A DESCONSTRUÇÃO DO PRECONCEITO EM MENINA BONITA DO LAÇO DE FITA

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A DESCONSTRUÇÃO DO PRECONCEITO EM MENINA BONITA DO LAÇO DE FITA

BORGES¹; Margarida Rodrigues de ANDRADE; Cristiana Ramos Bezerra LIMA2; Dina Carla Cardoso; SILVA3, Maria Adma Meira da COSTA4, Rosenilda MENESES5. Isabelle de Araújo PIRES6;

1. Graduanda em Pedagogia da UVA/UNAVIDA. margaridaborges1979@gmail.com 2. Graduanda em Pedagogia da UVA/UNAVIDA. crisbezerraramos@hotmail.com 3. Graduanda em Pedagogia da UVA/UNAVIDA. cassiotreze@hotmail.com 4. Graduanda em Pedagogia da UVA/UNAVIDA. tatichelle@hotmail.com

5. Graduanda em Pedagogia da UVA/UNAVIDA. rose.costa.meneses@gmail.com

6. Orientadora. Doutoranda em Letras (UFPB). Professora da Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA/UNAVIDA. issapires@hotmail.com

RESUMO: Esse artigo problematiza a desconstrução do preconceito a partir da leitura da obra Menina Bonita do Laço de Fita, de Ana Maria Machado com o objetivo de conscientizar acerca da necessidade de valorização identitária na criança e de discutir questões pertinentes aos dias hodiernos - etnia, relações socioculturais, construções históricas e afetivas, a partir do contato com o texto literário de modo contextual e significativo. Assim, pensamos contribuir para a construção cultural e social coletiva, bem como auxiliar na formação leitora e cidadã na infância. Nessa perspectiva, fundamentando-nos em autores como SILVA (1998), COSSON (2014), SERCUNDES (1997) e JOVINO (2006) que abordam questões alusivas à literatura infantil, ao comportamento, à motivação, valores éticos e étnicos na literatura. Por fim, além das discussões elencadas, pretendemos sugerir caminhos tomando como base o trabalho da obra supracitada na sala de aula, vinculando metodologias possíveis para o professor estimular o aluno a pôr em prática os apontamentos imbricados na obra.

Palavras-Chave: Valores. Literatura Infantil. Preconceito.

ABSTRACT: This article discusses about the deconstruction of the preconception from the reading of the work Menina Bonita do Laço de Fita, by Ana Maria Machado in order to raise the awareness about the need for identity appreciation in children and to discuss relevant issues to the modern society - ethnicity, cultural social relations, historical and affective constructions, from the contact with the literary text and contextual meaningful. So, we think to contribute to the cultural and social colleti vê construction as well as assist the childhood reading and citizen training. In this perspective, we basing ourselves on authors such as SILVA (1998), COSSON (2014), SERCUNDES (1997) and JOVINO (2006) that show issues to children's literature, behavior, motivation, ethical and ethnic values in the literature. Finally, besides the listed discussions, we intend to suggest ways, taking on the work, of the work have been showed above and in the classroom, linking possible methodologies for the teacher to encourage students to put into practice the overlapping notes at work.

Keywords: Values. Children'sliterature. Preconception.

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www.revistascire.com.br INTRODUÇÃO

Indubitavelmente a leitura é algo imprescindível em nossas vidas, pois através dela é possível aprender, ensinar, desenvolver o pensamento e “viajar” no mundo da imaginação. Na obra Menina Bonita do Laço, de Fita de Ana Maria Machado a personagem principal é uma menininha negra, no entanto, diferente de contos mais tradicionais, a mesma não sofria nenhum tipo de preconceito, pelo contrário, era extremamente admirada pelo coelhinho branco que amava sua cor e desejava a todo custo ficar pretinho como ela, pois para ele, aquela menina, era a pessoa mais linda que ele teria visto durante toda sua vida.

A menina muito astuta criou diversas histórias para justificar sua cor “Ah, deve ser porque eu caí na tinta preta quando era pequenina” (p.8), “Ah, dever ser porque eu tomei muito café quando pequenina”. (p.10), “Ah, deve ser porque eu comi muita jabuticaba quando era pequenina”. (p. 12). O coelhinho por sua vez, pôs em prática tudo o que a menina dizia: tomou muito café, comeu bastante jabuticaba, porém nada adiantou. Depois de várias tentativas frustradas o coelhinho descobriu a verdade, a mãe da menina uma mulata muito bonita confessou o segredo o motivo daquela cor vinha de herança genética “(...) artes de uma avó preta que ela tinha.”

(p. 15).

O coelho percebeu que não seria possível conseguir aquela cor e que deveria casar com uma coelha pretinha para poder ter filhotes de cores variadas, pois sua família era toda branquinha, assim o fez se casou com uma coelha pretinha e teve vários filhotes de todas as cores e inclusive a pretinha.

A referida obra atende crianças nos mais diferentes níveis de aprendizagem, desde as que estão iniciando no mundo da leitura, as que tem domínio leitor, como também aquelas não alfabetizadas, por apresentar uma linguagem clara, assim como uso de imagens proporcionando fácil entendimento e assimilação.

No decorrer da história é notório elogios proferidos por sua mãe, pois quando arrumava seus cabelos, finalizava-os com belas fitas coloridas realçado ainda mais sua beleza, a mesma comparava-a com “uma princesa das Terras da África ou como uma fada do Reino do Luar” (p.4).

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www.revistascire.com.br Nesse processo, é importante destacar a presença do professor como mediador criando um clima de envolvimento de modo contextualizado e significativo proporcionando que a leitura torne-se momentos prazerosos e ao mesmo tempo fonte de enriquecimento, pois segundo Rosenfeld 1976 apud CUNHA, 1995:

[...] literatura amplia e enriquece a nossa visão da realidade de um modo específico. Permite ao leitor a vivência intensa e ao mesmo tempo a contemplação crítica das condições e possibilidades da existência humana.

[...] A literatura é o lugar privilegiado em que a experiência “vivida” e a contemplação crítica coincidem num conhecimento singular, cujo critério não é exatamente a “verdade” e sim a “validade” de uma interpretação profunda da realidade tornada em experiência. (ROSENFELD,1976, p.57-58 apud CUNHA, 1995).

Portanto, através do trabalho com literatura infantil a criança é convidada a vivenciar vários aspectos da realidade, nesse caso, a escola desempenha função de extrema importância, como o convívio com o texto que possibilita resultados positivos no tocante a formação de leitores/escritores competentes, pois com a obra literária objetiva-se desenvolver/ampliar o conhecimento da criança.

DISCUSSÕES TEÓRICAS

Com o predomínio de protagonistas brancos na literatura infantil, de acordo com Jovino (2006), no final década de 20 e início da década de 30, século XX, os personagens negros começaram a aparecer. As histórias, nesse período, não retratavam positivamente o negro e sua cultura, ao contrário, reforçavam a imagem dele como subalterno, analfabeto e ignorante de acordo com o teórico anteriormente citado.

A discriminação existe ainda hoje na sociedade e transcende para sala de aula, apresentando desafios e conflitos. Pesquisas comprovam que estes fatos deixam marcas para toda vida, mas é no âmbito escolar que podem acontecer as mudanças reais e significativas, em que o professor tem papel fundamental, partindo do reconhecimento ao preconceito em si, mesmo sem negar essa realidade para desconstruir essa imagem negativa criada pela sociedade.

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www.revistascire.com.br Sabemos que a discussão sobre as obras literárias é algo real e torna-se necessário para transformar o que se vive e do que se sente para com isso, despertar na criança o prazer e a descoberta, segundo Cosson (2014) “o professor é o intermediário entre o livro e o aluno” (COSSON, 2014: 32). Assim, esse professor precisa ter sensibilidade ao selecionar uma determinada obra e antes de realizar a leitura, contextualizá-la para seus alunos.

Esse artigo discute a desconstrução do preconceito objetivando provocar reflexões e questionamentos das temáticas apresentadas sobre si mesmo e suas origens em ambientes de ensino para sua valorização.

De acordo com Silva (2010 apud MARIOSA 2011) o ato de ler e ouvir histórias possibilita à criança expandir seu campo de conhecimento, tanto na língua escrita, quanto na oralidade. Nesse sentido, a criança apresenta uma abertura ao conhecimento literário, tanto nos contos como também na linguagem a ser trabalhada, contribuindo para seu desenvolvimento cognitivo em sua compreensão, expressão e socialização.

METODOLOGIA

O presente artigo propõe um trabalho de apreciação crítica da obra em questão abordando as questões raciais, possibilitando assim, a oportunidade de desenvolver atitudes positivas nas crianças, ampliando o entendimento das diferenças como algo normal em suas vidas, através da leitura e vivência literária.

A proposta é qualitativa, de intervenção em sala de aula, organizado a abordagem em sequência didática. Iniciaremos a atividade com uma conversa pedindo que as crianças formem um círculo, em seguida faremos algumas perguntas: Você se parece com quem? Todos nós somos iguais? Qual é a cor de sua pele? Para responder às perguntas, todos terão a oportunidade de fazer uso do espelho e observando-se, tirar suas conclusões.

Em seguida, apresentaremos a capa do livro: Menina Bonita do Laço de Fita, em que cada criança irá relatar suas observações e suas expectativas em relação a literatura.

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www.revistascire.com.br Após esse momento, iremos ler e pontuar a história, depois faremos uma releitura da obra e apresentaremos na sala, propondo as crianças uma dramatização, mudando o título da história, finalizando assim, com a participação de todos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este artigo tem como fim, trazer para sala de aula a problemática do racismo e suas implicações, tomando como base a obra literária da autora Ana Maria Machado Menina Bonita do Laço de Fita, que enfatiza a normatização e valorização da cor negra. Partindo deste fundamento, abordaremos sua desconstrução de uma forma prática, com proposta de vivência em sala de aula, onde os alunos possam respeitar as diferenças e valorizar o ser, independente de sua cor.

Buscamos observar os escritores que fomentaram discussões para problematizar considerações relacionadas ao preconceito na educação e suas contribuições para a sala de aula. Portanto, para que as ideias de igualdade propostas sejam respeitadas, contamos com alunos, professores, país e a comunidade, buscando uma reeducação que vise minimizar este preconceito que ainda encontramos em nossa história.

REFERÊNCIAS

JOVINO, Ione da Silva. Literatura infanto-juvenil com personagens negros no Brasil.

In. SOUZA, Florentina e LIMA, Maria Nazaré (Org). Literatura Afro-Brasileira.

Centro de Estudos Afro - Orientais, Brasília: Fundação Cultural Palmares, 2006.

MACHADO, Ana Maria. Menina bonita do laço de fita. 9. ed. São Paulo: Ática, 2011.

CUNHA, Maria Antonieta Antunes. Literatura infantil: Teoria e Prática. ed.15. São Paulo: Editora Ática, 1995.

ZILBERMAN, Regina. A literatura infantil nas escolas. ed.11 ver. São Paulo:

Global, 2003.

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