As dúvidas e dificuldades das crianças

10 

Texto

(1)

Ruth Rocha lança livro com dicas de como lidar com os problemas do dia-a-dia Â

Cristiano Mariz/Especial para o CB  Editora Õtica/Reprodução

As dúvidas que eu tenho

Ruth Rocha. Editora Õtica. 32 páginas. R$ 19,90 Â

— Criança é assim: tava brigando mas depois se resolve. Adulto pode brigar e ficar sem se ver, crianças sempre esquecem, diz Lucas Fernandes Santos de 10 anos.

Pode até ser verdade, mas quem nunca brigou com o melhor amigo ou levou aquela bronca dos pais por tirar notas baixas? Na hora nem dá para saber o que fazer e depois ainda fica aquele clima. Ruth Rocha, a famosa escritora de Marcelo, Marmelo, Martelo, Uma história de rabos presos, entre outros tÃ-tulos de sucesso, lança junto com a psicóloga Dora Lorch, As dúvidas que eu tenho.

O livro conta histórias curtas que tentam mostrar que os problemas, na verdade, são desafios a serem enfrentados. A autora escreveu baseada na idéia de inteligência emocional, que quer dizer, usar as emoções a seu favor. Se não somos tão bons em esportes, podemos desenvolver outras qualidades, se temos opiniões diferentes das vontades de nossos amigos, podemos chegar a um acordo. O volume é dividido em quatro partes — Quando eu não sei, Quando eu não consigo, Quando eu penso diferente e Quando eu erro — que contêm sugestões para aprendermos a melhor saÃ-da

(2)

Entrevista - Ruth Rocha

Os desafios precisam ser superados Iara Venanzi/Divulgação  Â

O que é inteligência emocional?

Inteligência emocional é agir na vida não deixando que as emoções atrapalhem nossos deveres, nossas amizades. A idéia é que as emoções estejam a nosso favor e não contra nós.

Como você define uma criança com inteligência emocional?

Ela deve saber lidar com seus problemas sem se magoar, nem as pessoas de que gosta. Deve pensar mais nos outros e, principalmente, pensar sobre suas próprias ações. O livro aborda várias situações do dia-a-dia e elabora resoluções, conselhos de como seria a melhor forma de agir. Como a criança deve fazer quando ela vai mal nas provas? Não deve esconder, deve mostrar a realidade. Conversar sobre quais foram as falhas, se não estudou o

suficiente, se foi falta de atenção, se não fez os exercÃ-cios. O que a criança pode fazer é tentar uma aproximação com os pais e uma conversa mais aberta.

E como pode aprender mais na escola e com os amigos?

Vejamos, olha o problema da cola. Muitas vezes a criança perde tanto tempo preparando a cola e depois nem sabe usar direito. O tempo que ela demorou fazendo a cola, ela poderia ter estudado e assim alcançado uma nota mais alta. Devemos sempre analisar a situação: o ambiente de casa é desorganizado? Estuda ouvindo rádio? O lugar de estudo é calmo e adequado? Tem que procurar a causa do problema e assim resolvê-lo. Quando descoberta a causa do problema saberá como superá-lo.

E quando briga com os amigos, fica chateada e não sabe como resolver?

Deve olhar de frente para o motivo da briga. Pensar: “eu briguei com meu amigo, gosto muito dele, mas ele não quis fazer o que a gente tinha combinado, não concordou comigo…―. Para isso deve procurar um momento que a poeira baixou, quando já estiverem mais calmos e conversar abertamente. Deve perguntar também se não foi ela mesma a culpada, a causadora da briga. Tem que haver um momento de pensar nas próprias ações.

(3)

Muitas crianças vivenciam exatamente o que você coloca nos livros. Nas situações abordadas em As dúvidas que eu tenho, existe muito a presença dos amigos, e principalmente da convivência em grupo. Como você acha que aquela criança que não é muito boa nos esportes ou é tÃ-mida e por isso tem dificuldade de fazer amigos deve agir dentro do grupo de amigos?

Ela deve estimular o que tem de melhor e não olhar somente para o que é ruim. Ninguém é isolado por ser feio ou por ser diferente, vai ver é porque ela é chata, não quer brincar com os outros, não participa. Tem uma série de motivos. Ela se pergunta, “por que aquela menina é mais feia que eu, mas todo mundo gosta dela?―, a questão não é ser feia, é a atitude da criança. Ela deve procurar mostrar e explorar o que ela tem de melhor.

Diante do grupo muitas vezes a criança cede em suas opiniões e vontades. Qual é a melhor forma de lidar com esse tipo de situação?

A criança cede por não ter uma personalidade forte, ela precisa adquirir isso. Olhe ao redor veja os que não fazem e que são queridos, não precisa fazer o que os outros querem para ser valorizado. O processo mais complicado é essa construção da autovalorização da própria criança.

O que você espera da criança que lerá o livro?

Qual a importância do tema? Espero que a criança não leia o livro de uma vez depois deixe de lado. A intenção é que ele estimule um trabalho juntamente com os pais e professores. Ela deve ler mais vezes para que o processo seja estimulado aos poucos.

Para saber mais Editora FTD/Reprodução  Â

Em briga de irmãos quem dá opinião? Luciano Pontes

(4)

29 páginas R$ 28,00

O autor conta a história dos irmãos Cosme e Damião, que em uma briga pelo doce mais doce que o doce de batata-doce, criam a maior confusão. O livro mostra como Damião conseguiu que seu irmão devolvesse a ele o doce que pegou.

Caramelo Livros Educacionais/Reprodução  Â

O livro de boas maneiras da Dora Christine Ricci

Editora Caramelo 24 páginas R$ 16,90

Neste livro, Dora, a Aventureira, do Canal Nickelodeon, e o macaco Botas embarcam em uma viagem para ajudar o Velho Rabugento Duende a encontrar o amigo Rato. O Sr.Duende precisa aprender a melhor forma de se desculpar por ter magoado o amigo.

(5)

Escala Educacional/Reprodução  Â

Como se comportar nas férias Núria Roca

Editora Escala Educacional 37 páginas

R$ 17,80

As férias estão chegando e o livro é um manual de como devemos nos comportar nesta época. A autora mostra várias situações que os irmãos Sara e Pedro precisam enfrentar juntos para não passar vexame. No final, existem sugestões de atividades e jogos para o verão.

Escala Educacional/Reprodução  Â

(6)

Como se comportar nas festas Arianna Candell

Editora Escala Educacional 37 páginas

R$ 17,80

É aniversário de Marcos e ele resolve convidar sua turma para um lanche em sua casa. A autora conta como é possÃ-vel se comportar para que ninguém faça feio na festa de comemoração. O livro também traz dicas de como tornar seu aniversário ainda mais divertido.

Escala Educacional/Reprodução  Â

Como se comportar no parque Arianna Candell

Editora Escala Educacional 37 páginas

R$17,80

Uma turma de amigos que mora no mesmo bairro decide brincar em um parque próximo. Lá, descobrem que existem regras importantes para aproveitar as atividades ao ar livre. No final da leitura, a autora sugere jogos para o parque do bairro ou a casa de algum vizinho que tenha jardim.

(7)

Fala, galera!

Alunos da Escola Classe 308 Sul contam como fazem para resolver as pequenas dificuldades do dia-a-dia com pais e amigos.

Fotos: Cristiano Mariz/Especial para o CB Â Â

João Vitor Lemos Ribeiro, 9 anos, 3ª série

Meu irmão gosta de brincar de luta e eu de pique esconde, aÃ- meia hora a gente brinca de luta e meia hora de pique esconde. A gente sempre acaba concordando com a brincadeira.

 Â

(8)

Â

Leandro Manoel Rocha, 10 anos, 4ª série

Quando eu tiro nota baixa, prefiro ficar calado o tempo que levo bronca, se eu falar vai piorar as coisas. Depois eu converso com a minha mãe que eu vou estudar mais, daÃ- eu tiro dez.

  Â

Emily Cardoso Torres, 9 anos, 2ª série

Quando meus amigos estão com uma opinião muito diferente da minha, eu vou brincar com outros amigos em vez de ficar discutindo. Acho que o melhor jeito de fazer as pazes é pedindo desculpas.

 Â

(9)

Â

Luiz Felipe Rodrigues Silva, 7 anos, 1ª série

Não gosto de futebol. Quando todo mundo quer jogar futebol eu ajo normalmente, não fico chateado. Espero eles jogarem e depois vou com eles brincar de outra coisa.

  Â

Lucas Fernandes Santos, 10 anos, 4ª série

Tenho um amigo desde a 1ª série. Quando chegou na 4ª série ele só conversa com outro colega. Eu fui lá e falei com ele. Agora ele não me deixa mais de lado. O melhor jeito de resolver é na conversa.

Â

(10)

 Â

Giovanna Marra, 10 anos, 4ª série

Na verdade sempre acabo brincando mais do que os meus amigos querem brincar. Se eles não querem brincar comigo, brinco com as minhas bonecas. Elas viram minha brincadeira.

  Â

Kethlyn Alves de Araújo, 8 anos, 1ª série

Minhas amigas queriam brincar de xadrez, mas eu não queria, aÃ- fui brincar de bambolê. Eu não ligo muito, me divirto sozinha se não gostar da brincadeira.

fonte: Correio Braziliense, 8/12/2007

Imagem

Referências

temas relacionados :