Yasmim P.T.Sumitani/UNIFEI Juliana E.Rios

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Contribuições Do Curso De Graduação Em Engenharia De Produção Para A Formação De Competências Profissionais Nos Discentes: Um Estudo em Uma Universidade Federal Mineira

Yasmim P.T.Sumitani/UNIFEI yasmimpts@hotmail.com

Juliana E.Rios juliana.rios@unifei.edu.br

O objetivo desse estudo foi analisar as contribuições do curso de graduação em Engenharia de Produção da UNIFEI, para a formação e o desenvolvimento das competências profissionais dos discentes a partir do modelo de Fleury e Fleury (2001) e segundo as novas Diretrizes Curriculares dos Cursos de Engenharia (CNE/CES, 2019). Visando alcançar tal objetivo, esta pesquisa utilizou como método um estudo de caso de abordagem quantitativa e de caráter descritivo. O número de respondentes foi de 143 alunos, sendo este grupo composto por formados/formandos da grade curricular vigente no curso até o presente momento. A análise dos dados envolveu estatística univariada.

Os resultados das competências profissionais demonstraram que, para a maior parte dos respondentes, o curso obtém êxito na formação das competências de atuação na Engenharia de Produção, incluindo gestão e melhoria de processos e/ou produtos, na comunicação oral, na responsabilidade, trabalho em equipe e aprendizado autônomo. Por outro lado, o estudo indica dificuldade do curso na formação das capacidades gerais de um engenheiro, características empreendedoras e responsabilidade socioambiental. Por fim, destaca-se a importância da atualização do curso para que possa desenvolver as competências exigidas pelo mercado de trabalho.

Palavras Chaves: competências profissionais; engenharia de produção; projetos especiais.

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1 1. Introdução

As competências profissionais têm sido amplamente discutidas pelas diversas perspectivas em que esse assunto pode ser trabalhado, em que tanto pessoas quanto organizações fazem parte desses cenários de relações em que um conjunto de competências é necessário frente às mudanças que estão ocorrendo. Nesse contexto, o tema ganha importância tanto na área acadêmica quanto empresarial e constitui-se objeto digno de investigação (PAIVA, ESTHER e MELO, 2004).

O engenheiro de produção é o profissional capaz de identificar, formular e solucionar problemas relacionados a projetos, operações, gerenciamento de trabalho e sistemas de produção, considerando os âmbitos humanos, econômicos, sociais e ambientais (ABEPRO, 1997). Uma perspectiva necessária é a de compreender as consequências e influências do ensino e da universidade sobre as competências desse profissional.

No processo de desenvolvimento de um profissional no ensino superior, diversos fatores devem ser considerados, entre eles o ambiente que o estudante está inserido, suas habilidades, a contribuição da universidade que o formou e dos projetos de extensão. Esse estudo buscou entender as contribuições do curso de graduação em engenharia de produção de uma Universidade Federal Mineira para a formação das competências profissionais nos discentes, avaliando se e como a universidade cumpre seu papel no desenvolvimento de cada uma das competências necessárias do engenheiro de produção. Objetiva-se também com esse estudo analisar a formação do engenheiro de produção de Universidade Federal Mineira sob a perspectiva de competência e habilidades, se as competências estabelecidas nas diretrizes curriculares nacionais são trabalhadas, se a grade curricular do curso de engenharia de produção de Universidade Federal Mineira é eficaz e aprofundar o entendimento de como a participação dos alunos em atividades e projetos de extensão podem contribuir para seu desenvolvimento.

A importância desse estudo está focada na compreensão aprofundada da formação de competências necessárias ao aluno egresso do curso de engenharia de produção, que são fundamentais para sua atuação no mercado de trabalho.

Observa-se que os conhecimentos, habilidades e atitudes são fundamentais para enfrentar os desafios propostos durante a atuação desses profissionais, sendo, portanto, a universidade uma das principais ferramentas para a capacitação desses indivíduos.

Diante deste cenário o objetivo desse estudo foi analisar as contribuições da graduação em

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2 Engenharia de Produção de Universidade Federal Mineira para a formação e o desenvolvimento das competências profissionais dos discentes.

2. Referencial teórico

2.1. Competências profissionais

O conceito de competência foi explorado de forma estruturada inicialmente por David McClelland, em 1973, que definia competência como um desempenho superior na execução de uma atividade ou em uma situação.

Esse conceito abrange além do conhecimento adquirido e segundo Fleury e Fleury (2001) envolve o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes do indivíduo. Portanto, além da inteligência, a personalidade também é um parâmetro que influencia na ação do sujeito em determinada atividade ou situação. Sendo esta, essencial para que a competência seja comprovada, uma vez que:

Não há competência senão posta em ato, a competência só pode ser competência em situação.

Ela não preexiste ao acontecimento ou à situação. Ela se exerce em um contexto particular. É contingente. Sempre há “competência de” ou “competência para”, o que significa dizer que toda competência é finalizada (ou funcional) e contextualizada. Etimologicamente, o termo competência vem do latim compentens: “o que vai com, o que é adaptado a”. (LE BOTERF, 2003, pag. 52)

Dessa forma, podemos compreender a competência como habilidades e conhecimentos que necessitam de uma ação para que exista ou seja concretizada. Fleury e Fleury (2001) propõem algumas definições para esse conceito, conforme apresentado na Tabela 1.

Nesta tabela, Fleury e Fleury (2001) utilizam a definição de competência, que inclui os conhecimentos, habilidades e atitudes, para traduzi-la em fontes agregadoras de valor para o

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3 indivíduo e para a organização. O conceito é dividido em outros sete, que auxiliam a compreender a competência de forma pragmática e aplicada em um ambiente profissional.

Para Bomfim (2012) no que se refere às competências profissionais, o conhecimento deve estar associado à aptidão, formação e o desejo de qualificação contínua. As habilidades apresentam sua importância no trabalho em equipe e as atitudes indicam a adequação moral dos profissionais e a ocupação que desempenham. Defende também que as competências não devem ser generalizadas, sendo necessário validar na prática os indicadores relacionados às três dimensões para contemplar as diversas organizações existentes.

A competência profissional, segundo Aritio (2017), é um conceito atribuído ao trabalho, e não à formação, definindo um indicador para o desempenho profissional. Além disso, sua criação é decorrente da necessidade de conferir rigor e uniformidade às diversas possibilidades de formação, servindo como referência para a elaboração dos conteúdos dos programas de formação.

Dentro das possibilidades para se desenvolver competências, as Universidades possuem um campo frutífero e estruturado para a formação de seus estudantes dentro de competências definidas para cada curso, sendo elas definidas pelo Conselho Nacional de Educação.

2.2. Competências profissionais do curso de engenharia de produção

De acordo com o Conselho Nacional de Educação e Câmara de Educação Superior (2002), os cursos de engenharia necessitam formar profissionais altamente qualificados devido ao uso intensivo da ciência e tecnologia que ocorre atualmente à nível mundial. Afirmam também que o novo engenheiro deve ser capaz de entender problemas de forma holística e sistêmica para dessa forma propor soluções que além de serem tecnicamente corretas, levam em consideração as causas e efeitos em múltiplas dimensões.

Nesse contexto, as competências gerais do engenheiro que devem ser formadas ao longo da graduação, de acordo com as novas Diretrizes Curriculares dos Cursos de Engenharia (CNE/CES, 2019) são:

a) formular e conceber soluções desejáveis de engenharia, analisando e compreendendo os usuários dessas soluções e seu contexto;

b) analisar e compreender os fenômenos físicos e químicos por meio de modelos simbólicos, físicos e outros, verificados e validados por experimentação;

c) conceber, projetar e analisar sistemas, produtos (bens e serviços), componentes ou processos;

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4 d) implantar, supervisionar e controlar as soluções de Engenharia;

e) comunicar-se eficazmente nas formas escrita, oral e gráfica;

f) trabalhar e liderar equipes multidisciplinares;

g) conhecer e aplicar com ética a legislação e os atos normativos no âmbito do exercício da profissão;

h) aprender de forma autônoma e lidar com situações e contextos complexos, atualizando- se em relação aos avanços da ciência, da tecnologia e aos desafios da inovação.

Além das competências, a ABEPRO (1997) define o então o engenheiro de produção como profissional generalista, apto à entender problemas e o sistema em que está envolvido para gerar soluções, capaz de atuar na produção de bens e serviços de modo à gerar uma melhor utilização de recursos e ampliação dos resultados.

2.3. A engenharia de produção de uma universidade federal mineira

O curso de engenharia de produção da universidade em questão iniciou em 1998, com base tecnológica nos conhecimentos da mecânica, e formou sua primeira turma em janeiro de 2003.

De acordo com a instituição, o engenheiro de produção deve ser capaz de atuar na produção de bens e serviços, incluindo a escolha de processos, gestão do trabalho e da produção, manutenção, segurança, projeto do produto e gestão ambiental. Além disso, deve atender às demandas da sociedade com qualidade, produtividade e responsabilidade social. O objetivo geral do curso é o de formar engenheiros com sólida formação matemática, tecnológica, econômica e social a fim de capacitá-lo para analisar, avaliar, projetar, otimizar e gerenciar sistemas integrados por pessoas, materiais, equipamentos, recursos financeiros e informações, de forma competente e responsável.

Para formar profissionais aptos à essa atuação, esta universidade definiu as competências que deveriam ser desenvolvidas ao longo do curso, sendo elas:

a) Visão científica abrangente, sólida e multidisciplinar;

b) Capacidade de aprendizado permanente através do exercício de uma postura investigativa prática;

c) Capacidade de empreender projetos, ideias e programas inovadores através de uma postura responsável perante a sociedade;

d) Capacidade para realizar trabalhos coletivos (em grupos);

e) Domínio e habilidade de comunicação escrita e oral;

f) Domínio teórico e prático das especificidades de gerenciamento de sistemas produtivos

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5 compatíveis às especificidades dos produtos e/ou serviços;

g) Capacidade de transferir conhecimentos, na área especifica e em áreas afins;

h) Domínio de tecnologia e recursos adequados ao exercício da profissão.

Desdobra também as competências em habilidades e atitudes esperadas do engenheiro de produção desta instituição:

a) Compreensão das questões referentes ao mundo do trabalho e da produção, tendo a relação homem e trabalho como focos centrais de análise;

b) Capacidade de análise da relação custo/benefício para tomada de decisões, levando em conta cenários conjunturais;

c) Habilidade em confecção, leitura e interpretação de desenhos, textos, gráficos e imagens;

d) Clareza e objetividade na comunicação oral e escrita das diversas formas de expressão;

Capacidade de análise e síntese de informações na elaboração de modelos para solução de problemas de Engenharia de Produção;

e) Atitude de investigação permanente na busca de resoluções de problemas práticos e teóricos;

f) Habilidade no uso de tecnologias disponíveis para a aplicação de conceitos e métodos específicos;

g) Postura proativa na consecução de trabalhos em grupos e na realização de atividades específicas no mundo do trabalho (estágio);

h) Capacidade de reflexão crítica, utilizando preceitos teóricos na compreensão da prática profissional e vice-versa; Postura ética na condução da atividade profissional.

Diante do cenário apresentado, realiza-se a apresentação do método utilizado para realização desta pesquisa.

3. Método de pesquisa

A pesquisa apresentada neste estudo encontra-se configurada como estudo de caso, de natureza quantitativa e abordagem descritiva.

Para a coleta de dados, estruturou-se um questionário em cinco blocos: A primeira sessão apresentou questões introdutórias para traçar o perfil dos respondentes quanto à ingresso na universidade pesquisada, formação e participação em projetos de extensão. A segunda parte foi composta por 13 afirmações para que os respondentes que participaram de projetos de extensão

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6 explicitassem a forma como os mesmos contribuíram para sua formação. A terceira parte foi composta por 18 afirmações para avaliar utilizando escala Likert de 5 pontos, sendo 1 discordo completamente e 5 concordo completamente, se o curso de engenharia de produção na instituição em questão, desenvolve competências segundo adaptação do modelo definido por Fleury e Fleury (2001). A quarta parte foi composta por 34 competências necessárias aos engenheiros de produção segundo as novas Diretrizes Curriculares dos Cursos de Engenharia (CNE/CES, 2019), para que os respondentes avaliassem utilizando escala Likert de 5 pontos, sendo 1 completamente insatisfeito e 5 completamente satisfeito, o nível de satisfação com a contribuição do curso de engenharia de produção nesta universidade para o desenvolvimento das mesmas. A última parte foi composta por um espaço aberto para observações, comentários e críticas.

A população dessa pesquisa é composta por todos os alunos de Engenharia de Produção da de Universidade Federal Mineira, formados/ formando entre os anos de 2014 e 2019. A escolha por este período se deve a este ser o grupo de alunos que vivenciou o ultimo/atual curriculo vigente da instituição. De acordo com dados da Pró-Reitoria de Graduação e do colegiado do curso desta instituição, a população dessa pesquisa corresponde a 351 alunos. Considerando um nível de confiança da pesquisa de 95% e uma margem de erro de 6%, é necessária uma amostra de 116 alunos. A pesquisa coletou 143 resposta, sendo assim, a amostra superou o mínimo desejado apontado no cálculo amostral.

A coleta de dados foi realizada no Google Forms. Os dados foram tabulados e analisados a partir de técnicas da estatística descritiva univariada, com o auxílio dos softwares Excel (2013) e Minitab, para que os dados fossem tratados de maneira a auxiliar as conclusões das questões dessa pesquisa.

Os dados obtidos foram analisados através da técnica estatística descritiva univariada. Para organização, os dados foram tabulados em planilha eletrônica Excel 2013 e analisados com técnicas da estatística univariada como frequência, média, desvio padrão e variância com o auxílio do programa de análise estatística Minitab 17.

4. Resultados

4.1. Caracterização da amostra

A caracterização da amostra foi realizada para a determinação do perfil do grupo de respondentes segundo o ingresso no curso de engenharia de produção de uma universidade

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7 federal mineira, o ano de formação ou previsão de formação e participação de projetos de extensão ao longo da graduação. A distribuição dos alunos pode ser observada nos Gráficos 1.

Gráfico 1 - Ano de ingresso dos respondentes na Universidade Federal Mineira

Fonte: Dados da pesquisa

4.2. Análise das competências do modelo Fleury e Fleury (2001)

Um dos modelos utilizados nessa pesquisa foi o de Fleury e Fleury (2001), em que a definição de competência engloba sete conceitos, que auxiliam a compreender a competência de forma pragmática e aplicada em um ambiente profissional. Os saberes foram destrinchados em 18 frases relacionadas ao curso de engenharia de produção para apoiar a compreensão acerca da formação desse perfil e avaliados utilizando escala Likert de 5 pontos. Na Tabela 2 pode-se observar as avaliações dos alunos para cada competência.

Tabela 2 – Percepção dos Formandos/Formados de Engenharia de Produção de uma universidade federal mineira na formação de competências profissionais, segundo o modelo Fleury e Fleury (2001)

Fonte: Dados da pesquisa

Segundo Fleury e Fleury (2001) a competência agrega “valor econômico para as organizações e valor social para os indivíduos” e pode ser definida como um saber agir responsável que implica capacidade em todos os sete conceitos definidos. Pode-se dizer, portanto, que a formação ideal do aluno deve abranger todos os conceitos.

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8 Para Le Boterf (2003) o “saber agir” é saber interpretar, logo, o profissional que possui essa habilidade é capaz de tomar iniciativas e decisões em situações em que o resultado esperado e o caminho não são predefinidos.

Já a capacidade de comunicar é definida por Fleury e Fleury (2001) como saber compreender, trabalhar e transmitir informações e conhecimentos e o “saber assumir responsabilidades” é assumir os riscos e consequências de suas ações, sendo reconhecido por isso. Para Le Boterf (2003, p. 81) profissional é aquele que “com quem se pode contar” e a “competência remete à responsabilização de um sujeito que assegura a imputabilidade das consequências de suas decisões ou seus atos”.

Os saberes relacionados a “engajar-se e comprometer-se” e “ter visão estratégica” foram os pior avaliados, indicando maior dificuldade na formação de habilidades empreendedoras nos alunos.

O saber “engajar-se e comprometer-se” está relacionado com empreender e assumir riscos e segundo Le Boterf (2003, p. 39) seria a capacidade de “adaptação a situações inconstantes e complexas, a meios turbulentos e ao inédito”, habilidades cada vez mais necessárias considerando a velocidade das mudanças na atualidade. Já o “ter visão estratégica” segundo Fleury e Fleury (2001) implica em “conhecer e entender o negócio da organização, o seu ambiente, identificando oportunidades e alternativas”, capacidade fundamental para qualquer setor de atuação de um profissional.

Para Andrade e Torkomian (2001) para promover o desenvolvimento empreendedor no ensino superior devem ser estruturadas diversas atividades com esse objetivo de acordo com o estágio de evolução da instituição, entre elas atividades isoladas, disciplinas específicas, conjunto de disciplinas específicas, fomento da cultura empreendedora nas disciplinas do programa de graduação e o último estágio seria a criação de um centro de empreendedorismo. A Universidade em questão já possui um centro de empreendedorismo, dentro do instituto onde o curso de engenharia de produção está vinculado, o que representa um elevado grau de estímulo à cultura empreendedora. Além disso, a grade curricular do curso de engenharia de produção possui as seguintes disciplinas com esse foco: “Introdução à Engenharia de Produção”,

“Empreendedorismo” e “Planejamento Empresarial”. No entanto, para o maior incentivo ao

“saber engajar-se e comprometer-se” é necessário que a cultura empreendedora nas disciplinas do programa de graduação seja mais estimulada. De acordo com Andrade e Torkomian (2001) nesse estágio deve-se direcionar as atividades previstas nas disciplinas, como um todo, para o estímulo à cultura empreendedora, através da sensibilização do corpo docente, objetivando o

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9 desenvolvimento indireto dessa competência.

4.3. Análise das competências do engenheiro definidas pelas Diretrizes Curriculares Nacionais (MEC, 2019)

Nesta seção, foi realizada a descrição dos itens que contemplam a avaliação do nível de satisfação dos alunos com a contribuição do curso de engenharia de produção na de uma universidade federal mineira para a formação de competências e habilidades relacionadas as novas Diretrizes Curriculares dos Cursos de Engenharia (CNE/CES, 2019), conforme a Tabela 3.

Tabela 3 - Percepção dos Formandos/Formados de Engenharia de Produção de uma universidade federal mineira, com relação a formação de competências das novas Diretrizes Curriculares dos Cursos de Engenharias

(CNE/CES, 2019)

Fonte: Dados da pesquisa

Observa-se que os alunos têm percepções positivas em relação à formação dessas competências uma vez que todas as médias obtidas possuem avaliação acima do ponto médio 3. As maiores notas observadas, foram nos conceitos “trabalhar e liderar equipes multidisciplinares” e

“aprender de forma autônoma e lidar com situações e contextos complexos, atualizando-se em relação aos avanços da ciência, da tecnologia e aos desafios da inovação”, demonstrando que os alunos egressos são capazes de trabalhar em equipe e aprender de maneira autônoma. Os demais conceitos foram avaliadas com média abaixo de 4 porém acima de 3, não indicando insatisfação dos respondentes em relação à formação dessas competências na formação do

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10 curso. Porém, demonstram que a Universidade pode contribuir mais para a formação das competências gerais necessárias para o engenheiro definidas pelas DCNs.

5. Considerações finais

A pesquisa foi realizada com o objetivo de analisar as contribuições do curso de engenharia de produção para a formação de competências profissionais, sob a perspectiva dos discentes.

Utilizou-se como base as competências previstas pelas novas Diretrizes Curriculares dos Cursos de Engenharia (CNE/CES, 2019), e o modelo de competência profissional de Fleury e Fleury (2001). Além disso, analisou-se também a contribuição da participação em atividades e projetos de extensão para o desenvolvimento de competências.

Estudar a formação de competências no ensino superior é muito relevante, pois essas são fundamentais para a atuação do discente no mercado de trabalho, uma vez que seus conhecimentos, habilidades e atitudes irão moldar sua atuação como profissional e consequentemente seu sucesso. Logo, a compreensão de como o curso tem contribuído para a formação dos alunos possibilita que a instituição identifique possíveis lacunas existentes e forme profissionais mais preparados para os desafios que enfrentarão no mercado de trabalho.

Ao comparar as diretrizes propostas para o curso pelo MEC (2011) e as competências e habilidades definidas pela universidade em questão, nota-se que a universidade abrange de maneira direta ou indireta o que é estabelecido.

Utilizando o modelo de competência proposto por Fleury e Fleury (2001) pode-se obter uma visão geral do assunto. Na percepção dos alunos, as competências que estão mais capacitados são relativas a “saber agir”, “saber comunicar” e “saber assumir responsabilidades” e as que estão menos capacitados são relativas a “engajar-se e comprometer-se” e “ter visão estratégica”.

Esses resultados demonstram que os egressos estão qualificados a atuar como profissional no mercado de trabalho porém existe dificuldade na atitude empreendedora.

Através da análise da contribuição do curso para a formação das competências definidas nas novas Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos de Engenharia (CNE/CES, 2019), observou-se que apenas dois conceitos foram muito bem avaliados, obtendo nota média acima de 4, sendo eles “trabalhar e liderar equipes multidisciplinares” e “aprender de forma autônoma e lidar com situações e contextos complexos, atualizando-se em relação aos avanços da ciência, da tecnologia e aos desafios da inovação”. Isso demonstra que existe o aluno é capaz de trabalhar em equipe e aprender de maneira autônoma porém em relação à formação para a

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11 atuação geral de um engenheiro os resultados são regulares, indicando possibilidade de evolução para o curso.

Diante do apresentado, este estudo constatou que a universidade pesquisa contribui, na visão dos alunos, para a formação da capacidade de atuar como engenheiro de produção, incluindo gestão e melhoria de processos e/ou produtos, na comunicação oral, na responsabilidade, trabalho em equipe e aprendizado autônomo. Por outro lado, o estudo indica dificuldade do curso na formação das capacidades gerais de um engenheiro, características empreendedoras e responsabilidade socioambiental.

Fica evidente que o principal ponto de evolução do curso atualmente é em relação à sua atualização para questões da atualidade e preparo para formar o profissional do futuro mercado de trabalho, principalmente com o desenvolvimento das características empreendedoras, que são necessárias inclusive para os profissionais que optarem por não abrirem um negócio próprio.

Cabe ressaltar aqui a importância de se pesquisa a formação de competências nos cursos de graduação em engenharia de produção. Medir tais competências pode conduzir as instituições de ensino a identificarem seus pontos falhos e, a partir de então, traçar estratégias de melhorias visando a melhor qualificação de seus alunos e consequente resultado para o mercado de trabalho.

Como limitações deste estudo, observou-se o fato de ter-se focalizado apenas em uma universidade com características específica, o que não pode ser estendido à outros cursos de graduação em engenharia de produção no Brasil. Além disso, os dados ensejam aprofundamento, o que só seria possível por meio de uma abordagem qualitativa.

Assim sendo, diante dos achados, das limitações e das contribuições do estudo, sugere-se estender a pesquisa a outros cursos de graduação em engenharia de produção, assim como se utilizar de abordagens qualitativas, de modo que o fenômeno em tela possa ser melhor compreendido e, com isso, rever-se, no âmbito das instituições de ensino, a forma como tais alunos percebem seu desenvolvimento profissional por meio do curso de graduação lembrando-se, ainda, que eles comporão a força de trabalho no campo da engenharia nas próximas décadas.

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12 REFERÊNCIAS

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ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO. Engenharia de Produção: Grande Área e Diretrizes Curriculares. ABEPRO, Gramado, p. 1-6, 9 out. 1997.

BOMFIM, Rosa A. Competência profissional: uma revisão bibliográfica. Revista Organização Sistêmica, v. 1, p. 46-63, 2012.

CONSELHO NACIONAL DA EDUCAÇÃO/ CÂMARA DE EDUCAÇÃO SUPERIOR (DF). Parecer nº:

CNE/CES 1362/2001, 12 de dezembro de 2001. Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos de Engenharia.

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CONSELHO NACIONAL DA EDUCAÇÃO/ CÂMARA DE EDUCAÇÃO SUPERIOR (DF). Parecer nº:

CNE/CES 1/2019, 23 de janeiro de 2019. Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Engenharia. DF, p. 1-41, 23 abr. 2019.

FLEURY, Afonso; FLEURY, Maria T. L. Construindo o Conceito de Competência. Revista de Administração Contemporânea¸ v. 5, p. 183-196, 2001.

LE BOTERF, Guy. Desenvolvendo a competência dos profissionais. Tradução: Patrícia Reuillard. 3. ed. rev. e aum. Porto Alegre: Artmed, 2003.

MCCLELLAND, David. Testing for competence rather than intelligence. American Psychologist, v.28, p.1-14, 1973.

PAIVA, Kely. C. M., ESTHER, Ângelo. B., MELO, Marlene. C. O. L. Formação de Competências e Interdisciplinaridade no Ensino de Administração: uma visão dos alunos. Revista Gestão e Planejamento, Salvador, v.1, p. 63-77, 2004.

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