• Nenhum resultado encontrado

Universidade Estadual de Londrina

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "Universidade Estadual de Londrina"

Copied!
84
0
0

Texto

(1)

Universidade

Estadual de Londrina

ADRIANE MARINHO DE ASSIS

DESEMPENHO DE CULTIVARES DE ANTÚRIO

(Anthurium andraeanum Lindl.) COMO FLOR DE

CORTE NO NORTE DO PARANÁ

LONDRINA 2008

(2)

Livros Grátis

http://www.livrosgratis.com.br

(3)

ADRIANE MARINHO DE ASSIS

DESEMPENHO DE CULTIVARES DE ANTÚRIO

(Anthurium andraeanum Lindl.) COMO FLOR DE

CORTE NO NORTE DO PARANÁ

Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Agronomia da Universidade Estadual de Londrina para obtenção do título de Doutor em Agronomia.

Orientador: Prof. Dr. Ricardo Tadeu de Faria Co- Orientador: Prof. Dr. Deonisio Destro

LONDRINA 2008

(4)

ADRIANE MARINHO DE ASSIS

DESEMPENHO DE CULTIVARES DE ANTÚRIO

(Anthurium andraeanum Lindl.) COMO FLOR DE

CORTE NO NORTE DO PARANÁ

Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Agronomia da Universidade Estadual de Londrina para obtenção do título de Doutor em Agronomia.

COMISSÃO EXAMINADORA

Profa Dra. Lúcia Sadayo Assari Takahashi UEL

Profa Dra. Kathia Fernandes Lopes Pivetta UNESP

Profa Dra. Conceição Aparecida Cossa FFALM

Profa Dra. Elisete Aparecida Fernandes Osipi FFALM

Prof. Dr. Amarildo Pasini UEL

Dra. Jane Fiuza Rodrigues Portela de Carvalho UFV

____________________________________

Prof. Dr. Deonisio Destro Co-Orientador

(5)

DEDICATÓRIA

À minha mãe, Maria Valnice...

(6)

Acredito que um trabalho bem sucedido não se constrói isoladamente. Esta obra só foi possível graças ao comprometimento, disposição e auxílio de muitos, aos quais deixo aqui registrado meus sinceros agradecimentos:

À Deus, que é minha fortaleza e a base da minha existência;

À minha família, por todo o apoio e amor incondicional;

À minha amada mãe, Maria Valnice Marinho de Assis, que me fez acreditar que era possível quando tudo parecia difícil; minha grande incentivadora e companheira, amiga com quem compartilho minhas alegrias e anseios;

Ao meu pai, Jarbas Inácio de Assis, por todo o incentivo na minha formação profissional;

À minha querida irmã e amiga, Luciene de Assis Nono, pelo companheirismo, força e amor, especialmente nos momentos difíceis. Também agradeço minha irmã Cristiane Marinho de Assis e meu cunhado, Márcio Antônio Nono, por fazerem parte da minha vida;

Às minhas sobrinhas, Luma de Assis Nono, Tainá Marinho Dias e Isabela de Assis Nono, por tornarem meus dias tão especiais;

À minha prima, Claudia Maria Marinho, amiga de todas as horas, por todo o amor, paciência e incentivo;

Ao meu orientador, Dr. Ricardo Tadeu de Faria, pela amizade e ensinamentos, que muito contribuíram na minha formação profissional e, acima de tudo, por ter confiado no meu trabalho, me dando a oportunidade de crescimento, sem medir esforços;

Ao meu co-orientador, Dr. Deonisio Destro, pela honra em permitir o acesso a seus ensinamentos e por ter aceitado participar desta pesquisa. Também agradeço pela amizade, por todo estímulo e contribuição, indispensáveis ao enriquecimento deste trabalho, especialmente na fase de conclusão;

À Dra. Lúcia Sadayo Assari Takahashi, conselheira que sempre me acolheu com carinho e que, por meio de seu trabalho pioneiro com a cultura dos antúrios na Universidade Estadual de Londrina (UEL- PR), me concedeu a oportunidade de continuidade do trabalho;

(7)

execução desta pesquisa;

Ao Cnpq, pelo apoio á pesquisa e pela bolsa de estudos concedida;

Ao Dr. Antonio Fernando Caetano Tombolato, do IAC (Instituto Agronômico de Campinas), pela rica contribuição na condução deste trabalho;

À minha querida amiga, Doutoranda Lilian Keiko Unemoto, que trabalhou comigo durante a condução e conclusão deste e de muitos trabalhos de pesquisa na UEL, sendo portanto, merecedora desta conquista;

Aos professores do Departamento de Agronomia da UEL, pelos ensinamentos e amizade;

À Dra. Inês Cristina de Batista Fonseca, pelo auxílio nas análises estatísticas;

À Dra. Sandra Helena Prudêncio, pelos ensinamentos e acompanhamento em todas as etapas do teste de avaliação da aceitação das cultivares de antúrio pelo consumidor;

Aos integrantes da comissão examinadora, Dra. Lúcia Sadayo Assari Takahashi, Dra. Conceição Aparecida Cossa, Dra. Elisete Aparecida Fernandes Osipi, Dra. Kathia Fernandes Lopes Pivetta, Dra. Jane Fiuza Rodrigues Portela de Carvalho e Dr. Amarildo Pasini, por terem disponibilizado seu precioso tempo na correção deste trabalho;

Aos professores da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP- FFALM), pelos ensinamentos, apoio e amizade durante e após minha estada na instituição;

A todos os colaboradores do Laboratório de Cultura de Tecidos e Células Vegetais da UEL, em especial, Geraldo Lopes da Silva, José Vicentini Neto (seu “Bié”), Alexandre Aparecido de Souza, Silvia Sandra Vicentini e Adeildo de Amaral, pela amizade, apoio e dedicação na execução dos trabalhos;

Ao Sr. Luis Kobe , da Cleo’s Flores e Decorações, pelo apoio e auxílio na condução dos trabalhos;

Ao Sr. Sidney Anibal Redon, da Gráfica “VS Cópias” e Marcelino de Jesus Monteiro, da Gráfica “Multi Cópias”, pela paciência e auxílio na impressão dos trabalhos;

(8)

Boye, Cornélia Gamerschlag, Larissa Abgariani Colombo, Maria Terezinha Malaghini, Magda Cristiane Ferreira, , Alessandro Borini Lone, Mizue Hirakawa, Dayse Marcondes de Cnop e Maria das Graças Dias Midauar, pelo carinho e incentivo;

Aos colaboradores Graciane Aparecida da Silva Guilherme, Dalva Polli da Palma, Weda Aparecida Westin e Darlot Alves da Silva, pelo apoio durante o curso;

Enfim... a todos aqueles que direta ou indiretamente contribuíram durante as etapas desta empreitada.

(9)

“Que o Mestre dos Mestres o ensine que nas falhas e lágrimas se esculpe a sabedoria”.

(10)

andraeanum Lindl.) como flor de corte no Norte do Paraná. 2008. Tese de Doutorado em

Agronomia – Universidade Estadual de Londrina, Londrina, 2008.

RESUMO

Na floricultura tropical, as plantas do gênero Anthurium ocupam lugar de destaque, tanto pela beleza da folhagem quanto pela variação nas formas, cores e durabilidade de suas

inflorescências. O objetivo deste trabalho foi avaliar o desempenho de sete cultivares de antúrio como flor de corte no Norte do Paraná. As mudas oriundas do Instituto Agronômico de Campinas-IAC foram obtidas a partir da propagação in vitro e aclimatizadas em estufa (80% de sombreamento). Posteriormente, foram transferidas para viveiro com tela de polipropileno na coloração preta, com 80% de sombreamento, onde permaneceram dezoito meses. Foram estudadas as cultivares ‘Apalai’, ‘Ianomami’, ‘Kinã’, ‘nK 102’, ‘Parakanã’, ‘Rubi’ e ‘Terena’. Após quatro meses da instalação do experimento, iniciaram-se as avaliações dos parâmetros: número de flores (mensalmente), comprimento da haste,

comprimento e largura das flores e comprimento da espádice (avaliados a cada dois meses). O número de folhas foi avaliado após seis, nove e dezoito meses da instalação do experimento e os parâmetros: comprimento e largura do limbo foliar, assim como o comprimento do pecíolo foram avaliados após nove e dezoito meses. O delineamento experimental foi inteiramente casualizado com seis repetições, sendo cada parcela constituída por cinco plantas. O teste empregado para comparação das médias foi o Tukey a 5% de significância. Também foi realizada a avaliação sensorial da aparência das plantas, por meio do teste da escala hedônica. Concluiu-se que as cultivares ‘Apalai’, ‘nK 102’, ‘Parakanã’ e ‘Rubi’ apresentaram boa adaptação e são indicadas como flor de corte; enquanto a cultivar ‘Ianomami’, além do menor desenvolvimento vegetativo, não produziu espatas, não sendo recomendada para cultivo no Norte do Paraná.

Palavras-chave: Anthurium, Cultivo, Planta ornamental, Flor tropical.

(11)

andraeanum Lindl.) como flor de corte no Norte do Paraná. 2008. 80 folhas. Tese de

Doutorado em Agronomia - Universidade Estadual de Londrina, Londrina, 2008.

ABSTRACT

THE PERFORMANCE OF ANTHURIUM (Anthurium andraeanum Lindl.) CULTIVARS AS CUT FLOWERS IN NORTHERN PARANÁ

In tropical flower growing, plants of the Anthurium genus stands out not only for the beauty of its foliage but also for their different forms, colors and inflorescence durability. The objective of this work was to evaluate the performance of seven anthurium cultivars as cut flowers in Northern Paraná. Seedlings from Instituto Agronômico de Campinas –IAC were obtained through in vitro propagation and acclimatized in a greenhouse (80% of shading). Later they were transferred to a nursery protected by a black polypropylene scream, with 80% of shading, for 18 months. Cultivars ‘Apalai’, Inanomani, ‘Kinã’, ‘nK 102’, ‘Parakanã’, ‘Rubi’ and ‘Terena’ were studied. Four months later into the experiment, the following parameters were evaluated: number of flowers (monthly), stem length, flower length and width spadix length (evaluated every two months). Number of leaves was evaluated after six , nine and eighteen months into the experiment , and foliar limbo length and width as well as petiole length were evaluated after nine and eighteen months. Experimental design was totally casualized with six replications, and each parcel included 5 plants. Means were compared by the Tukey test at 5% of significance. In addition, a sensorial evaluation of the plants

appearance was carried out by the hedonics scale test. Results from the study showed that cultivars ‘Apalai’, ‘nK 102’, ‘Parakanã’ and ‘Rubi’ brought about good adaptation and are recommended as cut flowers whereas cultivar ‘Ianomami’ did not produce spathes and developed less than the other cultivars, thus not being recommended for cultivation in Northern Paraná.

Key-words: Anthurium, Cultivation, Ornamental plant, Tropical flower.

(12)

Figura 2.1. Arranjo composto por flores tropicais produzidas na UEL. ... 21

Figura 2.2. Arranjo de antúrio, estrelítzia e gérbera... 22

Figura 2.3. Arranjo de antúrio, gérbera e rosas. ... 22

Figura 2.4. Folhas de antúrio revestindo bambu, usado como suporte no arranjo de rosas. ... 23

Figura 2.5. Suporte em ferro com folhas de antúrio... 24

Figura 2.6. Arranjo de antúrios no suporte em ferro. ... 24

Figura 2.7. Flor de antúrio: A-espata; B- espádice... 25

Figura 2.8. Detalhe da espádice... 25

Figura 2.9. Antúrio Bandeira. ... 26

Figura 2.10. Antúrio Bicolor. ... 26

Figura 2.11. Antúrio Obake... 27

Figura 2.12. Antúrio Normal. ... 27

Figura 2.13. Flores de ‘Apalai’... 29

Figura 2.14. Flor de ‘Ianomami’. ... 30

Figura 2.15. Flores de ‘Kinã’... 30

Figura 2.16. Flores de ‘nK 102’. ... 31

Figura 2.17. Flores de ‘Parakanã’... 31

Figura 2.18. Flores de ‘Rubi’. ... 32

Figura 2.19. Flores de ‘Terena’. ... 32

Figura 2.20. Arranjo elaborado com as cultivares ‘Apalai’, ‘Kinã’, ‘nK 102’, ‘Parakanã’, ‘Rubi’ e ‘Terena’. ... 33

Figura 2.21. Estufa de produção de antúrios em vasos da empresa Terra Viva (Holambra-SP)... 35

Figura 2.22. Detalhe das flores de antúrio produzidas em vasos na empresa Terra Viva. Holambra-SP. ... 35

Figura 2.23. Vasos da empresa Terra Viva, embalados e acondicionados em caixas de papelão. Holambra-SP. ... 36

Figura 2.24. Antúrio da empresa Terra Viva a venda em Londrina-PR... 36

Figura 2.25. Transporte de vasos da empresa Terra Viva, prontos para a comercialização. Holambra-SP. ... 37

(13)

PR. ... 38

Figura 2.27. Produção de antúrios em canteiros, em viveiro com tela de polipropileno. UEL (Londrina-PR)... 38

Figura 2.28. Plantas cultivadas em sistema de canaletas. Holanda. ... 39

Figura 2.29. Irrigação por microaspersão. UEL, Londrina-PR. ... 41

Figura 2.30. Sintoma causado por cochonilha... 44

Figura 2.31. Armadilha com garrafa pet contendo xarope de água com açúcar. ... 46

Figura 2.32. Detalhe da garrafa pet com perfurações... 47

Figura 2.33. Sintomas de antracnose em antúrio. A, B, C e D: Manchas foliares causadas por Colletotrichum gloeosporioides; E e F: Manchas foliares causadas por Glomerella cingulata. ... 48

Figura 2.34. Sintoma causado por vírus DMV. ... 50

Figura 2.35. Adaptação em caixa de papelão usada para o transporte de gérbera. ... 54

Figura 2.36. Maços de folhas de antúrios. ... 55

Figura 2.37. Folhas de antúrio protegidas por papel. ... 55

Figura 2.38. Maço de flores e folhas em caixas de polietileno com água. ... 55

Figura 2.39. Acondicionamento de flores de antúrios em caixas de papelão (flores revestidas com polietileno)... 56

Figura 3.1. 1:‘Apalai’; 2:‘Kinã’; 3:‘nK 102’; 4: ‘Parakanã’; 5:‘Rubi’ e 6:‘Terena’. ... 62

Figura 3.2. Médias do número de flores produzidas pelas cultivares de antúrio ‘Apalai’; ‘Kinã’; ‘nK 102’; ‘Parakanã’; ‘Rubi’ e ‘Terena’ no Norte do Paraná, de outubro de 2006 a novembro de 2007. Londrina-PR. ... 65

Figura 3.3. Folhas de antúrio: 1- ‘Ianomami’; 2- ‘Kinã’; 3- ‘nK 102’; 4- ‘Parakanã’; 5- ‘Rubi’; 6- ‘Terena’; 7- ‘Apalai’... 68

Figura 3.4. Médias referentes ao número de folhas emitidas em novembro de 2006; maio e novembro de 2007 pelas cultivares ‘Apalai’; ‘Ianomami’; ‘Kinã’; ‘nK 102’; ‘Parakanã’; ‘Rubi’; ‘Terena’. Londrina, 2008. ... 70

(14)

Tabela 3.1. Temperatura (0C) e Umidade relativa do ar média mensal (máxima e mínima) no período do plantio ao florescimento das cultivares de antúrio.

Londrina, 2008. ... 64 Tabela 3.2. Médias referentes ao comprimento da haste floral (cm) das cultivares de

antúrios no Norte do Paraná, de setembro de 2006 a novembro de 2007.

Londrina-PR. ... 66 Tabela 3.3. Médias referentes ao comprimento da espádice das flores (cm) produzidas

pelas cultivares de antúrios no Norte do Paraná, de setembro de 2006 a

novembro de 2007. Londrina, PR, 2008... 67 Tabela 3.4. Médias referentes ao comprimento das espatas (cm) produzidas pelas

cultivares de antúrios no Norte do Paraná, de setembro de 2006 a

novembro de 2007. Londrina, PR, 2008... 67 Tabela 3.5. Médias referentes à largura das espatas (cm) produzidas pelas cultivares de

antúrios no Norte do Paraná, de setembro de 2006 a novembro de 2007.

Londrina, PR, 2008... 68 Tabela 3.6. Médias referentes ao comprimento (pecíolo e limbo foliar) e largura do

limbo foliar (cm) das cultivares de antúrios no Norte do Paraná, após nove meses da instalação do experimento. Londrina, 2008. ... 71 Tabela 3.7. Médias referentes ao comprimento (pecíolo e limbo foliar) e largura do

limbo foliar (cm) das cultivares de antúrios no Norte do Paraná, após

dezoito meses do início do experimento. Londrina, 2008... 72 Tabela 3.8. Médias referentes à aceitação das cultivares de antúrios pelo consumidor

(15)
(16)

1. INTRODUÇÃO ... 16

2. REVISÃO DE LITERATURA... 17

2.1.FLORICULTURA:ASPECTOS SOCIAIS E ECONÔMICOS... 17

2.2.AFLORICULTURA NO ESTADO DO PARANÁ... 19

2.3.AS FLORES TROPICAIS... 20

2.4.AFAMÍLIA ARACEAE... 22

2.5.OGÊNERO Anthurium ... 24

2.5.1. Seleção de Cultivares de Antúrios no Brasil ... 28

2.6.CULTIVO DE ANTÚRIOS... 34 2.6.1. Sistemas de Cultivo ... 34 2.6.1.1. Cultivo em vasos ... 34 2.6.1.2. Cultivo em canteiros... 37 2.6.1.3. Cultivo em canaletas... 39 2.6.1.4. Hidroponia ... 39 2.6.2. Condições de Cultivo ... 40

2.7.PRAGAS E DOENÇAS DOS ANTÚRIOS... 43

2.7.1. Pragas ... 43 2.7.1.1. Cochonilhas ... 43 2.7.1.2. Pulgões ... 44 2.7.1.3. Tripes ... 45 2.7.1.4. Besouros ... 45 2.7.1.5. Vespas galhadoras ... 46 2.7.1.6. Ácaros ... 47 2.7.2. Doenças ... 47 2.7.2.1. Doenças fúngicas... 48 2.7.2.2. Doenças bacterianas ... 49 2.7.2.3. Doenças viróticas... 49

2.8.COLHEITA,CLASSIFICAÇÃO E ARMAZENAMENTO PÓS-COLHEITA DOS ANTÚRIOS... 50

(17)

andraeanum Lindl.) COMO FLOR DE CORTE NO NORTE DO PARANÁ ... 57 3.1.RESUMO E ABSTRACT... 57 3.2.INTRODUÇÃO... 59 3.3.MATERIAL E MÉTODOS... 60 3.4.RESULTADOS E DISCUSSÃO... 62 3.5.CONCLUSÃO... 73 4. CONCLUSÕES GERAIS ... 74 REFERÊNCIAS ... 75 ANEXOS ... 79

(18)

1. INTRODUÇÃO

A floricultura tropical vem despontando como uma das atividades mais promissoras dentro do largo espectro da agricultura (TERAO et al., 2005). A crescente busca por flores exóticas pelo mercado internacional propicia ao Brasil a oportunidade de se tornar um fornecedor privilegiado, em função, principalmente, de sua rica biodiversidade. Diante dos fatos, os produtores estão investindo na qualidade da produção, na padronização e adoção de novas tecnologias, buscando a profissionalização do setor para atender às exigências e demanda do mercado.

O antúrio (Anthurium andraeanum Lindl.) pertence à família Araceae e é a segunda flor tropical mais comercializada no mundo. Com isso, cada vez mais se intensificam os trabalhos de melhoramento genético, para que novas cultivares sejam disponibilizadas aos produtores brasileiros, de forma a permitir a competitividade do setor. Aproximadamente 90% dos antúrios comercializados na Europa são provenientes da Holanda, embora o gênero

Anthurium, popularmente conhecido por “antúrio”, seja característico de regiões tropicais.

No Brasil, o IAC (Instituto Agronômico de Campinas) selecionou as primeiras cultivares de antúrio e com o programa de melhoramento tem produzido seus híbridos por meio de cruzamentos controlados. Além disso, constantemente tem introduzido novos genótipos a serem usados para flor de corte e como planta de vaso, em função da variabilidade existente, principalmente na região do Vale do Ribeira. Estas são plantas bastante apreciadas em arranjos florais e nos jardins, devido à rusticidade e ao valor ornamental que apresentam (LUZ et al., 2005).

Dessa forma, este trabalho teve como objetivo avaliar o desempenho de cultivares de antúrios como flor de corte no Norte do Paraná.

(19)

2. REVISÃO DE LITERATURA

2.1.FLORICULTURA:ASPECTOS SOCIAIS E ECONÔMICOS

A Floricultura é um setor altamente competitivo, caracterizada pela possibilidade de geração de empregos e de fixação do homem no campo, além de possibilitar o aproveitamento de minifúndios, considerados impróprios para outras atividades agrícolas (FARIA, 2005).

O uso de flores e plantas ornamentais constitui um costume desde a Antigüidade, onde eram cultivadas em jardins e se destinavam à ornamentação das casas, palácios e templos. Posteriormente, a demanda se intensificou, incentivando o cultivo para fins comerciais (AKI; PEROSA, 2002).

No Brasil, a floricultura começou a despontar como atividade agrícola de grande importância há pouco mais de trinta anos. A princípio, a produção visava abastecer o mercado em épocas definidas de intensa demanda, como Dia das Mães, Dias dos Namorados, Finados e Natal, sendo que as exportações se limitavam a algumas espécies, como orquídeas, flores de corte e folhagens secas. No entanto, com a ocorrência dos fluxos migratórios e diversificação das atividades dos imigrantes, a floricultura passou a apresentar os primeiros sinais de organização e crescimento (Faria, 2005). Atualmente o setor vem colhendo resultados positivos e em 2007, o mercado interno movimentou 1,3 bilhão de dólares, abrangendo 5.152 produtores, os quais cultivam uma área de 8.423 hectares (JUNQUEIRA; PEETZ, 2008; KISS, 2008). Fatores como diversificação de espécies e cultivares, novas tecnologias de produção, profissionalização dos agentes da cadeia, bem como a sua integração tem impulsionado a expansão do setor (ANEFALOS; GUILHOTO, 2003; IBRAFLOR, 2006).

De acordo com Motos (2000), entre os países produtores, destacam-se Holanda, Itália, Dinamarca e Japão e, no que se refere às exportações, podem ser citados países como Holanda, Colômbia, Dinamarca, Itália, Israel, Bélgica, Costa Rica, Canadá, EUA, Quênia e Alemanha.Quanto ao consumo anual, a Noruega é considerada um dos países com maior consumo de flores, onde o valor gira em torno de US$ 143,00 per capita, enquanto no Brasil, este valor equivale a aproximadamente, US$ 6,00, sendo o estado de São Paulo responsável por 50% do total consumido e por 70% da área do cultivo (SCHERER, 2006).

(20)

Além de São Paulo, os estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Goiás, Distrito Federal e alguns estados do Norte e Nordeste são considerados os principais produtores brasileiros. Nestes, o cultivo abrange flores de corte, como: rosas, crisântemos, lírios, helicônias, gérberas, áster, gipsofila e algumas espécies da família zingiberaceae, como o bastão-do-imperador. No grupo das flores

envasadas estão os crisântemos, violetas, calanchoes, begônias, azaléias, orquídeas, bromélias e lírios. Já entre as plantas verdes envasadas encontram-se espécies como ficus, singônios, tuias, samambaias, jibóias, comigo-ninguém-pode e filodendros; podendo também ser citadas as mudas de árvores e palmáceas produzidas em alguns destes estados (IUCHI; LOPES, 1997; JUNQUEIRA; PEETZ, 2008; KISS, 2008). Destas plantas, as flores tropicais vêm

conquistando a preferência do consumidor e ganhando cada vez mais espaço neste mercado, sendo os estados de Pernambuco, Alagoas, Ceará, Bahia responsáveis por 70% da produção nacional. Além desses, os produtores de alguns estados amazônicos (Acre, Amapá,

Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins) estão empenhados na ampliação das áreas de produção e tem investido na profissionalização do setor, visando representar valores superiores aos 15 % registrados em 2007 (KISS, 2008).

Entre as flores tropicais, destacam-se as orquídeas, bromélias, alpíneas, helicônias e antúrios e, especialmente na Comunidade Européia, Japão e Estados Unidos, a cultura do antúrio é muito valorizada, sendo a Holanda considerada o maior pólo de produção e comercialização. No Brasil, seu cultivo está concentrado no Estado de São Paulo, nas regiões do Vale do Ribeira, Holambra, Atibaia e, embora em menor proporção, os produtores de Caraguatatuba, litoral Norte de São Paulo, também comemoram o sucesso no cultivo, substituindo as áreas antes ocupadas por legumes pelos campos de produção de antúrios, que inclusive, já estão sendo exportados para países como França e Inglaterra (FARIA, 2008). Além de São Paulo, outros estados brasileiros, como Pernambuco, Ceará e Bahia demonstram grande potencial produtivo, focando seus trabalhos tanto no mercado doméstico, como nas exportações (C. JÚNIOR, 2004).

Mesmo não tendo tradição como exportador de flores, o Brasil tem alcançado sucessivos recordes ao longo da presente década, embora o valor pouco ultrapasse a cifra U$ 35 milhões em vendas anuais, ou o equivalente a 2,7 % do valor total da produção, com embarques para a Holanda, EUA, Japão, Espanha, França e mais outros 30 diferentes destinos em todo o mundo (JUNQUEIRA; PEETZ, 2008). Entre os produtos brasileiros ofertados, especialmente as rosas e os bulbos de flores e plantas tropicais possuem boa aceitação no mercado externo (FARIA, 2008). Além disso, o país possui rica biodiversidade e grande

(21)

amplitude de climas e solos, possibilitando aos produtores o cultivo das mais variadas espécies de plantas ornamentais. Outro fator que favorece a floricultura brasileira é a impossibilidade dos países europeus, norte-americanos e asiáticos suprirem seus mercados internos durante os meses de inverno, mesmo utilizando técnicas altamente aprimoradas de cultivo (FARIA, 2005; IBRAFLOR, 2006).

Neste contexto, torna-se cada vez mais evidente a necessidade de pesquisas, a fim de disponibilizar informações que permitam a melhoria no sistema de produção destas plantas, possibilitando ao setor ocupar uma posição relevante no mercado internacional. (DEMARCHI, 2001; LEME; HONÓRIO, 2004; C. JÚNIOR, 2004).

2.2.AFLORICULTURA NO ESTADO DO PARANÁ

O setor de flores e plantas ornamentais vem despontando dentro dos segmentos da agricultura pela rentabilidade por unidade de área e rápido retorno dos investimentos aplicados. De acordo com o SEBRAE, nos últimos oito anos, a produção de flores cresceu 237% no Paraná, embora o mercado continue sendo abastecido, em grande parte, pelas flores produzidas no Estado de São Paulo. Mesmo apresentando menor participação no VBP (Valor Bruto da Produção) estadual (0,11%), com um valor de R$ 33,52 milhões, o setor de floricultura apresentou o maior crescimento em valores reais. No grupo, estão inclusos produtos como grama, mudas, vasos, flores para corte, ou mesmo a produção de mudas de árvores destinadas à arborização urbana (SEAB PARANÁ, 2007).

Bongers (1999) descreve que entre as espécies produzidas no Norte do estado do Paraná estão inclusos crisântemos de corte e vaso, violetas, kalanchoes, além de tango, áster, rosas e algumas plantas verdes.

Um fator que tem contribuído para elevar o potencial de crescimento do setor é a aproximação do produtor com o pesquisador, o que possibilita a adequação no sistema de produção, por meio do uso de tecnologias adaptadas às condições edafoclimáticas brasileiras, visando à maior eficiência no desenvolvimento de novas espécies de flores, uso de variedades resistentes ao ataque de pragas e doenças, uso racional da água de irrigação, adubação, entre outros.

No estado do Paraná, em 1997, a produção estava concentrada em apenas 13 municípios e, em 2004, já eram 26 os municípios que tinham na floricultura uma de suas

(22)

principais bases econômicas, destacando-se o município de Curitiba, com a comercialização de espécies como rosas, gérberas, palmas, cravos, mudas de gladíolos e tangos. Além disso, em termos de produção, o gramado é o principal produto do grupo e, em 2004, gerou uma renda de R$ 12,7 milhões, onde foram comercializados mais de sete milhões de metros cúbicos (SEAB PARANÁ, 2007).

A segunda região do Estado que mais arrecadou com a produção de flores foi a de Cascavel, que ficou com 23% do total do grupo (R$ 7,72 milhões). Deste total, as mudas de árvores para arborização respondem por 34%, o gramado por 34%, e as orquídeas, responsáveis por 14% da arrecadação. Já na região de Guarapuava, terceira na participação estadual (8%), a produção de grama representa 17%, as rosas 14%, mudas de árvores para arborização 12%, o cipreste 10%, entre outros (SEAB PARANÁ, 2007).

2.3.AS FLORES TROPICAIS

As flores tropicais são apreciadas não apenas pela beleza, mas também pelo exotismo, diversidade de cores e formas, resistência ao transporte, durabilidade pós-colheita, além de grande aceitação no mercado externo (LOGES, 2005). Em função dessas características, têm sido cada vez mais empregadas na composição de arranjos florais e em projetos paisagísticos, sendo consideradas espécies com grandes perspectivas (Figuras 2.1; 2.2 e 2.3).

Outros fatores que impulsionam a produção são o interesse e a receptividade dos países importadores de flores tropicais, que em sua maioria possuem limitações para o cultivo devido às condições climáticas desfavoráveis (OLIVEIRA, 2008). Sendo assim, o cultivo destas plantas no Brasil é favorecido pelo clima, disponibilidade de área, energia e mão-de-obra, atributos de relevância na obtenção da qualidade dos produtos e, consequentemente, competitividade no mercado externo.

Segundo Oliveira (2008), as espécies com grande aceitação no mercado externo são heliconias (Heliconia sp.), musas (Musa sp.), bastão-do-imperador (Etlingera

elatior), costus (Costus sp.), gengibre-magnífico (Zingiber spectabile) e antúrio (Anthurium

(23)

Atualmente, Pernambuco é considerado um dos estados brasileiros que mais investiu no setor, não apenas em produção, mas em pesquisas e exportação. São cultivadas no estado várias espécies de flores de corte das famílias Heliconiaceae, Zingiberaceae, Costaceae, Araceae e folhagens de corte (LOGES, 2005). Entretanto, devido a crescente demanda do consumo destas flores, tanto no mercado interno como no externo, os produtores, associações e cooperativas de vários estados brasileiros vêm buscando informações quanto às técnicas adequadas de produção, a fim de introduzir e/ou aprimorar o cultivo.

Figura 2.1. Arranjo composto por flores tropicais produzidas na UEL. Helicônias

Bastão-do-imperador Antúrios

Gengibre ornamental

(24)

Figura 2.2. Arranjo de antúrio, estrelítzia e gérbera. Figura 2.3. Arranjo de antúrio, gérbera e rosas.

2.4.AFAMÍLIA ARACEAE

As espécies da família Araceae encontram-se distribuídas por todo o Brasil, ocorrendo tanto em áreas subtropicais mais sulinas, quanto em florestas equatoriais do extremo norte (TOMBOLATO et al., 2004).

Pertencente a divisão Angiospermae, classe Monocotyledonae e ordem Spathiflora, apresenta mais de 106 gêneros e cerca de 2.800 a 3.000 espécies são conhecidas, das quais, aproximadamente 450 ocorrem no Brasil. Dentre os gêneros, o Anthurium Schott. compreende cerca de 800 espécies nativas da América Tropical, das quais, cerca de 130 são encontradas no Brasil. Conhecido popularmente por antúrio, o Anthurium andraeanum Lindl. é nativo da Venezuela e Colômbia, sendo cultivado em todo o mundo e largamente utilizado na floricultura e paisagismo. Este foi descoberto em 1876 por Eduard André, botânico e viveirista francês e desde então, tem sido intensamente utilizado em programas de melhoramento genético, de maneira que as plantas encontradas atualmente diferem muito da

(25)

espécie nativa (LACERDA, 2006; TERAO et al., 2005; TOMBOLATO et al., 2004; LORENZI; SOUZA, 2001; LAMAS, 2004).

Segundo Lacerda (2006), a maioria das espécies da família Araceae é terrestre, havendo, no entanto, várias epífitas e um gênero aquático (Pistia). Existem ainda as aráceas tóxicas, como o comigo-ninguém-pode (Dieffenbachia amoena) e algumas comestíveis, como o inhame (Alocasia esculenta).

Além dos antúrios, outras espécies desta família são amplamente utilizadas, especialmente no paisagismo, podendo ser citadas as monsteras (Monstera adansonii e

Monstera deliciosa), filodrendros (Philodendrom spp.), lírio-da-paz (Spathiphyllum spp),

copo-de-leite (Zantedeschia aethiopica), singônio (Syngonium angustatum) e Zamioculca (Zamioculcas zamiifolia). São consideradas excelentes opções para cultivo à meia-sombra, enriquecendo os projetos paisagísticos nestas áreas. Na floricultura, podem ser empregadas como folhagens de corte, tanto na composição de arranjos florais, como no revestimento de suportes para arranjos, conforme mostrado nas Figuras 2.4; 2.5 e 2.6.

Figura 2.4. Folhas de antúrio revestindo bambu, usado como

(26)

Figura 2.5. Suporte em ferro com folhas de antúrio. Figura 2.6. Arranjo de antúrios no suporte em ferro.

2.5.OGÊNERO Anthurium

Pertencente á família Araceae, o gênero Anthurium está subdividido em 19 seções. As Américas do Sul e Central são os principais centros de origem desta planta, que se destaca pela beleza da folhagem, tamanho, grande variação na forma e colorido de suas inflorescências, além da durabilidade pós-colheita (CROAT, 1983; KEATING, 2002; TOMBOLATO et al., 2002; LAMAS, 2004).

São plantas perenes, herbáceas, epífitas, eretas ou trepadeiras, sendo todas, espécies consideradas ornamentais, com 0,30 a 1,0 m de altura. Suas flores são hermafroditas, ou seja, possuem tanto os órgãos reprodutores femininos quanto os masculinos, apresentando o fenômeno da “protoginia”. Este fenômeno ocorre quando a parte feminina está receptiva e a masculina ainda está imatura, prevenindo assim a auto-fecundação e favorecendo o cruzamento natural entre plantas diferentes. Na realidade, o que é conhecido como “flor”

(27)

(Figuras 2.7 e 2.8), trata-se do conjunto formado por folhas modificadas, a qual é denominada botanicamente de espata, e uma inflorescência tipo espiga, conhecida como espádice, onde se encontram agregadas dezenas de pequenas flores (TERAO et al., 2005; LAMAS, 2004; LAMAS, 2002; LUZ et al., 2005; TOMBOLATO et al., 2002).

Figura 2.7. Flor de antúrio: A-espata; B- espádice. Fonte: Tombolato et al., 2006.

Figura 2.8. Detalhe da espádice. Fonte: Terao et al., 2005.

A-espata

(28)

Segundo Tombolato et al (2004), as flores dos antúrios são classificadas em função da presença ou não de uma porção de coloração verde na espata, como:

• Bandeira: quando apresenta a porção verde na ponta da espata e a porção anterior de coloração contrastante (Figura 2.9);

Figura 2.9. Antúrio Bandeira.

• Bicolor: porção verde presente nos lobos (orelhas) da espata e centro de coloração contrastante (Figura 2.10);

(29)

• Obake: do japonês “fantasma”, é assim denominada quando, em todo o contorno da espata se faz presente a porção verde (Figura 2.11);

Figura 2.11. Antúrio Obake.

• Normal: apresenta coloração única (Figura 2.12);

Figura 2.12. Antúrio Normal.

É importante salientar que a maioria das cultivares comerciais para flor de corte é do tipo Normal e, entre os tipos normais, existe o antúrio denominado tulipa, em forma de concha ou colher. Além disso, a flor torna-se Bicolor, Bandeira e Obake de acordo com a idade da planta, vigor, estado nutricional e algumas podem apresentar a porção verde

(30)

na espata naturalmente apenas em certos períodos do ano (TOMBOLATO et al., 2004; TERAO et al., 2005).

Quanto à multiplicação dos antúrios, esta pode ser efetuada por meio de sementes, estacas, mudas laterais, divisão do caule e ainda, via cultura de tecidos (LORENZI; SOUZA, 2001; LAMAS, 2004).

2.5.1. Seleção de Cultivares de Antúrios no Brasil

As primeiras cultivares brasileiras foram selecionadas no IAC (Instituto Agronômico de Campinas), no intuito de obter plantas adaptadas às condições climáticas do Brasil, que pudessem ser cultivadas e exploradas comercialmente como flor de corte e planta de vaso. Os cruzamentos entre plantas de antúrios iniciaram a partir do final da década de 1970 (TERAO et al., 2005) e, em 1997, a primeira variedade de planta ornamental foi lançada oficialmente no país, denominada ‘IAC Astral`. Realizado em São Paulo, no dia internacional da mulher (8 de março), em homenagem à mulher brasileira, este fato tornou-se um marco histórico para a floricultura brasileira (TOMBOLATO et al., 2004). Desde então, novas cultivares vêm sendo lançadas pelo programa de melhoramento do IAC, que por meio de trabalhos de pesquisa também disponibiliza informações valiosas para o aprimoramento nas técnicas de cultivo dos antúrios.

Com relação às cultivares de antúrio desenvolvidas pelo IAC disponíveis no mercado, podem ser citadas:

I. Série Pioneira:

‘Astral’ (IAC 154); ‘Cananéia’ (IAC 16772); ‘Eidibel’ (IAC 0-11); ‘Isla’(IAC 14018); ‘Júpiter’ (IAC 17237); ‘Juréia’ (IAC 0-5); ‘Luau’ (IAC N-15); ‘Netuno’ (IAC 16770); ‘Ômega’ (IAC 14021) e ‘‘Rubi’’ (IAC 14019).

II.Série Tribos Indígenas:

‘Aikanã’ (IAC NL 79); ‘Apalai’ (IAC NK 130); ‘Aruak’ (IAC NK 142-143-144); ‘‘Ianomami’’(IAC NM 84-85-86-87); ‘Kauê’ (IAC NK 151-152); ‘Krenak’ (IAC NL 89-90); ‘‘Kinã’’ (IAC NM 70); ‘Krahô’ (IAC NK 10); ‘‘Parakanã’’ (IAC NK 50-51);

(31)

‘‘Terena’’ (IAC NN 154-155-156); ‘Xavante’ (IAC NK 129-131) e ‘Zoé’ (IAC NM 157-158-159).

III. Novas seleções:

‘Espuma’ (IAC NM 45-48) e ‘Predúlio’ (IAC 18133).

Algumas das variedades citadas, usadas no presente trabalho, foram descritas por Tombolato et al. (2004), sendo:

• ‘Apalai’ (IAC NK 130):

Planta produtiva e vigorosa, possui espata arredondada vermelho-clara e espádice branca, com ápice amarelo. Por apresentar bom posicionamento da haste para o processo de embalagem, é uma excelente alternativa como flor de corte vermelha (Figura 2.13).

(32)

• ‘Ianomami’ (IAC NM 84-85-86-87):

Apresenta espata bicolor, de coloração laranja com bordas verdes e espádice branca (Figura 2.14).

Figura 2.14. Flor de ‘Ianomami’.

• ‘Kinã’ (IAC NM 70):

Planta vigorosa e de porte alto, possui grande espata de coloração verde, com nervuras rosado-amarronzadas e espádice branca com ápice verde-amarelado (Figura 2.15).

Figura 2.15. Flores de ‘Kinã’.

(33)

• ‘nK’ 102 (IAC ):

Planta vigorosa, apresenta espata de coloração vermelho intenso (Figura 2.16).

Figura 2.16. Flores de ‘nK 102’.

• ‘Parakanã’ (IAC NK 50-51):

Espata e espádice de coloração rosada muito clara (Figura 2.17).

(34)

• ‘Rubi’ (IAC 14019):

Apresenta espata grande e vermelha, espádice branca e amarela, porte alto e longa durabilidade pós-colheita (Figura 2.18). É considerada como sendo perfeita para a produção como flor de corte, em função da qualidade da flor (formato da espata, brilho, enervação, tonalidade da coloração vermelha, posição e comprimento da haste).

Figura 2.18. Flores de ‘Rubi’.

• ‘Terena’ (IAC NN 154-155-156):

Possui espata rosa forte, bicolor, com lobo verde escuro e espádice branca com ápice verde (Figura 2,19).

(35)

Na Figura 2.20 é apresentado um arranjo elaborado com seis diferentes cultivares de antúrio cultivadas no viveiro da Universidade Estadual de Londrina (UEL)-PR.

Figura 2.20. Arranjo elaborado com as cultivares

‘Apalai’, ‘Kinã’, ‘nK 102’, ‘Parakanã’, ‘Rubi’ e ‘Terena’.

No caso dos antúrios, conforme descrito por Tombolato et al. (2002),

algumas características devem ser consideradas na escolha das cultivares, de forma a atender as exigências do mercado consumidor. Entre estas, pode-se citar:

• Espata: plana, aberta, brilhante, com textura firme, enervação nítida, coloração uniforme, sem manchas (exceto para as cultivares Bicolores e Obake);

• Lobos basais da espata: iguais, bem desenvolvidos, encostados ou sobrepostos ou mesmo fundidos;

• Espádice: ligeiramente arqueada sobre a espata, de pequeno diâmetro, cônica e com a extremidade superior afilada. A cor deve ser contrastante, geralmente branca ou com seções amareladas, com dois terços a três quartos do comprimento da espata. Do total comercializado, as variedades de espata vermelha com espádice branca e espata branca com

(36)

espádice da mesma cor são responsáveis, respectivamente, por 50 a 60% e 15 a 20%, sendo consideradas as de maior valor comercial;

• Haste floral: ereta, firme, com comprimento mínimo de 60 cm e em número mínimo de cinco ou mais por ano, por planta. Após colhidas, as hastes devem apresentar longevidade superior a vinte dias;

• Plantas: crescimento compacto, internódios curtos, a fim de não se tornarem muito altas em curto período. Devem possuir poucos perfilhos (sendo ideal três) e no caso da hidroponia, sem perfilhos;

• Recomenda-se ainda selecionar plantas resistentes ou tolerantes às principais doenças (antracnose, bacteriose e viroses).

2.6.CULTIVO DE ANTÚRIOS

2.6.1. Sistemas de Cultivo

Para a produção de antúrios, existem diferentes sistemas de cultivo. Entre estes, podem ser citados: cultivo em vasos, canteiros, canaletas e hidroponia (Tombolato et al. (2002). A seguir serão descritos esses sistemas de cultivo.

2.6.1.1. Cultivo em vasos

Nesse sistema, vasos de 5 a 10 litros são distribuídos em bancadas ou diretamente no solo, sendo necessário um sistema de drenagem abaixo dos vasos e boa ventilação no interior da estufa (Figuras 2.21 e 2.22). A vantagem desse sistema é a economia de água, substrato, mão-de-obra e a possibilidade de produção em áreas pequenas. Entretanto, apresenta alto custo inicial (TOMBOLATO et al., 2002).

(37)

Figura 2.21. Estufa de produção de antúrios em vasos da empresa Terra

Viva. Holambra-SP.

Figura 2.22. Detalhe das flores de antúrio produzidas em vasos na empresa

Terra Viva. Holambra- SP.

Para a comercialização, as plantas assim produzidas são acondicionadas em embalagens plásticas e em seguida, em caixas de papelão. Muitas vezes os vasos são embalados dentro da estufa de produção (Figuras 2.23 e 2.24). No caso de vasos de maior tamanho, estes são comercializados sem embalagem, sendo usados carrinhos de mão para o transporte da estufa até o local onde serão encaminhados para a comercialização (Figura 2.25).

(38)

Figura 2.23. Vasos da empresa Terra Viva, embalados e acondicionados em caixas de papelão. Holambra-SP.

Figura 2.24. Antúrio da empresa Terra Viva a

(39)

Figura 2.25. Transporte de vasos da empresa Terra Viva, prontos para

a comercialização. Holambra-SP.

2.6.1.2. Cultivo em canteiros

É um sistema muito empregado no Brasil e em países tropicais, porém raros em países onde a floricultura é bastante desenvolvida. Neste sistema de cultivo, utiliza-se uma mistura de solo e matéria orgânica, distribuídos em canteiros elevados de 20 a 30 cm acima do nível do solo, comprimento máximo de 50 m e largura entre 1,00 a 1,40 m. Porém, segundo Sakai (2004), antes de estabelecer as dimensões dos canteiros, fatores como topografia, distribuição dos mourões que sustentam a tela de sombreamento e espaçamento desejado entre plantas devem ser observados, de modo a facilitar os tratos culturais, adubação, irrigação e colheita (Figura 2.26). Os canteiros podem ser construídos na superfície do solo da casa de vegetação, podendo ser de madeira, concreto ou filme de polietileno. Também podem ser usados no cultivo canteiros aéreos de madeira com malha de arame (BARBOSA, 1999; TOMBOLATO et al., 2002).

Com relação ao solo, a rigor, os antúrios crescem em uma faixa ampla de solos; preferencialmente nos porosos, com alto teor de matéria orgânica e pH variando entre 5 e 6 (BARBOSA, 1999).

(40)

Figura 2.26. Produção de antúrios em canteiros na propriedade Takemura. Londrina-PR.

Figura 2.27. Produção de antúrios em canteiros, em viveiro com tela de

(41)

2.6.1.3. Cultivo em canaletas

Utilizado principalmente em locais onde a floricultura é mais desenvolvida. Trata-se de um sistema por meio do qual canaletas de poliestireno (isopor), com espessura de pelo menos 4 cm são usadas (Figura 2.28). Como vantagem, requer um menor volume de substrato e água, compensando os custos com a implantação (TOMBOLATO et al., 2002).

Figura 2.28. Plantas cultivadas em sistema

de canaletas (Holanda).

Fonte: Tombolato et al., 2002.

2.6.1.4. Hidroponia

Embora seja um sistema pouco empregado no Brasil, os antúrios se adaptam bem em cultivos hidropônicos, onde o solo é substituído por uma solução aquosa e os substratos servem apenas para promover a sustentação das plantas e raízes. Como substratos inertes, podem ser utilizados materiais, como: espuma fenólica, argila expandida, pedra brita, vermiculita e areia ou ainda substratos não inertes, como: bagaço de cana e fibra de coco (BARBOSA, 1999; TOMBOLATO et al., 2002).

(42)

Dentre as vantagens do cultivo hidropônico, destacam-se o rápido retorno econômico, possibilidade de produção em pequenas áreas, sazonalidade de produção, utilização de baixos volumes de água, além de dispensar a rotação de culturas. No entanto, necessita-se de instalações de alta tecnologia, onerando assim o custo de implantação (TOMBOLATO et al., 2002).

2.6.2. Condições de Cultivo

Por ser uma planta tropical, os antúrios se adaptam bem em grande extensão do território brasileiro. Contudo, devem ser observados alguns requisitos em relação ao ambiente de cultivo, a fim de promover o rápido estabelecimento das plantas e bons índices de produção. Fatores como temperatura, umidade, luminosidade e adubação interferem diretamente no desenvolvimento das plantas, além do controle de plantas daninhas e doenças que porventura venham a ocorrer nesses locais (BARBOSA, 1999; TOMBOLATO et al., 2002.; LUZ et al., 2005). A seguir serão mencionados alguns requisitos para o cultivo de antúrios.

-Temperatura: Recomenda-se o cultivo em regiões com temperatura

mínima noturna acima de 180 C e máxima diurna de, no máximo 350 C. Entretanto, a temperatura diurna ideal situa-se entre 200 C e 280 C. Temperaturas abaixo de 150 C são prejudiciais ao desenvolvimento das plantas (BARBOSA, 1999; TOMBOLATO et al., 2002);

-Umidade: Em dias ensolarados, a umidade relativa do ar deve ser superior

a 50% e em dias nublados, a umidade deve estar entre 70% a 80%. Durante a noite, 90% é a umidade máxima recomendada. O solo deve ser mantido úmido, porém, sem água em excesso. A água de irrigação deve ser límpida e isenta de material em suspensão, para não ser veículo de doenças, nem causar manchas sobre as flores e entupimento dos emissores. A irrigação pode ser por microaspersão (Figura 2.29) ou gotejamento, de modo a propiciar uniformidade na distribuição da água (BARBOSA, 1999; TOMBOLATO et al., 2002.; LUZ et al., 2005). Segundo Sakai (2004), caso ocorra entupimento ou quaisquer dano nos emissores, estes são facilmente visualizados no sistema de microaspersão, permitindo o reparo imediato. No entanto, o gotejamento possui a vantagem de não molhar as folhas e flores,

(43)

minimizando assim a incidência de doenças (ROTEM; PALTI, 1969) e permitem ainda maior eficiência no uso da água e adaptação a diferentes tipos de solos e topografias;

Figura 2.29. Irrigação por microaspersão. UEL (Londrina-PR).

-Luminosidade: Por afetar diretamente o tipo e qualidade de crescimento

das plantas, os antúrios devem ser cultivados em locais protegidos da incidência direta dos raios solares. O grau de sombreamento ideal situa-se entre 50% a 90%, variando de acordo com a idade das plantas e as condições climáticas no local, principalmente temperatura e luz. Condições de sombreamento insuficientes podem ocasionar danos às folhas e flores e muitas vezes, levar as plantas à morte (TOMBOLATO et al., 2004). Telas de polipropileno com malhas que proporcionam 70% a 80% de sombreamento são utilizadas para a obtenção de sombreamento eficiente, além de serem materiais leves e duráveis (MATHES; CASTRO, 1992; LAMAS, 2004; SAKAI, 2004). De acordo com Tombolato et al. (2004), em regiões com muitos dias nublados, o ideal é a instalação de telas duplas (uma fixa, de 40% de sombreamento e outra móvel, de 60%, usada apenas em dias de maior insolação). Também podem ser empregadas malhas térmicas ou termorrefletoras, que propiciam a redução da incidência de luz e ainda contribuem para a diminuição da temperatura durante o verão, reduzindo o estresse térmico e hídrico no cultivo (C. JÚNIOR, 2004);

-Espaçamento de plantio: As recomendações observadas na literatura são

muito variáveis e vão desde plantios adensados, como no caso da hidroponia em canteiros, onde o espaçamento é de 0,20 a 0,30 m entre plantas, até plantios mais espaçados (0,40 x 0,40

(44)

m ou 0,50 x 0,50 m). O importante é usar um espaçamento compatível com o manejo que se pretende adotar, levando-se em consideração as características das cultivares a serem plantadas (LOGES et al., 2004; SAKAI, 2004);

-Adubação: As exigências nutricionais dos antúrios variam de acordo com

as fases de desenvolvimento e com a cultivar utilizada. Ao contrário do que ocorre na natureza, onde há deposição de detritos orgânicos diversos (folhas, gravetos) nas plantas, quando em cultivo, especialmente em plantações comerciais de antúrio para corte, a reposição de nutrientes deve ser constante, de tal forma a evitar a carência de elementos essenciais. Lamas (2004) descreve que os elementos mais requeridos pela cultura, em ordem de importância são: N (nitrogênio), K (potássio), Ca (cálcio), P (fósforo), Mg (magnésio), Bo (boro), Fe (ferro), Mn (manganês) e Zn (zinco). Além destes, Tombolato (2002), cita o enxofre e o cobre como elementos essenciais ao desenvolvimento das plantas. Adubos químicos e orgânicos são amplamente usados, de acordo com os resultados das análises de solo e foliar. De maneira geral, alguns autores recomendam diferentes dosagens e formulações para a cultura. Matthes e Castro, (1989) recomendam o uso de 200; 100 e 150 kg/ha/ano de Nitrogênio, Fósforo e Potássio, respectivamente e Tombolato (2002) também indica o uso de 200; 100 e 150 kg/ha/ano de Nitrogênio, Fósforo e Potássio, respectivamente, porém, parcelado em quatro aplicações. Entretanto, Barbosa, (1999) relata que, para o bom desenvolvimento da planta, deve ser realizada a aplicação de 100 g/m2/ano do formulado N-P-K (10-10-10), em quatro ou cinco vezes e, paralelamente, devem-se adicionar 10 a 15 kg/ m2/ano de esterco ou composto orgânico bem curtido, parcelados em três vezes. Lamas (2004) sugere aplicações semanais com 450; 200 e 400 kg/ha/ano de N-P-K e incorporação de matéria orgânica, na ordem de 10 a 15 kg por m2/ano, em cinco a seis vezes. A aplicação pode ser por meio de fertirrigação ou a lanço, sendo neste caso fundamental irrigar a cultura logo após a adubação;

-Controle de plantas daninhas: é importante manter a cultura livre de

competição para que não haja interferência no desenvolvimento das plantas. Para tanto, recomenda-se efetuar, periodicamente avaliações quanto à necessidade de controle e se necessário, realizar capinas (preferencialmente) ou aplicações de herbicidas recomendados para a cultura (BARBOSA, 1999).

(45)

2.7.PRAGAS E DOENÇAS DOS ANTÚRIOS

Plantas em bom estado nutricional e cultivadas sob condições ideais de luminosidade, arejamento e umidade, dificilmente são atacadas por pragas e doenças.

Os trabalhos sobre a ocorrência de pragas na cultura dos antúrios são escassos. No entanto, a crescente introdução de cultivares para o cultivo e a alta exigência do mercado consumidor quanto à qualidade da produção evidenciam a necessidade de se intensificar os estudos parasitológicos nesta cultura, de modo a minimizar os prejuízos que estas podem ocasionar (Tombolato et al., 2002).

2.7.1. Pragas

Entre as principais pragas que atacam os antúrios, podem ser citadas as cochonilhas, vaquinhas, lesmas e caracóis, ácaros, pulgões, besouros, tripes, lagartas, nematóides e vespas galhadoras, descritas a seguir (GUERRA, 1985; TOMBOLATO et al., 2002; BARBOSA, 1999; ALVES, 1988):

2.7.1.1. Cochonilhas

São pequenos insetos sugadores, que se alimentam continuamente da seiva vegetal, atacando folhas, hastes florais, espatas, raízes e brotos novos. Diferentes grupos de cochonilhas podem ser encontrados atacando os antúrios.

No grupo das cochonilhas com carapaça destacam-se: Chrisomphalus

dictyospermi, vulgarmente conhecida como cabeça-de-prego rosa; Acutaspis umbonifera; Acutaspis litoranea e Pinnaspsis bux. No grupo cujo corpo está revestido por intensa

segregação cerosa, podem ser citados os gêneros Pseudococcus e Pinaspsis spp., conhecida como escama-farinha e entre as cochonilhas de corpo nu, a Saissetia olea tem sido encontrada atacando não apenas os antúrios, mas diversas plantas ornamentais.

(46)

Os danos causados resultam da sucção contínua de seiva vegetal e da inoculação de toxinas. As regiões atacadas ficam todas amareladas e, caso não sejam combatidas a tempo, as partes afetadas secam, comprometendo o desenvolvimento da planta. Além disso, excretam grande quantidade de substâncias açucaradas, propiciando o aparecimento do fungo “fumagina”, que também é prejudicial, por alterar os processos fisiológicos (especialmente a fotossíntese) da planta (Figura 2.30). Estas substâncias adocicadas atraem formigas doceiras que contribuem para a disseminação das cochonilhas.

Figura 2.30. Sintoma causado por cochonilha.

Fonte: Tombolato et al., 2002.

Para o controle, a poda e destruição das partes mais infestadas e os inimigos naturais, parasitóides e predadores colaboram para a redução das populações de cochonilhas. Em altas infestações, o uso de óleo emulsionável e/ou inseticidas fosforados sistêmicos à base de dimetoato é indicado.

2.7.1.2. Pulgões

São pequenos insetos (1 a 5 mm) de coloração preta ou verde, bastante nocivos, uma vez que sugam continuamente a seiva vegetal.

(47)

Atacam brotos novos, espatas fechadas e flores, causando sérios danos às plantas, como depauperamento, má formação e enrolamento das folhas, podendo ainda ser transmissores de viroses. Assim como as cochonilhas, propiciam o desenvolvimento da "fumagina”. As principais espécies que atacam antúrios são: Aphis fabae e Myzus scalonius (Aphididae).

Como medida mecânica, recomenda-se o uso de telados anti-pulgões em torno das estufas e dos telados. Para a captura das formas aladas, podem ser instaladas armadilhas adesivas, pintadas de amarelo nas instalações de cultivo ou pulverizar as partes infestadas com soluções a base de nicotina (Nicotiana tabacum), tagetes (Tagetes patula), Nim (Azadirachta indica), dentre outras. Em ataques mais severos, recomenda-se o controle químico, utilizando-se inseticidas à base de carbaryl, dimetoato ou malathion.

2.7.1.3. Tripes

Tanto os adultos quanto as ninfas do gênero Scirtothrips atacam as espatas ainda fechadas, ocasionando o aparecimento de estrias brancas que se evidenciam quando estas se abrem, depreciando o valor comercial das plantas.

O controle pode ser feito utilizando-se armadilhas adesivas brancas ou azuis dependuradas nas instalações de cultivo. Outra estratégia consiste em aplicações, a intervalos de sete dias, do fungo Metarhizium anisopliae. Também podem ser feitas pulverizações com inseticidas à base de carbaryl, dimetoato, dissulfoton, fenitrotion ou tiometon.

2.7.1.4. Besouros

Apesar de muitos besouros serem excelentes predadores de outros insetos, os fitófagos causam prejuízos aos antúrios. Os adultos da espécie Exatermatopus coccineus, roem folhas novas, espatas e inflorescências.

O controle pode ser feito por meio da catação manual e eliminação dos insetos adultos, seguida de poda e destruição das partes vegetais com sinais de infestações.

(48)

Quando o ataque é muito severo, recomenda-se efetuar a pulverização com inseticidas a base de dimetoato.

2.7.1.5. Vespas galhadoras

São insetos que depositam ovos no interior do tecido vegetal dos pecíolos e folhas, dando origem a “galhas” no interior das quais se originam os adultos. Causam deformações e prejudicam o desenvolvimento das plantas. Nos antúrios, a espécie

Semirhythus anthurii (Braconidae) tem causado danos relevantes.

O controle pode ser feito por meio da poda e destruição das partes atacadas. Também se aconselha a colocação de armadilhas nas instalações de cultivo, utilizando placas de papelão ou garrafas pet (Figuras 2.31 e 2.32), com solução contendo iscas açucaradas (xarope de água com açúcar), inseticidas fosforados ou carbamatos de contato.

Figura 2.31. Armadilha com garrafa pet contendo xarope de água

(49)

Figura 2.32. Detalhe da garrafa pet com perfurações.

2.7.1.6. Ácaros

São aranhas diminutas que colonizam a parte inferior das folhas jovens e alimentam-se da seiva vegetal. O ataque do gênero Tetranychus ocasiona pontos cloróticos, amarelecimento e queda prematura de folhas, podendo, em altas infestações, causar a morte das plantas.

Como controle, recomenda-se a poda e a eliminação das partes afetadas e pulverizações com inseticidas à base de enxofre, tetradifon e dimetoato.

2.7.2. DOENÇAS

Assim como as pragas, as doenças também causam prejuízos econômicos aos antúrios, embora sejam considerados relativamente resistentes às moléstias. Antracnose, Podridão das raízes, Bacterioses e Viroses são relatadas como principais doenças da cultura (TOMBOLATO et al., 2002; LAMAS, 2004-2; SAKAI, 2004; LACERDA, 2006).

(50)

2.7.2.1. Doenças fúngicas

Antracnose

É considerada a doença de maior importância. É causada pelo fungo

Colletotrichum gloeosporioides Penz., sendo favorecida em condições de baixas temperaturas

e umidade elevada.

As plantas atacadas apresentam manchas pardas, sobretudo nas bordas das folhas ou junto às nervuras (Figura 2.33). Como medida de controle, deve-se cortar as partes afetadas e transferir as plantas doentes para ambiente ventilado, expondo-as lentamente à maior radiação solar. Produtos à base de oxicloreto de cobre podem ser usados.

Figura 2.33. Sintomas de antracnose em antúrio. A, B, C e D: Manchas foliares causadas

por Colletotrichum gloeosporioides; E e F: Manchas foliares causadas por Glomerella

cingulata.

(51)

Podridão das raízes

Geralmente favorecida por condições de umidade excessiva no substrato ou ambiente de cultivo e temperatura entre 10 e 220 C para a espécie Phytophora sp. e entre 10 e 200 C para P.splendens. Nas plantas adultas causam uma lesão de coloração escura para negra, das raízes até a haste floral e, como controle, deve-se eliminar as plantas com sintomas e reduzir o valor da umidade.

2.7.2.2. Doenças bacterianas

Diferentes gêneros de bactérias fitopatogênicas são relatados atacando os antúrios, como Pseudomonas, que promovem o aparecimento de manhas pretas circundadas por halo amarelo nas folhas e Xantthomonas campestris pv. Dieffenbachiae, que causam o surgimento de manchas pretas nas folhas.

Estas doenças depreciam o valor comercial das plantas e causam a morte dos antúrios em um curto espaço de tempo. Práticas como umidade e temperatura elevadas e o cultivo adensado favorecem o surgimento e a disseminação de bactérias.

O controle pode ser obtido por meio do uso de material de propagação sadio, assepsia de instrumentos e mãos após o manuseio de uma planta com suspeita de infecção e eliminação ou isolamento das demais. Produtos a base de estreptomicina (sulfato diidro) podem ser utilizados.

2.7.2.3. Doenças viróticas

Para a cultura das aráceas, o vírus de maior importância é o Dasheen mosaic

vírus – DsMV, que em Anthurium andraeanum induz a sintomas foliares que variam de

(52)

Figura 2.34. Sintoma causado por vírus DMV.

Os principais sintomas são anéis cloróticos com ou sem ponto clorótico central, podendo estar acompanhados de contornos necróticos de coloração marrom.

A principal forma de disseminação dos vírus é por meio da propagação vegetativa das mudas. Também podem ser transmitidos por vetores, como tripes e pulgões, além de instrumentos, vasos e substratos contaminados.. Para o controle, medidas preventivas básicas devem ser tomadas, como a esterilização (química ou térmica) dos instrumentos; limpeza prévia de vasos e não reutilização de substratos. Recomenda-se ainda eliminar plantas infectadas e utilizar plantas livres de vírus para a propagação vegetativa (divisão de touceiras) e micropropagação.

2.8.COLHEITA,CLASSIFICAÇÃO E ARMAZENAMENTO PÓS-COLHEITA DOS ANTÚRIOS

Para a obtenção da máxima qualidade das flores dos antúrios é fundamental que as condições de cultivo, associada à determinação do ponto de colheita sejam corretamente estabelecidas. Antes de se proceder à colheita das inflorescências de flores tropicais é fundamental observar o estado nutricional e fitossanitário das plantas, além de seguir os padrões de qualidade referentes a cada espécie. Alguns fatores definem o momento ideal para que a colheita ocorra, podendo ser citados: a firmeza do pedúnculo, a expansão da espata e as mudanças de coloração da espádice. Do ponto de vista comercial, a proporção de flores abertas é um atributo primordial que determina a maturidade da haste floral (DIAS-

(53)

TAGLIACOZZO, 2004). Na literatura, as recomendações com relação ao momento ideal da colheita diferem em alguns países e entre produtores de um mesmo país.

Os pesquisadores Lopes e Mantovani (1980) recomendam que a colheita seja efetuada quando metade ou três quartos da espádice apresentar mudança na coloração. Além disso, em cultivos comerciais, o pico de produção ocorre entre o quarto e o quinto ano de cultivo, período este em que as plantas atingem seu máximo vigor e as flores exibem todas as suas características; exceto, no caso de cultivo hidropônico, onde o padrão das flores atinge seu máximo desenvolvimento mais cedo (TOMBOLATO et al., 2002; TOMBOLATO et al., 2004).

Segundo o IBRAFLOR, no Brasil, um padrão de qualidade específico para flores tropicais vem sendo desenvolvido em parceria com os produtores, porém ainda não está concluído. No que se refere aos antúrios, determinou-se que as flores devem ser colhidas com o pedúnculo floral firme e três quartos da espádice madura, que se observa mediante a alternância da coloração. São classificados em função do comprimento das hastes em pequeno (menor que 30 cm); médio (entre 30 e 45 cm) ou grande (maior que 45 cm), devendo ser descartadas aquelas que apresentarem deformidades, manchas ou perfurações nas espatas (LOGES, et al., 2005).

As flores são classificadas ainda pelo tamanho, conforme descrito por Lamas (2002) no Quadro 2.1.

Tipo de Flor Tamanho da flor

Miniatura Menos que 7,6 cm

Pequeno De 7,6 a 10,2 cm

Médio De 10,2 a 12,7 cm

Grande De 12,7 a 15,2 cm

Extragrande Maior que 15,2 cm

Quadro 2.1 Classificação das flores de acordo com os padrões internacionais. Fonte: Lamas, 2002.

Na Holanda, os produtores classificam as flores de antúrio em três categorias de qualidade. As flores classificadas como A1 devem ser limpas, frescas, bem desenvolvidas, ter bom formato e colorido próprio, serem livres de lesões, deformidades e apresentar hastes retas e firmes. Na classificação A2 estão as flores com leves desvios nas características anteriores e aquelas com desvios mais acentuados são caracterizadas como A3.

(54)

Além disso, a largura da espata e o comprimento da haste também são atributos considerados na classificação dos antúrios (VAN HERK et al., 1998).

Já os produtores do Havaí indicam efetuar a colheita quando 3/4 das flores estão abertas e, quando o destino da produção é a exportação, os mesmos avaliam as hastes florais com 1/3 da espádice com flores abertas (PAUL, 1982).

Seja qual for o padrão de classificação, é de suma importância evitar a precocidade ou a colheita tardia para não comprometer a manutenção da qualidade e durabilidade do produto. No caso de colheitas precoces, geralmente o pedúnculo e as espatas murcham antecipadamente e a coloração da espata sofre rápida alteração, tornando-se azuladas nas cultivares coloridas e marrons nas cultivares brancas (DIAS-TAGLIACOZZO, 2004).

Recomenda-se ainda o máximo de cuidado durante o processo de colheita, uma vez que o conjunto espata-espádice é facilmente danificado. Esta deve ser realizada manualmente, com o auxílio de facas ou tesouras, devidamente esterilizadas, nos horários de temperaturas mais amenas, sendo recomendado o início da manhã ou final da tarde. Em seguida, devem ser acondicionadas em recipientes contendo água limpa, onde as mesmas serão mantidas até que sejam embaladas e armazenadas. O transporte do campo até a área de beneficiamento deve ser rápido, de modo a evitar que as inflorescências fiquem muito tempo expostas ao calor após o corte, ocasionando a desidratação das hastes (LOGES et al., 2005; DIAS-TAGLIACOZZO, 2004). A freqüência da colheita é determinada pelo grau de maturidade da flor, número de plantas em cultivo e demanda, mas em cultivos comerciais, geralmente procede-se à colheita uma a duas vezes por semana (TOMBOLATO et al., 2002).

Vale salientar que, para a utilização como flor de corte, o sucesso comercial depende não apenas da qualidade estética e produção, mas também, da longevidade pós-colheita da flor, pois nem sempre a produção é absorvida imediatamente após a pós-colheita.

Entretanto, o uso muitas vezes é comprometido, pois depois de colhidas, as flores de várias espécies sofrem rápido processo de abscisão e senescência, que é determinado pela redução na absorção de água, com conseqüente murchamento e abscisão das pétalas ou flores. Outro fator refere-se ao aumento nas taxas de produção de etilieno, que é produzido pelas próprias flores e estimula a formação de enzimas hidrolíticas e a formação da zona de abscisão. A deterioração de produtos recém colhidos também pode ser resultado de alterações fisiológicas, injúrias físicas aos tecidos e invasão de microrganismos (HARDENBURG et al., 1986).

Referências

Documentos relacionados