UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ CURSO SUPERIOR DE TECNOLOGIA EM DESIGN DE MODA
DHARA SILVA FABRICIO
TINGIMENTO NATURAL APLICADO AO SEGMENTO CASUAL
CHIC: UMA PROPOSTA URBANA
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO
APUCARANA 2017
DHARA SILVA FABRICIO
TINGIMENTO NATURAL APLICADO AO SEGMENTO CASUAL
CHIC: UMA PROPOSTA URBANA
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito parcial à obtenção do título de Tecnólogo em Design de Moda, do Curso Superior de Tecnologia em Design de Moda da Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Orientador: Prof. Dr. Fabricio Maestá Bezerra
APUCARANA 2017
Ministério da Educação
Universidade Tecnológica Federal do Paraná Câmpus Apucarana
CODEM – Coordenação do Curso Superior de Tecnologia em Design de Moda
TERMO DE APROVAÇÃO
Título do Trabalho de Conclusão de Curso Nº 235
Tingimento natural aplicado ao segmento casual chic: uma proposta urbana
por
DHARA SILVA FABRICIO
Este Trabalho de Conclusão de Curso foi apresentado aos vinte dias do mês de junho do ano de dois mil e dezessete, às dezoito horas e trinta minutos, como requisito parcial para a obtenção do título de Tecnólogo em Design de Moda, linha de pesquisa Processo de Desenvolvimento de Produto, do Curso Superior em Tecnologia em Design de Moda da UTFPR – Universidade Tecnológica Federal do Paraná. A candidata foi arguida pela banca examinadora composta pelos professores abaixo assinados. Após deliberação, a banca examinadora considerou o trabalho aprovado.
_____________________________________________________________ PROFESSOR FABRICIO MAESTÁ BEZERRA – ORIENTADOR
______________________________________________________________ PROFESSORA ANA CLAUDIA ABREU – EXAMINADORA
______________________________________________________________ PROFESSORA LIVIA MARSARI PEREIRA – EXAMINADORA
“A Folha de Aprovação assinada encontra-se na Coordenação do Curso”.
Dedico este trabalho à minha família e amigos que me apoiaram e me incentivaram a realizá-lo.
AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente a Deus, pelo dom da vida, pois até aqui tens me sustentado, concedido toda sabedoria e me acompanhado em todos os momentos da minha vida.
A minha família, pelo amor incondicional. Aos meus pais Mario e Magali, por acreditarem no meu potencial, por todo apoio na realização dos meus sonhos, principalmente na concretização deste trabalho e nunca me deixarem desistir. Ao meu irmão Diego e especialmente a minha irmã Dayane, por ser minha melhor amiga e estar sempre disposta a me ajudar.
Ao meu orientador Prof. Fabricio Maestá, por todo ensinamento compartilhado e me guiado neste trabalho. A minha orientadora de estágio Prof.ª Patrícia Harger, pela oportunidade de estagiar na Universidade e a todos os professores que fizeram parte da minha trajetória acadêmica.
Aos amigos de Apucarana que fiz ao longo do curso e foram muito importantes em todos os períodos. As meninas do AP 304, por toda parceria e apoio nos momentos tristes e felizes.
Aos profissionais que participaram direta ou indiretamente como, costureiros, fotógrafos e maquiadores, entre outros. Aos modelos que aceitaram o convite e se disponibilizaram a desfilar.
Enfim, a todos que de alguma forma contribuíram para minha jornada acadêmica.
“Tudo posso naquele que me fortalece. ” (Filipenses 4:13)
RESUMO
FABRICIO, Dhara Silva. Tingimento natural aplicado ao segmento casual chic: uma proposta urbana. 2017. Trabalho de Conclusão de Curso (Curso Superior de Tecnologia em Design de Moda) – Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Apucarana, 2017.
Neste trabalho é apresentado o conceito e outros paramentos do tingimento natural, uma técnica de origem artesanal capaz de colorir substratos através de corantes extraídos de plantas, minérios e vegetais, tendo início nos séculos passados. Com o passar do tempo, por consequência da evolução tecnológica juntamente com a necessidade de aumento da produção têxtil, os processos de tingimento sofreram alterações, de corantes naturais passou-se a utilizar corantes sintéticos. Com essa mudança, os métodos de tingimento na indústria tornaram-se poluidores e para que se possa utilizar o corante sintético de forma adequada há a necessidade de um elevado consumo de água, sendo este mais um problema ambiental. Devido a essa problemática, o foco deste trabalho é retomar a técnica de tingimento artesanal, estabelecer o conceito de sustentabilidade e através da metodologia experimental, aplicar o melhor tingimento natural em peças do vestuário no segmento casual chic, afim de reduzir alguns impactos causados à natureza.
ABSTRACT
FABRICIO, Dhara Silva. Natural dye applied to the chic casual segment: an urban proposal. 2017. Course conclusion (Superior Course of Technology in Fashion Design) – Federal Technological University of Paraná. Apucarana, 2017.
In this work the concept and other facings of natural dyeing are presented, the technique of artisanal origin capable of coloring substrates through dyes extracted from plants, ores and vegetables, beginning in the past centuries. Over time, as a consequence of the technological evolution together with the need to increase textile production, the dyeing processes underwent changes: from natural dyes to synthetic dyes. With this change, the dyeing methods in the industry have become pollutants and, in order to use the synthetic dye properly, there is a need for a high water consumption, which is more of an environmental problem. Due to this problem, the focus of this work is to retake the technique of artisan dyeing, to establish the concept of sustainability and through the experimental methodology, to apply the best natural dyeing in pieces of clothing in the casual chic segment, in order to reduce some impacts caused to nature.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1 – Máquina de processo contínuo ... 21
Figura 2 – Máquina (JET) de processo por esgotamento ... 22
Figura 3 – Planta Indigofera tinctoria ... 26
Figura 4 – Planta Rubia tinctorium ... 27
Figura 5 – Frutos do Urucum ... 27
Figura 6 – Açafrão ... 28
Figura 7 – Painel de experimentos do TCC ... 31
Figura 8 – Solução de extração do Açafrão, 50mL água/50 mL álcool etílico. ... 32
Figura 9 – Solução de extração do Urucum / Extrato pronto para o tingimento ... 33
Figura 10 – Extração do corante Repolho Roxo... 33
Figura 11 – Tingimento com extrato de corante de açafrão no tecido: algodão (1) e na seda (2) ... 35
Figura 12 – Tingimento com extrato de corante de Urucum no tecido algodão: 10 g em 100 mL água (1), 5 g em 50 mL água/ 50 mL álcool etílico (2), 10 g em 70 mL água/30 mL álcool etílico (3) ... 35
Figura 13 – Tingimento com extrato de corante de Urucum em substrato de seda ... 36
Figura 14 – Tingimento com extrato de corante de Repolho Roxo no substrato: algodão (1) e seda (2) ... 36
Figura 15 – Tingimento com extrato corante de Repolho Roxo com Urucum (1) e Açafrão (2) na seda ... 37
Figura 16 – Tingimento com extrato de corante de Hibisco na seda, 50 mL água/50 mL álcool (1), segunda vez com a mesma solução da primeira (2), 100 mL água (3) ... 37
Figura 17 – Amostra (3) antes e depois da lavagem... 37
Figura 18 – Tingimento com extrato de corante de Carvão Vegetal na seda. ... 38
Figura 19 – Imagem de Público Alvo ... 48
Figura 20 – Macrotendência Vida Terrena ... 49
Figura 21 – Representação da técnica Dip Dye ... 50
Figura 22 – Painel de Referência da Coleção ... 52
Figura 23 – Linha Lápis, Seta e Reta ... 53
Figura 24 – Painel semântico ... 54
Figura 26 – Cartela de materiais ... 56 Figura 27 – Look 1 ... 57 Figura 28 – Look 2 ... 58 Figura 29 – Look 3 ... 59 Figura 30 – Look 4 ... 60 Figura 31 – Look 5 ... 61 Figura 32 – Look 6 ... 62 Figura 33 – Look 7 ... 63 Figura 34 – Look 8 ... 64 Figura 35 – Look 9 ... 65 Figura 36 – Look 10 ... 66 Figura 37 – Look 11 ... 67 Figura 38 – Look 12 ... 68 Figura 39 – Look 13 ... 69 Figura 40 – Look 14 ... 70 Figura 41 – Look 15 ... 71 Figura 42 – Look 16 ... 72 Figura 43 – Look 17 ... 73 Figura 44 – Look 18 ... 74 Figura 45 – Look 19 ... 75 Figura 46 – Look 20 ... 76
Figura 47 – Harmonia da coleção ... 77
Figura 48 – Ficha técnica 1: Frente e costas ... 78
Figura 49 – Ficha técnica 1: Materiais ... 79
Figura 50 – Ficha técnica 1: Sequência operacional ... 80
Figura 51 – Ficha técnica 1: Lavanderia ... 80
Figura 52 – Ficha técnica 2: Frente e costas ... 81
Figura 53 – Ficha técnica 2: Materiais ... 82
Figura 54 – Ficha técnica 2: Sequência operacional ... 83
Figura 55 – Ficha técnica 3: Frente e costas ... 84
Figura 56 – Ficha técnica 3: Materiais ... 85
Figura 57 – Ficha técnica 3: Sequência operacional ... 86
Figura 58 – Ficha técnica 3: Lavanderia ... 86
Figura 60 – Ficha técnica 4: Materiais ... 88
Figura 61 – Ficha técnica 4: Sequência operacional ... 89
Figura 62 – Ficha técnica 5: Frente e costas ... 90
Figura 63 – Ficha técnica 5: Materiais ... 91
Figura 64 – Ficha técnica 5: Sequência operacional ... 92
Figura 65 – Ficha técnica 6: Frente e costas ... 93
Figura 66 – Ficha técnica 6: Materiais ... 94
Figura 67 – Ficha técnica 6: Sequência operacional ... 95
Figura 68 – Ficha técnica 6: Lavanderia ... 95
Figura 69 – Ficha técnica 7: Frente e costas ... 96
Figura 70 – Ficha técnica 7: Materiais ... 97
Figura 71 – Ficha técnica 7: Sequência operacional ... 98
Figura 72 – Ficha técnica 7: Lavanderia ... 98
Figura 73 – Ficha técnica 8: Frente e costas ... 99
Figura 74 – Ficha técnica 8: Materiais ... 100
Figura 75 – Ficha técnica 8: Sequência operacional ... 101
Figura 76 – Prancha 1 ... 102 Figura 77 – Prancha 2 ... 102 Figura 78 – Prancha 3 ... 103 Figura 79 – Prancha 4 ... 103 Figura 80 – Look 1 ... 104 Figura 81 – Look 2 ... 104 Figura 82 – Look 3 ... 105 Figura 83 – Look 4 ... 105
Figura 84 – Capa e contracapa do catálogo ... 106
Figura 85 – Imagens do editorial no catálogo ... 107
Figura 86 – Opções de cabelo e maquiagem para o desfile... 108
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1 – Gênero dos participantes ... 39
Gráfico 2 – Idade dos participantes ... 39
Gráfico 3 – Grau de escolaridade dos participantes ... 39
Gráfico 4 – Remuneração mensal dos participantes ... 40
Gráfico 5 – Locais de moradia dos participantes ... 40
Gráfico 6 – Nível de interesse dos participantes por tendências de moda ... 41
Gráfico 7 – Locais de compras dos participantes ... 41
Gráfico 8 – Tipos de festas que os participantes frequentam ... 42
Gráfico 9 – Tipos de trajes em que os participantes mais usadram em festas ... 42
Gráfico 10 – Preferência dos participantes ... 43
Gráfico 11 – Opinião dos participantes sobre a ideia do tingimento ... 43
Gráfico 12 – Preferência das técnicas de tingimento ... 44
Gráfico 13 – Opção de uso com roupas de festas tingidas ... 44
Gráfico 14 – Valor a ser pago pelos participantes ... 44
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 – Tipos de corantes e suas principais aplicações ... 24 Tabela 2 – Vegetais utilizados na produção de corantes ... 25 Tabela 3 – Mix de Coleção ... 53
SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ... 15 1.1 DEFINIÇÃO DO PROBLEMA ... 15 1.2 OBJETIVO GERAL ... 16 1.2.1 Objetivos Específicos ... 16 1.3 JUSTIFICATIVA ... 16 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA... 18 2.1 TINGIMENTO ... 18 2.2 HISTÓRIA DO TINGIMENTO ... 19 2.3 PROCESSOS DE TINGIMENTO ... 21 2.4 CORANTES ... 23 2.5 TIPOS DE CORANTES ... 23 2.5.1 Corantes Naturais ... 24
2.5.2 Processo Artesanal de Tingimento ... 28
2.6 ASPECTOS ECOLÓGICOS DO TINGIMENTO ... 29
3 METODOLOGIA ... 30
3.1 TIPO DE PESQUISA ... 30
3.2 METODOLOGIA EXPERIMENTAL ... 31
3.2.1 Extração e tingimento do Açafrão ... 32
3.2.2 Extração e tingimento do Urucum ... 32
3.2.3 Extração e tingimento do Repolho Roxo ... 33
3.2.4 Extração e tingimento do Repolho Roxo com Urucum e com Açafrão ... 34
3.2.6 Extração e tingimento do Carvão Vegetal ... 34
3.3 RESULTADOS E DISCUSSÃO ... 35
3.4 INSTRUMENTO PARA COLETA DE DADOS ... 38
3.5 DELIMITAÇÃO DO OBJETO DE ESTUDO ... 38
3.6 COLETA E ANÁLISE DE DADOS ... 38
3.6.1 Análise da Pesquisa ... 38 4 DIRECIONAMENTO MERCADOLÓGICO ... 46 4.1 EMPRESA ... 46 4.1.1 Dados da Empresa ... 46 4.2 MARCA ... 46 4.2.1 Conceito da Marca ... 47 4.2.2 Segmento ... 47
4.2.3 Concorrentes (diretos e indiretos) ... 47 4.2.4 Preços Praticados ... 47 4.3 PÚBLICO ALVO ... 48 4.3.1 Perfil do consumidor ... 48 4.4 PESQUISA DE TENDÊNCIAS ... 49 4.4.1 Macrotendências ... 49 4.4.2 Microtendências ... 49 5 DESENVOLVIMENTO DO PROJETO ... 51 5.1 ESPECIFICAÇÕES DO PROJETO ... 51 5.1.1 Referência da Coleção ... 51
5.1.2 Nome e Conceito da Coleção ... 52
5.1.3 Cores ... 52
5.1.4 Materiais ... 52
5.1.5 Silhuetas ou Formas (shapes) ... 53
5.2 MIX DE COLEÇÃO ... 53 5.3 PAINEL SEMÂNTICO ... 54 5.4 CARTELA DE CORES ... 55 5.5 CARTELA DE MATERIAIS ... 56 5.6 GERAÇÃO DE ALTERNATIVAS ... 57 5.7 HARMONIA DA COLEÇÃO ... 77 5.8 FICHAS TÉCNICAS ... 78 5.9 PRANCHAS RÍGIDAS ... 102 5.10 LOOKS CONFECCIONADOS ... 104 5.11 CATÁLOGO IMPRESSO ... 106 5.12 DESFILE ... 108
5.13 TRILHA SONORA DO DESFILE ... 108
5.14 SEQUÊNCIA DE ENTRADA DOS MODELOS NA PASSARELA ... 109
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 110
REFERÊNCIAS ... 111
1 INTRODUÇÃO
O tingimento é uma técnica muito antiga, caracterizado por colorir um substrato por meio de corantes e pigmentos. Existente desde os séculos passados, não se sabe ao certo seu primeiro registro na história, mas alguns autores apontam que foi por volta de 2.600 a.C., quando o homem utilizou plantas para extrair o corante e aplicar em têxteis. Nos primórdios, as cores eram extraídas de animais, minerais ou vegetais. Desde então, o método de tintura não teve fim, mas sim, novas técnicas e produtos surgiram, isto por consequência da evolução tecnológica que acabou por mudar: parâmetros de processo, corantes, máquinas e auxiliares de tingimento.
Devido às mudanças ocasionadas principalmente na composição dos corantes, passando de natural para sintético, hoje estes compostos trazem graves problemas ao ambiente, pois podem ficar depositados em subsolos de mananciais, rios e ainda apresentarem metais pesados em sua constituição ou nos auxiliares utilizados no processo.
A metodologia utilizada para este trabalho é de caráter bibliográfico para a parte de pesquisas e experimental para os experimentos de tingimento. E, para coleta e análise de dados, faz-se necessário atingir um determinado público para o desenvolvimento da coleção. Identificou-se através do questionário online aplicado, homens e mulheres, de 20 a 25 anos em formação profissional que buscam criatividade e diferenciação em seus looks para eventos sociais, principalmente noturnos como, bares, baladas e formaturas.
Por meio do estudo de tingimento, pode-se descobrir novas possibilidades de cores através dos experimentos realizados em tecidos 100% algodão e 100% seda. Acredita-se que a substituição dos corantes naturais pelos sintéticos podem minimizar os impactos ambientais e agregar valores as peças.
O objetivo desse estudo é que a partir desses resultados, possa ser aplicado o tingimento natural nas peças do vestuário para o Casual Chic, fazendo um contraste com este segmento e para que quando pensem em tingimento natural não associem somente à moda Hippie. Além de ser possível trazer uma proposta urbana, com a mistura do natural com o segmento abordado.
1.1 DEFINIÇÃO DO PROBLEMA
O emprego de corantes sintéticos cresce cada vez mais na indústria têxtil por apresentarem boas características, no entanto, grande parte dos corantes sintéticos utilizados no
tingimento não se fixam inteiramente a fibra, sendo então descartados em forma de efluente. Assim estes causam grandes preocupações e problemas para o ambiente. Diante do exposto, repensar na forma de tingir possibilitando o desenvolvimento de peças condizentes com as características de cada corante natural, além de ser de extrema importância para o ambiente é um nicho pouco explorado com alto potencial dentro do mercado da moda.
1.2 OBJETIVO GERAL
O objetivo geral desse trabalho é preparar e tingir peças com corantes naturais para reduzir os impactos ambientais causados por corantes químicos e desenvolver uma coleção de moda com aplicações dessas peças tintas.
1.2.1 Objetivos Específicos
Para que se alcance o objetivo geral há a necessidade de: pesquisar técnicas para extração de corantes naturais;
realizar experimentos com diferentes tipos de matéria-prima; desenvolver uma gama de cores versátil;
analisar o perfil do público alvo; desenvolver a coleção.
1.3 JUSTIFICATIVA
O mercado da moda há algum tempo inseriu o conceito de sustentabilidade no desenvolvimento de peças, o comportamento dos estilistas em suas criações e o consumo do público estão mudando pouco a pouco para melhoria do planeta. Na parte de beneficiamento de artigos têxteis, sabe-se que o maior impacto ambiental é causado por corantes e produtos auxiliares, estes apresentam alta carga de produtos poluidores, tornando a indústria têxtil uma das que mais provocam danos ao ambiente (RODRIGUES & ARAÚJO, 2013).
Assim, uma das alternativas para amenizar o impacto ambiental é a substituição dos corantes sintéticos e auxiliares por compostos naturais. Estes apresentam menor toxidade e possibilidade de tingir fibras naturais e sintéticas, são capazes de ajudar o ambiente e substituir os corantes sintéticos para minimizar os impactos poluentes causados (VERISSIMO, 2003).
Dessa forma, a busca por produtos eco-friendly1 cresce a cada momento, Barrozo et al. (2013), mostram que essa tendência mundial é inclinada para a utilização de corantes naturais, pois são biodegradáveis, sua extração não traz malefícios para o ambiente e em hipótese alguma são cancerígenas, chamados de química verde. Portanto, inserir a moda festa neste contexto possibilita a exploração de técnicas que além de diminuírem o impacto ambiental podem ser extremamente versáteis e abrir novas portas para produtos eco-friendly no mercado da moda.
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 TINGIMENTO
Desde os primórdios o homem tem a necessidade de se vestir e, sabe-se que essa necessidade ocorreu de forma natural e fundamental na sociedade. A vestimenta tem duas funções basicamente, proteger o indivíduo e comunicar. A comunicação visual das peças caracteriza-se geralmente por meio das cores, sendo responsáveis por transmitirem emoções e sentimentos dependendo da tonalidade.
A cor é extremamente importante no mundo moderno. Nós precisamos ver ao nosso redor as cores variadas produzidas nos têxteis, tintas, papeis e plásticos. Na maioria dos casos, a cor é um fator importante na produção do material e é vital para o sucesso comercial do produto. (...) Como embalagem a cor é importante em atrair os consumidores (LADCHUMANANANDASIVAM, 2002, p. 50).
Assim, pode-se definir tingimento como uma técnica de coloração dos substratos têxteis ou não têxteis, realizada por meio de compostos orgânicos, mais conhecidos como corantes ou pigmentos. Salem (2010), refere-se ao tingimento como uma transformação físico-química que quando em contato com a luz, estimule a percepção de uma determinada cor.
Considerado como beneficiamento têxtil secundário dentro das etapas de processamento do substrato, este melhorara e altera as características das fibras têxteis na parte de tinturaria, o processo de tingir segundo Veríssimo (2003, p. 28), “sempre ocupou lugar único dentre os processos têxteis” basicamente por ser um método diferente de atribuir uma escala de cores ao ser aplicado. Beltrame (2000), diz que o tingimento é um procedimento complicado dentre as etapas de beneficiamento, pois resulta de muitos tipos de corantes e produtos auxiliares para tingir.
O objetivo do tingimento na indústria têxtil, resulta em colorir o tecido de maneira diferente em relação à sua composição natural, evidenciando a importância da uniformidade em sua aparência. Atualmente, as lavagens e os tingimentos são aspectos em que os estilistas apontam total importância na hora de escolherem os tecidos para suas criações, são mudanças que proporcionam melhoria visual e descrevem o estilo de seus looks (CHATAIGNIER, 2006).
2.2 HISTÓRIA DO TINGIMENTO
A história do tingimento segundo Pezzolo (2007), vem de milhares de anos atrás, quando o homem utilizava os corantes de origem mineral, animal e vegetal no tingimento de adornos, tanto para decoração da casa ou usados em seu corpo.
O tingimento de substratos têxteis é uma arte ascendente e ao longo de muitos séculos foram empregados os corantes naturais, sob métodos totalmente empíricos. Em túmulos de faraós do Egito, foram encontrados tecidos tintos com corantes naturais procedentes da china e Índia. O uso de roupas coloridas é mencionado em antigos textos, por exemplo: Plutarco, biógrafo que viveu no século I, descreve na Vida de Alexandre como Dario (586-550 a.C.), rei persa, usava roupas de cor púrpura. Há evidências que a arte de tingir já era empregada no ano de 2.500 a.C. Em 1.500 a.C. já eram tingidos tapetes orientais (SALEM, 2010, p. 41).
As cores das vestimentas naquela época eram responsáveis por caracterizar a posição social, por exemplo, o imperador utilizava vestimenta em tom amarelo e suas esposas o violeta. Entre as outras cores que se classificavam conforme as classes, o azul, vermelho e negro, para os cavaleiros. Os egípcios começaram a usar tecidos coloridos após perceberem que haviam outros muito bem tingidos na Ásia Menor, entre as guerras dominadas pelo faraó Touthmôsis no período de 1480 a.C. a 1448 a.C., pois os artigos de linho que os egípcios usavam, não eram tingidos até então. Com o passar dos tempos, os métodos de tingimento foram melhorados assim como constava em escrita nos rolos de papiro, copiados do original e achados em Tebas no século III (PEZZOLO, 2007).
De acordo com a mesma autora (p.165), “escavações feitas na cidade de Pompéia mostraram ateliês de tinturas da época romana que haviam sido soterrados pelas cinzas e lavas do Vesúvio em 79 d.C.”. As pinturas nas paredes mostram que os tecidos eram lavados e colocados em cubas2, para que a água escorresse em cascata. Este processo ainda é conveniente, passados aproximadamente dois mil anos.
A inserção das matérias corantes basearam-se na abundância do colorido da época, as principais Pezzolo (2007), destaca:
A garança (vermelho) e o pastel (diversos tons de azul) foram os dois principais corantes usados na Idade Média (476 e 1453). Também se utilizava o quermes dos tintureiros, semelhante à cochonilha, que igualmente resulta numa tintura vermelha, e a gauda (tonalidade verde-amarelada). (PEZZOLO, 2007, p. 166).
Quando Vasco da Gama localizou o caminho marítimo para as Índias cruzando o Cabo da Boa Esperança em 1497, iniciou-se uma nova fase na história dos corantes. E em 1516, a
primeira carga de Índigo3 chegou à Europa, com muita importância e de grande valor. A descoberta das vastas florestas da América do Sul, pelos portugueses, resultaram de rentáveis exportações ricas em pau-brasil, madeira amarela e cochonilha4. Esses novos produtos introduzidos na Europa pelos portugueses e espanhóis, foram responsáveis por colocarem a Veneza em declínio na área comercial.
Em 1669, outra influência aconteceu na história das tinturas, foi quando Jean-Baptista de Colbert, superintendente das Artes e Manufaturas de Luís XIV, estimulou a fabricação de luxo para à exportação. Ele decretou que os profissionais responsáveis pelas tinturas se dividissem em dois grupos: o primeiro grupo classifica-se nos tintureiros de cores vivas, usariam apenas corantes com cores fixas que não desbotassem, tais como o pastel, a garança, a cochonilha, o índigo, o quermes5 e a gauda6. Já o segundo grupo era dos tintureiros de cores comuns, estes utilizariam os corantes com menor capacidade de fixação, como o pau-brasil, o açafrão, a amoreira dos tintureiros, entre outros (PEZZOLO, 2007).
As tentativas de encontrar certas cores foram intensificando-se segundo Pezzolo (2007), em meados do século XVII, os franceses alcançaram o famoso mistério do “vermelho turco”, iluminado e duradouro, graças a ajuda dos imigrantes gregos. Não demorou muito e a cor se expandiu para outros países, Holanda, Inglaterra, Alemanha e Suíça. Desde então, os europeus lideraram a tecnologia de tintura no mundo, manuseando corantes vegetais e animais até metade do século XIX, quando o progresso da indústria têxtil ocorreu de forma muito marcante durante este século até o XX, e permaneceu sempre constante ao uso de cores vegetais. Salem (2010, p. 41), ressalta que “a grande revolução na química dos corantes ocorreu com a descoberta casual do primeiro corante sintético por Perkin, um estudante inglês”. Em 1856, o jovem químico descobriu o corante que tingia seda em tom violeta, a partir de pesquisas com a planta malva, cuja flor tem a cor rosa arroxeada (CHATAIGNIER, 2006). Com base nessa descoberta acidental de William Henry Perkin, posteriormente, outros químicos começaram a sintetizar novos corantes, este foi o primeiro de uma lista longa, que tomaram o lugar dos naturais.
No fim do século XIX início do século XX, os corantes químicos se revelaram por conta da demanda das indústrias têxteis, os fabricantes de corantes possuíam duas mil cores sintetizadas e até os dias atuais eles são responsáveis por abastecerem o mercado mundial.
3 Corante azul.
4 Inseto/ Corante cor carmim. 5 Inseto/ Corante vermelho. 6 Corante amarelo.
Artistas e artesãos têxteis são os que ainda utilizam corantes vegetais, pois permitem tonalidades únicas e uma infinita gama de cores (PEZZOLO, 2007).
Durante as décadas de 1970 e 80, ocorreu a celebração da maneira artesanal de tingimento inspirado na moda hippie, fator responsável por aumentar a velocidade dos procedimentos de tingimento e as opções de coloridos nos tecidos dentro do padrão fashion (CHATAIGNIER, 2006).
Atualmente, os corantes utilizados em tinturas têxteis são quase exclusivamente produtos químicos provenientes da síntese industrial do alcatrão e do petróleo. A tintura natural se tornou prática artesanal, utilizada por amadores e por artistas, que buscam criações diferenciadas resgatando as tonalidades que o homem obtinha nos tempos remotos. (PEZZOLO, 2007, p. 183).
2.3 PROCESSOS DE TINGIMENTO
Basicamente o tingimento é caracterizado por meio de dois processos em meio aquoso: máquinas contínuas (Figura 1) e por esgotamento (Figura 2). Pode caracteriza-lo em três fases: montagem, fixação e tratamento final.
Com relação às máquinas, o processo contínuo é quando o banho de impregnação se mantém estático, no mesmo momento em que o substrato passa continuamente por ele, o corante é forçado mecanicamente a entrar em contato com a fibra. Por meio de dois rolos (foulard), o tecido é espremido após ter entrado em contato com um banho de corante. Em seguida, fixado por calor seco (ar quente) ou calor úmido (vapor), ou coberto em repouso prolongado.
Figura 1 – Máquina de processo contínuo
No processo por esgotamento ou descontínuo, o corante se move do banho para a fibra, a solução entra em contato com o tecido que tem sua tensão superficial reduzida por tensoativos7, dependendo da afinidade com a fibra, é capaz de reagir ou ligar-se a ela. O toque sucessivo entre o banho e a fibra ocorre por intermédio do movimento de um deles ou dos dois. O corante desloca-se do banho para a fibra em virtude à afinidade entre fibra e corante (SALEM, 2010; BELTRAME, 2000).
Figura 2 – Máquina (JET) de processo por esgotamento
Fonte: EMT: máquinas para tingimento (2016)
Com relação as fases do tingimento, a primeira é denominada fase de montagem (adsorção e difusão), o corante se desloca da solução para a superfície da fibra, podendo ser realizada por impregnação (máquinas contínuas) ou esgotamento (máquinas descontínuas). A fixação, segunda fase, acontece pela reação entre o corante e o substrato têxtil, podendo esta ser de caráter: covalente, iônico ou interações fracas (Van der Waals e ligações de hidrogênio), ou por modificação de um estado dilatado da fibra para um mais fechado, tornando o corante ancorado, preso no interior da fibra. Por fim o tratamento final, terceira fase, que se caracteriza em uma lavagem a quente com detergentes para eliminar todo o excesso de corantes, seguido pelo enxágue em banhos correntes. Esta última fase impede que o corante não fixado à fibra solte quando o tecido é umedecido outra vez: pelo suor ou na lavagem, sendo capaz de provocar manchas em outras roupas no mesmo banho (BELTRAME, 2000).
2.4 CORANTES
Beltrame (2000), ressalta que os corantes são pequenas moléculas que se compõe de dois elementos fundamentais: o cromóforo, responsável pela cor e o grupo funcional, responsável pela ligação entre corante e fibra, sendo que a escolha do corante adequado deve atender alguns aspectos:
afinidade – depois da tintura, o corante deve fazer parte integral da fibra; igualização – uniformidade da cor em todo substrato têxtil;
solidez – resistência para não desbotar na lavagem, suor ou em contato à luz, etc.; economia – não exceder a quantia necessária de corante, produtos auxiliares e tempo de
execução.
Os corantes são divididos entre naturais e sintéticos. Os corantes sintéticos apresentam algumas vantagens em relação aos naturais, pois possuem cores mais variadas, boa fixação, resistência a lavagens etc., porém, quando em contato com o ambiente, os corantes sintéticos apresentam desvantagens, são poluentes e causadores de algumas doenças. Em virtude disso, para a diminuição do uso dos corantes sintéticos, os corantes naturais são favoráveis e oferecem um bom tingimento nos artigos têxteis.
2.5 TIPOS DE CORANTES
Os corantes possuem propriedades em suas estruturas químicas, as principais Veríssimo (2003), classifica-as como: cor intensa; solubilidade; afinidade; reatividade e solidez. Além dessas propriedades Guaratini e Zanoni (1999), apontam outra propriedade também importante, sendo a maneira pelo qual o corante é fixado à fibra têxtil. Os grupos de fixação são caracterizados por: corantes reativos; diretos; azóicos; ácidos; à cuba; ao enxofre; dispersos; complexos metalizados e branqueadores. Estes e suas respectivas aplicações podem ser observados na Tabela 1.
Tabela 1 – Tipos de corantes e suas principais aplicações
Fonte: (ROYER, 2008); (GUARATINI; ZANONI, 2000)
Salem (2010) destaca que os corantes podem ser classificados em corantes e pigmentos. A diferença entre ambos é que os corantes quando em contato com a água são solúveis e dispersáveis, diferente dos pigmentos que não apresentam solidez. No processo de tingimento, os corantes são adsorvidos e se difundem para o interior da fibra, os pigmentos são aplicados na superfície da fibra e fixados por intervenção de resinas sintéticas.
2.5.1 Corantes Naturais
Extraído por processos físico-químicos (dissolução, precipitação, entre outros) ou bioquímicos (fermentação) de matéria-prima animal ou vegetal, o corante natural, deve apresentar solubilidade em meio aquoso onde o substrato será tinto. Sabe-se que para a utilização de corantes naturais, faz-se necessário o uso de algum mordente. O mordente é um produto auxiliar para melhor fixação do corante à fibra, que na época os tintureiros usavam o alúmen. Os mordentes para Veríssimo (2003, p. 41), são “agentes fixadores, resinas reactante ou qualquer outro produto que favoreça a ligação corante – fibra. ”
Tipos de Corantes Principais Aplicações
À cuba ou à tina Fibras naturais e artificiais
Ácidos Alimentos, couro, fibras naturais e sintéticas, lã e papel
Ao enxofre Fibras naturais
Azóicos Fibras naturais e sintéticas
Básicos Couro, fibras sintéticas, lã, madeira, papel Diretos Couro, fibras naturais e artificiais, papel
Dispersos Fibras naturais e sintéticas
Pré-metalizados Tintas, plásticos, couros, papel
Reativos Couro, fibras naturais e artificiais, papel
Os mordentes são essenciais pois quando não utilizados antes ou junto aos corantes, tanto nas fibras de origem vegetal como nas de origem animal, apresentam má fixação e influenciam na cor. Pode-se tingir sem o uso de mordentes, porém com a ajuda dele um mesmo corante pode obter cores diferentes, mais vivas e melhores, tudo depende da quantidade e o tipo de mordente utilizado no tingimento. Vianna (2012), aponta alguns exemplos de mordentes mais comuns: alúmen; cloreto de sódio; sulfato de cobre; dicromato de potássio; sulfato ferroso e tanino.
Os corantes de origem vegetal encontram-se presentes nas plantas, em suas principais regiões da raiz, caule, folha, flor ou fruto. Chataignier (2006), explica a influência das cores em relação a estas regiões:
Quanto mais alta for sua localização – por exemplo, uma flor na altura máxima de um caule – ficará mais próxima da luz e, como consequência, a cor dela proveniente será mais luminosa e efêmera. Já os tons que são oriundos das partes mais baixas das plantas, como as raízes, que são envolvidas com pigmentos minerais e óxidos de alumínio (as chamadas argilas coloridas), promovem tinturas mais densas e estáveis, mais duradouras, uma vez que possuem ligações com o mundo mineral. (CHATAIGNIER, 2006, p. 63).
Pode-se perceber a importância da natureza em relação às cores, ela disponibiliza fontes de diferentes tons, que segue exemplo segundo Pezollo (2007), do reino animal, a cochonilha (inseto que fornece o carmim), o múrice (molusco do qual se extrai a cor púrpura); do reino vegetal, o índigo (azul índigo), o pastel (diferentes tons de azul), a garança (vermelho), a gauda (tons de amarelo) e do reino mineral, as terras ocres (tons castanhos, vermelhos a amarelos), o lápis-lazúli (azul). A tabela (2) a seguir apresenta outros vegetais de suma importância também na produção de corantes.
Tabela 2 – Vegetais utilizados na produção de corantes
Seguindo a ideia da mesma autora, o azul índigo ou anil conforme aponta outros autores, foi descoberto pelos egípcios, fenícios e chineses. Extraído basicamente das plantas de origem indiana Indigofera tinctoria (Figura 3), trata-se de um corante que durante o tingimento apresenta como uma solução amarelada, conhecida como índigo branco, por meio das fibras naturais. Depois de tingir, a cor necessita ser regenerada por meio da oxidação, sendo assim, os tecidos são dispostos ao ar. Ao deixarem a cuba, os tecidos amarelados transformam-se em verdes e logo depois, azuis. Na lavagem ocorre a eliminação de tintura em excesso e sabe-se que a tintura índigo é resistente nas lãs.
Figura 3 – Planta Indigofera tinctoria
Fonte: Rareplants (2016)
Púrpura por sua vez, é um corante extraído do molusco múrice que teve seu início na Fenícia em 1439 a.C. No passado, foi a cor preferida dos soberanos do Ocidente; a cor dos mantôs dos príncipes e generais, nos impérios do Oriente; a cor reservada às pessoas ricas e elegantes na Grécia e no Antigo Testamento mencionada como a cor sagrada. E permaneceu como centro da tintura à base de púrpura na Sicília, durante séculos, até ser substituída por outra com melhor custo, como o carmim, oriundo da cochonilha. Uma vez que, em 1909, esse corante passa-se a ser produzido de modo sintético, quando Paul Friedländ criou a fórmula química (PEZOLLO, 2007). Sabe-se que essa cor foi a mais renomada e classifica-se como o corante mais caro entre os outros corantes antigos.
A garança ou também conhecida como ruiva é o corante vermelho que teve muita importância na história, extraído da planta Rubia Tinctorum (Figura 4). A maior concentração deste corante encontra-se nas raízes, principalmente nas mais antigas. Os mordentes junto à garança permite várias cores diferentes, por exemplo, quando colocado sais de alumínio e ferro a cor resulta em castanho e com sais de cálcio, azuis avermelhados (ARAÚJO, 2005).
Figura 4 – Planta Rubia tinctorium
Fonte: Henriette’s herbal (2016)
Um dos corantes mais importantes utilizado na indústria de alimentos é o urucum, nome botânico Bixa orellana L., extraído das sementes urucu e pertencente à família Bixaceae, são plantas que crescem nas áreas tropicais da América do Sul, Índia e África. Carotenoide que se caracteriza em média de 90% dos corantes naturais no Brasil e 70% usados no mundo. Sua estrutura é como um arbusto grande ou como árvore pequena de 2 a 5 metros de altura. Os frutos do urucum representam uma cápsula ou cachopa podendo ser arredondadas e alongadas com pontas agudas (Figura 5), revestidas por espinhos flexíveis, elas variam de tamanho e aparência. Dentro, geralmente são divididas em duas valvas com 10 a 15 sementes pequenas (VERÍSSIMO, 2003).
Figura 5 – Frutos do Urucum
O açafrão (Figura 6), é uma substância amarelo dourada ou avermelhada, perfumada, extraída da planta com seu respectivo nome (Crocus sativa). A planta é de origem da Grécia e da Itália, tratada por várias zonas da Espanha, sul de França, Turquia e Itália.
Figura 6 – Açafrão
Fonte: Cura pela natureza (2016)
2.5.2 Processo Artesanal de Tingimento
Na prática artesanal, o corante natural é obtido inicialmente por meio da fervura das plantas na água. Praticado por povos distintos desde os tempos remotos até os dias de hoje, segue em dois processos: a tintura a frio (ou fermentação) e a tintura a quente. Esta última, consideradas um processo tradicional também utilizado nas indústrias, é feita por meio da imersão dos têxteis num banho contendo o corante.
As tinturas a quente oferecem melhores resultados que as realizadas a frio. Temperaturas altas em banhos demorados possibilitam melhor impregnação nas fibras têxteis. A temperatura da totalidade do banho e do tecido deve ser estável sendo que a má distribuição da temperatura do banho geralmente apresenta manchas. E depois, o material precisa ser continuamente mexido para impedir que o tecido entre em contato com as laterais e o fundo do recipiente submetido ao calor.
Para que os corantes se fixem aos têxteis, é preciso que haja afinidade entre eles. Determinados corantes podem agir sobre tal fibra e não agir sobre outra. Para aumentar essa afinidade são usados produtos químicos como sais alcalinos, redutores (hidrosulfito de sódio) ou sulfureto de carbono. Quando se trata de corantes vegetais, o mordente pode desempenhar essa tarefa (PEZOLLO, 2007).
2.6 ASPECTOS ECOLÓGICOS DO TINGIMENTO
Atualmente à preocupação com o ambiente cresce a cada dia e a busca por produtos sustentáveis, seja de moda ou outra área de consumo, só aumenta. Isto é relevante para se pensar e dar importância, principalmente quando o assunto é a indústria têxtil, forte causadora de impactos negativos devido aos resíduos depositados à natureza. Contudo, na parte de tingimento, o principal impacto ocorre por meio dos corantes reativos nos efluentes.
A contaminação resulta-se pelo excesso do corante eliminado no momento de fixação às fibras, podendo ser visível a percepção mesmo em concentrações baixas. Portanto, a quantidade de corante depositado aos efluentes, seja pequena ou não, é capaz de promover mudanças na cor da água. Os efluentes não tratados, antes mesmo de serem emitidos em águas naturais, atingem reservatórios e estações de tratamento de água conduzindo um risco a todo sistema aquático. No entanto, os corantes existentes neste sistema proporcionam mudanças no método mais importante pela flora aquática, impedindo a passagem dos raios solares que dificulta a fotossíntese das vegetações expostas. Além do risco provocado por problemas na solubilidade de gases, causam danos ao sistema respiratório de organismos aquático (ROYER, 2008).
Salem (2010) aponta que o alto consumo de matérias primas, energia e os grandes despejos industriais no meio ambiente estão gerando conscientização na população, entidades governamentais e ONGs em relação a preservação do meio ambiente.
3 METODOLOGIA
3.1 TIPO DE PESQUISA
Entende-se por metodologia, o estudo de métodos para se atingir um determinado fim ou a realização de algo. Entre as classificações de pesquisas existentes e conforme a abordagem do problema desse projeto, a presente pesquisa classifica-se de maneira bibliográfica e experimental. A parte experimental é de caráter quali-quanti devido aos métodos de tingimento e qualitativa para a fase de desenvolvimento dos produtos de moda.
Gil (2010, p. 29) aponta que “a pesquisa bibliográfica é elaborada com base em material já publicado”. Alguns exemplos dos materiais mais tradicionais que esta pesquisa inclui são livros, revistas, jornais e outros meios digitais.
Na pesquisa bibliográfica o investigador irá levantar o conhecimento disponível na área, identificando as teorias produzidas, analisando-as e avaliando sua contribuição para auxiliar a compreender ou explicar o problema da investigação. O objetivo da pesquisa bibliográfica, portanto, é o de conhecer e analisar as principais contribuições teóricas existentes sobre um determinado tema ou problema, tornando-se um instrumento indispensável para qualquer tipo de pesquisa. (KÖCHE, 1997).
Nessa mesma linha de pensamento a percepção de Barros (2000, p.70), coincide quando diz que “a pesquisa bibliográfica é a que se efetua tentando-se resolver um problema ou adquirir conhecimentos a partir do emprego predominante de informações advindas de material gráfico, sonoro e informatizado”. Esses materiais caracterizam-se para um levantamento já documentado com um mesmo ou semelhante problema de estudo. A pesquisa bibliográfica caracteriza-se de modo fundamental para esse projeto, uma vez que se faz necessária para o conhecimento dos processos de tingimentos, receitas, corantes, entre outros.
Em segundo momento, o método de pesquisa tem caráter experimental cuja definição constitui-se, segundo Gil (2010, p. 32), “o delineamento mais prestigiado nos meios científicos (...) trata-se, portanto, de uma pesquisa em que o pesquisador é um agente ativo, e não um observador passivo. ”
Desenvolvimento experimental – Trabalho sistemático, que utiliza conhecimentos derivados da pesquisa ou experiência práticas com vistas à produção de novos materiais, equipamentos, políticas e comportamentos, ou à instalação ou melhoria de novos sistemas e serviços. (GIL, 2010, p. 27).
A pesquisa experimental é importante para a análise e coleta de dados para dar continuidade ao projeto, os resultados obtidos através dos experimentos de tingimento em laboratório com os corantes naturais serão consequências para atender o objetivo da pesquisa. No entanto, alguns autores apontam que esta pesquisa é realizada somente em laboratórios, mas Gil (2010) afirma que “não precisa necessariamente ser realizada em laboratório, pode ser desenvolvida em qualquer lugar, desde que apresente as seguintes propriedades: manipulação, controle e distribuição aleatória”.
Além da análise, nessa pesquisa deve-se construir hipóteses e executar com base nelas, as variáveis referentes aos fenômenos estudados. É possível controlar e avaliar os resultados obtidos num determinado momento (KÖCHE, 1997).
3.2 METODOLOGIA EXPERIMENTAL
A pesquisa experimental foi realizada por meio de vários testes (Figura 7) em laboratório na Universidade Tecnológica Federal do Paraná do Câmpus Apucarana, com o objetivo de extrair os diferentes tipos de corantes, criar uma gama versátil de cores e tingir os substratos 100% algodão e 100% seda. Para cada experimento, um procedimento diferente foi realizado. As matérias-primas utilizadas foram: açafrão, urucum, repolho roxo, hibisco e carvão vegetal.
Figura 7 – Painel de experimentos do TCC
3.2.1 Extração e tingimento do Açafrão
A preparação do extrato de corante ocorreu pela imersão de 10 g de açafrão em pó em duas soluções de 100 mL (50 mL água/ 50 mL álcool etílico), por 1 hora a 60 ºC em agitador magnético (Figura 8). Em seguida foi realizado o processo de filtração de cada solução, obtendo o extrato final do corante.
Figura 8 – Solução de extração do Açafrão, 50mL água/50 mL álcool etílico.
Fonte: Da Autora (2017)
Para o tingimento foi adicionado 2 g de cloreto de sódio (sal de cozinha) como agente mordente, auxiliar na etapa de fixação do corante à fibra, nas duas soluções, uma com amostra 100% algodão e outra 100% seda, submersas por 30 minutos em agitação magnética. Posteriormente, foi realizado o enxágue das amostras e reservou-as para secar.
3.2.2 Extração e tingimento do Urucum
A preparação do extrato de corante com a semente de urucum foi realizada em três soluções com receitas diferentes cada, a primeira com 10 g de semente em 100 mL de água, a segunda com 5 g de semente em 50 mL água/50mL álcool etílico e a terceira com 10g de semente em 70 mL água/30 mL álcool etílico, todas submersas por 1 hora sob agitação a 60 ºC. Em seguida, ocorreu a filtração das três soluções, obtendo os extratos finais de corantes Figura 9.
Figura 9 – Solução de extração do Urucum / Extrato pronto para o tingimento
Fonte: Da Autora (2017)
Para o tingimento foi adicionado 2 g de cloreto de sódio nas três soluções como agente mordente, realizado em três amostras 100% algodão submersas por 30 minutos em agitação magnética. Em seguida, realizou o enxágue das amostras e reservou-as para secar.
3.2.3 Extração e tingimento do Repolho Roxo
A preparação do extrato de corante com o repolho roxo segue um método diferente dos anteriores, deve-se cortar o repolho e em seguida bater no liquidificador com 500 mL d’água, após o líquido extraído, coa-se e assim obtém um líquido roxo escuro, como na Figura 10.
Figura 10 – Extração do corante Repolho Roxo
No laboratório da Universidade, fez-se à fervura desse líquido em duas soluções com procedimentos experimentais diferentes, a primeira com 100 mL de extrato líquido, 2 g de pedra Hume como mordente e 1 g de bicarbonato de sódio para obtenção da cor azul. A segunda amostra com a mesma receita anterior, ambas por 1 hora com agitação a 80 ºC. Em seguida, ocorreu a filtração das duas soluções, obtendo os extratos finais de corantes. O tingimento foi realizado em duas amostras, uma 100% algodão e outra 100% seda, submersas por 30 minutos em agitador magnético. Posteriormente, as amostras foram enxaguadas e reservou-as para secar.
3.2.4 Extração e tingimento do Repolho Roxo com Urucum e com Açafrão
Para extração do corante final, na primeira solução de 100 mL extrato de repolho, 10 g de semente de urucum e 2 g de pedra Hume, no segundo, 100 mL de extrato de repolho, 5 g açafrão e 2 g de pedra Hume, ambos com agitação por 1 hora em 80 ºC. Em seguida, realizou-se o tingimento em duas amostras 100% realizou-seda, submersas por 30 minutos sob agitação. As amostras foram enxaguadas e reservadas para secar.
3.2.5 Extração e tingimento do Hibisco
A preparação do extrato de corante com o hibisco foi realizada em duas soluções com procedimentos experimentais diferentes, a primeira com 10 g de hibisco em 50 mL de água/ 50 mL de álcool etílico, a segunda com 10 g de semente em 100 mL de água, por 1 hora de agitação a 60 ºC. Em seguida, ocorreu a filtração das duas soluções, obtendo os extratos finais de corante. Nas soluções do corante foi adicionado 2 g de cloreto de sódio como agente mordente, o tingimento foi realizado em duas amostras 100% seda, submersas por 30 minutos sob agitação. Antes do enxágue as amostras apresentaram cores muito vibrantes no tom vermelho. Posteriormente, as três amostras foram enxaguadas e colocadas para secar.
3.2.6 Extração e tingimento do Carvão Vegetal
A preparação do extrato de corante ocorreu pela imersão de 10 g de carvão vegetal em uma solução de 50 mL de água/ 50 mL álcool etílico, por 1 hora a 60 ºC sob agitação. Em seguida foi realizado o processo de filtração da solução, obtendo o extrato final do corante.
Na solução do corante foi adicionado 2 g de cloreto de sódio como agente mordente. O tingimento foi realizado em uma amostra 100% seda, submersa por 30 minutos sob agitação. Posteriormente, foi realizado o enxágue, com a amostra molhada a cor apresentada era preto.
3.3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Após a secagem do tingimento com açafrão, observa-se que houve uma grande diferença de cores nas amostras (Figura 11), no algodão ficou amarelo claro e na seda, mais forte.
Figura 11 – Tingimento com extrato de corante de açafrão no tecido: algodão (1) e na seda (2)
Fonte: Da Autora (2017)
Após a secagem do tingimento com urucum, observa-se a diferença de cores alaranjadas entre as três amostras (Figura 12), o álcool auxilia na melhor extração do corante, principalmente do urucum, deixando a cor mais intensa.
Figura 12 – Tingimento com extrato de corante de Urucum no tecido algodão: 10 g em 100 mL água (1), 5 g em 50 mL água/ 50 mL álcool etílico (2), 10 g em 70 mL água/30 mL álcool etílico (3)
Fonte: Da Autora (2017)
Com o mesmo procedimento já mencionado com urucum, foi realizado o tingimento em três amostras 100% seda, as duas primeiras com cetim de seda e a terceira com malha de seda (Figura 13). Se comparar com as amostras da Figura 12, percebe-se nitidamente a diferença de
cor mais próxima do amarelo e não do alaranjado, as amostras de seda ficaram com cores mais saturadas.
Figura 13 – Tingimento com extrato de corante de Urucum em substrato de seda
Fonte: Da Autora (2017)
Após a secagem do tingimento com repolho roxo, observa-se a diferença de cores (Figura 14), no algodão ficou roxo e apresentou algumas manchas, na seda o tingimento foi uniforme com um toque mais azul.
Figura 14 – Tingimento com extrato de corante de Repolho Roxo no substrato: algodão (1) e seda (2)
Fonte: Da Autora (2017)
Após a secagem, conforme a Figura 15 o tingimento do repolho roxo com urucum apresentou um verde com desvio tonal mais intenso (verde musgo) com tingimento uniforme e o tingimento do repolho roxo com açafrão, apresentou manchas e um tom verde com desvio tonal acinzentado.
Figura 15 – Tingimento com extrato corante de Repolho Roxo com Urucum (1) e Açafrão (2) na seda
Fonte: Da Autora (2017)
Após a secagem, o tingimento com hibisco obteve cores uniformes em tom violeta (Figura 16). O detalhe importante desse tingimento é que o hibisco extraído apenas em água resulta de cor mais forte, quanto a extração com álcool.
Figura 16 – Tingimento com extrato de corante de Hibisco na seda, 50 mL água/50 mL álcool (1), segunda vez com a mesma solução da primeira (2), 100 mL água (3)
Fonte: Da Autora (2017)
Observa-se na Figura 17, a diferença de cor entre a mesma amostra no momento anterior e posterior lavagem.
Figura 17 – Amostra (3) antes e depois da lavagem
Após a secagem, o tingimento com carvão vegetal apresentou uma nova cor (Figura 18), cinza metálico com algumas manchas.
Figura 18 – Tingimento com extrato de corante de Carvão Vegetal na seda.
Fonte: Da Autora (2017)
3.4 INSTRUMENTO PARA COLETA DE DADOS
O instrumento utilizado para a coleta de dados foi um questionário eletrônico, aplicado na plataforma Google Docs. As quinze questões foram elaboradas a fim de contribuir no planejamento da marca e desenvolvimento da coleção, com doze questões objetivas e três dissertativas que abordaram a identidade, o comportamento pessoal, o comportamento de consumo, as festas que mais frequentam, os trajes que mais utilizam e quais as técnicas de tingimento preferem.
3.5 DELIMITAÇÃO DO OBJETO DE ESTUDO
O objetivo deste estudo é fazer uma análise dos resultados alcançados por meio do questionário online para homens e mulheres.
3.6 COLETA E ANÁLISE DE DADOS
3.6.1 Análise da Pesquisa
A pesquisa alcançou o total de 126 respostas, sendo 90 pessoas do sexo feminino e 36 do masculino (Gráfico 1).
Gráfico 1 – Gênero dos participantes
Fonte: Da Autora (2017)
De acordo com a faixa etária (Gráfico 2), as respostas indicam que maior parte do público possui de 16 a 25 anos e a faixa etária do público alvo escolhido para o desenvolvimento da coleção é entre 20 e 25 anos.
Gráfico 2 – Idade dos participantes
Fonte: Da Autora (2017)
Mais da metade dos participantes ainda estão em formação profissional, como indica no Gráfico 3, 73 pessoas estão cursando o ensino superior.
Gráfico 3 – Grau de escolaridade dos participantes
Fonte: Da Autora (2017) 71% 28% 1 - Gênero: Feminino (90) Masculino (36) 1,6% 40,5% 38,9% 7,1% 4,8% 7,1% 2 - Idade: Menos de 16 anos (2) 16 a 20 anos (51) 21 a 25 anos (49) 26 a 30 anos (9) 31 a 35 anos (6) Mais de 35 anos (9) 19,8% 4% 57,9% 14,3% 2,4% 1,6%
3 - Indique seu grau de escolaridade:
Ensino Médio (25) Curso Técnico (5) Superior Incompleto (73) Superior Completo (18) Pós-Graduação (3) Mestrado Doutorado
De acordo com a remuneração mensal (Gráfico 4) no geral, os participantes indicam receber de 1 até 2 salários mínimos.
Gráfico 4 – Remuneração mensal dos participantes
Fonte: Da Autora (2017)
Conforme o Gráfico 5, observa-se que a grande maioria dos entrevistados residem em Londrina e região.
Gráfico 5 – Locais de moradia dos participantes
Fonte: Da Autora (2017)
De acordo com o comportamento de consumo dos entrevistados (Gráfico 6), 86 assinalaram que às vezes acompanham tendências de moda.
43,7% 41,3%
7,1% 7,1% 0,8%
4 - Indique sua remuneração mensal:
Até R$1000,00 (55) Entre R$1001,00 e R$2000,00 (52) Entre R$2001,00 e R$3000,00 (9) Entre R$3001,00 e R$4000,00 (9) Acima de R$4001,00 (1) 22,2% 0,8% 0,8% 0,8% 0,8% 5,5% 0,8% 60,3% 0,8% 0,8% 1,6% 2,4% 0,8% 0,8% 0,8% 5 - Qual cidade você mora?
Apucarana (28) Arapongas (1) Araraquara (1) Barbosa Ferraz (1) Blumenau (1) Cambé (7) Ibiporã (1) Londrina (76) Mandaguari (1) Nova Fátima (1) Paraná (2) São Paulo (3) Umuarama (1) Vila Velha (1) Vitória - ES (1)
Gráfico 6 – Nível de interesse dos participantes por tendências de moda
Fonte: Da Autora (2017)
A quantidade das maiores respostas sobre os locais de compras que eles costumam comprar (Gráfico 7), foram as opções: shopping e lojas de rua.
Gráfico 7 – Locais de compras dos participantes
Fonte: Da Autora (2017)
Nas opções de festas que mais frequentam (Gráfico 8), 65 assinalaram a opção Balada e as outras duas opções mais assinaladas foram: casamento e formatura.
20,6%
68,3% 11,2%
6 - Acompanha tendências de moda?
Sempre (26) Às vezes (86) 76,2% 32,5% 61,1% 5,6%
7 - Onde você costuma comprar roupas?
(126 respostas)Shopping (96) Internet (41) Lojas de rua (77) Atelier (7)
Gráfico 8 – Tipos de festas que os participantes frequentam
Fonte: Da Autora (2017)
Sobre o traje mais usado em festas até hoje (Gráfico 9), o mais assinalado foi o “traje esporte, casual e livre” com 76 respostas.
Gráfico 9 – Tipos de trajes em que os participantes mais usadram em festas
Fonte: Da Autora (2017)
Sobre alugar ou comprar as roupas de festas (Gráfico 10), 91 participantes preferem comprar. 43,7% 23,0% 51,6% 5,6% 2,4% 43,7%
8 - Qual tipo de festa costuma ir com mais frequência?
Casamento (55) Formatura (29) Balada (65) Festa de 15 anos (7) Noite de gala (3) Outros (22) 60,3% 26,2% 11,1% 2,4%
9 - Escolha um dos trajes que você mais usou em festas até
hoje:
Traje esporte (casual e livre) (76) Traje passeio ou esporte fino (um pouco mais formal e arrumado) Traje social ou passeio completo (bem formal, sofisticado e elegante)
Traje a rigor, de gala ou black tie (alto grau de formalidade e sofisticação)
Gráfico 10 – Preferência dos participantes
Fonte: Da Autora (2017)
Em relação ao tingimento natural, segundo o Gráfico 11, 73 pessoas gostam da ideia deste projeto e usariam roupas de festas com aplicações da técnica.
Gráfico 11 – Opinião dos participantes sobre a ideia do tingimento
Fonte: Da Autora (2017)
A preferência dos participantes em relação as técnicas de tingimento foram as opções: Dip Dye e Ombré conforme o Gráfico 12.
72,2% 26,2%
1,6%
10 - Você prefere alugar ou comprar roupas de festa?
Comprar (91) Alugar (33) Depende (2) 57,9% 5,6% 27,8% 3,2%5,6%
11 - O que acha da ideia sobre tingimento natural aplicado
em roupas de festa?
Gosto e usaria (73)
Gosto mas não usaria (7)
Não sei, fico com dúvidas sobre a qualidade do tingimento (35)
Gráfico 12 – Preferência das técnicas de tingimento
Fonte: Da Autora (2017)
De acordo com o Gráfico 13, mais de 90% dos entrevistados usariam roupas tingidas com alguma das técnicas de tingimentos abordadas na pergunta anterior.
Gráfico 13 – Opção de uso com roupas de festas tingidas
Fonte: Da Autora (2017)
No quesito de valores em relação a pegas tingidas, 86 responderam que pagariam até R$ 199,00 (Gráfico 14).
Gráfico 14 – Valor a ser pago pelos participantes
Fonte: Da Autora (2017)
58,7%
14,3% 60,3%
12 - Qual das técnicas de tingimento você prefere?
Ombré (74) Tie dye (18) Dip dye (76)
90,5% 9,5%
13 - Usaria uma roupa de festa tingida com alguma das
técnicas acima?
Sim (114) Não (12) 68,3% 16,7% 12,7% 2,4%14 - Quanto você pagaria por uma peça desse tipo?
Até R$199,00 (86)
De R$200,00 a R$299,00 (21) De R$300,00 a R$399,00 (16) De R$400,00 a R$499,00 (3)
A última pergunta foi aberta e, na opinião dos 50 participantes (Gráfico 15), 39 deles não têm marca de preferência no conceito moda festa.
Gráfico 15 – Marca de preferência dos participantes no conceito moda festa
Fonte: Da Autora (2017)
78% 22%
15 - No conceito moda festa, você tem alguma marca de
preferência? Se sim, qual?
Não (39)
Outros (Adidas, Arami, Brook Brothers, Maria Badaró, Perfect way, Ratier, Reserva, TNG, Colcci, Tuttisposo = 11)
4 DIRECIONAMENTO MERCADOLÓGICO
4.1 EMPRESA
A empresa Midnight Store Industria e Comércio Ltda terá um escritório de desenvolvimento criativo e um espaço reservado para os tingimentos naturais, a produção será com parcerias de fornecedores de tecidos, parte de modelagem, corte e costura.
Entende-se que os consumidores da empresa gostam de liberdade no momento da realização de suas compras, por isso, visa oferecer em sua loja física uma política diferenciada das demais lojas de varejo, com vendedores presentes apenas para dúvidas ou esclarecimentos do cliente em relação aos produtos.
A estrutura da loja será dividida em dois andares, o piso inferior com todos os setores disponíveis para a realização das compras e no piso superior um espaço opcional para melhor relacionamento do cliente com a loja, disponível toda a história do tingimento, suas respectivas curiosidades e possíveis realizações de minicursos.
4.1.1 Dados da Empresa
Razão social: Midnight Store Nome fantasia: Midnight Porte: Microempresa
Segundo os critérios do Serviço Nacional Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), a empresa classifica-se como microempresa por conta do número máximo de funcionários, podendo empregar até 9 funcionários e um faturamento máximo de R$360 mil ao ano.
4.2 MARCA
A marca Midnight foi desenvolvida a partir dos estudos de tingimento e descobertas do público alvo. O nome deriva-se do inglês, com o significado “meia-noite”, por ser um horário em que um novo ciclo se inicia e faz alusão ao horário onde a grande maioria do público encontra-se em festas.
4.2.1 Conceito da Marca
As peças da marca Midnight são desenvolvidas para atender as necessidades de um público-alvo que busca um produto diferenciado no mercado. São peças feitas através da técnica de tingimento natural, que é um processo artesanal, tornando assim o produto exclusivo. As técnicas utilizadas podem tingir totalmente ou parcialmente a peça e por ser um produto artesanal, utiliza o processo de produção slow fashion, sendo também um produto eco-friendly, que ajuda na preservação do meio ambiente, não só pela não utilização de corantes sintéticos, mas também por cuidar do impacto causado na produção do produto. O produto é destinado ao uso casual, porém com um toque de elegância, assim o público se sente à vontade para utilizar a roupa em diversas ocasiões como um happy hour, festas noturnas, bares ou sunsets.
É um produto exclusivo, sustentável e chic, destinado a pessoas que querem fazer a diferença por onde passam, se preocupam com o meio ambiente e mesmo assim não querem deixar de estar na moda. Midnighnt se propõe a colorir a vida naturalmente.
4.2.2 Segmento
CASUAL CHIC: Roupas do dia-a-dia como, calças de corte clássico, vestidos e saias, combinadas com outras peças mais elegantes como o tecido de seda.
4.2.3 Concorrentes (diretos e indiretos)
Concorrentes diretos: Não foram encontrados.
Concorrentes indiretos: Flávia Aranha e Vanessa Montoro.
4.2.4 Preços Praticados
O preço praticado no mercado será entre R$ 50,00 e R$300,00, dependendo da matéria prima ou execução da peça.
4.3 PÚBLICO ALVO
Figura 19 – Imagem de Público Alvo
Fonte: www.wmagazine.com Acesso em: 5 jun. 2017
4.3.1 Perfil do consumidor
Jovens de 20 a 25 anos em formação profissional, pertencentes à classe média. Possuem uma rotina fixa, mas quando estão com tempo livre costumam cuidar de si, relaxar e curtir a vida com pessoas que os fazem bem. Frequentadores de bares, baladas, eventos fechados, festas em geral. Quando há possibilidade, aproveitam a vida de outras maneiras como: viajar, explorar a natureza, conhecer lugares e outras culturas. Tem o hábito de buscarem elementos criativos em seus looks, possuem personalidade no vestir, são conscientes ao consumo em produtos no geral.
4.4 PESQUISA DE TENDÊNCIAS
4.4.1 Macrotendências
Figura 20 – Macrotendência Vida Terrena
Fonte: Constanza Who (2016)
A Macrotendência escolhida é: Vida Terrena. De acordo com a WGSN, o mundo em 2018 não será igual como conhecemos hoje em relação aos hábitos pessoais. O conceito dessa macrotendência é que cada vez mais as pessoas estão presas a uma tela, seja ela do celular, do computador ou da televisão, e estão cada vez mais dependentes da tecnologia. Para reverter essa situação, há uma crescente busca pelo contato com a natureza.
O reconhecimento de que nós somos perenes e que a natureza está aqui, presente há muito mais tempo que nós e que ela tem a incrível capacidade de se adaptar para continuar existindo, fará com que essa busca pela vida terrena e desconectada seja intensa em 2018 (RUZENE, 2016).
4.4.2 Microtendências
O Dip Dye trata-se de uma técnica de tingimento que mergulha a peça de roupa parcialmente na solução de corante, ou em outros casos, em soluções de alvejante para que ocorra a descoloração do tecido. Esta técnica colore apenas uma parte da roupa (Figura 21), seja no barrado ou na parte de cima e deixa a outra parte da peça com a cor do tecido original.
Pode-se utilizar o dip dye em diversos artigos além de camisetas, como: camisas, calças, saias, vestidos, bermudas, blazers e até sapatos.
Figura 21 – Representação da técnica Dip Dye
Fonte: Lulus.com (2017)
As outras microtendências utilizadas para a realização deste trabalho são recortes, sobreposições e o comprimento longline, que é uma tendência caracterizada pelo comprimento maior do que o tradicional.
5 DESENVOLVIMENTO DO PROJETO
5.1 ESPECIFICAÇÕES DO PROJETO
Considerando-se que atualmente a grande maioria das pessoas têm gostos e estilos que exigem exclusividade e inovação nos produtos, especialmente de moda. A marca Midnight, visa atender as necessidades e oferece aos seus consumidores um estilo diferenciado, trazendo o novo por meio das técnicas e opções de tingimento, carregando consigo o conceito ecofriendly, afim de agregar maior valor em suas criações.
5.1.1 Referência da Coleção
O tema definido para a primeira coleção da marca ELIAB foi o conto de fadas “A Bela e a Fera”. Após a definição do tema o painel de referências (Figura 22) foi desenvolvido tentando retirar do filme cores, formas, texturas e padronagens que pudessem se adequar com o conceito da marca e mesmo assim, ainda fizessem referência ao filme. Esse processo ocorreu de maneira lúdica pois, a intenção da marca não é desenvolver roupas características do filme e sim utilizá-lo como referência.
A cor predominante no painel é o amarelo, que é uma cor muito presente na cartela de cores do filme, assim como o azul. A padronagem do tecido floral está ligada tanto ao tingimento natural que é a essência da marca, quanto a flor do filme e a estação para qual será desenvolvida a coleção. Comprimentos, recortes, tipos de tingimento são encontrados no painel como referência para o desenvolvimento da coleção.
Figura 22 – Painel de Referência da Coleção
Fonte: Adaptado de Deviant Art (2017)
5.1.2 Nome e Conceito da Coleção
A coleção ELIAB é a primeira da marca, seu nome origina-se da escrita ao contrário da palavra “baile”, fazendo alusão com a referência dessa coleção e também com o público alvo. ELIAB Primavera/Verão 2018, apresenta modelos com modelagens diferenciadas, encontra-se presentre o comprimento longline nas peças masculinas, sobreposições e resgata o tingimento natural, em formas de aplicações nos recortes ou detalhes das peças.
5.1.3 Cores
A cartela de cores da coleção contém algumas cores básicas como: preto, branco, marrom e outras cores exclusivas do tingimento no tom mais quente, tais como: 3 tons de amarelo/alaranjado, azul, verde e violeta.
5.1.4 Materiais
A escolha dos matarias baseia-se no segmento da coleção, acompanha tecidos como: tricoline, brim, microtel, neoprene, algodão cru, linho panamá e o cetim de seda, no qual