• Nenhum resultado encontrado

priscila ortega

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "priscila ortega"

Copied!
184
0
0

Texto

(1)1. UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO ESCOLA DE COMUNICAÇÕES E ARTES. PRISCILA ORTEGA. CRISES AMBIENTAIS E OPINIÃO PÚBLICA: Um estudo de caso sobre os reflexos da comunicação. São Paulo, 2010.

(2) 2. UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO ESCOLA DE COMUNICAÇÕES E ARTES. PRISCILA ORTEGA. CRISES AMBIENTAIS E OPINIÃO PÚBLICA: Um estudo de caso sobre os reflexos da comunicação Monografia apresentada a Faculdade de Comunicações e Artes da USP – Universidade de São Paulo, para obtenção do grau de Especialista em Gestão Estratégica de Comunicação Organizacional e Relações Públicas. Orientadora: Profª. Drª. Sidinéia Gomes de Freitas. São Paulo, 2010.

(3) 3. CRISES AMBIENTAIS E OPINIÃO PÚBLICA: Um estudo de caso sobre os reflexos da comunicação. PRISCILA ORTEGA Aprovada em 30/08/2010. BANCA EXAMINADORA. ________________________________ Profª. Drª. Sidinéia Gomes de Freitas. ________________________________ Profª Drª Maria Aparecida Ferrari. ________________________________ Profº. Ms, Giovani Celso Agnoletto. CONCEITO FINAL:. 9.

(4) 4. SUMÁRIO INTRODUÇÃO................................................................................................................ 8. I – COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL, RELAÇÕES PÚBLICAS E 13 OPINIÃO PÚBLICA........................................................................................................ II – CRISES AMBIENTAIS E CATÁSTROFES URBANAS.................................... 23. III – IMAGEM E GESTÃO DE CRISES GOVERNAMENTAIS.............................. 32. IV – ESTUDO DE CASO............................................................................................... 37. 4.1 Metodologia................................................................................................................. 40 4.1.1 Pesquisa de campo.................................................................................................... 40 4.1.2 Entrevistas qualitativas............................................................................................. 41 4.1.3 Entrevistas quantitativas........................................................................................... 45 4.1.4 Pesquisa bibliográfica............................................................................................... 55 4.1.5 Pesquisa documental................................................................................................. 55 4.1.6 Análise de conteúdo.................................................................................................. 56. CONSIDERAÇÕES FINAIS.......................................................................................... 61. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS........................................................................... 65. ANEXOS......................................................................................................... 70.

(5) 5. LISTA DE GRÁFICOS E ILUSTRAÇÕES 1 – Formulário da pesquisa de opinião. 46. 2 – Tabela com resultado completo da pesquisa de opinião. 47. 3 – Gráfico com percentual de homens e mulheres entrevistados. 49. 4 – Gráfico com faixa etária dos entrevistados. 50. 5 – Gráfico com faixa etária dos homens entrevistados. 50. 6 – Gráfico com faixa etária das mulheres entrevistadas. 51. 7 – Gráfico com escolaridade dos entrevistados. 51. 8 – Gráfico com pesquisa de opinião sobre a imagem do prefeito. 52. 9 – Gráfico com pesquisa de opinião sobre as ações da Prefeitura. 52. 10 – Gráfico com pesquisa sobre ações da Defesa Civil. 53. 11 – Gráfico com pesquisa sobre conscientização ambiental da população. 53. 12 – Gráfico com pesquisa de opinião sobre as matérias publicadas na. 54. imprensa 13 – Gráfico com pesquisa sobre o hábito de leitura dos moradores da Vila. 54. Any 14 – Gráfico com análise de conteúdo do jornal Guarulhos Hoje. 56. 15 – Gráfico com análise de conteúdo do jornal Folha Metropolitana. 56. 16 – Gráfico com análise de conteúdo do jornal Diário de Guarulhos. 57. 17 – Gráfico comparativo entre os três jornais de Guarulhos. 57. 18 – Formulário utilizado para análise de conteúdo dos jornais. 58. 19 – Tabela com descrição das matérias utilizadas para análise de conteúdo. 59.

(6) 6. ANEXOS ANEXO I – Pesquisa qualitativa: entrevista em profundidade com o Prefeito de Guarulhos, Sebastião Almeida........................................................................................ 71 ANEXO II – Pesquisa qualitativa: entrevista em profundidade com diretor da Defesa Civil, Paulo Victor Novaes............................................................................................. 74 ANEXO III – Pesquisa qualitativa: entrevista em profundidade com vítima das enchentes na Vila Any, Eliane dos Santos Apolinário................................................... 78 ANEXO IV – Pesquisa qualitativa: entrevista em profundidade com secretário Adjunto de Assistência Social, Samuel Vasconcelos..................................................... 79 ANEXO V – Pesquisa qualitativa: entrevista em profundidade com secretária Estadual de Saneamento e Energia, Dilma Pena............................................................ 83 ANEXO VI – Pesquisa qualitativa: entrevista em profundidade com presidente da Amat e prefeito de Ferraz de Vasconcelos, Jorge Abisamra ......................................... 85 ANEXO VII – Pesquisa qualitativa: entrevista em profundidade com secretário de Governo, Alencar Santana.............................................................................................. 88 ANEXO VIII – Pesquisa qualitativa: entrevista em profundidade com secretário de Meio Ambiente, Alexandre Kise.................................................................................... 94 ANEXO IX – Pesquisa qualitativa: entrevista em profundidade com secretário de Habitação, Orlando Fantazzini....................................................................................... 102 ANEXO X – Pesquisa qualitativa: entrevista em profundidade com secretária Nacional de Habitação do Ministério das Cidades, Inês Magalhães ............................. 105 ANEXO XI – Análise de conteúdo: notícias, editoriais e charges. 107. ANEXO XII – ESTATÍSTICAS DE OCORRÊNCIAS DA DEFESA CIVIL.............. 167 ANEXO XIII – REGISTROS FOTOGRÁFICOS.......................................................... 170.

(7) 7. RESUMO O ano de 2010 foi marcado por catástrofes ambientais. Diversos agravantes vieram com elas: crises de imagem, exposições negativas na mídia e oscilações da opinião pública. Esta pesquisa apresenta um estudo de caso sobre as enchentes que inundaram a Vila Any, em Guarulhos, e o desafio da comunicação governamental para a gestão de crises.. ABSTRACT The year of 2010 was marked by environmental catastrophes. Several aggravating came with them: image crisis, negative exposure in the media and public opinion oscillations. This research presents a case study on the floods that inundated the Any Village, in Guarulhos, and communication challenge to the government crisis management.. PALAVRAS-CHAVES: Catástrofes ambientais, opinião pública, comunicação governamental e gestão de crises.

(8) 8. INTRODUÇÃO A monografia Crises ambientais e opinião pública: um estudo de caso sobre os reflexos da comunicação se baseia na gestão de crises do governo municipal durante as enchentes que atingiram a cidade de Guarulhos, na Grande São Paulo. O objetivo é expor o contexto macro que altera as condições climáticas e ambientais, explicar como esses elementos se inter-relacionam para a formação da opinião pública e mostrar como a imagem do governo foi afetada pela crise após as enchentes. A observação participante foi utilizada para estudar de perto os reflexos dos desastres ambientais no bairro Vila Any, o consequente agravamento dos problemas sociais nos abrigos provisórios e as ações articuladas pelas Secretarias Municipais. Um estudo qualitativo de matérias jornalísticas mostra a linha editorial da imprensa escrita durante a cobertura das catástrofes em janeiro de 2010. Guarulhos é o segundo município mais populoso do Estado de São Paulo. Sua população é de aproximadamente 1,3 milhão de habitantes. A cidade tem um PIB de mais de 16 bilhões, no entanto, tem problemas habitacionais e ambientais em função da explosão demográfica e da falta de infra-estrutura. Além disso, desde o dia 7 de dezembro de 2009 está sofrendo os efeitos das enchentes que afetaram cerca de 1.000 famílias, 180 só na Vila Any, bairro mais prejudicado pelas cheias do rio Tietê. De acordo com publicação da empresa Rio Negro (2007, p. 30) a história de Guarulhos é marcada por intenso desenvolvimento econômico:. Guarulhos faz parte do seleto grupo das dez cidades brasileiras responsáveis por 25% do Produto Interno Bruto. A cidade conta com 2.300 indústrias, 15 mil estabelecimentos comerciais e 45 mil empresas prestadoras de serviços. Em 2006, atingiu o 9º maior PIB do País (...).. Paradoxalmente, a cidade tem pouca infraestrutura. Os saldos dos balanços sociais publicados na revista da Secretaria de Habitação (2009, p. 16-17) não são positivos: distante 15 quilômetros da Capital, o município cresceu com um processo de ocupação desordenado e concentração nas áreas urbanas. A cidade foi historicamente marcada pela segregação territorial e exclusão social. O município concentra enorme demanda por melhores condições de habitação. O agravamento do déficit habitacional aconteceu na década de 70 com o surgimento de favelas na beira de córregos e loteamentos irregulares e clandestinos. A Secretaria estima que a cidade tenha 372 núcleos de favelas, com 22.563 domicílios,.

(9) 9. totalizando 88.446 habitantes, o que equivale a 6,8% da população vivendo em condições precárias. Os dados confirmam o problema do crescimento demográfico acelerado: “Encravado na Região Metropolitana de São Paulo, formada por 39 cidades, Guarulhos é o segundo município mais populoso do Estado e o 13º do país, com uma população de 1,3 milhão de habitantes (2009, p. 16)”. De acordo com publicação do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (2007, p.14), atualmente, o setor produtivo da cidade supera o de muitas capitais brasileiras. A vocação industrial e a abertura do aeroporto internacional contribuíram para transformar Guarulhos na segunda maior cidade do Estado de São Paulo. Todavia, isso não foi suficiente para diminuir a exclusão social que atinge a população das periferias. Por falta de moradia adequada, centenas de famílias ocuparam as regiões de várzea, às margens dos rios e córregos, causando sérias consequências para o meio ambiente. Odum ([s.d.], p. 122) explica que o mecanismo das bacias hidrográficas não é um sistema fechado, pelo contrário, as massas de água têm bacias de drenagem. Mas, em Guarulhos essas bacias de escoamento foram ocupadas por causa das invasões. Os reflexos são evidentes: “(...) os corpos d’água passam a ter péssima qualidade quando atravessam áreas urbanizadas, principalmente devido ao lançamento de efluentes poluidores, que até o dia de hoje ainda não são tratados pelo sistema público (RIO NEGRO, 2007, p. 12)”. O plano de drenagem da Coordenadoria de Assuntos Aeroportuários (2007, p. 33-34) desenvolvido pelo governo municipal já apontava áreas de risco e previa inundações na cidade, muitas delas, em função das construções irregulares em locais de encostas e cursos d’água. O Plano apresentava as seguintes previsões:. Do ponto de vista das áreas de risco de inundações e enchentes, segundo levantamentos efetuados por técnicos da Prefeitura, o Município de Guarulhos conta com 2.069 moradias em diferentes níveis de risco. Enchentes e inundações, pelos critérios adotados, têm condições de risco e potencial destrutivo classificado de acordo com a intensidade da energia cinética das águas, a vulnerabilidade das moradias a acidentes (relacionada ao seu padrão construtivo) e a distância das habitações em relação aos cursos d’água.. Os moradores, segundo o relatório, deveriam ser retirados destes locais, mediante a implementação de programas habitacionais. Outro fator apontado pelo plano da.

(10) 10. Coordenadoria de Assuntos Aeroportuários (2007, p. 8-9) é o reflexo das intervenções humanas para o agravamento das enchentes: As atividades humanas, especialmente nas últimas décadas, vêm provocando profundas alterações no ambiente natural gerando impactos e situações extremamente críticas, que se refletem tanto na quantidade como na qualidade das águas (...) Com a urbanização das bacias hidrográficas, o aumento da impermeabilização do solo, as canalizações, toda a rede de drenagem pode gerar vazões máximas até sete vezes maiores (...).. O problema de pesquisa surgiu porque o volume de chuvas na cidade de Guarulhos excedeu a previsão das últimas décadas e vários bairros ficaram alagados. O mais afetado é o bairro Vila Any, que fica às margens do rio Tietê, onde as famílias foram resgatadas de barco no telhado de suas casas. Em janeiro, quando as enchentes se acentuaram, a mídia impressa fez críticas ao governo municipal. Dos três veículos locais, um tem linha editorial neutra, outro crítica, e outro tem linha favorável ao governo. No entanto, nos últimos seis meses, sobretudo depois das enchentes, os jornais sinalizaram uma pequena diferença editorial. As pautas negativas aumentaram nos três jornais. As matérias publicadas nas edições de janeiro de 2010, um ano após o início do mandato do atual prefeito Sebastião Almeida e um mês após as enchentes, tornaram-se objeto de análise, com a finalidade de identificar no conteúdo possíveis argumentos negativos para a imagem do governo. Nesse mesmo período, o número de denúncias e questionamentos que chegavam ao Departamento de Relações com a Imprensa, da Secretaria Municipal de Comunicação era maior do que o número de releases publicados sobre as ações emergenciais do governo. A comunicação era reativa e não proativa. Representantes de 12 Secretarias Municipais criaram um grupo de trabalho para minimizar os problemas das famílias desabrigadas e as críticas da imprensa. Um abrigo provisório foi montado na Escola Municipal Herbert de Souza, localizada nas imediações da Vila Any e outros estabelecimentos foram utilizados para distribuição de roupas, alimentos, colchões e cobertores. Apesar das ações, alguns problemas permaneceram. As águas do rio Tietê não baixaram; o alagamento das casas persistiu e as críticas da imprensa também. Diante disso, o problema de pesquisa foi centrado no desencadeamento do desgaste da.

(11) 11. imagem governamental perante a imprensa e a opinião pública em virtude das crises ambientais. As catástrofes ambientais têm causas mundialmente conhecidas. O modelo econômico capitalista baseado no lucro ignora os prejuízos da exploração inconsciente dos recursos naturais, causando sérios danos ao meio ambiente. Os temas crise ambiental e gestão de imagem são importantes porque revelam preocupações atuais discutidas em todo o mundo. O problema é factual e comum a dezenas de municípios, pois os desastres se tornam cada vez mais freqüentes no Brasil. Nunca se falou tanto em desastres ambientais. O recente terremoto no Haiti, os deslizamentos de terra no Rio de Janeiro, as enchentes na capital de São Paulo, o desmoronamento de vias e o caos no trânsito das grandes cidades em função dos alagamentos são apenas alguns dos temas recentes pautados pela mídia nos últimos meses. A pesquisa sobre a gestão de crises ambientais sinaliza iniciativas locais que podem se transformar em planos regionais. Os sucessos ou fracassos das ações de Guarulhos revelam um conjunto de diretrizes que devem ser seguidas e falhas que devem ser evitadas na gestão de crises. A base de dados consiste em um importante documento que pode contribuir para o desdobramento de futuras pesquisas. Além disso, a investigação dá subsídios para que outros municípios enfrentem os desastres naturais e as críticas da imprensa, planejando ações articuladas e, sobretudo, reconhecendo o caráter estratégico da comunicação. O levantamento detalhado do assunto teve como diretriz, além do foco tradicional da coleta de dados, o estudo de caso. O método qualitativo amparou a investigação através da observação participante do fenômeno contemporâneo das enchentes dentro do contexto da vida real. Fontes primárias forneceram à base de dados descrições detalhadas do episódio nas entrevistas em profundidade realizadas com prefeitos, secretários municipais e especialistas. Foram utilizadas também fontes secundárias tais como relatórios de drenagem, históricos locais, matérias, fotos aéreas e estatísticas de atendimentos da Defesa Civil. A delimitação do objeto de estudo no processo de comunicação recaiu principalmente sobre a mensagem, já que sugere uma variação na linha editorial de três jornais impressos regionais durante o mês de janeiro que sucede as enchentes. Um dos desdobramentos do objeto de análise foi o contexto, sobre o qual a pesquisa viabilizou uma descrição minuciosa dos cenários mais atingidos pelas enchentes e das ações do gabinete de crise. Embora não seja.

(12) 12. o foco central do trabalho, a monografia traz uma pequena amostra do processo de recepção para explicar como o contexto e a mensagem influenciaram na construção da opinião pública. A pesquisa foi desenvolvida sobre o ponto de vista da gestão de crise governamental. O enfoque está na comunicação impressa dentro do contexto social, e nos reflexos dessa relação para a formação da opinião pública. De uma forma geral, a comunicação de governo está despreparada para enfrentar as surpresas. Problemas como greves, rebeliões em presídios, denúncias graves e inundações podem acontecer diversas vezes durante um mandato de quatro anos. Mas o planejamento governamental é focado em aspectos normativos sem levar em consideração as variações no contexto social. O foco de atenção da imprensa pode mudar bruscamente por causa das ocorrências negativas, tais como desastres naturais e desequilíbrios econômicos; portanto, essa pesquisa pretende dar subsídios para a administração de imagem e a gestão de crises..

(13) 13. I – COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL, RELAÇÕES PÚBLICAS E OPINIÃO PÚBLICA A comunicação organizacional e as relações públicas são elementos estratégicos importantes no gerenciamento da imagem das organizações privadas ou públicas. Indispensável em momentos de crise, a comunicação organizacional é definida de diversas formas. Iasbeck (2009, p.106-107) entende por comunicação organizacional o processo de produção, tratamento, transmissão, recepção e retroalimentação de informações que acontece nos ambientes organizacionais. Para ele, uma das grandes diferenças entre comunicação organizacional e relações públicas consiste na natureza de seus conceitos: a primeira é antes de tudo um pensamento comunicativo, uma abstenção necessária para a compreensão dos fenômenos que, quando tangíveis e aparentes, podem e devem ser administrados pela segunda. Ele explica que para a comunicação organizacional interessam as questões políticas, éticas, sociais, e muitas outras, que afetam a dinâmica organizacional, porque é necessário equacionar problemas a partir da análise e da demonstração de resultados e a comunicação pode fornecer aportes seguros para as ações dos profissionais de relações públicas. Enumerando as infinitas possibilidades de definições sobre as relações públicas, Canfield (1961, p.19) questionou dois mil profissionais que deram diferentes conceituações para o tema, duas delas estão descritas a seguir:. Relações Públicas são o processo contínuo pelo qual a administração procura obter a boa vontade e a compreensão de seus fregueses, empregados e público em geral; internamente, por meio de auto-análise, e externamente, por todos os meios de expressão.. Relações públicas são o processo contínuo de organizar políticas, serviços e ações, no interesse de indivíduos e grupos, cuja confiança e boa vontade uma pessoa ou instituição deseja obter; em segundo lugar é a interpretação dessas políticas, serviços e ações, para assegurar completa compreensão e apreciação.. As relações públicas evoluíram nas últimas décadas. Kunsch (2009, p.51-52) explica que ao longo da história, a prática profissional passou por grandes transformações. Durante.

(14) 14. muito tempo ela foi entendida como uma função meramente técnica. No entanto, hoje é entendida como um papel estratégico imprescindível para que as organizações administrem e aperfeiçoem o relacionamento com os seus públicos. Para Kunsch, a comunicação organizacional, na forma em que se acha configurada hoje, é fruto de sementes lançadas a partir do período da Revolução Industrial, que produziram frutos rapidamente. A comunicação nas organizações foi assumindo novas características, sendo desenvolvida tecnicamente e se baseando em pesquisas de opinião entre os diferentes públicos que compõem o processo de comunicação. As relações públicas não se limitam ao âmbito das empresas privadas, mas são fundamentais para os governos e organizações sociais, políticas e educacionais. Canfield (1961, p.21) acredita que as relações públicas não substituem a boa direção e as ações administrativas fundamentais, nem são panacéias para quaisquer males das organizações. E critica: “como um doente que toma qualquer remédio ao seu alcance, muitas organizações indispostas tomam periodicamente largas doses de RP”. Para ele, as relações públicas de qualidade são aquelas construídas na convivência com o público e são os únicos remédios para dissipar os vícios organizacionais. As relações públicas também estão inseridas no ambiente complexo das empresas competitivas que precisam de versatilidade e habilidade para sobreviver no mercado. Freitas e França (1997, p.60) afirmam que: O enfoque atual do mercado está concentrado nas rápidas transformações da sociedade e das organizações e na necessidade de adaptação às modernas necessidades das empresas para sobreviverem no meio da agressiva concorrência de um mundo cada vez mais global. A formação do profissional de relações públicas hoje deve estar muito mais voltada para o domínio do conhecimento das estruturas organizacionais, mercadológicas e especialmente das técnicas de suas função num mundo direcionado para as parcerias, a qualidade, o atendimento ao cliente, a capacidade de discernir e julgar, aliadas à habilidade de discutir e executar com sucesso tudo o que foi planejado.. As relações públicas funcionam, de acordo com Canfield (1961, p.24) como uma atividade essencial porque está em todas áreas da vida social e econômica. “A alta posição que RP ocupa na administração de grandes organizações é mais uma evidência de sua.

(15) 15. crescente popularidade e importância”. Ele afirma que o grande público de uma organização é uma coleção de públicos individuais, cada um com seus interesses e problemas próprios. A comunicação, cada vez mais, vem sendo reconhecida como o processo fundamental pelo qual as organizações existem e como ponto central para a análise da produção e reprodução organizacionais, segundo Deetz (2010, p.84-85). Muito embora, às vezes, a comunicação ainda é vista apenas como uma das atividades organizacionais, como uma ferramenta de gestão. Todavia, a comunicação está assumindo seu espaço. Nesse sentido, as novas concepções demonstram que ela é constitutiva das organizações e tem como foco não só a transmissão de informações, mas a produção de significados. Deetz (2010, p.88), entende que o significado da comunicação estratégica está localizado em algum lugar, sendo o trabalho da comunicação distribuí-lo. A opinião pública está intimamente ligada ao trabalho das relações públicas. Para Canfield (1961, p.22) “o objetivo básico de RP é moldar e influenciar a opinião pública”. Sua definição, contudo, não é simples. Ele acredita que opinião pública é um assunto nebuloso e difícil de ser explicado. “Do ponto de vista de RP, o público é um grupo de pessoas com um interesse em comum; e opinião é o que alguém acha, ou acredita, em relação a um assunto controverso”. As relações públicas e a opinião pública se encontram no universo profissional. Canfield (1961, p.40-41) explica que melhorar a qualidade da opinião pública, colocando-a em nível mais alto e racional, constitui a responsabilidade máxima do profissional de relações públicas, incluindo a elevação do pensamento coletivo dos grupos, apelando mais à razão do que à emoção, porque a capacidade de opinião racional existe em todos os indivíduos, mas cabe às relações públicas tentar desenvolvê-las. Ele garante que o público esclarecido já não aceita mais as declarações tendenciosas ou exageros para enganar a população, portanto, não resta a menor dúvida de que o público bem informado está se tornando cada vez mais crítico e mais interessado no conhecimento dos fatos, examinando-os para depois da análise manifestar sua opinião sobre os fatos. Além das relações públicas, a opinião pública também é influenciada por outros fatores tais como a linguagem. Para formar ou informar a opinião pública, de acordo com Canfield (1961, p.47), a linguagem é essencial. Ela é o alicerce da comunicação e do relacionamento entre as pessoas e principal instrumento na formação da opinião. As idéias manifestadas na imprensa com ilustrações e figuras tendem a influenciar e modificar as atitudes e formar a opinião, por conseguinte, a imprensa coopera significativamente para tecer as imagens sociais que conduzem a opinião das pessoas..

(16) 16. O aumento das pesquisas de opinião pública indica, segundo Canfield (1961, p.24), a importância que as organizações estão dando ao modo de ver do cidadão comum para a organização de suas políticas e atitudes. Apesar do aumento do número de pesquisas, a técnica de sondagem de opinião, para Melange (1968, p.3), enfrenta uma série de preconceitos, por isso é tão oportuno analisar seus métodos, os riscos de erros e as manipulações. A opinião pública é influenciada por elementos da sociedade e da mídia. Novelli (1999, p.90-91) diz que o papel dos meios de comunicação de massa merece destaque no processo de formação da opinião. “Principais agentes de disseminação das informações na atualidade, os meios de comunicação substituem as antigas formas de troca de experiência limitadas ao grupo original de cada indivíduo”. Ela afirma ainda (1999, p.93-94) que “(...) ao invés de ser a soma numérica de opiniões isoladas, a opinião pública é um processo contínuo em permanente evolução que decorre da troca mútua de experiências, argumentos e informações”. A imprensa não é a única responsável pela influência sobre o receptor. Novelli (1999, p. 89) diz que para o indivíduo o contexto social é o mais importante, pois ele o modifica e influencia suas percepções dependendo de sua classe econômica, seus hábitos e sua localização geográfica. No entanto, as idéias de José Marques de Melo (1983, p.105), se contrapõem às de Novelli quando enfatizam o papel formador da comunicação de massa: A opinião pública na sociedade contemporânea sofre grandes mudanças devido à influência dos meios de comunicação de massa, pois esses difundem informações a um grande número de pessoas e dispõem, para seu trabalho, de dispositivos mais eficazes, que de uma localização chegam até seus indivíduos.. A definição de Melo (1983, p.105) confirma a de Novelli, quando ele afirma que no estudo de opinião pública dois elementos da sociedade são de suma importância: os meios de comunicação de massa e a influência das “massas” no destino dos valores e na própria organização da sociedade. As pesquisas de opinião captam o julgamento dos indivíduos quando os costumes e sentimentos que as sustentam são postos em questão, ou quando surgem conflitos sobre algum tipo de posicionamento. Para Melo (1983, p.108) sua finalidade primordial é captar o.

(17) 17. movimento das opiniões do consenso social num dado momento e num contexto específico, emitindo a possibilidade através dos resultados de obter documentos que permitam analisar a origem e a dinâmica do processo. Childs (1964, p.79-80) concorda que “a formação da opinião pública deve ser entendida como um processo que pressupõe um conhecimento de como se formam as atitudes e de como as opiniões têm a influência de uma multiplicidade de fatores”. Considerando o papel da comunicação midiática enquanto estruturadora da realidade social, Novelli (1999, p.117) assegura que a opinião pública teria como uma de suas principais fontes de configuração as próprias informações veiculadas na mídia. Além disso, ela afirma (1999, p.182) que mesmo desempenhando papel de destaque no jogo político, a opinião pública continua sendo um fenômeno social de difícil conceituação. As pessoas podem expressar uma opinião mesmo que não seja a sua própria opinião, pois, segundo Novelli, (1999, p.178) A partir dos estudos sobre a hipótese da espiral do silêncio, a opinião da mídia tende a ser compreendida pela sociedade como a opinião dominante, ou seja, a opinião da maioria das pessoas, e o medo do isolamento e da rejeição social levam tendencialmente as opiniões divergentes a convergirem para a opinião da maioria. É por isso que Galvão (2003, p.62) reforça a existência da capacidade de “agendamento” da mídia e diz que sua influência sobre a opinião pública potencializa a crise. É importante ressaltar que a forma de controle social que é exercida pela opinião pública, ou melhor, o poder que lhe é atribuído na formação de um consenso comum a todos, com esse papel de controle que lhe é dado, a opinião pública, manipulada por interesses diversos, procura reprimir ou prevenir formas de comportamento que não se chocam diretamente com os comportamentos e instituições estabelecidos por grupos dominantes, mas que encontram a rejeição mais ou menos sentida por parte dos componentes que formam outros grupos, o que justifica a espiral do silêncio. Descrever cientificamente o processo de formação da opinião pública não é uma tarefa simples, nem mesmo para os pesquisadores experientes. Landowski (1992, p.19) citando Burdieu “Opinion Publique” diz que “a opinião faz parte dos fenômenos sociais aparentemente evidentes, mas que se furtam à análise a partir do momento em que esta vise à precisão científica”. O autor reconhece a habilidade dos jornalistas de trabalhar com as opiniões voláteis que refletem apenas um momento da história. Para os jornalistas, que se atribuem o privilégio de estarem constantemente sintonizados na escuta das opiniões das pessoas, as sondagens são.

(18) 18. sempre de um valor aproximativo e só podem proporcionar, no máximo, a fotografia de um momento da opinião, garante Landowski (1992, p.20) A palavra opinião designa um protagonista ao qual cabe certo papel numa narrativa de aspecto prático ou serve para identificar um dos interlocutores, segundo Landowski (1992, p.21-22). No plano do discurso enunciado, ele entra em esquemas narrativos, mas intervém igualmente na encenação do próprio ato de enunciação, daí a necessidade de considerar também as estratégias discursivas. Citando Chamfort, o autor diz que a opinião pública é uma jurisdição que o homem de bem nunca deve reconhecer perfeitamente nem jamais menosprezar. O discurso da opinião é analisado, de fato, como um discurso de persuasão. Erbolato (1991, p.51) afirma que o que sabemos sobre os numerosos assuntos de interesse público depende do que nos dizem os veículos de comunicação e assegura que a informação é um reflexo da realidade social apoiado em processo através do qual surge a opinião pública. Lane e Sears (1966, p. 24), tratando sobre o conceito de opinião pública advertem: Descrevemos uma opinião como se consistisse, meramente, numa ‘resposta’ a uma ‘pergunta’. Na realidade, claro, uma pessoa dispõe, geralmente, de uma variedade de diferentes ‘respostas’ que pode dar a uma determinada questão. O conjunto de opiniões que uma pessoa tem sobre um tópico pode ser descrito de muitas e importantes maneiras.. A opinião de um grupo não representa necessariamente a opinião unânime de todos os seus membros, segundo Canfield (1961, p.31). Para ser verdadeiramente ‘opinião pública’, o ponto de vista do grupo deve ser a expressão da minoria, tanto quanto da maioria. A minoria deve marchar com a maioria, do contrário não haverá opinião pública e será desconsiderada a expressão popular. A opinião pública não existe individualmente. A apreciação e o julgamento surgem nos grupos sociais. Canfield (1961, p.23) assevera:. Opinião pública é designação coletiva. Representa mais que uma quantidade de opiniões individuais dos membros de um grupo. É o complexo resultado de ação recíproca de opiniões individuais de grupo..

(19) 19. Para o autor “a opinião é um produto de inúmeras influências físicas e mentais que, tomadas em conjunto, dão origem a atitudes que se exprimem em forma de opiniões”. Além disso, ele acredita que “lastros culturais, raciais e religiosos, emprestam seu matiz à opinião pública”. Na integração entre a pessoa e o ambiente, a opinião permite, sobretudo, expressar aspectos subjetivos tais como tensões e necessidades. Mas, de acordo com Augras (1970, p.13), também é possível focar na forma pela qual a opinião se exprime. A paixão é uma das formas de expressão indissociáveis da opinião pública. Uma das mais claras definições sobre opinião pública vem de Rousseau e foi escrita no século XVIII, segundo Childs (1964, p.45); ele foi o primeiro a usar a expressão ‘opinião pública’ e afirmou que qualquer governante que se dedique a legislar para um povo “deve saber como manejar as opiniões, e através delas governar as paixões dos homens”. Historicamente é possível traçar uma linha do tempo seqüencial com as pesquisas sobre opinião pública. Childs (1964, p.45-46) afirma que um dos primeiros a discutir a importância da opinião pública como fator político foi Jacques Necker, ministro da Fazenda da França. Ele foi o autor da única análise pormenorizada do conceito de opinião pública na época da Revolução Francesa. Na Alemanha, a Revolução inspirou o tratamento do assunto por autores importantes, tais como Hegel. Então surgiram discussões mais precisas como tentativas de determinar o papel da opinião pública nos negócios públicos. Hegel formulou a teoria de que a opinião pública só devia ser respeitada quanto aos princípios essenciais nela contidos, e que cabia ao dirigente descobrir quais eram esses princípios fundamentais. O número de referências sobre opinião pública é significativo. Childs (1964, p.47) assegura que o problema da habilidade das massas de exprimir suas opiniões sobre os assuntos da política nacional foi discutido extensamente. Autores importantes como Taylor e Austin também se ocuparam com a análise da opinião pública. Para Childs (1964, p.47-48), a crescente importância da imprensa em sua relação com a formação da opinião pública atraiu o interesse desses pesquisadores que analisaram cuidadosamente as relações entre a opinião pública, e o direito das instituições políticas. Cientistas políticos como Tocqueville e Bauer, fundamentavam suas hipóteses na influência da opinião pública sobre os governos e as instituições oficiais. Eles acreditavam que a opinião pública era um importante meio de controle social. Já os estudos de caráter psicológico enfatizam o papel da hereditariedade e do ambiente na formação das opiniões individuais. Os estudiosos de direito, pesquisaram a opinião pública sob a ótica da influência que ela exerce nas diretrizes governamentais. A própria manipulação e o controle da opinião.

(20) 20. pública sempre interessou os pesquisadores. Desde 1919, antes da grande Guerra o interesse ampliou-se porque os governos queriam descobrir como obter o consentimento da sociedade. Assim como a mídia exerce influência sobre as opiniões, o ambiente de convívio social também é importante na formação dos complexos juízos coletivos. Lane e Sears (1966, p. 127) dizem que a maior parte das opiniões se formam a partir de referências sociais, da família e dos grupos de convivência, mas essas tendências não são capazes de criar padrões isentos para a formação da opinião pública. A opinião é muito parecida com uma verdade particular. Segundo Nascimento (1989, p.36), ela é um dado de consciência que só pode ser verificado pelo próprio sujeito. Mencionando Hobbes ele afirma que existe, inclusive, uma “cadeia de opiniões”, mas que acaba se reduzindo a opiniões particulares. As opiniões também se consolidam no universo político. Lane e Sears (1966, p.9) afirmam que “a orientação do governo e, de fato, todos os acontecimentos históricos importantes são modelados pelas opiniões dos membros das comunidades políticas envolvidas”. Para eles, as resoluções das questões de interesse sobre o governo são influenciadas, de um ou outro modo, pelos sentimentos do público, embora a influência equivalha, muitas vezes, a um círculo vicioso. Muitos outros conceitos foram criados para a opinião pública. Román (1983, p.29) diz que “o pensamento coletivo de um grupo de pessoas com interesses comuns, em relação a alguma coisa controversa, constitui a opinião pública”. Por outro lado, a opinião pública é essencialmente um produto da interação social, e desta forma não surge como força espontânea, pois para a sua formação concorrem os valores culturais, as normas de determinada sociedade, a atuação de seus líderes, a pressão dos grupos de interesses e os meios de comunicação social. Os meios são os determinadores mais imediatos da opinião pública, uma vez que os estímulos produzidos pelo emissor tendem a modificar o comportamento do receptor. As ideias interpretadas na imprensa, nas ilustrações, nas figuras e nas combinações da linguagem escrita e falada repercutem sobre os costumes, influenciando decisivamente no desenvolvimento da opinião das pessoas. É por isso que os jornais têm força na constituição dessa opinião; a notícia anunciada provoca o primeiro impacto no público, e assim, quanto maior a sua contemporaneidade maior a sua força. No entanto, as notícias veiculadas pela imprensa e emissoras de rádio e TV na maioria das vezes estão voltadas a interesses de grupos econômicos ou políticos e os dados que chegam às redações já estão, alteradas ou mutiladas pelas grandes forças mundiais que monopolizam as informações através de suas agências de notícias. Román (1983, p.31) diz.

(21) 21. que a preponderante influência dos jornalistas sobre a opinião pública retira-lhe o caráter de uma força racional fundada sobre a discussão e o raciocínio. A opinião pública converteu-se em um elemento manobreiro, irracional, facilmente manipulado para servir à defesa de causas e objetivos dos que têm conhecimento do seu poder e da conveniência de sua utilização. A opinião não deve ser vista como um elemento imutável, pois, de acordo com Tarde (1992, p. 83), ela é como um grupo momentâneo e mais ou menos lógico de juízos, que respondendo a problemas expostos, acham-se reproduzidos em numerosos exemplares, em pessoas da mesma localização geográfica, da mesma época, da mesma sociedade. Para ele, a transformação de uma opinião individual em opinião social acontece devido às conversações na interação da sociedade com a imprensa. Román (1983, p.32) também enfatiza que a opinião tem características dinâmicas:. A opinião pública não constitui um padrão estático: ela própria é o produto final de inúmeras influências que a dirigem e a modelam. Devido à importância que todos dão à crítica, ao desejo próprio de conquistar aprovação e simpatia, a opinião pública se constitui em um elemento decisivo de ‘integração social’. Ela é, ao mesmo tempo, criadora e modificadora de comportamentos sociais; porém, todo esse poder de controle social e de modificação que ela tem está enormemente influenciado por inúmeros fatores que intervêm na sua formação.. Os canais de comunicação são mecanismos que se constituem como formadores da opinião pública. Eles trazem idéias, notícias e outras representações, que são determinantes imediatos da opinião, assim como as comunicações interpessoais, os rumores e a ação do grupo sobre cada um de seus integrantes. Toda essa influência que é exercida pelos meios de comunicação sobre a formação da opinião pública é determinada, por sua vez, pelo lugar em que as pessoas vivem, pela idade e pelo grau de prosperidade que elas têm, e também por fatores como herança física, social e psicológica que cada indivíduo possui. A opinião pública é parte do processo de comunicação, afirma Corrêa (1988, p.12), por isso, ela pode entendida como um dos efeitos da comunicação coletiva, pressupondo para tanto a existência de um estímulo, produzido por alguém e captado por parte da sociedade. Ele explica ainda (2002, p.17), que a opinião pública pode ser vista como um processo que busca encontrar a verdade através de um debate aberto, todavia, sob influência marxista pode ser.

(22) 22. explicada como um procedimento não reflexivo, que não está amarrado ao debate de conceitos, mas está ligada a condições sociais e históricas. Os fatos novos são responsáveis pela criação dos fluxos de opinião. Sauvy (1966, p.13) afirma que as correntes de opinião, em geral, criam-se em conseqüência de acontecimentos novos, por vezes de pouca relevância; pode tratar-se de simples amadurecimento de idéias, discreto senão subterrâneo, que desabrocham inesperadamente em uma manifestação de conceitos. O contexto é indissociável da opinião porque exerce forte influência sobre ela. Segundo Viá (1983, p.12), por ser de caráter fundamentalmente social, não se pode estudar opinião pública fora de sua conjuntura, pois ela está ligada a uma série de fatores que a condicionam e dentro dos quais ela cresce, entre eles estão: a estrutura interna dos grupos, o grau de mobilidade social, a estrutura social do país, o grau de urbanização, o grau de tradição, as normas e os valores da sociedade. Tarde (1992, p.79) garante “A opinião está para o público, nos tempos modernos, assim como a alma está para o corpo, e o estudo de um nos conduz naturalmente ao outro”. Em suma, sem opinião não existe sociedade, assim como, sem sociedade não existe opinião..

(23) 23. II– CRISES AMBIENTAIS E CATÁSTROFES URBANAS As discussões sobre as crises ambientais chegam à população quando os desastres acontecem no seu núcleo familiar ou quando a mídia mostra as reportagens com freqüência. O processo de conscientização está intimamente ligado com a predisposição da opinião pública de assumir o compromisso da sustentabilidade. Segundo publicação da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (2010, p.34), neste início de século XXI, a humanidade está cruzando um marco para o qual caminhou por milhares de anos, desde o surgimento das primeiras cidades. Em 2009, a maioria dos 6,6 bilhões de seres humanos já vivia em cidades, segundo cálculo do Programa das Nações Unidas para Assentamentos Urbanos (UM Habitat). Mendes (2006, p.129) afirma que com quase metade da população global vivendo na atualidade em áreas urbanas, que deverá aumentar para 60% até 2030, fica difícil suprir as demandas de água. O resultado é que está ocorrendo rapidamente um aumento das necessidades em locais que não têm boas condições para abrigar mais gente, resultando em colapso dos serviços urbanos e na piora das condições de vida. De acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU), um em cada três moradores de cidades nos países em desenvolvimento mora em bairros pobres ou miseráveis. Estima-se que em 2030, de cada dez pessoas, seis viverão nas cidades. É um dado preocupante, pois sinaliza muitos desafios como déficits habitacionais, poluição ambiental e aquecimento global. No dia-a-dia, as dificuldades se agravam. Isso se traduz em notícias sobre engarrafamentos de trânsito, proliferação de favelas, enchentes, entre outros problemas urbanos. Assistimos as tragédias com diferentes causas que podem levar cidades a desaparecer. Catástrofes naturais, como terremotos, erupções vulcânicas, doenças epidêmicas, incêndios e inundações. A urbanização é símbolo de progresso, mas nem sempre é isso que ela traz. É possível analisar alguns exemplos prejudiciais como as calçadas e asfaltos, que apesar de dar conforto para o transporte impermeabilizam o solo. A água das chuvas não consegue penetrar e agravam as enxurradas e as enchentes. A solução seria substituir por blocos com faixas de grama para permitir a drenagem da água. Os rios tiveram seus traçados retificados, tornandose menos sinuosos, mas seu leito foi ocupado e muitas cidades e avenidas foram construídas em suas margens. Como o solo foi impermeabilizado, no decorrer do tempo sua vazão fica comprometida nas chuvas fortes, por causa do assoreamento, ou depósito de sedimentos no.

(24) 24. leito do rio por esgoto, lama e lixos levados pelas enxurradas. Como resultado, há enchentes e engarrafamentos de trânsito nas vias afetadas. Inundação é o desastre mais comum no mundo, segundo publicação da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (2010, p.43). De acordo com a ONU, o crescimento da população em áreas inundáveis e o agravamento das mudanças climáticas aumentam a cada ano a frequência e a severidade das enchentes. Cerca de 150 milhões de pessoas, principalmente pobres, são afetadas pelas enchentes todos os anos. Noventa e quatro por cento das pessoas que morreram em acidentes naturais no mundo, entre 1975 e 2000, tinham renda abaixo da média. Em 2008 ocorreram no mundo 158 enchentes, 99 tempestades, 21 terremotos, 15 deslizamentos de terra, 12 secas, oito temperaturas extremas, seis vulcões e quatro incêndios florestais. As cheias dos rios, sobretudo os de várzea, são tão naturais quanto os períodos de seca e chuva. Em projetos de urbanização, preservar as áreas inundáveis para os rios evitaria muitas calamidades. As crises ambientais têm várias causas. O desmatamento é uma delas. A vegetação protege a área da erosão e melhora os processos de infiltração e armazenamento da água no solo. As redes de coleta das águas pluviais devem ser dimensionadas com sistemas de armazenamento, tais como “piscinões” e outras técnicas de vazão para não sobrecarregar os rios e os córregos. As matas ciliares devem ser preservadas e as planícies inundáveis não devem receber construções. O que ocorre, na maioria dos casos, é que o assoreamento, o lixo e as construções irregulares atrapalham o caminho do rio e das vias pluviais. Edifícios e asfaltamentos impermeabilizam o solo agravando as cheias. Os solos desmatados, os sistemas de coleta pluvial e os córregos canalizados aumentam a vazão de água das chuvas diretamente para os rios. Sem planejamento nem gestão urbana corretos, áreas de risco como margem de rios e córregos e encostas de morros são ocupadas irregularmente. O solo desmatado sofre erosão. Sem vegetação, a terra é levada pela chuva, causando deslizamentos e assoreamento dos rios. A maior parte da água, cerca de 70% vai para o rio, escorrendo pela superfície e pelo esgoto com grande volume e muita velocidade. Quando tanta água chega a um rio assoreado e comprimido pela ocupação desordenada, o resultado é um desastre: a cheia invade construções, danifica a infra-estrutura urbana e pode arrastar pessoas e animais. Mendes (2006 p. 124) explica o caminho das águas pluviais:.

(25) 25. Quando a chuva cai, uma parte da água se infiltra através dos espaços que encontra no solo e nas rochas. (...) A água da chuva que não se infiltra escorre sobre a superfície em direção às áreas mais baixas, indo alimentar diretamente os riachos, rios mares, oceanos e lagos.. Mendes (2006, p.123) explica que “o ciclo da água, ou o chamado ciclo hidrológico, nada mais é do que a constante mudança de estado da água na natureza. O grande motor desse ciclo é o calor irradiado pelo sol”. A vegetação desempenha um papel importante nesse ciclo, segundo Mendes (2006, p.125), pois uma parte da água que cai é absorvida pelas raízes e acaba voltando à atmosfera. No entanto, face ao aumento populacional e à sua influência crescente nos centros urbanos, as pessoas têm um papel significante a exercer, fazendo escolhas responsáveis sobre seus padrões de consumo e de sobrevivência. Netto (2006, p.167) alerta que em um cenário de mudanças climáticas os problemas ambientais se acentuam. A ocorrência de catástrofes passa a ser admitida por uma parcela cada vez maior de cientistas em face do aumento da frequência e da intensidade dos fenômenos de estiagens e inundações em diferentes regiões do planeta. De acordo com o plano de drenagem apresentado pela Coordenadoria de Assuntos Aeroportuários (2007, p.17), as mudanças climáticas incluem o agravamento das cheias e inundações, que já vêm se manifestando. Quando a vegetação é retirada de extensas áreas acontece a redução da umidade do solo e dá início ao processo de aquecimento que se agrava com a construção de casas e edifícios e com a queima de combustíveis. Isso provoca o fenômeno conhecido como “ilhas de calor”. Que consiste num padrão de circulação de ar interno, que dificulta a dispersão dos poluentes e do calor nos ambientes construídos. A circulação do ar quente e sujo atrai chuvas mais fortes sobre a cidade, diminuindo aquelas que cairiam nas florestas mais próximas. Isso agrava as inundações nas áreas urbanas e reduz as águas de abastecimento dos mananciais. Outro fenômeno mais amplo que atua paralelamente é o aquecimento global. Ele tem sido divulgado na imprensa porque está intensificando catástrofes como furacões, secas, inundações e ondas de calor em todo o mundo. As atividades humanas têm forte contribuição nessas mudanças climáticas, cujos efeitos tendem a piorar sobre as águas, ecossistemas e a população. Portanto, os resultados científicos apontam para tendências gerais de agravamento dos eventos climáticos extremos, como os das inundações e da escassez de água. É previsível, por conseguinte, que as mudanças climáticas aumentem o aquecimento urbano, ampliando a frequência, intensidade e conseqüência das inundações..

(26) 26. No passado a fumaça simbolizava o desenvolvimento e o progresso. No entanto, para Perrone (1992, p.61-62), agora a sociedade está cada vez mais preocupada com a poluição e suas consequências para a vida humana. Ele afirma que a mídia fala sobre os desastres ambientais, mas omite suas verdadeiras causas. Isso dificulta a conscientização ambiental da população. Por outro lado, além do problema ambiental existe também o social. Ab’Saber e Müller-Plantenberg (2002, p.17) explicam:. Sob o aspecto de uma responsabilidade global, resultou por parte dos países industrializados uma espécie de dívida ecológica, a qual se constitui num desafio para esses países (...). Muitos países subdesenvolvidos precisam, em primeiro lugar, ter condições de desenvolver opções ecológicas orientadas por uma política econômica eficaz, aplicável a médio e a longo prazo. Quem hoje está prestes a morrer de fome não tem como se preocupar com o amanhã – um fato particularmente sentido pelos brasileiros.. Eles também alertam (2002, p.17) que uma prevenção eficiente exige mudança radical do estilo de vida da sociedade. “É fundamental que os cidadãos dos países industrializados diminuam a quantidade de consumo para tornar mais racionais as relações da sociedade com a natureza”. Esse problema é sentido não só no Brasil, mas no mundo todo. Em relatório da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente publicada pela Fundação Getúlio Vargas (1991, p. 29), relata-se que muitas partes do mundo entraram numa espiral descendente viciosa: os pobres são obrigados a usar excessivamente os recursos ambientais a fim de sobreviverem, o que torna a vida das próximas gerações incerta e difícil.. Há só uma Terra, mas não um só mundo. Todos nós dependemos de uma biosfera para conservarmos nossas vidas. Mesmo assim, cada comunidade, cada país luta pela sobrevivência e pela prosperidade quase sem levar em consideração o impacto que causa sobre os demais.. A solução para essa postura inconsciente, segundo Leff (2001, p.199) é reorientar os processos de produção para combater a crescente complexidade e o agravamento dos.

(27) 27. problemas socioambientais, gerados pelo triunfo da racionalidade econômica e da razão tecnológica que a sustenta. Snyder (1978, p. 109) lamenta a falta de consciência humana: “o homem, que deveria dominar tudo que vive sobre a Terra, é responsável por cerca de 99% dos casos de extinção consumados ou iminentes de espécies – inclusive a sua”. Os interesses econômicos sociais ou culturais, para Vargas (2001, p.14), são quase sempre contrários à qualidade ambiental. E Ricklefs (1996, p.420) reitera que todas as atividades humanas têm consequências para o meio ambiente. A sobreexploração é um bom exemplo. O objetivo é na maioria das vezes coletar recursos para o consumo humano, mas quando isso é rápido e desordenado as ameaças levam o sistema ao colapso. Prevê-se para o ano de 2030, de acordo com Forattini (2004, p.33) a duplicação de CO2 na atmosfera. Isso deve agravar o aquecimento global. Aquecimento é um termo atual descrito por Massambani ([s.d.], p.41) como o aumento da temperatura média da superfície da Terra devido às emissões de CO2 e outros gases. Salgado-Labouriau (2001, p.225) explica que não existe lugar na terra que tenha o clima igual ao outro e embora o fenômeno da elevação da temperatura possa parece recente, Forattini (2004, p.31) esclarece que o aquecimento constitui um fenômeno antigo. Para Mellanby (1982, p.47) a poluição térmica desencadeia mudanças globais do clima com efeitos prejudiciais ao homem e à economia mundial. A grave realidade do clima atualmente movimenta ambientalistas do mundo inteiro em torno das novas propostas de desenvolvimento sustentável. Sousa (2000, p.161) afirma que “desenvolvimento sustentável é o quarto conceito germinado que surge de nossas inquietações quanto a um novo elenco temático (...)”. O ecodesenvolvimento, segundo Sachs (2002, p.75), pode ser mais facilmente alcançado com o aproveitamento dos sistemas tradicionais dos recursos, como também com a organização de um processo participativo que identifique necessidades. Interessante é que a população só se conscientiza quando os problemas começam a afetá-la diretamente. Ovalles (1992, p.34) diz que isto ocorre porque “as pessoas tendem a medir a gravidade do problema em termos de seu risco pessoal”. Estudos sobre a crise ambiental demonstram, segundo Ovalles (1992, p.34), que as pessoas que não sofreram com esses impactos construíram sua realidade com as imagens transmitidas sobre o fato. “Para as pessoas em geral, a cobertura dos meios de comunicação de massa é que dá a medida de sua importância”. O problema é que em vez de ajudar, segundo Barcelos e Landim (1995, p. 107) a mídia divulga reportagens sensacionalistas sobre interferências ou impactos ambientais no clamor de discussões amadoras sem visão ecológica..

(28) 28. De acordo com Bursztyn & Bursztyn (2006, p.85):. A gestão ambiental pode ser definida como um conjunto de ações que envolvem políticas públicas, o setor produtivo e a comunidade, com vistas ao uso sustentável e racional dos recursos ambientais. Essas ações podem ser de caráter político, executivo, econômico, de ciência, de tecnologia e inovação, de formação de recursos humanos, de informação e de articulação entre diferentes atores e níveis de atuação. Não é, portanto, tarefa simples.. Uma política ambiental tem de estar fundamentada, segundo Bursztyn & Bursztyn (2006, p.86), em pelo menos três grandes pilares: primeiro uma legislação ambiental sólida; em segundo lugar instituições públicas fortalecidas, que permitam a implementação desta legislação; e em terceiro lugar a legitimidade social que se traduza em apoio da população. Bursztyn & Bursztyn (2006, p.110-111) estabelecem algumas condições básicas para que o Estado tenha legitimidade para gerenciar as dimensões ambientais.. Participação: - canais de interlocução entre estado e Sociedade são necessários para que as políticas públicas tenham efetividade. Em matéria de meio ambiente, há avanços significativos, como as audiências públicas e os inúmeros colegiados consultivos ou deliberativos que já existem. Mas novos canais ainda são necessários, sobretudo no plano local.. Para Bursztyn e Bursztyn (2006, p.111) a responsabilização do governo também é fundamental: Responsabilização (accountability) – a legitimidade das regulamentações públicas em matéria de meio ambiente depende, em grande medida, da competência com que as agências governamentais atuam e do acerto com que as decisões são tomadas. Dentro do novo quadro geral delineado para o Estado, os dirigentes devem ser responsabilizados por seus atos; ou seja, devem ter creditados a si os sucessos, ao mesmo tempo em que respondem pelos erros cometidos.. Os problemas causados pela falta de responsabilidade ambiental são vários, um deles é o alagamento das marginais, paralelas ao rio Tietê. Barella (1995, p.141-142) explica que o rio recebe uma carga grande de esgotos no trecho da região metropolitana da Grande São Paulo; quando atravessa a região mais baixa da bacia, espalha-se por áreas planas, formando assim.

(29) 29. uma planície de inundação, e no período de chuvas alaga causando imensos congestionamentos nas suas avenidas marginais em decorrência da falta de planejamento e manejo inadequado da Bacia de Drenagem. Segundo ele, o rio Tietê nasce no município de Salesópolis, próximo a Serra do Mar no Estado de São Paulo e sua bacia hidrográfica apresenta uma largura média de 70 km e uma extensão de aproximadamente 1000 km, desaguando no rio Paraná. Devido à grande extensão do rio foi proposto pelo Plano Estadual de Recursos Hídricos que a bacia fosse dividida em seis subunidades de gerenciamento menores. As unidades são: Tietê-Sorocaba; Bacia do Piracicaba; Tietê-Jacaré; Tietê-Batalha; Baixo Tietê e Alto Tietê (trecho que compreende a cidade de Guarulhos). Só a bacia hidrográfica do Alto Tietê possui 5.650 quilômetros quadrados, de acordo com Barella (1995, p.145), e está entre os municípios de Salesópoles e Santana do Parnaíba, atravessando 33 municípios da região metropolitana de São Paulo. Há quase trinta anos, de acordo com Pinheiro (1995, p.18) Brasil vem ajustando o seu desenvolvimento econômico e social em alicerces profundamente degradadores. O custo da deterioração ambiental nunca foi levado em conta, muito embora seus prejuízos sejam altamente socializados. Pinheiro (1995, p.19) afirma que: Embora óbvia desde sempre, a variável ambiental é recente em programas e projetos (...). Resguardar o patrimônio ecológico significa assegurar o equilíbrio entre o homem e o espaço que ocupa. (...) O desenvolvimento sustentável nada mais é do que a verificação minuciosa da capacidade de suporte do ambiente.. Para ela (1995, p.21), “nada é mais importante, para alcançar-se um verdadeiro desenvolvimento econômico sustentável, do que o conhecimento. Todos nós precisamos conhecer mais para errarmos menos”. Já Tauk (1991, p.149), lamenta que o homem através de milhares de anos sofreu diferentes desafios e guarda no seu instinto a característica de conquistador, entretanto, o seu atual e mais difícil desafio é a criação de um programa de ecodesenvolvimento. “Essa conquista não poderá ocorrer com armas tradicionais, mas com um real avanço da ciência para melhor a interação do homem com o meio ambiente”. Barbieri (1996, p.14) adverte:. As preocupações ambientais não são ficção científica, mas sim um perigo real que aumenta a cada dia. Qualquer dano ambiental que ocorre num.

(30) 30. ponto da terra acaba por afetar todo o Planeta. Os números da degradação ambiental são simplesmente alarmantes. Não são exagerados e nem são o produto de mentes pessimistas, mas um fenômeno mundial crescente.. Cerca de dez por cento das terras potencialmente férteis do Planeta já se converteram em desertos, segundo Barbieri (1996, p.14-15) e outros vinte e cinco estão em processo de desertificação. Todos os anos são perdidos oito milhão e meio de hectares por causa da erosão e sedimentação. A maior parte dos pobres vive nas zonas mais vulneráveis do ponto de vista ecológico. A década de oitenta foi a mais quente do século. Os cientistas acreditam que, se for mantida a tendência atual de emissão de dióxido de carbono e outros gases estufa, a temperatura poderá continuar a subir, o que poderá provocar o derretimento das geleiras, aumentando por conseguinte o nível do mar e afetando também todo o equilíbrio climático do Planeta. Desta maneira, as perdas ambientais são uma realidade que afeta a vida de milhões de pessoas. E a vida com qualidade depende antes do equilíbrio entre as ações humanas e a preservação do ambiente. O paradigma do desenvolvimento econômico e linear, que predominou em toda a história da modernidade, chegou a seus limites, levando o mundo à beira de um caos ambiental, afirma Barbieri (1996, p.13). A questão ecológica é séria. As causas, os reflexos e as conseqüências dessa crise ecossocial atingem, em maior ou menor escala, todas as pessoas e povos. Cada um ajuda a provocá-la e, de alguma forma, é por ela atingido, estando ligado ao todo. A própria insustentabilidade social e ambiental do projeto desenvolvimentista vem conduzindo a um impasse. Suas conseqüências desastrosas forçam a sociedade a repensar as condições de sobrevivência. A atual situação ecológica do mundo complica-se quase que diariamente, assegura Barbieri (1996, p.9), em razão das necessidades cada vez maiores causadas pelo crescimento da população e pelo consumo excessivo. A sobrecarga nos diversos ecossistemas é geral e, nem mesmo nos países mais afortunados em extensão e em recursos naturais como o Brasil ela pode ser evitada, a menos que haja um planejamento sério visando a sustentabilidade ambiental. Todos já estão sentindo de uma maneira ou de outra, os efeitos do aumento do desequilíbrio ecológico, principalmente os efeitos mais globais, como o “efeito estufa”, causado pela queima de carvão e petróleo e pelas grandes queimadas em florestas, efeito que poderá causar o aquecimento do Planeta, afirma Barbieri (1996, p.9). E se os modelos matemáticos estiverem corretos, ele provocará o aumento do nível do mar e uma total.

(31) 31. mudança no clima da Terra, trazendo como conseqüência a possibilidade de extinção de várias espécies animais e vegetais, inclusive, a espécie humana..

Referências

Documentos relacionados

Janaína Oliveira, que esteve presente em Ouagadougou nas últimas três edições do FESPACO (2011, 2013, 2015) e participou de todos os fóruns de debate promovidos

nu mare lucru… Câteva obişnuinţe, câteva amintiri… Venisem aici bucuroasă că sunt singură şi că le pot uita… Totul era aşa de simplu: dumneata, maiorul, Jeff… Până

As normas internacionais acerca do tema são a Declaração dos direitos das pessoas deficientes, de 1975, que traz um conjunto de direitos das pessoas

Não obstante a reconhecida necessidade desses serviços, tem-se observado graves falhas na gestão dos contratos de fornecimento de mão de obra terceirizada, bem

intitulado “O Plano de Desenvolvimento da Educação: razões, princípios e programas” (BRASIL, 2007d), o PDE tem a intenção de “ser mais do que a tradução..

A implementação do projeto Arquivo Histórico Municipal Washington Luís — A Cidade de São Paulo e sua Arquitetura se deu concomitantemente ao processo de aperfeiço- amento da base

Este trabalho tem como objetivo contribuir para o estudo de espécies de Myrtaceae, com dados de anatomia e desenvolvimento floral, para fins taxonômicos, filogenéticos e

Declaro que fiz a correção linguística de Português da dissertação de Romualdo Portella Neto, intitulada A Percepção dos Gestores sobre a Gestão de Resíduos da Suinocultura: