Análise ergonômica do projeto da cadeira Sorriso

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Análise ergonômica do projeto da cadeira Sorriso

Jusselma Coutinho Barros1 jusselma@hotmail.com Dayana Priscila Maia Meija2 dayana_giovanna@hotmail.com

Pós-graduação em Ergonomia – Faculdade Ávila

Resumo

Esse trabalho consiste em analisar ergonomicamente o projeto de uma cadeira modelo chaise-longue, que também acumula a função de sofá por possuir local para até 2 pessoas sentarem. Nesta avaliação estaremos verificando os requisitos antropométricos e biomecânicos, a fim de atender o individuo que após uma longa jornada de trabalho merece um descanso com qualidade, eficiência, funcionalidade, segurança e satisfação. Para tanto iremos fazer uso dos conhecimentos dos conceitos e parâmetros da Ergonomia e da Antropometria publicados por diversos autores.

Palavras-chave: Ergonomia; Antropometria; Cadeira “Sorriso”.

1. Introdução

Muito se fala da importância da qualidade de vida do homem moderno. No campo do trabalho tem-se investido em adequações do ambiente proporcionando melhorias nas condições laborais a fim de contribuir para a saúde do trabalhador, diminuindo assim o absenteísmo, os afastamentos por licença médica. O que antes era tratado de forma corretiva, agora se investe na prevenção como forma de agilizar o processo.

A Ergonomia teve um papel fundamental na evolução desse processo. Muitos autores, como IIDA (2002), dizem que a gestão da Ergonomia date da Pré-História quando o homem tentava adaptar os objetos que criava às suas necessidades. No século XIX o desafio era adequar o homem ao trabalho. A longa jornada limitava o trabalhador que já desgastado fisicamente não tinha mais forças para pensar e lutar por condições dignas de trabalho uma vez que era visto apenas como peça no processo de produção. Com a evolução dos tempos, principalmente o desenvolvimento industrial, os profissionais se preocuparam em melhorar a produtividade e condições de vida da população no universo do trabalho. Já no século XX surge um novo padrão tecnológico que substitui o trabalho pesado pela tecnologia.

A Ergonomia vem acompanhando a evolução do homem ampliando sua visão, iniciando com a valorização dos aspectos físicos e material, depois passando para o cognitivo e psicológico e atualmente, o de fundamental importância, o social e cultural.

Para estarmos em boas condições físicas, emocionais, e psicológicas dependemos também do que fazemos em nossas horas de descanso e lazer. Di Masi (1999) tem defendido a ideia de que pessoas precisam de mais tempo livre para serem mais criativas e essa criatividade pode contribuir de forma satisfatória no setor profissional.

No contexto da Ergonomia social proponho a utilização da cadeira de descanso denominada “Sorriso”, no modelo chaise-longue por entender que ela traz conforto, segurança e beleza proporcionando momentos de relaxamento e prazer tão importantes para a qualidade de vida do trabalhador.

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Pós-graduanda em Ergonomia

2 Orientadora: Graduada em Fisioterapia, Especialista em Metodologia do Ensino Superior, Mestranda em

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A maioria das avaliações ergonômicas de produtos são destinadas a ambientes de trabalho devido ao grande número de queixas e afastamento dos postos. Essa preocupação também é decorrente da quantidade de horas que o ser humano passa usando tal produto ou ambiente. Dessa forma é comum encontrarmos ergonomia reativa. Neste trabalho estamos enfatizando a ergonomia de concepção, aquela cuja aplicação dar-se durante o projeto do produto ou do ambiente. É uma ergonomia preventiva.

Tendo em vista que, das 24 horas do dia, o ser humano gasta boa parte desse tempo laborando e outra grande parte está destinada ao descanso e como a maioria das análises estão na área do trabalho, nos propomos a analisar uma peça de mobiliário destinada ao repouso e a poucas atividades geralmente desempenhadas no ambiente doméstico.

Já passamos da época que o consumo de mobiliário se dava pela necessidade de cada produto. Precisava-se de uma cama, comprava-se apenas pensando em sua utilidade. Esta prática foi sendo substituída com o passar dos anos e os consumidores procuram além da função prática, a função simbólica e a função estética para suas peças. Atualmente a indústria moveleira tem se preocupado cada vez mais com o ser humano ou o indivíduo que vai usar suas peças e tem explorado ao máximo esses novos conceitos despertados em seus clientes.

Os produtos são adquiridos por serem “a cara” de quem vai utilizá-lo. Alain de Botton (2005, p. 124) fala que: “nossos acessórios domésticos também são memoriais de identidade”

Para poder oferecer estes novos produtos no mercado, as empresas tem que estudar cada vez mais o desejo ou criar uma nova necessidade para seus clientes.

Porangaba e Toledo, falam que a expressividade e a sensação de conforto no espaço habitado e principalmente no mobiliário é um misto de realidade e representação, diferentes aspectos no móvel nos confortam, tanto pelo que eles são, como pelo que representam. Buscamos encontrar nos produtos que adquirimos a máxima sensação de conforto e descanso.

Pensando nesta necessidade do consumidor é que a indústria moveleira está usando cada vez mais estudos de antropometria e ergonomia em seus projetos para tentar fazer com que seus produtos despertem essas sensações em seus clientes.

2. Definição de Ergonomia

O termo Ergonomia do grego ergo (trabalho) e nomos (normas, regras) define-se como a ciência de utilização das forças e das capacidades humanas. É o estudo da adaptação do trabalho ao homem (LIDA, 2005) e fundamenta-se em conhecimentos multidisciplinar nas áreas de antropometria, biomecânica, fisiologia, psicologia, design, integrando-os de modo que auxiliem o desenvolvimento de técnicas aplicadas para melhoria da qualidade das condições de trabalho e da vida do homem.

Através da Ergonomia pode-se desenvolver produtos e serviços capaz de atender e entender as condições físicas e psicológicas do trabalhador. Chapanis (1994) definiu ergonomia como sendo “um corpo de conhecimentos sobre as habilidades humanas, limitações humanas e outras características humanas que são relevantes para o design”.

“Uma vez que atingimos o desenvolvimento tecnológico e produtivo máximo (...), acreditamos ser este o momento propício de posicionar o homem como o centro e a referência maior – no sentido mais amplo e total do termo – na concepção de novos produtos a serem industrializados.

Se a tecnologia nos permite, hoje, a confecção de produtos em qualquer dimensão e tipologia possível, qual seria a medida e a forma mais adequada ao homem?” (DIJON DE MORAES, 1997).

3. Antropometria

É basicamente o estudo das medidas do corpo humano. Para desenvolvermos qualquer projeto de produto ou ambiente, necessitamos saber as medidas dos possíveis usuários. A cada ano os

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projetistas, designers, arquitetos e engenheiros são mais cobrados pelas industrias a desenvolverem produtos com medidas mais precisas e detalhadas pois devido a produção em massa esses valores representar mais custos ou lucro para as empresas.

Para encontrar estas medidas, muitas variáveis são consideradas. Tais como: sexo, idade, etnia, tipos físicos e alguns casos especiais como gravidez. Outro fator importante é o tipo da antropometria pois esta pode ser estática, dinâmica e funcional. O uso da antropometria deve dar-se em função do uso do produto e do publico alvo usando assim o percentil que atenda a um maior número de pessoas.

4. O projeto da cadeira Sorriso 4.1 Uma viagem no tempo

Apesar da relativa simplicidade das ferramentas os artesãos das antigas civilizações egípcia, grega e romana criaram "day-beds" ( espécie de cama/poltrona) cujo design tem avançado através dos anos como as mais básicas formas.

Por causa da instabilidade no estilo de vida da nobreza no período medieval, e da constante mudança de um castelo para outro, leve e também portátil tornou-se de extrema importância. No século dezenove explorou-se as possíveis maneiras de deitar-se.

Descanso prolongado foi procurado em um móvel para relaxamento, e tem sido sempre sinônimo de luxo para deitar e praticar atividades mentais como ler, escrever, jogar...

Fonte: http://saberdesign.com.br/content/chaise-lounge-historia Figura 1 - 'LIT BATEAU'- esta é chamada também recamier 4.2 Curiosidades

Os Day_bed (Sistemas horizontais utilizados para descanso humano) em diferentes culturas: os chineses não viam distinção entre os móveis para dormir e sentar e os índios americanos descansavam em Day-bed, chamado por eles de "hamaca" (redes).

Os pacientes de Sigmund Freud (1856-1939, psiquiatra australiano, fundador da psicanálise) reclinavam-se em uma Day-bed que era coberta por um tapete oriental. Durante o inicio do século XX esse tipo de móvel também foi requerido por um numero crescente de pacientes oficialmente diagnosticados sofrendo de doenças pulmonares (tuberculose). Pacientes ficavam deitados horas na cadeira "curadora" recomendada por sua inclinação que facilita a respiração. 4.3 A chaise-longue

Móvel considerado por muito tempo como apenas objeto de decoração, vem sendo alvo de decoradores e designers que descobriram sua funcionalidade nos mais variados ambientes. A indústria mobiliária investiu nessa peça para atender às necessidades de um público cada vez mais exigente do conforto, da qualidade e da beleza.

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Os modelos se adequaram aos ambientes mais distintos como home teather, home-office, varandas, salas de estar, deck de piscinas e até quartos de dormir. As chaise-longue acompanharam a evolução e a modernidade e podem ser encontradas em várias formas, cores, tamanhos e materiais, que se enquadram na necessidade, no espaço e no orçamento de cada consumidor.

4.4 Consumidores

Ao contrário do que se diz ou se pensa a chaise-longue não é uma peça de difícil acesso, no aspecto financeiro. Ela acompanha os objetos eletros-eletrônicos como DVD, CD PLAYER´s, TV´s tela plana, fornos de microondas, que têm um custo relativamente acessível pelas formas de pagamento que o mercado oferece. Então não pode mais ser considerada peça exclusiva da classe alta da sociedade.

O público-alvo para a cadeira Sorriso está numa classe social intermediária entre a classe A, que é um público que pode comprar peças com valores muito altos e a classe relativamente baixa, que compram apenas o necessário a sua sobrevivência. Então a definimos como a grande massa consumidora, que engloba a maioria da população. Esta foi definida assim baseada nas facilidades já mencionadas.

Quanto a idade destes consumidores, esta cobre uma faixa abrangente por se tratar de um produto comum a toda família. Assim como, também existe uma abrangência na determinação do sexo dessas pessoas.

A definição das pessoas que usarão este tipo de mobiliário esta relacionada com os seus hábitos e as funções da cadeira.

4.5 Parâmetros e requisitos utilizados para geração do conceito da cadeira Sorriso

Tabela 1 - Parâmetros para geração do conceito cadeira sorriso.

4.6 Análise da tarefa e da postura

Segue abaixo as posturas adequadas para desempenhar algumas atividades proporcionadas pela cadeira Sorriso.

Obrigatórios Desejáveis

Ergonômicos Utilizar as medidas antropométricas dinâmicas e estáticas indicadas Aplicar matéria-prima que proporcione conforto na sua usabilidade.

Funcionais Proporcionar conforto e mobilidade posturais do usuário na sua utilização.

Sistema desmontável

Estéticos Harmonia formal e uso do material como elemento de percepção tátil, olfato e visão.

Simbólicos Utilizar elementos da cultura brasileira, aliada aos materiais empregados.

Processos e tecnologia Levar em consideração a otimização da produção.

Aplicação de materiais Utilizar o tecido em algodão que atualmente é usado para produção de redes.

Levar em consideração aspectos ambientais.

Custo Levar em consideração o custo da matéria-prima.

Reduzir o tempo de execução do produto.

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Figura 2: Postura 1 Figura 3: postura 2

Esta posição é ideal pra fazer algum tipo de Lendo nessa posição, você pode apoiar o livro alimentação rápida. Um lanche... nas pernas e ficar com o tronco levantado.

Figura 4: Postura 3 Figura 5: postura 4

Posição ideal para assistir televisão com as Dessa forma você ativa a circulação e relaxa as pernas estiradas. pernas depois de um dia inteiro de trabalho.

4.7 Análise Ergonômica

Adequação das posturas atribuídas às atividades listadas acima, aos bonecos ergonômicos.

Figura 6: Boneco ergonômico postura 1 Figura 7: Boneco ergonômico postura 2

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Figura 10: Entrada e saída da cadeira

4.7.1 Algumas posturas que podem ser adotadas nesta peça de mobiliário Estas posturas estão relacionas às descritas anteriormente nas análises.

Sentada lendo ou fazendo uma Deitada lendo com os braços apoiados nas pernas alimentação breve

As pernas estiradas para Deitada com as pernas elevadas para facilitar facilitar o descanso a circulação

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4.8 Vistas do desenho da cadeira

Lateral esquerda Frontal Lateral direita

Superior

Figura 12: Vistas do desenho da cadeira Sorriso 4.8.1 Vistas da simulação gráfica da cadeira Sorriso

Figura 13: Simulação em 3D das vistas e materiais da cadeira Sorriso

4.9 Detalhamento e Estrutura

O nome cadeira Sorriso é uma referência a sua vista frontal pois neste ângulo de visão os encostos circulares dão a impressão de serem olhos, juntamente com toda a curvatura do assento que remete a uma boca sorrindo.

Esta cadeira foi desenvolvida com o intuito de proporcionar conforto e descanso ao usuário. Isto é facilmente percebido pelas suas formas e materiais (estofamento e o tecido) que o convidam ao deleite.

Em sua estrutura tem-se duas possibilidades, uma, mostrada acima, é confeccionada com tubo cromado e a outra é que o tubo de aço carbono tenha como acabamento pintura.

Este conceito tem uma possibilidade de mudança que, aqui, será apenas mencionada, mas será desenvolvida posteriormente, que é a composição de kits de capas para as almofadas do encosto da cadeira e para o colchonete do assento. Como opcional tem-se o uso de pantufas que também farão parte deste kit. A idéia de compor kits que podem ser vendidos separadamente da cadeira teve como objetivo o aumento na utilização do tecido. Além disso, eles proporcionam a renovação do mobiliário e a adequação deste a vários públicos dependendo do kit que for adquirido.

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Figura 14: Detalhamento e estrutura da cadeira Sorriso

4.10 Considerações que foram utilizadas para o dimensionamento desta cadeira

Na posição sentada, o corpo entra em contato com o assento por dois ossos situados na bacia, chamados de tuberosidades isquiáticas, semelhantes a uma pirâmide invertida. As tuberosidades são cobertas por uma camada de tecido muscular e uma pele grossa, adequada para suportar grandes pressões. Apenas 25 cm2 de superfície da pele sob essas tuberosidades concentram 75% do peso total do corpo sentado.

O estofamento o assento deve ser intermediário entre duro e macio, de forma a acomodar uma área de contato em torno de 1050 cm2. O material deve ter capacidade de dissipar calor e umidade gerada pelo corpo. Deve-se evitar o uso de plásticos lisos e impermeáveis.

Princípios gerais sobre assento: as dimensões do assento devem ser adequadas às dimensões antropométricas do usuário. A altura do assento deve ser igual a altura poplítea (parte inferior da coxa à sola do pé); A largura deve ser adequada a largura torácica do usuário e ter comprimento com 2 cm afastado da parte interna da perna; O assento deve permitir variações e postura.

O encosto deve ajudar no relaxamento. Deve-se deixar um espaço de 15 a 20 cm entre o assento e o encosto para acomodar as nádegas. Um suporte situado entre a 2ª e 5ª vértebras lombares permite maior liberdade ao tronco.

Medidas padrão para cadeiras de descanso e relaxamento.

1 – Tubo 2”; 2 – Tubo de 1”;

3 – Espuma ortopédica densidade 33;

4 – Capa em tecido;

5 – Capa em tecido com franjas;

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Figura 15: Representação gráfica das medidas

Figura 16: Dimensionamento da cadeira Sorriso

5. Parâmetros para a análise

A análise ergonômica da cadeira Sorriso foi feita baseada em valores sugeridos para proporcionar maior conforto em uma cadeira de descanso.

Como esta cadeira é multifuncional e se propõe a ser um sofá para dois lugares e/ou uma chaise long, então procuramos autores que nos fornecessem medidas para sofás e para cadeiras de descanso.

Gráfico I

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5.1 Medidas ergonômicas para uma cadeira de descanso 5.1.1 Largura do assento

Fazendo a leitura de PANERO e ZELNIK (1989, p.134), elucidamos que a largura do assento deve ser pensada, considerando a largura máxima da estrutura do corpo da população masculina de 71,1 cm (percentil 95º). De acordo com IBV (1992, p.103), a menor largura possível de assentos em sofás deve ser de 55 cm, vez que se adapta à largura dos cotovelos das pessoas de percentil 95º, em relação ao universo da população masculina. Contudo, a estas dimensões devem ser acrescidas, ao menos, medida suficiente para apoio de um braço. Fazendo uma consulta dos dados antropométricos da população brasileira, temos que a largura cotovelo / cotovelo (sujeito sentado) de homens e percentil 95º é de 53,1 cm (INT, 1988 p. 87).

Desta maneira, cabe inferir que a largura mínima disponível para um assento de sofá seja de 55 cm. E quando avaliamos o aumento de espaço na largura para o descanso do braço, esta dimensão não necessita ser superior a 71,1 cm.

5.1.2 Altura do assento

IBV (1992, p. 101) orienta também que o assento deve ser baixo quando sua principal finalidade for o descanso, de maneira que permita que o usuário estique suas pernas, vez que estas se estendem à medida que aumenta o ângulo assento/encosto. Portanto, é aconselhada uma altura que varie a partir de 38 até 40 cm para ângulos inferiores a 150º e entre 36 à 38 cm quando o ângulo for superior a 150º.

Para PANERO & ZELNIK (1989, p.79 e 95), a altura do assento é determinada de acordo com a altura poplítea da população 5º percentil, o equivalente a 35,8 cm, estando aptas a acomodar tanto os indivíduos de menor, quanto os de maior altura poplítea. A altura do sujeito sentado, relativa à população brasileira 5º percentil é de 39,0 cm (INT, 1988, p.66). Quando nos referimos a um sofá caracterizado como um assento para descanso, com posturas menos relaxadas e utilização de ângulo assento/encosto inferior a 150º, a altura do sofá obrigatoriamente estará entre 38 e 40 cm.

5.1.3 Profundidade do assento

Em relação à profundidade do assento, o Instituto IBV (1992, p. 102) recomenda as dimensões entre 45 e 48 cm, baseadas na profundidade poplítea da população de percentil abaixo da média, em decorrência da utilização por parte de todos os usuários, incluindo os baixos.

Já PANERO & ZELNIK (1989, p.134) recomendam o uso de dados da população de 5º percentil, o equivalente a 43,2 cm, visto que esta medida acomodará uma maior quantidade de usuários: os de menor e os de maior profundidade poplítea. A profundidade poplítea (sujeito sentado) da população brasileira de 5º percentil é de 43,5 cm. (INT, 1988, p73). Então, podemos inferir que a profundidade do assento deve estar entre 45 e 48 cm, estando assim aptos a atender ao maior número de usuários.

5.1.4 Altura do encosto

Para as cadeiras de descanso IBV (1992,p. 107) sugere o encosto com dimensões entre 55 - 60 cm, devendo apoiar desde a região lombar até os ombros. Para cadeiras multiuso o IBV adota 42 - 45 cm, dimensão que comporta o suporte torácico.

PANERO & ZELNIK (1989, p 129) também faz recomendações de altura do encosto apenas para cadeiras de multiuso, com dimensões entre 43,2 – 61,0 cm. A altura do tórax (sentado)

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da população brasileira de percentil 50º é 42,5 cm. Com relação ao sofá de um assento com funções múltiplas deve ser adotado no mínimo 42,5 cm, para acomodar região torácica.

5.1.5 Inclinações

As orientações do IBV (1992, p.105) referentes as inclinações para cadeiras multiuso e poltronas, estão relacionadas com as atividades realizadas e posturas utilizadas. Para postura de descanso intermediária, utilizada no sofá (entrepostura de descanso e postura erguida) aponta um ângulo de 115º.

PANERO &ZELNIK (1989, p.128) também aponta ângulos de assento / encosto somente para cadeiras multiuso e poltronas -105º. Então concluiu-se que o ângulo assento encosto deve estar entre 105º e 115º.

5.2 Medidas ergonômicas para uma cadeira de descanso e para sofás

Encontramos sugestões de medidas para mobiliário para sala de estar de acordo com Pronk (2003)

Fonte: Dimensionamento em Arquitetura, Pronk, (2003) Figura 17: Dimensões para mobiliário da sala de estar

6. Análise ergonômica da cadeira Sorriso baseada nas medidas propostas pelos autores citados

MEDIDAS PANERO & ZELNIK

IBV Parâmetro para a análise

CADEIRA SORRISO Largura do assento 71,1 55 55 a 71c/apoio braço 50 p/ sofá e

55 / chaise Altura do assento 35,8 INT 39 38 a 40 < 150o 38 a 40 37 sem

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Profundidade 43,2 INT 43,5 45 a 48 45 a 48 55 sofá Altura do encosto

cadeira de descanso

Não faz referência 55 a 60 42,5 população brasileira 50% 47 chaise Altura do encosto cadeira multiuso 43,2 a 61 42 a 45 42,5 população brasileira 50% 45 sofá Inclinação 105o 115o Entre 105o e 115o 118o

Tabela 2: Dados para a análise

7. Conclusões sobre os dados para análise

Avaliando o conceito da cadeira Sorriso, podemos falar que a escolha dessa proposta é bem interessante pois reúne em um móvel duas funções a de sofá e de chaise long. Como toda peça de mobiliário que se propõe a ser multiuso, nem todas as funções serão tão bem desempenhadas. Uma vai sobressair a outra, vai depender do critério do usuário na hora da escolha.

Nossa proposta foi analisar este projeto quanto aos seus dados ergonômicos e verificando os dados acima, podemos fazer as seguintes observações:

a) Quanto a largura do assento para a função chaise long, as medias da cadeira Sorriso estão adequadas, mas já par a função sofá, a medida está 5cm, por pessoa, inferior a mínima exigida. Ou seja, para o sofá de 2 lugares proposto, a medida mínima seria de 110cm e no projeto encontramos apenas 100cm;

b) Já para avaliar a altura do assento, os dados da cadeira Sorriso estão imprecisos, pois mostram apenas a altura da estrutura sem mencionar a altura do estofamento. A altura da estrutura é de 37cm e os valores usados como referência estão entre 38 e 40cm. Vale ressaltar que este é um ponto a ser verificado no projeto pois após a escolha do estofamento e tendo ciência da deformação do material, o valor da altura deste somado com a altura da estrutura devem estar entre 38 a 40 cm. Ou seja, se o estofamento tiver altura superior a 3cm, esta diferença deverá ser reduzida da altura da estrutura da cadeira Sorriso;

c) Observando a medida da profundidade referente a função sofá, o valor da cadeira sorriso está bem acima do limite que é de 45 a 48cm. A profundidade do sofá é a mesma medida da largura da chaise que é de 55cm. Chegamos a um dado conforme sinalizamos acima onde uma função terá que se sobrepor a outra. Percebemos que a medida determinante foi a da largura da chaise deixando a profundidade do sofá 7cm acima do limite. Para este empasse propomos duas soluções: acrescentar um jogo de almofadas neste encosto para remediar esta diferença ou que os encostos do sofá sejam reguláveis;

d) Avaliando a altura dos encostos propostos para o sofá cuja medida é de 45cm observamos que está de acordo com o mínimo exigido de 42,5cm. Mas já para a função chaise a medida proposta é de apenas 47cm o que deixa este dado bem abaixo do valor proposto pelo IBV que é de 55 a 60 cm. Outros autores sugerem 70 até 80 cm como limite para cadeira de repouso levando em consideração o repouso também da cabeça. Para apoio apenas do tronco valores acima de 45cm já seriam aceitos;

e) Analisando o ângulo de inclinação da proposta da chaise, este apresenta-se 3o acima do

máximo indicado pelos parâmetros escolhidos que foram de 105o a 115o. Como estamos

avaliando valores de um projeto, ainda é possível alterar esses dados antes da produção do protótipo. Sugiro uma pequena redução nesta angulação desta forma a altura do encosto poderá ser aumentada um pouco sem que altere muito a medida total desta peça de mobiliário. Assim, poderá ser ajustada 2 medidas para melhorar as medidas ergonômicas. f) De acordo com os desenhos das atividades propostas pelo projeto, algumas posturas que

podem ser adotadas na cadeira não podemos avaliar pois não encontramos parâmetros para tal análise nos autores pesquisados;

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g) Sugerimos o ajuste de algumas medidas mencionadas acima e a confecção de um mock-up para que possa ser realizado um teste de usabilidade e aplicação de tabelas de conforto do usuário. Nesse momento poderão ser testados alguns tipos de estofamento e o que obtiver maior aceitação pela amostra de público escolhido poderá ser definido para a cadeira e assim possa ser feito o ajuste de sua altura.

h) Após estas verificações das medidas e tomando como base que vários autores afirmam que o bom assento é aquele que permite variações de posturas, então esta cadeira pode sim ser uma cadeira ergonomicamente correta.

Referência bibliográfica

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Referências

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