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Na contra mão do mercado

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Academic year: 2021

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(1)

Na contra mão

do mercado

Os rumos da hidroeletricidade são

discutidos em conferência

Renovação das concessões: um passo

salutar a sociedade brasileira

Design sustentável

Sustainable design

Opposite the

market

Routes of hydroelectricity

discussed in meeting

Concession renewal: a good step

for brazilian society

6

+

7

+

Artigos técnicos

Technical articles

Agenda de eventos

Events schedule

Ano 14 Revista nº 54

JUL/AGO/SET - 2012

Publicação apoiada pela Associação Internacional de Máquinas Hidráulicas

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Comitê Editorial

Editorial Committee

Presidente - President

Geraldo lúcio tiago Filho - CERPCH UNIFEI Editores Associados - Associated Publishers Adair Matins - UNCoMA - Argentina

Alexander Gajic - University of Serbia Alexandre Kepler Soares - UFMt Ângelo Rezek - ISEE UNIFEI Antônio brasil Jr. - UNb Artur de Souza Moret - UNIR

Augusto Nelson Carvalho Viana - IRN UNIFEI bernhard Pelikan - bodenkultur Wien - Áustria Carlos barreira Martines - UFMG

Célio bermann - IEE USP

Edmar luiz Fagundes de Almeira - UFRJ Fernando Monteiro Figueiredo - UNb Frederico Mauad - USP

Helder Queiroz Pinto Jr. - UFRJ Jaime Espinoza - USM - Chile José Carlos César Amorim - IME Marcelo Marques - IPH UFRGS

Marcos Aurélio V. de Freitas - CoPPE UFRJ Maria Inês Nogueira Alvarenga - IRN UNIFEI orlando Aníbal Audisio - UNCoMA - Argentina osvaldo livio Soliano Pereira - UNIFACS Regina Mambeli barros - IRN/UNIFEI Zulcy de Souza - lHPCH UNIFEI

tECHNICAl CoMMIttEE

Prof. François AVEllAN, EPFl École Polytechnique Fédérale de lausanne, Switzerland, [email protected], Chair;

Prof. Eduardo EGUSQUIZA, UPC Barcelona, Spain, [email protected], Vice-Chair; Dr. Richard K. FISHER, VOITH Hydro Inc., USA, [email protected], Past-Chair; Mr. Fidel ARZOLA, EDELCA, Venezuela, [email protected];

Dr. Michel COUSTON, ALSTOM Hydro, France, [email protected]; Dr. Niklas DAHLBÄCK, VATENFALL, Sweden, [email protected]; Mr. Normand DESY, ANDRITZ Hydro Ltd., Canada, [email protected]; Prof. Chisachi KATO, University of Tokyo, Japan, [email protected]; Prof. Jun Matsui, Yokohama National University, [email protected]; Dr. Andrei LIPEJ, TURBOINSTITUT, Slovenija, [email protected]; Prof. torbjørn NIElSEN, Norwegian University of Science and technology, Norway, [email protected];

Mr. Quing-Hua SHI, Dong Feng Electrical Machinery, P.R. China, [email protected]; Prof. Romeo SUSAN-RESIGA, “Politehnica” University timisoara, Romania, [email protected];

Prof. Geraldo tIAGo F°, Universidade Federal de Itajubá, brazil, [email protected]. Expediente

Editorial

Editor Geraldo lúcio tiago Filho

Coord. Redação Camila Rocha Galhardo

Jornalista Resp. Adriana barbosa Mtb-MG 05984

Redação Adriana barbosa

Camila Rocha Galhardo Fabiana Gama Viana

Colaborador Angelo Stano

Projeto Gráfico Net Design

Diagramação e Arte lidiane Silva

Cidy Sampaio

tradução Adriana Candal

Revisão Patrícia Kelli Silva de oliveira

Hidro&Hydro - PCH Notícias & SHP News é uma publicação trimestral do CERPCH

The Hidro&Hydro - PCH Notícias & SHP News is a three-month period publication made by CERPCH

tiragem/Edition: 6.700 exemplares/issues

contato comercial: [email protected] / site: www.cerpch.org.br Av. bPS, 1303 - bairro Pinheirinho

Itajubá - MG - brasil - CEP: 37500-903 e-mail: [email protected] [email protected] Fax/tel: +55 (35)3629 1443

Editorial

Editorial

Mercado

Market

Na contra mão do Mercado

Opposite the market

os rumos da hidroeletricidade são discutidos em conferência

Routes of hydroelectricity discussed in meeting

Regulação

Regulation

Renovação das Concessões: um passo salutar a sociedade brasileira

Concession Renewal: a good step for Brazilian society

Artigos técnicos

Technical Articles

Agenda

Schedule

opinião

Opinion

Design Sustentável Sustainable Design

Indústria Hidroelétrica – a todo o vapor

The Hydroelectric Industry Moves Forward Every Day

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ISSN 1676-0220

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Prezado leitor,

São vários os desafios que as empresas enfrentam para inovar, acessar conhecimento e incorporar novas tecnologias. Muitas vezes a chave para a inovação é melhorar a gestão de pessoas ou capacitar a equipe, trazendo conhecimento para o negócio, ou ainda fechar parcerias.

o setor elétrico não difere muito das ações realizadas por empresas dos mais diferentes ramos. Hoje as concessionárias de energia vêm se aliando ao setor de tecnologia da informação – (TI), para diversificar seu ramo de atuação e consequentemente atingir o maior número de clientes. Um exemplo claro dessa ação é o investimento cada vez maior, nos últimos anos, em redes inteligentes – Smart Grids, que estão entrando no setor elétrico para revolucionar o papel das concessionárias, além de transformar o consumidor em agente ativo nesse novo conceito de medição.

Na maior parte dos países, a transmissão e distribuição de energia elétrica utilizam um senso de controle, operação de sistema, na qual já está inserido um conceito de inteligência. Conceito esse, por meio do qual se torna possível detectar falhas nas redes, além, de contemplar o sistema de proteção das linhas de transmissão, para evitar falhas na distribuição.

o que está faltando é a interação do consumidor com a rede, esse é o avanço do conceito smart grid. o sistema de transmissão não tem como praticar essa interação com o consumidor, porque está muito distante do mesmo. Já a distribuição está acessível ao consumidor, uma vez que as concessionárias de distribuição de energia estão mais próximas do consumidor final. A ideia dessa interação é trazer ao consumidor uma maior confiabilidade e um menor custo da energia elétrica.

Além do conceito das redes inteligentes outro ponto que também vem se destacando no setor como tendências tecnológicas é o conceito de Sustentabilidade e desenvolvimento econômico, principalmente, no que se diz respeito às PCHs, fazendo com que o design sustentável permita a conexão entre o projeto, a construção, a operação e a engenharia “ambiental”.

Nesta edição vamos aprofundar mais sobre esse conceito, por meio do artigo do Décio Michellis. trazemos, ainda, a cobertura da VIII Conferência de Centrais Hidrelétricas, Mercado e Meio Ambiente, que nessa edição lançou junto ao mercado e investidores uma campanha em defesa da hidroeletricidade no brasil.

Vale conferir, também, uma matéria com um empreendedor de Goiás que fala em entrevista à revista, Hidro & Hydro, sobre o mercado e desafios enfrentados pelo empreendedor de pequenas centrais hidrelétricas, diante o cenário atual.

Finalizo, desejando aos nossos leitores uma boa leitura!

Geraldo lúcio tiago Filho

Dear readers,

there are several challenges that enterprises must face aiming at innovating, accessing knowledge and incorporate new technologies. Many times, the key to innovation is to improve people management or qualify the team, bringing more knowledge to the business or establishing partnerships.

the electric sector does not apply actions that are so different from those carried out by companies from the most diverse areas. today, energy utilities are allying themselves with the information technology sector in order to diversify their range of business and embrace a higher number of clients.

An evident example of this action is the increasing investment in smart grids over the past few years, which are entering the electric sector to stir the role of the utilities, as well as transforming consumers into an active agent within this new reading concept.

In most countries, the transmission and distribution of electric power use sensu of system control and operation where the concept of intelligence is already inserted. this concept enables the detection of failures in the grids and the observation of the power lines protections system to avoid distribution failures.

What is missing here is the interaction between the consumer and the grid. this is the breakthrough of the smart grid concept. the transmission system cannot practice this interaction with the consumer because they are too distant. on the other hand, the distribution is accessible, given that the energy distribution utilities are closer to the end-consumer. the idea of this interaction is to bring more reliability and a low electric energy cost o consumers.

besides the concept of smart grids, another factor that has been under the spot light in the sector as a technological tendency is the concept of sustainability and economic development, mainly when it is about Small Hydropower Plants (SHPs). A sustainable design enables the connection between project, construction operation and environmental engineering.

this edition will talk about this concept in Mr. Décio Michellis’s article. We also covered the 8th Meeting on Hydropower Plants, Market and Environment, which launched a campaign in favor of hydroelectricity in brazil.

the interview with an entrepreneur from the state of Goiás is also worth reading. He talks to Hidro & Hydro about the market and the challenged the SHPs have to face within the present scenario.

My best regards and enjoy the magazine.

Geraldo lúcio tiago Filho

IAHR DIVISIoN I: HYDRAUlICS tECHNICAl CoMMIttEE:

HYDRAUlIC MACHINERY AND SYStEMS

Apoio:

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NA coNtrA mão do mErcAdo

Por Adriana barbosa

o goiano Sevan Naves é geólogo, ex-diretor do Departamento Nacional da Produção Mineiral (DNPM) e da Metais de Goías S/A (MEtAGo). Iniciou seu en-volvimento com energia a partir de sua participação em projeto de geotermia, na Itália, pela oIt/oNU, em 1985. Pio-neiro em seu estado a investir em PCH, ao criar a tRItoN Energia, em 1995, quando fez o inventário hidrelétrico do

rio Caiapó, no oeste de Goiás, identificando 12 sítios promisso-res. Implantou e iniciou a geração da PCH Mosquitão, em 2006, sendo um dos primeiros projetos do PRoINFA. A partir daí, por conta própria, desenvolveu projetos básicos e inventários

hidrelétricos, focados em PCHs. Atual- mente, viabilizando técnico/economica-mente determinada PCH, faz parceria com investidores, em sociedade de propósito específica. Neste procedimento, contabi-liza nove PCHs e seis inventários hidrelé-tricos, só no estado de Goiás.

Ex-diretor da Associação brasileira dos Pequenos e Médios Produtores de Ener-gia (APMPE), em 2008, fundou e é atual presidente da Associação das Pequenas Centrais Hidrelétricas de Goiás (APCH).

Nesta entrevista, Sevan Naves, fala de seus projetos, mercado e de perspectivas para o setor de pequenas centrais hidrelétricas.

Empreendedor em PCHs

mostra que em Goiás, apesar

dos diversos aproveitamentos

existentes, a expansão sofre

com a falta de incentivo.

Entrevista com Sevan Naves

Arquiv

o pessoal

Arquiv

o pessoal

• HIDRO&HYDRO: Como o senhor avalia o mercado para as pequenas centrais hidrelétricas no Brasil?

Sevan Naves: Existe uma situação paradoxal entre mercado e potencial, no

brasil, vivenciada pelas PCHs.

temos um potencial reconhecidamente muito alto, com incontáveis sítios interessantes ao pleno aproveitamento desta barata energia alternativa. Como o nosso modelo energético é de grande geração a longa distância do consumo, as PCHs, bem distribuídas geograficamente, tornam-se estratégicas na regularização e manutenção da oferta e suprimento energético ao sistema integrado nacional.

A inobservância dessa importância e o emperramento burocrático, no entanto, dificultam a concepção e o aproveitamento correto e célere das PCHs, cujos projetos executados, poderiam injetar, a curto prazo, mais de 3000 MW.

Agrava, quando se nota o estrago da ausência da formatação ou continuidade de uma inteligência específica de PCH. É relevante lembrar que, no Brasil, a sua implantação foi arrefecida há mais de 70 anos. Por isso, sentem-se a falta de informações básicas. Inclusive, não se tem registros oficiais, pois os levantamentos hidrelétricos do Governo contemplaram - até então - apenas os sítios acima de 50 MW.

Com os esforços da iniciativa privada, a partir do simples aceno governamental, em 2001, com os incentivos do PRoINFA, este potencial teve uma instantânea e forte revelação positiva.

Isso, no entanto, foi apenas um lampejo, vez que não se tinha uma efetiva e consistente política de fomento a essa fonte energética abundante no País.

Daí, fatores negativos devido à descontinuidade do PRoINFA, crise internacional de 2008, e com a queda

nas tarifas decorrente da episódica entrada mergulhante das eólicas nos leilões, erroneamente concorrendo com as PCHs, o cenário conturbou-se lamentavelmente.

Para piorar, as bruscas oscilações dos valores dos PPAs (contratos de venda de energia, que servem de garantia bancária) dificultaram os financiamentos a longo prazo, assustando os investidores.

tornou-se, pois, difícil à viabilização das PCHs nos moldes concebidos na fase pré-PRoINFA.

Isto obrigou os parcos empreendedores mais obstinados a se adequarem à nova realidade. Consciente do fato de se tratar de obra simples, rústica e rápida, tornou-se necessário o desenvolvimento de uma tecnologia própria. Daí, somente tiveram sucesso aqueles empreendedores que obtiveram tal tecnologia, que resultasse em redução drástica de custos e simplificasse os procedimentos construtivos. Desta forma, teve-se que fugir dos modelos turn key, no project finance. A assunção da administração direta na obra está sendo peça fundamental para obter a viabilidade almejada. Em paralelo, foi aguçada a sensibilidade dos fabricantes, a reduzirem ao máximo os custos dos equipamentos eletromecânicos reforçada pela momentânea crise industrial.

Por fim, é inacreditável constatar que, tendo extraordinário potencial e um mercado consumidor demandante, além da importância estratégica, as PCHs estão sem condições básicas de se alavancar normalmente. o que falta é uma política compromissada de governo, regulando melhores preços das tarifas, do financiamento, reduções de encargos e incentivos à indústria.

ou seja, um novo PRoINFA, com adequações à nova realidade, notadamente na questão do PPA, capacitação das linhas de transmissão e redução dos encargos financeiros, seria alvissareiro ao setor da energia alternativa, em PCH, que novamente daria um salto positivo.

PCH Rênic rênic SHP

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oPPoSitE tHE mArkEt

Translation: Adriana Candal

Mr. Sevan Naves is a geologist from the state of Goiás, former director of the National Department of Mineral Productions (DNPM) and of MEtAGo – Metais de Goiás S/A. His involvement with energy started after he participated in a geothermal project carried out in Italy by the IlA/UNo in 1985. He became a pioneer in his state when he invested in SHP by creating tRItoN Energia in 1995,

when he carried out the hydropower study of the River Caiapó in the west on the state, identifying 12 promising potentials. He implemented Mosquitão SHP in 2006, which was one of the first PRoINFA’s projects. After that, on his own, he developed Proposals

and hydropower inventories focused on SHPs. today, by making certain SHPs technically and economically feasible, he establishes partnerships with investors in a partnership of specific purpose. By doing so, he is already responsible for 9 SHP and 6 hydropower inventories in the state of Goiás alone. Former director of the brazilian Association of Small and Medium Power Producers (APMPE), 2008, he founded and is the president of the Association of Small Hydropower Plants of the state of Goiás (APCH).

In this interview Mr. Sevan Naves talks about his projects, the market and his perspectives for the SHP sector.

Entrepreneur shows that

in spite of the several existing

SHP potential in the state of

Goiás, the expansion suffers

from the lack of incentives.

Interview with Mr. Naves

• HIDRO&HYDRO: How do you assess the market for mall hydropower plants in Brazil? mr. Naves: the SHP experiment a paradoxical situation between the market and the potential in brazil.

the country has a recognized high potential with numerous sites that can be fully used to generate this alternative and cheap energy. As our energy model is characterized by a generation far from the final-consumer, should the SHPs be well-distributed, geographically speaking, they might become a reasonable strategy aiming at the regulation and maintenance of the energy offer and supply to the national integrated system.

However, the lack of importance given to this fact and the bureaucratic slowness make the conception, the correct and agile use of SHPs difficult. Today, SHPs projects that could have been carried out would be able to inject over 3000 MW in the short run.

this whole situation gets worse when it is possible to notice the damage that the absence of a format or continuity of a specific SHP intelligence. It is important to highlight that here in brazil their implementation was set aside for over 70 years. this is the reason why there is a lack of basic information. There are no official records, for the government hydropower reports comprised only sites over 50 MW.

With the efforts of the private sector and after a simple signal from the government in 2001 with the incentives from PRoINFA, this potential became instantaneously strong and positive.

However, this was only a glimpse, given that there was not an effective and consistent foment policy to this abundant energy source of the country.

then, negative factors caused by the interruption of PRoINFA, the 2008 international crises, and the sharp drop in the tariffs due to the entrance of the wind energy in the auctions at full throttle, mistakenly competing with SHP, made the scenario even gloomier.

Things got worse when the sharp oscillations of the PPA values made long tern funding difficult, scaring the investor away. The feasibility of SHP following the models conceived within the phase pre-PROINFA became difficult.

this forced the fewer, but more obstinate, entrepreneurs to adjust themselves to this new reality. Aware of the fact that it represented simple, rustic and fast work, it was necessary the development of its own technology. this way, only those entrepreneurs that had access to such technology, resulting in a sharp reduction in costs and simplifying the construction procedures, succeeded. Then, it was necessary to run away from turnkey models in the project finance. A greater participation of the direct management in the work has become a key element to attain the desired feasibility. At the same time, the manufacturers were challenged to reduce the cost of their electro-mechanical equipment, reinforced by the passing industrial crisis.

At last, it is unbelievable to notice that having an extraordinary potential and a highly demanding consumer market, as well as their strategic importance, the SHPs do not have the basic conditions to achieve great results on their own. the government must come up with an engaged policy, regulating the prices of the tariffs, the funding, tax reductions and industry incentives, i.e., a new PRoINFA adjusted to the new reality, for example, the PPAs, power lines and the reduction of financial taxes, would be favorable to the SHP alternative energy sector which would surely give a positive response.

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• HIDRO&HYDRO: Em sua área de atuação como estão os investimentos na geração de energia por meio das PCHs?

Sevan Naves: Diante desta crise fabricada pela inércia

gover-namental e o mercado instável, os investimentos em PCHs foram drasticamente reduzidos. Restam apenas os obstinados ou abne-gados envolvidos diretamente, no intuito de fazer a coisa acon-tecer.

• HIDRO&HYDRO: Quais são as dificuldades que o setor vem enfrentando, atualmente, no que se refere a Regulação, Licenciamento Ambiental e Mercado?

Sevan Naves: A morosidade na liberação das outorgas pela

ANEEl, os equívocos e excessiva burocracia do licenciamento ambiental, aliado aos baixos PPAs, que impedem o acesso aos fi-nanciamentos, são as dificuldades que obstaculizam a viabilidade da implantação das PCHs.

Esta inexplicável sequência de entraves leva o empreendedor a opções, no mínimo, heterodoxas. Por isso, tem empreendedor que optou por fazer 40 CGHs do que uma PCH, justificado apenas pela simplicidade burocrática e o ganho do tempo de implantação, para fazer caixa.

Além da busca tecnológica para reduzir custos, outra opção que se tem adotado, para conseguir melhores preços nas tarifas, é a busca de PPA diretamente junto ao médio consumidor livre, aceitável pelos agentes financeiros.

• HIDRO&HYDRO: Em relação a fornecimento de equipamentos, o senhor acredita que as indústrias nacionais estão aptas a atender o mercado?

Sevan Naves: os fabricantes, entendendo o momento, quando

diretamente também foram atingidos, reagiram bem, a ponto de, inclusive, competir com os importados da China, ofertando preços e condições mais compatíveis.

Agora, havendo incentivos fiscais e creditícios, os custos dos equipamentos podem reduzir mais ainda e viabilizar melhor as PCHs.

• HIDRO&HYDRO: Quais seriam os desafios a serem transpostos pelas PCHs frente às eólicas?

Sevan Naves: Há um entendimento incorreto quando se faz

comparação das eólicas com as PCHs.

O Brasil precisa ter uma matriz energética diversificada, abarcando todas as alternativas. Porém, isto deve estar embutido num programa de governo abrangente, que contemple todas as fontes e seu peso na oferta energética nacional. No bojo, tem-se que reconhecer que a vocação histórica brasileira é pela energia hidráulica, que temos abundante. Então, deve-se esgotar este potencial, independente do surgimento e aproveitamento correto de outras fontes.

outro erro que grassa é confundir função complementar com concorrência. É importante ressaltar que o momento de melhor aproveitamento dos ventos é justamente no período de baixas vazões hídricas e vice-versa. Então, num programa de governo isto deveria ser considerado como complementação e não concorrência de uma e outra fonte, atentando aos seus diversos melhores momentos. Deve-se levar em conta a rigidez locacional de cada fonte de eletricidade.

De qualquer forma, mesmo diante das razões de as eólicas der-rubarem os preços das tarifas nos leilões, com baratos equipamen-tos importados e poder ter rápida implantação (significa retorno financeiro rápido) sem a necessidade de passar pela via-crucis am-biental, é necessário rever os métodos conceptivos das PCHs, com-pletado com o devido desenvolvimento de tecnologia específica.

Isto no sentido de baratear os custos e poder fazer uma comparação razoável, entre as PCHs e eólicas.

É valioso esclarecer que um fator determinante, na econo-micidade e praticidade da implantação de uma PCH, depois de identificar um sítio hidrelétrico, é aplicar a melhor investigação geológica. Ao utilizar as ferramentas apropriadas da pesquisa, definem-se bem os possíveis riscos, a segurança e as opções de locais de implantação. Este fator, com a prévia identificação correta do ambiente geológico, pode simplificar o arranjo geral e, daí, a metodologia construtiva pode ser concebida excelente-mente.

• HIDRO&HYDRO: Como estão os investimentos dos geradores de energia associados no estado de Goiás?

Sevan Naves: o território goiano é privilegiado. Por ser cabeceira das grandes bacias hidrográficas, ter boas vazões e dotado de uma geologia básica de suporte, detém um potencial peculiar e interessante para PCHs.

Com o domínio do conhecimento dessas características, tem-nos permitido a projeção segura em possíveis custos bem mais baixos dos, até então, praticados.

Assim, temos a PCH Mosquitão (30 MW), já gerando, e a construção, neste momento, da PCH tamboril (29,3 MW) e da PCH Rênic (16 MW) e da PCH Santo Antônio (30 MW), ora tocada pelo eng. Emival Caiado (Grupo Rialma).

Para o próximo ano, programamos o início da PCH Jacaré (26 MW) e da PCH Cocal (10 MW).

Hoje, basicamente somente os goianos da tRItoN e RIAlMA, com estas PCHs, estão se aventurando, na implantação de PCHs em Goiás.

Isto é muito pouco, diante do alto potencial de Goiás, expressado, em parte, pelos 90 projetos de PCH tramitando na ANEEl e em órgãos ambientais, além da grande quantidade de Inventários Hidrelétricos e das 19 PCHs em geração, desde 2006. Com um simples estímulo, só as PCHs de todo o país, em tramitação na ANEEl, podendo ser viabilizadas e implantadas, suplantaria a projeção de várias grandes hidrelétricas, que ora tem a oposição acirrada de ambientalistas.

Arquiv

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• HIDRO&HYDRO: In your area, what are the investments in SHP energy generation like?

mr. Naves: Facing this crisis created by the inertia of the government and by the instable market, the SHP investors have been drastically reduced. there are only those who are obstinate, those who are directly involved in making things happens.

• HIDRO&HYDRO: Today, what are the difficulties the sector has been facing in relation to Regulation, Environmental License and Market?

mr. Naves: the slowness of Aneel to release the grants, the mistakes and the excessive bureaucracy of the environmental licensing, together with the low PPAs that forbid the access to funding, are the obstacles to the implementation of SHPs.

this inexplicable sequence of obstacles forces the entrepre-neurs to find options that are, at least, heterodox. There is an entrepreneur that decided to build 40 Hydropower Generating Units instead of one SHP - an act that was justified by the bu-reaucratic simplicity and by the gain in the implementation time to re-establish the cash-flow.

besides the technologic search to reduce costs, another option that has been adopted to get better tariff prices is the search of PPAs directly from the medium free consumer, which is accepted by the financial agents.

• HIDRO&HYDRO: In relation to equipment supply, do you believe that the national industry is prepared to meet the market demand?

mr. Naves: the manufacturers, understanding the moment when they were also directly hit, reacted well to the situation. they could compete with equipment imported from China, offering prices and more compatible conditions.

Now, when there are fiscal and financial incentives, the cost of equipment can go down ever more, which will be much better for the SHPs.

• HIDRO&HYDRO: What are the challenges that SHPs must overcome against wind energy?

mr. Naves: there is an incorrect understanding when wind energy is compared to SHPs.

Brazil must have a diversified energy matrix, embracing all the alternatives. However, this must be embodied in a governmental program that comprehends all the sources and their weight in the national energy offer. It is important to recognize that, historically, brazil has always has a vocation for water energy, which is abundant here. this way, this potential must be used, regardless of the appearance and the correct use of other sources.

Another mistake is to confuse complementary function with competition. It is important to highlight that the best use of the wind takes place during the low flows of the rivers and vice-versa. then, this should be considered as a complement in a governmental program, not as a competition to another source, and their best moments must also be taken into account. Also, the place strictness of each electricity source must be considered.

Anyhow, even due to the reasons why wind energy made the tariff prices drop in the auctions with inexpensive imported equipment and a fast implementation (meaning a fast investment return) without the need to undergo the environmental via crucis, it is necessary to review the conceiving methods of the SHPs, complemented by the appropriate development of specific technology - this only in the sense of reducing prices and having a reasonable comparison between wind energy and SHPs.

It is also important to mention that a determining factor regarding the economic and practical aspects of the implementation

of SHPs, after identifying a hydropower potential, is to apply the best geological investigation. When the appropriate tools of the research are used, the possible risks, the safety and the best implementation areas can be well-defined. This factor, with the previous correct identification of the geological environment, may simplify the general arrangement, therefore, the constructive methodology may be conceived with excellence.

• HIDRO&HYDRO: What can you tell us about the investments of the energy generators in the state of Goiás?

mr. Naves: the territory of Goiás is privileged. because it has the springs of large hydrological basins, it has good flows and a basic geology of support, the state holds a peculiar and interesting potential for SHPs.

the understanding of these characteristics has allowed us to have an accurate projection of costs that are considerable lower than the ones that have been practiced so far.

this way, there is Mosquitão SHP that is already generating energy (30 MW) and the construction of tamboril SHP (29.3 MW) and Rênic SHP (16 MW) and Santo Antônio SHP (30 MW), which is now in charge of engineer Emival Caiado (Grupo Rialma).

Jacaré SHP (26 MW) and Cocal SHP (10 MW) are forecast to start.

today, only tRItoN and RIAlMA (companies from Goiás), with these SHPs, are venturing the implementation of SHPs in the state.

this is too little, facing the potential of the state, which can be shown by the 90 SHP projects that are being analyzed by ANEEl (National Agency for Electric Power) and other environmental organs, by the large number of Hydropower inventories and the 19 SHPs that have being operating in the state since 2006.

With just a small push, if only the SPHs from all over the country that are being analyzed by ANEEl could be implemented, their power would surpass the projection of several large hydropower plants, which now are facing great opposition from environmentalists.

Arquiv

o pessoal

Casa de Força PCH Mosquitão

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oS rumoS dA HidroElEtricidAdE São diScutidoS Em coNfErêNciA

Evento promovido pelo CERPCH reúne associações, agência

reguladora e empreendedores para discutir a hidrogeração brasileira.

Por Adriana barbosa

A oitava edição da Conferência de Centrais Hidrelétricas, Mercado e Meio Ambiente, buscou aprofundar a defesa técnica e científica do papel da hidroeletricidade como fonte prioritária na expansão da oferta de energia no brasil.

Reunindo especialistas, autoridades e agentes do mercado, o evento provocou a reflexão sobre as mudanças necessárias no marco legal e regulatório, de forma a tornar viáveis e competitivos os empreendimentos hidrelétricos.

A Conferência promoveu debates sobre os benefícios da gera-ção hídrica, como: renovabilidade, baixa emissão de carbono, se-gurança e confiabilidade da oferta e preços competitivos. Os painéis tiveram a preocupação em comparar hidrogeração com as demais fontes, oferecendo uma oportunidade de reflexão sobre a pertinên-cia de mudar os rumos atuais da expansão da matriz energética.

os realizadores acreditam que o conjunto da sociedade brasileira ainda não compreendeu que o modelo atual, imposto pelas circunstâncias, irá resultar em aumento de custos e do preço da energia para o consumidor, menor segurança e confiabilidade do sistema, duplicidade de investimentos para garantir energia de reserva e um maior impacto ambiental com a expansão da geração oriunda de fontes fósseis.

Paralelamente, o evento apresentou, também, questões técnicas e de mercado das Centrais Hidrelétricas.

o evento é coordenado pelo Centro Nacional de Referência em Pequenas Centrais Hidrelétricas (CERPCH) juntamente com a Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), em parceria com a Método Energia e a Associação brasileira de Geração de Energia limpa (AbRAGEl). Com o apoio das principais associações do setor: AbIAPE, APINE e AbRAGE.

A Conferência, ao logo de suas edições objetiva discutir os principais temas referentes às Hidrelétricas, como aspectos legais e institucionais, tecnologia aplicável, meio ambiente e análises econômicas.

mErcAdo

Segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEl), em 2001 havia apenas 204 pequenas centrais hidrelé-tricas no brasil que representavam uma capacidade instalada de 900 MW. Hoje, o número de PCHs em operação saltou para 422, o que representa 4.084 MW. Um crescimento de 4,5 vezes nos

últimos 10 anos e investimentos da ordem de R$ 16 bilhões so-mente na construção destes empreendimentos.

Porém, para desânimo do mercado, tal incremento não irá acontecer nos próximos anos. Segundo o Plano Decenal de Expansão de Energia – PDE – o aumento será de apenas 50% até 2020. Enquanto, que a energia eólica e de biomassa vão subir, respectivamente, 230% e 60%.

charles lenzi, presidente executivo da Abragel – Associação brasileira Geração de Energia limpa, conta que a PCH perdeu competitividade na comparação com as outras fontes alternativas de energia. Uma das razões da baixa participação das pequenas centrais nos leilões é ocasionado pelo preço teto inadequado que não representa a realidade dos custos do setor.

Segundo lenzi, existem razões estruturais e circunstanciais que explicam essa diferença. “basicamente 50% dos custos de construção estão relacionados a obras civis, cujo setor está fortemente aquecido no país, pressionando os preços. os outros 50% estão relacionados aos equipamentos eletromecânicos e meio ambiente. Somam-se a isso as dificuldades de licenciamento ambiental, as diferenças existentes nas condições de financiamento, a falta de isonomia tributária e o longo ciclo de maturação dos projetos, que chega a mais de dez anos em alguns casos”, afirma. Flávio Neiva, presidente da Abrage, ressaltou a maior flexibilidade operacional das hidrelétricas da fonte e reforçou sua capacidade de integrar energias. Comentou que em 2010 as hidrelétricas representavam 78% da matriz energética, porém graças aos reservatórios, com o excedente, gerou 89% de energia. Enquanto que as térmicas, que representavam 13%, geraram apenas 6%.

Sessão de abertura/ The opening ceremony: Presidente da Abragel, Senhor Charles Lenzi;Presidente do Conselho Administrativo da Apine, Senhor Luiz Fernando Vianna; Secretário Executivo do Cerpch, Geraldo Lúcio Tiago Filho; Presidente da Abrage, Senhor Flávio Neiva; Coordenador do Fórum De Meio Ambiente do Setor Elétrico, Senhor Marcelo Moraes.

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routES of HydroElEctricity diScuSSEd iN mEEtiNg

Event promoted by CERPCH gathers associations, regulating agencies

and entrepreneurs to discuss Brazilian hydropower generation.

Translation: Adriana Candal

the 8th Meeting on Hydropower Plants, Market and Environment aimed at deepening the technical and scientific defense of the role of hydroelectricity as a major source in the expansion of the energy offer in brazil.

Gathering experts, authorities and market agents, the event made the participants reflect on the necessary changes in the legal and regulatory marks, so that hydroelectric enterprises can become more feasible and competitive.

The meeting promoted debates about the benefits of water-based power generation, such as: renewability, low carbon emission, safety, offer reliability and competitive prices. the panels compared hydro-generation with the other sources, offering an opportunity to consider changes in today´s paths of the energy matrix expansion.

It is believed that the whole of the brazilian society has not understood that today´s model, imposed by the circumstances, will result in a rise in energy costs and prices to the consumer, less system safety and reliability, more investments to assure an energy reserve and a greater environmental impact with the expansion of the generation out of fossil sources.

At the same time, the event also presented technical and market issues related to Small Hydropower Plants.

the event is coordinated by the National Reference center for Small Hydropower Plants (CERPCH) and the Federal University of Itajubá (UNIFEI), in a partnership with Método Energia and the brazilian Association of Clean Energy Generation (AbRAGEl). It was also sponsored by the main association of the sector: AbIAPE, APINE and AbRAGE.

Along its editions, the meeting intends to discuss the main themes regarding hydropower plants, such as legal and institutional aspects, technology, environment and economic analysis. mArkEt

According to the National Agency for Electric Energy (ANEEl) there were only 204 Small Hydropower Plants (SHPs) in brazil in 2001, representing an installed capacity of 900 MW. today, the number of operating SHPs jumped to 422, which accounts for 4,084 MW. this represents a growth of 4.5 times over the past 10 years and investments of about R$ 16 billion only in the construction of these enterprises.

However, the market is disappointed, for this growth is not going to happen again within the next years. According to the Plan for Energy Expansion (PDE) this growth will range about 50% until 2020, whereas wind and biomass energy will grow, respectively, 230% and 60%.

Mr. Charles lenzi, executive president of the brazilian Association of Clean Energy Generation – Abragel, says that SHPs lost competitiveness when compared to other alternative sources of energy. one of the reasons for the small participation of SHPs in the energy auctions is the minimum price, which does not represent the reality of the sector.

According to Mr. lenzi there are structural and circumstantial reasons that can explain this difference. “basically 50% of the construction costs are related to civil works, and this sector is booming in the country right now, putting great pressure on the prices. the other 50% are related to electromechanical equipment and the environment. One can also add the difficulties regarding the environmental licensing, the different funding conditions, the lack of tributary isonomy and the long maturing cycle of the projects, which reach more than ten years in some cases”, he says.

mr. flávio Neiva, president of Abrage, highlighted a greater flexibility for the hydropower plants and strengthened their capacity on integrating energies. He also said that in 2010 the hydropower plants accounted for 78% of the energy matrix, but due to the reservoirs and the exceeding generation, they generated 89% of the energy, whereas the thermal power plants, which represented 13%, generated only 6%.

Sessão de abertura/ The opening ceremony: Presidente da Abragel, Senhor Charles Lenzi;Presidente do Conselho Administrativo da Apine, Senhor Luiz Fernando Vianna; Secretário Executivo do Cerpch, Geraldo Lúcio Tiago Filho; Presidente da Abrage, Senhor Flávio Neiva; Coordenador do Fórum De Meio Ambiente do Setor Elétrico, Senhor Marcelo Moraes.

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rEgulAção

o Superintendente de Gestão de Estudos Hidroenergéticos da

Aneel, odenir José dos reis, contou que em 2010 a agência

avaliou e aprovou 18 estudos de inventário, o número subiu para 54 em 2011 e até julho de 2012 são 41, devendo chegar em 100 até o final do ano. Em se tratando apenas de PCHs, em 2010 foram 22, em 2011 44 e 33 até agora, com expectativa de atingir 90 até dezembro. odenirressaltou que uma PCHs, desde o inventário até a entrada em operação, leva cerca de sete anos, enquanto que a hidrelétrica aproximadamente 10 anos. "os principais entraves para esse longo prazo são ambientais e de viabilidade econômica", salientou.

José carlos de miranda farias, diretor da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) trouxe dados alarmantes sobre o baixo aproveitamento energético no brasil. Enquanto a França tem um potencial tecnicamente aproveitado de 100% de energia, Alemanha 83% e o Japão 64%, o brasil amarga apenas 34%", comentou. Reforçou, ainda, a necessidade de expandir em 6 mil MW ao ano para fontes de energia com capacidade de 50% para atender as taxas de crescimento e de consumo da ordem de 4,3%.

lembrou que o leilão, A-3, de outubro, voltado para empreendimentos a serem entregues em um prazo de três anos (até abril de 2015), será destinado para usinas eólicas, biomassa, solar e térmica de pequeno porte.

os leilões A-5 deste ano têm como indicativo expandir com usinas hidrelétricas 16 mil MW, mas lembrou que isso é apenas uma estimativa do plano. Aproveitou para salientar a vantagem econômica da PCH: "a energia hidrelétrica pode ser contratada a R$ 90 /MW hora enquanto que a eólica, que é a mais competitiva, é de R$ 105 / MW hora", completou.

miNiStério Público

luiz fernando Vianna, presidente do Conselho de

Administração da Apine, lamentou a medida dos Ministérios Públicos Federal e do Mato Grosso de paralisar 126 usinas do Pantanal. "o brasil precisa de pelo menos 3 mil MW/ano para atender a demanda e a hidroeletricidade, uma matriz limpa e fonte que sustenta as demais, como bromasse e eólica, que estão ancoradas na usina hidro. Quando se começa cercear a construção de usinas não estamos em um bom caminho, aspectos ideológicos não podem nortear a ação do ministério público", comentou.

SESSão técNicA

A conferência teve em sua sessão técnica a apresentação de 35 artigos que reuniram temas como Análise Financeira; Aspec-tos Legais e Institucionais; Mercado e Planejamento Energético; Meio Ambiente; Responsabilidade Social e Desenvolvimento Sus-tentável; Tecnologia e Desenvolvimento; Operação e Manuten-ção; Sistemas Híbridos; Geração Descentralizada e Sistemas Isolados.

o diferencial desta edição é que os artigos técnicos foram apresentados na plenária principal com o objetivo de fazer a in-teração entre os agentes do mercado com a produção acadêmica.

EXPo gErAção HídricA

Paralelamente a Conferência, aconteceu a IV EXPo Geração Hídrica feira que reuniu fabricantes de equipamentos, tecnologias e serviços para Projeto, Implantação e operação de Centrais Hidrelétricas.

Colaboraram com essa matéria as jornalistas Monica Belini e Kassandra Geromel.

Conferencistas durante a sessão de abertura. Delegate during the opening cerimony.

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rEgulAtioN

the Superintendent of Hydro-energy Study Management of ANEEl, Mr. odenir José dos Reis, stated that in 2010 the agency assessed and approved 18 inventory studies. this number jumped to 54 in 2011 and, by July 2012, it was 41, and it may reach 100 by the end of the year. As far as SHPs are concerned, the numbers are: 22 in 2010, 44 in 2011 and 33 so far. the expectation is to reach 90 by the end of the year. Mr. Reis highlighted that a SHP, from the inventory to its operation, takes about seven years, whereas a large plant takes about ten. "the main obstacles are the environmental issues and the economic feasibility", he said.

Mr. José Carlos de Miranda Farias, director of the Energy Research Company (EPE) brought alarming data about the low energy use in brazil. Whereas France has a technically used potential of 100%, Germany 83% and Japan 64%, brazil´s used potential is only 34%", he said. He also reinforced the need of expanding by 6 thousand MW a year for energy sources with a capacity of 50% to meet the growth rate and the consumption demands, ranging about 4.3%

He also said that the A-3 auction, october, aimed towards enterprises that will be operating in three years (April, 2015) at most, will be destined to wind farms and biomass, solar and small thermal power plants.

the A-5 auctions that will be held this year point at an expansion of 16 thousand MW with hydropower plants, but he reminded that this is nothing more than an estimation of the plan. He used to opportunity to highlight the economic advantage of the SHPs: "hydroelectric energy may be purchased at R$ 90/MW hour, whereas wind energy, which is the most competitive, is R$ 105/MW hour", he completed.

Public miNiStry

Mr. luiz Fernando Vianna, president of the Apine Administration board, regretted the measure taken by the Federal Public Ministry and the Public Ministry of the state of Mato Grosso when they de-cided to shot down 126 plants that operates in the Pantanal. "brazil needs 3 thousand MW/year, at least, to meet the demand and hy-droelectricity, a clean matrix, is the source that supports the oth-ers, such as biomass and wind, which are anchored in hydropower. plants. When the construction of hydropower plants starts to be blocked, it means we are not following a very good path, ideological aspects cannot orient actions of the Public Ministry", he said. tEcHNicAl SESSioN

During the technical session, 35 papers were presented. they addressed issues such as funding analysis, legal and institutional aspects, market, energy planning, environment, social respon-sibility and sustainable development, technology and develop-ment, operations and maintenance, hybrid systems, decentrali-zed generation and isolated systems.

the different aspect of this meeting was that the papers were presented in the main auditorium, aiming at the integration between the market agents and the academic production. EXPo Hydro gENErAtioN

the 4th EXPo Hydro Generation and the meeting were held simultaneously. the fair gathered equipment manufacturers, technologies and services for projects, implementation and ope-ration of hydropower plants.

This report received the contribution

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ARTIGOS TÉCNICOS

TECHNICAL ARTICLES

IMPACTOS SOCIAIS DE HIDRELÉTRICAS E A NECESSIDADE DE LEGISLAÇÃO PARA O REMANEJAMENTO ... 16

SOCIAL IMPACTS OF PLANTS AND THE NEED LEGISLATION FOR RELOCATION

Luciane Lima Costa e Silva,Prof. Dr. Arthur de Souza Moret

CONSIDERAÇÕES SOBRE A MANUTENÇÃO DAS VAZÕES ECOLÓGICAS NOS RIOS ... 26

CONSIDERATION OF THE MAINTENANCE OF INSTREAM FLOWS IN RIVERS

Betânia Vilas Boas Neves, Carlos Barreira Martinez, Hersilia de Andrade e Santos, Edna Maria de Faria Viana

AVALIAÇÃO DE MODELOS DIGITAIS DE ELEVAÇÃO NA PROSPECÇÃO DE POTENCIAL HIDROELÉTRICO PARA PCHs ... 32

EVALUATION OF DIGITAL ELEVATION MODELS IN POTENTIAL PROSPECT FOR SHP HYDROELECTRIC

Raniere Rodrigues Melo de Lima, Mariana Torres Correia de Mello, Artur Cesar Ramos de Castro

AVALIAÇÃO DO EFEITO DOS PREÇOS DE ENERGIA NA INOVAÇÃO INDUZIDA COM FOCO NAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS ... 41

EVALUATION OF THE EFFECT OF INNOVATION IN ENERGY PRICES INDUCED WITH FOCUS ON CLIMATE CHANGE

Francisco Juanito Costa da Silva, Ana Rita Pinheiro de Freitas, Mônica Cavalcanti Sá de Abreu

SISTEMA DE ADQUISICIÓN, ALMACENAMIENTO Y BÚSQUEDA DE DATOS DE OPERACIÓN DE UNA TURBINA HIDROELÉCTRICA ... 48

SISTEMA DE AQUISIÇÃO, ARMAZENAMENTO E BUSCA DE DADOS DE OPERAÇÃO DE UMA TURBINA HIDRELÉTRICAS

R. N. Schuster, G. D. Solonyezny, J. E. Kolodziej, F. E. Gonzalez, G. A. Tarnowski

USO DE ROCHAS EM FUNDAÇÕES DE PEQUENAS CENTRAIS HIDRELÉTRICAS ... 57

USE OF THE ROCKS IN FOUNDATIONS OF THE SMALL HYDROPOWER PLANTS

Marcelo Ribeiro Barison

ESTUDO PARA REATIVAÇÃO DA USINA DE RONCADOR PARA UTILIZAÇÃO COMO USINA DIDÁTICA ... 63

STUDY TO RESTART THE RONCADOR PLANT FOR USE AS TRAINING PLANT

Prof. Dr. Gilberto Manoel Alves, Ângelo Bruno Garcia, Jorge Augusto Rebelatto, Vitor Pompermaier

IAHR DIVISION I: HYDRAULICS TECHNICAL COMMITTEE:

HYDRAULIC MACHINERY AND SYSTEMS

Áreas de: Recursos Hídricos Meio Ambiente Energias Renováveis e não Renováveis Classificação Qualis/Capes ENGENHARIAS I; III e IV Biodiversidade Interdisciplinar

B5

B4

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IMPACTOS SOCIAIS DE HIDRELÉTRICAS E A NECESSIDADE

DE LEGISLAÇÃO PARA O REMANEJAMENTO

1Luciane Lima Costa e Silva 2Prof. Dr. Arthur de Souza Moret

RESuMO

O Brasil tem larga experiência na construção de hidrelétricas e coleciona diversos conflitos sociais e direitos humanos violados associados. Muitas barragens foram construídas ao longo de 40 anos e muitas pessoas remanejadas de modos completamente distintos. No ambiente de investimento público a Eletrobras liderou os estudos das questões sociais associadas. Muitos estudos, manuais e procedimentos foram elaborados pela Eletrobras e muitas orientações foram fornecidas as suas subsidiárias, no intuito de uniformizar as práticas sociais. Com as privatizações criou-se um abismo nas práticas do setor com relação às questões socioambientais. Não faz parte do escopo das empresas privadas a questão social de modo tão aprofundado. Hoje vivemos um ambiente de investimento público-privado na gestão do Setor Elétrico e pensava-se, que a parceria com as empresas públicas pudesse contribuir para que as questões sociais continuassem a avançar em suas práticas, o que não ocorreu. Percebe-se que no ambiente de investimento público-privado consórcios são formados e o formato passa a ser estritamente privado no sentido de que as empresas públicas pouco ou nada participam na implantação do empreendimento, fazendo parte apenas da Sociedade de Propósito Específico (SPE) formada. Por razões como essas não é possível na atual conjuntura o exercício de boas práticas sociais. Na questão do Remanejamento, especificamente, o agente (público ou privado ou público-privado) precisa de preceitos, que garantam uniformidade no tratamento às questões sociais.

PALAVRAS-CHAVE: Impactos Sociais, Hidroeletricidade, Energia.

SOCIAL IMPACTS OF PLANTS AND THE NEED

LEGISLATION FOR RELOCATION

ABSTRACT

Brazil has large experience on hydroelectric construction and collects several social conflicts and violated human rights associated. Many dams were built over 40 years and many people moved in entirely different modes. As public investment, Eletrobras led the studies of social issues. Many studies, manuals and procedures were prepared by Eletrobras and many guidelines were provided to their subsidiaries in order to standardize the social practices. With privatizations a gap was created in industry practices related to social and environmental issues. Besides, is not part of the scope of private companies a deep concern related to social issues. Nowadays we live in an environment of public-private investment in the management of the Electricity Sector and it was thought that the partnership with public companies could contribute to social issues lengthen to advance in their practices, which did not occur. In public-private investment we realize that consortiums are formed and the format shall be strictly private in the sense that public companies have small participation on the project, doing only part of the SPC (Special Purpose Company) formed. For such reasons is not possible in the current circumstances the exercise of good social practices. In the matter of Relocation, specifically, the agent (public or private or public-private) needs precepts, to ensure uniformity in regard to social issues

KEYWORDS: Social Impacts, Hydroelectric, Energy.

1Fundação Universidade Federal de Rondônia, BR 364 Km 9 Porto Velho/RO, Grupo de Pesquisa Energia Renovável Sustentável GPERS, contato: (69) 8432-0890,

e-mail: [email protected]

2Fundação Universidade Federal de Rondônia, BR 364 Km 9 Porto Velho/RO, Grupo de Pesquisa Energia Renovável Sustentável GPERS, contato: (69) 9202-0758,

e-mail: [email protected] 1. INTRODuÇÃO

A energia elétrica no Brasil tem grande percentual de gera-ção hídrica, e segundo Müller (1995, p. 45) “de todas as fontes energéticas hoje exploradas a hidroeletricidade se destaca por ser “extraída” da água, recurso renovável, não poluente, sem resíduos e que permite sua reutilização a jusante, para o mesmo fim”. Entretanto, para implementar essa tecnologia contingentes populacionais são deslocados e estes “viram suas bases de sus-tentação econômica e seus valores socioculturais repentinamente solapados” (1995, p. 45b). Do início dos anos 1960 até o final dos anos 1980 a Eletrobras – empresa estatal - cumpria o papel do Estado brasileiro no planejamento determinativo, para a geração da energia elétrica. Na década de 90 o planejamento foi repas-sado a responsabilidade do mercado no chamado processo de Reestruturação, que objetivava transferir aos agentes privados a total responsabilidade em relação ao aumento da oferta de energia elétrica.

A partir do Novo Modelo (2004) o Setor de Energia Elétri-ca sofreu alterações em seu formato, ainda que não estrutu- rais, pois as privatizações e os contratos foram mantidos, mas as empresas públicas ganharam reforço e voltaram a cumprir papel estratégico. No Novo Modelo o Estado assumiu maior res-ponsabilidade nas políticas de energia elétrica. Há dois pontos que merecem destaque: o primeiro refere-se ao fato de que em ambos os modelos o papel da hidroeletricidade continua sendo predominante. O segundo, em nenhuma modalidade de planeja-mento (determinativo e indicativo) o aprendizado no trataplaneja-mento dos impactos sociais constituiu regras, que direcionassem para soluções socialmente justas.

Nestes termos, considerando a disponibilidade de recursos hídricos na Amazônia e a crescente necessidade da geração de e-nergia para o desenvolvimento o objetivo desse artigo é a análise do caso brasileiro com relação aos impactos sociais os avanços que se obtinha no ambiente de investimento público e o rompi-mento a partir da Reestruturação (privatizações), apresentando

(17)

a evolução do pensamento sobre impactos sociais nas últimas décadas, com ênfase para o conceito de atingido por barragem; falando-se sobre o processo de transformação do Setor Elétrico Brasileiro e os impactos sociais de hidrelétricas a partir da Cons-tituição de 1988 e uma rápida explanação sobre a Legislação Ambiental Brasileira, para demonstrar à guisa de conclusão, a não inclusão do remanejamento e a necessidade de uma Política de Remanejamento, com parâmetros legais mínimos e critérios a serem necessariamente observados.

METODOLOGIA

Usa-se como método o levantamento e análise comparativa de leis e produções acadêmicas do SEB e marcos regulatórios e produções acadêmicas ambientais, além da produção técnica da Eletrobras buscando conteúdos que tratem das questões sociais, para verificar a quem fica arbitrar essa questão e sob quais parâmetros.

1. O CONCEITO DE ‘ATINGIDO POR BARRAGEM’

Com a pressão internacional e a experiência adquirida ao lon-go do tempo a Eletrobras se voltou às questões sociais e ambien-tais, e buscou estudar mais a fundo os impactos negativos que as hidrelétricas causavam para as populações locais. É comum num primeiro momento achar que se trata do deslocamento das pes-soas na área do reservatório e do empreendimento. Na verdade, obras de engenharia dessa magnitude têm reflexos muitos mais extensos que o seu local de instalação, e os efeitos negativos um alcance bem maior do que simplesmente a área do reservatório.

Para VAINER (2008, p. 40) “... a noção de atingido diz respeito, de fato, ao reconhecimento, leia-se, legitimação de direitos e de seus detentores”.

“...estabelecer que determinado grupo social, família ou indivíduo é, ou foi, atingido por certo empreendimento significa reconhecer como legítimo – e em alguns casos como legal – seu direito a algum tipo de ressarcimento ou indenização, reabilitação ou reparação...” (VAINER, 2008, p. 40).

VAINER identificou o conceito de atingido sob duas ópticas: a Concepção Territorial-Patrimonialista e a Concepção Hídrica1.

1.1. Concepção Territorial-Patrimonialista

O atingido é unicamente o proprietário de terra, não há ‘atingido’. Há o dono da terra que o empreendedor comprará, conforme o direito brasileiro, que concede o direto de desapro-priação ao empreendedor se reconhecida a utilidade pública do empreendimento. Desse modo, durante muito tempo empresas do setor elétrico se limitavam a indenizar os proprietários de ter-ras alagadas.

Não se reconhecia a existência de impactos ambientais e sociais, o único problema era o patrimonial-fundiário (VAINER, 2008). Havia relações de negociação sobre o valor da terra para aqueles que tivessem documento comprobatório de sua posse. Caso o proprietário discordasse do valor proposto o empreen-dedor poderia depositar 80% do valor em juízo, assumindo ime-diatamente o domínio da propriedade. Caberia ao desapropriado provar em juízo, que o valor proposto pelo empreendedor não era justo. Levando em conta a falta de assessoramento, os custos e os problemas de lentidão da justiça, bem como a capacidade dos departamentos jurídicos das empresas, segundo VAINER, não

seria exagero afirmar que “quase sempre o detentor do poder desapropriatório detém, de fato, o poder de arbitrar o valor.”

A perspectiva e a ação do empreendedor, neste caso, são determinadas pela aquisição do domínio, isto é, da propriedade da área. Seguindo a tradição do direito brasileiro que quando reconhecida a uti-lidade pública do empreendimento, concede ao em-preendedor o direito de desapropriação, durante longo período as empresas do setor elétrico limita-vam-se a indenizar os proprietários das áreas a ser-em inundadas. (VAINER, 2008 p.41)

A perspectiva territorial-patrimonialista vê a população como um obstáculo a ser removido, para garantir a viabilidade do empreendimento. O território atingido é tido como a área a ser alagada e a população atingida é constituída pelos proprietários de terras da área a ser inundada.

1.2. Concepção hídrica

O atingido é o inundado, ou seja, não mais apenas o proprietário, mas os posseiros, meeiros, ocupantes etc., o que amplia o conceito. Para VAINER, neste caso, “o atingido passa a ser o inundado e, por decorrência, o deslocado compulsoriamente”. Amplia-se o conceito, mas este não dá conta dos verdadeiros efeitos sociais negativos, que grandes barragens causam.

Em sua obra VAINER cita o Resettlement Handbook da

International Financial Corporation – IFC (2001), que inova e

amplia a compreensão do que seja, ou de quem seja o ‘atingido’ ao utilizar o termo ‘pessoas economicamente deslocadas’:

O objetivo da política de reassentamento involun-tário é assegurar que as pessoas que são fisicamente ou economicamente deslocadas, como resultado de um projeto, não fiquem em situação pior, mas melhor do que estavam antes do projeto ser empreendido.

O deslocamento pode ser físico ou econômico. Deslocamento físico é a recolocação física das pessoas resultante da perda de abrigo, recursos produtivos ou de acesso aos recursos produtivos (como terra, água e florestas). O deslocamento econômico resulta de uma ação que interrompe ou elimina o acesso de pes-soas aos recursos produtivos sem recolocação física das próprias pessoas (IFC, 2001 Tradução Própria).

...famílias que perdem parte ou toda a sua terra, mas não as suas casas, não são consideradas como “deslocadas”, ainda que a perda de uma pequena parcela de terra faça uma grande diferença entre subsistência e inanição. Populações que criam seu gado no vale dos rios sem um título legal de propriedade, como é o caso dos camponeses e dos índios na maior parte do mundo raramente recebem compensação pela perda de suas terras. (VAINER, 2008, p. 52. citando McCully).

A exemplo de sua declaração McCully afirma (in VAINER, 2008 p. 52) que até recentemente a Eletronorte se recusava a reconhecer as comunidades e os pescadores de Tucuruí a jusante como atingidos.

Sigaud (1989), porém, aborda o avanço do setor elétrico na avaliação de quem seja o atingido. Para a Eletrosul, ‘atingido’ designava ‘atingido pela água’ e seus sujeitos eram ‘água e população’, o que culminava na concepção de atingidos como sendo os proprietários. A partir desse momento, a empresa

1Note-se que o trabalho do professor Vainer (IPPUR/UFRJ) foi feito inicialmente em 1990, antes da privatização do setor, portanto estamos falando de políticas de investimento

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reduzia seu ‘problema’ à indenização de proprietários atingidos pela água e se propunha a negociar com indivíduos ‘proprietários’.

Pressionada pela [Comissão Regional de Atingidos por Barragens] CRAB, a Eletrosul assimila as famílias, mas associando-as ainda às propriedades. Com a intensificação das lutas a pressão internacional - via Banco Mundial, cria-se um impasse. Em 1987, a Eletrosul finalmente reconhece a CRAB como representante dos camponeses e com ela firma um acordo, fixando as condições para dar início as obras. Os atingidos nesse acordo compreendem não somente os proprietários, mas os ‘sem terra’ e os filhos dos ‘agricultores’ classificados como jovens sem terra pertencentes às famílias dos atingidos (SIGAUD, 1989, p.10)

VAINER (2008, p. 46-50) demonstra que entre 1994 e 2001 as agências multilaterais tais como a IFC, o Banco Mundial, o Banco Interamericano de Desenvolvimento avançaram no conceito e chegaram ao consenso sobre a noção de atingido: “remete ao conjunto de processos sociais e econômicos deflagrados pelo empreendimento que possam vir a ter efeitos perversos sobre os meios e modos de vida da população.” (VAINER, 2008, p. 50).

O Banco Interamericano (1998), afirmou que a administração de um reassentamento, além de considerar o número de pessoas afetadas, deve também considerar a severidade das consequências, pois os impactos não se limitam aos movidos fisicamente, mas podem também afetar a população anfitriã e ter um efeito de ondulação em uma área mais ampla como resultado das perdas ou rompimento das atividades econômicas. Para exemplificar melhor, imagine se essas pessoas, que viviam de atividades econômicas a jusante, agora passassem a concorrer com os empregos das cidades que as recebessem. Provavelmente, a cidade anfitriã não estaria preparada para recebê-las e não haveria emprego, escolas e hospitais para acomodar os novos moradores.

O Banco Mundial, governos, empresas e organizações não

governamentais constituíram a World Commission on Dams2,

que alargou a definição de deslocamento englobando tanto o físico, quanto o “deslocamento dos modos de vida”. Para a WCD o deslocamento físico, seria propriamente dito o deslocamento de pessoas que vivem na área próxima do reservatório ou do projeto, ou seja, não só pelo enchimento do reservatório, mas também pelas obras de infraestrutura próximas ao projeto.

No entanto, a alteração dos ecossistemas e o alagamento de terras afetam os recursos disponíveis nessas áreas, bem como as atividades produtivas. No caso de comunidades dependentes da terra e de recursos naturais, continua a WCD, tem como consequência a perda de acesso aos meios tradicionais de subsistência, inclua-se então a pesca, a agricultura, a extração vegetal e a pecuária, por exemplo, deslocando as pessoas do seu acesso aos recursos naturais e ambientais essenciais ao seu modo de vida. Então conclui a WCD: assim, atingido refere-se às populações que enfrentam outro tipo de deslocamento (WCD, 2002, p. 102).

Em meados da década de 1980, segundo VAINER (2008, p. 55), o Setor Elétrico Brasileiro como um todo começou a ser questionado na esfera de suas concepções, estratégias e práticas relativas ao equacionamento e tratamento das populações das áreas de implantação de seus empreendimentos. Na literatura

nacional e internacional, e na própria legislação ambiental emergente, a resistência das populações foi um dos principais motivos para que o setor elétrico buscasse mais conhecimento sobre o assunto e revisse algumas atitudes, de modo a minimizar os conflitos.

A Eletrobras liderou esse processo, primeiramente atentando para os verdadeiros impactos sociais e ambientais provocados por hidrelétricas, depois ampliando seu conceito de atingido para além daquele deslocado por conta do reservatório, incluindo as mudanças sociais, culturais, econômicas e territoriais.

No Plano Diretor de Meio Ambiente do Setor Elétrico (1990), a Eletrobras expõe sua preocupação com os problemas social e ambiental na implantação de hidrelétricas e aponta diretrizes gerais a serem empregadas por todo o setor elétrico no planeja-mento e gerenciaplaneja-mento socioambiental, respeitando as diferen-ças regionais, conforme indicado a seguir:

São expressivas as diferenças, não só entre as realidades regionais em que as empresas atuam, como também entre os quadros de recursos técnicos e financeiros com que contam. Portanto, o PDMA pri-oriza a formulação de um conjunto de diretrizes seto-riais, que traduzam uma postura geral4 e que possam

orientar a definição de diretrizes estratégicas ou pro-gramáticas, a serem detalhadas, por parte de cada empresa concessionária, para sua área de atuação. (II PDMA, 1990, p.16)

O remanejamento de contingentes populacionais em áreas onde são implantados empreendimentos do Setor Elétrico, em especial nos casos decorrentes da formação de reservatórios, constitui um ‘processo complexo de mudança social’. Implica, além da movi-mentação de população, em alterações na organiza-ção cultural, social, econômica e territorial da área onde o mesmo ocorre.

É consenso geral que o Setor Elétrico - a par de um objetivo imediato de liberar áreas [continua a con-cepção territorial-patrimonialista] para implantação de empreendimentos, de acordo com os dispositivos jurídico-legais pertinentes - tem a responsabilidade5

de ressarcir danos causados a todos quantos forem afetados por seus empreendimentos. O cumprimento desta responsabilidade, no entanto, ainda se dá de forma diferenciada entre as concessionárias e até por empreendimento de uma mesma concessionária, no que diz respeito ao tratamento das várias categorias sociais afetadas, sejam elas assemelhadas entre si ou variadas.

Diante da magnitude dos deslocamentos popula-cionais estimados em função do plano de expansão do Setor, destaca-se a necessidade de um entendi-mento conceitual unificado e de procedientendi-mentos daí decorrentes, em busca de um tratamento isonômico às categoriais sociais afetadas. Em especial, pres-supõe-se que a negociação será a base do relaciona-mento do Setor Elétrico com a sociedade e, particu-larmente, com os grupos envolvidos.

Nos últimos anos, vem crescendo a importância das ações relativas à reorganização do espaço regio-nal no planejamento dos empreendimentos elétricos, incluindo, além da aquisição de áreas para

assenta-2Comissão Mundial de Barragens, que após dois anos de estudos e audiências divulgou seu Relatório Final, em 2000. (Vainer, 2008, p. 50) 3II Plano Diretor de Meio Ambiente do Setor Elétrico 1991/1993 – II PDMA (1990).

4Note o termo ‘postura’ enquanto uma mudança de comportamento e uma humanização das relações. 5Note o termo utilizado: responsabilidade.

Referências

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