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O MINISTÉRIO PROFÉTICO NO ANTIGO TESTAMENTO
Resumo
O subsídio desta semana (Lição 01 – 3º Trimestre 2010 de 04/07/2010) da Revista “Lições bíblicas”1 de Jovens e Adultos, que está abordando o tema O ministério profético na Bíblia – A voz de Deus na Terra, traz o assunto do exercício do ministério profético, com o título “O ministério profético no Antigo Testamento”. O texto áureo desta lição está registrado no livro de Os 12.10 “E falarei aos profetas e multiplicarei a visão; e, pelo ministério dos profetas, proporei símiles”. O Pr. Esequias Soares tirou a seguinte verdade prática do texto base da aula (Nm 11. 24-29): “Os profetas do Antigo Testamento serviram como canais de comunicação entre Deus e o seu povo, conscientizando-o acerca da vontade e do conhecimento divinos”. Este subsídio tem como objetivo explorar profunda e exaustivamente este assunto; não sendo, de forma alguma, a última palavra em um assunto tão amplo. Espera-se contribuir assim com os objetivos listados na lição bíblica que é: “identificar a origem do ministério profético; explicar o significado do termo profeta dentro do contexto das Escrituras Sagradas e reconhecer que Moisés e Arão deram início ao ministério dos profetas em Israel”.2 Bons estudos!!!
Palavras-Chaves: Profetas; Ministério Profético; Vocação Profética
Introdução
Os profetas tiveram papel importantíssimo na história do povo de Deus. Os grandes profetas dedicaram suas vidas e talentos ao Senhor Deus, sendo intérpretes ou mensageiros de Deus para os homens. Traziam a mensagem do Altíssimo ao seu povo. Denunciavam os pecados cometidos por toda classe de pessoas, desde o rei até o mais simples; toda sorte de pecado, desde os cometidos contra o Senhor Deus até aqueles cometidos contra a própria sociedade, contra as pessoas. Todos os profetas que falaram ao povo o fizeram para que este se voltasse para o Senhor e não se desviasse dos princípios morais, éticos e espirituais estabelecidos por Deus, para que seu povo se mantivesse puro, santo, separado dos costumes e hábitos das nações vizinhas.
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CPAD – Casa Publicadora da Assembleia de Deus
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Definição de Profeta
A palavra nabi no hebraico apresenta “a ideia essencial de porta-voz autorizado ou oficial” 3. No grego “a palavra deriva-se de prophetes, que quer dizer pessoa que fala em lugar de outra como intérprete, ou proclamador e também pessoa que prediz o futuro”.4
Uma das qualificações do profeta era a visão, no hebraico roeh conforme 1 Sm 9.9, e também hozeh segundo se vê em Is 30.10. Sob este aspecto o profeta era denominado vidente, sendo este o principal termo considerado pelo povo e que valorizava a estima do profeta junto à sociedade. Profetas como Samuel e Gate eram chamados por este nome.
Os profetas faziam parte de um grupo convocado pelo próprio Deus para se dirigirem ao povo em Seu nome, para isto conferia-lhes autoridade e dava-lhes palavra Dt 18.18,19.
Os profetas não recebiam este ofício por herança, ou seja, o ofício não era hereditário, nem conferido por homem algum; estes homens eram escolhidos por Deus que os chamava e dava-lhes as qualificações necessárias para o exercício de seu ministério 1 Sm 3.1-20; Jr 1.4-10; Ez 1 – 3.15.
A palavra do Senhor vinha a eles de várias formas. E Deus lhes ordenava que falassem tudo e não guardassem nada. O trabalho destes homens era confirmado por sinais extraordinários, pelo cumprimento de suas palavras, pelo valor de seus ensinamentos e sustentado por Deus na execução de suas ameaças aos ímpios e desobedientes.
Havia os falsos profetas também, além daqueles que falavam em nome dos ídolos Dt 18.20, 1Rs 18.19, Jr 2.8, 23.13; desta forma pode-se dividi-los em dois grupos: os impostores, que conscientemente diziam ter características que os diferenciavam dos verdadeiros profetas e recebiam honras por suas doces palavras, 1 Rs 22.5-28, Ez 13. 17-19, Mq 3.11, e homens sinceros, piedosos, com suas doutrinas fundamentadas na lei de Deus, mas, se enganavam, pensando que eram chamados por Deus para o exercício daquele ofício.
Os meios para se distinguir um falso profeta do verdadeiro: este era reconhecido por prodígios que realizava, Ex 4.8, Is 7.11, 14, porém só isto não era suficiente, pois poderia ser obra do acaso ou artifícios, Dt 13.1,2; 2 Ts 2.9. Outra forma de reconhecer o verdadeiro profeta era o cumprimento de suas profecias Dt 18. 21,22, à medida que o tempo passa e à proporção que se cumprem suas predições, seu reconhecimento aumenta. É possível identificá-lo ainda pela origem de seus ensinamentos se estes conduzem o povo diretamente a Deus, certamente o profeta é enviado por Deus, ao passo que se ocorre o inverso com certeza o profeta não é verdadeiro.
O verdadeiro profeta deve ensinar de acordo com a lei que nos dá a conhecer a Deus, a sua natureza, o seu caráter, que nos ensina o modo de adorá-lo e que nos fala a respeito da norma de proceder do homem. Não basta, porém, esta semelhança servil com a lei de Deus. Firmados nas doutrinas de lei, os profetas desenvolvem seus princípios, aplicando-os ao
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Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento
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procedimento humano em suas relações com Deus. Entre os sábios que a história registra, os profetas de Israel elevam-se sobre todos eles pela sua pureza, pelo seu valor moral... (DAVIS. John D. Dicionário da Bíblia. Trad. Rev. J. R. Carvalho Braga. 7 ed. Rio de Janeiro: JUERP, 1980.)
O profeta deveria ser um israelita natural, mas isto não impedia que o Senhor Deus poderoso, onisciente e onipotente usasse ou se manifestasse por intermédio de um homem que não fosse natural de Israel. O texto bíblico mostra isto em algumas passagens como: Gn 20.6; 41.1; Jz 7.13; Dn 2.1; MT 27.19.
O ministério profético
Os profetas de Deus recebiam orientações, ensino da parte do Senhor pelo Espírito Santo, conforme se verifica em 1 Rs 22.24; 2 Cr 15.1; 24.20; Ne 9.30; Ez 11.5; Mq 3.8; Zc 7.12; MT 22.43; 1 Pe 1.10,11. Deus trabalhava com cada um de seus profetas escolhidos de forma especial; falava com eles por meio de voz audível, ou por mensageiros angelicais, ou sonhos, visões e por meio de influências íntimas que eles reconheciam como vindas de Deus, Nm 7.89; 1 Cr 3.4; Dn 9.1.
A palavra do Senhor vinha a eles, que esperavam revelações, pelo seu discernimento natural, percebiam o que neles era do Espírito Santo. Os profetas não estavam continuamente sob a influência do Espírito Santo, nem tinham autorização para falarem em nome de Deus a não ser em ocasiões especiais. O período dos profetas foi de Moisés até a morte de Malaquias. Aproximando-se a chegada do Messias, o espírito profético reaparece.
A vocação profética era dada por Deus, Am 7.15, conforme já se falou neste artigo. O profeta conhecia intimamente o momento de sua chamada: Moisés foi chamado quando estava diante da sarça ardente Ex 3.1 – 4.17, momento aliás, em se conhece no texto bíblico o vocábulo profetizar, ou seja, falar em lugar de outro; Samuel, foi chamado quando ainda era um menino recebendo uma revelação muito especial, 1 Sm 3.1-15; Elias conheceu o momento em que foi chamado e quando recebeu as qualificações necessárias, 1 Rs 19.19,20; 2 Rs 2.13, 14; a visão que Isaías teve no dia em que morreu o rei Ozias, Is 6, segundo alguns estudiosos é o momento em que se inicia sua carreira de profeta; Ezequiel soube que havia sido chamado para o ofício de profeta, Ez 33. 1-4; Oséias fala do tempo em que Jeová falou por meio dele, Os 1.2.
Quanto ao modo de vida dos profetas, de forma geral, estes viviam como os demais homens. O traje mais característico do ofício do profeta era uma coberta de peles, 2 Rs 1.8; Zc 13.; Mt 3.4, não como símbolo de uma vida ascética, mas como um sinal de tristeza por conta dos pecados do povo, como se fosse uma roupa de saco, Is 20.2; estas capas não eram cingidas ao corpo como o faziam os ascetas mas apenas jogada sobre os ombros. Alguns deles alimentavam-se de frutas silvestres, 2 Rs 4.39; eram sustentados por donativos de pessoas generosas, 1 Sm 9.8; 2 R 4.42; davam-lhes hospedagem e alimento, 1 Rs 17.9; 18.4; 2 Rs 4. 8-10. “Alguns dos profetas eram levitas, e, como tais, viviam de suas rendas; outros possuíam
www.iead-msbc.com.br - 4 bens particulares, como Eliseu e Jeremias, 2 Rs 19. 19,21; Jr 32. 8-10; outros eram sustentados na corte como o profeta Gate, que vivia na corte do rei Davi 2 Sm 24.11”5.
Alguns dos profetas mencionados no texto bíblico foram grandes escritores e historiadores. Durante o período em que Isaías e Oséias, por exemplo, exerceram seu ministério, os profetas registraram de forma resumida suas profecias.
Espiritualmente os profetas eram homens preparados para receber a revelação divina e a transmitir ao povo, pois eram separados para servir o povo de Deus, viviam em constante oração e meditação, viviam em plena comunhão com Deus.
Alguns homens não eram profetas oficialmente, ou melhor, não exerciam o ofício de profeta, porém profetizaram como Davi que profetizou a vinda de Cristo, ele era rei; Daniel foi um grande profeta, mas não se dedicou a exortar o povo, antes era um estadista e governador, apesar de não serem profetas oficiais, Davi e Daniel, sua produção consta do Cânon sagrado.
Mulheres também exerceram o ministério profético, foram chamadas por Deus para exercer o ofício profético, como se pode verificar no texto sagrado em Jz 4.4-14 Débora; Hulda 2 Rs 22. 12-20; no livro de Isaías ele menciona também uma profetiza Is 8. 3; Felipe, o evangelista era pai de quatro moças que profetizavam At 21.9. “Por que para com Deus não há acepção de pessoas” Rm 2.11.6
Conclusão
Os grandes profetas dedicaram suas vidas, talentos para ensinar o povo. Foram levantados e vocacionados pelo próprio Deus para exercerem este ministério. Estes homens perceberam a atuação de Deus na história de seu povo, e que eles eram seus mensageiros, chamados para denunciar os falsos ensinamentos, os pecados da injustiça social, a imoralidade e a desumanidade do povo.
Em muitas situações, como a do profeta Jeremias, o povo não ouvia o homem de Deus, preferia dar ouvidos aos falsos mensageiros, falsos profetas, conseqüentemente foi à ruína por não ouvir a voz de Deus por intermédio de seus enviados.
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DAVIS. John D
www.iead-msbc.com.br - 5 Referências
BÍBLIA. Português. Tradução João Ferreira de Almeida. Edição Revista e Atualizada no Brasil.
CRABTREE. Asa Routh. Teologia do Velho Testamento, 4 ed. Rio de Janeiro: JUERP, 1986. DAVIS. John D. Dicionário da Bíblia. Trad. Rev. J. R. Carvalho Braga. 7 ed. Rio de Janeiro: JUERP, 1980.
Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento. R. Laird Harris organizador. Trad. Márcio Loureiro Redondo, Luiz Alberto T Sayão, Carlos Osvaldo C. Pinto – São Paulo: Vida Nova, 1998.
São Bernardo do Campo, 02 de julho de 2010.
Carolina Souza da Silva7
Revisão Teológica Valter Borges dos Santos8
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Colaboradora, Superintendente da EBD – AD Thelma. E-mail: [email protected]