MIGRAÇÃO RURAL-RURAL NO NORDESTE DO BRASIL
Autor: ANA MARIA CAVALCANTI Orientador: PETER JAMES EATON
Te~e apresentada para obtenção do grau de Mestre em Eeonomia ao Curso de Mestrado em Econo mia - CAEN da Universidade Fe deral do Ceará.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ
CURSO DE MESTRADO EM ECONOMIA - CAEN FORTALEZA
Este trabalho não teria sido realizado sem o auxílio de todos aqueles que durante toda esta jornada conviveram comigo.
Meus agradecimentos especiais ao meu orientador, Peter James Eaton do qual recebi o necessário encorajamento e va
liosas colaborações na execução dessa tarefa e que pacientemente guiou meus passos até o fim. A David Denslow, Ricardo Régis e Fra~ cisco Soares pelas sugestões, discussões e críticas. A Francisco Fausto de Paula Medeiros pela grande colaboração na revisão do tex to. Ao casal Lício, Manoel Mariano da Silva e Elenir MeIo Cabral pelo apoio necessário ao término desse trabalho.
Segue também, meus agradecimentos a Clóvis, Cabral~ Elizabeth, Paiva, Aluízio~ Zélia, Rogério e tantos outros que va
lem como os mencionados que entre"estudos e brincadeiras tornaram mais suave esta tarefa.
SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO
INTRODUÇÃO •.•.• CAPÍTULO I
Fluxos Migratórios no Nordeste CAPíTULO 11 Revisão da Bibliografia CAPITULO 111 Metodologia CAPíTULO
IV
Resultados Empíricos CAPITULO V Conclusões . BIBLIOGRAFIA .••..•.•••...•••..•.
...
•
.• .. ...
.. .. .•....
.
...
...
...
.
...
....
.
.
.
...
.
..
.
.
.
..
.
...
.
..
.
...
.
.
.
..
.
...
.
...
.
...
.
.
....
.
.
.
...
.
...
.
.
.
..
.
...
.
...
.
.
.
..
.
.
.
..
.
...
.
..
.
..
.
...
.
.
.
.
.
...
...
.
...
...
.. ...
.. .. .. .. .• .. .. .....
.
.•
.
..
.•
.. ...
.
.•.
pâg. 5 6 14 25 30 41 60 63pág.
INTRODUÇÃO
1. Evolução da conaentraçao de terras no Nordeste- 1950/70 2. Salário mensal da mão-de-obra não qualificada na agri
cultura - 1966/68 .
CAPITULO
I
8
12
Fluxos Migratórios no Nordeste
1.1 - Migração inter-regiona1 e entre Estados Nordestinos,
por tempo de residência na região •••••••••••••••••• 15 1.2 - Proporção de migrantes interestaduais com
retorno regional e retorno para o lugar de
estágio, nascimen
to ••.•• ~ • • • • • • • • . ••• • • • • • • • . • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • 17 1.3 - Migração líquida: Nordeste do Brasil até 1970 ••••••
19
1.4 - Migração interestadual - percentagem - 1970 •••••••• 21 1.5 - Migração inter e intra-regiona1 para os Estados nordestinos até 1970 ...•...•..•.. 22 1.6 - Migração inter e intra-regiona1 para os municípios
de fronteira ate 1970 24
CAPITULO
111 Metodologia111.1 - Distância máxima supostamente percorrida pelo mi
grante rural-rural... 32
Cú.pITULO
IVResultados Empíricos
IV.1 - Resultado da regressão estimada para o estudo de Qi
- 42
graçao rural-rural _ .
IV.2 - Resultado da regressão estimada para o estudo de roi
gração rural-rural . 43
IV.3 - Resultados da regressão estimada para o estudo demi graçac rural-rural - desagregada por Estado •••.••• IV.4 - Número de área dos estabelecimentos com 10 ou menos
51
APRESENTAÇÃO
O .deslocamento populacional tem merecido grande ate~ ~ao por parte dos estudiosos. O fenômeno migratório está na orige~ dos povos. E~ antes de ser um fenômeno econômico ou social, tem re lação com a alma nômade dos primitivos aglomerados humanos.
Nos te~pos primitivos o deslocamento populacional ti nha como apice a falta de alimentação. Nos últimos tempos, a estes deslocamentos foi adicionada uma nova preocupação: a falta de opo~ tunidades. Deste modo, a criação de novas oportunidades em determi nadas áreas estimula a imigração, enquanto que, as áreas mais des favorecidas expulsa sua população. A interação destes dois fatores integra o processo migratório.
O objetivo central deste trabalho é o estudo das cau sas da migração rural-rural a curta distância, embora sem interes se de confronta-Io com a formação econômica do Nordeste. A area de pesquisa deste estudo se restringe aos municípios fronteiriços dos Estados nordestinos.
Utilizamos~ para avaliar estas forças, variáveis es truturais e neoclassicas. por considerar o grande suporte metodoló gico destes e o melhor poder explicativo das primeiras. Entretan to~ devido a complexidade do processo migratório rural-rural~ mui tas vezes lançamos mão de um instrumento sociológico e antropológi co para explicações de determinados fatos que, as variáveis defini das no modelo. por sí só. não teriam condições de explicar.
~ um trabalho de certo modo pioneiro no Nordeste.Tem, como tudo que se propõe a ser uma iniciativa, sobretudo quando se trata de tirar conclusões sobre o material pesquisado. Mas» signi fica, também passo inicial, o esforço necessario para compreensão de um fenômeno humano relevante para a formação sócio-econômica do Nordeste brasileiro.
INTRODUÇÃO
O Nordeste brasileiro é caracterizado como uma area problema devido às suas características climáticas (semi-árido) e normalmente é atingido pela escassez de chuvas. As secas tê~ cons
tituido-se para o nordestino não mais um fenômeno atípico~ pois a conte cem com constante frequência em período de tempo não determi nado» com maior ou menor intensidade. A maior parte dos territó rios dos seus Estados esta incluída no chamado "p o lLgon o das se c as!", Este IInão se circunscreve apenas ao Sertão; alguns Estados nordestinos como o Cearâ~ a Paraíba e o Rio Grande do Norte~ estão quase inteiramente no p01ígono (94,87.~ 97,6% e 92,0%, respectiv~ mente), enquanto em Pernambuco esta percentagem cai para 88,77. p~
ra diminuir sensivelmente em A1agoas (43,7%), Sergipe (47,1%) e Bahia (5.6~6r.).u (2, p , 40).
Grande parte da população do Nordeste vive em areas rurais (58%) e sobrevive de atividades agrícolas, pecuária e extra
. 1 t1va .
Inicialmente. temos que salientar os grandes desni veis econômicos entre a população ruraIs uma vez que são resultan tes do sistema fundiario. onde, ao lado de uma grande massa de tra ba1hadores rurais assalariados2, existe um pequeno grupo de gra~ des e médios proprietários com elevado padrão de vida. Entre uns e outros há uma ponderavel percentagem de pequenos proprietários que, conforme a localização e qualidade da terra que possuem, ora têm um padrão de vida razoavel~ ora trabalham como as
lIsto considerando a definição de população urbana do Censo Demo gráfico de 1970
t
·
...
a recenseada nas Cidades e Vilas (quadros ur banos e suburbanos);:. Mas segundo dados do mesmo Censo, 62% da p~ pulação nordestinaé
absorvida pelo setor primario, istoé,
sobr~ vive de atividades primárias.2Assalar1a. dos, no sent1. do de todo 1nd1v1.• 4'duo que rece be uma re une ração mediante um serviço prestado, independente do vínculo e re gatício. Provavelmente no meio rural a grande massa de trabalh do res rurais assalariados não tenha vínculo empregatício.
7
salariados e têm padrão de vida semelhante aos trabalhadores sem terra.
A estrutura fundiiria tem apresentado nos Gltimos dez anos uma distribuição mais concentrada de terras (Tabela 1). Po demos observar que nos últimos 20 anos a distribuição relativa da area dos estabelecimentos com mais de 10 e menos de 1.000 hectares teve uma redução, enquanto se constata um crescente florescimento da irea das propriedades com mais de 1.000 hectares.
O número de estabelecimento vem se proliferando nas propriedades com menos de 10 hectaresp a tal ponto ~ue em 1950 o estabelecimento medio tinha 4p7 ha., e em 1970 era 2,7 ha.p decre~ cendo 43%. Entretanto, o estabelecimento medio para as proprieda des com mais de 1.000 ha. p cresceu 57% neste mesmo períOdo. Deste modop a evolução da estrutura fundiiria, tende a tornar-se mais concentradora, agravando o problema de distribuição de posse de suas terras.
8
TABELA
1
EVOLUÇÃO
DA CONCENTRAÇÃO
DE TERRAS
NO NORDESTE
- 1950/70
G
-
r-U-p
-
o
-
d
-
e-Á
-
r-e-a-(-h-a
-
)
7
"
--
-
-=
=1=9=S=0==
=
'==--c,,.----=1=9=6=0
__
=
=-~_-
====1=
=
=
=
=
-
_
~=9=7-~
_
________________
~Á_r_e
__
a
E_s_t_a_b_.~
I
_Á_r_e_a
E_s_t_a_b
__
.~1
Á
__
r_e_a
E_s
_
ta_b
_
_
.
_
M
enos
tle
10
1.644
De
10
até
100
10.031
De
100
até
1.000
23.647
M
ais
de
1.000
23.019
M
enos
de
10
2~8
D
e
10
até
100
17~2
De
100
até
1.000
40
,
S
N
ais
de
1.000
39~SAbsolutos
(em 1.000)
350
2.746
873
4.070
1.500
300
13.744
421
17.881
561
87
27.544
105
32.099
126
8
18.835
8
39.082
9Relativos
47,0
4
~
4
62~0
4,4
68,3
40~3
21
~
9
29,919~2
25,6
11
,
7
43
,
8
7,5
34~5
5,7
1
,
1
30,0
0
,
5
42
,
0
0
,
4
9
Esta concentraçao de terras é uma decorrência da pr~ ~ria formação histórico-estrutural da região nordestina. Por outro adop a grande lavoura (lavoura comercial) tem se beneficiado das ?olíticas oficiaisp tais como: facilidades creditícias, garantias de preços mínimos e assistência de estações experimentais,enquanto quep as pequenas lavouras, sofrem restrições com respeito ao crédi
to e comercialização, tendo os seus problemas agravados pela eleva da margem de manobra dos intermediários. Por conseguinte, temos co mo consequência o"florescimento da grande propriedade e o estanca mento e/ou até mesmo a decadência da pequena propriedade.
A concentração fundiaria tornou-se, por volta de 1960p uma grande preocupação dos órgãos governamentais. A fim de a menizar este problema (em 1961) a SUDENE, no seu primeiro Plano Di retor (1961/63), atacou o problema agrário Com uma política dupla: a) promovendo a migração dos excedentes demográficos da Região pa ra áreas sub-povoadas (o sul da Bahia e o noroeste do Maranhão); b) reestruturando a agro-indústria açucare ira através de uma eleva ção da produtividade agrícola e industrial, introduzindo modernos métodos de produção, reequipamento de usinas e liberação de terras,
as quais seriam utilizadas como pagamento de empréstimos oficiais e posteriormente teriam a finalidade de abrigar a mão-de-obra exce dente.
Em fins de 1964, com a promulgação do Estatuto da Terra e a criação do IBRA (Instituto Brasileiro de Reforma Agrari~. surgiram perspectivas de reformulação agrária para a região. Ulti mamentep com ~ criação do PROTERRA (Programa de Redistribuição e Estímulo da Agro-Indústria do Norte e Nordeste), iniciou-se a desê propriação dos excedentes das grandes propriedades para insta1a~ pequenos e médios proprietários. De acordo com este programa, os latifundiários que possuem mais de 1.000 hectares deveriam organi zar projetos, cedendo parte de suas terras ao poder público para serem distribuídas entre agricultores, os quais encontrariam
f
i
an ciementos e assitência técnica governamental. Portanto, era esper~ do que, com a adoção do PROTERRA? fosse "amenizado" o pro le deterras sem uso das grandes propriedades e que, de qualquer maneir~ ~ouvesse uma redistribuiçio de terras. Entretanto, a curto prazo
este problema não surtiu o efeito que se esperava sobre a redistri
buí çao de terras (19, p. 190).
.CMI!-BIBL.OTt!CAl
A percentagem de terras usadas em lavouras no Norde~ te, em torno de 13,5 (ressaltando-se o baixo nível tecnológico ne~ te setor) e considerado razoável, cotejando que para o Brasil esta
percentagem foi estabelecida entre 20 e 25% (38, p. 106). Em 1960,
14% das terras agrícolas nordestinas foram utilizadas para lavou ras, 34,4% para pastagens, 24,4% em matas e 27,2% incultas e impr~ dutivas. Comparando com o Brasil, neste ano, 11,5% de suas terras foram utilizadas para lavouras, 49,0% para pastagens, 23,2% em ma tas e 16,2% incultas e improdutivas (38, p. 105). Entretanto, en tre 1960/70, apesar da area dos estabelecimentos Nordestinos ter tido um acrescimo de 48%, a estrutura da utilização das terras não
teve modificações significantes (13,1% para a lavoura, 36,1% para
pastagens, 22,1% em matas e 17,2% incultas e improdutivas (31). Es ta pequena oscilação na área destinada a lavoura entre 1960/70 po
derá, em parte, ser atribuída a terras colocadas em "descanso" e
que, durante algum tempo, são consideradas não produtivas.
!
normal em algumas localidades do Nordeste plantar-se uma area por
mais de um ano e depois deixá-Ia em descanso vários anos, a fim de
que a mesma recupere a fertilidade antes do próximo plantio.
!
importante destacar que estas terras não são improdutivas. Alem dis 50, o fato das terras nordestinas não serem plenamente utilizadas, deparamo-nos com a baixa produtividade agrícola que pode ser con sequência do excedente de população nestas áreas.
A estrutura do produto regional e basicamente depe~
dente da agricultura e do setor terciário. Em 1967, estes dois se tores respondiam por 89% da renda regional. ~ relevante observar que neste mesmo ano o setor terciário absorvia 27% da mão-de-obr~ empregada e gerava 50% do produto interno líquido, enquanto a agri
cultura mostrando-se como um setor de baixa produtividade, empreg~
11
gional. Essa característica estrutural torna mais complexo o qu~
dro conjuntural, quando salientamos que são as matérias primas a
grícolas que alimentam as mais importantes indústrias tradicionais
da região, e que as variações no regime de chuvas e sua distribui
ção anual provocam grandes flutuações no produto e no emprego agr!
cola (19, p .15).
8CME-SIBLIOTI!CA
A renda per-capita do setor agrícola no Nordeste en tre 1960/68 (Cr$ 678,00 e Cr$ 840,00 a preço de 1968) cresceu
ã
ta xa de 2,8% a.a. enquanto que no Brasil (Cr$ 1.235,00 e Cr$ 1.355,00 a preço de 1968) cresceuã
taxa de 1,2% a.a., ocorrendo uma maioraproximação do Nordeste na renda per-capita agrícola do Brasil(38,
p. 163). Todavia~ devemos ressaltar que renda per-capita não é uma
media de distribuição de renda entre a população, pois as diferen ças no crescimento demográfico e a transferência da população des ta região podem ter contribuído para este aumento do nível da ren
da per-capita.
o
salário mensal, na região Nordeste, da mão-de-obra não qualificada empregada na agricultura em 1968, foi em média deCr$ 61,60, sendo este o menor salário pago no Brasil. Este salário variou entre Cr$ 53,00 (referente ao Estado da Paraíba)e Cr$ 72~OO
(correspondente ao Estado do Maranhão) (38, p. 160). Podemos obser
var que o salário real da mão-de-obra não qualificada decaiu entre
-1966 e 1968 para quase todos os Estados do Nordeste, com exceçao de Sergipe e Bahia (Tabela 2).O nível de instrução da população rural que sobrevi ve nesta irea, está abaixo do nível de instrução da população do praprio Nordeste. Segundo os dados do Cen.o Demográfico de 1970f 49,3% da população nordestina foi alfabetizada, enquanto que na
área rural apenas 36% da po?ulação sabe ler e escrever.
~ neste contexto sacio-econômico,
°
qual descrevemos sucintamente, que este trabalho se propõe a estudar as causas dos deslocamentos rurais-rurais desta população.O presente trabalho foi dividido O primeiro deverá descrever, de maneira geral,
em cinco capítulos.
TABELA 2
SALÁRIO MENSAL DA MÃO-DE-OBRA NÃO QUALIFICADA NA AGRICULTURA - 1966/68 (A PREÇO DE 1968)
S\Sl
...
I0T
t!C.
ec
Me
...
----Segundo Semestre 1966 1967 1968 93,27 68,44 72,00 60,62 53,60 56,00 69,95 62,90 60,00 59,89 48,42 53,00 62,18 66,93 58,00 62,12 58,97 54,00 62,18 64,96 70,00 63,18 69,52 70,00 82,39 76,39 101,00 94,56 86,33 118,00 94,56 97,45 101,00 101,27 100,01 125,00 103,93 142,00 82,39 93,22 85,00 70,60 83,04 85,00 E S T A DOS Maranhão Ceará Rio Grande do Norte Paraiba Pernambuco A1agoas Sergipe Bahia Espírito Santo Rio de Janeiro paranâ Santa Catarina Rio Grande do Sul Hato Grosso GoiásFONTE: Patrick, George F. - Desenvolvimento Agrícola te - Relatório de Pesquisa n9 11 - IPEA (pag. Def1acionado pelo índice de preço da Fundação Vargas.
do Nordes 160)
13
~10 no Nordeste e a importância da escolha dessa área como univer
a ser pesquisado. O segundo capítulo tratará de um esboço teôri ~o do problema migratório~ sobre o enfoque da teoria do capital h~
-ano e uma visão estruturalista. O terceiro, constará de uma des
rição da metodologia usada e comentários sobre as variáveis. O
uarto e quinto capítulos versarão sobre a análise empíric8 dos da ~os e conclusão geral.
CAPITULO I
OS FLUXOS MIGRAT~RIOS NO NORDESTE
c
e
-BIBLIOTECAs desigualdades existentes entre a Região Nordeste e o resto do País, a têm colocado como região emanadora de mão-de-obra. A criação de órgãos tais como SUDENE (Superintendência do De senvolvimento do Nordeste do Brasil), BNB (Banco do Nordeste do Brasil) e outros~ que atuam como incentivadores do desenvolvimento regional, têm procurado minimizar tais disparidades.
A busca do nordestino por melhores condições de vida e/ou elevação do seu nível de renda, tem induzido a esta população se deslocar a outras regiões mais dinâmicas, que demonstrem maio res oportunidades de emprego.
As direcionais que tomam os nordestinos com respeito as demais regiões do País, revelam as maiores oportunidades reais ou imaginárias de emprego existentes nesta região, as quais despe~ tam seus interesses, ou melhor, estas áreas atuam como centros de atraçao para os mesmos. Podemos observar (Tabela 1.1), atraves de dados censitãrios (os quais nos permitem dividir o fluxo migrat~ rio em determinada época), a importância e a evolução entre 1960/ 70 e antes de 1960 dos migrantes nordestinos, segundo as grandes regiões de destino. Todavia, só consideramos o movimento m~ratõrio interestadual.
No período entre 1960/70 as Regiões Norte, Minas Ge rais- Espírito Santo e Rio de Janeiro, tiveram um decréscimo, em termos relativos. dos migrantes nordestinos com destino a estas re giões. Antes de 1960, a maior corrida de migrantes nordestinos com
destino ao Norte, teve como área de concentração o Estado do Pará, sendo que a maior participação deste deslocamento em termos de Es tado nordestino, foi constituída de cearenses (61%) e maranhenses
(20%). O fluxo com destino a Minas Gerais-Espírito Santo, era for mado basicamente por baianos (69%). O Estado do Rio de Janeiro (i~ clusive o antigo Estado da Guanabara) teve uma distribuição de m1
15
TABELA 1.1
MIGRAÇÃO INTER-REGIONAL E ENTRE ESTADOS NORDESTINOS, POR TEMPO DE RESIDfNCIA NA
REGIÃO
REGIÕES
Tempo de Residência
10 anos e menos 11 anos e mais
71.292 78.633 (0,035)** (0,039) 73.403 79.973 (0,036) (0,040) 326.115 366.194 (0,161) (0,184) 548.868 457.733 (0,271) (0,230) 266.124 146.766 (0,132) (0,074) 78.968 58.835 (0,039) (0,030) 658.919 804.592 (0,326) (0,404) Região Norte
Minas Gerais e Espírito Santo
Rio de Janeiro*
são Paulo
~egião Centro-Oeste
Região Sul
Região Nordeste
?ONTE: Censo Demogrâfico - 1970 - Série Regional - IBGE * Inclui o antigo Estado da Guanabara.
r participação. A distribuição da participação dos respectivos
os nordestinos na migração, continuou a mesma na década de
eCME-BIBL'OTI!!CA
Por outro lado, aparecem como regiões as quais na de de 1960~ os nordestinos tiveram maior participação migratória, Paulo, Centro-Oeste e, com maior intensidade, a Região Sul.Com
::ação ao Centro-Oeste, notou-se uma maior intensidade do fluxo
- - destino a Goias. Alias, uma observação interessante, e que ha
_:s centros de concentração em Goias: um no centro (Brasília) e
_~ro ao Norte do Estado, na região fronteiriça ao Maranhão, Piaui - ~abia (principais emitidores).
Os deslocamentos inter-regionais da população nordes
- a, nem sempre se dirigem diretamente ao local de destino; às v~
_25 estes são feitos por etapas. A Tabela 1.2 mostra esta propo~
_ de migrantes que fizeram pelo menos um estágio, antes de cheg~
~ê~ ao seu local de destino atual.
Embora os dados não permitam um estudo mais adequado ~ s estagios dos migrantes nordestinos inter-regionais, os mesmos
ê-clarecem se estes estagios migratórios constituem ou não uma ca
=
cterística destes migrantes. As informações censitarias proporci-~am os numeros de migrantes segundo o Estado de nascimento, o Es
=_
'o de ultima residência e o Estado de residência atual, porem ess dados não são suficientes para computaçao destes estágios mi
=-atórios. Por exemplo, supondo-se que alguns dos migrantes que ti
sua ultima residência no Estado de nascimento possam ter ti
estágio migratório antes de emigrarem do seu próprio Estado,
_~.e concluir que os dados censitarios subestimam o número total
Jigrantes com estes estágios. Ressalte-se ainda, que não se p~
fazer nenhuma dedução sobre o numero de estágios, porque os da
=5 censitarios se referem a três possíveis áreas de residência dos 5rantes. Deste modo, devido a não especificação no Censo Demogr~
da quantificação dos estágios que os migrantes possam ter fei
17
TABELA 1.2
PROPORÇÃO DE MIGRANTES INTERESTADUAIS COM ESTÁGIO~ RETORNO REGIONAL E RETORNO POR LUGAR DE NASCIMENTO
CME!-BIBL'O
EC
E S T A DOS
Segundo o Lugar de Nascimento I
Estágio (1)fRetorno (2) giona1Retorno (3)Re
Maranhão Piaui Ceará Rio Grande do Norte Paraíba Pernambuco A1agoas Sergipe Bahia 0,249 0,023 0,045 0,298 Os012 Op015 0,309 0,015 0,023 0,269 0,022 0,032 Op248 0,013 0,015 0,302 0,019 0,031 0,363 0,015 0,023 0,328 0,012 0,019 0,351 0,020 0,039 0,310 0,017 0,028 NORDESTE
FONTE: Censo Demográfico, 1970 - Série Regional - IBGE.
NOTA: (1) Estágio Migratório - Pessoas que fizeram pelo menos um estâgio como percentagem da emigração do Estado.
(2) Retorno - Pessoas que emigraram do seu Estado de ori gem e retornaram para o mesmop como percentagem do to tal de emigrantes do Estado.
(3) Retorno Regional - Pessoas que emigraram do seu Estado de origem e retornaram para a Região Nordeste, como peE centagem de emigrantes da região.
Desde que, segundo o Censo Demografico de 1970, 31% _igrantes interestaduais nordestinos informaram ter tido pelo s um estagio após a saída de sua região de nascimento, pode-se que os estágios migratórios fazem parte do processo de mi
~ ão interestadual do Nordeste.
Com base no Censo Demográfico de 1970, 1,581 milhões igrantes nordestinos tiveram como residência um Estado interme ~ i03 e 0,108 milhões retornaram
ã
região de nascimento. Pode-se -c1uir que~ enquanto as etapas constituem parte do processo miório interestadual nordestin09 o retorno migratório parece in - ificante. Alias devemos salientar que a medida de migração de orno
ê
também imperfeita, visto que, esta não inclui os migra~ _5 que retornaramã
origem no mesmo ano que migraram.O saldo migratório do Nordeste nos mostra o pequeno ~ der de atração que essa região exerce sobre as demais (Tabela _~3).
O número de migrantes que se destina
ã
Região Norde~ :e representa apenas 7,7% de sua emigração total. O saldo migrat~ - o revela que a maior participação da migração líquida acumulada _ é 1970, encontra-se no Estado de são Paulo onde a parcela do re~ - ctivo saldo atingiu 41%, seguido do Rio de Janeiro (28%) e do ~~ :ro Oeste (17%). Dado este baixo poder de atrair as populações detras regiões, o movimento migratório do Nordeste fica restrito ~ deslocamento intra-regiona1. Visto desta forma, o Nordeste atua
o região absorvedora de sua prépria população, pois segundo d~ - 5 censitarios de 1970, este absorve 67% de sua população migra~ -êy sendo que 52% deste deslocamento se restringe ao movimento in ==a-estadual e 15% ao deslocamento interestadual.
!
interessante observar que apenas 32% da população - rdestina que sai do seu Estado de origem permanecem na própria -êgião. Entretanto, se excluirmos os Estados extremos, Maranhão e- amamos Estado intermediario, o Estado de residência anterior do igrante, o qual difere do Estado de residência atual e Estado de ascimento.
TABELA 1.3
MIGRAÇÃO LfQUIDA: NORDESTE DO BRASIL AT! 1970
19
eCME!
_BIBLIOTI!!C-Nativos do jNão Nativos Nordeste Re
I
do Nordeste.sidentes em .Residentes
i Estados não
I
em Estadosi
Nordestinos I Nordestinos I -_---.!l
....-----REGIÕES
"ão Norte 149.925
(0,059)*
-as Gerais e Espírito Santo 153.376 (0,060) de Janeiro** 692.309 (0,271) Paulo 1.006.601 (0,394) _a tro Oeste 412.890 (0,162)
ç~ião Sul 137.803
(0,054) 20.852 (0,106) 75.140 (0,380) 32.662 (0,165) 42.681 (0,216) 12.566 (0,064) 13.824 (0,070) Saldo 129.073 (0.055) 78.236 (0,033) 659.647 (0,280) 963.920 (0.409) 400.324 (0,170) 123.979 (0,053)
Censo Demogrãfico, 1970 - Série Regional - IBGE.
*
Os números entre parênteses são percentagens.c
E!-BIBLI ECupondo que estes Estados são os que têm maior contato corr. =as regiões, esta percentagem aumenta para 42%. Este forte
de expulsão do Nordeste com referência a sua população com
a outras regiões e o seu pequeno poder de atrair outras p~ -es e que torna a migração intra-regional cada vez mais signi
-: as das migrações nordestinas.
A Tabela 1.4 nos mostra a percentagem de migrantes que fazem movimentos intra-regional. Esta percentagem
-c-enta-se mais elevada em relação a Estados que são vizinhos~
exceção do Estado do Ceará, pois 46,7% de sua massa migratória
: ou-se ao Estado do Maranhão (não vizinho).
A importância da migração intra-regional, se manifes maior intensidade devido a pouca participação (influência)
_tras regiões na população migrante do Nordeste, cuja partic!
não atingiu 5% (Tabela 1.5). A nível de Estado, a mesma se
_ -a mais intensa para o Estado da Bahia, mesmo assim não atinge
. A intensidade dos movimentos intra-estaduais (73,5%), in
-~_staduais (22,1%) se torna mais representativa da migração nor
- :ina. Os Estados do Piaui» Maranhão, Alagoas e Paraíba, são os
iveram maior participação de migrantes interestaduais no esto _ê de migrantes totais: 38%, 34%, 28% e 26%, respectivamente. Por
lado, os Estados que possuem maior movimento migratório in
_~-estadual são Ceará (80%), Bahia (79%) e Pernambuco (76%). Vale
~ entar que as três áreas metropolitanas do Nordeste estao loca
~ as nestes três Estados, comprovando forte ligação existente
e oportunidades econômicas e migração dentro da região.
Ressaltada a importância da migração entre os Esta
rdestinos e nos próprios Estados, cabe agora mostrar a impo~ das correntes migratórias nos municípios que são fronteiri - s respectivos Estados» área escolhida como universo de pe~
__~ deste trabalho. Nestes municípios a migração intra- estadual
- ), está abaixo da media estabelecida para o Nordeste (73,5 ).
--ximidade destes municípios com outro(s) Estado(s) faz com que rticipação na migração interestadual (41%) seja maior que a
,
21 TABELA 1.4 MIGRAÇÃO INTERESTADUAL (PERCENTAGENS)S\eLJO-rI!C.
.CN
\
e
.
...
'dência Residência Anterior
tual MA PI CE RN PB PE AL SE BA hão 0,84* 0,47 0,06 0,03 0,05 0,01 0,01 0,06 0,74* 0,23* 0,01 0,01 0,03 0,00 0,00 0,15 0,17 0,08* 0,28* 0,16* 0,10* 0,10 0,01 0,04 0,01 0,00 0,05* 0,24* 0,03 0,01 0,00 0,02 0,01 0,00 0,04* 0,38* 0,24* 0,02 0,01 0,02 0,05 0,04 0,15 0,22 0,46* 0,52* 0,04 0,32 0,00 0,00 0,01 0,01 0,03 0,32* 0,13* 0,05 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,02 0,21* 0,34* 0,02 0,03 0,05 0,04 0,08 0,22 0,14 0,81*
E
:
Censo Demogrãfico, 1970 - Série Regional - IBGE.TABELA
1
.
5
MIGRAÇÃO
INTER E INTRA-REGIONAL
PARA
OS ESTADOS
NORDESTINOS
AT!
1970 I tado de estino Intra Estadual InterestadualInterestadual(Região Nor (Outras re
deste) - giões)-Total 532.334 (0,639) 167.251 (0,609) 567.544 (0,799) 255.605 (0,745) 288.418 (0,717) 881.810 (0,757) 200.963 (0,660) 112.083 (0,703) 1.039.271 (0,790) 4.045.279 (0,735) • Norte a 'IE:._c._ ,._buco E 282.352 (0,339) 103.261 (0,376) 120.588 (0,170) 78.767 (0,230) 104.988 (0,261) 242.910 (0,209) 86.210 (0,283) 41. 122 (0,258) 156.310 (0,119) 1.216.508 (0,220 18.405 (0,022) 4.183 (0,015) 21.825 (0,031) 8.595 (0,025) 8.704 (0,022) 40.056 (0,034) 17.274 (0,057) 6.321 (0,040) 119.256 (0,091) 244.619 (0,044) 833.091 0,000) 274.695 (1,000) 709.957 (1,000) 342.967 (1,OOO) 402.110 (1,000) 1.164.776 (1,000) 304.447 (1,000) 159.526 (1,000) 1.314.837 0,000) 5.506.406 (1,000)
23
-édia nordestina (22%). A participação de outras regiões na migr~
são nordestina
é
equivalente para estes municípios (4,2%) e para Nordeste (4,4%) (Tabela 1.6).O fato de migração interestadual no Nordeste ser mais
:mportante no sentido rural-rural (36,7% dos migrantes interesta
~uais migram de suas áreas rurais para áreas rurais) do que rural rbano (14%), pode ser uma resposta
ã
diferença existente entre o olume de migrações interestaduais do Nordeste e dos municípios:ronteiriços. Por um lado
é
esperado que o ,igrante rural possua oucos meios de informações e, consequentemente, pouco conhecimen~o sobre as áreas urbanas do seu próprio Estado. Por outro, como
consequência desta pouca informação recebida e/ou absorvida pelo
~igrante rural,
é
provável que este não se desloque a lugares muito distantes. Daí podermos supor que a maior parte da migração ru
ral-rural interestadual dentro da região esteja localizada nas pr~
ximidades de seu respectivo Estado de origem, que
é.
nas faixasfronteiriças dos Estados 1imítrofes. Pode-se observar que, entre
1965/70, 65% das migrações rurais-rurais interestaduais do Nordes
te foram verificadas entre Estados que são fronteiriços. Entretan
to, a falta de dados tornou impossível enfocar este tipo de migr~
ção para os municípios de fronteira, mas na parte referente a meto
dologia mostraremos que estes deslocamentos se restringem a migr~
ção de curta distância.
TABELA 1.6
ç
lo
INTER E INTRA-REGIONAL PARA OS MUNICfpIOS DE FRONTEIRAS AT! 1970DE DESTINO Intra Inter Outras Total
estadual estadual· reg10es
....
68.387 55.610 8.333 132.330 90.314 77.526 5.539 173.379 .65.680 29.259 5.657 100.596 de do Norte 51.239 34.851 2.870 88.960 52.950 46.487 2.778 102.215 co 139.782 96.144 8.454 244.380 28.223 32.277 5.530 66.030 15.860 14.772 3.255 33.887 76.799 59.464 3.882 140.145 1 589.234 446.390 46.298 1.081.922 (0.545) (0.413) (0,042) (1,000)
Censo Demográfico~ 1970 - Série Regional - IBGE.
*
Migração entre Estados vizinhos.25
CAPITULO 11
REVISÃO DA BIBLIOGRAFIA
A literatura econômica sobre migração, derivada da
~'cional teoria neoclássica, aborda-a de um modo geral, como um
2stimento em capital humano. De acordo com esta teoria, uma pe~
- só investe em migraçao se, e somente se, o valor presente da fluxo de benefício entre origem e destino for maior e o custo fixo de migrar entre estas mesmas localidades. A
fluxo de salário tem sido constantemente interpret~ relevante variável no tratamento de migrações. Ou
variaveis são incluídas na interpretação da teoria neoclássi
como fatores explicativos da migração, tais como diferenciais
educação, saúde, atividades recreativas (16, p. 16). Doravante s ter como ponto de referência para a estruturação da teoria
lassica, os salarios, como a variável mais relevante, na toma e decisão do migrante.
Sendo a migração tratada como um investimento em ca _:al humano, esta tem um custo e gera retorno. O custo fixo de m1
-zr
e
normalmente definido como custos de transportes, de oport~des, mudanças nas despesas de consumo causadas pelas diferen
- de preços em locais diferentes, de procura e aprendizado com a
a atividade. Levy e Wadyccki (23) argumentaram que há outro ti e custo fixo que deveria ser incluído: o custo de oportunidade
igrar para o local escolhido, em vez de migrar para a melhor Sjaastad (48) dá relevância a outro tipo de custo: o
psíquico.
~ claro que a percepção de custo e benefício da mi ira variar de acordo com as peculiaridades de cada indiví
. Este
ê
um aspecto crucial da teoria neoclassica de capital hu , em que a decisão de migraré
especificamente indicada pelas_=acterísticas sócio-econômicas dos indivíduos e a percepção de
:0 e benefício da migração varia em função das particularidades
eCME?
_BIBLIOTI!CA
- ~ ser desagregada por idade, sexo, ocupação e anos de edu
- desagregação por idade é justificada pelo fato de que e
o total de tempo sobre o qual o migrante potencial pode
-
=
~_
~
_
-
_
_
ar o custo da migração e receber o benefício da mesma e po~ete a soma de investimento no capital humano para uma de
a ocupação na origem. Por sexo, pois as oportunidades eco
podem não ser distribuídas igualmente entre locais diferen
r exemplo, as vantagens comparativas de mover-se de áreas
ara outras áreas rurais podem ser maiores para homens do
_~ra mulheres. Ocupação, porque em certas localidades, pode ha
emigração ou imigração correspondendo a um declínio ou
__.~.~.·~entode setores industriais. Por educação, pois esta pode a
as alternativas que o migrante tem na sua área de origem.
A teoria de capital humano vê cada migrante potenc~
aseando suas decisões de migrar, no valor presente da diferen
"e salários entre origem e destino e o custo fixo de migrar~
- ~a erminada origem para um determinado destino. Então, se este
~ presente da diferença entre a diferencial de salários e cus
_ r maior que zero, o indivíduo migraria de sua origem para um
~~inado destino. Além disso, o indivíduo escolherá aquele des
ue maximize o valor presente da diferencial.
Para a teoria de capital humano ser relevante para rabalho, deverã ser possível ver a migração para áreas ru
entro de um contexto de teorias neoclãssicas do mecanismo de
ão de recursos.
Visto desta maneira, o modelo neoclãssico desenvolvi
Sjaastad (op. cit.) trata migração como um mecanismo eGuil~
• que ocorre numa economia de transformação. A essência do mo a a identificação de alguns custos e retornos públicos e pr~
~;-»_r - da migração, encarando-a como um meio de promover eficien
_.ocações de recursos.
Podemos mostrar uma outra visão dada ao processo m1
-
~
-. Este outro enfoque trata da abordagem estruturalista. O _ ínio fundamental desta corrente é baseado na evolução histô
27
-estrutural do sistema. "Como qualquer outro fenômeno social
rande significado da vida das nações, as migraçoes internas
- sempre historicamente condicionadas, sendo o resultado de u~ - cesso global de mudanças, do qual elas não devem ser separadas"
171).
Do mesmo modo, Speridião Faissol (17, p. 163) consi migrações internas como parte essencial do processo de desen
:vimento, constituindo um sistema regulador dos desequilíbrios
=
ionais, e por representar a peça mais importante do processo de-ansformação estrutural de uma sociedade.
Visto por este ângulo, a migração e um mecanismo ine ao processo de industrialização. Como a industrialização con na mudança das tecnicas de produção, isto implicaria direta numa profunda alteração da divisão social do trabalho. Pore~
rópria industrialização só e possível ocorrer mediante uma rees
-_turaçao econômica, política e social.
Os arranjos institucionais que permitem o processo industrialização, de um lado aceleram a acumulação de capital, outro, canalizam o excedente acumulado às empresas, que incorp~ os novos metodos industriais de produção (45, p. 34) e alem
_5S0," os arranjos institucionais que influem sobre os preços
_ ativos que tem por fim tornar as empresas industriais lucrati _5, aumentando sua participação na renda. Mas deste modo se favo
_ e tambem a concentração do capital, pois as mesmas medidas ins
_tucionais debilitam as atividades não favorecidas" (45, p. 35). A crescente acumulação de capital permite que as en
-esas maiores absorvam as empresas menores e medias nos períodos
ê baixa conjuntura1. Este e um processo circular que tende a fav~ cer dentre os moldes capitalistas, algumas regiões esvasiando as -c ais, criando os desequilíbrios espaciais. Desta maneira, as re
·ões favorecidas transformam-se em polos de atração das populações _is próximas, tornando estas áreas cada vez mais importantes como ercado consumidor de bens e serviços e, por conseguinte, a conce~
28
BC E_BIBLfOTEC
Estes desequilíbrios regionais podem ser encarados o o principal estímulo às migrações internas que acompanham a
- ustrialização. Gunnar Myrdal em seu livro "Teoria Econômica e êgiões Subdesenvolvidas" mostra que as regiões favorecidas não ces
~~ de acumular capital. enquanto que a população nas áreas desfa
ecidas sofre, em consequência, um empobrecimento relativo e, s~ ~_~do Singer «45, p. 38), os níveis de vida desta população perm~
~ em baixos, os horizontes culturais cerrados e as oportunidades _ nômicas quase inexistem.
As modificações estruturais e organizacionais que so :~2m os indivíduos, decorrentes do processo de industrialização
__~stituem um elo entre a distribuição da população e o processo
ratõrio. Aliás, as regiões mais desenvolvidas atuam como áreas - atraçao para outras populações.
Em qualquer espaço geográfico encontramos áreas que atraçao e áreas que servem de repulsão.
significa que estas áreas apresentam movimentos _':irecionais.
Contudo, isto migratórios
!!
.
Os efeitos atrativos são constituídos de oportunid~ - sócio-econômicas nas áreas de destino provocada pelo desenvol
econômico de suas· atividades.
Quanto aos fatores de expulsão Paulo Singer (45, po
admitiu que seriam de duas ordens: 19) os fatores de mudança,
são decorrentes das alterações nas relações de produção capl -.istas nestas áreas, tendo como objetivo o aumento da produtivi
___ e do trabalho que tem como consequência a redução do nível de
e 29) fatores de estagnação que se manifestam através de
ssões populacionais ou pela monopolização das terras pelos gra~
proprietários.
É inegável a existência de uma interação entre os e de expulsão e atraçao. Os fatores de expulsão estabelecec __ áreas de origem mas sao os fatores de atração que determinam a
-'entação do fluxo migratório às áreas de destino. Todavia, sera
29
--antes nas areas de destino. Esta limitação causada pela nao _-tência de dados (ver pâg. 34) não por considerarmos que os fa
origens sejam menos importantes.
A nossa estimação empírica do processo migratório en
areas rurais do Nordeste, adota uma visão dupla, isto
é.
testa30
CAPfTULO 111
METODOLOGIA
eCMe_SIBLIOTt!CA
A constataçao do fato de ser a economia do Nordeste - nden te do setor pr imá rio e maior parte da su a populaç ão viver en
:2S rurais, torna-se relevante tentarmos explicar as causas do
ento populacional nestas áreas. A importância da migração ru nesta região é bem evidenciada quando, através de dados _-sitários, pode-se constatar que 49% dos migrantes nordestinos
de áreas rurais e que 65% destes se localizam nas mesmas, is e, 32% da população migrante do Nordeste fazem deslocamentos ru -rural (30). Ademais, estes deslocamentos tornam-se mais impo~
__ tes quando enfocados o desempenho da agricultura e os fluxos mi
=atôrios nestas áreas.
As pesquisas de migração efetuadas atualmente no Br~ _ têm enfocado, com grande ênfase, os problemas urbanos de inch~
~_ de cidades, marginalização, adaptação e outros, de migrante r~
_~:, sem contudo atentar-se para o problema da migração rural-ru _. (29, 41, 44).
As dificuldades existentes de um conhecimento mais a - fundado sobre o migrante rural-rural e a quase inexistência de ~ os sobre o assunto, surgem como parâmetros limitativos a este r aba l ho ,
O universo desta pesquisa consta de 359 municípios, - luindo todos os Estados nordestinos (Ma, Pi, Ce, Rn, Pb , Pe, AIs
e Ba) e estão localizados nas suas respectivas fronteiras. Es
:2S municípios selecionados deverão ter sua sede a 25 Km da fron
: ira estadual e/ou mais de 50% de sua área englobada pelos mesmos _5 Km. Procurou-se com isto isolar dois grandes problemas que sur
~c nos estudos empíricos de migração, com referência a medição
~a variável distância e o isolamento da origem do m{gra~te.
A escolha desta área dos 2S Km estabelecida na fron :eira dos Estados para estudar a migração rural-rural, tev~ como
31
- E. Esta suposição é fundamental na importância do fluxo de infor
~~ão na tomada de decisão do migrante. Recebido este fluxo de in
=nação sobre os possíveis locais de destino, o migrante terá o
_er de discernir sobre as várias alternativas, procurando maximi
_= seu benefício líquido. Porém sabemos que o flu~o de informação
-ia diretamente com o grau de desenvolvimento de uma região e,
- ersamente, com a distância de uma area a outra. Todavia, o flu
de informação recebida pela população rural é basicamente res
~~to
ã
comunicação interpessoal com parentes, amigos, vizinhos e--rões, fato este que limita o poder de deslocamento a maiores dis
__cias deste migrante em comparação a outro tipo de migrante. Ade
~:s
,
podemos supor que o nível "educacional" e, portanto, de pe~:-ção e analise da população rural é inferior ao da população ur
Com o estabelecimento da are a de fronteira, fica li
:ada a distância maxima supostamente percorrida pelo migrante
à
vessia dos pontos extremos de cada Estado com relação ao Estado
_ inho.
A distância máxima supostamente percorrida pelo mi
~ante foi medida em termos da maior distância linear entre um po~
_ qualquer de cada Estado de origem para a fronteira do Estado de
tino (Tabela 111.1).
Para esclarecimento da metodologia usada, tomou-se
o base um Estado, observando-se as relações entre a distância
_-otética e a migração, ajustadas pela população do Estado de ori
__ e o Município de destino. Para testar nossa suposição básica
_ a migração rural-rural nos Municípios de fronteiras ocorre a
__=ta distância, utilizou-se da técnica de regressão log-linear. A
-;ressao
Ln IMR ,
=
b + blLn D . + b2Ln P + b3Ln p, + e " ondeVJ o VJ v JVJ
- migração de Estado v (vizinho) para Município j;
TABELA 111.1
DISTÂNCIA MÁXIMA SUPOSTAMENTE PERCORRIDA PELO MIGRANTE RURAL-RURAL
(Em Quilômetros)
c
E
-
IBLIO EC
~igem Destino Ma Pi Ce Rn Pb Pe AI Se Ba-
1.440 ara.
-
522 383 las aranhão 833 iaui 460 433 705 1.236 =_arã 956 373 426 603 7':0 G. Norte 477 343 -araíba 564 350 373 :2rnambuco 500 547 416 305 1.213 ~agoas 603 225 =_rgipe 311 1.267 -ahia 711 705 332 225 _:nas Gerais 1.325 :spírito Santo 358?ONTE: Mapa geogrãfico do Censo Demogrãfico) 1970
-
Série Regi,2.33
vj distância máxima supostamente percorrida pelo migrante do Es tado de origem (vizinho) para o Município j;
população do Estado de origem;
população do Município j; ? v e . - êrro de estimativa; VJ ç' • d ., 4 - •
~o~ est1ma a para o Estado da Para1ba como area receptora. Med~u
se a distância máxima supostamente percorrida pelo migrante, como endo a distância máxima linear entre qualquer ponto do Município
o Estado de origem (vizinho) para o Município do Estado de desti
o. Por exemplo, a distância máxima supostamente percorrida pelo igrante com origem no Rio Grande do Norte e com destino ao Municí pio de Mataraça - Estado da Paraíba -
é 427
Km e assim sucessivaente para os demais Municípios da área selecionada.
O resultado obtido da nossa regressão estimada reve lou uma j' I '\ Ln IMR .
=
-0,037 - 0,064
LnD . VJ vJ(-0,080)
- 0,039
LnP +0,736
LnP. v J(-0,081)
(3,644)
eCMe
_BIBLIOTECA
correlação negativa entre a migração e a distância, no entanto,não
significante, mostrando que a migração não varia sensivelmente q~_
o a distância máxima que possa ser migrada varia. Porém, o fa
de ser o tamanho da população do Estado de origem insignifi
ca-ara este tipo de migração, exerce papel preponderante na co pr ção da nossa hipótese de que a migração rural-rural nos municí-_
-e fronteiras é de curta distância. A interpretação dos resu obtidos desta variável (população do Estado de origem),
que o tamanho da população do Estado de origem não tem re e
4A escolha do Estado para testar a metodologia foi feita do maior númeto de observações.
34
-a a migração rural-rural com destino aos municípios fronteirí e ainda, que o tamanho desta população causada pela extensao área do Estado de origem, não favorece este tipo de migração.E~
- , podemos supor que a população que podera exercer influência e a migração devera estar localizada nas proximidades da fron - ra do Estado de origem. A junção dos resultados referentes a tância e a população do Estado de origem reforçam nossa hipót~ acima mencionada.
Comprovada a eliminação das distorções atribuídas ã ~'ãvel distância, o segundo problema (mencionado anteriormente)
er resolvido sera a não identificação da origem do migrante. Pa uprimir este fato utilizar-se-a de um conjunto de variáveis di
~~,~Ulliascom o objetivo de controlar as variações de fatores na ori
- , que possam influenciar na migração. O uso destas variáveis permitira a desagregação dos fatores que, supostamente, deve
- constituir os elementos repulsivos. A nossa aQálise se limita
: e identificar os fatores que constituem urna forma de atraçao - o migrante. Nossa questão se limitara em saber quais os fato
=
que atrairiam uma pessoa na origem ~ migrar para um destinol,
- que ele é migrante. Deste modo, são considerados os indiví que, atualmente, são migrantes. Eles apenas decidem sobre a
_ lha da localização entre os alternativos destinos. Todas as -'ações na origem são eliminadas de qualquer consideração, pelo do conjunto de variaveis dicôtomas para origens. Logo, a esco _ da localização sera determinada apenas por fatores atrativos
~e os alternativos destinos.
Desta forma,nosso modelo admite que tanto fatores a
_:ivos como fatores repulsivos constituam elementos base do pr~ -o de migração. Apenas por falta de informações, deixamos fora
~ alquer consideração de analise os fatores repulsivos.
Na verdade, tanto os fatores atrativos como os repul s estao associados às oportunidades econômicas e sociais, qu
ser traduzidas em termos de oportunidades de trabalho,renda;
35
:a expansão de serviços urbanos.
Em termos gerais, e de se esperar que a migração se
onstitua num processo de mudanças de pessoas de uma area a outra,
E função das oportunidades sócio-econômicas. Estas oportunidades
ão, deste modo, inerentes tanto a area de atração quanto a area
~e repulsão. Isto não significa que sejam iguais, pois, se o fosse5
ão haveria migração, pelo menos teoricamente, como funções destas
~ortunidades. A existência de desigualdades nas oportunidades of~
~ecidas pelas diferentes áreas de uma região
ê
que motiva a migr~ão. Porem, o nosso modelo não visa explicar migração atraves de
_iferenciai8 de oportunidades e sim em termos de atração que exer
em estas oportunidades nos locais de destino, sobre o migrante. Isto não implica no abandono do modelo neoclassico,
is este também vê migração como um deslocamento populacional eau
ado por melhores oportunidades em determinadas localidades.
Para elaboração do nosso estudo utilizaremos um eon
. nto de variaveis subdivididas entre "neoclassicas" e "estrutu
=ais". As variaveis neoclassicas são representantes do nível de
=enda e bem-estar da população rural, enquanto as variáveis estru
_ rais refletem o processo de transformação ou o processo de desen
olvimento que atingiu a agricultura, representando, assim, a com
~ sição de um sistema de comportamento do setor primario.
A avaliação do grau de associação exietente entre a
_ tensidade migratória da população rural e os principais fatores
- e se supõem ser de fundamentais influências sobre os fluxos mi
ratórios, sera realizada atraves do metodo de regressão linear. A
~ nção a ser verificada será:
- R . ,. f(PA., Sub., DB., F., DR., Ch., Urb., UT., PE., DI···,DII}
VJ J J J J J J J 1 J
de
~ R . - Intensidade migratória rural para o Município j; VJ
:
ub.
-
Estrutura do produto agrícola em j ; J B. Densidade bovina em j ; J - :-Estrutura fundiária em j ; J R.-
Densidade rural em j ; Jc
s
.
Intensidade pluviometrica em j ; J :-rb. J T. J _ E. J 1•.• , Dll Urbanismo em j;Uso da terra em j;
CMe
-
BIBLIOTE
Nível educacional em j;
_. Variáveis dicótomas para os Estados de origem (vizi nhos), correspondendo aos Estados do Pará, Maranhão,
Piaui, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Ala
goas, Sergipe, Bahia, Goiás, Minas Gerais, respectiv~ mente.
Nesta parte do trabalho faz-se necessário uma maior recisão de informações e elaboração das variáveis utilizadas.
Para medir a variável dependente, intensidade migra :ória rural, utilizou-se a mesma definição de migrante do censo d~ -ográfico, isto é, toda pessoa não natural do Município onde resi
e. Estamos considerando, para estimação desta variável, toda pe~ oa migrante do Município que é dado como destino. Supõe-se também ue a migração rural-rural interestadual, ocorre na mesma propo~ ão que a intra-estadual (ver pâg. 44).
Para análise do conjunto de variáveis independentes ue traduzem as oportunidades sócio-econômicas, tomamos primeiro o subconjunto constituído das seguintes variáveis neoclãssicas: pr~
utividade agricola, urbanismo e nível educacional.
Definimos como medida de produtividade agrícola a
me
ia do produto real por pessoa (a preço de 1970) da serie de anos e 1967 a 1970. Foi utilizada esta série de anos por dois motivos: 19) em anos posteriores a 1964 foi criado um grande número de u ~37
1964 e 1967. Estes dois fatos impossibilitaram o cálculo da prod~ tividade agrícola para uma serie de anos mais longa. A introdução
dest~ variável relacionari a influincia que terá a "renda" na deci são do migrante na escolha de sua localização.
t
esperado uma cor relação positiva entre esta variável e migração, significando quemaior renda, segundo nossa suposição de oportunidades socio-econô
micas, implicará em uma maior migração.
Como nosso modelo retem migração como uma função das
oportunidades sócio-econômicas, incluimos uma variável a qual den~
minamos urbanismo - população do maior centro comunal do Município
de destino, que neste caso coincide com a sede do Município. Atra
ves desta variável procuraremos medir o poder de atração que exer
cem os mesmos e, como os migrantes rurais responderiam aos estírou
10s, tais como: proximidades de centros manufatureiros e comerci
ais, maiores oportunidadades de emprego, educação, saúde e todas
as demais vantagens oferecidas pela extensão dos serviços urbanos.
~ espetado uma relação positiva entre a variável e migração.
A vart~vel nível educacional foi definida como a re
lação percentual entré a população rural estudante com cinco anos
ou mais, e a população rural total com cinco anos ou mais. Esta va
riável refletirá o grau de qualificação do capital humano nas á
reas de destino, isto e, concorrincia que os migrantes teriam que
enfrentar e, concomitantemente, indicará se a procura por educação
terá alguma influência sobre a migraçã'd.-Se a primeira relação es tabe1ecida acima dominar, o sinal do coeficiente será negativo, ca
so a segunda relação sobressaia, o 'sinal do coeficiente será posi
ti v o ,
Como segundo subconjúnto de variáveis definidas corno
estruturais que direta ou indiretamente ampliam as oportunidades ócio-econômicas, ou alteram o processo de produção, temos: estru
tura do produto agrícola, densidade bovina, estrutura fundiária, densidade rural, intensidade pluviometrica e uso da terra.
A estrutura do produto agrícola nos mostrará qual o
Procurou-se medir esta variável através de um produto que fosse significat!
vo para os municípios. Porém, como há uma grande viabilidade de culturas de município para municípiop optou-se por uma medida in versap mas que fosse homogênea. Assim sendo, tomou-se para mensura
ção desta variável o somatôrio do valor da produção em 1970 das culturas de subsistência (milho, feijão e mandioca), como percent~ gem do valor da produção agrícola no mesmo período. A inclusão des ta variável tem como objetivo verificar se a economia do município está voltada para a agricultura comercial ou para atividades de ~ubsistência. Esperamos encontrar uma relação negativa entre esta variável e migração, porque maior a produção da agricultura de subsistência, menos dinâmica será a economia do Município e,porta~ to, nenores serão as oportunidades de emprego geradas por este sis
tema. Acredita-se, porem, que o desenvolvimento da atividade de
subsistência deverá estar relacionado com o crescimento natural da população.
A variável densidade bovina, medida em termos de bo vinos por quilômetros quadrados, medirá o modo em que as terras es
tão sendo utilizadas. Esperamos que haja uma correlação negativa entre esta variável e a variável dependente, visto que a pecuária
e uma atividade que requer pouca mão-de-obra para seu desempenho. A estrutura fundiária e uma variável com a qual se pretende visualizar a distribuição de posse das terras. Esta variá
vel foi medida como a relação percentual da área agrícola com me
nos de 10 hectares e a área agrícola total. ~ esperado que haja u
ma relação negativa entre esta variável e a variável dependente
pois, e esperado que as grandes propriedades possuam maiores proba bilidades de emprego, visto que, a mão-de-obra empregada nos pequ~ nos estabelecimentos e, basicamente, constituída de membros da fa ~ília não remunerados monetariamente. Ademais, os latifundiários representam para os trabalhadores sem terra a possibilidade de que
algum dia lhes seja concedida uma "nesga" de terra onde eles pos sam se fixar e, ao mesmo tempo, praticar a produção de lavouras p~
39
I!JCMe
_BIBLIOTeCA
Ressaltamos que o nível de mecanização pode consti - um fator de expulsão da mão-de-obra e de se manifestar com
- ~ intensidade nas grandes propriedades, supomos que este não _~itua problema de entrave a migração, pois a agricultura nordes • e pouco mecanizada.
A variável densidade demográfica rural (população r~ ?or quilômetro quadrado) indicará as áreas de "pressão popul~ -alHo Contudo, esperamos uma relação negativa entre esta variá e a variável dependente, visto que as áreas de menores densida emográficas deverão ser constituídas de áreas novas de expl~ - agrícola e, consequentemente, existir maior oferta de empr~
resultando daí, maiores probabilidades, a curto prazo, de sua
-_=~çao.
A variável intensidade pluviométrica, apesar de não ::etir diretamente oportunidades econômicas nas áreas de destino,
_
=
como um fator influente na produção agrícola. Segundo informado BNB, mais da metade do Nordeste é afetada pelo fenômeno das _=s. Sabemos que sua ocorrência provoca crises na produção que ~ - o setor primário. Podemos, portanto, supor que a ocorrência
aiores" chuvas seja um atrativo para a população migrante. Pa -edir esta variável utilizou-se a intensidade média de chuvas,
_ orade pela SUDENE e DNOCS, constituída de uma série histórica _ 35 anos. Então, esta variável deverá ser positivamente correIa
__ ada com a migração.
E finalmente a última variável estrutural, o uso da _=ra, foi medida em termos da proporção da área de lavouras (pe~ _~ente e temporária) na área total. A explicação para o uso desta
_=iável advém de que, maior a fertilidade das terras agrícolas, ~or deverá ser a área dedicada ao plantio de lavouras e deste mo
J maior será a probabilidade de absorção da mão-de-obra. Portan
, esperemos que haja uma correlação positiva entre esta variável
~ variável dependente.
Por último, com a finalidade de eliminar as varia =;s aleatórias dos fatores nos locais de origem, utilizou-se um
40
onjunto de variáveis dicótomas. Este conjunto é representado por
2 Estados que servem de origem para os migrantes. Porém, por ra
ões econométricast excluimos um Estado o qual servirá de base de
-~omparaçao.
A restrição existente no uso desta variável e não se
oder identificar diretamente que fatores iriam colaborar no pr~
cesso de expulsão. da população, mas, por outro lado, identifica-se
a existência do fator repulsivo nas áreas de origem. Portanto, pa~
samos a estimar a migração como função das variáveis de destino,
controladas pelas variáveis dicótomas, que representam variações
_elevantes na origem:
IMR . - f(R.p S.,
VJ J J
nde R., 5., , A., são variáveis independentes, que represe~
J J J
tam fatores no local de destino e D. - os níveis de todas as varia
1
ões relevantes no Estado de origem.
Um outro ponto que deve ser ressaltado é que o con
unto de variáveis dicótomas (D.) aqui definidas,
ê
uma maneira1
rosseira de estimar variações na origem, visto que estamos consi
erando a migração a curta distância e estas variáveis são defini
as para o Estado como um todo.
~ através deste conjunto de variáveis anteriormente efinidas que se pretende avaliar as forças atrativas que exercem
os locais de destino sobre a decisão de deslocamentos da população rural.
41
CAPITULO IV
RESULTADOS EMP!RICOS
A verificação empírica da migração rural-rural tem ~ido sérios problemas por causa das limitações de dados. Algumas restrições continuam existindo nesta apresentação. Em primeiro lu gar, o presente trabalho é bitolado a uma "cross section" de dado& Em segundo lugar, a teoria prevê a especificação da migração das variáveis de comportamento desagregadas por idade, sexo, educação e qualificação. Neste estudo esta desagregação não pode ser conS1 derada. Ressaltamos, porém, que o alto grau de homogeneidade exis tente, em termos de educação e qualificação, pelo menos da popula ção rural nordestina, torna desnecessária esta desagregação. O tra tamento dado
ã
variável dependente (migração rural), concerne de homogeneizá-la através da distância, isto é, tomou-se somente a mi gração rural a curta distância.Os resultados obtidos da nossa regressão estimada
bl6DRj + bl7Chj + blSUrbj + b19UTj + b20PEj• (ver especi
ficação das variáveis - pág. 35/36) ressaltaram a pouca influência destas variáveis, que se supõe constituir elementos mot~izes na de cisão de migrar (ver Tabelas IV.l e IV.2). Este conjunto de varia veis integrantes do nosso modelo, explicaram apenas 8,7% das varia ções migratórias. E só duas variaveis, estrutura fundiaria e prec~ pitação pluviométrica, apresentaram-se significantes a nível de 1%.
Todavia se as variaveis dicótomas definidas anteriormente, repr~ sentansem na verdade uma medida real das variações na origem, o p~ der explicativo desta regressão seria maior.
A estrutura fundiária mostrou o sinal esperado, ist e, negativo, significando uma correlação negativa entre esta variá
?el e a variável dependente (migração), o que vem confirmar nossa suposição de que as grandes propriedades no Nordeste, as áreas que
TABELA IV.1
RESULTADO DA REGRESSÃO ESTIMADA PARA O ESTUDO DE MIGRAÇÃO RURAL-RURAL
!leME _BIBLIOTECA
Variaveis independentes b . t 1 PA. (1)-
0,00000*-
0,019 J Subo (1) 0,00760 0,863 J DR. 0,01364 1,483 J DB. 0,00011 0,681 J F.-
0,06447-
2,502 J Ch. 0,00002 2,318 J Urb. 0,00000*-
0,952 J UT. 0,02694 1,286 J PE. 0,00219 0,051 J DI-
Pa-
0,02698-
0,874 D2 - Ma-
0,02908-
2,251 D3 - Pi-
0,01536-
1,549 D4-
Rn-
0,00755-
0,819 D5 - Pb 0,00330 0,393 D6 - Pe 0,00609 0,733 D7- AI
-
0,00466-
0,463 D8-
Se-
0,01198-
1,060 D9-
Ba-
0,01682-
1,602 D10- Go-
0,05482-
2,580 D11- Mg-
0,00428-
0,374 Termo Constante 0,02799 2,270 R2 0,087 N<? de observações 37443
c
TABELA IV.2
RESULTADO DA REGRESSÃO ESTIMADA PARA O ESTUDO DE MIGRAÇÃO RURAL- RURAL
..
~-
~
---
-
.
-
_
-
-
-
---
-
--
-
-
-
-
-
_
..-
-
.- ...._
.
-
-
-
-_.-.. -Variáveis independentes bi t ..._-
-
-_
._-
-PA. (2) 0,00000
-
0,508 J Sub. (2)-
0,00681-
0,457 J OR. 0,01385 1,500 J OB. 0,00015 0,885 JF .
-
0,05629-
2~128 Jcs .
0,00002 2,313 J Urb. 0,00000*-
0,960 J UT. 0,02652 1,330 J PE.-
0,01182-
0,279 J 01-
Pa-
0,02967-
0,965 O2-
Ma-
0,03026-
2,345 03-
Pi-
0,01564-
1,580 04-
Rn-
0,00913-
0,983 05-
Pb 0,00120 0,145 06-
Pe 0,00439 0,526 07-
Al-
0,00750-
0,741 08-
Se-
Ot01348-
1,179 09-
Ba-
0,01682-
1,603 010- Go-
0,05634-
2,657 011- Mg-
0,OO~45-
0,301 Termo Constante 0,03567 3,021 R2 0,087 N9 de observações 374=_
R
.
vJ
NOTAS EXPLICATIVAS DAS TABELAS
Intensidade migratória MR. J MT. J M •• 1J = , onde IMR . vJ PRT. J
Intensidade de migração rural para j (Município de destin~'
Migração rural para j;
Migrantes totais em j;
Migração do Estado i (vizinhO) para j;
População rural total em j;
Produtividade agrícola
n=70 (
)
J
"
~
!
=j(l)
=
0,25r
l
PGj/PTj, sendo i - aos anos de 1967/70. i=67 \.(2)
=
PAG. PT., somente para o ano de 1970, ondeJ J J
Valor do produto agrícola em j;
J
-G.
J
População rural em j;
- Valor da produção agropecuaria em J.
Estrutura do produto agrícola Subo (1)
=
PS./PG.J J J
Subo (2)= PS./PAG., para o ano de 1970, onde
s
.
J •G. J ?AG. J 45- Valor do produto de subsistência, medido em termos do lor da produção de feijão, milho e mandioca, em j; - Valor do produto agrícola em j;
va
Valor do produto agropecuãrio em j.
') Densidade bovina
:
::b.
J 'T. J DB.=
Eb./AT.~ onde J J J Número de bovinos em j; - Área total em j. 5) Estrutura fundiãria J ;,.E • J F.=
A./ AE ., onde J J JÁrea dos estabelecimentos com menos de 10 hectares em j;
Área total dos estabelecimentos agrícolas em j.
) Densidade rural
DR.
=
AT./PR., ondeJ J J
J
População rural tot~l em j.
-) Precipitação pluviométrica
Ch.
=
média da intensidade pluviométrica em j. JUso da terra
UT.
=
(Atj +A
.) I
AE. , ondeJ PJ J
-
Área cultivada com lavouras tempo~ãrias em j ; ~J-
Área cultivada com lavouras permanentes em J • ?J46
~) Urbanismo
Urb. - população urbana do maior centro comunal
d
.
j.J O) População estudante PE.
=
PRE./PRT., onde J J J =RE. J "?RT. J- População estudante maior de 5 anos de idade em j;