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Trabalho infantil e seus reflexos no desempenho estudantil e profissional

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Academic year: 2018

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ – UFC

FACULDADE DE ECONOMIA, ADMINISTRAÇÃO, ATUÁRIA, CONTABILIDADE E SECRETARIADO

PRÓ REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO

CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ECONOMIA – CAEN

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Banca Examinadora:

_________________________________________________

Prof. Dr. Marcio Veras Corrêa

Orientador

_________________________________________________

Prof. Dr. Francisco José Tabosa

Examinador Interno

_________________________________________________

Prof. Dr. Guilherme Irffi

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Ao Deus da minha vida, fonte de onipotência, razão do sopro de minha voz e sentido de minha inspiração e aos meus pais, frutos do bem, que semearam a semente e cuidou com o mais belo dos sentimentos, o amor. À namorada, Maria José, que carinhosamente chamo Melzinha, pelos momentos de força e carinho como o folhear de uma plantinha que só a natureza pode explicar.

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AGRADECIMENTOS

Ao professor, Dr. Marcio Veras Corrêa, por acreditar e incentivar em todos os momentos a conclusão deste trabalho, inclusive nos momentos mais delicados.

Ao professor, Mestre, Pedro Ivo Salvador, pela força amiga, tolerância e colaboração no entendimento das escalas e dos programas econométricos.

Ao professor, Dr. Paulo Neto pela paciência e dedicação e parceria com a nossa turma, dando-nos força e que não medindo esforços para participar de todos os momentos.

Aos professores que, em Juazeiro ou Fortaleza, abdicaram do seu precioso tempo, transmitindo com qualidade e eficiência os conhecimentos que Deus lhes atribuiu.

Aos meus colegas de mestrado que somaram forças a todo instante e que jamais dividiram espaços, mostrando companheirismo e irmandade.

Aos membros de nossa equipe de trabalho, os quais, com muita alegria tenho o carinho de citar: Batista, Disnê, Ronaldo e Fábio Ricarte.

Aos colegas que partilharam suas horas em nossos grupos de estudo: Fernando, Edmilson, Garcias e Frank.

À professora Susane Sá, pela força e reforço de todos os momentos para a conclusão desse trabalho.

À Faculdade de Juazeiro do Norte (FJN), pelo incentivo e iniciativa do programa de educação continuada.

Ao Professor e amigo Claudio Ferreira que muito colaborou nos estudos das disciplinas.

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RESUMO

O presente trabalho tem por objetivo avaliar o impacto do trabalho infantil nas notas dos alunos utilizando, para tal fim, os dados do INEP. Avalia-se aqui turmas de quinto e nono ano, dividindo-as nas disciplinas de Matemática e Português. Emprega-se então, um modelo de avaliação de impacto por um pareamento de escore de propensão, uma vez que não houve uma aleatorização entre os estudantes para se poder criar um grupo de controle e tratamento. Reforça-se que, referida metodologia tem por escopo a observância de todos os fatores que fazem com que o participante escolha receber o tratamento. Como o tratamento é concernente ao trabalho infantil, esclarece-se que existe um perfil de estudantes compelidos a trabalhar durante a infância e, como tal perfil pode ser observado na base de dados utilizados, os resultados obtidos por esta metodologia são confiáveis. Este trabalho mostra ainda que há, em média, uma perda equivalente a 15 pontos na escala SAEB no que concerne ao desempenho dos alunos que trabalham em relação aos que não laboram. Além disso, fica claro que este tratamento é mais pernicioso para os primeiros anos, pois a média dos resultados é mais negativa aos alunos do quinto ano.

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ABSTRACT

The aim of this paper is to assess the impact of child labor in the notes of the students, using for this purpose the data from INEP. It is estimated here classes of fifth and ninth years, dividing the classes in math and Portuguese. It then employs a model of impact assessment through a pairing propensity score, since there was a randomization among students in order to create a control group and treatment. Therefore, this methodology is based on the assumption that is observed all the factors that make the participant choose to receive treatment. As the treatment here is child labor, there is a profile of students who are compelled to work during their childhood, and as such can be seen in profile database used, the results obtained by this method are reliable. Thus, this work shows that there is an average of 15 points on the scale SAEB loss in performance of students who work for those who do not work. Furthermore, it shows that this treatment is more pernicious for the first year, as the average of the results is negative for the fifth year.

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LIISSTTAA DDEE IILLUUSSTTRRAAÇÇÕÕEESS

Gráfico 1 – Desempenho Série Histórica SAEB/Prova Brasil (Português)

Gráfico 2 – Desempenho Série Histórica SAEB/Prova Brasil (Matemática)

Gráfico 3 – Distribuição do Trabalho Infantil, por Setores – Crianças de 5 a 14 anos

Quadro 1 – Resumo da Evolução dos Principais Fatos e Legislações a cerca do Trabalho e Educação da Criança e do Adolescente a Nível Mundial

Quadro 2 – Principais Convenções da OIT em Relação ao Trabalho e ao Trabalho Infantil Ratificadas pelo Brasil

Quadro 3 – Histórico Evolutivo dos Fatos e Legislações em Matéria de Trabalho Infantil no Brasil

Quadro 4 – Trabalho Infantil e as Constituições Brasileiras

Quadro 5 – Controle dos Alunos

Quadro 6 – Controle dos Pais dos Alunos

Quadro 7 – Controle dos Professores dos Alunos

Quadro 8 – Controle da Escola dos Aluno

Quadro 9 – Controle da Turma do Aluno

Quadro 10 – Variáveis de Análise

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LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Número de Crianças e Adolescentes de 5 a 17 anos trabalhando no Brasil

Tabela 2 – Trabalho Infantil - Posição Cearense no Ranking dos últimos quatro anos

Tabela 3 – Estatística Descritiva (4ª Série – Português e Matemática)

Tabela 4 – Estatística Descritiva (8ª Série – Português e Matematica)

Tabela 5 – Efeito do Trabalho Infantil na Nota da Prova Brasil

Tabela 6 – Resultados da regressão das notas com a dummy de reprovação para o aluno i:

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L

LIISSTTAA DDEE SSIIGGLLAASS

CAGED – Cadastro Geral de Empregados e Desempregados

CDC – Convenção dos Direitos da Criança

CF – Constituição Federal

CIEE – Centro de Integração Empresa Escola

CPI – Comissão Parlamentar de Inquérito

CUT – Central Única dos Trabalhadores

DUDH – Declaração Universal dos Direitos Humanos

ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente

FIES – Fundo de Financiamento do Estudante de Ensino Superior

FUNDEB – Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação

FUNDEF – Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia Estatística

IDEB – Índice de Desenvolvimento da Educação Básica

INEP – Instituto Nacional de Estudo e Pesquisas Aplicadas Anísio Teixeira

IPEA – Instituto dês Pesquisas Aplicadas

LDB – Lei de Diretrizes Básicas

LOAS – Lei Orgânica de Assistência Social

MDS – Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome

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MTE – Ministério do Trabalho e Emprego

OIT – Organização Internacional do Trabalho

OMC - Organização Mundial do Comércio

ONG – Organização Não Governamental

ONU – Organização das Nações Unidas

PBF – Programa Bolsa Família

PDDE – Programa Dinheiro Direto da Escola

PDE – Plano de Desenvolvimento da Escola

PEC – Propostas de Emenda à Constituição

PETI – Programa de Erradicação do Trabalho Infantil

PL – Projeto de Lei

PNAD – Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílio

PNAS – Plano Nacional de Assistência Social

PNE – Plano Nacional de Educação

PROUNI – Programa Universidade para Todos

PSM – Propensity Score Matching

RAIS – Relação Anual de Informações Sociais

SAEB – Sistema Nacional da Educação Básica

SINAIT – Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho

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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ...12

2 REFERENCIAL TEÓRICO ...22

2.1 Trabalho Infantil ...23

2.2 Trabalho Infantil no Brasil ...24

2.3 Trabalho Infantil e as Barreiras nas Definições ...29

2.4 Educação e Trabalho Infantil ...31

2.5 Trabalho Infantil e Vulnerabilidades da Legislação...34

3 METODOLOGIA ...42

4 BASE DE DADOS ...44

4.1 Modelo Econométrico ...45

4.2 Estatísticas Descritivas ...45

5 RESULTADOS ...52

6 CONCLUSÃO ...58

RFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...61

ANEXOS...65

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A presente dissertação tem a motivação de avaliar de que forma o trabalho infantil repercute no aproveitamento estudantil, ensejando fornecer algum tipo de mensuração de impacto desta prática no desempenho dos alunos, buscando acrescentar, à literatura já existente, informações fundamentadas em estudos e levantamentos estatísticos e econométricos, além de pesquisa aprofundada e atualizada para fortalecimento do tema. A discussão do trabalho infantil toma formato em todo mundo, e, no Brasil, políticas públicas e programas têm sido cada vez mais empregados, objetivando abolir tal prática e incentivar a educação, como: o Bolsa Família1, PETI2, PROUNI3 e FIES4. Logo, ao municiar este debate com os resultados aqui encontrados, espera-se que haja a possibilidade de fazer uma análise sobre se, de fato, o trabalho infantil deva ser combatido de todas as formas, ou deva ser observado com atenção, e, dadas as idiossincrasias de cada caso, ser repugnado ou não como práticade crianças e adolescentes.

O tema apresenta grande relevância por ser inerente a pessoas em pleno desenvolvimento, portadores de direitos e garantias fundamentais que convergem para o principal direito, que é o de desenvolver-se de forma sadia nas esferas psíquica, biológica e social. A partir do momento em que, de forma precoce, são introduzidas no mercado de trabalho, passam a assumir compromissos e pressões relativas às atividades exercidas, consideradas impróprias para o estágio de vida em que se encontram.

Em relação ao trabalho infantil e desempenho na escola e diante da literatura analisada, as reduções do trabalho infantil, como também o aumento da freqüência escolar, podem estar interligados a mudanças sócio-econômicas das crianças e adolescentes, assim como alterações institucionais, como a criação e implementação de normas, aprovação da LDB, instituição do FUNDEF, atualmente FUNDEB, acrescentando-se ainda as modificações

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1 O Bolsa família é um programa do Governo Federal que englobou diversos programas individuais, como o vale gás, bolsa escola etc.

2 O PETI é um programa de transferência de renda, do governo federal que prioriza a retirada de

crianças e adolescentes inseridos no trabalho e faz parte da Política Nacional da Assistência Social - PNAS. É executado há 11 anos no Brasil. Foi integrado ao Bolsa Família em dezembro de 2005.

3 O FIES é um Programa que visa financiar estudantes de nível superior que não tem condições de

arcar com os custos.

4 O PROUNI é um programa do Ministério da Educação, criado pelo Governo Federal em 2004, que

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na legislação trabalhista. Merece ênfase a expansão dos programas sociais de combate ao trabalho infantil e de apoio ao acesso à escola, dentre outros, cuja manifestação se dá por meio de programas como o Bolsa Família e o Programa de Erradicação ao Trabalho Infantil – PETI, medidas principais do último governo (CASTRO, 2009).

Em relação à diminuição do trabalho infantil, ressalta-se que na PNAD 2007, informou-se que o número de crianças e adolescentes trabalhadoras entre 5 e 17 anos foi de 4,8 milhões. Se comparado a 2006, em relação a essa mesma população e faixa etária, pode-se verificar uma queda percentual girando em torno de (0,7%). Outro fator que demonstra a diminuição anteriormente mencionada refere-se à carga horária para este intervalo de idade, tendo em vista que a pesquisa apresentou que, (30,5%) do pessoal ocupado trabalhavam no mínimo 40 horas semanais e que (19,8%) delas residiam em domicílios com renda per capita inferior a um quarto do salário mínimo.

A defesa da criança e do adolescente, além de antiga, envolve a maioria das entidades, como associações, sindicatos, igrejas, etc. Em relação a esta última, cabe destacar parte do pronunciamento da igreja católica, que já enfocou a criança como tema de várias campanhas da fraternidade, assim como em outros movimentos do clero. Como ilustração é oportuno frisar parte das orientações do Papa Leão XIII, na edição da Encíclica6 Papal Rerum Navarum, em 1991, onde pregou a dignidade do homem e já conclamava o povo ao combate ao trabalho para mulheres e crianças, através da seguinte fala,

Proteção do trabalho dos operários, das mulheres e das crianças... o que pode fazer um homem válido e na força da idade, não será equitativo exigi-lo duma mulher ou duma criança. Especialmente a infância – e isto deve ser estritamente observado -não deve entrar na oficina se-não depois que a idade tenha desenvolvido nele forças físicas, intelectuais, intelectuais e morais; do contrário, como uma planta ainda tenra, ver-se-á murchar com um trabalho demasiado precoce e será prejudicado na educação. (PAPA LEÃO XIII, 1991, par. 26).

Já no âmbito da saúde, que está inserido no contexto social, observou-se, nos escritos dos diversos literários, que o trabalho infantil também contribui na diminuição do tempo da criança para o estudo, sem mencionar que afetou a saúde desse público. Em consulta às Diretrizes para atenção integral à saúde de crianças e adolescentes economicamente ativos,

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5 O termo Encíclica Uma Encíclica ou Carta Encíclica é um documento pontifício dirigido a todos os

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observou-se que o trabalho reduziu o tempo disponível da criança para o lazer, a convivência familiar, a educação, além de promover diminuições nas relações de convivência com as outras crianças e pessoas da comunidade. Além disso, experimentam um papel conflitante na família, no local de trabalho e na comunidade, pois, como trabalhadores – adolescentes e crianças são levados a agir como adultos, porém, não se pode esquecer o fato de que são sujeitos em desenvolvimento. Conforme órgãos como o Ministério da Saúde, esses fatores são desgastantes e podem afetar o desenvolvimento cognitivo, emocional e físico desses seres. (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2005).

Justificativa

O estudo do tema se justifica por diversas razões, sendo que elencamos algumas que resumem a relevância do aprofundamento.

De acordo com a OIT, até 2011, 173 dos 183 Estados-membros da entidade se

comprometeram a combater a prática do trabalho perigoso para crianças como “questão

urgente”, ao ratificarem a Convenção nº 182, que trata das piores formas de trabalho infantil,

demonstrando, dessa forma, a preocupação internacional sobre o tema. O Brasil, por sua vez,

assumiu perante a comunidade internacional o compromisso de erradicar, até 2016, as piores formas de trabalho infantil. Como prova disso, diante das várias políticas públicas e arrocho nas fiscalizações, além do incentivo a organizações sem fins lucrativos, tipo ONGs, sindicatos, associações, cooperativas, vem, na prática, dando passos importantes em torno da matéria. Para se ter idéia, quando o mundo dedicou o dia 12 de junho à luta pela erradicação do trabalho infantil, o Brasil, compartilhou a idéia e, recentemente, por ocasião do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil, em parceria com os fóruns estaduais, a OIT e mais 79 entidades representativas dos empregadores, trabalhadores e governo federal, lançou a Campanha Nacional de Combate ao Trabalho Infantil 2011, demonstrando que o trabalho em defesa da classe deve ser contínuo, com o tema “Trabalhos Perigosos” e o mote “Trabalho Infantil. Deixar de estudar é um dos riscos”, a Campanha prioriza quatro das piores formas de trabalho infantil: o doméstico; aquele realizado nas ruas; no lixo e com o lixo e na agricultura.

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anos 2005 e 2007, as notas dos alunos da educação básica melhoraram tanto em português quanto em matemática. As etapas avaliadas foram os anos iniciais (1ª a 4ª séries) e os anos finais (5ª a 8ª séries), assim como o ensino médio (antigo colegial). Os alunos são avaliados pelo SAEB (Sistema de Avaliação da Educação Básica) e pela Prova Brasil.

A escala SAEB/Prova Brasil vai de 0 a 500 pontos. Em 2009, os resultados nas séries iniciais apresentaram um desempenho em português de 184,3 (em 2007, foi de 175,8). Os alunos dos anos finais do ensino fundamental obtiveram 244 pontos em 2009 e 234,6 em 2007, apresentando uma variação de 9,6 pontos, enquanto que os estudantes do ensino médio alcançaram 268,8, contra 261,4 no ano 2007, onde ilustramos no gráfico um, registrando neste caso uma variação de 7,4 pontos.

Se fizermos a relação entre 2009 e 2005, quando a proficiência em português alcançou 172,3 pontos, teremos que a variação positiva chega aos 12 pontos.

GRÁFICO 1

LÍNGUA PORTUGUESA

Desempenho série histórica Saeb/Prova Brasil

Fonte: INEP/MEC

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dados apresentados no levantamento, o desempenho dos alunos também foi melhor que da última avaliação, feita em 2007. Nos anos iniciais do ensino fundamental, a "nota" dos estudantes foi 204,3. – em 2007 havia sido 193,5, apresentando uma variação de 10,8. Já em relação ao ano de 2005, onde foram alcançados 182,4, ocorreu uma variação de 21,9 pontos se comparado a 2009.

Comparando os anos finais do ensino fundamental, a melhora em matemática pode ser considerada mais leve, uma vez que o desempenho foi de 248,7 contra 247,4 em 2007, representando uma diferença de 1,3 pontos. Já na comparação com 2005, a situação se apresenta mais confortável, pois o índice naquele ano foi de 239,5, apresentando uma variação de 9,2 pontos.

Para o ensino médio, a melhora do ano 2007 para 2009 foi de 1,8. Em 2009, a nota ficou em 274,7 contra 272 em 2007 e 271,3 em 2005.

GRÁFICO 2

Desempenho série histórica Saeb/Prova Brasil MATEMÁTICA

Fonte: INEP/MEC

Neste sentido, a proficiência em português e matemática relatada acima, representa também outras fontes estimulantes para continuidade do estudo.

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pobreza, eliminando as possibilidades de viver com qualidade e obrigando os pais a lançar toda família no mercado de trabalho, onde, sem opções, as crianças são privadas de viver cada etapa da vida no seu momento correto.

Vale ressaltar ainda que a legitimidade do presente estudo é procurar dar destaque a diminuição e possíveis causas do trabalho precoce, colocando em evidência, outros dados importantes da PNAD 2007 e que sofreram oscilações, conforme já apresentado em PNAD de outros anos e podem ser considerados de fundamental importância, se utilizados em comparação com o rendimento escolar. Seguindo esta linha de raciocínio, basta citar as variações do trabalho infantil no Brasil entre 2004 e 2009 para que se tenham as primeiras evidências dos reflexos que podem ter contribuído para os resultados alcançados. Oportuno se faz dizer, pois, que de acordo com a pesquisa, no ano de 2004, havia 5,3 milhões de trabalhadores de 5 a 17 anos de idade, contra 4,8 milhões em 2007, 4,5 milhões em 2008 e 4,3 milhões em 2009, como poderá ser observado na Tabela 1 . A pesquisa revela ainda que cerca de 123 mil deles eram crianças de 5 a 9 anos de idade, 785 mil tinham de 10 a 13 anos de idade e 3,3 milhões de 14 a 17 anos de idade. A região Nordeste apresentava a maior proporção de pessoas de 5 a 17 anos de idade ocupadas (11,7 %) seguida pela Região Sul (11,6%), pelo Centro-Oeste (10,2%), Norte (9,6%) e o Sudeste (7,6%)

Tabela 1 – Número de Crianças e Adolescentes de 5 a 17 anos trabalhando no Brasil

Anos Número de crianças (em milhões)

2004 5,3 milhões

2006 5,1 milhões

2007 4,8 milhões

2008 4,5 milhões

2009 4,3 milhões

Fonte: IBGE/PNAD

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Este trabalho também se sustenta nas raízes da legislação e de seus órgãos executores, a fim de mencionar informações valiosas que justificam a escolha do tema. Neste sentido, enfatizamos dados confiáveis obtidos do Ministério do Trabalho, órgão que, mesmo dentro de suas limitações e quadro resumido, defende com autenticidade os direitos do menor trabalhador, inclusive retirando muitos do mercado de trabalho, além de lavrarem Autos de Infração para que a lei seja respeitada, já que, muitas vezes, até mesmo pais de família empresários não usam da dignidade humana. Em 2011, o MTE foi mais um dos órgãos que apontou números significativos de que o nível de ocupação infantil está em declínio no Brasil.

Portanto, fatores como os elencados anteriormente, em conjunto com as mudanças na legislação interna e externa com os ganhos significativos instituídos nas Constituições Federais em matéria de proteção à criança e ao adolescente, serão pontos fortes para defender educação, trabalho e vida com dignidade, tendo em vista terem se tornado essencial à nossa história, deixando evidenciadas de que estas garantias definidas em lei continuam despertando na população um anseio imenso no seu cumprimento efetivo, nos termos em que o texto foi produzido e aprovado que resumo com o artigo da CF de 1988, abaixo,

Art. 227 – É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão (CF 1988).

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contra o trabalho infantil, data em que a OIT declarou em mais um de seus relatórios, existirem em estudos e estimativas, cerca de 215 milhões de trabalhadores infantis espalhados pelo mundo, dos quais mais da metade, (115 milhões) desempenham trabalho perigoso. Segundo o órgão, é considerado trabalho perigoso qualquer tipo de atividade que possa ser prejudicial à saúde e à integridade física e psicológica da criança.

De acordo com os dados do referido relatório, o maior número de crianças em trabalhos perigosos está na Ásia e no Pacífico, onde há 48,1 milhões. Entretanto, é na África Subsaariana que se encontra o maior número proporcional de crianças em trabalhos perigosos - são 38,7 milhões para uma população total de 257 milhões. Na América Latina são 9,43 milhões e nas outras regiões, como a Europa e a América do Norte, há registro de 18,9 milhões de crianças nesse tipo de atividade.

Ainda retratando o relatório, a agricultura continua sendo o setor com o maior índice de crianças trabalhando, 59% delas em atividade perigosa, com idade entre 5 e 17 anos. Os componentes dessa atividade, são a pesca, a silvicultura, o pastoreio e a agricultura de subsistência. O restante divide-se entre o setor de serviços (30%) e em outras atividades (11%). O relatório ressalta ainda que, ao menos um terço das crianças, realiza trabalhos domésticos e não recebem nenhuma remuneração pelos afazeres.

Elencando ainda as possíveis causas ou fatores que determinam o trabalho em idade precoce, a causa mais contundente é a situação familiar da criança ou adolescente, a qual irá compelir o menor a exercer alguma atividade remunerada com o fim de complementar a renda familiar. Sabendo desta realidade, programas sociais visam dar uma soma em dinheiro para as famílias que façam com que suas crianças permaneçam na escola, como é o caso do Bolsa Família e o PETI que foi incorporado ao primeiro.

Portanto, a justificativa mais forte para os argumentos contra o trabalho infantil é seu efeito pernicioso sobre o desempenho escolar das crianças e adolescentes, extirpando parte da infância destes indivíduos que ainda estão em idade precoce. Acontece que, em certos casos, as condições sociais de alguns indivíduos proíbem que estes gozem de uma infância plena, portanto, o argumento contra o trabalho precoce é baseado no prejuízo que causa ao aproveitamento dos estudantes. E é este o foco deste trabalho.

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prejudicar o rendimento dos alunos, contudo a magnitude pode não ser tão contundente como se esperaria em comparação, é claro, com outras características controladas dos estudantes.

GRÁFICO 3

Distribuição do Trabalho Infantil por Setores Crianças de 5 a 14 anos.

Objetivos Gerais e Específicos

Portanto, este trabalho tem o intuito de prestar uma contribuição maior para a temática, pois faz alusão àqueles menores que, apesar do fato de trabalharem, continuam na escola e por isso são contemplados na amostra analisada. Além disso, quer se responder aqui de que forma este trabalho interfere na produtividade e/ou aproveitamento desses alunos.

Mais especificamente, o trabalho ainda pretende alcançar as seguintes metas:

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– Inferir, através dos Microdados fornecidos pela Prova Brasil 2007 como o meio pode contribuir para a desigualdade de resultados, além de inserir outras variáveis, como a cor, sexo, renda, ambiente escolar etc..

– Verificar a contribuição das políticas públicas inerentes ao assunto, assim como a evolução nas legislações instituídas no decorrer da história para a redução do trabalho infantil e melhoria educacional e os seus reflexos no cenário atual.

Estudos que analisam a dinâmica do trabalho infantil são bastante difundidos e analisam as mais diversas realidades e países, e em consonância apontam que a pobreza, a escolaridade dos pais, o tamanho e a estrutura da família, o sexo do chefe, idade em que os pais começaram a trabalhar e o local de residência são os fatores que apresentam a maior influência para explicar a questão do trabalho infantil e, também, dos mais importantes para explicar a alocação do tempo da criança para o trabalho. E as principais conseqüências socioeconômicas do trabalho de crianças e de adolescentes são sobre a sua educação, o salário e a saúde, e exatamente a educação por ser um dos fatores preponderantes deste trabalho.

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2. REFERENCIAL TEÓRICO

A literatura acerca do assunto é bastante abrangente e diversificada, além de se manifestar de forma distinta de um país para outro, como pode ser observado no transcorrer deste trabalho. Ressalta-se que, o tema trabalho infantil versus educação é bem difundido e aprofundado por diversos autores, mesmo levando-se em consideração épocas em que praticamente houve uma inércia no sentido das buscas e olhares dos pesquisadores na área.

De acordo com a Secretaria Extraordinária para Superação da Extrema Pobreza, responsável pela coordenação das ações e gestão do Plano Brasil Sem Miséria, existem, atualmente, 16 milhões de brasileiros cuja renda familiar per capita, é inferior a R$ 70,00 mensais, contra R$ 66,93 de 2007. Se comparado a 1992, que alcançou um valor de R$ 33,41, representa hoje o dobro da renda per capita em vinte anos. Fatos como estes reforçam gradativamente a hipótese de redução das desigualdades em relação ao passado, porém, trabalhos incessantes e reformas estruturais e políticas poderão contribuir para erradicação da miséria. Neste sentido, a maioria dos pesquisadores também apresenta a importância da renda em relação à educação, apontando-a como uma das grandes prioridades para o crescimento do País e, conseqüentemente, na construção de uma educação voltada para todos.

Estudos que analisam a dinâmica do trabalho infantil continuam sendo bastante difundidos e analisam as mais diversas realidades entre Países. Em consonância, apontam que a pobreza, a escolaridade dos pais, o tamanho e a estrutura da família, o sexo do chefe, a idade em que os pais começaram a trabalhar e o local de residência, como os fatores que apresentam a maior influência para explicar a questão do trabalho infantil, assim como, fatos preponderantes para explicar a alocação do tempo da criança para o trabalho.

O Ministério da Saúde, em 2005 também levantou no que diz respeito ao abandono escolar, que a proporção das crianças e adolescentes estudantes eram três vezes superiores às que estudavam e trabalhavam. O levantamento ainda apresentou problemas referentes ao tópico sexo, deixando exposto que foi maior a freqüência de problemas no desempenho escolar entre os do sexo masculino, e de saúde entre as mulheres, ou seja, as que trabalhavam adoeciam com mais facilidade.

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que, em conjunto ou isoladamente, tornam o trabalho precoce prejudicial ao desenvolvimento educacional das crianças: I) aquele realizado em tempo integral, em idade muito jovem; II) o de longas jornadas; III) o que conduza a situações de estresse físico, social ou psicológico ou que seja prejudicial ao pleno desenvolvimento psicossocial; IV) o exercido nas ruas em condições de risco para a saúde e a integridade física e moral das crianças; V) aquele incompatível com a freqüência à escola; VI) o que exija responsabilidades excessivas para a idade; VII) o que comprometa e ameace a dignidade e a auto-estima da criança, em particular quando relacionado com trabalho forçado e com exploração sexual; e VIII) trabalhos sub-remunerados1.

Bezerra (2006) faz uma alerta que é absolutamente necessário o aprofundamento acerca do trabalho precoce e desempenho dos alunos, as quais precisam mergulhar em outras raízes, além da análise compreendendo a freqüência escolar ou medidas de escolaridade. De acordo com ou autor, esta antecipação ao processo laboral, tem implicações mais diretas sobre a aprendizagem e o desempenho na escola, relacionadas com as medidas das habilidades e entendimento das disciplinas trabalhadas que, como conseqüências são fontes que inibem o grau de aprovação dos alunos, evasão escolar, freqüência, atrasos e escolarização (BEZERRA, 2006; HEADY 2003).

Observa-se, portanto, que os direitos das crianças e adolescentes foram modificados constantemente pelas legislações dos Países, inclusive daqueles que ratificavam as Convenções da OIT. Percebe-se que muitas lacunas foram deixadas de forma a prejudicar a

vida dessa classe, permitindo que em todos os Países, em maior ou menor grau, crianças e adolescentes fossem vítimas das piores formas de trabalho, inclusive com ganhos inferiores aos valores considerados “justos”.

2.1 O Trabalho Infantil

A história do Trabalho infantil acompanha a própria história da humanidade. Basta dizer que já no Código de Hamurabi (1.700 a. C.) podem ser encontradas normas que regem o trabalho infantil. Na Grécia e em Roma os filhos dos escravos também eram propriedade dos senhores, sendo obrigados a trabalhar para o dono ou qualquer pessoa por ele indicada. Por sua vez, na Idade Média, com as corporações de ofício, o menor trabalhava sem qualquer salário ou proteção.

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Verifica-se, no decorrer desse trabalho que o mundo tratou o tema com preocupação em determinadas épocas, com destaque para o período da revolução industrial. Uma gama de autores defendem que o trabalho infantil prejudica o andamento das crianças e adolescentes na escola, como podemos observar abaixo:

Apesar dos acontecimentos do assunto em tela não ter se iniciado na Revolução Industrial, muitos historiadores apontam para um agravamento da utilização de mão-de-obra infantil nessa época. A autora ainda complementa, citando que já em 1861 o censo da Inglaterra mostrava que quase 37% dos meninos e 21% das meninas de 10 a 14 anos trabalhavam (Kassouf, 2007, pág. 324).

Fortalecendo e balizando mais ainda o tema focado, precisamos enfatizar alguns dados importantes relatados por Tuttle (1999). Segundo o autor, crianças e jovens com menos de 18 anos, representaram mais de um terço da força laboral nas indústrias têxteis da Inglaterra no início do século XIX e mais de um quarto do trabalho utilizado nas minas de carvão. Apesar da excepcional intensidade do trabalho infantil na Inglaterra, outros países também exibiram taxas elevadas de crianças trabalhando por volta de 1830 e 1840, como França, Bélgica e Estados Unidos, demonstrando dessa forma que os olhares de muita gente se fecharam em grande parte da historia, esquecendo por muitas vezes o verdadeiro significado de ser criança.

Dessa forma, a OIT lançou várias Convenções para erradicar o trabalho precoce que, mesmo ratificadas não foram cumpridas por boa parte dos países membros, fragilizando mais ainda os seus direitos.

2.2 Trabalho Infantil no Brasil

De acordo com Roberto Borges Martins3, o Brasil foi o último país ocidental a abolir a escravidão. Partindo deste princípio e embasado nos estudos revisados durante a construção do trabalho, percebe-se que o trabalho infantil é um fato, desde o início da história mundial, até os dias de hoje.

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físicas. O início do processo de industrialização no Brasil, no final do século XIX, não foi muito diferente no tocante ao trabalho infantil. Em 1890, do total de empregados em estabelecimentos industriais de São Paulo, 15% era formado por crianças e adolescentes. Nesse mesmo ano, o Departamento de Estatística e o Arquivo do Estado de São Paulo registravam ainda que um quarto da mão-de-obra empregada no setor têxtil da capital paulista era composta por crianças e adolescentes. Vinte anos depois, esse equivalente já era de 30%. Já em 1919, segundo dados do Departamento Estadual do Trabalho, 37% do total de trabalhadores do setor têxtil eram crianças e jovens e, na capital paulista, esse índice chegava a 40% (Organização Internacional do Trabalho – OIT, 2001). Apesar de não ter se iniciado na Revolução Industrial, muitos historiadores apontam para um agravamento da utilização de mão-de-obra.

Revivendo a história do trabalho infantil no Brasil, percebe-se que foi o advento da Revolução Industrial (Século XVIII) que propiciou a implantação de um inaceitável quadro de desumana exploração dos trabalhadores, com o tema da tutela do trabalho infantil começando a ganhar ares inquietantes. De fato, em razão da insensível voracidade do capitalismo, tornou-se comum o trabalho em ambientes extremamente hostis e cujas atividades consumiam longas jornadas diárias, na maioria das vezes em troca de miseráveis e baixos salários. E é exatamente dentro dessa inglória ambiência que se contavam um grande número de crianças e adolescentes, com força de trabalho menos onerosa e de quase nula resistência à exploração.

Dessa forma, a OIT e o IBGE, adicionado outros organismos que serão citados no decorrer deste trabalho, vêm reforçar os indícios do impacto que tem o trabalho infantil em fatia de crianças e adolescentes que estudam e trabalham no mundo inteiro. Sendo assim, o quadro deixa claro que o trabalho infantil, além de retirar muitas crianças e jovens da escola, chega a queimar etapas, excluindo-os de viver em plenitude as diversas fases da vida. Neste sentido, a falta de implementação de algumas políticas públicas, acompanhado de diferentes padrões sociais entre os indivíduos, pode levar a família a permutar o estudo pelo trabalho precoce, impedindo a criança e o adolescente de escolher o plano de cidadania que a Lei lhe garante.

________________________

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Conforme a PNAD 2007, houve redução no trabalho infantil no Brasil, registrando oscilação no número de crianças e adolescentes entre 5 a 17 anos que trabalhavam, saindo de um percentual de 11,5%, em 2006, para 10,8%, em 2007. Nesta mesma pesquisa, em termos de regiões, vale a pena reforçar que o Nordeste apresentava, em números absolutos, o maior contingente de crianças e adolescentes trabalhadores (1,8 milhão) enquanto o Sul, com 13,6% de nível de ocupação, tinha o maior percentual de crianças e jovens trabalhadores em relação ao total das crianças e jovens daquela região. Note que, apesar dos avanços no que se refere à redução do trabalho infantil, e que pese a variação de 1992 a 2007, quando passou de 19,6% para 10,8%, ainda assim foi detectada a existência de um grande contingente de crianças e adolescentes trabalhando.

A PNAD 2007 também enfocou o perfil do trabalho infantil, apresentando que 39,3% das crianças e jovens estavam em atividades agrícolas; predominava entre elas, o sexo masculino 65,7% e a cor preta ou parda 59,5%; a maioria 71,7% vivia em domicílios sem rendimento ou com rendimento médio per capita de até um salário-mínimo.

Outro ponto significante que o levantamento nos mostra, diz respeito à inserção do trabalhador na faixa da ilegalidade total, ou seja, com idade inferior a 14 anos. O levantamento constatou que existiam 1,2 milhões de crianças e adolescentes ocupadas, onde a atividade agrícola é a que alcança o maior índice, com 60%.

Com o objetivo de entender melhor as características do trabalho infantil ilegal, a análise da pesquisa realizou cortes, destacando dois subgrupos etários: de 5 a 9 anos de idade e de 10 a 13 anos. Verifica-se que no primeiro, havia cerca de 157 mil crianças trabalhando na agricultura. Desse subgrupo, 41 mil, era do sexo feminino. Ainda nessa faixa etária, 69,6% dessa população residia em domicílios com renda média per capita de R$ 189,00. Já na faixa etária entre 10 e 13 anos, 1,1 milhão de crianças e adolescentes estavam ocupados, sendo que deste total, 632 mil estavam inseridos no setor agrícola. Ainda para esta subclasse, 32,6% eram do sexo feminino, de modo que 65,1% morava em domicílios com rendimento médio per capita de R$ 229,00 mensais.

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2006/2007. Do total, aproximadamente 636 mil estavam ocupados em atividades agrícolas. O perfil desses trabalhadores adolescentes reproduziu o perfil das faixas etárias citadas anteriormente: 63,5% pertenciam ao sexo masculino, 55,4% à cor preta ou parda, e moravam em domicílios com rendimento médio domiciliar per capita em torno de R$ 352,00.

O trabalho infantil tem reflexo negativo nas taxas de freqüência à escola. No grupo de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos ocupados, a taxa de escolarização caiu de 81,0%, em 2006, para 80,0%, em 2007, enquanto entre os não-ocupados passou de 93,5% para 94%. A menor taxa de escolarização de crianças e jovens ocupados, em 2007, foi verificada na região Norte (76,6%), seguida pelo Sudeste, com 78,1%.

O fenômeno do trabalho infantil não era reconhecido, até a década de 80, como negativo pela sociedade brasileira, persistindo a concepção que o "trabalho é solução para a criança". Para a elite, o trabalho infantil consistia numa medida de prevenção, enquanto que para os pobres, era uma maneira de sobrevivência. A criança que praticava atividades laborais era vista como virtuosa, enquanto que aprender a brincar, divertir-se e vivenciar o caráter lúdico e contemplativo de algumas atividades, era considerado como perda de tempo (MDS/ÍNDICE, 2004).

(30)

Fatos surpreendentes nos motivam a combater o trabalho infantil. Para se ter uma idéia, em 2011, foram registradas 230 ocorrências de trabalho escravo em 19 dos 27 estados do Brasil. Os casos envolveram 3.929 trabalhadores escravizados, dentre eles, 66 crianças.

Apesar dessas ocorrências, a representante da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Laís Abramo, afirmou que o Brasil tem sido um exemplo mundial de combate ao trabalho escravo. Isso porque o País reconheceu oficialmente a existência do problema e porque tem havido um esforço nacional para a erradicação desse tipo de violação dos direitos humanos.

Como mais uma demonstração de luta pela erradicação do trabalho infantil, vale a pena mencionar pontos de avanços atuais no arcabouço legislacional, evidenciado nas propostas que tramitam em 2012 na Câmara dos Deputados, dentre elas, destacamos a aprovação da PEC inerente ao trabalho forçado, aprovada pela Câmara no dia 22/05/2012 e que permite o confisco de propriedades rurais e prédios nas cidades onde a fiscalização encontrar a exploração do trabalho escravo. Os imóveis expropriados passam a ser destinados à reforma agrária ou a programas de habitação. Na mesma linha de visibilidade, se encontra instalada no Congresso Nacional a CPI do trabalho escravo que vem desencadeando uma série de debates e medidas, inclusive a motivação para aprovação da proposta informada nas linhas anteriores.

Analisando a tabela 1, os dados da PNAD 2003 apresentados entre crianças de 5 a 15 anos, denota que dentro de um intervalo de uma a quatorze horas, os percentuais de criança trabalhando deve ser objeto de estudo e investigação, pois mesmo com algumas reduções já vistas durante este trabalho, o número de trabalhadores infantis ainda pode ser considerado significativo, com destaque para o trabalho infantil doméstico que alcançou 16,6%.

Tabela 2 – Número e porcentagem de crianças trabalhando

Crianças de 5 a 15 anos Número %

Trabalhando 1 hora ou mais na semana 2.730.831 7,5

Trabalhando 14 horas ou mais na semana 2.020.544 5,5

Trabalhando ou exercendo atividades domésticas

por 14 horas ou mais na semana

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Trabalhando ou exercendo atividades domésticas

por 14 horas ou mais na semana

3.229.166 8,8

Trabalhando 1 hora ou mais na semana em qualquer trabalho

que tenha tido no ano anterior à pesquisa

3.295.852 9,0

Trabalhando no ano e procurando emprego

Fonte> PNAD (2003)

O Ceará também contribuiu para amenização do trabalho infantil, como podemos observar na tabela 2. Porém, o impacto se deu em doses curtas. Prova disso, são os cortes analisados nos mais recentes levantamentos sobre o tema, através do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Observa ainda no mesmo estudo uma sensível redução em todos os indicadores considerados. Isto revela que as políticas de combate à pobreza têm apresentado elevado grau de focalização ao priorizar os mais pobres entre os pobres e não aqueles que possuem rendas próximas à linha de pobreza.

Tabela 3 – Trabalho Infantil - Posição Cearense no Ranking dos últimos quatro anos

ANO POSIÇÃO NÚMERO DE CRIANÇAS

2006 4º lugar - 329.930 mil

2007 9º lugar - 296,5 mil

2008 3º lugar - 293. 783 mil

2009 5º lugar - 293.668 mil

Fonte: PNAD 2009

2.3 Trabalho Infantil e as Barreiras nas Definições

(32)

idade. Segundo a Convenção sobre os Direitos da Criança (CDC), aprovada pela Assembléia Geral das Nações Unidas, em novembro de 1989, "criança são todas as pessoas menores de dezoito anos de idade". Por sua vez, o Estatuto da Criança e do Adolescente (1990) define criança a pessoa até os doze anos incompletos; enquanto entre os doze e dezoito anos, idade da maioridade civil, encontra-se a adolescência.

Etimologicamente, a palavra infância vem do latim, infantia, e refere-se ao indivíduo que ainda não é capaz de falar. Essa incapacidade, atribuída à primeira infância, estende-se até os sete anos, que representaria a idade da razão. De acordo com Ariés (1978), a infância é uma criação da modernidade. Em outras palavras, a infância que conhecemos atualmente foi criatividade de um tempo histórico e de condições socioculturais determinadas, considerando um equívoco querer analisar todas as crianças e infâncias e todas as crianças com o mesmo referencial. Desse modo, observamos que a infância sofre mutações com as séries temporais e com os diferentes contextos sociais - do econômico ao geográfico, até as peculiaridades individuais.

Ainda sobre o conceito de trabalho infantil, Kassouf (2004) diz que a própria definição de infância difere de um país para outro, assim como a idéia relacionada ao trabalho da criança. Ainda é importante fazer a distinção entre trabalho infantil e exploração de mão de obra infantil, pois não há consenso entre cientistas e sociedade civil organizada, se algum tipo de trabalho durante a infância pode ser considerado educativo. Conforme a autora, as atividades em que crianças ajudam os pais nos afazeres domésticos, não podem ser vistas como trabalho infantil. Portanto, o conceito utilizado deve ser mais amplo. Deve considerar o cenário onde a exploração de mão-de-obra que traz conseqüências negativas para as crianças.

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2.4 Educação e Trabalho Infantil

Em matéria de educação, no Brasil, avanços são percebidos no decorrer da história. Porém, todos conseguidos através de grandes embates. Como demonstração preliminar, pode-se citar a Lei de Diretrizes e Bapode-ses Nacional que tramitou no Congresso Nacional entre 1947 e 1961, data da sua aprovação. Em abril de 1947 foi instituída a primeira comissão formada por educadores de várias tendências que resultou no anteprojeto de lei que após alterações feitas pelo ministro da educação e saúde da época, deu origem ao Projeto de Lei da LDB. O encaminhamento do projeto se deu em 1948, com a queda do governo Getúlio Vargas e do Estado Novo. Depois de quatorze anos de entraves, Saviani (2008), finalmente sintetiza que o texto convertido em Lei, representou uma “solução de compromisso” entre as principais correntes em disputa, prevalecendo, portanto, a estratégia da conciliação.

Segundo a PNAD, entre as crianças de 6 a 14 anos, a taxa de escolarização (percentual dos que freqüentavam escola) era de 97,6% em 2009, 1,5 ponto percentual a mais que em 2004. Mesmo nas classes sem rendimento ou com renda inferior a 1/4 do salário mínimo per capita, a freqüência à escola era de 96,5% para essa faixa etária, aumentando à medida que as condições econômicas também se elevavam, chegando, nas famílias cujo rendimento era de um ou mais salários mínimos, a 99%. O percentual de crianças de 6 a 14 anos na escola foi superior a 96% em todas as regiões do Brasil. Para os adolescentes de 15 a 17 anos, a taxa de escolarização em 2009 era de 90,6%, frente à 84,5% em 2008 e 85,2% em 2004. Para os jovens de 18 a 24 anos de idade, os percentuais foram de 38,5% em 2009, 24,2% em 2008 e 30,3% em 2004. Entre as crianças de 4 a 5 anos, 86,9% estavam na escola, percentual igualmente superior aos de 2008 76,2% e de 2004 74,8%.

Apesar do aumento nas taxas de escolarização, a PNAD mostrou que, em 2009, os brasileiros de 10 anos ou mais de idade tinham em média 7,2 anos de estudo. Entre 2004 e 2009, a proporção de pessoas que tinham pelo menos 11 anos de estudo subiu de 25,9% (38,7 milhões) para aproximadamente 33% (53,8 milhões). Por outro lado, o percentual de indivíduos com menos de quatro anos de estudo caiu de 25,9% (38,7 milhões de pessoas) para 22,2% em número de indivíduos, atingindo a magnitude de 36,2 milhões de indivíduos.

(34)

de não atentarem para um planejamento educacional com educação obrigatória no ensino médio e fundamental e, gratuita em todos os níveis e faixa etária, buscando não somente a instrução e a qualidade, mas o ensino em toda a sua profundidade.

Ainda acerca da educação, de acordo com o Relatório Anual da UNICEF 2012, existem diferenças similares – refletindo desigualdades de renda parental, gênero e etnia, entre outros fatores – que persistem no ensino seriado, apesar dos progressos realizados por muitos países na busca pela educação primária universal. Em 2008, 67 milhões de crianças em idade de freqüentar o curso primário ainda estavam fora da escola.

Segundo a referida entidade, a educação primária, que deveria ser obrigatória e gratuita, ainda não alcança o nível ideal que espera a sociedade. De maneira geral, a educação primária está mais prontamente disponível em áreas urbanas do que em áreas rurais, estando de fora do alcance de muitas crianças que crescem em meio à pobreza – especialmente em favelas, onde muitas vezes a escolarização pública não existe ou é limitada. Com freqüência, as famílias se vêem diante da necessidade de optar entre pagar para que seus filhos estudem ou agregar renda nos lares, através do trabalho infantil externo ou familiar.

Uma vasta literatura de combate ao trabalho infantil, com incentivo à Educação, é notoriamente vista nas pautas dos Organismos Nacionais e Internacionais. Prova disso é que, nas últimas décadas, o trabalho infantil tem sofrido reduções que merecem sempre atenção por parte dos pesquisadores e estudiosos do tema no mundo inteiro. Os mais diversos organismos se manifestaram através das mais variadas formas, como por exemplo, tratados e convenções. Neste sentido, cabe destacar tratados como a Convenção dos Direitos da Criança (CDC) que entrou em vigor em 2005, 15 anos após sua criação. É oportuno, também enfatizar outros órgãos que essencialmente vem contribuindo para a erradicação do trabalho infantil. Neste sentido, Marques, Neves e Neto (2002), relatam o combate mundial ao trabalho infantil, enfatizando a preocupação não só pelos organismos internacionais, como a Organização Internacional do Trabalho e o Fundo das Nações Unidas para a Infância, mas também o trabalho feito pela Organização Mundial do Comércio. Em termos nacionais, evidencia-se a pesquisa do Sistema de Atenção a Educação Básica (2007), que apresenta o desempenho de alunos da 4ª a 8ª série das escolas brasileiras no referido tema.

(35)

pelos países, demonstrando uma distância na margem de alcance entre a teoria ratificada e a

prática, contribuindo para a desigualdade social e desencadeando diversas ramificaçõe s a exemplo do trabalho precoce e da ausência ou retardamento da inserção dessas crianças e

adolescentes na escola.

No Brasil, de acordo com Expedito Solaney, secretario da CUT, os primeiros relatos do trabalho infantil ocorreram na época da Escravidão e perduraram por quase quatro séculos no País.

Mesmo assim, o Brasil pode ser considerado um país em constante avanço em matéria de erradicação, cabendo citar desde as ratificações das Convenções da OIT, da CDC e dos avanços obtidos coma criação da CLT, até os grupos de trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego, que agem com rigor com os empregadores que mantém menores em seus estabelecimentos. Atualização recente sobre o tema, datada de 20 de dezembro de 2005, foi publicada no Diário Oficial da União a Portaria nº 666 de 28 de dezembro de 2005 que disciplina a integração entre o Programa Bolsa Família (PBF) e o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI), demonstrando a preocupação do governo Brasileiro com este programa de transferência de renda e o estímulo aos pais na educação dos filhos, visando como uma das principais contrapartidas a diminuição do trabalho infantil.

Ratificando ainda a vasta literatura acerca do assunto atrelados ao aprofundamento do tema, podemos evidenciar em Sousa (2002) e Kassouf (2007) que demonstram haver sucessivas reduções do trabalho infantil, acompanhado de melhores rendimentos escolares o que se torna um convite especial para um levantamento atual, embasado no comparativo do passado e os resultados a serem obtidos neste trabalho.

(36)

relacionadas com a habilidade e a motivação dos indivíduos pelo estudo. No referido trabalho utilizou, como principais variáveis de análise, se a criança trabalha ou não, o número de horas de trabalho e se a criança trabalha fora de casa e/ou no domicílio.

O autor verificou o efeito negativo causado pelo trabalho infantil no desempenho escolar. Foi verificado que, nas três séries avaliadas nas disciplinas de Português e Matemática, os alunos que sofreram mais prejuízo foram os estudantes que dedicavam parte do tempo às atividades domiciliares, bem como com os trabalhos realizados fora de casa. Foi ainda detectado, no referido estudo, que cada hora a mais de trabalho por dia implica uma diminuição no desempenho escolar dos estudantes. Estes fatos vêm somar e solidificar o pensamento em estudo de tratar o tema como relevante e essencial para o nosso cotidiano.

Ainda refletindo sobre as fontes existentes neste sentido e reforçando a relevância do assunto, elencam-se outros trabalhos. Nesta seara, encontram-se também os reflexos dos dados obtidos e divulgados por diversas instituições de grande credibilidade científica, dentre as quais destacamos como o IBGE, que já no Censo do ano 2010, quando se faz referência ao assunto em estudo, ratifica os estudos anteriores, revelando que o analfabetismo para as pessoas acima de 15 anos de idade caiu de 13,63%, em 2000, para 9,6%, em 2010.

Dentro dessa mesma esfera de instrumentos de pesquisa e, aprofundamento nas questões sociais, destacamos ainda os trabalhos do INEP, que vem aplicando a Prova Brasil, avaliando estudantes de 4ª a 8ª série. Esta iniciativa vem servindo de subsídio para desenvolvimento de Políticas Públicas e de objeto de pesquisa para aprofundadores da matéria com ênfase, no nosso caso, no trabalho infantil e na educação.

2.5 Trabalho Infantil, Avanços e Vulnerabilidades na Legislação

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brasileira impõe restrições sobre a prática do trabalho infantil, com uma caracterização que foi se tornando mais rigorosa até os dias de hoje, proibindo qualquer tipo de trabalho para menores de 14 anos. O trabalho a partir dos 14 anos é permitido apenas na condição de aprendiz, em atividade relacionada à qualificação profissional. Acima dos 16 anos, o trabalho é autorizado desde que não seja no período da noite, em condição de perigo ou insalubridade e, desde que não atrapalhe a jornada escolar. No entanto, vale a pena destacar que se o jovem com mais de 16 anos não tiver carteira assinada ou estiver em situação precária, ele entra nos números de trabalho infantil e ilegal.

Para se chegar aos resultados, mergulhou-se na história a fim de se levantar a evolução e luta dos órgãos em relação ao tema, destacando, a nível internacional, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) que pode se considerar como uma das Organizações Multilaterais que mais tem contribuído para a redução do trabalho infantil. A idéia de uma

legislação internacional do trabalho surgiu logo no início do século XIX em resposta às

preocupações de ordem moral e econômica associadas ao custo humano da Revolução Industrial.

Argumentos humanitários, políticos e econômicos a favor da definição de normas internacionais do trabalho levaram à criação da OIT. Estes argumentos foram consagrados no Preâmbulo da Constituição de 1919, que começa com a seguinte afirmação: “só se pode fundar uma paz universal e duradoura com base na justiça social.” Aprofundados na Declaração de Filadélfia, adaptada em 1944, estes ideais continuam a ser mais importantes do que nunca na atual época de globalização e constituem ainda a base ideológica da OIT. Evidenciamos um pouco dessa história no mundo, no quadro abaixo:

Quadro 1 – Resumo da Evolução dos Principais Fatos e Legislações a cerca do Trabalho e Educação da Criança e do Adolescente a Nível Mundial

ANO LEGISLAÇÃO/FATO PRINCIPAL MEDIDA

1802 Lei 1813 da Inglaterra A Lei “Peel” foi a primeira a vigorar na Inglaterra, limitando em 12 horas a jornada de trabalho infantil nas fábricas e proibindo o trabalho noturno.

1813 Na França Foi proibido o trabalho de menores em minas

1819 Aprova na Inglaterra, Lei que proibia o

trabalho de crianças menores de nove anos. 1833 Comissão Sadler Proibiu o emprego de menores de nove anos,

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para nove horas e vetou o trabalho noturno. 1839 Lei Alemã A Alemanha aprova Lei proibindo o trabalho

para os menores de nove anos 1866 Lei de Proteção ao

Menor da Itália

É criada na Itália a Lei de Proteção a mulher e ao Menor

1869 A Alemanha aprova Lei proibindo o trabalho

nas indústrias para menores de 12 anos

1891 Decreto 1313 do

Brasil

Estabelece providencias para regularizar o trabalho dos menores empregados nas fabricas da Capital Federal, com vedação para os trabalhadores com menos de 12 anos, salvo, a titulo de aprendizado.

1917 Constituição

Mexicana de 1917 Primeira Constituição em termos mundiais sobre o Direito do Trabalho 1917 Carta Del Lavoro Criada na Itália

1919 Tratado de Versalhes Reunião na França denominada conferência da Paz, assinado pelas potências européias da época que encerrou a primeira guerra mundial.

1919 Constituição de

Weimar

Primeira Constituição Alemã que conhecida como a base das democracias sociais.

1919 OIT lança a primeira

Convenção em

Genebra na Suiça.

Entre várias medidas, os países ratificaram para a defesa dos Direitos Humanos da segunda geração, com destaques para a jornada de 8 horas de trabalho diário e 48 horas semanais.

1927 1º Código de Menores do Brasil

Primeira legislação brasileira, limitando a idade mínima de 14 anos para o trabalho do menor

1944 Declaração da

Filadélfia

Tentativa de ratificação dos princípios da Convenção da OIT de 1919.

1948 Aprovação pela ONU da DUDH.

Aprovada pela ONU a Declaração Universal dos Direitos Humanos com o intuito a criação de um código de conduta mundial, consagrando Direitos e Garantias, dentre eles os Sociais.

1989 Instituído pela ONU o CDC

Foi adotada pela ONU a Convenção dos Direitos da criança.

1990 Oficialização da CDC O documento foi oficializado como lei internacional.

1990 Congresso de Jomtien na Tailândia

(39)

2000 Cúpula do Milênio Líderes de 192 países aprovaram as Metas do Milênio, onde, entre outros, foi aprovada alcançar a Educação primária universal até 2015

Fonte: Elaboração Própria

Em termos de trabalho infantil mundial, a organização de direitos humanos “Human Rights Watch” informa que crianças pequenas trabalham regularmente em fazendas em condições inseguras, com jornadas diárias de dez horas. Segundo o órgão, os Estados Unidos possuem leis restritas com relação ao trabalho infantil, mas há isenção para menores de 18 anos que trabalham no campo, como poderemos observar em um dos Artigos do Diário Liberdade que transcreve as palavras do executivo, Zama Coursen-Neff, na forma abaixo:

Trabalho Infantil nos Estados Unidos: Por causa de uma perigosa dupla moral na lei federal, crianças pequenas trabalham intensivamente na agricultura e em condições mais arriscadas do que outras crianças que trabalham nos Estados Unidos. A razão para o que está acontecendo é que há um buraco na lei do trabalho infantil nos Estados Unidos que permite esse tipo de trabalho. Basicamente, a lei do trabalho infantil é muito boa, exceto quando se trata da agricultura, onde há um buraco escancarado.(Diário Liberdade, 2010)

A literatura acerca do Trabalho Infantil e Educação apresenta disparidades entre Países e regiões. Um caso extraordinário em relação à educação pode ser vista em Cuba. Os alunos cubanos tiram notas muito mais altas em exames internacionais que as crianças de outros países latino-americanos, incluindo o Brasil. "A educação de Cuba oferece à maioria dos alunos uma educação básica na qual somente crianças de classe média alta recebem em outros países da America Latina", explica o economista Martin Carnoy, da Universidade de Stanford (EUA), que conduziu um estudo comparativo entre os sistemas educacionais do Brasil, Chile e Cuba. Carnoy (2010) foi a campo e colheu evidências que jogam luz sobre os principais problemas brasileiros. Carnoy (2010) mostra ainda que o ótimo desempenho dos estudantes cubanos é resultado de um sistema educacional que dá oportunidades iguais para todos os alunos. Estes estudam em um ambiente mais seguro e menos desigual que o brasileiro.

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faculdade. Além disso, a lei cubana pune e até prende os pais em caso de falta. O absenteísmo, problema que aflige todo Brasil, é nulo.

No plano interno, convém destacar que o Brasil foi o primeiro país da América Latina a editar normas de proteção ao trabalho do menor, o que se deu através do Decreto n. 1.313, de 1891 - este tratava do trabalho do menor nas fábricas do Distrito Federal. É possível ainda citar, nesse mesmo campo de proteção do trabalho infantil, os Decretos n. 1.801, de 1917, e 16.300, de 1923, que cuidavam, respectivamente, do trabalho dos menores na cidade do Rio de Janeiro e da vedação do trabalho de menores de 18 anos por mais de 6 horas em 24 horas. Em 1927foi aprovado o Código de Menores, através do Decreto n. 17.943-A, proibindo o trabalho dos menores de 12 anos e o trabalho noturno dos menores de 18 anos.

O Brasil ratificou, dentre as diversas Convenções Internacionais da OIT, todas aquelas voltadas à proteção do menor, ou seja, desde a de número 05, em 1939, que tratou pela primeira vez em matéria de Convenção sobre a idade mínima para os trabalhadores nas indústrias, até a de número 182 que, ratificada em 1999, trata das piores formas de trabalho infantil. O quadro a seguir elenca as ratificações destas normatizações internacionais pelo Brasil:

Quadro 2 – Principais Convenções da OIT em Relação ao Trabalho e Trabalho Infantil

Ratificadas pelo Brasilamentais IT

CONVENÇÃO ANO DA

RATIFICAÇÃO ASSUNTO

CONVENÇÃO nº

05 1935

Trata da Idade Mínima de admissão dos trabalhadores na indústria

CONVENÇÃO nº

06 1935

Trata do Trabalho Noturno dos Menores na Indústria

CONVENÇÃO nº

16 1937

Trata do exame médico obrigatório das crianças e menores empregados a bordo dos vapores e concernente a trabalho forçado ou obrigatório

CONVENÇÃO nº

29 1956

Trata do Trabalho Forçado com Exceções

CONVENÇÃO nº

58 1938 Fixa idade mínima para admissão das crianças no trabalho marítimo

CONVENÇÃO nº

105 1965 Trata da Abolição do Trabalho Forçado

CONVENÇÃO nº

124 1969

Refere-se ao Exame médico de menores em trabalho subterrâneo

CONVENÇÃO nº

138 1999

Trata da idade mínima de admissão ao emprego

CONVENÇÃO nº

182 1999

Trata das piores formas do trabalho das crianças

(41)

Contudo, com o advento da Carta Constitucional de 1988, que redemocratizou o país e fundamentou o regime político então instaurado, sob o princípio da dignidade humana, foi estabelecido um sistema de proteção dos direitos e garantias fundamentais do homem, sendo o grupo vulnerável abrangido, em decorrência da irradiação dos valores então positivados. Verifica-se que o princípio da proteção integral pode ser compreendido como desdobramento do princípio da dignidade humana, a partir do momento em que se atribui aos seres em desenvolvimento, que são as crianças e os adolescentes, a condição de sujeitos de direitos humanos. A partir dessa compreensão, constata-se influente atuação dos organismos internacionais para o reconhecimento desses direitos. O quadro abaixo sintetiza a oscilação nas garantias de acordo com os regimes políticos vigentes, onde na época do militarismo muitos direitos dos trabalhadores brasileiros foram comprometidos.

Quadro 3 – Trabalho Infantil e as Constituições Brasileiras

ANO TEXTO DAS VEDAÇÕES

1934 Proibição do trabalho infantil aos menores de 14 anos e do trabalho noturno para menores de 16 anos e o trabalho insalubre a menores de 18 anos.

1937 Proibição do trabalho infantil aos menores de 14 anos, trabalho noturno para menores de 16 anos e o trabalho insalubre a menores de 18 anos.

1946 Mantém a proibição do trabalho infantil aos menores de 14 anos e do trabalho noturno e insalubre para menores de 18 anos.

1967

Durante o regime militar a idade mínima é rebaixada para 12 anos de idade e estipulou a obrigação dos empregadores possuir em seus quadros uma proporção de menores de 5 a 10%

1988

Estabeleceu-se a proteção dos Direitos e Garantia do homem e ainda

determinou 16 anos como idade mínima para o trabalho, além de fixar o limite entre 14 e 16 anos para menor aprendiz, vedando ainda a menores de 18 anos, trabalhos noturnos, penosos e insalubres.

Fonte: Elaboração Própria

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GRÁFICO 1
GRÁFICO 2
Tabela 1 – Número de Crianças e Adolescentes de 5 a 17 anos trabalhando no Brasil                          Anos                                                             Número de crianças (em milhões)
GRÁFICO 3
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Referências

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