FABIO ANTONIO ARAUJO DE CAMPOS
MÉTODOS MATEMÁTICOS PARA O PROBLEMA DE
ACÚSTICA LINEAR ESTOCÁSTICA
CAMPINAS 2015
Ficha catalográfica
Universidade Estadual de Campinas
Biblioteca do Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica Ana Regina Machado - CRB 8/5467
Campos, Fabio Antonio Araujo de,
C157m CamMétodos matemáticos para o problema de acústica linear estocástica / Fabio Antonio Araujo de Campos. – Campinas, SP : [s.n.], 2015.
CamOrientador: Maria Cristina de Castro Cunha.
CamTese (doutorado) – Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica.
Cam1. Equações diferenciais estocásticas. 2. Galerkin, Métodos de. 3. Cópulas (Estatística matemática). I. Cunha, Maria Cristina de Castro,1945-. II.
Universidade Estadual de Campinas. Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica. III. Título.
Informações para Biblioteca Digital
Título em outro idioma: Mathematical methods to the problem of stochastic linear acoustic Palavras-chave em inglês:
Stochastic differential equations Galerkin methods
Copulas (Mathematical statistics)
Área de concentração: Matemática Aplicada Titulação: Doutor em Matemática Aplicada Banca examinadora:
Maria Cristina de Castro Cunha [Orientador] Lúcio Tunes dos Santos
Eduardo Cardoso de Abreu Fábio Antonio Dorini
Saulo Pomponet Oliveira
Data de defesa: 24-02-2015
Programa de Pós-Graduação: Matemática Aplicada
Abstract
On the present work we study the system of stochastic differential equations ob-tained from the linearization of the propagation model of acoustic waves. More specifically we analyze methods for the solution of the system of differential equations used in the linear acoustics,
∂ ∂tq(x, t) + A ∂ ∂xq(x, t) = 0; x ∈ R, t > 0, q(x, 0) = q0(x), x ∈ R,
where A ∈ R2×2 is a matrix with random data and q
0(x) is a vector of random
functions defining initial conditions. We analyze methods to find the random vector q(x, t), set at x and t. In addition to the traditional Monte Carlo Method we apply the Variable Transformations of Random Method and the Galerkin Stochastic Method. We present results obtained using different probability distributions of problem data. We also compared the methods through the distribution of probabilities and statistical moments of the solution.
Keywords: Stochastic Differential Equations, Stochastic Galerkin, Statistics Copulas.
Resumo
Neste trabalho estudamos o sistema de equa¸c˜oes diferenciais estoc´asticas obtido na lineariza¸c˜ao do modelo de propaga¸c˜ao de ondas ac´usticas. Mais especifica-mente, analisamos m´etodos para solu¸c˜ao do sistema de equa¸c˜oes diferenciais
usado na ac´ustica linear, ∂ ∂tq(x, t) + A ∂ ∂xq(x, t) = 0; x ∈ R, t > 0, q(x, 0) = q0(x), x ∈ R,
onde A ∈ R2×2 ´e uma matriz com dados aleat´orios e q
0(x) ´e um vetor de
fun¸c˜oes aleat´orias que define as condi¸c˜oes iniciais. Analisamos m´etodos para encontrar o vetor aleat´orio q(x, t), fixados x e t. Al´em do tradicional M´etodo de Monte Carlo aplicamos o M´etodo de Transforma¸c˜oes de Vari´aveis Aleat´orias e o M´etodo de Galerkin Estoc´astico. Apresentamos resultados obtidos usando diferentes distribui¸c˜oes de probabilidades dos dados do problema. Tamb´em comparamos os m´etodos atrav´es da distribui¸c˜ao de probabilidades e momentos estat´ısticos da solu¸c˜ao.
Palavras-chave: Equa¸c˜oes Diferenciais Estoc´asticas, Galerkin Estoc´astico, C´opulas Estat´ısticas.
Sum´
ario
Sum´ario viii
Introdu¸c˜ao 1
1 Preliminares 5
1.1 Vari´aveis Aleat´orias . . . 5
1.2 Esperen¸ca e Momentos . . . 7
1.3 Vetores Aleat´orios . . . 8
1.4 Processos Estoc´asticos . . . 9
1.5 Polinˆomios de Caos generalizado . . . 9
1.6 M´etodo de Galerkin Estoc´astico . . . 12
1.7 Simula¸c˜ao de Monte Carlo . . . 14
2 Uma abordagem usando Transformada de Vari´aveis Aleat´orias 17 2.1 Problema de Ac´ustica Linear . . . 17
2.2 Solu¸c˜ao do sistema determin´ıstico . . . 19
2.3 Transforma¸c˜ao de Vari´aveis Aleat´orias . . . 22
2.4 Distribui¸c˜ao acumulada de probabilidades dos autovalores . . . 24
2.5 Solu¸c˜ao do problema transformado . . . 29
2.6 C´opulas . . . 33
2.6.1 Densidade de C´opulas . . . 36
2.6.2 Independˆencia . . . 37
2.6.3 Obtendo o τ de Kendall . . . 38
2.6.4 Parˆametro de dependˆencia . . . 38
2.6.6 C´opulas Arquimedianas Multivariadas . . . 40
2.7 Uma aplica¸c˜ao de c´opulas . . . 42
2.8 Experimentos Matem´aticos . . . 43
3 O m´etodo de Galerkin para resolver a equa¸c˜ao de transporte estoc´astica 57 3.1 Formula¸c˜ao Estoc´astica do Sistema . . . 58
3.2 Aplicando o m´etodo de Galerkin Estoc´astico . . . 58
3.3 Experimento Matem´atico . . . 61
4 O M´etodo de Galerkin aplicado ao problema de Ac´ustica linear 65 4.1 Formula¸c˜ao estoc´astica do sistema . . . 66
4.2 M´etodo de Galerkin Estoc´astico . . . 67
4.2.1 Solu¸c˜ao do sistema determin´ıstico . . . 69
4.3 Experimentos Num´ericos . . . 71
Conclus˜ao 79
Agradecimentos
`
A Deus, por sempre estar em minha vida, guiando-me no caminho certo. `
A minha querida M˜ae, in memorian, que sonhou este sonho comigo.
Ao Professor Aur´elio Ribeiro Leite pelo apoio e orienta¸c˜ao enquanto aluno de doutorado da Unicamp.
`
A professora Maria Cristina de Castro Cunha, que com compreens˜ao, dedica¸c˜ao e boa vontade aceitou orientar-me neste projeto.
`
A minha fam´ılia, amigos e a Renata pela compreens˜ao nas minhas ausˆencias, apoio e est´ımulo.
Aos meus amigos do doutorado da Unicamp e aos grandes amigos que ganhei na rep´ u-blica Rep. Hostel , pelas discuss˜oes e convivˆencia que me ajudaram muito nesta jornada.
Introdu¸
c˜
ao
Atualmente h´a um interesse crescente em estudar m´etodos num´ericos eficientes para resolver equa¸c˜oes diferenciais com dados aleat´orios. Em geral incertezas aparecem nas condi¸c˜oes iniciais, condi¸c˜oes de contorno ou nos coeficientes do problema e podem ser melhor modeladas quando estes dados s˜ao considerados como dados estat´ısticos usando vari´aveis aleat´orias e/ou processos estoc´asticos.
Durante as ´ultimas d´ecadas (principalmente `a partir da segunda guerra mundial) meto-dologias tˆem sido desenvolvidas para solucionar equa¸c˜oes diferenciais com dados aleat´orios. Aliadas `as crescentes possibilidades computacionais, algumas abordagens procuram adap-tar m´etodos utilizados nos tradicionais modelos determin´ısticos como uma forma de resolver problemas estoc´asticos. Em particular, mais recentemente os m´etodos baseados em polinˆ o-mios do caos (PC) tem se destacado. A teoria dos polinˆomios do caos foi desenvolvida inicialmente por R. Ghanem, em [5], inspirada por expans˜oes de polinˆomios do caos de Wiener, que empregou polinˆomios de Hermite como uma base ortonormal para representar processos aleat´orios, ver [18]. Esta aproxima¸c˜ao foi estendida para polinˆomios do caos ge-neralizados (gPC) onde os polinˆomios ortogonais gerais s˜ao adotados para a representa¸c˜ao de processos aleat´orios mais gerais [21]. Posteriormente, os gPC foram utilizados para aproximar solu¸c˜oes estoc´asticas das equa¸c˜oes diferenciais com dados incertos. Umas destas t´ecnicas ´e o m´etodo de Galerkin Estoc´astico. A partir da escolha da base ortogonal gPC, estendemos o m´etodo de Galerkin cl´assico projetando a solu¸c˜ao estoc´astica sobre o espa¸co gerado pelos gPC. O m´etodo de Galerkin Estoc´astico ´e usado para transformar equa¸c˜ao estoc´astica em um sistema de equa¸c˜oes determin´ısticas, ver [20], [19] e [22].
As equa¸c˜oes da ac´ustica linear s˜ao modelos para a propaga¸c˜ao de ondas sonoras. Uma onda ac´ustica ´e um pequeno dist´urbio de press˜ao que se propaga pelo g´as comprimido, cau-sando mudan¸cas infinitesimais na densidade e press˜ao do g´as via pequenas movimenta¸c˜oes
deste, com valores infinitesimais de velocidade u. As equa¸c˜oes matem´aticas que represen-tam o processo f´ısico s˜ao estabelecidas aplicando principios conservativos tradicionais, veja [9], por exemplo.
O modelo determin´ıstico adotado neste trabalho ´e representado pelo sistema de equa-¸c˜oes diferenciais parciais envolvendo a press˜ao, p(x, t), e a velocidade, u(x, t):
qt+ Adqx= 0, t > 0, x ∈ R, q(x, 0) = q0(x), x ∈ R, (1) onde q(x, t) = " p(x, t) u(x, t) # , Ad= " 0 K0 1/ρ0 0 # . (2)
Estas equa¸c˜oes provˆem da forma conservativa associada a uma lei de conserva¸c˜ao, ap´os uma lineariza¸c˜ao da fun¸c˜ao fluxo no contexto da ac´ustica. Para que o problema seja matematicamente bem posto adimite-se conhecida a condi¸c˜ao inicial q0(x) = q(x, 0). Sob
estas hip´oteses o problema ´e bem posto, isto ´e, tˆem uma ´unica solu¸c˜ao e ela depende continuamente dos dados.
Na matriz Ad aparecem ρ0, a densidade do meio, e K0 representa o parˆametro
ado-tado na equa¸c˜ao de estado, a compressibilidade do g´as. A incerteza nos parˆametros da matriz surge na lineariza¸c˜ao das leis de conserva¸c˜ao em um ponto incerto da matriz porosa do problema que d´a origem ao sistema, no C´apitulo 2 justificaremos este pensamento. A consequˆencia de se considerar aleatoriedade nos dados ´e um modelo formado por equa¸c˜oes diferenciais estoc´asticas denominado sistemas estoc´asticos por alguns autores. Neste tra-balho denotaremos o problema estoc´astico atrav´es de suas realiza¸c˜oes, associadas `a vari´avel ω ∈ Ω qt(x, t; ω) + A(ω)qx = 0, t > 0, x ∈ R ω ∈ Ω, q(x, 0; ω) = q0(x; ω), x ∈ R, ω ∈ Ω. (3) onde
q(x, t; ω) = " p(x, t; ω) u(x, t; ω) # e A(ω) = " 0 K0(ω) 1/ρ0(ω) 0 # , (4)
isto ´e, a matriz A(ω) representa os dados do problema com densidade ρ0(ω) e
compres-sibilidade do g´as K0(ω). A condi¸c˜ao inicial do problema ser´a o vetor de fun¸c˜oes aleat´orias,
q0(x; ω) = " p0(x; ω) u0(x; ω) # , (5)
que representa a press˜ao e a velocidade do g´as no instante t = 0. Supomos que as dis-tribui¸c˜oes de probabilidade dos dados s˜ao conhecidas. Trata-se portanto de um sistema acoplado cuja matriz possui vari´aveis aleat´orias como elementos. Para resolver problemas como (3)-(5), alguns pesquisadores utilizam a teoria de matrizes aleat´orias que foi desen-volvida inicialmente em meados de 1950 por Wigner [11]. Nossa proposta ´e tratar este problema atrav´es de outros m´etodos.
No Cap´ıtulo 2, tratamos o problema estoc´astico (3)-(5), usamos o M´etodo de Transfor-ma¸c˜ao de Vari´aveis para desacoplar o sistema e depois utilizamos a ferramenta estat´ıstica chamada C´opula Estat´ıstica para acoplar novamente estas vari´aveis e assim obter a PDF, Probability Density Function; do problema original. Realizamos alguns experimentos nu-m´ericos comparando os resultados do m´etodo descrito neste cap´ıtulo com o m´etodo de Monte Carlo.
No Cap´ıtulo 3, apresentamos o m´etodo de Galerkin estoc´astico aplicado a uma equa¸c˜ao linear de transporte estoc´astica, com condi¸c˜oes inicias representadas por processos estoc´ as-ticos. Apresentamos alguns passos e considera¸c˜oes necess´arias quando tratamos problemas desse tipo usando Galerkin baseado em Polinˆomios do Caos Generalizados (gPC). Rea-lizamos alguns experimentos num´ericos comparando as PDFs do M´etodo de Galerkin com o M´etodo de Monte Carlo.
No Cap´ıtulo 4, usamos novamente o M´etodo de Galerkin estoc´astico, por´em agora para tratar o problema de ac´ustica linear. Utilizamos um m´etodo num´erico de diferen¸cas finitas para resolver o sistema de equa¸c˜oes diferenciais determin´ısticas que surge quando eliminamos as vari´aveis aleat´orias do problema. Realizamos alguns experimentos num´ericos comparando os resultados do m´etodo descrito no cap´ıtulo com o M´etodo de Monte Carlo.
Cap´ıtulo 1
Preliminares
O objetivo deste cap´ıtulo ´e apresentar algumas defini¸c˜oes e resultados que ser˜ao pr´ e-requisitos no nosso trabalho. Este pequeno resumo pode ser encontrado em livros b´asicos como em [14] e [17] por exemplo. A compila¸c˜ao ser´a ´util para compreens˜ao do que ser´a apresentado posteriormente.
1.1
Vari´
aveis Aleat´
orias
Seja Ω um espa¸co abstrato contendo os poss´ıveis resultados experimentais, denotados por ω. Uma vari´avel aleat´oria X ´e uma fun¸c˜ao de valores reais definida em Ω.
Uma cole¸c˜ao de subconjuntos de Ω formam uma σ-´algebra F , se F contˆem cada e-lemento de Ω, o pr´oprio Ω, seu complementar, ∅, al´em de conter as uni˜oes, diferen¸cas e interse¸c˜oes de elemento de F . Os elementos de F s˜ao chamados eventos.
Consideraremos apenas os eventos da forma {ω : X(ω) = c}, {ω : a < X(ω) < b}, {ω : b < X(ω)} e {ω : X(ω) ≤ a}.
O conceito de probabilidade ´e usado para medir a frequˆencia da ocorrˆencia de eventos. Por exemplo, quando jogamos uma moeda, atribu´ımos 0.5 para ambos os eventos cara e coroa, isto ´e, P ({ω : X(ω) = 0}) = P {ω : X(ω) = 1} = 0.5. Para A, B ∈ F , algumas propriedades elementares de probabilidade s˜ao resumidas:
assim se A e B s˜ao disjuntos,
P (A ∪ B) = P (A) + P (B). (1.2)
Tamb´em,
0 ≤ P (A) ≤ 1, P (Ac) = 1 − P (A), P (Ω) = 1 e P (∅) = 0. (1.3) Defini¸c˜ao 1.1. Um espa¸co de probabilidade ´e uma tripla (Ω,F ,P) onde Ω ´e um espa¸co enumer´avel de eventos, F ⊂ 2ω ´e uma σ-´algebra de Ω, e P ´e uma medida de probabilidade
tal que: 1. 0 ≤ P (A) ≤ 1, ∀A ∈ F . 2. P (Ω) = 1. 3. Para A1, A2, · · · ∈ F e Ai∩ Aj = ∅, ∀i 6= j, P (∪∞i=1Ai) = ∞ X i=1 P (Ai). (1.4)
Defini¸c˜ao 1.2. A Fun¸c˜ao Distribui¸c˜ao Acumulada da vari´avel aleat´oria X ´e definida por
FX(x) = P (X ≤ x) = P ({ω : X(ω) ≤ x}), x ∈ R.
A probabilidade de X pertencer a um intervalo (a, b] ´e dada por
P ({ω : a < X(ω) ≤ b}) = FX(b) − FX(a), a < b, (1.5)
e tamb´em
P (X = x) = FX(x) − lim
→0FX(x − ). (1.6)
Defini¸c˜ao 1.3. A Fun¸c˜ao Densidade de X ´e a derivada da fun¸c˜ao distribui¸c˜ao acumulada desta vari´avel:
fX(x) = dFX(x) dx . (1.7) Observe que Fx(x) = Z x −∞ fX(y)dy e Z ∞ −∞ fX(y)dy = 1. (1.8)
1.2
Esperen¸
ca e Momentos
Al´em da fun¸c˜ao distribui¸c˜ao acumulada e da fun¸c˜ao densidade usa-se na caracteriza¸c˜ao de uma vari´avel aleat´oria X seus momentos estat´ısticos. A esperan¸ca ou m´edia de uma vari´avel aleat´oria X com densidade fX ´e
µX = E[X] =
Z ∞
−∞
xfX(x)dx. (1.9)
A variˆancia de X ´e definida por
σ2X = var(X) = Z ∞
−∞
(x − µX)2fX(x)dx. (1.10)
O desvio padr˜ao σX, descreve a dispers˜ao da vari´avel aleat´oria X em torno da m´edia µX.
E podemos mostrar que
σX2 = E[(X − µX)2] = E[X2] − µ2X. (1.11)
O m-´esimo momento de X (m ∈ N) ´e
E[Xm] = Z ∞
−∞
xmfX(x)dx. (1.12)
Estas defini¸c˜oes podem ser estendidas para uma fun¸c˜ao real de vari´aveis aleat´orias. Assim, a esperan¸ca de g(X) ´e
E[g(X)] = Z ∞
−∞
g(X)fX(x)dx. (1.13)
A covariˆancia entre duas vari´aveis aleat´orias X e Y ´e a medida de como duas vari´aveis aleat´orias variam conjuntamente (em um mesmo espa¸co de medida)
cov(X, Y ) = E[(X − µX)(Y − µY)], (1.14)
1.3
Vetores Aleat´
orios
Dizemos que X = (X1, · · · , Xn) ´e um vetor aleat´orio n-dimensional se suas
componen-tes X1, X2, · · · , Xn, s˜ao vari´aveis aleat´orias. Portanto, como uma extens˜ao da defini¸c˜ao
determin´ıstica, um vetor aleat´orio ´e uma n-upla de vari´aveis aleat´orias.
Defini¸c˜ao 1.4. A cole¸c˜ao de probabilidades
FX(x) = P (X1 ≤ x1, · · · , Xn≤ xn), x = (x1, · · · , xn) ∈ Rn, (1.15)
´
e a fun¸c˜ao distribui¸c˜ao acumulada do vetor X. Esta fun¸c˜ao tamb´em ´e chamada de distri-bui¸c˜ao acumulada conjunta das vari´aveis X1, X2, · · · , Xn e podemos escrever
FX(x1, . . . , xn) = Z x1 −∞ · · · Z xn −∞ fX(y1, . . . , yn)dy1· · · dyn, (1.16)
onde a fun¸c˜ao densidade satisfaz
fX(x) ≥ 0, ∀x ∈ Rn, (1.17) e Z ∞ −∞ · · · Z ∞ −∞ fX(y1, . . . , yn)dy1· · · dyn= 1.
Se um vetor X tem densidade fX, ent˜ao todas as suas componentes Xi, os vetores (Xi, Xj),
triplas (Xi, Xj, Xk) e etc, possuem fun¸c˜oes de densidade, chamadas densidades marginais.
Por exemplo fXi(xi) = Z ∞ −∞ · · · Z ∞ −∞
fX(y1, · · · , yn)dy1· · · dyi−1dyi+1· · · dyn. (1.18)
Podemos estender as no¸c˜oes de esperan¸ca, variˆancia e covariˆancia a vetores aleat´orios. A esperan¸ca do vetor X ´e dada por
A matriz covariˆancia de X ´e definida por
CX = (cov(Xi, Xj)ni,j=1), (1.20)
onde
cov(Xi, Xj) = E[(Xi− µXi)(Xj − µXj)] = E[XiXj] − µXiµXj, (1.21)
´
e a covariˆancia de Xi e Xj. Note que cov(Xi, Xi) = σ2Xi.
1.4
Processos Estoc´
asticos
Um processo estoc´astico ´e uma cole¸c˜ao de vari´aveis aleat´orias
(Xt, t ∈ T ) = (Xt(ω) ∈ R, t ∈ T, ω ∈ Ω), (1.22)
definidas em algum espa¸co Ω. Aqui t ´e o ´ındice da vari´avel aleat´oria X. Assim, podemos considerar um processo estoc´astico como uma fun¸c˜ao real das vari´aveis t e ω. Para cada t ∈ T , Xt´e uma vari´avel aleat´oria e para cada ω ∈ Ω, Xt(ω) ´e uma fun¸c˜ao real na vari´avel
t.
Se o conjunto de ´ındices T ´e um intervalo, ent˜ao X ´e um processo cont´ınuo. Se T ´e um conjunto finito ou infinito enumer´avel, ent˜ao X ´e um processo discreto.
Na pr´atica n˜ao trabalhamos com um processo estoc´astico cont´ınuo (Xt, t ∈ T ).
Utiliza-mos o que ´e chamado de redu¸c˜ao de dimens˜ao, uma discretiza¸c˜ao do intervalo de ´ındices. Assim, em geral parametrizamos o processo estoc´astico cont´ınuo (Xt, t ∈ T ) por um
con-junto finito de vari´aveis aleat´orias Z = (Z1, · · · , Zn) mutuamente independentes tal que
R(Z) ≈ Xt, onde R ´e uma transforma¸c˜ao adequada, veja [20] p´agina 44.
1.5
Polinˆ
omios de Caos generalizado
Nesta subse¸c˜ao apresentamos os aspectos gerais dos gPC (Generalized Polynomial Chaos) e a teoria de expans˜ao usando gPC, que ´e an´aloga `a teoria da aproxima¸c˜ao de fun¸c˜oes por polinˆomios ortogonais.
momentos finitos
E|Z|2m = Z
|z|2mdFZ(z) < ∞, m = 0, 1, · · · , n. (1.23)
Definimos uma base de fun¸c˜oes gPC, {Φj(Z)}0≤j≤n, como um conjunto de fun¸c˜oes
polinomiais definidas sobre Z, tais que
E [Φi(Z)Φj(Z)] = γjδij, i, j = 0, 1, · · · , n, (1.24)
onde
γj = EΦ2j(Z) , j = 0, 1, · · · , n, (1.25)
s˜ao constantes de normaliza¸c˜ao e δij ´e o delta de Kronecker.
Quando Z ´e uma vari´avel cont´ınua com PDF, fZ(z), temos que dFZ(z) = fZ(z)dz e
podemos reescrever a condi¸c˜ao de ortogonalidade (1.24) da forma
E [Φi(Z)Φj(Z)] =
Z
Φi(z)Φj(z)fZ(z)dz = γjδij, i, j = 0, 1, · · · , n. (1.26)
Denotamos por L2
dFZ(IZ) = {f : IZ → R| E [f
2] < ∞} o espa¸co de todas as fun¸c˜oes de
vari´aveis aleat´orias de quadrado integr´avel em IZ com norma ||f ||L2
dFZ, onde IZ ´e o suporte
compacto da vari´avel Z. Temos que L2dFZ(IZ) ´e um espa¸co de Hilbert. Neste espa¸co,
tomemos o subespa¸co gerado pela base de fun¸c˜oes gPC,
Pn(Z) = span {Φk(Z), k = 0, 1, . . . , n} , (1.27)
com dim (Pn(Z)) = n + 1. Dado g ∈ L2dFZ, definimos a proje¸c˜ao ortogonal de n-´esimo grau
de g sobre Pn(Z), Png = n X k=0 ˆ gkΦk(Z), onde ˆgk = 1 γkE[g(Z)Φ k(Z)]. (1.28)
A convergˆencia da proje¸c˜ao segue diretamente da teoria cl´assica de aproxima¸c˜ao, i.e.,
lim
n→∞kg − PngkL 2
Podemos estender as defini¸c˜oes acima para um vetor aleat´orio Z = (Z1, . . . , Zd), com
componentes mutuamente independentes e fun¸c˜ao distribui¸c˜ao acumulada FZ(z1, . . . , zd) =
P (Z1 ≤ z1, . . . , Zd≤ zd), conforme foi feito em [20] p´aginas 64-66.
Como exemplo de gPC apresentamos os polinˆomios que usam alguns modelos de distri-bui¸c˜oes de probabilidade. Uma classe importante ´e formada pelos gPC de Hermite defini-dos na vari´avel Gaussiana padr˜ao Z ∼ N (0, 1). Como a PDF de uma vari´avel Gaussiana padr˜ao ´e fZ(z) = 1 √ 2πe −z2/2 , (1.30)
a constru¸c˜ao dos polinˆomios de Hermite, {Hk(Z)}k∈N, obedece a rela¸c˜ao de ortogonalidade
(1.26), veja [20]
E[Hi(Z)Hj(Z)] =
Z ∞
−∞
Hi(z)Hj(z)fZ(z)dz = j!δij. (1.31)
Desta forma, o conjunto {Hk(Z)}k∈N forma uma base de fun¸c˜oes gPC que denomina-se
gPC de Hermite. Pode-se verificar que
H0(Z) = 1, H1(Z) = Z, H2(Z) = Z2− 1, H3(Z) = Z3− 3Z, . . . (1.32)
que podem ser obtidos pela f´ormula de recorrˆencia, semelhante ao caso determin´ıstico,
Hn+1(Z) = ZHn(Z) − nHn−1(Z). (1.33)
Outro exemplo de gPC ´e o conjunto dos polinˆomios de Legendre [20]. Seja Z ∼ U (−1, 1) uma vari´avel aleat´oria uniformemente distribuida no intervalo [−1, 1]. Sua PDF ´e uma constante
fZ(z) = 1/2, |z| < 1.
Os primeiros pplinˆomios de Legendre s˜ao
L0(Z) = 1, L1(Z) = Z, L2(Z) =
3 2Z
2− 1
com a rela¸c˜ao de recorrˆencia Ln+1(Z) = 2n + 1 n + 1 ZLn(Z) − n n + 1Ln−1(Z), n > 0. (1.34)
1.6
M´
etodo de Galerkin Estoc´
astico
Muitos dos m´etodos num´ericos usados nas equa¸c˜oes diferenciais estoc´asticas s˜ao apoia-dos e/ou inspiraapoia-dos nos m´etodos j´a bem conhecidos e desenvolvidos para equa¸c˜oes diferen-ciais determin´ısticas. Neste ´ultimo caso, Diferen¸cas Finitas, tˆem como base a discretiza¸c˜ao de derivadas; no caso de equa¸c˜oes de transporte, a derivada deve ser discretizada tomando a formula¸c˜ao conservativa. As dificuldades das extens˜oes do conceito de derivada ao caso es-toc´astico tˆem sido estudadas mais recentemente por meio de metodologias mais avan¸cadas, como a Teoria da Medida [4] e Integrais de Itˆo [13].
Outros m´etodos determin´ısticos bastante difundidos tˆem como base proje¸c˜oes em espa-¸cos de fun¸c˜oes com dimens˜ao finita, como por exemplo o M´etodo de Galerkin. No caso de espa¸cos gerados por polinˆomios definidos por partes, os m´etodos ficaram conhecidos por Elementos Finitos. Como veremos a seguir, a adapta¸c˜ao determin´ıstica-estoc´astica ´e natu-ral e segue a linha de outra ideia b´asica da Matem´atica, a separa¸c˜ao de vari´aveis, supondo que o modelo diferencial proposto admite tal separa¸c˜ao de vari´aveis. Neste caso, as vari´ a-veis respons´aveis pela estocacidade s˜ao isoladas usando espa¸cos de polinˆomios estoc´asticos. Vamos introduzir a ideia atrav´es de um sistema de equa¸c˜oes diferenciais estoc´asticas. Seja o dom´ınio D ⊂ Rn, n = 1, 2, 3, T > 0 e Z ∈ R tal que F
Z(z) = P (Z ≤ z), um conjunto
de vari´aveis aleat´orias mutuamente independentes caracterizadas por entradas aleat´orias do problema. Considere o sistema
ut = L(u), (x, t; Z) ∈ D × (0, T ] × R, B(u) = 0, (x, t; Z) ∈ ∂D × [0, T ] × R, u = u0, (x, t; Z) ∈ D × {t = 0} × R, (1.35)
inicial. Denotamos a solu¸c˜ao de (1.35) por
u(x, t; Z) : D × [0, T ] × R → R. (1.36)
Seja {Φk(Z)} fun¸c˜oes base gPC satisfazendo
E[Φi(Z)Φj(Z)] = δijγi, (1.37)
e PN(Z) o espa¸co de todos os polinˆomios de grau menor ou igual a N . Seguindo as ideias
das s´eries de Fourier, a proje¸c˜ao gPC de u(x, t; Z) ´e, fixado (x, t),
uN(x, t; Z) = N X i=0 ˆ ui(x, t)Φi(Z), onde uˆi(x, t) = 1 γiE[u(x, t; Z)Φ i(Z)]. (1.38)
Embora essa seja uma aproxima¸c˜ao em PN, ela n˜ao pode ser utilizada na pr´atica pois
requer conhecimento pr´evio da fun¸c˜ao u. O procedimento de Galerkin estoc´astico ´e uma extens˜ao direta do m´etodo de Galerkin para equa¸c˜oes determin´ısticas. Ou seja, buscamos a solu¸c˜ao em PN tal que o res´ıduo de (1.38) ´e ortogonal a PN. A ortogonalidade aqui est´a
associada ao produto interno (1.37).
Utilizando bases ortogonais gPC em (1.35), obtemos o seguinte procedimento: para x e t, buscamos uN ∈ PN na forma de uN(x, t; Z) = N X i=0 ˆ ui(x, t)Φi(Z), (1.39) para todo k ≤ N , E[ut(x, t; Z)Φk(Z)] = E[L(uN)φk(Z)], D × (0, T ], E[B (uN) Φk(Z)] = 0, ∂D × [0, T ], ˆ uk= ˆu0,k, D × {t = 0}, (1.40)
onde ˆu0,k = E[u0Φk]/γk s˜ao os coeficientes da proje¸c˜ao gPC para a condi¸c˜ao inicial. Tendo
em vista a linearidade da expans˜ao (1.39) e a integra¸c˜ao em Z que define a esperan¸ca, temos que no sistema (1.40) a vari´avel Z desaparece, isto ´e, o resultado ´e um sistema de equa¸c˜oes determin´ısticas. Apresentamos os detalhes dos c´alculos que aparecem em (1.40) nos exemplos dos Cap´ıtulos 3 e 4.
1.7
Simula¸
c˜
ao de Monte Carlo
A simula¸c˜ao de Monte Carlo ou Monte Carlo sampling (MCS) ´e um m´etodo de simu-la¸c˜ao estat´ıstica que foi popularizado pelos f´ısicos de Los Alamos National Laboratory nos Estados Unidos em meados de 1940. A ideia b´asica ´e repetir experimentos determin´ısti-cos, resolvˆe-los e a partir destes resultados obter caracter´ısticas estat´ısticas do problema estoc´astico original. No caso em estudo, o procedimento para aplicar o M´etodo de Monte Carlo para (3)-(5) ´e:
1. Gerar dados aleat´orios independentes Z(i) = (ρ(i)0 , K0(i), q0(i)), i = 1, · · · , M , respei-tando a distribui¸c˜oes de probabilidade dos dados aleat´orios. Admite-se que a estru-tura de dependˆencia entre ρ0, K0 e q0 ´e conhecida.
2. Para cada i = 1, · · · , M , resolvemos a equa¸c˜ao principal e obtemos a solu¸c˜ao u(i)(t) = u(t, Z(i)).
3. Estimar a solu¸c˜ao estoc´astica desejada. Por exemplo, a m´edia da solu¸c˜ao pode ser estimada por u(t) = 1 M M X i=1
u(t, Z(i)) ≈ E[u]. (1.41)
Outras estimativas da solu¸c˜ao estoc´astica podem ser estimadas usando o conjunto de solu¸c˜oes u(i) . O passo 2 envolve repetitivas simula¸c˜oes da solu¸c˜ao do problema
deter-min´ıstico associado `as v´arias realiza¸c˜oes dos dados aleat´orios do problema. A estimativa de erro segue do Teorema Central do Limite. Uma vez que, para cada t, u(t, Z(i)) s˜ao vari´aveis aleat´orias independentes e identicamente distribu´ıdas, a fun¸c˜ao distribui¸c˜ao acu-mulada de u(t) converge, no limite de M → ∞, para a distribui¸c˜ao acumulada gaussiana
N (E[u](t), σ2
u(t)/M ), cujo desvio padr˜ao ´e M −1/2σ
u(t), onde σu ´e o desvio padr˜ao da
solu-¸c˜ao exata [20]. Assim o conceito adotado ´e que o erro da raz˜ao de convergˆencia do MCS ´e inversamente proporcional a ra´ız quadrada do n´umero de realiza¸c˜oes.
O MCS pode ser facilmente estendido para sistemas de equa¸c˜oes diferenciais como (1.40) que ´e abordado nesse trabalho. Observe que caso n˜ao seja poss´ıvel obter a solu¸c˜ao anal´ıtica para o problema determin´ıstico, devemos recorrer a m´etodos num´ericos adequados para evitar acumula¸c˜ao de mais erros, uma vez que O(M−1/2) ´e relativamente lento. De uma maneira geral, a cada d´ıgito acrescentado `a precis˜ao da solu¸c˜ao, s˜ao necess´arias 100 simula¸c˜oes o que, aumenta expressivamente o esfor¸co computacional. Para sistemas grandes e complexos onde a solu¸c˜ao de uma ´unica realiza¸c˜ao determin´ıstica consome muito tempo, isso torna-se um desafio num´erico. Por outro lado, uma vantagem do MCS est´a no fato da raz˜ao de convergˆencia, ser independente do n´umero de entradas aleat´orias.
Cap´ıtulo 2
Uma abordagem usando
Transformada de Vari´
aveis Aleat´
orias
2.1
Problema de Ac´
ustica Linear
O modelo da Ac´ustica linear vem da lineariza¸c˜ao do sistema n˜ao linear
qt+ f (q)x = 0, x ∈ R, t > 0, (2.1) onde q = " ρ ρu # e f (q) = " u ρu2+ P (ρ) # , (2.2)
originado de duas leis de conserva¸c˜ao onde ρ ´e a densidade do meio; u a velocidade; p = P (ρ) ´e uma equa¸c˜ao do estado que expressa a press˜ao em termos da densidade e f (q) ´e uma fun¸c˜ao de fluxo em q. Esta lineariza¸c˜ao precisa ser feita em um estado q∗ fixado, considerando
q(x, t) = q∗ + ˜q(x, t), (2.3)
onde ˜q ´e a pertuba¸c˜ao a ser determinada.
Suponha, por exemplo, que estamos estudando um fluido confinado em um meio poroso, como petr´oleo antes da perfura¸c˜ao, e estamos emitindo sinais s´ısmicos querendo medir a pertuba¸c˜ao do meio para estud´a-lo. Considerando a matriz porosa do meio constante ou com altera¸c˜oes desprez´ıveis ao longo do tempo, neste caso ´e dif´ıcil determinar q∗ sem
alguma incerteza, ou seja, podemos considerar q∗ = q∗(ω), com ω pertencente a um espa¸co amostral.
Linearizando a fun¸c˜ao de fluxo temos
f (q(x, t)) ≈ f (q∗) + f0(q∗)(q − q∗) = f (q∗) + f0(q∗)(˜q). (2.4)
Ent˜ao
(f (q(x, t)))x = f0(q∗)˜qx(x, t), (2.5)
logo podemos escrever (2.1) na forma
˜
qt(x, t) + f0(q∗)˜qx(x, t) = 0. (2.6)
Fazendo algumas manipula¸c˜oes adicionais, que podem ser vistas em [9], considerando o meio em estado estacion´ario, u0 = 0 e tomando A = f0(q∗), temos o modelo da Ac´ustica
Linear que ser´a adotado neste trabalho. qt+ Aqx = 0, t > 0, x ∈ R, q = q0, x ∈ R, (2.7) onde q = " p u # , A = " 0 K0 1/ρ0 0 # , (2.8)
e a condi¸c˜ao inicial ´e q0(x) = q(x, 0). Nestas condi¸c˜oes, o problema ´e matematicamente
bem posto, isto ´e, existe uma ´unica solu¸c˜ao e ela depende continuamente dos dados [10].
Na matriz A aparecem ρ0; a densidade do meio, e K0 que representa a
compressibilida-de do g´as. Considerando a incerteza existente na escolha do estado q∗ para a lineariza¸c˜ao, vamos considerar os coeficientes da matriz A como vari´aveis aleat´orias. Neste trabalho assumiremos que `a cada realiza¸c˜ao dos dados aleat´orios associamos o problema
determi-n´ıstico: qt(x, t; ω) + A(ω)qx(x, ; ω) = 0, t > 0, x ∈ R, ω ∈ Ω, q(x, 0; ω) = q0(x; ω), x ∈ R, ω ∈ Ω, (2.9) onde q(x, t; ω) = " p(x, t; ω) u(x, t; ω) # , e A(ω) = " 0 K0(ω) 1/ρ0(ω) 0 # , (2.10)
isto ´e, a matriz A(ω) representa os valores das vari´aveis aleat´orias dos dados; densidade ρ0 e compressibilidade do g´as K0. Vamos supor que as distribui¸c˜oes de probabilidade dos
dados s˜ao conhecidas. A condi¸c˜ao inicial ´e um vetor de processos estoc´asticos
q0(x; ω) = " p0(x; ω) u0(x; ω) # , (2.11)
que representa valores da press˜ao e da velocidade do g´as no instante t = 0. Portanto estudaremos um sistema aleat´orio no qual a matriz A possui vari´aveis aleat´orias como elementos e a condi¸c˜ao inicial ´e um processo estoc´astico.
2.2
Solu¸
c˜
ao do sistema determin´ıstico
Dizemos que um sistema linear da forma qt+Adqx = 0 ´e hiperb´olico se a matriz associada
Ad´e diagonaliz´avel com autovalores reais; e uma matriz ´e diagonaliz´avel se existe uma base
de autovetores associada.
Em geral, resolvem sistemas hiperb´olicos determin´ısticos qt+ Adqx = 0, onde Ad´e uma
matriz n × n, desacoplando as equa¸c˜oes diferenciais atrav´es da diagonaliza¸c˜ao da matriz do sistema, ou seja, fatorando a matriz Ad:
Ad= U DU−1, (2.12)
onde D = diag(λ1, · · · , λn) ´e a matriz diagonal dos autovalores e U = [U1| · · · |Un] ´e a
a vari´avel q para
w = U−1q, (2.13)
o sistema (2.7) ´e escrito na forma
wt+ Dwx = 0. (2.14)
Uma vez que D ´e uma matriz diagonal, o sistema foi desacoplado em n equa¸c˜oes
(wi)t+ λi(wi)x = 0, i = 1, 2, · · · , n. (2.15)
Cada equa¸c˜ao ´e um problema linear de transporte cuja solu¸c˜ao ´e escrita em termos da condi¸c˜ao inicial (m´etodo das caracter´ısticas):
wi(x, t) = w0(x − λit), i = 1, 2, · · · , n. (2.16)
onde w0 = U−1q0 ´e a condi¸c˜ao inicial para (2.14). Voltando `as vari´aveis originais, o vetor
solu¸c˜ao ´e q(x, t) = n X i=1 Uiw0(x − λit) = n X i=1 Uiwi(x, t). (2.17)
Desta forma num sistema hiperb´olico determin´ıstico o problema se resume a achar os autovalores da matriz Ad. Por exemplo, no modelo para ac´ustica linear (2.7), os autovalores
s˜ao λ1 = − s K0 ρ0 e λ2 = s K0 ρ0 . (2.18)
A matriz dos autovalores ´e
D = " λ1 0 0 −λ1 # , (2.19)
e a matriz cujas colunas s˜ao os autovetores do problema ´e U = [U1 U2], com inversa
U−1 = [U−1 U−2]T, isto ´e: U = " −Z0 Z0 1 1 # , U−1 = 1 2Z0 " −1 Z0 1 Z0 # , onde Z0 = ρ0 s K0 ρ0 . (2.20)
Portanto, a solu¸c˜ao do problema ´e dada por (2.17):
q(x, t) = U1U−1T q0(x − λ1t) + U2U−2T q0(x + λ1t). (2.21)
Por outro lado, se queremos levar em conta uma poss´ıvel variabilidade dos parˆametros ρ0 e K0, adotando um modelo estoc´astico, os elementos da matriz A s˜ao vari´aveis aleat´orias
A(ω) = " 0 K0(ω) 1/ρ0(ω) 0 # . (2.22)
Neste caso os autovalores do sistema tamb´em s˜ao vari´aveis aleat´orias, λ1(ω) e λ2(ω).
Cada realiza¸c˜ao do sistema estoc´astico dar´a origem a um sistema determin´ıstico que ser´a hiperb´olico por ser diagonaliz´avel, com autovalores e autovetores dados por (2.18) e (2.20), respectivamente.
O sistema de equa¸c˜oes diferenciais ´e desacoplado usando id´eias apresentadas nesta se-¸c˜ao: (w1)t+ λ1(ω)(w1)x = 0, (w2)t+ λ2(ω)(w2)x = 0.
Em resumo, passamos para um sistema desacoplado de equa¸c˜oes lineares estoc´asticas,
(wi)t+ λi(wi)x = 0 i = 1, 2 (2.23)
posto que os autovalores λ1 e λ2 s˜ao vari´aveis aleat´orias.
Resolver (2.23) significa encontrar as propriedades estat´ısticas das componentes do ve-tor w(x, t) = (w1, w2); de preferˆencia conhecer as PDFs das componentes do vetor w(x, t)
para cada (x, t). Em [16] ´e apresentada uma metodologia para calcular a PDF da solu¸c˜ao de uma equa¸c˜ao de trasporte linear, desde que sejam conhecidas as densidades de probabi-lidades da condi¸c˜ao inicial e da velocidade, λ1 e λ2. O objetivo deste cap´ıtulo ´e generalizar
o procedimento usado em [16]. Na pr´oxima se¸c˜ao usamos o m´etodo de transforma¸c˜ao de vari´aveis para calcular fun¸c˜oes densidade de probabilidades dos autovalores da matriz aleat´oria A.
2.3
Transforma¸
c˜
ao de Vari´
aveis Aleat´
orias
As propriedades estat´ısticas de vari´aveis aleat´orias s˜ao definidas por suas distribui¸c˜oes de probabilidade. Se estamos usando vari´aveis aleat´orias que s˜ao resultados de alguma transforma¸c˜ao de outras vari´aveis aleat´orias cujas distribui¸c˜oes de probabilidade s˜ao co-nhecidas, podemos usar o m´etodo descrito a seguir para calcular as densidades de proba-bilidades das novas vari´aveis.
Suponhamos que X ´e uma vari´avel aleat´oria cont´ınua com densidade de probabilidade fX(x), e que Y = v(X) define uma transforma¸c˜ao injetora entre as vari´aveis X e Y .
Para encontrar a fun¸c˜ao densidade da vari´avel aleat´oria Y a injetividade ´e uma hip´otese essencial deste m´etodo, implicando que cada valor de y est´a relacionado a apenas um valor, x = g(y), onde g(y) ´e obtido atrav´es da resolu¸c˜ao de y = v(x). Sob estas condi¸c˜oes a fun¸c˜ao densidade de probabilidade de Y ser´a
h(y) = fX[g(y)]|J |, (2.24)
onde fX(x) ´e a PDF de X e |J | = |g0(y)| ´e o determinante da matriz Jacobiana da
trans-forma¸c˜ao x = g(y) [17].
A ideia do m´etodo de transforma¸c˜ao de vari´aveis pode ser usada em uma equa¸c˜ao dife-rencial estoc´astica interpretando-a como uma transforma¸c˜ao que leva os dados do problema em um processo estoc´astico que representa a solu¸c˜ao. Por exemplo considere a equa¸c˜ao diferencial aleat´oria
ut(t; ω) = −α(ω)u, u(0) = β. (2.25)
Cada realiza¸c˜ao de (2.25) ´e um problema de valor inicial determin´ıstico cuja solu¸c˜ao ´e bem conhecida:
u(t; ω) = βe−α(ω)t, (2.26)
α = −1 t ln( u β) e o jacobiano da transforma¸c˜ao J = − 1 tu. (2.27)
Por exemplo, se α ∼ N (0, 1), sua PDF ´e
f (x) = √1 2πe
−x22 . (2.28)
Neste caso, por (2.24) a PDF da solu¸c˜ao u, para cada t, ser´a
h(u) = √1 2π 1 tu e−2t21 (ln( u β)) 2 . (2.29)
Como a injetividade ´e condi¸c˜ao necess´aria do m´etodo de transforma¸c˜ao de vari´aveis, problemas podem aparecer quando tentamos encontrar a PDF de Y em transforma¸c˜oes que n˜ao s˜ao injetivas. Uma forma de contornar esta dificuldade ´e descrita em [7], que resumimos a seguir. Por simplicidade usamos um caso simplificado mas as ideias podem ser estendidas.
Seja y = v(x1, x2, x3) uma transforma¸c˜ao n˜ao injetora. A ideia ´e definir uma nova
transforma¸c˜ao que seja injetora tomando
V : R3 → R3, X → Y = V (X), com V (X) = y1 = v(x1, x2, x3), y2 = x2, y3 = x3.
Esta fun¸c˜ao ´e invers´ıvel somente se
|J| = ∂g ∂y1 ∂g ∂y2 ∂g ∂y3 0 1 0 0 0 1 = ∂g ∂y1 6= 0, (2.30)
onde g(y1, y2, y3) = x1. Neste caso a PDF de y1 ´e dada por fy1(y1) = Z D(y3) Z D(y2) |J|fX(g(y1, y2, y3), y2, y3)dy2dy3, (2.31)
onde D(y2) e D(y3) s˜ao os dom´ınios das vari´aveis y2 e y3, respectivamente.
2.4
Distribui¸
c˜
ao acumulada de probabilidades dos
au-tovalores
Voltando `as equa¸c˜oes da ac´ustica, sejam (ρ0, K0) vari´aveis aleat´orias independentes.
Para obter as PDFs dos autovalores da matriz (2.8), considere as express˜oes dos autovalores
λ1(ω) = − s K0(ω) ρ0(ω) e λ2(ω) = s K0(ω) ρ0(ω) . (2.32)
Temporariamente, vamos denotar ρ0(ω) = ρ0 e K0(ω) = K0 para n˜ao carregar a
nota-¸c˜ao. Pode-se obter a PDF dos autovalores da matriz A usando o m´etodo de transforma¸c˜ao de vari´aveis. Considere a transforma¸c˜ao (ρ0, K0) → (λ2, λ):
λ2 = q K0 ρ0 λ = K0 ou seja, ρ0 = λλ2 2 K0 = λ (2.33)
O determinante do jacobiano desta transforma¸c˜ao ´e
|J| = −2λ λ3 2 1 λ2 2 0 1 = −2λ λ3 2 , (2.34)
onde λ funciona como uma vari´avel artificial. A seguir apresentamos dois exemplos deta-lhando casos nos quais s˜ao conhecidas as distribui¸c˜oes de probabilidades de ρ0 e K0.
Exemplo 2.1. Neste exemplo assumimos que ρ0 tem distribui¸c˜ao exponencial e K0
´
e dada pelo produto das PDFs de ρ0 e K0, respectivamente, isto ´e:
f (ρ0, K0) = exp(−ρ0), se (ρ0, K0) ∈ (0, ∞) × [0, 1],
0, caso contr´ario. Usando (2.33), podemos expressar f nas vari´aveis λ2 e λ:
f (λ2, λ) = 2|λ| |λ3 2| exp−λ λ2 2 , se (λ2, λ) ∈ (0, ∞) × [0, 1],
0, caso contr´ario.
Para obter a PDF de λ2 usamos (2.31), integramos na vari´avel λ:
fλ2(λ2) = 2 |λ3 2| Z 1 0 |λ| exp −λ λ2 2 dλ, λ2 > 0. (2.35)
A PDF do autovalor negativo λ1 em (2.32) pode ser obtida por transforma¸c˜ao semelhante,
por´em neste caso a transforma¸c˜ao ser´a dada por λ1 = − q K0 ρ0 λ = K0 =⇒ ρ0 = λλ2 1 K0 = λ, (2.36)
com λ1 < 0. Assim, a PDF do segundo autovalor ´e uma fun¸c˜ao sim´etrica a do autovalor
positivo com rela¸c˜ao ao eixo das ordenadas. Nas Figuras 2.1 e 2.2 comparamos a PDF obtida por (2.35) para os autovalores positivos e negativos com a PDF obtida pelo m´etodo de Monte Carlo.
Exemplo 2.2. Neste exemplo vamos supor que as vari´aveis ρ0 e K0 s˜ao independentes e
possuem distribui¸c˜ao de probabilidade uniforme U (1, 2). Ent˜ao a PDF conjunta ser´a
f (ρ0, K0) = 1, se (ρ0, K0) ∈ [1, 2] × [1, 2],
(a) (b)
Figura 2.1: Na Figura (a) plotamos a PDF obtida por Monte Carlo do autovalor positivo com 50000, e na Figura (b) a PDF foi obtida pelo M´etodo de Transforma¸c˜ao de vari´avel. Ambas as figuras s˜ao referentes ao Exemplo 2.1.
(a) (b)
Figura 2.2: Na Figura (a) plotamos a PDF obtida por Monte Carlo do autovalor negativo com 50000, e na Figura (b) a PDF foi obtida pelo M´etodo de Transforma¸c˜ao de vari´avel. Ambas as figuras s˜ao referentes ao Exemplo 2.1.
A PDF do autovalor negativo λ1 em (2.32) pode ser obtida pela seguinte transforma¸c˜ao
λ1 = − q K0 ρ0 λ = K0 =⇒ ρ0 = λλ2 1 K0 = λ, (2.37)
e usando o m´etodo de Transforma¸c˜ao de vari´aveis temos f (λ1, λ) = 2|λ| |λ3 1| , se (λ1, λ) ∈ [− √ 2, −1/√2] × [1, 2],
0, caso contr´ario.
A PDF do autovalor negativo λ1, ser´a obtida pela integra¸c˜ao em λ o que resulta em
fλ1(λ1) = 2 |λ3 1| Z 2 λ2 1 |λ|dλ, se −√2 ≤ λ1 ≤ −1, 2 |λ3 1| Z 2λ21 1 |λ|dλ, se − 1 ≤ λ1 ≤ −√12,
0, caso contr´ario.
(2.38)
Utilizando (2.33), escrevemos f nas vari´aveis λ2 e λ e depois integramos na vari´avel λ
fλ2(λ2) = 2 |λ3 1| Z 2 λ2 1 |λ|dλ, se 1 ≤ λ1 ≤ √ 2, 2 |λ3 1| Z 2λ21 1 |λ|dλ, se √1 2 ≤ λ1 ≤ 1,
0, caso contr´ario.
(2.39)
Nas Figuras 2.3 e 2.4, comparamos a PDF obtida por (2.38) e (2.39) com a PDF obtida pelo m´etodo de Monte Carlo.
Exemplo 2.3. Neste exemplo assumimos que ρ0 ∼ N (5, 1) e K0 ∼ N (5, 1). Como as
vari´aveis aleat´orias (ρ0, K0) s˜ao independentes sua PDF conjunta ´e dada pelo produto das
PDFs de ρ0 e K0, respectivamente, isto ´e f (ρ0, K0) = 1 2πexp −(k − 5) 2 2 − (ρ − 5)2 2 . (2.40)
(a) (b)
Figura 2.3: Na Figura (a) plotamos a PDF obtida por Monte Carlo do autovalor positivo com 50000, e na Figura (b) a PDF foi obtida pelo M´etodo de Transforma¸c˜ao de vari´avel. Ambas as figuras s˜ao referentes ao Exemplo 2.2.
(a) (b)
Figura 2.4: Na Figura (a) plotamos a PDF obtida por Monte Carlo do autovalor negativo com 50000, e na Figura (b) a PDF foi obtida pelo M´etodo de Transforma¸c˜ao de vari´avel. Ambas as figuras s˜ao referentes ao Exemplo 2.2.
Usando (2.33), podemos expressar f nas vari´aveis λ2 e λ:
f (λ2, λ) = |λ| π|λ3 2| exp −(λ − 5) 2 2 − λ − 5λ2 2 √ 2λ2 2 2! . (2.41)
Para obter a PDF de λ2 usa-se (2.31); integrando na vari´avel λ: fλ2(λ2) = 1 π|λ3 2| Z ∞ −∞ |λ| exp −(λ − 5) 2 2 − λ − 5λ2 2 √ 2λ2 2 2! dλ. (2.42)
A PDF do autovalor negativo λ1 em (2.32) pode ser obtida por transforma¸c˜ao semelhante,
por´em neste caso a transforma¸c˜ao ser´a dada por λ1 = − q K0 ρ0 λ = K0 =⇒ ρ0 = λλ2 1 K0 = λ, (2.43)
com λ1 < 0. Assim, a PDF do segundo autovalor ´e uma fun¸c˜ao sim´etrica `a do autovalor
positivo com rela¸c˜ao ao eixo das ordenadas. Nas Figuras 2.5 e 2.6, comparamos a PDF obtida por (2.42) para os autovalores positivos e negativos com a PDF obtida pelo m´etodo de Monte Carlo.
(a) (b)
Figura 2.5: Na Figura (a) plotamos a PDF obtida por Monte Carlo do autovalor positivo com 50000, e na Figura (b) a PDF foi obtida pelo M´etodo de Transforma¸c˜ao de vari´avel. Ambas as figuras s˜ao referentes ao Exemplo 2.3.
2.5
Solu¸
c˜
ao do problema transformado
(a) (b)
Figura 2.6: Na Figura (a) plotamos a PDF obtida por Monte Carlo do autovalor positivo com 50000, e na Figura (b) a PDF foi obtida pelo M´etodo de Transforma¸c˜ao de vari´avel. Ambas as figuras s˜ao referentes ao Exemplo 2.3.
ut+ K0px = 0, pt+ (1/ρ0)ux = 0, (2.44)
foi desacoplado usando
U AU−1 = " −λ1 0 0 λ1 # , (2.45) onde U = " −Z0 Z0 1 1 # , U−1 = 1 2Z0 " −1 Z0 1 Z0 # , (2.46)
λ1 =pK0/ρ0 e Z0 = ρ0λ1. Assim, na vari´avel w = U−1q, temos
(w1)t− λ1(w1)x = 0, (w2)t+ λ1(w2)x = 0. (2.47)
de (2.47) por U−1: w1(x, t; ω) = 2Z10(−p(x, t; ω) + Z0u(x, t; ω)), w2(x, t; ω) = 2Z10(p(x, t; ω) + Z0u(x, t; ω)). (2.48)
Por outro lado, olhando o sistema (2.47) como aleat´orio, isto ´e, a velocidade λ1representada
por uma vari´avel aleat´oria com PDF conhecida, podemos usar a teoria apresentada em [16], segundo `a qual a PDF da solu¸c˜ao do problema aleat´orio (2.47) ´e dada por
fW1(x, t; w) = Z 0 −∞ fλ1(λ1)fW01(w, x − λ1t)dλ1 para λ1 < 0, (2.49) fW2(x, t; w) = Z +∞ 0 fλ1(λ1)fW02(w, x − λ1t)dλ1 para λ1 > 0, (2.50)
onde fW01 e fW02 s˜ao as PDFs das condi¸c˜oes iniciais w01(x; ω) e w02(x; ω) associadas ao
sistema aleat´orio (2.47) e fλ1(λ) ´e a PDF dos autovalores. Com rela¸c˜ao aos dados iniciais,
de (2.48), temos: w01(x; ω) = 1 2Z0 (−p0(x; ω) + Z0u0(x; ω)) , (2.51) w02(x; ω) = 1 2Z0 (p0(x; ω) + Z0u0(x; ω)) , (2.52) onde Z0 = ρ0 q K0
ρ0. Reescrevendo (2.51) e (2.52) nas vari´aveis ρ0 e K0 obtemos
w01(x; ω) = √ ρ0 2ρ0 √ K0 −p0(x; ω) + ρ0 s K0 ρ0 u0(x; ω) ! (2.53) w02(x; ω) = √ ρ0 2ρ0 √ K0 p0(x; ω) + ρ0 s K0 ρ0 u0(x; ω) ! . (2.54)
fun¸c˜ao das vari´aveis aleat´orias (p0, u0, ρ0, K0). Vamos novamente usar transforma¸c˜ao de
vari´aveis para obter as fun¸c˜oes densidade de probabilidade de w01(x; ω) e w02(x; ω). Para
a primeira componente (2.53) temos:
y1 = √ ρ0 2ρ0 √ K0 −p0(x; ω) + ρ0 q K0 ρ0u0(x; ω) y2 = u0 y3 = ρ0 y4 = K0, =⇒ p0 = − 2y3 √ y4 √ y3 y1+ y2y3 qy 4 y3 u0 = y2 ρ0 = y3 K0 = y4, (2.55) cujo jacobiano ´e J = (2y3
√ y4)/
√
y3. Sendo uma transforma¸c˜ao de vari´aveis aleat´orias, por
(2.24): fW01(x; y1) = Z +∞ 0 Z +∞ 0 Z +∞ −∞ √ 2y3 y3 √ y4 fp0u0ρ0K0(ˆy, y2, y3, y4; x) dy2dy3dy4, (2.56) onde ˆ y = −2y3 √ y4 √ y3 y1+ y2y3 r y4 y3 .
Analogamente, para a segunda componente, considere a transforma¸c˜ao
v1 = √ ρ0 2ρ0 √ K0 p0(x; ω) + ρ0 q K0 ρ0u0(x; ω) v2 = p0 v3 = ρ0 v4 = K0, =⇒ u0 = 2v1 − v2 √ v3 v3 √ v4 p0 = v2 ρ0 = v3 K0 = v4, (2.57)
cujo jacobiano ´e J = 2. Ent˜ao, ainda por (2.24)
fW02(x; v1) = Z +∞ 0 Z +∞ 0 Z +∞ 0 2fp0u0ρ0K0 2v1− v2 √ v3 v3 √ v4 , v2, v3, v4; x dv2dv3dv4. (2.58)
As integrais em (2.56) e (2.58) foram calculadas atrav´es de v´arias somas de Riemann uma dentro da outra, ou seja, foram escolhidas malhas refinadas de pontos nos respectivos dom´ınios de integra¸c˜ao e desta forma calculamos uma integral por vez e de dentro para
fora do integrando. Observamos que a densidade conjunta ´e o produto das densidades fp0,
fu0, fρ0 e fK0 uma vez que estamos admitindo independˆencia destas vari´aveis. Um exemplo
com c´alculo efetivo destas integrais ´e apresentado no final deste cap´ıtulo.
Terminamos esta se¸c˜ao recapitulando o procedimento proposto. Para estender o m´ e-todo de diagonaliza¸c˜ao utilizado em sistemas hiperb´olicos de equa¸c˜oes diferenciais usamos a express˜ao da solu¸c˜ao determin´ıstica (2.21) para desacoplar o sistema (2.9) em duas equa-¸c˜oes de transporte escalar nas vari´aveis w1 e w2, respectivamente, e usamos o m´etodo de
transforma¸c˜ao de vari´aveis para obter (W01, W02). Assim foi poss´ıvel usar a express˜ao da
PDF da solu¸c˜ao para o caso escalar [16] para encontrar as densidades de probabilidades de W1 e W2, (2.56) e (2.58), respectivamente.
O passo final deste procedimento ´e voltar `as vari´aveis originais do problema, press˜ao e velocidade. Temos uma nova transforma¸c˜ao de vari´aveis aleat´orias (w1, w2, ρ0, K0) −→
(p, u, ρ0, K0). Aqui n˜ao podemos admitir independˆencia das vari´aveis e portanto ´e necess´
a-rio estimar a correla¸c˜ao entre as vari´aveis. Neste passo foi conveniente utilizar C´opulas. Na Se¸c˜ao 2.6 apresentamos um resumo da teoria destes estimadores que tˆem sido desenvolvida a partir dos anos 1980.
2.6
C´
opulas
A hist´oria das c´opulas est´a ligada ao desenvolvimento da teoria dos espa¸cos m´etricos probabil´ısticos. A necessidade de se obter um an´alogo probabil´ıstico `a desigualdade tri-angular deu origem `a teoria de c´opulas. O principal resultado dessa teoria ´e o teorema de Sklar [12], que deu origem ao trabalho ”Probabilistic Metric Space”publicado por B. Schweizer e A. Sklar em 1983. Depois disso, as c´opulas ficaram um pouco esquecidas at´e serem redescobertas na d´ecada de 90 com ampla utiliza¸c˜ao em diversas aplica¸c˜oes.
De certa forma, c´opulas s˜ao fun¸c˜oes que relacionam distribui¸c˜oes acumulativas multi-variadas e suas fun¸c˜oes de distribui¸c˜ao acumuladas marginais. Ou ainda, podemos dizer que c´opulas s˜ao fun¸c˜oes de distribui¸c˜ao acumulativas multivariadas cujas marginais s˜ao uniformes em [0, 1].
Considere duas vari´aveis aleat´orias com fun¸c˜ao distribui¸c˜ao acumulada conjunta dada por FX,Y(x, y) e fun¸c˜oes distribui¸c˜ao acumuladas marginais dadas por FX(x) e FY(y).
FX,Y(x, y) que est˜ao em [0, 1]. A correspondˆencia que a cada par de valores das fun¸c˜oes
marginais associamos o valor da distribui¸c˜ao acumulada conjunta ´e o que chamamos de c´opula. Mais formalmente:
Defini¸c˜ao 2.1. Uma fun¸c˜ao C : [0, 1]n → [0, 1] ´e dita ser uma c´opula n-dimensional se: 1. C(x1, · · · , xn) = 0 sempre que xi = 0 para algum i ∈ {1, 2, · · · , n}.
2. C(x1, · · · , xn) = xi sempre que xj = 1, para todo j 6= i.
3. C(x1, · · · , xn) ´e n-crescente, ou seja, para quaisquer (y1, y2, · · · , yn) ∈ [0, 1]n,
(z1, z2, · · · , zn) ∈ [0, 1]n com yi ≤ zi temos 2 X i1=1 · · · 2 X in=1 (−1)i1+···+inC(x 1i1, x2i2, · · · , xnin) ≥ 0, (2.59) com xj1 = yj e xj2 = zj, j = 1, · · · , n.
Por exemplo, no caso bivariado, a fun¸c˜ao C : [0, 1]2 → [0, 1] ´e uma c´opula se:
1. C(x, 0) = C(0, y) = 0. 2. C(x, 1) = x, C(1, y) = y.
3. Considere os pares (x1, y1) e (x2, y2) em [0, 1]2, se x1 ≤ x2 e y1 ≤ y2, ent˜ao C(x1, y1) +
C(x2, y2) − C(x2, y1) − C(x1, y2) ≥ 0.
Existem v´arios tipos de c´opulas ou fam´ılia de c´opulas na literatura especializada. Por exemplo as c´opulas bivariadas W (x, y) = max(0, x+y−1) e M (x, y) = min(x, y) s˜ao limites superiores e inferiores respectivamente de todas as outras c´opulas bivariadas poss´ıveis, como podemos ver em [12] p´agina 11. Estes limites s˜ao chamados limites de Fr´echet-Hoeffdin.
O teorema de Sklar ´e o resultado chave na teoria de c´opulas e ´e respons´avel pela maioria das suas aplica¸c˜oes na estat´ıstica. Ele descreve o papel das c´opulas na rela¸c˜ao entre fun¸c˜oes distribui¸c˜ao acumuladas conjuntas e fun¸c˜oes distribui¸c˜ao acumuladas marginais univariadas.
Teorema 2.4. (Sklar). Sejam X e Y duas vari´aveis alet´orias com fun¸c˜ao acumuladas FX
e FY, respectivamente, e distribui¸c˜ao acumuladas conjunta H. Ent˜ao, existe uma c´opula
C tal que,
H(x, y) = C(FX(x), FY(y)), (2.60)
para todo x, y ∈ R.
Se FX e FY s˜ao cont´ınuas, ent˜ao C ´e ´unica; caso contr´ario, C ´e unicamente
determi-nada em Im(FX) × Im(FY). Reciprocamente, se C ´e uma c´opula e FX e FY s˜ao fun¸c˜oes de
distribui¸c˜ao acumuladas, ent˜ao a fun¸c˜ao H, definida em (2.60), ´e um fun¸c˜ao distribui¸c˜ao acumulada conjunta com fun¸c˜oes marginais FX e FY. Veja [12].
O teorema de Sklar nos fornece uma maneira de expressar uma fun¸c˜ao de distribui-¸c˜ao acumulada conjunta em termos de sua c´opula e das fun¸c˜oes distribui¸c˜ao acumuladas marginais. Note que dadas duas fun¸c˜oes de distribui¸c˜ao acumuladas marginais, variando as c´opulas na equa¸c˜ao (2.60) podemos obter uma infinidade de fun¸c˜oes de distribui¸c˜ao acumuladas conjuntas cujas marginais s˜ao FX e FY. V´arios tipos de c´opulas s˜ao usadas na
literatura, como por exemplo, podemos encontrar as c´opulas listadas a seguir em [12]: • C´opula Normal. C(u, v) = Z φ−1(u) −∞ Z φ−1(v) −∞ 1 2π√1 − θ2exp 2θsω − s2− ω2 2(1 − θ2) dsdω, onde φ(x) = 1 2+ 1 √ π Z x/√2 0 e−t2dt, ´e a fun¸c˜ao distribui¸c˜ao acumulada da vari´avel normal padr˜ao. • C´opula t C(u, v) = Z t−1(u) −∞ Z t−1(v) −∞ 1 2π√1 − θ2 1 + s 2 + 2θst + t2 V (1 − θ2) V +22 dsdt,
onde t(x) ´e a fun¸c˜ao distribui¸c˜ao acumulada t-Student padronizada e V ´e o n´umero de graus de liberdade da distribui¸c˜ao t-Student.
– Ali-Mikhail-Haq C(u, v) = uv 1 − θ(1 − u)(1 − v). – Clayton C(u, v) = u−θ+ v−θ−1/θ. – Frank C(u, v) = −1 θ ln 1 + (e −θu− 1)(e−θv− 1) (e−θ− 1) . – Gumbel C(u, v) = exp −(− ln u)θ+ (− ln v)θ . – Produto C(u, v) = uv. – Joe C(u, v) = 1 −(1 − u)θ+ (1 − v)θ− (1 − u)θ(1 − v)θ1/θ .
O parˆametro θ, chamado parˆametro de dependˆencia da c´opula ser´a discutido na Se¸c˜ao 2.6.4.
2.6.1
Densidade de C´
opulas
Seja FX,Y a fun¸c˜ao distribui¸c˜ao acumulada conjunta das vari´aveis aleat´orias (X, Y ) e
FX, FY suas respectivas distribui¸c˜oes acumuladas marginais. Pelo teorema de Sklar temos
que existe uma c´opula C tal que
FX,Y(x, y) = C(FX(x), FY(y)). (2.61)
Derivando (2.61) podemos encontrar a fun¸c˜ao densidade de probabilidade
fX,Y(x, y) =
∂2F
X,Y(x, y)
∂x∂y = c(FX(x), FY(y))fX(x)fY(y), (2.62) onde a fun¸c˜ao densidade da c´opula ´e dada por
c(u, v) = ∂
2C(u, v)
Na express˜ao (2.63), c(., .) est´a definida para o vetor aleat´orio (U, V ) com distribui¸c˜ao acumulada uniforme em [0, 1].
2.6.2
Independˆ
encia
Uma medida de dependˆencia pode ser vista como um parˆametro associado a um par de vari´aveis aleat´orias que codifica em seu valor a intensidade de dependˆencia estat´ıstica entre estas vari´aveis. Para simular um conjunto de observa¸c˜oes bivariadas atrav´es de c´opulas ´e necess´ario fornecer al´em das distribui¸c˜oes marginais univariadas o parˆametro θ da c´opula Cθ. Como este parˆametro n˜ao tem uma interpreta¸c˜ao pr´atica clara, pode ser
uma alternativa, obtˆe-lo atrav´es do coeficiente de correla¸c˜ao τ de Kendall.
Defini¸c˜ao 2.2. Sejam (X1, Y1) e (X2, Y2) vetores independentes e identicamentes
distri-bu´ıdos com distribui¸c˜ao conjunta F. Ent˜ao o τ de Kendall ´e dado por
τ = P [(X1− X2)(Y1− Y2) > 0] − P [(X1 − X2)(Y1− Y2) < 0], (2.64)
ou seja, a probabilidade dos pares concordantes, menos a probabilidade dos pares discor-dantes.
Este valor est´a no intervalo [−1, 1], sendo negativo quando os dados s˜ao correlacionados negativamente ou positivo quando os dados s˜ao correlacionados positivamente. Quanto mais pr´oximo de 1 ou −1 estiver τ mais forte ser´a a correla¸c˜ao entre as vari´aveis [12].
Com base na defini¸c˜ao acima ´e poss´ıvel escrever o τ de Kendall em termos da c´opula associada ao vetor (X, Y ) τ (X, Y ) = Z 1 0 Z 1 0 C(x, y)dC(x, y) − 1, (2.65) onde dC(u, v) = ∂ 2C(u, v)
∂u∂v dudv = c(u, v)dudv, (2.66)
´
e a densidade da c´opula definida em vari´aveis com distribui¸c˜ao acumulada uniforme em [0, 1], como pode ser visto em [12].
2.6.3
Obtendo o τ de Kendall
Na inten¸c˜ao de obter uma c´opula C que descreva adequadamente a dependˆencia entre duas vari´aveis aleat´orias X e Y , utilizaremos um m´etodo n˜ao-param´etrico baseado no τ de Kendall [12].
Sejam (xi, yi) e (xj, yj) duas observa¸c˜oes do vetor (X, Y ) de vari´aveis aleat´orias
cont´ı-nuas. Dizemos que (xi, yi) e (xj, yj) s˜ao concordantes se (xi−xj)(yi−yj) > 0 e discordantes
se (xi− xj)(yi− yj) < 0.
Considerando a amostra {(x1, y1), · · · , (xn, yn)} de n observa¸c˜oes teremos n(n − 1)/2
pares distintos (xi, yi) e (xj, yj), que podem ser concordantes ou discordantes. Ent˜ao
defi-nimos a seguinte aproxima¸c˜ao para o τ de Kendall [12],
τn= nc− nd n 2 !, onde n 2 ! = n! 2!(n − 2)!, (2.67)
representa o n´umero de pares distintos (xi, yi) e (xj, yj), nc ´e o n´umero de pares
concor-dantes e nd ´e o n´umero de pares discordantes.
2.6.4
Parˆ
ametro de dependˆ
encia
A parametriza¸c˜ao do processo de constru¸c˜ao de uma c´opula leva ao parˆametro θ, cha-mado parˆametro de dependˆencia da c´opula. Por esta raz˜ao, em geral, vemos na literatura a nota¸c˜ao Cθ. Este parˆametro tamb´em est´a relacionado com o grau de dependˆencia das
vari´aveis aleat´orias que a c´opula tenta modelar, al´em de transformar cada c´opula em uma fam´ılia de c´opulas pois este parˆametro pode ser tomado em um intervalo da reta.
Quanto melhor for a escolha deste parˆametro θ melhor ser´a a aproxima¸c˜ao da fun¸c˜ao distribui¸c˜ao acumulada conjunta entre duas vari´aveis aleat´orias. Na tentativa de estimar este parˆametro, uma boa ferramenta ´e dada pela seguinte express˜ao
τ = 4 Z Z
I2
Cθ(u, v)dCθ(u, v) − 1, (2.68)
simu-la¸c˜oes num´ericas, com a equa¸c˜ao (2.68) podemos obter uma estimativa para o parˆametro θ.
Exemplo 2.5. A fam´ılia de Farlie-Gumbel-Morgenstern possui a express˜ao
Cθ(u, v) = uv + θuv(1 − u)(1 − v), (2.69)
para θ ∈ [−1, 1]. Como
dCθ(u, v) =
∂2C θ(u, v)
∂u∂v dudv = [1 + θ(1 − 2u)(1 − 2v)] dudv, (2.70) calculando a integral temos
Z Z I2 Cθ(u, v)dCθ(u, v) = 1 4 + θ 18, (2.71) e usando (2.68) temos τ = 2θ 9 . Consequentemente τ ∈ [−2/9, 2/9].
2.6.5
C´
opulas Arquimedianas
As c´opulas arquimedianas s˜ao ´uteis na teoria de c´opulas por possuirem, na sua maioria, uma express˜ao anal´ıtica para suas fun¸c˜oes. Para dar uma breve introdu¸c˜ao ao assunto precisamos definir alguns conceitos.
Seja I = [0, 1] e ϕ : I → R+ uma fun¸c˜ao cont´ınua e decrescente tal que ϕ(1) = 0 e
ϕ(0) = lim t→0+ϕ(t). A pseudo-inversa de ϕ ´e a fun¸c˜ao ϕ[−1](t) = ϕ−1(t), se 0 ≤ t ≤ ϕ(0), 0, se ϕ(0) ≤ t. (2.72)
Note que ϕ[−1](t) ´e cont´ınua, n˜ao decrescente em R
u em I e ϕ ϕ[−1](t) = t, se 0 ≤ t ≤ ϕ(0), ϕ(0), se ϕ(0) ≤ t, = min {t, ϕ(0)} . Al´em disso, se lim
t→0+ϕ(t) = ∞, ent˜ao ϕ
[−1](t) = ϕ(t).
Teorema 2.6. Seja C : I2 → I definida por
C(u, v) = ϕ[−1](ϕ(u) + ϕ(v)), (2.73)
para alguma fun¸c˜ao ϕ como definida acima. Ent˜ao, C ´e uma c´opula se, e somente se, ϕ ´e convexa.
A c´opula (2.73) ´e chamada arquimediana com gerador ϕ.
Exemplo 2.7. Seja ϕ(t) = − ln(t), para t ∈ [0, 1]. Como ϕ(0) = ∞, ϕ ´e estritamente decrescente. Assim ϕ[−1](t) = ϕ−1(t) = e−t, ent˜ao usando (2.73), temos
C(u, v) = exp (− [(− ln u) + (− ln v)]) , = uv.
Exemplo 2.8. Tomando ϕ(t) = ln ([1 − θ(1 − t)]/t) como fun¸c˜ao geradora, para θ ∈ [−1, 1] obtemos a c´opula de Ali-Mikhail-Haq
C(u, v) = uv
1 − θ(1 − u)(1 − v). (2.74)
2.6.6
C´
opulas Arquimedianas Multivariadas
Em geral as generaliza¸c˜oes de c´opulas bivariadas para n-variadas devem ser feitas com cuidado pois nem todas as propriedades podem ser estendidas. No caso de c´opulas multi-variadas arquimedianas uma generaliza¸c˜ao intuitiva seria
na qual a fun¸c˜ao Cn funciona como uma s´erie iterada de c´opulas arquimedianas bivariadas
geradas por ϕ, isto ´e, considerando C2(u
1, u2) = C(u1, u2) = ϕ[−1](ϕ(u1) + ϕ(u2)), ent˜ao
para n ≥ 3 temos
Cn(u1, u2, · · · , un) = C(Cn−1(u1, · · · , un−1), un). (2.76)
Este tipo de procedimento para se obter novas c´opulas nem sempre ´e v´alido, por´em ´e v´alido para as c´opulas arquimedianas [12].
Um dos m´etodos para obter c´opulas multivariadas ´e chamado, M´etodo de constru¸c˜ao por pares de c´opulas. Esta forma de se obter c´opulas multidimensionais foi primeiramente proposta por Joe em [6] e mais tarde discutida em detalhes por Bedford e Cook em [2] e [3]. O esquema ´e baseado na decomposi¸c˜ao da densidade da c´opula multivariada em uma sequˆencia de densidades de c´opulas bivariadas.
Para um problema d-dimensional, onde temos uma c´opula com d vari´aveis, o pair copula construction ou PCC permite a livre especifica¸c˜ao de d(d − 1)/2 c´opulas. As c´opulas bivariadas podem ser de qualquer fam´ılia e v´arias fam´ılias podem ser misturadas em um PCC. Dois tipos de PCCs tem sido proposto na literatura, um deles ´e o canˆonico, chamado de vines, e o outro ´e o D-vines [8]. Neste trabalho utilizaremos a representa¸c˜ao D-vines, cuja fun¸c˜ao densidade ´e dada por
f (x1, · · · , xd) = d Y k=1 fk(xk) d−1 Y j=1 d−j Y i=1
c(F (xi|xi+1, · · · , xi+j−1), F (xi+j|xi+1, · · · , xi+j−1))
(2.77)
onde c(., .) ´e a densidade de uma c´opula bivariada, fk as densidades marginais e as fun¸c˜oes
distribui¸c˜ao acumuladas condicionais s˜ao calculadas segundo Joe(1996), como podemos ver em [6] e [1].
Exemplo 2.9. Para o caso 4-dimensional temos f1234(x1, x2, x3, x4) = f1(x1).f2(x2).f3(x3).f4(x4) .c12(F1(x1), F2(x2)).c23(F2(x2), F3(x3)).c34(F3(x3), F4(x4)) .c13|2(F1|2(x1|x2), F3|2(x3|x2)).c24|3(F2|3(x2|x3), F4|3(x4|x3)) .c14|23(F1|23(x1|x2, x3), F4|23(x4|x2, x3)). (2.78) As distribui¸c˜oes condicionais s˜ao especificadas abaixo, onde (u1, u2, u3, u4) s˜ao vari´aveis
aleat´orias com distribui¸c˜ao acumulada uniforme em [0, 1], veja [1].
F1|2(u1|u2) = ∂C12(u1, u2) ∂u2 , F3|2(u3|u2) = ∂C23(u2, u3) ∂u2 , F2|3(u2|u3) = ∂C23(u2, u3) ∂u3 , F4|3(u4|u3) = ∂C34(u3, u4) ∂u3 , F1|23(u1|u2, u3) = ∂C13|2(F (u1|u2), F (u3|u2)) ∂F (u3|u2) , F4|23(u4|u2, u3) = ∂C24|3(F (u4|u3), F (u2|u3)) ∂F (u2|u3) . (2.79)
2.7
Uma aplica¸
c˜
ao de c´
opulas
Nesta se¸c˜ao continuamos no objeto deste cap´ıtulo, o sistema estoc´astico que modela nosso problema de ac´ustica linear quando consideramos variabilidade dos dados. Como vi-mos na Se¸c˜ao 2.5, para voltarmos `as vari´aveis originais (p, u) a partir da solu¸c˜ao do sistema desacoplado devemos realizar a mudan¸ca de vari´aveis (w1, w2, ρ0, K0) −→ (p, u, ρ0, K0).
En-t˜ao precisamos da fun¸c˜ao de densidade conjunta das vari´aveis (w1, w2, ρ0, K0). Usaremos
a teoria de c´opulas para encontrar uma c´opula que captura a rela¸c˜ao de dependˆencia das vari´aveis (w1, w2, ρ0, K0). Vamos denotar a fun¸c˜ao densidade de probabilidade associada a
esta c´opula por fC
p = ρ0 √ K0 √ ρ0 (−w1+ w2) u = w1+ w2 ρ0 = ρ0 K0 = K0 =⇒ w1 = √ ρ0 2ρ0 √ K0 −p + ρ0 √ K0 √ ρ0 u w2 = √ ρ0 2ρ0 √ K0 p + ρ0 √ K0 √ ρ0 u ρ0 = ρ0 K0 = K0, (2.80) cuja jacobiana ´e J = √ ρ0 2ρ0 √ K0
. Usando a mudan¸ca de vari´avel (2.24) e as equa¸c˜oes (2.80), a PDF conjunta das vari´aveis aleat´orias (p, u, ρ0, K0) ´e
fpuρC 0k0(p, u, ρ, K0) = √ ρ0 2ρ0 √ K0 fwC 1w2ρ0K0 √ρ 0 2ρ0 √ K0 −p + ρ0 √ K0 √ ρ0 u , √ ρ0 2ρ0 √ K0 p +ρ0 √ K0 √ ρ0 u , ρ0, K0 . (2.81)
Assim, as fun¸c˜oes densidade de probabilidade das solu¸c˜oes s˜ao obtidas pelas integrais:
fpC(p) = Z I1 Z I2 Z I3 fpuρC 0k0(p, u, ρ, K0)dudρ0dK0, (2.82) fuC(u) = Z I1 Z I2 Z I4 fpuρC 0k0(p, u, ρ, K0)dpdρ0dK0, (2.83)
onde I1 = D(K0), I2 = D(ρ0), I3 = D(u) e I4 = D(p) s˜ao os dom´ınios de integra¸c˜ao das
vari´aveis K0, ρ0, u e p respectivamente.
2.8
Experimentos Matem´
aticos
Nesta se¸c˜ao apresentamos experimentos num´ericos da teoria exposta neste cap´ıtulo aplicadas ao problema (2.1). Em resumo, partindo das distribui¸c˜oes de probabilidade dos dados do problema, ρ0, K0, p0 e u0, para calcular as distribui¸c˜oes de probabilidade de
p(x, t) e u(x, t), fixados (x, t), o procedimento consiste em:
(i) Desacoplar o sistema de equa¸c˜oes diferenciais parciais original e obter solu¸c˜ao do sis-tema desacoplado. Calcular as distribui¸c˜oes de probabilidade destas solu¸c˜oes desa-copladas usando (2.49) e (2.50).
(ii) Usar c´opulas para estabelecer fun¸c˜oes densidade conjuntas da solu¸c˜ao desacoplada e dos dados ρ0 e K0. Calcular as densidades de probabilidades das vari´aveis originais
de (2.7).
(iii) Calcular as densidades de probabilidades da press˜ao, p(x, t), e da velocidade, u(x, t), usando (2.82) e (2.83), respectivamente.
Nos Exemplos 2.10, 2.11 e 2.12 confrontamos os resultados obtidos em (i)-(iii) com simula¸c˜oes via Monte Carlo. Nos nossos exemplos usaremos alguns modelos usuais de PDF dos dados; as escolhas n˜ao foram baseadas em experimentos pr´aticos por falta de informa¸c˜ao a este respeito.
Al´em das PDFs das componentes do vetor solu¸c˜ao, podemos calcular os momentos destas componentes. Utilizando (2.82), para (x, t) fixados, podemos calcular as m´edias
µP(x, t) = Z +∞ 0 pfP(p)dp (2.84) e µU(x, t) = Z +∞ −∞ ufU(u)du. (2.85)
Da mesma forma podemos calcular as variˆancias
σ2P(x, t) = Z +∞ 0 (p − µP(x, t))2fP(p)dp (2.86) e σU2(x, t) = Z +∞ −∞ (u − µU(x, t))2fU(u)du. (2.87)
Os exemplos se referem ao problema: pt(x, t; ω) + K0ux(x, t; ω) = 0, t > 0, x ∈ R, ω ∈ Ω, ut(x, t; ω) +ρ10px(x, t; ω) = 0, t > 0, x ∈ R, ω ∈ Ω, p(x, 0; ω) = p0(x; ω), x ∈ R, ω ∈ Ω, u(x, 0; ω) = u0(x; ω), x ∈ R, ω ∈ Ω. (2.88)
Os resultados comparativos do passo (i) com simula¸c˜oes via Monte Carlo s˜ao apresen-tados em figuras, para cada exemplo. Estes resulapresen-tados se referem ao ponto (x, t) = (2, 0.2). Para voltar `as vari´aveis originais, a fam´ılia de c´opulas usada para simular a PDF con-junta das vari´aveis (w1, w2, ρ0, K0) foi a fam´ılia de Farlie-Gumbel-Morgenstern descrita nos
exemplos da Se¸c˜ao 2.6.3. Simulando o τ de Kendall com 10000 realiza¸c˜oes e usando
θ = 9τ
2 , (2.89)
podemos obter os valores de θ. Para cada par de vari´aveis aleat´orias, geramos amostras aleat´orias deste par com a inten¸c˜ao de calcular o τ de Kendall por (2.67) e usando (2.89) podemos calcular uma aproxima¸c˜ao para θ que representa o grau de dependˆencia do par de vari´aveis aleat´orias.
Os exemplos esbo¸cam as PDFs das componentes da solu¸c˜ao do problema via a metodo-logia envolvendo c´opulas e por Monte Carlo. Todos os c´alculos e esbo¸co de gr´aficos foram feitos no MATLAB.
Exemplo 2.10. Considere o problema (2.9) e condi¸c˜ao inicial dada pelos seguintes pro-cessos estoc´asticos
q0(x; Y, Z) = " p0(x; Y ) u0(x; Z) # = " xY xZ # . (2.90)
Neste exemplo consideramos as seguintes PDFs das componentes da condi¸c˜ao inicial para x 6= 0 fixado fp0(x; y) = 2 xexp(−2y/x), (2.91) e fu0(x; z) = 1 x√2πexp − z 2 2x2 . (2.92)
As PDFs (2.91) e (2.92) foram obtidas usando o m´etodo de transforma¸c˜ao de vari´aveis aplicadas `as componentes da condi¸c˜ao inicial. Para os parˆametros ρ0 e K0 tˆem-se