Anais do Conic-Semesp. Volume 1, 2013 - Faculdade Anhanguera de Campinas - Unidade 3. ISSN 2357-8904
TÍTULO: O CONCEITO DE DESIGUALDADE SOCIAL
TÍTULO:
CATEGORIA: CONCLUÍDO
CATEGORIA:
ÁREA: CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS
ÁREA:
SUBÁREA: PSICOLOGIA
SUBÁREA:
INSTITUIÇÃO: FACULDADE DE JAGUARIÚNA
INSTITUIÇÃO:
AUTOR(ES): WILSON ROGER CRISPIM
AUTOR(ES):
ORIENTADOR(ES): CLOVIS MARTINS COSTA
PIC- PROGRAMA DE INICIAÇÃO CIENTIFICA
Titulo
:Programa de Iniciação Cientifica. Orientador de Pesquisa, Professor:
Clovis Martins Costa. Docente da FAJ- (FACULDADE DE JAGUARIÚNA) Campus II. E-mail do Orientador: [email protected]
O conceito de Desigualdade social.
Resumo:
Este trabalho propõe, através de uma revisão bibliográfica, explicitar o conceito de desigualdade social na perspectiva da evolução histórica do homem, marcada, desde o seu início, pelos fenômenos da desigualdade social, da formação de classes sociais e da luta entre as classes pelo poder. Concluiu-se que a desigualdade social se multiplica no decorrer da história e que não há um conceito geral de desigualdade publicado, mas sim de aspectos de desigualdade dentro da sociedade.
Palavras-chave: desigualdade social, luta de classes, poder, conscientização, trabalho
Introdução:
O pressuposto da insensibilidade da maioria das pessoas, incluindo estudantes universitários e dentre estes os do curso de Psicologia, frente ao fenômeno, bastante antigo, e tão atual, da desigualdade social mobilizou o autor da pesquisa a iniciar um trabalho sobre o tema. E entendeu pertinente começar por pesquisar o próprio conceito de Desigualdade Social no intuito de melhor explicitá-lo, para si e para outrem, e compreendê-lo.
Objetivos:
Objetivos gerais.
Explicitar o conceito de desigualdade social considerando a evolução histórica do homem, desde a idade primitiva até a idade contemporânea.
Tornar mais conhecido o conceito de desigualdade social favorecendo uma maior consciência da ideologia dominante na manutenção dessa desigualdade.
Facilitar a conscientização das classes dominadas a partir do acesso ao conceito de desigualdade social.
Objetivo específico.
Explicitar o conceito de desigualdade social com vistas a facilitar ou ampliar a consciência no mundo do trabalho da Psicologia.
Metodologia:
Foi realizada uma pesquisa de revisão bibliográfica, onde se encontrou quinze artigos, dos quais quatro foram utilizados. Foram utilizados também três livros que falam sobre o tema de desigualdade, ideologia e história do trabalho. Depois do Levantamento do material, foram feitos fichamentos e encontros semanais para discussão do tema e para a montagem do trabalho num período de aproximadamente quatro meses.
Desenvolvimento:
Segundo Paulo Freire (1997), para entender o conceito de desigualdade social, precisamos voltar antes de esse conceito existir na história do trabalho. A palavra “trabalho” vem de
tripalium (latim), que era um instrumento de tortura. Inclusive, em muitas línguas derivadas do
latim, costuma-se dizer: “trabalho de parto” recordando uma citação, na Bíblia, em Gênesis, aonde disse Deus a Adão: “Maldito é o solo por causa de ti! Com sofrimento dele te nutrirás todos os dias de tua vida (...). Com o suor de teu rosto comerás teu pão, até que retornes ao solo, pois dele foste tirado” (Como citar o autor que citou Chauí que citou Lafargue) (CHAUÍ. In: LAFARGUE, p. 12).
Após a revolução industrial o trabalho, que antes não tinha valor, se tornou “dignificante”, com a ideologia colocando-o acima de tudo, como o grande objetivo da vida. Mas, para melhor entendermos a desigualdade de seu início até a sua conceituação atual, precisamos voltar na sociedade primitiva, passando pela idade média, até a idade contemporânea.
A Sociedade Primitiva 50.000 anos. a.C:
Segundo Frei Betto (1986), na sociedade primitiva, o trabalho existia somente para manter a sobrevivência da espécie. Com o decorrer do tempo o trabalho foi dividido entre o homem e a mulher, o homem por sua vez saía para caçar enquanto a mulher se mantinha em casa para cuidar dos filhos e preparar a caça que o homem trazia, porém, não era uma desigualdade, porque ambos podiam fazer o mesmo trabalho no tempo que achassem melhor. Com o decorrer do tempo o homem foi mudando seus instrumentos de trabalho, com essas mudanças, sua forma de viver e se relacionar com a natureza e os grupos se tornaram mais complexos. Começou a dominar o fogo, a moldar os metais e, por fim a dominar a escrita, época em que se encerra a chamada pré-história.
A desigualdade começa quando se estabelece a divisão entre as famílias proprietárias e não proprietárias assim surgem as classes sociais; também a luta entre classes, na medida em que a classe proprietária procura aumentar suas posses, impedindo que os demais se tornem proprietários; e na medida em que os nãos proprietários querem se tornar proprietários, ameaçando a propriedade dos primeiros. (Frei BETTO, p. 14).
A divisão do trabalho, que no início era por sexo, passou a ser feita também por profissões. Quando no trabalho, os homens começam a produzir, mais do que o necessário para sobreviver, a existência de escravos passou a ter sentido, porque eles produzem o seu sustento e o excedente é o que vai parar nas mãos dos seus donos. E aí começava o trabalho individual, a propriedade privada e a exploração do trabalho de outros, gerando assim o escravismo. Nessa época a
sociedade se dividia em três camadas: a aristocracia dominante, cidadãos livres e os escravos, quem sustentava a sociedade por sua vez era a classe média: lavradores,criadores de gado, comerciantes, médicos, artesãos, carpinteiros,ferreiros e pescadores, os escravos ficavam com o trabalho pesado, com o tempo. As sociedades foram se modificando, gerando culturas e se tornando cada vez mais desiguais, os dominadores passaram a chamar a si próprios de civilizados, invadindo e explorando povos que a 25 mil anos já haviam construído sua história, como o ocorrido na América. (“A história do homem”, p. 7).
No decorrer da idade média a opressão se tornava maior pelos senhores Feudais, que apoiavam agora o domínio pelas ideias e não necessitavam mais usar a força. Aliás, a Igreja era considerada a maior proprietária de terras no período feudal. Segundo os historiadores, isso ocorreu pelo fato de que homens preocupados com a vida pós-morte, desejosos de passar para o lado direito de Deus, doavam-lhe terras; outras pessoas agiam da mesma forma, porque achavam que a Igreja realizava uma grande obra de assistência aos doentes e aos pobres. Alguns nobres ou reis criaram o hábito de, sempre que venciam uma guerra e se apoderavam das terras dos inimigos, doar parte delas à Igreja que, por esses e outros meios, aumentava assim suas propriedades, até que se tornou proprietária de grande parte das terras da Europa Ocidental.
As cruzadas (expedição liderada pela igreja para libertar Jerusalém dos mulçumanos, intenção primeira, pois os outros motivos foram basicamente econômicos) contribuíram para a expansão do comércio entre a Europa e o oriente, muitas mercadorias eram trocadas, e girava um grande fluxo de moedas de diferentes lugares que eram trocadas pelos chamados cambistas, foi essa a origem dos banqueiros, e o início que marcava uma nova era, de desigualdades sociais. Idade Moderna:
ROUSSEAU (1962) Partindo do homem natural, segundo ele de uma escala evolutiva, o homem é responsável pela construção da própria desigualdade e de todos os males até chegar ao
homem moderno, o europeu civilizado e consequentemente corrompido, por si mesmo, que através do próprio conhecimento, vem buscando formas novas de dominação, sejam elas por ideias como a religião, tudo para assegurar aos que são dominadores os poderes contra os dominados.
O primeiro que, tendo cercado um terreno, arriscou-se a dizer: “isso é meu”, e encontrou pessoas bastante simples para acreditar nele, foi o verdadeiro fundador da sociedade civil. Quantos crimes, guerras, mortes, misérias e horrores não teriam poupado ao gênero humano aquele que, arrancando as estacas ou tapando os buracos, tivesse gritado a seus semelhantes: Fugi às palavras desse impostor; estareis perdidos se esquecerdes de que os frutos pertencem a todos, e que a terra não é de ninguém”. (ROUSSEAU, 1985, p. 84)
Segundo Jean Jacques Rousseau (1985), quando o homem teve a necessidade de socorro do outro a igualdade desapareceu, perceberam que era útil um só ter provisões para dois, a propriedade se introduziu e o trabalho se tornou necessário. A civilização do homem foi a perda do gênero humano, e a divisão de terra se deu aos homens que dela faziam o seu trabalho para vender, o mais forte, trabalhava mais tempo, o mais ágil fazia mais rápido, o mais engenhoso abreviava o trabalho, enquanto um ganhava muito outro mal podia sobreviver. A origem da sociedade deu novas forças ao rico, destruindo sem remédio a liberdade natural, fixaram para sempre a lei da propriedade e da desigualdade social (ROUSSEAU, 1985, p. 70).
Idade Contemporânea:
No Início da sociedade contemporânea no século 19 surgiam as ideias de um grande pensador que falava sobre o capitalismo e o comunismo. Karl Heinrich Marx, no Marxismo estrutural, a estrutura de classes e seu núcleo de exploração sempre foram o foco da desigualdade, que se mantinham alienados pelo sistema e manipulados pelas chamadas ideologias, que fortaleciam o capitalismo e deixava cada vez mais distante a consciência das pessoas sobre sua força de trabalho, que eram exploradas gerando a (mais valia) ou capitalismo,
a força de trabalho não paga.
Após um século dessa concepção de desigualdade social, beirando a idade moderna do século 21, A autora: Martha Nussbaum (2000). Autora resume parte de seu argumento em uma lista de “capacidades humanas centrais” cuja distribuição constitui a demanda central da ética igualitária, proporcionando um ponto de referência para o exame da desigualdade global. Sua lista compreende:
• Vida, com duração normal.
• Saúde física.
• Integridade física, com relação à agressão e às discriminações sexual ou reprodutiva.
• Sentidos, imaginação e pensamento, ou seja, ser capaz de utilizá-los de “uma forma verdadeiramente humana”.
• Emoções, a capacidade de ter vínculos, a liberdade do medo e trauma opressivos.
• A razão prática, ou seja, ser capaz de estabelecer concepções sobre o bem.
• Vínculos, incluindo as bases sociais do respeito próprio e da não humilhação.
• Outras espécies, ser capaz de viver com preocupações com relação à natureza.
• O lúdico, ser capaz de rir, brincar e recriar-se.
• O controle sobre seu próprio ambiente, político e material. (Nussbaum, 2000, pp. 78-80).
A partir das pesquisas suecas e escandinavas sobre o padrão de vida, também se pode produzir uma lista empiricamente manejável de desigualdades, com dez componentes: nutrição, saúde e acesso aos serviços de saúde, emprego e condições de trabalho, recursos econômicos, conhecimento e acesso à educação, relações familiares e sociais, habitação e serviços locais, recreação e cultura, segurança da vida e da propriedade, recursos políticos. Sociologias. O que a autora pretende destacar aqui é a multidimensionalidade fundamental da desigualdade básica,
sendo que pouco pode se reduzir na globalização, A desigualdade nas capacidades, ou nas oportunidades de vida, para utilizar um conceito clássico, podem ser consideradas como uma soma de recursos e ambientes. Em alguns contextos globais existem ausências de possibilidades, acesso e escolha. (Sociologias, 2001, p.122-169)
No mundo pós-colonial tem se inclinado mais a hierarquia do que na exploração colonial em uma escada classificatória de desigualdade de valores, tem ocorrido uma grande conversão de valores no século XX, exemplo significativo é o consumo individual que se tornou um valor básico muito mais comum no mundo, Mais o importa é saber que não existem apenas diferentes desigualdades sobre essa ou aquela variável. Há também diferentes configurações de desigualdade que operam de maneiras diferentes. (Sociologias, 2001, p.122-169)
RESULTADOS:
Nas mudanças de paradigmas, a desigualdade se multiplicou em diversos campos da relação existente do ser no mundo. Não existindo assim um conceito único de desigualdade de forma universal, mas ramificações e configurações diferentes a partir da desigualdade, sendo assim consideradas “desigualdades sociais”.
Assim:
Na Sociedade Primitiva, o trabalho existia somente para manter a sobrevivência da espécie. Mesmo a divisão entre homem e mulher não caracteriza uma desigualdade sociel.
Na Idade Média, a Igreja, a maior senhora feudal, promove as cruzadas que sua forte motivação econômica dá origem aos banqueiros, e marca uma era de desigualdades sociais.
Na Idade Moderna, o homem passa a ser responsável pela construção da própria desigualdade e busca novas formas de dominação, para assegurar aos dominadores os poderes contra os dominados. (ROUSSEAU, 1975) Religião e meios de comunicação de massas são exemplos.
Na Idade Contemporânea, a desigualdade nas capacidades, ou nas oportunidades de vida, passou a ser considerada como uma soma de recursos e ambientes. Em alguns contextos globais passou a existir ausências de possibilidades, acesso e escolha. (Sociologias, 2001, p.122-169)
Com a passagem do século XX, para o século XXI, ocorreu uma grande conversão de valores, exemplo disso é o consumo individual que não existia antes como valor.
Conclusão da Pesquisa:
Conclui-se que a desigualdade social tem se multiplicado no decorrer de sua evolução histórica, segundo a revisão bibliográfica do conceito, e não se tem um conceito geral de desigualdade social que tenha sido publicado, mas sim de aspectos de desigualdade dentro da sociedade. Algumas dessas desigualdades segundo os textos já não podem ser revertidas como em desigualdades sociais que envolvem qualidade de vida, economia, e distribuições de terra, acesso à educação e conhecimento cultural, sendo que no início do século XIX, uma grande conversão de valores vem culturalmente sofrendo transformações, um dos valores é o que se aplica ao consumo individual, que se tornou um valor básico, e a igualdade entre as pessoas da sociedade vem se distanciando, mas o que importa é saber que não existem apenas diferentes desigualdades sobre essa ou aquela variável. Há também dentro dessas desigualdades diferentes configurações que operam de maneiras distintas em suas determinadas culturas. (Sociologias, 2001, p.122-169)
Referências Bibliográficas:
CEPIS - Centro de Educação Popular do Instituto Sedes Sapientiae. História da sociedade. São Paulo, 2004.
CHAUÍ M. O que é ideologia. Revisado por José E. Andrade. Ano de Digitação 2004. Publicado em São Paulo, 1980.
COORDENAÇÃO DE PASTORAL DA PERIFERIA DE SALVADOR. A história do homem. Salvador: Lins, 1980.
LAFAGUE, Paul. O direito à preguiça. 2 ed. São Paulo : Hucitec, 2000.
FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. 17 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986.
FREI BETTO. OSPB: Introdução à política brasileira. 2 ed. São Paulo: Ática, 1986.
ROUSSEAU, J,J. Discurso sobre A Origem da desigualdade. Ed eletrônico. Tradução: Maria Lacerda De Moura. São Paulo: 1975.
THERBORN. G. Globalização e Desigualdade: questões de conceituação e esclarecimento. Sociologias, Porto Alegre, ano 3, nº 6, jul/dez 2001, p. 122-169.