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FORTISSIMO Nº PRESTO VELOCE 22 / NOV 23 / NOV

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Academic year: 2021

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(1)

PRESTO

VELOCE

2 2 / N O V

2 3 / N O V

(2)

PIOTR ILITCH

TCHAIKOVSKY

Cláudio Cruz, regente convidado

Daniel Müller-Schott, violoncelo

Ministério da Cultura e

Itaú

apresentam

PRESTO

2 2 / N O V

VELOCE

2 3 / N O V

P R O G R A M A I N T E R V A L O

JOHANNES

BRAHMS

JOHANNES

BRAHMS

ALEKSANDR

GLAZUNOV

Variações sobre um tema

de Haydn, op. 56a

Sinfonia nº 3 em Fá maior, op. 90

Allegro con brio

Andante

Poco allegretto

Allegro

Duas peças para violoncelo, op. 20

Melodia

Serenata Espanhola

Variações sobre um tema

Rococó, op. 33

(3)

Com a participação de dois músi-cos que retornam a BH depois de grande sucesso em nosso palco, a Filarmônica presta uma homena-gem a alguns dos mais importantes compositores românticos. Abrindo e encerrando o programa, duas obras emblemáticas de Johannes Brahms. Suas Variações sobre um

tema de Haydn mostram o apego

que o compositor alemão tinha às tradições clássicas da música germânica que o antecederam. Já em sua Terceira Sinfonia Brahms

Diretor Artístico e Regente Titular da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais desde sua criação, em 2008, Fabio Mechetti posicionou a orquestra mineira no cenário mundial da música erudita. Além dos prêmios conquistados, levou a Filarmônica a quinze capitais brasileiras, a uma turnê pela Argen-tina e Uruguai e realizou a gravação de oito álbuns, sendo três para o selo internacional Naxos. Natural de São Paulo, Mechetti serviu recentemente como Regente Principal da Filarmônica da Malásia, tornando-se o primeiro

regente brasileiro a ser titular de uma orquestra asiática.

Nos Estados Unidos, Mechetti esteve quatorze anos à frente da Orquestra Sinfônica de Jacksonville e, atualmente, é seu Regente Titular Emérito. Foi tam-bém Regente Titular das sinfônicas de Syracuse e de Spokane, da qual hoje é Regente Emérito. Regente Associado de Mstislav Rostropovich na Orquestra Sinfônica Nacional de Washington, com ela dirigiu concertos no Kennedy Center e no Capitólio. Da Sinfônica de San Diego, foi Regente Residente. Fez sua estreia no Carnegie Hall de Nova York conduzindo a Sinfônica de Nova Jersey. Continua dirigindo inú-meras orquestras norte-americanas e é convidado frequente dos festivais de verão norte-americanos, entre eles os de Grant Park em Chicago e Chautauqua em Nova York.

Igualmente aclamado como regente de ópera, estreou nos Estados Unidos dirigindo a Ópera de Washington. No seu repertório destacam-se produções de Tosca, Turandot, Carmem, Don

Giovanni, Così fan tutte, La Bohème, Madame Butterfly, O barbeiro de Sevilha, La Traviata e Otello.

Suas apresentações se estendem ao Canadá, Costa Rica, Dinamarca, Escócia, Espanha, Finlândia, Itália, Japão, México, Nova Zelândia, Suécia e Venezuela. No Brasil, regeu todas as importantes orquestras brasileiras.

Fabio Mechetti é Mestre em Regência e em Composição pela Juilliard School de Nova York e vencedor do Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko, da Dinamarca.

revela toda a sua verve romântica, numa das mais célebres sinfonias do repertório sinfônico.

O violoncelista alemão Daniel Müller-Schott nos presenteia com duas obras-primas escritas para o instrumento: a charmosa peça de Glazunov e a célebre Variações

Rococó de Tchaikovsky.

Uma noite para sair assobiando… FABIO MECHETTI

FABIO

MECHETTI

Diretor Artístico e Regente Titular FO TO: RAF AEL MO TT A

CAROS AMIGOS

E AMIGAS,

(4)

FO

TO: UWE ARENS

DANIEL

MÜLLER-SCHOTT

Daniel Müller-Schott está entre os melho-res violoncelistas do mundo e pode ser ouvido nos mais importantes palcos.

The New York Times o considera “um

artista destemido com técnica de sobra”. Daniel é convidado de importantes or- questras, entre elas as de Nova York, Boston, Cleveland, Chicago, Filadélfia, San Francisco e Los Angeles; Filarmô-nica de Berlim, Gewandhaus de Leipzig, orquestras das rádios de Berlim, Munique, Frankfurt, Stuttgart, Leipzig, Hamburgo, Copenhague e Paris, Filarmônica e Sinfônica de Londres, sinfônicas da Cidade de Birmingham, Nacional da Espanha, NHK, Nacional de Taiwan, de Sydney e de Melbourne. Apresentou-se com a Filarmônica em 2013 e 2015. Trabalha com maestros como Kurt Masur, Lorin Maazel, Yakov Kreizberg, Vladimir Ashkenazy, Thomas Dausgaard, Charles Dutoit, Christoph Eschenbach, Iván Fischer, Alan Gilbert, Gustavo

Gimeno, Bernard Haitink, Neeme Järvi, Dmitrij Kitajenko, Susanna Mälkki, Andris Nelsons, Gianandrea Noseda, Andrés Orozco-Estrada, Kirill Petrenko, André Previn, Michael Sanderling e Krzysztof Urbański.

Dedicado à expansão do repertório do violoncelo, recebeu composições de Sir André Previn, Peter Ruzicka, Sebastian Currier e Olli Mustonen.

Nesta temporada ele realiza concertos com a Orquestra Tonhalle de Zurique, Filarmônica Real, sinfônicas de Dallas, St. Louis e RTV Espanhola. Fará turnês com Julia Fischer, Nils Mönkemeyer, Baiba Skride e Xavier de Maistre. No Carnegie Hall, tocará com Anne-Sophie Mutter e Lambert Orkis.

Daniel recebeu o Prêmio Aida Stucki 2013 da Fundação Anne-Sophie Mutter. Estudou com Walter Nothas, Heinrich Schiff, Steven Isserlis e Mstislav Ros-tropovich. Aos quinze anos, recebeu o primeiro prêmio no Concurso Interna-cional Tchaikovsky para Jovens Músicos. Daniel Müller-Schott se apresenta com o violoncelo Ex Shapiro feito por Matteo Goffriller em Veneza, 1727. FO TO: JEFERSON C OLA CCIC O

Cláudio Cruz é Regente Titular e Diretor Musical da Orquestra Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo. Ocupou o cargo de

spalla da Orquestra Sinfônica do Estado

de São Paulo (Osesp) entre 1990 e 2014. O maestro tem atuado como regente convidado de orquestras como a Sinfonia Varsovia, New Japan Philharmonic, Hyogo Academy, Hiroshima Symphony, Svogtland Philharmonie, Alemanha, Jerusalem Symphony, Orquestra de Câmara de Osaka, Orquestra de Câmara de Toulouse, Sinfônica de Avignon, Northern Sinfonia, Inglaterra, entre outras. No Brasil, regeu a Osesp, a Sinfônica do Paraná, Sinfô-nica Brasileira, SinfôSinfô-nica Municipal de São Paulo, Sinfônica de Porto Alegre e Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro. Cláudio Cruz conduziu a Filarmônica de Minas Gerais em 2016. Entre suas participações em festivais, dirigiu a Orquestra Acadêmica do Festival Internacional de Campos de Jordão em 2010 e 2011. No exterior, apresentou-se no Festival de Verão da Carinthia, Áustria, e no Festival Internacional de Música de

Cartagena, Colômbia, onde atuou como camerista e regente convidado da Osesp. Cláudio Cruz foi regente e diretor artístico da Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas, da Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto e da Orquestra de Câmara Villa-Lobos. Com elas gravou CDs contendo obras de Carlos Gomes, Beethoven, Mozart, Tom Jobim e Edino Krieger.

Atuou como diretor artístico e regente nas montagens das óperas Lo Schiavo e

Don Giovanni em Campinas, Rigoletto

e La Bohème em Ribeirão Preto. Cláudio Cruz foi premiado pela Associa-ção Paulista de Críticos de Artes (APCA), Prêmio Carlos Gomes, Prêmio Bravo, Grammy Awards, entre outros.

CLÁUDIO

CRUZ

(5)

Piccolo, 2 flautas, 2 oboés, 2 clarinetes, 2 fagotes, contrafagote, 4 trompas, 2 trompetes, tímpanos, percussão, cordas.

V A R I A Ç Õ E S S O B R E U M T E M A D E H A Y D N , O P . 5 6 A

1873 / 17 minutos Instrumentação

Com as Variações sobre um tema de

Haydn, Brahms alimenta, de modo

eloquente, a discussão em torno de um importante motor de sua produção musical: o jogo de forças representado pelo Classicismo e pelo Romantismo. Com efeito, os ideários dessas forças, com tudo que representam em termos da diversidade de concepções estéti-cas e de realizações composicionais, parecem estar no cerne da criação brahmsiana. Se considerarmos ainda seu compromisso com a história e com as transformações da lingua-gem musical, aliado à sua reverên-cia a Beethoven, em particular às sinfonias do ilustre predecessor – que lhe impuseram um longo período de gestação à Primeira

Sinfonia –, acrescentaremos um

dado importante ao contexto das

Variações. É durante esse período

que Brahms prepara-se para a sinfo-nia, mas o faz assumindo o desafio em outro domínio no qual Beethoven também havia atingido uma arte consumada. As transformações às quais é submetido um tema alcan-çam, nas variações beethovenianas,

um tal grau de complexidade, que a semelhança com o ponto de partida diminui, ao longo do percurso, e o compositor muitas vezes mantém apenas traços do original – entre os quais fragmentos melódicos, estruturas harmônicas, motivos rítmicos – nem sempre perceptíveis, senão após várias audições. O tema das Variações, cuja autoria, hoje, é atribuída a um aluno de Haydn, foi extraído do segundo movimento de um Divertimento para instrumentos de sopro. Dele, a harmonização de uma singela melodia de peregrinos – Coral de Santo Antônio – é mantida na íntegra por Brahms. As notas repetidas, ao final do Tema, são o traço comum entre este e a Primeira Variação, mas o compositor já nos conduz a um terreno distante. Aqui,

não apenas a orquestração oferece um contraste marcante com o Tema, mas também as transformações me- lódicas e a textura polifônica. Em 1872, em carta a Clara Schumann, Brahms havia mencionado a assi-duidade com a qual se dedicava ao estudo do contraponto. No ano seguinte, com as Variações, o compositor legou-nos uma de suas realizações mais importantes no domínio da escritura contrapon-tística, que permeia toda a obra. Quanto à variedade e aos contras-tes, tratados segundo um princípio de unidade na diversidade, a consi-deração de Schoenberg a respeito da observância, em Brahms, da “concepção sistemática do aspecto global de um movimento” bem se aplica às Variações. A ideia de um

todo coeso é plenamente realizada, ainda que cada variação caracte-rize-se seja pela rítmica – vigorosa como um movimento de marcha, na Sexta Variação, ou leve como um movimento de dança, na Siciliana da Sétima Variação –, seja pela mudança de modo – como na tonalidade menor das Variações II, IV e VIII –, seja ainda por carac-terísticas particulares de melodia e de orquestração. Rigorosa em sua arquitetura formal de linhas clássicas, a obra segue um cami-nho no qual a alma brahmsiana deixa aflorar um quê do pathos romântico e, no Finale, vai buscar em uma das formas mais caras ao período Barroco, a Passacalha, os passos, a partir de um tema solene, para conduzir as Variações à sua grandiosa conclusão. Referências Para ouvir MP3 Johannes Brahms – Symphony nº 4; Haydn Variationen; Tragische Ouvertüre – Berliner Philharmoniker – Herbert von Karajan, regente – Deutsche Grammophon – 1988/2010

Para assistir

Philadelphia Orchestra – Riccardo Muti, regente Acesse: fil.mg/ bvariacoes

Editora

Breitkopf & Härtel com a Filarmônica Primeira apresentação Para ler D. J. Grout & C. V. Palisca – História da Música Ocidental – Gradiva – 1994 Para ler Styra Avins – Johannes Brahms: Life and Letters – Oxford University Press – 2004

Oiliam Lanna Compositor, professor da Escola de Música da Universidade Federal de Minas Gerais.

(6)

Referências

2 flautas, 2 oboés, 2 clarinetes, 2 fagotes, 4 trompas, harpa, cordas.

D U A S P E Ç A S P A R A V I O L O N C E L O , O P . 2 0

1888 / 10 minutos

Aleksandr Glazunov foi um dos mais festejados compositores russos de seu tempo. Sua mãe, Elena Pavlovna, era uma excelente pianista ama-dora, enquanto o pai, Konstantin, tocava violino e descendia da mais tradicional família de editores de São Petersburgo. Nesse lar afortu-nado, Glazunov pôde desfrutar de vantagens excepcionais, como ter o talento musical desenvolvido e apoi- ado por eminentes compositores, tais como Mily Balakirev e Nikolai Rimsky-Korsakov. O primeiro grande sucesso de Glazunov foi sua Sinfonia

nº 1, escrita em 1881, quando tinha

dezesseis anos de idade. A obra, estreada no ano seguinte, causou sensação em São Petersburgo e chamou a atenção do editor musi-cal Belyayev, que a partir de então promoveu amplamente a música de Glazunov. Em 1884, Belyayev levou Glazunov em uma longa viagem, visitando diversos países entre Marrocos e Espanha, a fim de divulgar sua obra. Em Weimar, Belyayev realizou a estreia alemã da Primeira Sinfonia de Glazunov:

“o mundo falará deste compositor”, disse Franz Liszt na ocasião. Após o êxito da Primeira Sinfonia, Glazunov obteve reconhecimento pela composição de seu primeiro

Quarteto de cordas: “o talento de

Glazunov é inegável”, reconheceu Tchaikovsky ao examinar a parti-tura dessa obra, escrita pelo jovem de dezessete anos. O Quarteto de Glazunov foi estreado por grandes nomes, entre eles o violinista Leopold Auer – ao qual dedicaria seu Concerto

para violino, uma de suas

compo-sições mais populares – e o violon-celista Alexander Wierzbilowicz, músico do czar e professor no Conservatório de São Petersburgo. Em gratidão a Wierzbilowicz, Glazunov compôs Duas peças para violoncelo e

orquestra, op. 20: Mélodie, de 1887, e Sérénade espagnole, de 1888, assim

como Chant du Ménestrel, de 1901. Tais obras são executadas tanto na versão para violoncelo e orquestra quanto na redução para violoncelo e piano, realizada por Glazunov, e denotam o domínio do compositor

sobre a escrita para o instrumento, assim como a equilibrada orques-tração e a clareza contrapontística.

Mélodie é uma peça curta,

encanta-dora e delicadamente orquestrada. Lírica e calma, possui um toque da melancolia russa, prenunciando Rachmaninov. Glazunov, além de suas ligações com os compositores nacionalistas russos, foi influenciado pela música folclórica espanhola, húngara e asiática. Enquanto a primeira peça, Mélodie, apresenta colorações modais e um idioma mais cosmopolita, a segunda e breve Sérénade espagnole evoca lembranças da visita de Glazunov à Espanha. Na orquestração, o compositor utiliza a harpa e os

pizzicatti das cordas para efeitos

da guitarra flamenca. No trecho central da Sérénade surge uma nova e marcante melodia, cuja linha e acompanhamento assemelham-se à canção popular andaluza El paño – a mesma utilizada por Manuel de Falla décadas mais tarde em seu ciclo de canções. Sérénade espagnole, posteriormente, recebeu letra de Mikhail Ulitsky e uma adaptação da parte solo para violino, realizada pelo célebre violinista austríaco Fritz Kreisler, versão tão famosa quanto a original. Instrumentação Para ler Attila C. Sampaio e Dietmar Holland – Guia Básico dos Concertos – Civilização Brasileira – 1995

GLAZUNOV

A L E K S A N D R

São Petersburgo, Rússia, 1865 – Paris, França, 1936

Marcelo Corrêa Pianista, Mestre em

Piano pela Universidade Federal de Minas Gerais, professor na Universidade do Estado de Minas Gerais.

Para ouvir CD – Tchaikovsky, Glazunov, R-Korsakov, Cui – The Chamber Orchestra of Europe – John Eliot Gardiner, regente – Steven Isserlis, violoncelo – Virgin Classics – 1990 Editora Belaieff com a Filarmônica Primeira apresentação

(7)

Referências

Para assistir Orquesta Freixenet de la Escuela Reina Sofía – Pablo Ferrández, violoncelo – Zubin Mehta, regente – Acesse: fil.mg/ tvariacoes Para ler Anthony Holden – Piotr Ilitch Tchaikovsky: uma biografia – Record – 1999 2 flautas, 2 oboés, 2 clarinetes, 2 fagotes, 2 trompas, cordas.

TCHAIKOVSKY

P I O T R I L I T C H

V A R I A Ç Õ E S S O B R E U M T E M A R O C O C Ó , O P . 3 3

Votkinsk, Rússia, 1840 – São Petersburgo, Rússia, 1893

1876 / 18 minutos

Em 1876 Tchaikovsky vivia em Moscou havia dez anos e ganhava a vida como professor do Conservató-rio. Desencantado com os recentes fracassos de suas obras, iniciou a composição de uma peça para violoncelo e pequena orquestra, à moda antiga, com o intuito de fazer-se conhecido: as Variações

sobre um tema Rococó. No final

do século XVIII e início do XIX, as séries de variações sobre uma ária famosa de ópera, ou uma canção folclórica, foram extremamente populares como forma de exibição dos virtuoses. A composição das variações, muitas vezes, ficava a cargo do próprio solista, que criava os mais incríveis malabarismos em seu instrumento para uma melhor demonstração dos seus dotes de instrumentista.

Tchaikovsky e Wilhelm Fitzenhagen deviam ter algo parecido em men- te quando decidiram juntar esfor- ços em uma nova composição. Fitzenhagen era concertista e pro-

fessor de violoncelo no Conservatório de Moscou. Os dois desenvolveram uma sólida amizade, e Tchaikovsky parecia confiar em Fitzenhagen sempre que precisava escrever para o violoncelo. Fitzenhagen, que já havia estreado alguns quartetos de cordas de Tchaikovsky, recebeu deste a permissão para alterar a parte do violoncelo de sua recém-composta Variações Rococó. No entanto, Fitzenhagen parece ter tomado liberdades exageradas, pois, além de modificar considera-velmente a composição, eliminou a oitava variação e alterou a ordem das restantes. Dessa maneira, a concepção original de Tchaikovsky, que consistia em introdução, tema, oito variações e coda, ganhou o seguinte plano: Introdução, tema, variação 1, variação 2, variação 6, variação 7, variação 4, variação 5, variação 3 e coda (reduzida). Nem o tema nem as variações são verdadeiramente rococó, embora o tema traga consigo algumas

características do estilo, tais como leveza, elegância e graciosidade. Trata-se de um tema composto por Tchaikovsky naquele tipo de visão estilizada da arte antiga, tão comum no século XIX.

A obra foi composta entre dezem-bro de 1876 e março de 1877. O sucesso da estreia, em 1877, das apresentações seguintes e a pro-jeção do nome de Tchaikovsky no exterior parecem ter convencido o ainda desconhecido e inseguro compositor a manter as alterações de Fitzenhagen quando a obra foi publicada, em 1878, na versão para violoncelo e piano. A publicação da partitura de orquestra, em 1889, selou para sempre o destino da obra. As alterações que Fitzenhagen fez na obra visavam mais que uma mera

exibição de virtuosismo. Nos concer-tos do século XIX eram comuns os aplausos no meio da música sem- pre que surgia um momento de especial bravura. A reorganização que Fitzenhagen fez na ordem das variações buscava produzir um maior impacto na plateia. Sua ver-são é brilhante, enquanto a original é mais coesa e formalmente mais dramática. A versão de Tchaikovsky/ Fitzenhagen é a mais conhecida e, praticamente, a única que foi executada desde 1877. Apenas recentemente veio à tona a ver-são original como Tchaikovsky a concebeu.

Instrumentação

Guilherme Nascimento Compo-sitor, Doutor em Música pela Unicamp, professor na Escola de Música da UEMG, autor dos livros Os sapatos floridos

não voam e Música menor.

Para ouvir CD Dvorák Cellokonzert; Tchaikovsky Rokoko Variationen – Berliner Philharmoniker – Herbert von Karajan, regente – Mstislav Rostropovich, violoncelo – Deutsche Grammophon – 1996 Editora Muzgiz Última apresentação 09/12/2014 Fabio Mechetti, regente Asier Polo, violoncelo

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Referências Para assistir Wiener Philharmoniker – Leonard Bernstein, regente – Acesse: fil.mg/bsinf3 Para ler Roland de Candé – História Universal da Música – Martins Fontes – 1994 2 flautas, 2 oboés, 2 clarinetes, 2 fagotes, contrafagote, 4 trompas, 2 trompetes, 3 trombones, tímpanos, cordas.

BRAHMS

J O H A N N E S

S I N F O N I A N º 3 E M F Á M A I O R , O P . 9 0

Hamburgo, Alemanha, 1833 – Viena, Áustria, 1897

1883 / 35 minutos

As sinfonias de Brahms foram con-cebidas sob o signo do paradoxo. Nelas, o compositor verte a alma romântica que perpassa sua exten- sa produção de canções, sem deixar de lado a missão que se impôs de dar seguimento à longa tradição sin-fônica, representada por Schumann, Schubert e, em seu caso particular, por Beethoven. Brahms quase nada acrescenta ao efetivo orquestral beethoveniano, mas aprende a lição deste que, em cinco de suas sinfo-nias, emprega a orquestra de Haydn, mas o faz com um espírito único, integrador da ideia musical e de sua orquestração. Mais ainda, Beethoven busca, a cada nova obra, recriar a Sinfonia, dando-lhe vida e perso-nalidade próprias. Brahms procede de modo semelhante. Suas quatro sinfonias são criações individuais, fruto de uma elaboração longa e cuidada. Sua orquestra explora uma técnica instrumental em desenvol-vimento, como podemos observar nesta Terceira Sinfonia, levando os violinos ao registro extremo agudo,

ou dando relevo, como no terceiro movimento, a melodias entregues às trompas.

Do ponto de vista da linguagem musical, Brahms se afasta do per-curso apontado pelos arautos de uma nova música – naquele mo-mento representados por Liszt e Wagner. Brahms viu seu nome in-dissoluvelmente ligado à tradição, e o discurso que poderia ser um elogio foi um passo para a associação de seu nome a posicionamentos estéticos conservadores, associação de que se valeram os detratores do compositor. No entanto, uma necessária reavaliação do lugar que Brahms ocupa na história da música logo se fez notar já nos primeiros decênios do século XX. Webern chama atenção para a complexi-dade das relações harmônicas em Brahms; Alban Berg mostra, em sua

Sonata em si menor, o quanto deve

à escritura pianística de Brahms. Mas é Schoenberg que, ao falar de seu próprio percurso composicional,

ressalta o aprendizado com a obra brahmsiana. Aponta, inclusive, al- guns traços distintivos, possíveis de ser detectados na Terceira Sinfonia: “a irregularidade do número de com-passos”; a peculiaridade de “não regatear, não economizar quando a clareza exige mais espaço e levar cada figura às suas últimas conse-quências” – como podemos constatar pelos processos de desenvolvimento temático e pela presença e trans-formações do mesmo tema inicial, ao longo do primeiro movimento e por seu retorno, com nova textura, para a conclusão da Sinfonia. Para o ouvinte, esta Terceira Sinfonia apresenta inúmeras outras particu- laridades possíveis de ser observa-

das, mesmo em uma primeira audi-ção. Chama atenção, por exemplo, o fato de que todos os movimentos terminam em dinâmicas suaves. Por outro lado, impossível não apre-ciar a cantilena singela que abre o segundo movimento, ou mesmo não reter a melodia de abertura do terceiro. Melodias que, diga-se de passagem, exemplificam um dos aspectos mais ricos e pregnantes das obras de Brahms, ao lado de uma orquestração que alterna pas-sagens em tutti e em meias tintas. A forma fica apenas como referência. O todo da composição fica como um testemunho do rigor que, parado-xalmente, não impediu o exercício da liberdade. Instrumentação Para ouvir CD Brahms – The Symphonies – Chicago Symphony Orchestra – Sir Georg Solti, regente – London Records – 1991

Editora

Breitkopf & Härtel

Última apresentação

20/05/2014 Kazuyoshi Akiyama,

regente convidado

Extraído do texto de

Oiliam Lanna Compositor, professor da Escola de Música da Universidade Federal de Minas Gerais.

(9)

ORQUESTRA

FILARMÔNICA

DE MINAS GERAIS

Diretor Artístico e Regente Titular Regente Associado

Fabio Mechetti

* principal ** principal associado *** principal assistente **** principal assistente substituta ***** musicista convidado  (a)

Marcos Arakaki

Fortissimo O Fortissimo está indexado aos sistemas nacionais e internacionais de pesquisa. Você pode acessá-lo também em nosso site. Este programa foi impresso em papel doado pela

Resma Papéis. Novembro nº 21 / 2018 ISSN 2357-7258 Editora Merrina Godinho Delgado Edição de texto Berenice Menegale Conselho Administrativo Presidente emérito Jacques Schwartzman Presidente Roberto Mário Gonçalves Soares Filho

Conselheiros Angela Gutierrez Arquimedes Brandão Berenice Menegale Bruno Volpini Celina Szrvinsk Fernando de Almeida Ítalo Gaetani Marco Antônio Pepino Marco Antônio Soares da Cunha Castello Branco Mauricio Freire Octávio Elísio Paulo Brant Sérgio Pena Diretoria Executiva Diretor Presidente Diomar Silveira Diretor Administrativo-financeiro Estêvão Fiuza Diretora de Comunicação Jacqueline Guimarães Ferreira Diretora de Marketing e Projetos Zilka Caribé Diretor de Operações Ivar Siewers Equipe Técnica Gerente de Comunicação Merrina Godinho Delgado Gerente de Produção Musical Claudia da Silva Guimarães Assessora de Programação Musical Gabriela de Souza Produtor

Luis Otávio Rezende

Analistas de Comunicação Fernando Dornas Mariana Garcia Renata Gibson Renata Romeiro Analista de Marketing de Relacionamento Mônica Moreira Analistas de Marketing e Projetos Itamara Kelly Mariana Theodorica Assistente de Produção Rildo Lopez Auxiliares de Produção André Barbosa Jeferson Silva Equipe Administrativa Gerente Administrativo-financeira

Ana Lúcia Carvalho

Gerente de Recursos Humanos

Quézia Macedo Silva

Analistas Administrativos

João Paulo de Oliveira Paulo Baraldi Analista Contábil Graziela Coelho Secretária Executiva Flaviana Mendes Assistente Administrativa Cristiane Reis Assistente de Recursos Humanos Vivian Figueiredo Recepcionista Meire Gonçalves Auxiliar Administrativo Pedro Almeida Auxiliares de Serviços Gerais Ailda Conceição Rose Mary de Castro

Mensageiro

Douglas Conrado

Jovem Aprendiz

Geovana Benicio

Sala Minas Gerais Gerente de Infraestrutura Renato Bretas Gerente de Operações Jorge Correia Técnicos de Áudio e de Iluminação Diano Carvalho Rafael Franca Assistente Operacional Rodrigo Brandão Oscip — Organização da Sociedade Civil de Interesse Público - Lei 14.870 / Dez 2003

OS — Organização Social - Lei 23.081 / Ago 2018

INSTITUTO CULTURAL

FILARMÔNICA

Primeiros Violinos

Anthony Flint – Spalla Rommel Fernandes –

Spalla associado

Ara Harutyunyan –

Spalla assistente

Ana Paula Schmidt Ana Zivkovic Arthur Vieira Terto Dante Bertolino Joanna Bello Luis Andres Moncada Roberta Arruda Rodrigo Bustamante Rodrigo M. Braga Rodrigo de Oliveira Wesley Prates Segundos Violinos Frank Haemmer * Hyu-Kyung Jung **** Gideôni Loamir Jovana Trifunovic Luka Milanovic Martha de Moura Pacífico Matheus Braga Radmila Bocev Rodolfo Toffolo Tiago Ellwanger Valentina Gostilovitch Laura Von Atzingen ***** Maressa Portilho *****

Violas

João Carlos Ferreira * Roberto Papi *** Flávia Motta Gerry Varona Gilberto Paganini Katarzyna Druzd Luciano Gatelli Marcelo Nébias Nathan Medina Violoncelos Philip Hansen * Robson Fonseca *** Camila Pacífico Camilla Ribeiro Eduardo Swerts Emília Neves Lina Radovanovic Lucas Barros William Neres Contrabaixos Nilson Bellotto * André Geiger *** Marcelo Cunha Marcos Lemes Pablo Guiñez Rossini Parucci Walace Mariano Flautas Cássia Lima* Renata Xavier *** Alexandre Braga Elena Suchkova Oboés Alexandre Barros * Públio Silva *** Israel Muniz Clarinetes

Marcus Julius Lander * Jonatas Bueno *** Ney Franco Alexandre Silva Fagotes Catherine Carignan * Victor Morais *** Andrew Huntriss Francisco Silva Trompas

Alma Maria Liebrecht * Evgueni Gerassimov *** Gustavo Garcia Trindade José Francisco dos Santos Lucas Filho Fabio Ogata Trompetes Marlon Humphreys * Érico Fonseca ** Daniel Leal *** Tássio Furtado Trombones

Mark John Mulley * Diego Ribeiro ** Wagner Mayer *** Renato Lisboa Tubas Eleilton Cruz * Rafael Mendes ***** Tímpanos Patricio Hernández Pradenas * Percussão Rafael Alberto * Daniel Lemos *** Sérgio Aluotto Werner Silveira Harpa Clémence Boinot * Teclados Ayumi Shigeta * Gerente Jussan Fernandes Inspetora Karolina Lima Assistente Administrativo Risbleiz Aguiar Arquivista

Ana Lúcia Kobayashi

Assistentes Claudio Starlino Jônatas Reis Supervisor de Montagem Rodrigo Castro Montadores Hélio Sardinha Klênio Carvalho

(10)

Restaurantes

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Faça silêncio

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menores de 8 anos.

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AGENDA

Novembro / 2018

DIA 4, 11h Concertos para a Juventude DIAS 8 E 9, 20h30 Allegro e Vivace DIAS 13 E 14, 20h30 Filarmônica e

Cirque de la Symphonie

DIA 17, 18h Fora de Série / Brasil DIAS 22 E 23, 20h30 Presto e Veloce DIA 25, 11h Concertos para a Juventude DIAS 29 E 30, 20h30 Allegro e Vivace

N A C A PA

Casa onde nasceu Brahms, em Hamburgo

(11)

/ filarmonicamg

Rua Tenente Brito Melo, 1.090 - Barro Preto CEP 30.180-070     | Belo Horizonte – MG (31) 3219.9000  | Fax (31) 3219.9030

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