Addis Ababa, Ethiopia, P.O. Box: 3243 Tel.: (251‐11) 5513 822 Fax: (251‐11) 5519 321 Email: situationroom@africa‐union.org CONSELHO DE PAZ E SEGURANÇA 328ª REUNIÃO ADIS ABEBA, ETIÓPIA 24 DE JULHO DE 2012 PSC/PRC/2(CCCXXVIII) Original: Inglês RELATÓRIO DO PRESIDENTE SOBRE A OPERAÇÃO HÍBRIDA DA UNIÃO AFRICANA‐NAÇÕES UNIDAS EM DARFUR UNIÃO AFRICANA
RELATÓRIO DO PRESIDENTE SOBRE A OPERAÇÃO HÍBRIDA DA UNIÃO AFRICANA‐NAÇÕES UNIDAS EM DARFUR I. INTRODUÇÃO
1. Na sua 286ª reunião, que teve lugar a 19 de Julho de 2011, o Conselho analisou a situação no Darfur e as actividades da União Africana‐Operação Híbrida das Nações Unidas em Darfur (UNAMID), na base do relatório que submeti [PSC/PR/2 (CCLXXXVI)]. O Conselho, por sua vez, adoptou um comunicado no qual, entre outras coisas, decidiu prorrogar, para um período adicional de 12 meses, o mandato da UNAMID, tal como definido pelo comunicado PSC/PR/Comm (LXXIX) da sua 79ª reunião realizada em 22 de Junho de 2007, e a resolução 1769 (2007) do Conselho de Segurança da NU de 31 de Julho de 2007. O Conselho solicitou ao Conselho de Segurança das Nações Unidas para fazer o mesmo, tendo em mente o papel central que a UNAMID desempenha no terreno, em particular no que respeita a protecção de civis, e o aumento da contribuição prevista para a Missão a fim de avançar com a busca da paz duradoira em Darfur, incluindo o apoio para a implementação do Documento de Doha para a Paz em Darfur (DDPD), o lançamento do Processo Político de Doha (DPP) em Darfur, recuperação imediata e facilitação do retorno e reintegração das Pessoas deslocadas Internamente (PDI) e refugiados, com base na tendência incentivadora que já de verifica no terreno. Em 29 de Julho de 2011, o Conselho de Segurança adoptou a resolução 2003 (2011), na qual decidiu prorrogar o mandato da UNAMID tal como prescrito na resolução 1769 (2007) para um período adicional de doze meses até 31 de Julho de 2012 .
2. Este relatório cobre os desenvolvimentos relativos à situação em Darfur e a implementação do mandato da UNAMID. É concluído com recomendações sobre a via a seguir, incluindo a renovação do mandato da UNAMID para o período de um ano.
II. IMPLEMENTAÇÂO DO DOCUMENTO DE DOHA PARA A PAZ EM DARFUR
3. Na sua 286ª reunião, o Conselho notou com satisfação a assinatura, a 14 de Julho de 2011, do (DDPD), salientando que este desenvolvimento contribuirá grandemente para a promoção da paz e segurança em Darfur. Durante o período em análise, os signatários do DDPD, nomeadamente o Governo do Sudão (GoS) e o Movimento de Justiça e Libertação (LJM), continuaram a tomar medidas concretas para a implementação do DDPD.
4. Em 27 de Dezembro de 2011, o Presidente da Republica do Sudão dissolveu a Autoridade Regional de Transição de Darfur (TDRA) e as suas Comissões, tal como estipulado no Acordo de Paz de Darfur (DPA), em 5 de Maio de 2006, para permitir o estabelecimento da Autoridade Regional de Darfur (DRA), principal órgão responsável pela implementação do DDPD. Em 11 de Setembro de 2011, o GOS nomeou o Dr. Al‐Haj Adam Youssef, natural de Darfur, como 2º Vice‐Presidente do Sudão, e líder do LJM, e o Dr. El Tigani Seisi, como
Presidente do DRA, a 23 de Outubro de 2011. Em conformidade com as disposições do DDPD, em 18 de Dezembro de 2011, o Presidente da República nomeou o Secretário‐Geral do UM, Bahar Idriss Abu Garda como Ministro da Saúde do governo Federal, Moktar Abdelkareem, Vice‐presidente do UM e Ahmed Fadoul, outro membro da liderança sénior do UM foi nomeado a 29 de Dezembro de 2011, como Ministro da Industria e dos Assuntos federais, respectivamente. Doze membros do Órgão executivo da Autoridade, incluindo cinco do UM também foram nomeados no mesmo dia.
5. Na região de Darfur, vários Ministros competentes e Comissões do DRA foram afectados no LJM, incluindo os Ministros das Finanças e do Planeamento Económico; Reconstrução, Desenvolvimento e Infra‐estrutura; Desenvolvimento da Tecnologia e Capacitação, bem como a Comissão do Repatriamento Voluntário e Reintegração e a Comissão da Verdade, Justiça e Reconciliação. Outras nomeações incluem membros do Partido do Congresso Nacional (NCP), Unidade/Exercito de Libertação do Sudão (SLA/Unity), os signatários da Declaração de Compromisso do DPA (DoC/DPA), e um oficial das Forças Armadas do Sudão (SAF) nomeados para presidir a Comissão de Implementação das Disposições de Segurança em Darfur (DSAIC). Além disso, um membro sénior do LJM, Haidar Galukoma Ateem, foi nomeado Governador do Leste do estado de Darfur, em conformidade com o Protocolo sobre Participação Política do LJM e a Integração das suas Forças. Isto resultou na criação de dois novos estados adicionais em 5 de Maio de 2011, que se tornou efectivo em 10 de Janeiro de 2012, com a nomeação de quatro novos Walis. Os estados da parte Central e Oriental de Darfur tendo como capitais Zalengei e El Daein, respectivamente, foram associados aos estados existentes no Norte, Sul e Ocidente de Darfur, totalizando cinco Estados de Darfur.
6. Em 8 de Fevereiro de 2012, o DRA foi inaugurado oficialmente numa cerimónia decorrida em El Fasher. Os Presidentes do Sudão e do Chade, bem como um representante do Emir do Qatar e o Ministro dos Negócios Estrangeiros do Burkina‐Faso, estiveram presentes no evento. A UNAMID permaneceu envolvida com as Partes e os parceiros do DDPD, e forneceu igualmente apoio técnico e logístico e aconselhamento para o funcionamento efectivo do DRA e suas instituições.
7. No inicio de Maio de 2012, o Governo central transferiu 25 milhões de dólares e sete viaturas ao DRA. Isto permitiu o DRA instalar escritórios em Khartoum e Darfur, iniciar o recrutamento de funcionários e realizar actividades de planificação. Em 22 de Maio de 2012, o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), o DRA, o Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD), o Banco Mundial e outros parceiros internacionais reuniram‐se em Khartoum para iniciar o processo de planificação da Missão de Avaliação Conjunta para o Darfur (DJAM) a cargo do DDPD. O objectivo da DJAM é identificar e avaliar as necessidades para a recuperação económica, desenvolvimento e erradicação da pobreza em Darfur. O DJAM deverá ser concluído no final do ano de 2012 e criará bases para a mobilização de recursos com vista à realização da conferência de doadores prevista para o mês de Dezembro de 2012.
8. Ao salientar as suas prioridades no DDPD, ambas as partes identificaram a realização da Consulta e Diálogo Interno sobre Darfur (DIDC) como prioridade chave. O DDPD estipula que a UNAMID, a UA e o Estado do Qatar facilitarão a realização da DIDC. A UNAMID solicitou, neste contexto, divulgar informações sobre o DDPD e opiniões dos parceiros Darfurianos sobre o papel do diálogo interno. Isto foi efectuado através de consultas em Darfur e em Khartoum com representantes das organizações da sociedade civil, comunidades nómadas, PDI, a Administração Nativa, legisladores estatais e líderes de comunidades tradicionais. A maioria dos parceiros consultados reconheceu que o diálogo interno sobre Darfur tem potencial para reforçar o apoio popular para o DDPD, aumentar a inclusividade do processo de paz e promover a reconciliação entre as comunidades. Um amplo espectro de parceiros, em particular representantes dos PDI, líderes de comunidades tradicionais e nómadas, contudo, expressaram algumas preocupações, sobretudo a respeito da participação de todos os principais grupos de parceiros; manipulação do processo pelas partes do conflito; liberdade de expressão para os participantes; e oportunidades para a implementação dos resultado pelas partes. Não obstante, apelaram para que o processo inicie imediatamente, para que as organizações da sociedade civil sejam assistidas pela comunidade internacional permitindo‐lhes deste modo supervisionar eventos e a comunidade internacional deveria incentivar os movimentos não‐signatários para apoiar as consultas.
9. De 10 a 12 de Julho de 2012, Uma Conferencia com Todos os Parceiros foi realizada em El Fasher 2012, com vista a solicitar apoio público para a implementação do acordo e desenvolver um plano para as Consultas e o Diálogo Interno de Darfur. O evento traduzia‐se num esforço de colaboração conjunta pelos dois parceiros do DDPD, embora a selecção dos 800 participantes de uma grande parte dos grupos de parceiros Darfurianos eram na sua maioria do LJM. 10. A UNAMID continuou a supervisionar o progresso na implementação do cessar‐fogo do DDPD e as disposições finais de segurança. Em 4 de Outubro de 2011, a Comissão de Cessar‐ fogo foi criada para verificar independentemente o equipamento e pessoal militar do LJM. Este exercício, que foi um pré‐requisito para a desmobilização, desarmamento e reintegração das forças do LJM, foi conduzido entre 5 e 9 Março de 2012. Contudo, é importante realçar o desacordo que surgiu entre as partes signatárias em redor deste exercício, os oficiais do governo insistiram que os critérios deveriam ser mais restritivos no que respeita a elegibilidade de um combatente, enquanto o LJM insistiu sobre a manutenção de um critério mais alargado e a verificação de forças adicionais não incluídas pelo movimento no exercício de verificação inicial. Há discussões em curso entre as duas Partes para solucionar esta questão.
11. Em Maio de 2012, e em conformidade com o DDPD, o Governo submeteu à UNAMID, o seu plano para o desarmamento e desmantelamento dos grupos de milícias armados em Darfur. O qual estipula a criação de um Comité de Desarmamento, o registo de milícias, a condução da campanha de sensibilização pública e uma fase de desarmamento, que deverá ser conduzida durante um período de 220 dias. A UNAMID procura esclarecimentos adicionais das
autoridades relativamente às identidades, forças e localização dos grupos que serão desarmados.
12. Contudo, muitas disposições do DDPD não foram implementadas durante vários meses após o incumprimento dos prazos. Isto inclui a transferência de fundos pelo governo central para o Fundo de Desenvolvimento e Reconstrução de Darfur para permitir a implementação de projectos de reconstrução, a primeira verba de ($EUA 200 milhões), devida após a assinatura do DDPD a 14 de Julho de 2011, foi diferida. Em 24 de Abril de 2012, durante a comunicação à Assembleia Nacional sobre o estado de implementação do DDPD, o Presidente do DRA, Dr. El Tigani Seisi, declarou que um défice do financiamento para o DRA e os órgãos associados tinham impedido seriamente a implementação do Acordo.
13. Em 2 de Maio 2012, o GOS do Sudão emitiu dois decretos com vista a acelerar a implementação do DDPD. O primeiro estabelecia um órgão de supervisão, o Alto Comité de Seguimento para a Paz no Darfur, presidido pelo Presidente Omar Hassan Al Bashir. O segundo decreto alargava os membros do Gabinete de Seguimento para a Paz no Darfur, o órgão foi estabelecido a 27 de Agosto de 2011 para coordenar as actividades do DDPD do governo, incluir representantes seniores dos Ministérios da Defesa, Finanças, Negócios Estrangeiros, Informação, Interior, Justiça e Serviços de Informação e Segurança (NISS). O decreto prorrogou igualmente o mandato do Gabinete para incluir contactos com os movimentos não‐signatários e o desenvolvimento de estratégias para a promoção da paz em Darfur. Na sua primeira reunião, decorrida a 16 de Maio de 2012, o Alto Comité de Seguimento analisou um relatório sobre o progresso da implementação elaborado conjuntamente pelo DRA e o Gabinete de Seguimento para a Paz em Darfur. O Gabinete de Seguimento para a Paz em Darfur reuniu‐se igualmente em 4 de Junho de 2012, durante a qual foram criados subcomités do sector político, económico, de segurança e informação para facilitar a implementação nas áreas específicas do Governo.
14. Em 18 de Julho de 2012, as partes do DDPD iniciaram o calendário revisto do DDPD durante uma cerimónia breve que teve lugar na sede do DRA. Estiveram igualmente presentes na cerimónia alguns membros do Comité de seguimento da Implementação (IFC, EUS, Reino Unido, China, EU, LEA, UA, França, Qatar, GOS e oficiais do LJM. As Partes reiteraram o seu compromisso de respeitar o novo calendário do DDPD a fim de trazer mais dividendos de paz ao povo de Darfur. Os representantes do LJM e do GOS agradeceram à comunidade internacional, particularmente a Qatar, pelo seu apoio continuo e cooperação para a implementação do Acordo.
15. Em 16 de Janeiro de 2012, a Implementação da Comissão de Seguimento (IFC) criada ao abrigo do DDPD realizou a sua segunda reunião em El Fasher sob a presidência do Estado do Qatar. A sua terceira reunião teve lugar em Doha, no Qatar, em 28 de Maio de 2012. Na mesma altura, a IFC analisou relatórios apresentados pelas partes signatárias e a UNAMID sobre os progressos feitos na implementação do DDPD. Embora a Comissão tenha felicitado os progressos feitos, manifestou preocupação com os atrasos na criação das instituições
estipuladas para o efeito no DDPD. Os Membros notaram a necessidade de aumentar a inclusividade do processo de paz através do inicio das conversações de paz entre o Governo e os movimentos não‐signatários. Além disso, eles manifestaram preocupação com as implicações negativas para a situação de segurança em Darfur devido às hostilidades entre o Sudão e o Sudão do Sul e apelaram, neste sentido, para o cumprimento da resolução 2046 (2012) do Conselho de Segurança.
III. COMPROMISSOS COM OS MOVIMENTOS NÃO‐SIGNATÁRIOS E DESENVOLVIMENTOS RELACIONADOS
16. Durante o período em análise, o Representante Especial Conjunto (JSR) e o Mediador Principal Conjunto interino (JCM a.i.), Ibrahim Gambari, prosseguiu os seus esforços para a retomada de negociações entre o Governo do Sudão e os movimentos não‐signatários. De 20 a 23 de Fevereiro de 2012, o Prof. Gambari visitou Juba, N’djamena, e Ouagadougou. O principal objectivo das visitas era actualizar os líderes regionais sobre o estado do processo de paz, particularmente sobre o progresso alcançado desde a assinatura do DDPD, e solicitar o seu apoio nas próximas iniciativas de mediação. Todos os líderes expressaram o seu apoio firme às iniciativas de paz construtivas para uma resolução política inclusiva e abrangente.
17. Vários movimentos armados e pequenas facções expressaram à Equipa de Apoio de Mediação Conjunta (JMST) um interesse na realização de conversações com o Governo, usando o DDPD como base para as discussões. Isto incluiu o Comando Revolucionário do JEM‐, o LJM‐ Unity, SLM‐Unity (a facção Adam Abdul‐Aziz) e elementos do Grupo do Roteiro liderado por Ali Daoud. Em 26 de Maio de 2012, o JMST e a UNAMID reuniram‐se em Jebel Kargo (Darfur Central) com os oficiais superiores de uma facção do JEM liderado por Mohammed Bahr para avaliar a credibilidade da facção como uma parte de negociação potencial. Aproximadamente 60 homens armados em viaturas munidas de metralhadoras, cujos comandantes alegavam representar 1.600 combatentes, assistiram a reunião. Os líderes afirmaram a sua lealdade a Mohammed Bahr e a sua disponibilidade para iniciar conversações com o Governo. A equipa de avaliação não conseguiu verificar a força militar da facção livremente.
18. De 24 a 25 de Janeiro de 2012, o Movimento de Justiça e Igualdade (JEM) realizou a sua 6ª Convenção Geral. Gibril Ibrahim, o irmão do líder fundador do JEM, emergiu como um novo líder do Movimento. De acordo com um comunicado de um oficial do JEM, a Convenção adoptou várias resoluções, incluindo a luta por um novo Sudão com dignidade, honra e justiça; e vingança pelo “assassinato” de Khalil Ibrahim. O JEM também rendeu homenagem a liderança do SPLM/A e as suas forças pela sua luta por um novo Sudão. O comunicado não fez referência ao processo de paz. 19. Desde o falecimento de Khalil Ibrahim e mesmo depois da eleição de um novo líder, um o JEM e todos os outros movimentos não‐signatarios recusaram um acordo sobre a via a seguir
para uma resolução negociada em Darfur. Todas as tentativas do JSR/JCM a.i. para compromete‐los nesse sentido têm sido frustradas até agora. Em vez disso, o JEM, o SLM/A (Minni Minawi) e o SLM/A (Abdul Wahid) mantiveram uma postura beligerante e intensificaram o seu envolvimento na aliança da Frente Revolucionaria Sudanesa (SFR) com o SPLM/A (Norte) que tem por objectivo mudar o regime no Sudão. Em 19 de Fevereiro de 2012, uma patrulha da UNAMID de longo alcance a partir da Equipa de Umm Baru para Shegeg Karo no Norte de Darfur foi impedida de cumprir as suas actividades por uma centena de combatentes do JEM. Eles detiveram igualmente dois auxiliares linguísticos sudaneses e um consultor da polícia do Iémen, acusando‐os de serem espiões da UNAMID a cargo do GOS contra o Movimento. As negociações foram lentas, seguidas de uma grande demonstração de força de dissuasão, para terminar com o impasse e garantir a libertação dos membros da equipa da patrulha.
20. Em 20 Fevereiro de 2012, as SRF elegeram Malik Agar do SPLM‐Norte como seu Presidente, e em 25 de Fevereiro, as SRF anunciaram formalmente a composição do seu Conselho de Liderança. O Sr. Abdel Aziz Alhilo, outro chefe do clã SPLM/A, foi nomeado comandante da chefia militar conjunta. O Sr. Abdel Wahid Al‐Nur (SLA/M‐AW) foi nomeado Vice‐Presidente dos Assuntos Políticos e Regulamentares; o Sr. Minni Minawi (SLM/A‐MM), Vice‐Presidente dos Assuntos Administrativos e Financeiros; e o Sr. Gibril Ibrahim (JEM), Vice‐ Presidente das Relações Exteriores e Assuntos Humanitários. Em 26 de Fevereiro, a Frente lançou uma operação conjunta contra as SAF em Jau, no Sul do Kordofan.
21. Em 9 de Abril de 2012, o JSR/JCM a.i. reuniu‐se com representantes do (JEM) em Londres e, em 15 de Maio de 2012, com o SLA‐Minni Minawi e o SLA‐Mother, em Kampala. Contudo, os movimentos reiteraram o seu compromisso com os objectivos da Frente Revolucionaria do Sudão, incluindo a destituição do Partido do Congresso Nacional (NCP) liderado pelo Governo. A Mediação continua a envolver movimentos rebeldes e haverá outra reunião com uma das principais facções prevista numa capital europeia nos próximos dias. 22. Num comunicado emitido a 1 de Junho de 2012, na sequência da sua Terceira reunião da liderança executiva num local secreto, as SRF, entre outras coisas, reiteraram o seu objectivo de derrubar o regime do Partido do Congresso Nacional, apelando os grupos de oposição para se unirem e trabalharem com a aliança. Vários movimentos armados e pequenas facções de Darfur informaram a equipa de Apoio de Mediação Conjunta durante o período em análise que se juntaram à SRF, incluindo a SLA‐Democracy, a SLA‐Mother e a SLA‐Unity (facção Abdalla Yahya). IV. SITUAÇÃO HUMANITÁRIA E DE SEGURANÇA 23.Registaram‐se confrontos esporádicos entre o Governo e as forças do movimento durante o período em análise, particularmente no Sul e no Leste do Darfur. A UNAMID recebeu informações sobre combates entre as Forças Armadas sudanesas (SAF) e as forças do movimento não identificadas em 17 de Abril de 2012, em Samaha; Saysaban e Um Darfok (Sul
de Darfur); e em 19 de Abril de 2012, em Songo (Sul de Darfur). Um porta‐voz do SLA‐Minni Minawi reivindicou o envolvimento nos confrontos em Um Dafok. A UNAMID confirmou o combate em Samaha (Leste de Darfur), mas não conseguiu verificar os outros incidentes no Sul do Darfur devido às restrições impostas pelas autoridades do governo local. As agências humanitárias prestaram assistência a 19.000 civis desalojados devido aos combates de Samaha nas aldeias vizinhas.
24.Em 8 de Maio 2012, as forças do LA‐Minni Minawi tomaram o controlo de Geraida (95 km no sul de Nyala, sul de Darfur) das SAF, até que as forças governamentais retomassem o controlo da cidade no dia seguinte. A UNAMID registou a morte de 14 soldados e policias governamentais e de dois feridos; as lojas e instalações do governo foram destruídas e o mercado foi pilhado de gasolina e outros aprovisionamentos. No Norte de Darfur, as forças armadas do movimento fizeram uma emboscada às viaturas militares das SAF em Dobo Umda (90 km no sudoeste de El Fasher, Norte de Darfur) a 26 de Junho de 2012. 25.As autoridades do Governo informaram à UNAMID que elementos da Frente Revolucionária e do SPLA tomaram o controlo de Kafindebei (275 km do sudoeste de Nyala, no Sul de Darfur) das SAF em 29 de Abril de 2012. Um porta‐voz das SAF indicou que as forças governamentais retomaram o controlo da cidade a 7 de Maio. De acordo com fontes locais, 7.000 civis foram deslocados devido aos combates. Além disso, o Governo do Sudão alegou que os elementos do SPLA conduziram operações nas proximidades do Sul de Darfur‐na fronteira ocidental de Bahr El Ghazal em Al Miram e em Um Dafok, a 17 e 18 de Maio de 2012, e em Kafia Kingi, Siri Malga e no leste de Samaha, em 22 e 24 de Maio de 2012.
26.A 16 e 17 de Abril de 2012, homens armados não identificados atacaram o campo residencial de Sharif no Sudeste do Sudão (125 km do leste de El Daein, no leste do Darfur) e o campo de Khor Omer em El Daein (leste de Darfur), respectivamente. Três sudaneses do Sul ficaram feridos no primeiro incidente e quatro no segundo. A UNAMID reforçou a patrulha nos campos e a polícia do Governo reforçou a segurança com 24/7 homens em 11 campos no leste de Darfur que albergam comunidades do Sul do Sudão. De acordo com a avaliação da Crescente Vermelho concluída em Março de 2012, 60.000 pessoas de origem sudanesa residem actualmente no Sul e no Leste no Darfur.
27.Durante o período em análise, o Grupo de Trabalho de Repatriamento e Reintegração, conduzido pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, confirmou que 37,444 PDI e 1,145 refugiados regressaram voluntariamente as varias localidades em Darfur entre 1 de Janeiro e 31 de Março 2012. Entre os quais, 29,654 PDI e 1,145 refugiados regressaram as localidades no Oeste de Darfur e 7,790 PDI as localidades no Norte de Darfur.
28. A insegurança alimentar constitui um dos maiores problemas em várias partes de Darfur devido à fraca colheita do ano passado. Uma avaliação pós‐colheita conduzida pelo Programa Alimentar Mundial em Abril identificou um défice alimentar de aproximadamente 140.000
toneladas de cereal tanto no Norte como no Sul de Darfur; e uma aumento de 25 por cento nos preços de produtos agrícolas e da pecuária nos estados desde o inicio do ano.
29.A situação de segurança segundo o pessoal humanitário e das Nações Unidas em Darfur continua a constituir uma fonte de preocupação. Os actos criminosos contra o pessoal da UNAMID causaram a morte de um soldado de manutenção da paz e três ficaram feridos quando, em 20 de Abril de 2012, um grupo de homens armados não identificados atacaram uma unidade da polícia constituída da UNAMID perto de Mournei (70 km sudeste de El Geneina, Oeste de Darfur). Em 13 de Maio de 2012, quatro membros nacionais do Comité Internacional da Cruz Vermelha foram sequestrados em 28 de Abril na zona de Fata Borno (100 km noroeste de El Fasher, Norte Darfur) por assaltantes não identificados, e foram libertados em Kabkabiya (a 135 km do oeste de El Fasher, Norte do Darfur). Um funcionário do Programa Alimentar Mundial sequestrado em Nyala a 6 de Março de 2012 foi libertado a 30 de Maio de 2012. As investigações a cargo das autoridades nacionais prosseguem. V.OPERAÇOES DA UNAMID 30.Na altura da finalização deste relatório, o reforço do pessoal da UNAMID elevava‐se a 86 por cento do reforço aprovado de 5.285 (1.106 de pessoal internacional, 2.961 de pessoal nacional e 474 de Voluntários das Nações Unidas). O pessoal militar da UNAMID compreende 17.033 ou seja 87.71 por cento do reforço autorizado de 19.555 compreendendo 17.450 das tropas, 323 oficiais, 299 observadores militares e 77 oficiais de ligação. O reforço do pessoal da UNAMID eleva‐se a 3.224 (85 por cento de homens e 15 por cento de mulheres) representando 85.47 do reforço autorizado de 3.772. Já foram mobilizados 16 elementos dos 19 autorizados da Unidade da Policia Constituída. Um reforço adicional da PFU do Djibuti está previsto para Agosto de 2012. O número de pessoal da polícia constituída é (2.236 ou 84.06 por cento do reforço autorizado de 2.660). Contudo, as deficiências operacionais e auto‐suficiência do contingente militar e da polícia constituem outra fonte de preocupação. Das 54 unidades desdobradas para a UNAMID, o número que correspondia às necessidades de equipamento pertencente ao contingente tal como estipulado no memorando de entendimento equivalia a 25.
31.Nos últimos três meses, a UNAMID conduziu 12.783 patrulhas, incluindo 5.727 patrulhas de rotina, 2.801 patrulhas logísticas e administrativas, 1,788 patrulhas nocturnas, 1.089 patrulhas de curto alcance, 914 escoltas humanitárias e 464 patrulhas de longo alcance. A polícia da UNAMID conduziu na totalidade 12.507 patrulhas, incluindo 7.180 nos campos dos PDI, 3.021 nas cidades e aldeias, 1.807 patrulhas de médio alcance, 277 patrulhas humanitárias e 222 patrulhas de longo alcance. Além disso, a UNAMID continuou a reforçar a protecção de civis. Um reforço de 60 funcionários com competência em assuntos de foro civil, direitos humanos, ligação humanitária e estado de direito foram destacados para a missão da UNAMID e os quartéis do estado para 26 equipas locais. Isto totaliza 82 funcionários destacados nesta capacidade para os locais em todo o Darfur.
32.Em 1 de Abril de 2012, o Governo avisou formalmente à UNAMID através de uma Nota Verbal sobre a sua decisão de não conceder mais vistos de entrada a polícias civis que não dominam a língua árabe. A UNAMID continuou a exortar os oficiais do Governo para aprovarem urgentemente todos os pedidos de concessão de vistos independentemente da capacidade linguística dos requerentes a fim de permitir que a Missão seja adequadamente diversificada incluindo em relação às mulheres.
33.Relativamente à liberdade de circulação do pessoal da UNAMID, entre 1 de Janeiro e 30 de Junho de 2012, a circulação da Missão via terrestre foi restringida 58 vezes. Quanto às suas operações aéreas, durante o mesmo período, as autoridades governamentais recusaram 473 dos 9,497 pedidos de voos. Os mesmos incluíam restrições intermitentes impostas pelas autoridades governamentais sobre voos entre Khartoum e El Fasher de 3 a 12 de Maio e entre Khartoum, El Fasher e Nyala de 10 a 12 de Junho enquanto as operações aéreas das SAF em Darfur prosseguem.
34. Além disso, em 20 Abril de 2012, as autoridades governamentais, citando acções planeadas ou militares em curso, informaram à UNAMID e às organizações humanitárias que o acesso as áreas de Tulus, Buram, Edd al Fursan, Kafia Kingi, Kafindebei e Um Dafok no Sul de Darfur estavam interditas. O acesso também foi intermitentemente interdito em Shaeria e Labado (Sul de Darfur) e em Shangil Tobaya, Dar al Salam e Thabit (Norte de Darfur) durante o período em análise. A maior parte das restrições foram impostas nas áreas em que supostamente havia combates militares em curso ou já terminados e onde as autoridades suspeitaram a presença de movimentos de forças armadas não‐signatários.
35.A UNAMID continuou a apelar os representantes do Governo do Sudão a todos os níveis para permitir à missão circular livremente e sem quaisquer restrições. Durante a 13ª reunião Tripartida entre as Nações Unidas, União Africana e o Governo do Sudão em 23 de Junho de 2012, as restrições de acesso foram o principal objecto de discussão. Os oficiais do Governo aproveitaram a ocasião da reunião para reiterarem aos seus comandantes no terreno que as autoridades podiam fornecer conselhos de segurança à UNAMID, mas não podiam prever o procedimento das suas actividades.
36. Em conformidade com os pedidos contidos na resolução 2003 (2011) do Conselho de Segurança, um exercício de revisão do pessoal uniformizado da UNAMID foi realizado no inicio deste ano. Foi realizado em conjunto pela NU, UNAMID e a Comissão da UA. O principal objectivo da revisão era procurar meios para reforçar a eficácia e eficiência da Policia e dos Militares da UNAMID e promover uma força flexível e móvel. A revisão focalizou a necessidade de reconfigurar e repor o nível das tropas actuais para reflectir a situação de segurança, e preencher as necessidades adicionais no âmbito do mandato da implementação, tal como o apoio à implementação do DDPD.
VI.OBSERVAÇÕES
37.No seu relatório endereçado ao Conselho de Segurança da NU sobre o ‘Quadro de Facilitação da União Africana e das Nações Unidas para o processo de paz em Darfur’, o Secretário‐Geral da NU propôs uma via a seguir para revitalizar o processo de paz em Darfur. O Quadro tem três pilares: (a) implementação total e atempada do DDPD; (b) compromisso com o Governo do Sudão e movimentos não‐signatários; e (c) dialogo interno e consultas. Por sua vez, o Mediador Principal Conjunto a.i., Professor Ibrahim Gambari, tem continuado a trabalhar com o Vice‐Primeiro‐Ministro do Qatar Ahmed bin Abdullah Al Mahmoud para reiniciar o diálogo entre o Governo do Sudão e os movimentos não‐signatários do DDPD. A União Africana apoia esta abordagem.
38.Em termos de segurança, a situação em Darfur aponta melhorias positivas a curto prazo. De modo geral, o número de incidentes de segurança registado pela UNAMID demonstra uma redução de hostilidades entre as forças do governo e movimentos armados, em comparação com o mesmo período há um ano atrás. Contudo, houve um aumento de banditismo e outras actividades criminosas, enquanto os ataques por indivíduos armados não identificados contra as escoltas da UNAMID, aparentemente esporádicos, também tem aumentado. A habilidade reforçada da UNAMID em proteger os civis permite à Missão reajustar a sua mão‐de‐obra e recursos para abordar algumas das grandes necessidades das comunidades locais. As patrulhas militares estão a cobrir agora uma grande área geográfica, embora a Missão continue a melhorar contactos com as comunidades locais através da implementação do Projectos de Impacto Imediato (QIPs).
39.O acordo bilateral alcançado pelo Chade e o Sudão no inicio de 2010 contribuiu significativamente para a restauração da calma ao longo da sua fronteira comum no Oeste de Darfur. Registou‐se igualmente um aumento considerável do número de PDI que regressaram voluntariamente às suas localidades de origem, particularmente no Oeste de Darfur. A UNAMID continua a fornecer apoio logístico e de segurança às agencias humanitárias no terreno. Contudo, cerca de 1.7 milhões de mulheres, homens e crianças permanecem deslocadas em vários campos de PDI espalhadas através de Darfur. Esta situação não pode perdurar.
40. Grande parte da população local considera agora o DDPD uma base legítima para construir um futuro de partilha comum. Contudo, ainda persistem muitos desafios para a paz sustentável em Darfur, incluindo o cepticismo de certos segmentos da população. A fim de abordar esta falta de confiança, é importante que o Governo do Sudão continue a implementar o DDPD fielmente e empoderar os mecanismos prescritos no acordo. Além disso, as instituições do DDPD necessitam de uma grande assistência em termos de capacitação.
41.A paz sustentável avizinha‐se, mas o caminho a percorrer é árduo. O progresso feito até agora permanece frágil e poderia ser facilmente revertido se o foco em Darfur for descurado. Por conseguinte, não há tempo a perder. Muito pelo contrário tal como a Conferencia citou durante a sua 19ª Sessão Ordinária, o Conselho poderia fazer um apelo aos esforços renovados para fornecer apoio necessário ao processo de paz e às iniciativas imediatas de recuperação.
42.É neste contexto que gostaria de realçar, particularmente na ausência de uma resolução abrangente do conflito em Darfur, que a UNAMID deveria continuar a contribuir para a protecção de civis, facilitar a distribuição de ajuda às populações vulneráveis e prestar assistência as partes signatárias nos seus esforços para a implementação do DDPD. Em conformidade, recomendei ao Conselho para reconsiderar a prorrogação do mandato da UNAMID para um ano.
43.Em conclusão, gostaria de agradecer o JSR/JCM, Ibrahim Gambari, pelo seu trabalho incansável e contributo para os esforços de manutenção de paz em Darfur, bem como o seu compromisso contínuo com os grupos rebeldes resistentes, em coordenação com os Catarianos. Gostaria igualmente de manifestar o meu apreço aos Estados‐Membros que contribuíram com pessoal militar e policias para a UNAMID, e as Nações Unidas pela sua parceria contínua na manutenção de paz em Darfur. Finalmente, gostaria de expressar o meu sincero apreço as mulheres e homens da UNAMID e a comunidade humanitária que trabalharam incansavelmente em circunstâncias muitas vezes difíceis e cheias de desafios para dar assistência a população da região.