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Farmácia Mota, Gondomar

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Academic year: 2023

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I

2020-2021

(2)

Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas

Relatório de Estágio Profissionalizante

Farmácia Mota

Janeiro de 2021 a Julho de 2021

Diogo Martinho Vieira Gonçalves

Orientadora FFUP: Profª Dr.ª Manuela Sofia Rodrigues Morato Tutora: Dr.ª Ana Patrícia Lima dos Santos Mota

fevereiro de 2023

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II

Declaração de Integridade

Declaro que o presente relatório é de minha autoria e não foi utilizado previamente noutro curso ou unidade curricular, desta ou de outra instituição. As referências a outros autores (afirmações, ideias, pensamentos) respeitam escrupulosamente as regras da atribuição, e encontram-se devidamente indicadas no texto e nas referências bibliográficas, de acordo com as normas de referenciação.

Tenho consciência de que a prática de plágio e auto-plágio constitui um ilícito académico.

Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, Diogo Martinho Vieira Gonçalves

(4)

III

Agradecimentos

Quero começar por agradecer aos meus pais e à minha irmã, por todo o apoio incondicional e conforto nos momentos mais difíceis, por serem a personificação do significado de família e por nunca me deixarem desistir. Quero também agradecer ao meu primo, por partilhar comigo muito mais que sangue. A todos eles, o meu obrigado.

Quero agradecer à Isabel, à minha Chewbacca, por ser o meu farol quando perdi o rumo e por toda a compreensão, ajuda, durante todos estes anos.

A todos os elementos que compõem a FFUP, sejam professores ou funcionários, por fazerem da FFUP muito mais que um lugar de aprendizagem.

A todos os meus colegas do MICF o meu obrigado. Em particular, à Andreia, ao José e à Vanessa por todos os momentos “AM” e o que eles significam. Não posso deixar de agradecer também aos meus parceiros de guerra, o Jorge e o Miguel.

O meu agradecimento especial para toda a equipa da Farmácia Mota, pela forma acolhedora que me receberam e por todo o conhecimento partilhado. Em especial, à Dr.ª Ana Mota, por ser uma excelente orientadora e acima de tudo me ter concedido esta oportunidade.

Não posso terminar, sem agradecer à Professora Doutora Manuela Morato, por toda a disponibilidade e acompanhamento, durante o meu estágio, assim como por todas as orientações e correções finais deste relatório.

(5)

IV

Resumo

O presente relatório visa relatar as competências que adquiri ao longo do estágio curricular que frequentei. Com uma duração de seis meses, que decorreram entre o dia 25 de janeiro e o dia 26 de julho, na Farmácia Mota, esta experiência permitiu-me participar e desenvolver uma panóplia de atividades que contribuíram frutiferamente para o desempenho de todas as funções que exerci.

Assim sendo, as mesmas serão detalhadamente descritas ao longo das duas partes que o presente relatório contempla.

Na primeira parte do relatório encontram-se, essencialmente, as informações que dizem respeito ao espaço da farmácia e às condições que a mesma exibe, assim como todos os procedimentos que dizem respeito à sua gestão. Além disso, serão também abordados tópicos que dizem respeito aos medicamentos e produtos de saúde disponíveis na farmácia, juntamente com o seu respetivo enquadramento legal, e serão ainda disponibilizadas informações quanto à generalidade dos serviços prestados pela mesma.

Por sua vez, na segunda parte do relatório, serão descritos os 5 projetos que desenvolvi ao longo desta experiência. O primeiro projeto abordou o tema dos problemas comportamentais dos cães e gatos, através da realização de uma formação interna. Já o segundo foi, por sua vez, mais direcionado para os utentes, uma vez que consistiu na medição de vários parâmetros bioquímicos, e na consequente realização de um aconselhamento farmacêutico personalizado e adaptado às necessidades individuais evidenciadas por cada um dos utentes. O terceiro projeto, focado na hipercolesterolemia, surgiu no seguimento do segundo, após ter verificado que alguns utentes apresentavam valores elevados de colesterol e que não possuíam nenhuma terapêutica instituída no sentido de controlar os mesmos, pelo que surgiu a oportunidade de perceber o efeito da monacolina K no controlo dos níveis de colesterol. O quarto projeto teve por base o seguimento de utentes fumadores, com o objetivo de promover e auxiliar o processo de cessação tabágica, através do acompanhamento das consultas de cessação tabágica e elaboração de um panfleto. Por fim, o quinto e último projeto surgiu com a chegada do verão e as necessidades sazonais dos utentes face à maior exposição solar, e para as quais os profissionais de saúde devem estar sensibilizados, com o intuito de alertar os utentes para os graves problemas que podem ser provocados pela exposição solar, nomeadamente, o aparecimento de melanoma.

Por último, a abordagem de todos estes tópicos culminará com as considerações finais, que sintetizam a forma como foi vivida esta experiência e de que modo a mesma contribuiu para a minha formação e para o meu desenvolvimento, tanto a nível pessoal como profissional.

(6)

V ÍNDICE

Declaração de Integridade ... II Agradecimentos ... III Resumo ... IV Índice de tabelas ... VIII Índice de figuras ... VIII Índice de Anexos ... VIII Lista de abreviaturas ... IX

Introdução ... 1

Parte I – Enquadramento das Atividades desenvolvidas na Farmácia Mota ... 3

1. Farmácia Mota... 3

1.1. Localização da farmácia e Perfil do Utente ... 3

1.2. Horário de Funcionamento ... 3

1.3. Recursos Humanos ... 3

1.4. Espaço físico ... 4

1.4.1. Espaço exterior ... 4

1.4.2. Espaço interior ... 4

1.4.2.1. Área de atendimento ao público ... 4

1.4.2.2. Laboratório ... 5

1.4.2.3. Gabinete de atendimento personalizado ao utente ... 5

1.4.2.4. Escritório ... 5

1.4.2.5. Área de receção de encomendas e Armazenamento ... 5

1.5. Fontes de Informação ... 6

1.6. Sistema Informático ... 7

2. Gestão da farmácia ... 7

2.1. Gestão de stock ... 7

2.2. Gestão de encomendas ... 7

2.2.1. Fornecedores ... 7

(7)

VI

2.2.2. Realização de Encomendas ... 8

2.2.3. Receção e conferência de encomendas... 9

2.3. Armazenamento ... 9

2.4. Controlo dos prazos de validade ... 10

2.5. Gestão de devoluções ... 10

3. Dispensa de medicamentos e/ou Produtos Farmacêuticos na Farmácia Comunitária ... 11

3.1. Medicamentos Sujeitos a Receita Médica (MSRM) ... 11

3.1.1. Receita Médica ... 12

3.1.2. Regimes de Comparticipação e Subsistemas ... 13

3.1.3. Processamento e conferência do Receituário e Faturação ... 14

3.2. Medicamentos Psicotrópicos e Estupefacientes ... 15

3.3. Medicamentos Manipulados ... 15

3.4. Medicamentos Não Sujeitos a Receita Médica (MNSRM) ... 16

3.5. Medicamentos e Produtos de Uso Veterinário ... 17

3.6. Suplementos Alimentares ... 17

3.7. Produtos de Puericultura ... 17

3.8. Produtos Cosméticos e de Higiene Corporal ... 18

3.9. Medicamentos Homeopáticos ... 18

3.10. Dispositivos Médicos ... 18

4. Serviços Farmacêuticos ... 19

4.1. Determinação e avaliação de parâmetros bioquímicos e fisiológicos ... 19

4.2. Administração de Injetáveis ... 19

4.3. Consultas de Podologia ... 20

4.4. Consultas de Nutrição ... 20

4.5. Serviço de entregas ao domicílio... 20

4.6. Valormed ... 20

5. Meios de Comunicação e Marketing ... 20

6. Formações ... 21

Parte II – Projetos desenvolvidos no âmbito do meu Estágio Curricular ... 23

(8)

VII

Projeto 1 – Formação Interna: “Problemas Comportamentais em Cães e Gatos”... 23

Enquadramento ... 23

Objetivos ... 24

Métodos e Resultados ... 24

Conclusão ... 26

Projeto 2 – Rastreios na área das Doenças Cardiovasculares ... 27

Enquadramento ... 27

Objetivos ... 30

Métodos e Resultados ... 30

Conclusão ... 33

Projeto 3 – Estudo sobre a ação da Monacolina K nos valores de Colesterol ... 34

Enquadramento ... 34

Objetivos ... 35

Métodos e Resultados ... 35

Conclusão ... 37

Projeto 4 – Cessação Tabágica ... 38

Enquadramento ... 38

Objetivo ... 41

Métodos e Resultados ... 41

Conclusões ... 42

Projeto 5 – Proteção Solar ... 43

Enquadramento ... 43

Objetivos ... 45

Métodos e Resultados ... 45

Conclusão ... 46

Considerações finais ... 47

Referências Bibliográficas ... 48

(9)

VIII

Índice de tabelas

Tabela 1 – Cronograma de atividades ... 2

Tabela 2 – Cronograma de formações………...……….. 22

Tabela 3 – Média das classificações atribuídas pelos utentes no inquérito de satisfação ……...…31

Índice de figuras

Figura 1 – Sugestões de melhoria apresentadas pelos utentes ... 31

Figura 2 – Evolução dos valores de colesterol apresentados no decurso do estudo ... 35

Índice de Anexos

Anexo I – Exemplo dos formulários usados para o registo das determinações efetuadas nos rastreios ... 49

Anexo II – Resultados obtidos nos rastreios ... 50

Anexo III – Inquérito de satisfação realizado aos participantes do rastreio ... 56

Anexo IV – Folheto sobre doenças relacionadas com problemas cardiovasculares ... 57

Anexo V – Folheto sobre Melanoma ... 58

(10)

IX

Lista de abreviaturas

DCI - Denominação Comum Internacional

DGAV - Direção Geral de Alimentação e Veterinária EPI - Equipamentos de Proteção Individual

FEFO - First Expires First Out

FFUP - Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto FIFO - First In First Out

FPS - Fator de Proteção Solar

HDL - Lipoproteínas de Alta densidade (High Density Lipoproteins) IMC - Índice de Massa Corporal

LDL - Lipoproteínas de Baixa Densidade (Low Density Lipoproteins) MICF - Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas

MNSRM - Medicamentos Não Sujeitos a Receita Médica MSRM - Medicamentos Sujeitos a Receita Médica OMS - Organização Mundial de Saúde

PRM - Problemas Relacionados com a Medicação PVF - Preço de Venda à Farmácia

PVP - Preço de Venda ao Público

RCM - Resumo das Características do Medicamento SNS – Serviço Nacional de Saúde

VLDL - Lipoproteínas de Muito Baixa Densidade (Very Low Density Lipoproteins)

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1

Introdução

Em 2014, ingressei na Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto (FFUP). Apercebi-me, desde o primeiro dia, que o MICF se tratava de um curso ímpar, reconhecido entre os demais, e pautado por uma qualidade, rigor e multidisciplinaridade que, certamente, requereriam muito trabalho e dedicação. Ao longo dos anos, enquanto estudante de Ciências Farmacêuticas, fui constatando isso mesmo, ao contemplar a forma como este curso abrange diversas áreas e como nos vocaciona para a importância de desenvolvermos um pensamento lógico, um espírito crítico e uma enorme vontade de resolver problemas.

As inúmeras oportunidades de crescimento que nos são proporcionadas no MICF e na FFUP repercutem-se na forma como adquirimos as competências e as aptidões necessárias para nos tornarmos profissionais de saúde de excelência. Prova disso mesmo, é o facto de, desde cedo, sermos instruídos a abdicar do conformismo para nos tornarmos, cada vez mais, curiosos.

O farmacêutico é um profissional de saúde que se encontra espalhado por todos os cantos do mundo e que tem um papel fundamental na sociedade e, mais especificamente, nos cuidados de saúde. É às farmácias que, não raras vezes, a população recorre numa primeira instância, com o intuito de encontrar a ajuda necessária para ultrapassar os seus problemas. Desta forma, torna-se evidente que o farmacêutico tem um papel preponderante na vida das pessoas, além do enorme valor que as suas intervenções aportam, comprovadamente, aos Sistemas de Saúde.

O farmacêutico é o profissional de saúde que, por vezes, dá lugar ao ouvinte, ao amigo, ao

“psicólogo” e até mesmo a um pequeno herói. É o profissional de saúde que está próximo. Nunca antes a importância desta profissão se tinha tornado tão evidente, como nos últimos meses. Isto porque, face ao contexto pandémico que todos experienciamos, as farmácias foram os poucos locais que nunca fecharam portas. Os farmacêuticos tiveram, neste combate coletivo, uma responsabilidade acrescida: a de desempenhar competências de gestão com dimensões nunca antes previstas, a de garantir o acesso da população aos medicamentos, produtos de saúde e equipamentos de proteção individual necessários de forma equitativa, e também a de dar resposta às carências de uma população que, repentinamente, ficou isolada e sem acesso à maioria dos cuidados de saúde primários.

Foi com tudo isto em mente que iniciei o meu estágio e que parti para uma aventura que me ensinou muito mais do que aquilo que estava à espera. Ao longo de seis meses, encontrei novos desafios todos os dias, fui posto à prova constantemente e descobri a força da resiliência que caracteriza esta classe profissional, que admiro, aos dias de hoje, um pouco mais.

Com a equipa da Farmácia Mota aprendi que todas as adversidades podem ser ultrapassadas quando, entre todos os elementos da equipa, existe cooperação. “Não é a farmácia que faz a equipa, é a equipa que faz a farmácia”. E, desde o primeiro dia, tive o privilégio de sentir que fui recebido por uma equipa fantástica, que me acolheu calorosamente e que sempre me ajudou a ultrapassar

(12)

2 todas as dificuldades, fornecendo-me todas as ferramentas necessárias para me tornar num futuro profissional capaz e competente.

Deste modo, neste relatório, encontram-se descritas todas as experiências que vivi durante estes meses. Ao longo destas páginas, estão também evidenciadas, com particular detalhe, as adversidades que enfrentei ao longo do estágio e a forma como encarei e lidei com as mesmas.

Num processo que considero de crescimento contínuo, sinto que o fruto de todo o meu esforço, enquanto estudante, culminou neste estágio: aquele que considero o apogeu do MICF. Importa aqui salientar que, tendo em conta a situação pandémica atravessada, este relatório foi redigido de acordo com a estrutura e conteúdo previsto à data do estágio, decorrido de janeiro a julho de 2021.

As atividades desenvolvidas durante o estágio estão apresentadas na Tabela 1.

Tabela 1 – Cronograma de atividades.

Atividades desenvolvidas Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul

Receção e conferência de encomendas x x x x x x x

Armazenamento e reposição de stock x x x x x x x

Controlo de prazos de validade e gestão de

devoluções x x x x x

Avaliação de parâmetros fisiológicos e

bioquímicos x x x x x x

Atendimento x x x x x x x

Gestão de receituários x

Formações x x x x x x

Projeto I x

Projeto II x

Projeto III x x x

Projeto IV x x x

Projeto V x x

(13)

3

Parte I – Enquadramento das Atividades desenvolvidas na Farmácia Mota

1. Farmácia Mota

1.1. Localização da farmácia e Perfil do Utente

A Farmácia Mota foi fundada em 1983, encontrando-se localizada na Rua Luís de Camões, número 80, no lugar de Vila Cova, no concelho de Gondomar. Nas redondezas, tem outros estabelecimentos que prestam serviços de saúde, como clínicas dentárias e a Unidade de Saúde de Medas, mas também outros estabelecimentos e acessos que permitem à farmácia ter uma boa afluência e diversidade de utentes, como o Parque de Campismo Campidouro, tal como a sua grande proximidade da saída da autoestrada e da Central Termoeléctrica da Tapada do Outeiro.

A população que a Farmácia Mota abrange, sendo uma farmácia de localidade, é diferenciada da população abrangida por outras farmácias localizadas em grandes cidades e centros urbanos, tendo muitos utentes da região, habituais clientes, mas também outros que não o são, embora estes últimos numa percentagem muito mais reduzida. Os utentes habituais geralmente deslocam-se à farmácia para adquirir medicação crónica de que necessitam, sendo, na maior parte dos casos, polimedicados. Apesar da generalidade da população que procura a farmácia ser sénior, todas as faixas etárias estão representadas no grupo de utentes habituais. Muitos dos utentes são fidelizados à farmácia, no entanto, observa-se uma maior afluência de outros que a visitam pontualmente na sua procura por produtos de saúde e bem-estar, nomeadamente turistas, devido à proximidade do Campidouro e de praias que são muito procuradas na altura do Verão.

1.2. Horário de Funcionamento

O horário de atendimento ao público é das 9h00 às 20h30 de segunda a sexta-feira, sem interrupção para almoço. Aos sábados o horário sofre ligeiras alterações, estando a farmácia aberta das 9h00 às 19h00, mas fecha às 12h30, para pausa de almoço, e reabre às 14h00.

1.3. Recursos Humanos

A Farmácia Mota tem como proprietária e diretora técnica a Dr.ª Ana Mota e, no momento, tem uma equipa constituída por mais 2 farmacêuticos, uma técnica de farmácia e uma técnica auxiliar de farmácia, cumprindo desta forma o regime jurídico das farmácias de oficina. Além dos enumerados, a farmácia conta também com os serviços de uma funcionária cujas funções são a limpeza e a manutenção do espaço.[1]

(14)

4 1.4. Espaço físico

1.4.1. Espaço exterior

A Farmácia Mota garante a acessibilidade a todos os utentes, nomeadamente aqueles portadores de deficiência, ao seu estabelecimento, seguindo as Boas Práticas da Farmácia Comunitária. Esta é identificada facilmente, no seu exterior, através do característico símbolo “cruz verde”, bem como do nome da farmácia e da respetiva proprietária e diretora técnica. O acesso ao interior é feito por uma entrada comum para todos os utentes, colaboradores e ainda trabalhadores cuja função é a entrega e/ou recolha de medicamentos e outros produtos farmacêuticos.[2]

1.4.2. Espaço interior

O espaço interior da farmácia respeita e assegura todas as condições de acessibilidade e segurança, sem desconsiderar a privacidade dos seus utentes. Deste modo, a farmácia tem o seu espaço interior dividido em conformidade com o estipulado nos artigos 2.º e 3.º da Deliberação n.º 1502/2014, de 3 de julho. Assim, a farmácia possui uma área para o atendimento ao público, um local para a receção de encomendas e consequente armazenamento, um laboratório, um gabinete para atendimento personalizado ao utente, um gabinete que satisfaz as necessidades das funções desempenhadas pela direção técnica e uma instalação sanitária. Está ainda equipada com câmaras de vigilância inseridas no sistema de segurança da farmácia.[1]

1.4.2.1. Área de atendimento ao público

O espaço para atendimento ao público é a área mais ampla da farmácia. Esta está bem iluminada e ventilada. Junto à entrada encontra-se a balança automática, que mede o peso e a altura, e calcula o índice de massa corporal.

A área envolvente corresponde a vários lineares, compostos maioritariamente por produtos de dermocosmética, sendo organizados conforme a marca comercial e as diferentes gamas de produtos que cada uma oferece. Na entrada, é possível encontrar um linear correspondente a produtos de puericultura. Na zona central, encontram-se gôndolas e expositores móveis, com o intuito de dar a conhecer algumas campanhas promocionais, ou produtos sazonais mais procurados pelos utentes, em certas alturas do ano. Na área de atendimento ao público encontramos ainda, por uma questão de gestão do espaço, atrás dos balcões de atendimento, secções específicas para os dispositivos médicos, produtos dietéticos, produtos de higiene oral e ainda uma secção para o espaço animal.

Todos os produtos acessíveis aos utentes são devidamente etiquetados para que estes possam consultar o seu preço (PVP).

(15)

5 O atendimento é feito através de três postos de atendimento, onde cada colaborador tem de estar devidamente identificado, por um cartão com o nome visível, uma fotografia e o respetivo título profissional.

1.4.2.2. Laboratório

A Farmácia Mota dispõe de um pequeno laboratório no qual se encontra todo o material essencial para a preparação de medicamentos manipulados, toda a literatura e as fichas de preparação imprescindíveis no auxílio da preparação dos mesmos. Apesar de o laboratório da farmácia reunir todas as condições requeridas para a preparação de manipulados, em alguns casos, que assim o justifiquem, a farmácia recorre a outras para suprir as necessidades dos seus utentes.

No entanto, nestes casos, o lucro que a farmácia tem é consideravelmente menor, dado que o preço de venda à farmácia (PVF) coincide com o preço de venda ao público (PVP), ao qual é aplicado um pequeno desconto comercial por parte da farmácia prestadora do serviço, que constitui então o lucro da farmácia. Assim, o laboratório serve, na maior parte dos casos, para reconstituição de suspensões orais.

1.4.2.3. Gabinete de atendimento personalizado ao utente

O gabinete de atendimento personalizado ao utente é uma área reservada onde se avaliam os parâmetros bioquímicos (medição do colesterol, triglicerídeos e glicemia), onde se realiza a medição da pressão arterial e ainda a administração de injetáveis. O gabinete também é utilizado para consultas de nutrição e podologia. Além disso, sempre que os utentes solicitem maior privacidade, este gabinete serve também esse propósito.

1.4.2.4. Escritório

O escritório é o local onde se realizam as tarefas associadas à direção técnica da farmácia, nomeadamente as que se prendem com a sua organização e gestão. É também neste espaço que decorrem as visitas dos delegados comerciais e de informação médica, assim como pequenas reuniões e até formações.

1.4.2.5. Área de receção de encomendas e Armazenamento

A área de receção de encomendas encontra-se na parte de trás da farmácia. Este local encontra- se equipado com um computador, que tem como software o Sifarma (o Sifarma 2000 e o Novo Módulo de Atendimento), um leitor de código de barras, uma impressora de etiquetas e uma outra impressora, cuja função é a impressão de documentos relacionados com atividades de backoffice,

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6 como guias de transporte e notas de devolução de produtos, uma vez que é aqui que se trata das mesmas. Este local tem todos os materiais necessários e está organizado de forma a facilitar a consequente arrumação dos produtos e aumentar a agilidade de todo o processo.

O armazenamento de medicamentos sujeitos a receita médica (MSRM) é feito de acordo com a forma farmacêutica, a ordem alfabética do seu nome comercial ou denominação comum internacional (DCI) e a respetiva dosagem.

De modo a aumentar a produtividade, os medicamento e produtos farmacêuticos estão organizados, recorrendo a gavetas e estão categorizados em: comprimidos, cápsulas e adesivos transdérmicos; colírios, gotas auriculares, nasais e orais e pós para inalação; pomadas, cremes e géis; supositórios, óvulos, comprimidos vaginais e enemas; soluções injetáveis e ampolas;

suplementos alimentares; soluções orais; pílulas anticoncecionais; tiras e lancetas; soluções e emulsões cutâneas; xaropes.

Para agilizar o atendimento, os medicamentos genéricos mais vendidos na farmácia estão arrumados, por ordem alfabética, na zona da receção de encomendas, num armário de fácil acesso.

Com o intuito de armazenar os medicamentos psicotrópicos e estupefacientes, existe um cofre situado entre o laboratório e a zona de receção de encomendas. Ainda nesta zona encontra-se o frigorífico, onde se procede à arrumação dos medicamentos que requerem condições especiais de conservação, nomeadamente o seu armazenamento a temperaturas entre os 2 e os 8ºC, por ordem alfabética.

De um modo geral, todos os processos regem-se pela regra “First Expired, First Out”, ou seja, a organização é realizada, tendo em conta o prazo de validade de cada produto, possibilitando que os produtos de validade mais curta sejam os primeiros a ser escoados.

1.5. Fontes de Informação

As fontes de informação são uma ferramenta imprescindível para que qualquer farmacêutico tenha todo o conhecimento sustentado para realizar atendimentos mais completos e eficazes e, sobretudo, mais personalizados, tendo em consideração o utente, as suas preferências e condições.

Um farmacêutico capaz de reunir todas as informações necessárias capazes de suprimir todas e quaisquer dúvidas do utente, através da consulta regular de fontes credíveis, prestará um serviço personalizado e realizará um atendimento de qualidade.

Todas as farmácias devem ter nas suas instalações fontes de informação fidedignas, que respeitem as Boas Práticas de Farmácia Comunitária, de modo a suprimir todas e quaisquer dúvidas dos profissionais e utentes, pelo que é necessária uma biblioteca organizada contemplando informações atualizadas ao estado da arte. Assim, a farmácia possui no local a Farmacopeia Portuguesa, o Formulário Galénico Português e o Prontuário Terapêutico.

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7 Além disso, com o intuito de melhorar o aconselhamento e sustentar o mesmo, todos os elementos da equipa da farmácia acedem regularmente a informações regulamentares fornecidas pelo Infarmed, nomeadamente o Resumo das Características do Medicamento (RCM).[3]

1.6. Sistema Informático

O sistema informático presente na Farmácia Mota e utilizado por todos os elementos da farmácia é o Novo Módulo de Atendimento do Sifarma. Este sistema informático foi desenvolvido pela Glintt e está intimamente ligado ao Sifarma 2000, uma vez que o novo sistema está em constante desenvolvimento e recorre ao antigo para colmatar as suas falhas. Assim, o conjunto é utilizado como base para todas as tarefas desempenhadas pelos trabalhadores da farmácia, tais como: gestão de stock, receção e realização de encomendas, conferência dos prazos de validade e faturação. Mas é também fulcral no atendimento ao público, pela fácil realização de vendas, sendo as possíveis comparticipações e portarias incluídas de forma automática, emissão de faturas e recibos, reserva de produtos ou medicamentos, visualização e consulta do historial das vendas de cada utente e além de tudo isto, disponibiliza informação científica necessária para qualquer atendimento, de modo a que os erros sejam diminutos.

2. Gestão da farmácia 2.1. Gestão de stock

O correto funcionamento de uma farmácia comunitária baseia-se numa boa gestão de stock, de forma a garantir que não haja rutura do mesmo ou saturação, para que ao mesmo tempo que as carências dos utentes são suprimidas, se consiga evitar desperdícios e perdas. Neste aspeto é necessário ter em conta os medicamentos e/ou produtos mais vendidos e menos vendidos, assim como possíveis promoções ou campanhas e vantagens comerciais. Outro parâmetro a ter em conta é a sazonalidade. Assim, é necessário estabelecer um stock máximo e mínimo, e isto foi algo com que fui contactando ao longo do meu estágio, uma vez que há uma constante mudança de medicamentos e produtos mais procurados e vendidos.

2.2. Gestão de encomendas 2.2.1. Fornecedores

As encomendas podem ser efetuadas a empresas de distribuição grossista, ou seja, via armazenista e diretamente aos laboratórios.

Os principais fornecedores da Farmácia Mota são a OCP Portugal, a Alliance Healthcare e a Empifarma, que são empresas de distribuição grossista. Entre estes, a OCP Portugal corresponde ao

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8 fornecedor maioritário, visto corresponder em grande parte aos critérios requisitados pela farmácia.

Estes fornecedores realizam entregas duas vezes por dia em horários próximos, uma de manhã e outra a meio da tarde.

O facto de a farmácia ter vários fornecedores permite que aquando de uma rutura de stock de um produto num dos fornecedores, a farmácia poderá recorrer a outro alternativo para colmatar as necessidades do consumidor.

Relativamente às encomendas de produtos de dermocosmética e alguns suplementos alimentares, geralmente, são efetuadas diretamente ao respetivo laboratório e em grandes quantidades, tendo em conta que em muitos casos existe uma quantidade mínima para a realização da encomenda. Deste modo, estas encomendas são realizadas de forma estratégica, aproveitando descontos e campanhas, que são vantajosas para a farmácia. Quando algum destes produtos é requisitado por um utente e não existe em stock, a farmácia reserva e encomenda o produto a um dos armazenistas, prezando acima de tudo a satisfação dos seus clientes.

2.2.2. Realização de Encomendas

Nas farmácias comunitárias a realização de encomendas faz parte do dia-a-dia da farmácia, sendo uma realidade constante. As encomendas podem ser divididas em dois tipos: as diárias e as instantâneas. As encomendas diárias acarretam uma maior atenção e cuidado, pelo que uma avaliação é necessária, considerando o histórico de vendas e o stock mínimo e máximo, que deve ser predefinido na ficha do produto. Estas são efetuadas duas vezes por dia, uma ao final da manhã, uma vez que se realizada atempadamente permite que, na maior parte dos casos, os produtos cheguem na tarde do próprio dia, e outra ao final da tarde. Por terem de ser o mais precisas possível, a tarefa de efetuar estas encomendas é, geralmente, entregue a um de dois dos elementos da equipa da farmácia. Apesar disso, todos os elementos são capazes de as realizar, se assim for necessário.

Quanto às encomendas instantâneas, estas podem e devem ser realizadas sempre que for necessário, maioritariamente, durante o atendimento, permitindo melhorar a resposta a cada necessidade do utente, através do sistema informático ou por telefone.

Por fim, existe ainda uma outra forma de realizar encomendas que é através da Via Verde do Medicamento, nomeadamente em casos de produtos que se encontram com disponibilidade limitada no mercado e, em muitos casos, esgotados.

Ao longo do estágio fui observando a realização das encomendas diárias pelos colegas, assim como as instantâneas, de modo a melhor compreender o seu funcionamento e fazer as escolhas mais acertadas.

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9 Inicialmente recorri aos elementos da equipa para me auxiliarem nas encomendas instantâneas, mas com o passar do tempo, foi-me permitida a realização das mesmas, sem precisar de auxílio.

2.2.3. Receção e conferência de encomendas

A entrega das encomendas é feita na zona de receção e armazém. Na sua generalidade, as encomendas chegam em contentores selados, que têm a identificação da farmácia e a respetiva fatura ou guia de transporte. Assim, o primeiro passo é confirmar se a encomenda é destinada à farmácia e se corresponde ao pedido efetuado e, logo de seguida, separar os produtos que requerem temperaturas especiais de conservação, os medicamentos termolábeis, de forma a rapidamente os armazenar nas condições necessárias.

O segundo passo corresponde a dar entrada em stock de todos os produtos da encomenda, confirmando se está tudo correto, isto é, se foram entregues todos os produtos mencionados na fatura e se faltou algum por engano, ou se houve alguma troca de produtos na encomenda. Este passo serve também para confirmar os prazos de validade e é executado, com a ajuda do sistema informático Sifarma, que possui uma funcionalidade específica para o efeito, permitindo facilmente selecionar a encomenda a verificar, através da correspondência do número da fatura. A receção é feita através da leitura do código de barras, ou, idealmente, do código QR, que na maior parte dos casos preenche a validade automaticamente. Durante esta etapa, confirma-se a integridade da embalagem e verifica-se o PVP e PVF.

Caso algum dos produtos rececionados faça parte de uma reserva, ao terminar a receção da encomenda, surge uma página, na qual são mostrados quais são os produtos e a respetiva reserva, devidamente identificada com o nome do utente para a qual foi reservada.

Desde o primeiro dia do meu estágio que tive a oportunidade de realizar todas estas tarefas que tão importantes são para o bom funcionamento da farmácia.

2.3. Armazenamento

Assim que se dá por terminada a tarefa de receção da encomenda, todos os produtos devem ser devidamente armazenados no local correto.

Uma boa gestão de stock é fulcral para impedir que ocorram desperdícios, tal como um armazenamento eficaz e que permita o fluxo correto dos produtos. Com este intuito, a farmácia rege o seu armazenamento, através de dois métodos, o FEFO e FIFO, First Expires First Out e First In First Out, respetivamente. O principal objetivo é que o armazenamento permita que os produtos com menor prazo de validade e que entraram primeiro em stock sejam os primeiros a sair.

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10 Todo o processo de armazenamento fez com que conseguisse familiarizar-me com os produtos em geral e com a localização dos mesmos, permitindo atendimentos mais rápidos, rentabilizando melhor o tempo e disponibilizando mais tempo no aconselhamento ao utente.

2.4. Controlo dos prazos de validade

O controlo dos prazos de validade constitui uma tarefa de enorme responsabilidade e importância no seio da farmácia comunitária, de forma a impedir a dispensa de medicamentos de validade curta ou expirada.

Durante a receção de encomendas também se realiza a conferência dos prazos de validade. Não obstante, mensalmente é retirada do sistema informático uma lista com os produtos cuja validade vai expirar nos meses seguintes. Em alguns casos, o prazo de validade inscrito na embalagem não corresponde ao prazo de validade inserido no sistema informático, pelo que surge a oportunidade de corrigir este erro. Caso o prazo de validade esteja a expirar nos próximos seis meses, estes produtos são corretamente identificados e posicionados no respetivo local de armazenamento ou de forma estratégica, de modo que sejam facilmente escoados. Quando o prazo de validade não permite a venda do produto, este é devolvido ao armazém ou respetivo laboratório.

Numa primeira instância, fui auxiliando os colegas da farmácia nesta tarefa, até estar completamente apto a realizá-la, de forma autónoma.

2.5. Gestão de devoluções

A devolução de um determinado produto pode ocorrer, devido ao dano do produto, erro no pedido, produto enviado numa quantidade superior à pedida ou enviado de forma incorreta, prazo de validade do produto demasiado curto ou expirado e notificação ou ordem de recolha pelo laboratório ou pela Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de SAÚDE, I. P (Infarmed, I.

P). Todas as devoluções são efetuadas informaticamente.

O software Sifarma é bastante completo e, utilizando esta ferramenta, é possível aceder a uma panóplia de opções, entre as quais a gestão de devoluções. Com esta opção, basta selecionar o fornecedor, inserir o número da fatura correspondente ao envio do produto, a razão da devolução e a quantidade que se pretende devolver, para criar uma devolução. Após esta etapa, o fornecedor recebe uma notificação do pedido de devolução e é emitida uma guia de devolução, impressa em triplicado. A documentação será carimbada (ou será colocada uma vinheta autocolante) pelo fornecedor e pela farmácia aquando da devolução, sendo que o documento original e o duplicado seguem junto com o produto e o triplicado fica na posse da farmácia, sendo arquivado.

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11 Inicialmente, e por iniciativa própria, fui observando a restante equipa durante a realização desta tarefa e, desta forma, aprendendo. Quando me senti capaz de realizar a mesma, foi-me concedida a oportunidade de gerir algumas das devoluções.

3. Dispensa de medicamentos e/ou Produtos Farmacêuticos na Farmácia Comunitária Uma das principais funções do farmacêutico numa farmácia comunitária consiste na dispensa de medicamentos e produtos farmacêuticos, exigindo dele uma grande responsabilidade. Este é um ato que surge aquando da apresentação de uma prescrição médica ou necessidade de automedicação e/ou aconselhamento por parte do farmacêutico. Cada caso deve ser devidamente analisado e avaliado pelo farmacêutico, tendo em consideração o utente em questão e a sua condição de saúde e necessidades particulares. Mesmo numa situação em que é apresentada uma prescrição médica é o dever do farmacêutico usar o seu conhecimento e espírito crítico para detetar e corrigir possíveis erros na prescrição, contactando de imediato o médico prescritor, de forma que o problema seja solucionado. O farmacêutico deve, portanto, detetar problemas relacionados com a medicação (PRM), contribuindo desta forma para o seguimento do utente, num processo designado por Farmacovigilância.

3.1. Medicamentos Sujeitos a Receita Médica (MSRM)

Segundo o descrito no Artigo 3º no Decreto-Lei nº 209/94, de 6 de agosto, os medicamentos sujeitos a receita médica são medicamentos que “possam constituir, direta ou indiretamente, um risco, mesmo quando usados para o fim a que se destinam, caso sejam utilizados sem vigilância médica; sejam com frequência utilizados em quantidade considerável para fins diferentes daquele a que se destinam, se daí puder resultar qualquer risco, direto ou indireto, para a saúde; contenham substâncias, ou preparações à base dessas substâncias, cuja atividade e ou efeitos secundários seja indispensável aprofundar; sejam prescritos pelo médico para serem administrados por via parentérica.”

Deste modo, os MSRM são vendidos de forma exclusiva em farmácia e requerem prescrição médica para a sua dispensa.

Durante o meu estágio, deparei-me várias vezes com a procura de MSRM por parte de utentes, sem prescrição médica. Nestes casos, é imperativo que o farmacêutico informe o utente de que este tipo de terapêutica requer prescrição médica e o alerte para os perigos do uso indevido dos medicamentos. De uma forma geral, na ausência de prescrição médica, o procedimento adotado era a apresentação de medicamentos de venda livre que constituíssem alternativa para o efeito pretendido pelo utente, caso houvesse ou incentivo à consulta do médico. Num caso específico, perante um utente que me solicitou a dispensa de sildenafil, o que fiz foi explicar a importância e a

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12 necessidade de contactar e consultar um médico, bem como mencionar e explicar os problemas que poderiam advir da toma indevida do medicamento e os riscos consequentes.

3.1.1. Receita Médica

Receita médica consiste no documento no qual são prescritos um ou vários medicamentos de uso humano, para um único destinatário (utente), por um profissional de saúde com as habilitações necessárias, geralmente o médico.

A prescrição de um medicamento é realizada com o recurso da DCI da respetiva substância ativa e deve também conter todas as informações precisas sobre a forma farmacêutica, dosagem, posologia e quantidade. Em situações esporádicas e específicas é possível que a prescrição médica seja realizada através do nome comercial do medicamento, nomeadamente em casos cujo índice terapêutico do medicamento é curto, ou caso surjam reações adversas a um determinado medicamento, previamente reportadas ao Infarmed. Também pode ser usado o nome comercial na eventualidade do tratamento ser superior a 28 dias, ou caso o medicamento não pertença a um grupo homogéneo comparticipado. [4]

As receitas inserem-se numa de três categorias: as receitas eletrónicas em papel, as receitas eletrónicas sem papel (desmaterializadas) e as receitas manuais. As últimas só são prescritas quando há falhas no sistema informático, prescrição no domicílio, inadaptação do prescritor, e/ou até ao limite de 40 receitas por mês. Neste tipo de receitas é permitida a prescrição de quatro medicamentos e/ou produtos de saúde diferentes, ou um total de duas embalagens do mesmo produto e/ou medicamento. Caso o medicamento possua uma embalagem unitária, de forma excecional, é permitida a prescrição de quatro embalagens do mesmo medicamento. Nestas receitas não é possível a emissão de mais de uma via.

Ainda sobre a prescrição das receitas manuais, estas devem indicar o motivo que levou ao uso deste tipo de receita, o local de prescrição ou a vinheta correspondente, se for aplicável, a vinheta com a identificação do prescritor e assinatura, nome do utente e o número correspondente do SNS, assim como o regime de comparticipação especial e o respetivo número de beneficiário, caso seja aplicável. Como é comum a qualquer receita, é necessário o nome do medicamento, a dosagem e a respetiva forma farmacêutica, a posologia e o número de embalagens, em número e por extenso.

Além disto, a receita manual só é considerada válida se não tiver rasuras e estiver toda ela escrita com a mesma caneta e mesma caligrafia. A validade da receita é de 30 dias, contabilizados a partir do dia de emissão.

No caso das receitas eletrónicas, sejam elas em papel ou não, têm a vantagem de acarretar um menor risco de haver erros aquando da dispensa, uma vez que não existe a possibilidade de uma incorreta leitura, como por vezes acontece nas receitas manuais.

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13 A receita eletrónica em papel possui uma validade de 30 dias, semelhante à receita manual, e pode conter 4 embalagens por receita, podendo ser de 4 embalagens de medicamentos distintos, num máximo de 2 embalagens por medicamento, mas caso o medicamento seja de embalagem unitária é possível a prescrição de quatro embalagens do mesmo. Numa situação de tratamentos crónicos ou longos, a validade da receita eletrónica em papel pode ser de 6 meses, havendo a possibilidade de emissão de 3 vias. Desta forma, em casos de tratamentos longos, é possível a prescrição de 12 embalagens unitárias, no máximo.

Já no âmbito das receitas eletrónicas sem papel, estas são enviadas ao utente através de SMS e apresentam um prazo de validade de 60 dias, em tratamentos curtos ou médios, sendo que podem ser prescritas duas embalagens por medicamento. Em tratamentos prolongados a validade é de 6 meses, podendo ser prescritos até 6 embalagens por medicamento. Em situações particulares, devidamente fundamentadas, é possível prolongar a validade da receita até aos 12 meses, nomeadamente em casos de ausência prolongada do país.

3.1.2. Regimes de Comparticipação e Subsistemas

O principal objetivo do sistema de comparticipações dos MSRM é a promoção da equidade do acesso aos cuidados de saúde. Assim, de forma a diminuir os gastos impostos aos utentes com a aquisição dos medicamentos de que precisam, existem no momento o regime de comparticipação geral e o excecional, este último surge em função dos beneficiários e em função das patologias ou grupos especiais de utentes.

Dentro do regime de comparticipação geral existem 4 escalões, com o intuito de estabelecer diferentes percentagens de comparticipação para os diferentes medicamentos sobre o PVP correspondente: Escalão A, Escalão B, Escalão C e Escalão D, cujas percentagens de comparticipação são 90%, 69%, 37% e 15%, respetivamente.

Para certas doenças específicas existe ainda um regime especial de comparticipação, nomeadamente no caso de doença inflamatória intestinal ou artrite reumatoide. Os pensionistas cujo rendimento anual seja inferior ou igual a 14 vezes o salário mínimo nacional em vigor no ano anterior são também beneficiários de um regime especial de comparticipação. O regime de comparticipação especial possui uma comparticipação extra por parte do Estado, no caso do escalão A há um acréscimo de 5% na comparticipação, mas nos restantes escalões há um acréscimo de 15%.[5]

É importante referir que a comparticipação pode chegar aos 95% para medicamentos que têm um PVP igual ou inferior ao quinto menor preço do respetivo grupo homogéneo.

Existem ainda comparticipações específicas em determinados casos, podendo ser de 85% ou de 100% de comparticipação. Nomeadamente as tiras-teste para a determinação de glicemia, cetonúria e cetonemia são comparticipadas em 85% pelo Estado e as agulhas, seringas e lancetas em 100%.

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14 Os doentes ostomizados e doentes que sofrem de retenção urinária ou incontinência também necessitam de dispositivos médicos que são também comparticipados em 100%.[6]

Há ainda outros organismos públicos e privados que oferecem uma comparticipação complementar aos seus beneficiários, tais como o SAMS (Serviços de Assistência Médico-Social do Sindicato dos Bancários), Sãvida (Medicina Apoiada, S.A.), Multicare e Caixa Geral de Depósitos. Quando abrangido por estes, o utente necessita de um cartão de identificação, para acionar a respetiva comparticipação aquando da dispensa da medicação.

No meu estágio, ao longo dos 6 meses, fui contactando com os diferentes organismos e as respetivas comparticipações, sendo que muitos utentes da Farmácia Mota são beneficiários da Sãvida, tal como fui percebendo pelo contacto diário com os mesmos.

3.1.3. Processamento e conferência do Receituário e Faturação

A comparticipação é feita de forma automática sobre o PVP de cada medicamento e o valor da comparticipação é pago à farmácia, desde que a receita seja válida.

O farmacêutico tem a responsabilidade de conferir e validar as receitas aquando da sua dispensa, no entanto, a conferência do receituário é realizada no final de cada mês. As receitas manuais são aquelas que exigem um maior cuidado e atenção, de forma a minimizar possíveis erros que possam comprometer o reembolso da comparticipação, levando a que haja prejuízo para a farmácia. Assim, no final do mês, um elemento da equipa da farmácia tem esta função, analisando e verificando as receitas, de forma que caso surja algum erro, este seja corrigido de imediato. Em alguns casos é necessário contactar o médico que prescreveu a receita ou o utente.

Neste processo, as receitas são separadas consoante os organismos a que pertencem e organizadas em lotes de trinta receitas. Um “Verbete de Identificação do Lote” é emitido por cada lote e segue junto com o mesmo, sendo devidamente carimbado e assinado. O conjunto de lotes correspondentes a um determinado organismo é apresentado pela “Relação Resumo de Lotes” e pela fatura. Todos os documentos precisam de ser carimbados e assinados pelo profissional responsável por esta função.

Se a entidade responsável pela comparticipação for o SNS os documentos são enviados para o Centro de Conferência de Faturas ou, se não, são enviados para a Associação Nacional das Farmácias em casos de outras entidades comparticipadoras. Na eventualidade de haver algum erro numa receita, esta é devolvida e a farmácia tem a oportunidade de resolver o problema, caso seja possível.

Este foi um processo com o qual fui contactando nos primeiros meses, uma vez que me foi dada a oportunidade de inicialmente observar outros elementos a realizarem esta tarefa. Após sentir-me um pouco mais apto para esta tarefa de grande responsabilidade, alguns meses depois, além de observar, ofereci auxílio nesta tarefa.

(25)

15 3.2. Medicamentos Psicotrópicos e Estupefacientes

Os medicamentos psicotrópicos e estupefacientes são MSRM que pertencem a uma categoria especial, devido à sua ação direta no Sistema Nervoso Central (SNC). Este tipo de medicação pode causar dependência física e psíquica aquando da sua utilização pouco controlada ou ilícita. Estão também intimamente ligados ao abuso de drogas e práticas ilícitas. Assim, é imperativo um controlo ativo sobre estes fármacos, desde o armazenamento, como referido anteriormente, até à dispensa.

Na dispensa de medicamentos desta classe terapêutica é obrigatório o preenchimento de um conjunto importante de dados de identificação do utente e do adquirente, tais como o nome, a data de nascimento, o número do documento de identificação, a idade e a data de expiração da validade do documento de identificação. Além destes dados, também é necessário o número da receita médica e identificação do médico que a prescreveu.

No final da dispensa deste tipo de medicação é emitido um documento com todas as informações suprarreferidas que deve ser arquivado. No caso de receitas manuais deve-se também arquivar uma cópia da receita. Assim, todos os meses a farmácia tem de fornecer ao Infarmed uma lista com os registos de todas as saídas de psicotrópicos e estupefacientes e as cópias das receitas manuais.

Durante o meu estágio, realizei algumas vezes a dispensa de medicamentos psicotrópicos e estupefacientes, embora esporadicamente. Apesar disso, foi o suficiente para perceber o processo da dispensa destes medicamentos.

3.3. Medicamentos Manipulados

Os medicamentos manipulados são formulações que podem ser preparadas em farmácias de oficina ou em farmácias hospitalares. Podem ser Fórmulas Magistrais, no caso de serem preparados a partir de uma receita médica específica para um doente, ou Preparados Oficinais, no caso de seguirem as especificações de uma Farmacopeia ou Formulário.

O farmacêutico deve preencher a ficha de preparação do medicamento durante a sua realização e todos os passos devem ser assinados pelo operador e supervisor. Na ficha de preparação constam todos os passos necessários para a preparação do manipulado, assim como as matérias-primas usadas, as respetivas quantidades e informações relativas a cada uma, o material e equipamento utilizado, os ensaios de controlo de qualidade específicos, as condições essenciais ao armazenamento, o prazo de validade do manipulado, uma cópia do rótulo (que acompanha a embalagem do manipulado, onde constam o nome do medicamento, o médico prescritor e o doente para o qual foi prescrito, informações relevantes da farmácia e identificação do Diretor Técnico, data de preparação e prazo de validade, o PVP, posologia, dosagem e as condições necessárias à correta conservação do manipulado.

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16 O PVP dos medicamentos manipulados é calculado através do preço das matérias-primas, do valor dos materiais precisos para a embalagem e do valor dos honorários de preparação, que vai sofrendo atualizações. É importante mencionar que a comparticipação dos manipulados corresponde a 30% do PVP.[7]

A farmácia recebe habitualmente alguns pedidos para a preparação de manipulados, pelo que pude aprender a realizar esta tarefa, com a supervisão da minha tutora e/ou do farmacêutico responsável por esta função.

3.4. Medicamentos Não Sujeitos a Receita Médica (MNSRM)

Os MNSRM são medicamentos que não requerem receita médica, para a sua aquisição, por parte do utente. Assim, este tipo de medicamentos pode ser adquirido em farmácia ou em locais de venda de medicamentos não sujeitos a receita médica. Nestes locais, será necessário obedecer às obrigações legais impostas e ter colaboradores capazes de assumir esta responsabilidade, os farmacêuticos e técnicos de farmácia.

Os MNSRM têm como objetivo tratar problemas menores de saúde e de tratamento curto. Em vários casos, os MNSRM são utilizados em regime de automedicação, pelo que na sua embalagem devem constar todas as indicações para facilitar o seu uso.

O papel do farmacêutico é muito importante na dispensa destes medicamentos, tendo em consideração que são requisitados em casos de automedicação, assim o farmacêutico deve conversar com o utente e perceber qual é a real gravidade do problema de saúde do mesmo, quais os sintomas e duração, além disso, deve questionar o utente sobre outras patologias que tenha, de forma a minimizar possíveis reações adversas e escolher a opção certa de tratamento, informando o utente do uso correto e racional da medicação, e fazer referência às medidas não farmacológicas que podem ajudar a diminuir o tempo de recuperação. Por último, o farmacêutico deve incentivar o utente a consultar o médico caso a sintomatologia se mantenha e não haja melhoras.

É importante mencionar que dentro desta grande classe de medicamentos, existem os medicamentos não sujeitos a receita médica de venda exclusiva em farmácia, que podem ser adquiridos sem receita, mas apenas em farmácias, estando devidamente documentados pelo Infarmed.[8]

Esta classe terapêutica é muito relevante em farmácia e, assim, foi sem grande surpresa que a procura de MNSRM por parte dos utentes, foi grande durante o meu estágio. Muitas vezes, os clientes da Farmácia Mota procuravam estes medicamentos, por indicação de amigos ou familiares, ou por terem visto publicidade, sendo que foi importante a intervenção farmacêutica, já que nem sempre o MNSRM solicitado era a melhor escolha para o efeito pretendido. Neste sentido, a ajuda e supervisão da minha tutora foi importante para melhorar o aconselhamento.

(27)

17 3.5. Medicamentos e Produtos de Uso Veterinário

Os medicamentos e produtos de uso veterinário são importantes ferramentas para a saúde e bem-estar dos animais. Estes medicamentos estão sob a regulamentação da Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) e precisam de obedecer a requisitos de eficácia, qualidade e segurança, tal como os medicamentos de uso humano.

Desde o início do meu estágio que me apercebi que a procura por medicamentos e produtos de uso veterinário era bastante elevada. Este facto levou-me a dialogar com a equipa da farmácia que me informou que a procura tinha aumentado com os sucessivos confinamentos decorrentes da situação pandémica atual. Deste modo, decidi, com a minha orientadora, aproveitar este tema para realizar um dos meus projetos e aumentar o meu conhecimento na área e ajudar todos os elementos da equipa a relembrar alguns conceitos, através de uma formação interna, que irei detalhar posteriormente, após uma formação no seguimento do Espaço Animal.

3.6. Suplementos Alimentares

Os suplementos alimentares são utilizados com o intuito de complementar uma dieta equilibrada, por possuírem concentrações elevadas de nutrientes e/ou outras substâncias com efeito nutricional ou fisiológico, mas não devem ser utilizados como substitutos de um regime alimentar adequado.[9]

A época do ano é um importante fator com impacto na procura dos suplementos alimentares por parte da população geral. Assim, ao longo dos meus seis meses de estágio, tive a oportunidade de aconselhar suplementos alimentares para a estimulação do sistema imunitário, para o cansaço e fadiga muscular, para o stress, para problemas de sono, para fortalecer os ossos e articulações e ainda para estimular o apetite. Estes atendimentos foram muito importantes para o meu crescimento como farmacêutico, especialmente no que respeita ao aconselhamento ao utente, nesta área.

3.7. Produtos de Puericultura

Os produtos de Puericultura têm como destinatário as crianças, e organizam-se em produtos de higiene, de alimentação, para relaxamento, para facilitar o sono e produtos de sucção.[10]

Estes produtos podem ser encontrados na área de atendimento da farmácia, que exibe vários produtos como fraldas, leites, biberões, chupetas e tetinas, assim como produtos para os cuidados diários e higiene de rosto e corpo de bebés e crianças.

Ao longo do meu estágio, fui-me deparando com a procura e aconselhamento destes produtos, nomeadamente em situações de alterações dermatológicas em crianças e na escolha de leites de transição.

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18 3.8. Produtos Cosméticos e de Higiene Corporal

Os produtos cosméticos e de higiene corporal têm como objetivo limpar, perfumar, modificar e/ou proteger as diversas partes superficiais do corpo humano, através do contacto com as mesmas.

[11].

Este tipo de produtos tem extrema importância num contexto de farmácia comunitária, tendo em conta a grande procura destes produtos pela população geral, de forma a cuidarem um pouco mais de si. Assim, existe uma panóplia de marcas e produtos nesta categoria. Deste modo, o farmacêutico deve manter-se o mais atualizado e informado possível para atender às necessidades do utente.

Na Farmácia Mota é possível encontrar várias marcas de produtos cosméticos e de higiene corporal, com o intuito de suprimir as necessidades dos seus utentes. O aconselhamento destes produtos foi inicialmente uma tarefa bastante árdua, no entanto, com a ajuda da equipa e com recurso a formações, foi possível melhorar o meu desempenho gradualmente neste tipo de atendimentos.

3.9. Medicamentos Homeopáticos

Segundo o Infarmed, qualquer medicamento homeopático é um “medicamento obtido a partir de substâncias denominadas stocks ou matérias-primas homeopáticas, de acordo com um processo de fabrico descrito na farmacopeia europeia, ou na sua falta, em farmacopeia utilizada de modo oficial num Estado membro, e que pode ter vários princípios.”[12]

A procura de medicamentos homeopáticos na Farmácia Mota é muito pouco relevante, pelo que o meu aconselhamento nesta área foi procurado raramente.

3.10. Dispositivos Médicos

Os dispositivos médicos são o conjunto de produtos que têm como objetivo a prevenção, o diagnóstico e o tratamento de doenças, tal como os medicamentos, no entanto, ao contrário destes, não exercem as suas funções através de mecanismos farmacológicos, imunológicos ou metabólicos.[13]

Os equipamentos de proteção individual pertencem à categoria dos dispositivos médicos. A procura de máscaras para a prevenção do contágio do coronavírus foi uma constante, pelo que inúmeras vezes os meus atendimentos envolviam a dispensa destes equipamentos. Vários utentes da farmácia são diabéticos, pelo que a dispensa de agulhas, lancetas e tiras-teste foi muito recorrente. Além disso, também dispensei dispositivos médicos de ostomia.

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19 4. Serviços Farmacêuticos

Atualmente, as farmácias comunitárias são mais procuradas pelos seus serviços e cuidados de saúde prestados e já não são vistas como meros locais de dispensa de medicamentos.

Com a pandemia completamente instalada no mundo, os serviços prestados pelas farmácias foram fulcrais para colmatar as necessidades da população, em virtude da dificuldade e até mesmo receio no acesso a outros cuidados de saúde, nomeadamente centros de saúde e hospitais.

4.1. Determinação e avaliação de parâmetros bioquímicos e fisiológicos

A Farmácia Mota possui serviços para a determinação e avaliação de parâmetros bioquímicos e fisiológicos, com o consequente aconselhamento farmacêutico, de modo a controlar e prevenir vários problemas de saúde, como a obesidade, a hipertensão e a diabetes. Os parâmetros determinados são a glicemia, o colesterol total, os triglicerídeos, a pressão arterial e o peso, altura e o IMC.

O parâmetro mais frequentemente requisitado é a medição da pressão arterial. Este é medido através de um tensiómetro automático e digital no gabinete, para proporcionar o conforto, relaxamento e privacidade necessários ao utente.

A determinação da glicemia, colesterol total e triglicerídeos é preferencialmente executada de manhã, em jejum. A medição destes parâmetros é realizada com auxílio de aparelhos adequados, também no gabinete.

A medição do peso, altura e IMC é feita com recurso a uma balança digital, que se encontra na entrada da farmácia, com o intuito de facilitar o seu acesso. Esta balança emite um talão com os valores dos três parâmetros.

Após a determinação de qualquer um dos parâmetros, o farmacêutico tem a responsabilidade de fazer um aconselhamento cuidado e personalizado ao utente.

Durante o período do meu estágio, realizei a medição de todos estes parâmetros diversas vezes.

Um dos casos que mais preocupação causou foi o de um utente hipertenso, com os valores de pressão arterial muito elevados face ao recomendado, pelo que aconselhamos o mesmo a deslocar- se ao hospital. A elevada preocupação com a prevenção de várias patologias levou-me ao desenvolvimento de outro projeto relacionado com a medição e consequente avaliação destes parâmetros, que abordarei posteriormente.

4.2. Administração de Injetáveis

Um outro serviço prestado pela farmácia é a administração de injetáveis, sendo realizada no gabinete, proporcionando o conforto, segurança e bem-estar do utente. Um farmacêutico necessita de formação específica e creditada pela Ordem dos Farmacêuticos para desempenhar esta função.

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20 4.3. Consultas de Podologia

Em colaboração com uma podologista, a farmácia disponibiliza aos seus utentes consultas de podologia no gabinete. Para este serviço, os utentes devem fazer um agendamento previamente.

Estas consultas são uma mais-valia para a população em geral, uma vez que procuram cada vez mais acompanhamentos mais completos e personalizados, e para os utentes da Farmácia Mota, em específico.

4.4. Consultas de Nutrição

A Farmácia Mota tem ao dispor dos seus utentes consultas de nutrição, que requerem uma marcação prévia. As consultas são realizadas às sextas-feiras no gabinete. Este serviço é mais uma das muitas ferramentas para auxiliar os utentes a otimizar o seu nível de saúde e bem-estar.

4.5. Serviço de entregas ao domicílio

Este serviço mostra-se como uma grande vantagem para vários utentes que demonstram dificuldades na deslocação à farmácia. O serviço de entregas ao domicílio foi muito importante, principalmente durante os períodos de confinamento. Assim, a farmácia consegue satisfazer os seus utentes, sem estes terem a necessidade de se deslocarem às suas instalações.

Durante o meu estágio, esta também foi uma das tarefas que realizei esporadicamente.

4.6. Valormed

A Valormed é uma sociedade sem fins lucrativos que teve origem na colaboração da Indústria Farmacêutica, dos Distribuidores Farmacêuticos e das Farmácias Comunitárias, com o objetivo de consciencializar a população em geral quanto à especificidade do medicamento enquanto resíduo.

A Valormed permite um sistema de recolha e tratamento destes resíduos de medicamentos com potencial impacto ambiental, promovendo a preservação do meio ambiente e a proteção da saúde pública. [14]

A Farmácia Mota possui os contentores necessários para a recolha, que após estarem cheios, são selados e, de seguida, entregues aos distribuidores aderentes.

5. Meios de Comunicação e Marketing

No espaço físico da farmácia, a estratégia utilizada consiste na disposição de produtos de forma organizada, original e apelativa aos utentes e uma fácil identificação das campanhas promocionais a decorrer.

(31)

21 Os avanços tecnológicos fazem com que as farmácias tenham de se adaptar à sociedade que vem aumentando muito a procura pela solução digital. Assim, a Farmácia Mota possui várias formas de comunicação com os seus utentes, seja através do telefone, telemóvel, Whatsapp, email, Facebook e Instagram.

As redes sociais da farmácia servem para partilhar com os seus seguidores algumas das campanhas promocionais e divulgação de informações sobre temas interessantes e procurados pelos mesmos. A Farmácia Mota preza a proximidade com os seus utentes.

No decorrer do meu estágio, a equipa da farmácia considerou importante a realização de pequenos vídeos com informações pertinentes sobre problemas de saúde e aconselhamento farmacêutico para posterior divulgação nas redes sociais. Assim, era importante ter um nome específico para este projeto. Foi-me permitido dar o nome a esta rúbrica digital, tendo-a apelidado de “Cápsula Aberta”. Os vídeos são publicados, aproximadamente, de 15 em 15 dias.

6. Formações

O farmacêutico deve manter-se o mais informado e atualizado possível, para enfrentar os problemas com os quais vai ser posto à prova diariamente. Os consumidores estão cada vez mais exigentes, uma vez que a informação está ao alcance de todos. Deste modo torna-se imperativo que o farmacêutico desenvolva as suas competências técnico-científicas o máximo que conseguir, para melhor informar e aconselhar cada utente. Com este objetivo, no decorrer do meu estágio, a farmácia permitiu-me aumentar o meu conhecimento, através de várias formações, enunciadas na Tabela 2.

(32)

22 Tabela 2 – Cronograma de formações.

Tema Promotor Data Duração Tipologia

Problemas comportamentais em cães e gatos – Soluções na farmácia e enriquecimento ambiental

Globalvet 18/02/2021 2h30min Online

Galinhas e coelhos – principais soluções de ajuda na farmácia

Globalvet 25/02/2021 1h30min Online

I LEARN URIAGE Alliance e Uriage 18/03/2021 2h Online

Webinar: e-Farmácia, a transformação digital da sua farmácia

Escola de Pós- graduação em Saúde e Gestão

22/03/2021 1h30min Online

Da prevenção do cio aos cuidados com as mamãs

Globalvet 23/03/2021 1h Online

Suporte Básico de Vida Escola de Pós- graduação em Saúde e Gestão

05/05/2021 4h Presencial, na delegação norte da ANF A importância da Farmácia

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Referências

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