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Mw^/ WwwW- ¦Redacçâo
m Leoncio Correia. Silveira Netto. Júlio Pernetta.Orgam da Associação
REVISTA *MENSALDirector litterario: —'Dario Vellozo,
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Coritiba, Iode Abril de 48%
Instrucção e Recreio
9Distribuição gratuita aos sócios N. 4 • <Ur-* ANNO VII DIRECTORIA DO CLUB Presidente—Cyro Velloso Vice-presidente—Joaquim de Andrade 1.* Secretario—Mario Correia 2 • Secretario—João M. Bueno. 1.* Thèzouroirp—Claro Cordeiro 2.* Tnezoureiro—Augusto Lourei o. 1.* Orador—Leoncio Correia
2.' Orador—Dr. Sérgio de Castro Júnior
clüb cosmuvo
15 de Abril de 1896.
Do Sr. Alberto Gonçalves publi-camos a seguinte messiva, enviada á Directoria do Club Coritibano, e
na qual S. S. solicita dispensa do cargo que tão brilhantemente
oceu-pava na redacçâo desta Revista: «Illmos. Srs. Presidente e mais Directores do ((Club Curitibano.»
Capital.
As numerosas occupaçOes do meu ministério tem me impedido decol-laborar, como me competia, na re-vista litteraria da associação de que sois dignos directores, e conside-rando °que ainda ellas subsistem e mais ainda a necessidade que tenho de retirar-me dentro de alguns dias para fora do Estado, levam-me a vir depor em vossas mãos o lugar que oecupava até agora na redac-ção daquella revista.
Espero que attendendo aos moti-vos expostos tratareis de dar-meum substituto e dareis as providencias para que do próximo numero em diante seja meu nome substituído na parte que publica os nomes dos redactores.
Agradeço-vos a prova de confian-ça qne em mim depositastes.
Deus Guarde a VV. SS. Curitiba, 5 de Abril de 4 893.
Padre Alberto José Gonçalves.)) O «Club Coritibano)) agradece ao Sr. Alberto Gonçalves os memora-veis serviços que prestou a esta Re-vista, e a Redacçâo, pungida com o perder de tão esforçado
compa-nheiro, envia ao mesmo Sr. os mais altos protestos de consideração, pelo modo cavalheiroso por que foi sempre tratada, o a solidariedade que sempre mostrou em todos os seos actos delia.
Leoncio Correia, o popular tri-buno paranaense, o adorável pas-sional das Litanias,—formoso livro de versos que será uma revelação e uma surpreza, a vibrar dolente-mente as pulchras harmonias do coração desse artista c desse pro-pheta; Leoncio Correia assume noje
o logar deixado na Redacçâo desta Revista pelo Sr. Alberto Gonçalves, —trazendo a nota original e
queri-da de seo bello talento e as sympa-tinas todas de sua alma de apaixo-nado das causas magnânimas, de Iniciado da Poesia, de Pontífice do Sentimento.
E' com a alma illuminadapor urna alegria insubmissa e pujante que abraçamos o victorioso cruzado das Lettras, um dos mais infatigaveis escriptores Brazileiros, que tanto e tanto ha pelejado sempre para que a Litteratura não desça, no Paraná, á formula desesperadora do impas-sivel Nirvana absoluto...
Salve, Irmão !
Parabéns ao Club Coritibano.
PELOS índios
n
A necessidade que ha de se pòr em evidencia todos os meios que tendam a trazer o indio para o gre-mio da civilisaçâo, prende-se natu-ralmente aos mais momentosos e profícuos commettimentos em fa-vor da consolidação das ideas de-mocraticas implantadas hoje no Brazil e que, sendo o heróico apa-nagio do continente americano, prepara a justa e soberba glorifica-ção das raças colonisadoras da America pela definitiva consagra-ção da política da paz e do nivela-mento social nos seos limites ra-cionaes, que será inevitavelmente a universal política do futuro.
Esse eslado social, cujo advento é causa de profundos estudos em espíritos cultos c devotados amar-cha da humanidade,e mie ha séculos os povos procuram alcançar, ten-do-lhedauo a sua auetoridade e su-prema obrigação de vidente subli-me o extraordinário rabbi da Gali-léa, o maior inimigo do dogma dos thronos e do fausto principesco, será estabelecido, primeiro que tu-do, sobre a educação popular, isto é, sobre a nitida comprehensao dos deveres mais árduos que o homem deve observar como parte da colle-ctividade humana e como
indivi-duo, c, da mesma forma, dos am-pios direitos inalienáveis que são a garantia e recompensa da vida em sociedade e do esforço dispen-dido pelo bem geral.
Ora, a condicção primordial da educação sadia è o apuramento do caracter, e d'ahi a integridade do amor patriocomo fim de accenluar
o característico de cada nação e de
cada povo e a sinceridade política e artística definindo temperamen-tos e caracteres diversos para lhes dar vereda própria.
((Necessariamente ha relação en-tre ossystemas suecessivos deedu-cação è os estudos sociaes sueces-sivos com os quaes estes coexisti-ram. Tendo uma origem commum no espirito nacional, as instituições de cada epocha, qualquer que seja o seo objecto, elevem ter entre si uma similhança de família. Quando os homens recebiam o seo credo completamente formulado, com as varias interpretações, da bocea de
uma auetoridade infallivel, que
desdenhava dar-lhes explicações, era natural que o ensino dascrean-ças fosse puramente dogmático.
Quando a máxima da Egreja era: crede c não interrogueis (I), con-vinha que fosse esta também a ma-xima da eschola. Em contraposição hoje que o protestantismo conquis-tou para os homens conscientes de si o direito do livre exame, e que
(l) A Egreja a que se refere Spenser, a catholica romana, continua a ter essa máxima: em relação á eschola a differença que lia é que esta já compre-hencleo que não precisa mais da Egreja
CLUBCORIT1BANO elle fez prevalecer
ohabltodeapel-loá razão, e lógico «pie a instrucção ministrada ájuventude tome forma de uma exposição aprezèntada 4 sua intelligéncia. Em quanto rei-nou o despotismo político, cruel nas suas ordens, governando pelo terror, punindo com a morte os me-nores delidos, implacável na sua vingança para com os rebeldes, uma disciplina acadêmica sedes-envolveo simultaneamente, dura como elle.multiplicando as ordens, prodigalizando os botes pelas mais ligeiras infracçOes á sua regra; uma disciplina de autocracia, mantida pólos açoules, pela palmotoria e pela prisão.
O augmento da liberdade política, a abolição das leis reslrictivas dá liberdade individual, a suavisação docodigo, foram acompanhados de uin progresso idêntico para uma educação menos cõertiva.» (2)
Este progresso poderá ser conli-nuado com vantagens de grande ai-cance no aborígene que, apezar da dizimação moral e physica imposta ás raças indígenas pelos jesuitas c colonos portuguezes, ainda poderá contar avultado numero de almas que, aperfeiçoando a comprovada habilidade artística e industrial ca-racteristica de quasi todas as tribus americanas, a sua rudimentar agri-cultura, a índole hospitaleirae in-dependente que é o aspecto mais geral do caracter do indígena brazi-feiro, como se prova ante a historia das missões jesuiticas c das colo-nías da metrópole, francezas e ho-landezas, que proseguiram o traba-lho de Alvares Cabral na terra de Santa-Cruz; isto aluado aos rudes hábitos de vida em que os museu-los e a agilidade imperam, e o vas-tissimo conhecimento do território selvagem do Brazil, é poderosisimo contingente para a grandeza de um paiz naturalmente rico e intelligen-te como o nosso.
O interesse pelos elementos que darão o verdadeiro realce moral e material ao paiz, assim como á toda a humanidade, éuma bandeira que devemos por á frente do nosso tra-balho, qualquer que elle seja; não importa a carreira a tomar, na sei-encia, na arte ou na industria.
«Todas as formas são boas, to dos os meios optimos, desde que reprezentem uma interpretação lo-gica e racionai do mundo.)) Corno diz Adolpho Caminha, falando so-breos artistas. (3)
Ifesta interpretação está ofecun-do trabalho da educação a dar Age-ração quo se faz o á geAge-ração que vier, sejam nossos descendentes ou sejam os indígenas cathequisados. Sylvio Homero dá â esle nobre interesse a devida consideração, escrevendo, em 181)4: «Com qua-tro annos apenas de existência a re-publica do Brazil tem passado por intensas eommoções internas, (pie estamapedir o estudo e as aprecia-ções dos publicistas ephilosophos. Quaes as causas históricas das luetas entre nós pugnadas nesse Ia-pso de tempo ?
Quaes os seos móveis próximos e quaes os remotos?
Qual a lei sociológica que vae presidindo ao desdobramento dos fados?
A elucidação destes e d'outros problemas congêneres seria de inestimável valor para a orientação dos espíritos, o que importa dizer —para a apaziguação geral, que, nas actuaes circumstancias, seria o melhor serviço prestado a esle paiz)).(i)
E com relação especial aos In-dios, já Adolpho Varnhagen, en-tre outros, havia dado o brado de alerta no Instituto Histórico e Geo-graphico Brazüeiro, propondo, a par de outras importantes medidas, «que no Instituto se crie uma
soe-ção de Etnographia indígena, a
qual se oecupará dos nomes das na-ções (com a synonimia quando hou-ver), suas lingoas e dialectos, loca-lidados, emigrações, crenças,arche-ologia, usos e costumes, os meios de as civilisar, e tudo o mais tocante aos indígenas do Brazil e seos circum-vizinhos, comprehendendo egual-mente as noções geognosticas, e conjecturas geológicas que possam esclarecer a obscura historia d'este território antes do seo chamado
des-cobrimento. »(o)
Trabalhe-se pois; estude secons-cienciosamentea indole dosindige-nas; sua vida moral, intellectual e pyhsica; sua existência de pescado-res, caçadopescado-res, agricultores e no-madas; suas leis despoticas e com-pensadoras; e coròe-se o trabalho insano que dará esse estudo com o emprego de másculo esforço pela civilisação do brasileiro selvicola.
i I — 5-—1S06
Silveira Netto.
EXOTISMO
VIII
(2) Spencer — Educação, pg. 64.
(3) A. Caminha. —Cartas Litterariàs, pag; 54.
(4) Sylvio Romero -Doutrina contra doutrina; lutrouiicção.
(5) Art. 1.° do Relatório apresentado com a Me-moriasoorea necessidade do estudo e ensino das lingoas indigenasdo Brazil; lida na sessão de l°.de Agosto de 1840, por Francisco Adolpho de Varnha-gén, membro correspondente do Instituto.
Sala de jantar ricamente! mobília-da. Atravez as venezianas
austera-mente cerradas, peneiravam
es-tertoranlos raios de sol, que, esba-tendo na louça da moza. preparada para a refeição, dava-lhe tons de um dourado finíssimo.
As iguarias fumegavam delicio-samente, impregnando o ambiente de calido perfume confortante.
Máximo e Leonidas tomaram lo-gar ao lado direito do Barão. De-pois da sopa de aletria, foram ser-vidos de feijão.
Agora que fossem fazendo pela vida, lhesdisseo Darão limpando os
longos bigodes com a ponta do
guardanapo que tinha suspenso do pescoço.
—«Não so incommode,sr. Barão: saberemos ser dignos convidados de v. ex.» lhe respondcoMaximo.
—«O sr. Leonidas assim não justifica, pois, mo parece, pensa muito...)) disso a Baroneza, des-franzindo os lábios n'um gracioso sorriso de mulher aristocrática.
—«E' que meo amigo Leonidas, vive mais pelo intelleclo, minhase-nhora, e v. ex. sabe perfeitamente que...»e essas reticências eivadas de ironia completaram aphrase de Máximo.
—«E' injustiça, minha senhora, é injustiça, creia v. ex. que estou co-mendo muito bem.))
O indiscrepto tinnido de um tim-pano, veio interromper a pelestra que começara de se animar.
Um creado apparecco annunci-ando, o Dr. Tancredo.
«O' 1 o Dr. Tancredo de Albu-querquel... bem vindo seja, con-duze-o para aqui.
E'um moço muito distineto que vou ter a ventura do lhes apre-zentar.»
E o Dr. Tancredo, appareceo, cor-recto n' uma sobrecasaca de dia-gonal preto; o Barão recebeo-o com visíveis provas de considera-ção. Depois dos cumprimentos do estylo, tomou logar ao lado de Hor-tencia.
«Julgávamos qne não quizesse voltar, Dr., parece que se aclima-tou lá pelos Campos-Geracs. Ainda hontem falamos a seo respeito.»
--((O' sr. Barão, lizonjeam-me tanto as suas palavras!...»
Leonidas logo que vira entrar o Dr. Tancredo/ reconheceo n'elleo desconhecido que conduzia Horten-cia pelo braço, quando a vira no Passeio Publico. E uma revolta de
CLUB CORITIBANO 3 um 11—i
ciúmes, cadavcrizou-Ihe a physio-nomia.
Hortencia comprehendera. Eella quo até ahi so conservara silencio-sa, procurou arrancar Leonidas1 aquelle inferno de duvidas, enta-bolando com elle graciosa eonver-saçao, provando-lhe assim que a presença daquelle sr. Dr. Tancre-do era nulla.
não poude dizer nada ; a Baroneza procurou salval-o:
—«Nostalgia* de moça, Dr. Sau-dades vagas e desconhecidas, que a
mocidade sente e não explica.» O Dr. Taneredo, mordeo a guia do bigode ; nao mais pronunciou uma palavra.
Ergueram-se da meza. Attestava-o a indilTerençacom (pie
o tratava, indilíerença essa notada por seos pães, que não a applaudi-am, pois viam no Dr. Taneredo, o seo futuro genro, o homem (pie ha-via de fazer a felicidade de sua (ilha.
Pobres pães que, quando muitas vezes julgam contribuir paraafeli-cidade dos filhos, vão simplesmen-teescravizal-os ao poste da infeli-cidade.
O amor não se impõe.
Máximo (pie também amava á Hortencia, porem que nunca tivera a franqueza de o confessar a Leoni-das, mordido por terrível ciúme, urdio um plano, exploraria o facto, encitaria Leonidas a que abando-nasse áquella mulher.
E depois... Depois a marcha dos acontecimentos resolveria o resto. O Dr. Taneredo, eraoverdadeiro
typo do bacharel (pie se
jul-ga superior a todos os homens, que como elle não teem um passaporte de ignorância, dado por qualquer academia.
Ligara pouca importância aos convidados do Barão.
—«O que hão de ser? plebeos, que o Deos do acaso fez
senta-rem á meza de um nobre.))
Hortencia, depois da entrada do Dr. Taneredo, era toda attencão a Leonidas, e aquelle percebera; sentia o frio glacial dos olhos de Hortencia que se distrahiam, todas as vezes que se voltavam para o seo lado. Não se poude conter, aquil-Io o incommodava :
— «Esteve doente, D. Horten-cia ?
—((Não senhor.
—«Vejo-a triste, physionomia de convalescente ! »
—«Qual, Dr, quer saber, a do-ença de Hortencia, disso o Barão rindo gostosamente ? E' saudade, simplesmente saudade.))
Hortencia fitou-o, austera e me-lancholica, ruborisada pelo sorriso do pae.
—«Mas, saudade de que ou de quem?)) disse o Dr. Taneredo,trium-phante, «a saudade, como todos os sentimentos da alma, tem a suaori-gem. ))
O Barão vacillou ; um presenli-mento espicaçou-lhe a consciência
íülio Pernetta. A FLOU DEGEItA
A Loocadlo Corroía
Cachos em cúpula. Sombrinhas de estrellas. deitando para a terra sombra crochetada, claro-escuro de
uma tela ideal.
Folhas viçosas, verdes, muito ver-des, verdes como a esperança dos corações amantes, — balançam-se no ar, como mãos espalmadas, sa-hidas de muitos braços, pendentes de um corpo flexível e esguio, es-guio e phautastico, que se esgueira somnambolicamente pelas portadas pelos caxilhos da janella, até des-prender-se, lá cima, confundido na ramagem oriental da veneziana,dei-tando para a terra sombra croche-tada, claro-escuro de uma tela ideal. E o sol, ao longe, esgueirando-sc pela veneziana do firmamento,fran-jada de nuvens, vae sornnainboli-camentesubindo...subindo... edei-tando para baixo, em raios obli-quos, luz, muita luz, luz dourada como sonhos de creança, que se vem coar por entre ocrochetado das sombrinhas de estrellas da Flor de cera. unidas em cacho, abertas em cúpula...
:',:
E' então que Ella, a loura cabeça apoiada sobre a mão esquerda, o outro braço pendido negligente-mente, queda-se na contemplação da Flor de cera, talvez procurando nellaveroidcalde todos os amores. Edos seos cabellos louros como os trigaes maduros, em duas azas ere-ctas e pretas, emerge um encanta-dor laço de fita, talvez a borboleta symbolica de duas almas que se comprehendem.
Romário Martins
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PELA MARINHA
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D'essa oceasião, data a minha amizade com o Dario. Continuámos a nos vizitar freqüentemente; elle passou a ser o meo mestre; a elle, unicamente a elle, devo o pouco que sei, e isto o declaro com. bastante orgulho.
Silveira Netto, fui meo collega de eschola.
Antônio Braga, conheci-o, como se conhecem os habitantes de pe-quena cidade.
A carreira do commercio, a quo meo saudozo pae me destinara, afastou-me da minha terra, do con-chego divino do meo lar, muito cre-anca ainda, e por Ia vivi,ora empre-gado, ora estudando, aos pontapés da fortuna, por espaço de oito an-nos. Quando voltei, por uma d'es-sas horas de um crepusculejamento triste, quando a desolação se esten-de por toda a parte como um
gran-de sudario roxo gran-de saudagran-des, n uma * tristeza profunda de funeral; n'essa hora de angustias supremas, quan-do o pensamento thermomiza as dores de nossa alma, procurando-a enganar com lembranças vans; n'uma d'essas horas pungentiva-mente dolorosas, regressei do lon-go e penoso exilio a eme me sub-mettera a resolução uo meo bom pae.
Regressava de novo á minha ter-ra, ao meo lar, ao meo lar querido, hoje e para sempre vasio, vasio dos teos sorrizos, Mãe divina, e da tua austera bondade, extremosissimo
Pae.
Mas de que forma regressava ? Velho, na exuberância da minha mocidade.
Antes não tivesse regressado
nunca !
Eu era um extranho que trazia a fronte coberta e alquebrada pelo anathema negro de atrozes infprtu-nios, a alma enlutada, o coração desfeito pelas magoas c pelos des-enganos.
Justamente n'essa epocha o
Bra-ga e o Silveira firmavam
produ-cções de algum mérito litterario, vi-viam hypnotisados pelos applau-sos das turbas.
Desconhecémo-nos.
Eu, divorciado do mundo, refu-giei-me uo eremiterio das minhas tristezas.
So em 1892,quando eu fazia par-te da redacção cr O Futuro,peque-no jornal litterario, é que Futuro,peque- nova-mente fomos nos approximando, e, finalmente, hoje nos reunio defini-tivamente o Cenaculo.
Dezembro—1894.
Júlio Pernetta.
—as» ©-*«
CIIROMO
Um laço preto de fita Prendia-te a trança loura-Ao vento todo se agita, Um laço preto de fita. Sahiste com elle em visita Com o sol que tudo doura.. Uni laço preto de fita
Prendia-te a trança loura.
4
CLUB CORITIBANO
SSSPSHSWV
PARNASO
URZES
•••Uuao mísero que sou !... Assassinei a vida, Rasguei o coração nas urzes da descrença... Tive, em cada alTeiçâo, uma alTeiçao perdida,
E tive em cada sonho uma tortura immensa.
Fui amado, no emtanto!... Em seo formoso seio Adormeci sonhando eterno paraizo...
Volto. Venhosomhrio... E,—quemsabe?—seaodeio, Por ver o seo perdão sorrir no seo sorriso !...
Quando, ha pouco, ella abrio-me alegre, alvoroçada, As portas de marfim do gracioso abrigo,
Fiquei scismando, então, no patamar da escada : — Vae ser o seo perdão o meo maior castigo.... Volto. De seo olhar, com mais vehemeneia ainda, O amor se exparge, e canta, e vibra alvoroçado.
Porem, eu vejo emtudoessa tristeza iníinda De quem tudo perdeo antes de haver gozado. E essa magoa fatal, e esse funereo pranto, O cruel desespero, a dor que me encarcera, Tudo que me apunhala e me desola tanto, E que tanto me punge em plena primavera ; Provém de uma illusão desfeita em cinerario... Nada mais me conforta; a vida me horroriza... Em silencio caminho e levo ao meo calvário
Do mais ardente aííecto a dor que se eterniza. Quão misero que sou !... Assassinei a vida, Rasguei o coração nas urzes da descrença... Tive, em cada alTeiçâo, uma affeição perdida, E tive em cada sonho uma tortura immensa.
Antônio Braga.
ANGEIcUS
— '(Compra flores? A flor é a mocidade.» A louca oflerecia : «Compra flores ?...» Nos lábios o sorrizo da saudade
Madrigalando uma canção de amores.
Passou a primavera; e a pobre louca, A desolada e triste creatura,
Cerrou os olhos e fechou a bocca Na santíssima paz da sepultura
Júlio Pernetta.
Apotheose do espectro
A Justiça começa á beirado sepulchro,
Haja equidade ou nao nos tribunaes humanos; Ea Morte é sempre o casto e poderoso fulcro Onde se vae partir o sceptro dos tyrannos. Irás, pallidae só,—larva nevrotisada
Pelo amor sensual de satyro lascivo, Mostrando ao ceo azul a face desbotada E a ecehymose senil do coração captivo. Os nimbos velarão o rosto das estrellas,
— Maldicta encarnação de excelsa formosura Para (pie o teo olhar nao possa corrompel-as, Nem clareie o luar a pestilente lura
De tua alma hedionda e roida de inveja, Foco de lodo mal, foco do toda pena.
Onde o Crime cscahnja e a Injuria rumoreja, Quando a monja do amor as luxurias condemna. Teo corpo escorrerá nojento pus infecto,
Horrorisando o abutre e envenenando o verme ; E não terás, sequer, osudario discreto
Com que a Terra amortalhao lyrio e o pachyderme Teo rubro coração por cem boceas maldictas
Uivará tristemente orequiem das Imporias... Imprecarásdebalde as meigas cenobytas : — O coaxo não sobe ás regiões etherèas. Banida sejas tu em toda a natureza!... Sigam-temaldições o cortejo macabro !... Os pythonsda irrisão mordam-te com fereza
O seio immundo, a bocca infame,ocraneoglabro!... Eu subirei ao Ceo nas azas da Saudade,
Às Estrellas virão me ensinar o caminho... E as urzes que plantei na acerba soledade
Rescenderão a incenso, a nardo e a rosmaninho. As lagrimas de amor que arrancaste á Innocencia Se crystallisarão nas ambulas dos astros;
E, do caule aromai de minha omnipotencia, Ver-te-hei a soluçar, caminhando de rastros. Ver-te-hei a soluçar, desamparada e louca, A' noite supplicando a treva protectora, As pequeninas mãos batendo sobre a bocca, Humilde, arrependida, exangue, soffredora !...
6— Março — 1895.
CLUB CORITIBANO
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Luz! Luz do Ceo, alumia-me, nara que eu possa crer no alíecto
liumano!
Luz! Luz do Sol. aquece meo pobre coração,enregelado pela des-crença !
Luz! Luz das Estrellas, tu que guiaste os Magos do Oriente, guia-me. afastando me das trevas desta paixão ardente, e desta duvida es-magadora! Guia-me, faze-mo um crente, para quo eu possa crer nessa a quem tanto adoro, e que me diz ter amor!
Amor, — doudivanas mariposa, sempre adejando em torno dos co-rações, e, mal o fogo do ciúme ou da volúpia nclles se accende, para logo crestando as níveas azas, c indo rolar, exanime, no lodo.
Não, eu nao quero o amor de Rachel; quero sua amizade, a con-soladora amizade de uma irman : quero tela sempre ao meo lado, beijal-a muito, muito, mas respei-tosamente, como beijaria a fronte de minha Mae.
Minha Mãe, ó minha Mãe, tu que és a minha saneia no Ceo, faze-me crente,—para que Rachel venha a ser a minha saneta na Terra !...
2—189G.
Emílio Viscontini.
CHRONICA
A semana santa passou, entre confissões e jejuns.
O templo se enchia: velhas entra-vam, persignando-secomagoa ben-ta, para que o demônio não as acompanhasse até junto do altar, onde,com reverentesmesuras,cum-primentavam as imagens de gesso coloridas, que as fitavam com olhos de contas de vidro. Beijavam aima-gem do Christo morto, que.allumia-cia pela luz das tochas, resplande-cia n'um sorrizo divino, como se por seos lábios ainda passasse uma su-blime phrase de perdão, ou choras-se acavatina esplendida dos beijos, da meiga e apaixonada Magdalena. Procissão do encontro ; biogra-phamento da vida do Christo; ser-mão de lagrimas pronunciado com tanta eloqüência mystica, tão pro-funda, tão emocionadora, que to-dos choravam, o pregador chorava, até o próprio Christo estremeceo e... chorou Lagrimas crystallisa-das na recordação dos grandes pa-decimentos, desceram silenciosas pelas suas faces, e, silenciosas fo-ram se oceultar na cabelleira
es-plendida de Magdalena. quo o so-guia, junto ã cruz, pela enlutada rua da Amargura.
Crucificaram-to, Christo, apóstolo sublime da liberdade!
A humanidade,ainda ê assim; e, quando nao pode mandar, em plena praça, decepar uma cabeça onue re-ferve o gemo, taxa-a de louca!
Louco foste tu, bom Christo,por-que quizeste o nivellamento das classes; louco foi Gallileo,dizendo (pie a terra se movia; louco foi o sublime Tiradentes quando exigio liberdade para sua Pátria, escravi-sadadeum throno extrangeiro; e loucos sao todos os homens supe-riores.
A humanidade, ainda éassim! Ae d'aquellc que se tenta evadir do cs-treito cárcere dos burlescos pre-conceitos sociaes, para protestar em nome do progresso contra abe-dionda escravidão do pensamento! Chamam-n'o, transfuga, hereje, blasphemo. e tudo mais quanto possue o vocabulário das médio-cridades.
«Desgraça! Eis tudo que resta Da raça dos lYotnetheos!
rm inundo sem liberdade ! Um infinito sem Deos!»
Foi doloroso e longo o teo mar-tyrio, bom Christo; riram-se de ti e da tua amargura, e pregaram-te á Cruz, como o ultimo sarcasmo, de-cretado pelo concilio do Sanhedrim.
«Só Majrdalena ao ouro da madeixa Limpa-lhe a face que de manso inclina.
V. no meio da lagrima mais linda,
Com a miíolhe abrindo apalpebradivina, Busca ver se elie o vê beijando-u ainda.» (1)
E hoje,bom Christo, antes do dia convencionado pela egreja para a tua ideal e poética ressurreição, estruge a alleluia, n'uma algazarra de notas metalicasdesinos,ese ouve o estampido das bombas cios fogue-tes que se crusam no espaço e sobem como tlexas para o Armamento !
Se acompanham o teo funeral ho-mens de luto, se na sessão magna, em commemoração ao teo passa-mento.o orador sagrado ainda reci-ta uma oração fúnebre, como esreci-ta manifestação é herética,profanando a memória de um dos maiores vul-tos da humanidade !
E a alleluia bimbalha.
Pelas esquinas, suspensos dos postes, pendem vultos enchumaça-dos de capim, erectos como suici-das; são os judas, nos quaes as cre-ancas vão vingar oceleberrimo bei-r/o,deque nos falaafabula. Descem-nos do seo phantastico supplicio, es-quartejanao-os, arrancando-lhes os
(1) Luiz Debliin o.
bigodes postiços, os olhos da masca-ra de papelão, desnudando enfim os pobres judô*, que ficam reduzidos a um pouco de capim.
Malaventurado Judas, pobrescre-ancas! So conhecesseis a historia d'esse grande legislador, se sou-besseis que elie nuncatrahiooChris-to, que esse beijo satânico (pie tem atravessado os séculos como um anathema, foi impresso pelos papas na face direitada humanidade; que. se houve traição, foi o amor, tao somente o amor, que levou o Christo aosupplicio pungente da Cruz, que foi asuaextraordinariagloriGcação; com certeza ingênuas creaturas,não symbolisarieis aqulle grande Judas, n'um homem feito de capim, (já nao é de barro) a não ser que isso seja uma ironia .
Plodomingo, bom Christo, fizeram a tua esplendida ascenção para o magnificente castello azul do fir-rnaménto, onde ha cerca de vinte séculos, vives sentado (so te levantas pela paschoa) á mão direita do teo poderoso pae.
No domingo da ressurreição, de-pois de terem feito o pobre Naza-reno subir para as estrellas, como se fora um balão cie experiências de viagens aéreas, fui ao Club Co-rilibano assistir ao saráo. Não digo que dancei, mesmo porque nâo quero que isso vá á posteridade como o beijo de Judas; mas que vi outros dançarem, por certo mais felizes do que eu! A felicidade para mim é questão de interpreta-ção ; ás vezes em meio de uma tris-teza immensa sinto-me feliz, outras vezes em que rio e não sinto ma-goas, acho-me infeliz.
O soífrimento é o patrimônio da existência humana ; os que não sof-frem não vivem.
Haverá delicia maior do que a saudade ? e tristeza maior do que a alegria ?
E creia piamente,meo leitor, te-nho-me dado perfeitamente com este modo especial de ver e sentir, a que tu com certeza chamarás pes-simismo.
Mas,digamosalguma cousa sobre o swrao.Todos dançavam: o Nino dançava, o Leocadio dançava,o Bue-no também dançava, só eunãodan-cava porque não havia mais pares.
Caspité ! se o velho Sertorio me ouvisse declamando esta porodia á um trecho da Dalila, dançaria tam-bem !
Sentaram-se os pares.
6
CLUB CORITIBANO
i^mammggggggSSSSSf * mmmmm—m ^^^^^^^^^m-^^mm PSPHHHBWBI^H
«Minha senhora, V. Ex. tom par para esta valsa que ensaia os vôos nos teclados brancos do piano?»
«Nâo senhor.»
«Quer V. Ex. dar-raò a subida honra de arquejarmos no cansaço delicioso da (elucidado que sô se encontra ua dança?»
«Pois não, cavalheiro.»
«O que acha V. Ex.» deste es-parzimento de luzeleclricaquose derrama polo salão, da cornucopia dos focos?»
«Muito agradável.» «Y.Ex.a gosta delòr?»
«Nâo sou de toda indilTerente á leitura.»
«Conhece a historia da
Prtn-cczaMngalonu v»
«Quando era creança, lem-bro-me, ouvi minha avô conlar.» «Para mim, minha senhora, ó, o que lenho lido de melhor; nâo ha nada superior â
PrintrzaMaya-lona*))
A palestra foi interrompida pela valsa. As notas da Minha esperança, soluçaram tremulas como uma alma que chora, como nma esperança que se despede para todoosempre.
Júlio Pernetta.
este 6 a imaginação. Tambem Mu-rat nâo ó parnasiano: é mesmo inimigo declarado do parnasianisr mo. O seo ídolo 6 Shakespeare. E' dos que preferem uma idòa níia a uma forma vasia, como uma bella mulher vestida pobremente a um manequim arretado de velludos. Francamente, nâo creio queqhaja muita gente que nâo lhe dô razão.
A mais singela poesia de Luiz Mu-rat tem uma opulencia de imagens, sempre inesperadas o noves,se pode dizer o que Asselineau dizia das de
Baudelaire: ulles fonl explomn avec rtelal soudain des fleurs de
Valo és.))
«ONDAS» II
N'eslesegundo volume das Ondas está mais bem definida que no pri-meiro a physionomia litteraria de Luiz Murat. O volume contem se-tenta composições deepochasdiver-sas, que representam um período de dez annos de producção poética: ao lado de versos escriptos em 4 895,
quando o poeta apenas acabava de
se tornar senhor de um cstylo pro-prio, lia versos escriptos em 1885, anno em que Murat já estava sagra-cio poeta, e grande poeta, dos mais apaixonados da edade moderna.
E nota-se logo que, n'esses dez annos, o processo do auetor não mu-dou: do principio ao fim do volume, a imaginação éamòsma, a mesma é a maneira, o mesmo é o amor da forma, e o respeito da lingoa; não è pequeno elogio, esse: vale dizer que o Murat não se fez poeta, mas jánasceo poeta, expontâneo, de ins-piração fácil e abundante.
Pode ser que outros tenham mais belleza de fôrma, uma sciencia maior dos segredos da métrica e da rima, um apparelho mais complica-do de recursos de estylo: o que nenhum poeta brazileiro tem como
Houvequem achasse contradieçâo entreolvrismo do livro c o tom a um tempo arrogante e desesperado do prefacio quo o abre. Mas a ar-roganciae o orgulho não ficam mal a quem tem a consciência do alto destino da sua missão de poeta:
«.le sai* que vous gardez une place au poeto Dans les rangs blonlieureux des saintes légions,
Rt que vous rinvitez h Ccternelle It-te
Des Trones, des Vertus et des üominations!»
Ea tristeza, a melancholia, a amar-gura que o fazem dizer que «entre nós a poesia deve ser 'a agonia do desespero,» são próprias de quem, em pouco mais de trinta annos de vida, jádesceo de um em um todos os degráos do sofTrimento humano, sem perder essa nobre altivez que, sob os golpes de injustiça, sabemos justos guardar.
Lyra sem cordas, A uma cresci' da, Ironia, Vendo-a are:.ar,—que são das mais sentidas peças do vo-lume, foram escriptas em Santa Ca-tharina, em Paraná, em Buenos Ayres, no exílio ou na prisão. Da baixeza da vida, dasinnumeraveis e indiziveis misérias da existência, pôde o poeta, arrebatado pelo seo sonho consolador, fugir para a alta região da Arte: mas leva sempre comsigo a náusea do que vio, o des-espero das desgraças sem remédio de que foi testemunha, e o amargo travor das lagrimas que chorou.
Toda a poesia de Murat é triste. Em 4 885, no começo da vida, na alvorada fulgurante dos vinte annos, já elle escrevia aquella formosa Ar-'vore
do coração:
Dentro do meo coração,
Cresce uma arvore frondente, Onde uma triste canção
Gorgeia constantemente' Um sabiá cia floresta.
Cada illusâo, que apparece, Pergunta : «que voz é esta, Que as illusões adormece ?»
Cada folha e cada flor
Quecae d'éssa arvore immensa, Sâo restos do tco amor,
Sâo restos da minha crença. Envolta em turbidas sombras, Dos seos longos e hirtos braços Lança ao docel dasalfombras O coração aos pedaços.
Tudo que era meo perdi .. Nada me ficou de outrora ! Vivo, ha muito que morri... E se o meo riso nâo chora, E' (pie a lagrima do riso IT outra lagrima se esconde.
Ruína de um Paraizo,
E'rro sem saber por onde... Quando vi apparecer
A minha crença primeira, Fiquei como a laranjeira Ao ver um bolâo nascer. A minha vida era calma,
Sem parceis e sem abrolhos; —Se eu tinha o céo em minh' alma E a sua imagem nos olhos!... Cinco annos depois, a tristeza não era maior; era a mesma. E o poe-Ia já não tinha vinte annos, e já tinha a alma cansada de amar e de soffrer, c era dentro da cadeia de Paranaguá que escrevia aquellas ultimas estrophes de ÍSa Vrisâo :
Passa ama noiva... Como vae contente Tocada pelos zephiros risonhos!
Vive alegre ! e que o amor, eternamente, Te colme o lar de festas e de sonhos ! Camões, grande Camões, mestre da Rima ! Dlsseste: «o dia em que nasci pereça !» Vê. Camões, se ha pezar que mais opprima, Se ha cegueira que o olhar mais escureça, Do que a minha, que a tua em tudo excede, Do que a minha que bate a cada porta, Que ao lar dos pobres um asylopede, Que á dor dos tristrs um sorriso exhorta |...
Abençoada tristeza ! Afinal, pen-sando bem, creio que todo o mundo étriste ! Ha quem viva disfarçando a sua melancholia, até leval-a igno-rada, para o fundo da cova. Ha quem transforme as suas amargu-ras em maldade, ou máo humor, ou sarcasmo. Ha, porém, felizmente, os tristes que sonham e cantam, fa-zendo da alma um estuário em que todos os rios das lagrimas humanas vêm desaguar e convertendo as próprias dores e as alheias em obras de arte. Esses devem ser abençoa-dos e amaabençoa-dos. Não se esterilisaram na dòr. Não se bestificaram no des-espero e no desanimo. Fizeram co-mo aquelle santo da lencla, que, acossado e crivado de dardos pelos homens ingratos, arrancava as fre-chás agudas do peito e devolvi-as aos bárbaros transformadas em es-pigas de cereaes.
CLUB CÜRITIBANO Luiz Murat pertence ao numero insignificantes, que assignalam o desses. Mudou a sua tristeza, de primeiro período de agitação
litte-fonte dé lagrimas que era, em litte-fonte j . de versos límpidos, que aqui estão,! ' * * neste bello volume das (Xnuas,
dan-do consolo ás almas.
Abençoado o amado seja o poe-ta! 0. B. aGazeta de Noticias». 2do.Março—1*9G.
ESMERILHOS
vi
A LlTTERATURA NO P.UUXiO Paraná não tem litteralura, já o disse, e ainda o repito. Ha, po-rem, que, mais tarde,-—com o pro- gressivoevolverdasLettras,—quan-do se tenha de analysar obras de mérito, indispensável será ao criti-co criti-consciencioso criti-conhecer as prl-inicias lilterarias com que os sapa-dores do Verso, nesle Estado, abri-ram caminho ás legiões a que está reservado brilhante e confortável futuro. Sem competência embora, registrarei nestes Esmerilhos
aquel-les dos trabalhos impressos, firma-dos por Paranaenses estudiosos ou por outros Brazileiros, e Estran-geiros mesmo, que aqui tenham vi-vido e com suas producções concor-ressemparao vulgarizar das Let-trás cm o Estado.
Que eu saiba, nenhuma obra de mérito indiscutível appareceo ain-da, capaz de solTrer vantajosamente o confronto com trabalhos idcnti-cos de outros escriptores Brazilei-ros; a Imprensa, porem, lem tido orgaos redigidos com hombriedade e civismo.
Dividirei om trcz epochas o tem-po decorrido da installação da pro-vincia a fins do anno próximo
pas-•loniiM»*. — Recebemos o n. 4.° á'á Comarca, que começou de se publicar na florescente villa da Pai-meira, sob a redacção dos srs. Ur-bano Corrâo eJ. Dias;
A Verre, pequeno jornal littera-rio e nolicioso. publicado em Para-naguá, sob a redacção do sr. H. Pereira. K um esforço grandioso, exemplo digno de ser imitado, o d'esse joven que comprehendeo, que, trabalhar pelo dosonvolvimon-to das lottras, é contribuir para o engrandecimonto da Pátria, para o futuro da Humanidade.
Agradecidos pelos números que nos enviaram.
Sàrao. — No dia 5 do corrente realisou-se nos salões d'este Club sado, sendoa primeira de 1853 a
1870, a segunda de 1870 a 4885 e ium esplendido sarao animadíssimo
. V m t o.. • r.n- Que se prolongou ate muito tarde.
a terceira de 1885 a ls95.
No próximo numero tratarei da primeira epocha.
Coritiba. Abril de 1896.
Dario Vellozo.
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NOTICIÁRIO
Plalca, — Da Platea, importan-te orgam da imprensa paulista ex-trahimos o seguinte que nos diz respeito:
«Recebemos a revista Club Co-rüibano, orgam da Associação que tem o mesmo titulo.
Traz versos de E. Montarrovos, Júlio Pernetta, A. Braga, S. Netto, Ricardo Lemos; e bòa proza de Da-rio Vellozo, Marques Leite, Emilio
. ...,. . . Viscontini e Romário Martins. EJ
Estas nolas, mui difflcientes por um esplendido n„mcro Htterario.» certo, motivarão quiçá abalysados'
estudos, por onde se possa nítida-mente conhecer o passado da Litte-ratura no Paraná, —desde que. em 1853, se installou a Província.
Não é tarefa de todo impossível, senãodifficultosaa quem, como eu, raros trabalhos paranaenses possae e não conseguio uma só collecção
do Dezenove de Dezembro, em que
forçosamente encontraria interes-santes e numerosos apontamentos.
Espero merecer, porem, da parte dos competentes, informações que me esclareçam oassumpto.
Pretendo apontar, também, ai-gunsdos jornaes litterarioscjue aqui tivemos e as brochuras, por mais
Xova Revista. —Temos Re-cebido esta magnífica revista litte-raria.que, em fàsciculos, se publica na Capital Federal, sob a direcção dos conhecidos homens de lettras Adolpho Caminha eOIiveira Gomes. O summario é variado de esplen-didos artigos, firmados por nomes ja muito reputados no nosso meio Htterario.
São sempre dignas de applauso, tentativas como essa, em prol do progresso intellectual da Pátria.
Agradecidos pela delicadeza da remessa com que nos tem honrado.
O Cenaculo. — Recebemos o 12.° fasciculo Tomo n, anno 2.° d'esla importante revista litteraria. Obrigados.
quesepr..
CUiiImIos Puritanos. — Esta boa sociedade carnavalesca reali-sou no sabbado de alloluia um magnífico baile phantasiado, nos
salões Ao Club dos iiirondinos.
Agradecidos pelo convite que nos enviaram.
Iloliemios— Inaugurou-se com um sumptuoso baile, nos salões do Club dos flirandinos, esla associa-ção de distinetos moços.
Obrigados pelo convite.
Drama. — Acham-se bastante adiantados os ensaios do drama que muito breve será levado á scena por alguns sócios d'esteClub.
Muito bem.
Sorteio de titulos. — Em ses-são da Directoria, de 0 do corrente, foram sorteados para serem resga-tados, seis titulos da divida dóGlub. Os números dos títulos sorteados e os nomes dos possuidores constam da acta da sessão, publicada no Ex-pediente d'esta revista.
Assembléa íieral. — Pio dia 19 do corrente, á l hora da tarde, devem se reunir em sessão ordina-ria de Assembléa Geral, os sócios d'este Club.
Freqüência—A freqüência de sócios e convidados nos salões do Club, durante o mez, deo a media diária de 40 pessoas.
Bibliotíieca—O movimento da
bibliotíieca do Club, durante o
mez foi o seguinte:
Volumes sahidos. . . . )) entrados. . . Obras consultadas . . 183 94 3
8
^S5£rCLUB COR1T1BANO
EXPEDIENTE
WM.iWilll..MII,MW i. ..,,. Ses*i!oordiiuu*inda Dircclo-rio, oin 6 dc Abri Ide 1896. Presidência do Sr. Cyro Vclloso Secretario—.Mario CorreiaAos seis dias do mez de Abril, do anno de mil oito centos e noventa e seis, ás oito horas da noite, na bi-blioihccado Club Coritibano, pre-sentes os Directores: Presidente, Vice-presidente, I.°e2° Secreta-rios, I." o 2." Thcsoureiros. foi aberta a sessão.
Foi lida e sem discussão appro-vada a acta da sessão anterior.
Pelo Secretario foi lido o se-guinte
EXPEDIENTE
Oííicio do sócio André Jouve com-municando achar-se ausente d'esta capital —Sciente— Note-se achan-do-se quite.
b —Olíicio do Secretario Proviso-rio do Club dos Bohemios, commu-nicandoa fundação do mesmo Club e a eleição de sua Directoria - Sei-ente— Archive-se.
—Oííicio do sócio Rev.,no Padre Alberto José Gonçalves, pedindo demissão dc Redactor da Revista do Club.
A Directoria, attendendo as pon-derosas razões apresentadas pelo distineto sócio, com pezar concede a demissão solicitada.— Communi-que-se ao Director Litterario e á Redacção da Revista.
Foram lidas,postas em discussão, sujeitas a votação e approvadas as seguintes
PROPOSTAS
Propomos para sócio efíectivo do Club Coritibano, o sr. Ignacio de Sá Sottomaior. — Assignados — Tar-quinio G. Correia, Lúcio Pereira, Clodoaldo Dias.
—Propomos
para sócio eífectivo do Club Coritibano, o cidadãoTheo-philo Soares Gomes. —Assignados,
Gustavo Pinheiro, Olavo G. Cor-reia, Tito Velloso, José Innocencio de França, Manoel de Miranda Ro-sa, João S. Saldanha, Manoel A. Silveira Júnior.
—Propomos
para sócio extraor-dinario do Club Coritibano, o cida-dão Theophilo Fabiano Cabral. Assignados,— José Innocencio de França, Lúcio Pereira, Brasilio Costa, Leocadio Correia. Cummu-nique-se.
Foram sorteados para serem res-gatados os titulos de divida do Club ii7s60, 75, 184, 447,010,655 per-tencentes aos srs. Antônio Joaquim
do Ilarros Barbosa, Agostinho José Pereira Lima, Hento Luiz da Cosia Braga, Joaquim José Belarmino Bittencourt, Dr. José Joaquim Fir-mino, Manoel Martins de Abreu. Extraiam-se as guias de pagamento o avise-se aos interessados.
Osr. 4.°Thesoureiro apresentou o balancete e as contas relativas ao 4.° trimestre deste anno.
Sejam enviadas A CommissAo que for nomeada para examinarascon-tas.
Foram nomeados para examinar as contas apresentadas pelo sr. I.° Thesoureiro, os sócios, João Porei-ra da Fonseca, JoAo S. de F. Salda-nha e Celso de Oliveira.
Foi deliberado:
Cunvocar-se para o dia 19 do corrente mez.áuma liorada tardo, a primeira sessão ordinária de As-sembléa Geral, do presente anno. Annuncie-se na forma dos Kstatu-tos.
Dispensar-se o pianista do Club. visto nao haver surdos todos os Domingos. Communique-se.
JS'ada mais havendo a tratar
foi encerrada a sessAo ás nove ho-ras da noite.
E para constar, eu, Mario Cor-reia, I.° Secretario, lavrei a presen-te acta que assigno com o
Presi-dente. Cifro Velloso
Mario Correia
¦»-i«»0*i*«-BALANCETE di. Kcecita e Despia» <1<» <ciub CoiitHmno
cio i.o l nines Ire do anno do 1896
RECEITA
Saldo de l*9i . .
Recebido de mensalidades .
Idem de jóias de novos sócios .
Idem dc diplomas . . .
Idem de donativos a Bibliotheca
Idem de aluguel das lojas .
Idem de jóia do botequim .
MSPEZA
Pago por amortisaçao da divida do Club . . Idem por juros da divida Idem por compra de louça e copos. .
Idem por installação da luz electrica. ...'.' Idem por impostos municipaes ...'
Idem por assignatura do telephone . . . [
Idem por assignatura de caixa do Correio . Idem por ordenados dos empregados . .
Idem por impressões e annuncios ....'' Idem por caiação da frente do edifício [
Idem por musicas para bailes Idem por carros no dia 6 de Janeiro
Idem por bebidas, bandeiras para o 0 de Janeiro Idem por fitas e miudesas para o carnaval
Balanço de saldo Rs. Saldo para o 2.° trimestre Rs. Coritiba, l.° de Abril de 1896. 1:79í)S48l) 2:478$000 3 ()$l)00 75$00l> 75£0t)0 450$0t)0 aOO$0()() 5:377$48() I:I00$00() 8i4§2 iO I32$0uü 9O$OO0 487$000 <I50$000 8$000 310$000 270$34!)
oofooo
500$00l) 90$000 002$00ü 318$400 0i5$490 5:377$480 0Í5$490 O Thesoureiro : Claro Gonçalves Cordeiro.'- ^«' -^Of^wâívi^kr»^.. Avisos
A distribuição da Revista do Club será feita aos Srs. sócios, na se-cretaria do mesmo Club.
A Directoria communica aos srs. sócios e ás suas exmas. famílias que, permittindo o tempo, aos cio-mingos, haverá saráo dançante nes-te Club.
As sessões ordinárias da Direc-toria do Club terão logar no dia 5 de cada mez, ás 8 horas da noite.
Na Secretaria do Club, nos dias úteis, das 7 ás 9 horas da noite, de 16 ao penúltimo dia dos mezes de Janeiro, Fevereiro, Julho e Agosto pagam-se os juros vencidos da di-vida do Club.