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Universidade Estadual de Londrina

CENTRO DE EDUCAÇÃO FÍSICA E ESPORTE CURSO DE BACHARELADO EM EDUCAÇÃO FÍSICA

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

Efeito da suplementação de ácido linoléico conjugado associada ao treinamento aeróbio na

gordura abdominal de mulheres

Juliana Novaes da Conceição

LONDRINA – PARANÁ 2008

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JULIANA NOVAES DA CONCEIÇÃO

EFEITO DA SUPLEMENTAÇÃO DE ÁCIDO LINOLÉICO CONJUGADO ASSOCIADA AO TREINAMENTO AERÓBIO

NA GORDURA ABDOMINAL DE MULHERES

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Bacharelado em Educação Física do Centro de Educação Física e Desportos da Universidade Estadual de Londrina, como requisito parcial para sua conclusão.

COMISSÃO EXAMINADORA

______________________________________

Prof. Dr. Leandro Ricardo Altimari Universidade Estadual de Londrina ______________________________________

Prof. Dr. Jairo Augusto Berti Universidade Estadual de Londrina ______________________________________

Prof. Ms. Marcelo Romanzini Universidade Estadual de Londrina

Londrina, ____ de____________ de 2008

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"Tenha sempre presente que a pele se enruga, o cabelo embranquece, os dias convertem-se em anos. Mas o que é importante não muda... a tua força e convicção não tem idade. O teu espírito é como qualquer teia de aranha. Atrás de cada linha de chegada, há uma de partida.”

(Madre Teresa de Calcutá)

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AGRADECIMENTOS

Agradeço a Deus em primeiro lugar por tudo o que me proporcionou e proporciona, por cada despertar, por cada oportunidade, vivência e experiência que adquiri e que fizeram de mim um ser humano melhor e mais consciente.

Aos meus pais: Lenira e Carlos, que iluminaram sempre meu caminho com afeto e dedicação, depositaram em mim toda a confiança, fizeram de mim uma cidadã que sou hoje, proporcionando uma ótima educação com o trabalho árduo. A vocês não bastaria um muito obrigado, mas o amor que traduzo em palavras.

Ao meu irmão Júnior e ao meu namorado Elvis por terem acreditado sempre em mim, por terem me dado o apoio, o incentivo do qual precisei para que mais essa etapa da minha vida fosse cumprida. Por mostrarem-se sempre presentes, mesmo distantes.

Á minha amiga Soraya Rodrigues Dodero, por se fazer presente, mesmo estando distante, pela amizade e dedicação, por ter me ensinado e pela contribuição na realização deste trabalho. Obrigada pela confiança e pela disposição em ajudar sempre, no que fosse preciso.

Ao Prof. Dr. Leandro Ricardo Altimari pelo auxílio durante as etapas do desenvolvimento deste trabalho e por ter tornado possível à realização do mesmo.

Ao amigo Luís Alberto Gobbo por ter estado sempre disposto a ajudar no que fosse preciso sempre extrovertido e sincero, por ter acompanhado parte de minhas aventuras, pelas palavras sábias, por sua fé, pela sua humildade.

À 1ª turma do Curso de Bacharelado em Ed. Física (T1000), pelos momentos em 4 anos de convivência e amizade que serão carregados comigo no coração.

Aos amigos que serão eternizados em minha memória (se o Alzheimer permitir).

Às minhas companheiras “velhas de guerra”: Déia, Dani, Joana, Raquel e Renata pela paciência, compreensão, pelas conversas, cervejadas, carinho, afeto, por serem simplesmente amigas na plenitude da palavra.

Aos amigos, que sem dúvida contribuíram de forma bastante significativa para o meu crescimento pessoal, responsáveis também por grande parte dos momentos alegres que vivi: Maria, Henrique (pelo comprometimento e pela ajuda, pelas cervejas e rodas de violão), Vanessa, Dani Amazonas, Camata, Erick, Rep. Cebolas, Rômulo, amigos do curso de massoterapia e um carinho especial à Rosângela Garcia pela sua alegria de viver e pelo seu amor de mãe que sempre me confortaram, Dani

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Ricciardi, e aos demais amigos não menos importantes, os que estão longe e que se fizeram sempre presentes.

Aos professores do Curso, pelo conhecimento e por fazerem parte de mais essa etapa importante de minha jornada.

Ao CEFE e seu funcionários, funcionárias da cantina por mostrarem-se sempre prestativos.

A todos que, com boa intenção, colaboraram para a realização deste trabalho e àqueles que não impediram a finalização deste.

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CONCEIÇÃO, Juliana Novaes. Efeito da suplementação de ácido linoléico conjugado sobre a gordura abdominal em mulheres submetidas a 8 semanas de treinamento aeróbio. Trabalho de Conclusão de Curso. Curso de Bacharelado em Educação Física. Centro de Educação Física e Esporte. Universidade Estadual de Londrina, 2008.

RESUMO

O ácido linoléico conjugado (CLA) tem apresentado efeitos sobre a composição corporal e alterações benéficas no metabolismo lipídico em animais. No entanto, esses efeitos ainda não estão muito bem esclarecidos, sobretudo, em humanos.

Dessa forma, o objetivo do presente estudo foi investigar o efeito da suplementação de CLA associada ao treinamento aeróbio durante oito semanas sobre a gordura abdominal, de mulheres. Participaram do estudo 28 mulheres, sedentárias, com IMC

> 25 kg/m2 submetidas a um teste incremental e posteriormente a um treinamento que consistia em três dias na semana, com duração de 30 minutos cada sessão, com intensidade de 80% da Freqüência Cardíaca máxima obtida no teste incremental. As mulheres foram dividas em TRCLA e TRPL e suplementadas com 3,2 g de ácido linoléico conjugado e azeite de oliva (4g). Nos resultados não foram observadas diferenças nas características da amostra, quanto à idade, estatura, massa corporal e IMC em nenhum momento (M1 e M2), nem no consumo energético e proporção de macronutrientes, quanto a duração do teste, foi maior no M2 comparado ao M1 (p<0,05) e na velocidade de corrida, ambos os grupos apresentaram aumento M1 para o S5 e M2, respectivamente. Pode-se constatar que a suplementação associada ao treinamento aeróbio por oito semanas não provocou alterações significantes na gordura abdominal das mulheres investigadas. Além disso, a ingestão de CLA não apresentou nenhum potencial ergogênico. Houve uma melhora significativa no nível de condicionamento físico após oito semanas de treinamento aeróbio.

Palavras-chave: Ácido Linoléico Conjugado (CLA), Composição Corporal, treinamento aeróbio.

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1

CONCEIÇÃO, Juliana Novaes. Effect of supplementation of linoleic acid conjugated on abdominal fat in women submitted to 8 weeks of aerobic training. Monograph. Bachelor's degree in Physical Education. Physical Education and Sports Center. State University of Londrina, 2008

ABSTRACT

Conjugated linoleic acid (CLA) presented effects on body composition and changes in lipid metabolism beneficial in animals. However, these effects are still not very well informed, in particular, in humans. Thus, the purpose of this study was to investigate the effect of supplementation of CLA associated with the aerobic training during eight weeks on abdominal fat, women. Twenty-eigth voluntary were selected, sedentary, with BMI > 25 kg/m2 submitted before and after eight weeks of supplementation to the following evaluations: anthropometry, body composition determined by Dual- energy X-ray absorptiometry (DEXA), incremental test in treadmill. The aerobic training was performed during 30 min, three times a week, on alternate days, with intensity of 80% of HRmax obtained in incremental test. It was found that the supplementation of CLA (3,2g) associated with aerobic training by eight weeks not caused significant changes in abdominal fat women investigated. In addition, the ingestion of CLA did not ergogenic potential. There was a significant improvement in the level of physical conditioning after eight weeks of aerobic training.

Key Words: Conjugated linoleic acid, body composition, aerobic training

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LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Médias e desvios padrão das características físicas dos sujeitos dos grupos TRCLA e TRPL nos momentos M1 e M2... 16 Tabela 2 - Valores médios e desvio padrão do consumo energético e

proporção de macronutrientes determinados nos grupos TRCLA e TRPL nos momentos M1 e M2... 17 Tabela 3 - Valores médios e desvio padrão do tempo de duração do teste

incremental, velocidade de corrida e FCmáx nos momentos M1, 5S e M2... 17 Tabela 4 - Médias e desvios padrão do percentual de gordura abdominal dos

troncos direito (%GATD) e esquerdo (%GATE) e total (%GAtotal) obtidos por meio de absortometria de raio-X de dupla energia (AXDE) nos grupos TRCLA e TRPL nos momentos M1 e M2... 18

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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ... 9

2. MÉTODOS ... 11

2.1. Indivíduos... 11

2.2. Delineamento Experimental ... 12

2.3. Antropometria ... 12

2.4. Mensuração do Percentual de Gordura Abdominal ... 12

2.5. Hábitos Nutricionais ... 13

2.6. Teste Incremental em Esteira ... 13

2.7. Protocolo de Treinamento Aeróbio ... 14

2.8. Suplementação de Acido Linoléico Conjugado (CLA) ... 14

2.9. Tratamento Estatístico... 15

3. RESULTADOS ... 16

4. DISCUSSÃO ... 19

5. CONCLUSÃO ... 22

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS... 23

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9

1. INTRODUÇÃO

A obesidade e sobrepeso são definidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como sendo o acúmulo anormal ou excessivo de gordura corporal que apresentam riscos à saúde estando fortemente relacionada a doenças crônico- degenerativas (DCD). Considerada como problema para países desenvolvidos, esta tem crescido acentuadamente em países subdesenvolvidos (WHO, 1998), e isto se deu acentuadamente em sociedades de hábitos ocidentais, onde o consumo calórico tem derivado predominantemente de alimentos processados, de alta densidade energética, com elevados teores de lipídios e carboidratos, podendo ser evidenciado também, o aumentos das porções dos alimentos ao longo das últimas décadas (MONTEIRO et. al.,1995; YOUNG; NESTLÉ, 2002). Aliando esses fatores com o declínio progressivo da atividade física dos indivíduos, percebem-se alterações concomitantes na composição corporal, principalmente o aumento da gordura (FRANCISCHI et. al, 2000).

Desse modo, diversas estratégias envolvendo dietas e/ou suplementos e que sejam capazes de reduzir a massa corporal tem sido investigadas. Dentre as estratégias, a que tem se destacado mais recentemente é a utilização do Ácido Linoléico Conjugado (CLA), sendo este classificado como um ácido graxo poliinsaturado, composto por 18 átomos de carbono e duas insaturações separadas apenas por uma simples ligação carbono-carbono (LAWSON, MOSS, GIVENS, 2001). Este pode ser encontrado nos alimentos de origem animal, tais como as carnes de ruminantes, assim como leite e seus derivados (CHIN et al., 1992; WANG, JONES, 2004). A literatura tem atribuído algumas propriedades a este ácido graxo, tais como: um potente agente anti-obesidade, pelas suas possíveis propriedades moduladoras no metabolismo lipídico, efeitos estes relacionados ao peso corporal, ao colesterol, ao sistema imunológico, aos efeitos anticarcinogenicos e aos antioxdantes (MOURÃO, 2005).

O efeito do CLA sobre a massa corporal e gordura corporal tem sido investigado em vários modelos animais. Alguns estudos têm indicado menor ganho da massa corporal em animais em crescimento (PARK et al.,1999; RYDER et al., 2001; TERPSTRA, 2004; WEST et al., 1998). Embora alguns ensaios laboratoriais (COOK et al., 1993; PARK et al., 1997; SISK et al., 2001), utilizando animais de diferentes espécies tenham indicado efeitos ergogênicos da suplementação de CLA,

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10

levando a uma redução significante na quantidade de gordura corporal e aumento na massa livre de gordura (DELANY et al., 1999; PARK et. al., 1999; TERPSTRA, 2004), os poucos estudos que investigaram essa temática em seres humanos não confirmaram tais informações (PARIZA, 2004; RAINER, HEISS, 2004).

Os recursos ergogênicos podem ser classificados como nutricionais, mecânicos, farmacológicos, físicos e psicológicos, incluindo desde procedimentos legais e comprovadamente seguros (Rassier; Natali, De Rose, 1996; Thein et al., 1995), auxiliando no aprimoramento da capacidade de realizar trabalho físico (Clarkson, 1996).

As informações importantes sobre a suplementação de CLA, quanto à dosagem e a composição química da substância a ser administrada em muitos estudos são omitidas, dificultando uma análise mais consistente dos resultados, visto que os diferentes tipos de isômeros podem apresentar efeitos isolados e específicos (LARSEN, TOUBRO, ASTRUP, 2003; RAINNER, HEISS, 2004; MALPUECH- BRUGÈRE, 2004).

Atualmente, poucos estudos têm verificado o efeito da suplementação de CLA associado a um protocolo de exercício físico, adequadamente planejado e monitorado, sobretudo em se tratando da suplementação associada à prevenção e tratamento de sobrepeso/obesidade. Com isso, o objetivo do presente estudo foi investigar o efeito da suplementação de CLA associada ao treinamento aeróbio por oito semanas sobre a gordura abdominal de mulheres.

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2. MÉTODOS

2.1. Indivíduos

Participaram do estudo 24 mulheres que foram recrutadas a partir de uma divulgação do Projeto no âmbito universitário e fora dele, na faixa etária de 18 a 30 anos. Como critério de exclusão, os indivíduos deveriam: apresentar IMC<25 kg/m2; ser fumantes; praticar outro tipo de treinamento ou atividade física regular (freqüência superior a duas vezes por semana); ter utilizado algum tipo de suplemento nutricional relacionado ao metabolismo lipídico ao longo dos seis meses anteriores ao início do estudo; apresentar disfunções metabólicas ou doenças crônico-degenerativas; fazer uso de terapia medicamentosa para perda de massa corporal. As informações da utilização dessas substâncias e das atividades físicas habituais foram obtidas por meio do preenchimento da ficha de inscrição.

Todos os sujeitos foram previamente informados sobre a proposta do estudo e procedimentos aos quais foram submetidos e assinaram declaração de consentimento esclarecido. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética dentro das normas da Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde sobre pesquisa envolvendo seres humanos da Universidade Estadual de Londrina.

2.2. Delineamento Experimental

As voluntárias selecionadas para participarem deste estudo foram separadas aleatoriamente em dois grupos: TRCLA (treinamento aeróbio + suplementação; N=12) e TRPL (treinamento aeróbio + placebo; N=12).

Na primeira (M1) e décima (M2) semana do experimento todas as voluntarias foram submetidas a mensurações antropométricas, anamnese clínica e nutricional, determinação do percentual de gordura abdominal (%GAtotal) e teste incremental para determinação do nível de condicionamento físico. Além disso, novo teste incremental foi realizado ao final da quinta semana de treinamento para ajuste de carga/intensidade de treinamento. A suplementação de CLA associada ao treinamento aeróbio foi realizada durante oito semanas (2º a 9º semana) (Figura 1).

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12

Figura 1. Delineamento experimental do estudo.

2.3. Antropometria

A massa corporal foi medida em balança de plataforma, digital, marca Urano, modelo PS 180, com precisão de 0,1 kg, e a estatura foi determinada em um estadiômetro de madeira com precisão de 0,1 cm (Gordon, Chumlea, Roche, 1988).

O índice de massa corporal (IMC) foi determinado pelo quociente massa corporal/estatura2, sendo a massa corporal expressa em quilogramas (kg) e a estatura em metros (m). Todos os indivíduos foram medidos e pesados descalços, vestindo apenas um top e shorts. Essas medidas foram realizadas com o propósito de caracterizar os sujeitos envolvidos no experimento.

2.4. Mensuração do Percentual de Gordura Abdominal

Existem muitos métodos diretos e indiretos de avaliação da composição corporal e gordura corporal. Dentre esses, a absortometria radiológica de dupla energia (AXDE) vem sendo bastante empregada particularmente em estudos que procuraram investigar o efeito de diferentes tipos de suplementos nutricionais na composição corporal (KILDUFF, LEWIS, KINGSLEY, 2007). Considerando seu pressuposto básico a AXDE, possibilita a atenuação dos raios emitidos que é

1º SEMANA

Delineamento Experimental

10º SEMANA

M 0

M2

Testes

- Antropometria - Hábitos nutricionais - AXDE

- Teste incremental

Final 5º Semana - Teste incremental

Testes

- Antropometria - Hábitos nutricionais - AXDE

- Teste incremental M1

2º a 9º SEMANA - Suplementação CLA - Treinamento aeróbio

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13

diferenciada nos tecidos ósseo, adiposo e magro, refletindo dessa forma suas diferentes densidades e composições químicas. Assim, por meio da AXDE é possível estimar valores relativos ao conteúdo mineral ósseo (CMO), massa de gordura (MG) e massa livre de gordura e osso (MLGO), também conhecida como tecido mole e magro (TMM).

A absortometria de raio-X de dupla energia (AXDE) foi utilizada para determinação do percentual de gordura abdominal (%GAtotal). O %GAtotal foi determinado pela soma dos valores obtidos para os troncos direito (%GATD) e esquerdo (%GATE). As medidas de AXDE foram realizadas em aparelho da marca Lunar (Prodigy LNR 41.990, GE Medical Systems, AB, Canadá) (software 4.7e) mediante escaneamento para exame de coluna lombar (L1-L4). Todas as medidas foram realizadas utilizando os padrões de exame e protocolos de posicionamento descritos no manual do aparelho.

Além disso, as participantes se apresentaram para avaliação apenas de top e shorts ou bermuda, sem o uso de qualquer objeto de metal que pudesse interferir nas medidas. As avaliadas foram orientadas permanecerem imóveis durante o processo de escaneamento. As avaliações tiveram duração entre 5 e 8 minutos, sendo respeitadas as dimensões corporais de cada avaliada.

Para assegurar a qualidade das medidas foram realizados dois tipos de calibração do aparelho por um técnico de laboratório com experiência, uma semanal e uma diária. Para a calibração semanal, realizou-se um exame de phantom e, para a calibração diária, foi realizado o teste de segurança de qualidade. Ambas as calibrações seguiram os procedimentos descritos no manual do referido equipamento.

2.5. Hábitos Nutricionais

Informações referentes aos hábitos alimentares foram obtidas por meio de preenchimento de registros alimentares (duração de três dias, sendo 2 dias da semana e 1 dia do final de semana), por duas nutricionistas. Os sujeitos receberam, também, orientação para manterem seus hábitos alimentares ao longo do estudo.

Medidas caseiras padronizadas foram utilizadas para a estimativa da quantidade de alimentos e bebidas consumidas. O consumo calórico total, a quantidade e as proporções de macronutrientes foram determinados por meio do

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programa para avaliação nutricional Virtual Nutri, versão 1.0. A ingestão de água foi ad libitum.

2.6. Teste Incremental em Esteira

Ao final da quinta semana e da décima semana (M2), foi realizado teste incremental em esteira (Imbrasport 10200 ATL, Imbramed, RS, Brasil). Na primeira semana (M1) para determinação do nível de condicionamento físico das voluntárias, assim como para determinar a intensidade de treinamento a qual seriam submetidas, o teste teve início na intensidade correspondente a 4 km/h, sem inclinação e incremento de 0,5 km/h a cada minuto até exaustão voluntária. Durante todo o teste a freqüência cardíaca (FC) foi monitorada para determinação da freqüência cardíaca máxima (FCmáxima). A FC foi mensurada por um cardiofreqüencímetro (Polar S810i, Polar Electro OY, Finlândia) com registros a cada cinco segundos, descarregados em software (Polar Precision PerformanceTM, Finlândia) para posterior análise.

Ressalta-se que o teste incremental foi precedido 48-72 h por teste de familiarização, realizado em uma única sessão seguindo os procedimentos descritos anteriormente.

2.7. Protocolo de Treinamento Aeróbio

O protocolo de treinamento adotado no presente estudo foi estabelecido de acordo com as recomendações do American College of Sports Medicine (ACSM, 1998). O treinamento aeróbio foi realizado três vezes por semana, em dias alternados, durante oito semanas e consistiu em 30 minutos de exercício em esteira ergométrica a 80% da FCmáxima obtida no teste incremental. Antes do início de cada sessão de treinamento as participantes foram submetidas a aquecimento sob uma intensidade de 4,0 km/h, com duração de três minutos, seguida de dois minutos de repouso. A freqüência cardíaca foi monitorada por um cardiofreqüencímetro (Polar S810i, Polar Electro OY, Finlândia). Para fim de ajuste das cargas de treinamento todas as voluntárias foram submetidas a novo teste incremental no final da quinta semana de treinamento.

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2.8. Suplementação de Ácido Linoléico Conjugado (CLA)

Por meio de delineamento duplo cego, durante as oito semanas de experimento as voluntárias ingeriram quatro cápsulas por dia, perfazendo um total de 3,2g CLA (mistura de isômeros de CLA, predominantemente isômeros c9,t11 e 50% t- 10,c-12 – 80%) ou 4g de azeite de oliva (placebo). A substância placebo foi escolhida por apresentar valor calórico, cor e consistência semelhante ao CLA, além de não apresentar nenhum valor ergogênico. Duas cápsulas foram ingeridas após o almoço e outras duas após o jantar.

As participantes do estudo receberam uma ficha de anotações, com orientações de preenchimento, caso fossem relatados pelas mesmas, possíveis efeitos colaterais das substâncias.

2.9. Tratamento estatístico

O teste de Shapiro Wilk foi utilizado para avaliação da normalidade dos dados. Posteriormente foi empregada análise de variância (ANOVA–twoway) para medidas repetidas para as comparações entre os grupos (TRCLA e TRPL) nos diferentes períodos de tempo (M1 e M2), e teste post hoc de Tukey quando (p<0,05).

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3. RESULTADOS

Das características físicas dos grupos TRCLA e TRPL nos momentos M1 e M2 são apresentadas na Tabela 1 é importante destacar que nenhuma diferença estatisticamente significante foi encontrada na comparação entre os grupos nos diferentes momentos do estudo (p>0,05).

Tabela 1 - Médias e desvios padrão das características físicas dos sujeitos dos grupos TRCLA e TRPL nos momentos M1 e M2.

Grupos Idade (anos)

Massa Corporal (kg)

Estatura (cm)

IMC (kg/m2) TRCLA (n = 12)

Pré 22,7 ± 2,2 79,2 ± 7,9 166,0 ± 7,1 29,7 ± 2,7 Pós 22,7 ± 2,2 78,0 ± 7,7 166,2 ± 7,0 29,3 ± 2,7 TRPL (n = 12)

Pré 23,2 ± 2,5 81,7 ± 8,4 164,9 ± 5,0 30,0 ± 3,0 Pós 23,2 ± 2,5 81,7 ± 9,1 164,2 ± 4,8 30,1 ± 3,3

O consumo energético e a proporção de macronutrientes ingeridos pelos grupos TRCLA e TRPL nos momentos M1 e M2, são apresentadas na Tabela 2.

Tabela 2 - Valores médios e desvio padrão do consumo energético e proporção de macronutrientes determinados nos grupos TRCLA e TRPL nos momentos M1 e M2.

TRCLA TRPL

M1 M2 M1 M2

Kcal/kg 28,8 ± 5,7 27,3 ± 6,4 29,6 ± 5,0 29,8 ± 6,5 Carboidrato (%) 52,5 ± 3,3 53,0 ± 5,5 53,9 ± 8,0 52,3 ± 5,7 Proteína (%) 15,3 ± 3,0 15,7 ± 3,4 15,1 ± 3,0 16,2 ± 2,1 Lipídio(%) 32,3 ± 3,2 31,3 ± 3,8 31,0 ± 6,1 31,6 ± 5,4

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17

Não foram encontradas diferenças significantes para o consumo energético e proporção de macronutrientes ingeridos entre os momentos M1 e M2, para ambos os grupos.

Na tabela 3 são apresentadas as variáveis analisadas durante o teste incremental em esteira realizado nos momento M1, ao final da 5º semana (5S) e M2.

Tabela 3 - Valores médios e desvio padrão do tempo de duração do teste incremental, velocidade de corrida e FCmáx nos momentos M1, 5S e M2.

TRCLA TRPL

M1 5S M2 M1 5S M2

Duração do teste

(seg) 632

±117

696#

±118

726*

±115

628

±137

653

±148

700*

±136

Velocidade de corrida (m/seg)

6,3

±0,9 6,8#

±0,9

6,8*

±1,0

6,3

±0,8 6,7#

±0,8

6,9*

±0,9

FCmáx (bpm) 192

±7,4

194

±6,7

196*

±6,8

196

±5,7

193

±6,6

194

±4,5

#

diferença significativa entre M1 e S5 dentro do mesmo grupo (p<0,05).

* diferença significativa entre S5 e M2 dentro do mesmo grupo (p<0,05).

A duração do teste foi significativamente maior no M2 comparado ao M1 para ambos os grupos (p<0,05). Quanto a FCmáx obtida no teste incremental de esteira observou-se que esta não sofreu alteração entre os diferentes momentos no grupo TRPL, embora no grupo TRCLA tenha sido constatado aumento significante na FCmáx entre o M1 e M2. Em relação à velocidade de corrida, ambos os grupos apresentaram aumento significante do M1 para o 5S e M2, respectivamente. Vale ressaltar que, não houve diferença significante para a duração do teste, FCmáx e velocidade de corrida entre os grupos em todos os momentos.

Os valores médios do percentual de gordura abdominal dos troncos direito (%GATD) e esquerdo (%GATE) e total (%GAtotal) nos momentos M1 e M2 são apresentados na tabela 4. Não foram encontradas diferenças significantes para o

%GATD, %GATE, e %GAtotal entre os momentos M1 e M2, para ambos os grupos

(19)

18

(p>0,05). Ressalta-se ainda que o %GAtotal após suplementação com CLA apresentou redução (0,84%) não significante de aproximadamente ~5% (p>0,05).

Tabela 4 - Médias e desvios padrão do percentual de gordura abdominal dos troncos direito (%GATD) e esquerdo (%GATE) e total (%GAtotal) obtidos por meio de absortometria de raio-X de dupla energia (AXDE) nos grupos TRCLA e TRPL nos momentos M1 e M2.

TRCLA (n = 12) TRPL (n = 12) Efeitos F p

%GATD ANOVA

M1 8,2 ± 1,4 9,1 ± 1,7 Grupo 0,00 0,92

M2 7,8 ± 1,3 9,0 ± 1,9 Tempo 1,39 0,25

Grupo X Tempo 0,16 0,69

%GATE ANOVA

M1 8,3 ± 1,3 9,2 ± 1,8 Grupo 0,23 0,63

M2 7,7 ± 1,2 9,1 ± 2,0 Tempo 5,41 0,26

Grupo X Tempo 0,11 0,74

%GAtotal ANOVA

M1 16,5 ± 2,7 18,3 ± 3,6 Grupo 0,00 0,97

M2 15,5 ± 2,4 18,1 ± 3,9 Tempo 3,75 0,30

Grupo X Tempo 2,15 0,15

(20)

19

4. DISCUSSÃO

O presente estudo investigou o efeito da suplementação de CLA (3,2g) associada ao treinamento aeróbio por oito semanas sobre a gordura abdominal de mulheres e constatou que suplementação de CLA não provocou alterações significantes na gordura abdominal das mulheres investigadas.

É importante enfatizar que estudo proposto por Lima e Glaner (2006) observou que o percentual de gordura do tronco explicou em 26% o colesterol total, em 6,6% o HDL, em 19,7% o LDL e em 16% os triglicerídeos, indicando que a gordura nesta região do corpo é um preditor dos fatores de risco para as doenças cardiovasculares.

No que diz respeito ao exercício aeróbio, este preserva a massa magra, e ajuda a manter a TMB durante um programa de redução de peso, desde que não haja um déficit energético muito grande (FORBES, 1992). Resumidamente, a utilização dos lipídios durante os exercícios é diretamente dependente da intensidade e duração do esforço, das reservas musculares de triglicerídeos, da perfusão tecidual e da capacidade enzimática da maquinaria metabólica do organismo para atender a demanda energética durante o exercício (ANDRADE, RIBEIRO, DO CARMO, 2006).

Além disso, a combinação de dieta e de exercício de intensidade moderada geralmente promove uma maior perda de peso do que a dieta isolada (FRANCESCHI etl al.,2000). Assim, estratégias que associem programas de exercício físico a suplementação de CLA parecem ser potencialmente eficazes na redução da massa corporal e gordura corporal, pelo menos em estudos envolvendo modelos animais (DELANY et al., 1999; PARK et al., 1999; TERPSTRA, 2004). Vale ressaltar que esses achados não corroboram com estudos conduzidos com seres humanos (PARIZA, 2004; RAINER, HEISS, 2004), uma vez que esses têm sido conflitantes (NAKAMURA et al., 2008).

A partir da utilização da ADXE o presente estudo pode constatar que o percentual de gordura abdominal dos troncos direito (%GATD) e esquerdo (%GATE) e total (%GAtotal) das mulheres investigadas não apresentaram diferenças significantes entre os grupos nos diferentes momentos do estudo após suplementação de CLA (Tabela 3). Ressalta-se ainda que o %GAtotal após suplementação com CLA apresentou pequena redução de aproximadamente ~5% (0,84%).

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Os achados do presente estudo corroboram com aqueles encontrados por Malpuech-Brugere et al. (2004) que investigaram o efeito da ingestão de duas doses de CLA (3,2g/d e 6,4 g/d) ao longo de 12 semanas e constaram que essas não foram capazes de promover modificação na massa corporal, IMC, massa gorda, % gordura e relação cintura-quadril. Resultados semelhantes foram observados por Nazaré et al. (2007) após oferecer iogurte enriquecido com 3,76g de CLA/dia para 44 sujeitos durante 98 dias.

Estudo longitudinal de 12 meses conduzido por Gaullier et al. (2004) aleatorizou 128 indivíduos para receber, 4,5 g de azeite (placebo, n = 59), 4,5 g 80% CLA-FFA (3,6 g isômeros ativos de CLA, n = 61), 76% ou de 4,5 g CLA- triacilglicerol (3,4 g isômeros ativos n = 60) 3 grupos (CLA-FFA - free fatty acids, CLA - trialiglicerol e placebo - azeite de oliva), constatou redução do peso corporal, IMC, gordura corporal, consumo energético e níveis de leptina sérica após a suplementação da mistura de isômeros de CLA. Esses mesmos autores observaram que a ingestão da mistura de isômeros de CLA (cis-9, trans-11: trans- 10, cis-12 = 50:50) diminui significantemente a gordura corporal, em especial nas pernas dos sujeitos de ambos os sexos, particularmente em mulheres com IMC >

30 kg/m2, a partir do 3º mês (GAULLIER et al., 2007). Tais estudos longitudinais observaram alterações significativas nos indivíduos, e isto é controverso aos achados deste estudo, o que pode sugerir que estudos de maiores períodos devem ser propostos, assim como investigações nas doses da suplementação.

O presente estudo demonstrou que as características físicas das voluntárias, não foram significativamente diferentes entre os grupos nos diferentes momentos do estudo (Tabela 1). Esses achados vão ao encontro de resultados obtidos por Steck et al. (2007), que investigaram os efeitos da ingestão de 2g de CLA por 12 meses na composição corporal e medidas de segurança clínica em adultos obesos e não verificaram diferenças significantes no peso e IMC.

De acordo com Desroches et al. (2005), a incorporação natural de CLA (principalmente o isômero c9,t11) na manteiga não apresentou melhorias no perfil lipídico, após 28 dias, em indivíduos do sexo masculino com sobrepeso e obesidade.

A quantidade de CLA presente na manteiga do grupo controle foi de 1,42g/d, ao passo que na manteiga naturalmente enriquecida com CLA a quantidade foi de 2,59 g/d.

A utilização da AXDE para avaliação da composição corporal tem sido

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muito empregada na prática clínica. Embora sua eficácia seja bem estabelecida, existem estudos apontando algumas limitações dessa técnica (FARAJIAN, RENTI, MANIOS, 2008). Em um estudo de Paccini et al. (2008) concluíram que o percentual de gordura abdominal obtido pelo ADXE, para ambos os sexos, foi fortemente correlacionado e bem explicado pelos perímetros abdominal ao nível da cicatriz umbilical e 2,5 cm acima da cicatriz umbilical.

Nesse contexto, medidas de gordura abdominal pela ADXE foram comparadas com técnicas mais sofisticadas, como a ressonância magnética e não foram encontradas diferenças significativas, confirmando sua validade (PARK, HEYMSFIELD, GALLAGHER, 2002). Além disso, a AXDE vem sendo bastante empregada particularmente em estudos que procuraram investigar o efeito de diferentes tipos de suplementos nutricionais na composição corporal (KILDUFF, LEWIS, KINGSLEY, 2007).

Vale ressaltar que na presente investigação não foram encontradas diferenças significantes para o consumo energético e proporção de macronutrientes ingeridos nos diferentes momentos do experimento, para ambos os grupos (Tabela 2), e isso pode ser associado aos fatores positivos que indicaram hábitos alimentares similares entre os grupos ao longo do período de estudo, sugerindo homogeneidade da amostra.

Os indivíduos envolvidos no estudo não relataram nenhum efeito colateral causado pela ingestão da substância durante período experimental, sendo relevante enfatizar também que as participantes tiveram uma melhora significativa no nível de condicionamento físico após oitos semanas de treinamento aeróbio, porém outras investigações futuras devem ser propostas para salientar o efeito da suplementação, sobretudo envolvendo treinamento aeróbio. Cabe acrescentar ainda que, o tempo de treinamento aliado à suplementação parece não ter sido suficiente para promover modificações na composição corporal.

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5. CONCLUSÃO

Pode-se constatar a partir do presente estudo que suplementação de CLA (3,2g ) associada ao treinamento aeróbio por oito semanas não provocou alterações significantes na gordura abdominal das mulheres investigadas. Além disso, a ingestão de CLA não apresentou nenhum potencial ergogênico.

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