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Primeiros Passos
Empreendedorismo
Tema Nº 3 – Primeiros
Passos
Habilidades a Desenvolver:
• Reconhecer as etapas iniciais do empreendedorismo. • Analisar o tipo de negócio, bem como sua viabilidade e demandas de recursos de novos empreendimentos. Abrir um negócio é o sonho de muita gente. Seja por um anseio em “ser seu próprio patrão”, livrando-se da subordinação a outras pessoas, seja pelo desejo de conquista da independência financeira, um contingente bastante numeroso de profissionais inicia uma atividade empreendedora e estabelece sua própria empresa. O problema é que entre o desejo e a concretização acertada desse sonho, há muitos detalhes determinantes para o sucesso. A inobservância a esses detalhes pode significar a morte prematura do empreendimento. Você conhecerá os primeiros passos para uma caminhada segura rumo ao sucesso de um novo negócio. Bons estudos!Definição do Negócio, do(s)
Produto(s) e do Mercado
A primeira dúvida do novo empreendedor é em qual ramo de atividade irá investir. Essa é uma decisão muito importante, pois deve levar em consideração aspectos como o grau de saturação do mercado, a demanda por determinados produtos e serviços, além, é claro, das competências e preferências do empreendedor.
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Nessa etapa, é preciso definir o que irá produzir (produtos / serviços), para quem irá produzir (público-alvo), no que será diferente de outros concorrentes (diferencial competitivo), entre outros. O produto ou serviço a ser produzido é fundamental para determinar a área de atuação da empresa. Sua definição deve partir de uma demanda por algo em especial, seja por necessidade, seja por desejo (que não deixa de ser uma “necessidade psicológica”) dos futuros clientes. Não faz sentido produzir algo que ninguém esteja disposto a comprar. Quando um cliente compra um produto ou serviço está abrindo mão de um valor em dinheiro que ele recebeu em troca de seu trabalho, portanto não irá gastá-lo com um bem que não lhe seja útil. Prospectar o mercado e identificar produtos e serviços que tenham procura ou potencial de demanda é fundamental para uma escolha segura por parte do empreendedor.
Conhecer o público-alvo, os clientes típicos a serem atendidos pelos produtos ou serviços produzidos é essencial para ajustar as características do bem ofertado às necessidades desses clientes. É preciso conhecer, por exemplo, os gostos, preferências e exigências daqueles que pagarão pelos bens produzidos. Se o público-alvo precisa de velocidade em seu almoço, por exemplo, uma loja de fast-food tem mais chance de sucesso do que um restaurante cuja refeição demande muito tempo de preparo. Para pais que trabalham fora, uma escola que ofereça a alternativa de tempo integral para seus filhos prosperará mais facilmente do que outra que não disponha desse benefício.
Conhecendo o cliente, é possível ajustar a qualidade e o custo do produto ou serviço, de modo a oferecê-lo a um preço adequado a seu perfil.
Finalmente, é preciso conhecer os concorrentes já estabelecidos no mercado. Podemos entender como concorrente qualquer empresa que tenha o potencial de fazer com que o cliente deixe de comprar de sua empresa para comprar dele. Existem concorrentes diretos, como um
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fabricante de relógios que compete com outro fabricante do mesmo produto, e indiretos, como o caso dos celulares atuais que provocam a diminuição das vendas de relógios para aqueles que o utilizam apenas por sua função de informar a hora (sem finalidade de adorno). Saber as características técnicas dos bens produzidos pelos concorrentes, seu preço, seu prazo de entrega, entre outros, é crucial para se analisarem as chances de fazer frente a essa concorrência.
É preciso ter certeza de que haverá interessados em comprar o que a empresa produzirá, com um preço capaz de cobrir todos os custos e despesas e, ainda, gerar lucro e em quantidade que compense os esforços do empreendimento. É importante destacar que o empreendedor deve conhecer, profundamente, seu negócio. Caso ele opte por abrir uma empresa em um ramo no qual ele não era especialista, deve tornar-se um. Para isso, deverá visitar empresas, relacionar-se com outros empresários, trocar idéias com profissionais que conheçam a fundo o ramo de negócio em questão, pesquisar etc. Sem conhecer seu negócio, seu produto, seus clientes e seus concorrentes, o empreendedor poderá se aventurar em um caminho muito arriscado.
Análise da Viabilidade do Negócio
Para avaliar a viabilidade do negócio, o empreendedor deverá comparar os gastos que terá para manter a empresa operando com a receita potencial. Para isso, primeiramente, deverá compreender os tipos básicos de gastos que a empresa terá em seu funcionamento.
De maneira simplificada, classificaremos os gastos previstos em duas categorias (mais à frente, na aula sobre gestão financeira, conheceremos a classificação contábil dos gastos):
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• Gastos fixos – são aqueles que não dependem do volume
produzido, por exemplo o aluguel do imóvel onde está localizada a empresa, as contas de luz, água, telefone e internet, material de escritório, salário e encargos sociais dos empregados da área administrativa, pró-labore dos sócios, honorários do contador etc. Como a empresa deverá fazer esses pagamentos independente da quantidade de bens produzidos e vendidos, quanto maior o volume de vendas, menor a participação percentual desses gastos no preço unitário dos bens produzidos. • Gastos variáveis – compreendem aqueles que estão diretamente relacionados com o volume produzido, por exemplo os salários e os encargos sociais dos empregados ligados à produção, comissões de vendedores, matéria-prima etc.
Uma vez estabelecidos os gastos fixos e variáveis, pode-se calcular o ponto de equilíbrio (conhecido, também, por break-even point). O cálculo do ponto de equilíbrio apresenta a quantidade vendida necessária para cobrir todos os gastos da empresa. Essa quantidade representa o volume de vendas com que a empresa não tem prejuízo nem lucro.
Para calcular o ponto de equilíbrio, é preciso definir os gastos fixos e o gasto variável por unidade.
A partir daí, aplica-se a fórmula:
Ponto de Equilíbrio (PE) = Gastos fixos
Preço unitário – Gasto variável unitário
Exemplo:
Uma fábrica de sapatos, para operar, tem um gasto fixo mensal de R$28.000,00. Cada par de sapatos que ela vende por R$75,00 custa, para produzir, R$40,00. O ponto de equilíbrio dessa empresa, aplicando-se a fórmula acima, será:
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PE = R$28.000 R$75 – R$40 Ponto de equilíbrio = 800 pares de sapato por mês. Isso significa que, até que ela venda 800 pares de sapato, a empresa estará deficitária, ou seja, operará com prejuízo. Vendendo exatamente essa quantidade, atingirá seu ponto de equilíbrio, ou seja, não terá prejuízo nem lucro. Vendendo mais de 800 pares de sapato por mês, estará superavitária, ou seja, operará com lucro.Assim, para saber se um empreendimento será viável, primeiramente o empreendedor deverá conhecer seu ponto de equilíbrio para verificar se o volume mínimo necessário de venda é possível de ser atingido, se há mercado comprador para essa quantidade mensal de produtos.
Outro aspecto a se considerar para analisar a viabilidade do negócio é o prazo de retorno do capital investido. Para calculá-lo, deve-se dividir o investimento realizado na abertura do negócio, bem como para o início das operações pelo lucro mensal proporcionado pela empresa. A fórmula para calculá-lo, então, será: Prazo de Retorno do Investimento = Investimento Lucro mensal Usando como exemplo a fábrica de sapatos, imaginemos que, para abrir o negócio e iniciar suas operações, o empreendedor investiu R$120.000,00. Ele está vendendo, em média, 1.500 pares de sapatos por mês. Portanto: Gastos fixos – R$25.000,00 Gastos variáveis – R$60.000,00 (150 pares X R$40,00 por par) Gastos totais – R$85.000,00 Receita – R$112.500,00 (150 pares X R$75,00 por par) Lucro mensal – R$27.500,00 Investimento inicial – R$120.000,00
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Prazo de Retorno = R$120.000 R$27.500 Prazo de retorno do investimento = 4,5 meses. Com o prazo de retorno calculado, o empreendedor terá como verificar se tem “fôlego” para esperar o retorno sobre o capital investido.As análises financeiras, atualmente, estão bastante avançadas. Os especialistas efetuam inúmeros cálculos antes de investir montantes significativos em empreendimentos de grande porte, mas, para a abertura de um negócio próprio de pequeno ou médio porte, o ponto de equilíbrio e o prazo de retorno são suficientes para apresentar um quadro confiável ao empreendedor.
Investimento Inicial
Para começar um negócio, é necessário um capital que será utilizado no início de suas operações. O empreendedor deverá definir o valor desse capital, de modo a equilibrar as necessidades de um novo empreendimento com a disponibilidade de dinheiro do empreendedor.Sem dúvida, quanto maior a quantidade de recursos de uma empresa (máquinas, equipamentos, pessoal etc.), mais fácil será a sua gestão, mas, para isso, precisará de um montante maior de capital para adquirir esses recursos.
Para definir o valor desse capital inicial, é preciso estabelecer um prazo esperado para a empresa começar a dar algum retorno. Empresas novas são ainda desconhecidas por parte dos clientes, o que faz com que operem “no vermelho” por algum tempo. Cada tipo de negócio tem um período de “carência” e essa informação é crucial para o empreendedor. Como fórmula geral, porém, pode-se calcular o investimento inicial para um período de três meses.
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Para se chegar ao valor do investimento inicial, o empreendedor deverá considerar: • Imóvel (compra ou aluguel – se for aluguel, calcular para o período de carência); • Máquinas e equipamentos; • Móveis e utensílios; • Instalações; • Reformas; • Despesas com propaganda; • Veículos (quando for o caso);• Salários e encargos sociais dos empregados (para o período de carência);
• Estoque inicial de matérias-primas e mercadorias; • Impostos e taxas;
• Despesas gerais;
• Reserva financeira (um percentual do investimento inicial a ser guardado para casos imprevistos).
O empreendedor deverá, então, multiplicar o valor necessário para cada item pelo número de meses do período de carência (três meses, por exemplo) e somar esses sub-totais.
Se o investimento inicial for bancado pelos sócios, então o resultado acima acrescido de uma margem de segurança de 5% a 10% pode ser considerado como o capital inicial necessário para o início do negócio. Porém, se for necessário tomar dinheiro emprestado com investidores ou bancos, as parcelas a serem pagas pelo empréstimo ao longo do período de carência também deverão ser consideradas para definir o valor mínimo do investimento inicial.
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ITEM 1º MÊS 2º MÊS 3º MÊS SUB-TOTAL Aluguel do imóvel 1.000,00 1.000,00 1.000,00 3.000,00 Computador (caixa) 1.500,00 – – 1.500,00 Bancadas 500,00 – – 500,00 Vitrines 500,00 – – 500,00 Reforma 450,00 – – 450,00 Despesas com propaganda 400,00 300,00 200,00 900,00 Salários e encargos (3 vendedoras) 3.000,00 3.000,00 3.000,00 9.000,00 Estoque de mercadorias 5.000,00 – – 5.000,00 Impostos e taxas 500,00 500,00 500,00 1.500,00 Despesas gerais 300,00 250,00 200,00 750,00 Reserva financeira 500,00 500,00 500,00 1.500,00 TOTAL 24.600Considerando-se uma margem de segurança de 10% e partindo-se da premissa de que não será tomado nenhum tipo de empréstimo, o empreendedor deverá iniciar o negócio com pelo menos R$27.060,00.
Parceiros de Negócio
Para alcançar o sucesso em seu novo negócio, o empreendedor deverá procurar estabelecer algumas parcerias. É sempre importante ter alguém para dividir as preocupações e os problemas, e por que não, as glórias. Uma rede de parceiros para o empreendedor engloba: • Sócio(s) – abrir uma empresa não é tarefa fácil, por isso é muito importante que seja realizado por mais de uma pessoa – além disso, para alguns tipos de empresa, a lei estabelece a obrigatoriedade de pelo menos dois sócios-proprietários – para ser sócio, não é necessário que haja um forte vínculo de amizade, mas é fundamental que entre todos haja muito respeito, integridade e confiança. • Contador – exigido por lei para a abertura e manutenção contábil da empresa e fundamental para evitar quaisquer tipos de problemas fiscais – é o contador quem cuida de toda documentação inicial, define com o empreendedor o tipo de sociedade e contrato social da empresa, orienta para procedimentos tributários, além de, em alguns casos, prestar consultoria financeira à empresa. • Entidades de apoio – instituições que orientam o empreendedor
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na abertura e início das operações de seu negócio, além de ministrar cursos e treinamentos específicos sobre gestão de um negócio próprio – no Brasil, um bom exemplo é o Sebrae (www. sebrae.com.br).
• Fornecedores – estabelecer parceria com fornecedores é uma
forma de garantir a qualidade e a confiabilidade no fornecimento, além de conquistar apoio em eventuais momentos de dificuldade – a história do empreendedorismo no Brasil está recheada de exemplos de empresas que contaram com o apoio de fornecedores em momentos difíceis de sua fase inicial.
• Clientes – enxergar os clientes além da relação comercial pode
ser uma forma de fidelizá-los – para isso, porém, é preciso dar a eles um atendimento personalizado, além de estabelecer, desde o início, um relacionamento ético e respeitoso.
Atividade
Quanto custa abrir uma empresa? Quanto preciso vender para passar a ter lucro em meu negócio? A resposta a essas perguntas é a essência da análise de viabilidade do negócio.
Para exercitar os conhecimentos relativos a esse assunto, escolha dois ramos diferentes de atuação empresarial (pode ser uma loja e uma fábrica, ou ainda um escritório de contabilidade e uma empresa de entregas). Elabore uma relação criteriosa de tudo de que as empresas escolhidas precisarão para começar a operar. Faça, então, uma estimativa de gastos para um horizonte de três meses e defina o investimento inicial mínimo para colocá-las em funcionamento. Em seguida, defina (ainda por estimativas) os gastos fixos e os variáveis, calcule o ponto de equilíbrio e o prazo de retorno do investimento para ambas as empresas.
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Compare os resultados das duas e elabore um texto com suas conclusões acerca da viabilidade de cada uma das empresas escolhidas. Você verá que não é tão difícil como parece o estudo de viabilidade de um pequeno negócio próprio. Boa sorte!Síntese
Você conheceu os primeiros passos dados por um empreendedor, além de aprender como calcular a viabilidade do negócio. Na próxima aula,você aprenderá como buscar, identificar e aproveitar as oportunidades de negócio, sem dúvida uma das principais habilidades do empreendedor. Até lá!Bibliografia
DORNELAS, José Carlos Assis. Transformando idéias em negócios. 2 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005.
CHIAVENATO, Idalberto. Empreendedorismo: dando asas ao espírito
empreendedor. São Paulo : Saraiva, 2004.
DOLABELA, Fernando. Oficina do empreendedor. São Paulo: Cultura Editores Associados, 1999.