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PUO DE TANEIRO — SABBADO, 20 DE JUNHO DE1931

BiblicÜieca Nacional do Váo de Janeiro j^raça Floriano — Rio.

NUMERO. 375 ..

i-ViNiX^-»' ¦ «- "'-¦ ¦¦'¦'¦ —- _=r-=^- - * -T~—- ; ~~ ~~" ^.

^~^ 4 H°^AS-^mÍ^^^ - REDACÇÃO E OFFICINAS ^S^^^ BUENOS AIRES, 154 IMIII.-..™ È^^

o Frio 19-(U. P.)-Foè annunciado que o grande hydroplano deverá chegar ao Rio de Janeiro, amanhã, a uma hora

d Pa rio Democrático o momento

Oaclonali politico

Responde ao inquerito do DIÁRIO DE NOTICIAS o se- nhor Adoipho Bergamini

O Congresso Geral do Partido requerido pelos de- mocraticos fluminenses, a Constituinte, os carnei- ros de Panurgio, a conservação do Senado e ou-

tros assumptos

A commemoração do 5 de Julho

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Christo por esse milagre de bom senso U

Proseguindo no inquerito a que o DIÁRIO DE NOTICIAS está procedendo, junto aos membros do Directorio Cen- trai do Partido Democrático Nacional, ouvimos hontem o dr. Adoipho Bergamini, re- presentante, naquelle directo- rio, do Districto Federal, so- bre a moção que o presidente do seu partido recebera do Partido Democrático do Esta- do do Rio, em que era pedida a convocação do Congresso C-eral do Partido Democrático Nacional, com a «maior bre- vidade, para o fim de o parti-

Sr. A. Bergamini üo pronunciar-se sobre os no- vos problemas brasileiros que a Revolução suscitou e sobre a convocação da Constituinte.

Recebidos em seu gabinete, da Prefeitura, fomos gentil- inente attendidos pelo sr.

Bergamini, que com a clareza e segurança de sempre, nos disse o seguinte:

—a "No actual momento não faço politica. Limito-me a ad- ministrar o Districto Federal e sinto-me completamente absorvido pela mijltiplicidade dos problemas que tenho de resolver. A agitação em que vivo não me permitte nem to- mar conhecimento dos bons ou dos máos effeitos de minha actuaçao administrativa, ca- bendo' ao futuro conferir-me uma impressão definitiva de minha propria obra.

Em todo casoj tenho com- promissos para com o cidadão e para commigo mesmo. Co- mo membro do Directorio Central do Partido Democrati- co Nacional, pelas razões quo Uie acabo de expor, nada pos- so dizer sobre a conveniência ou não da convocação do Di- rectorio Central. Cabe aos meus outros collegas de parti-

do, que não tenham funeções na reorganização do Estado, falar sobre o assumpto conti- do na moção do Partido De- mocratico • Fluminense.

Num ponto de vista geral, sou pela Constituinte, com a máxima brevidade. Natural- mente, não se poderá falar em Constituinte, sem o sanea- mento da lei eleitoral e sem que se proceda a novo alista- mento.

Para a Constituinte, teremos debates interessantes, como, por exemplo, a subsistência ou não, do Senado, do futuro re- gimen.".

,V. ex. é pela subsisten- cia dessa instituição?

"Só tenho razões para considerar necessário o Sena- do. Basta dizer,' que testemu- nhei.em numerosos casos, a resistência que o Senado poz em favor das virtudes repu- blicanas, não. permittindo que passassem projectos impatrio- ticos, que o conjunto dos car- neiros de Panurgio, installado na Camara Federal, se apres- sava em mandar para a Ca- mara Alta com o "placet" da sua subserviência. Quando se apresentava no Senado um projecto ruinoso á causa pu- blica, elle procrastinava as votações, com recursos de to- da a natureza e o resultado acabava sendo benéfico á col- lectividade, porque o projecto era posto á margem. Sou de opinião que o Senado foi e continuará a ser uma optima camara revisora.

Sobre o suffragio universal e a representação de classes, acerescentou o prefeito:

"Sou pelo suffragio uni- versai, porque de deducção em deducção, constato a exlsten- cia de tantas classes, que a representação se tornará nu- merosissima e illimltada. Ora, sendo o subsidio aos depu- tados, inevitável, teríamos com isso uma fonte de esgo- tamento financeiro para o paiz.

Por ultimo, interrogado so- bre se mantinha a sua posi- ção no directorio e nas hostes do JFfvtido Democrático Na- cioir/., respondeu o sr. Adol- pho Bergamini:

"E' claro que sim. Aon- de estão minhas idéas, ahi es- tarei. Subordino, entretan- to, essa attitude aos deveres oceasionaes a que me referi no inicio desta palestra, se- gundo os quaes tenho que es- perar a opportunidade, em que, livre dos compromissos do administrador, haja de re- tomar as armas com que sem- pre combati pela pureza do regimen republicano".

Q "GRAF ZEPPELIS" PRE PABAKDO-SE PARA A GRAN-

OE EXPEDIÇÃO AO POLO

A grande aeronave foi dotada de um dispositi- vo que lhe permitte pou-

sar sobre a agua FRIEDRICHSHAFEN, 19 —

¦ U. P.) — O vôo de experien- cia realizado, hoje, pelo "Graf Zeppelin", sobre o lago Cons- Lança,-.revestiu-se de grande importância,',devido aos novos

¦iieJhoramehtòs adaptados nos últimos tempos ao grande di- iigivel allemão.

Com effeito, foi esta a pri- meira vez em que aquella ae- ronave, graças a um disposi- -!vo especial, pôde pousar so- bre a agua, o que constitue, seguramente, um extraordina- rio avanço sobre as realiza- ções anteriores. A experiência realizou-se ás 16.05, horas de hoje, tendo sido cercada do .uais absoluto exito.

O "Graf Zeppelin" realizan- do assim esse vôo preparato- rio, pôde considerar-se apto a i.'*-oxima viagem ao Polo.

Acha-se munido de gondoln*;

impermeáveis e de salva-vi- das. Dentre as provas realiza-

As remessas mensaes do Instituto de Café para

o estrangeiro

LONDRES, 19 (ü. P.) — A firma bancaria Lazard and Brothers annuncia que as re- messas mensaes do Instituto do Café do Estado de S. Pau- lo, durante o semestre inicia- do em dezembro de ,.1930, re- lativamente ás cobranças da taxa-ouro especial, montaram ao total de 541.170 esterlinos, constituindo a garantia espe- cifica do pagamento do bônus de sete e meio por cento do empréstimo do Instituto, para o qual o serviço de pagamen- tos semestraes requer 423.538 esterlinos.

Assegura-se de novo que o coupon a vencer-se no dia 1 de julho será pago nessa data.

Além disso, o fundo de reser- va equivalente ao serviço de pagamentos semestral, a sa- ber 423.538 esterlinos, con- serva-se em Londres em es- terllnos com os banqueiros Lazards, de accordo com o contrato.

das, merece sobretudo relevo o facto de ter conseguido lan- çar á agua um bote contendo duas pessoas.

No artigo de hontem, sobre a demora de uma reforma elei- toral, e o negro azar do seu autor governamental, escapou mais este incidente, que de- nota o pouco caso da Dictadu- ra pela legislação do futuro pleito nacional. Emquanto o fracassado professor João Ca- bral, singrava os mares para o sul, em .busca do sr. Assis Brasil, lá no Rio da Prata, este por ali se despedia, par- tindo para oTiorte, isto é, re- gressando para o Rio.

A scena ficou, assim, digna de um sermão do desencontro.

A Virgem eleitoral ia por um caminho, e o Redemptor da.eleição vinha por outro.

Emfim, como esta Republica Secundina bem merece a pa- gina de Antonio Torres sobre a mentira que edificou a pri- meira democracia, a mentira de Solon, sobre a prisão de Benjamim; a mentira de Deo- doro, sobre a queda de Ouro Preto; a mentira, sempre a mentira, que até agora des- afia a penna internacional, de um Max Nordau; vá lâ mais uma potóca passada pela Re- volução ao povo brasileiro.

JEste, coitado, só tinha de ver- dadeiro no regimen dlscreclo- nario o cigarro permanente do ministro da Justiça.

ATTITUDE PLAGIADA Pois bem, saibam todos que esta attitude é ura plagio, um decalque, umá imitação servil.

O jornalista Carrazoni, que nos revela, na bibliotheca do primeiro ministro, um livro de Albert Londres, poderia ter lido no autor já celebre, que, na historia, existem tres sym- bolos perpétuos: o cavallo branco de Henrique TV, a bar- ba de Leonardo da Vincl, ei

"o cigarro pendente de Aris- tides Briand'"';-

E ahi temos, como o cigarro pendente de Oswaldo Aranha é apenas um pedantismo, um francezismo na bocea do na- cionalismo ministerial. O cl- garro naquella bocea, tambem é uma grande mentira. Tão mentira comp estas palavras do propedeuta da Revolução no prefacio que fez ao Ana- basio do primeiro historiador da columna do sul: "A falsa opinião, organizada e manti- da pelo poder, parecia haver proscripto a verdadeira opi- nião. Mas esta existia. Estava nas consciências, vivia nos co- rações, r%f ugiava-se no silencio dos gabinetes, na pureza dos lares, nas tendas de trabalho, explodindo, por vezes, na im- prensa, na tribuna- e até nas classes armadas, por toda a parte onde o amor do Brasil era maior do que o prazer do governo."

O leitor leu esse homem que tem o prazer sádico do governo dictatorial, conde- mnando o sadismo da censu- ra pela sua inefficiencia?

Pois agora vae lel-o conde- mnando o próprio prazer di- ctatoriai exercido contra a consciência de um povo, ha- bituado desde a Independen- cia a dispor livremente da sua vontade deante de duas co- rôas imperiaes, de uma re- gencia e de uma dezena de presidentes: "O poder mal exercido en- gana-se a si mesmo. E' um fogo fatuo: illude e arrasta á perdição. Assim o máo gover- no. Faz o vacúo. Nelle todos os pesos são iguaes, as mes- mas as velocidades, invaria- veis os phenomenos. Dahi a incomprehensão dos aconteci- mentos. O erro na visão dos factos. A confusão de tudo e de todos".

O MELHOR QUADRO DA EPOCA

Querem um quadro melhor da época, traçado pelo gran- de confuslonista da revolu- ção de outubro?

Então lá vae mais este.

Disse o ministro da Justiça que o "5 de julho" não seria de amnistia aos vivos, mas da celebração dos mortos.

Ora bem. Que mortos são estes na data symbollca? São os do primeiro "5 de julho" de 22, massacrados pelo sr. Epl- tacio Pessoa, alllado estreita- mente ao ministro da Justi- ça?* São os mortos do primeiro 5 de julho traidos pelo par- tido do sr. Borges de Medei- ros e pelo mesmo sr. Oswal- do Aranha, ou são os mortos do segundo 5 de julho, massa- crados pelo sr. Arthur Ber- nardes, amigo e commensal do sr. Oawaldo Aranha ainda ho- ie? Seráo os mortos do Pam-

MAURICIO DE LACERDA

(Exclusividade do DIÁRIO DE NOTICIAS) pa riograndense no segundo

cinco de julho que o sr. Os- waldo Aranha promettera a Cordeiro de Faria, no Alegrete, auxiliar e que depois massa- crou com os soldados sob o seu commando, a serviço de Borges de Medeiros e de Ar- thur Bernardes?

Serão os soldados da policia carioca que em discurso do mesmo Oswaldo Aranha se proclamou deverem os poli- ciaes gaúchos submetterem pelas armas ou pela mesma morte? ¦

Parece que o ministro teve um remordimento de cons- ciência ao declarar que o 5 de julho' seria o da sua peniten- cia sobre os túmulos dos de-

visitei còm Baptista Luzardo, em' 1927, ¦ no seu municipio, onde a' ponte do Ibiraquitan attesta a fereza e a felonia de um combate em qué o san- gue gaúcho foi • derramado pela'faca de Apparicio Sarai- va, bandoleiro e estrangeiro contractado nas inesmas filei-

ras: de Oswaldo Aranha.

Seriam os mortos de S.

Luizf das Missões, guiados, pe- là espada de Luiz Prestes, sol- dado e gaúcho^ os que provo- caram esse remorso ministe- rlal? Ou antes teria sido o pugillo de marinheirOaS do cou- raçado "S. Paulo", cujos cor- pos repatriei do Uruguay, co- mo embaixador da Revolução, ao lado dos restos mortaes de

um ' patriarcha è signatário do manifesto de setenta e cujo pae fora, pouco antes, tam- bem assassinado na policia bernardista, que o sr. Oswal- do Aranha apoiou de armas na mão? Disse . este ultimo que : não pensa na amnistia aos vivos.

E* curioso, elle um amnistiado oe facto pelos sobreviventes do 5 de julho e premiado por ei- les com um pennacho de cher fe e que os está attraindo aos braços desse outro amnistiado

iii3 ali i te nio n portador de

"Não é agora, quando a situação ecc-inomico-ií- nanceira do paiz melhora a olhos vistos, que o cambio venha a cair, pela simples divulgação de noticias improcedentes" — diz-nos, com o maior optimismo, o director da Carteira Cambial do

do Banco do Brasil Quando era de esperar que

o cambio, continuando na sua marcha ascendente, transpu- zèsse a casa dos 4d., mesmo de facto, o seu amigo e par- porque desapparecera de todo ceiro Arthur Bernardes. | a desconfiança que, até ses-

gollados do Alegrete, que eu Luizinho Barbosa, neto de

UMA DIVIDA QUE DEVE SER RESGATADA

0 Brasil deante da gloria de Santos Dumont, o creador da aeronáutica

Faz annos hoje o "Pae da Aviação", que se encontra gravemente enfermo em sua

residência em São Paulo

Faz annos, hoje; o notável brasileiro Santos Dumont.

Se registramos com- prazer esse facto, sentimos, por Outro lado, um grande pezar porque o grande homem se encontra enfermo, recolhido aos seus aposentos de alguns dias a esta parte.

Santos Dumont não é, ape- nas, uma gloria brasileira. E' uma grande figura humana, que apparece em plano des- tacado no: quadro das maio- res expressões de genialidade da espécie.

Quando a aviação . houver attingido a sua máxima .fina- lidade, como factor; formlda- vel do progresso, resolvendo, definitivamente, para a gran- deza econômica, do mundo, o problema das distancias, o no- me de Santos Dumont terá o culto qúe merece.

Se os grandes criadores de progresso, no commercio, na industria, na sciencia,-vão fl- car na historia.como Índices do valor humano riestá agita- da hora da civilização,- a í 1- gura de Santos JDumont terá uma collocação á parte na posteridade, porque foi o seu genlo que descobriu, organi- zou e disciplinou o rythmo poderoso desta época essen- cialmente dynamica.

Voando sobre Paris, no dia memorável da sua victoriosa experiência, Santos Dumont iniciou o novo cyclo de vida humana que teve como iun- damento básico a velocidade

A França, num commovido preito ao seu gênio, perpetuou no bronze imperecivel esse

triumpho, mas o. Brasil tem- se conservado indifferènte á gloria do seu grande filho.

Santos Dumont não rece- beu, ainda, no Brasil, — pre- cisamente o povo mais gene- roso da terra — a consagra- ção a que òs seus altíssimos me- recimentos e o fulgor dò seu nome, fazem jús.

No entanto, cada epopéa de aviação lembra a necessidade desse grande e commovido gesto collectivo, a urgência do resgate dessa divida que a na- ção contrahiú com o criador da aeronáutica, poi qúe em cada aza de avião cortando os espaços, em cada palpitação de motor fulge cada vez mais luminosa. a sua J glória.

E mal o sol caminha para o oceaso, tangido pelas inevi- taveis contingências humanas, para a illuminação maior da posteridade, surge um sol no- vo na figura de Julio Moura, o joven operário pernambu- cano, conquistando para o Brasil a grande descoberta do século: a captação da energia electrica da atmosphera.

O paiz que menos se com- move no culto dos seus gran- des homens forneceu ao pro- gresso humano* e á obra supe- rior da civilização os seus mais poderosos factores.

E' um singular. destino esse que pesa sobre o Brasil, con- tra o qual devemos reagir envergonhados.

Tanto o sol que se põe, co- mo o sol que nasce, esperam do povo e do gr verno brasilei- ros a consagração c o amparo que merecem.

COINCIDÊNCIA CURIOSA JMas curioso ainda e este no- vo regimen começar pelo erro tambem inicial dò sr. Was- hington Luis: a negação: da amnistia ao vencido.

Diz o ministro aos íntimos, que essa amnistia é impedida pelos tenentes. Não pôde ser verdade. Se os tenentes já o amnistia ram, amnistia ram Arthur Bernardes e Epitacio Pessoa, amnistiaram Góes Monteiro e muitos outros, sem falar na amnistia branca que em plena syndicancia o ex- tenente João Alberto deu em São Paulo a Altino Arantes e acabou estendendo a Sylvio de Campos e Ataliba Leonel, commandantes de batalhões patrióticos contra os dois cin- co de julho e até contra a Re- volução de Outubro.

Valha nesse momento a li- ção de Miguel Costa, dada a esse revolucionário postiço da pasta da Justiça, quando elle depreca a amnistia ao poder federal para os bravos solda- dos' paulistas dá "tecentíssima rebellião por elíe.suffocada na jKUh^ei\brl^dfe,-|çt-;í€randn:

Estado-irmão,v:.~ li :*.:"*¦ -tt

• Em conclusão, leitor, a, amnistia, que é o único reme- dio para esta onda de agita- ção que Nilo Peçanha definiu como um estado de alma na- cional, mais uma vez, vem sustentar o brocardo de Mae- terlink, de qué só o amor constroe e que foi o Inspirador de Julio de Castilho, ao acei- tar de accordo com a philoso- phia positiva, segundo o amor por principio, amnistia de 95.

Mas, afinal, leitor amigo, os mortos vão ser celebrados num feriado de mentira, pois que cae hum domingo? Ou seriam festejados no banquete desse dia com que o governo inten- ciónou realizar, o que um cor- religionario de Oswaldo Ara- nha calumniosamente attri- buiu aos heróes de julho no famoso livro, "Jantando um defunto"?

Felizmente, o governo cru- zou o seu talher sobre o tu- mulo dos heróes, antes de praticar essa profanação he- dionda.

Louvado seja nosso Senhor Jesus Christo por esse mila- gre de bom senso.

— Publicado nestes termos, graças á magnimidade do Santo Officio, que permittiu ao autor usar do seu direito de pensar, como de uma gra- ça dos altos poderes tempo- raes e espirituaes da Revolu- ção de outubro...

A revolução em Honduras

Informa-se que foram destroçados os últimos rebeldes de Ferrara NOVA ORLEANS, 19 (U.

p.) — O Consulado de Hon- duras publicou uma mensa- gem do governo de Tegucigal- pa, informando que os últimos remanescentes do exercito re- belde de Ferrara acabam dé ser destroçados depois de uma luta renhida de cerca de 15 horas.

Calcula-se em mais de uma centena o numero de mortos na peleja.

TEGUCIGALPA, 19 (U. P.)

—• A batalha iniciada hontem, pela manhã, entre as tropas federaes e os rebeldes ainda continua, havendo numerosas baixas, segundo as noticias fornecidas pelo governo. Fo- ram enviados a toda pressa reforços para os federaes. Es- tes, que estão commandados pelo general Luis Mejia Mo- reno, atacaram as forças do general Gregorio Ferrera, perto de Santa Cruz. Nesse Ínterim, o coronel Almenda- res atacava os rebeldes em Jaral.

O governo noticia que os rebeldes estão recuando, mas a luta durou toda a noite.

senta dias passados, concor ria para a desvalorização do mil réis, — voltam os derro- tistas a trabalhar no sentido de impedir a alta da moeda, por todos os meios e modos."

Effectivamente, vê-se, com a mais absoluta clareza, que intuitos oceultos existem ná divulgação de noticias impro- cedentes ou na propagação de boatos absurdos.

Ha quinze dias passados a praça inteira esteve alarmada.

Dizia-se, nos meios bancários, que o sr. Whitaker se demit- tira e que, em São Paulo, es- talara a revolução.

Não houve a menor dif f ieul- dade em se verificar a impro^

cedencia de taes rumores;

seus effeitos, porém, se fize- ram sentir e o cambio, de 3 11116 baixou a 3 1|2 em pou- co mals de 1 hora.

Restabelecido o equilíbrio, na semana seguinte, voltou o cambio a subir vertiginosa- mente, sob a influencia de fa- ctores de. ordem objectiva e subjectiva —* aquelles repre- sentados -pela alta sensível dd café. eLa ehtrada,de. banquei-

¦ros- pfò ""exterior,, rendendo, jio mercado, =- e, estes' ultimb3, pelas auspiciosas declarações do sr. Oswaldo Aranha á im- prensa, como o fizemos assi- gnalar em dois seguidos edito-

TÍ3.GS

A verdade, todavia, éque o cambio, no momento, não de- ve cair, porque, para isso, não existem razões positivas.

Hontem quando, logo após a abertura, caia o mercado de 3 11116 para 3 5|8, procura- mos falar ao director da Car- teira Cambial do Banco do Brasil, sobre o assumpto.

De inicio, o sr. Corrêa e Castro, que não perde nunca sua habitual serenidade, foi nos tranqüilizando com o seu optimismo e a sua absoluta confiança na reacção do mil réis.

Diz-nos o illustre banquei- ro: "Não vejo motivo para baixa do cambio, neste mo- mento. O governo federal, co- mo os de São Paulo e do Rio Grande do Sul, não precisam de comprar uma única libra.

"São Paulo, que acaba de conseguir de seus banqueiros tudo quanto pleiteou, tem saldo, igualmente, em sua conta de empréstimo de café

— empréstimo que tem seus coupons cobertos pela cobran- ça de impostos em ouro". "O senhor sabe, perfeita- mente, que a importação esta reduzidíssima e, se não temos compromissos officiaes a exi- gir coberturas immediatas, claro está que a exportação, por sl só, offerece grande

"superávit" em computo com as outras necessidades".

Mas, sr. Corraê e Castro, a falada greve dos exportadores

não poderia prejudicar o mer- cado?

— "Engano, em principio.

Não houve, nem poderia haver greve dos exportadores; todos elles, possuindo capacidade financeira para cumprir seus contractos com o exterior, cumpril-os-ão, certamente.

"Além disso, segundo soube, apenas duas casas fizeram ameaça de greve, — coisa que não pôde ser nem ao menos motivo de mera hypothese pa- ra quem conheça obrigações commerciaes.

"O memorial do Centro do Commercio de Café, todavia,

•:'uÊm\ §1}§r1 SskSSSwÍ.v v

Sr. Corrêa e Castro I

0 intercâmbio de credores eo controle dosreprolu-

ctores do Uruguay

MONTEVIDÉO, 19 (U. P.) — O Conselho de Administração approvou o projecto do Mi- nistério de Industrias acerca do intercâmbio de criadores e controle de reproduetores, reservando ao Conselho regu- lar a entrada de ovinos e por- cinos e concedendo para o gado importado as. mesmas facilidades que se outorguem nos paizes de origem ao gado uruguayo.

A importação de gado tam- bem será taxada com impôs- tos equivalentes aos que se appliquem ao gado de origem uruguaya.

Tem-se como certo que o projecto passará no Parla- mento, onde existe uma íorte corrente de opinião favorável iá sua approvação.

está em mãos do sr. ministro da Fazenda e é fora de duvi- das que s. ex. lhe dará t&*

lução equitativa".

"Note que os exportadore»

de Santos não fazem, a res- peito, objecção de espécie al- guma e não será agora, quan- do a situação economico-íi- nanceira do paiz melhora *%

olhos vistos, que o cambio ve- nha a cair — depois de ter se tornado positivo que é muito acima dos 4 d. o nosso Índice real neste momento".

De maneira que, a _ seu ver, a reacção não se fará de- morar muito, interpellámos.

Sem duvida alguma, vol- taremos a subir, no nosso in- dice de valor acquisitivo in- ternacional.

"Resolvida, sem maior de- mora, a questão em que se empenham alguns exportado- res, o café continuará a al- cançar melhores preços em Nova York, onde, diminuídos, como estão sendo, dia a dia, os stocks actuaes, grandes com- pras terão de ser feitas im- mediatamente".

NO CENTRO DO CAFÉ' Depois de ouvir ao sr. Cor- rêa e Castro, falámos a vários exportadores. Todos elles, sem discrepancias, nos assegura- ram que não pensam, absolu- tamente, em fazer greves, acatando a decisão do sr.

Whitaker qualquer que ella seja, e cumprindo, no devido tempo, seus contractos de ca- fé para o exterior.

liãiElÍFÊDÊiT

DE CAMPOS

t.

Vae reunir-se extraordi- nariamente a Associa-

ção Commercial CAMPOS, 19 — (DIÁRIO DE NOTICIAS) — A requerimen- to de diversos associados, re- unir-se-á, no sabbado, em ses- são extraordinária, a Associa- ção Commercial, para dirigir um appello ao governo fje- deral, no sentido de ser recon- siderado c acto que exonerou o sr. Miguel Perlingeiro Netto do cargo de collector federal.

Correm boatos de que o sr.

Achilles Salles, presidente da mesma Associação, será pro- vavelmente o novo collector, Parecfi que o caso apaixonará os amigos de ambos os cavn.*

lheiros, criando nrn motivo de

agitação em Campos.

(2)

DIÁRIO DE NOTICIAS Sabbado, 20 rie Junho de 1931

§^^mfiymw:A]s^A

DIREÇTORES

Nobreza da Cunha, Figueiredo Pimentel e O. R. Dantas Propriedade da S. A. DIÁRIO DE NOTICIAS — O. R. Dantas, pres.;

Manoel Magalhães Machado, thes.;

Aurélio Silva, secretario ASSIGNATURAS Brasil e Portugal

Anno ... 55$000 | Trimestre 15**00u Semestre SOÇOOO | Mez 5$000 Paizes signatários da Convenção

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As assignaturas começam em qualquer dia

A direcção do DIÁRIO DE NO- TICIAS não é responsável pelas opiniões expendidas em artigos

assignados

culdadés actuaes, nSo $ obtido a menos de 3S0O0 o kilo.

Ora, o auxilio, nessas condições, 6 feito normalmente pelas casas estrangeiras existentes na capltal do Amazonas.

Em resumo, o delegado amazo- nense nao conseguiu o auxilio de 3.600 contos, correspondente a 80 % sobre uma producção de 3.000 toneladas de borracha, ao preço de 3S000, conforme suggerla o memorial do interventor.

Será por que se trate do go- verjjo de um poeta, sem. creden- ciaes de financista?

Entretanto, esse Interventor con- tinúa a merecer % confiança do sr. Getulio Vargas, que n&o deve negligenciar sobre o problema amozsnense agora, • para não sor impelUdo a enírental-o, quando elle ee mostro ainda mala aggra- vado.

POLÍTICA

Tolephones: — Direcção, 4-4803;

Redacção, 4-4804: Administração, 4-4802 (Rede de ligaeõe3 internas) Endereços telegraphicòs: Reda- cção: "NOTICIOSO". Administra- râo: "MATUTINO".

São nossos viajantes: no Esta- do de Minas, o sr. Victor Mallet Hamelin; e no Estado do Espiri- to Santo, o sr. Carlo3 Rolim.

AOS NOSSOS AGENTES DE VENDA AVULSA NO INTERIOR . .. Solicitamos a todos aquelles que

ce acham em debito para com este jornal, o immediato pagamento de nossas contas, evitando, assim, a suspensão Üe futuras remessas.

O GOVERNO E OS INTER- VENTORES

poder discricionário, para garantia do próprio successo, devia ser unipessoal e tran- sitorlo. Presuppõe-se que

•ama. autoridade em superposição á lei assume responsabilidades culminantes, durante um período que llic cumpre abreviar, em be- neficlo tanto da sua segurança, como da sinceridade de suas In- tenoões.

A delegação desse poder sô de- veria ser feita em circumstancias muito especiaes, inelutaveie, ca- bendo ao clieíe do governo nacio- nal, como detentor da faculdade discricionária, a obrigação de to- mar conhecimento detalhado e duuumontnl de todos os actos e iniciativas de seus prepostúõ regicuiae**'.

Sob o governo constitucional c, portanto, na vigência do conceito do autonomia dos Estados, ob respectivos dirigentes têm um po- dei*, ou ficção de poder legal, t»

que devem dar. contas de seus actes.

A Bevplução dissolveu os cor- pos legislativos, sem designar, nos Estados, os poderes a que os agen- tes do executivo devessem prestar contas. Assim procedendo, o Oo**

verno Provisório reconheceu que ag interventores federaes só deve- rewr» prestar contas de seus actos ao chefe do mesmo Governo, quer directamente, quer por lntcrmc**

dio do ministro da Justiça. ¦ Verifica-se, entretanto, que os interventores são muitos, reall-

•aando uma obra complexa, á3 vo-

¦/.es, desordenada e tumultuaria, para cujo controle não sobra tempo ao chefe do Governo Provisório e ao ministro do Interior.

Desistindo de decretar um coi po de instrucções especiaes para os interventores, conforme se vem propalando, o sr. Getulio Vargas não deverá, entretanto, prescindir de um systema de fiscalização elflclento da dynamica adminis-, trativa dos seus prepostos nos Es- tados.

Não bastam as informações es- pontanens ou solicitada;, que os interventores prestam de seua actos, em determinadas circum- stancias.

Em nomo das suas altas respon*

sabilldades, o chefe do Governo Provisório poderá recommèndar aos interventores a remessa--men*

sal dos actos que asslgnaram' e das principaes iniciativas toma • das, afim de que sejam submet- tidos ao exame e approvação do poder qtie, em ultima analyse, respondo perante a naç&o por to- das as oceurrencias do periodo estra-constltuclonal.

0 CONFLICTO DIPLOMÁTICO ENTRE Q FASCIO E 0

VATICANO

ROMA, 19 — (U. P.) — O Osservatore Romano" publica hoje um communicado offi- ciai, dizendo que a Itália ain- da não respondeu a nota do Vaticano do dia 13 do corren- te. Portanto, as duas partes ainda não chegaram a um accôrdo definitivo sobre as questões pendentes.

O communicado adeanta que nem mesmo as negociações para a conclusão desse accor- do íoram ainda iniciadas.

DEPENDE DOS BISPOS A SUSPENSÃO DAS PROCIS-

SÕES RELIGIOSAS CIDADE DO VATICANO, 19

(IT. P.) — O cardeal Pa- celli enviou uma circular a to- dos bs bispos da Itália, dei- xando á sua inteira discreção suspender ou manter a pro- hibição relativa ás procissões religiosas.

O EMBAIXADOR DEVECCHI CONFERENCIOU COM O

CARDEAL PACELLI CIDADE DO VATICANO, 19

(U. P.) — O embaixador Devecchi estava entre os di- plomatas que conferenciaram esta manhã com o cardeal Pa- celli, secretario de Estado do Vaticano, sobre a questão com o governo italiano, verificando que as relações entre as duas partes são absolutamente nor-

maes. -*

VAO SER APURADAS AS AC- CUSAÇÕES FEITAS A' "AZIO-

NE CATTOLICA"

ROMA, 19 — (U. PY) - :—

Acredita-se que será noraéada uma commissão mixta para apurar as aceusações feitas á

"Azione Cattolica". de estar desenvolvendo actividade po- litica. A referida commissão tentará igualmente dar uma interpretação definitiva ào ar- tigo 43 da concordata entre o governo italiano e o Vaticano.

Nesse ínterim, as negociações vão proseguindo pelos canaes competentes.

UMA DAS ACCUSAÇÕES FEI- TAS PELO GOVERNO CON-

TRA O VATICANO . ROMA, 19 — (U. P*) — Soube-se nos circulos officiaes que entre as aceusações feitas pelo governo contra o Vati- cano, em sua nota do dia no- ve de junho, estava a de que a Santa Sé tinha desprezado a pratica diplomática, appellan- do para a sympathia mundial numa questão que só interes- sava as duas partes, como tambem tinha violado o di- reito de extraterritorialidade, permittindo que a "Azione Cattolica" organizasse reu- niões no Palácio do Vatica- no. Mais tarde era corrente de que as negociações officiaes já haviam attingido prática- mente ao áccorda. .Aguarda- vam solução apenas o f acto de ter a Itália que deplorar offi- cialmente os insultos feitos ao Santo Padre e tambem do go- verno demonstrar o desejo de corrigir a impressão deixada pela questão.

mi i ma m —

O APPELLO DO AMAZONAS

EI

difficil considerar nos seus devidos termos uma situa^

çao econômica que Já era desesperadora antes da Revo- lução. Dentro de um semestre, caíram as mascaras com que, a custa de artificos extraordinários, vinham diversos Estados apparen- tando boas disposições.

A crise do Amazonas não co- nhece disfarce ha muito tempo e assume, na actualidade, as pro- porções de uma tragédia collectlva, envolvendo o commercio, as in dustrias e administração publica, Depois de um clamor quasi in- cessante, a interventoria despa*

cha o chefe de policia do Estado, num avião, trazendo um appello ao sr. Getulio Vargas.

O emissário foi encaminhado ao ministro da Fazenda.

Apathlco, esphingetico, o senhor Whitaker, que, aliás, deve ter preoecupações absorventes, nao attribuiu ao clamor amazonense a significação lnilludlvel que elle tem.

Talvez não fosse o chefe de po licia o melhor emissário para uma iniciativa de caracter • íinan-

leiro...

O ministro da Fazenda resol- 'eu apenas attender ao pedido de auxilio para extracçao da presente safra de borracha, autorizando o Banco do Brasil a adeantar 80 % sobre o preço do produeto ás ca- sas commerciaes, mediante certi- ficado de armazenagem fiscalizado pelo mesmo Banco. Esse adeanta- mento, que seria feito com a ga- rantia do Thesouro Nacional, não resolve o problema, por ser feito sebre o preço de 1S200, quando, raguiido o emissário, sr. Francisco . Tavora, o produeto, com as dlííi-

A LUTA ELEITORAL NA HESPANHA

Grande conflicto èm Ovièdo

OVIEDO, 20 (U. P.) — A primeira grande desordem, em conseqüência da campanha eleitoral, registrou-se hoje, aqui, saindo tres pessoas gra- vemente feridas e muitas ou- trás ligeiramente contundidas.

A policia viu-se obrigada a fa- zer fogo contra centenas de socialistas e radicaes-socialis- tas, depois dos últimos have- rem interrompido uma reunião de, partidários de Don Mel- quíades Alvares. A scena oc- correu quando um grupo com- posto de exaltados entrou no Theatro Campoamor, armado de bengalas e, antes que o chefe liberal-socialista falas- se, começaram a desordem, da qual resultou ficarem ligeira- mente feridas centenas de as- sistentes. Depois numerosos jovens socialistas radicaes en- traram a aggredir os que saiam do theatro, forçando a inter- venção da policia e da guar- da-civil. Dom Melquiades Al- vares conseguiu escapar por uma das cortas. A policia e a guarda-civil passaram a pa- trulhar a cidade e a situação mostra-se tensa. Os partida- rios radicaes mais tarde assai- taram a sede do Club Refor- mista, lançando à rua tres peças do mobiliário;, .::-...

O CASO DO RIO GRANDE DO NORTE

O correspondente da ^ Agencia Brasileira, em João Pessoa, acaba de enviar para esta capital o sc- guinte despacho:

JOAO PESSOA, 10 (A. B,.) — A bordo do "Almirante Jaceguay"

chegou hontem o sr. Café Filho, que foi recebido no porto de Ca- bedello pelo sr. Odon Bezerra, se- cretario do Interior, que responde interinamente pelo expediente da Interventoria, o prefeito Borja Pe- regrino, auxiliares da administra- .ção estadual e outras pessoas.

A convite do prefeito Borja Pe- regrino, o sr. Cafó Filho interrom- peu aqui a sua viagem, aguardan- do a chegada doB tenentes Ernesto Geisel e Paulo Cordeiro, que aca- bam de deixar os cargos de secre- tario geral do Estado e comman- dante do RegiiAento Policial do Rio Grande, do Norte.

Aqui tem corrido com insisten- cia «. noticia de que o tenente Aloysio Moura recebera o "bilho?

te azul" para deixar o cargo de Interventor Federal no Rio Gran- de do Norte.

Os tenentes Ernesto Geisel è Paulo Cordeiro são aqui espera- dos hoje. Já sa annuncia para amanhã um grande banquete que os revolucionários parahybanos of- forecem a ambos e ao sr. Café.-ift- lho, no Club dos Diários".

O DIÁRIO DE NOTICIAS já dl- vulgou largamente a existência de uma conspiração feita por elemen- tos situacionistas do Rio Grande do Norte contra o interventor Aloy- sio Monra. Durante vários mezes, esse tenente supportou as maiores humilhações, insurgindo-se afinal contra o grupo de auxiliares que concertavam o seu desprestigio e a sua demissão do cargo que ainda oecupa. E forçou-os a nma deban- dada, em massa, das posições de confiança em que os mesmos se mantinham.

Os principaes conspiradores eram o tenente Ernesto Geisel, que co- bicava a interventoria daquelle Estado, para o qúe espalhava por toda a parte não possuir o tenente Moura "espirito revolucionário" — e o sr. Café Filho, cujos máos pre- ce.dentes ninguém no Nordeste ignora, quer na actividade privada quer como politico.

Concertado o plano, architectado pelo sr. Café Filho, de accôrdo eom o tenente Geisel, ambos partiram para Natal. Iam colher o fruto am- bicionado.

Mas, em politica, nem sempre as coisas acontecem segundo as pre- visões feitas.

Dahi, ter o sr. Café Filho inter- rompido a sua viagem em Cabedel- lo, onde foi recebido em pessoa pc- lo sub-interventor parahybano, o sr. Odon Bezerra e pelo prefeito Borja Peregrino.

Ninguém no Brasil desconhece os factos desenrolados no Rio Grando do Norte, ao tempo do consulado do sr. Joffily, depois do qual, qua- si se tornaram inimigos parahyba- nos e norte-rio-grandenses. Entre estes ultimos, ha mesmo a convi- cção generalizada de que a Para- hyba quer humilhar o seu Estado e conquistal-o politicamente.

Será isso verdado 1 O governo central, a qnem cabe a tarefa de zelar pela harmonia da familia brasileira, deve liquidar definiti- vãmente o caso, para a boa solu- ção do qual o major Juarez Tavo- ra só pôde ter o maior interesse.

E os responsáveis pela politica parahybana precisam tambem acal- mar os pruridos intervencionistas dos jovens que estão fe.tejando o sr. Cafó Filho e annunciando, com uma pressa facciosa, que o sr.

Aloysio Moura recebeu" um "bilhe- te azul". Do contrario, ha, mesmo razão para que os río-grandenses do norte, affirmem, como agora o fazem, que o seu Estado continua cobiçado pelos que, com tanta ra- pidez e ligeireza, esqueceram o grande exemplo de João Pessoa, sa- crificando-ge ató a morte, em de- fesa da honra e da dignidade de sua terra.

NOVAS NOMEAÇÕES

NATAL, 10 (A. B.) — Por actos do interventor federal Aloysio Moura foram assim preenchidos os cargOB que pe achavam vagos por exoneração dos respectivos titula- res:

Para prefeito 'da

capital, enge- nheiro Gentil Ferreira de Souza;

para director do Hospicio de Alie- nados, o dr. Manoel Victorino de Mello.

Foram demittidos os srs. Arthur Dismard Mangabeira, Francisco Solon Sobrinho e Pedro Costa' dos Anjos, prefeitos, respectivamente, dos municipios de S. Thomé, Areia Branca e Pedro Velho, os quaes fo ram substituídos pelos srs. João Gonçalves de Andrade Filho, Jorge Caminha Ferreira e Manoel Gade- lha de Freitas.

NATAL, 19 (A. B.) — Solicitou e obteve exoneração o sr. Miguel Seabra Fagundes, official do gabi- nete do interventor federal Aloysio.

Moura.

Solicitaram tambem demissão dos respectivos cargos os srs. Ma- noel Macedo Filho e padre Luiz Wanderley, respectivamente pre- feitos de SanfAnna do Matto e Jardim do Seridó. Foram elles sub- stituidos pelos tenentes Abilio de Campos e Antônio de Castro Be- zerra.

O momento internacional

Intercâmbio espiritual com o Uruguay

Foi publicado o decreto que estabelece os meios ãe se effectivar o intercâmbio intellectual. entre o Uruguay e o Brasil, que se criou em virtude ãa convenção complementar áo trataão, sobre a áivíãa áa Republica Oriental ao Brasil.

Como se sabe, uma parte dessa âiviãa foi empregaãa na construcção ãa ponte âe Mauá e a outra, constituiu um fun- ão para manter o intercâmbio i7itellectual, com a visita re- ciproca perioãica ãe professores e alumnos áe ambos os pai- ses. O âecreto brasileiro, como o uruguayo, anterior ao 7ios- so, ãetermina o meio ãe serem organisados os cursos.

Não é demais insistir na importância fundamental des- sa solução entre os dois paises, qúe permittir liqudar a velha questão da divida. Esta, como se sabe, originou-se âe uma serie áe empréstimos que o Império fés ao Uruguay, para consoliãar a sua ináepenãencia e livrar-se ãas guerras in- ternas que ameaçavam a integridade ão pais vizinho, ãa qual o Império era garantiãora, na forma áo trataão. ãe pas âe vinte e oito âe agosto âe mil oitocentos e vinte e nove. Con- vertenâo-se a importância áessa âiviãa em obras de interesse reciproco, o Brasil deu á America- e ao mundo um alto teste- munho âe nobreza e desinteresse. Ef necessário não esquecer que o Império tirou ãinheiro, que poâeria ter sião empregaão no progresso nacional, para subvencionar uma nobre cam- panha, no pais visinho, solicitado, com instância extraordi- naria, pelo ministro Lamas, cuja missão no Brasil foi uma pagina ãe heroísmo e abnegação.

Esse esforço, os homens futuros de ambos os paises com- prehenãeram bem. E' certo que já se ãisse que o Brasil per- áôou o ãinheiro qúe utilizara para firmar, a sua influencia imperialista no Prata, mas os documentos, que possue. o Ita- maraty, âesmentem claramente a asserção e mostra,, inte- gralmente, toda a lisura, áa politica imperial, nesse parti- cular.

Que sirva esse intercâmbio para. uma obra leal de ap~

proxímação espiritual entre os dois paises, afim de permittir que, no Uruguay, se faça mtíis justiça ao Brasil e á sua poli- tica no passado.

Nenhum curso se faria mais necessário áo que um ãa historia do Brasil no Prata, afim ãe terminar ãe vez com as infundadas e absurdas affirmativas ãe imperialismo, quan- ão a nossa posição foi sempre âe conciliação e de policia- mento. Fomos guardas da democracia na America do Sul.

ALGODÃO

SERA A MAIOR DESCOBERTA DO MUNDO?

Foi um fracasso a experiência de Joiio Moura oo Palacio m Governo

O joven inventor se propõe a fazer novas de- monstrações e está convencido da effi-

ciência do seu invento

Interrompidas as communi- cações entre o sul de Por-

tugal e a Hespanha

LISBOA, 19 (U. P.) —* O jornal

"Diário de Noticias" noticia que foram interrompidas as communi- cações através da fronteira sul de Portugal com a Hespanha, devido ao facto do capitão do porto da localidade de Ayamonte ter prohi- bido ás embarcações portuguezas o transporte de passageiros para Villa Real.

?-*>-»

0 novo gainete austríaco

VIENNA, 20 (U. P.) — O novo gabinete organizado pelo imúnse- nhor Seipel teve a seguinte dis- tribuição: «Presidência, Seipel; Ex- teriores, Schober; Interior, Win- yler: Finanças, Eeinboeck; Guer- ra, Kamgoin Commercio, Heindl

DR. LUIZ SODRÉ

Intestinos, Recto é Ânus.

Assembléa, 83. Bio. T. 2-0698.

RECIFE, 19 (A. B.) — Hoje, ás 15 horas e meia, no segun- do andar do Palacio do Go- verno, Julio Moura deu inicio a uma experiência do seu in- vento destinado a captar a electricidade atmospherica.

Achavam-se presentes á ex- periencia o interventor federal Carlos de Lima Cavalcanti e os technicos convidados pelo governo, srs. Oscar Moreira Pinto, Augusto Joaquim Pe- reira e Otto Sihler, além de outras pessoas. .

Duas vezes consecutivas Ju- lio Moura teria conseguido ac- cehder as lâmpadas existentes no local da experiência.

Foi então levantada a obje- cção de que o apparelho de Julio Moura captava energia da própria installação do pa- lacio. Tratar-se-ia nesse caso de inducção.

Julio Moura dispoz-se a fa- zer nova experiência, sendo previamente desligada a in- stallação do palacio.

Isso feito, seguiu-se um pe- riodo de completa escuridão.

De súbito allegou Julio Moura que acabava de receber um grande choque. Nesta oceasião manobrava elle o seu appare lho, tentando produzir luz no- vãmente. Que teria aconteci- do? O inventor ainda a quei- xar do choque que teria rece- bido, lastimava o apparelho que se teria desmantellado...

A attitude dos technicos de- notava evidentemente a duvi- da de que o invento fosse o que se tem pretendido desde o dia em que foi propalado como cousa maravilhosa.

Emquanto isso, Julio Moura exprimia a sua penae decla- rava tomar o compromisso de repetir a experiência em ou- tro dia.

Os technicos lavraram uma acta, dando o invento de Ju- lio Moura como um embuste.

UM INCIDENTE RECIFE, 19 (A. B.) — De- pois de. conhecido o insueces- so da experiência de Julio Moura, effeetuada no Palacio do Governo em presença do interventor Lima Cavalcanti e de uma commissão de techni- cos, verificou-se um incidente na rua do Imperador, provo- cado pelo facto.

Acontecia que o radiotele- graphista Pinto havia, ante- hontem, pela imprensa e pelo Radio Club, ridicularizado a supposta invenção de Julio, e mesmo, pouco antes da expe- riencia de hoje, havú. discuti- do com o operário inventor.

Conhecido o fracasso da ex- periencia do Palacio, muitas pessoas tentaram desacatar Pinto no interior do estabele- cimento do sr. Augusto Pe- reira, á rua do Imperador. As portas da casa foram cerradas é houve necessidade de pedir o auxilio da cavallaria de Po- licia.

O desastre da experiência de Julio Moura está suscitan- do opiniões divergentes. Mui- tas pessoas, confiadas no fa- lado invento, acreditam que o accidente foi inteiramente fortuito e que nada ainda permitte duvidar da realida- de da realização annunciada.

Essas mesmas pessoas, que formam forte corrente da opi- nião, pensam que o parecer

o processo de captação da ele- ctricidade affirmado por Ju- lio, foi dado com espirito par- ciai e sem detido exame.

JULIO MOURA ACCLAMADO RECIFE, 19 (A. B.) — Se- gundo o "Jornal Pequeno", a

O Serviço Federal do Algo- dão acaba de publicar a sua segunda estimativa da safra do produeto, relativa ao anno agricola corrente. Por mais de uma vez, temos iíivocado a attenção dos poderes públicos para a singularidade resul- tante do facto de dispormos da"*

maior área aproveitável á la- voura em apreço, sem que o Brasil haja conquistado, como mercado suppridor do consu- mo internacional, a posição que os seus recursos naturaes possibilitam*

Ainda ahi, o mal procede sempre de uma causa unifor- me: a falta de- critério te- chnico. Na passada adminis- tração, foi objecto de provi- dencias suecessivas a organi- zação de um systema de cias- sificação commercial do algo- dão, simultânea á continui- dade na execução de um pia- no de dif fusão da lavoura.

Sem duvida alguma, alguma coisa foi conseguida. O Ser- viço Federal do Algodão pôde ver-se constituido num nu- cleo de technicos pr oecupa- dos còm a solução desse pro- blema no nosso paiz, visto sob o seu duplo prisma, isto é, da superioridade do produeto e do augmento da quantidade produzida. Todavia, ninguém desconhece que a politica de quando em quando procurava perturbar tudo. Citam-se os casos em que os serviços de classificação do artigo eram confiados a leigos, apesar de existirem technicos especial!- zados mediante tirocinio fei- to nas próprias escolas offi- ciaes.

Essas considerações nos são suggeridas a propósito dos dados que ora .vêm á publioi- dade, demonstrativos do vo- lume da safra esperada no anno agricola vigente. As es- timativas levantadas sobre o assumpto a d mi t tém como provável uma colheita ex- pressa em cifra superior a cem mil toneladas.

Resta-nos saber se esse ai- godão será produzido em con- dições commerciaes conve- nientes, se a sua qualidade, o seu beneficiamento, a sua classificação facilitam o seu consumo pelos mercados ma- nufactureiros do exterior. E' certo que as nossas industrias já absorvem das safras de ai- godão quantidade muito sen-

Um punhado de erros

RUBENS DO AMARAL (Exclusividade do DIÁRIO DE NOTICIAS e da "Folha da

Manhã", de S. Paulo)

vida do inventor Julio Moura sivel> Não menos certo com deve merecer todo o cuidado! *,,*„, M -i^nn-f» « n-.v.t, e zelo. . Esso jornal informa

que são constantes os telepho nemas para a sua redacção lembrando que é de toda a conveniência cercar de todas as garantias a existência do autor da invenção a que se ligam colossaes interesses.

Uma solução foi achada contra a hypothese de um at- tentado, a qual consiste no deposito da fórmula do inven- to de Julio Moura na caixa forte da filial do Banco do Brasil, devidamente fechada, lacrada e rubricada, com as assignaturas a lacre dos srs.

Moraes Rego, presidente do Club de Engenharia; Eduardo de Moraes e Romeu Medeiros, director do "Jornal Pequeno".

Nesse deposito da fórmula, o joven Julio Moura faz a de- claração de que o seu inven- to pertence ao Brasil, o que revela o seu acendrado pátrio- tismo.

Julio Moura, por seu lado, sorri da supposlção de erro da sua parte, e reaffirma de ma- neira muito convicta que ab- solutamente não se trata de inducção, mas de real e effe- ctiva captação da electrlcida- de atmospherica pelo appare- lho que inventou.

O INTERESSE DO ROTARY CLUB

RECIFE, 19 (A. B.) —Na sua próxima reunião, o Rota- ry Club desta capital tratará do invento de Julio Moura, a cujo respeito fazem-se as mais desencontradas hypo- theses.

O publico mostra-se pro- fundamente interessado pelo caso. Julio Moura é já obje- cto de enorme curiosidade po- pular, sendo inhumeraveis as pessoas que vão durante todo o dia á casa do modesto in- ventor, situada no Campo Ale- gre.

VARIAS PROPOSTAS RECIFE, 19 (A. B.) — Se- gundo informações divulga- das pela imprensa; Julio Mou- ra tem recebido varias pro- postas de compra dos direitos do invento, a despeito de não se terem ainda effectuado as experiências definitivas.

Sabe-se que uma dessas propostas era de mais de mil contos.

¦¦MIM mt mi1)- > —¦¦

GRAÇA ARANHA

As homenagens que se- rão prestadas» amanhã,

á sua memória

Transcorrendo, amanhã, o anni- versario natalicio do saudoso ro- mancista de "Chanaan". a "Fun- dação Graça Aranha" promoverá varias homenagens á memória do seu patrono. Assim, realiza, pela manhã, ás 9 horas, uma romaria ao aeu túmulo, no. cemitério dc São João Baptista c, ás 21 horas, haverá na sala de Conferências da Fundação, no sétimo andar, do edificio d"* A Noite", uma solon-

tudo, se demonstra o ponto de vista de que, se o Brasil en- veredar pelo caminho acon- selhado pelos technicos es- trangeiros, poderá vir a ser, como exportador, um paiz ai- godoeiro de condições taes que facilmente encarará, com to- das as probabilidades de exi»

to, mesmo os concurrentes melhor dotados.

Algumas circumstancias in- teressantes resaltam do qua- dro estatistico ora commen- tado. Assim, uma dellas con- siste em que actualmènte a maior unidade, produetora é a Parahyba do Norte, com um?

colheita de 18 mil toneladas, emquanto a de S. Paulo nâo excede de 16 mil e a do Ceará fica limitada á cifra de 14 mil toneladas.

Já em relação á média do rendimento, por hectare, cabe ao Ceará a primazia, seguin- do-se-lhe o Maranhão e o Pará, convindo mencionar a circumstancia de que, nesse ultimo Listado, a tonelagcm produzida ainda é muito insi- gnificante, ultrapassando ape- nas de 3.500 toneladas. Para se avaliar a amplitude dos re- cursos de que o Brasil é pro- vido a respeito, bastará dizer que a sua área algodoeira comprehende nada menos de quatorze Estados. Quando se considera que no meio delles se encontram as maiores uni- dades federativas, do ponto de vista da extensão territorial, facilmente se aquilata quanto é profunda a verdade de que a nossa producção da alludi- da matéria prima correspon- de a um volume insignifican- tissimo em face do que deve- ria ser, tomado como base proporcional o critério da ex- tensão das terras adaptáveis a uma lavoura provida de tan- tas facilidades no tocante ao largo consumo com que favo- rece a sua exportação.

ni > if< *» ¦—

Escrevemos cato artigo sob o receio de não poder aproveital-o, porque é muito provável que o go- verno do Rio de Janeiro desminta, antes que decorram vinte e qua- tro horas, a noticia de que foram deportados o sr. Octavio Brandão e sua senhora, mediante a aecusa- ção de que professam idéas com- munistas. Pune-se'assim, nos dois batalhadores cariocas, um delicto do opinião, castigando-so nelles, não actos contrários ás nossas leis, mas pensamentos contrários aos nossos governos. E com esta ag- gravante: a pena que se lhes im- põe não só não está prevista em lei, como- está expressamente ve- dada pela lei magna, que náo çon- sente na deportação de cidadãos brasileiros. Trata-se, pois, de uma violência pura e simples, que deve estar clamando anathcmas na côn- sciencia dos próprios li,beraes que a executaram para desmentido do seu liberalismo de rotulo, collado ás suas palavras como chamariz de uma popularidade que dia a dia so torna mais esquiva e arredia.

" *

* *

Na Paraná, fecham-se jornaes, exilam-se jornalistas, massacra-se a imprensa. Porque somos sempre solidários com a nossa classe e por- quo ainda recentemente um colle- ga paranaense concitava os seus conterrâneos a salvar S. Paulo da dictadura que aqui exercia a cen- sura, sentimo-nos com dobrados devores do protestar agora, á nossa vez, contra os desatinos do inter- ventor do vizinho Estado, que abu- sa da sua força para suffocar a li- berdade de pensamento, na gloriosa Corityba do formosas tradições ci- vicas. O Paraná dou á Revolução a chave que lhe abriu as portas da victoria. Por isso mesmo, merece dos triumphadores um tratamento amigo e carinhoso, que consolide o seu amor á Republica nova, não que lhe desperte saudades do velho regime. Do contrario, cultivando o saudosismo como o sr. Washington Luis cultivou o messianismo, — por contra-golpes, — que restará,' dentro em pouco, já não diremos da fé, mas sequer da esperança com quo o Brasil recebeu o acon- tecimento de 24 de outubro ?

*

* •

Infelizmente, não é só no Para- ná que essas violências se prati- cam contra a imprensa. Em S. Pau- lo mesmo, se gozamos de relativa liberdade e se o "Diário Nacional"

o "A Platéa" voltaram a circular, no interior as coisas se passam differentemente. Em.-.Ribeirão Pre- to, o "Diário do Oeste" se viu compellido a mudar de direcção, porquo a policia, praticando uma censura injustificável pcla sua orientação e pela sua mesquinhez, demonstrou achar-se possuida de

antipathico "parti-pris" contra um jornalista que nenhuma razão dera para essa perseguição. Em Bauru, foi suspenso ha varias semanas a suspenso continua o "Jornal ds, Manhã'', que commettera esta fal- ta gravissima: noticiara a aggres- são de que fora victima. o seu di- rector, por parte do superinten- dente da E. de F. Noroeste, cujos desmandos commentara. Parece que se devia ter aberto uma sya- dicancia para apurar as responsa- hilidades do funecionario aceusado, em seu beneficio mesmo, se elle é innocente. Mas, ao contrario, fe- chou-se a boca que proclamava tal- vez calumnias, talvez verdades..,

O coronel João Alberto conquis- tou o respeito e as sympathias do Bauru pela superioridade com que resolveu o caso da Prefeitura local, que confiou a um homem e a um partido que reiteradamente affir- maram a sua fé democrática, as- sim comprovando que deseja con- fiar o governo dos municipios aos melhores elementos possíveis, sem preoecupações partidárias. O fe- chamento do "Jornal da Manhã", porém, fel-o perder grande parto do terreno que ganhara com esso gesto elegante e. hábil. Os bau- ruenses sentem que, se, de um lado, gozam agora de garantias que dan- tes o governo estadual não lhes as- segurava, de outro lado estão sob a ameaça de uma dictadura que nâo poupa a imprensa local, hoje, o que amanhã poderá da mesma maneira ferir outros direitos igual.

mente tão sagrados como o de opi- nião.' E, como não se sabe quem será a nova victima, ninguém está nem pôde estar tranquillo. O dia da amanhã 6 sempre uma inter- rogação.

A deportaçãão do sr, Octavio Brandão, que sob o sr. Washington Luis pôde eleger-se intendente polo1 Partido Communista; o ter- ror com que se suffoca a imprensa paranaense; o fechamento de jor- naes em cidades do interior pau- lista, — eis ahi, «ntre muitos, tres factos que explicam as reservas com, que o povo brasileiro ainda so conserva em espectativa deante da Revolução, a ver se valeu ou nno valeu a pena passar pelo choquo de 24 de outubro. No antigo rc- gime, centenas de vezes me por- mitti reclamar dos dominadores du então sua attenção para os erros que haviam de perdel-os. Hoje, cumpro o mesmo dever, no deBejo de cooperar para que tenhamos paz e tranquillidade, condições necus- sarias do trabalho e prosperidade de S. Paulo e do Brasil. Quando bradarão os governantes: "Nós queremos... acertar" ?

O maior avião sob o ceu mais lindo do mundo

Justamente na data natalicia de Santos Dumont, o

"DO-X" chegará ao Rio de Janeiro

O formidável aeroplano deverá estar evoluindo sobre a cidade, ás 13 horas

nidade, na qual falará sobre o

da commissão technica, que Urand** (ycriptor, o sr. Teixeira qualificou como um embuste' so.arcs.

A EXCURSÃO 00 VASCO DA CAMA

O sr. Raul Campos sau- da a imprensa

portugueza

LISBOA, 20, (U. P.) — O sr.

Raul Campos, presidente do C. R. Vasco da Gama, do Rio de Janelio, actualmènte em viagem para esta capital, a bordo do vapor ingle? "Arlan- za'', juntamente com os joga- dores brasileiros que formam o team de football dessa agre- miação sportiva, enviou um radiõ-telegramma aos jornaes de Lisboa, no qual felicita a nação portugueza. Annuncia tambem que toda a comitiva deverá desembarcar a uma nora da tarde dê hoje, segun*

do depois pata Madrid, de onde voltará ein tempo de to- mar parte nas partidas an- nunciadas, nesta capital, pa- ra os dias 5 e 1*2 de julho pro-

"¦cimo.

Hoje, emfim; o "Do-X" sin- grará os ares cariocas. Tendo pernoitado em Cabo Frio, elle equi vae chegar ás 14 horag, proporcionando-nos o especta- culo grandioso das suas evo- luçôes. E Vae chegar precisa- mente no dia dos annos de Santos Dumont. O acaso quiz que a Allemanha nova pre- stasse niáis essa homenagem ao "Pae da Aviação". E ella a presta condignamente. com a visita ao Brasil da grande aeronave, a expressão máxima do invento maravilhoso do nosso patrício.

E', pois, muito justamente que o Rio em peso anseia por vel-a. Nella, não iremos ap- plaudir somente a intelligen- cia germânica, que conseguiu levar a tamanho gráo de aperfeiçoamento a invenção brasileira. As glorias do "Do- X" tambem nos pertencem, porque têm origem na fer- tilidade do nosso genlo.

A DECOLLAGEM NA BAHIA BAHIA, 19 — (A. B.) — Muito cedo o commandante Christiansen, officialidade e passageiros do "DO-X", acha- vam--se jã a bordo do grande avião que ás 5 horas começa- va a movimentar-se para a partida.

Não obstante a hora mati- nal, era grande o numero de pessoas que em pontos diffe- rentes acom panha vam as inanubras.

A's 5 horas e meia, o navio aereo decollou, partindo em vôo baixo e longo, poucos me- tros acima da linha das águas, para depois erguef-se um pou- co, perdendo-se rapidamen- te ã distancia, na direcção do sul.

A HORA DA DECOLLAGEM O Telegrapho Nacional com- munica os seguintes dados so- bre o vôo do "DO-X":

O avião levantou vôo da Ba- hia ás 5.30 horas, tendo pas- sado em Una ás 7.27, e at- tingindo Caravellas ás 9.10, onde desceu para abasteci- mento.

*_ O VÔO SE FAZ SEM INCIDENTES

BAHIA, 19, (A. B.) — A im- pressão de que a partida do

"DO-X" se fizera com toda a facilidade foi comprovada pouco depois da sua par tida por um radiogramma '-"¦xpedido de bordo dò avião e

recebido pela estação radio- telegraphica do Telegrapho Nacional, na praia de Amara- lina. Nesse radiogramma, o commandante Christiansen informava que as manobras de decolíagem tinham durado 67 segundos, a contar do mo- mento em que foi dada a or- dem de largar.

A informação acerescentava que o avião allemão proseguia na süa rota para Sul, voando a uma altura regular, tendo cruzado o transatlântico "Gel- ria". O "DO-X" já havia attin- gido a esse momento o Rio das Contas, e desenvolvia uma velocidade media de 88 mi- lhas horárias. A viagem cor- ria em condições excellentes.

A PARTIDA DE CARAVELLAS BAHIA, 19, CXJ.P.) -- Com*

municam de Caravellas que o

"DO-X" decollou ás 13,-0 com destino ao Sul.

VOANDO SOBRE VICTORIA A's 15,20 horas, o gabinete do director dos Telegraphos informava, telegraphicamen- te, ao DIÁRIO DE NOTICIAS, que o "DO-X" passara sobre a cidade de Victoria, ás 15,05, devendo pernoitar em Cal»

Frio.

Á DESCIDA NA LAGOA DE ARARUAMA

, S. PEDRO DA ALDEIA, lf, (A. B.) — Após um vôo mag- nifiio desde a Bahia, só in*

terrompido pela demora ern Caravellas, baixamos ás 17 horas e 5 minutos na Lagoa de Araruama, mesmo em fren*

te a S. Pedro da Aldeia.

Aqui ficaremos até amanlu ao meio dia, quando o "DO->'?

novamente levantará vôo, dc- vendo transpor a barra do Rio de Janeiro ás 13 horas e rea- lizando, antes de baixar no recôncavo de Botafogo, algu- mas evoluções sobre as aveni*

das cariocas.

"DIVINO PECCADO"

Vem a bordo do "Do-X' esse film maravilhoso

VICTORIA 19 — Pelo «Do-X**

seguiu uma copia do film "Dlvi*

n0 Peccado" (The Man Wlio Ga- ms Back) <u!B checou ha díflí* *n*

esta cidade vinda do aviSo dc Nova York via Natal.'

Pelo acontecimento gra-rulii-iso deste feito aereo, a Fox Film Cor- poration, resolveu transportar pelo. "Do-X" dc Victoria ao Rio.

esta sua producção.

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Referências

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