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1. PRIMEIRAS CONSIDERAÇÕES

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Academic year: 2021

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Gabriel de MELO NETO Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Geografia, Universidade Federal de Goiás, Campus Catalão, Bolsista CAPES/CNPQ. E-mail: [email protected] José Henrique Rodrigues STACCIARINI Professor Doutor do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal de Goiás, Campus Catalão.E-mail: [email protected]

PRÁTICAS PEDAGÓGICAS DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL: séries finais do Ensino Fundamental das escolas públicas municipais da cidade de Catalão (GO) nos dez anos da

Política Nacional de Educação Ambiental

1. PRIMEIRAS CONSIDERAÇÕES

A temática ambiental tem se transformado em uma questão recorrente nas últimas décadas, conseqüência da crise ambiental deflagrada através do processo de expropriação dos recursos naturais dentro da estrutura sócio-econômica hegemônica. A decorrência de impactos tem gerado preocupações e questionamentos quanto a aspectos relacionados a qualidade de vida e a própria manutenção da mesma no planeta.

A história da espécie humana sob a orbe terrestre é marcado pelo desenvolvimento de técnicas que possibilitassem o domínio sobre as forças da natureza e garantias de sobrevivência. A degradação do meio natural não se constitui em uma realidade do tempo presente, varias sociedades já colocaram em colapso os ecossistemas em que estavam inseridos. Neste sentido, o marco histórico da presente preocupação com o meio ambiente, está relacionado a década de (19)60 com os movimentos de contra cultura, questionando os rumos civilizatórios da sociedade de consumo, a publicação do livro

Primavera Silenciosa por Rachel Carson em 1962, colocando muitos em polvorosa quanto

as perspectivas devastadoras da ação humana no planeta, a constituição do Clube de Roma, desenvolvendo e discutindo pressupostos científicos do tema ambiental, entre outros processos que culminaram na estruturação da I Conferência das Nações Unidas, para o desenvolvimento Humano em Estocolmo, 1972. No ano de 1977, ocorreu a I Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental em Tbilisi, sendo, consenso por parcela

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significativa, dos movimentos ambientalista, como a referência da formulação documental e conceitual, da Educação Ambiental através da elaboração de uma declaração.

A crescente demanda, por produtos para alimentar a estrutura de consumo, em que se tem, baseado as sociedades contemporâneas agravaram a necessidade da intensificação da geração energética, dentro de uma matriz geradora de devastação. Neste panorama da década de 19(80) a ONU designa Harlen Brundtland para chefiar uma equipe, elaborando o Relatório intitulado “O Nosso Futuro em Comum”, estruturando desta forma, o conceito de desenvolvimento sustentável. Numa tentativa, segundo Haesbaert/Porto-Gonçalves (2006), de harmonização dos interesses do modo sócio econômico reinante, com a manutenção da vida no planeta, proposição esta reforçada por Gadotti, 2000, que registra esta ação, como uma proposta de conciliação da economia de mercado através da terminologia desenvolvimento e do meio ambiente mediante o designo de sustentável. Sendo uma forma de frear a crítica ao modelo produtivo hegemônico.

Com a conferência em 1992 na cidade do Rio de Janeiro, abre-se vasto espaço nos meios de comunicação, para as preocupações “ecológicas”, se por um lado, foi importante para discutir o estágio da crise ambiental, por outro, permitiu um crescente modismo em torno desta temática. Aliar a imagem pessoal e institucional as questões ambientais passou a ser valorativo, se antes, quase que integralmente a idéia do desenvolvimento, estava aliada a necessidade de gerar o progresso através da descoberta de terras, a ocupação de novos horizontes, a derrubada de árvores, de limpar o mato, por este momento uma parcela significativa da humanidade passou a considerar ações de mitigações de impactos e soluções de problema ambientais, como necessárias, culminando no

Marketing ecológico que atualmente se caracteriza pelas “ISOs” e os selos ambientais, que

rotularam empresas como ecologicamente responsáveis.

Neste contexto, a educação ambiental tem sido, apresentada como uma importante ferramenta para compreensão e/ou mitigação da situação em tela. Dentro deste processo, desde a conferência de Estocolmo, vem se avolumando as produções específicas, relacionadas a Educação Ambiental, colocando a mesmas no status de importante processo, capaz de colaborar com os impactos da crise ambiental em voga.

Desta forma, centrados na concepção da Educação Ambiental conforme preconizam os documentos de referência internacional e movidos pelos questionamentos na

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seqüência é que se desenvolve o presente trabalho: Os parâmetros que norteiam a Educação Ambiental nas escolas municipais da cidade de Catalão (GO) estão condizentes com a legislação em vigor? Efetivamente quais têm sido as políticas públicas de Educação Ambiental materializadas nas escolas municipais da cidade de Catalão (GO)? A proposta de Educação Ambiental predominante equaciona a crise ambiental mundial? A legislação em vigor atualmente esta em sintonia com os documentos de referência em Educação Ambiental?

2. OBJETIVOS

2.1. OBJETIVO GERAL

 Compreender a Educação Ambiental na cidade de Catalão (GO), mediante a análise das práticas pedagógicas em turmas das séries finais do Ensino Fundamental da rede pública municipal, nos dez anos de promulgação da Política Nacional de Educação Ambiental.

2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

 Analisar as práticas pedagógicas em torno da questão ambiental nas séries finais do Ensino Fundamental das escolas públicas municipais da cidade de Catalão (GO).  Elaborar uma discussão acerca das relações entre a crise ambiental mundial em curso

e o ensino de Educação Ambiental nas séries finais do Ensino Fundamental das escolas públicas municipais da cidade de Catalão (GO).

 Identificar as características do ensino de Educação Ambiental nas turmas das séries finais do Ensino Fundamental das escolas públicas municipais de Catalão (GO) na década de 1999 à 2009, período de vigência da lei que normatiza o ensino de Educação Ambiental no país.

 Avaliar a implementação de práticas pedagógicas referenciadas nos pressupostos presentes na PNEA, em turmas das séries finais do Ensino Fundamental das escolas públicas municipais da cidade de Catalão (GO).

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Preliminarmente na tentativa de responder aos questionamentos expostos, buscou-se, identificar a materialização de políticas públicas de Educação Ambiental nas escolas municipais da cidade de Catalão (GO), seguindo os seguintes parâmetros: Levantamento e análise das políticas públicas de Educação Ambiental emanadas das esferas federal, estadual e municipal, focalizando Catalão (GO); Contraposição entre a legislação em vigor com os documentos de referência internacional de Educação Ambiental; Mensuração da aplicação da legislação em vigor nas escolas municipais da cidade de Catalão (GO) no período de 1999 à 2009; Destacamento das principais características da Educação Ambiental predominante nas escolas municipais da cidade de Catalão (GO).

Neste sentido, desenvolveu-se, o aprofundamento das questões teóricas relacionadas a temática mediante uma revisão bibliográfica meticulosa em torno de produções variadas, como livros, teses, dissertações, anais de eventos, revistas, jornais e textos especializados divulgados na Internet, entre outros. Posteriormente deu-se a análise de documentos de órgãos internacionais, focando especialmente os produzidos nas conferências ambientais realizadas pelas Nações Unidas e os documentos nacionais oriundos da esfera federal, relacionados, prioritariamente, aos Ministérios da Educação e do Meio Ambiente, a Constituição Brasileira, a Lei de Diretrizes e base da Educação (LDB) e os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN). Documentos estaduais e municipais advindos das Secretarias de Educação e do Meio Ambiente relacionados ao município de Catalão (GO). Por fim, em fase de desenvolvimento, realizam-se entrevistas e aplicação de questionários junto a gestores públicos e profissionais da educação municipal. (GIL, 1999).

4. RESULTADOS PRELIMINARES DO TRABALHO

Mediante a aplicação da metodologia exposta percebe-se que há existência de legislação federal e estadual em sintonia com os tratados ambientais internacionais e os movimentos sociais, dentro de uma visão crítica, inter e trans disciplinar, sem, contudo, ser conhecida e aplicada.

Conforme podemos perceber na Constituição brasileira em seu artigo 225, Inciso VI, determina que: "Cabe ao Poder Público, promover a Educação Ambiental, em

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todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente" (BRASIL, 1989). A LDB sancionada em 1997, relaciona a Educação Ambiental como tema transversal, os PCNs, deixa claro que a mesma não pode ser engaiolada dentro de uma disciplina, mas sim ser trabalhada de forma interdisciplinar e em consonância com o contexto social, estando em acordo com a declaração de Tbilisi,

“a educação ambiental é o resultado de uma orientação e articulação de diversas disciplinas e experiências educativas que facilitam a percepção integrada do meio ambiente, tornando possível uma ação mais racional e capaz de responder às necessidades sociais”. (ONU, 1977).

No ano de 1999 dá-se a promulgação da Lei Federal 9795/99, que “institui a Política Nacional de Educação Ambiental” (PNEA). Externando em seu artigo 4º os seguintes princípios básicos,

I - o enfoque humanista, holístico, democrático e participativo; II - a concepção do meio ambiente em sua totalidade, considerando a interdependência entre o meio natural, o sócio-econômico e o cultural, sob o enfoque da sustentabilidade; III - o pluralismo de idéias e concepções pedagógicas, na perspectiva da inter, multi e transdisciplinaridade; IV - a vinculação entre a ética, a educação, o trabalho e as práticas sociais; V - a garantia de continuidade e permanência do processo educativo; VI - a permanente avaliação crítica do processo educativo; VII - a abordagem articulada das questões ambientais locais, regionais, nacionais e globais; VIII - o reconhecimento e o respeito à pluralidade e à diversidade individual e cultural. (BRASIL, 1999).

Tais princípios estão em consonância com a declaração de Tbilisi, com a Agenda

21 e o Tratado de Educação Ambiental para as sociedades Sustentáveis e responsabilidade global, ambos elaborados na Conferência das Nações Unidas para o

Meio Ambiente em 1992 na cidade do Rio de Janeiro, no qual o segundo documento propõem: “A educação ambiental deve envolver uma perspectiva holística, enfocando a relação entre o ser humano, a natureza e o universo de forma interdisciplinar”, finalmente a

Carta da Terra, documento elaborado mediante um significativo trabalho de consultas e

discussões ocorridas no seio de instituições governamentais e não governamentais em diversos países no período de 1997 à 2000, o seguinte trecho: “Promover a contribuição das

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artes e humanidades, assim como das ciências, na educação para sustentabilidade”, reforça o caráter de educação para a sustentabilidade.

Na esfera estadual recentemente foi publicada Lei n° 16.586, de 16 de junho de 2009, que regulamenta a Educação Ambiental no estado de Goiás, lei esta homônima a Lei Federal. No que tange a legislação municipal não há matéria aprovada sobre esta questão.

Percebe-se, portanto, uma sintonia entre os documentos internacionais e a atual legislação em vigor no Brasil. Apesar desta compatibilidade, o desconhecimento dos aspectos conceituais é percebida principalmente pela prevalência das representações de Educação Ambiental conservadoristas e preservacionistas na execução prática da legislação em vigor.

Quanto a implementação de políticas públicas, dentro do recorte temporal utilizado, 1999/2009, apenas a esfera federal desenvolveu ações neste sentido, além da promulgação da PNEA em 1999, ocorreram o desenvolvimento de atividades nos ministérios da Educação e Meio Ambiente, com a destinação de recursos específicos para tal fim, a realização de conferências nacionais, a organização social, através da fomentação da constituição de Coletivos Jovens, Salas Verdes, COM-Vidas, entre outras ações, contudo, sem atender a demanda necessária e em muitos aspectos de forma questionável, haja vista a permanecia da compreensão de Educação Ambiental maciçamente enraizada nos velhos paradigmas da educação tradicional.

No estado de Goiás, as reiteradas ingerências vividas, pela secretaria estadual do meio ambiente, Agência Ambiental e SEMAHR, impossibilitou qualquer iniciativa estruturada de ações voltadas para Educação Ambiental, enquanto que junto a Secretária de Estadual de Educação foi constituído um Núcleo de Educação Ambiental, que tem pautado as suas práticas, em ações pontuais tendo pouca articulação com os pressupostos nacionais, legais e internacionais de Educação Ambiental.

No município de Catalão, além da citada inexistência de instrumento legal próprio, não há registros de desenvolvimento efetivo de políticas públicas de Educação Ambiental nas escolas municipais da cidade. No período de 1999 à 2009, as ações desenvolvidas são pontuais, provocadas basicamente mediante três fatores: por iniciativa do Ministério Público do Estado de Goiás, através de Termo de Compromisso e Ajustamento de Conduta firmado entre a curadoria do meio ambiente da comarca de Catalão em conjunto com as secretarias de educação e agricultura/meio ambiente e com a prefeitura municipal no ano de

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2001 com o objetivo do atendimento ao disposto no PNEA e outras indicações proposta; compensações ambientais desenvolvidas pela iniciativa privada como o caso da construção da Usina Hidroelétrica na Serra do Facão, mediante o desenvolvimento de programa de Educação Ambiental, através de palestras informativas para a comunidade, aplicação de programa de capacitação de professores; Por fim, mediante iniciativas de Marketing institucional, com ações esporádicas de empresas, mineradoras e montadoras da cidade, sem a estruturação de um programa específico, visando prioritariamente a construção de uma boa imagem institucional.

5. CONSIDERAÇÕES

Em termos nacionais, a Educação Ambiental, não necessita propriamente de novas normas ou legislações, uma vez que, os parâmetros existentes estão condizentes, com as diretrizes propostas por movimentos sociais, organismos vinculados a ONU e outras instâncias internacionais. Desta forma, a carência relacionada a debilidade das políticas públicas, emanadas da esfera federal, e a inexistência de ações a nível estadual e municipal, promove a materialização de uma Educação Ambiental descaracterizada dos elementos presentes em sua gênese, como os que foram, estruturados nas Conferências e tratados Internacionais sobre o tema.

Considerando, que a presente, pesquisa está em estágio de desenvolvimento, preliminarmente percebe-se, a necessidade de uma revisão, sobre a prática do processo de ensino/aprendizagem da Educação Ambiental, existentes em escolas da rede municipal de ensino da cidade de Catalão, buscando a apropriação dos paradigmas, que norteiam a proposta educativa, que deu origem a mesma, centrada em uma visão de conjunto, dentro de uma perspectiva inter, multi e trans disciplinar, configurando uma verdadeira teia de relações e interações, sem ser limitada a uma disciplina, ou como mais um conteúdo a ser lecionado. Para isso torna-se essencial o estabelecimento de políticas públicas construídas de forma participativa seguindo os elementos da legislação em vigor.

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BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Diário Oficial [da República Federativa do Brasil], Brasília, DF, v. 134, n. 248, 23 dez. 1996. Seção 1, p. 27834-27841.

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______. Lei nº 16586, de 16 de junho de 2009. Dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Estadual de Educação Ambiental e dá outras providências. Diário Oficial [do Estado de Goiás], nº 2639, Goiânia, GO, 22 jun. 2009.

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Referências

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