UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
CENTRO DE CIÊNCIAS E TECNOLOGIA
CURSO DE MESTRADO EM ENGENHARIA C I V I L
UMA ABORDAGEM MULTICRITERIAL DOS ACIDENTES DE TRANSITO NO BRASIL
ANDRÉ AGRA GOMES DE LIRA
ANDRÉ AGRA GOMES DE LIRA
UMA ABORDAGEM MULTICRITERIAL DOS ACIDENTES DE TRANSITO NO BRASIL Dissertação a p r e s e n t a d a ao Curso de Mestrado em E n g e n h a r i a C i v i l da U n i v e r s i d a d e F e d e r a l da Paraíba, em cumprimento às exigências p a r a obtenção do Grau de M e s t r e .
AREA DE CONCENTRAÇÃO: TRANSPORTES
SIMIN JALALI RAHNEMAY RABBANI O r i e n t a d o r a
SOHEIL RAHNEMAY RABBANI C o - o r i e n t a d o r
CAMPINA GRANDE - PB ABRIL DE 1993
DMA ABORDAGEM MüLTICRIETERIAL DOS ACIDENTES
DE TRANSITO NO BRASIL
ANDRÉ AGRA GOMES DE LIRA
Aprovada em 23 de A b r i l de 1993
SIMIN JALALÎZMïïNÊMAY RABBANI, Doutor (a) O r i e n t a d o r a
SOHEIL RAHNEMAY^RA^éANI, Doutor Co -0r i e rroaj3o r
JUAREZ FERNANDES 'DE OLIVEIRA, M.Sc. Examinador i n t e r n o
LUIZ FLÁVIO AUTRAN MONTEIRO/GOMES, Doutor Examinador e x t e r n o
Agradecimentos
A Deus p e l a minha existência e o p o r t u n i d a d e c o n c e d i d a de empreender um e s t u d o dessa n a t u r e z a .
A minha família e minha n o i v a p o r c o n t r i b u i r s u b s t a n c i a l m e n t e p a r a que e s t e t r a b a l h o chegasse ao f i n a l .
A meus o r i e n t a d o r e s P r o f ( a ) S i m i n J a l a l i R. Rabbani e P r o f . Soheiy Ranhemay Rabbani p e l o s e n s i n a m e n t o s , amizade e a j u d a indispensável no cumprimento d e s t a t a r e f a .
Aos p r o f e s s o r e s J u a r e z Fernandes de O l i v e i r a ( D M E ) , Clóvis D i a s ( T r a n s p o r t e s ) , A d j a l m i r Rocha ( T r a n s p o r t e s ) , L u c i a n o Maracajá ( D i r e i t o P e n a l ) e João Batista(Português).
Aos p r o f e s s o r e s J u a r e z Fernandes e L u i z Flávio A u t r a n M o n t e i r o Gomes p e l a participação na avaliação f i n a l do t r a b a l h o .
Aos funcionários da Area de T r a n s p o r t e s do Curso de E n g e n h a r i a C i v i l do CCT/UFPB.
Aos e n g e n h e i r o s do DETRAN de Campina Grande-Pb.
Aos p o l i c i a i s do CPTRAN da c i d a d e de Campina Grande-Pb. Ao E n g e n h e i r o Osny P e r e i r a Agra p e l o a p o i o técnico na área de Computação.
Aos a l u n o s de Graduação do Curso de E n g e n h a r i a C i v i l p e l a a j u d a na p e s q u i s a do f l u x o v e i c u l a r na interseção em e s t u d o .
A t o d o s a q u e l e s que de uma forma ou de o u t r a contribuíram p a r a que e s t e t r a b a l h o se c o n c r e t i z a s s e .
RESUMO
E s t a dissertação é um e s t u d o , baseado na "abordagem sistêmica", das p r i n c i p a i s causas dos a c i d e n t e s de trânsito no B r a s i l . Compara-se as estatísticas b r a s i l e i r a s de a c i d e n t e s com os de a l g u n s o u t r o s países na A s i a , A f r i c a , Europa e E.U.A. 0 e s t u d o m o s t r a , a i n d a , que p a r a se o b t e r r e s u l t a d o s satisfatórios, o problema dos a c i d e n t e s de trânsito deve s e r c o n s i d e r a d o d e n t r o de um c o n t e x t o que e n v o l v a a s p e c t o s de ordem s o c i a l , c u l t u r a , política e econômica. Por o t i t r o l a d o , entende-se que a aplicação de métodos de decisão m u l t i c r i t e r i a l é adequada p a r a a v a l i a r os p r o j e t o s de segurança no trânsito.
0 Método de Análise Hierárquica - AHP - é a p l i c a d o a um caso da malha viária de Campina Grande, c i d a d e de p o r t e médio s i t u a d a no N o r d e s t e do B r a s i l , o q u a l se c a r a c t e r i z a p e l a ocorrência de sérios a c i d e n t e s de trânsito.
A dissertação t e r m i n a com as- conclusões g e r a i s e indicação de tópicos p a r a e s t u d o s f u t u r o s .
ABSTRACT
T h i s d i s s e r t a t i o n i s a s t u d y o f t h e main causes o f t r a f f i c a c c i d e n t s i n B r a z i l , based on t h e systems a p p r o a c h . The b r a z i l i a n s t a t i s t i c o f a c c i d e n t s a r e compared w i t h ones
i n some o t h e r c o u n t r i e s i n A s i a , A f r i c a , Europe and USA. T h i s s t u d y shows t h a t i n o r d e r t o o b t a i n s a t i s f a c t o r y r e s u l t s , t h e p r o b l e m o f t r a f f i c a c c i d e n t s s h o u l d be c o n s i d e r e d w i t h i n t h e s o c i a l , c u l t u r a l , p o l i t i c a l and e c o n o m i c a l c o n t e x t . On t h e o t h e r hand, t h e a p p l i c a b i l i t y o f m u l t i c r i t e r i a l d e c i s i o n methods t o e v a l u a t e t r a f f i c s a f e t y p r o j e c t s i s f o u n d t o be adequate.
The A n a l y t i c H i e r a r c h y Process - AHP - i s a p p l i e d t o the case o f t h e s t r e e t n e t w o r k o f Campina Grande, a medium -s i z e d c i t y i n N o r t h e a -s t o f B r a z i l , w h i c h i -s c h a r a c t e r i z e d by occurence o f s e r i o u s t r a f f i c a c c i d e n t s .
The d i s s e r t a t i o n ends w i t h g e n e r a l c o n c l u s i o n s and i n d i c a t i o n o f t o p i c s f o r f u t u r e s s t u d i e s .
INDICE
RESUMO
ABSTRACT ÍNDICE
CAPITULO I - INTRODUÇÃO 0 0 1 CAPITULO I I - O ESTUDO DAS CAUSAS PRINCIPAIS DOS
ACIDENTES DE TRANSITO NO BRASIL 008
I I - l Introdução 008 I I - 2 Os p r i n c i p a i s f a t o r e s causadores dos a c i d e n t e s de trânsito no B r a s i l 009 I I - 2 - 1 As características físicas da v i a . . . . 0 0 9 I I - 2 - 2 A impunidade no trânsito 012 11-2-3 A educação no trânsito 018 I 1 - 2 - 4 As características ergométricas dos veículos 020 I I - 2-5 As características psicossomáticas dos usuários 023 I I - 3 Considerações f i n a i s 027
CAPITULO I I I - UMA ANALISE DE COMPARAÇÃO ESTATÍSTICA 029
I I I - l Introdução 029 I I I - 2 O p e r f i l estatístico do B r a s i l 030
I I 1 - 3 Um estudo c o m p a r a t i v o dos índices de a c i d e n t e s de trânsito no B r a s i l e
em a l g u n s países do mundo 042 I I I - 3-1 A magnitude dos a c i d e n t e s de
I I 1 - 3 - 2 A n a t u r e z a do p r o b l e m a dos
a c i d e n t e s de trânsito 045
I I I - 4 Considerações f i n a i s 048
CAPITULO IV - 0 ESTUDO DE CASO 050 I V - I Introdução 050 I V - I I As características da interseção de
trânsito em e s t u d o 053 I V - I I I 0 p r o c e d i m e n t o de aplicação da
m e t o d o l o g i a 055 I V - I V A e s c o l h a dos elementos componentes
dos níveis hierárquicos 058 IV-V Formulação das m a t r i z e s de
comparações paritárias e a síntese
de p r i o r i d a d e s f i n a l 064 IV- V I A análise dos r e s u l t a d o s e
considerações f i n a i s 067
CAPITULO V - CONCLUSÕES FINAIS 79 V- I Análise c o n c l u s i v a 80
V - I I Sugestões p a r a elaboração de p l a n o s de ações de combate e prevenção
aos a c i d e n t e s de trânsito 85 V - I I I Recomendações p a r a e s t u d o s
APÊNDICE I 89 APÊNDICE I I gg APÊNDICE I I I 114 REFERECIAS BIBLIOGRÁFICAS 145
TABELAS
Tabela I I I - l - A c i d e n t e s com vítimas f a t a i s e não-fatais no B r a s i l ( 1 9 8 9 ) , p o r
período, área e sexo. 037 T a b e l a I I I - 2 - Número de ocorrências f a t a i s
e seus r e s p e c t i v o s p e r c e n t u a i s p o r 10.000 veículos, no ano de 1989,
p a r a os e s t a d o s de m a i o r e s índices 037c Tabela I I 1 - 3 - Número de a c i d e n t e s f a t a i s e seus
p e r c e n t u a i s r e l a t i v o s p o r regiões
do B r a s i l , no ano de 1989 038 Tabela I I I - 4 - Número de a c i d e n t e s f a t a i s p o r
grupo de 10.000 veículos nas
regiões do B r a s i l , no ano de 1989 039 Tabela I I 1 - 5 - Comparação dos índices de a c i d e n t e s
f a t a i s de a l g u n s países do mundo por h a b i t a n t e s , p o r km de malha rodoviária e g r a u s de motorização,
Tabela I I 1 - 6 - Comparação do número de f a t a l i d a d e s p o r f a i x a etária e modos de t r a n s p o r t e s , no B r a s i l e em a l g u n s países da A f r i c a 046b T a b e l a I I 1 - 7 - Causas presumíveis de a c i d e n t e s de trânsito em a l g u n s em d e s e n v o l v i m e n t o e s u b d e s e n v o l v i d o s 047a T a b e l a IV-8 - A e s c a l a de comparação s u g e r i d a p o r S a a t y ( 1 9 7 7 ) 064a T a b e l a I V - 9 - M a t r i z critérios v e r s u s critérios 067 T a b e l a IV-10 - M a t r i z p r o p o s t a s v e r s u s p r o p o s t a s p a r a cada critério k 68 T a b e l a I V - 1 1 - Síntese das p r i o r i d a d e s e solução
f i n a l 70
Tabela IV-12 - R e s u l t a d o s da c o l e t a de dados f e i t a na interseção em e s t u d o . Volume v e i c u l a r nas o i t o h o r a s
de m a i o r f l u x o ( v e i c / h o r ) 75
T a b e l a IV-13 - Volumes v e i c u l a r e s mínimos e x i g i d o s p a r a implantação de uma sinalização
semaf o r i z a d a 76 Tabela AP-14 - V a l o r e s médios do ( I R ) p a r a
FIGURAS
F i g u r a I I I - l - Os t i p o s de a c i d e n t e s com vítimas
mais comuns no B r a s i l ( % ) 037a F i g u r a I I I - 2 - P e r c e n t u a l de f a t a l i d a d e s p o r
grupo de usuários 037b F i g u r a I V - 1 - Hierarquização do problema da
interseção 070
F i g u r a IV-2 - Esquema geométrico da interseção
em e s t u d o 087a
GRÁFICOS.
Gráfico I I I - l - C r e s c i m e n t o do p e r c e n t u a l de f a t a l i d a d e s de trânsito nos países d e s e n v o l v i d o s , da A f r i c a , A s i a e
no B r a s i l 043 Gráfico I I I - 2 - F a t a l i d a d e s p o r 10.000 veículos
em a l g u n s países do mundo 043a
Gráfico I I 1 - 3 P e r c e n t u a l de f a t a l i d a d e s no grupo de p e d e s t r e s em a l g u n s países do
ABREVIATURAS
A.B.M.T - Associação B r a s i l e i r a de M e d i c i n a de Tráfego. A.B.R.A.S.P.E - Associação B r a s i l e i r a de P e d e s t r e s . C. E.T - Companhia de E n g e n h a r i a de Tráfego de São P a u l o ,
Código N a c i o n a l de Trânsito..
D. E.N.A.T.R.A.N - Departamento N a c i o n a l de Trânsito. D.E.T.R.A.N - Departamento E s t a d u a l de Trânsito.
D.N.E.R - Departamento N a c i o n a l de E s t r a d a s e Rodagens. D. S.V - Departamento de Operação do Sistema Viário
E. U.A - Estados Unidos da América.
G.E.I.P.O.T - Empresa B r a s i l e i r a de P l a n e j a m e n t o de T r a n s p o r t e s . G.N.P - Gross N a t i o n a l P r o d u c t ( p e r annum). I.B.G.E - I n s t i t u t o B r a s i l e i r o de G e o g r a f i a e Estatística. I.N.A.M.P.S - I n s t i t u t o N a c i o n a l de M e d i c i n a e Previdência S o c i a l . M.T - Ministério dos T r a n s p o r t e s .
O.D.A - Overseas Development A d m i n i s t r a t i o n
T.R.R.L - T r a n s p o r t and Road Research L a b o r a t o r y . U.K - U n i t e d Kingdom
CAPITULO I - INTRODUÇÃO
O a c i d e n t e de trânsito e v i d e n c i a - s e como uma das p r i n c i p a i s "causa m o r t i s " no mundo. E s t i m a - s e que c e r c a de 300.000 pessoas morrem e dez a q u i n z e milhões de pessoas
sofrem escoriações em t a i s a c i d e n t e s a cada ano [ T R R L ( 1 9 9 1 ) ] . Por o u t r o l a d o . quando se f a z uma comparação estatística dos a c i d e n t e s de trânsito e n t r e os países
i n d u s t r i a l i z a d o s , os países em d e s e n v o l v i m e n t o e os sub-d e s e n v o l v i sub-d o s , o b s e r v a - s e uma incisub-dência m u i t o mais a c e n t u a sub-d a n e s t e s últimos. A situação t o r n a - s e mais c a l a m i t o s a , a i n d a , quando se a n a l i s a a tendência de c r e s c i m e n t o dos índices de a c i d e n t e s nos países de T e r c e i r o Mundo, onde, como m o s t r a o estudo d e s e n v o l v i d o p e l o T.R.R.L*, e n t r e o s anos de 1968 e 1985, o número de óbitos no trânsito c r e s c e u em t o r n o de 300% nos países da A f r i c a , 170% nos países da A s i a e aproximadamente 128% no B r a s i l , c o n t r a s t a n d o com os r e s u l t a d o s c o n s e g u i d o s p e l o s chamados países de P r i m e i r o Mundo, que r e d u z i r a m suas f a t a l i d a d e s no trânsito em t o r n o de 25%.
O u t r o dado s u r p r e e n d e n t e , é o a p r e s e n t a d o p e l a T.R.R.L com colaboração da W o r l d H e a l t h O r g a n i s a t i o n , que m o s t r a que os a c i d e n t e s de trânsito é a segunda "causa m o r t i s " na f a i x a etária de 5-44 anos, em países em d e s e n v o l v i m e n t o .
Este p e r f i l r e t r a t a , f i e l m e n t e , uma discrepância considerável no modo de t r a t a m e n t o e e n t e n d i m e n t o do problema dos a c i d e n t e s de trânsito p o r p a r t e d e s t e s d o i s d i s t i n t o s b l o c o s de países.
Os países de P r i m e i r o Mundo conseguiram notáveis sucessos nos últimos 25 a 30 anos na redução de a c i d e n t e s de trânsito, d e v i d o , p r i n c i p a l m e n t e , a sua atuação sistemática no campo do p l a n e j a m e n t o urbano, e n g e n h a r i a de tráfego, c o n t r o l e de uso do s o l o e i n t e n s a educação de trânsito e p o l i c i a m e n t o . Já os países de T e r c e i r o Mundo , p o r sua v e z , f a l h a m , p r i m e i r a m e n t e , em sua abordagem sobre o a s s u n t o , demonstrando preocupação com medidas que se detêm a r e p r i m i r as conseqüências, ou s e j a , não a c a l e n t a n d o em suas p r e r r o g a t i v a s básicas de ação uma visão sistêmica que d e t e r m i n e r a c i o n a l m e n t e as causas p r i n c i p a i s dos a c i d e n t e s e as formas mais e f i c a z e s de detê-los.
Por o u t r o l a d o , é i m p o r t a n t e e imprescindível s a l i e n t a r — s e que os prejuízos provocados p e l o s a c i d e n t e s de trânsito são e x o r b i t a n t e s , chegando a p o n t o de seus c u s t o s e q u i v a l e r e m a 1 % do P r o d u t o N a c i o n a l Bruto(PNB) dos países em d e s e n v o l v i m e n t o [ T R R L ( 1 9 9 1 ) ] .
I n f e l i z m e n t e , com o c r e s c i m e n t o contínuo da urbanização e da f r o t a de veículos, a l i a d o ao não p l a n e j a m e n t o urbano do uso do s o l o em consonância com os dos t r a n s p o r t e s , a tendência é o aumento d e s t e s índices, o que acarretará aos países do T e r c e i r o Mundo uma situação f u t u r a insustentável e inconcebível de seu trânsito, com s e v e r a deterioração de suas v i a s , congestionamento e a l t o r i s c o de
c o n f l i t o s e n t r e as c l a s s e s de usuários do s i s t e m a de t r a n s p o r t e .
Do mesmo modo, na zona r u r a l , observa-se que m u i t o s países em d e s e n v o l v i m e n t o estenderam suas malhas rodoviárias sem, c o n t u d o , h a v e r um p l a n e j a m e n t o técnico r i g o r o s o e sem um p o s t e r i o r acompanhamento de manutenção satisfatório, ou s e j a , suas r o d o v i a s são i n s e g u r a s t a n t o no a s p e c t o técnico como no o p e r a c i o n a l .
0 B r a s i l não f o g e a r e g r a e a p r e s e n t a uma malha rodoviária com deficiências técnicas c l a r a s e um d e s g a s t e p r e p o n d e r a n t e e, e s t e f a t o é c r u c i a l , p o i s o país é a b a s t e c i d o p e l a t e r c e i r a m a i o r malha rodoviária do mundo em extensão(km).
A r e s p e i t o das estatísticas b r a s i l e i r a s , os números o f i c i a i s apontam os a c i d e n t e s de trânsito como causadores de 27.013 m o r t e s a n u a i s * , sendo, assim, a p r i m e i r a "causa m o r t i s " em j o v e n s do sexo m a s c u l i n o [GEIP0T(1987) ] . E n t r e t a n t o , e s t e s números são subestimados, p o i s e l e s r e p r e s e n t a m apenas uma p a r c e l a do t o t a l dos óbitos do trânsito, i s t o d e v i d o a deficiência na c o l e t a de dados das estatísticas b r a s i l e i r a s . E x i s t e m e s t i m a t i v a s de 40 a 50 m i l mortes a n u a i s , o que agrava s o b r e m a n e i r a a situação.
A c e r c a da interpretação e t r a t a m e n t o do a c i d e n t e de trânsito no país, observa-se p e l a s próprias estatísticas que
(*) - E s t a estatística como as demais o u t r a s que serão a p r e s e n t a d a s n e s t e t r a b a l h o se r e f e r e m t a n t o aos a c i d e n t e s o c o r r i d o s no perímetro urbano como no r u r a l . Os o u t r o s casos serão, devidamente, e s p e c i f i c a d o s .
e x i s t e uma tendência n a t u r a l à nível n a c i o n a l de a n a l i s a r e p r o p o r m e l h o r i a s p a r a o problema, p a r t i n d o - s e de um e s t u d o r e s t r i t o e não-sistemático . Com i s s o , o m i t e - s e f a t o r e s de relevância p a r a um t r a t a m e n t o e f i c i e n t e do mesmo, ou s e j a , assumem, e r r o n e a m e n t e , que os elementos causadores dos a c i d e n t e s estão l i g a d o s , e x c l u s i v a m e n t e , a uma d i r e t r i z de ações p e r t i n e n t e s ao momento f i n a l da conduta do m o t o r i s t a _ , o u mesmo dos p e d e s t r e s .
Se, então, a análise f o r f e i t a c o n s i d e r a n d o , s i s t e m a t i c a m e n t e , t o d o s os f a t o r e s que c o n t r i b u e m p a r a o a c o n t e c i m e n t o do a c i d e n t e , conseqüentemente as medidas de combate e prevenção ao mesmo serão r e v e s t i d a s de r a c i o n a l i d a d e e com boa p r o b a b i l i d a d e de a t i n g i r os seus f i n s .
No e n t a n t o , percebe-se que quando se a n a l i s a o problema a p a r t i r de uma abordagem de n a t u r e z a mais a b r a n g e n t e como a sistêmica, c e r t o s parâmetros tornam-se, em m u i t o s casos, de difícil mensuração. P r i n c i p a l m e n t e , quando se i n c o r p o r a m , s i m u l t a n e a m e n t e , ao estudo e l e m e n t o s de n a t u r e z a q u a n t i t a t i v a e q u a l i t a t i v a e n e c e s s i t a - s e
compará-l o s e n t r e s i . Por esse m o t i v o , os Métodos de Anácompará-lise M u l t i c r i t e r i a l estão sendo cada vez mais r e q u i s i t a d o s e estudados p a r a a u x i l i a r nas tomada de decisões de problemas de n a t u r e z a complexa, como os dos a c i d e n t e s de trânsito e demais o u t r o s que fazem p a r t e das complexas interações que regem à v i d a nas s o c i e d a d e s modernas.
D e n t r e esses métodos, pode-se c i t a r o ELECTRE I I , o TODIM, o LOOTSMAN e o de Análise Hierárquica de Saaty - o AHP - que t r a b a l h a decompondo o problema de f o r m a a
estruturá-lo h i e r a r q u i c a m e n t e e, em s e g u i d a , comparando, através de j u l g a m e n t o s paritários, os elementos componentes dos níveis hierárquicos e s t a b e l e c i d o s , o que d e t e r m i n a , assim, a importância r e l a t i v a de cada um d e l e s . I s t o r e s u l t a na e s c o l h a da a l t e r n a t i v a mais r a c i o n a l p a r a s e r a p l i c a d a ao caso em questão. Pode-se, a i n d a , a c r e s c e n t a r que o método tem aplicação t a n t o em p r o b l e m a s g e r a i s de segurança, t a l q u a l a formulação de p l a n o s de ações r e g i o n a i s , e s t a d u a i s e m u n i c i p a i s , e s p e c i a l m e n t e , no que se r e f e r e a definição de estratégias de atuação, como nos específicos, t a l q u a l o da interseção em e s t u d o n e s t a dissertação que a p r e s e n t a sérios r i s c o s de a c i d e n t e s e uma d i f i c u l d a d e considerável de t r a v e s s i a p a r a os p e d e s t r e s .
Ademais, vê-se que esses métodos são i n s t r u m e n t o s lógicos e e f i c i e n t e s que e n g e n h e i r o s e p l a n e j a d o r e s dispõem p a r a a u x i l i a r na resolução de problemas que e n v o l v a o combate e prevenção aos a c i d e n t e s de trânsito. Sendo i s t o de r e l e v a d a
importância.) c o n s i d e r a n d o que a atuação n e s t a área é uma t a r e f a v e r d a d e i r a m e n t e complexa, p o i s a segurança no trânsito não é uma ciência e x a t a , f a t o r e s s o c i a i s , econômicos e c u l t u r a i s i n t e r f e r e m s e n s i v e l m e n t e , e só um ataque sistemático alicerçado p o r d i s p o s i t i v o s práticos e r a c i o n a i s pode r e s u l t a r em modificações satisfatórias na e s t r u t u r a de trânsito b r a s i l e i r a .
Por t u d o i s s o , e s t e estudo o b j e t i v a a n a l i s a r as causas p r i n c i p a i s dos a c i d e n t e s de trânsito, com base na abordagem sistêmica, e f a z e r uma análise c o m p a r a t i v a dos a c i d e n t e s e n t r e a l g u n s países do mundo. Oferecendo, d e s t a m a n e i r a , condições satisfatórias de elaboração de p l a n o s e f i c i e n t e s de combate e prevenção aos mesmos. De o u t r o modo, como sabe-se que p a r a uma formulação e p o s t e r i o r s e l e c i o n a m e n t o de t a i s p l a n o s , n e c e s s i t a - s e de uma m e t o d o l o g i a prática e r a c i o n a l que forneça subsídios de auxílio à e s c o l h a f i n a l , f a z - s e uma aplicação de um dos métodos de decisões m u l t i c r i t e r i a i s , o AHP, a um problema de segurança no trânsito.
Em c o n t r a p a r t i d a , pode-se j u s t i f i c a r e s t e e s t u d o p a r t i n d o - s e do p r e s s u p o s t o de que o fenômeno dos a c i d e n t e s de trânsito é um problema de n a t u r e z a complexa que merece uma análise a b r a n g e n t e e sistemática, p a r a , a s s i m , t e r - s e as d e v i d a s condições de a t u a r com eficiência no seu combate e prevenção.
Assim, no segundo capítulo, a n a l i s a - s e os a c i d e n t e s de trânsito com base na abordagem sistêmica, chegando-se, d e s t a forma, aos f a t o r e s que têm maior importância r e l a t i v a nas ocorrências dos mesmos.
No t e r c e i r o capítulo, a p r e s e n t a - s e a situação estatística do B r a s i l d i a n t e da problemática dos a c i d e n t e s de trânsito, além de uma análise da evolução dos índices na décadas de 70 e 80. Por c o n s e g u i n t e , compara-se esses dados com as estatísticas de a l g u n s países da A f r i c a , A s i a , Europa
e E s t a d o s U n i d o s . E s t a b e l e c e n d o - s e , d e s t a m a n e i r a , c o n j u n t a m e n t e com os f a t o r e s d i s c u t i d o s no capítulo I I , o c o n j u n t o de critérios que servirão de parâmetros p a r a elaboração de p l a n o s de ações p r e v e n t i v a s e c o m b a t i v a s aos a c i d e n t e s de trânsito.
No capítulo I V , d i s c u t e - s e a importância de utilização de métodos m u l t i c r i t e r i a i s , como o ELECTRE I , o TODIM, o LOOTSMAN e o AHP; e f a z - s e uma aplicação do método de Análise Hierárquica p a r a e s c o l h a da melhor p r o p o s t a de m e l h o r i a s p a r a uma interseção com a l t o nível de c o n f l i t o s na c i d a d e de Campina Grande-Pb. A n a l i s a n d o - s e , p o s t e r i o r m e n t e , o s r e s u l t a d o s .
E, f i n a l m e n t e , c o n c l u i - s e e s t a dissertação a p r e s e n t a n d o - s e as conclusões f i n a i s d e s t e e s t u d o , um c o n j u n t o de sugestões p a r a a formulação de p l a n o s de ação de segurança no trânsito e algumas recomendações p a r a e s t u d o s f u t u r o s . No apêndice 1} são a p r e s e n t a d o s , brevemente, os
métodos ELECTRE I I , TODIM, LOOTSMAN e o AHP; no apêndice I I , apresentam-se a l g u n s o u t r o s c o n c e i t o s matemáticos usados no AHP; e no apêndice I I I , o programa c o m p u t a c i o n a l u t i l i z a d o na aplicação do AHP à interseção de trânsito em e s t u d o .
CAPITULO I I - ESTUDO DAS CAUSAS BÁSICAS DOS ACIDENTES DE TRANSITO.
I I - l . Introdução.
No e s t u d o das causas básicas dos a c i d e n t e s de trânsito são u t i l i z a d a s , a t u a l m e n t e , duas formas d i s t i n t a s de interpretação: uma sendo a chamada " abordagem clássica", na q u a l as causas são e s t a b e l e c i d a s a p a r t i r de um e s t u d o r e s t r i t o ao l o c a l e ao tempo imediatamente a n t e r i o r a ocorrência do a c i d e n t e ; e a o u t r a conhecida como "abordagem sistêmica", a q u a l o fenômeno dos a c i d e n t e s de trânsito é a n a l i s a d o p a r t i n d o - s e do p r e s s u p o s t o de que o mesmo f a z p a r t e de um s i s t e m a que i n c l u i um ambiente físico, s o c i a l e
i n s t i t u c i o n a l , bem como suas inter-relações.
E s t a p r i m e i r a forma de interpretação é comumente '
u t i l i z a d a nos países em d e s e n v o l v i m e n t o e s u b d e s e n v o l v i d o s , f a z e n d o , assim, com que n e s t e s o problema dos a c i d e n t e s de trânsito s e j a i n t e r p r e t a d o erroneamente e t r a g a como conseqüências a adoção de p l a n o s de ações de combate e prevenção que não conseguem d i m i n u i r os índices de a c i d e n t e s . P r i n c i p a l m e n t e , d e v i d o ao f a t o de que e s t a visão l i m i t a d a c r i a uma p e r s p e c t i v a de e s t a g n a r o aumento dos índices de a c i d e n t e s de trânsito, d i r i g i n d o ações e x c l u s i v a m e n t e ao a s p e c t o p u n i t i v o - r e p r e s s i v o do homem, esquecendo-se dos demais f a t o r e s que fazem p a r t e do s i s t e m a veículo-via-homem
que têm influência d i r e t a e/ou i n d i r e t a na ocorrência dos a c i d e n t e s .
Por o u t r o l a d o , na visão sistêmica, que é um método m u i t o u t i l i z a d o nos países d e s e n v o l v i d o s , os p l a n o s de ação p a r a prevenção de a c i d e n t e s de trânsito são e l a b o r a d o s a p a r t i r de uma ordenação sistemática de medidas que atuam t a n t o nos a s p e c t o s de punição,repressão e conscientização dos m o t o r i s t a s e p e d e s t r e s , como no s e n t i d o de m i n i m i z a r ao máximo as deficiências físicas das v i a s e dos veículos.
Baseado, então, na interpretação sistêmica dos a c i d e n t e s de trânsito, fazer-se-á a s e g u i r um e s t u d o dos p r i n c i p a i s f a t o r e s causadores dos mesmos no B r a s i l , c o n s i d e r a n d o - s e que essa abordagem é um i n s t r u m e n t o p a r a estudo do p r o b l e m a dos a c i d e n t e s de trânsito de uso r e c e n t e no B r a s i l .
I I - 2 - Os p r i n c i p a i s f a t o r e s causadores dos a c i d e n t e s no B r a s i l .
I 1 - 2 - 1 . As características físicas da v i a .
As características físicas das v i a s i n f l u e n c i a m d i r e t o e i n d i r e t a m e n t e a s ações dos usuários, v i s t o que, as mesmas desempenham as funções e s s e n c i a i s de acomodação física do tráfego, de informação aos usuários e c o n t r o l e de seus movimentos [ R o z e s t r a t e n ( 1 9 8 8 ) ] . Desta m a n e i r a , d e c o r r e - s e que q u a i s q u e r que sejam as f a l h a s n e s t e c o n j u n t o de atribuições da v i a , e s t a s podem c r i a r um ambiente propício à ocorrência de um d e s a s t r e . Ou s e j a , um esquema viário mal e l a b o r a d o , no seu c o n j u n t o , c r i a situações a t r a t i v a m e n t e satisfatórias p a r a
os a c i d e n t e s .
E i s t o é f r e q u e n t e m e n t e v i s t o t a n t o no perímetro urbano como no r u r a l . Neste último, independentemente de situações climáticas adversas ou das condições psicossomáticas do m o t o r i s t a ; a má manutenção da v i a , um p r o j e t o geométrico i n s e g u r o ou a existência de uma sinalização i n e f i c i e n t e podem c o n t r i b u i r p a r a que os m o t o r i s t a s ou mesmo os p e d e s t r e s cometam e r r o s . E é i m p o r t a n t e n o t i f i c a r - s e que g e r a l m e n t e não se a t r i b u i , c o r r e t a m e n t e , a e s t e f a t o r a sua r e s p o n s a b i l i d a d e r e l a t i v a no a c i d e n t e . D e n t r e as f a l h a s de p r o j e t o que são r e g u l a r m e n t e e n c o n t r a d a s nas r o d o v i a s b r a s i l e i r a s , pode-se c i t a r : superelevações n e g a t i v a s , que levam os veículos a saírem p e l a t a n g e n t e ; as distâncias de v i s i b i l i d a d e inadequadas, que não oferecem condições do m o t o r i s t a p e r c e b e r a tempo os obstáculos à sua f r e n t e nas u l t r a p a s s a g e n s ; sinalizações e marcações i n c o r r e t a s ou "invisíveis", provocando confusão de e n t e n d i m e n t o nos m o t o r i s t a s , que m u i t a s vezes d e v i d o a sua v e l o c i d a d e , descumprem uma r e g r a básica àquela
situação, p o i s não f o r a m devidamente a v i s a d o s ; acostamento f o r a de padrão; transições de c u r v a s que não amenizam a força centrífuga r e v e r t e n t e que a t u a no veículo na passagem de uma c u r v a p a r a o u t r a ; a ocorrência de s u c e s s i v a s c u r v a s v e r t i c a i s , p r i n c i p a l m e n t e em t r e c h o s r e t o s ; existência de
r o d o v i a s com capacidade de tráfego e x t r a p o l a d a ; existência de obstáculos l a t e r a i s s a l i e n t e s e próximos à v i a trafegável,
t a i s como: árvores, equipamentos de r u a , cabeça de p o n t e s e t c ; p r o j e t o s de acesso as c i d a d e s com deficiências técnicas notórias; e interseções p r o j e t a d a s i n d e v i d a m e n t e . Além d e s t e s , p o d e r i a - s e enumerar uma d i v e r s i f i c a d a gama de e r r o s de p r o j e t o s que levam ou c o n t r i b u e m , l a r g a m e n t e , p a r a que o usuário cometa infrações e conseqüentemente provoque a c i d e n t e s .
Do mesmo modo, numa c i d a d e com i n t e n s o volume de tráfego, é inevitável que s u r j a m v a r i a d o s p o n t o s de c o n f l i t o s que incrementam r i s c o s as v i a g e n s dos usuários. Desta f o r m a , a f a l t a de equipamentos, sinalizações adequadas, semáforos, e s t r u t u r a s de transposição, a própria inexistência de um p l a n e j a m e n t o do u s o - d o - s o l o em consonância com o dos t r a n s p o r t e s , a f a l t a de uma segregação e hierarquização de tráfego e o u t r o s a c a r r e t a m o e t e r n o e p e r i g o s o c o n f l i t o e n t r e p e d e s t r e s e veículos^que f a z com que os índices de a c i d e n t e s de trânsito sejam tão a l t o nas áreas u r b a n a s .
Como pode s e r v i s t o , f a c i l m e n t e pode se c r i a r um ambiente com características de r i s c o . Por i s s o , é i m p o r t a n t e a b o r d a r a problemática dos a c i d e n t e s .no c o n t e x t o g e r a l , c o n s i d e r a n d o t o d o s os e l e m e n t o s físicos c o n s t i t u i n t e s do meio onde o a c i d e n t e o c o r r e u .
D e s t a r t e , entende-se que as deficiências c i t a d a s demonstram uma grande p o s s i b i l i d a d e de influência que o ambiente pode e x e r c e r sobre a conduta dos m o t o r i s t a s , e que, m u i t a s vezes, e s t a s são as p r i n c i p a i s causadoras dos
a c i d e n t e s de trânsito.
profundamente compreendida, d e v i d o ao f a t o de que o ambiente pode-se t o r n a r propício, d i a n t e de suas exigências, a que os m o t o r i s t a s cometam pequenos e r r o s de percepção ou reação, desencadeando sérios a c i d e n t e s automobilísticos. Assim f a z - s e imprescindível e s t u d a r - s e os e f e i t o s d e s t e sobre o homem de forma que se possa e n t e n d e r melhor o fenômeno dos a c i d e n t e s de t r a n s i t o .
I I - 2 - 2 . A impunidade no trânsito.
A situação o r g a n i z a c i o n a l caótica do trânsito b r a s i l e i r o é f r u t o de um c o n j u n t o de deficiências que se
i n s t a u r a r a m no t r a n s c o r r e r do d e s e n v o l v i m e n t o dos t r a n s p o r t e s rodoviários no país.
A p a r t i r dos anos 50, quando a indústria automobilística tomou v u l t o e começou a e x p a n d i r - s e com grande i n t e n s i d a d e , o s i s t e m a de t r a n s p o r t e b r a s i l e i r o v i v e u uma v e r d a d e i r a r e v i r a v o l t a , i m p u l s i o n a d o p e l a s exigências impostas p e l a s montadoras de c r i a r - s e um ambiente favorável ao c r e s c i m e n t o i m p e r a t i v o do modal rodoviário.
Sendo assim, d i a n t e do d e s e n v o l v i m e n t o marcante do modal rodoviário, o país c o n s e g u i u c o n s t r u i r uma e s t r u t u r a viária considerável e e q u i p a r - s e com uma f r o t a de veículos d i g n a de uma nação em d e s e n v o l v i m e n t o . Contudo, essa modernização t r o u x e o m i t i d a em seu arcabouço, a problemática da segurança e c o n t r o l e do trânsito. V i s t o que, a s o c i e d a d e b r a s i l e i r a não e s t a v a devidamente p r e p a r a d a p a r a a s s i m i l a r os
complexos p r o c e d i m e n t o s a serem s e g u i d o s no a t o de d i r i g i r ; a sua malha viária t e r s i d o construída sem um c o n t r o l e técnico r i g o r o s o ; e , p o r f i m , p o r não t e r s i d o f o r m u l a d o um s i s t e m a de l e i s de trânsito e f i c i e n t e que r e g i s s e com p r e s t e z a as n e c e s s i d a d e s básicas de segurança dos usuários. E, com o passar dos anos, o problema dos a c i d e n t e s de trânsito a d q u i r i u proporções inadmissíveis, com seu a l t o nível de perdas humanas e m a t e r i a i s .
De o u t r o modo, observa-se que a inexistência de uma consciência p r e c o n c e b i d a , de uma. educação de trânsito
i n f o r m a t i v a e de um a p a r a t o técnico de normas de segurança e f i c i e n t e s na formulação dos p r o j e t o s impõe ao p o l i c i a m e n t o e ao s e t o r jurídico uma c a r g a que e x t r a p o l a seu c o n t r o l e e sua capacidade de atuação, p r e c i p u a m e n t e d e v i d o a e s t e s não d i s p o r e m de um c o n t i n g e n t e s u f i c i e n t e e p r e p a r a d o j e de l e i s e d i s p o s i t i v o s jurídicos que os p o s s i b i l i t e m a impor o
r e s p e i t o aos i n f r a t o r e s do trânsito.
Supor que esses d o i s elementos f i n a i s tenham condições de d e t e r , e x c l u s i v a m e n t e , o c r e s c i m e n t o dos índices de a c i d e n t e s de tráfego. É um pensamento irrealístico, que f a v o r e c e à tomada de decisões que i n c o r r e m em medidas p a l i a t i v a s e, m u i t a s vezes , inconseqüentes. Não se d e i x a n d o de c o n s i d e r a r que um p o l i c i a m e n t o o s t e n s i v o em p o n t o s críticos e um c o n j u n t o de d i r e t r i z e s jurídicas embasadas em
l e i s s e v e r a s e aplicáveis, v i s l u m b r a - s e num i m p o r t a n t e i n s t r u m e n t o de a j u d a no combate e prevenção dos a c i d e n t e s de trânsito.
p o l i c i a m e n t o e aos j u l g a d o s de trânsito, são as deficiências f u n c i o n a i s e ausência, comum, de penalizações aos responsáveis p e l o s a c i d e n t e s automobilísticos.A impunidade é quase que g e n e r a l i z a d a , é uma r a r i d a d e e n c o n t r a r - s e um i n f r a t o r das l e i s de trânsito, que p r o v o c o u m o r t e s e/ou prejuízos m a t e r i a i s e x o r b i t a n t e s , que e s t e j a cumprindo uma pena compatível com o c r i m e c o m e t i d o , ou a i n d a} que e s t e j a
cumprindo q u a l q u e r t i p o de pena.
São poucas as c i d a d e s b r a s i l e i r a s que têm v a r a s e s p e c i a l i z a d a s no trânsito. Segundo V a l e i x o ( * ) : "0 d e l i t o de trânsito " é um f l a g e l o evitável", e i s s o é o l a d o m a i s g r a v e da questão. Enquanto o u t r o s t i p o s de c r i m e s , como a s s a l t o s e latrocínios, são p r a t i c a m e n t e evitáveis, p o i s , g e r a l m e n t e , são conseqüências de situações s o c i a i s , como desemprego, e n f i m uma existência miserável, o d e l i t o de trânsito s u r g e p e l o descaso em relação a observação de r e g r a s técnicas. E o m o t o r i s t a , p o r princípio, tem de s e r a l f a b e t i z a d o ; p o r t a n t o é um p r i v i l e g i a d o na s o c i e d a d e b r a s i l e i r a . Por o u t r o l a d o , como ocorrem os d e l i t o s de trânsito? Ocorrem quando o cidadão v a i ou v o l t a do t r a b a l h o , ou está em l a z e r . Em ambos os c a s o s , t r a t a - s e novamente de um cidadão p r i v i l e g i a d o em t e r m o s de B r a s i l - tem t r a b a l h o e pode t e r o seu l a z e r " [ G E I P 0 T ( 1 9 8 7 ) ] .
Inúmeros são as imprudências, negligências e imperícias c o m e t i d a s no trânsito. Exemplos como d i r i g i r embriagado, que é um dos p r i n c i p a i s responsáveis p e l o s a c i d e n t e s de t r a n s i t o ; o não uso do c i n t o de segurança, que
f a z com que normalmente em uma colisão o o c u p a n t e do automóvel s o f r a sérios f e r i m e n t o s ; e o d e s r e s p e i t o às sinalizações e semáforos, p r i n c i p a l m e n t e em l o c a i s onde s e j a comum o f l u x o de p e d e s t r e s . São algumas d e n t r e d i v e r s a s o u t r a s infrações p r a t i c a d a s p e l o s m o t o r i s t a s que p o d e r i a m s e r c o m b a t i d a s com a j u d a de um p o l i c i a m e n t o r i g o r o s o . Porém é difícil e s p e r a r - s e um p o l i c i a m e n t o o s t e n s i v o , se os p o l i c i a i s , s e j a p o r m o t i v o s de b a i x o s salários, f a l t a de consciência ou influência de f a t o r e s sócio-econômicos, se deixam c o r r o m p e r p e l a s chamadas " b o l a s " , que são p r o p i n a s c o r r i q u e i r a m e n t e usadas p e l o s m o t o r i s t a s , quando são f l a g r a d o s em q u a l q u e r espécie de infração. Não percebendo que sua a t i t u d e só s e r v e p a r a p i o r a r o quadro de impunidade no t r a n s i t o . É v e r d a d e i r a m e n t e crítica t a l situação, merecendo uma ação p o l i c i a - j u d i c i a l u r g e n t e p a r a e v i t a r e s t e t i p o de
i l i c i t u d e .
No a s p e c t o jurídico, está explícito no código c i v i l , a r t i g o 159, a prescrição que: " Aquele que, p o r ação voluntária, negligência, ou imprudência, v i o l a r d i r e i t o , ou causar prejuízo a o u t r e m , f i c a o b r i g a d o a r e p a r a r o dano
Pode-se, então, p e r g u n t a r , p o r que os i n f r a t o r e s do trânsito, que provocam a c i d e n t e s , p o r a t o s c u l p o s o s , o c a s i o n a n d o p e r d a de v i d a s e prejuízos m a t e r i a i s incalculáveis, não são, g e r a l m e n t e , o b r i g a d o s a r e p a r a r os danos de suas infrações c r i m i n o s a s , de forma a que r e a l m e n t e h a j a um r e s s a r c i m e n t o e, que e s t e s e j a e q u i v a l e n t e ao d e l i t o ?
O u t r a questão i m p o r t a n t e que deve s e r c o n s i d e r a d a é a r e s p e i t o dos r e q u i s i t o s e s s e n c i a i s p a r a que h a j a r e s s a r c i m e n t o dos danos à vítima. De acordo com a t e o r i a adotada p e l o s i s t e m a jurídico b r a s i l e i r o , a vítima ( o u r e p r e s e n t a n t e d e s t a , quando e s t a se achar i m p o s s i b i l i t a d a ) deverá d e m o n s t r a r , de maneira p o s i t i v a e c o n c l u d e n t e , que a o u t r a p a r t e e s t a v a d i r i g i n d o seu veículo com imperícia, imprudência, ou negligência. V i s t o que a obrigação de i n d e n i z a r t e r p o r " s u b s t r a t u m " a c u l p a inequívoca do c a u s a d o r do e v e n t o ou daquele p o r e l e responsável. P o r t a n t o p a r a e f e i t o de r e c e b i m e n t o de indenização, a c u l p a ou d o l o , deve f i c a r provado acima de q u a l q u e r dúvida.
Baseado n e s t a definição, e e x e m p l i f i c a n d o o caso do a t r o p e l a m e n t o , entende-se, que é, no s e n t i d o mais l a t o do termo, difícil i n c r i m i n a r um i n f r a t o r , e conseqüentemente forçá-lo a pagar os danos provocados à vítima d i a n t e das c i r c u n s t a n c i a s que g e r a l m e n t e acontecem os a t r o p e l a m e n t o s . Em p r i m e i r o l u g a r , é inevitável que a justiça n e c e s s i t a de uma testemunha, a f o r a a v i t i m a e o i n f r a t o r , se e s t e o f o r , para p r e s t a r e s c l a r e c i m e n t o s sobre o o c o r r i d o . No e n t a n t o , não é fácil convencer alguém a p r e s t a r t a l d e p o i m e n t o . Em
segundo l u g a r , não é tão s i m p l e s c o n s e g u i r - s e a n a l i s a r uma ocorrência desse t i p o em circunstâncias n o r m a i s , d e v i d o a atuarem uma série de f a t o r e s que n e c e s s i t a m de um e s t u d o m a i s p r o f u n d o das técnicas de direção e condições da v i a r e f e r i d a , estudo e s t e que d e v e r i a s e r f e i t o p o r pessoas c a p a c i t a d a s e
i n t i m a m e n t e l i g a d a s ao fenômeno dos a c i d e n t e s . Com i s s o o p a r e c e r s e r i a a f o r m a mais j u s t a de dar-se c o n t i n u i d a d e a um processo j u d i c i a l d e s t a n a t u r e z a . Mas, o que r e a l m e n t e acontece, é uma decisão j u d i c i a l tomada em cima de uma l a u d o médico e um p e r i c i a l , comumentes i n c o m p l e t o s , t o r n a n d o o
inquérito quase que puramente jurídico.
Deve-se, a i n d a , a c r e s c e n t a r o desumano a t o de abandono à vítima p o r p a r t e do m o t o r i s t a responsável, mesmo sabendo-se que a legislação b r a s i l e i r a de trânsito l i v r a o f l a g r a n t e d e l i t o , se o e l e m e n t o responsável v i e r a s o c o r r e r à vítima, fazendo com que e s t e só se a p r e s e n t e 24 h o r a s após o o c o r r i d o . Derrubando, assim, o que e r a o m a i o r e m p e c i l h o p a r a o salvamento dos a t r o p e l a d o s .
Por o u t r o l a d o , até então, percebe-se que as penas p r e s c r i t a s p a r a os responsáveis em a c i d e n t e s de trânsito são i n a c e i t a v e l m e n t e amenas e não condizem com a g r a v i d a d e do c e i f o da v i d a humana ou as seqüelas que e s t e s deixam em suas vítimas e f a m i l i a r e s . A jurisprudência dos a c i d e n t e s de
trânsito é um e s p e c t r o do descaso p r o p o r c i o n a d o p e l a s a u t o r i d a d e s d i a n t e da ínfima importância dada p o r e s t e s aos a c i d e n t e s de tráfego.
Segundo, a i n d a , Fragoso, em Lições de D i r e i t o P e n a l , a r e s p e i t o de um e s t u d o d e s e n v o l v i d o p e l a O.A.B( Organização da Ordem dos Advogados do B r a s i l ) , no R i o de J a n e i r o , 1 9 7 1 , dispõe: " como a s s i n a l a o r e f e r i d o estudo da 0 . A. B, o s
índices de a c i d e n t e s de trânsito no B r a s i l são os m a i o r e s do mundo, sendo, no e n t a n t o , deploráveis, as f a l h a s de nossa
Como pode s e r v i s t o , enquanto não e x i s t i r um esquema de p o l i c i a m e n t o e um s i s t e m a jurídico que g a r a n t a que lições, l e i s e advertências, sejam lembradas e cumpridas f i e l m e n t e , t o r n a - s e inviável p r o c e d e r - s e no s e n t i d o de c o n t e r os desdobramentos das infrações no trânsito.
I 1 - 2 - 3 . A educação no trânsito.
A f a l t a de educação no trânsito é uma das raízes p r i n c i p a i s do p r o b l e m a dos a c i d e n t e s automobilísticos. Não se pode e s p e r a r de indivíduos que não receberam uma educação prévia que l h e s p r o p o r c i o n a s s e m um conhecimento p l e n o das l e i s e sinalizações de trânsito que os mesmos venham a a t u a r de uma forma c o n s c i e n t e , previsível e, ao mesmo tempo, com máxima prudência, que r e s u l t a r i a com c e r t e z a numa m a i o r
segurança no trânsito.
É p r a t i c a m e n t e inevitável, p o i s , que o r e s u l t a d o desse não a d e s t r a m e n t o , s e j a a c o n s t a n t e observância das
incontáveis infrações que ocorrem no d i a a d i a do trânsito b r a s i l e i r o .
Na r e a l i d a d e , pode-se a f i r m a r que uma grande p a r t e dos m o t o r i s t a s e p e d e s t r e s b r a s i l e i r o s são i n a b i l i t a d o s p a r a t r a f e g a r e m nas v i a s . E, e s t a consideração é, f a c i l m e n t e , v i s t a , não somente no c o t i d i a n o do trânsito, mas também nos próprios t e s t e s de habilitação f e i t o s nos órgãos competentes, onde como pode-se o b s e r v a r , a c a r t e i r a de habilitação que é o
comprovante f i n a l da "capacitação" do m o t o r i s t a p a r a o a t o de d i r i g i r , é n e g l i g e n c i a d a em t o d o s os seus a s p e c t o s e r e t r a t a , c a t e g o r i c a m e n t e , o nível das pessoas que chegam p a r a se submeterem aos exames.
Em p r i m e i r o l u g a r , e s t a não e x i g e com r i g o r o s i d a d e , uma amostragem c o m p l e t a e e f i c i e n t e das condições de d i r i g i r do m o t o r i s t a . Faz-se r e s s a l v a , a i n d a , ao f a t o que os indivíduos que vão se p r e s t a r aos t e s t e s , fazem uma preparação de "última h o r a " , memorizando as sinalizações e
l e i s de trânsito p a r a uso i m e d i a t o , esquecendo-se que o i m p o r t a n t e é a sedimentação dos c o n c e i t o s que c r i a uma consciência satisfatória de c o n d u t a no trânsito.
Do mesmo modo, o b s e r v a - s e , em m u i t o s t e s t e s de habilitação, que a exigência de manuseio do veículo se resume
a manobras s i m p l e s que não demonstram, v e r d a d e i r a m e n t e , a capacidade do indivíduo.
Sendo a s s i m , vê-se que uma p a r c e l a considerável de " h a b i l i t a d o s i n c a p a z e s " são, d i a r i a m e n t e , l i b e r a d o s p a r a atuarem no trânsito b r a s i l e i r o .
Por o u t r o l a d o , deve-se c o n s i d e r a r que p a r a se e x i g i r dos m o t o r i s t a s uma atuação c o n s c i e n t e e compatível com as boas normas de c o n d u t a no t r a n s i t o , é p r e c i s o que os mesmos sejam, d e v i d a m e n t e , p r e p a r a d o s p a r a desempenhar t a l função.
V i s t o que, indivíduos em condições n o r m a i s , g e r a l m e n t e , agem s e g u i n d o uma consciência pré-estabelecida e c o n s o l i d a d a . E e s t e é o p o n t o f u n d a m e n t a l da questão, p o i s e s t a consciência só pode s e r a d q u i r i d a com uma preparação c o n t i n u a que faça com que os mesmos a s s i m i l e m as normas de
trânsito, de uma forma d e f i n i t i v a . E s t a concepção é a que é s e g u i d a p e l a m a i o r i a dos países d e s e n v o l v i d o s , países como a Áustria e I n g l a t e r r a incrementam a educação de trânsito no currículo e s c o l a r desde o g r a u básico, adaptando ,assimj as crianças a c o n v i v e r e m e r e s p e i t a r e m as l e i s de trânsito.
Desta f o r m a , vê-se que a educação de trânsito é p r i m o r d i a l p a r a um desempenho favorável na direção. Deve-se c o n s i d e r a r , também, que d i r i g i r é uma profissão, e p a r a t e r t a l conceituação é necessário um t r e i n a m e n t o compatível com o seu g r a u de p e r i c u l o s i d a d e e a importância de seus serviços, v i s t o que, é o m o t o r i s t a o c o n d u t o r dos t r a n s p o r t e s de cargas e p a s s a g e i r o s , ou s e j a , assume a posição de responsável d i r e t o p e l a v i d a das pessoas e de seus bens. Daí a importância dos t r e i n a m e n t o s p a r a os m o t o r i s t a s p r o f i s s i o n a i s , como também os c u r s o s de r e c i c l a g e m e as avaliações periódicas dos mesmos, p o i s só a s s i m se consegue qualificá-los p a r a exercerem suas profissões com segurança.
Nota-se, p o r t a n t o , que o d u e t o educação-treinamento, c o n s t i t u e um i n s t r u m e n t o de capacitação de m o t o r i s t a s n o t a v e l m e n t e i m p o r t a n t e , sendo-o üm dos p r i n c i p a i s d e t e r m i n a n t e s da boa p e r f o r m a n c e no a t o de d i r i g i r .
I I - 2 - 4 . As características ergométricas dos veículos.
As características físicas dos veículos podem t e r ,também, grande influência na ocorrência dos a c i d e n t e s . Este a s p e c t o ergométrico assume n o t o r i e d a d e d e v i d o a duas questões básicas:
a ) a p r i m e i r a sendo a da ineficiência ou mesmo inexistência de uma manutenção e f e t i v a e periódica que faça com que os veículos t r a f e g u e m d e n t r o das condições mínimas e x i g i d a s à segurança.
b ) a segunda sendo a ausência de d i s p o s i t i v o s de segurança que sejam compatíveis com o desempenho do veículo, ou s e j a , uma e s t r u t u r a v e i c u l a r que m i n i m i z e da m e l h o r forma a p o s s i b i l i d a d e de uma colisão ou os e f e i t o s d e s t a nos m o t o r i s t a s e p a s s a g e i r o s .
S e j a em uma ou na o u t r a , o elemento crítico i n s e r i d o no c o n j u n t o de p o t e n c i a l i d a d e s que os veículos dispõem e, que a p r e s e n t a m a i o r d i s p a r i d a d e quanto às suas condições ergométricas, em um choque ou mesmo p a r a evitá-lo, é a variável v e l o c i d a d e . E s t a é que t o r n a o veículo, em
d e t e r m i n a d o s casos, incontrolável p e l o c o n d u t o r , provocando destruição do mesmo e a morte de seus o c u p a n t e s . E é i m p o r t a n t e s a l i e n t a r - s e que quanto m a i o r a v e l o c i d a d e empreendida mais comprometido estará o d u e t o homem-veículo. Pode-se, a i n d a , e s t e n d e r e s t a consideração p a r a o s e g u i n t e : quanto menos equipado e s t i v e r o c a r r o p a r a uma situação de colisão ou mesmo p a r a evitá-la, a v e l o c i d a d e trará um r e s u l t a d o mais d e s a s t r o s o .
Como pode-se n o t a r , o d e s a f i o m a i o r do veículo e de seu c o n d u t o r no d i a - a - d i a em termos físicos (denotando e x c l u s i v a m e n t e a questão da e r g o m e t r i a ) , é t e r aderência s u f i c i e n t e p a r a combater a inércia, t a n t o na f r e a d a que l e v a o automóvel a f r e n t e , como nas c u r v a s que arremessa o mesmo p e l a t a n g e n t e . De o u t r o modo, caso e s t e d e s a f i o não s e j a
v e n c i d o , ou mesmo em o u t r a s ocasiões em que o a c i d e n t e o c o r r a p o r m o t i v o s d i f e r e n t e s , o veículo tem que e s t a r devidamente p r e p a r a d o p a r a desempenhar uma função de proteção, à medida do possível, aos p a s s a g e i r o s e c o n d u t o r .
No e n t a n t o , o que se observa no B r a s i l são veículos, na grande m a i o r i a , com uma escassez e x p r e s s i v a de d i s p o s i t i v o s de segurança, além do a g r a v a n t e comum à f r o t a b r a s i l e i r a da má q u a l i d a d e na manutenção.
Na Europa e Estados U n i d o s , p o r exemplo, já e x i s t e uma consciência e s t a b e l e c i d a de m e l h o r a r a q u a l i d a d e dos veículos em t e r m o s de a u m e n t a r - l h e s à segurança. Desta forma, é comum e x i s t i r e m e f i c i e n t e s d i s p o s i t i v o s de segurança nos automóveis dos países d e s e n v o l v i d o s que não são usados nos modelos b r a s i l e i r o s . Um exemplo da influência de um d i s p o s i t i v o de segurança, mesmo sendo um dos mais s i m p l e s , que pode e v i t a r colisões e n t r e veículos, é a chamada l a n t e r n a de f r e i o e l e v a d a , c o n h e c i d a no B r a s i l como "brake l i g h t " . Uma p e s q u i s a r e a l i z a d a nos Estados Unidos com 7.000 c a r r o s , em 1 9 9 1 , mostrou que o número de choques t r a s e i r o s diminuíram 5 3 % nos que usavam t a l l a n t e r n a . [ D ' A m a r o ( 1 9 9 2 ) ] . Um o u t r o s i m p l e s acessório que não e v i t a o a c i d e n t e , mas pode desempenhar um p a p e l f u n d a m e n t a l na proteção dos c o n d u t o r e s e p a s s a g e i r o s , é o e n c o s t o de cabeça, que na prática a p a r e n t a t e r apenas a função de c o n f o r t o , na verdade é um e f i c i e n t e p r o t e t o r da c o l u n a v e r t i c a l das pessoas.
P o d e r i a - s e l i s t a r uma i n f i n i d a d e de d i s p o s i t i v o s de segurança que e x i s t e m e o u t r o s que aos poucos vão sendo
d e s c o b e r t o s p e l a e n g e n h a r i a automobilística. D e n t r e esses novos elementos que f o r a m d e s c o b e r t o s e já fazem p a r t e de a l g u n s modelos mais c a r o s , pode-se c i t a r : os " a i r bags" que são b o l s a s de a r que se i n f l a m v i n t e milésimos de segundo após a colisão; as suspensões a t i v a s usadas na Fórmula 1 que dão maior e s t a b i l i d a d e aos veículos; os f r e i o s A . B . S ( A n t i b l o c k B r a k i n g System), que e v i t a m o t r a v a m e n t o das rodas na h o r a da f r e a d a . ; e demais o u t r o s , que c r i a m , d e s t a forma, uma p e r s p e c t i v a favorável p a r a a segurança nos f u t u r o s veículos.
Por t u d o i s s o , entende-se que é imprescindível forçar os f a b r i c a n t e s a que e s t e s r e c o r r a m a t o d a t e c n o l o g i a disponível no i n t u i t o de p r o j e t a r - s e veículos que detenham uma e s t r u t u r a física capaz de m i n i m i z a r ao máximo os e f e i t o s dos a c i d e n t e s automobilísticos, bem como evitá-los quando possível.
I 1 - 2 - 5 . As características psicossomáticas dos usuários.
0 estado psíquico e físico dos m o t o r i s t a s e p e d e s t r e s , no i n s t a n t e em que os mesmos estão desempenhando suas funções no trânsito, é de grande importância no r e s u l t a d o f i n a l de
suas ações, p r i n c i p a l m e n t e d e v i d o ao f a t o de que o a t o de d i r i g i r e n v o l v e uma série de f a t o r e s que atuam d i r e t a e/ou i n d i r e t a m e n t e no s i s t e m a homem-veículo-via, provocando situações de c e r t a forma complexas para os usuários. Com i s s o surge a n e c e s s i d a d e de que as pessoas e n v o l v i d a s nas interações o c o r r i d a s no s i s t e m a de trânsito, e s t e j a m nas
melhores condições psicossomáticas possíveis.
Segundo um e s t u d o d e s e n v o l v i d o p o r p e s q u i s a d o r e s n o r t e - a m e r i c a n o s , os movimentos do c o n d u t o r , dos veículos e dos c o n t r o l e s de trânsito são tão complexos, que o c o n d u t o r comete um e r r o a cada d o i s m i n u t o s , dando-se uma situação p e r i g o s a a cada h o r a ou duas h o r a s [GEIPOT(1987)], o que comprova que o a t o de d i r i g i r não é uma t a r e f a fácil.
Sendo assim, percebe-se que q u a l q u e r que s e j a a a d v e r s i d a d e física ou m e n t a l que i n f l u e n c i e o e s t a d o psicossomático dos m o t o r i s t a s no momento de sua reação ou necessidade de atuação p e r a n t e as indagações que o trânsito l h e o f e r e c e , e s t a s podem t e r uma influência n e g a t i v a que poderá os l e v a r a cometer um e r r o e, conseqüentemente p r o v o c a r um a c i d e n t e , ou s e j a , é p r e c i s o que se estabeleça um ambiente propício a boa p e r f o r m a n c e do m o t o r i s t a , p a r a a s s i m t e r - s e condições de o f e r e c e r - l h e s um mínimo possível de adversidade^que favoreçam a um e r r o .
Por o u t r o l a d o , deve-se c o n s i d e r a r que mesmo o m o t o r i s t a mais p r e p a r a d o , com educação no trânsito,
emocionalmente estável, c i r c u l a n d o sobre uma v i a segura e com veículo a t u a l i z a d o em termos de manutenção, pode t r a n s f o r m a r t o d a sua c o n d u t a , quando está sob e f e i t o de d r o g a s ou b e b i d a s alcoólicas, ou a i n d a , quando está desgastado físico e emocionalmente.
0 álcool e as d r o g a s , mesmo em pequenas q u a n t i d a d e s , diminuem os r e f l e x o s e o poder de percepção do homem. E em q u a n t i d a d e a l t a s , e s t e e s t i m u l a os indivíduos a cometerem ações p e r i g o s a s , c a r a c t e r i z a d a s p o r a g r e s s i v i d a d e ou o t i m i s m o
irresponsável.
Segundo a C.E.T (Companhia de E n g e n h a r i a de Tráfego de São P a u l o ) , na c i d a d e de São P a u l o , 50% dos a c i d e n t e s g r a v e s e n t r e veículos, somando-se aos 40% dos a t r o p e l a m e n t o s , acontecem no período da n o i t e , onde o tráfego é m u i t o menor, sendo o álcool o p r i n c i p a l responsável p o r e s t e s d e s a s t r e s automobilísticos. E só o b s e r v a r - s e que os p i c o s m a i o r e s de a c i d e n t e s de trânsito ocorrem nos f i n a i s de semana, notadamente nas s e x t a s - f e i r a s e sábado à n o i t e , ou s e j a , onde
se consomem mais b e b i d a s alcoólicas £GEIP0T(1987)].
Já as d r o g a s i l e g a i s i n c a p a c i t a m os indivíduos p a r a o a t o de d i r i g i r , d e v i d o ao seu grande poder alucinógeno. Agravando-se, a i n d a , em decorrência de algumas p r o v o c a r e m e f e i t o s p r o l o n g a d o s no homem, o mesmo acontecendo com os alcoólatras, que i n d e p e n d e n t e de t e r e m i n g e r i d o q u a l q u e r t i p o de b e b i d a no d i a , podem não t e r condições de d i r i g i r [CONTRAN(1978)].
Outro a s p e c t o que deve s e r c o n s i d e r a d o e que é i g u a l m e n t e d e t e r m i n a n t e p a r a o desempenho do m o t o r i s t a é a sua j o r n a d a de t r a b a l h o . Em países como a I n g l a t e r r a , o descanso do m o t o r i s t a é obrigatório, e s t e s não podem d i r i g i r p o r mais de 4 h o r a s e meia s e g u i d a s , e sua j o r n a d a diária é de nove h o r a s no máximo [ T r a n s p o r t e M o d e r n o ( 1 9 8 9 ) ] .
No B r a s i l , c o n t u d o , no s e t o r do t r a n s p o r t e rodoviário de c a r g a , a ênfase m a i o r a i n d a é dada a eficiência do serviço p r e s t a d o , ou s e j a , a r a p i d e z de c o l e t a , transferência e e n t r e g a de m e r c a d o r i a s - mesmo que essa atribuição a c a r r e t e longas j o r n a d a s de t r a b a l h o aos seus p r o f i s s i o n a i s com
permanência d e s t e s , d i a s e n o i t e s s e g u i d a s na c a b i n a do caminhão, fazendo com que esses v e i c u l o s tornem-se v e r d a d e i r a s f o n t e s de r i s c o , p o i s são dominadas p o r pessoas no ápice de s e u * s t r e s s físico"'e m e n t a l [ R o z e s t r a t e n ( 1988) ] .
Segundo um e s t u d o d e s e n v o l v i d o p o r P e t z h o l d * , a f a d i g a do m o t o r i s t a tem um grande r e l a c i o n a m e n t o com a ocorrência de uma a c i d e n t e . E e s t a surge, p r i n c i p a l m e n t e , d e v i d o a contribuição dos s e g u i n t e s f a t o r e s : a m o n o t o n i a , p r e c i p u a m e n t e em r o d o v i a s de longo t r e c h o ; a t e m p e r a t u r a , p o i s numa f a i x a que s e j a d i f e r e n t e de 25 a 27 g r a u s c e l c i o u s , o c o r r e a f a d i g a de c a l o r , que é a psiconeurótica; o ruído, provocando i r r i t a b i l i d a d e dos m o t o r i s t a s de ônibus, com o s u c e s s i v o acionamento da campainha; as vibrações, que i n t e r f e r e m e provocam s t r e s s ; e a iluminação, sendo a deficiência de l u m i n o s i d a d e i n c o r r e n d o em d o i s t i p o s de f a d i g a s : a o c u l a r e a n e r v o s a ( d e v i d o a a l t a concentração, movimentos rápidos dos o l h o s e p o s i c i o n a m e n t o p r e c i s o ) .
Em o u t r o e s t u d o denominado " F a t i g u e , c i r c a d i a n r h y t m , and t r u c k a c c i d e n t s " d e s e n v o l v i d o nos E s t a d o s U n i d o s , em 1977, observou-se que o i n d i c e de a c i d e n t e s c r e s c e no período da sétima à décima h o r a no v o l a n t e , e n t r e os m o t o r i s t a s de caminhões [ T r a n s p o r t e Moderno(1989)3.
Então, p e r c e b e - s e , que a f a l h a humana p r o v a v e l m e n t e ocorrerá d i a n t e dessas circunstâncias d i s c u t i d a s , mas, sem
(*) - Vencedor do prêmio V o l v o de segurança nas e s t r a d a s , 1987, c a t e g o r i a g e r a l .
c o n t u d o , poder-se a f i r m a r que e x i s t i u uma imprudência, negligência ou imperícia voluntária do m o t o r i s t a , p o i s e l e f o i i n s e r i d o num c o n j u n t o de situações que o l e v a r a m a cometer o e r r o , ou s e j a , e x i s t e um l i m i t e psicossomático até o q u a l o i n d i v i d u o a t u a f a v o r a v e l m e n t e e c o n s c i e n t e de suas ações.
I I - 3 . Considerações f i n a i s .
Como pôde s e r v i s t o , a interpretação da c o n d u t a humana é acima de t u d o complexa. E é incontestável, que um
c o n j u n t o de circunstâncias, na m a i o r i a dos casos, d e t e r m i n a a atuação do indivíduo, f a v o r e c e n d o ou d i f i c u l t a n d o a que e s t e cometa um e r r o . Desta m a n e i r a , é p r e c i s o que se estabeleça um ambiente propício a boa p e r f o r m a n c e do m o t o r i s t a , ou s e j a , que se ofereça um mínimo possível de a d v e r s i d a d e s aos m o t o r i s t a s . Este é o e n t e n d i m e n t o que p r e c i s a s e r c o n s i d e r a d o no e s t u d o do fenômeno dos a c i d e n t e s de trânsito, p o i s só
assim ter-se-á condições de a v a l i a r c o e r e n t e m e n t e a ocorrência de um a c i d e n t e e da própria c u l p a b i l i d a d e do m o t o r i s t a ou mesmo do p e d e s t r e . A p a r t i r d e s t a concepção, o problema dos a c i d e n t e s de trânsito é i n v e s t i g a d o de forma a considerá-lo d e n t r o de um s i s t e m a onde e x i s t e m uma série de f a t o r e s i n t e r a g i n d o que c o n t r i b u e m , e f e t i v a m e n t e , p a r a a ocorrência dos mesmos.
Com i s s o , o e s t u d o do a c i d e n t e passa a s e r d e s e n v o l v i d o com base na "abordagem sistêmica" que t r a b a l h a c o n s i d e r a n d o a influência de f a t o r e s como: as características
físicas das v i a s ; o próprio estímulo p a r a se cometer infrações de trânsito, a d v i n d o da impunidade que p a i r a sobre e s t e país; à ausência de uma conscientização pré-estabelecida nos usuários, d e v i d o a f a l t a de uma educação básico de trânsito; a escassez de d i s p o s i t i v o s de segurança nos veículos b r a s i l e i r o s ; e n f i m , as próprias características psíquicas e físicas dos m o t o r i s t a s no momento em que e s t e s estão t r a n s i t a n d o p e l a s v i a s b r a s i l e i r a s .
P a r t i n d o - s e , então, d e s t a nova forma de interpretação do fenômeno dos a c i d e n t e s de trânsito, a conseqüência óbvia é que a elaboração dos p l a n o s de ações p r e v e n t i v o s e c o m b a t i v o s aos mesmos se tornarão mais e f i c i e n t e s , c o n t r i b u i n d o a s s i m p a r a uma diminuição dos índices de a c i d e n t e s .
A s e g u i r apresentar-se-á, no capítulo I I I , o p e r f i l
estatístico do trânsito b r a s i l e i r o , e se fará uma a n a l i s e c o m p a r a t i v a d e s t a s estatísticas com as de a l g u n s países do mundo, o que demonstrará e confirmará e s t a t i s t i c a m e n t e os r e s u l t a d o s s i n i s t r o s da política de trânsito i n e f i c a z adotada n e s t e país em contraposição as adotadas nos países d e s e n v o l v i d o s que agem baseadas num estudo sistemático.
CAPITULO I I I - UM ESTUDO COMPARATIVO DOS ACIDENTES DE TRANSITO NO BRASIL E EM ALGUNS PAÍSES DO MUNDO.
I I I - l . Introdução
0 e s t u d o c o m p a r a t i v o dos índices de a c i d e n t e s de trânsito é uma forma r a c i o n a l de se a n a l i s a r e s t a t i s t i c a m e n t e as d i s p a r i d a d e s e x i s t e n t e s e n t r e os d i v e r s o s países do mundo.
Por o u t r o l a d o , é imprescindível que a comparação s e j a f e i t a , c o n s i d e r a n d o as situações s o c i a i s , políticas, econômicas e c u l t u r a i s de cada país, p a r a assim o e s t u d o t o r n a r - s e , v e r d a d e i r a m e n t e , r e p r e s e n t a t i v o dos casos e s t u d a d o s , p r i n c i p a l m e n t e quando se observa as g r i t a n t e s d e s i g u a l d a d e s e x i s t e n t e s e n t r e os países d e s e n v o l v i d o s , os países em d e s e n v o l v i m e n t o e os s u b d e s e n v o l v i d o s .
Desta f o r m a , se fará uma análise c o m p a r a t i v a das estatística b r a s i l e i r a s com as de a l g u n s países do mundo, no i n t u i t o de se i d e n t i f i c a r algumas características s i n g u l a r e s do trânsito b r a s i l e i r o e o u t r a s que são comuns a d e t e r m i n a d o s grupos de países. Com i s s o se terá mais condições de a v a l i a r a situação b r a s i l e i r a , bem como de e s t a b e l e c e r c e r t o s parâmetros estatísticos de comparação e n t r e os países.
Sendo assim, a s e g u i r mostrar—se-ão o p e r f i l estatístico b r a s i l e i r o e uma apresentação dos p r i n c i p a i s dados f o r n e c i d o s p e l a s a u t o r i d a d e s competentes e, em s e g u i d a , os mesmos serão comparados com dados p r o v e n i e n t e s de países da A f r i c a , A s i a , Europa e U.S.A.
I I I - 2 . O p e r f i l e s t a t i s t i c o b r a s i l e i r o .
0 B r a s i l o s t e n t a o t i t u l o de campeão m u n d i a l de casos f a t a i s em d e s a s t r e s automobilístico. Estima-se que o c o r r a m 50.000 óbitos, 350.000 f e r i d o s e 700.000 a c i d e n t e s de trânsito p o r ano [Carga & T r a n s p o r t e ( 1 9 8 9 ) ] .
As estatísticas o f i c i a i s de 1989, f o r n e c i d a s p e l o DENATRAN, apresentam os a c i d e n t e s de trânsito como c a u s a d o r e s de 27 m i l m o r t e s e 261 m i l f e r i d o s a n u a i s . E s t e s números, no e n t a n t o , omitem um p e r c e n t u a l que é d e s c o n s i d e r a d o , d e v i d o a ineficiência no p r o c e s s o de compilamento das estatísticas b r a s i l e i r a s . Segundo S e i d * : "nos a c i d e n t e s m u i t a s v e z e s a vítima não morre no l o c a l e nem sempre os dados c o l h i d o s p e l a s a u t o r i d a d e s apontam essa "causa m o r t i s " , devendo-se a c r e s c e n t a r um p e r c e n t u a l de 80% ao número o f i c i a l de m o r t e s "
[Carga e T r a n s p o r t e i 1 9 8 9 ) ] . E s t a afirmação demonstra que a situação é m u i t o p i o r do que a apontada p e l a s estatísticas o f i c i a i s , vendo-se que os dados disponíveis podem s e r e x t r a p o l a d o s a v a l o r e s bem s u p e r i o r e s aos f o r n e c i d o s p e l o s órgãos competentes.
De o u t r o modo, vê-se que os a c i d e n t e s de trânsito tornam-se, a s s i m , e x c e s s i v a m e n t e d i s p e n d i o s o p a r a o país, com prejuízos m a t e r i a i s que chegam a 1,5 bilhões de dólares. Além de d a n i f i c a r um número de veículos e q u i v a l e n t e à metade da f r o t a n a c i o n a l , a cada c i n c o anos [ G E I P 0 T ( 1 9 8 7 ) ] . T o d a v i a , deve-se c o n s i d e r a r que e s t a s c i f r a s são ínfimas em relação as
( * ) - Moise Edmund S e i d - P r e s i d e n t e da Associação B r a s i l e i r a de M e d i c i n a de T r a f e g o (A.B.M.T).