ANAMNESE PSIQUIÁTRICA E EXAME DE SAÚDE MENTAL IDENTIFICAÇÃO
Nome, sexo, idade, estado civil, grupo étnico, procedência, religião, profissão
QU-EIXA PRINCIPAL
Breve descrição sobre o problema atual para o qual ele está buscando ajuda profissional
História da Moléstia Atual
Avaliar como a doença começou, se existiram fatores precipitantes, como evoluiu, qual a gravidade e o impacto da doença sobre a vida da pessoa. É importante considerar a descrição detalhada dos sintomas, a freqüência, duração e flutuações dos mesmos. Ainda, deve-se observar a sequência cronológica dos sintomas e eventos relacionados desde as primeiras manifestações até a situação atual.
Antecedentes - História Médica e Psiquiátrica Doencas, cirurgias, agravos, uso de medicamentos
Tratamentos prévios psiquiátricos, internamentos, uso de psicofármacos
Antecedentes - História Pessoal: História Pré-Natal / Nascimento. Infância - desenvolvimento. Adolescência.
Idade Adulta.
Antecedentes - História Familiar Personalidade Pré-Mórbida
Exame Físico
1. APARÊNCIA
Modo do paciente de andar, sua postura, roupas, adornos e maquiagem utilizados, sua higiene pessoal, cabelos alinhados ou em desalinho, atitude (amigável ou hostil), sinais ou deformidades físicas importantes, idade aparente, as expressões faciais e o contato visual.
Descrição precisa, de maneira que o leitor possa visualizar a aparência física do paciente no momento do exame.
Postura encurvada, desleixo no modo de vestir-se – afeto triste
Roupas extravagantes e o excesso de adornos – mania ou características histéricas de personalidade. Doença crônica ou grande sofrimento pode aparentar uma idade maior do que a real, enquanto que pacientes hipomaníacos, histriônicos ou hebefrênicos podem parecer mais jovens. Pouco contato de olhar pode indicar vergonha, ansiedade ou dificuldade de relacionamento
2. ENTREVISTA
Reservados, limitando-se a responder as perguntas do examinador.
Abertos, fornecendo mais dados e informações ricas a partir de menos perguntas
Reticentes, fechados e até desconfiados, por vergonha, falta de vontade ou medo de contar suas experiências pessoais
Hostis, numa tentativa de envergonhar ou humilhar o examinador Bajuladores, para agradar o entrevistador
Sedutores.
Atitude: amigável, cooperativa, irônica, hostil, defensiva, sedutora
Descritas as características da fala do paciente, em termos de quantidade, velocidade e qualidade de produção. Dessa forma, o tipo de comunicação pode ser descrito como normalmente responsivo, loquaz, taciturno, prolixo, volúvel, não espontâneo. A verbalização pode ser rápida, lenta,tensa, hesitante, emotiva, monótona, forte, sussurrada, indistinta
Também podem ser incluídos aqui defeitos da fala, como gagueira e tiques vocais, como ecolalia
3. SENTIMENTOS DESPERTADOS
Relatar a impressão emocional geral transmitida pelo paciente, ou seja, os sentimentos despertados em sua pessoa pelo paciente
4. CONSCIÊNCIA
– Estado de lucidez ou de alerta em que a pessoa se encontra, variando da vigília até o coma – Estado normal: vigil ou desperto; obnubilado (Rebaixamento leve a moderado; Claramente
sonolento ou parecer desperto; Diminuição do grau de clareza do sensório; – Lentidão da compreensão;
– Dificuldade de concentração rebaixamento leve a moderado, sonolento, diminuição), torpor, sopor, coma.
Definições:
– Neuropsicológica – o estado de alerta em que a pessoa se encontra (coma, vigil, lúcido...); – Psicológica – tomar ciência para para uma tomada de decisões;
– Ético-filosófica – tomar como parâmetro os valores.
4.1 ALTERAÇÕES NORMAIS DA CONSCIÊNCIA
– Sono normal – alterações do estado de consciência (no sono revigoramos o corpo e o cérebro);
– duas fases:
– Sono sincronizado (não REM) – 4 estágios:
– Estágio 1 – sono leve (2 a 5%)
– Estágio 2 – menos superficial (45 a 50%) – Estágio 3 – profundo (3 a 8%)
– Estágio 4 – mais profundo (10 a 15%) – Sono dessincronizado (REM) (20 a 25%)
– instabilidade no SNA
– movimentos oculares rápidos e conjugados – relaxamento muscular profundo
– maior parte dos sonhos
Cada pessoa trem de 4 a 6 siclos por noite, e cada siclo tem de 70 a 120 minutos cada. A quantidade de sonos não significa qualificar os mesmos.
Automatismo – movimentos involuntários.
4.1 ALTERAÇÕES QUANTITATIVAS DA CONSCIÊNCIA Obnubilação da consciência (turvação) → acorda com um chamado. - Rebaixamento leve a moderado
- Claramente sonolento ou parecer desperto - Diminuição do grau de clareza do sensório - Lentidão da compreensão
Sopor (torpor) – prostração mórbidas, sonolência – estado comatoso → acorda com um toque. - Marcante turvação da consciência
- Evidentemente sonolento - Desperta por estímulo Coma → não acorda. - Profundo rebaixamento
- Ausência de qualquer indício de consciência
SÍNDROMES PSICOPATOLÓGICAS ASSOCIADAS AO REBAIXAMENTO DO NÍVEL DE CONSCIÊNCIA
Delirium → muito rápido, minutos ou horas. Causado por uma doença fisiológica. - Síndromes confusionais agudas
- Rebaixamento leve a moderado - Desorientação temporoespacial - Dificuldade em concentração - Lentificação/Agitação e ansiedade - ilusões/alucinações Estado Onírico - Turvação da consciência - Confusão mental
4.2 ALTERAÇÕES QUALITATIVAS DA CONSCIÊNCIA Campo da consciência
– foco – onde a consciência está voltada (+ claro) – margem (está turvo)
Nas alterações a margem toma conta da consciência. A consciência não consegue mais focalizar.
4.2.1 Estados crepusculares
– Estreitamento do campo da consciência – afunilamento
– Atividade psicomotora global coordenada, com atos automáticos – Atos explosivos violentos e descontrole emocional
– Epilepsia, quadros histéricos, intoxicações 4.2.2 Dissociação da consciência
– Fragmentação ou divisão do campo da consciência – Perda da unidade psíquica
– Estado semelhante ao sonho
– Desencadeados por acontecimentos psicologicamente significativos – Estratégia defensiva: “desliga” da realidade
4.2.3 Transe
– Sonho acordado
– Presença de atividade motora automática e estereotipada – Suspensão de movimentos voluntários
– Contextos místico-religiosos – Transe histérico
- Sonolência - lentificação geral, com predisposição para dormir, na ausência de estimulação.
– Obnubilação da consciência: diminuição do nível de vigília, acompanhado de dificuldade em focalizar a atenção e manter um pensamento ou comportamento objetivo.
– Estupor: permanece em mutismo e sem movimentos, com preservação relativa da consciência.
– Delirium: quadro agudo caracterizado por diminuição do nível de vigília, acompanhado de alterações cognitivas (desorientação, déficits de memória) ou perceptuais (ilusões e alucinações).
– Estado crepuscular: estreitamento da consciência, podendo manter comportamentos motores relativamente organizados, na ausência de um estado de consciência plena. Ocorre, predominantemente, em estados epilépticos.
5. ATENÇÃO
Capacidade para manter o foco em uma atividade. Esforço voluntário para selecionar certos aspectos de um fato, experiência do mundo interno ou externo, fazendo com que a atividade mental se volte para eles em detrimento dos demais.
– Normoprosexia – funcionamento normal.
– Hipoprosexia – diminuição global da atenção e concentração.
– Tenacidade – capacidade de concentração e manutenção da atenção sobre determinado objeto.
– Hipertenacidade – (se você faz uma pergunta e o paciente demora, ele está hipertenaz) – Hipotenacidade
– Vigilância – capacidade de mudar de forma felxível de objeto para objeto.
– Hipervigilância – casos de mania, transtorno bipolar, psicose – dirige-se por vozes. – Hipovigilância – quadro depressivo, muito voltado para si.
Distração – hipertenacidade e hipovigilância – a pessoa está tão concentrada que deixa passar outras coisas (estado de preocupação)
6. SENSOPERCEPÇÃO
Capacidade de perceber e interpretar os estímulos que se apresentam aos órgãos dos sentidos. Os estímulos podem ser: auditivos, visuais, olfativos, táteis e gustativos
– Depende de uma consciência lúcida e atenção elevada. – Representa o conhecimento do mundo através das sensações – a tomada de consciência do estímulo para percepção
– sensação – entrada de informação pelos receptores
– sensopercepção – tornar consciente e interpretar as sensações.
Como testar a sensopercepção: fazer uma pergunta geral ampla: acontece com você de ouvir coisas e vozes que outras pessoas não conseguem ouvir?
6.1 ALTERAÇÕES QUANTITATIVAS Hiperestesia
– Percepções anormalmente aumentadas – um toque passa a ser uma sensação dolorosa.
– Intoxicações por alucinógenos, cocaína, maconha; epilepsia; enxaqueca; hipotiroidismo; esquizofrenia aguda; quadro histérico - mania.
Hipoestesia
– pessoas que sentem menos – casos de depressão
Anestesia
– ausência de sensopercepções - Origem neurológica, histeria, hipocondria, somatização, estados emocionais intensos
6.2 ALTERAÇÕES QUALITATIVAS
ILUSÃO - Percepção deformada, alterada, de um objeto real presente.
– Rebaixamento do nível de consciência – delírio → estímulo real mas deformado; – Fadiga grave ou inatenção marcante
– Estados afetivos intensos – ilusões catatímicas – Mais comuns – visuais, auditivas
A miragem é uma ilusão, que pode ser causada por uma fadiga grave ou inatenção marcante. A ilusão é uma interpretação perceptual alterada, resultante de um estímulo externo real. A ilusão caracteriza um quadro patológico.
A cocaína não promove o rebaixamento do nível de consciência mas provoca ilusão.
ALUCINAÇÃO - Percepção clara e definida de um objeto sem a presença do objeto estimulante real - percepção sensorial na ausência de estimulação externa do órgão sensorial envolvido. auditivas (sons ou vozes; as vozes podem dirigir-se ao paciente ou discutirem entre si sobre ele); visuais (luzes ou vultos até cenas em movimento, nítidas e complexas); táteis (toque, calor, vibração, dor, etc.); olfatórias e gustativas.
praticamente um transtorno mental.
Casos em que aparecem crianças reais que têm amiguinhos irreais não são necessariamente patológicos.
As alucinações têm sérias ligações com o quadro de humor. Alucinações auditivas - Tipo mais frequente
– Audioverbal
– Vozes que ameaçam, insultam, conteúdo depreciativo, perseguição – quadros presentes: Esquizofrenia, depressão grave, mania
– Sonorização do pensamento/ Eco do pensamento (sintoma clássico da esquizofrenia) – Sonorização do próprio pensamento
– Sonorização de pensamento como vivência alucinatório-delirante
– Publicação do pensamento – o médico pergunta: O que está acontecendo com você? O paciente responde: Você já não sabe? Não já conhece o meu pensamento?
Alucinações musicais – pessoas que ouvem músicas. Alucinações visuais
– Simples – fotopsias (nas enxaquecas – o epilético vê um clarão antes da crise). – Complexas – normalmente patológicas → tudo que vê alucina.
– Cenográficas → vê a cena (LSD)
– Liliputianas → vê pessoas, coisas ou bichos de formas pequenininhas (delírio tremens e cocaína).
– Guliverianas – vê pessoas e coisas muito grandes.
– Zoopsias – vê animais – quadro de abstinência de drogas. Alucinações táteis
– Delirium tremens e psicoses tóxicas – Manipulação genital
– Síndrome de Ekbom Alucinações olfativas e gustativas
– Alucinações cenestésicas → sentem órgãos aumentando e diminuindo, ou que se modificaram; e cinestésicas → relativo a movimento, cinema: vejo meu braço se movimentando.
– Sinestesia - mistura de percepções – ex.: pessoas que ouvem notas musicais e associam-nas a cores.
– Alucinação funcional – tem que haver um estímulo para que haja a alucinação. – Alucinação Extracampina – fora do campo visual.
– Alucinação Autoscópica – se vê fora do corpo, se vê dormindo, andando.
Alucinose - Há a consciência de que o fenômeno é estranho à pessoa, falta a crença na sua veracidade .
– Alucinose – periférico ao eu – Alucinação – central ao eu – Intoxicação por alucinógenos – Alucinose alcoólica
Pseudo-alucinação – refere vozes dentro de sua cabeça – não tem todas as características de uma alucinação.
– Sem os aspectos vivos e corpóreos de uma imagem perceptiva real – Características de imagem representativa
– Estados afetivos intensos – Fadiga
– Rebaixamentos do nível de consciência – Intoxicações
Uma alucinação verdadeira está sempre ligada a transtornos mentais. Os demais casos, como: alucinose e pseudo-alucinações têm outras causas.
– Despersonalização: sensação de estranheza,como se seu corpo, ou partes dele não lhe pertencessem, ou fossem irreais.
– Desrealização: ambiente ao redor parece estranho e irreal.
7. ORIENTAÇÃO
Capacidade do indivíduo de situar-se no tempo, espaço ou situação e reconhecer sua própria pessoa 7.1 Anormalidades da Vivência do tempo
– Síndromes depressivas X síndromes maníacas – Ilusão sobre a duração do tempo
– Deformação da percepção da passagem do tempo
– Intoxicações por alucinógenos, psicoestimulantes, início das psicoses, situações emocionais intensas
– Atomização do tempo - Incapacidade de articulação entre passado, presente e futuro – Mania
– Inibição da sensação de fluir do tempo
– Desconexão entre o passar do tempo objetivo e o subjetivo – Depressão grave
– Esquizofrenia
7.2 Anormalidades da vivência do espaço Espaço dilatado e amplo – mania
Espaço encolhido, contraído, pouco penetrável – depressão Espaço invadido, ameaçador, hostil – paranóia
Espaço perigoso, sufocante, pesado, aniquilador – agorafobia 7. 3 Orientação e suas alterações
– Capacidade de situar-se em relação a si mesmo e ao ambiente em que se vive em um determinado tempo e espaço
– Estado psíquico funcional em virtude do qual o ser humano tem possibilidade de ter consciência plena, em cada momento de sua vida, da situação real em que se encontra – Desorientação – quadros de delírio.
– Tempo – Espaço
– Autopsíquica – em relação ao nome, idade, nacionalidade, profissão etc. – Alopsíquica – em relação ao tempo e ao espaço.
7.4 Alterações especiais
– Falsa orientação autopsíquica – Dupla orientação
– Desorientação Apática
7.5 Alterações decorrentes da vida instintivo-afetiva.
– Enorme falta de interesse, expressiva inibição psíquica e insuficiente energia psíquica para a elaboração da representação e do raciocínio.
– Desorientação Amnéstica
– Desorientação Amencial - Observada no delirium tremens e nas psicoses orgânicas, onde se verificam alucinações e transtornos da compreensão que dificultam a orientação
– Desorientação Delirante
Sequência de perda de consciência
→ 1º – orientação temporal – desorienta-se no tempo
→ 2º – orientação espacial – desorienta-se no espaço (delírio)
8. MEMÓRIA
Capacidade de registrar, fixar ou reter, evocar e reconhecer objetos, pessoas e experiências passadas ou estímulos sensoriais
8.1 Memória e suas alterações Depende de: – consciência – atenção – sensopercepção – interesse afetivo – compreensão Quanto ao tempo:
– Memória Remota: capacidade de recordar-se de eventos do passado, podendo ser avaliada durante o relato feito pelo paciente, de sua própria história.
– Memória Recente: capacidade de recordar-se de eventos que ocorreram nos últimos dias, que precederam a avaliação. Eventos verificáveis dos últimos dias, tais como: o que o paciente comeu numa das refeições anteriores, o que viu na TV na noite anterior, etc.
– Memória Imediata: capacidade de recordar-se do que ocorreu nos minutos precedentes. Pode ser testada, pedindo-se ao paciente que memorize os nomes de três objetos não relacionados e depois de 5 minutos solicita-se que o paciente repita esses três nomes.
As memórias imediata e recente ficam circulando no sistema límbico. Quanto à natureza:
– explícita ou declarante – memória relacionada a pessoas, a fatos. O indivíduo narra o conteúdo – dura de minutos a anos.
– implícita, não declarante, de procedimento – esta é a memória de coisas automáticas → dirigir carro, bicicleta, tocar violão etc.
– Trabalho – tudo o que está na consciência que se pode acessar (declarativa ou explícita) – dura de segundos a minutos.
– Episódica – memória relacionada a fatos → o que voc comeu no café da manhã, lembrar-ẽ se de uma viagem etc. → alterações em demências e alzheimer.
– Semântica – se lembrar do significado das palavras – área da linguagem → lembrar-se do que significa “viagem”.
ALTERAÇÕES PATOLÓGICAS QUANTITATIVAS
– hipermnésias – paciente relata que as memórias vêm na mente dele de maneira rápida, como também desaparecem. ]
– amnésias – (náo se lembra de nada)
– psicogênicas – extremamente dependente do estado afetivo (depressão, mania) – mais seletivas psicologicamente, mais conteúdos autobiográficos. Pacientes com quadros demenciais devem sempre, por definição, apresentar algum grau de dificuldade mnêmica.
– Hipomnésias – lembra de pouca coisa.
– Anterógrada – o esquecimento que acontece após o trauma – Retrógrada – acontece antes do trauma.
O AVC causa amnésia antero-retrógrada. Em Amnésia psicogênica é mais comum a retrógrada.
ALTERAÇÕES PATOLÓGICAS QUALITATIVAS
– ilusões mnêmicas – a memória existe, mas a pessoa começa a incorporar fatos irreais, fatos distorcidos.
– Alucinações mnêmicas – tem-se a impressão que aconteceu. Alguém tem na memória fatos que não aconteceram, mas o processo de adquirir essas imagens não é explicado.
– Fabulações – ou confabulação – aconteceu um fato e como algumas coisas foram esquecidas então esse é preenchido com outros.
– Criptomnésias – memória muito fragmentada – acontece em casos de doenças mentais. – Ecmnésias – quando a memória vem de forma avassaladora – ou por afogamento ou por
iminência de morte (a vida passa por um segundo) Simulação – fingir que tem a doença
Dissimulação – fingir que não tem a doença
Em caso de simulação, normalmente diz que não se lembra de nada (retrógrada); o filme “Como se fosse a primeira vez” mostra o exemplo de amnésia anterógrada – depois do trauma ela não consegue lembrar de mais nada.
Doentes mentais, esquizofrenia – geralmente têm hipomnésia em virtude do interesse afetivo, e alguns não se lembram do surto.
Mitomania – vive a mentira, cria o fato.
Memória de fixação – implica percepção, registro e fixação de novos elementos mnêmicos. Memória de evocação – traz de volta à consciência elementos mnêmicos antigos.
9. INTELIGÊNCIA
– São as totalidades das habilidades cognitivas do indivíduo
– Capacidade de uma pessoa de assimilar conhecimentos factuais, compreender as relações entre eles e integrá-los aos conhecimentos já adquiridos anteriormente; de raciocinar logicamente e de forma abstrata manipulando conceitos, números ou palavras.
– Capacidade de resolver situações novas com rapidez e com êxito mediante a realização de tarefas que envolvam a apreensão de relações abstratas entre fatos, eventos, antecedentes e consequências etc.
Transtornos mentais alteram os níveis de inteligência, entretanto, os níveis de consciência existem de certa forma.
A esquizofrenia faz com que se perca algumas habilidades, como o a afeto e a inteligência. Outros casos há em que se desenvolvem habilidades por meio das artes.
9.1 Períodos do desenvolvimento cognitivo
Segundo Piaget Período Sensório-Motor: 2 primeiros anos
– Domínio dos objetos concretos
– Imitação como procedimento fundamental – Egocentrismo
Período Pré-operatório: entre 2 e 7 anos – Desenvolvimento da linguagem – Domínio dos símbolos
– Sentimentos interpessoais – Relações sociais
Período operatório-concreto: entre 7 e 12 anos – Plenitude da socialização
– Pensamento lógico
– Agir seguindo uma lógica ideativa Período operatório-formal: dos 12 aos 16 anos
– Pensamento abstrato
9.2 Alterações da inteligência Retardo mental leve ( QI entre 50-70)
– Sem diferenciação de uma criança normal até idade tardia, freqüentemente idade escolar; – Principais dificuldades no trabalho acadêmico - problemas específicos de leitura e escrita; – São potencialmente capazes em trabalhos que demandam habilidades práticas;
– Apoio apropriado vivem sem problemas na comunidade independentemente ou supervisionados
Retardo mental moderado (36-49)
– Progresso em trabalhos escolares limitado;
– Programas educacionais podem oferecer oportunidades para eles se desenvolverem
– Beneficiam-se de treinamento profissional e com moderada supervisão podem cuidar de si mesmos
– Como adultos são usualmente capazes de trabalhos práticos simples Retardo mental grave (20-35)
– Durante período escolar podem aprender a falar e treinados em habilidades elementares de higiene
– Capacidade de abstração praticamente não existe – Incapaz de aprender linguagem escrita
– Capaz de se proteger contra perigos mais comuns
– Na idade adulta podem ser capazes de executar tarefas simples sob estreita supervisão Retardo mental profundo (até 19)
– Gravemente limitados em sua capacidade de entender ou agir de acordo com as instruções – Necessitam de vigilância e assistência permanentes
– Malformações que afetam principalmente os tecidos derivados do ectoderma e o esqueleto – Incontinência urinária e fecal são frequentes
Teste de inteligência: qual a diferença entre um carro e um trem?
10. PENSAMENTO
O pensamento é o trabalho mental que emprega os materiais coletados pela atenção, percepção, memória e consciência, organizando-os por meio das associações e da imaginação, influenciado pela inteligência e pela afetividade, visando, sempre, ajustar-se à realidade.
O pensamento se constitui a partir de elementos sensoriais, que, embora não sejam propriamente intelectivos, podem fornecer substrato para o processo de pensar: são as imagens perceptivas e as representações.
É o conjunto de funções integrativas capazes de associar conhecimentos novos e antigos, integrar estímulos externos e internos, analisar, abstrair, julgar, concluir, sintetizar e criar
10.1 CONTEÚDO DO PENSAMENTO
Conteúdo do pensamento - conceitos emitidos pelo paciente durante a entrevista e sua relação com a realidade. Tema predominante e/ou com características peculiares.
Ansiosos Depressivos Fóbico Obsessivos
Logicidade do pensamento, ou o quanto o pensamento pode ser sustentado por dados da realidade do paciente.
Idéias supervalorizadas - o conteúdo do pensamento centraliza-se em torno de uma idéia particular, que assume uma tonalidade afetiva acentuada, é irracional, porém sustentada com menos
intensidade que uma idéia delirante.
Delírios -crenças que refletem uma avaliação falsa da realidade.
10.2 FORMA DO PENSAMENTO
Organização formal do pensamento, sua continuidade e eficácia em atingir um determinado objetivo.
Circunstancialidade - objetivo final adiado.
Tangencialidade - objetivo não chega a ser atingido ou não é claramente definido. Perseveração - repete a mesma resposta à uma variedade de questões.
Fuga de idéias – ocorre na presença de um pensamento acelerado e caracteriza-se pelas associações inapropriadas entre os pensamentos, que passam a ser feitas pelo som ou pelo ritmo das palavras (associações ressonantes).
Pensamento incoerente - ocorre uma perda na associação lógica entre partes de uma sentença ou entre sentenças (afrouxamento de associações). Numa forma extrema de incoerência, observa-se uma seqüência incompreensível de frases ou palavras (salada de palavras).
Bloqueio de pensamento - interrupção súbita da fala.
Neologismos – criação de uma palavra nova e ininteligível para outras pessoas. Ecolalia - repetição de palavras ou frases ditas pelo interlocutor.
Conceito – forma-se à partir das representações, através dos passos da eliminação de caracteres de sensorialidade e através da generalização.
Juízo – forma-se à partir de relações entre conceitos básicos. ex: “cadeira” + “utilidade” = “cadeira é útil”
Raciocínio – desenvolve-se à partir de relações entre os juízos, formando novos juízos. O processo de pensar
– Curso – modo como o pensamento flui, sua velocidade e ritmo ao longo do tempo. – Forma – “arquitetura” do pensamento, preenchida pelos conteúdos.
– Conteúdo – assunto em si → aquilo que preenche o pensamento; é o que se está preenchendo.
Alterações do conceito (Neologismos)
– Desintegração dos conceitos – quando os conceitos sofrem um processo de perda do seu significado original
– Condensação dos conceitos – quando dois ou mais conceitos são fundidos em uma palavra nova. (Ex “Homens sapions”)
Alterações do juízo
Juízo deficiente ou prejudicado – Tipo de juízo falso devido ao prejuízo na elaboração dos juízos pela deficiência intelectual, e pela pobreza cognitiva do indivíduo
Pensamento lógico-formal:
– Princípio da identidade (não contradição): Se A é A e B é B, logo, A não pode ser B
– Princípio da causalidade: Se A é a causa de B, logo, A não pode ser ao mesmo tempo efeito de B; se as condições forem mantidas, as mesmas causas devem produzir os mesmos efeitos. – Lei da parte e do todo: Se A é parte de B, então B não pode ser parte de A
– Pensamento indutivo - Parte de observação de fatos elementares para chegar a conclusões mais gerais, hipóteses explicativas e classificações mais amplas.
– Pensamento dedutivo - Parte de esquemas e teoremas para deduzir sua verdade.
– Pensamento Intuitivo (Intuição) - Apreensão de uma realidade de forma direta e imediata, captando a interioridade das coisas, inclusive aquilo que é difícil de se expressar por palavras
ALTERAÇÕES DO PENSAMENTO
– Pensamento mágico – Fere frontalmente os princípios da lógica. Segue os desígnios dos desejos, fantasias e temores do sujeito. Seguem as leis da contiguidade e da similaridade – a pessoa passa a não responder mais à realidade, passa a obedecer os mandatários do seu pensamento (delírio).
ao indivíduo – perda total da realidade.
– Pensamento concreto – Não há uma distinção entre uma dimensão abstrata e simbólica e uma dimensão concreta e imediata dos fatos (não entende metáforas, ironias, “entrelinhas”) - pensamento de um retardado mental; incapacidade de abstrair conceitos (autista).
– Pensamento Inibido – Inibição do raciocínio, com lentificação e redução do número de conceitos, juízos e representações - não consegue pensar.
– Pensamento vago – Falta de clareza e precisão no raciocínio (pensamento ambíguo, obscuro) - não chega a conclusões.
– Pensamento prolixo – Dá longas voltas ao redor do tema e mescla o essencial com o supérfluo. Tangencialidade – nunca chega ao ponto central; Circunstancialidade – eventualmente alcança o objetivo de seu raciocínio - famosos arrodeios – fala muito mas não consegue conceituar.
– Pensamento Deficitário – Pensamento de estrutura pobre e rudimentar. Tende ao raciocínio concreto. Não há falta da generalização e da utilização da memória - pensamento de alguém que tem retardo mental grave.
– Pensamento demencial – Pensamento pobre, com empobrecimento desigual, e com o progredir da síndrome, vai predominando o pensamento pobre, concreto e desorganizado – demência.
– Pensamento confusional – Pensamento incoerente, de curso tortuoso, devido à turvação da consciência, que impede que o indivíduo apreenda de forma clara e precisa os estímulos ambientais - casos de delírio.
– Pensamento desagregado – Pensamento radicalmente incoerente, no qual os conceitos e juízos não se articulam minimamente de forma lógica. A linguagem correspondente é o que se denomina “salada de palavras” - junção de duas coisas incompreensíveis (delírio). – Pensamento Obsessivo – Predomínio de idéias ou representações que, apesar de terem um
conteúdo absurdo ou repulsivo para o indivíduo, impõe-se à consciência de modo persistente e incontrolável – ideia constante no pensamento. Ela reconhece algo estranho.
ALTERAÇÕES DO PROCESSO DE PENSAR Curso do pensamento
– Aceleração do pensamento – Lentificação do pensamento
– Bloqueio ou interceptação do pensamento - depressão e esquizofrenia) – Roubo do pensamento - alteração delirante.
Forma do pensamento - padrão específico do fluxo do pensamento.
– Fuga de ideias - sem nexo, fala por assonâncias – semelhança de sons. – Dissociação do pensamento
– Desagregação do pensamento
11. JUÍZO CRÍTICO
Capacidade para perceber e avaliar adequadamente a realidade externa e separá-la dos aspectos do mundo interno ou subjetivo. Possibilidade de autoavaliar-se adequadamente e ter uma visão realista de si mesmo, suas dificuldades e suas qualidades
Erro de julgamento X Delírio
Os erros podem ser corrigidos pela experiência por provas e dados que a realidade nos oferece. Os erros são compreensíveis enquanto o delírio tem como característica a incompreensibilidade. Nas crenças culturalmente sancionadas há evidências que o indivíduo compartilha com um grupo social a sua crença, mesmo que essa seja absurda.
O Delírio
São juízos patologicamente falseados, erro do ajuizar. Quatro características essenciais:
1) O doente apresenta uma convicção absoluta, não se pode colocar em dúvida a veracidade do seu delírio.
2) Não há modificação pela experiência objetiva, mesmo com provas da realidade. 3) Seu conteúdo é impossível.
4) O delírio é uma produção associal, é uma convicção de um só homem. JUÍZO DA REALIDADE
– Delírio - alteração do pensamento, caracterizado por um conteúdo impossível e incapaz de ser modificado ou removido por argumentação lógica, devendo sempre considerar aspectos culturais próprios.
– Indicadores da Gravidade do Delírio
1) Convicção: da realidade das suas idéias delirantes. 2) Extensão: diferentes áreas da vida do paciente. 3) Bizarrice: distância da realidade consensual.
4) Desorganização: consistência interna, lógica própria. 5) Pressão: envolvimento com suas crenças delirantes.
6) Resposta Afetiva: quanto o delírio abala afetivamente o paciente. 7) Comportamento Desviante: ação em função do delírio
– Delírio Primário - Fenômeno primário psicologicamente incompreensível. Não tem raízes na experiência psíquica do homem normal, impenetrável.
– Delírio Secundário - Se origina de alterações profundas em outras áreas de atividade mental. São produtos de condição psicologicamente compreensível (ex: delírio congruente com humor em uma depressão psicótica).
Classificação dos Delírios Segundo a Estrutura 1) Delírio Simples: tema único
2) Delírios Complexos: vários temas ao mesmo tempo
Curso do delírio
– Em relação ao curso os delírios podem ser agudos ou crônicos.
– Agudos: surgem de forma rápida, pode desaparecer em pouco tempo. – Crônicos: tendem a ser persistentes, contínuos e de longa duração. Estados Pré-Delirantes
Período pré-delirante denominado humor delirante (K. Jaspers) ou trema (K. Konrad). O paciente apresenta ansiedade intensa, estranheza radical.
Humor delirante cessa quando o paciente “configura” o delírio, como se fosse uma revelação inexplicável.
Mecanismos Constitutivos do Delírio
– Para formação do delírio podem contribuir diversos fatores e tipos de vivência.
– A construção do delírio é um processo de tentativa de reorganização do funcionamento mental.
Mecanismos Formadores do Delírio
– Interpretação: distorção radical da interpretação de fatos e vivência, geralmente respeita determinada lógica.
– Intuição: captação de forma imediata de um novo sentido nas coisas, nova realidade totalmente convincente.
– Imaginação: indivíduo imagina determinado acontecimento e a partir disso constrói seu delírio.
– Afetividade: indivíduo passa a viver em mundo fortemente marcado por certo estado afetivo.
– Memória: construído por meio de recordações e elementos da memória, tanto falsos quanto verdadeiros.
– Alterações da Consciência: associados a quadros de turvação da consciência, alucinações e ansiedade intensa.
– Alterações sensoperceptivas: construído a partir de experiências alucinatórias. – Cognição Delirante: algo que aparece na própria mente do indivíduo;
– Percepção Delirante: tipo especial de delírio, percepção normal que recebe significação delirante (muito característico da esquizofrenia) – acha que vai morrer toda vez que ouve um som – o estímulo é real, não é alucinatório.
– Humor Delirante: precede à eclosão do delírio - “Algo está mudando, algo está diferente”.
– Representação Delirante: memória é verdadeira.
Os conteúdos e tipos mais frequentes do delírio
– Delírio de perseguição (ou persecutório): o indivíduo acredita que está sendo perseguido, que estão querendo matá-lo, envenená-lo, prendê-lo, prejudicá-lo, enlouquecê-lo. A perseguição é o tema mais freqüente dos delírios.
– Delírio de referência (de alusão ou auto-referência): o indivíduo apresenta a tendência dominante a experimentar fatos cotidianos fortuitos, objetivamente sem maiores implicações, como referentes à sua pessoa.
– Delírio de influência: o indivíduo vivencia intensamente que está sendo controlado, comandado ou influenciado por uma força, pessoa ou entidade externa. Esse tipo de delírio é também de perseguição. Forte indicativo de esquizofrenia.
– Delírio de grandeza (de enormidade): o indivíduo acredita ser extremamente especial, dotado de poderes, de uma origem superior, com um destino espetacular.
– Delírio de relação: o indivíduo delirante constrói conexões significativas (delirantes) entre os fatos normalmente percebidos. Ele agora sabe que tudo faz sentido, que os fatos se relacionam, indicando que “realmente a guerra dos seres alienígenas irá começar”. Tal delírio também tem um colorido persecutório.
– Delírio erótico (erotomania): o indivíduo afirma que uma pessoa, em geral de destaque social (um artista ou cantor famoso, um milionário, etc.) ou de grande importância para o paciente está totalmente apaixonada por ele. Ocorre mais em mulheres e a pessoa amada geralmente é mais rica, mais velha, de um status social mais “elevado” que o da paciente. – Delírio cenestopático: o indivíduo afirma que existem animais ou objetos dentro de seu
corpo.
– Delírio de infestação: o indivíduo acredita que seu corpo (principalmente sua pele ou seus cabelos) está infestado por pequenos (mas macroscópicos) organismos. Ocorre em pacientes esquizofrênicos, intoxicações por cocaína ou alucinógenos, em indivíduos obcecados pela limpeza corporal.
– Delírio fantástico ou mitomaníaco: o indivíduo descreve histórias fantásticas com convicção plena, sem qualquer crítica.
Os delírios de conteúdo depressivo dividem-se em delírio de ruína (niilista), de culpa e de auto-acusação, de negação de órgãos e delírio hipocondríaco:
– Delírio de ruína (niilista): o indivíduo vive em um mundo repleto de desgraças e o futuro reserva apenas sofrimentos e fracassos. Em alguns casos, o paciente acredita estar morto ou que o mundo inteiro está destruído e morto
– Delírio de culpa e de auto-acusação: o indivíduo afirma ser culpado por tudo de ruim que acontece no mundo e nas vidas das pessoas que o cercam, ter cometido um grave crime, etc. – Delírio de negação de órgãos: o indivíduo experimenta profundas alterações corporais.
12. CONDUTA
São os comportamentos observáveis do indivíduo: comportamento motor, atitudes, atos, gestos, tiques, impulsos, verbalizações, etc
AGITAÇÃO PSICOMOTORA Caminha constantemente Não fica quieto
Pressão para falar Ansiedade
Rabiscar
Balançar pés e pernas Cruzar e descruzar as pernas Roer unhas
Enrolar os cabelos
RETARDO PSICOMOTOR
Lentificação geral dos movimentos e da fala Respostas monossilábicas
Aumento na latência das respostas
Manutenção da mesma posição por longo tempo Pouca gesticulação, expressão facial triste ou inexpressiva
Psicomotricidade
Comportamento e atividade motora; agitação (hiperatividade)
retardo (hipoatividade) tremores
acatisia estereotipias
13. LINGUAGEM
É a maneira como a pessoa se comunica, verbal ou não verbalmente, envolvendo gestos, olhar, expressão facial ou por escrito
Características da fala – Se espontânea, se apenas em resposta à estimulação ou não ocorre (mutismo). Volume da fala e se ocorre algum defeito na verbalização, tais como: afasia, disartria, gagueira, rouquidão, etc.
Progressão da fala - quantidade e velocidade da verbalização do paciente,durante a entrevista. – Linguagem quantitativamente diminuída - paciente restringe sua fala ao mínimo necessário,
respostas monossilábicas ou muito sucintas, sem sentenças ou comentários adicionais. – Fluxo lento - longas pausas entre as palavras e/ou latência para iniciar uma resposta.
– Prolixidade - fala muito, discorrendo longamente sobre todos os tópicos, porém ainda dentro dos limites de uma conversação normal.
– Fluxo acelerado - fala continuamente e com velocidade aumentada. O examinador, geralmente, encontra dificuldade ou não consegue interromper o discurso do paciente.
13.1 Alterações da Linguagem 13.1.1 Por lesões neurológicas Afasias De expressão ou Broca De Compreensão ou Wernicke Global Parafasias Agrafia Alexia Disartria Disfemia Gagueira
13.2.2 Secundárias a transtornos psiquiátricos Logorréia e Taquifasia (pressão para falar) Bradifasia
Mutismo
Perseveração e estereotipia verbal Ecolalia
Palilalia e logoclonia Tiques verbais e coprolalia Verbigeração
14. AFETIVIDADE E HUMOR
Afeto - Expressividade, controle e adequação das manifestações de sentimentos, envolvendo a intensidade, a duração, as flutuações do humor e seus componentes somáticos.
Considera-se humor a tonalidade de sentimento mantido pelo paciente durante a avaliação.
Tonalidade emocional: ansiedade, pânico, tristeza, depressão, apatia, hostilidade, raiva, euforia, elação, exaltação, desconfiança, ambivalência, perplexidade, indiferença, embotamento afetivo (virtualmente, sem expressão afetiva, p. ex. voz monótona, face imóvel)
Modulação: controle sobre os afetos hipomodulação, associada à rigidez afetiva
hipermodulação, associada à labilidade afetiva, caracterizada por marcadas oscilações no humor manifesto.
EMOÇÕES SENTIMENTOS
Estado afetivo intenso Atenuado em intensidade
Reativos a estímulos externos Menos reativos, associados a conteúdos intelectuais
EMOÇÕES
Reações afetivas agudas, momentâneas e desencadeadas por estímulos significativos Curta duração
Originado como reação a certas excitações – internas ou externas – inconscientes ou conscientes Reações somáticas (neurovegetativas, motoras, hormonais, viscerais e vasomotoras)
Tempestade anímica – desconcerta, comove e perturba o instável equilíbrio existencial Jogo
SENTIMENTOS
Estados e configurações afetivas estáveis Subdivisão arbitrária em:
– Sentimentos da esfera da tristeza: melancolia, saudade, tristeza, nostalgia, vergonha, impotência, aflição, culpa, remorso, inferioridade, tédio...
– Sentimentos da esfera da alegria: euforia, júbilo, contentamento, satisfação, confiança, gratificação....
– Sentimentos da esfera da agressividade: raiva, revolta, rancor, ciúme, ódio, ira, inveja, vingança, repúdio, nojo, desprezo....
– Sentimentos relacionados a atração pelo outro: amor, atração, tesão, estima, carinho, apego, apreço...
Afetos
Qualidade e o tônus emocional que acompanham uma idéia ou representação mental Acoplam-se a idéias – colorido afetivo
Componente emocional de uma idéia Paixões
Estado afetivo extremamente intenso Domina a atividade psíquica como um todo
Capta e dirige a atenção e o interesse em uma só direção Inibe outros interesses
“paixão intensa impede o exercício de uma lógica imparcial” Reação Afetiva
Vida afetiva – eu/mundo-pessoas
Variação de acordo com a sucessão de eventos Afetividade – reatividade
Sintonização afetiva – capacidade de ser influenciado afetivamente por estímulos externos Entristece-se com ocorrências dolorosas
Alegra-se com eventos positivos Ri com boas piadas
Irradiação afetiva – transmissão do estado afetivo aos outros -> sintonia com o ambiente Alterações patológicas
Distimia – alteração básica do humor – tanto da inibição quanto da exaltação Distimia hipotímica
Distimia hipertímica
Disforia – distimia + tonalidade afetiva desagradável, mal-humorada – irritação, amargura, desgosto, agressividade
Dois pólos básicos das alterações do humor: Hipotimia – depressivo, humor rebaixado
Hipertimia – mania, humor patologicamente aumentado, exaltado
Euforia – humor morbidamente exagerado, alegria desproporcional às circunstâncias
Elação – além da alegria patológica, expansão do eu – sensação de poder, grandeza, falta de limites na relação eu/mundo
Irritabilidade patológica – hiperatividade desagradável, hostil, agressiva a estímulos.
Ansiedade – estado de humor desconfortável, apreensão negativa em relação ao futuro, inquietação interna desagradável – Inclui: Sensações somáticas – dispnéia, taquicardia, tensão muscular,
tremores, parestesias, sudorese, etc.
Manifestações psíquicas – inquietação interna, apreensão, desconforto mental, etc Angústia – sensação de aperto no peito e na garganta, de compressão, de sufocamento Conotação mais corporal e relacionada ao passado.
Vivência mais pesada, fundamental, define a condição humana.
Freud – angústia de castração, de morte ou aniquilamento, de separação. Escola existencial – estar-no-mundo, estar-com-o-outro, ser-para-a-morte.
Hipomodulação do afeto – incapacidade de modular a resposta afetiva de acordo com a situação existencial – rigidez na relação com o mundo
Inadequação do afeto (paratimia) – reação incongruente a situações existenciais ou conteúdos ideativos – desarmonia psíquica
Embotamento afetivo – perda profunda de todo tipo de vivência afetiva
Sentimento de falta de sentimento – incapacidade para sentir emoções, experimentada de forma penosa
Anedonia – incapacidade total ou parcial de obter e sentir prazer com determinadas atividades e experiências da vida
Labilidade afetiva e incontinência afetiva – mudanças súbitas e imotivadas do humor, sentimentos ou emoções. Oscilação de forma abrupta e inesperada de um estado afetivo para outro
Ambivalência afetiva – sentimentos opostos em relação ao mesmo estímulo ou objeto, simultâneos Neotimia – experiência afetiva nova vivenciada em estados psicóticos (esquizoforia)