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BOLETIM BANCÁRIO E FINANCEIRO setembro a

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BOLETIM BANCÁRIO

E FINANCEIRO

setembro a

dezembro de 2013 N.º 3/2013

1. DESTAQUE

DEVERES PREVENTIVOS DO BRANQUEAMENTO DE CAPITAIS E FINANCIAMENTO DO TERRORISMO

As condições, mecanismos e procedimentos necessários ao efetivo cumprimento dos deveres preventivos do branqueamento de capitais (“BC”) e do fi nanciamento do terrorismo (“FT”), previstos na Lei n.º 25/2008, de 5 de junho (“Lei do BC”), foram recentemente regulamentados pelo Aviso do Banco de Portugal (“BdP”) n.º 5/2013, de 18 de dezembro (“Aviso”).

De entre as alterações introduzidas, destacamos as que se seguem:

I. Os agentes situados em Portugal de instituições fi nanceiras portuguesas que prestem serviços de pagamento e de moeda eletrónica em nome das referidas instituições, ao abrigo do Regime Jurídico dos Serviços de Pagamento e da Moeda Eletrónica, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 317/2009, de 30 de outubro, deverão cumprir integralmente as medidas de prevenção do BC/FT a que as mesmas instituições estão sujeitas; os agentes destas instituições que desenvolvam a sua atividade fora do território nacional deverão cumprir determinados deveres, incluindo, de identifi cação, de diligência, de conservação e de formação.

II. Os agentes situados em Portugal de instituições de pagamento e de instituições de moeda eletrónica com sede noutro Estado-Membro da União Europeia deverão cumprir todos os deveres preventivos do BC/FT previstos na Lei do BC e no Aviso; fi cam igualmente sujeitos aos mesmos deveres os terceiros com funções operacionais que prestem serviços operacionais em Portugal sob responsabilidade daquelas instituições.

III. Nos casos referidos em II, as instituições aí referidas deverão nomear e criar em território

nacional um “ponto de contacto central” com vista a facilitar o exercício da supervisão no âmbito da prevenção BC/FT e aumentar o grau de cumprimento do quadro normativo aplicável neste campo.

IV. Ficam também sujeitas ao Aviso do BdP n.º 5/2013 as entidades prestadoras de serviços postais, na medida em que ofereçam ao público serviços fi nanceiros relacionados com matérias sujeitas à supervisão do BdP.

V. O diploma regulamentar em análise veio atribuir uma importância acrescida à abordagem do risk-based approach, sem prejuízo da continuação do cumprimento dos deveres legal e regulamentarmente estabelecidos, independentemente do risco.

VI. Os poderes de supervisão do BdP em sede de prevenção do BC/FT são agora detalhadamente previstos.

VII. Algumas defi nições constantes da Lei do BC foram completadas e objeto de esclarecimento no novo Aviso.

VIII. No que se refere ao dever de identifi cação, foram atualizados os meios de comprovação, possibilitando-se, nomeadamente, que a identifi cação seja realizada através da plataforma de interoperabilidade entre sistemas de informação da Administração Pública.

IX. Relativamente aos depósitos em numerário em contas tituladas por terceiros, o limite a partir do qual passou a ser necessário proceder à identifi cação do depositante foi reduzido para € 5.000.

X. Encontram-se previstas regras especiais de identifi cação para os casos de crédito a consumidores com intervenção de intermediários de crédito, assim como de promotores.

XI. No respeitante às transações ocasionais, incluindo transferências de fundos dissociadas de ÍNDICE 1. DESTAQUE | 2. LEGISLAÇÃO NACIONAL | 3. NORMAS REGULAMENTARES | 4. JURISPRUDÊNCIA

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qualquer conta titulada, passou a ser obrigatória a criação de um registo centralizado das mesmas, independentemente do seu valor, de modo a permitir o controlo efetivo do limite agregado de € 15.000 (e de € 1.000 no caso das transferências de fundos dissociadas de qualquer conta titulada) a partir do qual é necessário proceder à identifi cação dos clientes.

XII. Especial atenção foi também dada às operações de troco e destroco quando não realizadas no âmbito de uma relação de negócio.

XIII. Quanto ao dever de diligência, é de realçar a especial atenção dada pelo Aviso i) aos procedimentos periódicos de atualização da informação, nomeadamente relativos aos clientes, representantes e benefi ciários efetivos; assim como, ii) aos procedimentos complementares de verifi cação da identidade nas operações realizadas à distância; e, bem assim, iii) às operações com pessoas politicamente expostas.

XIV. No âmbito do dever de controlo, o Aviso concretizou diversas medidas que as instituições sujeitas devem implementar, nomeadamente, um sistema de controlo interno e assegurar os respetivos recursos humanos, fi nanceiros, materiais e técnicos, os quais deverão ser adequadas e proporcionais à dimensão, natureza, estrutura organizacional, atividade por si prosseguida e riscos assumidos ou a assumir pela instituição. As instituições deverão também efetuar uma avaliação contínua da qualidade do sistema de controlo interno e proceder a testes regulares de efetividade. XV. Ainda no âmbito do dever de controlo, foram detalhadamente descritas as competências do compliance offi cer, cuja função é obrigatória, e deve ser exercida de forma independente, permanente e efetiva.

XVI. No que se refere ao dever de formação, o Aviso densifi ca os requisitos da política formativa

que as instituições devem implementar, a qual deve ser adaptada às funções concretamente exercidas pelos colaboradores relevantes em matéria de prevenção do BC/FT, estabelecendo, ainda, que deve ser criado um registo e mantido em arquivo da documentação relativa ao cumprimento deste dever, por um período mínimo de 5 anos.

XVII. No que diz respeito ao dever de conservação de cópias ou dados eletrónicos de todos os documentos apresentados no âmbito do cumprimento dos deveres de identifi cação e diligência, o Aviso estipula, nomeadamente, que os mesmos devem permitir reconstituir integralmente o historial das operações e, em particular, o completo circuito dos fundos ou de outros valores movimentados até ao seu destino fi nal, assim como identifi car todos os intervenientes no referido circuito.

XVIII. Relativamente ao dever de exame de condutas, atividades ou operações cujos elementos caracterizadores as tornem particularmente suscetíveis de poderem estar relacionadas com os crimes de BC/FT, o Aviso contém no seu novo Anexo II uma lista meramente exemplifi cativa de potenciais indicadores de suspeição suscetíveis de envolver um maior risco de BC/FT.

XIX. Das disposições complementares do Aviso, destaca-se a necessidade de as instituições procederem à elaboração de uma versão em língua portuguesa, permanentemente atualizada, dos seus manuais de procedimentos, ou de quaisquer outros documentos ou registos internos relevantes, em matéria de prevenção do BC/FT, bem como dos pareceres, exames, análises e reportes informativos referidos na Lei do BC ou no Aviso.

XX. O Aviso entrará em vigor no dia 18 de fevereiro de 2014, revogando o Aviso do BdP n.º 11/2005, de 21 de julho, relativo às condições gerais de abertura de contas de depósito bancário, e a Instrução do BdP n.º 26/2005, sobre a prevenção da utilização do sistema fi nanceiro para o BC/FT.

ÍNDICE 1. DESTAQUE | 2. LEGISLAÇÃO NACIONAL | 3. NORMAS REGULAMENTARES | 4. JURISPRUDÊNCIA 5. LEGISLAÇÃO COMUNITÁRIA | 6. CONSULTAS PÚBLICAS

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XXI. O Aviso estabelece diversas normas transitórias, sendo de salientar que a obrigação de criação do “ponto de contacto central” e a implementação do registo centralizado das operações ocasionais, ambos acima referidos, deverão ser cumpridas até 18 de março de 2014.

XXII. Com o Aviso do BdP n.º 5/2013, o quadro regulamentar em matéria de prevenção da utilização do sistema fi nanceiro para o BC/FT foi amplamente reforçado, nomeadamente através da densifi cação dos deveres previstos na Lei do BC, colocando a legislação portuguesa neste domínio a par com as mais recentes recomendações e trabalhos desenvolvidos pelos organismos e foros internacionais dedicados à prevenção do BC/FT. 2. LEGISLAÇÃO NACIONAL

MEDIDAS NACIONAIS PARA A EFETIVAÇÃO DO REGULAMENTO SEPA – SINGLE EUROPEAN

PAYMENT AREA

O Decreto-Lei n.º 141/2013, de 18 de outubro, veio aprovar as medidas nacionais de efetivação do Regulamento (UE) n.º 260/2012, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 14 de março de 2012 (Regulamento SEPA), o qual estabelece os requisitos técnicos e de negócio para as transferências a crédito e os débitos diretos em Euros, alterando o Regulamento (CE) n.º 924/2009. LEI ORGÂNICA DO BANCO DE PORTUGAL Pelo Decreto-Lei n.º 142/2013, de 18 de outubro, foi alterada a Lei Orgânica do BdP, no quadro da criação do Mecanismo Único de Supervisão (“MUS”). Por força do referido Decreto-Lei, o BdP foi indicado como a autoridade macroprudencial nacional, tendo como atribuições a identifi cação, acompanhamento e avaliação dos riscos para a estabilidade fi nanceira, assim como a execução das políticas necessárias para a prossecução

deste objetivo. O BdP foi também indicado como autoridade de resolução nacional, competindo-lhe, nesse âmbito, proceder à elaboração de planos de resolução, aplicar medidas de resolução e determinar a eliminação de potenciais obstáculos à aplicação de tais medidas.

CONSELHO NACIONAL DE SUPERVISORES FINANCEIROS

O Decreto-Lei n.º 143/2013, de 18 de outubro, veio alterar o Decreto-Lei n.º 228/2000, de 23 de setembro, que cria o Conselho Nacional de Supervisores Financeiros (“CNSF”), de que fazem parte o BdP, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (“CMVM”) e o Instituto de Seguros de Portugal (“ISP”).

CAPITAL SOCIAL MÍNIMO DAS INSTITUIÇÕES DE CRÉDITO E SOCIEDADES FINANCEIRAS Pela Portaria n.º 335/2013, de 15 de novembro, foram alterados os valores do capital social mínimo das instituições de crédito e das sociedades fi nanceiras, defi nidos pela Portaria n.º 95/94, de 9 de fevereiro, e modifi cados os valores dos capitais sociais mínimos aplicáveis às sociedades gestoras de fundos de investimento mobiliário e às sociedades gestoras de fundos de investimento imobiliário.

REEMBOLSO DO VALOR DE UM PPR/E PARA O PAGAMENTO DE CONTRATOS DE CRÉDITO À HABITAÇÃO

A Portaria n.º 341/2013, de 22 de novembro, veio alterar a Portaria n.º 1453/2002, de 11 de novembro, a qual regulamenta a possibilidade de reembolso do valor de um PPR/E para o pagamento de contratos de crédito à habitação.

ÍNDICE 1. DESTAQUE | 2. LEGISLAÇÃO NACIONAL | 3. NORMAS REGULAMENTARES | 4. JURISPRUDÊNCIA 5. LEGISLAÇÃO COMUNITÁRIA | 6. CONSULTAS PÚBLICAS

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setembro a dezembro de 2013 N.º 3/2013 3. NORMAS REGULAMENTARES BANCO DE PORTUGAL AVISOS

Fundos próprios - Compromissos de pagamento irrevogáveis das contribuições obrigatórias para o Fundo Garantia de Depósitos

(Aviso do BdP n.º 4/2013)

O Aviso do BdP n.º 4/2013, de 21 de outubro, veio alterar o Aviso do BdP n.º 5/2007, que defi ne as obrigações das instituições de crédito e empresas de investimento relativamente ao nível dos fundos próprios e aos limites dos riscos de crédito.

Deveres preventivos do branqueamento de capitais e fi nanciamento do terrorismo

(Aviso do BdP n.º 5/2013)

As condições, mecanismos e procedimentos necessários ao efetivo cumprimento dos deveres preventivos do branqueamento de capitais e fi nanciamento do terrorismo, previstos na Lei n.º 25/2008, de 5 de junho, foram regulamentados pelo Aviso do BdP n.º 5/2013, de 18 de dezembro, o qual é objeto do Destaque deste Boletim.

Fundos próprios e medidas destinadas à sua preservação

(Aviso do BdP n.º 6/2013)

O Aviso do BdP n.º 6/2013, de 27 de dezembro, veio regulamentar o regime transitório previsto no Regulamento (UE) n.º 575/2013, de 26 de julho, em matéria de fundos próprios, bem com estabelecer medidas destinadas à preservação desses fundos.

INSTRUÇÕES

TAEGs máximas para o crédito ao consumo

(Instrução do BdP n.º 21/2013)

Foram fi xadas pela Instrução do BdP n.º 21/2013 as Taxas Anuais de Encargos Efetivas Globais (“TAEG”) máximas a praticar durante o quarto trimestre de 2013 para cada tipo de contrato de crédito aos consumidores.

Fundo de Garantia do Crédito Agrícola Mútuo

(Instrução BdP n.º 22/2013)

Pela Instrução BdP n.º 22/2013 foi fi xada em 0,05% a taxa contributiva de base aplicável a todas as instituições participantes no Fundo de Garantia do Crédito Agrícola Mútuo (“FDCAM”), e em 50% a percentagem de elegibilidade de empréstimos subordinados para o cálculo do rácio core tier 1 individual de cada caixa de crédito agrícola mútuo assistida fi nanceiramente pelo FDCAM, para o ano de 2014.

Fundo de Garantia de Depósitos (“FGD”) – Contribuição Anual

(Instrução BdP n.º 23/2013)

A Instrução BdP n.º 23/2013 veio fi xar em 0,03% a taxa contributiva de base aplicável a todas as instituições participantes no FGD, e em EUR 17.500,00 o valor da contribuição mínima, para o ano de 2014. Por seu lado, a Instrução BdP n.º 24/2013 veio determinar que a contribuição anual não poderá ser substituída por compromissos irrevogáveis de pagamento.

Informação sobre Remuneração de Colaboradores

(Instrução do BdP n.º 25/2013)

A Instrução do BdP n.º 25/2013 veio estabelecer a obrigação de envio ao BdP de informação relativa a colaboradores que auferem remunerações ÍNDICE 1. DESTAQUE | 2. LEGISLAÇÃO NACIONAL | 3. NORMAS REGULAMENTARES | 4. JURISPRUDÊNCIA

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elevadas, ou seja, de montante igual ou superior a 1 milhão de Euros por ano. A informação deverá ser enviada anualmente, até ao fi nal do mês de junho do ano seguinte a que se reporta. Por outro lado, a Instrução do BdP n.º 26/2013 veio estabelecer a obrigação de envio ao BdP de informação quantitativa relativa às remunerações de todos os colaboradores, incluindo os colaboradores cuja atividade tenha um impacto material no perfi l de risco da instituição de crédito relevante. A informação deverá ser enviada anualmente, até ao fi nal do mês de junho do ano seguinte a que se reporta.

Contribuições periódicas para o Fundo de Resolução

(Instrução do BdP n.º 27/2013)

Pela Instrução do BdP n.º 27/2013 foi fi xada em 0,015% a taxa base para a determinação das contribuições periódicas para o Fundo de Resolução a vigorar em 2014.

Mercado de Operações de Intervenção (M.O.I.) - Medidas adicionais temporárias

(Instrução do BdP n.º 28/2013)

A Instrução do BdP n.º 28/2013 veio alterar a Instrução do BdP n.º 7/2012, que estabelece, temporariamente, os requisitos para os direitos de crédito adicionais, na sequência da Decisão do Conselho do Banco Central Europeu (“BCE”), de 18 de julho de 2013, em ajustar “os critérios de elegibilidade e as margens de avaliação aplicados pelos bancos centrais nacionais (“BCN”) a portefólios de direitos de crédito e determinados tipos de direitos de crédito adicionais, elegíveis ao abrigo das medidas adicionais temporárias aprovadas pelo Eurosistema.

Taxas máximas aplicáveis aos contratos de crédito

(Instrução do BdP n.º 19/2013)

A Instrução do BdP n.º 29/2013 fi xou os valores máximos das TAEG a serem aplicadas nos contratos de crédito aos consumidores a celebrar no 1.º trimestre de 2014.

Informação sobre depósitos com remuneração acima de um dado limiar

(Instrução do BdP n.º 30/2013)

A Instrução do BdP n.º 30/2013 alterou as notas auxiliares de preenchimento da informação a reportar ao BdP nos termos da Instrução do BdP n.º 16/2012, sobre depósitos com remuneração acima de um dado limiar.

Identifi cação e marcação do crédito reestruturado por difi culdades fi nanceiras do cliente

(Instrução do BdP n.º 32/2013)

A Instrução do BdP n.º 32/2013 veio estabelecer que instituições sujeitas devem proceder à identifi cação e marcação, nos respetivos sistemas de informação, dos contratos de crédito de um cliente em situação de difi culdades fi nanceiras, sempre que se verifi quem modifi cações aos termos e condições desses contratos, devendo para o efeito apor a menção “crédito reestruturado por difi culdades fi nanceiras do cliente”.

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COMISSÃO DO MERCADO DE VALORES MOBILIÁRIOS

REGULAMENTOS

Organismos de Investimento Coletivo (“OIC”) e Comercialização de Fundos de Pensões Abertos de Adesão Individual

(Regulamento da CMVM n.º 5/2013)

Pelo Regulamento da CMVM n.º 5/2013 foi regulado o Regime Jurídico dos OIC, aprovado pelo Decreto--Lei n.º 63-A/2013, de 10 de maio, em particular no que se refere a: i) condições de funcionamento; ii) atividade; iii) informação; iv) comercialização de unidades de participação e condições de admissão à negociação; e v) vicissitudes. Foram, ainda, reguladas a comercialização e a informação a prestar sobre contratos de adesão individual a fundos de pensões abertos.

Plano de contabilidade dos OIC

(Regulamento da CMVM n.º 6/2013)

O Regulamento da CMVM n.º 6/2013 veio alterar o Regulamento da CMVM n.º 16/2003, relativo ao plano de contabilidade dos OIC, na sequência da aprovação do novo Regime Jurídico dos OIC. INSTRUÇÕES

Carteira de OIC

(Instrução da CMVM n.º 4/2013)

A Instrução da CMVM n.º 4/2013 veio regular o reporte de informação à CMVM relativamente à composição discriminada da carteira de aplicações de cada OIC por parte das respetivas entidades gestoras.

4. JURISPRUDÊNCIA

CONTRATO DE SWAP RESOLVIDO POR ALTERAÇÃO ANORMAL DAS CIRCUNSTÂNCIAS No seu Acórdão de 10 de outubro de 2013, o Supremo Tribunal de Justiça (“STJ”) confi rmou a resolução de um contrato de swap de taxa de juro com barreira, celebrado no primeiro semestre de 2008, com fundamento em alteração anormal das circunstâncias em que as partes basearam a decisão de contratar. Entendeu o Tribunal que nos contratos como os contratos de swap em que as partes visam justamente negociar sobre a incerteza, o risco fornece o próprio objeto contratual, pelo que a alteração das circunstâncias tem de ser de apreciável vulto ou proporções extraordinárias, considerando que o prejuízo só justifi ca a resolução ou modifi cação do contrato quando se verifi que um profundo desequilíbrio do contrato, sendo intolerável com a boa-fé que o lesado o suporte. De acordo com o STJ, tal profundo desequilíbrio pode resultar de uma signifi cativa descida das taxas de juro, provocada por grave crise fi nanceira, com grande divergência entre a taxa superior, que as partes representaram como possível, e a taxa que o contrato pretendia assegurar. Considerou, ainda, o Tribunal que os swaps, que conferem às partes posições jurídicas permutáveis relativas a determinadas quantias pecuniárias em data ou datas futuras previamente fi xadas, são contratos de execução sucessiva ou periódica, fi cando sujeitos ao disposto no artigo 434.º, n.º 2, do Código Civil, e não devendo, assim, considerar-se abrangidas pela efi cácia resolutiva as prestações realizadas antes da resolução.

VIOLAÇÃO DE RELAÇÃO DE CLIENTELA E LEGITIMIDADE PROCESSUAL

Pelo Acórdão de 15 de outubro de 2013, o STJ entendeu que, apesar da utilização de uma sociedade offshore por um banco intermediário fi nanceiro para a abertura de contas de depósito à ÍNDICE 1. DESTAQUE | 2. LEGISLAÇÃO NACIONAL | 3. NORMAS REGULAMENTARES | 4. JURISPRUDÊNCIA

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ordem, a prazo e de valores mobiliários (estrutura que permitiria a um seu cliente realizar investimentos com retorno mais elevado, segundo proposta do próprio banco intermediário fi nanceiro), não deve ser excluída a legitimidade processual deste, assim como do seu cliente, quando a causa de pedir é a violação da referida relação de clientela, tendo em conta que a referida sociedade offshore foi criada pelo banco e era pelo mesmo totalmente detida e instrumentalizada para os efeitos acima referidos. Adicionalmente, foi entendido que os titulares do órgão de administração e os colaboradores do intermediário fi nanceiro, também demandados no caso em apreço, eram igualmente partes legítimas, dado poderem incorrer em responsabilidade civil, nos termos do Código dos Valores Mobiliários, no âmbito da referida relação de clientela.

INOPONIBILIDADE AO BANCO DEPOSITÁRIO DE ACORDO FIDUCIÁRIO ENTRE UM SEU CLIENTE E UM TERCEIRO

No seu acórdão de 24 de outubro de 2013, o STJ considerou que, perante uma conta de depósito bancário aberta por um cliente seu, o banco é totalmente alheio ao acordo fi duciário celebrado entre o seu cliente e um terceiro, podendo, assim, compensar o saldo credor a favor do seu cliente depositante com a dívida deste perante o banco depositário.

LIVRANÇA EM BRANCO EXECUTADA CONTRA AVALISTAS EM ABUSO DE DIREITO

Pelo acórdão de 12 de novembro de 2013, o STJ entendeu que atuou com abuso de direito, na modalidade de venire contra factum proprium, o banco que executou uma livrança em branco, emitida em 2002, subscrita por uma sociedade fi nanciada e avalizada pelos sócios da mesma, que o fi zeram apenas por terem interesse na referida sociedade. No caso em questão, quando parte dos referidos sócios se afastaram da sociedade, alienando a sua participação social em 2003, a conta caucionada encontrava-se regularizada. Por outro lado, em

2004, sabendo que os indicados avalistas se haviam afastado da sociedade subscritora e se consideravam desobrigados, e considerando que a garantia dos restantes avalistas era sufi ciente, o banco continuou a conceder crédito à sociedade subscritora, através da renovação do contrato de abertura de crédito. Perante estes factos, e tendo ainda em conta que a execução foi requerida oito anos depois dos sócios avalistas deixarem de ter participação na sociedade subscritora, o STJ entendeu que esta factualidade era sufi ciente para criar nos avalistas uma convicção legítima de que já nada tinham a ver com a atividade da subscritora e a confi ança de que nada lhes seria exigido por conta daquele aval, a qual foi reforçada pelo tempo decorrido desde que haviam deixado a sociedade.

5. LEGISLAÇÃO COMUNITÁRIA

DERIVADOS DO MERCADO DE BALCÃO, CONTRAPARTES CENTRAIS E REPOSITÓRIOS DE TRANSAÇÕES

Pelo Regulamento Delegado (UE) n.º 1002/2013, da Comissão, de 12 de julho de 2013, foi alterado o Regulamento (UE) n.º 648/2012 do Parlamento Europeu e do Conselho, relativo aos derivados do mercado de balcão, às contrapartes centrais e aos repositórios de transações. Com esta alteração, os bancos centrais e os organismos públicos responsáveis pela gestão da dívida pública ou que participam nessa gestão no Japão e nos Estados Unidos da América fi cam isentos da aplicação do referido Regulamento (UE) n.º 648/2012.

Por seu lado, o Regulamento Delegado (UE) n.º 1003/2013, da Comissão, de 12 de julho de 2013, veio estabelecer as normas relativamente às taxas que a Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados (“ESMA”) deverá cobrar aos repositórios de transações pelo seu registo, supervisão e reconhecimento, complementando o Regulamento (UE) n.º 648/2012.

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AUTORIDADE BANCÁRIA EUROPEIA

O Regulamento (UE) n.º 1022/2013, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 22 de outubro de 2013, veio alterar o Regulamento (UE) n.º 1093/2010, que criou a Autoridade Bancária Europeia (“EBA”). As referidas alterações foram introduzidas no seguimento da publicação do Regulamento (UE) n.º 1024/2013, do Conselho, que conferiu ao BCE atribuições específi cas no âmbito do MUS, de modo a que a EBA mantenha as suas funções com vista à aplicação consistente do conjunto único de regras aplicáveis a todos os Estados-Membros e ao reforço da convergência das práticas de supervisão em toda a União.

ATRIBUIÇÕES ESPECÍFICAS DO BCE NO ÂMBITO DA SUPERVISÃO PRUDENCIAL DAS INSTITUIÇÕES DE CRÉDITO

Pelo Regulamento (UE) n.º 1024/2013, do Conselho, de 15 de outubro de 2013, foram conferidas ao BCE atribuições específi cas no que diz respeito às políticas relativas à supervisão prudencial das instituições de crédito. No âmbito do MUS, caberá ao BCE exercer em exclusivo as atribuições indicadas no referido Regulamento, relativamente à totalidade das instituições de crédito estabelecidas nos Estados-Membros participantes, sendo de destacar as seguintes: i) concessão e revogação de autorização a instituições de crédito; ii) apreciação das notifi cações de aquisição e alienação de participações qualifi cadas em instituições de crédito; iii) assegurar o cumprimento dos atos que impõem requisitos prudenciais às instituições de crédito em matéria de requisitos de fundos próprios, titularização, limites aos grandes riscos, liquidez, alavancagem fi nanceira e divulgação pública de informações sobre as referidas matérias; e iv) assegurar o cumprimento de matérias sobre o governo das sociedades.

O Regulamento estabelece, ainda, novas regras relativas: i) à cooperação entre o BCE e as

autoridades nacionais competentes no âmbito do MUS; ii) à cooperação entre o BCE e as autoridades competentes dos Estados-Membros participantes cuja moeda não é o Euro; iii) às relações internacionais entre o BCE e autoridades de supervisão, organizações internacionais e administrações de países terceiros, iv) aos poderes de supervisão e investigação do BCE; e v) aos princípios em matéria de organização e funcionamento do BCE.

DIRETIVA DA TRANSPARÊNCIA E DIRETIVA DO PROSPETO

Pela Diretiva n.º 2013/50/UE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 22 de outubro, foram alteradas as seguintes Diretivas: a) Diretiva n.º 2004/109/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, relativa à harmonização dos requisitos de transparência no que se refere a informações respeitantes aos emitentes cujos valores mobiliários estão admitidos à negociação num mercado regulamentado (Diretiva da Transparência); b) Diretiva n.º 2003/71/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, relativo ao prospeto a publicar em caso de oferta pública de valores mobiliários ou da sua admissão à negociação (Diretiva do Prospeto); e c) Diretiva n.º 2007/14/CE, da Comissão, que estabelece as normas de execução de determinadas disposições da Diretiva n.º 2004/109/ CE. De entre os objetivos da Diretiva n.º 2013/50/ EU, destacam-se os seguintes: i) simplifi cação das obrigações decorrentes da admissão à negociação num mercado regulamentado de determinados emitentes, nomeadamente emitentes de pequena e média dimensão; ii) melhoria da efi cácia do regime de transparência existente, em especial no que diz respeito à divulgação de informações sobre a propriedade das sociedades; iii) reforço dos poderes sancionatórios; e iv) criação de um formato eletrónico harmonizado de comunicações de relatórios fi nanceiros anuais, dependente ainda da análise custo-benefício da ESMA.

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ESTATÍSTICAS DAS TAXAS DE JURO E DE ATIVOS E PASSIVOS DE FUNDOS DE INVESTIMENTO E SOCIEDADES DE TITULARIZAÇÃO

Pelos diplomas a seguir referidos foi regulado o reporte de informação estatística por instituições fi nanceiras, fundos de investimento e sociedades de titularização:

a) Regulamento (UE) n.º 1072/2013, do BCE, de 24 de setembro de 2013, relativo às estatísticas das taxas de juro praticadas pelas instituições fi nanceiras;

b) Regulamento (UE) n.º 1073/2013, do BCE, de 18 de outubro de 2013, retifi cado em 29 de novembro de 2013, relativo às estatísticas de ativos e passivos de fundos de investimento; e c) Regulamento (UE) n.º 1075/2013, do BCE, de

18 de outubro de 2013, retifi cado em 29 de novembro de 2013, relativo às estatísticas dos ativos e passivos das sociedades de titularização envolvidas em operações de titularização.

MEDIDAS ADICIONAIS RESPEITANTES ÀS OPERAÇÕES DE REFINANCIAMENTO DO EUROSISTEMA E À ELEGIBILIDADE DOS ATIVOS DE GARANTIA

Pela Decisão do BCE, de 26 de setembro de 2013, foram adotadas pelo BCE medidas adicionais de reforço do seu sistema de controlo de risco, tendo sido ajustados os critérios de elegibilidade e as margens de avaliação aplicáveis aos ativos de garantia admitidos nas operações de refi nanciamento do Eurosistema. As regras e critérios fi xados na referida Decisão deverão ser conjugados, nomeadamente, com a Orientação BCE/2011/14.

MEDIDAS ADICIONAIS TEMPORÁRIAS RESPEITANTES ÀS OPERAÇÕES DE REFINANCIAMENTO DO EUROSISTEMA E À ELEGIBILIDADE DOS ATIVOS DE GARANTIA Pela Decisão do BCE, de 26 de setembro de 2013, o BCE alterou a Orientação BCE/2013/4, relativa a medidas adicionais temporárias respeitantes às operações de refi nanciamento do Eurosistema e à elegibilidade dos ativos de garantia, em especial no que se refere às margens de avaliação e à manutenção do serviço de dívida aplicáveis a instrumentos de dívida titularizados.

ACORDO INTERINSTITUCIONAL ENTRE O PARLAMENTO EUROPEU E O BANCO CENTRAL EUROPEU

Em 6 de Novembro de 2013, foi celebrado entre o Parlamento Europeu e o BCE um acordo interinstitucional sobre as modalidades práticas do exercício da responsabilidade democrática e do controlo sobre o exercício das atribuições conferidas ao BCE no quadro do MUS, constante do Regulamento (UE) n.º 1024/2013, de 15 de outubro de 2013.

REGULAMENTO (UE) N.º 575/2013 - RETIFICAÇÃO No dia 30 de novembro de 2013, foi publicada no Jornal Ofi cial da União Europeia uma Retifi cação ao Regulamento (UE) n.º 575/2013, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 26 de junho de 2013, relativo aos requisitos prudenciais para as instituições de crédito e empresas de investimento, tendo sido alterado o Regulamento (UE) n.º 648/2012.

ASSISTÊNCIA FINANCEIRA DA UNIÃO A PORTUGAL

A Decisão de Execução do Conselho, de 19 de novembro de 2013 (2013/703/UE), veio alterar a Decisão de Execução 2011/344/EU, relativa à ÍNDICE 1. DESTAQUE | 2. LEGISLAÇÃO NACIONAL | 3. NORMAS REGULAMENTARES | 4. JURISPRUDÊNCIA

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BOLETIM BANCÁRIO

E FINANCEIRO

setembro a

dezembro de 2013 N.º 3/2013

concessão de assistência fi nanceira da União a Portugal, em resultado da oitava e nona avaliações conjuntas dos progressos na aplicação das medidas acordadas no programa de ajustamento económico e fi nanceiro (“Programa”). Na sequência da Decisão de Execução 2013/703/UE, foram aprovadas as medidas específi cas previstas no artigo 3º, n.os 7 a 9, da Decisão de Execução 2011/344/EU, a adotar por Portugal no âmbito do Programa, conforme Decisão Execução do Conselho, de 19 de novembro de 2013 (2013/704/UE).

DIVULGAÇÃO DOS FUNDOS PRÓPRIOS

O Regulamento de Execução (UE) n.º 1423/2013 da Comissão, de 20 de dezembro de 2013, veio estabelecer as normas técnicas, incluindo os modelos a utilizar, para a divulgação dos fundos próprios das instituições de acordo com o Regulamento (UE) n.º 575/2013, do Parlamento Europeu e do Conselho.

6. CONSULTAS PÚBLICAS

CONSULTA PÚBLICA DA ESMA E DA EBA SOBRE LINHAS DE ORIENTAÇÃO NO TRATAMENTO DE RECLAMAÇÕES

A ESMA e a EBA submeteram a consulta pública um documento sobre as linhas de orientação no tratamento de reclamações relativas a valores mobiliários e no sector bancário. A consulta decorre até 7 de fevereiro de 2014.

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Referências

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