A coleta de dados ocorreu no período de março a abril de 2017. Os resultados demonstraram a coerência com aqueles apurados em estudos anteriores, quando a Autonomia foi um componente de destaque para os enfermeiros em vários deles. No caso dos auxiliares e técnicos, houve correspondência quanto ao componente Requisitos do Trabalho. Concluiu-se que, de forma geral, a satisfação profissional da equipe de Enfermagem permaneceu baixa ao longo das últimas décadas no país.

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Palavras-chave: Enfermagem; Satisfação no emprego; Administração de serviços de saúde; Equipe de enfermagem.

ABSTRACT

Job satisfaction is an important condition for understanding labor motivation, performance, and productivity. Likewise, it may be useful as an indicator for possible management measures geared to improving the workers’ life quality and the work environment and, therefore, the Organization results. In the healthcare area, such complex and multidimensional phenomenon has aroused the interest of many researchers in Brazil and in the international context. In this study, with a quantitative, cross-sectional, exploratory, and descriptive approach, the objective was to describe and critically analyze the job satisfaction of 73 participants (24 nurses and 49 nursing assistants) who worked in the healthcare area of a small public hospital located in Minas Gerais. Data collection took place during the period from March to April 2017.

The results showed consistency with those found in previous studies when Autonomy was a prominent component for several nurses. In the case of the assistants and technicians, there was a match on the Work Requirements component. It was concluded that, in general, job satisfaction among Nursing staff has remained low over the past decades in the country.

Keywords: Nursing; Job satisfaction; Health services administration; Nursing team.

1 INTRODUÇÃO

A provocação aos autores para a realização desta pesquisa surgiu por ocasião de suas experiências na gestão de serviços de saúde, mais especificamente em um hospital público de pequeno porte, localizado na cidade de Sabará, em Minas Gerais.

Inicialmente, a proposta estava relacionada à busca de contribuições para a elaboração de um plano estratégico para a gestão de pessoas, composto por diretivas, propostas e intervenções que melhorassem o ambiente de trabalho, a interação entre as pessoas e as equipes e a qualidade de vida no trabalho. Seja atuando como coordenador, gerente ou diretor, os autores perceberam a importância da satisfação no e com o trabalho para que a equipe aderisse aos projetos institucionais e realizasse as atividades com eficiência.

A princípio, a proposta era a avaliação da satisfação da área assistencial como um todo, mas foi percebido que, por se tratar de mais da metade desta área, a equipe de Enfermagem tinha relevância, como apontado em vários estudos que pretenderam discutir e desenvolver temáticas vinculadas à gestão em saúde, principalmente propondo mudanças e revendo processos. No hospital onde a pesquisa seria desenvolvida, a equipe de Enfermagem atuava em praticamente todos os setores da

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área assistencial e estabelecia relações hierárquicas com diferentes chefias. Devido a essa representatividade, os pesquisadores partiram do pressuposto de que, ao emergirem as percepções desta categoria, seria revelado um retrato que sintetizaria não somente as percepções destes profissionais, mas também aquelas que poderiam ser estendidas a toda a área assistencial.

Optou-se por um questionário de pesquisa traduzido para a língua portuguesa e validado para a cultura brasileira, disponível para cópias e de fácil aplicação, porque a pesquisa seria realizada durante o horário de trabalho e visando ao menor impacto sobre a assistência prestada aos pacientes, além de não se justificar a criação de um novo questionário ou de qualquer outro procedimento metodológico quando era conhecido e reconhecido o uso do instrumento escolhido em outros estudos no país.

O local da pesquisa foi um dos hospitais que fazem parte da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (FHEMIG) e contava, à época da pesquisa, com 54 leitos, sendo 40 para internações de casos oriundos do hospital de pronto socorro referência em Minas Gerais e 14 para a enfermaria pós-cirúrgica, uma vez que eram realizadas cirurgias de pequeno e médio porte de casos regulados pelo município.

Esta pesquisa teve como objetivos descrever e analisar a satisfação profissional desta equipe e identificar os pontos percebidos como positivos ou negativos por estes profissionais para que fossem fortalecidos os primeiros e reformulados os segundos, com vistas à criação de um ambiente de trabalho ao mesmo tempo mais salutar e mais produtivo. Com a identificação dos limitadores de satisfação e dos problemas da estrutura organizacional e dos processos de trabalho, os gestores estimaram adquirir elementos tangíveis para propor ações estratégicas que visassem a reduzir ou eliminar tais circunstâncias, ainda que estas propostas não estejam incluídas no escopo deste artigo.

2 REFERENCIAL TEÓRICO

A satisfação profissional ou satisfação no trabalho é um fenômeno complexo e multifatorial e tem sido estudado em várias perspectivas, sendo associado com outros constructos, tais como: carreira, remuneração, subjetividade, saúde/doença, produtividade, qualidade, motivação e outros (MELO, 2010, SOMENSE & DURAN, 2014). De acordo com Carrillo-Garcia et al. (2013), “a satisfação dos profissionais da

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saúde é um tópico amplamente explorado, sendo avaliado em todas as categorias profissionais envolvidas”, o que foi confirmado pelo crescimento do interesse dos pesquisadores por esta temática no Brasil e em outros países.

Na esfera individual, o profissional pode atribuir maior ou menor grau de satisfação no trabalho de acordo com sua percepção em relação ao retorno que este trabalho lhe traz, seja este retorno traduzido em ganhos concretos, como benefícios e remuneração ou outros mais subjetivos, como status profissional e social ou sentimento de ser útil.

A gestão dos serviços de saúde é um campo que demonstra grande interesse pela mensuração da satisfação profissional, devido à sua relevância como ferramenta de gestão e da crença de que os valores atribuídos nas avaliações são importantes indicadores para explicar as relações entre os indivíduos e seus contextos de trabalho, oferecendo subsídios para a criação de modelos que promovam esta satisfação, tendo como princípio de que trabalhadores satisfeitos geram ganhos para todos. Vários autores advogam que as organizações inteligentes deveriam pautar a promoção da satisfação de seus colaboradores como prioridade, dado o impacto que esta pode representar na produtividade e no clima organizacional (LINO, 1999; MATSUDA, 2002).

Nas últimas três décadas, no Brasil, foram realizados vários estudos sobre a satisfação profissional da equipe de enfermagem, em organizações, serviços, setores e contextos assistenciais bastante diversos. A partir da dissertação de mestrado de Lino (1999), que realizou a adaptação transcultural e validação para a cultura brasileira do Index of Work Satisfaction (IWS), originando o Índice de Satisfação Profissional (ISP) ou Índice de Satisfação no Trabalho (IST), como tem sido nomeado por alguns pesquisadores, surgiu o interesse pela aplicação deste instrumento de pesquisa, principalmente porque os resultados forneceram subsídios para discussões a respeito da amplitude das intervenções desses profissionais e das relações entre satisfação no trabalho e outros temas sinérgicos à temática, como Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) e motivação (SCHMIDT & DANTAS, 2004).

O ISP foi desenvolvido em 1997 em território norte americano e adaptado, validado e traduzido para a língua portuguesa em 1999. Trata-se de um questionário reorganizado em duas partes (A e B), que objetiva avaliar a satisfação no trabalho em relação a seis componentes: Autonomia, Interação, Status Profissional, Requisitos do Trabalho, Normas Organizacionais e Remuneração (LINO, 1999; 2004).

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Em Matsuda & Èvora (2003), o local da pesquisa foi a Unidade de Terapia Intensiva-adulto (UTI-adulto), com 4 leitos, de um hospital-escola, com a participação de 8 enfermeiras e 9 auxiliares de enfermagem. Este estudo é interessante não somente por ter sido um dos primeiros realizados no país com a aplicação do instrumento, mas também porque usou um delineamento do tipo quase-experimental e foi efetuado em três etapas: pré-intervenção, intervenção e pós-Intervenção, com a conclusão de que, apesar da implementação das ações de melhoria para os componentes com os quais a equipe demonstrava menos satisfação e ainda que houvesse melhoria nos valores do ISP, os resultados demonstraram que enfermeiros e auxiliares permaneceram insatisfeitos no trabalho. Os resultados deste estudo foram novamente discutidos em 2006 pelas autoras, em um novo artigo em que apresentam de modo mais específico as ações de melhoria implementadas, baseadas nos princípios e metodologias da Gestão da Qualidade.

Schmidt & Dantas (2006) utilizaram o ISP para avaliar a qualidade de vida no trabalho (QVT) de profissionais de enfermagem, atuantes em unidades do Bloco Cirúrgico (BC) em quatro hospitais na cidade de Londrina (PR), utilizando uma amostra com n=105, sendo que 69,5% eram auxiliares de enfermagem e 11,4% eram enfermeiros. As autoras concluíram que, de modo geral, os resultados apresentados a partir dos baixos valores do ISP expressaram a insatisfação dos profissionais de enfermagem atuantes no Bloco Cirúrgico em relação à QVT.

Silva et al. (2009) usaram o índice para caracterizar a satisfação dos enfermeiros que trabalhavam no período noturno de um hospital universitário referência regional em alta complexidade, localizado em uma cidade de, aproximadamente 270 mil habitantes no estado do Rio Grande do Sul . Os resultados deste estudo, com uma amostra de 42 enfermeiros, demonstraram que, em relação aos componentes do ISP – escore ajustado, os participantes estavam mais satisfeitos com o componente Autonomia (16,73) seguido pelo componente Interação (13,81), Requisitos do Trabalho (9,46) , Status Profissional (8,24) e Remuneração (6,11); o componente cujo nível real de satisfação profissional se revelou mais baixo foram as Normas Organizacionais (5,76). Como expresso pelos resultados, de modo geral, a satisfação profissional foi revelada como baixa pelos participantes.

Para caracterizar enfermeiros que atuam na assistência domiciliar, Paiva, Rocha & Cardoso (2011) realizaram um estudo com 34 enfermeiros. O valor do ISP, obtido através da soma dos escores ajustados de cada componente da satisfação

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profissional e sua divisão pelo número de componentes (6), foi de 13,19, indicando baixa satisfação profissional. As autoras concluíram que os enfermeiros da atenção domiciliar consideraram a Autonomia como o componente mais importante e o Status Profissional como o menos importante, estando mais satisfeitos em relação à Interação e à Autonomia e menos satisfeitos com o componente Normas Organizacionais.

Na direção da abordagem da satisfação no trabalho de enfermeiros gerentes e assistenciais nos serviços de hematologia e hemoterapia de um hospital público na cidade de São Paulo, Siqueira & Kurcgant (2012) aplicaram o instrumento em uma amostra de 44 enfermeiros, sendo 10 enfermeiros na função gerencial e 39 na função assistencial. Neste estudo, as autoras identificaram que o grupo assistencial foi o mais satisfeito, com ISP 10,5, enquanto o grupo o gerencial totalizou 10 pontos. A pesquisa concluiu que tanto para o grupo assistencial quanto para o grupo gerencial, o componente Autonomia foi o mais satisfatório.

Pesquisando a satisfação da equipe de enfermagem da unidade de terapia intensiva adulta, Versa & Matsuda (2014) aplicaram o questionário ISP (nomeado pelas autoras por IST) em 27 (82%) profissionais de um hospital universitário do noroeste do Paraná e constataram o valor de 11,01 entre os técnicos de enfermagem e o de 8,62 entre os enfermeiros. Este estudo revelou que os enfermeiros disseram estarem mais satisfeitos com o componente Normas Organizacionais e os técnicos apontaram a Interação como o componente de destaque.

Pinto et al. (2014) realizaram uma pesquisa com 23 profissionais da equipe de enfermagem em um ambulatório de especialidades em Ribeirão Preto/SP. Os autores relataram que o ISP foi de 8,29, variando entre os participantes de 5,25 a 14,09, o que evidenciava baixa satisfação com o trabalho. Os resultados da pesquisa evidenciaram que os participantes consideraram o componente Interação como o mais importante, seguido do Status Profissional, Requisitos do Trabalho, Normas Organizacionais, Remuneração e Autonomia.

A pesquisa desenvolvida com 144 enfermeiros de um hospital universitário do sul do país por Rigue et al. (2016) não apresentou os escores do ISP, mas também evidenciou a importância do componente Autonomia para a satisfação dos participantes, quando 79,2% deles (n=114) disseram possuir autonomia, ainda que 47,9% (n=69) afirmassem que precisam realizar atividades que vão contra seu melhor julgamento em algumas situações.

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Oliveira et al. (2017) realizaram um estudo em 8 UTIs adulto de um hospital público universitário. Participaram do estudo 287 profissionais (83,43% do total);

dentre eles, 100 enfermeiros (34,84%) e 187 (65,15%) técnicos/auxiliares de enfermagem, distribuídos nas diferentes unidades. Este estudo pretendeu investigar o ambiente das práticas de enfermagem e a satisfação profissional; por isso, foram aplicados, respectivamente, os instrumentos Nursing Work Index-Revised (NWI-R), nas versões resumidas, e o ISP. O valor do ISP total correspondeu a 10,95 pontos, com variação entre 5,98 e 17,91 pontos, obtidos pela média da amostra, o que revelou a baixa satisfação profissional nessa amostra. Na Comparação Pareada (Parte A), que avalia a importância atribuída a cada componente, mostrou-se que, em ordem decrescente, a Remuneração foi o componente mais importante para a satisfação profissional da equipe de enfermagem, seguida da Interação, Autonomia, Requisitos do Trabalho, Normas Organizacionais e Status Profissional. Na escala de Atitudes (Parte B), que mede a satisfação profissional real, com escores não ponderados, a ordem decrescente foi a seguinte: Status profissional, Interação, Autonomia, Requisitos do Trabalho, Normas Organizacionais e Remuneração. Os resultados ponderados entre as duas partes do instrumento, que representa a satisfação profissional ponderada por componente, também identificaram a mesma ordem de classificação. É relevante dizer que este estudo considerou a equipe como um todo.

No estudo desenvolvido por Paulino et al. (2019), foi aplicado o instrumento com 226 profissionais de Enfermagem, sendo 56 (24.8%) enfermeiros e 170 (75.2%) técnicos ou auxiliares de enfermagem, de unidades de terapia intensiva de três hospitais gerais no estado do Paraná. Este estudo comparou a satisfação percebida nas três unidades diferentes e constatou que houve poucas diferenças estatisticamente significativas entre elas, o que permitiu concluir que “as equipes de todos os hospitais e unidades referiam boa satisfação e percepção sobre ambiente de trabalho”.

Vieira et al. (2021), realizaram um estudo com 68 enfermeiros de um hospital onco-hematológico e verificaram a baixa satisfação profissional percebida (3,44) neste grupo. Status Profissional foi o componente com a maior pontuação, enquanto Remuneração, Normas Organizacionais, Autonomia e as atribuições inerentes à profissão se revelaram insatisfatórias. Este estudo foi além da análise da satisfação profissional, quando buscou correlacioná-la à qualidade de vida, usando como instrumento de avaliação o World Health Organization Quality of Life (WHOQOL-Bref).

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Todos os estudos ora revisados incluíram a caracterização sociodemográfica da equipe de Enfermagem, o que nos permitiu, em termos gerais, assumir que a área da Enfermagem é majoritariamente composta por mulheres, na faixa etária predominante entre 30 e 50 anos, casadas (ou com relacionamentos estáveis) e com filhos; alguns estudos também reportaram baixa remuneração e mais de um vínculo empregatício. Esta caracterização é fundamental para a compreensão, entre vários aspectos, das relações entre os contextos de vida (inclusive a qualidade de vida), os papéis sociais, a valorização da carreira e a satisfação profissional dessa categoria.

Especialmente nos hospitais, a equipe de Enfermagem compõe a maioria do quadro dos profissionais assistenciais. Os Hospitais de Pequeno Porte (HPP) representam mais de 60% dos hospitais e quase um quinto dos leitos disponíveis no Brasil. De acordo com as informações disponibilizadas no site do Conselho Nacional de Secretários de Saúde – CONASS, em 2013, havia 5530 hospitais no Brasil, com maior concentração na região Nordeste (36,3%; 2011 hospitais) e na região Sudeste (27,6%; 1528 hospitais). Sabendo-se que a maioria dos hospitais brasileiros é de pequeno porte, ou seja, têm menos de 50 leitos, surge um grande problema para a gestão que é atingir níveis satisfatórios de escala e produtividade, que garantiriam a própria sobrevivência da organização. Para efeito de comparação, a região Nordeste, com maior número de hospitais, tinha taxas de ocupação geral e em CTI (27,70%;

62,84%, respectivamente) menores que na região Sudeste (44,10%; 66.87%, respectivamente). Isso demonstra que os hospitais da região Sudeste, com cidades maiores e hospitais de maior complexidade, consegue melhor aproveitamento dos leitos do que nos hospitais menores, predominantes na região Nordeste. Em média, os hospitais brasileiros têm cada um, 71 leitos, mas os parâmetros internacionais advogam 120 leitos como padrão para a viabilidade econômica e justificativa de sustentabilidade geral para hospitais (Associação Nacional dos Hospitais Privados – ANAHP, 2015).

Por outro lado, o contexto hospitalar brasileiro impõe a discussão sobre o papel do Hospital de Pequeno Porte (HPP) na prestação de serviços à população. Ugá e Lópes (2007), afirmam que:

Os hospitais de pequeno porte (HPP) são, ultimamente, vistos como elementos estratégicos para a reformulação do modelo de atenção do Sistema Único de Saúde - SUS. Seja pela sua elevada participação no sistema, tendo em vista que representam 62% dos estabelecimentos hospitalares do sistema de saúde brasileiro, seja pelo novo papel que

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deles se espera, uma vez consolidada a atenção básica através do Programa de Saúde da Família – PSF (UGÁ; LÓPEZ, 2007, p. 916).

A Portaria GM/MS No. 1.044, de 2004, que instituiu a Política Nacional para os Hospitais de Pequeno Porte, pretendeu dar uma nova configuração para a participação desses equipamentos no SUS e proibiu a criação de hospitais em municípios/regiões onde a necessidade fosse inferior a 30 leitos, o que ratifica a indicação de que um hospital viável deve ter a demanda justificada. O teor da Portaria foi resumido por Ugá e López (2007):

Por meio desse instrumento, os hospitais de pequeno porte são estimulados a aderirem voluntariamente (através da Secretaria Estadual de Saúde) a um processo de contratualização onde é redefinido seu papel na rede de serviços e são estabelecidas metas quantitativas e qualitativas, em correspondência a um orçamento global, em substituição ao tradicional e problemático sistema de pagamento por procedimento (SIH/SUS). Mediante esse processo, estes hospitais se dispõem a cumprir um novo papel na rede assistencial da microrregião em que se situam (pactuado com o gestor) e, em contrapartida, passam a receber recursos sob a forma de orçamento global para efeitos do financiamento das internações hospitalares, acrescidos do pagamento por procedimento no que tange à produção ambulatorial (UGÁ; LÓPEZ, 2007, p. 916).

No levantamento de Ugá e López (2007), havia 4.705 estabelecimentos hospitalares classificados como de pequeno porte, que representam 62% do total e 18% dos leitos existentes no SUS, sendo que os HPP se concentram em municípios com menos de 30.000 habitantes (57%), principalmente em municípios com população entre 10.000 a 20.000 habitantes (22%), e que em mais da metade desses hospitais são a única opção de internação no município-sede do estabelecimento. Os pesquisadores concluíram ainda que ocorre nos HPP: “uma baixa densidade tecnológica e permite inferir que se trata de unidades voltadas para ações de baixa complexidade, com predominância nas quatro clínicas básicas” (clínica médica, cirurgia geral, obstetrícia e pediatria).

2 MATERIAIS E MÉTODOS

Trata-se de uma pesquisa de abordagem quantitativa, sendo um estudo transversal, exploratório, de caráter descritivo, que foi realizado em um hospital público da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (FHEMIG), localizado no

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município de Sabará. A pesquisa foi previamente submetida e aprovada pelo Comitê de Ética institucional, sob o CAAE 45786515.5.0000.5119, pelo parecer 1.102.473.

Os critérios de inclusão foram: ser enfermeiro, técnico de enfermagem ou auxiliar de enfermagem; atuar no hospital há pelo menos seis meses; concordar com o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e assiná-lo. Os critérios de exclusão foram: ser profissional da equipe de enfermagem com atuação administrativa; ter licença médica durante o período da pesquisa. A coleta dos dados ocorreu no período de março a abril de 2017.

A satisfação profissional da equipe de Enfermagem do hospital foi avaliada por meio do Index of Work Satisfaction (Índice de Satisfação Profissional – ISP), que é um instrumento traduzido e validado para a língua portuguesa. O ISP avalia basicamente a satisfação no trabalho de enfermagem em relação a seis componentes: Autonomia, Interação, Status Profissional, Requisitos do Trabalho, Normas Organizacionais e Remuneração. A seleção deste instrumento foi baseada na sua aplicação em estudos prévios no contexto de atuação da enfermagem no Brasil.

O ISP foi elaborado em forma de um questionário auto aplicável e é composto por três partes: a parte A é constituída por 20 itens relacionados à caracterização sociodemográfica e profissional dos profissionais da equipe de enfermagem; a parte B é constituída por um método de “comparações pareadas”, que combinam os seis componentes relacionados à satisfação profissional em relação ao grau de importância que cada profissional atribui a cada um deles; e a parte C - denominada

“Escala de Atitudes” - é constituída por 44 itens e relaciona a medida da situação atual de trabalho com a medida de expectativas em relação ao trabalho por meio de uma escala do tipo Likert de sete pontos, com resposta variando entre “concorda inteiramente” (1) e “discorda inteiramente” (7). Os 44 itens são divididos nos seis componentes, da seguinte maneira: sete itens para Status Profissional; seis para Requisitos do Trabalho; sete para Normas Organizacionais; seis para Remuneração;

dez para Interação; e oito para Autonomia.

Para o escore das Comparações Pareadas, cria-se uma matriz de frequência, que relaciona quantas vezes cada componente é escolhido em relação aos outros componentes. Tais frequências são convertidas em uma matriz de proporção (divisão dos valores absolutos pelo tamanho amostral). Em seguida, transforma-se a matriz de proporção em uma matriz-Z a fim de normalizar os dados. A correção dos escores-Z, por meio da adição de um fator de correção, é utilizada para eliminar os valores

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negativos. A escolha de tal fator (constante) se baseia na análise do melhor valor que equilibra o maior número negativo encontrado. Para o cálculo dos “Coeficientes de Ponderação dos Componentes”, aplica-se o fator de correção ao valor da média dos escores-Z. Da matriz-Z ajustada e são gerados valores para cada componente, que medem o nível de importância de cada componente para uma dada amostra. Esses valores serão usados para o cálculo final do ISP.

Para o escore da Escala de Atitudes, primeiramente, os itens são agrupados de acordo com cada componente. A partir disso, são criadas matrizes de distribuição de frequências de resposta por componente. Realiza-se a inversão dos escores dos itens (1 a 7 pontos, de maneira espelhada), considerando-se que 22 itens da escala são positivos e 22 são negativos e a direção da escala é positiva. Nessa nova matriz, é realizada a somatória de todos os valores atribuídos aos itens. O número gerado é um valor não ponderado e se denomina como “Escore Total do Componente”. Em seguida, divide-se cada escore pelo número total de itens do respectivo componente, gerando “Escores Médios dos Componentes”. Em ambos os casos, deve ser realizada a divisão de números gerados pelo número de casos da amostra.

A partir dos 44 itens, calculam-se o Escore Total da Escala (somatório) e o Escore Médio da Escala (média). Para o cálculo do ISP propriamente dito, é necessária a utilização dos Coeficientes de Ponderação dos Componentes. Cada coeficiente é multiplicado pelo Escore Médio do respectivo componente da Escala de Atitudes, obtendo-se os Escores Ajustados dos Componentes. O ISP, em análise final, é obtido por meio da soma dos escores ajustados dos seis componentes e sua divisão por seis e varia de 0,9 a 37,1 de menor à maior satisfação profissional.

Os dados sociodemográficos dos profissionais da equipe de Enfermagem, por grupo de enfermeiros e de técnicos ou auxiliares de Enfermagem foram analisados conforme estatística descritiva (número absoluto, frequência, média e desvio padrão).

Realizou-se um teste t para comparação dos grupos quanto à idade, anos de formação e tempo de exercício no hospital, considerando um nível de significância de p igual a 0,05. As questões relacionadas ao ISP foram recodificadas seguindo os passos descritos. O Coeficiente de Ponderação dos componentes da satisfação no trabalho, o Escore Médio e Total do Componente da Escala e o Escore do Componente Ajustado foram apresentados como estatística descritiva (número absoluto) e utilizados para obtenção do índice de satisfação profissional de enfermagem. O

(21)

programa estatístico utilizado para análise dos dados foi o software Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) for Windows® versão 18.0.

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Participaram deste estudo 73 profissionais da equipe de Enfermagem, cuja amostra incluiu 24 enfermeiros de um total de 31 lotados no hospital, correspondendo a 77,4% dos profissionais com nível superior. O grupo participante era majoritariamente do sexo feminino (91,7%), com faixa etária entre 31 e 40 anos de idade (54,1%), estado civil casado/companheiro/união estável (58,3%), com filhos (62,5%), plantonistas (54,2%), afirmando gostar e estar satisfeito por trabalhar no setor atual (91,7% e 83,3%, respectivamente), e sem outro vínculo empregatício (70,8%), como apresentado na Tabela 1.

Quanto aos técnicos/auxiliares de enfermagem, 49 participaram deste estudo, correspondendo a 56,9% dos 86 profissionais lotados no hospital. Este grupo também era majoritariamente do sexo feminino (91,7%), com faixa etária entre 31 e 50 anos de idade (71,5%), estado civil casado/companheiro/união estável (59,1%), com filhos (69,4%), plantonistas (91,7%), afirmando gostar e estar satisfeito por trabalhar no setor atual (93,9% e 85,7%, respectivamente), e sem outro vínculo empregatício (61,2%), como apresentado na Tabela 1.

Quando realizado o teste t para comparação dos grupos de enfermeiros e técnicos/auxiliares de enfermagem, não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas para idade (41,2 (9,2) versus 44,5 (8,9) anos, respectivamente, P = 0,143), tempo de formado (11,7 (7,1) versus 13,7 (7,9) anos, respectivamente, P = 0,300) e tempo em exercício no hospital (4,7 (4,0) versus 6,9 (7,3) anos, respectivamente, P = 0,193).

Tabela 1

Dados sociodemográficos de enfermeiros (n=24) e técnicos de enfermagem

(n=49) participantes

Dados sociodemográficos Enfermeiros Técnicos

n % n %

Sexo Feminino Masculino

22 2

91,7 8,3

43 6

91,7 8,3 Faixa etária

21 a 30 anos 0 0,0 2 4,1

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31 a 40 anos 41 a 50 anos > 51 anos

13 7 4

54,1 29,2 16,7

16 19 12

32,7 38,8 24,5 Estado civil

Solteiro

Casado/companheiro/união estável Divorciado/separado

7 14

3

29,2 58,3 12,5

11 29 9

22,5 59,1 18,4 Filhos

Não tem filhos 1 filho

2 filhos

3 ou mais filhos

9 8 7 0

37,5 33,3 29,2 0,0

15 10 18 6

30,6 20,4 36,7 12,3 Escala de trabalho

Diarista Plantonista

11 13

45,8 54,2

6 43

8,3 91,7 Gosta de trabalhar no setor atual

Não Sim

2 22

8,3 91,7

3 46

6,1 93,9 Satisfeito por trabalhar no setor atual

Não Sim

4 20

16,7 83,3

7 42

14,3 85,7 Outro vínculo empregatício

Não Sim

17 7

70,8 29,2

30 19

61,2 38,8

A Tabela 2 apresenta os coeficientes de ponderação e os escores do ISP para os 24 enfermeiros e 49 técnicos/auxiliares de enfermagem que responderam aos questionários. Os coeficientes de ponderação representam o grau das importâncias atribuídas pelos profissionais para cada um dos seis componentes avaliados. Como observado na coluna I da Tabela 2, o componente com maior representatividade de importância para os enfermeiros foi Autonomia e para os técnicos/auxiliares, Requisitos de trabalho. O componente de menor importância para ambos os grupos foi Status Profissional.

Os Escores Médios do Componente representam a percepção de satisfação profissional para cada componente avaliado do ISP. Como observado na coluna III da Tabela 2, Status Profissional se destacou como o componente de maior satisfação percebida, e Remuneração como a de menor, para ambos os grupos.

Os Escores Ajustados do Componente ponderam a importância atribuída a cada componente e a percepção de satisfação profissional. Como observado na coluna IV da Tabela 2, o componente de maior satisfação com o trabalho para os enfermeiros foi Autonomia e Interação para os técnicos/auxiliares, enquanto Remuneração se destacou como o de menor satisfação para ambos os grupos. O ISP, que é resultante da soma de todos os seis escores ajustados dividido pelo número de

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componentes, foi de 9,56 para o grupo de enfermeiros e 9,73 para os técnicos de enfermagem.

Tabela 2

Estatística descritiva dos componentes do Índice de Satisfação Profissional para os enfermeiros (n=24) e técnicos de enfermagem (n=49) participantes

Componente

I. Coeficiente de Ponderação do

Componente

II. Escore Total do Componente da

Escala Enf. Téc. Enf. Téc.

Remuneração 2,60 1,91 14,63 15,73

Autonomia 3,35 2,75 39,58 33,57

Requisitos do trabalho 2,67 3,38 21,29 22,04 Status profissional 1,14 1,32 39,58 40,04 Normas organizacionais 2,70 2,38 20,96 22,14

Interação Enf.-Enf.

Téc.-Téc.

Enf.(Téc.)-Med.

2,53 - - -

3,26 - - -

41,08 22,33

- 18,75

44,04 - 24,39 19,65

Componente

III. Escore Médio do Componente da

Escala

IV. Escore Ajustado do Componente

(I x III)

Enf. Téc. Enf. Téc.

Remuneração 2,44 2,62 6,34 5,01

Autonomia 4,95 4,20 16,58 11,52

Requisitos do trabalho 3,55 3,67 9,48 12,43 Status profissional 5,65 5,72 6,44 7,57 Normas organizacionais 2,99 3,16 8,10 7,52

Interação Enf.-Enf.

Téc.-Téc.

Enf.(Téc.)-Med.

4,11 4,47 - 3,75

4,40 - 4,88 3,93

10,41 - - -

14,36 - - - Escore Total da Escala (variação 44 a 308) = 177,13 (enfermeiros) e 177,57 (técnicos de enfermagem);

Escore Médio da Escala (variação de 1 a 7) = 4,03 (enfermeiros) e 4,04 (técnicos de enfermagem) ISP (variação de 0,9 a 37,1) = 9,56 (enfermeiros) e 9,73 (técnicos de enfermagem)

Enf.: enfermeiros, Téc: técnicos de enfermagem, Med.: médico, - : não se aplica.

Considerando os resultados desta pesquisa, foi identificada a coerência com os resultados dos estudos anteriores, quando a Autonomia foi um componente de destaque para os enfermeiros em vários deles. No caso dos auxiliares e técnicos, há correspondência quanto ao componente Requisitos do Trabalho, quando considerado que esses profissionais afirmaram a satisfação pelas tarefas e atividades que realizam, destacando a importância do que fazem e o reconhecimento dos outros, especialmente dos pacientes e familiares.

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Embora o componente Remuneração tenha surgido como significativo para a satisfação em alguns estudos anteriores, no caso da presente pesquisa, este foi o componente menos valorizado pelos participantes de ambos os grupos. Daqui surge um paradoxo a ser melhor investigado e compreendido: ainda que a remuneração da Enfermagem (por conseguinte, das demais profissões da saúde) seja reconhecidamente mais baixa do que de outras áreas, as pessoas não associam sua satisfação profissional diretamente a este componente. Há inúmeras possibilidades de explicação para esse fenômeno, sendo plausível pensarmos, a princípio, no determinante de gênero da profissão, ao considerarmos que historicamente a remuneração dos homens é maior que a das mulheres e também na questão da dedicação feminina, beirando o altruísmo, que permeia a Enfermagem, como profissão guardiã do cuidado.

Por se tratar de um hospital público, a remuneração dos servidores é definida por critérios legais, amparados por previsões orçamentárias, o que limita a governança dos gestores sobre esta variável. Contudo, as pessoas não associam a satisfação profissional somente ao benefício econômico. É possível que outros benefícios, como a estabilidade no emprego, a carreira e demais benefícios secundários contribuam para a satisfação dos servidores públicos.

A presente pesquisa se mostrou alinhada com os demais estudos em relação à satisfação geral no trabalho, dada pelo valor total ajustado do ISP (9,56 para o grupo de enfermeiros e 9,73 para os técnicos de enfermagem). Como a maioria dos estudos já realizados no Brasil, e a despeito do discurso positivo apresentado pela equipe de Enfermagem, pode-se concluir que a satisfação profissional da Enfermagem tem se revelado baixa ao longo dos últimos anos. A atuação na área da saúde e mais especificamente o ambiente hospitalar impõe uma rotina de trabalho bastante normatizada, hierarquizada, com alto nível de exigências e responsabilidades e, por vezes, muito estressante. A equipe de Enfermagem ajuda a compor este cenário de forma bastante expressiva, pois costuma ser o maior contingente de profissionais de uma mesma categoria, mediando relações entre diversos outros profissionais e em contato permanente com os usuários dos serviços.

A intervenção da gestão sobre as normas organizacionais é uma das possibilidades de incremento na satisfação da equipe. As pesquisas evidenciaram que os profissionais apresentam opiniões conflitantes quanto a este aspecto a depender do local pesquisado. Na presente pesquisa, os participantes não apontaram as

(25)

normas como principal fator de insatisfação, o que colaborou para a conclusão de que neste local, um HPP, o trabalho da equipe parece estar orientado por protocolos e procedimentos padronizados, que são compreendidos e assimilados naturalmente pela equipe.

Na área da saúde, especialmente em hospitais, a autonomia do profissional sobre as suas rotinas é frequentemente influenciada pela forte padronização dos processos de trabalho que ocorre neste tipo de organização. Entretanto, nesta pesquisa e em outras já realizadas, a equipe de Enfermagem destacaram a percepção da Autonomia como componente primordial para a satisfação profissional.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este estudo alcançou seu objetivo ao desvelar a satisfação no trabalho vivenciada pela equipe de Enfermagem, sendo que o presente diagnóstico foi fundamental para que os gestores elaborassem propostas de intervenção nos processos de trabalho com vistas ao enfrentamento dos pontos identificados como negativos na organização. Os resultados foram importantes porque anunciaram que a baixa satisfação poderia ser percebida também por outras categorias profissionais e que a gestão deve se preocupar em identificá-la e propor mudanças.

Durante a aplicação dos questionários, foi percebido que apenas possibilidade de serem ouvidos e expressarem como se sentem no trabalho favoreceu à equipe de Enfermagem mais envolvimento na elaboração das propostas da gestão. Restou evidente a importância da comunicação direta da gestão com as equipes tanto para a identificação de eventuais problemas quanto para a elaboração das novas propostas.

Assim como vários outros instrumentos de pesquisa, o ISP apresenta limites.

Entretanto, pode-se afirmar que ele mantém grande potência avaliativa, dado seu uso recorrente em estudos brasileiros, o que não impede que sejam utilizados concomitantemente outros métodos, sejam quanti ou qualitativos, para aprofundar a compreensão da satisfação profissional.

5 REFERÊNCIAS

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Capítulo 2

IMPACTOS DA PANDEMIA DA COVID-19 NA VIDA DO ENFERMEIRO INTENSIVISTA

Luís Henrique Benn dos Anjos

Fernanda Silva Santos

Simone Santos Souza

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IMPACTOS DA PANDEMIA DA COVID-19 NA VIDA DO ENFERMEIRO INTENSIVISTA

Luís Henrique Benn dos Anjos Discente do curso de enfermagem do Centro Universitário Jorge Amado (UNIJORGE), Salvador, Bahia, E-mail: [email protected]

Fernanda Silva Santos Discente do curso de enfermagem do Centro Universitário Jorge Amado

(UNIJORGE), Salvador, Bahia

Simone Santos Souza Enfermeira, Mestre em Enfermagem pela Universidade Federal da Bahia, Docente do curso de enfermagem do Centro Universitário Jorge Amado (UNIJORGE), Salvador, Bahia, E-mail: [email protected]

RESUMO

Introdução: A infecção comunitária da Covid-19, iniciada em dezembro de 2019 na cidade de Wuhan, na China, e anunciada como pandemia pela Organização Mundial da Saúde em março de 2020, atingiu não somente a saúde física da população como também a saúde mental, principalmente dos profissionais que atuaram no enfrentamento dessa emergência sanitária. O enfermeiro intensivista, atuando na linha de frente, foi um dos sujeitos que tiveram sua vida afetada diretamente por essa problemática. A necessidade de enfrentamento juntamente com o medo do desconhecido tornou-se o gatilho para o surgimento de inúmeros impactos na vida desses profissionais da saúde. Objetivo: descrever o que tem sido publicado cientificamente sobre o impacto da pandemia da Covid-19 na saúde mental do enfermeiro intensivista. Material e Método: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada em outubro de 2022, sendo utilizado as bases de dados disponíveis na Biblioteca Virtual de Saúde, utilizando os Descritores de Ciência da Saúde, com o cruzamento do operador booleano AND, da seguinte forma: "

Enfermagem AND Saúde Mental AND Unidades de Terapia Intensiva AND Covid-19.

". Foram encontrados cerca de 17 artigos, após utilizar os critérios de inclusão: artigos no idioma português e inglês, no período dos últimos 3 anos. Em seguida, após utilizar os critérios de exclusão, foi removido 1 estudo. Entretanto, após a leitura dos títulos e resumos, foram selecionados 8 artigos que contemplavam o objetivo do presente estudo. Resultados e Discussão: A Covid-19 teve um grande impacto na saúde mental dos enfermeiros intensivistas estando relacionado com as condições cotidianas de seu trabalho, o medo do desconhecido, a jornada intensificada, salários

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menores, exposição a um grande número de mortes e a sensação de impotência diante desses óbitos, além do medo de contrair a doença e infectar seus familiares.

Esses problemas desencadearam um estado de tensão psicológica e física que ativou comportamentos patológicos, dentre eles, a ansiedade e estresse. A incapacidade dos profissionais em lidar com as próprias demandas psicológicas elevou a 74% a incidência de enfermeiros diagnosticados com Síndrome de Burnout recorrente do cenário pandêmico. Conclusão: A exposição do profissional intensivista ao Covid-19 o leva à vulnerabilidade humana e profissional por conta do medo, inseguranças, preocupações e esgotamento físico. Diante dessa perspectiva, torna-se fundamental intervenções psicoemocionais com estratégias de promoção à saúde com apoio a saúde mental desses profissionais, além do acolhimento efetivo a esses enfermeiros, tendo em vista que a enfermagem é o ato de cuidar.

Palavras-chave: Enfermagem; Saúde Mental; Unidades de Terapia Intensiva e Covid-19.

ABSTRACT

Introduction: The community infection of Covid-19, which started in December 2019 in the city of Wuhan, China, and announced as a pandemic by the World Health Organization in March 2020, affected not only the physical health of the population but also mental health , mainly from the professionals who acted in the face of this health emergency. The intensive care nurse, working on the front line, was one of the subjects whose life was directly affected by this problem. The need to face up to the fear of the unknown became the trigger for the emergence of numerous impacts on the lives of these health professionals. Objective: to describe what has been published scientifically about the impact of the Covid-19 pandemic on the mental health of intensive care nurses. Material and Method: This is an integrative literature review, carried out in October 2022, using the databases available in the Virtual Health Library, using Health Science Descriptors, crossing the Boolean operator AND, the following form: "Nursing AND Mental Health AND Intensive Care Units AND Covid-19". About 17 articles were found, after using the inclusion criteria: articles in Portuguese and English, in the period of the last 3 years. Then, after using the exclusion criteria, 1 study was removed. However, after reading the titles and abstracts, 8 articles were selected that covered the objective of the present study. Results and Discussion:

Covid-19 had a great impact on the mental health of intensive care nurses, being related to the daily conditions of their work, the fear of the unknown, the intensified journey, lower wages, exposure to a large number of deaths and the feeling of impotence in the face of these deaths, in addition to the fear of contracting the disease and infecting their family members. These problems triggered a state of psychological and physical tension that activated pathological behaviors, including anxiety and stress. The inability of professionals to deal with their own psychological demands increased the incidence of nurses diagnosed with recurrent Burnout Syndrome in the pandemic scenario to 74%. Conclusion: The exposure of intensive care professionals to Covid-19 leads to human and professional vulnerability due to fear, insecurities, worries and physical exhaustion. In view of this perspective, psycho-emotional interventions with health promotion strategies supporting the mental health of these professionals are essential, in addition to the effective reception of these nurses, considering that nursing is the act of caring.

Keywords: Nursing; Mental health; Intensive Care Units and Covid-19.

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INTRODUÇÃO

A infecção comunitária pelo novo coronavírus, denominado de SARS-CoV-2, teve seu início na cidade de Wuhan - capital da província de Hubei, região central da China - no mês de dezembro de 2019, quando casos de pneumonia atípica começaram a surgir. Alguns estudos presumem que os primeiros casos da doença COVID-19 tenham relação com um mercado atacadista de frutos do mar, onde os contaminados possuíam o hábito de ingerir alimentos. Cientistas acreditam que o vírus tenha sido transmitido primeiramente de animal para humano e somente posteriormente ocorreu a transmissão entre humanos (XAVIER et al., 2020).

Inicialmente, nas manifestações clínicas da doença, é frequente a apresentação de sinais e sintomas como dispnéia, tosse, febre e até mesmo mialgia (BEZERRA et al., 2020); na forma mais grave da doença ocorre uma tempestade inflamatória de citocinas, definida como uma resposta incontrolada do sistema imune provocada pelo novo coronavírus, desencadeando sérias alterações hematológicas e a ativação da cascata de coagulação (ALBUQUERQUE et al., 2021).

Com a descoberta desse novo agente etiológico, responsável pela COVID-19, os números de pacientes contaminados tomaram enormes proporções não somente no país de origem, a China, bem como em outros países. Dessa forma, em março do ano de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou como sendo uma pandemia a infecção pelo novo coronavírus. À vista disso, diversos governos adotaram medidas de contenção para prevenir e controlar a propagação do SARS- CoV-2, consequentemente, a propagação da doença também. Dentre essas medidas adotaram-se o isolamento e o distanciamento social (SOUZA et al., 2021).

Com o intuito de conter aglomerações, sendo colocado como distância mínima de um metro e meio entre duas pessoas e existindo o impedimento de eventos que poderiam reunir uma grande quantidade de indivíduos, foi imposto o que chama-se de distanciamento social. Já o isolamento social (IS) está relacionado a situações mais críticas, onde as pessoas são proibidas de saírem das suas residências com a finalidade de controlar a disseminação do vírus (PEREIRA, et al., 2020).

Apesar de terem sido adotadas tais medidas de prevenção, essas, não puderam ser obedecidas pelos profissionais que ocupam cargos nos serviços de saúde por serem considerados essenciais. Desse modo, como a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é composta por equipe multidisciplinar, diversos intensivistas

Referências

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