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Intercom, Rev. Bras. Ciênc. Comun. vol.35 número2

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Academic year: 2018

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457 Intercom – RBCC

São Paulo, v.35, n.2, p. 457-459, jul./dez. 2012

Fotografia e Jornalismo:

mais de um século de

casamento feliz

Monica Martinez*

PRADO, Magaly (org.); BUITONI, Dulcilia Schroeder. Fotografia e jornalismo. Coleção Introdução ao Jornalismo – v. 6. São Paulo: Saraiva, 2011. 208p.

O

volume 6 da coleção Introdução ao Jornalismo, lançado no segundo semestre de 2011 pela Editora Saraiva, é um achado por vários motivos. A começar pelo título oportu-no: Fotografia e Jornalismo – A informação pela imagem. Note que a obra não se limita ao estudo de fotojornalismo. Antes, o título já denota a concepção ampla, que só alguém que viu nascer a Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, como aluna da primeira turma de jornalismo da ECA-USP, poderia ter.

História, portanto, é algo caro à autora, Dulcília Schroeder Buitoni. Aqui e ali na obra – sem a linearidade que a faria enfa-donha –, há pinceladas do contexto do nascimento da fotografia, como na página 9:

A nobreza começa a ser suplantada por uma nova classe social: a burguesia do negócio e do dinheiro. É uma classe que quer ser reconhecida; não tendo passado ilustre como os nobres, quer deixar uma imagem para a posteridade. Por isso, o retrato fotográfico encontrou um clima tão favorável para se desenvolver: todos queriam documentar a própria família. Quando os preços se

*Doutora em Ciências da Comunicação, é docente do Programa de Mestrado em Comunicação e Cultura da Uniso, Sorocaba-SP, Brasil.

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MonICa MaRtInez

tornaram mais acessíveis, as classes populares também aderiram rapidamente ao retrato fotográfico.

Em outros momentos, a autora humaniza a narrativa, lem-brando, claro, de nosso segundo e último imperador, D.Pedro II, um amante da ciência e tecnologia, ou, mais recentemente, nos anos 1980, quando também houve um redescobridor do nosso pai da fotografia: o professor Boris Kossoy, da ECA-USP.

Assim como o título faz uma ponte entre duas áreas, a autora viveu isso em sua própria vida profissional. Jornalista, ela era re-pórter da redação da revista Capricho, da Editora Abril – na época em que a revista era um marco na imprensa juvenil – quando participou, em 1972, da seleção para professora na ECA (cinco anos mais tarde se tornaria diretora daquela publicação). Tem, portanto, o jornalismo nas veias, mas a vocação para a docência falou mais alto. O que, aliás, é uma benção para os jovens profes-sores de fotografia. Afinal, Buitoni compartilha com generosidade o conhecimento adquirido ao longo de sua trajetória de mestra.

Nos capítulos 2 e 3, a autora faz um mapa dos principais pensadores da fotografia: estão lá Phillip Dubois, André Bazin, Umberto Eco, Christian Mertz, Roland Barthes, Rudolf Arnheim, Pierre Bourdieu e Vilém Flusser, entre outros, sem esquecer dos brasileiros, como Arlindo Machado, Thomas Farkas, Fernando de Tacca, Helouise Lima Costa, Ronaldo Entler, Rubens Fernandes Junior, Luiz Eduardo Achutti e Maurício Lissovsky, além do pró-prio Boris Kossoy.

Diferentemente de alguns estudiosos, que se debruçam so-mente nas obras que os precederam, Buitoni olha para frente, totalmente antenada com as novas tendências. Hoje, aliás, ela é docente e pesquisadora do programa de pós-graduação em Co-municação da Faculdade Cásper Líbero, de São Paulo. Estão na obra os saberes que ela acumulou ao longo dos anos, por meio do diálogo com estudiosos como o espanhol Josep M. Català, da Universidad Autónoma de Barcelona, que se dedica ao estudo da complexidade da imagem, e o alemão WinfriedNöth, professor de Linguística e Semiótica da Universidade de Kassel.

A docente aponta, por exemplo, uma questão paradoxal dos estudos de visualidade contemporâneos, o que outro pesquisador

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FotogRaFIa e JoRnalISMo: MaIS de uM SéCulo de CaSaMento FelIz

brasileiro, Norval Baitello Jr., chama de iconofagia: o fato de es-tarmos sendo devorados pelo excesso de imagens ocas, esvaziadas de conteúdo simbólico.

Está certo que os aparatos tecnológicos também estão evo-luindo. Hoje uma câmera digital das mais simples tem capacidade de 14 megapixels e zoom ótico de 10 vezes. Limites que serão considerados obsoletos muito em breve. Contudo, algo que não envelhece é a preocupação da autora para que as imagens não se tornem rasas como a dos catálogos, nem que sejam consumidas sem consciência da intenção com a qual elas foram feitas: “Não existe imagem inocente. É preciso ter repertório, é preciso observar e tentar imaginar todos os passos da produção de uma foto (p.7)”.

A partir daí, a obra mergulha numa análise erudita escrita em linguagem simples e acessível da relação entre o jornalismo e a fotografia. Contar mais seria tirar o prazer de o leitor mergulhar na obra. Mas os títulos dos capítulos seguintes já dão bem uma dimensão do que o leitor encontrará pela frente: “Fotografia e jornalismo: histórias”; “Usos jornalísticos da fotografia: informa-ção, ilustrainforma-ção, expressão”; “Fotojornalismo: acontecimento, cena, paisagem, retrato”; “Mídia impressa brasileira: jornais, revistas e fotógrafos”; “Pedagogia do fotojornalismo”; “Agências e bancos de imagem: a questão autoral”; “Relação texto/imagem, imagem complexa, imagem estática, imagem em movimento”; “imagem jor-nalística televisiva: documentário videográfico e cinematográfico”; e “Imagem jornalística na Internet: novas visualidades fotográficas aplicadas ao jornalismo”.Cada um deles traz um quadro chamado

Caminhos que, como o próprio nome diz, sugere trilhas para refletir e se aprofundar no assunto.

A obra faz parte de uma coleção organizada pela docente Magaly Prado.

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Referências

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