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UM OLHAR PARA O SÉCULO XIX A PARTIR DO MUSEU IMPERIAL DE PETRÓPOLIS.

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Academic year: 2022

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UM OLHAR PARA O SÉCULO XIX A PARTIR DO MUSEU IMPERIAL DE PETRÓPOLIS.

Cinthia de Almeida Rodrigues Mestranda PROFHISTÓRIA-UFF rodriguesealmeida@yahoo.com.br

Resumo: O presente artigo recupera a profícua relação entre Patrimônio e Ensino de História no Museu Imperial de Petrópolis, buscando não deixar nas entrelinhas a suposição de que a sociedade oitocentista foi somente o que está ali representado, ou, a suposição de que o importante na sociedade tenha sido apenas aquilo. Para superar essa suposição há necessidade de discutir com os alunos a presença no Palácio de representações de grupos dominantes junto com outros grupos, apresentando o museu como a construção de uma memória, não a verdade histórica.

Palavras-Chave: Educação Patrimonial, Ensino de História, Museu Imperial de Petrópolis.

Introdução: O presente trabalho reflete a importante relação entre patrimônio e ensino de história, através do Museu Imperial de Petrópolis e o esforço de desenvolver uma ação pedagógica com base na observação crítica do acervo ali exposto. O Museu Imperial de Petrópolis, pode ser percebido como espaço privilegiado para o estudo da História do Brasil no século XIX, podendo ser utilizado para o enriquecimento e fortalecimento do processo da aprendizagem em sala de aula, em séries em que o Brasil Império esteja contemplado no conteúdo curricular da disciplina História. Uma análise sobre o olhar patrimonial do Museu Imperial contribuirá para a problematização do século XIX e a reflexão sobre questões sociais e políticas da sociedade brasileira oitocentista, demarcando suas distinções e hierarquias, assim como outras nuances e atores sociais, em articulação com as possibilidades que o acervo exposto no Museu Imperial oferece. O diálogo entre Ensino de História e Patrimônio Cultural torna-se também um vetor particularmente substancioso para a discussão a partir de questões relacionadas à construção de memórias e de representações simbólicas.

A decisão de constituir um patrimônio cultural envolve interesses diversos, escolhas e a afirmação de valores sociais. No caso em estudo, envolve algum

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entendimento sobre o que deve ser preservado do período imperial brasileiro. São questões, portanto, que, incorporadas como objeto da ação pedagógica, podem estimular o desenvolvimento do senso crítico dos alunos no tocante, não só aos aspectos institucionalmente valorizados (ou não), no Museu Imperial, acerca da História do Brasil Imperial, mas também no tocante à construção de representações simbólicas excludentes ou inclusivas e às relações entre o direito à memória e o direito à cidadania. Além disso, através de suas múltiplas linguagens os museus nos fornecem elementos para compreender certos movimentos de permanência e ruptura na história. Visitá-los abre a possibilidade de nos apropriarmos de suas fontes museológicas como fontes históricas e pedagógicas.

Tal abordagem é promissora como forma de apresentar e problematizar o conteúdo curricular, posto que opera com o que é valorizado como patrimônio cultural em um museu atento à preservação de determinada memória do Brasil Imperial. Ou seja, opera com formas de reconhecimento da sociedade brasileira do século XIX, possibilitando a problematização daquilo que se distingue com valor de memória nacional. Dentro desse propósito o Museu Imperial se torna um “espaço de choque e negociação cultural, articulando a imagem e a ausência” (aquilo e aqueles que são esquecidos no domínio da representação simbólica). Um espaço que possibilita aos visitantes uma leitura do Brasil oitocentista e do mundo que os rodeia, a partir da apropriação consciente e usufruto do patrimônio preservado e exposto na instituição.

Assim, pensar o ensino de história em espaços museais é facilitar o acesso do estudante a outros constructos do saber e propiciar que ele vá além dos referentes presentes em seu espaço cotidiano escolar, ampliando o seu universo cultural. Tal exercício vai ao encontro da ideia de que a escola deve estar consciente da sua relevância, para além da instrução, na formação de cidadãos críticos, criativos e autônomos, agentes da transformação.

Se os museus são espaços de memória e de esquecimento, são passíveis de elaborações subjetivas, que podem ser analisadas e ressignificadas. Eles nos impactam e nos acendem a sensibilidade do olhar. Podem ser percebidos como uma potência do presente: é através de questionamentos feitos no tempo presente que reconhecemos e

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atribuímos sentidos aos objetos de museus, e construímos conhecimento sobre o passado, o presente e o futuro.

Os objetos em exposição nos museus podem ser, não apenas contemplados, mas interpretados historicamente. Embora tais objetos invariavelmente sejam expostos a partir da proposição de determinada narrativa museal, é plausível desenvolver formas de apurar o olhar dos alunos para uma interação ativa com o museu e suas exposições, estimulando percepções reflexivas e críticas sobre o museu e o mundo que vivemos. Tal diálogo envolve a criação de vínculos significativos entre os conhecimentos prévios e as novas informações, possibilitando uma aprendizagem da História que ultrapasse a simples memorização.

O Museu Imperial e o Ensino de História

O Museu Imperial de Petrópolis1 foi criado em 1940, no contexto da implementação de políticas culturais pelo Estado Novo de Getúlio Vargas, como ação associada ao interesse político do então presidente que objetivava o fortalecimento e afirmação de uma nação dirigida por um governo centralizador e autoritário. O museu

“monarquista” refletia tal ensejo, ao celebrar a Corte e particularmente D. Pedro II, reconhecido como autoridade de pulso forte e centralizador. O Museu possui o principal acervo do país relativo ao Império brasileiro, em especial o chamado Segundo Reinado, reunindo cerca de 300 mil itens museológicos, arquivísticos e bibliográficos.

O Museu Imperial é constantemente associado à figura de D. Pedro II, seja pelo reconhecido afeto que o imperador nutria pelo Palácio, no qual passava longas e regulares temporadas, seja pelas identidades comuns entre imperador e Palácio: um Palácio simples, se comparado às construções palacianas europeias, porém capaz de se distinguir como símbolo da realeza. A ênfase na construção de vínculos afetivos entre o museu e seu prédio, entre este e a cidade, entre Petrópolis e Pedro II, contribui para a projeção do

1 A Família Real, no Brasil, residiu no Palácio de São Cristóvão, também conhecido como Paço de São Cristóvão, na cidade do Rio de Janeiro. Outra residência da Família Imperial, residência de verão, foi o Palácio Imperial de Petrópolis que teve sua construção iniciada no ano de 1845 e concluída em 1862. Após o exilio da Família Real, o Palácio foi ocupado, de 1893 a 1908, pelo Educandário Notre Dame de Sion, e em seguida, de 1909 a 1939 pelo Colégio São Vicente de Paulo. Em 1940, o edifício tornou-se a sede do Museu Imperial.

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Museu Imperial e de seu entorno como um espaço de rememoração do passado Imperial focado privilegiadamente na presença da Corte.

Para além do fascínio que a exposição de objetos como o cetro e a coroa de d.

Pedro II provocam nos visitantes até hoje, o Museu ainda está situado em uma casa histórica, o que lhe confere importante poder evocativo. Ou seja, o Museu constrói narrativas sobre o Império brasileiro a partir de um local em que a própria Corte Imperial viveu. Ademais, o prédio está localizado em uma cidade que guarda outras referências e edificações do Brasil do século XIX, incluindo outros Palácios que também serviram como antigas residências de personalidades públicas.

A construção dos espaços internos do Museu, no contexto da sua fundação, ocorreu com base na descrição dos ambientes feita por pessoas que frequentavam o local na época em que a Família Imperial passava longas temporadas por lá. Não houve mobilização no sentido de resgatar o passado da casa do Imperador com fidelidade, ou seja, a intenção original não foi a reconstituição fidedigna da casa nos tempos da Família Imperial, projeto que teria sido muito desafiador uma vez que, após o banimento e exílio da Família Real, alguns objetos foram leiloados, e o espaço foi ocupado pelo Colégio Notre Dame de Sion e posteriormente pelo Colégio São Vicente de Paulo. Naquele momento, ocorreram obras para adaptação dos espaços e houve dispersão dos objetos que compunham originalmente o Palácio de Verão. De todo modo, tudo indica que o primeiro diretor do Museu Imperial, Alcindo Sodré2, não intencionou promover uma reconstituição histórica em bases fidedignas, mas sim perpetuar determinados valores e sentimentos associados ao passado Imperial. Ao invés de apenas peças originais do Palácio de Verão optou-se por incorporar objetos que, mesmo sendo de outros Palácios e residências, estivessem em bom estado de conservação e proporcionassem certa aura régia ao ambiente da casa.

2 Alcindo de Azevedo Sodré nasceu em Porto Alegre em 1895. Ainda criança, sua família se mudou para Petrópolis, onde ele estudou no Colégio São Vicente de Paulo, instalado no Palácio Imperial. Apaixonado por História sonhava com a transformação do seu colégio em um museu histórico. Atuou como político, assim como dirigiu jornais como a Tribuna de Petrópolis, de 1923 a 1925, e o Jornal de Petrópolis, de 1925 a 1929. Foi um dos grandes defensores da criação do Museu Imperial. Quando o presidente Getúlio Vargas criou 1940 o Museu Imperial, Alcindo Sodré liderou uma equipe técnica que tratou de estudar a história da edificação e localizar peças pertencentes à Família Imperial em diferentes palácios, para ilustrar o século XIX. Alcindo Sodré foi o primeiro diretor do Museu Imperial.

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O Museu Imperial possui e dá destaque a um conjunto de objetos que se encontram envolvidos por forte expressividade simbólica. Apresenta-se como um espaço de memória, essencialmente celebrativo do Império e de sua etiqueta. Nesse palco, não há presença de escravos ou quaisquer referências significativas a problemas sociais. A crueldade da escravidão parece não ter ressonância ou não fazer parte importante da história recriada. Tais representações focadas na distinção da realeza Imperial exerceram e ainda exercem um fascínio muito grande sobre o público. Nas palavras de Myrian Sepúlveda dos Santos:

O Museu Imperial causa fascínio porque atrai a atenção de um número diferenciado de pessoas e as remete a um passado de fantasias e ilusões. Os objetos da antiga casa de Pedro II fazem alusão a um mundo de reis e rainhas, príncipes e princesas. A força que eles têm está justamente na capacidade de remeterem todos os visitantes a um mundo diverso do deles próprios, e é por isso que lá não encontramos o que se refere aos hábitos mais simples e vulgares dos mortais. (SANTOS, 2006, p. 110).

Ou seja, o grande número de visitantes3 que o Museu Imperial atrai até os dias atuais não é fruto de um discurso histórico contemporâneo comprometido com a reconstituição fidedigna possível do passado, mas fruto de elementos simbólicos que apostam na emanação e sedução de determinada força etérea.

Mesmo tendo sido a residência de verão, o palácio pode ser considerado como o templo da monarquia brasileira. A ideia de realeza, de nobreza e monarquia exerceram e exercem um fascínio muito grande sobre o público. É bom lembrar que o Museu Imperial tem mantido ao longo dos anos uma visitação bastante estável, que corresponde diretamente ao imaginário construído e mantido, uma vez que embora tenha ocorrido modernizações em sua apresentação ao público ao longo do tempo, não houve grandes restruturações no imaginário anteriormente construído.

3 Desde sua abertura ao público, em março de 1943, o Museu Imperial, até 2019, já recebeu mais de 18 milhões de visitantes, tendo atingido seu recorde histórico de público em 2019 com um total de 446.932 pessoas entre visitantes, participantes de eventos e pesquisadores presenciais. Conferir em:

https://www.museus.gov.br/museu-imperial-atinge-recorde-de-publico/

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A própria ideia de Cidade Imperial4 contribuiu para o silenciamento da memória negra em Petrópolis, sustentada na idealização de Cidade Imperial. As construções de memória fizeram com que houvesse uma espécie de apaziguamento da existência e das relações de escravizados na cidade, produzindo um apagamento da memória negra.

Silva (2020) discute o patrimônio documental sobre a escravidão em Petrópolis e ilumina o fato de que há poucos estudos sobre o elemento servil em um local tão estratégico para o Império brasileiro, mesmo com a existência de várias fontes documentais, como as eclesiásticas ou registros paroquiais e as do Arquivo Histórico do Museu Imperial. Conclui que o problema do estudo sobre a escravidão nesta cidade não está na falta de fontes, mas na decisão de construir determinada memória. Segundo o autor:

“Getúlio Vargas criou uma instituição para narrar a história de um Império ideal, e esse museu não poderia estar localizado em qualquer cidade e sim em um local que fizesse jus à proposta. Dessa maneira, defendemos que essa idealização de Cidade Imperial e sem defeitos, fez com que a memória da experiência escrava em Petrópolis não fosse efetivamente explorada e pesquisada, gerando o apagamento da memória negra sustentado na noção de cidade livre de escravizados.”

(SILVA, 2020, p.149)

No Museu Imperial destacam-se itens pertencentes à Família Imperial e também itens pertencentes a personagens socialmente privilegiados com trânsito na Corte. Os objetos referentes aos grupos sociais subalternizados que também transitavam no Palácio são menos considerados ou mesmo invisibilizados. A exceção é a exposição, na sala de joias, de peças5 pertencentes a nobres, mas usadas por escravas. Para além destas joias,

4 A cidade de Petrópolis recebeu o título de Cidade Imperial em 27 de março de 1981, através do Decreto número 85.849, que além de atribuir o título à cidade também determinou sobre a preservação dos bens culturais daquele espaço. Este foi assinado pelo então presidente da República, João Figueiredo, em um momento de estímulo ao turismo histórico.

5 Na Sala das Joias estão expostos braceletes e pulseiras de ouro usados por escravas da Bahia, como uma forma dos senhores demonstrarem riqueza. Além dos braceletes estão expostos balangandãs de prata, também usados por escravas da Bahia, e os berloques (peças neles encaixados) reconheciam atributos das escravas, como lealdade (cão) e longevidade (tartaruga).

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outros objetos e documentos pertencentes ou usados por grupos subalternizados não são apresentados nessa instituição ligada à memória do Brasil Imperial escravocrata.

Apesar do tema escravidão e suas reverberações, como resistência, movimento abolicionista, protagonismo negro..., não se inserirem na narrativa museal atual, a temática da abolição já foi tratada pelo museu em exposições temporárias como a ‘Mostra sobre a abolição’ que celebrou os 90 anos da abolição no ano de 1978, inaugurada em 13 de maio de 1978, permanecendo em exposição até julho daquele ano. Segundo o jornal Diário de Petrópolis:

“Cinco Conferencias e uma grande exposição marcarão, em Petrópolis, as comemorações do 90º aniversário da libertação dos escravos no Brasil. A programação está sendo organizada pelo Museu Imperial, que selecionou e trouxe para Petrópolis peças e documentos ligados ao fim da escravatura, como a própria Lei Áurea – a lei que libertou os escravos, assinada pela princesa Isabel, as joias da princesa, medalhas e condecorações, objetos que pertenceram a escravos, obras de arte sobre o tema abolicionista, além do noticiário da campanha abolicionista, com reprodução de jornais, caricaturas e revistas da época (...)”. (ANIVERSÁRIO DA ABOLIÇÃO NO MUSEU.

Diário de Petrópolis, Petrópolis, 30/04/1978.)

Sobre a mesma exposição, o Jornal do Brasil afirmou que:

“(...) a exposição do Museu Imperial de Petrópolis dedicada ao 90º aniversário de assinatura da Lei Áurea, que aboliu a escravidão no Brasil, é talvez a maior iconografia já reunida em torno da princesa Isabel: quadros e fotografias que acompanham a filha mais velha de D. Pedro II dos primeiros anos no Paço de São Cristóvão ao exílio no castelo D’Eu (...)

Lado a lado com essa reconstituição montada em torno da figura de Isabel, a exposição coloca em forte contraste, um acervo igualmente importante referente aos escravos: instrumentos de suplicio, como as gargalheiras, os viramundos (que prendiam pés e mãos), palmatórias, máscaras de ferro para os que trabalhavam nas minas e podiam sentir a tentação de engolir diamantes, ferros para marcar em brasa, troncos, chibatas, aquarelas originais de Debret apresentando os suplícios.

Um terceiro aspecto é o da presença da imprensa na campanha abolicionista, através de artigos, proclamações, e do traço forte dos caricaturistas. (...)

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(A HISTÓRIA DA ABOLIÇÃO, CONTADA PELO MUSEU DE PETRÓPOLIS. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 17 de maio de 1978)

Como podemos perceber nesta exposição comemorativa houve uma construção narrativa em torno da princesa Isabel e da assinatura da Lei Áurea, reconstituindo a escravidão e a campanha abolicionista. Em linha com esta exposição temporária, no ano de 1988, ocorreu uma exposição ainda maior, a exposição Comemorativa dos cem anos da Lei Áurea: “O caminho da Lei Áurea: uma reflexão à luz do acervo do Museu Imperial”, ocorrida de maio a dezembro de 1988.

A exposição do centenário da abolição6 contou com 4 salas temáticas, respectivamente: ‘O negro: presença e contribuição’; ‘O caminho da abolição’; ‘A nobreza’; “A lei Áurea, coroamento de uma ideia - A Regente’. Nesta exposição foram expostas diversas fontes históricas que remetiam à abolição. A título de exemplo, na sala 1, que tratava ‘O negro: presença e contribuição’, foram expostos documentos, iconografias, indumentária, instrumentos de castigo, medalhística, ourivesaria e prataria.

Além destas duas exposições comemorativas, o Museu apresentou entre o final da década de 1980 e anos inicias de 2000 uma sala dedicada à princesa Isabel. Nesta sala havia uma grande vitrine, com diversas peças pessoais da princesa, e outras de tortura.

A existência destas exposições demonstra novamente que o problema da representatividade dos negros neste museu não é sobre a ausência de acervos, documentos ou fontes históricas, mas a escolha de se preservar e afirmar determinada memória.

Refletindo sobre este silenciamento, podemos questionar que: se no Museu Imperial há um vasto acervo documental sobre a escravidão, além de objetos já utilizados em outras exposições temporárias, como na exposição temporária do Centenário da Abolição, por que estes não estão na exposição permanente fazendo um contraponto reflexivo com a realeza e a nobreza?

Os museus apresentam um modo de olhar o patrimônio cultural que preservam, apresentam uma perspectiva interpretativa dos objetos que expõem, que sempre poderá ser desconstruída por outro olhar. O discurso construído a partir dos acervos

6 Esta exposição e o ciclo de conferências em comemoração aos 100 anos da lei Áurea são apresentadas detalhadamente em um livro lançado pelo Museu Imperial: 100 anos de abolição da Escravidão. Museu Imperial, Petrópolis, 1988.

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museológicos é marcado pela escolha do que se privilegiar na construção do discurso. É uma tentativa de compreender o passado pelo presente, apresentando uma visão que privilegia determinados fatos, personagens e conjunturas. Os objetos não contam uma história por si mesmos. Conforme lembra Maria Helena Versiani, referenciando Néstor Canclini (1994): “Os acervos museológicos não ‘falam por si’. Todo conhecimento histórico produzido a partir dos acervos é uma narrativa sobre a realidade, de tal modo que são as narrativas históricas que falam, e não os acervos” (VERSIANI, 2018, p. 66).

A compreensão do documento em uma perspectiva pedagógica exige também uma postura crítica e análise das condições de sua produção. Assim, a exposição do Museu Imperial produz um discurso acerca de um tema, uma representação, um recorte da realidade. Articula imaginários e perspectivas sobre determinados contextos e questões, influenciando a nossa leitura dos fatos. Nessa linha de raciocínio cabe a pergunta: Qual seria a nossa leitura dos mesmos fatos a partir de outra bagagem histórica? Portanto, é preciso também perscrutar os objetos da exposição, e as condições de produção dos documentos ali presentes; assim como é importante contextualizá-los, convergindo a análise dos documentos com seu contexto, pois o material histórico ali presente também é manipulação, construção e mentira. Desta forma é preciso buscar outras e diversas fontes para sua interpretação e relativização enquanto instrumento de determinada verdade e configuração de poder. Nas palavras de Le Goff: “(...) tendo em conta o fato de que todo documento é ao mesmo tempo verdadeiro e falso, trata-se de pôr à luz as condições de produção e de mostrar em que medida o documento é instrumento de poder”.

(1996, p. 247)

Os museus devem ser estudados com um olhar crítico dialógico, contextualizado.

Especificamente em relação ao Museu Imperial, suas narrativas não devem ser percebidas como “a verdade histórica”. Os museus, como quaisquer instituições sociais, são produto de uma relação contínua entre os homens, em que a afirmação de um valor caminha junto com o seu consentimento ou rejeição. Portanto cabe ao visitante, aceitar ou criticar a narrativa da história proposta no museu, e aos professores problematizá-la.

O objeto de museu, enquanto fonte histórica, deve ser compreendido em sua dimensão social e histórica, refletindo-se sobre os sentidos de seu pertencimento a uma instituição museológica, os caminhos da sua organização e de escolha para exposição.

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Deve ser compreendido a partir do pensar e perscrutar a sua história, observando-se o que está presente e ausente em face do olhar patrimonial do museu. Nem sempre as narrativas propostas a partir das exposições de acervos museológicos lançam luz sobre os sentidos das relações entre os acervos e a sociedade em que eles foram produzidos e circularam, inserindo esses acervos em seus contextos sociais. Cabe ao professor de História discutir tais narrativas com seus alunos, contextualizando os objetos expostos, contrapondo a ideia de uma história única. Diferentes maneiras de descrever e situar os acervos implicam em diferentes ênfases e formas de preencher os acervos de sentidos.

Fonseca e Silva afirmam que:

Quem vê uma coleção de adereços de homens ricos precisa levar em conta a existência de outros grupos humanos, pensar sobre o imediato do acervo e seus contrapontos possíveis: nem todo chapéu era como aqueles em exposição, nem toda cadeira era como aquelas apresentadas, a maior parte da população, no século XIX, jamais entrou em uma carruagem nem andou de liteira. Nesse sentido, como num filme, interessa tanto o que aparece na exposição quanto o extracampo, o que não é mostrado, mas continua importante para entender os significados daquilo que aparece. (FONSECA; SILVA, 2007, p. 81).

Os museus são como suportes de rememoração, e permitem ao visitante exercitar sua capacidade de trabalhar a partir das evidências, dos vestígios e fragmentos e a partir disso formular perguntas, hipóteses, investigar e, por fim, elaborar sua própria interpretação da realidade analisada. Os museus podem nos tocar no visível, naquilo que está diante dos nossos olhos, assim como nos tocar naquilo que não é mostrado, mas que à luz da reflexão, nos faz compreender e refletir sobre o não dito ou não visto e vislumbrar um contexto mais amplo.

Pensando no Museu Imperial, o material que ali se encerra é muito importante para a compreensão de aspectos da sociedade Imperial, requerendo, entretanto, um trabalho de interpretação para não transformar o acervo em peças a serviço da exaltação de um grupo social. É preciso atentar para o fato de que a sociedade oitocentista não foi somente o que está ali presente, representado, ou seja, atentar que o importante a ser representado não é exclusivamente ou especialmente a experiência de sua elite.

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Para evitar o fascínio e deslumbramento excessivos ou até certo saudosismo de uma época retratada com parcialidade pela exposição, há necessidade, na visita com os alunos, de dar ênfase, não só a experiências de grupos sociais dominantes, mas também às suas relações com outros grupos presentes no dia a dia do Palácio e da sociedade. Deve- se buscar o caminho de promover o conhecimento histórico do período imperial evitando- se visões unilaterais, o que sempre se beneficiará da incorporação de outros documentos históricos à análise.

Se o ensino de história deve reconhecer e valorizar a diversidade do social, é preciso então iluminar as complexidades sociais. Por exemplo, ao adentrarmos no Museu Imperial, um espaço muito concorrido pelos visitantes é a sala onde se encontra a coroa de Pedro II. A organização do espaço parece exaltar a coroa do Imperador, remetendo à ideia de imponência do objeto e do sujeito, como que naturalizando o poder que ambos constituem. Uma forma, então, de problematizar tal organização, desnaturalizando a relação entre Pedro II e a coroa, é conduzir questionamentos, tais como: Qual lógica social permitia e justificava o uso da coroa por Pedro II? A coroa era utilizada para afirmar quais relações de poder e quais lógicas de partilha de direitos? Ela representa o poder de um imperador no contexto de uma sociedade desigual? Quem, no Império brasileiro, teria ou não teria o direito de usar a coroa? Por que?

A título de possibilidades podemos também analisar no Museu Imperial a sala de jantar, na qual há a recriação da sala de jantar da Família Real com a mobília feita por encomenda à firma Jeanselme Léger et Fils, que foi usada pela família no Palácio de São Cristóvão. No ambiente recriado todo o acervo chama a atenção do visitante, principalmente o lustre. A legenda da sala de jantar também o destaca:

A família imperial nunca utilizou luz elétrica neste palácio e sim lustres e candelabros iluminados com velas. Para aproveitar ao máximo a iluminação natural, a família imperial se levantava muito cedo, almoçava às 9 horas e jantava entre 16 e 17 horas. Por recomendação da brigada de incêndio da época, as cozinhas ficavam localizadas em prédios anexos. A comida era trazida pelos empregados em caixas de madeira forradas com zinco para depósito de brasas que mantinham os alimentos aquecidos.

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Neste espaço podemos facilmente problematizar sobre outros atores sociais além da realeza, questionando sobre quem acendia os lustres e candelabros iluminados com velas; quem organizava o palácio, cozinhava, arrumava e servia; refletindo sobre o modo de vida e sorte daqueles que não eram socialmente privilegiados e a forma como usavam o palácio. Embora estes subalternizados não estejam mencionados naquela construção, era o serviço deles que tornava aquela construção possível.

Saindo da sala de jantar há no corredor quadros dispostos na parede, e o primeiro é um excelente documento histórico para apresentarmos aos alunos a sociedade oitocentista. A obra é de Pieter Godfred Bertichen, intitulada “Vista da entrada da Baía do Rio de Janeiro”, um óleo sobre tela datado de 1864. Trata-se de uma pintura paisagística com importantes detalhes do urbanismo e da vida social do Rio de Janeiro do século XIX. Como documentação de costumes o artista retratou posicionamentos sociais de senhores e escravos de ganho, executando tarefas urbanas. Na mesma cena conseguimos vislumbrar escravos, nobres e religiosos. Uma oportunidade para refletir sobre a sociedade da época, distinções, hierarquias e as diversas ocupações realizadas pelos escravizados.

À Sala de Música e Baile também podem ser criados contrapontos reflexivos:

apresentando o fato de que existiam escravizados musicistas, como os escravos-músicos da Fazenda de Santa Cruz, que desde a administração da propriedade pelos padres jesuítas, ainda no século XVIII, recebiam essa profissionalização, demonstrando talentos admirados pela elite. Nesta Fazenda:

(...) escravos e escravas, ainda adolescentes, eram iniciados por mestres jesuítas no conhecimento da música sacra, formando corais, tocando instrumentos e gerando novos mestres. Pela arte e qualidade de seu desempenho, esses músicos foram tomando fama, e a escola foi ficando conhecida, tendo sido denominada Conservatório de Santa Cruz.

(SCHWARCZ, 1998, p. 223)

Esses escravos-cantores, e sua distinta orquestra, encantaram D. João e nobres que assistiam às apresentações. “E assim nasceu uma nova vocação para a fazenda, que passava a fornecer escravos-músicos ali criados e formados aos paços imperiais da cidade.

O costume inaugurado por D. João foi seguido depois pelos imperadores”.

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(SCHWARCZ, 1998, p. 225). Outro contraponto reflexivo que pode ser estabelecido, nesta mesma sala, é entre as danças da elite e as festas populares de origem negra, como o maracatu e a congada. Ambos exemplos trazem à reflexão à memória cultural, afirmando que os escravizados poderiam se ver e ser vistos como pessoas belas, talentosas e dignas de admiração, evocando o direito ao esplendor.

A partir dos objetos expostos, podem ser inferidos questionamentos como: qual o seu valor de uso antes de serem transformados em acervo de museu? Em que momento histórico foram produzidos? O que permanece dos objetos no tocante ao seu valor de representação simbólica e que aspectos sociais são tencionados a partir de tais representações? Qual olhar patrimonial que instruiu a exposição dos objetos? Que valores sociais foram afirmados? O grande desafio é potencializar o campo de percepção diante dos objetos, a partir das problemáticas históricas, que se fundamentam em certos critérios de interpretação, provocando reflexões. Tal desenvolvimento não poderá depender de uma atuação que se limita simplesmente a enumerar, mostrar e olhar objetos, mas sim deverá envolver uma reflexão crítica sobre a sociedade da época, atenta à complexidade social que habita cada coisa. Nenhum bem cultural pode ser compreendido como fruto independente das condições sociais concretas em que se deu a sua produção e uso. Assim, o acervo em estudo será percebido como expressão de processos sociais mais amplos e matéria da análise do social.

Ao fim do trabalho acredito que será possível desnaturalizar a construção histórica proposta pelo Museu Imperial, rompendo silenciamentos e percebendo que as possibilidades de construção de narrativas nos museus são múltiplas.

Considerações finais:

Enquanto lugares de memória e esquecimento, os museus podem desempenhar um papel pedagógico junto aos cidadãos, afirmando direitos e valores sociais na sociedade. Os museus têm passado por profundas revisões quanto à natureza de suas coleções e às modalidades de representação cultural.7 Neste processo ocorrem diálogos e

7 A partir da década de 1960, as narrativas museais tradicionais foram questionadas no sentido de desnaturalizar representações de um passado uniforme. O discurso museológico passou a ser

compreendido como produto de uma seleção feita com objetivos políticos e estéticos, influenciada por

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ressignificações, entretanto ainda não são raros os “usos e abusos” do passado em narrativas museais lineares, repletas de esquecimentos planejados.

A narrativa museal originalmente proposta por este museu não foi ressignificada ao logo do tempo, escapando do compromisso de pensar a complexidade da sociedade Imperial. Podemos deduzir que o grande desafio para o Museu imperial é inserir a memória sensível em seu discurso e representações, de modo que os descendentes dos grupos subalternizados também se sintam parte da história representada, reconheçam o seu direito à memória e consequentemente à cidadania, pois quando direito à memória não é respeitado, o direito à cidadania também não é.

Embora, na exposição de longa duração do Museu Imperial, não sejam construídos contrapontos reflexivos convidando o visitante a repensar a memória da elite Imperial, uma atividade pedagógica reflexiva tem a capacidade de auxiliar o exercício de olhar para objetos expressivos do passado Imperial interpretando-os historicamente, por exemplo buscando rupturas e regularidades através da comparação com o tempo presente.

É importante fortalecer nos alunos a condição de olhar os objetos expostos sob múltiplos ângulos e de argumentar em face da naturalização de lógicas sociais, levando em consideração a diversidade na busca do conhecimento histórico. A experiência pedagógica através do Museu Imperial torna-se assim, como dito, um espaço de choque e negociação cultural, articulando formas diferentes de perceber o tempo e a história, em que, tão importante quanto a reflexão sobre a memória preservada e exposta neste espaço museal, é a reflexão sobre possíveis ausências, as memórias não representadas na exposição.

Refletir sobre as ausências no acervo exposto na exposição de longa duração do Museu Imperial pode ser rememorar toda a injustiça da escravidão, todo o movimento de resistência e atuação social dos negros no século XIX, além de ser uma forma de colocar em discussão o nosso presente e a sociedade que queremos. Em meio ao crescimento do revisionismo e/ou negacionismo histórico, uma educação problematizadora, nos termos propostos por Paulo Freire (1987), articulada ao campo do patrimônio cultural, pode

interesses de determinados grupos. O museu passa a ser percebido como uma arena de disputa de memórias e de poder.

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beneficiar os processos relacionados ao aprender e compreender o mundo. Enquanto historiadores somos pensadores da realidade, e oferecer aos alunos uma educação reflexiva contribui para o processo de ler o mundo e de sentir-se agente da cidadania.

REFERÊNCIAS

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Referências

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