MARCELLO MARTIN GIULIAN
LÍNGUA
PORTUGUESA
SUMÁRIO
1. CLASSES DE PALAVRAS ... 3
1.1 SUBSTANTIVO ... 3
1.2. ADJETIVO ... 7
1.3. ADVÉRBIO ... 9
1.4. PREPOSIÇÃO ... 10
1.5. ARTIGO ... 11
1.6. NUMERAL... 12
1.7. INTERJEIÇÃO ... 13
1.8. PRONOME... 14
1.9. CONJUNÇÃO ... 15
1.10. VERBO ... 16
2. FUNÇÕES SINTÁTICAS ... 17
2.1. SUJEITO ... 17
2.2. OBJETO DIRETO ... 19
2.3. OBJETO INDIRETO ... 21
2.4. APOSTO ... 23
2.5. VOCATIVO ... 25
2.6. ADJUNTO ADVERBIAL ... 26
2.7. PREDICATIVO DO SUJEITO / PREDICATIVO DO OBJETO ... 28
2.8. AGENTE DA PASSIVA ... 29
2.9. PREDICADO ... 30
2.10. COMPLEMENTO NOMINAL... 31
2.11. ADJUNTO ADNOMINAL ... 32
2.12. INFORMAÇÕES LATERAIS ... 33
3. ORAÇÕES ... 37
3.1 FRASE, ORAÇÃO, PERÍODO ... 37
3.2 ORAÇÕES COORDENADAS ... 38
3.2.1 COORDENADAS SINDÉTICAS X COORDENADAS ASSINDÉTICAS ... 38
3.2.2 AS ORAÇÕES COORDENADAS SINDÉTICAS ...39
3.3 ORAÇÕES SUBORDINADAS ADVERBIAIS ... 44
3.3.1 ORAÇÕES SUBORDINADAS X ORAÇÕES PRINCIPAIS ... 44
3.3.2 ORAÇÕES SUBORDINADAS ADVERBIAIS REDUZIDAS ... 50
3.4 ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS ... 51
3.4.1 CARACTERÍSTICAS ... 51
3.4.2 ORAÇÕES ADJETIVAS X ORAÇÕES RESTRITIVAS ... 52
3.4. 3FUNÇÕES SINTÁTICAS ... 53
3.5 ORAÇÕES SUBORDINADAS SUBSTANTIVAS ... 55
3.5.1 CARACTERÍSTICAS ... 55
3.5.2 AS ORAÇÕES SUBORDINADAS SUBSTANTIVAS DESENVOLVIDAS ... 55
3.5.3 ORAÇÕES SUBORDINADAS SUBSTANTIVAS REDUZIDAS ... 58
3. 6. COMENTÁRIOS ... 58
4. DISCURSO DIRETO E DISCURSO INDIRETO ... 64
4.1 DISCURSO DIRETO ... 64
4.2 DISCURSO INDIRETO ... 66
1. CLASSES DE PALAVRAS
1.1 SUBSTANTIVO
O substantivo é a classe de palavras que serve para nomear tudo aquilo que pode ser nomeado. Sendo assim, os substantivos nomeiam pessoas, animais, sentimentos, sensações, qualidades, estados, fenômenos, instituições e tudo o mais que seja capaz de receber um nome.
Seriam exemplos de substantivos os termos “homem”, “cavalo”, “amor”, “frio”, “beleza”, liquidez”, “chuva”, “universidade” e muitos outros.
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A primeira divisão que se pode fazer em relação aos substantivos diz respeito a eles serem “comuns” ou “próprios”. Serão comuns os substantivos que designaram elementos considerados genericamente, sem individualização: “cidade”, “time”, “indivíduo” são exemplos de substantivos comuns. Já os substantivos próprios são aqueles que designam os elementos particularizados, individualizados. Nesse caso, seriam exemplos de substantivos próprios “Fortaleza”, “Grêmio” e “Cristina”.
A outra divisão que pode ser aplicada aos substantivos diz respeito a eles serem
“concretos” ou “abstratos”. Primeiramente, cabe ressaltar que a habitual divisão proposta na escola, de que seriam concretos os substantivos em que se pode tocar e abstratos aqueles em que não se pode tocar, não funciona. Então, consideraremos basicamente o seguinte: serão concretos aqueles elementos que podem ser considerados em si próprios para que tenham sua noção compreendida. Assim, pedra, nuvem, rua e indivíduo, por exemplo, serão substantivos concretos. Abstratos, por outro lado, serão os elementos que se manifestam por meio de outro ser. Por isso, “amor” (precisa-se de alguém que ame),
“beleza”, (precisa-se de alguém ou algo que tenha a “beleza” e “velocidade” (precisa-se de algo ou alguém que seja dotado de velocidade) são exemplos de substantivos abstratos.
Todos os substantivos apresentarão a categoria de gênero e número, independente de sofrerem ou não flexão nessas duas categorias. Como assim? O que se está dizendo é que todo e qualquer substantivo da língua, em seu contexto de uso, será masculino ou feminino e estará no singular ou no plural. Quem determina o número do substantivo (singular ou plural) é o artigo ou outro determinante (pronome ou numeral) que o acompanhe. Em “a porta estava aberta”, “porta” é um substantivo feminino que está no singular. Se for levada em consideração a estrutura “as portas estavam abertas”, “portas”
será um substantivo feminino no plural. Mas isso não é óbvio? Nem sempre. Há substantivos nos quais não conseguimos detectar neles próprios se estão no singular ou no plural. Ainda assim, por meio do determinante, encontraremos o seu número. No segmento “o lápis permanecia sobre a mesa”, “lápis” será um substantivo masculino que está no singular (O lápis). Já em “os lápis permaneciam sobre a mesa”, “lápis” será um substantivo masculino no plural (OS lápis).
A maioria dos substantivos aplica-se a elementos que não têm dois “sexos”. Como assim? “Cadeira” designa um objeto que não apresenta sexo masculino ou sexo feminino.
Não existe “a cadeira” e o “cadeiro”, por exemplo. O mesmo valeria para “nuvem” (palavra sempre feminina: a nuvem), “inferno” (palavra sempre masculina: o inferno) e infindáveis outras.
Quando os substantivos podem designar tanto seres do sexo masculino quanto do sexo feminino, receberão a classificação especial de “substantivos biformes” (aqueles que apresentam formas diferentes para o masculino) ou “substantivos uniformes” (aqueles que apresentam apenas uma forma tanto para o masculino quanto para o feminino. Vejamos.
Os substantivos biformes podem apresentar suas duas formas por três distintos meios. Serão chamados “biformes por flexão” aqueles em que o feminino for formado, basicamente, a partir do acréscimo da desinência “a” na forma feminina: aluno/aluna, professor/professora. Serão chamados “biformes por sufixação” aqueles em que o feminino receber o acréscimo de um sufixo: poeta/poetisa, ator/atriz. Por fim, serão chamados
“biformes por heteronímia” aqueles em que houver duas palavras completamente diferentes para o masculino e o feminino: boi/vaca, homem/mulher.
Os substantivos uniformes apresentam apenas uma forma tanto para a designação do sexo masculino quanto para a designação do sexo feminino. Serão chamados
“uniformes comuns-de-dois-gêneros”aqueles em que o masculino e o feminino são diferenciados pelo artigo ou determinante: o policial/a policial, o estudante/a estudante.
Serão chamados epicenos aqueles a que será posposto o termo “macho” ou “fêmea” ao nome do animal: o jacaré macho/o jacaré fêmea, a cobra macho/a cobra fêmea. Por fim, serão chamados sobrecomuns aqueles em que haverá somente um gênero para a palavra, independente de ela referir seres do sexo masculino ou do sexo feminino: a pessoa, o indivíduo.
Outra categoria que poderá ter o substantivo será a categoria de grau. O grau poderá ser normal, aumentativo ou diminutivo. O grau normal será o próprio substantivo: casa, filme, homem. O grau aumentativo, quando houver o acréscimo do adjetivo “grande” na sua formação, será chamado analítico: casa grande, filme grande, homem grande. Quando for formado por meio do acréscimo de um sufixo, será chamado sintético: casarão, filmaço, homenzarrão. No grau diminutivo, ocorrerá o mesmo. Quando houver o acréscimo do adjetivo “pequeno”, teremos o grau diminutivo analítico: casa pequena, filme pequeno, homem pequeno. Quando houver o acréscimo de um sufixo, teremos o grau diminutivo sintético: casinha, filminho, homenzinho.
ANOTAÇÕES:
1.2. ADJETIVO
O adjetivo é a classe de palavras que atribui aos substantivos ou palavras equivalentes qualidades em geral, sobretudo virtudes ou defeitos, mas também modos de ser, estados, etc. Quando se diz que “o homem inteligente acertou a resposta”, “inteligente”
é um termo que está sendo usado para caracterizar o substantivo homem. Sendo assim, trata-se de um adjetivo. No segmento “a pessoa cansada adentrou o ambiente”, “cansada”
é um termo utilizado para caracterizar o substantivo “pessoa”, sendo, portanto, um adjetivo.
O adjetivo apresentará também as categorias de gênero e número, que serão as responsáveis por fazer com que ele concorde com o substantivo que acompanha. É importante salientar que, mesmo que não apresente flexão (variação na sua forma) o adjetivo apresentará as categorias de gênero e número, que serão estabelecidas pelo termo com o qual ele concordar. Na frase “o diretor antipático xingou o estagiário”, “antipático” é um adjetivo masculino (gênero) e singular (número). Ambas as classificações são evidentes na própria estrutura da palavra, que, se fosse feminina, seria “antipática”, e se fosse plural seria “antipáticos”, por exemplo. Já se levarmos em consideração a frase “o menino consciente obedeceu ao pai”, teremos em “consciente” um adjetivo singular (fato visível na própria palavra) e masculino (ainda que não sofra flexão). Concluiremos que o termo
“consciente” pertence, na frase, ao gênero masculino, pelo fato de ele estar concordando com o termo “menino”.
A categoria de grau é relativamente complexa nos adjetivos, pela excessiva nomenclatura, mas a veremos. Um substantivo pode estar em seu grau normal, em grau comparativo (que pode ser de superioridade, de igualdade ou de inferioridade) ou em grau superlativo (que pode ser relativo ou absoluto, cada um deles com ainda duas subdivisões).
Das categorias de grau, interessa-nos sobretudo a categoria do grau superlativo absoluto sintético, que se faz, geralmente, pelo acréscimo do sufixo “íssimo” ao adjetivo:
belo/belíssimo, angustiado/angustiadíssimo, triste/tristíssimo.
Há, no entanto, adjetivos com certas terminações que fazem com que a formação do grau superlativo absoluto sintético assuma forma especiais. Nos adjetivos terminados em “- vel”, teremos a terminação “-bilíssimo” (elogiável/elogiabilíssimo); nos terminados em “-m”, teremos a terminação “-níssimo” (bom/boníssimo); nos terminados em “-z”, teremos a terminação “-císsimo” (feliz/felicíssimo).
Há, ainda, os adjetivos para os quais existe o superlativo absoluto sintético erudito.
Nesses casos, a forma não obedece a nenhum dos procedimentos citados, e sim a uma forma erudita decorrente da história do desenvolvimento da língua. São exemplos disso
“amigo/amicíssimo”, célebre/celebérrimo”, etc.
ANOTAÇÕES:
1.3. ADVÉRBIO
Os advérbios são palavras que exprimem circunstâncias variadas. Eles servem, basicamente, para modificar o sentido de um verbo, de outro advérbio ou de um adjetivo.
Na frase “João comeu anteontem”, “anteontem” indica uma circunstância de tempo. Em
“João comeu lá”, “lá” indica uma circunstância de lugar. E em “João comeu rapidamente”,
“rapidamente” indica uma circunstância de modo.
Os advérbios podem ter sete diferentes classificações. Eles podem ser advérbios de tempo (hoje, amanhã, anteontem), de lugar (aqui, lá, perto), de modo (nervosamente, lindamente, felizmente), de intensidade (mais, menos, muito), de afirmação (sim, certamente), de negação (não), de dúvida (talvez, quiçá).
O advérbio é uma palavra invariável. Isso quer dizer que ela, ao contrário dos substantivos e dos adjetivos, não sofre flexões. Sendo assim, não interessa se um advérbio acompanhará um verbo singular ou plural – em ambos os casos sua forma não variará: “O homem comeu rapidamente” ou “Os homens comeram rapidamente”.
ANOTAÇÕES:
1.4. PREPOSIÇÃO
A preposição é uma classe de palavras também invariável, como a dos advérbios. Ao contrário dos advérbios e mesmo dos substantivos e dos adjetivos, que são em número de milhares, as preposições são poucas: A, ANTE, APÓS, ATÉ, COM, CONTRA, DE, DESDE, EM, ENTRE, PARA, PERANTE, POR, SEM SOB, SOBRE.
As preposições servem para conectar palavras ou segmentos maiores do texto, estabelecendo entre eles uma relação. O termo que exige a preposição é chamado “termo regente”, enquanto o termo que vem antecedido pela preposição é chamado “termo regido”. Assim, na frase “Todos precisam de direitos”, a preposição é exigida pelo verbo
“precisar” (termo regente” e introduz o substantivo “direitos” (termo regido).
Semanticamente, as preposições podem exprimir diferentes ideias, que dependerão, necessariamente, do contexto no qual elas são utilizadas. Vejamos alguns exemplos de uso da preposição “de” e do sentido que ela vai assumir. “Aqueles casarões são DE Paulo”
(posse). “A moça morreu DE poliomielite” (causa). “Eu prefiro pagar mais caro por artefatos DE couro” (matéria). “Nós falamos DE questões complexas” (assunto).
ANOTAÇÕES:
1.5. ARTIGO
Os artigos servem, basicamente, para acompanhar os substantivos nos seus contextos de uso na língua. Eles podem ser artigos definidos (o, a, os, as) ou artigos indefinidos (um, uma, uns, umas).
Grosso modo, podemos dizer que os artigos definidos particularizam, especificam o substantivo que acompanham. Na frase “O homem errou”, a presença do artigo definido
“o” indica que se trata de um homem específico, determinado, previamente conhecido no contexto em que é citado. No entanto, se tivermos “Um homem jogou confetes em todos”, a presença do artigo indefinido “um” indica tratar-se de um homem qualquer, não especificado, não determinado, por certo não conhecido previamente no contexto em que é citado.
No discurso (na fala) usamos o artigo indefinido para introduzir, apresentar um novo elemento. Posteriormente, usamos o artigo definido para retomá-lo. Vejamos: “Um homem caminhava pela rua próximo a mim. O homem carregava uma bengala de madeira.” Quando da utilização do artigo indefinido “um”, apresenta-se o homem. Na sequência, quando se vai citar esse mesmo homem, usa-se o artigo definido “o”.
ANOTAÇÕES:
1.6. NUMERAL
O numeral é uma palavra que segue para quantificar de forma exata os seres, objetos e elementos no geral.
Os numerais podem ser cardinais (um, uma, dois, duas, três, quatro, etc.), ordinais (primeiro, primeira, segundo, segunda, terceiro, terceira), fracionários (meio, terço, quarto, quinto, décimo, etc.) ou multiplicativo (dobro, triplo, quádruplo, etc.).
Os numerais, assim como os pronomes, também poderão cumprir duas funções básicas: podem, em algumas situações, substituir os substantivos (caso em que serão chamados “numerais substantivos”); e podem, em outras situações, acompanhar os substantivos determinando-os (caso em que serão chamados “numerais adjetivos”).
Em relação ao uso dos numerais, não há unanimidade em relação a todas as situações em que se devem usar os cardinais e as situações em que se devem usar os ordinais. Há, no entanto, alguns casos em que se aconselha que se usem uns ou outros. Vejamos. Em dias do mês, o ordinal é usado apenas no dia “primeiro”: primeiro de abril, primeiro de dezembro. Nos demais dias, usa-se o cardinal: dois de abril, vinte e sete de dezembro. Nos artigos e parágrafos de lei, usa-se o ordinal até o nono (Art. 1o, Art. 6o, Art. 8o) e o cardinal do dez em diante (Art. 10).
ANOTAÇÕES:
1.7. INTERJEIÇÃO
A interjeição é uma palavra que substitui toda uma frase (por isso é chamada “palavra- frase”) para exprimir uma sensação, uma emoção, um sentimento. Apesar de carregar consigo um sentido, a interjeição não desempenha nenhuma função sintática. O significado dass interjeições está intimamente ligado à maneira como elas são pronunciadas na fala, motivo pelo qual uma mesma interjeição pode externar sensações ou sentimentos diversos em diferentes contextos de uso. “Ai”, “epa”, “oba” seriam exemplos de interjeições.
ANOTAÇÕES:
1.8. PRONOME
Os pronomes desempenham basicamente duas funções: substituir um substantivo, desempenhando as mesmas funções que o substantivo desempenharia (sendo chamado, nesse caso, pronome substantivo); ou pode acompanhar ou determinar um substantivo (sendo chamado, nesse caso, pronome adjetivo).
Os pronomes podem ser pessoais (eu, tu, ele, me, mim, comigo, etc.), possessivos (meu, minha, teu, tua, seu, sua, etc.), demonstrativos (este, esta, isto, aquele, aquela, aquilo, etc.), indefinidos (alguém, alguma, todo, toda, cada, qualquer, etc.) ou relativos (que, o qual, cujo, etc.).
Os pronomes serão estudados de maneira aprofundada mais adiante.
ANOTAÇÕES:
1.9. CONJUNÇÃO
As conjunções cumprem a função básica de ligar ou unir duas orações ou estruturas sintáticas. Sua função básica é, portanto, conectar segmentos do texto. Haverá diferentes conjunções com diferentes noções semânticas expressas.
As conjunções também serão estudadas de maneira aprofundada mais adiante.
ANOTAÇÕES:
1.10. VERBO
O verbo é uma classe de palavras que contém em si as noções de ação, processo, estado, etc. e situa no tempo as ações.
Os verbos, assim como os pronomes e as conjunções, serão estudados de maneira aprofundada mais adiante.
ANOTAÇÕES:
2. FUNÇÕES SINTÁTICAS 2.1. SUJEITO
Embora a mais tradicional definição do sujeito seja a de que sujeito é aquele que pratica a ação expressa pela forma verbal, ela não é suficiente. Existe, por exemplo, a voz passiva, em que o sujeito sofre a ação, em vez de praticá-la. Há, também, o chamado sujeito oracional, que a rigor não pratica propriamente uma ação. Mas, então, como conceituar o sujeito? Melhora talvez seja dizer que o sujeito é a estrutura com a qual o verbo (ou a locução verbal) concorda. O sujeito será, geralmente, um substantivo (quando não o for, será uma palavra equivalente, como um numeral, um pronome ou um termo substantivado) e não será antecedido por preposição.
O sujeito poderá ter diversas classificações.
Sujeito Simples é aquele que apresenta apenas um núcleo. Em “O animal agonizante repousava à beira da estrada”, temos um sujeito simples, cujo núcleo é o substantivo
“animal”. Já em “Ninguém obedece às ordens dos chefes”, também temos um sujeito simples, que tem como núcleo o pronome indefinido “Ninguém”.
Sujeito Composto é aquele que apresenta dois ou mais núcleos. Em “O homem e a mulher complicaram ao máximo a situação”, tanto “homem” quanto “mulher” são núcleos do sujeito, que, por essa razão, é composto.
Sujeito Elíptico / Oculto/ Subentendido / Desinencial é aquele que não está explícito na oração, mas que é facilmente identificável pelo contexto ou pela desinência verbal. Em “Comprei um automóvel de boa qualidade”, sabe-se, pela desinência da forma verbal “comprei”, que o sujeito é “eu”. Como tal sujeito está ausente da frase, é chamado sujeito elíptico / oculto / subentendido / desinencial.
Sujeito Indeterminado é aquele que pode ocorrer em duas situações: a) Quando o verbo estiver conjugado na terceira pessoa do plural e o sujeito não estiver explícito nem for identificável pelo contexto. Em “Picharam o muro durante a madrugada”, não podemos dizer, sem que a frase esteja em um contexto que deixe isso claro, que o sujeito é “eles”. Na verdade, esse é o tipo de estrutura que se usa quando não se sabe ou não se pode determinar o sujeito da ação. Frases como “Mataram um homem naquele bairro” e
“Apagaram os vestígios do crime” são exemplos de sujeito indeterminado com verbo na terceira pessoa do plural. b) Também ocorre sujeito indeterminado quando houver verbo acompanhado por uma partícula “se” que seja índice de indeterminação do sujeito. Isso ocorrerá quando o verbo e a partícula “se” não vierem acompanhados por um sujeito determinável. Em “Precisa-se de auxiliares de escritório”, por exemplo, “de auxiliares de escritório”, por ser estrutura preposicionada, não será o sujeito (é, na verdade, objeto
direto). Temos, portanto, um sujeito indeterminado, sendo a partícula “se” o índice de indeterminação desse sujeito.
Sujeito Oracional, por fim, é aquele em que o núcleo do sujeito é uma forma verbal.
Esse sujeito será chamado também de oração subordinada substantiva subjetiva. Na frase
“Acordar é difícil”, o sujeito do verbo “ser” será a forma verbal “acordar”. Em “É importante que os homens trabalhem”, o sujeito do verbo “ser” será a estrutura “que os homens trabalhem”, que tem como núcleo o verbo “trabalhar”.
Sujeito Inexistente é aquele que ocorre em duas situações básicas. a) Quando o verbo é impessoal. Os verbos impessoais importantes são “haver” (no sentido de existir ou indicando tempo decorrido), “fazer” (indicando tempo decorrido ou condição climática) e
“ser” (indicando hora, data ou distância). Nesses casos, mesmo que aparente haver sujeito, não haverá. Em “Há questões importantes”, temos sujeito inexistente. “Questões importantes” será apenas objeto direto do verbo “haver”. Em “Faz duas horas que esperamos o resultado”, temos também sujeito inexistente. Por fim, em “São quatro horas da tarde”, com o verbo “ser” indicando “hora”, o sujeito é mais uma vez inexistente. Em todos esses casos, a nomenclatura usada poderá ser também “oração sem sujeito”. Isso quer dizer que, nos exemplos citados, podemos dizer que ocorre “sujeito inexistente” ou
“oração sem sujeito”.
ANOTAÇÕES:
2.2. OBJETO DIRETO
O objeto direto será sempre um complemento verbal, ou seja, ele estará acompanhando um verbo e complementando o sentido dele. Normalmente, o objeto direto não será antecedido por preposição.
Em “O médico examinou o paciente”, “médico” é o sujeito do verbo “examinar”. Além disso, nessa frase, “quem examina, examina algo ou alguém”, e a estrutura “o paciente” é que está complementando o sentido do verbo “examinar”. Também em “Os garotos chutaram as lixeiras” teremos objeto direto: nesse caso, representado por “as lixeiras”, estrutura que complementa o sentido do verbo “chutar”. Em ambos os casos fica fácil notar uma outra característica do objeto direto: ele é sempre um termo paciente, ou seja, um termo que sofre a ação expressa pelo verbo, motivo pelo qual ele irá transformar-se em sujeito paciente quando a frase for passada para a voz passiva: “o paciente” foi examinado,
“as lixeiras” são chutadas.
Existe, e é uma exceção, o objeto direto preposicionado. Nesse caso, o que se terá será um complemento paciente, mas antecedido, por alguma razão nem sempre justificável, por preposição. “Ele respeita a Deus” é um exemplo de objeto direto preposicionado. Na verdade, “Deus” é objeto direto, complemento paciente do verbo
“respeitar”, ou seja, aquele que é respeitado. Tanto é verdade, que essa frase poderia ser corretamente passada para a voz passiva: “Deus é respeitado por ele”. Sendo assim, o simples fato de ter vindo antecedido pela preposição “a” não faz com que o termo deixe de ser um objeto direto.
O objeto direto pode ser substituído por qualquer dos pronomes oblíquos átonos (me, te, se, nos, vos). Na frase “o policial ajudou-me”, o pronome “me” desempenha função de objeto direto. Seria o mesmo que escrever, por exemplo, o seguinte: “o homem ajudou o garoto”. Nessa frase, “o garoto” seria o objeto direto. Em relação aos pronomes de terceira pessoa, há duas coisas importantes a saber: a) os pronomes “ele”, “ela”, “eles” e “elas” não aceitam ser objeto direto. Por isso, é gramaticalmente errada esta frase tão comum na linguagem coloquial: “O homem beijou ela”. b) Os únicos pronomes oblíquos de terceira pessoa que podem substituir o objeto direto são os pronomes O, A, OS e AS. O certo, para a frase anteriormente citada, seria “O homem beijou-a” ou “O homem a beijou”. Não podem, jamais, sob hipótese alguma, substituir o objeto direto os pronomes LHE e LHES. Nesse caso, a frase “O homem beijou-lhe” estaria errada, assim como a frase “O homem lhe beijou”.
Há, ainda, o objeto direto pleonástico, que ocorre quando um pronome oblíquo átono repete e reforça o objeto direto já presente na oração. Como já dito, trata-se de um recurso
enfático. Em “O livro, eu o comprei ontem”, “eu” é sujeito e “o livro” é o objeto direto de fato. O pronome oblíquo “o” é um reforço do objeto direto já presente, sendo chamado de
“objeto direto pleonástico”.
ANOTAÇÕES:
2.3. OBJETO INDIRETO
O objeto indireto também será sempre um complemento verbal, ou seja, ele estará acompanhando um verbo e complementando o sentido dele. A diferença básica em relação ao objeto direto é que, quando não estiver representado por um pronome, o objeto indireto será antecedido por preposição.
Em “O paciente recorreu ao médico”, “paciente” é o sujeito do verbo “recorrer”. Além disso, nessa frase, “quem recorre, recorre A algo ou A alguém”, e a estrutura “ao médico”, antecedida pela preposição “a” (AO = preposição A + artigo O), é que está complementando o sentido do verbo “recorrer”. Também em “Os garotos necessitam das chuteiras” teremos objeto indireto: nesse caso, representado por “das chuteiras”, estrutura que complementa o sentido do verbo “chutar”.
O objeto indireto também pode ser substituído por qualquer dos pronomes oblíquos átonos (me, te, se, nos, vos). Na frase “a criança obedeceu-me”, o pronome “me”
desempenha função de objeto indireto. Seria o mesmo que escrever, por exemplo, o seguinte: “a criança obedeceu ao pai”. Nessa frase, “AO pai” seria o objeto indireto. Em relação aos pronomes de terceira pessoa, também há duas coisas importantes a saber: a) os pronomes “ele”, “ela”, “eles” e “elas”, que não aceitam ser objetos diretos, aceitam ser objetos indiretos, obviamente antecedidos por alguma preposição. Por isso, é gramaticalmente correta esta frase: “A criança obedeceu a ele”. b) Os únicos pronomes oblíquos de terceira pessoa que podem substituir o objeto direto são os pronomes LHE e LHES. A correta substituição por um pronome, na frase anteriormente citada, seria “a criança obedeceu-lhe” ou “a criança lhe obedeceu”. Não podem, jamais, sob hipótese alguma, substituir o objeto indireto os pronomes O, A, OS e AS. Nesse caso, a frase “A criança obedeceu-o” estaria errada, assim como a frase “a criança o obedeceu”.
Há, ainda, como há em relação ao objeto direto, o objeto indireto pleonástico, que ocorre quando um pronome oblíquo átono repete e reforça o objeto indireto já presente na oração. Trata-se de um recurso enfático, que é inusual, mas é permitido e previsto na língua.
Em “Ao pai, eu lhe obedeci”, “eu” é sujeito e “ao pai” é o objeto indireto de fato. O pronome oblíquo “lhe” é um reforço do objeto indireto já presente, sendo chamado de “objeto indireto pleonástico”.
ANOTAÇÕES:
2.4. APOSTO
O aposto é, via de regra, uma explicação ou um esclarecimento em relação a um termo que o antecede. O que se costuma dizer é que o aposto será sempre isolado por vírgulas ou por sinal de pontuação. Isso não é uma verdade absoluta. O chamado “aposto explicativo” de fato sempre será isolado por sinais de pontuação (vírgula, travessão, parênteses, dois-pontos). O chamado “aposto restritivo ou especificativo”, no entanto, apesar de ser um aposto, não será isolado por sinal de pontuação. Sendo assim, vamos ver um a um os tipos de apostos existentes.
O aposto explicativo é aquele que de fato explica ou esclarece um substantivo já colocado no texto. Tome-se como exemplo a frase seguinte: “O Brasil, maior país da América Latina, tem economia forte”. O segmento “maior país da América Latina” faz um esclarecimento ou fornece uma explicação sobre o Brasil, sendo, portanto, um aposto explicativo. O aposto explicativo sempre será isolado por sinais de pontuação, que podem ser vírgulas, travessão, parênteses ou dois-pontos (dois-pontos somente se o aposto estiver no final da frase).
O aposto enumerativo ocorre quando a explicação sobre o item anterior se dá em forma de enumeração de elementos. Leia-se a seguinte frase: “Ele destruiu tudo: cadeiras, sofás, almofadas, pufes, bancos”. Nessa frase, “cadeiras, sofás, almofadas, pufes, bancos”
é uma estrutura que tem função de aposto enumerativo, uma vez que, em forma de enumeração, explica o que é o “tudo” que ele destruiu.
O aposto resumitivo ocorre quando a explicação dos elementos anteriores se dá por meio de uma síntese ou de um resumo. Nesse caso, ao contrário do aposto enumerativo, que desenvolve algo que tinha sido dito de modo mais sintético, temos aqui um aposto que sintetiza algo que havia sido dito de modo mais desenvolvido. Na frase “eu comprei cadernos, canetas, lápis, borrachas, livros: todos os materiais”, a expressão “todos os materiais” sintetiza os elementos anteriormente citados.
O aposto distributivo literalmente distribui as explicações sobre dois elementos anteriormente citados, em duas explicações distintas. Na frase “Eu detesto Antônio e Ricardo: este pela arrogância; aquele devido à burrice”, percebe-se que os dois segmentos posteriores aos dois-pontos servem para explicar, separadamente, algo sobre Antônio (o primeiro elemento citado) e algo sobre Ricardo (o segundo elemento citado).
O aposto especificativo ou restritivo especifica um substantivo de uso genérico, particularizando-o. Geralmente, será um nome de pessoa ou de lugar. Ao contrário do que se costuma pensar sobre qualquer tipo de aposto, o aposto especificativo ou restritivo não será isolado por vírgulas. Em “A avenida Ipiranga é uma das principais da cidade”, “Ipiranga”
desempenha papel de aposto especificativo, que especifica de que avenida se fala.
Também em “O político Leonel Brizola teve grande influência na política nacional”, “Leonel Brizola” é um aposto especificativo, que especifica o político de que se está falando.
ANOTAÇÕES:
2.5. VOCATIVO
O vocativo é um termo que serve para chamar, interpelar ou evocar o interlocutor, seja ele real, seja ele imaginário. Quando se escreve “Ana Paula, nós precisamos de você”,
“Ana Paula” é o ser com quem se está falando, que é trazido para dentro do discurso, sendo, por isso, o vocativo.
O vocativo é completamente deslocável dentro da oração, devendo, sempre, ser isolado por vírgulas. A frase acima poderia ser escrita, portanto, “Nós precisamos, Ana Paula, de você”, ou então “Nós precisamos de você, Ana Paula”. Em ambas o elemento sublinhado é o vocativo e deve ser isolado por vírgulas.
Cabe mencionar, também, que o vocativo é um elemento isolado, um termo solto, não fazendo parte nem do sujeito nem do predicado.
ANOTAÇÕES:
2.6. ADJUNTO ADVERBIAL
O adjunto adverbial é uma estrutura que indica uma circunstância. As circunstâncias podem ser as mais variadas. Nas frases seguintes, o segmento sublinhado é adjunto adverbial. Sua classificação virá explicitada entre parênteses na sequência.
“Ele perdeu o chaveiro na beira da praia.” (adjunto adverbial de lugar)
“Após o término da aula, os alunos debateram as questões.” (adjunto adverbial de tempo)
“A mulher idosa beijou amorosamente o neto enfermo.” (adjunto adverbial de modo)
“Com certeza ele entregará os documentos à polícia.” (adjunto adverbial de afirmação)
“Talvez eu pague um lanche ao rapazinho interiorano.” (adjunto adverbial de dúvida”)
“Eu não contarei os detalhes aos alunos”. (adjunto adverbial de negação)
“Ele estava mais atarefado”. (adjunto adverbial de intensidade)
“O chefe entregava os mantimentos aos funcionários a cavalo”. (adjunto adverbial de meio)
“Ele assassinou o desafeto com um machado”, (adjunto adverbial de instrumento)
“Eu desisti da viagem por causa da chuva”. (adjunto adverbial de causa)
“Apesar das dificuldades, nós obtivemos a vitória”. (adjunto adverbial de concessão)
“A moça caminhou com os pais.” (adjunto adverbial de companhia)
“A mulher conversou com o rapaz sobre problemas sociais.” (adjunto adverbial de assunto)
“Conforme o jornalista, a partida será cancelada.” (adjunto adverbial de conformidade)
ANOTAÇÕES:
2.7. PREDICATIVO DO SUJEITO / PREDICATIVO DO OBJETO
O Predicativo do Sujeito é a atribuição de uma característica ou de uma qualidade ao sujeito. Sempre que houver um verbo de ligação (que é justamente o verbo que tem a função básica de ligar o predicativo ao sujeito), haverá um predicativo do sujeito. Na frase
“O almoço estava ótimo”, “estar” é verbo de ligação, e “ótimo” é predicativo do sujeito. O predicativo do sujeito, no entanto, pode ocorrer também com os demais verbos (VI, VTD, VTI, VTDI), além dos verbos de ligação. Nesse caso, pode-se fazer um teste para verificar se se trata ou não de um predicativo do sujeito verificando se há a noção de “e estava”
implícita. Exemplificando: na frase “A mulher entrou furiosa”, não há verbo de ligação.
“Entrar” é, na frase, verbo intransitivo. Ainda assim, “furiosa” é um predicativo do sujeito, fato que pode ser constatado por meio do teste sugerido: é como se o que está escrito fosse “A mulher entrou (e estava) furiosa”.
O Predicativo do Objeto é a atribuição de uma característica passageira ou transitória a um objeto, que geralmente será o objeto direto. Na frase “O professor considerou o aluno culpado”, o termo “culpado” está complementando o sentido de “o aluno”, que é o objeto direto; trata-se, portanto, de um predicativo do objeto. O mesmo ocorre em “Eu vi o diretor preocupado”: “preocupado” é um complemento e a atribuição de uma qualidade em relação ao segmento “o diretor”, que é objeto direto.
ANOTAÇÕES:
2.8. AGENTE DA PASSIVA
O Agente da Passiva é uma função sintática presente, como fica fácil supor, apenas na voz passiva, mais especificamente na voz passiva analítica (aquela que costuma apresentar em seu interior a estrutura “ser + particípio”). O agente da passiva é introduzido pela preposição “por” (por, pelo, pela, pelos, pelas) e é, necessariamente, quem realiza a ação na voz passiva. Vejamos a seguinte frase: “O exercício foi feito pelo rapaz”. Analisemos a frase e o segmento sublinhado. Primeiro: trata-se de uma frase na voz passiva analítica, uma vez que apresenta a forma “foi feito”, que é “ser + particípio”. Segundo: o segmento
“pelo rapaz” é introduzido pela preposição “por” (pelo = por + o). Terceiro: é “o rapaz” quem realiza a ação na voz passiva, tendo em vista que o sujeito “o exercício” é paciente, ou seja, sofre a ação de ser feito, enquanto é “o rapaz” que realiza a ação de fazer os exercícios. O segmento sublinhado é, portanto, agente da passiva.
ANOTAÇÕES:
2.9. PREDICADO
O predicado é tudo aquilo que não for o sujeito da oração. Em “o garoto roubou os documentos do chefe da secretaria”, “o garoto” é o sujeito, e todo o resto da oração (“roubou os documentos do chefe da secretaria”) é o predicado. Mesmo em uma oração na qual o sujeito seja inexistente, existirá um predicado. Em “Houve desavenças violentas”, o verbo “haver” é verbo impessoal, de modo que temos um sujeito inexistente ou uma oração sem sujeito. Nesse caso, tudo o que há na oração será predicado (“Houve desavenças violentas”).
De acordo com o núcleo que apresentar, o predicado poderá ser de três tipos.
Predicado nominal ocorrerá quando tivermos verbo de ligação acompanhado por predicativo do sujeito. Nesse caso, o núcleo será o predicativo. Na frase “Os homens estão confiantes”, o verbo “estar” é verbo de ligação e “confiantes” é predicativo do sujeito.
Sendo assim, o predicado “estão confiantes” é considerado um predicado nominal.
Predicado verbal ocorrerá quando tivermos um dos verbos nocionais (VI, VTD, VTI, VTDI). Nesse caso, o núcleo será o próprio verbo. Em “Paulo faleceu”, “faleceu” é verbo intransitivo e o predicado é verbal. Na frase “os empresários transferiram o dinheiro”,
“transferir” é verbo transitivo direto e “o dinheiro” é objeto direto; sendo assim, o predicado
“transferiram o dinheiro” é um predicado verbal.
Predicado verbo-nominal ocorrerá quando tivermos um verbo nocional (VI, VTD, VTI, VTDI) e também um predicativo do sujeito ou um predicativo do objeto. Em “A moça entrou indignada”, “entrou” é verbo intransitivo e “indignada” é um predicativo do sujeito. Sendo assim, o predicado tem dois núcleos (o verbo e o predicativo), sendo, portanto considerado um predicado verbo-nominal. Também em “O professor encontrou o aluno alcoolizado”
teremos predicado verbo-nominal, uma vez que “encontrou” é verbo transitivo direto e
“alcoolizado” é predicativo do objeto, pois complementa o sentido do objeto direto “aluno”.
ANOTAÇÕES:
2.10. COMPLEMENTO NOMINAL
O Complemento Nominal, como o próprio nome explicita, complementará, necessariamente, o sentido de um nome, mais especificamente de um adjetivo, de um advérbio ou de um substantivo abstrato. Será, sempre, um elemento antecedido por preposição. Por fim, convém saber que o complemento nominal é uma função sintática que ocorre dentro de outra função sintática. Em “O julgamento foi favorável ao fazendeiro”, “ao fazendeiro” é um termo preposicionado que está complementando o sentido do adjetivo
“favorável”. Por essa razão, esse segmento é classificado como complemento nominal. Já na frase “Ele votou favoravelmente ao fazendeiro”, “ao fazendeiro” é um termo preposicionado que está complementando o sentido do advérbio “favoravelmente”, motivo pelo qual é classificado também como complemento nominal. Ainda, em “A diretora tem necessidade de aceitação”, “de aceitação” é um termo preposicionado que está complementando o substantivo abstrato “necessidade” (derivado do verbo “necessitar”).
Sendo assim, será também classificado como “complemento nominal”.
ANOTAÇÕES:
2.11. ADJUNTO ADNOMINAL
É o termo que determina, especifica ou explica um substantivo, que pode ser concreto ou abstrato. A função de adjunto adnominal é desempenhada por artigos, adjetivos, locuções adjetivas pronomes adjetivos e numerais adjetivos. As funções nucleares das funções sintáticas serão sempre desempenhadas por substantivos ou por palavras equivalentes. Os adjuntos adnominais serão sempre termos que estarão em torno dos núcleos e que a eles acrescentam informações. Assim como os complementos nominais, os adjuntos adnominais também serão funções sintáticas que ocorrerão dentro de outras funções sintáticas, fato que dificulta muito a sua localização e classificação. Na frase “A garota bonita comprou estes copos de plástico”, teremos facilmente localizáveis o sujeito (“A garota bonita”) e o objeto direto (“estes copos de plástico”). No sujeito, o núcleo é o substantivo “garota”. O artigo definido “A” e o adjetivo “bonita” serão adjuntos adnominais. No objeto direto, o núcleo é o substantivo concreto “copos”. O pronome adjetivo “estes” e a locução adjetiva “de plástico” (copos de plástico = copos plásticos) serão adjuntos adnominais.
ANOTAÇÕES:
2.12. INFORMAÇÕES LATERAIS
1. Ao lado do início de Sujeito, com megafone.
São seis os tipos de sujeito que poderemos encontrar: sujeito simples, sujeito composto, sujeito oculto, sujeito indeterminado, sujeito inexistente e sujeito oracional. Por mais estranho que possa parecer, o sujeito inexistente (ainda que inexistente) é uma classificação de sujeito.
2. Ao lado do parágrafo de Sujeito Oracional, com megafone.
O Sujeito Oracional pode ser também chamado Oração Subordinada Substantiva Subjetiva, uma vez que nada mais é do que um sujeito que apresenta como núcleo uma estrutura verbal, sendo, por essa razão, também uma oração.
3. Ao lado do início de Objeto direto, com megafone.
O Objeto Direto é um complemento verbal (complementa o sentido de um verbo) e tem sentido passivo (sofre a ação expressa pelo verbo). Exatamente por isso o objeto direto é a estrutura que se transformará em sujeito na voz passiva.
4. Ao lado do penúltimo parágrafo de objeto direto, com megafone.
Os pronomes que podem desempenhar função de objeto direto são os pronomes “me”,
“te”, “se”, “nos” e “vos”. Além desses, podem ser objetos diretos os pronomes de terceira pessoa “O”, “A”, “OS” e “AS”.
5. Ao lado do início de Objeto Indireto, com megafone
O Objeto Indireto é um complemento verbal (complementa o sentido de um verbo) que, quando substituído por um pronome, aceita os pronomes “me”, “te”, “se”, “nos” e “vos”.
Além desses, podem ser objetos indiretos os pronomes de terceira pessoa “LHE” e “LHES”.
6. Em Objeto indireto, um pouco mais abaixo da anterior, COM O “REVISAR”.
Para localizar com clareza os objetos indiretos, é necessário que sejam revisadas, nas classes de palavras, as preposições. Além disso, convém lembras as combinações e contrações que podem ser verificadas entre preposições e artigos ou pronomes (à, ao, dele, desse, pelo, etc.).
7. Ao lado do início de Aposto, com megafone.
O Aposto não será exclusivamente o aposto explicativo, do qual nos lembramos com facilidade. Haverá também o aposto enumerativo, o aposto resumitivo, o aposto distributivo e o aposto especificativo ou restritivo (este último jamais isolado por sinal de pontuação, ao contrário dos demais).
8. Ao lado do início de Vocativo, com megafone
O Vocativo é aquele que se invoca para o interior da frase, ou seja, é o interlocutor trazido para dentro da estrutura frasal. O vocativo, sempre isolado por vírgulas, pode ser qualquer
“coisa” com a qual se esteja falando: pessoa, animal, entidade mística, objeto, etc.
9. Ao lado do início de Adjuntos Adverbiais, com megafone.
Os advérbios, como classe de palavras, podem ser de tempo, lugar, modo, intensidade, afirmação, negação e dúvida. Já os Adjuntos Adverbiais, como função sintática, podem ter várias outras classificações além dessas: de concessão, de causa, de finalidade, de instrumento, de meio, de valor, etc.
10. Ao lado do parágrafo que fala de Predicativo do Sujeito, com megafone.
O Predicativo do Sujeito é o atributo do sujeito que tradicionalmente ocorre na presença de um verbo de ligação, mas que pode ocorrer também em presença de verbos intransitivos ou de verbos transitivos. Em “Ela é bonita”, “Ela entrou bonita” e “Ela assinou o contrato bonita”, “bonita” é predicativo nas três frases; já os verbos são, respectivamente, VL, VI e VTD.
11. Ao lado do parágrafo que fala de Predicativo do Objeto, com megafone.
O Predicativo do Objeto é uma característica “transitória” do objeto. Em “Eu xinguei o aluno bêbado”, “bêbado” será adjunto adnominal (se se considerar que o aluno é permanentemente bêbado, vive bêbado) ou predicativo do objeto (se se considerar que o aluno estava bêbado na situação específica em que o encontrei).
12. Ao lado do início de Agente da Passiva, com megafone.
O Agente da Passiva, além de estar em uma voz passiva analítica e ser antecedido pela preposição “por”, deve necessariamente realizar a ação na voz passiva. Trata-se de uma função sintática geralmente “esquecida” pelos alunos. Convém ser lembrada.
13. Ao lado do início de Predicado, com megafone.
O Predicado poderá ser um Predicado Nominal (verbo de ligação + Predicativo do Sujeito), um Predicado Verbal (VI, VTD, VTI, VTDI) ou um Predicado verbo-nominal (VI, VTD, VTI, VTDI + Predicativo do Sujeito ou Predicativo do Objeto).
14. 1. Ao lado do início de Complemento Nominal, com megafone.
O Complemento Nominal será uma estrutura preposicionada que complementará adjetivos, advérbios ou substantivos abstratos. Complementando o sentido de um substantivo abstrato e introduzida pela preposição “de”, a estrutura será um complemento nominal quando tiver sentido passivo.
15. Ao lado do início de Adjunto Adnominal, com megafone.
O Adjunto Adnominal complementará substantivos concretos ou abstratos e será representado por artigos ou por “estruturas adjetivas” (que podem ser os próprios adjetivos, as locuções adjetivas, os pronomes adjetivos e os numerais adjetivos). Complementando o sentido de um substantivo abstrato e introduzida pela preposição “de”, a estrutura será um adjunto adnominal quando tiver sentido ativo.
ANOTAÇÕES:
3. ORAÇÕES
3.1 FRASE, ORAÇÃO, PERÍODO
Antes de fazermos um estudo mais detalhado das orações e de tudo aquilo que é importante em relação a esse assunto, cabe traçarmos a diferenciação básica entre frase, oração e período.
Será considerada uma frase todo e qualquer enunciado de sentido completo. Por essa razão, “Até mais!” é uma frase; “Eu comprarei as mercadorias.” é uma frase; e “Será que é verdade isso?” também é uma frase. Quando houver verbo no interior da frase, ela será chamada frase verbal. Assim, “Eu sou o mais trabalhador.” é uma frase verbal, devido à presença do verbo “ser”. Quando a frase não apresentar verbo, ela será chamada frase nominal. Então, “Silêncio!” é uma frase nominal, pois “silêncio” é substantivo e não há verbo nenhum na frase.
Oração é toda aquela estrutura que orbita em torno de um verbo. A oração é, portanto, uma estrutura necessariamente verbal. Uma frase pode não apresentar nenhuma oração (quando for uma frase nominal, sem verbos), pode apresentar uma única oração ou pode apresentar várias orações. “Entrada proibida.” é uma frase nominal, já que “entrada” é substantivo e “proibida” é adjetivo, de modo que não há nenhuma oração. “O menino detesta as regras.” é uma frase que apresenta uma única oração (quando houver apenas uma oração na frase, ela será classificada como oração absoluta). Em “A garota roubou canetas, mas as devolveu depois.” temos apenas uma frase, mas duas orações (a primeira é “A garota roubou canetas” e a segunda é “mas as devolveu depois”). Já em “Acordei, corri, almocei, dormi.” temos quatro orações.
Período é um enunciado de sentido completo que apresenta uma ou mais orações. Quando o período apresentar apenas uma oração, será chamado período simples. “A pessoa cometeu erros de avaliação.” é um período simples. Quando houver mais de uma oração no período, ele será chamado período composto. “Eu fiz um trabalho belíssimo, já que adoro a matéria” é um período composto.
3.2 ORAÇÕES COORDENADAS
3.2.1 COORDENADAS SINDÉTICAS X COORDENADAS ASSINDÉTICAS
Oração Coordenada Assindética é aquela que não é introduzida por conjunção. Já a chamada Oração Coordenada Sindética é aquela que é introduzida por uma das chamadas conjunções coordenativas.
Pode ocorrer de haver duas ou mais orações coordenadas assindéticas postas lado a lado.
A frase “João comprou carne, fez o churrasco, serviu os convidados, comeu com os demais”
temas quatro orações coordenadas assindéticas, já que nenhuma delas é introduzida por conjunção.
Também pode ocorrer de haver uma oração coordenada assindética acompanhada por uma ou mais orações coordenadas sindéticas. Na estrutura “Os homens foram ao evento, porém pouco participaram dos debates”, há uma oração coordenada assindética (“Os homens foram ao evento”) e uma oração coordenada sindética (“porém pouco participaram dos debates”).
ANOTAÇÕES:
3.2.2 AS ORAÇÕES COORDENADAS SINDÉTICAS
As Orações Coordenadas Sindéticas Aditivas indicam adição, soma, acréscimo e são introduzidas pelas conjunções coordenativas aditivas. As principais são “e”, “nem”,
“tampouco”, “não só … mas também”. Na frase “O rapaz saiu cedo e dirigiu-se ao colégio”, o segmento sublinhado é uma oração coordenada sindética aditiva. “Nem” e “tampouco”
são também conjunções aditivas e adicionam uma segunda negação a uma primeira negação já feita. Na frase “Os rapazes não fazem os deveres, nem assumem as suas responsabilidades”, o segmento sublinhado é uma oração coordenada sindética aditiva.
Perceba-se que a conjunção “nem” adiciona uma negação a outra negação: ao segmento negativo “Os rapazes não fazem os deveres” é adicionado um segundo segmento negativo (“os rapazes não assumem as suas responsabilidades”). “Tampouco” é equivalente a “nem”
em termos de significado. Por isso, a frase acima poderia ser escrita do seguinte modo: “Os rapazes não fazem os deveres, tampouco assumem as suas responsabilidades”. Na frase
“As meninas não só estudam os conteúdos, mas também fazem trabalhos extras”, o segmento sublinhado também é uma oração coordenada sindética aditiva.
As Orações Coordenadas Sindéticas Adversativas indicam oposição, contrariedade, antagonismo, adversidade e são introduzidas pelas conjunções coordenativas adversativas.
As principais são “mas”, “porém”, “todavia”, “contudo”, “entretanto”, “no entanto” e “não obstante” (quando equivaler a “mas”). Na frase “Eu gostei da blusa, mas ela não coube em mim”, o trecho sublinhado é uma oração coordenada sindética adversativa, que estabelece com a anterior uma relação de oposição, contrariedade, antagonismo. De modo geral, os nexos adversativos são todos substituíveis uns pelos outros, de modo que, na oração em que couber um deles, devem caber os demais. Assim sendo, a frase acima poderia ter qualquer dos nexos adversativos que se manteria gramaticalmente correta e manteria o seu sentido original: “Eu gostei da blusa, mas / porém / todavia / contudo / entretanto / no entanto / não obstante ela não coube em mim”. Cabe salientar que os nexos adversativos, com exceção do “mas”, aceitam ser deslocados para o meio ou para o final das orações adversativas. São corretas, por essa razão, as seguintes construções: “O jogo foi bastante disputado; o nosso time, entretanto, perdeu”; “As orações são muitas; é possível aprendê- las, contudo”. Por fim, convém ressaltar que a conjunção “e”, em contextos nos quais haja clara relação de oposição, contrariedade, antagonismo, será uma conjunção adversativa.
Na frase “Ele bebe um litro de cachaça e não fica bêbado”, a conjunção “e” equivale a “mas”, dada a clara oposição existente entre as ideias “beber um litro de cachaça” e “não ficar bêbado”.
As Orações Coordenadas Sindéticas Alternativas têm a ver, geralmente, com as ideias de
“alternância” ou “alternativa” e são introduzidas pelas conjunções coordenativas alternativas. As principais são “ou”, “ou … ou”, “ora … ora”, “quer … quer”, “seja … seja”. São exemplos de orações coordenadas alternativas construções como “A pessoa deve receber
um bom salário, ou precisa ser auxiliada pelo Estado”; “Ora choramos devido à fome, ora sorrimos por causa do futebol”; “Iremos ao médico na próxima semana, quer goste da ideia, quer a deteste”. Nas construções em que temos a conjunção “ou … ou” costuma ficar clara uma noção de exclusão entre ambos os termos. Assim, em “Ou fazemos as pazes, ou o clima seguirá ruim na família”, os termos excluem-se entre si.
As Orações Coordenadas Sindéticas Conclusivas indicam uma consequência ou uma conclusão e são introduzidas pelas conjunções coordenativas conclusivas. As principais são
“logo”, “portanto”, “por isso”, “por conseguinte”, “consequentemente”, “destarte”, “assim”,
“então”. Em “A empresa quebrou, portanto os funcionários não foram indenizados”, o segmento sublinhado é uma oração coordenada sindética conclusiva e apresenta uma conclusão ou uma consequência em relação ao que consta na oração anterior. As conjunções conclusivas também aceitam ser deslocadas para o meio ou para o final da oração conclusiva. É essa a razão pela qual estão corretas as seguintes construções:
“Haverá temporais devastadores; devemos, por isso, ficar dentro de casa”; “Os torcedores agrediram os jogadores; foram presos pelos policiais, por conseguinte”. A conjunção “pois”
somente será conclusiva quando estiver deslocada para o meio ou para o final da oração conclusiva, em construções como “Saímos cedo; chegamos, pois, a tempo” ou “Os pedreiros concluíram o serviço hoje; a casa está pronta, pois”.
ANOTAÇÕES:
As Orações Coordenadas Sindéticas Explicativas são introduzidas pelas conjunções coordenativas explicativas. As principais são “porque” e “pois”. Essas orações indicam o motivo pelo qual se afirmou o que foi afirmado na primeira oração. Isso quer dizer que haverá conjunções explicativas quando elas introduzirem a razão pela qual se pode inferir, supor, deduzir o que está na oração antecedente. Vejamos: em “Paulo não dormiu em casa hoje, porque a sua cama está intocada”, a oração sublinhada não é a “causa” do que consta na oração anterior, ou seja, a cama estar desarrumada não é a causa, o motivo de Paulo não ter dormido em casa. Na verdade, a cama estar intocada é aquilo que me permite inferir, deduzir, supor que Paulo não tenha dormido em casa. Trata-se, portanto, de uma oração coordenada sindética explicativa. Para facilitar um pouco a missão de quem estuda esse tópico, as orações coordenadas sindéticas serão, na imensa maioria das vezes, antecedidas por hipóteses, ordens, pedidos, desejos ou conselhos. Sendo assim, serão explicativas (e talvez mais facilmente reconhecíveis) orações como “É possível que eu vá ao aniversário, porque estarei por aqui nessa data” ou “Desapareça da minha frente, pois estou enfurecido com você”.
ANOTAÇÕES:
Exercício 1: Classifique as orações sublinhadas de acordo com o código seguinte.
(A) Aditiva (B) Adversativa (C) Alternativa (D) Conclusiva (E) Explicativa
1. O sol já se pôs, pois não se vê claridade pela janela.
2. O time não somente venceu a partida, mas demonstrou grande força.
3. Ou se fazem os trâmites legais, ou o casamento será cancelado.
4. Os dados são bastante pequenos, todavia têm os números visíveis.
5. Pegue logo aquele trem, porque em casa você não será mais recebido.
6. Confio na recuperação do time; não estou preocupado, pois.
7. É improvável que cheguemos a tempo, pois o trânsito é terrível a essa hora.
8. Não apenas gosto dela, como também a protejo.
9. Esta história já se arrasta há anos, destarte estamos perto de um desfecho.
11. A situação é crítica; tenhamos, pois, fé.
12. Ora estamos brigando furiosamente, ora somos mutuamente carinhosos.
13. O sol sequer se pôs no horizonte, por isso ainda enxergamos a estrada.
14. Caí muitas vezes nessa trajetória, mas em todas elas me levantei outra vez.
15. A chance de reversão do processo é mínima, não obstante recorreremos.
3.3 ORAÇÕES SUBORDINADAS ADVERBIAIS
3.3.1 ORAÇÕES SUBORDINADAS X ORAÇÕES PRINCIPAIS
As Orações Subordinadas Adverbiais, quando estão em sua forma chamada de desenvolvida, são introduzidas pelas conjunções subordinativas adverbiais. Mais uma vez, serão as conjunções, e os sentidos assumidos pelas conjunções nos contextos de uso, que determinarão a classificação das orações. A oração não introduzida por conjunção que acompanha a oração subordinada adverbial será chamada Oração Principal.
As Orações Subordinadas Adverbiais Desenvolvidas
As Orações Subordinadas Adverbiais Causais exprimem circunstância de causa e são introduzidas por conjunções como “porque”, “já que”, “visto que”, “uma vez que”. Na frase
“Ele comparecerá ao tribunal, já que foi intimado”, o segmento sublinhado é uma oração subordinada adverbial causal e indica a causa do evento expresso na oração principal (ter sido intimado é a causa de ele comparecer ao tribunal). A oração principal apresenta, portanto, a consequência daquilo que é indicado na subordinada. A conjunção “como”
somente será causal quando a subordinada estiver anteposta à principal ou intercalada na principal. Além disso, a conjunção “como” deverá, obviamente, ter valor causal, equivalendo a “já que” ou um dos demais nexos causais. Assim, em “Como cheguei atrasado, eu não pude fazer a prova”, a conjunção “como” terá valor causal, pois a oração está anteposta à principal e a conjunção equivale a “já que” (“Como cheguei atrasado, eu não pude fazer a prova” equivale a “Já que cheguei atrasado, eu não pude fazer a prova”).
O mesmo ocorreria, por exemplo, na seguinte construção: “Eu, como cheguei atrasado, não pude fazer a prova”. Nesse caso, a oração subordinada está intercalada na principal e a conjunção também equivale a “já que”.
As Orações Subordinadas Adverbiais Conformativas exprimem circunstância de conformidade e são introduzidas por conjunções como “conforme”, “segundo”,
“consoante”, “como”. Na frase “Eu agi com serenidade, conforme você pediu”, a oração sublinhada indica conformidade. Nessa mesma frase, poderíamos ter qualquer das outras três conjunções conformativas que nada mudaria em termos de sentido ou correção gramatical: “Eu agi com serenidade, conforme / segundo / consoante / como você pediu”.
Para ter valor conformativo, a conjunção “como” deverá, semanticamente, equivaler a
“conforme”.
As Orações Subordinadas Adverbiais Comparativas exprimem circunstância de comparação e são introduzidas por diversas conjunções: “como”, “mais … que”, “menos … que”, “maior … que”, “tal qual”, etc. Na frase “O homem gritava como um louco”, o segmento sublinhado é, mesmo que não pareça, uma oração subordinada adverbial comparativa. A conjunção “como”, para ser comparativa, deverá equivaler a “tal qual”, fato que podemos verificar na frase citada: “O homem gritava tal qual um louco”. Trata-se, portanto, de uma conjunção comparativa. Não devemos ter dúvidas ser ou não ser uma oração o segmento de que a conjunção faz parte. O segmento é sim uma oração, com a particularidade de que o verbo dessa oração é o mesmo da oração principal e está implícito:
“O homem gritava como um louco (gritaria)”. Aliás, o verbo estar implícito é uma característica frequente, quase unânime, nas orações comparativas. Vejamos outro exemplo. “A garota trabalha mais que o pai” é o mesmo que “A garota trabalha mais que o pai (trabalha)”.
As Orações Subordinadas Adverbiais Consecutivas exprimem circunstância de consecução (ou consequência) e são introduzidas por conjunções como “tão … que”, “tal … que”, “tanto ... que”, “tamanho ... que”. É importante lembrar que, quando há reticências entre as duas partes que compõem o nexo ou a conjunção, isso significa que, entre as duas partes, pode haver uma ou mais palavras. Observe: em “Chorei tanto que fique inchado” não há nada entre o “tanto” e o “que”, que ficam lado a lado; já em “Choveu tanto no domingo que a rua alagou” o segmento “no domingo” fica entre o “tanto” e o “que”. Em ambas as frases, porém, há algo comum: o segmento sublinhado é uma oração subordinada adverbial consecutiva. Sendo assim, podemos observar algo interessante: em todas essas conjunções em que há reticências entre as duas partes da conjunção, a segunda oração somente começa na segunda parte do nexo.
As Orações Subordinadas Adverbiais Finais exprimem circunstância de finalidade, intenção, objetivo e são introduzidas por conjunções como “a fim de que” e “para que”. Na frase
“Estudaremos toda a matéria, a fim de que tenhamos sucesso na prova”, o segmento sublinhado é uma oração subordinada adverbial conformativa. Não devemos confundir as grafias “a fim” e “afim”. Quando grafada de modo separado, como na frase anterior, a expressão indicará finalidade. Quando grafada sem separação, será um adjetivo e indicará afinidade, semelhança, podendo também ir para o plural. Nas construções “ideais afins” e
“formações afins”, o termo “afins” será um adjetivo e estará caracterizando um substantivo.
Poderá, também, mas muito raramente, ocorrer no singular: “Meu pensamento é afim ao teu”, que significa o mesmo que “Meu pensamento é semelhante ao teu”.
As Orações Subordinadas Adverbiais Proporcionais exprimem circunstância de proporcionalidade ou equivalência e são introduzidas por conjunções como “à proporção que”, “à medida que”, “quanto mais … mais”, “quanto mais … menos”, “quanto menos … mais” e outras. Na frase “Cresce a possibilidade de conflito, à medida que se intensifica a polarização ideológica no país”, a conjunção “à medida que” estabelece uma relação de equivalência ou proporcionalidade entre o crescimento da possibilidade de conflito e a intensificação da polarização ideológica no país. O mesmo acontecerá em “Quanto mais conhecia a natureza humana, mais se surpreendia com a personalidade dos homens”. Outra vez, o que há é o estabelecimento de uma relação de proporcionalidade ou equivalência, dessa vez entre o conhecimento acerca da natureza humana e a surpresa com a personalidade dos homens.
As Orações Subordinadas Adverbiais Temporais exprimem naturalmente circunstância de tempo e são introduzidas por conjunções como “quando”, “antes que”, “depois que”,
“enquanto”, “toda vez que” e outras. Na frase “O diretor ficou atônito quando percebeu o erro da secretária”, existe uma clara relação temporal estabelecida entre as orações: o diretor ficou atônito “no momento em que” percebeu o erro. Cabe lembrar que existe toda uma gama de diferentes circunstâncias temporais às quais se deve estar atento que podem ser expressas por esse grupo de nexos. Na frase “A chuva desabava sobre São Paulo, enquanto havia sol no Rio de Janeiro”, a conjunção “enquanto” exprime, além de tempo, relação de simultaneidade, de concomitância entre as ações. Portanto, deve-se manter atenção ao fato de que, além da ideia genérica de tempo, diversos nexos temporais exprimirão circunstâncias temporais mais específicas.
As Orações Subordinadas Adverbiais Condicionais exprimem circunstância de condicionalidade e são introduzidas por conjunções como “se”, “caso”, “desde que”,
“contanto que”, “a não ser que”, “a menos que” e outras. Na frase “O jogo será cancelado, se a chuva estiver forte”, estabelece-se uma condição (a chuva estar forte) para que um evento se realize (nesse caso, o jogo ser cancelado). O mesmo ocorreria na frase
“Comprarei uma ilha no Pacífico, caso a economia esteja estável”. Estabelece-se uma condição (a economia estar estável) para que se realize determinado fato (a compra da ilha).
As Orações Subordinadas Adverbiais Concessivas exprimem circunstância de concessão ou ressalva e são introduzidas por conjunções como “embora”, “ainda que”, “mesmo que”,
“se bem que”, “apesar de que” e outras mais. A conjunção concessiva introduz uma oposição em relação ao que está explicitado na oração principal, no entanto essa
de se comprar um carro novo, mas não é suficiente para impedi-lo. Ou seja, o carro novo será comprado, mesmo que haja a questão do endividamento.
Exercício 2: Classifique as orações sublinhadas de acordo com o código seguinte.
(A) Causal
(B) Conformativa (C) Comparativa (D) Consecutiva (E) Final
(F) Proporcional (G) Temporal (H) Condicional (I) Concessiva
1. Uma vez que estava cansado, desistiu de ir ao apartamento da irmã.
2. Contanto que me pedisse auxílio, eu teria oferecido apoio com o maior prazer.
3. O jogo teve bom púbico presente, posto que tenha chovido muito no dia anterior.
4. A verdade caiu sobre a mesa do jantar como uma bomba.
5. O atual diretor gosta tanto de holofotes que não deixa ninguém à vontade nas reuniões.
6. Segundo apregoam as previsões mais pessimistas, a empresa fechará em no máximo um ano.
7. Como perdi os documentos de identidade, obriguei-me a não sair do país.
8. Para que um ser humano se sinta valorizado, é necessário carinho e afeto.
9. Aquelas crianças trabalham tanto quanto os adultos.
10. Não me importo com o desempenho dos demais, desde que o meu seja superior.
11. Conquanto gostemos das pessoas humildes, às vezes agimos de modo arrogante
12. Tu tens tamanho sentido autodestrutivo que és um perigo para a tua própria vida.
13. Existe alguma chance de título, não obstante o campeonato esteja quase decidido.
14. Eles todos fizeram os exercícios de aula, como o professor tinha solicitado.
15. Saímos desesperados pela rua, a fim de que alguém nos visse e salvasse.
16. Existiam muito mais cadeiras vazias do que pessoas presentes no teatro.
17. A menos que eu esteja muito enganado, a garota pedirá demissão ainda essa semana.
18. A moça não chegará a tempo ao casamento, porque perdeu o voo para São Paulo.
19. Conforme eu avisara dias antes, o show foi suspenso devido ao estado de saúde do cantor.
20. Sempre senti tanto medo de altura que jamais consegui subir na Torre Eiffel.
3.3.2 ORAÇÕES SUBORDINADAS ADVERBIAIS REDUZIDAS
As orações reduzidas diferenciam-se das chamadas desenvolvidas por não serem introduzidas por conjunção (embora possam ser antecedidas por preposições) e por apresentarem o verbo em uma das formas nominais (infinitivo, gerúndio ou particípio). Para classificarmos as orações reduzidas, devido ao fato de não haver a conjunção, teremos de analisar o seu sentido.
Em “Chegando ao local, quero que tu ligues para avisar”, a oração sublinhada equivale semanticamente a “Quando chegares ao local”. Percebamos que em “Chegando ao local” não há uma conjunção introduzindo a oração, e o verbo está em uma forma nominal (no caso, no gerúndio). Por essa razão, ela será classificada como uma Oração Subordinada Adverbial Temporal Reduzida de Gerúndio. Já em “Sem fazer a refeição, a criança não poderá sair de casa”, a oração sublinhada equivale a “Se não fizer a refeição”.
Não sendo introduzida por uma conjunção e apresentando o verbo no infinitivo, a oração será classificada como uma Oração Subordinada Adverbial Condicional Reduzida de Infinitivo. Também em “Apesar de gostar da família, teve de mudar-se para o exterior”, a oração sublinhada equivale a “Embora gostasse da família”. Dessa forma, o que temos é uma Oração Subordinada Adverbial Concessiva Reduzida de Infinitivo.
ANOTAÇÕES:
3.4 ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS 3.4.1 CARACTERÍSTICAS
As Orações Subordinadas Adjetivas serão introduzidas por pronomes relativos. Os principais pronomes relativos são “que”, “o qual”, “cujo”, “onde” e “quem”. Trata-se de uma informação importante, pois geralmente as orações são introduzidas por conjunções. Nesse caso, não. Em vez de conjunções coordenativas ou subordinativas, o que identificará a presença de uma oração adjetiva será um pronome relativo. Em “O prédio que desabou estava interditado”, “que” é pronome relativo e introduz uma oração subordinada adjetiva:
“que desabou”. O mesmo ocorre em “A cidade cuja população está feliz desenvolve-se mais”. Nessa frase, “cuja” é pronome relativo e introduz a oração subordinada adjetiva “cuja população está feliz”.
ANOTAÇÕES:
3.4.2 ORAÇÕES ADJETIVAS X ORAÇÕES RESTRITIVAS
As orações subordinadas adjetivas podem ser Restritivas ou Explicativas.
Elas serão restritivas quando restringirem ou limitarem a significação do termo anterior.
Nesse caso, não serão isoladas por vírgulas da oração que estiverem acompanhando. Em
“O diretor que fez a manifestação será demitido”, “que fez a manifestação” restringe o sentido do elemento “diretor”, motivo pelo qual a oração não está isolada por vírgulas da outra oração.
Por outro lado, elas serão explicativas quando explicarem a significação de um termo anterior, caso no qual serão isoladas por vírgulas da outra oração. Em “O presidente, que é a autoridade máxima do Executivo, deve tomar importantes decisões”, “que é a autoridade máxima do Executivo” explica algo sobre o elemento anterior, motivo pelo qual essa oração é isolada por vírgulas.
ANOTAÇÕES: