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Tip. e Ene. D o m i n g a de Oliveira Campo Mártires d» Pátria, 144-A - Porto
Telefone, 23412
U N I V E R S I D A D E D O P O R T O
AN UÁRI 0
C O O R D E N A D O POR
HHTûNio 1 a s É m m nui OE BRITO
L i c e n c i a d o em D i r e i t o e Secretário da Universidade
ANO ESCOLAR DE 1956-57
R E L A T Ó R I O (*)
Ao encetar-se, hoje, nova jornada no caminho da Univer- sidade do Porto, compete-nos, como de costume, fazer a resenha dos factos mais notáveis da jornada anterior, não nos limitando ao preceituado no Estatuto Universitário, porque se o fizéssemos apenas teríamos de reeditar considerações já feitas acerca do estado geral do ensino e das deficiências apontadas —a maior parte das quais não tiveram modificação benéfica—, nem isso daria ideia do que se tentou, dos esforços empreendidos para resolver tantos e tantos problemas e proporcionar à Univer- sidade, que não os descura, o cumprimento da missão superior que lhe incumbe. E, assim, ao delinear a breves traços o que foi o último ano escolar, intentar-se-á deixar ver o reflexo da fecunda vida científica e cultural que a anima e de que ela legi- timamente se ufana.
Profunda mágoa a nossa por de tudo não podermos dar conta directamente a Sua Ex.a o Ministro da Educação Nacional, mormente pela razão que determina a sua ausência. Deste lugar lhe renovamos a expressão das mais gratas e respeitosas home- nagens, com os votos fervorosos pelo seu pronto restabeleci- mento. Nem Sua Ex.a, nem o Senhor Subsecretário de Estado
— para quem vai também o testemunho do nosso respeito e admiração —, nos têm negado apoio e patrocínio, o que os torna credores da nossa gratidão, de ano para ano acrescida.
Justamente desvanecida, recorda a Universidade as duas visitas do Senhor Prof. Eng. Leite Pinto no decurso do ano lectivo
(*) Este relatório, como preceitua o § 1.° do artigo 90.° do Estatuto Universitário, foi lido na sessão solene de inauguração dos trabalhos escolares do ano lectivo de 1957-58, realizada a 16 de Outubro.
findo, e bem assim a do Senhor Dr. Baltazar Rebelo de Sousa, que teve ocasião de visitar o Hospital Escolar e os Lares Univer- sitários do Infante D. Henrique e de Nun'Alvares e se ocupou, especialmente, de assuntos pendentes que se relacionam com a reorganização dos quadros da Faculdade de Medicina.
Congratulou-se sinceramente a Universidade por alguns factos históricos de excepcional relevo que assinalaram a vida nacional no período a que este relatório respeita:
— A carinhosa recepção a Sua Magestade a Rainha Isabel II e seu marido, o Príncipe Filipe, por ocasião da visita a Portugal, cujo alto significado no momento actual foi bem compreendido pelo povo português, como expressão de uma política de entendi- mento cordial que se foi consolidando e robustecendo pelos séculos fora. Na passagem dos régios visitantes por esta cidade foi-lhes prestada impressionante homenagem de simpatia e res- peito, a que jubilosamente se associou a Universidade.
— A memorável visita do Senhor Presidente da República ao Brasil, coroada de extraordinário êxito, em particular quanto ao estreitamento dos tradicionais laços de amizade e fraterni- dade que ligam as duas nações e consagração da Comunidade Luso-Brasileira, viva realidade com fundas raízes na alma dos dois povos irmãos.
— O feliz desfecho do episódio da famosa «moção dos cinco» na Assembleia Oeral da Organização das Nações Unidas, que visava especialmente Portugal e suscitou pronta reacção do delegado do Brasil, que condenou a proposta e com elevação, orgulho e verdade enalteceu Portugal, recordando as suas tra- dições e a prestigiosa obra de civilização nos continentes africano, asiático e americano.
Não deixou a Universidade de lavrar também o seu protesto contra o agravo que nos foi feito na Comissão de Curadorias com aquela moção discriminativa, ofensiva da nossa dignidade moral e histórica — ofensa que a Assembleia Oeral do referido organismo, justamente, não ratificou —, como não deixou de definir a sua posição perante acontecimentos de projecção internacional que suscitaram indignada reacção da consciência do mundo livre: a invasão da Hungria por tropas soviéticas, o massacre de parte da população e a deportação
7 em massa da juventude magiar. E definiu-a, em primeiro lugar, pela voz dos seus estudantes e o franco aplauso das autoridades universitárias à vibrante manifestação de protesto daqueles contra as violências e barbaridades praticadas — que são do domínio público e reviveram, há pouco, na moção condenatória da União Soviética apresentada à Assembleia Oeral das Nações Unidas pelas delegações de 37 países, entre os quais Portugal—, bem como pelo patrocínio dado às generosas iniciativas acadé- micas— entre elas a récita promovida pelo Teatro Clássico Universitário —, tendentes a contribuir para minorar a sorte das vítimas de uma das maiores tragédias do nosso tempo.
Na sua primeira reunião do ano lectivo, o Senado Univer- sitário aprovou unanimemente uma moção em que declarava:
«associar-se ao movimento de solidariedade e simpatia pelo martirizado povo da Hungria, em luta heróica pela indepen- dência;—responder ao apelo que lhe foi dirigido, afirmando a sua solidariedade e apoio moral às Universidades húngaras neste momento doloroso da sua história; — condenar, com veemente repulsa, o emprego brutal da força e as atrocidades cometidas pelos invasores; — reiterar o incondicional apoio ao Governo da Nação nos seus esforços a favor da acção colectiva da Organização das Nações Unidas em defesa do povo húngaro, ao serviço da causa da paz e da liberdade no Mundo e do respeito pelos direitos essenciais da pessoa humana».
Finalmente, associou-se também a Universidade ao movi- mento de indignação e repulsa que, por parte da consciência do mundo civilizado e no campo humanitário, provocou a inaudita crueldade das chacinas na Argélia e a brutalidade com que foram cometidas.
Direcção das Faculdades de Farmácia e de Ciências.
Abrimos o relato da vida interna da Universidade pela evoca- ção de alguém que cerrou os olhos para a luz terrena, depois de ter dado, durante muitos anos, tanto da sua inteligência como do seu coração à Faculdade de Farmácia, de que foi professor ilustre e devotado Director, servindo-a com raro aprumo e inexcedível dignidade, o que lhe grangeara o respeito e a simpatia de todos, colegas e alunos: o Prof. Aníbal de
Amaral e Albuquerque. Ali iniciou suas funções docentes, como assistente, em 1918, ali obteve o grau de doutor em 1925.
Logo após a sua investidura no cargo de Director, em 1939, fundou os Anais da Faculdade de Farmácia, devendo-se-lhe ainda a fundação, no ano seguinte, da cantina que bons serviços tem prestado aos nossos escolares. O Instituto de Alta Cultura confiara-lhe a direcção do Centro de Estudos Farmacológicos anexo à Faculdade, bem como a presidência das Comissões Portuguesas organizadoras dos Congressos Luso- -Espanhóis de Farmácia realizados em Madrid, Porto e Santiago de Compostela, e ainda do próximo, a celebrar em Lisboa.
Dotado de grandes predicados, o que mais avultava no Prof. Albuquerque e parecia condensar a sua vida moral era a bondade, a par da rectidão, da nobreza, da simplicidade, da sinceridade do seu amor à Escola que lhe abrira as portas e durante largos anos dirigiu com prudência e acerto.
Era o único dos Directores das Faculdades desta Univer- sidade que à frente delas encontráramos, vai para 12 anos, ao tomar posse do cargo de Reitor, das mãos de um deles, como membro mais antigo do Senado e que já dorme também o sono eterno: o Prof. Tomás Dias.
Aqui deixamos gravadas estas singelas palavras de grati- dão e respeito, ao curvarmo-nos, reverente, perante a memória dos dois já desaparecidos, ao evocar os seus nomes com enternecida saudade, neste dia em que — faz precisamente um ano — ouvimos o Prof. Albuquerque, na sua Oração de Sapientia, discorrer sobre «Boticários e mezinhas nos primór- dios da Nacionalidade», e exalçar o progresso científico do Farmacêutico, sua permanente preocupação e objecto de me- ditação.
Dos outros Directores de então, com sincera mágoa vimos suspender a colaboração que eles nos prestaram no governo da Universidade — um, o Prof. António de Almeida Garrett, afastado, há pouco mais de três anos, por imposição legal do limite de idade para as funções docentes, o restante, o Prof. Augusto Hermenegildo de Queirós, no decorrer do último ano lectivo.
Respeitámos e acatámos a decisão deste ilustre Colega, porque avaliamos, por nós, o natural e legítimo desejo de, ao
9 cabo de largos anos de exercício, passar a outras mãos a res- ponsabilidade de cargos que não se pedem nem se apetecem, se aceitam por espírito de obediência e disciplina, e outra recompensa nos não reservam além da tranquilidade de cons- ciência que dá o dever cumprido e em que, muitas vezes, é preciso uma grande força de ânimo para não deixar esmorecer a fé optimista que nos deve alentar, ante o reconhecimento da inutilidade dos nossos esforços e do nosso sacrifício.
Em substituição do Prof. Queirós — a quem, mais uma vez, agradecemos a sua colaboração prestimosa —, e do sau- doso Prof. Albuquerque, dignou-se Sua Ex.a o Ministro nomear, respectivamente, os Profs. Arnaldo Madureira e Armando La- roze, a quem renovamos neste momento as mais gratas e afectuosas homenagens.
90.° Aniversário do Prof. Carlos Lima — Festejou a Uni- versidade o 90.° aniversário do Prof. Carlos Lima, dedicando- -lhe, o ano passado, o tradicional jantar da família universitária portuense, de que ele é o venerando patriarca, por todos que- rido, admirado e respeitado. Alguns de nós tivemos a honra de ser seus discípulos nos bancos da Escola Médica, mas os outros discípulos se podem considerar também, que do Mestre recebem a maior lição que um mestre pode dar: a do alto e constante exemplo da sua vida — e essa lição bem a sentimos e compreendemos todos.
Do mérito dos que ensinam ajuiza-se pelo valor e subs- tância das suas lições. De bom quilate as deu e continua a dar quem muito amou e ama a sua Escola e a procurou servir e honrar sempre com superior devoção e inexcedível aprumo, sobranceiro às paixões que dividem irremediavelmente os homens e comprometem o futuro das instituições que servem.
Foi-nos, então, dado sublinhar esse belo exemplo de virtude, de tolerância e de bondade, de amor e dedicação à sua Faculdade, de carinhoso interesse, nunca esmorecido com o rodar dos anos, pela vida dela e da Universidade, a que anda ligada grande parte da sua vida e da sua alma — modelo que se pode oferecer à inquieta curiosidade da Juventude nestes tempos em que anda tão perturbado e angustiado o espírito dos homens, neste mundo tão egoísta e desumano; e não só aos novos, mas
a quantos se empenham em ensinar e educar e tentam a reno- vação do ambiente universitário dá o Prof. Carlos Lima magní- fico exemplo e salutar incentivo, muito para louvar e agradecer.
Em 1936, no momento da sua jubilação, recebeu as mere- cidas homenagens dos seus colegas, amigos e admiradores.
Volvidos 20 anos e, como então, numa atmosfera de carinho e de simpatia, congregou-se de novo à sua volta a Universidade, não para lhe celebrar a velhice, mas para lhe reiterar o teste- munho da veneração que a todos nos impõe, da gratidão que todos lhe devemos e formular votos muito sinceros pela sua preciosa saúde e a continuação da mocidade de espírito e de coração que os anos respeitaram e fazem inveja a muitos dos que ainda se julgam jovens.
Novos catedráticos — Precedendo concurso de provas públicas, entraram no corpo catedrático da Faculdade de Me- dicina os Professores Francisco Manuel da Fonseca e Castro, Manuel Cerqueira Gomes, António José de Oliveira Ferraz Júnior, Francisco Alberto da Costa Pereira Viana e Manuel da Silva Pinto, e da Faculdade de Ciências o Prof. Arnaldo Deodato da Fonseca Roseira. A todos saúdo calorosamente e desejo as maiores felicidades no desempenho dos seus novos cargos. •
Prof. Alberto de Morais Cerveira — O Doutor Alberto de Morais Cerveira, Assistente da Faculdade de Engenharia foi aprovado, em concurso de provas públicas, para Professor catedrático da cadeira de Pesquisas e Explorações de Minas, do Instituto Superior Técnico. Num rasgo de invulgar apego e dedicação à sua Escola — que nos apraz salientar, com o mere- cido encómio—, o Doutor Morais Cerveira optou pelo lugar de Professor extraordinário do 4.° Grupo (Minas e Metalurgia) para o qual a Faculdade de Engenharia o propôs, ao abrigo do disposto no art.0 único do Decreto n.° 39251, proposta supe- riormente sancionada.
Prof, agregado Bártolo do Valle Pereira — Prestou as provas de habilitação ao título de Prof, agregado de Cirurgia da Faculdade de Medicina, o 1.° Assistente Dr. Bártolo do Valle Pereira, há pouco nomeado Professor extraordinário da Facudade de Medicina de Coimbra.
11 Por sua vez, os l.os Assistentes da Faculdade de Engenharia, Doutores Armando Campos e Matos e Joaquim Ribeiro Sarmento foram nomeados Inspectores Superiores das Obras Públicas e Comunicações, no Ministério do Ultramar.
Como se vê, continua a Universidade do Porto a ser alfobre de valores largamente aproveitados. Na última década, alguns dos seus elementos mais activos deixaram-na para irem enriquecer os corpos docentes doutras escolas e os quadros doutros serviços oficiais.
Como já tivemos ocasião de dizer algures, se por um lado tal facto deve constituir motivo de satisfação e orgulho, por outro não deixa de representar uma perda sensível para a Univer- sidade, que os preparou e acolheu no seu seio. Não deve, por- tanto, estranhar-se que mais uma vez deploremos o seu afasta- mento e as causas imediatas — e não dificilmente remediáveis, para alguns dos casos, como adiante se verá — que o deter- minaram.
Doutoramentos — Prestaram as provas de doutoramento em Medicina os Lic.0!i Manuel José Bragança Tender, João de Sousa Guedes Pereira Leite, José Aguiar Nogueira e Alme- rindo de Vasconcelos Lessa, cujas dissertações versaram, res- pectivamente, os seguintes temas: «Fibrilação ventricular»,
«Insuficiência cardíaca congestiva», «Apendicite crónica (Estudo de fisio-patologia neuro-vascular)», e «A individualidade bio- lógica do sangue».
«Estudo sobre a decomposição espontânea do ácido hipo- nitroso» foi o título da dissertação de doutoramento em Ciên- cias Físico-Químicas da Lic.a D. Maria Alzira Bessa Almoster, e v-Cydonia oblonga Mill (Contribuição para o estudo botânico, químico e farmacodinâmico da folha)» o da dissertação de douto- ramento em Farmácia do Lie.0 Joaquim António de Barros Polónia.
Em Engenharia Civil doutorou-se o Lie.0 Agostinho de Sousa Guedes Álvares Ribeiro, que defendeu a dissertação intitulada «Método de cálculo de barragens arco».
Todos foram aprovados e contratados para l.os Assistentes das respectivas Faculdades, com excepção do Doutor Almerindo Lessa, que não pertencia aos nossos quadros docentes.
1955-56 1956-57
714 804
828 ■ 882
457 474
255 261
200 287
Frequência. Regimes de estudos. Quadros de pessoal.—
Continua a registarse o aumento da população escolar, que se elevou este ano a 2.708 alunos, mais 254 do que no ano ante
rior e mais 406 do que em 195455. O aumento corresponde a todas as Faculdades, sendo mais pronunciado nas de Ciências (mais 90 alunos), de Economia (mais 87) e de Medicina (mais 54) do que nas de Engenharia (mais 17) e de Farmácia (mais 6), onde se manteve o habitual predomínio de estudantes do sexo feminino, embora menos acentuado (74 p. 100) do que em anos anteriores.
Alunos inscritos em
Faculdade de Ciências Faculdade de Medicina Faculdade de Engenharia Faculdade de Farmácia Faculdade de Economia
2.454 2.708 O número de estudantes —continua a verificarse —ultra
passa o correspondente às possibilidades da Universidade e constitui uma das causas das dificuldades com que se luta para uma razoável organização do ensino nas suas Escolas. Não haveria lugar para insistir nessas dificuldades, já repetidamente assinaladas, se elas não se agravassem, apesar de todos os esforços feitos no sentido de as remediar.
A tal respeito se pronunciou, nos seguintes termos, o novo Director da Faculdade de Farmácia:
«As escassas dotações da Faculdade, nomeadamente no que se refere a aquisições de utilização permanente, continuam a ser uma das grandes dificuldades para um ensino eficiente.
Este facto tornase tanto mais evidente quanto é verdade que, enquanto neste curso universitário os alunos não têm a pos
sibilidade de se exercitarem convenientemente em certas técnicas modernas, particularmente de Química e FísicoQuímica, lá fora, nos laboratórios para que são chamados a trabalhar, os nossos licenciados vão encontrar aparelhos e técnicas que desco
nhecem. E necessário, para a eficácia do ensino e para prestígio da Universidade, que saibamos acompanhar devidamente os
13 grandes progressos que a indústria e as organizações oficiais estão a sofrer nos campos das técnicas, nesses variadíssimos laboratórios onde cada vez são mais necessários farmacêuticos com uma formação profissional adequada.
«Não há necessidade de expor as razões por que, de acordo com os anteriores relatórios, se indica novamente a necessidade imperiosa do alargamento dos quadros de pessoal auxiliar.
Basta repetir o que várias vezes foi exposto: que para 11 labo- ratórios a Faculdade dispõe de 3 contínuos e que, quanto a preparadores, tão necessários num curso desta ordem, em que os trabalhos de laboratório têm, uma importância fundamental há, actualmente, apenas 2 preparadores.
«É fácil calcular a sobrecarga que estas deficiências cons- tituem para os assistentes a quem se obriga e solicita, além de trabalhos didácticos intensos, a realização de trabalhos de investigação. Na Faculdade de Farmácia, trabalhos deste género são executados numa proporção que não é demais salientar, mas é de toda a justiça não só louvar tal esforço como procurar conseguir as condições necessárias para que essas boas vontades sejam estimuladas e aproveitadas.
«Eis algumas das dificiências que mais nos afligem e difi- cultam um ensino adequado, mas devo dizer que, observando em conjunto tudo aquilo que nos parece- faltar ou se encontra desactualizado, desde a capacidade do edifício, a orientação do ensino, os graves inconvenientes, que a prática demonstrou, da dualidade do curso criado pelo Decreto n.° 21 853 e muitos outros factos que poderiam estar certos e se justificavam há anos, quando a frequência dos alunos era muito menor e as neces- sidades da cultura do farmacêutico mais limitadas, actualmente está a tornar-se premente e cada vez mais necessário que se estude e realize uma reforma do ensino que resolva rapida- mente problemas que tanto interessam aos progressos cientí- ficos do Farmacêutico e às necessidades económicas na Nação».
Também o Senhor Director da Faculdade de Ciências alude, no seu Relatório, ao aumento desproporcionado da frequência nalgumas cadeiras dos cursos ali professados —
Matemáticas Gerais (545 alunos), Cálculo Infinitesimal (205),
Geometria Descritiva (231), Curso Geral de Química (282), e Curso Geral de Física (255) — e comenta:
«Assim, a cadeira de Matemáticas Gerais, na qual é de prever que o número de alunos no próximo ano lectivo atinja as seis centenas, tem de ser desdobrada em 6 turmas para aulas teóricas e 12 turmas de 50 alunos para aulas práticas.
Quer dizer, só esta cadeira ocuparia mais pessoal docente do que o exigido há 30 anos para as regências de todas as ca- deiras do 1.° grupo da 1." secção. E é preciso notar que o quadro do pessoal não sofreu alteração.
«O resultado é este: professores com o número máximo de acumulações, por vezes excedendo o limite de vencimentos, e assistentes com 4 e mais regências teóricas, o que não parece admissível.
«Outro facto que não posso deixar de apontar é o de as salas de aulas práticas de Matemáticas, que são 3, terem capacidade, respectivamente, para 30, 36 e 40 alunos, e as turmas, por lei, serem de 50 alunos e mais! É uma situação que não pode continuar sem grandes inconvenientes para o ensino.
«Reconhecendo-se que a grande acumulação de alunos nas cadeiras referidas é devida em parte à existência de muitos alunos repetentes, todos os inconvenientes apontados desapa- receriam se: 1.° — Os alunos que tiverem obtido frequência numa cadeira e não tiverem sido aprovados no exame final forem dispenados de a frequentar novamente, critério, de resto, já aplicado aos alunos a quem falta apenas uma cadeira para se inscreverem no ano seguinte. 2.° — For reduzido o número de alunos nas turmas de trabalhos práticos, limitado pelo menos à capacidade das salas ou dos laboratórios. Note-se que, desta maneira, os alunos podiam ser acompanhados e orientados pelos assistentes e professores com mais eficiência e, portanto, nada tinha de estranha a proposta anterior, pois a frequência teria um valor maior do que actualmente.
«No que diz respeito a Matemáticas Gerais e Cálculo Infinitesimal, verifica-se que a frequência da Faculdade de Economia justifica plenamente a criação, nessa Faculdade, daquelas cadeiras, aliviando assim a Faculdade de Ciências, com benefício para o ensino».
Quanto a exames de frequência, assim se pronuncia:
«A experiência tem demonstrado que os exames de frequência são uma causa de perturbação do ensino, provocando a falta de assistência dos alunos às aulas, logo que aqueles exames se aproximam. Pode afirmar-se, sem receio de desmentido, que a frequência regular às aulas, na maior parte das cadeiras, só se verifica até Janeiro.
«A Faculdade de Ciências julga, por isso, conveniente suprimir esses exames, que são absolutamente desnecessários para o conhecimento do aproveitamento dos alunos, pois esse conhecimento será muito mais perfeito através dos trabalhos práticos se eles forem realizados nas condições acima referidas, em que os assistentes e professores estão em contacto directo com os alunos durante todo o ano lectivo.»
Tem-se procurado atenuar as causas de deficiências do nosso ensino, melhorando a organização em alguns sectores, nomeadamente o de Medicina e o de Engenharia; melhorou-se sensivelmente a difícil situação económica do professorado, mas a falta de recursos financeiros — outra causa essencial — não tem permitido levar a cabo a tarefa. Continua a popula- ção escolar em discordância corn os quadros docentes, mal cujas consequências todos sofrem, alunos e mestres; continua o deficiente equipamento das escolas, a insuficiência de pessoal técnico e auxiliar, por vezes com uma disparidade impressio- nante em serviços similares dos três centros universitários por exemplo, o nosso Instituto de Zoologia tem apenas 6 fun- cionários e o de Coimbra 8, quando o de Lisboa conta 32, com verba orçamental global de 1.060 contos, para 354 contos, de que o primeiro dispõe. Na Faculdade de Medicina a des- proporção é ainda mais flagrante.
A última tabela orçamental incluiu verbas para contratar mais 6 assistentes e um ajudante de preparador para esta Faculdade, e de mais um preparador para a de Farmácia, mas está-se ainda longe do indispensável.
Pediram-se, oportunamente, reforços de verbas para vá- rios serviços das Faculdades, entre os quais o Observatório Astronómico, cujo funcionamento tem sido seriamente preju- dicado pela escassez de pessoal e de dotações para material.
Como acima se diz, tentou-se melhorar o ensino médico e o de Engenharia, mas não houve o correspondente aumento de quadros e de dotações, como se custasse a reconhecer-se a importância crescente que para o ensino científico e técnico têm os trabalhos individuais e a absoluta necessidade de uma preparação adaptada ao ritmo de desenvolvimento da vida industrial e económica, problema cuja acuidade se frisa a cada momento, numa preocupação, cada vez maior, de lhe encon- trar solução.
Por isso recebeu-se com justificado regozijo a inclusão, no Orçamento Geral do Estado para 1957, de uma importante verba especialmente destinada ao «reapetrechamento das escolas e Universidades» em material didáctico e de laboratório, para
«início de um plano que, tendo em consideração simultanea- mente a evolução demográfica, as novas necessidades escolares e a reforma do ensino, se espera resolva não só deficiências instantes... mas que resolva também os problemas levantados pelo nosso condicionalismo cultural e cujas implicações no campo económico se referiram...» —por conseguinte, para ser seguida de verbas semelhantes nos próximos anos.
Esta providência governativa deve ser apontada como uma das que mais profunda repercussão podem ter na formação de investigadores e na elevação do nosso nível técnico em geral. Renasce agora a esperança de que em breve se possam actualizar e completar as instalações laboratoriais dos vários serviços.
Mais uma prova do carinhoso interesse que ao ilustre Ministro da Educação Nacional têm merecido os problemas do ensino em seus múltiplos aspectos, com a rasgada e ampla visão de quem a fundo os conhece e para eles busca adequadas soluções, nem sempre devidamente compreendidas.
A seu tempo se deu o merecido relevo à importância das reformas do ensino nas Faculdades de Medicina e de Engenha- ria, as quais tiveram, entre outros, o mérito inegável de não deixarem de obedecer ao imperativo de uma preocupação por toda a parte dominante: o equilíbrio a estabelecer entre a espe- cialização e a cultura geral, para evitar a especialização exces- siva, a desumanização da ciência, procurando-se dar à juventude universitária uma formação intelectual mais equilibrada do que
17 a proporcionada até aqui, de modo a que não lhe falte a noção da interdependência das várias manifestações do pensamento e o sentido da unidade essencial do saber.
Não deixaria, na verdade, de ser estranho — como alguém, recentemente, fazia notar —que «numa época em que a ciência e as ideias científicas desempenham papel tão preponderante, se possa sair das Universidades para ocupar postos de respon- sabilidade nos negócios e na vida pública sem fazer a menor ideia do que é o pensamento científico, nem da sua evolução».
Este perigo do divórcio entre o homem de ciência e o humanista não pode deixar de preocupar quem tem a responsa- bilidade da direcção duma Universidade que continua sem uma Faculdade de Letras ou de Humanidades, como as tinham e têm os próprios grandes institutos de tecnologia norte-americanos.
Isso nos leva a não regatear louvores a quanto se faça para conjurar o perigo, e a recordar a velha aspiração do restabele- cimento daquela escola ou, pelo menos, da conversão da nossa Faculdade de Ciências em uma Faculdade de Ciências e Humanidades.
E, repetimos, preocupação geral, de mestres e alunos, que pode ser tida como índice de dignidade da geração actual.
Ainda há pouco, no «IV Congresso dos Estudantes Alemães», reunido em Hamburgo em Maio de 1956, a propósito da cultura geral — «um dos meios de conservar o carácter humano na convivência social», no dizer do nosso Ministro Leite Pinto — a nota dominante se pode resumir nestes termos: «Queremos estudar, queremos adquirir, para além das matérias da nossa especialidade, uma ampla cultura geral e não ser puros «espe- cialistas». E, entre os temas já designados para a próxima
«Conferência Geral da Associação Internacional das Univer- sidades», no México, em 1960, lá se encontra o «Diálogo das ciências e das humanidades no ensino superior», entre
«A Universidade e a formação dos quadros da vida pública»
e «O crescimento da população estudantil».
Por tudo quanto se tem dito e redito, não se terá por despropositada a insistência e a repetida referência ao acerto daquelas reformas.
Mas não basta criar novas cadeiras e fornecer às Univer- sidades material moderno —é preciso ampliar os quadros, que
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em muitos casos comportam quase o mesmo pessoal que há dezenas de anos, quando a frequência estava muito longe de ser a que é hoje. Daí, a dificuldade em que as nossas Escolas se vêem quanto às possibilidades de prepararem devidamente tão grande número de alunos, com a agravante, para as Facul- dades de Medicina e de Engenharia, de as reformas terem aumentado o número de disciplinas, sem que, até agora, tenham sido acrescidos os meios de assegurar devidamente o ensino.
E, por isso, com a natural, mas transitória, perturbação decor- rente da integração dos estudantes das antigas reformas nos actuais planos de estudo, a situação mais se agravou naquelas Faculdades, na primeira por não haver salas com capacidade suficiente para todos os alunos, em ambas pela dificuldade, mais séria, de organização do ensino prático.
Recortamos do relatório do Senhor Director da Faculdade de Medicina:
«Na realidade, não só as instalações da Faculdade e dos Serviços clínicos hospitalares não comportam o grande número de alunos actualmente inscritos como também o quadro de assistentes e professores se mostra insuficiente para o ensino teórico e prático de 20 cadeiras e 17 cursos. O Conselho Escolar, com plena consciência de que não é possível manter, com o actual quadro de pessoal docente e técnico, o funciona- mento regular de todos os Serviços, expôs superiormente, em 11 de Agosto de 1956, a necessidade imperiosa da sua ampliação.
«Merece relevo especial a «ordem de serviço» de Sua Excelência o Ministro da Educação Nacional relativa à organi- zação do serviço de exames na época de Outubro e que foi recebida com a maior satisfação pelo Conselho Escolar, que deliberou fazer estes exames de 1 a 19 de Outubro, para que as aulas teóricas possam iniciar-se no dia 21, isto é, apenas 5 dias depois da sessão solene de inauguração dos trabalhos escolares do próximo ano lectivo. Seriam igualmente bem recebidas determinações similares para a época de Junho-Julho, especialmente de 10 de Junho a 25 de Julho, período de tempo a destinar exclusivamente ao serviço de exames.
«Igualmente tem de salientar-se a atribuição da verba de 30.000 contos para reapetrechamento das escolas superiores e secundárias, da qual de certo virá a beneficiar esta Faculdade.
19 Mercê de circunstâncias variadas, designadamente o excessivo número de alunos inscritos no curso médico e a exiguidade das verbas habitualmente consignadas no Orçamento com des- tino à aquisição de material de utilização permanente, todos os serviços laboratoriais estão quase desprovidos de material de ensino indispensável e têm muita dificuldade em realizar tra- balhos de investigação científica. Pensou-se ou, pelo menos, havia a esperança de que o apetrechamento condigno das novas instalações, no grandioso edifício para onde será transfe- rida a Faculdade, antecederia a mudança, exactamente como aconteceu em Lisboa e ainda muito recentemente se verificou em Coimbra. Sabe-se agora que a verba disponível para este efeito — 2.500 contos — mal cobre a quarta parte das necessi- dades, e a Direcção da Faculdade já foi notificada pela Comis- são Administrativa dos Novos Edifícios Universitários de que seria indispensável reduzir os pedidos formulados pelos dife- rentes directores dos Serviços, de modo a não ser excedida aquela importância.»
Nestas condições, insiste-se na difícil situação da Facul- dade relativamente às suas congéneres de Lisboa e de Coimbra e no sentido de ser aprovado o projecto de orçamento para 1958, mormente no que respeita ao pedido de 1.000 contos para reapetrechamento.
Para a Faculdade de Engenharia confirmaram-se os resul- tados benéficos da reforma de 1955, pela remodelação e actua- lização a que deu lugar nos planos dos diversos Cursos. «Mas
— nota o Senhor Director no seu relatório anual — acentua- ram-se também as dificuldades que originou, a acrescentar às que a Faculdade já encontrava, com o seu quadro, as suas ins- talações e o seu equipamento inadequados, para fazer face ao número crescente de alunos e às exigências cada vez maiores que a realidade do progresso industrial do País impõe quanto à preparação dos engenheiros portugueses. Só a publicação, indispensável, das disposições complementares da reforma res- peitantes aos pontos acima referidos pode reduzir essas dificul- dades a proporções aceitáveis. E, em particular, é urgente que se tomem as providências de pormenor necessárias para permitir o preenchimento das vagas do quadro docente no mesmo ritmo em que se vão produzindo».
As graves consequências que advirão do adiamento da solução deste problema estão patentes: o ano escolar termi- nava com a iminência de a Faculdade perder alguns dos seus melhores valores: três l.os Assistentes, do quadro, com brilhantes folhas de serviços, teriam possivelmente de deixá-la para ocupar melhores situações. Se o caso de um deles se resolveu favo- ravelmente para a Faculdade, os restantes tiveram o desfecho que se antevia. Como frisa o Senhor Director: «o facto é tanto mais grave quanto é certo que continuam por preencher cinco vagas de Professor catedrático e outras cinco de Professor extraordinário, existentes no quadro da Faculdade, sendo duas das últimas nos grupos a que pertencem os referidos Assistentes, o que confirma que as disposições do Regulamento publicado em 1935 referentes ao acesso ao quadro já não são apropria- das, por não se conjugarem com outras disposições publicadas posteriormente sobre a mesma matéria. Acentue-se em parti- cular que, contrariamente ao que acontecia antes da publicação do Decreto-Lei n.° 31 658, de 21 de Novembro de 1941, ninguém pode hoje chegar a Professor extraordinário sem apresentar e defender duas dissertações, uma de doutoramento, outra de concurso; pois as disposições que permitiam a apresentação a concurso para Professor extraordinário dos Assistentes recon- duzidos (art.0 44.°, alínea c, da Carta Orgânica, e art." 111.0, alínea c, do Regulamento da Faculdade), ficaram sem efeito devido a, nos termos daquele Decreto-Lei, todos os Assisten- tes terem passado à situação de contratados. Sabidos o tempo que demora a elaboração duma dissertação e a despesa a que dá lugar, compreende-se que tal facto — sem vantagem real como meio de solução, pois trata-se de simples duplicação duma prova — cause atrasos incomportáveis no preenchimento das vagas de Professor extraordinário, mesmo quando há candidatos em condições de concorrer; como consequência, atrasa-se também o preenchimento das vagas de Professor catedrático e favorece-se o afastamento para outras activida- des, com manifesto prejuízo para o ensino, de l.os Assistentes de valor, que se manteriam na Faculdade se tivessem acesso mais fácil aos lugares de Professor».
No sentido de se providenciar para pôr termo a uma situação que é muito grave para o futuro da Faculdade, repre-
21 sentou superiormente o Conselho Escolar, invocando, além do que fica dito, a disparidade em relação ao Instituto Superior Técnico —onde podem concorrer a Professor catedrático can- didatos que fizeram apenas o «exame final do curso», assim como os l.os Assistentes do Instituto, que não fizeram nenhuma dissertação, podem apresentar-se na Faculdade a concurso para Professor e ascenderem a catedrático só com uma dissertação, ao contrário dos que fizeram pela Faculdade toda a sua car- reira—e ao estatuído para a nossa Faculdade de Medicina, em que uma disposição regulamentar dispensa os candidatos dou- torados da apresentação de nova dissertação no concurso para Professor extraordinário.
Como solução do problema, e uma vez que não está para breve o novo Estatuto Universitário, sugere a Faculdade de Engenharia a publicação da disposição constante dos projectos de regulamentos que a Faculdade e o Instituto Superior Técnico apresentaram à Comissão encarregada de estudar a reforma dos cursos de Engenharia (§ único do Art.0 36.° dos dois projec- tos), a qual permite ao júri dispensar a defesa de dissertação aos candidatos a Professor extraordinário que tenham anterior- mente prestado, com aprovação em mérito absoluto, provas de concurso, agregação, doutoramento ou equivalentes, de que faça parte a discussão de uma dissertação.
Desnecessário se torna acentuar o que tem de razoável e justa tal pretensão, que por certo não deixará de ser atendida e generalizada às demais Faculdades.
Não será, por conseguinte, tida também por impertinente nova alusão ao recrutamento do pessoal científico universitá- rio, não só de Professores, mas ainda dos Assistentes e Chefes de serviço, cujo número tem de ser aumentado se se quiser que os estudantes recebam a preparação adaptada às exigências da ciência moderna. É forçoso acompanhar o movimento de desenvolvimento científico e técnico do ensino que se desenha lá fora, onde esse aumento é progressivo e progressivamente se faz baixar o número médio de alunos por professor, e a formação de engenheiros, técnicos e investigadores tem a pri- mazia das preocupações dos respectivos governos, que não querem ver os seus países numa subalternidade técnica e política em relação a outros.
Tem-se registado nos últimos anos certa melhoria nas dotações do ensino superior, mas elas continuam muito aquém das necessidades, como nos outros departamentos de ensino, e outra coisa não se pode esperar de um orçamento exíguo como o do Ministério da Educação (ainda há pouco, 11 p. 100 das despesas do Estado). Parece esquecer-se ou ignorar-se o que todos devem saber: «que o dinheiro gasto no ensino é semente abençoada lançada à terra, que amanhã será seara abundante e dourada» (Agostinho de Campos).
Evidentemente, a educação e formação dos jovens exigem sacrifícios —sacrifícios de quem a eles se consagra, um espírito elevado e, naturalmente, muito dinheiro. É uma absoluta ne- cessidade a modernização do ensino e sua adaptação a um mundo novo, profundamente transformado pelas descobertas científicas; para isso há que reforçar as dotações se quisermos ter os operários, os técnicos e os cientistas necessários à defesa da economia nacional, aumentar as verbas para laboratórios, a permitir o desenvolvimento da investigação científica no mo- mento em que se pretende lançar os fundamentos de mais intensiva industrialização para melhor aproveitamento dos recursos do País.
Instalações universitárias — Tem continuado a merecer às entidades competentes especial atenção o problema das instala- ções universitárias e cuja resolução é de capital importância para a vida da Universidade portuense. Assim o compreenderam os Senhores Ministros da Educação Nacional e das Obras Públicas, que dispensaram benévolo acolhimento às solicitações e suges- tões da Reitoria, pelo que lhes renovamos a expressão de reco- nhecido agradecimento. O estudo da questão não chegou ainda à sua fase decisiva, mas julga-se conveniente deixar arquivadas neste relatório as informações oportunamente prestadas; seja qual for a solução que venha a ser adoptada, convém conhecê- -las, bem como os termos em que ela foi posta e considerada.
Com efeito, para o desenvolvimento das referidas instala- ções duas soluções se poderiam oferecer:
1) A solução ideal, mas certamente irrealizável num futuro próximo — construção da «Cidade Universitária» na área da Asprela, onde está a concluir-se o Hospital Escolar.
23
Ao primeiro relance, ser-se-ia tentado a optar por ela, dadas as conhecidas razões que orientam as modernas tendências em matéria de organização universitária. Todavia, um exame atento da situação presente levou a tornar aconselhável a
2) Solução que implicava o aproveitamento e ampliação dos actuais edifícios e dependências universitárias, procurando fazê-lo sem quebra da unidade que tem de dominar um plano de conjunto de instalação duma «Universidade».
Com efeito, neste ponto, a realidade é, no Porto, diversa da de Lisboa ou Coimbra, pois há um bom edifício central para a Faculdade de Ciências — onde têm a sede, reconhecidamente precária, sem a dignidade e desafogo compatíveis com a sua alta e complexa função, a Reitoria e os serviços gerais da Universidade, e transitoriamente se alojou arecém-criada Facul- dade de Economia—, e três edifícios já construídos ou con- cluídos pelo Estado Novo :
a) o da Faculdade de Farmácia, insuficiente, é certo, para as actuais condições do ensino, mas susceptível de melho- ramento;
b) o da Faculdade de Engenharia, também carecido de expansão, mas cujas necessidades mais prementes se resolve- riam com a anexação do antigo Liceu Feminino;
c) o da actual Faculdade de Medicina que, depois de transferida para a Asprela, cederá o seu lugar à Faculdade de Economia, que ali ficará a funcionar juntamente com o Centro de Estudos Humanísticos, o Centro de Estudos de Etnologia Peninsular — cujo progressivo desenvolvimento exige instala- ções adequadas —e as instituições estrangeiras junto da Univer- sidade: Sala de Cultura Francesa, Sala de Cultura Italiana e Sala de Cultura Brasileira —aos quais se vem juntar o Instituto Ale- mão, cuja criação foi já decidida pelo Governo da República Federal da Alemanha.
Inicialmente —e sempre com a preocupação de uma orga- nização pouco dispendiosa, amoldada à modéstia dos nossos recursos e, por isso, fácil e rapidamente exequível—, conside- rara-se a possibilidade de ali também alojar os organismos circum-escolares (Orfeão, Teatro Clássico, Tuna e Centro Universitários) e nesse sentido se delineara o respectivo ante- -projecto de adaptação. Tratava-se, claro está, de uma instala-
ção modesta e acanhada, mas bem melhor do que aquelas, praticamente inexistentes, de que hoje dispõem as primeiras agremiações estudantis.
Além destes prédios, conta a Universidade com o da antiga Quinta do Campo Alegre, adquirida para a Universidade quando não se tinham posto problemas da natureza dos que hoje se debatem. Ali estão, bem instalados, o Instituto e Jardim Botânicos e se iniciou a construção do Estádio Universitário, paralizada há perto de três anos até decisão definitiva acerca do plano de urbanização decorrente da implantação da nova ponte da Arrábida e suas vias de acesso.
O vasto plano de melhoramentos recentemente aprovado pelo Governo — notável pelo que importa à salubridade, à higiene e ao progresso da cidade —, prevê a urbanização da zona do Campo Alegre e a satisfação das legítimas aspirações da Universidade de ver compensado o sacrifício de uma parcela do Jardim Botânico e do Estádio Universitário, necessária para a grande artéria de ligação à ponte da Arrábida e demais tra- balhos rodoviários dela derivados. Dentro dessa orientação, a Câmara Municipal entregaria ao Estado a Quinta do Bur- mester, vizinha daqueles serviços universitários, e ainda uma importante área adjacente para as Residências de estudantes e ampliação do seu parque desportivo.
Tal concessão e seu aproveitamento pela Universidade — a fazer, aliás, em termos um pouco diversos das proporções estabelecidas, para a compensação das perdas sofridas pelo Jardim Botânico e o Estádio, no ante-projecto presente à Rei- toria por deferência do Senhor Ministro das Obras Públicas-, permitiriam encarar com mais optimismo o plano geral traçado, pois que uma vez ampliada a área reservada para a Universi- dade, seria possível considerar, no actual núcleo universitário do Campo Alegre e em relativa proximidade dos edifícios escolares, a instalação do novo Museu de História Natural (a compreender os que hoje ocupam extensa porção da Facul- dade de Ciências), dos campos de desporto, da Residência de estudantes (corpo central e dois ou três pavilhões residenciais) e dos organismos circum-escolares — integrados num conjunto que em grande parte proporcionaria a unidade requerida e remediaria a impressionante e inegável dispersão actual das
25 instalações universitárias da capital do Norte, fonte de indecisão a respeito da solução a dar ao problema.
Assim agrupadas as dependências de interesse académico e de convívio entre os escolares das várias Faculdades e asse- gurada mais fácil e rápida comunicação pela execução do plano de urbanização já esboçado, ver-se-ia compensada em boa parte a desvantagem do afastamento das Escolas, mesmo daquela, a única, que ficará realmente muito distante deste principal sector — a Faculdade de Medicina — a exigir uma ou mais Resi- dências de estudantes com localização apropriada na Asprela.
As restantes ocupam todas o que se pode considerar a zona central da cidade e não muito longe umas das outras.
Seria tecnicamente exequível o plano proposto — quer dizer, poder-se-ia contar com uma área suficientemente extensa no Campo Alegre e conciliar o ponto de vista da Universidade com as exigências urbanísticas daquela zona, que ficará sendo uma das mais importantes da cidade e, por conseguinte, inte- grá-los num plano de conjunto ?
Não competia, evidentemente, à Reitoria pronunciar-se neste domínio. Entretanto, partindo do princípio de que a conciliação não seja impossível, completou o seu pensamento a respeito de alguns aspectos focados no esclarecido despacho de Sua Ex.a o Ministro :
1) Na adaptação do edifício da Faculdade de Medicina apenas haveria que eliminar, do esboço de plano há tempo gizado pela Direcção dos Edifícios Nacionais do Norte com o pleno acordo da Reitoria, a parte relativa aos organismos cir- cum-escolares, que terão seu lugar mais amplo e adequado no Campo Alegre, e a consentir mais desafogada instalação dos Centros de Estudos e das instituições culturais estrangeiras anexas à Universidade.
2) A saída — julgada absolutamente indispensável — dos Museus do edifício da Faculdade de Ciências permitiria instalar condignamente a Reitoria no 2.° pavimento e a Secretaria Geral no piso inferior, passando a ocupar, com diminutas obras de adaptação, as dependências da actual Faculdade de Economia e'fa^area libertada com a transferência dos Museus os serviços afectados pela referida expansão, designadamente as secções de Matemática, Física e Química.
3) A ampliação da Faculdade de Engenharia à custa do edifício do antigo Liceu Feminino satisfaria as suas necessi- dades mais urgentes, quer demolindo-o e erguendo em seu lugar um novo pavilhão, quer renovando a parte que virá a ser poupada pelo projectado troço intra-urbano da «Via Norte».
Em suma: embora reconhecendo a manifesta superiori- dade e incontestáveis vantagens da constituição duma «Cidade Universitária» na Asprela —a verificar-se porventura num futuro longínquo —, julgavam, também a Reitoria e o Senado, nas circunstâncias actuais, mais aconselhável a solução que envolve o aproveitamento e ampliação dos edifícios universitários exis- tentes e o desenvolvimento do núcleo do Campo Alegre, onde deveriam construir-se o edifício para os Museus de História Natural, Residências de estudantes e Organismos circum-escola- res, segundo um plano de conjunto, em coordenação com o Instituto Botânico e o Estádio Universitário, já começado, e de harmonia com o plano de urbanização em estudo.
Esta solução, adoptada como recurso, só era, evidente- mente, aceitável se houvesse possibilidade de assegurar a reserva de área suficiente para tais construções e o necessário desen- volvimento das instalações desportivas — do contrário mais valia pôr de parte a ideia e deslocar, desde já, para a Asprela o centro de organização universitária e lançar decisivamente as bases da futura Cidade Universitária do Porto.
Dignou-se Sua Ex.a o Ministro das Obras Públicas concor- dar com a prioridade de consideração para o desenvolvimento dos serviços em torno dos núcleos universitários existentes, fazendo acompanhar o seu despacho de um esquema geral e de seriação gradual das diversas fases, que suscitou nova infor- mação da Reitoria, a insistir pela integração, desde o primeiro momento, das dependências para os organismos circum-escola- res no conjunto que em grande parte deveria proporcionar a unidade exigida em matéria de vida universitária e neutra- lizar, de certo modo, a dispersão que tem constituído o principal escolho na solução do problema para a Universidade do Norte.
No actual edifício da Faculdade de Medicina deixar-se-ia apenas uma ampla cantina para alunos das diversas Faculdades (excepto a de Medicina), os quais não teriam de se deslocar ao Campo Alegre para a refeição do meio dia.
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Registou-se com satisfação o proprósito de transferir os Museus da Faculdade de Ciências (de Zoologia, Antropologia e Mineralogia) e seus anexos para um edifício próprio. Sem esta transferência não valeria a pena tentar a ampliação das actuais instalações da Reitoria.
Ficou-se aguardando o resultado do estudo que o Senhor Ministro houve por bem ordenar, com vista ao apuramento da exequibilidade do plano delineado, à Comissão Administrativa dos Novos Edifícios Universitários, junto da qual passou a representar a Universidade o Prof. Antão de Almeida Garrett.
Entretanto, voltando a ponderar as deficiências da sua actual instalação e a premente necessidade de ampliar consi- deravelmente os seus laboratórios — agora que se vai estabele- cer o plano para reequipamento das Universidades em material laboratorial — o Conselho da Faculdade de Engenharia, em sua sessão de 5 de Dezembro, foi de opinião de que «já não é possível à Faculdade contentar-se, durante os anos mais próxi- mos, como em tempo se pensara, com o rés-do-chão do edifício do antigo Liceu Feminino, cuja anexação às instalações da Fa- culdade tem sido pedida repetidas vezes. Será necessária a entrega de todo o terreno do referido Liceu poupado pela rua que nele se projecta abrir, e a remodelação total do edifício e sua substituição por outro maior e mais apropriado, como única possibilidade de a Faculdade permanecer, por mais alguns anos, sem grave prejuízo para a eficiência e progresso do en- sino que ministra, na actual localização».
O antigo edifício do Liceu Feminino de Carolina Michaëlis foi cedido à Universidade para esta Faculdade e as obras de ampliação do Laboratório de Hidráulica vão já adiantadas, tendo beneficiado do concurso generoso de diversas entidades particulares, a que adiante se fará referência.
No desempenho da missão de que fora incumbido, o Prof.
Almeida Garrett, autor do Plano Regulador da Cidade do Porto, superiormente aprovado, frisa:
«1.° A dispersão actual das instalações universitárias, que_
se amplia com o programa das novas instalações, co aquele plano: a) porque estabelecia na Asprela alguma.
novas Faculdades (Medicina, Engenharia e Ciência colocar mal os Museus de História Natural, que devi
1ÃCÚLDÃDE Di C1ÏNCIAS O ,
posição central, para corrente utilização de alunos e curiosos e que, por tal motivo, deviam permanecer no actual edifício da Universidade.
«2.° A organização de um nó importantíssimo de comu- nicações rápidas no Campo Alegre, à saída da Ponte da Arrá- bida, estrangulou o espaço destinado ao Centro Desportivo Universitário, reduziu o Jardim Botânico e deu a esse local características de movimento e ruído incompatíveis com as utilizações universitárias para aí previstas, incluindo as resi- dências, onde é indispensável sossego para o estudo e descanso.
«3.° O volume das construções novas e das ampliações — que, possivelmente, não serão projectadas tendo em vista as necessidades futuras, para as quais não pode ficar espaço dis- ponível, já escasso para as que agora se projectam —, é de tal ordem que 20 a 30.000 contos se gastarão sem apreciável van- tagem escolar e pequeníssimo reflexo político, pois que toda a obra fraccionada e dispersa não poderá constituir padrão que testemunhe este período de ressurgimento pátrio em que vive- mos, como tanto convirá, em inteira justiça, pôr em evidência à nossa Mocidade».
E termina por concluir que o problema merece ser revisto, encarando-o nos seus novos condicionamentos. Neste mo- mento, aguarda-se a decisão superior sobre o assunto.
Lares Universitários — Continua a Reitoria a olhar com especial interesse e carinho a obra dos Lares, iniciada com o objectivo de assegurar o alojamento dos estudantes arredados do ambiente familiar e, pouco a pouco, orientada no sentido da acção educativa e .formativa geral que à Universidade in- cumbe em seus variados aspectos.
Com a abertura dos trabalhos do último ano escolar coinci- diu a inauguração do Lar Universitário de Nun'Alvares, que teve a assistência dos Senhores Ministro da Educação Nacional e Director-Oeral do Ensino Superior, completando-se nos meses seguintes a sua instalação.
A Congregação de S. José de Cluny concluiu, com a com- participação do Estado, a construção do edifício para o Lar Universitário do mesmo nome, o único até agora instalado em casa própria, expressamente construída. Todos os outros se
20 encontram, por enquanto, em casas adaptadas, com os defeitos naturalmente derivados da adaptação, que se tem procurado corrigir na medida do possível. Com esse fim se levaram a cabo as obras no Lar do Infante D. Henrique, em cuja cantina se concentraram os serviços de alimentação dos habitantes dos três Lares dependentes do Centro Universitário.
A consulta dos quadros juntos permite inferir das neces- sidades neste domínio. Em 1956-57, de 2.670 alunos da Uni- versidade que responderam ao inquérito habitualmente feito no acto da inscrição, 1.086 (40,67 p. 100, para 29 p. 100 no ano lectivo de 1955-56), careciam de amparo familiar nesta cidade, sendo 849 rapazes (42,68 p. 100) e 237 meninas (34,8 p. 100).
1956-1957: Fac. Fac. Fac. Fac. Fac. B.A.
Lares Universitários Ciên. Med. Eng. Farm. Econ. Total Femininos
Lar Univ. de S. José. . . . 6 9 2 20 — 2 39 Lar Univ. da Divina Providência 11 6 — 10 — 1 28 Lar Univ. de Santa Doroteia . 13 4 — 12 1 1 31 Lar Univ. Feminino . . . . 8 4 — 12 — — 24 Lar Univ. de N.a S.ra de Fátima 8 5 1 13 — — 27 Lar da J. U. C. F 2 1 — 5 — 4 12
48 29 3 72 1 8 161
Masculinos
Lar da J. U. C 10 12 4 2 2 — 30 Casa de S. João de Brito . . 6 4 5 1 1 — 1 7 Lar do Infante D. Henrique. . 6 6 8 — 3 — 23 Lar de Nun'Alvares . . . . 5 6 8 1 3 — 23 27 28 25 4 9 — 93 Total . . . 75 57 28 76 10 8 254 Confrontando estes valores com os relativos àquele ano lectivo, verifica-se que a situação se apresenta menos favorá- vel, mas que a instalação das meninas nos Lares Universitários continua a apresentar-se em condições muito melhores que as dos rapazes. Com efeito, destes estiveram internados apenas 93 (10,95 p. 100), ao passo que daquelas puderam ser beneficiadas 153 (64,55 p. 100). Ao todo, aproveitaram-se dos Lares 246 universitários e 8 alunas da Escola Superior de Belas Artes.
Justifica-se plenamente a atenção que se consagra a este aspecto especial da assistência aos estudantes da nossa Uni- versidade, por forma a dar-lhe a feição e a amplitude que as circunstâncias impõem.
A Comissão Administrativa dos Novos Edifícios Universi- tários procede já, de acordo com as sugestões da Reitoria, aos estudos necessários para a construção das Residências destina- das aos alunos de Medicina na zona da Asprela, junto do Hos- pital Escolar.
Centros de Estudo. Publicações —Em todas as Faculdades prosseguiu o labor dos nossos estudiosos no campo da inves- tigação científica, não obstante as pesadas obrigações docentes e as notadas deficiências em material, dotações e pessoal auxi- liar. Mais apreciável se torna, por isso, o auxílio — que nunca é demais exalçar e agradecer —, vindo do Instituto de Alta Cul- tura mediante o subsídio de 100 contos a aplicar em colaboração
com os Legados Nobre e Assis Vaz, na Faculdade de Medicina, e bem assim através dos vários Centros de Estudos anexos à Universidade : de Ciências Naturais, Matemáticos e de Física Nuclear e Electrónica na Faculdade de Ciências, de Medicina Experimental e de Anatomia Patológica e Patologia Oeral na Faculdade de Medicina, de Engenharia Civil na Faculdade de Engenharia, Farmacológicos na Faculdade de Farmácia, e ainda o Centro de Estudos de Etnologia Peninsular e o Centro de Estudos Humanísticos, de que se completou a primeira década de vida em 11 de Fevereiro, assinalada por uma obra vasta e notabilíssima, digna de todos os louvores e que honra sobre- maneira a nossa Universidade e à cidade do Porto.
Como nos anteriores, registaram-se este ano numerosas inscrições nos vários Cursos ali regidos: Filosofia (pelo Rev.
Dr. Júlio Moreira Fragata), Cultura Clássica (Grego e Latim), a cargo da Doutora D. Maria Helena da Rocha Pereira, Estudos Portuenses (Dr. Artur de Magalhães Basto), História de Por- tugal (Dr. António Cruz), Cultura Espanhola (Dr.il D. Maria dei Carmen Gutierrez), Literatura Medieval Portuguesa (Dr. Narciso de Azevedo), Língua e Literatura Alemã (Dr.a D. Helena Banse).
Além destes, funcionaram os seguintes novos Cursos:
de Arqueologia e História Antiga das Civilizações Orientais,
31 dirigido pelo Dr. Francisco Martins da Costa (Aldão), Dialéctica das Ciências Biológicas, a cargo do Rev. Dr. Vitorino de Sousa Alves, da Faculdade Pontifícia de Braga, e Língua e Cultura Árabe, regido pelo Dr. António Losa.
A conferência inaugural dos trabalhos do ano lectivo findo proferiu-a o devotado Presidente da Direcção do Centro, Prof.
Luís de Pina, que versou o tema: «Cisneros, Cervantes e Alcalá de Henares» — tendo-se organizado uma exposição de edições portuguesas da obra de Cervantes.
Em comemoração do 10.° aniversário do início das suas actividades, realizou-se a 25.a sessão de estudo, em que, depois de uma alocução do Prof. Luís de Pina, foram apresentados os seguintes trabalhos: «Deuses e heróis da Grécia Antiga», pela Doutora D. Maria Helena da Rocha Pereira, e «Belchior Beleago, humanista portuense de Quinhentos», pelo Dr. António Cruz.
A Doutora D. Maria Helena da Rocha Pereira —que desde 1948 rege no Centro o Curso de Cultura Clássica (Latim e Grego) e fora contratada, em 1951, para Assistente da Facul- dade de Letras da Universidade de Coimbra— prestou as provas de doutoramento em Filologia Clássica nesta Universidade.
Também completou 10 anos de existência a Secção de Etnografia do Centro de Estudos de Etnologia Peninsular, diri- gido pelo Dr. Jorge Dias, que, depois de ter sido contratado para Professor da Faculdade de Letras de Coimbra, foi nomeado Professor do Instituto Superior de Estudos Ultramarinos e pro- posto pelo Conselho da Faculdade de Letras de Lisboa para a regência do Curso de Etnologia. Apraz-nos registar a intenção do Prof. Jorge Dias de não abandonar a sua actividade naquele campo, onde, pode dizer-se, começou a sua carreira de inves- tigador, contribuindo de modo relevante para a projecção inter- nacional do labor do Centro. Actualmente, chefia uma missão de estudo nas Províncias Ultramarinas.
Merece referência especial o Curso que, sob o patrocínio do Instituto de Alta Cultura, o Prof. José Sebastião e Silva regeu sobre a «Teoria das Distribuições» no Centro de Estudos Mate- máticos, dirigido pelo Prof. R. Sarmento de Beires. O referido Curso foi precedido de uma série de prelecções, à guisa de