• Nenhum resultado encontrado

Aplicação da programação linear na produção de alimentos de um restaurante universitário

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "Aplicação da programação linear na produção de alimentos de um restaurante universitário"

Copied!
82
0
0

Texto

(1)

DEPARTAMENTO DE MATEM ´

ATICA

PEDRO AUGUSTO MAZINI DOS SANTOS

APLICAC

¸ ˜

AO DA PROGRAMAC

¸ ˜

AO LINEAR NA PRODUC

¸ ˜

AO DE

ALIMENTOS DE UM RESTAURANTE UNIVERSIT ´

ARIO.

TRABALHO DE CONCLUS ˜

AO DE CURSO

CORN ´ELIO PROC ´OPIO 2015

(2)

APLICAC

¸ ˜

AO DA PROGRAMAC

¸ ˜

AO LINEAR NA PRODUC

¸ ˜

AO DE

ALIMENTOS DE UM RESTAURANTE UNIVERSIT ´

ARIO.

Trabalho de Conclus˜ao de Curso apresentado ao Departamento de Matem´atica da Universidade Tec-nol´ogica Federal do Paran´a como requisito par-cial para obtenc¸˜ao do grau de “Licenciado em Ma-tem´atica” – ´Area de Concentrac¸˜ao: Licenciatura em Matem´atica.

Orientadora: Glaucia Maria Bressan

CORN ´ELIO PROC ´OPIO 2015

(3)

FOLHA DE APROVAÇÃO

BANCA EXAMINADORA

_______________________________ Prof.ª Dra. Glaucia Maria Bressan (Orientadora)

_______________________________ Prof.º Dr. Andre Luis Machado Martinez

_______________________________ Prof.ª Dra. Daniele Costa Silva

“A Folha de Aprovação assinada encontra-se na Coordenação do Curso” Diretoria de Graduação

Departamento de Matemática Curso de Licenciatura em Matemática

(4)

Ap´os tantos obst´aculos enfrentados ao longo desta caminhada, com forc¸a de vontade, perseveranc¸a e acima de tudo muito comprometimento finalmente consegui realizar este feito, no entanto nada teria conquistado se n˜ao fosse `a presenc¸a de alguns envolvidos que me ajudaram durante esta minha trajet´oria. Assim deixo meus agradecimentos:

A Deus por ter me dado forc¸a e coragem nos momentos mais dif´ıceis.

Aos professores por ensinarem o dom da sabedoria. Em especial a minha Professora Orientadora Glaucia Maria Bressan, pelo apoio, carinho e dedicac¸˜ao.

Aos amigos e colegas de classe, em especial a Marila, Nayara e Lilian por comparti-lharem momentos de alegrias e superac¸˜ao no decorrer do curso.

Ao meu Pai, por acreditar que esse dia chegaria e pelos 4 anos de trabalho dobrado para me ajudar a realizar esse sonho. A minha M˜ae, que de longe me guiava e incentivava a n˜ao desistir dos meus objetivos.

Ao meu amor pela compreens˜ao, carinho, companheirismo e apoio quando mais pre-cisei.

(5)

SANTOS, Pedro Augusto Mazini. APLICAC¸ ˜AO DA PROGRAMAC¸ ˜AO LINEAR NA PRODUC¸ ˜AO DE ALIMENTOS DE UM RESTAURANTE UNIVERSIT ´ARIO. . 81 f. Trabalho de Con-clus˜ao de Curso – Departamento de Matem´atica, Universidade Tecnol´ogica Federal do Paran´a. Corn´elio Proc´opio, 2015.

Este estudo consiste de uma aplicac¸˜ao da programac¸˜ao linear na produc¸˜ao de alimentos de um restaurante universit´ario. O principal objetivo ´e minimizar o custo total da produc¸˜ao de alimen-tos, levando em considerac¸˜ao a demanda di´aria das refeic¸˜oes, o n´umero e o perfil dos usu´arios e a quantidade de nutrientes necess´arios para suprir as necessidades di´arias em cada refeic¸˜ao. O estudo caracteriza-se metodologicamente como uma modelagem matem´atica, baseado no Pro-blema da Dieta e em registros dispon´ıveis decorrentes de pesquisas anteriores. Os dados s˜ao coletados no restaurante universit´ario da UTFPR cˆampus Corn´elio Proc´opio, por meio de Pes-quisa de Campo, a qual visa investigar a situac¸˜ao espec´ıfica. O trabalho aborda os conceitos de pesquisa operacional, programac¸˜ao linear e modelos de otimizac¸˜ao, aplicando-os na formulac¸˜ao matem´atica do problema. O M´etodo Simplex ´e apresentado durante o estudo e utilizado como m´etodo de resoluc¸˜ao para a obtenc¸˜ao das soluc¸˜oes ´otimas dos modelos de otimizac¸˜ao. Os resul-tados num´ericos s˜ao obtidos por meio da execuc¸˜ao destes modelos com apoio computacional do software LINDO, analisando-se tamb´em a variac¸˜ao e a sensibilidade dos parˆametros. As soluc¸˜oes s˜ao analisadas do ponto de vista computacional e s˜ao comparadas com os custos reais vivenciados pela rotina di´aria do restaurante.

(6)

SANTOS, Pedro Augusto Mazini. LINEAR PROGRAMMING APPLICATION IN FOOD PRODUCTION A UNIVERSITY RESTAURANT. . 81 f. Trabalho de Conclus˜ao de Curso – Departamento de Matem´atica, Universidade Tecnol´ogica Federal do Paran´a. Corn´elio Proc´opio, 2015.

This study consists of an application of linear programming in food production at a university restaurant. The main goal is to minimize the total cost of food production, considering daily demand of meal, the number and the profile users and the required daily nutrients in each meal. The study is methodologically characterized as a mathematical modeling, based on the diet problem and available papers from previous research. The data are collected into UTFPR university restaurant, in Corn´elio Proc´opio city, using field research, which aims to investigate a specific situation. This work presents a background on operations research, linear programming and optimization models, applying them to the mathematical formulation problem. The Simplex Method is presented and used as a resolution method to obtain the optimum solutions. The numerical results are obtained by running the models in the LINDO software, analyzing the parameters variation and sensibility. Solutions are analyzed from computational point of view and they are compared to real costs of the daily routine.

(7)

FIGURA 1 Fases do Processo . . . 17 –

FIGURA 2 Restaurante Universit´ario . . . 40 –

(8)

TABELA 1 Dualidade para o Problema da Dieta . . . 31 –

TABELA 2 Problema da Dieta: Primal . . . 32 –

TABELA 3 Problema da Dieta: Dual . . . 32 –

TABELA 4 Tabela de necessidades nutricionais com unidade de medida 100g . . . 42 –

TABELA 5 Tabela de fator de Rendimento (Perda T´ermica) . . . 42 –

TABELA 6 Resultados para a Func¸˜ao Objetivo . . . 49 –

TABELA 7 Custo m´ınimo utilizando Modelo 2 (jantar) e Modelo 3 (almoc¸o) . . . 49 –

TABELA 8 Custo m´ınimo utilizando Modelo 1 (almoc¸o) e Modelo 4 (jantar) . . . 49 –

TABELA 9 Custo m´ınimo utilizando Modelo 1 (almoc¸o) e Modelo 2 (jantar) . . . 49 –

TABELA 10 Custo m´ınimo utilizando Modelo 3 (almoc¸o) e Modelo 4 (jantar) . . . 50 –

TABELA 11 Resultados para a Func¸˜ao Objetivo . . . 50 –

TABELA 12 Custo m´ınimo utilizando Modelo 2 (jantar) e Modelo 3 (almoc¸o) . . . 50 –

TABELA 13 Custo m´ınimo utilizando Modelo 1 (almoc¸o) e Modelo 4 (jantar) . . . 50 –

TABELA 14 Custo m´ınimo utilizando Modelo 1 (almoc¸o) e Modelo 2 (jantar) . . . 51 –

TABELA 15 Custo m´ınimo utilizando Modelo 3 (almoc¸o) e Modelo 4 (jantar) . . . 51 –

TABELA 16 An´alise de Sensibilidade (Func¸˜ao Objetivo - Modelo 1) . . . 51 –

TABELA 17 An´alise de Sensibilidade (Func¸˜ao Objetivo - Modelo 2) . . . 52 –

TABELA 18 An´alise de Sensibilidade (Func¸˜ao Objetivo - Modelo 1) . . . 52 –

TABELA 19 An´alise de Sensibilidade (Func¸˜ao Objetivo - Modelo 2) . . . 52 –

TABELA 20 Dados Semestrais (ALMOC¸ O) . . . 53 –

TABELA 21 Dados Semestrais (JANTAR) . . . 53 –

TABELA 22 Dados Semestrais (N ´UMEROS DE REFEIC¸ ˜OES REALIZADAS) . . . . 53 –

TABELA 23 Quantidade produzida de alimento e valor gasto diariamente no RU -Abril/Maio 2014 . . . 54 –

TABELA 24 Quantidade produzida de alimento e valor gasto diariamente no RU -Abril/Maio 2015 . . . 54 –

TABELA 25 Comparac¸˜ao do Custo da Produc¸˜ao de Alimentos do RU - Abril/Maio 2014 . . . 55 –

TABELA 26 Comparac¸˜ao do Custo da Produc¸˜ao de Alimentos do RU - Abril/Maio 2015 . . . 55

(9)

1 INTRODUC¸ ˜AO . . . 10

2 REVIS ˜AO BIBLIOGR ´AFICA . . . 13

3 PESQUISA OPERACIONAL E PROGRAMAC¸ ˜AO LINEAR . . . 15

3.1 PROGRAMAC¸ ˜AO MATEM ´ATICA . . . 15

3.2 PROGRAMAC¸ ˜AO LINEAR . . . 16

3.3 MODELAGEM MATEM ´ATICA DE UM PROBLEMA DE PROGRAMAC¸ ˜AO LI-NEAR (PPL) . . . 17

3.3.1 Forma Padr˜ao . . . 20

3.3.2 Forma Matricial . . . 21

3.3.3 Estudo de Caso: Modelagem de um PPL aplicada ao Problema da Dieta . . . 21

3.4 M ´ETODO SIMPLEX . . . 23

3.4.1 Tableau Simplex . . . 26

3.4.2 Situac¸˜oes que Podem Ocorrer . . . 28

3.5 DUALIDADE . . . 29

3.5.1 Estudo de Caso: Dualidade para o Problema da Dieta . . . 29

3.5.2 Obtenc¸˜ao do Dual a partir de seu PPL Primal . . . 32

3.5.3 Teorema Fundamental da Dualidade . . . 34

3.5.4 Interpretac¸˜ao Econˆomica do Dual . . . 34

3.5.5 O M´etodo Simplex Dual . . . 35

3.6 AN ´ALISE DE SENSIBILIDADE OU P ´OS-OTIMIZAC¸ ˜AO . . . 36

4 DESCRIC¸ ˜AO DO PROBLEMA . . . 39

4.1 PROBLEMA DA PRODUC¸ ˜AO DE ALIMENTOS DE UM RESTAURANTE UNI-VERSIT ´ARIO . . . 39

4.2 ESPAC¸ O F´ISICO DO RESTAURANTE UNIVERSIT ´ARIO . . . 40

4.3 PERFIL DOS USU ´ARIOS . . . 41

4.4 INFORMAC¸ ˜OES NUTRICIONAIS . . . 41

4.5 FATOR DE RENDIMENTOS DOS ALIMENTOS . . . 42

5 RESULTADOS . . . 43

5.1 MODELOS MATEM ´ATICOS DO PPL . . . 43

5.1.1 Formulac¸˜ao Matem´atica do PPL . . . 43

5.1.1.1 Modelos Matem´aticos Abril/Maio 2014 . . . 44

5.1.1.2 Modelos Matem´aticos Abril/Maio 2015 . . . 46

5.2 SOLUC¸ ˜OES ´OTIMAS OBTIDAS . . . 48

5.2.1 Soluc¸˜oes ´Otimas Abri/Maio 2014 . . . 48

5.2.2 Soluc¸˜oes ´Otimas Abri/Maio 2015 . . . 50

5.3 AN ´ALISE DE SENSIBILIDADE . . . 51

5.3.1 An´alise de Sensibilidade Abril/Maio 2014 . . . 51

5.3.2 An´alise de Sensibilidade Abril/Maio 2015 . . . 52

5.4 DADOS 1oSEMESTRE DE 2015 . . . 53

5.5 CONCLUS ˜AO . . . 54

(10)
(11)

1 INTRODUC¸ ˜AO

Nos ´ultimos anos, o Brasil vem apresentando um avanc¸o percept´ıvel de seu parque in-dustrial, que tem como resultado pertinentes contribuic¸˜oes para o pa´ıs, al´em de colaborar para sua projec¸˜ao no mercado internacional. Segundo o Banco Central, a projec¸˜ao para o cresci-mento industrial do pa´ıs saltou de 1,38% para 1,50% em 2014 1. Para 2015, a previs˜ao de avanc¸o industrial foi mantida em 3%. Devido `a globalizac¸˜ao, `a internet e `as telecomunicac¸˜oes, as ind´ustrias brasileiras, por sua vez, tˆem sido impulsionadas a tornar seus processos produti-vos mais eficientes e competitiproduti-vos no mercado nacional e internacional, incentivando, assim, o crescimento do estudo de modelos de otimizac¸˜ao para o controle e planejamento de sistemas produtivos. Neste sentido, m´etodos de otimizac¸˜ao vigentes na Matem´atica tem ajudado na mo-delagem e na resoluc¸˜ao de problemas envolvendo processos tecnol´ogicos e produtivos, visando basicamente a minimizac¸˜ao de custos de produc¸˜ao e de sobras de materiais.

Neste contexto, a Pesquisa Operacional visa ao desenvolvimento e `a aplicac¸˜ao de m´etodos cient´ıficos para a resoluc¸˜ao de problemas e tomadas de decis˜ao (GOLDBARG; LUNA, 2005; ARENALES et al., 2007). O principal objetivo da tomada de decis˜ao ´e maximizar a uti-lidade do decisor, traduzida pela maximizac¸˜ao do lucro ou minimizac¸˜ao do custo, esta ciˆencia ´e aplicada a problemas em que se faz necess´ario especificar, de forma quantitativa, a conduc¸˜ao e a coordenac¸˜ao das operac¸˜oes ou atividades dentro de uma organizac¸˜ao. Nesse cen´ario, a im-portˆancia dos sistemas de apoio para a tomada de decis˜ao vem crescendo significativamente com o advento das estac¸˜oes de trabalho, que oferecem grande capacidade de c´alculo, de arma-zenamento e de recursos gr´aficos, dispon´ıveis anteriormente apenas em m´aquinas caras e de grande porte.

Os algoritmos e as t´ecnicas buscam estruturar e solucionar modelos quantitativos que podem ser expressos matematicamente. Os modelos s˜ao estruturados logicamente com o ob-jetivo de determinar as melhores condic¸˜oes de funcionamento para os sistemas representados. Os principais modelos de Pesquisa Operacional s˜ao chamados de Programac¸˜ao Matem´atica, onde as t´ecnicas de soluc¸˜ao se re´unem em algumas sub´areas como a Programac¸˜ao Linear, as

(12)

quais s˜ao descritas em Goldbarg e Luna (2005) e Lins e Calˆoba (2006), a Programac¸˜ao N˜ao Linear, cujo tema ´e abordado por Izmailov e Solodov (2009), e a Programac¸˜ao Inteira as quais s˜ao retratados em Nemhauser e Wolsey (1999).

A Programac¸˜ao Linear, por sua vez, utiliza um modelo matem´atico composto por equac¸˜oes lineares para descrever um problema e auxilia na tomada de decis˜ao, pois fornece os melhores resultados, dentre todos os poss´ıveis, ou seja, um resultado que atenda, da melhor maneira poss´ıvel, uma determinada finalidade. Este resultado ´e chamado de soluc¸˜ao ´otima.

Dessa forma, a Pesquisa Operacional tem sido altamente aplicada em diferentes ´areas como manufatura, transportes, construc¸˜ao, telecomunicac¸˜oes, planejamento financeiro, assis-tˆencia m´edica, militar e servic¸os p´ublicos, entre outros (HILLIER; LIEBERMAN, 2006). A utilizac¸˜ao das ferramentas e dos m´etodos desenvolvidos pela Pesquisa Operacional, em especial da Programac¸˜ao Linear, em todos os n´ıveis da gest˜ao, ´e uma realidade viabilizada pelo avanc¸o da tecnologia e da literatura. O problema da gest˜ao de um mundo globalizado tem deslocado o eixo competitivo para a criatividade e a motivac¸˜ao humana. Quando n˜ao busca a otimizac¸˜ao de recursos, a organizac¸˜ao passa a n˜ao ter expectativas futuras, pois n˜ao cria uma plataforma firme em que a criatividade e a vis˜ao empreendedora possam se sustentar. A partir desse fato, pode-mos compreender a importˆancia dos m´etodos de Pesquisa Operacional na tomada de decis˜ao e na minimizac¸˜ao de custos (NAMEN; BORNSTEIN, 2004).

Dentre as v´arias aplicac¸˜oes da Programac¸˜ao Linear, destaca-se o problema de mi-nimizac¸˜ao de custos de processos de produc¸˜ao, os quais, consequentemente, acarretam na minimizac¸˜ao de perdas ou de sobras de materiais e em um planejamento eficiente da produc¸˜ao. Com o objetivo de minimizar o custo total da produc¸˜ao de alimentos do Restaurante Univer-sit´ario (RU) da UTFPR cˆampus Corn´elio Proc´opio, este trabalho prop˜oe unir as t´ecnicas da Programac¸˜ao Matem´atica com a necessidade do planejamento dessa produc¸˜ao, modelando o problema como um problema de programac¸˜ao linear baseado no Problema da Dieta (STIGLER, 1945) e buscando suas soluc¸˜oes ´otimas pela aplicac¸˜ao do M´etodo Simplex, cujo conte´udo, des-crito no Cap´ıtulo 3, pode ser encontrado em Goldbarg e Luna (2005). As soluc¸˜oes num´ericas obtidas pela execuc¸˜ao dos modelos s˜ao analisadas - quanto `a variac¸˜ao e `a sensibilidade dos parˆametros - e comparadas com os custos reais vivenciados pelo restaurante em estudo.

Com o aumento do n´umero de alunos a cada semestre, o restaurante universit´ario pro-duz mais alimentos para satisfazer toda a demanda di´aria. Diante desse fato, minimizar o custo da produc¸˜ao do RU tornou-se uma decis˜ao que visa o lucro e um melhor gerenciamento da produc¸˜ao.

(13)

tra-balho.

No Cap´ıtulo 2 ´e feita a Revis˜ao Bibliogr´afica do tema, apresentando-se trabalhos e pesquisas que abordam a Programac¸˜ao Linear e sua aplicac¸˜ao no Problema da Dieta.

O terceiro cap´ıtulo aborda a Pesquisa Operacional, relatando seus conceitos e suas aplicabilidades, destacando-se seus principais modelos. Em especial, ´e realizada uma descric¸˜ao mais detalhada da Programac¸˜ao Linear, que ´e a t´ecnica utilizada neste trabalho. Em sequˆencia, apresenta os passos para a formulac¸˜ao matem´atica de um Problema de Programac¸˜ao Linear, seguido de um exemplo e um m´etodo para resolvˆe-los, o M´etodo Simplex. Aborda-se tamb´em a Dualidade e a An´alise de sensibilidade neste t´opico.

No Cap´ıtulo 4 ´e descrito o problema motivador desse trabalho, expondo o funciona-mento do RU, espac¸o f´ısico, as tabelas nutricionais, fator de rendifunciona-mentos dos alifunciona-mentos e o perfil dos alunos.

O Cap´ıtulo 5 apresenta os resultados obtidos no mˆes de Abril e Maio de 2014, descreve os modelos matem´aticos e exp˜oe as soluc¸˜oes ´otimas, bem como a an´alise de sensibilidade dos parˆametros e a comparac¸˜ao da soluc¸˜ao encontrada com os custos reais gastos pelo restaurante diariamente. E como resultados finais deste trabalho ser´a feito uma comparac¸˜ao dos dados de 2014 e 2015 no mˆes Abril/Maio. Al´em dos resultados do primeiro semestre de 2015, a fim de apresentar o comportamento dos dados durante o per´ıodo da pesquisa.

Por fim, no Cap´ıtulo 6, s˜ao apresentadas as conclus˜oes e as perspectivas futuras deste trabalho.

(14)

2 REVIS ˜AO BIBLIOGR ´AFICA

Em 1945, George Stigler apresentou o seguinte problema Stigler (1945): para um homem mediano pesando aproximadamente 70 kg, qual quantidade, dentre 77 diferentes ali-mentos, deveria ser ingerida diariamente, de modo que as necessidades m´ınimas de nutrientes fossem iguais `as recomendadas pelo Conselho Nacional de Pesquisa Norte-americano e, al´em disso, a dieta elaborada tivesse o menor custo poss´ıvel.

Nessa ´epoca, o m´etodo simplex n˜ao havia sido apresentado por George Dantzig, e Stigler solucionou um conjunto amplo de inequac¸˜oes (9 x 77) atrav´es de uma heur´ıstica inte-ligente, obtendo um custo total para a dieta de 39,93 d´olares por ano. Nesse processo, foram examinadas manualmente 510 diferentes possibilidades de fus˜ao de alimentos. Apesar do valor n˜ao poder ser considerado exatamente o custo m´ınimo, devido `a inexistˆencia de processo ma-tem´atico que comprovasse o fato, Dantzig afirma que Stigler apresentou diversas justificativas indicando que o valor encontrado por ele estaria muito pr´oximo do custo m´ınimo exato.

Em 1947, Dantzig apresentou o m´etodo at´e hoje conhecido e amplamente utilizado denominado Simplex. Ap´os apresent´a-lo, Dantzig necessitava encontrar um bom problema para testar o novo m´etodo criado, sendo o problema da dieta de Stigler escolhido para isso. No outono de 1947, Jack Laderman, respons´avel pelo Projeto de Tabelas Matem´aticas do Bureau Nacional de Padr˜oes norte-americano, decidiu ent˜ao resolver o primeiro problema de ”computac¸˜ao”de grande escala com o m´etodo simplex de Dantzig. Com o apoio de nove pessoas utilizando calculadoras de mesa de operac¸˜ao manual, ap´os a utilizac¸˜ao de um recurso estimado de 120 dias-homem, obteve-se o custo final da dieta de Stigler a 39,69 d´olares (DANTZIG, 1990) apenas 24 centavos de d´olar menos que o valor originalmente obtido por Stigler.

Al´em de Dantzig, muitos outros pesquisadores, ao longo do tempo, fizeram referˆencia ao problema original, incorporando novos alimentos, utilizando novas especificac¸˜oes de nutri-entes ou de necessidades humanas m´ınimas. Smith (1964) apresenta alguns desses trabalhos caracterizando-os como ”modelos puramente nutricionais”, que buscavam o objetivo final se-melhante ao de Stigler: dieta com menor custo que atendesse `as recomendac¸˜oes m´ınimas de

(15)

nutrientes. E at´e mesmo simulac¸˜oes das poss´ıveis dietas a serem empregadas aos sobreviventes de um ataque nuclear aos Estados Unidos (POGRUND, 1966). Em todos esses trabalhos, a grande dificuldade encontrada era a obtenc¸˜ao de dietas agrad´aveis. As deficiˆencias encontra-das nesses modelos levaram alguns investigadores a criar novos modelos. Mais recentemente, Garille e Gass (2001) revisitam o problema, atualizando o conjunto de alimentos, prec¸os, e obtendo novos valores para o custo otimizado.

Goldbarg e Luna (2005) propuseram o Problema da Programac¸˜ao de Dietas em uma Cl´ınica de Repouso, cujo principal objetivo da cl´ınica, que recebe cerca de 50 pacientes em cada final de semana, ´e a escolha das dietas e a preparac¸˜ao das refeic¸˜oes visando a desintoxicac¸˜ao alimentar e exerc´ıcios f´ısicos dos pacientes. Devido ao grande consumo de alimentos, a cl´ınica compra normalmente os gˆeneros no atacado almejando o baixo custo. O objetivo do problema ´e associar os programas de treinamento com as dietas propostas pela cl´ınica, buscando o menor custo. Estas dietas s˜ao classificadas em trˆes grupos: dejejum, almoc¸o e jantar; al´em disso, as dietas possuem nove refeic¸˜oes distintas e dois programas de treinamento.

O problema da dieta n˜ao ´e limitado apenas aos humanos, podendo ser adaptado para a formulac¸˜ao de rac¸˜oes para animais. Nesse caso, a palatabilidade n˜ao ´e mais um fator importante. Diversas propostas surgem, como a gerac¸˜ao de rac¸˜oes para gado de modo interativo, atrav´es do uso de uma simples calculadora TI59 (FRANCE, 1982). Os modelos de Programac¸˜ao Linear Param´etrica s˜ao ent˜ao aplicados para a determinac¸˜ao do custo m´ınimo da rac¸˜ao de gado (GLEN, 1980). Al´em da produc¸˜ao de rac¸˜oes, a otimizac¸˜ao da composic¸˜ao de fertilizantes, que conte-nham os nutrientes necess´arios al´em de um custo m´ınimo, tamb´em tem como base o problema da dieta.

Segundo Namen e Bornstein (2004) o problema original proposto por Stigler ´e de extrema importˆancia para o desenvolvimento da Programac¸˜ao Linear, bem como seus atos e aplicac¸˜oes posteriores. Mais especificamente, analisando o cen´ario nacional e a quest˜ao alimen-tar, abre-se a oportunidade da aplicac¸˜ao de diferentes modelos matem´aticos visando `a melhoria da alimentac¸˜ao. No trabalho de Namen e Bornstein (2004), ´e proposta uma ferramenta para avaliac¸˜ao de resultados de diversos modelos de otimizac¸˜ao de dietas. Em seguida, s˜ao apresen-tados os diversos enfoques e t´ecnicas adotadas para a elaborac¸˜ao de dietas para seres humanos. Alguns desses modelos s˜ao ent˜ao implementados, efetuando-se uma an´alise comparativa dos resultados obtidos.

(16)

3 PESQUISA OPERACIONAL E PROGRAMAC¸ ˜AO LINEAR

A pesquisa operacional (PO) n˜ao possui uma definic¸˜ao unˆanime. Para alguns auto-res como Lachtermacher (2004), Goldbarg e Luna (2005), Lins e Calˆoba (2006), PO significa abordagem cient´ıfica para tomada de decis˜oes, que procura determinar como melhor projetar e operar um sistema. O termo ´e bastante defendido no ˆambito das engenharias, em particular, da engenharia de produc¸˜ao. ´E considerado um procedimento organizado e consistente na dif´ıcil tarefa de gest˜ao recursos humanos, materiais e financeiros de uma organizac¸˜ao.

No processo de tomada de decis˜ao, a PO deu uma contribuic¸˜ao significativa no au-mento da produtividade das economias de diversos pa´ıses (HILLIER; LIEBERMAN, 2006). Dessa forma, a PO desempenha um papel importante nas ´areas de projeto, planejamento, redes de suprimento, com aplicac¸˜oes que se estendem as mais diversas ´areas de conhecimento como a agricultura, processos produtivos, recursos naturais, ambientais, entre muitos outros.

A partir destas perspectivas, nota-se a importˆancia dos m´etodos de Pesquisa Operaci-onal no aux´ılio `a tomada de decis˜ao, oferecendo, dentre todas as poss´ıveis, a melhor soluc¸˜ao para o problema em estudo.

3.1 PROGRAMAC¸ ˜AO MATEM ´ATICA

A Pesquisa Operacional e, em particular, a Programac¸˜ao Matem´atica, estudam proble-mas de decis˜ao e usam modelos matem´aticos para representar o problema real. Os algoritmos e os m´etodos buscam estruturar e solucionar modelos quantitativos que podem ser expressos matematicamente. Os modelos s˜ao estruturados logicamente com o objetivo de determinar as melhores condic¸˜oes de funcionamento para os sistemas representados.

Na programac¸˜ao matem´atica, as t´ecnicas de soluc¸˜ao s˜ao agrupadas em algumas sub´areas, descritas brevemente como a seguir.

XProgramac¸˜ao Linear

(17)

problemas que tenham seus modelos representados por express˜oes lineares (equac¸˜oes de 1o grau). A sua grande aplicabilidade e simplicidade devem-se a linearidade do modelo. A li-teratura que trata dessa classe de problemas ´e vasta e particularmente rica. Vale destacar que entre as obras mais recentes est˜ao as de Goldbarg e Luna (2005), Arenales et al. (2007), Lins e Calˆoba (2006).

XProgramac¸˜ao N˜ao Linear

Os modelos de Programac¸˜ao N˜ao Linear s˜ao aqueles que, no processo de modelagem, apresentam qualquer aspecto que afete a linearidade, seja nas vari´aveis ou em uma de suas equac¸˜oes. A n˜ao linearidade ´e bem trat´avel nos casos de convexidade; algoritmos eficientes podem resolver grandes problemas reais. Mais informac¸˜oes desse tipo de modelagem podem ser encontradas em Izmailov e Solodov (2009).

XProgramac¸˜ao Inteira

Um modelo de otimizac¸˜ao se refere a um problema de Programac¸˜ao Inteira se qualquer vari´avel desse problema n˜ao puder assumir valores cont´ınuos (reais), estando condicionada a assumir apenas valores discretos (inteiros). A exigˆencia de que vari´aveis tenham de assumir valores inteiros implica maior complexidade computacional Nemhauser e Wolsey (1999).

3.2 PROGRAMAC¸ ˜AO LINEAR

A Programac¸˜ao Linear (PL) caracteriza-se por utilizar m´etodos de c´alculo baseados na execuc¸˜ao repetida de operac¸˜oes relativamentes simples, beneficiando-se do advento do com-putador (LINS; CAL ˆOBA, 2006). E tem como objetivo encontrar a melhor soluc¸˜ao, chamada soluc¸˜ao ´otima, para problemas que possuem seus modelos representados por express˜oes line-ares. E, ainda, consiste na maximizac¸˜ao ou na minimizac¸˜ao de uma func¸˜ao linear, a Func¸˜ao Objetivo, respeitando um conjunto de restric¸˜oes expressas em forma de igualdades ou desigual-dades, as quais constituem um sistema linear (MARINS, 2011).

Para a resoluc¸˜ao de um Problema de Programac¸˜ao Linear ´e necess´ario a modelagem do problema e ap´os, utilizar um m´etodo para a soluc¸˜ao do modelo. O m´etodo adotado neste tra-balho ´e o M´etodo Simplex, que consiste em um procedimento num´erico, exerce uma sequˆencia de passos repetidamente, at´e se alcanc¸ar a melhor soluc¸˜ao do problema. Este m´etodo consiste em um processo iterativo e, por isso, ´e executado computacionalmente em qualquer linguagem de programac¸˜ao.

(18)

3.3 MODELAGEM MATEM ´ATICA DE UM PROBLEMA DE PROGRAMAC¸ ˜AO LINEAR (PPL)

A pesquisa operacional, em particular a Programac¸˜ao Matem´atica, ´e fortemente di-recionada ao apoio da tomada de decis˜ao e utiliza modelos matem´aticos que representam o problema real. As vari´aveis do problema s˜ao definidas e estabelecidas matematicamente por meio de equac¸˜oes, descrevendo o comportamento do sistema. Com a aplicac¸˜ao de um m´etodo cient´ıfico, o modelo matem´atico ´e ent˜ao resolvido, ou seja, s˜ao determinados valores para as vari´aveis, que dependem de alguns dados do problema. Em seguida, deve ser feita a validac¸˜ao do modelo, ou seja, verificar se a soluc¸˜ao obtida pela resoluc¸˜ao do modelo matem´atico ´e com-pat´ıvel com a realidade.

A soluc¸˜ao do modelo apoia o processo de tomada de decis˜oes. Conv´em ressaltar que os modelos n˜ao substituem totalmente os tomadores de decis˜ao. Por exemplo, soluc¸˜oes que n˜ao consideram o comportamento humano podem falhar.

A abordagem de resoluc¸˜ao de um problema por meio da pesquisa operacional envolve v´arias fases, conforme mostra a Figura 1, descritas a seguir.

Figura 1: Fases do processo. Fonte: (ARENALES et al., 2007)

Definic¸˜ao do problema: o que se pretende solucionar, o que se deseja maximizar ou minimizar, quanto produzir, a pergunta que se quer responder. O problema deve ser colocado de forma clara e coerente, definindo-se os objetivos e os poss´ıveis caminhos.

Modelagem matem´atica: construc¸˜ao do modelo, formulac¸˜ao por meio de vari´aveis e equac¸˜oes. Aqui devem ser levantadas as limitac¸˜oes t´ecnicas do sistema, ou seja, as restric¸˜oes, que ser˜ao expressas por meio de equac¸˜oes.

(19)

proposto.

Validac¸˜ao do modelo: verificar se o modelo proposto representa o comportamento do sistema. Essa verificac¸˜ao ´e realizada com dados emp´ıricos do sistema. Se houver dados hist´oricos, eles ser˜ao aplicados no modelo, gerando um desempenho que pode ser comparado ao observado no sistema. Se o desvio verificado n˜ao for aceit´avel, a reformulac¸˜ao do modelo deve ser considerada (SILVA et al., 2009) .

A representac¸˜ao de problemas reais ´e feita por um conjunto de equac¸˜oes. Se existem nvalores quantitativos a serem determinados, ou seja, n decis˜oes a serem tomadas, associa-se uma vari´avel a cada uma delas, chamada de vari´avel de decis˜ao. Desta forma, as vari´aveis de decis˜ao s˜ao representadas por xi, com i = 1, 2, . . . , n e, ao aplicar um m´etodo de soluc¸˜ao, o valor

destas vari´aveis s˜ao encontrados.

O objetivo principal do problema ´e o que se pretende maximizar (lucros, receitas, ven-das) ou minimizar (custos, perdas, recursos). Uma func¸˜ao num´erica das vari´aveis de decis˜ao, a func¸˜ao objetivo, ´e ent˜ao estruturada para represent´a-lo.

Identificadas as vari´aveis de decis˜ao e a func¸˜ao objetivo, deve-se analisar quais s˜ao as limitac¸˜oes impostas ao problema real. Geralmente, os recursos dispon´ıveis, mat´eria-prima, m˜ao-de-obra e horas de equipamentos s˜ao limitados e apresentam algumas condic¸˜oes. Estas limitac¸˜oes podem ser expressas matematicamente por meio de equac¸˜oes e inequac¸˜oes lineares, constituindo as restric¸˜oes do problema.

Ligados aos problemas de programac¸˜ao linear est´a a condic¸˜ao de que todas as vari´aveis de decis˜ao pertencem ao primeiro quadrante, ou seja, s˜ao maiores ou iguais a zero: xi≥ 0.

Denominados de condic¸˜ao de n˜ao-negatividade.

Para que um problema real possa ser representado por um modelo de Programac¸˜ao Linear, deve apresentar as seguintes caracter´ısticas:

X Proporcionalidade: as vari´aveis de decis˜ao s˜ao multiplicadas pelos coeficientes na func¸˜ao objetivo e nas restric¸˜oes. Estes coeficientes s˜ao valores conhecidos, pois s˜ao os dados que o problema deve ter.

X Aditividade: a func¸˜ao objetivo e as restric¸˜oes constituem na soma das parcelas, como uma combinac¸˜ao linear.

XDivisibilidade: as vari´aveis de decis˜ao podem ser fracionadas.

X Determinismo: os coeficientes (valores conhecidos) do problema n˜ao incorporam a natureza probabil´ıstica do que representam.

(20)

De acordo com Lachtermacher (2004), diversas vantagens podem ser citadas quando o decisor utiliza um processo de modelagem para a tomada de decis˜ao. Dentre elas, os modelos forc¸am a identificac¸˜ao das vari´aveis a serem inclu´ıdas e em que termos ser˜ao quantific´aveis. Al´em disso, forc¸am tamb´em o reconhecimento de limitac¸˜oes dos problemas, expressas pelas restric¸˜oes.

A formulac¸˜ao geral de um PPL deve ent˜ao conter 3 partes fundamentais: a func¸˜ao objetivo, as restric¸˜oes e as condic¸˜oes de n˜ao-negatividade. Para a func¸˜ao objetivo e para cada uma das restric¸˜oes consideradas, escreve-se uma equac¸˜ao linear, relacionando as vari´aveis de decis˜aocom os coeficientes conhecidos. Desta forma, um PPL ´e formulado da seguinte ma-neira. Maximizar (Minimizar) Z = c1x1+ c2x2+ . . . + cnxn (1) a11x1+ a12x2+ . . . + a1nxn(sinal) b1 a21x1+ a22x2+ . . . + a2nxn(sinal) b2 . . . (2) am1x1+ am2x2+ . . . + amnxn(sinal) bm, x1, x2, . . . , xn≥ 0 (3) onde,

ai j, (i = 1, 2, . . . , m ; j = 1, 2, . . . , n) → coeficientes t´ecnicos ou tecnol´ogicos (reais); b1, b2,. . . , bm→ termos independentes (constantes de restric¸˜ao ou segundos membros);

c1, c2,. . . , cn→coeficientes da func¸˜ao objetivo (coeficientes de custo);

x1, x2,. . . , xn→ vari´aveis de decis˜ao (principais ou control´aveis);

A palavra0sinal0 → Esta Palavra significa que as restric¸˜oes poder˜ao receber os sinais ≤, =, ou, ≥;

A equac¸˜ao (1) representa a func¸˜ao objetivo;

A equac¸˜ao (2) representa as restric¸˜oes (restric¸˜oes funcionais), em que apenas se verifica uma das relac¸˜oes;

(21)

3.3.1 FORMA PADR ˜AO

Uma formulac¸˜ao equivalente, obtida por operac¸˜oes elementares, ´e muito utilizada para a aplicac¸˜ao dos m´etodos de resoluc¸˜ao e ´e chamada de forma padr˜ao. Nesta, todas as restric¸˜oes s˜ao transformadas em igualdades pela adic¸˜ao de outras vari´aveis. Al´em disso, todas as vari´aveis envolvidas xje as constantes bms˜ao maiores ou iguais `a zero.

Portanto, um modelo de programac¸˜ao linear pode ser reescrito na forma padr˜ao aplicando-se as aplicando-seguintes operac¸˜oes elementares:

Operac¸˜ao 1: mudanc¸a no crit´erio de otimizac¸˜ao - transformar a maximizac¸˜ao de uma func¸˜ao f (x) em minimizac¸˜ao ou vice-versa.

Max f (x) corresponde a Min (− f (x)) Min f (x) corresponde a Max (− f (x))

Operac¸˜ao 2: transformar uma vari´avel livre, ou seja, uma vari´avel que assume valores reais (positivos, negativos, racionais) em uma vari´avel n˜ao negativa (maior ou igual a zero).

A vari´avel livre xn ´e substitu´ıda por duas vari´aveis auxiliares x1n e x2n, ambas maiores

ou iguais `a zero, mas a soma das duas ´e igual `a vari´avel original.

xn= x1n− x2n

Operac¸˜ao 3: transformar as inequac¸˜oes em equac¸˜oes. Para o caso da transformac¸˜ao de restric¸˜oes de menor ou igual ≤ em igualdade, soma-se uma vari´avel chamada vari´avel de folga, capaz de completar a desigualdade, tornando-a igualdade. Por exemplo, seja a restric¸˜ao representada por

x1+ x2+ x3+ . . . + xn≤ b

Introduzindo a vari´avel de folga xn+1≥ 0, obt´em-se:

x1+ x2+ x3+ . . . + xn+ xn+1= b

Para o caso da transformac¸˜ao de restric¸˜oes de maior ou igual ≥ em igualdade, subtrai-se uma vari´avel de folga, tornando-a igualdade. Por exemplo, subtrai-seja a restric¸˜ao represubtrai-sentada por

(22)

Introduzindo a vari´avel de folga xn+1≥ 0, obt´em-se:

x1+ x2+ x3+ . . . + xn− xn+1= b

Desta forma, conforme modelado o problema, pode-se aplicar as operac¸˜oes elementa-res para reescrever o modelo na forma padr˜ao e aplicar os m´etodos de elementa-resoluc¸˜ao.

3.3.2 FORMA MATRICIAL

Uma outra formulac¸˜ao semelhante ´e chamada de forma matricial. As equac¸˜oes (1), (2), e (3) podem ser escritas da seguinte forma:

M´ın cTx s.a. Ax ≥ b x≥ 0 onde: cT =     c1 .. . cn     ; x = h x1· · · xn i A =     an · · · a1n .. . . .. ... am1 · · · amn     ; b =     b1 .. . bm    

A seguir ser´a exposto um exemplo de estudo de caso de um PPL.

3.3.3 ESTUDO DE CASO: MODELAGEM DE UM PPL APLICADA AO PROBLEMA DA DIETA

Considere que existem n alimentos que podem ser colocados em uma dieta. Estes n alimentos possuem determinados custos unit´arios e uma quantidade de cada um de m nutrientes relevantes (calorias, vitaminas, etc.). Deseja-se obter uma dieta adequada de custo m´ınimo, ou seja, minimizar o produto dos custos unit´arios de alimentos pelas quantidades selecionadas, dado que os requisitos de cada um dos nutrientes, definidos pelo vetor b, sejam satisfeitos. Este estudo de caso ´e baseado em Lins e Calˆoba, 2006 (p.10).

(23)

SOLUC¸ ˜AO:

Vari´aveis de Decis˜ao: xj= quantidade de alimentos que entram na dieta.

Dados conhecidos: n alimentos e seus custos c1, . . . , cn

mnutrientes necess´arios e quantidades m´ınimas b1, . . . , bm

ai j quantidade do i-´esimo nutriente no j-´esimo alimento

Objetivo: obter a dieta adequada de menor custo. Modelo: a11x1+ . . . + a1nxn≥ b1 .. . am1x1+ . . . + amnxn≥ bm       

conjunto de restric¸˜oes do problema

Sujeito tamb´em a: xj≥ 0 ∀ j Func¸˜ao Objetivo: M´ın c1x1+ c2x2+ . . . + cnxn Forma Matricial PPL Dieta: M´ın cTx s.a. Ax ≥ b x≥ 0 onde: cT =     c1 .. . cn     ; x = h x1· · · xn i A =     an · · · a1n .. . . .. ... am1 · · · amn     ; b =     b1 .. . bm    

Para uma aplicac¸˜ao recente deste PPL `a dieta humana, ver Lucas S. F. (2000) onde foram incorporadas restric¸˜oes adicionais, que permitem modelar restric¸˜oes `as mudanc¸as de h´abitos alimentares.

(24)

3.4 M ´ETODO SIMPLEX

A seguir, ´e apresentada uma descric¸˜ao matem´atica, baseada em Bressan (2003), sobre o M´etodo Simplex em sua forma geral.

Considere o problema primal de otimizac¸˜ao linear na forma padr˜ao (BAZARAA M S; JAR-VIS, 2009; VANDERBEI, 1996):

min f (x) = cTx s.a: Ax = b

x≥ 0

onde A ∈ Rmxne, sem perda de generalidade, assuma que posto (A) = m. Todo problema primal tem um problema dual associado. Na sec¸˜ao 3.5 o problema dual ser´a visto com mais detalhe.

A soluc¸˜ao geral do sistema em Ax = b pode ser descrita considerando uma partic¸˜ao nas colunas de A:

A= (B, N)

tal que B ∈ Rmxm, formada por m colunas da matriz A, seja n˜ao singular. A partic¸˜ao equivalente ´e feita no vetor das vari´aveis:

x= (xB, xN),

onde xB ´e chamado vetor de vari´aveis b´asicas e xN vetor de vari´aveis n˜ao b´asicas.

Assim,

Ax= b ⇔ BxB+ NxN = b ⇔ xB= B−1b− B−1NxN.

Dada uma escolha qualquer para xN, tem-se xB bem determinado, de modo que o

sis-tema est´a verificado.

Definic¸˜ao 1 A soluc¸˜ao particular x obtida por x0B = B−1b, x0N = 0 ´e chamada soluc¸˜ao b´asica. Se x0B= B−1b≥ 0, ent˜ao a soluc¸˜ao b´asica ´e primal fact´ıvel.

Considere tamb´em a partic¸˜ao nos coeficientes do gradiente da func¸˜ao objetivo c:

cT = (cB, cN)T.

Definic¸˜ao 2 O vetor y ∈ Rm, dado por

(25)

´e definido como vetor das vari´aveis duais ou vetor multiplicador simplex. Se

cj− yTaj≥ 0,

para j= 1, . . . , n ent˜ao y ´e uma soluc¸˜ao b´asica dual fact´ıvel, e diz-se que a partic¸˜ao ´e dual fact´ıvel, onde ajrepresenta a coluna j da matriz de restric¸˜oes A.

Teorema 1 Se uma partic¸˜ao b´asica for primal e dual fact´ıvel, ent˜ao as soluc¸˜oes b´asicas asso-ciadas resolvem os problemas primal e dual, respectivamente, e diz-se que a partic¸˜ao b´asica ´e ´otima.

Prova:(VANDERBEI, 1996)

Teorema 2 Se o problema primal tiver uma soluc¸˜ao ´otima, ent˜ao existe uma partic¸˜ao b´asica ´otima.

Prova:(VANDERBEI, 1996).

Definic¸˜ao 3 Denomina-se estrat´egia simplex a seguinte perturbac¸˜ao da soluc¸˜ao b´asica: esco-lha k∈ N, onde N ´e o conjunto de ´ındices de vari´aveis n˜ao b´asicas, tal que ck− yTak< 0; fac¸a

xk= ε ≥ 0, xj= 0, ∀ j ∈ N − k.

A estrat´egia simplex produz uma nova soluc¸˜ao dada por (

xB= x0B+ εdB

xN = εek

e o valor da func¸˜ao objetivo dado por:

f(x) = f (x0) + (ck− yTak)ε

onde dB= −B−1ake ek= (0, . . . , 1, . . . , 0)T ∈ Rm−n com 1 na k-´esima componente.

A direc¸˜ao d ∈ Rn, dada por d = (dB, dN)T = (dB, ek)T, define uma perturbac¸˜ao da

soluc¸˜ao b´asica e ´e chamada direc¸˜ao simplex. Se a soluc¸˜ao b´asica for n˜ao-degenerada, isto ´e, x0B> 0, ent˜ao d ´e uma direc¸˜ao fact´ıvel. Note ainda que o produto escalar entre d e o gradiente da func¸˜ao objetivo ´e cTd= ck− yTa

k< 0. Portanto d ´e uma direc¸˜ao de descida.

Da estrat´egia simplex, pode-se determinar o maior valor de ε, impondo xB≥ 0:

ε0= min ( −x 0 Be dBe |dBe< 0, i = 1, . . . , m )

(26)

onde x0Be ´e a e-´esima componente de x0B, que sai da base.

Para uma melhor visualizac¸˜ao sobre a organizac¸˜ao dos conceitos acima, s˜ao descritos a seguir todos os passos necess´arios para a realizac¸˜ao do m´etodo primal simplex, utilizado no presente trabalho. H´a outros tipos de m´etodos simplex, como por exemplo primal-dual, Duas-fases e Big M.

M´etodo Primal-Simplex fase I

Encontre uma partic¸˜ao b´asica primal-fact´ıvel: A = (B, N). Fac¸a PARE=FALSO, IT=0

(Ser´a FALSO at´e que a condic¸˜ao de otimalidade seja verificada. IT indica o n´umero da iterac¸˜ao.)

fase II

Enquanto N ˜AO PARE fac¸a:

• Determine a soluc¸˜ao b´asica primal fact´ıvel: xB= B−1b. • Teste de otimalidade:

Determine a soluc¸˜ao b´asica dual: yT = cTBB−1; Encontre xkcom custo relativo: ck− yTa

k< 0.

Se ck− yTak≥ 0, ∀ k = 1, . . . , n − m, ent˜ao a soluc¸˜ao na iterac¸˜ao IT ´e ´otima.

PARE=VERDADE. Sen˜ao:

• Determine a direc¸˜ao simplex: dB= −B−1ak, de mudanc¸a nos valores das vari´aveis b´asicas.

• Determine o passo: ε0= min

 −x 0 Be dBe|dBe < 0, i = 1, . . . , m  .

Se dB≥ 0, o problema n˜ao tem soluc¸˜ao ´otima finita. PARE=VERDADE.

Sen˜ao:

• Atualize a partic¸˜ao b´asica: aBl ↔ ak, IT ← IT + 1.

Fim enquanto.

Detalhes sobre a Fase I e determinac¸˜ao da vari´avel que entra na base podem ser vistos em Luenberger D G; Ye (2008), Bazaraa M S; Jarvis (2009), Vanderbei (1996).

(27)

3.4.1 TABLEAU SIMPLEX

O tableau simplex ´e uma maneira de sistematizar os problemas de programac¸˜ao linear para sua resoluc¸˜ao. Basicamente, o quadro (tableau) escrito por esta forma apresenta os coe-ficientes das vari´aveis de decis˜ao e de folga em colunas e as restric¸˜oes e func¸˜ao objetivo em linhas.

A seguir, ´e apresentado um problema modelado por Santos et al. (2014) para ilustrar o M´etodo Simplex na Forma Tableau. Este modelo visa minimizar o custo da produc¸˜ao dos alimentos de um Restaurante Universit´ario de acordo com o card´apio di´ario e as necessidades nutricionais.

As vari´aveis de decis˜ao representam as quantidades, em kilograma, que devem ser produzidas de x1: arroz, x2: feij˜ao, x3: carne e x4: legumes. As restric¸˜oes representam,

respec-tivamente, as quantidades di´arias de carboidrato, energia(Kcal), prote´ına e ferro, que devem ser satisfeitas. O problema ´e ent˜ao modelado como um PPL da seguinte forma.

Problema na forma padr˜ao

Max´ (−Q(x)) {−2, 3x1− 3, 4x2− 9, 5x3− 4, 6x4− 0x5− 0x6− 0x7− 0x8}

s.a. 1300x1+ 760x2+ 2100x3+ 273x4− x5= 1920000

26x1+ 48x2+ 320x3+ 20x4− x6= 78000

282x1+ 136x2+ 51x4− x7= 411600

x1+ 130x2+ 26x3+ 4x4− x8= 21600

em que {x1, . . . , x4} as vari´aveis de decis˜ao e {x5, . . . , x8} s˜ao vari´aveis de folga.

Escrevendo o problema na forma tableau, o quadro inicial tem a seguinte forma. Iden-tificamos ent˜ao as vari´aveis b´asicas, ou seja, aquelas vari´aveis que constituem uma matriz iden-tidade; e colocamos estas vari´aveis na coluna referente `a base. Inicialmente, as vari´aveis cor-respondentes `a base s˜ao as vari´aveis de folga.

Base x1 x2 x3 x4 x5 x6 x7 x8 b x5 -1300 -760 -2100 -273 1 0 0 0 -1920000 x6 -26 -48 -320 -20 0 1 0 0 -78000 x7 -282 -136 0 -51 0 0 1 0 -411600 x8 -1 -130 -26 -4 0 0 0 1 -21600 F.O. 2,3 3,4 9,5 4,6 0 0 0 0 Q(x)

(28)

Os coeficientes da func¸˜ao objetivo (FO) s˜ao exibidos na ´ultima linha. As linhas ante-riores representam as restric¸˜oes e a primeira coluna apresenta as vari´aveis b´asicas. Observa-se que, ao apresentar o problema na forma tableau, as linhas referentes `as restric¸˜oes foram multi-plicadas por (−1), para que as vari´aveis de folga se tornassem positivas.

A seguir ser˜ao apresentadas as trˆes iterac¸˜oes, necess´arias para a obtenc¸˜ao da soluc¸˜ao ´otima, na forma tableau simplex do problema proposto.

1aIterac¸˜ao

Vari´avel que entra na base: x1 Vari´avel que sai da base: x8

Base x1 x2 x3 x4 x5 x6 x7 x8 b x5 0 0,17×106 0,32×105 0,49×104 1 0 0 -0,13×104 0,26×108 x6 0 3332 356 84 0 1 0 -26 0,48×106 x7 0 36524 7332 1077 0 0 1 -0,28×103 0,57×107 x1 1 130 26 4 0 0 0 -1 21600 F.O. 0 -295,600 -50,300 -4,600 0 0 0 2,3 -50000

Esta soluc¸˜ao ainda n˜ao ´e a ´otima, pois temos elementos negativos na linha da func¸˜ao objetivo (F.O.).

2aIterac¸˜ao

Vari´avel que entra na base: x2 Vari´avel que sai da base: x6

Base x1 x2 x3 x4 x5 x6 x7 x8 b x5 0 0 13724,777 685,655 1 -50,492 0 13 0,17×107 x2 0 1 0,107 0,025 0 0 0 -0,008 145,138 x7 0 0 3429,676 156,227 0 -10,962 1 3 0,38×106 x1 1 0 12,110 0,723 0 -0,039 0 0,014 2732,053 F.O. 0 0 -18,717 2,852 0 0,089 0 -0,007 -6777,191

(29)

3aIterac¸˜ao

Vari´avel que entra na base: x3 Vari´avel que sai da base: x7

Base x1 x2 x3 x4 x5 x6 x7 x8 b x5 0 0 0 60,471 1 -6,626 -4 0,79 0,23×106 x2 0 1 0 0,020 0 0,001 0 -0,008 133,344 x3 0 0 1 0,046 0 -0,003 0 0,001 110,383 x1 1 0 0 0,171 0 0 -0,004 0,004 1395,266 F.O. 0 0 0 3,705 0 0,029 0,005 0,010 -4711,122

Como Min {Q(x)} equivale a M ´ax {−Q(x)}, logo , n˜ao h´a nenhum coeficiente ne-gativo na linha da func¸˜ao objetivo, ou seja, a soluc¸˜ao ´otima foi alcanc¸ada. Sendo o custo m´ınimo da produc¸˜ao de alimentos de acordo com o card´apio di´ario e necessidades nutricionais de 4.711,12 reais. A soluc¸˜ao ´otima sugere que sejam produzidos, diariamente, 1395,26 kg de arroz, 133,34 kg de feij˜ao, 110,38 de carne e 0 kg de legumes.

3.4.2 SITUAC¸ ˜OES QUE PODEM OCORRER

Um problema de programac¸˜ao linear (PPL) n˜ao necessariamente admite uma soluc¸˜ao ´otima, as seguintes situac¸˜oes tamb´em podem ocorrer:

X Infinitas soluc¸˜oes ´otimas; X Problema invi´avel; X Problema ilimitado;

No M´etodo Simplex, estes casos se manifestam em alguns problemas de c´alculo des-critos a seguir.

• Infinitas Soluc¸˜oes

Um problema possui infinitas soluc¸˜oes ´otimas quando a reta que representa a func¸˜ao objetivo ´e paralela a uma das retas das restric¸˜oes e seu ´otimo se encontra exatamente sobre esta reta. No m´etodo simplex, esta situac¸˜ao ´e caracterizada pela presenc¸a de zeros al´em dos obtidos pelas vari´aveis b´asicas.

• Problema Invi´avel

O problema se torna invi´avel se atingirmos a soluc¸˜ao ´otima com as vari´aveis de folga diferentes de zero, ou seja, com os coeficientes da vari´avel de folga da func¸˜ao objetivo diferentes

(30)

de zero, tornando o problema original um problema invi´avel. • Problema Ilimitado

O problema ilimitado acontece quando a soluc¸˜ao pode ser melhorada, mas n˜ao h´a uma restric¸˜ao que a limite. No m´etodo simplex, esta situac¸˜ao ´e caracterizada pela falta de opc¸˜ao para a vari´avel que deve sair da base, sendo todos os coeficientes negativos.

3.5 DUALIDADE

Para cada problema de programac¸˜ao linear, chamado de primal, existe um outro asso-ciado, denominado dual. Uma vez resolvido um deles, o outro ´e imediato pelo fato dos dois possu´ırem a mesma soluc¸˜ao ´otima, por´em, apresentam caracter´ısticas distintas. Segundo Lins e Calˆoba (2006) os estudos de dualidade possibilitam:

• A melhor compreens˜ao estrutural dos problemas de programac¸˜ao linear.

• A interpretac¸˜ao econˆomica de alguns parˆametros, como o prec¸o sombra e o custo de oportunidade.

• O desenvolvimento de aplicac¸˜oes utilizadas em p´os-otimizac¸˜ao, como o algoritmo dual-simplex.

• Problemas de Teoria dos Jogos de duas pessoas podem ser formulados por Programac¸˜ao Linear. Neste caso, as formulac¸˜oes primal e dual correspondem `as ´oticas do primeiro e segundo jogador.

• A An´alise Envolt´oria de Dados, cujas formulac¸˜oes primal e dual fornecem informac¸˜oes complementares sobre a fronteira de produc¸˜ao: os chamados trade offs e os benchmarks.

3.5.1 ESTUDO DE CASO: DUALIDADE PARA O PROBLEMA DA DIETA

Para exemplificar a sec¸˜ao anterior, apresenta-se um estudo de caso encontrado em Lins e Calˆoba (2006), o qual aborda a dualidade para o problema da dieta. Neste problema, cinco alimentos devem ser selecionados em determinada quantidade para garantir a oferta de calorias e vitaminas.

Neste problema, apresentam-se os seguintes elementos: Vari´avel de Decis˜ao: xj: quantidade do alimento j.

Elementos da Matriz A(ai j): quantidade do nutriente i por unidade do alimento j.

(31)

A formulac¸˜ao do PPL ´e a seguinte: M´ın 20x1+ 25x2+ 31x3+ 11x4+ 12x5 s.a. x1+ x3+ x4+ 2x5≥ 21 x2+ 2x3+ x4+ x5≥ 12 xj≥ 0, ∀ j.

Este PPL est´a na forma padr˜ao no tableau a seguir, e tem como soluc¸˜ao ´otima a ex-press˜ao x1= 0, x2= 0, x3= 0, x4= 3, x5= 9, com custo de 141 unidades monet´arias.

x1 x2 x3 x4 x5 b

Calorias 1 0 1 1 2 21

Vitaminas 0 1 2 1 1 12

Custo Unit´ario 20 25 31 11 12 Q(x)

Sup˜oe-se, agora, que uma empresa farmacˆeutica decidiu lanc¸ar no mercado p´ılulas de calorias e vitaminas, contendo uma unidade de cada. Seu principal objetivo ´e conseguir competir com os alimentos 1 a 5 acima, ou seja, garantir que o indiv´ıduo posse se alimentar exclusivamente das p´ılulas e n˜ao gaste mais do que gastaria com a dieta aliment´ıcia.

O laborat´orio ´e uma empresa e, desta forma, visa o lucro m´aximo. Supondo que o indiv´ıduo se alimentar´a exclusivamente das p´ılulas para saciar sua necessidades di´arias e que o prec¸o da p´ılula de calorias ´e w1e o da p´ılula de vitaminas ´e w2, sua func¸˜ao objetivo ser´a, ent˜ao:

Max´ 21.w1+ 12w2

Visando sua permanˆencia no mercado, o fabricante dever´a garantir que suas p´ılulas custem menos que os alimentos, proporcionalmente `a quantidade cal´orica e vitam´ınica de cada um. Assim, para o alimento 1, que cont´em apenas uma unidade de caloria, a restric¸˜ao ´e:

1w1 ≤ 20 → restric¸˜oes associada `a vari´avel x1

Para o alimento 2, que cont´em apenas uma unidade de vitamina, a restric¸˜ao ´e: 1w2 ≤ 25 → restric¸˜oes associada `a vari´avel x2

Para o alimento 3, que cont´em uma unidade de caloria e duas de vitamina, a restric¸˜ao ´e:

(32)

Para os demais alimentos as restric¸˜oes s˜ao:

1w1+ 1w2 ≤ 11 → restric¸˜oes associada `a vari´avel x4

2w1+ 1w2 ≤ 12 → restric¸˜oes associada `a vari´avel x5

Al´em disto, obviamente, os prec¸os praticados ser˜ao positivos, logo w1, w2 ≥ 0. O

problema fica representado conforme modelo a seguir. Max´ 21.w1+ 12w2. s.a. 1w1 ≤ 20 1w2 ≤ 25 1w1+ 2w2 ≤ 31 1w1+ 1w2 ≤ 11 2w1+ 1w2 ≤ 12 w1, w2≥ 0

A apresentac¸˜ao matricial do problema ´e disposta na Tabela 1.

Tabela 1: Dualidade para o Problema da Dieta

w1 w2 b Alimento 1 1 0 20 Alimento 2 0 1 25 Alimento 3 1 2 31 Alimento 4 1 1 11 Alimento 5 2 1 12 Receita Unit´aria 21 12 Q(w)

Colocando o problema na forma padr˜ao, tem-se o seguinte tableau. w1 w2 xa1 xa2 xa3 xa4 xa5 b Alimento 1 1 0 1 0 0 0 0 20 Alimento 2 0 1 0 1 0 0 0 25 Alimento 3 1 2 0 0 1 0 0 31 Alimento 4 1 1 0 0 0 1 0 11 Alimento 5 2 2 0 0 0 0 1 12 Receita Unit´aria -21 -12 0 0 0 0 0 Q(w)

(33)

A soluc¸˜ao ´otima deste PPL ´e w1= 1 e w2= 10, e a receita unit´aria ser´a de 141 unidades

monet´arias, o mesmo valor encontrado no primal.

3.5.2 OBTENC¸ ˜AO DO DUAL A PARTIR DE SEU PPL PRIMAL

Ser˜ao repetidos os tableaus iniciais obtidos anteriormente, para exemplificar a obtenc¸˜ao do dual a partir de seu primal. As tabelas 2 e 3 representam, respectivamente, o problema da dieta primal e seu dual.

Tabela 2: Problema da Dieta: Primal Dieta Primal x1 x2 x3 x4 x5 b

Calorias 1 0 1 1 2 21

Vitaminas 0 1 2 1 1 12

Custo Unit´ario 20 25 31 11 12 Q(x)

Tabela 3: Problema da Dieta: Dual DIETA DUAL w1 w2 b Alimento 1 1 0 20 Alimento 2 0 1 25 Alimento 3 1 2 31 Alimento 4 1 1 11 Alimento 5 2 1 12 Receita Unit´aria 21 12 Q(w)

Pode-se retirar as seguintes relac¸˜oes entre o primal e o dual:

X Os termos constantes das restric¸˜oes do dual s˜ao os coeficientes das vari´aveis da func¸˜ao objetivo do primal;

X Os coeficientes das vari´aveis da func¸˜ao objetivo do dual s˜ao os termos constantes das restric¸˜oes do primal;

X O n´umero de vari´aveis do dual ´e igual ao n´umero de restric¸˜oes do primal; X O n´umero de restric¸˜oes do dual ´e igual ao n´umero de vari´aveis do primal;

X A matriz dos coeficientes do dual ´e a transposta da matriz dos coeficientes do primal; X As restric¸˜oes do dual s˜ao do tipo maior ou igual, e as do primal s˜ao do tipo menor ou igual (estando o PPL na forma padr˜ao), ou seja:

(34)

Primal Dual M´ın cT.x Max b´ T.w ou wT.b

A.x ≥ b AT.w ≤ c ou wT.A ≤ c

xj≥ 0 w≥ 0

Existem regras objetivas de obtenc¸˜ao do dual a partir do primal. Na continuidade ser´a visto como, partindo de uma regra de formulac¸˜ao do dual com o primal na forma padr˜ao, ´e poss´ıvel deduzir todas as demais regras de formulac¸˜ao, resumidos em quatro casos.

1oCaso: Restric¸˜oes com Sinal Maior ou Igual Neste caso, o primal e dual ficam da seguinte forma

P: M´ın cTx D: M ´ax wTb s.a. Ax≥ b s.a. wTA≤ c

xj≥ 0 w≥ 0

2oCaso: Restric¸˜oes com Sinal Menor ou Igual Neste caso, o problema ´e

P: M´ın cTx D: M ´ax wT.b s.a. Ax≤ b s.a. wT.A ≤ cT

x≥ 0 w≤ 0

3oCaso: Vari´aveis com Sinal Negativo Neste caso, o primal e dual s˜ao da forma

P: M´ın cTx D: M ´ax wTb s.a. Ax= b s.a. wTA≥ c

(35)

4oCaso: Vari´aveis Irrestritas em Sinal

Neste caso, o primal e dual s˜ao da forma a seguir P: M´ın cTx D: M ´ax wTb s.a. Ax= b s.a. wTA= cT xirrestrito wirrestrito

A seguir, ´e apresentado o Teorema Fundamental da Dualidade, o qual apresenta as relac¸˜oes entre as soluc¸˜oes dos problemas dual e primal.

3.5.3 TEOREMA FUNDAMENTAL DA DUALIDADE

O Teorema Fundamental da Dualidade resume as condic¸˜oes que podem ser encontra-das em um dual, dada a situac¸˜ao do problema primal.

• Primal com Soluc¸˜ao ´Otima: se o Primal tem soluc¸˜ao ´otima, o dual tamb´em ter´a soluc¸˜ao ´otima e finita.

• Primal com Soluc¸˜ao Ilimitada: se o primal ´e ilimitado, o dual ser´a invi´avel. • Primal com Soluc¸˜ao Invi´avel: se o dual for ilimitado, o primal ser´a invi´avel, lem-brando que os dois problemas poder˜ao ser invi´aveis.

3.5.4 INTERPRETAC¸ ˜AO ECON ˆOMICA DO DUAL

A soluc¸˜ao ´otima da vari´avel de decis˜ao dual pode ser analisada economicamente como o impacto marginal da variac¸˜ao do elemento respectivo das constantes sobre a Func¸˜ao Obje-tivo. Para a interpretac¸˜ao econˆomica, ´e necess´ario definir os conceitos de prec¸o-sombra e custo reduzido:

X Prec¸o-sombra: Os prec¸os-sombra equivalem `a soluc¸˜ao ´otima do dual, onde as constantes das restric¸˜oes s˜ao os coeficientes da func¸˜ao objetivo.

• Cada vari´avel yi do dual est´a relacionada com a restric¸˜ao i do problema primal. O

valor ´otimo desta vari´avel, yi∗ ´e justamente o prec¸o-sombra do recurso i.

• O prec¸o-sombra para cada recurso mede o valor marginal deste recurso em relac¸˜ao ao lucro total

(36)

reduzido, que significa:

• O total que o seu coeficiente na func¸˜ao objetivo deve melhorar para que ela deixe de ser zero na soluc¸˜ao ´otima, ou seja, se tornar b´asica;

• O quanto a func¸˜ao objetivo ir´a melhorar ou piorar para cada unidade que ela aumente ou diminua.

De acordo com a interpretac¸˜ao econˆomica, cada vari´avel de folga do dual est´a rela-cionada a uma vari´avel de decis˜ao do primal. Se uma vari´avel de decis˜ao primal for positiva, o valor da vari´avel do dual relacionada ser´a zero, isto ´e, o custo reduzido ser´a zero. O custo reduzido s´o se aplica nas vari´aveis que s˜ao nulas na soluc¸˜ao ´otima.

Se a primeira vari´avel de folga fosse diferente de zero, logo a primeira vari´avel de decis˜ao do dual obrigatoriamente seria nula. An´alogo, se ambas as vari´aveis de decis˜ao do dual s˜ao diferentes de zero, ent˜ao as vari´aveis de folga do primal s˜ao nulas. Com isso, conclui-se que para cada restric¸˜ao primal ou vari´avel de folga nula, ou a vari´avel natural do dual correspondente ´e nula.

Analise-se agora as vari´aveis de decis˜ao do primal maiores que zero, indicando que ambos os produtos est˜ao sendo produzidos. Este fato implica nas vari´aveis de folga do dual nulas. Agora, se alguma das vari´aveis do dual fosse positiva, o produto correspondente n˜ao estaria sendo produzido, ou seja, a vari´avel de decis˜ao do primal correspondente teria valor nulo. Conclui-se que, para cada vari´avel de decis˜ao primal, ou esta vari´avel ´e nula, ou a vari´avel de folga correspondente do dual ´e nula.

3.5.5 O M ´ETODO SIMPLEX DUAL

O m´etodo simplex dual pode ser espelhado no m´etodo simplex. O m´etodo simplex atua em soluc¸˜oes b´asicas do problema primal que s˜ao vi´aveis primais, mas n˜ao vi´aveis duais. O objetivo, ent˜ao, ´e obter uma soluc¸˜ao ´otima tentando tamb´em alcanc¸ar a viabilidade dual. J´a o m´etodo simplex dual trabalha com soluc¸˜oes b´asicas no problema primal que s˜ao vi´aveis duais, por´em, n˜ao vi´avel primal.

As regras para o m´etodo simplex dual s˜ao muito parecidas com as do m´etodo simplex, a ´unica diferenc¸a entre eles se encontra nos crit´erios usados para selecionar as vari´aveis b´asicas que entram e que saem e na interrupc¸˜ao do algoritmo (HILLIER; LIEBERMAN, 2006).

Algoritmo Dual-Simplex

(37)

primal (LINS; CAL ˆOBA, 2006).

1. Partir da 1asoluc¸˜ao b´asica dual vi´avel;

2. ´E poss´ıvel melhorar se existir b < 0. O valor mais negativo ser´a a vari´avel que sai da base. Fica determinada a linha pivˆo, r.

3. Para todas as vari´aveis n˜ao b´asicas, faz-se o teste da raz˜ao: M´ın |cj/ai j| sendo necess´ario

que ar j< 0, o PPL primal ´e invi´avel.

4. Continua-se at´e que todos os cj e bi sejam maiores que zero, garantindo que a soluc¸˜ao do

problema ´e ´otima.

Uma aplicac¸˜ao importante do m´etodo simplex dual ´e a sua utilizac¸˜ao na an´alise de sensibilidade. Este algoritmo tamb´em pode ser vi´avel em solucionar problemas de programac¸˜ao linear de grandes dimens˜oes a partir da estaca zero, pois ele tamb´em tem-se mostrado eficiente nesses casos.

3.6 AN ´ALISE DE SENSIBILIDADE OU P ´OS-OTIMIZAC¸ ˜AO

Uma ferramenta muito conhecida para lidar com incertezas nos parˆametros de um PPL ´e a An´alise de Sensibilidade, tamb´em conhecida como P´os-Otimizac¸˜ao. O termo sensibilidade transparece sobre a soluc¸˜ao ´otima, resultante de pequenas variac¸˜oes nos parˆametros da func¸˜ao objetivo e das restric¸˜oes. O termo P´os-otimizac¸˜ao indica que, ap´os alcanc¸ar a soluc¸˜ao ´otima do PPL, queremos avaliar o impacto da alterac¸˜ao em algum parˆametro sobre esta soluc¸˜ao. Ambas as terminologias representam o mesmo conjunto de t´ecnicas, as quais utilizam fortemente a formulac¸˜ao matricial de PPLs (LINS; CAL ˆOBA, 2006).

A motivac¸˜ao deste tipo de an´alise pode se dar devido `as seguintes situac¸˜oes:

• No planejamento a longo prazo, por exemplo, verificar o quanto determinados parˆametros podem variar sem alterar a soluc¸˜ao ´otima encontrada;

• Novos requisitos, visando a melhor formulac¸˜ao do PPL, podem implicar em acr´escimo de uma nova restric¸˜ao e/ou vari´avel, assim como alterac¸˜ao em parˆametros.

S˜ao apresentadas as alternativas de an´alise de p´os-otimizac¸˜ao dispon´ıveis em Lins e Calˆoba (2006):

Alterando o lado direito das restric¸˜oes(RHS)

Modificando-se o vetor b, equivalente ao lado direito das restric¸˜oes, o vetor final de prec¸os ficar´a alterado, visto que b∗= B−1b, no qual B ´e a base ´otima.

(38)

Esta alterac¸˜ao tamb´em modificar´a a func¸˜ao objetivo, na qual ´e Q(x∗) = cTBB−1b. Se aparecer um elemento negativo no vetor b∗, tornar-se-´a essencial fazer uma nova iterac¸˜ao pelo m´etodo dual-simplex para alterar a base.

Deve-se tamb´em substituir o valor de bida restric¸˜ao i que se deseja analisar por uma

inc´ognita k e descobrir o valor de k que iguala a b∗i a zero, o limite para a nova iterac¸˜ao do dual-simplex.

Alterando os Coeficientes da Func¸˜ao Objetivo

Esta an´alise ´e feita em duas fases distintas: o parˆametro alterado pode ser relativo a uma vari´avel que pertenc¸a ou n˜ao `a sequˆencia b´asica ´otima.

Se os coeficientes alterado for de uma vari´avel que n˜ao est´a na base, uma mudanc¸a de base pode decorrer da entrada da pr´opria vari´avel. Para verificar isto, deve-se calcular: cTi − cT

B.B−1.Ai, lembrando que Aicorresponde `a i-´esima coluna da matriz A.

Por outro lado, se a vari´avel que est´a na base for alterada, isto representa uma alterac¸˜ao em cTB. Logo, todos os novos coeficientes da func¸˜ao objetivo dever˜ao ser recalculados: ci−

cTB.B−1Ai, exceto pra as vari´aveis b´asicas.

Alterac¸˜ao em Um elemento Ai j

Um coeficiente equivalente `a contribuic¸˜ao unit´aria de uma vari´avel para o lado es-querdo de uma restric¸˜ao poder´a ser reavaliado, o que acarretar´a em uma modificac¸˜ao do valor de um elemento Ai j. Lembrando que deve-se verificar se o elemento modificado pertence a uma

coluna de vari´avel b´asica ou n˜ao b´asica.

Caso o elemento pertenc¸a a uma coluna de vari´avel n˜ao b´asica, o procedimento ´e an´alogo ao anterior, recalculando-se os valores de cTi . Por´em, se o elemento Ai j modificado

estiver em uma coluna de vari´avel b´asica, ser´a essencial recalcular a inversa da base, logo, todo tableau final estar´a modificado.

Introduc¸˜ao de uma Restric¸˜ao no Problema

Se for necess´aria a introduc¸˜ao de mais uma restric¸˜ao, esta tem que ser acrescentada ao problema no tableau final, introduzindo tamb´em as vari´aveis de folga.

Caso as restric¸˜oes adicionais sejam em forma de desigualdade, elementos de valor 1 ou -1 surgir˜ao automaticamente nas colunas das vari´aveis de folga. Assim, o PPL poder´a ser colocado na forma canˆonica, para isto, basta multiplicar por -1 as linhas novas que possuam elementos -1 na coluna das vari´aveis de folga e fazer operac¸˜oes de maneira que coloque o PPL

(39)

na forma canˆonica. Ent˜ao, o dual-simplex poder´a ser utilizado para resolver o problema. Se as restric¸˜oes adicionais serem em forma de igualdade, o problema n˜ao conter´a mais uma vari´avel de folga e n˜ao estar´a na forma canˆonica. Portanto, aconselha-se a introduc¸˜ao de uma vari´avel artificial de folga e a soluc¸˜ao em duas fases do problema.

Inclus˜ao de uma Nova Vari´avel

Introduzindo uma nova vari´avel no problema, por exemplo um novo processo de ma-nufatura, ou um novo produto a ser fabricado, tem que analisar se o mesmo processo ou pro-duto ser´a utilizado. Para isto, calcula-se o coeficiente no tableau final da nova vari´avel xi:

cTi − cT

BB−1A.i. Se este valor for negativo, ser´a vantajoso colocar um novo produto/processo em

(40)

4 DESCRIC¸ ˜AO DO PROBLEMA

O problema motivador desse trabalho ´e uma aplicac¸˜ao da programac¸˜ao linear na produc¸˜ao de alimentos de um restaurante universit´ario, que visa minimizar o custo da produc¸˜ao de ali-mentos almejando maior lucro e, consequentemente, menor desperd´ıcio. Neste cap´ıtulo ´e apre-sentado o funcionamento do RU, seu espac¸o f´ısico, as tabelas nutricionais usadas na modela-gem matem´atica do problema, o fator de rendimento dos alimentos e uma an´alise do perfil dos usu´arios do restaurante no cˆampus em estudo.

4.1 PROBLEMA DA PRODUC¸ ˜AO DE ALIMENTOS DE UM RESTAURANTE UNIVER-SIT ´ARIO

O restaurante universit´ario da UTFPR cˆampus Corn´elio Proc´opio, local de estudo e coleta de dados deste trabalho, ´e administrado por uma empresa terceirizada pela universidade. Trata-se de um restaurante de auto-servic¸o, com excec¸˜ao `a carne, que pode ser escolhida en-tre bisteca, frango ou uma carne ’do dia’, como opc¸˜ao. Os alimentos adotados como card´apio b´asico no problema abordado neste trabalho s˜ao arroz, feij˜ao, frango e bisteca, pois s˜ao alimen-tos servidos diariamente no almoc¸o e no jantar.

O problema, formulado como um PPL, tem por objetivo minimizar o custo da produc¸˜ao di´aria destes alimentos, de forma que atenda `a demanda di´aria de refeic¸˜oes: em m´edia, 733 usu´arios para o almoc¸o e 607 usu´arios para o jantar, os dados foram coletados no restaurante durante os meses de Abril e Maio de 2014. Para o primeiro semestre de 2015, foi realizada uma nova coleta de dados obtendo em m´edia, 778 usu´arios para o almoc¸o e 654 usu´arios para o jantar nos meses de Marc¸o, Abril, Maio e Junho de 2015. Para fins de comparac¸˜ao, os meses de Abril e Maio de 2015 apresentam uma m´edia de 781 usu´arios para o almoc¸o e 641 usu´arios para jantar. O objetivo ´e comparar os resultados dos dados 2014/2015 e analisar o comportamento da produc¸˜ao de alimentos durante o semestre. Al´em da demanda, deve fornecer a quantidade m´ınima de nutrientes necess´arios aos usu´arios, que cada refeic¸˜ao deve satisfazer.

(41)

4.2 ESPAC¸ O F´ISICO DO RESTAURANTE UNIVERSIT ´ARIO

O restaurante universit´ario ´e localizado no t´erreo da universidade, sendo de f´acil acesso a todos que transitam pela instituic¸˜ao. Disp˜oe de um espac¸o f´ısico de aproximadamente 666, 89m2, com 67 mesas e 268 cadeiras suficientes para acomodar esse n´umero de usu´arios fazendo suas refeic¸˜oes simultaneamente, como pode ser visto na Figura 2.

Figura 2: Restaurante Universit´ario. Fonte: Pr´oprio Autor

A Figura 3 mostra o servic¸o de auto-atendimento, self-service, que tem o custo de 3, 00 reais para alunos e servidores e 5, 00 reais para comunidade.

Figura 3: Servic¸o de Self Service Fonte: Pr´oprio Autor

(42)

O restaurante ´e aberto de segunda a sexta-feira, com hor´ario de funcionamento para o almoc¸o das 11 horas da manh˜a `as 14 horas da tarde e o jantar das 17 horas e 30 minutos da tarde `as 21 horas e 30 minutos da noite. Aos s´abados o restaurante fornece apenas almoc¸o, que possui o mesmo hor´ario de funcionamento de segunda a sexta-feira. O servic¸o do restaurante ´e terceirizado; trabalham cerca de 30 funcion´arios entre cozinheiras, nutricionista, administrador, operados de caixa e faxineiras.

4.3 PERFIL DOS USU ´ARIOS

Ao modelar o problema da produc¸˜ao de alimentos de um restaurante universit´ario, um fator importante a ser considerado ´e a demanda, ou seja, quantas pessoas realizam suas refeic¸˜oes nesse local e qual o perfil desses usu´arios.

Considerando o fato de que se trata de um RU e que todos os alunos matriculados podem fazer suas refeic¸˜oes no restaurante, de acordo com o sistema acadˆemico da UTFPR-CP de Abril e Maio de 2014, tem-se que 80,87% dos usu´arios s˜ao do sexo masculino; os demais, 19,13%, s˜ao do sexo feminino.

Novamente de acordo com o sistema acadˆemico da UTFPR-CP de Marc¸o a Junho de 2015, tem-se que 81,5% dos usu´arios s˜ao do sexo masculino; os demais, 18,5%, s˜ao do sexo feminino.

Desta forma, os dados sobre os nutrientes inseridos no modelo s˜ao baseados em uma pessoa do sexo masculino, na faixa et´aria de 19 a 23 anos, o que constitui a grande maioria dos usu´arios.

4.4 INFORMAC¸ ˜OES NUTRICIONAIS

Os alimentos adotados como card´apio b´asico no problema abordado neste trabalho s˜ao arroz, feij˜ao, frango e bisteca, pois s˜ao alimentos servidos diariamente no almoc¸o e no jantar. Os dados referentes `a quantidade de nutrientes por 100 gramas de alimento cozido foram extra´ıdos da NEPA-UNICAMP (2011).

A Tabela 4 exibe os valores referentes `a energia, prote´ına, carboidrato e ferro. Estes nutrientes s˜ao os selecionados para serem inseridos nas restric¸˜oes dos modelos, pois os alimen-tos servidos diariamente no RU s˜ao ricos em carboidrato (arroz), ferro (feij˜ao), prote´ına (frango e bisteca) e energia (presente em todos os alimentos).

(43)

Tabela 4: Tabela de necessidades nutricionais com unidade de medida 100g Alimento Energia Prote´ına Carboidrato Ferro

Arroz 128 kcal 2,5g 28,1g 0,1mg Feij˜ao 76 kcal 4,8g 13,6g 1,3mg Frango G. 156 kcal 32g 0g 0,3mg Bisteca Su´ına 280 kcal 28,9g 0g 0,9mg

Fonte: [(NEPA-UNICAMP, 2011)]

Os valores da Tabela 4 s˜ao utilizados no c´alculo dos coeficientes das vari´aveis de de-cis˜ao que comp˜oem a formulac¸˜ao das restric¸˜oes do PPL.

4.5 FATOR DE RENDIMENTOS DOS ALIMENTOS

Foi considerado, no custo da produc¸˜ao de alimentos, o chamado fator de rendimento de cada alimento, de acordo com (ORNELLAS, 2007). Este fator de rendimento indica o quanto o alimento ganha ou perde, em peso, durante o seu processamento t´ermico (cozimento). O arroz e o feij˜ao, por exemplo, tem seu peso aumentado ap´os o cozimento, o que n˜ao acontece com as carnes. A Tabela 5 exibe o fator de rendimento dos alimentos considerados neste trabalho.

Tabela 5: Tabela de fator de Rendimento (Perda T´ermica) Alimento Fator de Rendimento

Arroz 2,5

Feij˜ao 3

Frango G. 0,6 Bisteca Su´ına 0,7

Fonte: (ORNELLAS, 2007)

O resultado esperado ´e a quantidade em quilogramas (kg) de arroz, feij˜ao, frango e bisteca que deve ser produzida no almoc¸o e no jantar com um custo m´ınimo, de forma que satisfac¸a a demanda e atenda `as necessidades di´arias de nutrientes.

(44)

5 RESULTADOS

S˜ao apresentadas a seguir quatro situac¸˜oes poss´ıveis que podem ocorrer durante as refeic¸˜oes no RU, modeladas como problemas de programac¸˜ao linear. O modelo 1 representa o almoc¸o com opc¸˜ao de frango grelhado; o modelo 2 representa jantar com a opc¸˜ao de bisteca su´ına; o modelo 3, almoc¸o com a opc¸˜ao de bisteca su´ına e, por fim, o modelo 4, jantar com a opc¸˜ao de frango grelhado.

5.1 MODELOS MATEM ´ATICOS DO PPL

Os modelos matem´aticos possuem como vari´aveis de decis˜ao x1, x2, x3e x4as quais

re-presentam, respectivamente, as quantidades em quilograma a serem produzidas de arroz, feij˜ao, bisteca e frango. Como os usu´arios podem optar por frango ou bisteca, considera-se um dado j´a praticado pelo restaurante: a produc¸˜ao destes alimentos de forma que uma opc¸˜ao exclua a ou-tra. No trabalho de Santos et al. (2014) foi constru´ıdo um modelo ´unico, representando ambas as refeic¸˜oes (almoc¸o e jantar) com as vari´aveis representadas conjuntamente. Por´em, como as vari´aveis s˜ao excludentes, e n˜ao bin´arias, este modelo n˜ao ´e realista e portanto n˜ao apresenta uma soluc¸˜ao significativa.

5.1.1 FORMULAC¸ ˜AO MATEM ´ATICA DO PPL

As formulac¸˜oes matem´aticas dos PPL’s apresentados a seguir foram obtidas da se-guinte maneira: na func¸˜ao objetivo, os coeficientes das vari´aveis de decis˜ao x1, x2, x3 e x4,

os quais representam o prec¸o dos alimentos, foram convertidos de quilograma(kg) para 100g, unidade usada na modelagem do problema. Al´em disso, o fator de rendimento foi aplicado nos coeficientes das vari´aveis de decis˜ao, pois o objetivo ´e minimizar o custo da produc¸˜ao dos ali-mentos j´a preparados. No conjunto de restric¸˜oes, supomos uma porc¸˜ao m´edia, de acordo com o perfil dos usu´arios, de 200g de arroz, 100g de feij˜ao, 100g de frango grelhado ou 100g de bisteca su´ına. Dessa forma, os coeficientes das vari´aveis de decis˜ao nas restric¸˜oes s˜ao obtidos a partir dos valores da Tabela 6, multiplicados pelos valores da porc¸˜ao m´edia considerada. As

Referências

Documentos relacionados