O Habitat de Inserção Social.
Residência Sénior em Benfica
Joás Fernando de Lima
Projeto Final de Mestrado para a obtenção do Grau de Mestre em Arquitetura
Orientação Científica:
Professor Doutor Jorge Filipe Ganhão da Cruz Pinto Professor Doutor José Luís Mourato Crespo
Júri:
Presidente - Professora Doutora Ana Cristina Oliveira Vasconcelos Vogal – Professor Doutor Pedro Jorge Dias Pimenta Rodrigues
Orientador – Jorge Filipe Ganhão da Cruz Pinto
Agradecimentos
A Deus em primeiro lugar, pelo seu amor, pela minha vida, saúde, família e amigos.
Ao meu orientador, Professor Doutor Jorge Filipe Ganhão da Cruz Pinto pela paciência, generosidade, dedicação, rigor crítico e respeito.
Ao meu orientador, Professor Doutor José Luís Mourato Crespo, pela disponibilidade de tempo, dedicação, paciência e companheirismo.
Ao meu herói e filho, João Pedro, que está ao meu lado em todo o tempo partilhando a vida comigo.
Aos meus pais, Fernando Lima e Josefa Lima, por me terem gerado e educado, pelo apoio à distância sempre.
Aos meus irmãos, Elizama Lima, Davi Lima, Priscila Lima e Oséias Lima, pelo amor, cuidado e companheirismo, missão da família.
À Carolyne Veloso e Mirella Veloso pela ajuda, carinho, amizade e companheirismo nos dias mais difíceis.
À Catarina Manso, amiga de turma e guerreira, sempre disposta a ajudar, e colega de grupo, futura arquiteta.
À Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa, que abriu as portas para mim realizando o meu sonho de cursar arquitetura, com todo o apoio e equipamento necessário para concluir o curso.
Agradeço ao Vigilante e colegas pela ajuda, carinho e compreensão em todo o tempo dos estudos.
Aos colegas que se transformaram em amigos, pelo caminho que já percorremos, pelas noites de trabalho, experiências e momentos de partilha.
Resumo
Este trabalho procura demonstrar uma combinação de valências para a realização de um projeto urbano e arquitetónico dando origem a um equipamento social, uma residência para idosos.
Um conjunto de procedimentos e estudos foram adotados para a conceção urbana e arquitetónica para a inserção do projeto no terreno. O estudo prévio foi constituído de conhecimentos a partir de análises teóricas e práticas relativas às atividades de um equipamento social.
O estudo apresentado relata a busca do público-alvo por um espaço adequado para viver ou passar parte do dia convivendo com pessoas na sociedade, em que verificamos que há poucas ofertas para solucionar o problema existente.
Na zona de intervenção, detetamos uma carência e a falta de equipamentos e serviços direcionados para a terceira idade, constatado nas primeiras análises ao território de Benfica. O estudo prévio estabelece alguns parâmetros, sendo um destes a de intervir no espaço urbano e integrar a população no espaço, para que se possa tirar um maior proveito dos espaços e equipamentos. Entretanto, não podemos projetar um espaço ou um equipamento sem pensar na envolvente ou como aproveitar o exterior.
Assim, começámos por intervir no espaço urbano, onde encontramos a força do projeto arquitetónico, na figura do equipamento social, uma residência para idosos, para responder às necessidades do território e dos residentes.
Na proposta optámos por uma arquitetura contemporânea e moderna, buscando sempre estudar os equipamentos com qualidade espacial e social, onde a vertente social foi inserida no projeto com o intuito de criar um espaço intergeracional de proximidade da família, amigos, moradores e visitantes, pois a proposta tem o propósito de unir as pessoas e evitar barreiras sociais.
Palavras-Chave:
Abstract
This work seeks to demonstrate a combination of valence to carry out an urban and architectural project giving rise to a social equipment, a nursing home.
A set of procedure and study were adopted for urban and architectural design for the insertion of the project on the ground. The previous study consists of knowledge from theoretical and practical analysis related to the activities of a social equipment.
The existing study reports the search of the target audience for a suitable space to live or spend part of the day living with people in society, we find that the few offers to solve the existing problem.
In our area of intervention we detected a lack in this area, the lack of equipment and services directed to the elderly is noted in the first analyzes.
The previous study establishes some parameters the first is to intervene in urban space and integrates the population into space so that it can take better advantage of space and equipment, we cannot design a space or equipment without thinking about the surroundings, or how to enjoy the outside.
Thus, we began to intervene in the urban space where we find the strength of the architectural project, but soon began to arise questions that had to be answered within that concept, we returned to study social equipment to answer our questions.
With the answers of each problem solved we started to the architectural project, where we began to develop a proposal based on studies and needs existing in that parish.
In the proposal we opted for a contemporary and modern architecture, always seeking to study equipment with high quality social and spatial quality, the social aspect was inserted in the project in order to create an intergenerational space of proximity of family, friends, residents and visitor, the proposal It brings this weight of uni people and avoid social barrier.
Índice Geral Agradecimentos ... I Resumo ... II Abstract... III Índice de figuras ... V 1. INTRODUÇÃO ... 1 2. ENQUADRAMENTO TEMÁTICO ... 9
2.1. Lar / Centro de Dia / Centro de Convívio ... 9
2.1.1. Lar - Estrutura residencial para pessoas idosas ... 10
2.1.2. Centro de Dia ... 10
2.1.3. Centro de Convívio ... 11
2.2. Integração Social do Idoso ... 11
2.3. Qualidade de vida do idoso ... 14
3. PROJETOS DE REFERÊNCIA... 17
3.1. Santa Casa da Misericórdia, Alcácer do Sal ... 17
3.2. Projeto de Habitação para Idosos, Chur, Masans – Suiça ... 19
3.3. Unidade Residencial Madre Maria Clara ... 22
3.4. Centro de Geriatria Santa Rita (2008), Ilha Minorca Espanha ... 24
4. PROJETO FINAL ... 27 4.1. Urbano ... 27 4.2. Arquitetura ... 35 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 44 BIBLIOGRAFIA………..………46 ANEXOS………..….……...51
Índice de figuras
Figura 01 Fachada Entrada Principal 17
Fonte:https://www.archdaily.com.br/br/01-98258/residencias-em-alcacer-do-sal-slash-aires-mateus
Figura 02 Maqueta da Proposta 17
Fonte:https://www.archdaily.com.br/br/01-98258/residencias-em-alcacer-do-sal-slash-aires-mateus
Figura 03 Quarto Simples 17
Fonte:https://www.archdaily.com.br/br/01-98258/residencias-em-alcacer-do-sal-slash-aires-mateus
Figura 04 Circulação Interna 17
Fonte:https://www.archdaily.com.br/br/01-98258/residencias-em-alcacer-do-sal-slash-aires-mateus
Figura 05 Fachada Principal 20
Fonte:https://www.flickr.com/photos/jschiemann/6376021455/
Figura 06 Circulação e Convívio 20
Fonte:https://www.flickr.com/photos/jschiemann/6376021455/
Figura 07 Vão da Janela Circulação 20
Fonte:http://arquitectures234.blogspot.pt/2014/02/peter-zumthor-21 apartaments-masans.html?utm_medium=referral&utm_source=pulsenews Figura 08 Interior-Quarto 20 Fonte:http://arquitectures234.blogspot.pt/2014/02/peter- zumthor-21apartaments-masans.html?utm_medium=referral&utm_source=pulsenews
Figura 10 Circulação/Galeria 22 Fonte:http://infohabitar.blogspot.pt/2010/08/atractividade-agradabilidade-residencia.html
Figura 11 Vista Posterior 23
Fonte:http://infohabitar.blogspot.pt/2010/08/atractividade-agradabilidade-residencia.html
Figura 12 Maqueta da Circulação 23
Fonte:http://infohabitar.blogspot.pt/2010/08/atractividade-agradabilidade-residencia.html
Figura 13 Perspetiva Geral 25
Fonte:https://www.archdaily.com/24725/santa-rita-geriatric-center-manuel-ocana?ad_medium=gallery
Figura 14 Pátio Interno 25
Fonte:https://www.archdaily.com/24725/santa-rita-geriatric-center-manuel-ocana?ad_medium=gallery
Figura 15 Quarto Duplo 25
Fonte:https://www.archdaily.com/24725/santa-rita-geriatric-center-manuel-ocana?ad_medium=gallery
Figura 16 Espaço de Convívio 25
Fonte:https://www.archdaily.com/24725/santa-rita-geriatric-center-manuel-ocana?ad_medium=gallery
Figura 17 Terreno da proposta no ano 2002
26 Fonte: com suporte Google Earth Pro
Figura 18 Terreno da proposta no ano 2005
27 Fonte: com suporte Google Earth Pro
Figura 19 Terreno da proposta no ano 2019
Fonte: com suporte Google Earth Pro
Figura 20 Planta Cobertura Urbano 31
Fonte: Autor, com Suporte Archicad
Figura 21 3D Projeto Urbano 31
Fonte: Autor, com Suporte Archicad
Figura 22 3D Fachada Principal Hab 01 32
Fonte: Autor, com Suporte Archicad
Figura 23 3D Fachada Principal Hab 02 32
Fonte: Autor, com Suporte Archicad
Figura 24 3D Fachada Nascente/Poente 33
Fonte: Autor, com Suporte Archicad
Figura 25 3D Fachada Nascente/Sul 33
Fonte: Autor, com Suporte Archicad
Figura 26 3D Fachada Sul do Lar 42
Fonte: Autor, com Suporte Archicad
Figura 27 3D Fachada Nascente do Lar 42
Fonte: Autor, com Suporte Archicad
Figura 28 3D Hall Entrada Lar 42
Fonte: Autor, com Suporte Archicad
Figura 29 3D Quarto Lar Duplo 42
1. Introdução
Com o aumento do envelhecimento da população mundial, Portugal não ficou fora desta estatística. Podemos relacionar o envelhecimento da população com a qualidade de vida e hábitos saudáveis como uma boa alimentação, exercício físico, o serviço médico agregado ao avanço da medicina, que são fatores que efetivamente aumentaram a perspetiva da vida humana. Cada vez mais a medicina e a tecnologia procuram aumentar o tempo da vida humana.
Encontramos um elevado número de idosos ativos que fazem parte do quotidiano da cidade: nos transportes públicos, nos parques, nas ruas, nas praças, no comércio, trabalhando e estudando. Cada vez mais nos centros urbanos, a qualidade de vida e a estrutura oferecida agregada a ofertas de serviços, como o apoio social e o serviço de saúde qualificado, justificam as suas permanências nos grandes centros urbanos.
Na cidade de Lisboa, a situação não é diferente. Verificamos o esforço do município para resolver e dar resposta a este problema, mas mesmo assim não é suficiente porque a procura por um espaço onde o idoso possa viver/morar, praticar atividades durante o dia (centro de dia ou convívio) muitas vezes torna-se difícil pela falta de equipamentos sociais para cumprir a procura para esses lugares específicos. O concelho de Lisboa não está preparado para atender a uma população envelhecida na totalidade, pois faltam equipamentos de apoio à população idosa, principalmente quando nos referimos a lares da terceira idade.
Verificamos na relação de serviço social prestado nas freguesias do concelho de Lisboa que existem poucos lares, o que pode ser considerado um fato preocupante para as famílias do concelho. Entretanto, no que concerne aos serviços prestados referentes ao apoio domiciliário, centros de convívio e centros de dia, estes respondem à parte da necessidade das freguesias, tendo em conta que existem freguesias com um elevado número de habitantes idosos.
Existem, atualmente, no concelho de Lisboa, alguns equipamentos de apoio a idosos, dois quais pode-se destacar os da freguesia de Benfica:
• Associação de Reformados Benfica - (IPSS) - Centro de Dia Charquinho;
• Associação de Reformados e Idosos do Bairro da Boavista (IPSS) – Centro de Dia;
• Associação Casapiana de Solidariedade - (IPSS) – Lar;
• Centro de Bem-Estar Santa Cruz - (IPSS) - Serviço de Apoio Domiciliário, Refeição, Serviços Médicos e Enfermagem, Acompanhamento Exterior e Transporte;
• Igreja Nossa Senhora do Amparo - Apoio Domiciliário;
É nesta freguesia que pretendemos intervir, pois verificamos um déficit de equipamentos sociais em relação a outras freguesias do concelho. Esta nossa escolha teve em consideração a localização do equipamento proposto num sítio onde possa favorecer o bom desempenho das atividades diárias do equipamento.
Objetivos
O propósito do trabalho é intervir no espaço público, projetando um equipamento social para promover o bem-estar social e qualificar uma área em Benfica, no concelho de Lisboa. Assim, apontamos os seguintes objetivos para o trabalho:
Integrar a população da terceira idade no quotidiano da cidade
O objetivo específico deste equipamento é oferecer um serviço permanente e adequado para ajudar na carência do serviço de apoio à terceira idade da freguesia de Benfica, onde com análises de dados do concelho pudemos verificar a falta de equipamentos. O serviço prestado contribuirá para dar qualidade no processo de envelhecimento dos utentes.
assegurando o conforto dos residentes e promovendo atividades acompanhadas, desde a alimentação, saúde, limpeza, atividades diárias, animação sócio cultural, visitas, etc.
Intervir no espaço urbano
Para realizar atividades e facilitar a comodidade dos idosos que possuem uma vida ativa, a localização do equipamento tem de estar na proximidade de outros equipamentos como jardins, centros culturais, lojas, correios, bancos, cinema, teatro, centro de saúde, espaço religioso, etc, permitindo o acesso aos transportes públicos, privados, serviços dos bombeiros e ambulância porque mesmo que o utente tenha
mobilidade reduzida, o serviço tem que encontrar soluções para o integrar na sociedade e torná-lo participante das atividades propostas no programa deste espaço. Assim, o utente não será isolado por qualquer tipo de dificuldade física ou motora, mas criará meios que lhe permitirá realizar atividades em conjunto com os demais utentes. Ou seja, este equipamento tem de integrar os utentes e não os excluír da sociedade, promovendo a continuidade da vida social do utente junto à sua família e à sociedade.
Questões de trabalho
Como é que a arquitetura pode intervir e encontrar uma solução social?
Podemos imaginar um espaço acolhedor, mas a arquitetura enquanto projeto terá que responder a questões técnicas baseadas nas normas em vigor para dar resposta ao espaço físico. Sendo assim, a responsabilidade do arquiteto não está somente em resolver problemas arquitetónicos.
Como é que o espaço físico será capaz de transmitir conforto, acolhimento e corresponder às normas?
O conforto e o acolhimento dependem dos serviços prestados no espaço, da localização e da arquitetura funcional e cumpridora das normas. A agregação desses requisitos apresenta condições básicas para o espaço físico corresponder às necessidades básicas da terceira idade.
Não podemos projetar um espaço que não seja polivalente. A arquitetura, enquanto projeto, tem a responsabilidade de criar espaços polivalentes onde uma sala tenha várias valências, sendo de manhã uma sala de jogos, à tarde uma sala de convívio e à noite uma sala para assistir televisão. O desenho arquitetónico pode dar caminhos para a polivalência do espaço, chegando à conclusão que o mesmo equipamento pode-se tornar num centro de dia, num centro de convívio e num lar.
Como pode o espaço promover a integração social?
A grande preocupação atualmente é evitar o isolamento da população da terceira idade. Para tal, existem formas de incluí-los dentro do quotidiano uma vez que o espaço físico não pode isolar os utilizadores, mas tem de ser aberto e convidativo, promovendo atividades geradoras da integração das famílias e da população local como festas, apresentações, workshops e atividades inclusivas.
Metodologia
A metodologia do trabalho final foi dividida em fases de análise de referências bibliográficas, desenhos e escrita.
A revisão bibliográfica de referências dos temas em debate contribuiu para a definição do quadro teórico e concetual do trabalho. O suporte nesta fase consistiu em livros, artigos e documentários. Complementarmente, e em várias fases do trabalho, fez-se uma recolha de imagens e sensações do local, através de observação direta. Nesta fase da investigação formalizámos também as referências de outros projetos com vista a reforçar a proposta do projeto final.
A análise de dados estatísticos do concelho de Lisboa, para a compreensão do local de intervenção, apoiou a procura e a decisão de uma área para desenvolver o trabalho. A cartografia, o PDM, as análises da estrutura urbana e histórica, com base em documentos da Câmara de Lisboa, contribuíram para uma melhor definição do trabalho a desenvolver na sua componente urbana e arquitetónica.
Numa fase seguinte, elaborámos esquissos, formas, e a construção do programa da proposta final. O programa foi definido e obtido pelas análises anteriores dando suporte para
a criação das primeiras propostas desenhadas, esquissadas e esquematizadas. Também foi importante o uso de material de apoio como as maquetes e fotos do terreno para inserir nas propostas volumétricas.
A conclusão da parte escrita foi apoiada na bibliografia, nas análises e nos casos de referência, e também nas peças desenhadas nas escalas de referência de acordo com o programa estabelecido. Na fase final, deu-se a organização e a correção dos desenhos, 3D’s, fotos e montagens, maquetes, painéis e preparação da apresentação do projeto final.
Estrutura do projeto final de mestrado
A componente escrita deste PFM organiza-se em cinco capítulos fundamentais: 1. Introdução
No primeiro capítulo abordam-se as bases do trabalho: enquadra-se o tema e o local de intervenção; apontam-se os objetivos e as questões do trabalho, e, por fim, indica-se o processo de trabalho com as suas várias fases, métodos utilizados e a metodologia.
2. Enquadramento Temático
Este capítulo diz respeito à situação social existente no mundo. Tendo em conta o crescimento da população mundial envelhecida, constatamos que a qualidade de vida e hábitos saudáveis, e a assistência médica aumentou a perspetiva de vida. Por outro lado, percebemos que as cidades não estão estruturadas para assistir à população envelhecida. No enquadramento temático, estudámos como a arquitetura projetada corretamente, associada à condição e apoio social, ajuda na qualidade de vida e respeita o individuo enquanto cidadão na condição atual. Neste capítulo, ressaltamos alguma dificuldade existente nesta idade e solução para facilitar o cotidiano destes indivíduos.
3. Projetos de Referência
Os projetos de referência foram escolhidos como um estudo prévio para o desenvolvimento do projeto final.
Para análise, escolhemos quatro projetos diferentes: a Santa Casa da Misericórdia de Alcácer do Sal, que apresenta uma arquitetura moderna com formas orgânicas e que é bem implantado no terreno. Através deste projeto foi possível modelar a proposta do projeto final de acordo com o terreno; o projeto de habitação para idosos em Chur-Suiça, que possibilitou o desenvolvimento do espaço comum da proposta, trazendo um entendimento de como podemos projetar este espaço para que possa existir convívio entre os utentes; a terceira proposta foi a Unidade Residencial Madre Maria Clara, um edifício moderno com todo o conforto necessário, do qual as suas referências foram essenciais para o desenvolvimento da circulação e luz natural no espaço; a quarta e última proposta foi o Centro de Geriatria Santa na Rita Ilha de Minorca-Espanha, em que se vive para dentro não permitindo uma monotonia. Este
espaço tem circulações de medidas generosas, que dão origem a um percurso circular em todo o edifício e a dois pátios abertos de convívio.
Recorremos a estes projetos de referência como meio de justificação e de apoio para a estratégia projetual.
4. Projeto Final
O Projeto final soma duas partes: o urbano e a arquitetura. A intervenção urbana foi desenhada para dar suporte ao projeto de arquitetura. Foi necessário respeitar a morfologia existente e, ao mesmo tempo, foi-se intervindo na mesma para que fosse possível criar uma frente de rua, espaços, formas, vias e equipamentos, respeitando o existente e dando continuidade aos traçados urbanos. Seguidamente, o projeto de arquitetura, inserido na componente urbana, consistiu numa residência sénior.
5. Considerações Finais
Neste capítulo resumimos o projeto e o estudo elaborado, indicando a forma que foi desenvolvido o trabalho. Sintetizamos o processo de intervenção urbana, arquitetónica e social no projeto, e relatamos que todo trabalho foi desenvolvido e suportado em estudos prévios no terreno e no estudo de casos de referência.
2. Enquadramento temático
A escala arquitetónica dos edifícios deve ser lógica e fácil de compreender para os idosos, devendo-se evitar percursos escuros ou com labirintos. A distribuição deve ser de fácil entendimento e ter uma lógica de organização, sendo esta simples e de fácil orientação para o utente, não se podendo prescindir da sinalização onde for necessário.
O envelhecimento é um processo complexo de mudanças biológicas, psicológicas e sociais, que se iniciam no momento do nascimento e se prolongam ao longo da vida. O envelhecimento constitui para as sociedades atuais desenvolvidas uma questão cada vez mais central, assumindo reflexos, consequências e implicações numa visão cada vez mais ampla e diversa da vida social. Com efeito, o envelhecimento, que é "à partida simplesmente demográfico, de transformação das estruturas de população por idade e sexo, transformou-se em problemas de economia e de organização social." (Guillemard, 1991: 31).
Nos últimos anos, no sentido de dar uma resposta ao desafio do envelhecimento e exclusão social dos idosos, foram criadas atividades, serviços e equipamentos para dar uma resposta à população da terceira idade, sendo as atividades de férias e turismo sénior, da universidade para a terceira idade, festas temáticas, serviços de apoio domiciliário, equipamentos como o centro de dia, o lar para a terceira idade, e os centros de convívio (Martins, 2006).
Vamos analisar três conceitos relevantes para enquadrar o nosso projeto final do mestrado: o lar da terceira idade, o centro de dia e o centro de convívio. Será neste último conceito que desenvolveremos as nossas pesquisas e análises para obter um balizamento para o trabalho final. A visita a estes espaços nos permitiu estar em contacto com os utentes e, assim, através de experiências que vivenciamos, foi possível sentir, ver, conviver e ouvir testemunhos dos diversos utentes.
2.1. Lar / Centro de Dia / Centro de Convívio
Vamos analisar três conceitos de espaços que desenvolvem atividades para a população da terceira idade, uma simples descrição e análise que nos vai orientar numa abordagem aos conceitos.
2.1.1. Lar - Estrutura residencial para pessoas idosas
Equipamento social que visa o alojamento coletivo, temporário ou permanente para pessoas idosas, onde sejam desenvolvidas atividades de apoio social e prestados cuidados de enfermagem, médicos e outros.
O lar tem o intuito de proporcionar serviços permanentes e adequados à problemática biopsicossocial das pessoas idosas; contribuir para a estimulação de um processo de envelhecimento ativo; criar condições que permitam preservar e incentivar a relação intrafamiliar; e potenciar a integração social.
O lar não é uma simples residência onde as pessoas saem de manhã e voltam no final do dia. As atividades diárias transformam o lar num centro de dia e de convívio, enquanto que no período noturno o lar passa a ser a residência onde os utentes assistem televisão, tomam chá e repousam (Pinto, 2013).
Os equipamentos analisados de forma sucinta são uma resposta social que abrange o idoso e a família.
2.1.2. Centro de Dia
Equipamento social que funciona durante o dia e que presta vários serviços que ajudam a manter as pessoas idosas no seu meio social e familiar.
Os Centros de dia têm o objetivo de proporcionar serviços adequados à satisfação das necessidades dos utentes; estabilizar ou retardar as consequências desagradáveis do envelhecimento; prestar apoio psicológico e social; promover as relações interpessoais e intergeracionais; permitir que a pessoa idosa continue a viver na sua casa e no seu bairro; evitar ou adiar ao máximo o recurso a estruturas residenciais para pessoas idosas, contribuindo para a manutenção dos utentes em meio natural de vida; contribuir para a prevenção de situações de dependência, promovendo a autonomia.
confortável, com atividades diárias, refeições, dando condições físicas e psicológicas para o idoso (Bonfim e Saraiva, 1996).
2.1.3. Centro de Convívio
É um equipamento social onde se organizam atividades recreativas e culturais que envolvem as pessoas idosas daquela comunidade.
O Centro de Convívio é caracterizado por prevenir a solidão e o isolamento; incentivar a participação e incluir as pessoas idosas na vida social local; promover as relações pessoais e intergeracionais; evitar ou adiar ao máximo o recurso a estruturas residenciais para pessoas idosas, contribuindo para a manutenção dos utentes em meio natural de vida.
O lar e o centro de convívio seguem praticamente os mesmos conceitos do centro de dia. Entretanto, enquanto que no centro de convívio desenvolvem-se atividades sócio-recreativas e culturais envolvendo o utente nas atividades, pois a intenção do espaço é manter o utente ativo na sociedade contemporânea, o lar é a casa do utente onde o mesmo precisa adaptar-se com a vida coletiva, podendo ser uma habitação permanente ou temporária, dependendo da condição física e pisicológica do utente. Verificamos que o lar é o espaço onde as atividades são realizadas com mais frequência, sendo possível concluir que o lar reúne os três conceitos (Martins, 2006; Pinto, 2013).
2.2. Integração Social do Idoso
Neste ponto são abordados os conceitos de integração, inclusão, participação e de exclusão social e, de seguida, procuramos perceber em que medida estes conceitos estão relacionados com a emergência de programas de apoio para a terceira idade.
Antes de aprofundarmos os programas de apoio que têm surgido em torno da necessidade de integrar o idoso, é importante clarificarmos o conceito de integração, inclusão e participação, muitas vezes equiparados, e recorrer à análise do conceito de exclusão.
Os conceitos de integração, inclusão - associados ao contexto escolar - e participação social, embora distintos, no caso da terceira idade, remetem para a promoção do bem-estar do idoso. Contudo, alguns autores como Fernandes (1995), considera que a integração não se limita apenas ao contexto escolar, mas que se estende a outros âmbitos, nomeadamente
os que envolvem fatores que são fundamentais para uma vida digna tais como a alimentação, saúde, habitação e assistência médica.
Do ponto de vista sociológico, o conceito de integração é utilizado para “designar o conjunto de processos de constituição de uma sociedade a partir da combinação das suas componentes, sejam elas pessoas, organizações ou instituições.”. (Pires, 2012, p. 56) Nesta perspetiva, as componentes da sociedade, tais como as pessoas e as instituições, é que caracterizam e dão identidade a um determinado contexto, num determinado tempo.
Pires (2012) distinguiu integração social de integração sistémica. A integração social é “o modo como indivíduos autónomos são incorporados num espaço social comum através dos seus relacionamentos, isto é, como são constituídos os laços e símbolos de pertença coletiva”. Do ponto de vista sistémico, a “integração é o modo como são compatibilizados entre si subsistemas sociais especializados, isto é, como são constituídas as interdependências entre subsistemas de um mesmo sistema” (Pires 2012, p.56).
Para Freire (2008, p. 5), a inclusão “é um movimento educacional, mas também social e político que vem defender o direito de todos os indivíduos participarem, de uma forma consciente e responsável, na sociedade de que fazem parte, e de serem aceites e respeitados naquilo que os diferencia dos outros”.
Na perspetiva de Monteiro (2012) estar incluído significa ter acesso a autonomia financeira, ao desenvolvimento humano, qualidade de vida e equidade.
A participação social é igualmente um conceito associado ao idoso e aos conceitos de inclusão social e de integração social. Na perspetiva de Paiva (1993, p. 147), a participação social “abrange um leque alargado de situações que vão desde os comportamentos individuais, aos processos de eleição e representação política, e à presença de grupos ou movimentos em programas e atividades”.
Os autores consideram que a participação está associada à integração social, sendo necessário fazer corresponder “ações que permitam um maior acesso aos bens e serviços existentes numa dada sociedade e neste sentido possibilitar a inclusão de grupos ditos marginalizados ou então ter em vista a transformação social.” (Paiva, 1993, p. 147).
Segundo Freitas (2011), é importante ter em conta duas dimensões na participação social: a manutenção das relações sociais e a realização de atividades lucrativas para o idoso, uma vez que estas têm influência na “qualidade de vida na reforma, o bem-estar subjetivo e a satisfação de viver.” (Freitas, 2011, p. 29).
Cabral e Ferreira (2014) classificam a participação cívica dos seniores como formal e informal, de acordo com o contexto em que esta ocorre. No caso da participação formal, esta diz respeito às atividades realizadas em organizações com objetivos definidos, sejam eles de caráter religioso, cultural, entre outros. Por outro lado, a participação informal ocorre quando o idoso participa em atividades fora do contexto organizacional. Na investigação que estes autores levaram a cabo, avaliaram a participação formal e informal nos séniores. Para tal, a participação formal foi avaliada através do indicador “pertença associativa e envolvimento em actividades para a «terceira idade»” e a participação informal através do indicador “pertença regular a grupos de pessoas e a prestação voluntária de cuidados a crianças e adultos.” (Cabral e Ferreira, 2014, p. 93).
Quanto à participação dos séniores em atividades dirigidas para a terceira idade, verificaram que dos 240 participantes, apenas cerca de um quarto dos seniores inquiridos participaram pelo menos uma vez nas instituições que organizam essas 25 atividades, sendo os idosos entre os 65 e os 74 anos os que mais participam nestas atividades. As atividades mencionadas pelos séniores foram, em primeiro lugar, a igreja e as instituições religiosas, seguindo-se as atividades promovidas pelas juntas de freguesia, pelas associações recreativas e, por último, as câmaras municipais. Os autores ainda ressaltaram o caso dos reformados, que se destacam por participarem em atividades promovidas pelo Inatel (Cabral e Ferreira, 2014).
Relativamente à participação informal dos seniores em atividades, os autores verificaram que, numa amostra de 998 seniores, menos de metade participavam em atividades de caráter informal. Quanto à idade, apuraram que os idosos com mais de 75 anos são os que menos participam nesta modalidade e, ainda, que existe uma relação entre escolaridade-participação, na medida em que os idosos que não têm quaisquer habilitações e não sabem ler nem escrever, eram os que menos mantinham relações sociais. Pelo contrário, os idosos com maiores habilitações literárias apresentam uma maior participação informal (Cabral e Ferreira, 2014).
Os autores ainda verificaram que à medida que se avança na idade, as duas dimensões de participação tendem a diminuir (Cabral e Ferreira, 2014). Atualmente é feito um apelo à participação social do idoso, no sentido de promover uma melhor qualidade de vida.
O Comité Económico e Social Europeu (CESE) é exemplo disso, uma vez que apela à participação do idoso na sociedade e salientando que os idosos são elementos fundamentais na sociedade pelo dinamismo, competências, conhecimentos e experiências que tem para partilhar com as gerações futuras. O CESE considera que os idosos “contribuem, individualmente e em conjunto, para a nossa economia, para as nossas comunidades e para a transmissão da nossa história. Enquanto membros de uma família, as pessoas idosas são responsáveis por encorajar a coesão e a solidariedade na nossa sociedade” (O’Neill, 2013, p.16).
Embora o conceito de exclusão seja direcionado para as questões políticas e económicas, por outro lado Pereira (2013, p. 2) considera que “a exclusão social significa fundamentalmente desintegração social a diferentes níveis: económico, social, cultural, ambiental e político”.
A exclusão social vai para além da privação económica. Esta “reflete-se na fragilização dos laços familiares e sociais e na não participação na vida comunitária, e implica o que Castel (1995, citado por Pereira, 2013, p. 2) designa de «desafiliação» em relação à sociedade: o não reconhecimento do lugar na sociedade”.
Para Silva (2001, citado por Martins e Santos, 2008) são diversas as situações em que o idoso pode estar sujeito à exclusão social, tais como a condição de reformado, sem relação com o trabalho e com os colegas, pela dificuldade de comunicação com as gerações mais jovens, pelo isolamento em relação à família, pela perda de autonomia física e funcional e ainda pelas dificuldades da adaptação às novas tecnologias. No tópico seguinte abordaremos a qualidade de vida do idoso.
do envelhecimento tenderá a tornar-se uma preocupação dos centros de investigação europeus”.
Observa-se que as pessoas vivem mais tempo, mas esta longevidade pode estar marcada por doenças crónicas e incapacitantes, inviabilizando a preservação da sua autonomia e independência. Como referem Varanda e Freitas (1998), quer o processo de envelhecimento em si, quer a prevalência das doenças crónicas levam a que as condições físicas dos idosos não sejam geralmente as melhores, provocando-lhes sofrimento e incapacidade funcional.
No âmbito psicológico, mais do que o processo de envelhecimento, são as sucessivas crises pelas quais o idoso passa (lutos, perdas de papéis sociais, mudanças de vida) que esgotam os seus recursos psicológicos no esforço de adaptação, geram problemas como a depressão, a ansiedade e a baixa de autoestima. A nível social, o idoso caracteriza-se muitas vezes pelo isolamento, mesmo quando vive acompanhado com familiares ou outros, é a solidão sentida gerada pela impossibilidade de relações.
Também, o fato de o idoso já não contribuir produtivamente para a sociedade, conduz a que seja tratado de modo diferente, o que não facilita a sua integração social, mas sim a sua marginalização.
Segundo Renaud (2000, p.43) “a saúde afeta a vida, quando se pensa na vida plena, tem-se em primeiro lugar na mente uma vida com saúde”. A saúde surge sistematicamente como especto mais importante na vida das pessoas, nomeadamente nos idosos. É uma das variáveis determinantes da satisfação da vida. Hill, citado por Ferreira (1990) considera saúde “como a condição em que se encontra o organismo humano quando reage satisfatoriamente às condições do meio ambiente onde vive” (Ferreira, 1990, p.15). Assim, tendo por base este conceito, para que o indivíduo tenha saúde é fundamental haver um ajuste entre o indivíduo e o meio. Deste equilíbrio resultará um bem-estar consciente, permitindo ao indivíduo desenvolver as suas capacidades fisiológicas e psíquicas, reagindo ao meio físico e social que o rodeia sem sofrimento. Também segundo a OMS, a saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas ausência de doença ou enfermidade.
Hoje é aceite que a saúde é uma encruzilhada na qual confluem uma série de fatores de índole variada: fatores individuais, coletivos, biológicos, sociais, económicos, culturais, religiosos, políticos, entre outros (Coelho, 1997).
Ao verificar-se que a qualidade de vida se pode avaliar em muitos domínios, é fundamental uma aproximação multidimensional do conceito de qualidade de vida relacionada com a saúde, pelo que se tem considerado pelo menos quatro dimensões na avaliação da mesma, a física, a funcional, a psicológica e a social. A dimensão física refere-se aos sintomas físicos, dolorosos ou não, derivados da doença ou do tratamento. A funcional tem a ver com a capacidade do indivíduo em se auto-cuidar, deambular, atividade física, assim como a capacidade para concretizar as tarefas familiares e laborais habituais.
A dimensão psicológica focaliza-se no funcionamento cognitivo, emocional, nível de satisfação vital, felicidade e a perceção global de saúde. Por último, a social centra-se na interação do sujeito doente com o seu ambiente, com os seus contatos sociais e com o estado de autoestima pessoal face a uma doença crónica.Desta forma Carod-Artal citado por Imaginário (2008, p.20) considera que “…duas pessoas com o mesmo estado objetivo de saúde podem ter qualidade de vida muito diferente”. Amaral e Vicente (2000), afirmam que é fundamental efetuar uma abordagem compreensiva e multidimensional dos problemas dos idosos, seguindo esta lógica requer não somente uma abordagem biomédica, mas sobretudo uma abordagem holística. Esta consiste na realização exaustiva das esferas biológica, psicológica, cognitiva e sociofamiliar dos idosos, uma vez que a autonomia é a componente fundamental do bem-estar do idoso e para esta concorrem todos os fatores que promovem a saúde. Esta perspetiva é fundamental dado que não é o problema de saúde que frequentemente condiciona a qualidade de vida ou o futuro do idoso, mas sim a sua autonomia e independência. Os múltiplos complexos e inter-relacionados problemas dos idosos requerem, como já foi dito, uma abordagem bio-psico-social, com esta postura procuram-se determinados problemas que nos idosos constituem as causas mais frequentes de incapacidade. A obtenção de dados da esfera funcional, física e social é extremamente preciosa, uma vez que nos fornece subsídios para o nível de assistência a proporcionar ao idoso.
3. Projetos de referência
3.1. Santa Casa da Misericórdia, Alcácer do Sal
A Santa Casa da Misericórdia de Alcácer do Sal, em parceria com os arquitetos Aires Mateus, projetaram um lar de idosos contemporâneo, reunindo a arquitetura contemporânea com a social e respondendo a um programa com qualidade espacial. O projeto foi pensado para receber pessoas carenciadas com baixa reforma ou com problemas familiares, valorizando a vivência dos utentes daquela zona rural de Alcácer.
O edifício contrasta com o espaço urbano e rural pelo sua forma e desenho diferenciado, mas bem inserido no terreno e tira partido da topografia do terreno; da sua geometria expressiva com grandes aberturas de vãos, que permite a entrada da luz natural ao mesmo tempo que as suas reentrâncias protegem os vãos do Sol; e pela fachada, desenhada com cheios e vazios criando sombras e luz direta e indireta. A arquitetura dos cheios e vazios refletem no interior do edifício, criando um espaço privado e público que vai de encontro ao conceito social e comunitário, valorizando a privacidade do utente, que é uma norma referida no regulamento.
O conceito minimalista do exterior é visto no interior. A cor branca é vista no pavimento, dividindo a opinião de alguns profissionais da arquitetura, do designer interior e da psicologia que defende que as cores auxiliam o utente a orientar-se no espaço. A aplicação da cor branca neste edifício vai de encontro com um registo das obras dos Aires Mateus, onde o minimalismo reina e a cor é sempre a mesma, o branco.
Figura 04 – Circulação Interna Figura 02 – Maquete da proposta Figura 01 – Fachada Entrada Principal
3.2. Projeto de Habitação para Idosos, Chur, Masans – Suiça
Da autoria do arquiteto Peter Zumthor, o projeto habitacional para cidadãos sénior em Chur, na Suíça, é um empreendimento com vinte e dois apartamentos.
A predominância de materiais locais na construção do edifício é um dos seus grandes atrativos e, sendo um projeto de Zumthor, não poderia ser de outra forma. Tufa calcária e vidro cobrem a maior parte da superfície das fachadas.
A leste localizam-se duas entradas para o edifício completamente integradas no desenho das grandes janelas duplas que, do exterior, parecem anunciar espaços interiores com grandes pés-direitos, quando na verdade este é um “efeito” recorrente no trabalho de Zumthor e, assim, uma longa laje de betão exposto separa uma fileira de apartamentos em dois andares de pé-direito simples. O arquiteto utiliza ainda uma madeira local de lariço para o enquadramento das várias aberturas e para painéis interiores.
A entrada conduz a um grande espaço comum que distribui os moradores pelas unidades pessoais de habitação. Este corredor distributivo aparenta, na verdade, ser uma longa sala de estar povoada por mobiliário pessoal dos habitantes, ainda que de forma ordeira e desimpedida, e mantendo o sentido comunitário no espaço. As repetidas células habitacionais adquirem o sentido de peças de mobiliário que compõem uma fachada ritmada, uma vez que o seu volume não parece tocar nem o chão, nem o teto e o movimento dentro e fora das células gera um jogo de profundidade e superfície bastante dinâmico. A oeste a fachada expressa a individualidade das unidades de habitação, pela marcação de varandas abrigadas em nichos, viradas para o sol poente, sem descurar a lealdade à leitura singular do edifício como um todo.
Este projeto destaca-se pela interpretação de Peter Zumthor da relação público/privado, dando ao seu trabalho uma dimensão de projeto aberto que se completa com a ação dos habitantes. O convite feito para que as pessoas se apoderassem do espaço comum com objetos pessoais resultou num espaço verdadeiramente partilhado, que é de todos no geral e no particular. Deste projeto tomamos como referência a solução tipológica de um corredor distribuidor onde se privilegiam ações e relações, não sendo este apenas um percurso de passagem, mas um espaço povoado por objetos dos moradores, apoderado e partilhado por eles de igual forma. Assim, pretendemos incluir esta vertente na nossa
proposta para que os interstícios entre espaços onde decorrem atividades tenham equipamentos que possam ser utilizados pelos utentes, para que neles também decorram ações.
Figura 07 – Vãos de Janela - Circulação
Figura 06 – Circulação e Convívio Figura 05 – Fachada Principal
3.3. Unidade Residencial Madre Maria Clara
A Unidade Residencial Madre Maria Clara é um projeto da autoria de Cristina Veríssimo, Diogo Burnay e Patrícia Ribeiro, e da Arquiteta Paisagista Inês Norton de Matos.
Situado na Portela de Carnaxide, concelho de Oeiras, numa malha urbana de bairro social e equipamentos públicos, o edifício da Unidade Residencial Madre Maria Clara é de uma volumetria regular, mas diferenciado. O edifício destaca-se entre os outros edifícios residenciais e equipamentos pela cores e materialidade. No piso térreo, o revestimento em ardósia preta contrasta com a transparência dos vidros da fachada e o colorido dos revestimentos.
A unidade Residencial oferece 60 habitações de padrão de excelência, distribuídos por quatro pisos ligados por um núcleo central flexível onde permite o convívio entre os residentes e visitantes. A circulação e os vazios projetados estrategicamente criam um sistema bioclimático no interior do edifício, com circulação do ar e luz natural. O jardim exterior é uma extensão do espaço público consolidando as tensões urbana existente na paisagem. Além da função residencial, em apartamentos de grande qualidade arquitetónica, a unidade oferece aos seus utilizadores uma função de Apoio Social, tanto através da prestação de serviços básicos (alimentação, higiene da roupa, higiene pessoal e cuidados de saúde, etc), como apoio ao desenvolvimento de atividades de sociabilidade (como de convívio, lazer, formação, cultura, etc). Estas atividades estão divididas entre a residência, apoio domiciliário e o centro de dia.
A infraestrutura é constituída por 45 apartamentos destinados a idosos casais ou individual com autonomia, mas que se debatam com problemas de isolamento social. Dispõe de 15 apartamentos, constituídos em Residência Assistida para acolhimento de 20 idosos que, vivendo sozinhos ou com outra pessoa também idosa, se encontrem em situação de recuperação ou convalescença que não necessite de cuidados clínicos em internamento hospitalar.
Na memória descritiva, o edifício estabelece uma relação de continuidade e complementaridade com a paisagem urbana envolvente.
A sua localização permite uma boa exposição solar para os fogos e uma forte relação com a topografia, em que o terreno é o contentor do jardim.
O piso térreo é um embasamento composto por volumes de ardósia, que deixam vislumbrar, através de algumas transparências, o jardim e inversamente a rua. Nos pisos superiores é introduzido um carácter de maior diversidade com os ritmos e dimensão dos vãos.
No piso térreo foi estruturado o programa de serviços de carácter público podendo assim servir a comunidade mais próxima.
A zona de circulações dos pisos, colocadas entre os fogos, permitem que o ar circule verticalmente pelos vazios funcionando assim como uma chaminé térmica. Os fogos são distribuídos em duas bandas de quatro pisos interligadas pelos espaços públicos de circulação, que formam “bolsas de estar” e vazios que permitem uma transparência vertical entre todos os pisos.
Figura 10 – Circulação/Galeria Figura 09.- Vista Principal da Entrada
3.4. Centro de Geriatria Santa Rita (2008), Ilha Minorca Espanha
O centro geriátrico da Ilha de Minorca é um projeto de autoria do arquiteto Manuel Ocanã de Valle, que agrega as condições principais de privacidade, acessibilidade, segurança e independência necessária aos moradores. O arquiteto tirou a monotonia dos centros geriátricos e hospitais com os grandes corredores projetando espaços abertos.
As circulações e acessos foram projetados com medidas generosas, permitindo uma circulação agradável e livre de obstáculos, e incentivando os moradores a desfrutar do ambiente de forma agradável. O edifício desenvolve-se num circuito fechado, dando a liberdade para o utente caminhar no interior do edifício convivendo em espaços amplos e generosos. Esta forma foi gerada pela topografia do terreno, onde no passado existia uma antiga pedreira. O desenvolvimento do edifício é do interior para o exterior, partindo de uma unidade de núcleo básico que são os próprios quartos. O edifício é encerrado com uma estrutura retangular translúcida, composta de duas folhas duplas de policarbonato. A fachada no interior, também translúcida, com elementos de sombreamento adicionais de acordo com a orientação solar. Alguns painéis interiores são coloridos em tons de azul e verde na fachada Figura 11 – Fachada Posterior Figura 12 – Maqueta da Circulação
A cobertura é um plano em betão armado à vista, pintado com linhas com cores diferentes captando o contorno da topografia da antiga pedreira. As cores são aplicadas no edifício para diferenciar as diversas áreas terapêuticas do centro geriátrico e instalações.
Entre os quartos e paredes do exterior do edifício existe uma variação de medidas. Nestes espaços são desenvolvidos as atividades e circulação. O interessante é que os espaços de atividades estão no meio do percurso, permitindo uma circulação diferente em todo o edifício, não existindo uma métrica nas regras no percurso, pois são interrompidos por espaços de atividade onde o utente pode contornar pelos dois lados.
O baixo valor do orçamento fez o arquiteto economizar no acabamento da obra. Verificamos as instalações técnicas expostas, cortinados de pano encerrando ambientes e até mobília simples compondo o espaço. O baixo orçamento influenciou a que o arquiteto projetasse o acabamento interior e mobiliário minimalista, que acabou por originar um projeto caracterizado pela sua simplicidade e conforto que se enquadram nas normas de espaço para a terceira idade.
Os quartos foram desenhados para serem ergonomicamente proporcionais, com dois acessos: um para o interior do pátio e o outro para o interior do edifício. Os quartos estão divididos em duas tipologias simples e duplos. São contíguos, formando um percurso fechado em volta de um jardim interior (pátio) dividido em três aconchegantes jardins, acessível a partir dos quartos.
Figura 13 – Vista do Centro Geriátrico Figura 14 - Pátio
4. Projeto final 4.1. Urbano
Intervenção Urbana – Requalificação
O projeto urbano foi desenvolvido num terreno inóspito da Junta de Freguesia de Benfica, um terreno que no passado era visto como um logradouro abandonado que servia de hortas urbanas para os moradores locais. Recentemente foi pavimentada e prolongada, para a Rua André Resende, um eixo que liga a Rua Venezuela à Rua General Morais Sarmento, criando uma via de acesso para os atuais moradores. Na mesma rua foi construído um novo edifício de habitação, que não qualifica a zona. Assim, é necessário um projeto de requalificação urbana para dar nova função ao antigo logradouro.
Verifica-se que no ano de 2002 o terreno era inóspito, sem uso, servindo como um grande logradouro. Não podemos confirmar se houve uma falha no planeamento urbano, pois o terreno é propriedade da Câmara Municipal de Lisboa e o bairro de Benfica cresceu e desenvolveu-se ao redor deste terreno.
No ano de 2005 iniciou-se uma obra do referido prédio de habitação junto à 3ª divisão da P.S.P. Trata-se de uma permuta negociada entre a Câmara Municipal de Lisboa e a Sociedade de Construções Eurico & Ididro, LDA. (Assembleia Municipal Lisboa, proposta 334/2019).
Na recente imagem do terreno, ano 2019, verificamos que a situação atual contínua inóspita, embora com a alteração sofrida no prolongamento da Rua André Resende, o mesmo apresenta uma oportunidade para uma futura consolidação da malha urbana.
Moreira (2007) refere que a palavra “requalificação” é recente em Portugal, aparecendo no final dos anos 80, sendo que, até 1998, nos livros e dicionários urbanísticos, os conceitos utilizados falavam em revitalização, recuperação, reabilitação ou restauro. Moreira (2007) define que requalificação urbana, de acordo com o documento VALIS - Valorização de Lisboa em 1990, refere-se ao significado do conceito como recuperar o sentido da localização residencial das populações, através de diversas ações e medidas, que vão da infraestruturação à valorização da imagem interna e externa, passando pela provisão dos adequados serviços e pela equidade no acesso ao emprego. Todos os caminhos, da nova rua ou da nova aldeia, deverão levar à Metrópole, sem traumas de regresso(s). A estratégia deve levar a ações que permitam descobrir e qualificar a essência dos lugares - através das lembranças, convívio e património – que se herdou e importa valorizar, como também o que se deve construir no espírito do tempo.
A requalificação urbana de uma zona do ponto de vista social entrega aos moradores conforto, bem-estar e dinâmica urbana. O projeto de requalificação moderniza e recupera
zonas, dando uma nova função e valorizando o património e habitação existente.
No lado económico gera emprego e oportunidade para o crescimento do comércio local melhorando a freguesia.
Analisámos o potencial da requalificação urbana com ganhos sociais para moradores e visitantes. Do ponto de vista urbano, a cidade fica valorizada com uma nova infraestrutura, edificados e um espaço dinâmico.
Na economia, todos tiram proveitos: os residentes com o comércio local, facilitando o dia-a-dia, e os visitantes que passam a frequentar e a usufruir do espaço, aumentando os lucros dos comerciantes que acabam por gerar novos empregos e uma contribuição para cidade.
Moreira (2007) acrescenta que a requalificação urbana inclui aspetos de carácter económico, ambiental, físico e social. A requalificação pretende criar condições necessárias para o desenvolvimento de atividades económicas rentáveis, proporcionando emprego aos seus habitantes e permitindo, assim, a sua inclusão ao nível produtivo. No ambiente, a requalificação urbana prende-se com o conceito de qualidade de vida por desenvolver um espaço público com abundância de verde e água, criando um equipamento adequado para proporcionar aos seus habitantes a melhor qualidade de vida, criando as condições físicas necessárias e trazendo para o espaço convívio social no comércio, praça e ruas.
A Requalificação urbana procura reintroduzir as qualidades urbanas, as acessibilidades e a centralidade de uma determinada área, provocando a sua mudança ao nível paisagístico, cultural, social e económico. Assim, a proposta urbana tornou-se a base do projeto de arquitetura verificando que a zona de intervenção não possui características nem condições para implantação de um equipamento de apoio social. A proposta disponibiliza um espaço aberto; praças para convívio e diversão equipada com brinquedos; equipamentos para a prática de exercício físico; passeios confortáveis; arborização; lâminas d´água; relva que criam um espaço convidativo e acolhedor para residentes e visitantes; edifícios de habitação com garagem no subsolo e escritório (espaço de trabalho com suíte, cozinha, área de serviço e wc coletivo); comércio; edifício de habitação simples com característica já existente em
Consideramos que para o bom funcionamento precisamos apresentar no projeto componentes das normas da eficiência energética no edifício de habitação e equipamentos, o uso de brise-soleil nas varandas, o cobogó nas escadas, painel solar, pérgolas, laje ajardinada, espelho d´água, horta urbana, relva e arborização.
Nas proximidades do terreno temos a Junta de Freguesia de Benfica, a 3ª Divisão da P.S.P, a Estação Caminhos-de-ferro (CP) de Benfica, o Centro de Saúde, a Escola Superior de Música de Lisboa, o Parque Silva Porto, o Mercado de Benfica, a Igreja, Supermercados, Transporte Público da Carris, etc.
Podemos classificar o terreno como uma zona com qualidade de vida e mobilidade urbana, mas verificamos que a consolidação da malha urbana, dando um uso específico, aumentaria a qualidade de vida dos moradores que vivem na envolvente do terreno e os demais moradores da zona.
Características:
Habitação 01: Prédio tipologia esquerda/direita, 5 pisos,64 fogos, 11 lojas, 8 escritórios e vagas de garagem.
Habitação 02: Prédio tipologia esquerda/ direita, cinco pisos, 16 fogos e vagas garagem. Figura 22 – 3D Fachada Principal Habitação 01
Escola primária:12 salas para abranger do jardim-de-infância ao 4ª ano, sala de leitura polivalente, 2 salas de expressão plástica, auditório, sala de informática, refeitório com cozinha industrial, sala de professores, secretária, arrumos, espaço de apoio, wc simples e wc equipado para pessoa com deficiência física, pátio central equipado com espaço para atividade física e diversão e pátio exterior parcialmente coberto.
4.2. Arquitetura
Residência Sénior em Benfica
O projeto da Residência foi desenvolvido com base no estudo dos casos analisados, sendo estes os principais projetos de referência descritos neste trabalho. Utilizámos ainda outras residências e lares de idosos para melhorar o projeto: a Casa da Cidade Arq. Manuel Salgado (RISCO), Domus Lisboa Arq. Frederico Valsassima, Residência Moinhos da Funcheira, etc, não sendo uma análise com profundidade, e não constando como projetos de referência, mas que tiveram a sua relevância no trabalho e no projeto.
Começámos por desenvolver a forma e a volumetria do projeto num contexto urbano diferenciado e condicionado pelo existente, o que nos permitiu perceber que o lugar que escolhemos para propor a residência deveria ter qualidade, não simplesmente para o edifício em si, mas também pelo seu uso. Sendo assim, escolhemos a esquina da Rua André Resende com a Rua General Morais Sarmento, que nos permitiu proporcionar aos residentes duas vias facilitando a mobilidade urbana no dia-a-dia uma vez que o terreno do lado oposto tem uma forma orgânica. Seguidamente, começámos a desenvolver formas com um único volume, retirando o centro do volume para dar leveza na forma, pois quando o inserimos no desenho urbano sentimos que aquele volume não teria uma particularidade com o terreno. Com isto, partimos outra vez para a volumetria única e repartimos em três partes iguais separados com distâncias iguais, mas ainda assim a morfologia do terreno não era refletida. A preocupação naquele momento era conciliar com a morfologia orgânica do lado oposto, com os volumes repartidos em três, mas a condicionante daquela morfologia orgânica era para ser sentida do lado reto do terreno. O jogo de volumes começou a ser desenvolvido e chegámos ao primeiro volume, o do limite da rua André Resende; o segundo afastamos com uma medida aleatória; o terceiro com outra medida, que logo nos fez perceber que ali estava a força do projeto, visto que a intensão inicial era criar um forma que se conjugasse com a morfologia do terreno e não uma forma simples que serve para qualquer terreno. Para existir uma ligação entre os volumes, o que não poderia acontecer com três volumes soltos no terreno, ligámos as formas pelas extremidades com a intensão de criar vazios no interior.
Após a consolidação da forma, começámos a desenvolver o interior e o programa de uma residência de idosos, com todo o programa dentro da forma projetada, cumprindo as normas existentes.
Em seguida, começámos a definir os aspetos dos projetos de referência para compor o nosso projeto. Já tínhamos selecionado alguns dos aspetos, mas era necessário filtrá-los. Sendo assim, separamos quatro projetos: dois nacionais (Santa Casa de Misericórdia em Alcácer do Sal e a Unidade de Residência Madre Maria Clara em Carnaxide – Lisboa) e dois internacionais (Habitação para idosos em Chur-Suiça e o Centro de Geriatria Santa Rita na ilha de Minorca – Espanha).
Os projetos de referência já foram descritos no capítulo 3, salientando as suas principais características e as mais-valias a serem aplicadas no projeto da Residência.
A Santa Casa de Misericórdia de Alcácer do Sal, projeto contemporâneo dos Arquitetos. Aires Mateus, tornou-se uma referência no país pela sua arquitetura orgânica e funcional. Deste projeto retirámos o minimalismo do conceito usado na obra e o aplicámos na nossa fachada, onde o primeiro piso é vedado com um grande envidraçado, em poucas paredes de alvenaria, que nos permitiu criar uma relação com o interior e o exterior em todo o primeiro piso. Na entrada temos um hall valorizado pelo seu pé direito alto com entrada de luz abundante. Neste espaço está a receção para atendimento dos usuários habitual e visitantes, café com mesas e deck exterior para servir refeições rápidas, espaço de convívio com sofá para uma boa prosa com vista para um deck, espelho d’água e uma praça arborizada. No segundo e terceiro piso, aplicamos o minimalismo de Aires Mateus nas varandas. Três cumpridas lajes formam as varandas corridas, dividas com painel de vidro formando um zig-zag, que dão a sensação que é apenas uma só varanda, mas que têm painéis de vidro na perpendicular limitando a varanda de cada residente.
A Habitação para Idosos em Chur – Suiça, projetada pelo Arquiteto Peter Zumthor, chama a atenção quando usa o espaço de circulação comum para criação de convívio entre os idosos. Esta proposta audaciosa sempre existiu no projeto. O seu cárater de habitat e de convívio eram duas intensões que tínhamos para o projeto, para unir as pessoas, tanto os residentes como familiares e visantes. Assim, projetaram-se espaços de convívio no segundo e terceiro pisos, para unir os residentes desde uma sala de televisão e jogos, até mesmo alguns espaços na circulação, criando uma espécie de sala de convívio aberta.
O encontro e o convívio acontecem na saída dos quartos, em espaços bem articulados em toda a circulação. Optámos, no projeto, em desenhar corredores cumpridos, generosos em medidas e com espaços de convívio e de encontro. No projeto, o espaço de convívio foi garantido para os residentes e familiares, utentes e visitantes, levando em consideração outras atividades praticadas na residência com a participação de pessoas que não são moradores da residência, mas que poderão beneficiar do equipamento. Assim, criámos espaços de convívio para os não residentes.
O programa do projeto de arquitetura usou uma parte da estrutura funcional da Unidade Residência Madre Maria Clara dos Arquitetos(as), Cristina Veríssimo, Diogo Burnay e Patrícia Ribeiro e Inês Norton de Matos. O investimento arquitetónico não foi direcionado simplesmente para a comodidade dos residentes. Os arquitetos pensaram na função social e projetaram o espaço para comportar uma valência social. Aplicámos estas funções no nosso projeto, criando um espaço de lazer, oficina, formação, leitura, auditório para concertos, teatros e filmes, espaço de beleza, ginásio, lavandaria, sala de jogos, sala de convívio, refeitório, um espaço funcional, e as atividades foram desenvolvidas no intuito de agregar as funções sociais necessárias na freguesia de Benfica. Apropriamo-nos de algumas ideias valiosas deste projeto de referência para a funcionalidade na nossa proposta. Deste projeto de referência também tirámos partida do sistema bioclimático projetado de formal funcional e gratuita e natural, aplicando na nossa proposta estes conceitos bioclimáticos, como a circulação do ar no interior do edifício e nos quartos, a utilização dos ventos cruzados para baixar a temperatura no interior do edifício, evitando o uso do ar condicionado, e o sistema de tratamento do ar e a utilização da luz natural, que é aproveitada desde a manhã até ao pôr-do-sol, visto que o edifício está localizado estrategicamente para beneficiar da fonte de luz natural e iluminar e aquecer o interior do edifício; o jardim no interior é formado por dois pátios com vegetação e água, o que ajuda a qualificar o espaço criando sombras, e um espaço de convívio integrado com a natureza e o uso do espelho d’água para dar qualidade ao ar e um clima interno. Todas estas funções bioclimáticas criam um microclima no interior do edifício beneficiando a qualidade de vida dos residentes, funcionários, usuários e visitantes do espaço.
Os pátios foram desenvolvidos para espaço de convívio, lugar onde vemos e somos vistos, lugar de admirar e ser admirado. Optamos por criar duas caixas envidraçadas no meio
do edifício que permite ser contemplada por diversos pontos do interior do edifício. O seu acesso é no piso zero, com um espaço pavimentado com relva e ornamentado com vegetação, e um espelho de água na sua superfície que dá origem a um lugar confortável para descansar depois do almoço ou das atividades.
Certamente foi acrescentado qualidade no projeto, com a referência do Centro Geriátrico Santa Rita – Ilha Minorca Espanha, projeto do arquiteto Manuel Ocanã de Valle, onde se tenta superar a monotonia dos lares de idosos e dos hospitais. No projeto também o trabalhamos para não existir a dita monotonia. Deste modo, qualificamos os espaços para dar o conforto de um lar para os residentes e para que estes pudessem sentir naquele lugar o sentimento de pertença.
Trabalhámos nas circulações e acessos com medidas generosas, evitando aos residentes e visitantes transtornos na circulação, que foi qualificada com vista para os pátios, sendo que grande parte da circulação está em volta dos pátios. No segundo e terceiro piso, o residente pode usufruir da circulação como um percurso interno com vista para o jardim do piso zero e usufruir da luz natural vinda direta do céu azul de verão. Na cobertura, este percurso volta a acontecer de forma diferente na laje ajardinada e restrita para os residentes que poderão usufruir de um espaço verde com pérgola em todo o circuito, dando sombra natural com a vegetação envolvente. Os quartos foram realizados com base neste projeto, onde não temos dois acessos, mas temos duas vistas uma para a rua e a outra para o jardim. Para concluir, a escolha da arquitetura e do desenho arquitetónico foi uma arquitetura minimalista e contemporânea, com formas deslocadas, cheios e vazios, e um volume projetado. Essas características foram pensadas para comunicar com o existente e as características dos edifícios desta freguesia.
A proposta tem quatro fachadas, sendo a vista Nascente para a Rua André Resende onde temos a maior quantidade de informação e tendo na mesma a entrada principal, as varandas dos quartos, os envidraçados dos serviços administrativos, a sala de formação, a sala de leitura, o auditório, o ginásio, um espaço de beleza e lavandaria. Todos os espaços citados abrem vãos para esta fachada tornando a fachada principal do edifício; a segunda é
Norte temos os vãos e aberturas, os vãos da circulação, a saída de emergência, as janelas da cozinha e o espaço dos funcionários.
A proposta tem uma área total de terreno 11.242m2; área de implantação 5383m2; área de construção 21.900m2 dividida em 4 pisos, sendo as fachadas Nascente e Poente com 116,5 metros de comprimento e as fachadas Sul e Norte com 72,96 metros de comprimento; os quatro pisos são acessíveis com circulação vertical e horizontal, apoiados com escadas, elevadores e rampas; no piso 0 temos toda a função social da proposta, os pisos 1 e 2 é onde estão os quartos, espaços de convívio e espaços de trabalho; a Cobertura é um espaço de caminhada sombreada com pérgola e pavimento com relva.
A Residência tem capacidade para abrigar 118 residentes podendo abrigar 40 utentes no lar de idosos, cumprindo as normas e lei portuguesa, e os demais residentes como pessoas independentes.