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O FENÔMENO BULLYING NO CONTEXTO ESCOLAR

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Anais da

Semana de Pedagogia da UEM

ISSN Online: 2316-9435 XX Semana de Pedagogia da UEM

VIII Encontro de Pesquisa em Educação / I Jornada Parfor

O FENÔMENO BULLYING NO CONTEXTO ESCOLAR

BUZATTO, Jaqueline de Medeiros [email protected] - CRC/UEM. PAINI, Leonor Dias (Orientadora PIC)

[email protected] DTP/UEM. PINGOELLO, Ivone (Co-orientadora)

[email protected](UEM)

Formação de professores e intervenção pedagógica .

INTRODUÇÃO

Este estudo é resultado de um projeto de PIC (Programa de Iniciação Científica) que teve o intuito de verificar a incidência do fenömeno bullying em sala de aula. Ao mesmo tempo procurava compreender a sua dinâmica para que os professores possam vir a atuar de modo preventivo na gênese desse problema. O Bullying caracteriza-se por ser uma agressividade repetitiva e com desnível de poder entre agressor e agredido, onde aquele se prevalece da força física, habilidade ou por estar em grupo para agredir, discriminar, humilhar, ameaçar e extorquir um aluno que seja menor que ele, não tenha habilidade de defesa e esteja sozinho denominado de vítima e o terceiro denominado de espectador.

Os estudos sobre bullying são recentes, as primeiras pesquisas a respeito do fenômeno surgiram somente nas últimas décadas e o interesse sobre o assunto tem aumentado mundialmente. Olweus (1996), da Universidade de Bergen, Noruega é citado como o primeiro pesquisador a realizar pesquisas específicas sobre o bullying.

No Brasil as primeiras pesquisas referentes ao fenômeno foram feitas pela Associação Brasileira de Proteção a Infância e ao Adolescente – Abrapia, sob a coordenação de Aramis A. Lopes Neto e Lucia Helena Saavedra e por Cleo Fante, cujos resultados, em 2005, foram publicados no livro de sua autoria “Fenômeno bullying: como prevenir a violência nas escolas e educar para a paz”. Estas pesquisas revelaram que o bullying está presente nas escolas brasileiras, independente de sua localização, tamanho, séries atendidas, se são públicas ou privadas e o lugar indicado como de maior incidência do fenômeno foi a sala de aula (LOPES NETO & SAAVEDRA, 2003; FANTE, 2005).

O mapeamento deste fenômeno no Brasil, voltamos nossos estudos para a ocorrência do bullying em sala de aula pois acreditamos que para prevenir e conter este problema nas

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escolas, deve-se conhecê-lo primeiramente, compreender sua dinâmica para atuarmos preventivamente na gênese do problema.

A nossa contribuição é pesquisar a existência do bullying para assim contribuir com o desenvolvimento de projetos que busquem o controle desse nocivo fenômeno social.

Esta investigação propõe-se a detectar a incidência do fenômeno bullying para direcionar futuros projetos de prevenção e intervenção. Isto se justifica pela incidência de casos de bullying e como desdobramento, por exemplo, quando o aluno é alvo do bullying, não consegue concentrar-se nas atividades dentro da sala de aula, o seu pensamento fica direcionado em favor da ideia de defesa e diante da dominação e da agressão do colega.

Fante (2005) esclarece que o medo constante funciona como um bloqueio para o bom funcionamento mental, prejudicando as funções de raciocínio. A autora ainda cita as reações de estresse que mais prejudicam o estudante, como taquicardia, Sudorese, sufocação, cólicas, náuseas, vômitos, diarréias, além desses distúrbios, somam-se pensamentos destrutivos, como a idéia de vingança e de suicídio, que podem ser exteriorizados contra a própria instituição escolar que esta sendo palco de seu sofrimento (FANTE 2005).

Fica evidente que um aluno em tais condições terá dificuldades em apresentar um bom desempenho escolar, e sua dificuldade em pedir ajuda, por medo de retaliação dos autores da agressão ou por indiferença dos adultos e da própria escola, só irá agravar a situação.

As vítimas de bullying, envergonhados por sua condição de indefensão, pouco manifestam-se em sala de aula, sua participação em apresentações de trabalho é quase nula e dificilmente vão fazer algum questionamento, pois não querem chamar a atenção para si. O sentimento de vergonha é produzido por uma autoestima baixa, é a formação de seu juízo de valor, os ataques e as ofensas são tão repetitivos que acabam embutidos no aluno uma imagem negativa de si mesmo, esta queda na autoestima, segundo Zagury (1949) pode produzir o insucesso nos estudos.

Revisando pesquisas dirigidas aos estudos das relações entre alunos, Coll e Colomina, (1996) concluem que alunos que trabalham em colaboração aprendem uns com os outros, aplicam estratégias novas para a solução das atividades promovendo um avanço substancial sem que nenhum deles ocupe o lugar de instrutor, ou seja, não há um aluno ensinando e outros aprendendo, todos aprendem ao mesmo tempo. É trocando idéias que os alunos podem exercer os papéis sociais e têm a oportunidade de transmitir informações elaboradas a partir de conhecimentos prévios, podem cooperar no entendimento de determinadas questões em que os demais têm dificuldades, têm oportunidade de formar um juízo moral e de valor e usar

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de sua autonomia para argumentar em favor de seu ponto de vista ou reconhecer visões diferentes, incrementando a sua própria visão (COLL e COLOMINA, 1996).

Em todas as experiências de aprendizagem, as relações interpessoais aparecem como sendo mais importantes para o sujeito; o modo de atuar, de reagir, de compreender só se expressa nas relações com outras pessoas. Por este motivo nossa preocupação neste trabalho volta-se para o estudo das exclusões ocorridas em sala de aula, em específico a provocada pelo fenômeno bullying que tem como origem a falta de tolerância e respeito às características diferenciais do outro, que é visto como alguém insignificante que pode ser usado como instrumento de diversão.

Percebemos que o bullying interfere diretamente no processo de aprendizagem do aluno quando este se isola, se distancia das redes sociais, o que justifica uma intervenção por parte dos educadores, pois educar é socializa.

As ocorrências de bullying provocam na criança ou adolescente, baixa autoestima, medo, ansiedade e baixo rendimento escolar, pois o aluno tende a evitar o ambiente que lhe causa sofrimento, recusando-se ir para a escola ou isolando-se dos demais alunos, retraindo-se, e em casos mais extremos, pode levar o aluno ao pensamento suicídia. Podem atingir a vida adulta com dificuldades de se adaptarem ao ambiente de trabalho, como afirma Fante (2005).

As vítimas podem apresentar características diferenciadas que, segundo Fante (2005) podem ser classificadas em:

Vítima típica: apresenta aspecto físico de sensibilidade, timidez, passividade, submissão, insegurança, baixa auto-estima, dificuldade de aprendizagem, ansiedade, aspecto depressivo e coordenação motora deficiente. Fisicamente é mais frágil, comparado com o aspecto de seus companheiros, tem medo de sofrer algum dano, de ser fisicamente ineficaz nos esportes e nas brigas, tem dificuldades de se impor e não apresenta comportamento agressivo. Geralmente relacionam-se melhor com adultos do que com crianças de sua idade.

Vítima provocadora: é o aluno provocador, mas que não possui habilidades para lidar com as conseqüências de suas provocações. Briga quando é atacada, mas não consegue resolver a situação. Pode apresentar características de hiperatividade ou ser inquieta, dispersiva e ofensora.

Vítima agressora: é o aluno que transfere todo seu sofrimento para outro, reproduzindo as agressões sofridas em um aluno mais frágil que ele. Contribui com o aumento no número de vítimas.

Agressor: Poder ter a mesma idade ou ser mais velho que sua vítima, pode ser fisicamente maior, ser mais dinâmico nos esportes e nas brigas. Vangloria-se de sua

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superioridade, intimida, ameaça, domina e subjuga os outros alunos. Tem dificuldades em aceitar normas, irrita-se com facilidade e não aceita ser contrariado, é visto como o aluno mal, frio e antipático. Pode se envolver em condutas anti-sociais, como o roubo, vandalismo e consumo de bebida alcoólica.

Espectador: é o aluno que testemunha todo o sofrimento da vítima, mas não tem coragem de denunciar por medo de represália dos agressores. Com medo de se transformar no próximo alvo, o aluno que testemunha as agressões tende a se afastar da vítima, contribuindo com o processo de exclusão. (FANTE, 2005, p.72)

Entre as principais vítimas estão os alunos que são considerados estudiosos, o aluno gentil e generoso que é mal interpretado na escola e rotulado como fraco ou gay (COSTANTINI, 2002); aqueles que demonstram seus sentimentos e não fazem o tipo machão, não atendendo as exigências do “código dos meninos” (DEVINE, 2002, p.220); as meninas que não se enquadram no padrão Barbie, que não possuem peso ou medidas dentro dos padrões ditados pela moda (MIDDELTON-MOZ e ZAWADSKI,2007).

Como conseqüência do bullying a vítima tende a se isolar dos demais alunos por vergonha de si mesmo, medo de ser ridicularizada por não enquadrar-se nos padrões definidos como aceitáveis com medo de chamar a atenção dos seus agressores ( FANTE e PEDRA, 2008).

Os bullies (agressores) escolhem os alunos que estão em fraca desigualdade de poder, seja por situação socioeconômica, situação de idade, de porte físico ou até porque numericamente estão desfavoráveis. Além disso, as vítimas, de forma geral, já apresentam algo que destoa do grupo (são tímidas, introspectivas, nerds, muito magras; são de credo, raça ou orientação sexual diferente, etc.). Este fato os torna pessoas mais vulneráveis aos ofensores. Não há justificativas plausíveis para a escolha, mas certamente os alvos são aqueles que não conseguem fazer frente ás agressões sofridas ( SILVA, 2010).

Diversos autores têm se esforçado para formular propostas de prevenção e tratamento do bullying, sugerindo estratégias que vão desde grandes assembléias para discutir os problemas, até outros que tratem de exercícios de sensibilização. Del Rey e Ortega (2001) organizam esses diferentes programas dentre os quais são destacados os seguintes:

- Estratégias de círculos de qualidade (assembléias): que consistem em promover a identificação, análise e resolução de problemas em comuns.

- Estratégias de mediação de conflitos: Consiste na formação de mediadores de conflitos, sejam, pais, alunos ou professores que atuarão nos momentos de crise.

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atuem como conselheiros e ajudem a outras crianças e adolescentes que sofrem bullying acolhendo-os em suas dificuldades.

Todo e qualquer programa que almeja a prevenção e intervenção ao bullying escolar deve partir do conhecimento da realidade, discussão e planejamento do percurso que se quer percorrer e estabelecer os objetivos que se deseja atingir. Para isto, o primeiro passo e o levantamento de dados que nos possibilite mapear a realidade que se deseja modificar, procedimento que pode ser feito com a aplicação de questionário, como demonstraremos abaixo.

METODOLOGIA

Pesquisa de caráter teórico-prático no qual foi aplicado o questionário semi-aberto seguindo as orientações metodológicas da escritora e educadora Cléo Fante em que se utilizou como fonte de coletas de dados. Foram 19 sujeitos de pesquisa para uma turma de 6º ano de uma escola publica. Como instrumento de pesquisa, a autora utilizou-se de um questionáriosemi-aberto. Os sujeitos de pesquisa foram 19 participantes, sendo 12 meninos e 7 meninas regularmente matriculados no 6º ano do ensino fundamental do período vespertino de uma escola municipal da cidade de Cianorte, no estado do Paraná.

RESULTADOS

O questionário foi aplicado no dia 13 de setembro de 2011 com o acompanhamento da professora responsável pela turma. Os alunos foram orientados a ouvirem a leitura de cada questão feita pela pesquisadora e, em seguida, responder a questão, ou seja, a questão foi lida, foi dado um tempo para que os alunos pudessem respondê-la e assim foi feito sucessivamente com todas as questões.

As respostas dadas aos questionários foram calculadas percentualmente, o percentual das respostas foi calculado somente sobre as respostas válidas. Os resultados seguem abaixo:

Da questão de número 1 à questão de número 7 da primeira parte do questionário, a análise que se pretende fazer é referente às vítimas de bullying.

Uma das características mais nefastas do bullying é a exclusão, a falta de amigos e o isolamento, por este motivo, na primeira questão do questionário procuramos saber quantos

bons amigos o aluno considerar ter na escola. A tabela abaixo expõe o resultado da questão: Tabela 1.Número de amigos

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Apenas um bom amigo 1 5

Dois ou três bons amigos 6 32

Quatro ou cinco bons amigos 5 26

Mais de seis bons amigos 7 37

Não tenho nenhum bom amigo 0 0

Total 19 100,0

Observa-se que a maioria, que corresponde a 37% dos participantes, declarou ter mais de seis bons amigos, seguindo a tendência de socialização promovida pelas interações ocorridas no âmbito escolar.

Na questão dois o objetivo foi identificar o percentual de vítimas de bullying nas turmas pesquisadas. Nesta questão tivemos 3 respostas em branco ou nulas e dos 16 alunos que a responderam, 44% responderam que já foram maltratados mas não são mais e 19% responderam que começaram a ser maltratados a partir deste ano. 37% dos alunos que responderam esta questão disseram que não são maltratados por colegas da turma.

Na questão três procura-se saber quais os tipos de maltratos recebidos:

- Em primeiro lugar, 27% dos alunos apontaram que os maltratos recebidos são os apelidos; - Em segundo lugar com 10% cada, foi apontado os maltratos: xingamentos, ameaças, fofocas, risadas e escondem ou estragam objetos.

- Em terceiro lugar,com 7% das respostas, os alunos apontam o recebimento de socos; - Em quarto lugar foi apontado o isolamento, com 3% das respostas.

Nesta questão 13% dos alunos responderam que nunca foram maltratados e tivemos um total de 4 respostas em branco ou nulas.

Em relação a freqüência dos maltratos recebidos, questão 4 do questionário, 23% declararam receber maltratos uma ou duas vezes por mês, 12% disseram que são maltratados uma vez por semana, 12% disseram que são maltratados várias vezes por semana e também 12% disseram que são maltratados todos os dias. Tivemos um total de 2 questões em branco ou nulas nesta questão.

A questão 5, que se refere ao local em que os alunos recebem os maltratos os resultados apontam que: 26% declararam receberem os maltratos na sala, sem o professor; 21% declararam serem maltratados no pátio do recreio; nas respostas aparecem juntos com 11% cada o local na sala de aula com a presença do professor e no transporte escolar e 5% dos alunos indicaram o portão da escola com local em que recebem os maltratos. Nesta questão 26% dos alunos alegaram nunca terem sido maltratados. Nesta questão, houve um total te 5 respostas em branco ou nulas.

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Ao ser perguntado como se sentem ao serem maltratados na questão 6: 33% dos alunos disseram que se sentem magoados; 19% disseram sentir outras formas de maltratos que não foram citadas no questionário; 14% disseram se sentirem tristes; 10% disseram se sentirem chateados e indefesos. Nesta questão tivemos 14% de alunos alegando nunca terem sido maltratados na escola e um total de 3 respostas em branco ou nulas.

Questionados se contam e para quem contam sobre os maltratos recebidos, questão de número 7, 40% disseram nunca terem contado para ninguém e 20% disseram ter contado para o professor(a) e para os colegas ,13% responderam ter contado para a direção escolar e 7% disseram ter contado para os familiares. Nesta questão não houve alunos que responderam nunca terem sido maltratados na escola, representando 0%, e tivemos um total de 8 respostas em branco ou nulas.

Da questão 1 à questão de número 5 da segunda parte do questionário, o índice que se pretende levantar é o número de alunos que estão envolvidos com a prática de bullying.

Na questão 1 perguntamos: Você já maltratou seus colegas de escola? Das 18 respostas válidas, sendo que uma apresentou-se em branco, 66% dos alunos disseram que nunca maltrataram seus colegas de escola; 22% responderam que já maltrataram, mas não maltratam mais e apareceram juntas com 6% cada as respostas que começaram a maltratar a partir deste ano e que maltratam sim, porque já foram maltratados. A primeira opção do questionário, referente à resposta “sim, desde o ano passado” não foi assinalada por nenhum aluno

Na questão 2, quanto aos tipos de maltratos praticados, os percentuais de respostas foram:

- Em primeiro lugar, com 15% das respostas aparece o comportamento de ficar de mal dos colegas;

- Em segundo lugar, com 8%, os alunos assinalaram a resposta 10 que corresponde a outras formas de maltratos que não os citadas como opções de respostas.;

Nesta questão, 77% dos alunos disseram que nunca maltrataram colegas de escola e tivemos um total de 6 respostas em branco ou nulas.

As freqüências dos maltratos praticados, análise da questão 3, revela que 13% dos alunos que praticam maltratos contra outros alunos, o praticam de uma a duas vezes por mês. As demais opções de respostas quanto à freqüência não foram assinaladas por nenhum aluno, representando 0%. Tivemos um total de 87% dos alunos respondendo que nunca maltrataram colegas de escola e um total de 4 respostas em branco ou nulas.

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análise da questão 4, a única alternativa assinalada foi a de número 03 que se refere ao pátio do recreio, com 12.5% das respostas. As demais respostas aparecem com 0%. Tivemos nesta questão um percentual de 87,5% dos alunos alegando nunca terem maltratado colegas de escola e um total de 3 respostas em branco ou nulas.

A questão de número 5 procura saber o que sentem os alunos ao praticarem os maltratos, os resultados apontaram que 29% disseram sentir raiva de si próprio e 14% disseram não sentir nada. Nesta questão 57% do alunos disseram que nunca maltrataram colegas na escola e houve um total de 12 respostas em branco ou nula.

Da questão 1 á questão 3 da terceira parte do questionário o que se pretende verificar é o índice de alunos que são expectadores, ou seja, os que já presenciaram colegas da escola sofrendo bullying.

Na questão 1 foi perguntado se já haviam presenciado colegas praticando bullying. As respostas válidas, num total de 15, com 5 respostas em branco ou nulas, o resultado mostra que 43% dos alunos declararam nunca terem presenciado os colegas praticando bullying; 36% responderam que presenciaram várias vezes; 21% responderam que presenciaram apenas uma vez.

Na questão 2 perguntamos o que fazem ao presenciar colegas praticando bullying e o resultado mostra o seguinte: 24% dos alunos disseram que pediram para os agressores pararem e 15% responderam que defenderam a vítima. 61% dos alunos responderam que não presenciaram colegas praticando bullying, num total de 13 respostas válidas.

Questionados sobre o que sentem ao presenciarem colegas praticando bullying, questão 3, as respostas dos 19 alunos foram: 29% responderam que ficaram tristes; 24% disseram que ficaram com medo de acontecer com eles;

19% disseram que não presenciaram; 14% disseram que se sentem chateados; 9% disseram que não sentem nada, pois fazem bullying com eles também e 5% disseram que não sentem nada pois acham que são brincadeiras.

Foi perguntado na questão 4: Por que você acha que alguns colegas praticam bullying na escola? E as respostas foram as seguintes, conforme tabela abaixo:

Tabela 2.Hipóteses sobre as motivações do agressor

Porque praticam bullying f %

Querem ser populares 13 18

Porque fazem bullying com eles 2 3

Porque são maus 6 8,3

Por diversão 10 14

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Se acham melhores que os outros 14 19,4

Porque não são punidos 8 11

Porque os adultos ignoram o bullying 7 10

Porque as vítimas merecem 1 1

Total 72 100,0

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A violência merecedora de maior atenção é aquela vista a olho nu, são as agressões físicas e ao patrimônio; a violência verbal, ofensas, apelidos pejorativos e intimidações que geram a exclusão, são mascaradas pela fase de desenvolvimento da criança, por brincadeiras próprias da idade e, quando reconhecidas como comportamentos inadequados, são definidas como, no máximo, falta de respeito, que se resolve fazendo cara feia para a criança e declarando que aquilo é feio, que não pode, sem explicar porque não pode, porque é feio. A partir da Constituição de 1988 (BRASIL, 1988), os preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação passaram a ser considerados crimes inafiançáveis e imprescritíveis, sujeito a pena de reclusão. Se tais atos são inaceitáveis para os adultos, sob pena de prisão ou pagamento de indenizações por danos morais causados, por que tais atitudes nas crianças são vistas como brincadeiras próprias da idade? Devemos atentar para atitudes de discriminação e racismo na infância se queremos realmente abolir tais comportamentos nas gerações futuras. Diante destas reflexões podemos sugerir a necessidade da implantação de programas de intervenção ao comportamento bullie nas séries iniciais do ensino fundamental; há carências de pesquisas neste âmbito no ensino infantil e de como deve ser a abordagem deste tema com as crianças pequenas, quanto mais cedo o problema for diagnosticado maiores serão as chances de sucesso na sua intervenção.

Um dos princípios que regem a educação inclusiva é a valorização da diversidade como elemento enriquecedor do desenvolvimento pessoal, priorizando o respeito às diferentes formas de aprender e incentivando o trabalho colaborativo na escola. Para que esta conquista seja uma realidade sólida, o processo de inclusão precisa abranger toda a sociedade, com um trabalho formativo escolar e social voltado para a valoração das diferenças como instrumento enriquecedor do processo ensino/aprendizagem.

REFERÊNCIAS

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SILVA, A. B. B. Justiça nas escolas: Combater o bullying é uma questão de justiça. CNJ: Brasília, 2010.

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Referências

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