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O envelhecimento e a inclusão digital de idosos

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Academic year: 2021

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GRANDE DO SUL

DANIELE MÜLLER

O ENVELHECIMENTO E A INCLUSÃO DIGITAL DE IDOSOS

Santa Rosa 2012

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DANIELE MÜLLER

O ENVELHECIMENTO E A INCLUSAO DIGITAL DE IDOSOS

Monografia apresentada para obtenção do titulo

de graduada em Pedagogia na Universidade Regional Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul.

Orientador (a): Hedi Maria Luft

Santa Rosa 2012

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DANIELE MÜLLER

O ENVELHECIMENTO E INCLUSAO DIGITAL DE IDOSOS

Monografia apresentada para obtenção do titulo de graduada em

Pedagogia na Universidade Regional Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul

Banca Examinadora:

Profa. Dra. Hedi Maria Luft - UNIJUÍ

Profa. Ms. Claudia Seger Cunegatti – UNIJUÍ

Profª Ms. Marta Estela Borgmann

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DEDICATÓRIA

À minha família pelo incentivo, apoio e compreensão durante o período dedicado a vida acadêmica.

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AGRADECIMENTOS

A Deus por proporcionar todos os momentos as quais vivenciei durante todo o período de estudos, por sempre ter renovado a fé e a esperança de seguir até o fim enfrentando todos os desafios do percurso.

Aos meus familiares pelo incentivo e apoio, pela compreensão nos momentos de ausência.

Aos Professores, pela paciência e dedicação. Por terem me guiado na busca por novos saberes, por terem acreditado na minha capacidade.

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Feliz o homem que descobre a sabedoria e adquire inteligência, pois adquiri-la vale mais do que a prata; e seu lucro mais que o ouro; é mais preciosa que as pérolas e nenhuma de tuas jóias com ela se compara. (Provérbios 2-3)

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RESUMO

A presente pesquisa trata sobre o processo de envelhecimento e a relação dos idosos com a informática através de experiências de inclusão digital. Tem como objetivo investigar sobre os benefícios do uso do computador na vida dos idosos. Para tanto realizei um estudo envolvendo pessoas de 50 a 69 anos, participantes de um Projeto de Inclusão Digital para Idosos num município do interior do Estado do Rio Grande do Sul. A pesquisa envolveu investigação sobre as causas da busca pela alfabetização digital por parte dos participantes do curso de informática, as principais dificuldades enfrentadas e as mudanças percebidas por parte dos alunos em relação ao uso do computador e suas ferramentas no cotidiano. Envelhecer é uma fase de mudanças, e a informática possibilita novas aprendizagens num tempo que a tecnologia traz benefícios na vida das pessoas, especialmente dos idosos.

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RESUMEN

Esta investigación trata sobre el proceso de envejecimiento y la relación de los ancianos con la informática através de las experiencias de inducción digital. Tiene como objetivo invetigar sobre los beneficios del uso del computador en la vida de los ancianos. Por lo tanto realicé un estudio involucrando personas de 50 a 69 años participantes de un Proyecto de Inclusión Digital para ancianos en un municipio del interior .El estudio envolvió una investigación sobre las causas de la búsqueda por la alfabetización digital por parte de los participantes del curso de informática, las principales dificultades encontradas y los cambios observados por los alumnos en relación al uso del computador y sus herramientas en el día a día.Envejecer es una epoca de mudanzas, y la informática posibilita nuevos aprendizajes en un tiempo en donde la tecnologia trae benefícios en la vida de lãs personas, especialmente en los ancianos.

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO...9

1 ENVELHECIMENTO: TEMPO DE MUDANÇAS...12

1.1 ASPECTOS FÍSICOS DO ENVELHECIMENTO...15

1.2 ASPECTOS COGNITIVOS DO ENVELHECIMENTO...19

1.3 ASPECTOS SOCIAIS DO ENVELHECIMENTO...23

2 IDOSO E O MUNDO DIGITAL ...26

2.1 A INCLUSÃO DIGITAL NA TERCEIRA IDADE: UM PROJETO POSSÍVEL...29

2.2 O IDOSO E A FAMILIARIZAÇÃO AO COMPUTADOR...30

3 POR QUE A BUSCA PELA INCLUSÃO DIGITAL?...34

3.1 AS DIFICULDADES ENCONTRADAS NA INCLUSÃO DIGITAL...36

3.2 BENEFÍCIOS DA INCLUSÃO DIGITAL PERCEBIDOS PELOS IDOSOS...38

CONCLUSÃO...41

REFERÊNCIAS ...43

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INTRODUÇÃO

Ainda são poucas e recentes as pesquisas sobre a inclusão digital de idosos, porém já existem iniciativas nessa área, visto que, vem crescendo o interesse pela alfabetização digital na terceira idade. O homem contemporâneo possui uma nova forma de pensar o tempo, de se organizar e agir, é um ser que convive num universo globalizado. E nesse contexto de globalização vivem pessoas acima de sessenta anos de idade que por sua vez, nasceram e cresceram em outros tempos. Estes estão vivendo o presente e querem aprender, reaprender, ver, ouvir, teclar, acessar, pesquisar, digitar, atualizar-se, comunicar-se e descobrir um mundo de possibilidades e oportunidades nunca experimentadas.

Muitas pessoas depois de aposentadas procuram meios de ocupar-se durante o tempo que antes era dedicado ao trabalho remunerado. Para tanto, buscam espaços de convívio com pessoas da mesma faixa etária em atividades como: bailes, encontros, viagens, cursos, palestras, tendo assim a oportunidade de convivência, troca de ideias, relato de experiências de vida e consequentemente novas amizades, autoestima e autonomia. Manter-se ativo nessa idade faz toda a diferença para uma vida mais saudável e feliz, para isso um conjunto de ações são desenvolvidas atendendo a demanda cada vez maior que busca um envelhecimento ativo, com qualidade de vida

O presente estudo tem como objetivo investigar sobre os benefícios do uso do computador na vida dos idosos. Para tanto realizei um estudo com idosos participantes de um Projeto de Inclusão Digital para Idosos na cidade de Campina das Missões/RS, no ano de 2012. A pesquisa envolveu investigação sobre as causas da busca pela alfabetização digital por parte dos participantes do curso de informática, as principais dificuldades enfrentadas e as mudanças percebidas por parte dos alunos, em relação ao uso do computador e suas ferramentas.

Entendo a inclusão digital como um processo de familiarização das pessoas com as Tecnologias da Informação e Comunicação - TIC. Hoje é exigência até mesmo para o exercício da cidadania como votar em eleições, obter informações

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e utilizar serviços básicos governamentais como: previdência, assistência social e saúde. É componente obrigatório em muitos casos de ingresso ao mercado de trabalho, tornando-o mais competitivo numa sociedade caracterizada como uma sociedade do conhecimento.

Por serem pessoas na sua maioria de idade avançada e apresentarem algumas dificuldades em aprender a utilizar o computador e suas ferramentas, comecei a interessar-me em pesquisar sobre o envelhecimento e a aprendizagem na terceira idade. Com o passar do tempo mudei minhas práticas e experimentei novas metodologias e consequentemente descobri o que poderia melhorar e o que não favoreceu a evolução dos alunos participantes dos cursos de informática. Outras questões permeiam minhas buscas, sendo: por que a busca pela inclusão digital? Há benefícios durante e depois do processo de alfabetização digital dos idosos?

Para responder, em parte, estas indagações, organizei o presente estudo em três capítulos. No primeiro capítulo abordo as questões do envelhecimento buscando compreendê-las nas dimensões física, cognitiva e social. O envelhecimento implica em várias mudanças, escolhi as dimensões acima citadas por influenciarem diretamente o processo de alfabetização digital, podendo estes fatores, serem fundamentais para o sucesso ou fracasso na aprendizagem das pessoas dessa faixa etária.

No segundo capítulo apresento o estudo com os idosos participantes do curso de informática, num contexto de inclusão digital da terceira idade, no qual atuo como professora/mediadora. O projeto iniciou-se em 2007, sendo que em 2008 iniciei meu trabalho junto aos idosos da comunidade. Desde então surgiu a necessidade da pesquisa sobre o universo do envelhecimento e as suas relações com a alfabetização digital na terceira idade. Realizo o estudo através de entrevistas, questionários e observações das aulas de informática podendo assim identificar os principais interesses e dificuldades apresentadas pelos alunos.

No terceiro capítulo destaco a investigação sobre as causas da busca pela inclusão digital por parte dos participantes do curso de informática, as principais dificuldades enfrentadas e os possíveis benefícios da inclusão digital na vida dos participantes. A metodologia de trabalho inclui etapas de observação, participação do espaço de inclusão digital e das atividades relacionadas a esse espaço, além de entrevistas e questionários (amostra). As vivências dos alunos idosos durante o curso fazem parte deste texto e evidenciam a forma como eles percebem a

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informática e como se sentem descobrindo novas possibilidades de aprendizagem numa época de destaque para as tecnologias de informação.

Destaco ainda, o mundo digital na vida dos idosos, por muitos, desconhecido. É uma oportunidade de inclusão social, pois oportuniza a pessoa da terceira idade a conhecer e fazer uso de ferramentas digitais. Considerando o envelhecimento como uma fase de mudanças mais intensas na idade avançada, faz-se necessário conhecer e compreender mais sobre esfaz-se período para assim propor transformações e mudanças em nossa sociedade, tornando possível o acesso e o uso do computador em favor da vida, dessa faixa etária.

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1 ENVELHECIMENTO - TEMPO DE MUDANÇAS

“A coisa mais moderna que existe nessa vida é envelhecer, A barba vai descendo e os cabelos vão caindo pra cabeça aparecer...”.

(Música: Envelhecer, Arnaldo Antunes)

O envelhecimento é um período da vida em que ocorrem muitas mudanças que podem ser positivas e/ou negativas, dependendo de como cada indivíduo encara essa etapa conhecida por muitos como, a melhor idade. O envelhecimento não é uma doença e sim um período da vida em que muda a rotina diária, em que se têm novos objetivos e sonhos, em que viver bem o tempo presente torna-se, para muitos, o objetivo principal.

Refletir sobre o envelhecimento nos faz pensar no tempo que é feito de dias, meses e anos. O tempo de envelhecer vai modificando a pessoa nas dimensões em que se apresenta, em menor ou maior grau, dependendo de cada ser humano. Mudanças na dimensão física (biológica) são comuns a todos, podendo variar em relação ao tempo e a intensidade, porém as dimensões cognitiva e social se apresentam de forma peculiar dependendo da realidade de vida de cada um. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica como idosa a pessoa que atingiu a idade de 60 anos, marco caracterizado, basicamente, pelo início da aposentadoria e pelo declínio físico, cognitivo e sensorial.

A velhice á parte do desenvolvimento humano integral e não predestinação ao fim. É o resultado dinâmico de um processo global de uma vida, durante a qual o indivíduo se modifica incessantemente. As mudanças que um ser humano experimenta em qualquer idade podem ser lentas ou abruptas, conscientes ou inconscientes, culturais, históricas, sociais, psicológicas ou biológicas (FRAIMAN,1995, p.27).

Acredito que o envelhecimento se destaca pela busca constante por uma vida saudável e que esta perspectiva está ligada a ideia de que o ser humano preserva seu potencial de desenvolvimento durante todo o curso da vida e que

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nessa trajetória há um equilíbrio entre as limitações e potencialidades da pessoa e que estas podem ser ampliadas através de intervenções, entre elas a de novas aprendizagens como as relacionadas à informática.

Em vários países, as populações estão envelhecendo. Estudos mostram que o número de pessoas idosas cresce em ritmo maior do que o número de pessoas que nascem, acarretando um conjunto de situações que modificam a estrutura de gastos dos países, em uma série de áreas importantes. No Brasil, o ritmo de crescimento da população idosa tem sido sistemático e consistente. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – (Pnad 2011) divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística-IBGE, o país conta com 12% da população com 60 anos ou mais de idade. Com uma taxa de fecundidade abaixo do nível de reposição populacional, combinada ainda com outros fatores, tais como os avanços da tecnologia, especialmente na área da saúde, atualmente o grupo de idosos ocupa um espaço significativo na sociedade brasileira.

Considerando que o ser humano passa por várias mudanças em seu corpo, mente e em sua vida de um modo geral, o envelhecimento é uma etapa que surge na idade avançada e que traz mudanças de ordem física, cognitiva e social. Todas estas dimensões podem causar um sentimento de inutilidade na pessoa idosa, pois, depois de certa idade, com a aposentadoria e consequentemente o afastamento do trabalho, o idoso sente-se, por vezes, excluído. Principalmente, em virtude da diminuição das relações sociais e quando há falta de apoio dos familiares em buscar outras formas de lazer, educação, entre outros, sendo esses fatores influenciados pelo contexto histórico-cultural onde os idosos vivem, assim,

[...] o envelhecimento é uma experiência heterogênea, isto é, que pode ocorrer de modo diferente para indivíduos que vivem em contextos históricos e sociais distintos. Essa diferenciação depende da influência de circunstâncias histórico-culturais, de fatores intelectuais e de personalidade e da incidência de patologias durante o envelhecimento normal (NERI, 2001, p.30).

A vida que o idoso optar por viver terá papel fundamental para um envelhecimento ativo e saudável. Nesse sentido, ao buscar alternativas que suprem as suas necessidades fundamentais, tanto físicas quanto cognitivas e sociais contará com o apoio da família, da sociedade e do Estado. Estes, por sua vez, que

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irão oferecer condições para que essa pessoa possa viver intensamente esse período da vida. É o que assegura a Lei N° 8.842, de 04 de janeiro de 1994, que dispõe sobre a Política Nacional do Idoso e destaca em seu Art. 3° que: “A família, a sociedade e o estado tem o dever de assegurar ao idoso todos os direitos da cidadania, garantindo sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade, bem-estar e o direito à vida”.

As pessoas envelhecem desde o nascimento, porém, o entendimento dessa fase, geralmente, é compreendida por completo no momento em que ela começar a causar privações. Não faço relação apenas, às funções biológicas ou cognitivas, mas também da importância do papel da sociedade em valorizar a convivência e o respeito com os idosos. Diante disso, aponto para alguns elementos que podem vir a ser benéficos para um envelhecimento ativo com qualidade de vida. Destaco a atividade física e mental, envolvimento ativo na vida cotidiana, cuidado com a saúde através da prevenção de doenças, participação em grupos de convívio, entre outros.

Muitas vezes, os conceitos acerca do envelhecimento humano são evidenciados através de ideias relacionadas ao aspecto físico que valorizam o processo de declínio físico que faz parte dessa fase da vida, e acabam por desvalorizar os aspectos positivos como os relatos de experiências e vivencias entre pessoas da mesma idade e mais jovens. São concepções que podem ser identificadas na família do idoso e até mesmo nele próprio.

Os meios de comunicação também têm grande parcela de responsabilidade em relação à influência que possuem em repassar as pessoas imagens e ideias estereotipadas sobre o envelhecimento, incentivando e mostrando constantemente pessoas utilizando produtos que retardam o processo de envelhecer com o intuito de lucrar com propagandas sem considerar os reais cuidados com a saúde da pessoa idosa. Nesse sentido, acredito que, para romper com esses paradigmas, seja necessária atenção especial na educação familiar e escolar, trazendo a tona essas questões desde cedo, para que a criança e o jovem tenha clareza de que o envelhecimento é um processo da vida de todo ser humano e liberte-se desses pré-conceitos e ideias errôneas sobre uma etapa tão importante na vida das pessoas.

Portanto, tenho a esperança de que é possível chegar a um nível educacional em que se possa promover mudanças socioculturais diante da realidade

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da sociedade que envelhece. Assim, surge a necessidade de mediadores para formação de profissionais competentes capazes de compreender o processo de envelhecimento e ajudar as pessoas a conviver melhor com essa etapa de vida, promovendo ações articuladoras através dos mais diversos segmentos da sociedade, buscando-se assim uma melhor qualidade de vida para os idosos.

1.1 ASPECTOS FISICOS DO ENVELHECIMENTO

Durante muito tempo o envelhecimento foi considerado como uma situação derivada da doença, pelo fato de, as mesmas aparecerem com maior frequência durante a idade avançada. Atualmente com as inovações na área da saúde, é possível diagnosticar e tratar doenças precocemente e a prevenção é um elemento primordial. Nesse sentido, as pessoas estão envelhecendo e têm a consciência de que precisam periodicamente cuidar de sua saúde e, consequentemente, têm uma vida mais ativa e saudável.

Os avanços em pesquisas e novas tecnologias viabilizam vários programas de atenção à saúde do idoso no Brasil, sendo estes fundamentais para a prevenção e o tratamento adequado a fim de proporcionar qualidade de vida à população idosa. Dentre as políticas podemos citar a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa que engloba programas como o Programa Farmácia Popular, e ações estratégicas na área técnica como a Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa. Sabe-se, no entanto, de que não são suficientes, pois na área da saúde, necessita-Sabe-se, de maiores investimentos diante de algumas precariedades em que se encontra. Muitos idosos, ainda deixam de receber atendimento adequado nas instituições de saúde. A Política Nacional do Idoso esclarece sobre os direitos da população idosa e as linhas de ação, no entanto, a concretude não é plena.

Através da Lei 8.842, de 04 de janeiro de 1994 cria a Política Nacional do Idoso e faz referência as instituições de ensino superior e da necessidade de se adaptar a Lei, prevendo a criação de cursos nas áreas de Geriatria1 e Gerontologia2.

1

É uma especialidade da medicina que estuda a saúde do idoso.

2

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O Art. 10, inciso II dispõe sobre as ações governamentais na área da saúde sobre “garantir ao idoso, assistência à saúde nos diversos níveis de atendimento do Sistema Único de Saúde- SUS, desenvolvendo formas de cooperação entre as secretarias de saúde dos estados, do Distrito Federal e dos municípios e entre os Centros de Referência em Geriatria e Gerontologia para treinamento de equipes interprofissionais”.

Da mesma forma, o Estatuto do Idoso, aprovado através da Lei n° 10.741 de 1°/10/2003 que traz no capítulo IV, Art. 15, sobre o direito do idoso à saúde:

É assegurada a atenção integral à saúde do idoso, por intermédio do Sistema Único de Saúde – SUS, garantindo-lhe o acesso universal e igualitário, em conjunto articulado e continuo das ações e serviços, para a prevenção, promoção, proteção e recuperação da saúde, incluindo a atenção especial as doenças que afetam preferencialmente os idosos.

Ao longo da vida, vivemos fases importantes, e todas essas etapas provocam mudanças, principalmente físicas. O envelhecimento é um período da vida que se caracteriza por se intensificarem os fatores de perdas, como nas atividades cotidianas e de locomoção, podendo variar de pessoa para pessoa de acordo com o estilo de vida de cada um. Nesse sentido, analiso os aspectos que estão relacionados às alterações no indivíduo que mais interferem na interação com o computador, sendo eles: audição, fala, visão e coordenação motora. São estes aspectos que percebo como centrais, quando se trata da aprendizagem do idoso, podendo haver outros que podem vir a influenciar neste processo.

Em relação à audição, percebo esse aspecto interligado à atenção e à concentração dos idosos que participam das aulas de informática. Na idade avançada, geralmente, existe baixa tolerância aos sons altos e frequentes, o que no meu entendimento diminui o nível de atenção e concentração do aluno. Nesse sentido, o número reduzido de alunos por turma, a ausência de equipamentos de som ligados, o uso de tom de voz mais elevado e pronúncia mais lenta das palavras. A repetição também se faz necessária em muitos momentos, todos esses elementos fazem com que o rendimento nas atividades, a concentração do aluno e a aprendizagens de todos sejam aspectos que potencializem os conhecimentos e a busca por novas descobertas. Segundo Kachar (2003, p.39) “um contexto ambiental e um interlocutor podem compensar o declínio visual e auditivo. Gestos, expressões

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faciais, entonação, falas pausadas e o contexto das circunstancias podem fornecer indicativos que supram o déficit sensorial da pessoa na terceira idade”.

Uma das formas de interação que se estabelece com o outro ocorre através da fala. Tal interação possibilita a construção de relacionamentos e da identidade social. A fala expressa ideias, dúvidas, angústias, enfim, há interação com todos que convivem conosco. O intercâmbio varia de acordo com as motivações, experiências e possibilidades de cada um para comunicar-se, que segundo Kachar (2003, p.38) “a interação comunicativa pode ter vários objetivos: a troca de informações com o fim de construir conhecimentos; a tomada de posição e decisão, num sentido mais pragmático, ou mesmo, simplesmente o fato de relacionar-se com o outro, pelo próprio prazer da interação comunicacional”. A qualidade da comunicação está relacionada com a habilidade de comunicar-se do interlocutor, sujeita a interferências do ambiente externo.

Os idosos com os quais realizei minha pesquisa não apresentam dificuldades e/ou alterações em relação à fala. De acordo com Kachar( 2003, p.40) “no idoso não há alterações nem na produção, nem na representação dos sons da fala. Há, entretanto, uma disfluencia com hesitações devidas a falhas de acesso aos vocábulos, formulação de frases etc”. Segunda a autora, é importante deixar claro, que existem diferenças com relação a cada sujeito idoso: alguns sofrem maiores alterações na fonação, outros, na audição, outros, na utilização da linguagem.

Em relação ao aspecto visual, constatei, entre os alunos participantes do Projeto de Inclusão Digital, na maioria apresenta problemas de visão variando entre maior e menor grau. Alguns necessitam o uso de lentes e sentem muita dificuldade em ficar, por tempo prolongado, olhando para a tela do computador. Aliás, essa é uma das principais dificuldades em relação à visão, pois como não estão acostumados com a claridade da tela do computador, aliado ao tempo necessário para aprendizagem acabam por interferir no desempenho daqueles que possuem problemas de visão mais acentuados. Para Kachar (2003, p.41) “a partir dos 40 anos surge uma condição visual com a “presbiopia” ou “visão cansada”, em que há diminuição da qualidade da visão de perto. Este problema acentua-se até a idade de

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55 anos, com a tendência de estabilizar-se”. Além desse, cito o glaucoma3

, catarata4 e os processos degenerativos retinianos fisiológicos5.

A coordenação motora tem relação com a capacidade funcional do idoso, ou seja, quanto mais realiza atividades físicas, do seu cotidiano e outras, melhor será seu domínio em relação ao seu próprio corpo. Percebo isso nos alunos com os quais trabalho. Alguns, mais sedentários, ou seja, os que não realizam atividades físicas regularmente apresentam maiores dificuldades no processo de adaptação ao uso do computador, principalmente, no que diz respeito à postura, ao manuseio do mouse, entre outros.

Os que praticam atividades físicas sentem-se mais dispostos e ativos durante as aulas de informática, apresentando um progresso mais rápido em relação aos outros, tornando as atividades mais eficientes e aprendendo mais e melhor. Esta foi uma constatação que pude fazer diante dos relatos dos próprios idosos, necessitando de mais estudo para realmente determinar essa questão considerando a amplitude e importância do tema na sociedade atual. Sendo assim,

A atividade física regular para idosos tem papel fundamental, na medida em que prolonga e aumenta a capacidade de trabalho do individuo, otimiza a realização de AVD( atividades de vida diária) e previne a incapacidade e a dependência nos últimos anos de vida. Dessa forma, deve-se trabalhar a atividade física com os idosos tentando maximizar sua independência funcional, pois deve-se tornar o individuo capaz de viver sem precisar a assistência dos outros(GARCES,2012, p. 95).

Portanto, considerando todos os elementos destacados, percebo a necessidade por parte dos idosos, de que as atividades físicas podem ser benéficas para manter-se ativo e consequentemente melhorando a coordenação motora, a capacidade funcional da pessoa e maior autonomia na realização de suas atividades diárias. Tudo isso proporciona um envelhecimento mais saudável, feliz e com qualidade de vida.

3

Glaucoma : condição em que a pressão intraocular desregulada ocasiona lesões progressivas dos nervos ópticos.

4

Catarata: opacificação do cristalino, gerando como sintoma mais frequente o embaçamento visual.

5

Processos degenerativos retinianos fisiológicos: que podem ser de dois tipos: acometendo a mácula, que é a área responsável pelo campo visual ou acometendo o conjunto da retina. Kachar(2003, p.41)

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1.2 ASPECTOS COGNITIVOS DO ENVELHECIMENTO

Com o avanço da idade, além das mudanças sofridas pelos órgãos dos sentidos como a visão e a audição, também há alterações nas funções de percepção envolvendo o Sistema Nervoso Central, ou seja, o tempo para compreensão e interpretação de determinada informação precisa ser maior. O processo de aprendizagem exige dos alunos idosos novas leituras, pesquisas, concentração e atenção, porém, esse processo pode afetado pela memória. O termo memória refere-se à capacidade de adquirir uma informação e consolidá-la, para que posteriormente, quando apropriado, seja evocado a informação aprendida (GARCES, apud IZQUIERDO, 2012, p.10). Essa capacidade pode variar muito de uma pessoa para outra, foi o que constatei entre os idosos participantes do curso de informática, em que alguns possuíam maior facilidade em lembrar das tarefas do que os outros. Segundo Kachar(2003,p.42) “a capacidade de memória pode ser dividida em três partes: memória primária, memória secundária e memória terciária”,

A capacidade de memória primária, isto é, o estoque de informações que é perdido, se não solicitado em curto prazo, sofre mínimas alterações com a idade. A capacidade de memória secundária, que se refere a armazenamento de informações apreendida recentemente, apresenta decréscimo mais intenso nas pessoas com mais idade. Já a capacidade da memória terciária que é de fatos distantes, lembranças, é pouco alterada em relação aos mais jovens. (KACHAR, 2003, p.42).

Exemplificando, a capacidade primária pode ser testada pelo número de letras e palavras que uma pessoa pode decorar numa ordem correta, se não lhe for solicitado em curto prazo sofre mínimas alterações. Já a memória secundária tem diminuição mais intensa nas pessoas mais velhas, por exemplo, alguns comandos que os alunos idosos usam durante as aulas de informática para realizar determinadas atividades necessitam ser repetidas porque muitos acabam por esquecer entre uma aula e outra, o que compreende o tempo de uma semana. Em relação à memória terciária os idosos apresentam poucas alterações em relação aos

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mais jovens, frequentemente têm presente momentos de lembranças de fatos da infância e adolescência, muitas vezes, relatando detalhes sobre esses momentos.

Vários fatores podem influenciar no desempenho intelectual da pessoa idosa, entre eles a presença de doenças. Essa é uma das principais causas pelo declínio cognitivo e físico, pois influência diretamente nas atividades diárias do idoso impossibilitando-o, muitas vezes, de realizar suas necessidades orgânicas de forma autônoma, ou seja, torna-se dependente de outras pessoas para realizar suas atividades rotineiras.

O domínio da tecnologia digital estimula as atividades mentais, promovendo a preservação de habilidades cognitivas e emocionais, além de favorecer o convívio social com indivíduos da mesma geração, em muitos casos, prejudicado nessa fase da vida. Kachar(2003) assevera que a inclusão digital pode ser uma forte ferramenta para o engajamento social dessa parcela da população, uma vez que, a dificuldade do manuseio de equipamentos digitais contribui para a desvalorização e consequentemente exclusão do idoso na nossa sociedade. A aprendizagem sobre as tecnologias também pode ajudar na habilidade de resolução de problemas e auxiliar os idosos na adaptação às mudanças que ocorrem nessa fase da vida.

As aulas de informática exigem do aluno muita atenção, pois a linguagem e a interface computacional são elementos de difícil compreensão, especialmente nos primeiros contatos do aluno com o computador. Os idosos precisam compreender sobre o significado, funções e aplicabilidade dos termos utilizados, para isso, a sequência de atividades e comandos e o uso de linguagem simples e direta pode facilitar o entendimento, assim como, exemplos de ordem cotidiana, por exemplo, a palavra “digitar” pode ser substituída por “escrever”. O fato de muitas palavras serem escritas e pronunciadas em inglês acaba por dificultar um pouco a compreensão imediata, porém, depois de algum tempo, os alunos passam a familializar-se .

Relacionar as atividades de informática com as atividades cotidianas dos alunos facilita a compreensão e auxilia o idoso a resolver pequenos problemas mais rapidamente. Um exemplo que pode ser citado é o uso da calculadora do computador. É de extrema importância que os idosos aprendam a utilizar as ferramentas mais úteis e saibam resolver questões do cotidiano com agilidade.

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Considerando a idade avançada e o nível de escolaridade baixo, constata-se que os idosos participantes do Curso de Informática têm maior dificuldade em se expressar e em escrever o que pensam. A dificuldade na escrita também decorre pelo fato de a maioria dos alunos utilizarem como língua principal, a sua língua materna, isto é, alemã, predominante na região, e assim, confundem- se ou mesmo não sabem como escrever determinada palavra.

A escolaridade dos idosos participantes do Curso de Informática é considerada baixa, a maioria dos alunos completou apenas o ensino fundamental inicial (atualmente 5° ano). O fato de ficarem muitos anos sem estudar torna o ensino mais lento e difícil, exigindo a repetição constante de conteúdos e atividades a fim de ajudar na memorização de dados, utilizando também o uso de materiais didáticos como apostila, vídeos, imagens, textos, jogos e também incentivando os alunos a registrarem as atividades mais importantes para eles.

O registro das atividades e a repetição delas em curto espaço de tempo é uma das formas mais eficazes no ensino da informática, alem da prática dos exercícios em casa. Nesse sentido uma das alunas destaca sua percepção sobre suas aprendizagens: “Se tomo nota das atividades que realizo na aula tenho mais facilidade na prática em casa com a ajuda da apostila e das dicas da professora, assim na aula seguinte já consigo realizar algumas tarefas sozinha” (Lurdes – 61 anos).

Os estudos sobre os idosos e a aprendizagem da informática ainda são iniciais, em razão disso, o material de pesquisa disponível no momento é insuficiente para muitas afirmações e conclusões mais determinantes. Durante as leituras encontrei um estudo interessante sobre o idoso e a relação de aprendizagem com o computador, citado por Kachar( 2003, p. 58). A autora cita um site6 na internet que traz um estudo que identifica as necessidades de aprendizagem das pessoas de 55 anos ou mais para ajudá-las a superar seus medos e resistências às tecnologias, especialmente à informática. Então parto da seguinte pergunta: Como a terceira idade aprende o uso das ferramentas do computador?

A pesquisa destaca os seguintes pontos: A instrução assistida por computador é bem aceita pelos idosos; apresentam muitas razões para aprender sobre o uso do computador e suas ferramentas; os idosos apresentam dificuldades

6

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específicas para aprender; as dificuldades para a aprendizagem do computador pelos idosos podem ser superadas, utilizando-se estratégias especificas como: seguir etapas gradativas de aprendizagem; auxílio na medida da necessidade; seguir no próprio ritmo; frequentes paradas; boa iluminação; caracteres e fontes grandes; classes pequenas e mais tempo para a execução das tarefas e repetição delas.

Todos os pontos citados pela autora foram percebidos por mim durante as aulas ministradas. Muitos dos próprios alunos iniciam o Curso não acreditando na sua capacidade de aprendizagem, porém, a partir dos incentivos, e de atividades que respeitam o tempo que cada um necessita para compreensão, obedecendo às etapas gradativas e a repetição das mesmas atividades várias vezes, muda a concepção e dessa forma, todos podem aprender, respeitando as limitações e descobrindo a melhor forma de aprender, todos alcançam seus objetivos.

O que se nota nessa etapa da vida, é que as pessoas necessitam de mais tempo para perceber, interpretar e agir sobre as possibilidades que lhes são apresentadas. É importante ressaltar ainda, que a maioria dos alunos acaba por esquecer com maior facilidade as informações e/ou conhecimentos adquiridos. Um exemplo disso é no comando de “salvar um documento” depois de concluído. Fiz uma experiência com minhas turmas no início do Curso ensinando os alunos a salvar um documento. Depois de três semanas solicitei a mesma tarefa, no entanto, a maioria dos idosos já não lembrava os comandos necessários, porém, depois de uma vez a tarefa realizada, logo voltavam às lembranças e na próxima tentativa já conseguiam realizar a atividade sem auxílio.

Nesse sentido, faz-se necessário pensar práticas de ensino que atendam às necessidades dos idosos, respeitando o tempo de cada um, valorizando a vida e os conhecimentos dessas pessoas, buscando trazer atividades que são de interesse dos mesmos. Estimular os questionamentos também por parte dos alunos pode ajudá-los a aprender mais e em menos tempo.

Outro ponto fundamental é intensificar as aulas de informática não distanciando muito os dias de aula para evitar que os alunos esqueçam as atividades realizadas. Os próprios idosos demonstram satisfação em aprender determinado conteúdo, nem sempre tudo irá agradar, porém, faz-se necessário ensinar para seguir etapas subsequentes, assim, à medida que, vou ensinando também percebo as dificuldades, necessidades e preferências por parte dos alunos.

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1.3 ASPECTOS SOCIAIS DO ENVELHECIMENTO

“Não tenho caminho novo. O que tenho de novo é o jeito de caminhar.” (Thiago de Mello)

O envelhecimento é um processo comum a todos os seres humanos, independente de cor, raça, religião, classe social ou formação. O que pode acontecer, é de o envelhecimento ser retardado. O que diferencia esse processo de um indivíduo para outro são suas experiências pessoais em termos físicos, cognitivos e sociais. O que interessa neste capítulo é a abordagem sobre os aspectos sociais do envelhecimento, com o objetivo de investigar sobre a conduta social do idoso, a posição do Estado em relação à inserção social do idoso e o papel que essa inserção cumpre na vida das pessoas da terceira idade.

Na terceira idade, a rotina do idoso, geralmente, muda em função da aposentadoria, do declínio físico e também da diminuição das relações sociais em função do afastamento do trabalho e por isso, muitas vezes, sentem-se excluídos da vida social. A família e o Estado tem papel fundamental para proporcionar maior convívio social buscando assim a participação do idoso nas diversas esferas da sociedade. Assim, o idoso tem oportunidade de ser um sujeito ativo e transformador de sua realidade de vida e das pessoas que o rodeiam.

O envelhecimento populacional vem aumentando no Brasil e em outros países, isso pode ser explicado pelo fato de a expectativa de vida, segundo o IBGE (2010), ter aumentado de 69,73 anos para os homens e, em 77,32 anos para as mulheres. Essa estatística remete a necessidade de mais políticas públicas que atendam essa parcela da população nas diversas esferas, como saúde, educação, lazer, entre outras ações sociais em prol da qualidade de vida da terceira idade.

O envelhecimento social representa para muitos idosos um declínio das relações sociais, das atividades de trabalho diário e da autonomia da pessoa. Porém, o envelhecimento também pode representar uma mudança radical na vida do idoso, que a partir desse momento tem mais tempo de dedicar-se a atividades de lazer, viagens, entre outras. Portanto, depende, em grande parte, como o idoso encara essa nova fase da vida. De acordo com Motta apud Paula, (2010, p. 35) “O

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envelhecimento social é consequência da progressiva diminuição dos contatos sociais; o distanciamento social; a progressiva perda de poder de discussão; o progressivo esvaziamento dos papeis sociais; a gradativa perda de autonomia e independência, alterações nos processos de comunicação, entre outros”.

Na experiência de professora de Curso de Informática, num contexto de inclusão digital de idosos, investiguei sobre a vida dessas pessoas após a aposentadoria a fim de valorizar através da informática as experiências e atividades de cada um, buscando assim através das atividades propostas, tornar o ensino mais próximo da realidade dos idosos participantes. A turma na qual fiz a pesquisa através de um questionário/diagnóstico que compõe 10 alunos de 46 a 69 anos, dos quais 9, já são aposentados.

A questão que destaco aqui, faz referência às atividades de lazer e/ou

hobby que os alunos entrevistados participam. As atividades que citaram

espontaneamente estão representadas no gráfico a seguir:

Opções de lazer/hobby dos idosos (idade 51-69 anos)

A maioria dos idosos manifestou a prática de jogar baralho, que apareceu em 70% das respostas; a prática de esportes teve 30% das respostas e da mesma forma a opção de passear; as viagens obtiveram 10% das escolhas, assim como

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assistir TV , a participação em eventos sociais; a participação em grupos organizados e o crochê. Foi observado que, cada um escolheu mais de uma opção nas respostas. O que se constata, é que nesse grupo de pessoas, todas procuram envolver-se em grupos para praticar esportes e participar de eventos sociais, mantendo-se ativo dentro de sua comunidade do interior ou na cidade. Cabe aqui citar que,

Estudos evidenciam que os homens idosos com maior formação e de classes econômicas superiores tendem a demonstrar um processo ativo mais extenso em relação aos demais pertencentes a condições sociais menos favorecidas, com saúde debilitada e com menor formação educacional. A tendência das mulheres idosas é serem mais engajadas, porem apresentam menor formação que os homens idosos. Também, porque muitas vezes assumem papéis de cuidadora, ou seja, são as responsáveis pelos cuidados do neto, do esposo ou companheiro doente ou outro familiar, além de muitas vezes serem as provedoras do lar, se eximem de ter participação social e política, (GARCES, 2012, p.39).

Portanto, de acordo com a autora, o envolvimento social pode ser desigual entre homens e mulheres, tendo que considerar o contexto histórico, ou seja, a realidade do lugar onde vivem o que pode variar de um lugar para outro. Ainda segundo a autora, as mulheres reforçam mais o lado social como a família, igreja e escola, por exemplo. Assim, constatei que os aspectos como: gênero, formação, classe social, condição econômica e cultural, entre outros, tem um grau de influência na escolha dos idosos em se tornar sujeitos ativos e protagonistas da sua história. Essa diferença não é percebida dentre os alunos participantes do Curso de Informática, segundo relatos dos próprios alunos, todos usufruem e participam de atividades e eventos sociais, não discriminando classes ou gênero.

O fator social é fundamental da vida do idoso, manter-se ativo socialmente mobiliza e incentiva a pessoa da terceira idade a envolver-se em diferentes projetos, contribuindo assim para sua inserção social, visto que, na idade avançada, ao aposentar-se geralmente, as pessoas deixam de realizar suas tarefas cotidianas para dedicar-se à outras atividades, especialmente à família.A busca por novos conhecimentos, como os da informática, também podem contribuir, pois a comunicação online, por exemplo, aumenta as redes sociais do aluno idoso.

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2 - A INCLUSÃO DIGITAL NA TERCEIRA IDADE: UM PROJETO POSSÍVEL

“Eu tinha medo dessa máquina que fazia sumir e aparecer coisas, do que eu não tinha controle” (LURDES7

, 2012)

Há pouco tempo atrás e ainda nos dias atuais, o idoso é considerado por muitos como uma pessoa inativa, doente, dependente dos outros e incapaz de participar de atividades em grupos e aprender algo novo na idade avançada em que se encontra. As leis sobre os direitos dos idosos contemplam a necessidade de elaboração de políticas públicas voltadas ao idoso e, consequentemente, o incentivo à participação nos variados grupos sociais, principalmente os de encontro comunitário.

No âmbito da inclusão digital, as políticas públicas devem favorecer o crescimento de uma sociedade da informação onde todos possam acessar as tecnologias digitais de informação. Nesse sentido, se “insiste na necessidade da formulação de que essas políticas possam ajudar as populações economicamente carentes a se beneficiarem das vantagens do processo tecnológico. A maneira é promovendo “o acesso universal à 8

infoalfabetização de modo a reforçar o caráter democrático da sociedade da informação” (ASSMANN, 2000, p.6).

Estamos vivendo no século XXI e desde os anos 70 nenhum segmento da sociedade permaneceu intocado pela era das tecnologias, que revolucionou as formas de comunicação e interação e de vida no mundo todo e atingiu todas as idades e classes sociais. Vivemos rodeados de tecnologias por todas as partes: caixas eletrônicos, câmeras de monitoramento, câmeras fotográficas, TVs cada vez mais modernas, celulares com acesso a internet sem fio, GPs, computadores portáteis, aparelhos e dispositivos cada vez menores e com maior capacidade de armazenamento. A inclusão digital dos idosos é uma das políticas públicas mais importantes, e estão crescendo a cada dia investimentos nesta área, pois no contexto das tecnologias essa faixa etária percebe-se como analfabeta digital.

A busca é pelo aperfeiçoamento e por novos conhecimentos e experiências que podem auxiliar de diversas formas no dia-a-dia, tanto para fins de

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Aluna do curso básico de informática do segundo semestre de 2012.

8

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trabalho, quanto de lazer, estudo e comunicação. Segundo o Estatuto do Idoso, no Artigo 21, o poder público deve criar oportunidades de acesso do idoso à educação, adequando currículos, metodologias e material didático aos programas educacionais a ele destinados. O inciso I, do Artigo 21 determina: “Os cursos especiais para idosos incluirão conteúdo relativo às técnicas de comunicação, computação e demais avanços tecnológicos, para sua integração à vida moderna”.

Numa cidade do interior do RS, é desenvolvido desde o ano de 2007, um projeto de inclusão digital chamado 3ª IDADE NA ERA DIGITAL. O principal objetivo do projeto é promover a inclusão digital de idosos oportunizando aos idosos conhecimentos básicos no manuseio do computador e de contato com seus familiares e amigos buscando também a inserção social dessas pessoas. A exemplo deste projeto existem outros nessa área sendo desenvolvidos em municípios do RS e outros Estados. No entanto, escolhi esse para fazer minha pesquisa, por ser um tema pouco evidenciado em nossa sociedade, porém, que representa um grande avanço para a comunidade, especialmente para os idosos daquela comunidade.

Ao iniciar o contato com o computador, apropriando-se dos recursos e da linguagem dos menus, o idoso constrói conhecimentos sobre a máquina. Depois, domina os instrumentos do processador de textos, com a intenção de criar e dar um acabamento estético a seus próprios escritos. Essa elaboração leva o aluno a um processo de reflexão, no qual entra em contato com seu universo interior. O aluno da terceira idade mostra-se com suas próprias palavras, desconstrói preconceitos, demonstra potencialidades para aprender e produzir intelectualmente. Assim, na expansão dos sonhos e sentimentos por meio da escrita eletrônica, conta um pouco do muito que aprendeu, nas diferentes histórias vividas. Segundo Freire o professor e o aluno idoso ensinam e aprendem num processo mútuo,

O aprendizado do ensinante ao ensinar se verifica na medida em que o ensinante, humilde, aberto, se ache permanentemente disponível a repensar o pensado, rever-se em suas posições; em que procura envolver-se com a curiosidade dos alunos e os diferentes caminhos e veredas que ela o faz percorrer. (...) O ensinante aprende primeiro a ensinar, mas aprende a ensinar ao ensinar algo que é reaprendido por estar sendo ensinando (FREIRE, 1994; p. 27-28).

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É relevante investigar quais as abordagens adequadas para incluir o idoso no universo da informática e construir estratégias metodológicas educacionais para preparar a população da terceira idade (ativa ou aposentada) no domínio operacional dos recursos computacionais. A presença tecnológica que se instala em todos os setores da sociedade pressupõe a necessidade de promover a inclusão do idoso.

A abordagem educacional com idosos tem suas peculiaridades e requer a imersão neste universo para compreendê-lo e uma prática pedagógica específica, considerando as características físicas, psicológicas e sociais dessa faixa etária. Incluir da perspectiva tecnológica envolve aprender o discurso da tecnologia, não apenas os comandos de determinados programas, não apenas qualificar melhor as pessoas, mas ampliar a capacidade de influir sobre a tecnologia digital, e interferir nos processos que lhe envolvem. Segundo Zimmermann (2007, p.29):

Inclusão digital significa, antes de tudo, melhorar as condições de vida de uma determinada região ou comunidade com a ajuda da tecnologia. A expressão nasceu do termo “digital divide”, que em inglês significa “divisória digital”. Em termos concretos, incluir digitalmente não é apenas “alfabetizar” a pessoa em informática, mas também melhorar os quadros sociais a partir do manuseio dos computadores.

O perfil do idoso mudou muito nos últimos anos. Na época de nossos avós, muito idoso recolhia-se ao seu aposento e vivia dedicado aos netos, a reviver as memórias e relembrar e recontar lembranças passadas. Não se contemplava um espaço favorável ao indivíduo na velhice. Havia e ainda há exclusão das pessoas idosas na construção do presente e do futuro da humanidade.

O projeto em que trabalho propõe-se a levar o idoso a desmistificar a máquina, compreender a nova linguagem, romper resistências internas e externas e superar os desafios do percurso. Tudo isso através de um ambiente de ensino-aprendizagem que seja interativo, que ocorra de maneira gradual, que possibilite novas descobertas, instigue a construção de conhecimentos, implica o exercício e a repetição, ativa a memória, inclui o erro e a sua problematização, considera o coletivo e o individual e estimule a produção e criação.

Considerando os critérios citados, a inclusão digital de idosos torna-se não apenas um desafio, mas um desafio possível de realização. Exige de todos os

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envolvidos grande dose de paciência, colaboração, compreensão, superação, envolvimento, solidariedade e o mais importante, o desejo de ensinar e aprender, tanto no coletivo quanto no individual.

2.1 O IDOSO E O MUNDO DIGITAL

Pesquisar sobre os idosos e a inclusão digital dessas pessoas não é uma tarefa simples. Desde o inicio tinha consciência das dificuldades de escrever sobre um tema ainda pouco pesquisado e com a escassez de referências, porém, a experiência de professora de informática inclusiva aliada às leituras esclareceram dúvidas e trouxeram à tona outras. Compartilho com os leitores deste texto, fatos, momentos e informações que possam vir a responder às dúvidas, incertezas e certezas que temos sobre um assunto tão presente na vida das pessoas, especialmente dos idosos.

A vida do idoso é um dos primeiros aspectos que considero fundamental conhecer. Considerando isso, uma entrevista/questionário (Anexo A) fez-se necessária para conhecer a realidade de vida dos alunos, além de identificar os interesses e expectativas quanto ao ensino da informática. Isso também possibilitou traçar objetivos e caminhos para as aulas. Com a primeira entrevista foi possível constatar: a idade dos participantes; escolaridade; profissão; atividades de lazer; o que idosos compreendem sobre a informática; os motivos pelo interesse em aprender informática; as dificuldades em aprender; opinião em relação à inclusão digital no contexto atual; expectativas em relação ao novo aprendizado e interesses e necessidades em relação à informática.

Na escola, a avaliação das aprendizagens construídas pelos alunos pode ser representada de várias formas, um exemplo, são as provas e trabalhos escritos. No caso dos idosos, constatei que, não apenas a avaliação das aprendizagens se faz necessária, mas também a proposta de ensino, esta por sua vez, precisa considerar as limitações dos alunos idosos, assim como os interesses específicos de cada pessoa. Nesse sentido, a segunda entrevista (Anexo B) pretendeu avaliar os

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conhecimentos dos alunos e o curso, os pontos positivos, negativos e o que pode mudar ou melhorar segundo a visão dos idosos.

Como já destacado, considerar as limitações e criar estratégias que viessem ao encontro dos desejos e aspirações dos alunos é fundamental. Por isso, ressalto a importância da participação nas aulas, das leituras necessárias a partir do material de apoio, do esforço e concentração, das anotações, das tarefas propostas e da importância das perguntas por parte dos alunos. Nesse sentido, conforme Kachar(2003, p. 101) “como professor, deve-se assumir uma postura comprometida consigo própria e com os alunos, embarcando na viagem de exploração do novo território, com a intenção de ousar e inovar na prática educacional.”

As justificativas sobre o interesse dos idosos em participar do curso são os mais diversos, porém, o que consta em todas as respostas é a necessidade de comunicação com familiares distantes. “Tenho a oportunidade de ver e falar com meu filho todos os dias, assim diminui a distancia e saudade que tenho dele” (SÉRGIO, 56 anos). Dentre os outros cito a atualização, pesquisa e lazer.

Atualização é uma palavra que tem sua raiz em atual, que ocorre no momento em que fala, no presente, isto é, acompanhar o momento presente.Inserir nessa realidade também o desejo da maioria dos alunos: “sempre vejo meus filhos e netos se comunicando e compartilhando coisas no computador, queria pelo menos aprender o mínimo para poder me sentir menos fora dessa realidade”. Aprender coisas novas para os idosos tornou-se um objetivo fundamental e para isso é necessário esforço, pois na idade em que está obter conhecimentos sobre o computador e seu uso é um grande desafio, exige reaprender e aprender.

2.2 O IDOSO E A FAMILIARIZAÇÃO AO COMPUTADOR

A construção de uma aproximação com as ferramentas e bem como das possibilidades de acesso ao computador acontece de forma muito similar de um idoso para outro. Um dos primeiros desafios é o aspecto que envolve o uso do

mouse e das teclas do computador. A duração de cada aula também foi discutida

junto aos alunos, pois um longo período poderia prejudica-los no que diz respeito à coordenação motora, postura e concentração nas atividades. No entanto, pelo fato

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de as aulas serem apenas uma vez por semana, optou-se por fazer duas aulas em um dia.

Assim é possível realizar aulas concentradas, o que facilita a aprendizagem, considerando que o idoso necessita mais tempo para aprender e a repetição das atividades, o que pode evitar o esquecimento dos comandos necessários para realização das tarefas propostas. Segundo Kachar (2003, p.117) “é indicado que em cada aula exercite-se o que foi ensinado e aprendido e seja acrescentado mais um novo recurso a ser aprendido,a aprendizagem é cumulativa”.

Para adaptar-se ao computador, atividades específicas fazem a diferença. Nesse caso, o uso do aplicativo paint para atividades que desenvolvam a coordenação motora; uso do mouse para abrir pastas; arquivos e realizar tarefas como criar pastas, nomeá-las; entre outras, esclarecendo sobre o uso da rolagem do

mouse, lado esquerdo e direito. Desta forma, os alunos aprendem noções básicas,

atentando para a interface do computador, dos atalhos e menus. Percebo que, depois das atividades realizadas os alunos já conseguem realizar as tarefas com mais autonomia e maior confiança eu sua própria capacidade.

O caminho da aprendizagem é lento e exige tempo e dedicação. Explicações detalhadas, repetição de tarefas, uso de linguagem simples e de fácil entendimento, que por sua vez, facilitam a memorização dos comandos e os avanços nesse processo de desmistificação do computador e suas ferramentas. Nesse sentido, entende-se, que é fundamental durante as aulas, que os alunos registrem por escrito o que fizeram, assim, quando estiverem sozinhos podem usar as etapas necessárias para determinada atividade.

A insegurança em relação ao computador nos primeiros contatos é comum para a maioria dos alunos, ou seja, perguntava-se muito antes de fazer algo, o que pode ser explicado pela formação escolar, quando a relação professor – aluno era mais autoritária. Também o fato do longo tempo afastados dos estudos ou ate mesmo pelo medo de estragar algo no computador. O medo, segundo os próprios idosos, está muito relacionado ao fato de os filhos impedirem o uso do computador em casa, por medo de os idosos excluir algo importante.

As dúvidas e dificuldades são mais constantes nos primeiros contatos do aluno idoso com o computador, por isso, há maior necessidade de atendimento individual, o que torna as primeiras aulas mais lentas, com menor progressão. Em virtude disso, a organização das aulas em diferentes momentos e o uso de materiais

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de apoio contribui para aulas mais dinâmicas e diminui a ansiedade do idoso. Inicialmente, explicam-se as tarefas com o auxilio do material didático (apostila, vídeos, imagens, textos, entre outros). Posteriormente, os alunos realizam as atividades práticas e por fim, acontece o momento tira-dúvidas, coletivamente, e individualmente, repetindo e registrando etapas quando necessário.

O acesso à internet e a navegação pelas páginas torna-se mais fácil através de estratégias simples. Um exemplo disso é o uso do navegador Google

Chrome, essa ferramenta possibilita a navegação por várias abas, o que torna a

navegação mais rápida. O uso dos sites favoritos9 onde o idoso pode acessar seus sites mais acessados ou os que mais gosta, também é uma ferramenta dinâmica. São estratégias que facilitam a navegação, o uso de atalhos e links10 sempre são ferramentas muito úteis.

Nota-se maior interesse, por parte da maioria dos alunos, em aprender sobre as possibilidades da web e de comunicação com familiares distantes. No entanto é necessário que construam noções básicas antes de adentrar ao mundo da

internet. Portanto, inicialmente há a preocupação para a apropriação da nova

linguagem (da informática), habilidade operacional (sobre o computador) e criação de textos (com o processador de textos). Preparar e alertar os idosos sobre o uso da internet, das armadilhas e perigos que a navegação pode causar,também se faz necessária, pois num primeiro momento, o aluno possui a ideia de acesso livre e seguro, porém,é preciso desconfiar da veracidade dos dados e/ou informações, e observar o nível de segurança dos sites e links disponíveis na web.

No final do curso os alunos tem a oportunidade de avaliar o Curso e os conhecimentos construídos, de um modo geral, apontando para pontos positivos e possíveis melhorias. Além da avaliação escrita, em que os alunos respondem a um questionário (Anexo B), também é realizada uma avaliação prática, ou seja, os idosos realizam tarefas pré-determinadas envolvendo noções básicas, considerando as mais úteis para os idosos.

A inclusão digital de idosos é uma política recente, porém, muito necessária. O acesso às informações, pesquisas e comunicação são objetivos

9

Área dos navegadores onde é possível deixar várias páginas favoritas para um acesso mais rápido que pelo método comum. Disponível no site http://www.onucleo.com/portal/.

10

É o endereço de um documento ou um recurso na web. Disponível em <https://sites.google.com/site/sitesrecord/oqueeumlink>.

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unânimes, considerando a facilidade e rapidez do acesso. Além de aprender a utilizar as ferramentas disponíveis, o idoso tem a oportunidade de manter-se informado e comunicar-se com qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo. A idade não será empecilho para a pessoa que quer aprender, aprender não é um ato findo, é possível aprender durante toda a vida, apenas de formas diferentes, e a informática é um conhecimento possível de ser adquirido, inclusive na terceira idade.

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3 POR QUE A BUSCA PELA INCLUSÃO DIGITAL?

Com o avanço das tecnologias e a presença delas em quase todos os lugares, as pessoas buscam cada vez mais aprender a manusear essas ferramentas. As causas são as mais diversas como: necessidade de atualizar-se; comunicação com parentes e amigos que moram distante; realizar pesquisas sobre assuntos diversos, incentivo da família e para fins de lazer nas horas vagas. A geração com idade igual ou superior a 60 anos ainda demonstra um certo afastamento ou alguma dificuldade em entender as novas linguagens. Então, para não se exilar em sua geração e se inserir na sociedade tecnologizada, o idoso, tendo acesso à linguagem da informática, dispondo dela para libertar-se do fardo de ser visto como um velho ultrapassado e descontextualizado no mundo atual.

Os dados da pesquisa realizada demonstra que, a maioria dos participantes, manifestou interesse pelo curso porque deseja e/ou necessita aprender sobre a comunicação online com parentes e amigos. Em virtude de, muitas vezes, esses alunos terem parentes, principalmente filhos, morando longe da família, estes procuram aprender a comunicar-se com seus e diminuir a saudade e a distância que os separam. Nesse sentido, as redes sociais como o Facebook e o

Orkut e os aplicativos como o Msn e o Skipe são os mais utilizados pelos alunos, por

possibilitarem comunicação instantânea por imagem e som e ser uma forma rápida de comunicação. O email também é utilizado pelos alunos, porém, mais com o intuito de troca de ideias, informações e mensagens.

Em segundo lugar aparece o interesse em atualizar-se em relação às novas tecnologias, ou seja, o idoso sente-se desafiado em dominar as novas ferramentas que estão disponíveis através do computador e da internet. Em razão disso, os mesmos vem em busca de novas aprendizagens sobre a informática e os possíveis benefícios do seu uso no dia-a-dia do idoso, tornando-se assim mais otimistas em relação as suas próprias capacidades de aprendizagem, ampliando sua autoestima e conhecimentos diante dos seus familiares e amigos. Muitos, ao se inscreverem no curso relacionaram a necessidade em inteirar-se sobre o uso do

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computador com a com sua alfabetização primária: “Assim como há muito tempo atrás aprendi a ler, hoje me desafio a aprender a desvendar os mistérios dessa máquina chamada computador” (Carmen – 61 anos).

É importante dar ênfase a condições que propiciem a inclusão digital, pois a partir do momento em que os idosos passam a ter acesso aos meios informatizados, eles começam a perceber que as tecnologias não são tão complexas como antes imaginavam e que podem aprender e se atualizar, sentindo-se mais valorizados e tornando-se cidadãos (FERREIRA, 2008, p.45).

Em terceiro lugar aparece a busca por pesquisas nas mais diversas áreas de conhecimento, destaco a pesquisa de temas relacionados à saúde do idoso, além de outros como: receitas culinárias, lazer, entretenimento, pontos turísticos, artesanato, cultura, direitos dos idosos. Esses temas foram nomeados pelos alunos e durante as aulas, os mesmos puderam pesquisar informações, selecionar e salvar as de maior interesse. Cabe aqui destacar que, é necessário alertar o idoso sobre a veracidade das informações disponíveis nos sites. Nesse sentido, é fundamental incentivar os alunos a acessar mais de uma página, para assim, poderem comparar as informações, além ainda, de poderem buscar informações em livros e revistas, o que faz com que haja maior credibilidade.

Em último lugar surge o incentivo dos familiares para que o idoso conheça e aprenda sobre as tecnologias de informação, especialmente o computador, principalmente através da internet. Constatei que os familiares afirmavam aos idosos que, com essa idade não era mais possível aprender ou que seria muito difícil e assim foram orientados a buscar esses conhecimentos em outro lugar, nesse caso, o Centro de Inclusão Digital. (...) “meu filho não tem paciência para me ensinar, diz que não vou aprender com a idade que tenho” (Mirtes, 69 anos).

Neste depoimento verifico a importância e valor de uma política pública voltada para a terceira idade, que acolhe os idosos, valoriza as experiências de vida, que adapta-se às necessidades que apresentam, onde se busca constantemente alternativas de superação das dificuldades, se respeita o tempo que o individuo necessita para aprender e compartilha momentos de descobertas.

A necessidade de comunicação online,em muitos casos, é um incentivo para os idosos aprender informática para manter contato com parentes que estão

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distante. Nesses casos, observa-se maior satisfação por parte dos idosos em participar dos cursos de informática, por ter a oportunidade de aprender algo novo, algo por muito tempo desconhecido.

O desafio de ensinar e aprender informática é muito grande, porém, não é impossível.Com dedicação e interesse de ambas as partes o processo de ensino-aprendizagem torna-se prazeroso e satisfatório para os envolvidos, tanto para quem ensina, quanto para quem aprende. Assim, socializa suas aprendizagens com quem gosta. A cada passo dado, a cada tarefa cumprida com sucesso, a recompensa é maior ainda, em saber que a alfabetização digital pode mudar a vida das pessoas, especialmente dos idosos.

Portanto, não importa o que as outras pessoas vão pensar, cada um possui suas capacidades. As dificuldades são parte do percurso e são normais em qualquer etapa da vida, para tudo precisa-se de tempo. Quando o idoso apresenta interesse e dedicação, suas buscas se tornam mais fáceis, os desafios estão aí para superarmos com autonomia e esperança. Cito nesse momento um dos maiores educadores do Brasil que nos diz o seguinte: “o homem como um ser inconcluso, consciente de sua inconclusão, e seu permanente movimento de busca do ser mais” (FREIRE, 1987, p. 72).

3.1 AS DIFICULDADES ENCONTRADAS NA INCLUSÃO DIGITAL

“Quero comprimir a tecla do computador e explodir o ponto e arquear o contorno, varando os limites que a vida há de preencher e o sonho tornará possível” (LUFT, 2000, p. 13)

Ensinar e aprender informática na terceira idade é um processo lento, que exige tempo e dedicação. As dificuldades surgem e podem ser de ordem física ou cognitiva. As dificuldades físicas podem ser de postura, de adaptação com o mouse e a tela do computador, além do tempo de permanência nas aulas. As dificuldades de ordem cognitiva englobam a memorização de comandos na realização de tarefas, a compreensão da linguagem da informática e os registros através da escrita. Estas são a principais dificuldades as quais identifiquei em todas as turmas de idosos observadas e assistidas.

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Em relação às dificuldades físicas, os alunos conseguiam adaptar-se bem ao tempo das aulas, o que compreende um período de duas horas, pela manhã e duas horas pela tarde, em que o aluno permanece sentado, olhando para a tela do computador. Notei apenas maior dificuldade nos dias de frio, o que acabou exigindo mais tempo para a realização das atividades.

Constatei que, em relação à coordenação motora, alguns alunos apresentaram dificuldades em relação ao uso do mouse e no uso dos comandos do teclado. Além de apresentar maior dificuldade para memorização dos comandos durante as atividades, por exemplo: abrir uma pasta ou documento. Nessa atividade alguns idosos apresentaram dificuldades em clicar duas vezes seguidamente, não recordando na aula seguinte os comandos necessários, segundo Kachar( 2003, p.173) “as pessoas com mais idade apresentam dificuldades para lidar com situações abstratas”.

Outra dificuldade percebida foi a compreensão da linguagem e interface computacional, nesse sentido busca-se relacionar as atividades com o cotidiano dos alunos. Por exemplo: quando se ensina os alunos a abrir a lixeira do computador e excluir os arquivos que lá estavam, explica-se que é necessário fazer faxina em nossos computadores, assim como fazemos em casa e jogamos tudo que não serve mais no lixo. Desta forma, os idosos entenderam o porquê da existência da lixeira.

Lembrar sobre o uso do botão direito ou esquerdo do mouse também foi uma dificuldade percebida. Muitas vezes, os alunos questionavam o lado correto para determinada atividade. Por isso, faz-se necessário o registro dessas atividades em que necessitam utilizar o lado direito, por exemplo: copiar e colar. Nessa atividade os próprios alunos perceberam que teriam mais facilidade em usar o

mouse do que os comandos no teclado.

O uso dos comandos do teclado foi uma dificuldade dos alunos, alguns não conseguiam usar corretamente a tecla Shift para fazer caracteres maiúsculos ou acentos. Mãos suadas, tensas e dedos pesados aparecem no toque e pressão das teclas, fazendo com que a mesma letra ou caractere apareça mais de uma vez. Não apenas por esquecer os comandos, mas também por apresentar dificuldade motora nas mãos, já enrijecidas pelo longo tempo de trabalho, o qual é comum nas pessoas com idade avançada. Contudo, apesar das dificuldades, nunca desistiram, sempre estiveram dispostos e contentes em aprender e descobrir coisas novas. O erro foi algo que incomodava, porém, a motivação para novas descobertas era maior,

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