Boletim
j
Manual de Procedimentos
Veja nos Próximos
Fascículos
a Informações, seleção de itens
e dúvidas quanto à evidência
de auditoria
a Arrendamento mercantil -
Aspectos práticos
a Provisão para créditos de
liquidação duvidosa
Temática Contábil e Balanços
Fascículo N
o12/2014
/
a
Auditoria
Utilização de especialista da administração na elaboração das evidências de auditoria . . . . 1
/
a
Contabilidade Geral
Vale-transporte . . . . 4/
a
Contabilidade Internacional
© 2014 by IOB FOLHAMATIC EBS > SAGE
Capa:
Marketing IOB FOLHAMATIC EBS > SAGE Editoração Eletrônica e Revisão: Editorial IOB FOLHAMATIC EBS > SAGE
Telefone: (11) 2188-7900 (São Paulo) 0800-724-7900 (Outras Localidades)
Todos os direitos reservados. É expressamente proibida a reprodução total ou parcial desta obra, por qualquer meio ou processo, sem prévia autorização do autor (Lei no 9.610, de 19.02.1998, DOU de 20.02.1998).
Impresso no Brasil
Printed in Brazil Boletim IOB
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Temática contábil e balanços : utilização de especialista da administração na elaboração das evidências de auditoria.... -- 10. ed. -- São Paulo : IOB Folhamatic, 2014. --
(Coleção manual de procedimentos)
ISBN 978-85-379-2098-5
1. Balanços contábeis 2. Empresas - Contabilidade I. Série.
14-01710 CDD-658.15
Índices para catálogo sistemático:
1. Administração financeira : Empresas 658.15 2. Análise de balanços : Empresas :
Administração financeira 658.15 3. Balanços : Empresas : Administração financeira 658.15
Manual de Procedimentos
Temática Contábil e Balanços
Boletim
j12-01
Boletim IOB - Manual de Procedimentos - Mar/2014 - Fascículo 12 TC
A elaboração das demonstrações contábeis
da entidade pode exigir conhecimento especializado
em outro campo que não a contabilidade ou a auditoria
a
Auditoria
Utilização de especialista da
administração na elaboração das
evidências de auditoria
SUMÁRIO 1. Introdução
2. Confiabilidade das informações
3. Assuntos que afetam a natureza, a época e a extensão dos procedimentos de auditoria 4. Competência, habilidade e objetividade de um
especialista da administração
5. Situações que ameaçam a objetividade do especialista
6. Interesses e relacionamentos que podem criar ameaças à objetividade do especialista 7. Obtenção de entendimento do trabalho do
especialista da administração
8. Especialista da administração contratado pela entidade
9. Avaliação da adequação do trabalho do especialista da administração
1. INTRODUÇÃO
Se as informações a serem uti-lizadas como evidência de auditoria forem elaboradas com a utilização de um especialista da administração, o auditor deverá, na medida necessária, levando em conta a importância do trabalho desse especialista para os propósitos do auditor:
a) avaliar a competência, habilidades e objetivi-dade do especialista;
b) obter entendimento do trabalho do especia-lista; e
c) avaliar a adequação do trabalho desse espe-cialista como evidência de auditoria para a afirmação relevante.
Neste texto, discorremos sobre utilização de especialista da administração na elaboração das evi-dencias de auditoria, tendo como base a NBC TA 500 - Evidência de Auditoria, aprovada pela Resolução CFC nº 1.217/2009.
2. CONFIABILIDADE DAS INFORMAÇÕES
A elaboração das demonstrações contábeis da entidade pode exigir conhecimento especializado em outro campo que não a contabilidade ou a auditoria, como cálculos atuariais, avaliações ou dados de engenharia. A entidade pode empregar ou contratar especialistas desses campos para obter o conheci-mento especializado necessário para a elaboração das demonstrações contábeis. Deixar de fazê-lo quando tal conhecimento especializado é necessário aumenta os riscos de distorção relevante.
Quando as informações a serem utilizadas como evidência de auditoria são elaboradas com o uso do trabalho do especialista da administração,
aplica-se a exigência referida no item 1. Por exemplo, um indivíduo
ou organização pode possuir conhecimento especializado
na aplicação de modelos para estimar o valor justo de títulos mobiliários para os quais não há mercado observável.
Se o indivíduo ou organização aplica esse conhecimento especializado em uma esti-mativa que a entidade utiliza na elaboração das suas demonstrações contábeis, o indivíduo ou organiza-ção é um especialista da administraorganiza-ção e aplica-se a exigência referida no item 1, anterior.
Se, por outro lado, esse indivíduo ou organização meramente fornece dados de preço referentes a tran-sações privadas não disponíveis de outra maneira para a entidade e que esta utiliza nos seus métodos de estimativa, tais informações, se utilizadas como evidência de auditoria, estão sujeitas à observância das características intrínsecas (relevância e confiabi-lidade), mas não se trata de uso, pela entidade, de especialista da administração.
Manual de Procedimentos
Temática Contábil e Balanços
3. ASSUNTOS QUE AFETAM A NATUREZA, A ÉPOCA E A EXTENSÃO DOS PROCEDIMENTOS DE AUDITORIA
A natureza, a época e a extensão dos procedi-mentos de auditoria em relação à exigência referida no item 1 podem ser afetados por assuntos como:
a) a natureza e a complexidade do assunto rela-cionado ao especialista da administração; b) os riscos de distorção relevante no assunto; c) a disponibilidade de fontes alternativas de
evi-dência de auditoria;
d) a natureza, o alcance e os objetivos do traba-lho do especialista da administração;
e) se o especialista da administração é emprega-do pela entidade ou é parte contratada por ela para fornecer serviços relevantes;
f) a extensão em que a administração pode exer-cer controle ou influência sobre o trabalho do especialista da administração;
g) se o especialista da administração está sujeito a padrões de desempenho técnico ou outras exigências profissionais ou da indústria; h) a natureza e extensão de quaisquer controles
dentro da entidade sobre o trabalho do espe-cialista da administração;
i) o conhecimento e a experiência do auditor so-bre a área de atuação do especialista da ad-ministração;
j) a experiência prévia do auditor com o trabalho desse especialista.
4. COMPETÊNCIA, HABILIDADE E OBJETIVIDADE DE UM ESPECIALISTA DA ADMINISTRAÇÃO
A competência relaciona-se com a natureza e nível de conhecimento na área de atuação do especialista da administração. As habilidades relacionam-se com a capacidade do especialista da administração para exercer essa competência nas circunstâncias.
Fatores que influenciam as habilidades podem incluir, por exemplo, o local geográfico e a disponibi-lidade de tempo e recursos. A objetividade relaciona--se com os possíveis efeitos que tendenciosidades, conflitos de interesse ou influência que outros possam ter sobre o julgamento profissional ou de negócios do especialista da administração.
A competência, habilidades e objetividade de especialista da administração e quaisquer controles da entidade sobre o trabalho desse especialista são fatores importantes em relação à confiabilidade de qualquer informação apresentada por um especialista da administração.
Informações referentes a competência, habilidades e objetividade de um especialista da administração podem vir de uma variedade de fontes, como, por exemplo:
a) experiência pessoal com trabalho anterior do especialista;
b) discussões com esse especialista;
c) discussões com outros que estejam familiari-zados com o trabalho desse especialista; d) conhecimento das qualificações desse
espe-cialista, filiação a órgão profissional ou asso-ciação de classe, licença para a prática ou ou-tras formas de reconhecimento externo; e) dissertações publicadas ou livros escritos por
esse especialista;
f) especialista do auditor, se aplicável, que auxilie o auditor na obtenção de evidência de auditoria apropriada e suficiente referente às informações apresentadas pelo especialista da administração. Assuntos relevantes para a avaliação da competên-cia, habilidades e objetividade de um especialista da administração incluem determinar se o trabalho desse especialista está sujeito a padrões de desempenho técnico, outros requisitos profissionais ou de indústria, como, por exemplo, padrões éticos e outros requisitos de filiação a órgão profissional ou associação de classe, padrões de credenciamento de órgão licenciador, assim como exigências impostas por lei ou regulamento.
4.1 Outros assuntos relevantes para a avaliação da competência, habilidades e objetividade de um especialista da administração
Outros assuntos que podem ser relevantes incluem: a) a relevância da competência do especialista da
administração para o assunto para o qual o tra-balho desse especialista será utilizado, incluindo áreas de especialização no campo desse espe-cialista. Por exemplo, um atuário específico pode se especializar em seguros de propriedade e acidentes, mas ter conhecimento especializado limitado no que se refere a cálculos de pensão; b) a competência do especialista da
administra-ção no que se refere a exigências contábeis relevantes, como, por exemplo, conhecimento de premissas e métodos, inclusive modelos, quando aplicável, compatíveis com a estrutura de relatório financeiro aplicável;
c) se eventos inesperados, mudanças nas con-dições ou a evidência de auditoria obtida dos resultados dos procedimentos de auditoria in-dicam que pode ser necessário reconsiderar a avaliação inicial da competência, habilidades e objetividade do especialista da administra-ção à medida que a auditoria avança.
12-03
Boletim IOB - Manual de Procedimentos - Mar/2014 - Fascículo 12 TC
Temática Contábil e Balanços
Manual de Procedimentos
5. SITUAÇÕES QUE AMEAÇAM A OBJETIVIDADE DO ESPECIALISTA
Uma ampla gama de situações pode ameaçar a objetividade, por exemplo, ameaças de interesse próprio, de defesa dos interesses da entidade, de familiaridade, de autorrevisão e de intimidação. Salvaguardas podem reduzir tais ameaças e podem ser criadas por estruturas externas (por exemplo, a profissão do especialista da administra-ção, legislação ou regulamentação) ou pelo ambiente de trabalho do especialista da administração (por exemplo, políticas e procedimentos de controle de qualidade).
Embora salvaguardas não possam eliminar todas as ameaças à objetividade do especialista da admi-nistração, ameaças como a de intimidação podem ter menos importância para um especialista contratado pela entidade do que para um especialista empregado pela entidade, e a eficácia de salvaguardas como políticas e procedimentos de controle pode ser maior. Como a ameaça à objetividade criada pelo fato de ser empregado da entidade sempre estará presente, normalmente não se pode considerar mais provável que um especialista empregado pela entidade seja mais objetivo do que outros empregados da entidade.
6. INTERESSES E RELACIONAMENTOS QUE PODEM CRIAR AMEAÇAS À OBJETIVIDADE DO ESPECIALISTA
Na avaliação da objetividade de especialista con-tratado pela entidade, pode ser relevante discutir com a administração e o especialista quaisquer interesses e relacionamentos que possam criar ameaças à obje-tividade do especialista e quaisquer salvaguardas aplicáveis, inclusive exigências profissionais que se apliquem ao especialista, e avaliar se as salvaguar-das são apropriasalvaguar-das. Interesses e relacionamentos criadores de ameaças podem incluir:
a) interesses financeiros;
b) relacionamentos comerciais e pessoais; c) prestação de outros serviços.
7. OBTENÇÃO DE ENTENDIMENTO DO TRABALHO DO ESPECIALISTA DA ADMINISTRAÇÃO
O entendimento do trabalho do especialista da administração inclui o entendimento da área de espe-cialização relevante.
O entendimento da área de especialização rele-vante pode ser obtido em conjunto com a determinação de se o auditor possui conhecimento especializado para avaliar o trabalho do especialista da administra-ção ou se o auditor precisa de especialista para essa finalidade (ver NBC TA 620).
Aspectos da área de atuação do especialista da administração relevantes para o entendimento do auditor podem incluir:
a) se a área do especialista tem setores de espe-cialização relevantes para a auditoria;
b) se são aplicáveis padrões profissionais ou de outro tipo e exigências regulatórias ou jurídicas; c) quais premissas e métodos são utilizados pelo
especialista da administração e se eles são ge-ralmente aceitos na área do especialista e apro-priados para fins de demonstrações contábeis; d) a natureza dos dados internos e externos ou das informações utilizadas pelo especialista do auditor.
8. ESPECIALISTA DA ADMINISTRAÇÃO CONTRATADO PELA ENTIDADE
No caso de especialista da administração contratado pela entidade, geralmente há uma carta de contratação ou outra forma escrita de acordo entre a entidade e esse especialista. A avaliação desse acordo durante a obten-ção do entendimento do trabalho do especialista da administração pode ajudar o auditor a determinar, para fins de auditoria, a adequação dos seguintes aspectos:
a) a natureza, o alcance e os objetivos do traba-lho desse especialista;
b) as respectivas funções e as responsabilidades da administração e desse especialista; e c) a natureza, a época e a extensão da
comuni-cação entre a administração e esse especia-lista, inclusive a forma de qualquer relatório a ser fornecido por esse especialista.
No caso de especialista da administração empre-gado pela entidade, é menos provável que exista um acordo escrito desse tipo. As indagações junto ao especialista e outros membros da administração podem ser a forma mais apropriada de obtenção do entendimento necessário ao auditor.
9. AVALIAÇÃO DA ADEQUAÇÃO DO TRABALHO DO ESPECIALISTA DA ADMINISTRAÇÃO
Considerações durante a avaliação do trabalho do especialista da administração como evidência de auditoria para a afirmação relevante podem incluir:
a) a relevância e a razoabilidade das constata-ções ou conclusões desse especialista, sua consistência com outras evidências de audito-ria, e se elas foram apropriadamente refletidas nas demonstrações contábeis;
b) se o trabalho desse especialista envolve a uti-lização de premissas e métodos significativos, a relevância e a razoabilidade dessas premis-sas e métodos; e
c) se o trabalho desse especialista envolve uso significativo de dados-fonte, a relevância, inte-gridade e exatidão desses dados-fonte.
Manual de Procedimentos
Temática Contábil e Balanços
Vale-transporte
SUMÁRIO1. Introdução
2. Apropriação como custo e/ou despesa operacional 3. Parcela descontada dos trabalhadores
4. Exemplo
5. Empresa que fornece transporte em veículo próprio ou contratado de terceiros
1. INTRODUÇÃO
Desde 1º.01.1998, o vale-transporte (VT) deixou de ser objeto de incentivo fiscal pela legislação do Imposto de Renda (Lei nº 9.532/1997, art. 82, II, “f”). Todavia, em atendimento à legislação trabalhista (Lei nº 7.418/1985), sua aquisição e respectiva distribuição aos funcionários ainda são obrigatórias a todas as empresas que possuem empregados com direito a esse benefício.
Neste texto, abordamos os procedimentos para o registro contábil do VT.
2. APROPRIAÇÃO COMO CUSTO E/OU DESPESA OPERACIONAL
O gasto efetivamente suportado pela empresa na concessão do VT aos trabalhadores a seu serviço classifica-se como:
a) custo da produção, relativamente ao VT con-cedido aos trabalhadores da área de produ-ção, nas empresas industriais e prestadoras de serviços;
b) despesa operacional, relativamente ao VT concedido:
b.1) aos trabalhadores das áreas administra-tivas e de vendas, nas empresas referi-das na letra “a”;
b.2) a todos os trabalhadores, nas empresas comerciais.
Para a preservação do regime de competência na apropriação desse gasto, o custo de aquisição dos VT deve, inicialmente, ser registrado na conta Despesas Pagas Antecipadamente (no Ativo Circulante) para ser apropriado como custo e/ou despesa operacional no mês em que os VT deverão ser utilizados pelos trabalhadores.
3. PARCELA DESCONTADA DOS TRABALHADORES
A parcela que venha a ser recuperada pela empresa, mediante desconto dos trabalhadores, deve ser lançada a crédito da(s) conta(s) que registre(m) o valor bruto dos VT fornecidos aos trabalhadores.
4. EXEMPLO
Admitamos que, em uma empresa comercial, verificou-se o seguinte:
a) valor dos VT adquiridos: R$ 5.000,00;
b) valor dos VT distribuídos no mês: R$ 3.000,00; c) valor descontado dos empregados na folha de
pagamento do mês da utilização dos VT, res-peitado o limite máximo de 6% do salário bási-co de cada um: R$ 1.000,00.
Nesse caso, de acordo com os dados fornecidos nos tópicos precedentes, teremos os seguintes lan-çamentos:
1) pela aquisição dos VT D - Despesas Pagas Antecipadamente
(Ativo Circulante)
C - Caixa ou Bancos Conta Movimento
(Ativo Circulante) R$ 5.000,00 2) pela apropriação da despesa bruta no mês de competência
D - Despesas com Vale-transporte (Conta de Resultado)
C - Despesas Pagas Antecipadamente
(Ativo Circulante) R$ 3.000,00 3) pelo desconto em folha da parcela cobrada dos empregados
D - Salários a Pagar (Passivo Circulante)
C - Despesas com Vale-transporte
(Conta de Resultado) R$ 1.000,00
5. EMPRESA QUE FORNECE TRANSPORTE EM VEÍCULO PRÓPRIO OU CONTRATADO DE TERCEIROS
O empregador pode proporcionar aos seus trabalhadores o deslocamento residência-trabalho, e vice-versa, por meios próprios ou contratados de ter-ceiros, em veículos adequados ao transporte coletivo. Nessas empresas, os valores incorridos com o transporte de empregados serão debitados em conta que poderá ser intitulada “Transporte de Empregados”, classifi-cável entre os custos de produção e/ou entre as despesas operacionais, conforme o tópico 2 deste trabalho.
O valor descontado dos empregados é contabili-zado de forma similar à demonstrada no tópico anterior, a crédito da conta de custo ou despesa correspondente.
Pode ocorrer de a empresa se utilizar, concomi-tantemente, para o transporte de seus empregados,
12-05
Boletim IOB - Manual de Procedimentos - Mar/2014 - Fascículo 12 TC
Temática Contábil e Balanços
Manual de Procedimentos
Arrendamento mercantil operacional
SUMÁRIO1. Introdução
2. Tratamento no arrendatário 3. Tratamento no arrendador
1. INTRODUÇÃO
Neste texto, discorremos sobre o arrendamento mercantil operacional nas demonstrações contábeis sob a ótica do arrendatário e do arrendador, tendo como base o Pronunciamento Técnico CPC 06 (R1), cujas regras foram recepcionadas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), pela Deliberação CVM nº 645/2010, pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC) e pela Resolução CFC nº 1.304/2010.
O referido pronunciamento regula, para arrenda-tários e arrendadores, a contabilização das operações de arrendamento mercantil, principalmente a partir da aprovação da Lei nº 11.638/2007, que deu nova redação ao art. 179 da Lei nº 6.404/1976 (Lei das Sociedades por Ações).
2. TRATAMENTO NO ARRENDATÁRIO
Os pagamentos da prestação do arrendamento mercantil segundo um arrendamento mercantil
ope-racional devem ser reconhecidos como despesa em base linear durante o prazo do arrendamento mercantil, exceto se outra base sistemática for mais representa-tiva do modelo temporal do benefício do usuário.
Para os arrendamentos mercantis operacionais, os pagamentos da prestação (excluindo os custos de serviços tais como seguro e manutenção) são reconhecidos como despesa em base linear, salvo se outra base sistemática for representativa do modelo temporal do benefício do usuário, mesmo que tais pagamentos não sejam feitos nessa base.
2.1 Divulgação
Os arrendatários, além de cumprir os requisitos do Pronunciamento Técnico CPC 40 - Instrumentos Financeiros: Evidenciação, devem fazer as seguintes divulgações relativas aos arrendamentos mercantis operacionais:
a) total dos pagamentos mínimos futuros dos arrendamentos mercantis operacionais não canceláveis para cada um dos seguintes pe-ríodos:
a.1) até 1 ano;
a.2) mais de 1 ano e até 5 anos; de veículos próprios e contratados de terceiros ou
conjugar o transporte em veículos próprios e/ou con-tratados de terceiros com o fornecimento de VT.
Nesses casos, é recomendável a utilização de uma conta sintética, que poderá ser intitulada “Transporte de Empregados”, desdobrada em contas analíticas para as quais são canalizadas as despesas incorridas em cada modalidade de transporte forne-cido, incluindo-se uma conta credora para o registro do valor descontado dos empregados.
4. S DESPESAS OPERACIONAIS 4.1 S Despesas Administrativas 4.1.1 S Gastos com Pessoal 4.1.1.6 S Transporte de Funcionários 4.1.1.6.01 A Vale-transporte
4.1.1.6.02 A Transporte em Veículos Próprios 4.1.1.6.03 A Transporte em Veículos de Terceiros
4.1.1.6.09 A (-) Participação Descontada dos Empregados
Veja que, nesse exemplo, o saldo da conta sinté-tica “4.1.1.6 Transporte de Funcionários” representa o valor das despesas incorridas nas várias modalidades de fornecimento de transporte, subtraída a parcela descontada dos empregados.
Deve-se observar, também, que a conta “Trans-porte em Veículos Próprios” (desde que o Plano de Contas comporte 6 graus de razão, caso seja neces-sário maior rigor nos controles dos gastos incorridos), pode ser desdobrada em subcontas por natureza de gastos, conforme segue:
4.1.1.6.02 S Transportes em Veículos Próprios 4.1.1.6.02.01 A Combustíveis e Lubrificantes 4.1.1.6.02.02 A Manutenção e Reparo de Veículos 4.1.1.6.02.03 A Depreciação
4.1.1.6.02.04 A Salários e Encargos Sociais do Motorista etc.
N
a
Contabilidade Internacional
Manual de Procedimentos
Temática Contábil e Balanços
a.3) mais de 5 anos;
b) total dos pagamentos mínimos futuros de subarrendamento mercantil que se espera que sejam recebidos nos subarrendamentos mercantis não canceláveis ao final do pe-ríodo;
c) pagamentos de arrendamento mercantil e de subarrendamento mercantil reconheci-dos como despesa do período, com valores separados para pagamentos mínimos de ar-rendamento mercantil, pagamentos contin-gentes e pagamentos de subarrendamento mercantil;
d) descrição geral dos acordos de arrendamen-to mercantil significativos do arrendatário, in-cluindo, mas não se limitando a:
d.1) base pela qual é determinado o paga-mento contingente;
d.2) existência e termos de renovação ou de opções de compra e cláusulas de reajus-tamento; e
d.3) restrições impostas por acordos de ar-rendamento mercantil, tais como as rela-tivas a dividendos e juros sobre o capital próprio, dívida adicional e posterior ar-rendamento mercantil.
3. TRATAMENTO NO ARRENDADOR
Os arrendadores devem apresentar os ativos sujeitos a arrendamentos mercantis operacionais nos seus balanços de acordo com a natureza do ativo.
A receita de arrendamento mercantil proveniente de arrendamentos mercantis operacionais deve ser reconhecida no resultado na base da linha reta durante o prazo do arrendamento mercantil, a menos que outra base sistemática seja mais representativa do padrão temporal em que o benefício do uso do ativo arrendado é diminuído.
3.1 Custos e receitas - Tratamento
Os custos, incluindo a depreciação, incorridos na obtenção da receita de arrendamento mercantil devem ser reconhecidos como despesa.
A receita de arrendamento mercantil (excluindo recebimentos de serviços fornecidos tais como seguro e manutenção) deve ser reconhecida na base da linha reta durante o prazo do arrendamento mercantil mesmo se os recebimentos não estiverem
nessa base, a menos que outra base sistemática seja mais representativa do padrão temporal em que o benefício de uso do ativo arrendado é diminuído.
Os custos diretos iniciais incorridos pelos arren-dadores ao negociar e estruturar um arrendamento mercantil operacional devem ser adicionados ao valor contábil do ativo arrendado e reconhecidos como despesa durante o prazo do arrendamento mercantil na mesma base da receita do arrendamento mercantil.
Notas
(1) Para determinar se o ativo arrendado está sujeito a uma redução ao seu valor recuperável, a entidade deve aplicar o Pronunciamento Técnico CPC 01.
(2) O arrendador fabricante ou o comerciante não devem reconhecer qualquer lucro da venda ao celebrar um arrendamento mercantil operacional porque não é o equivalente a uma venda.
3.1.1 Depreciação
A política de depreciação para ativos arrendados depreciáveis deve ser consistente com a política de depreciação normal do arrendador para ativos semelhantes, e a depreciação deve ser calculada de acordo com as regras aplicáveis ao ativo imobilizado (e a amortização ao ativo intangível).
3.2 Divulgação
Os arrendadores, além de cumprir os requisitos do Pronunciamento Técnico CPC 40 - Instrumentos Financeiros: Evidenciação, devem fazer as seguintes divulgações para os arrendamentos mercantis ope-racionais:
a) pagamentos mínimos futuros de arrendamen-tos mercantis operacionais não canceláveis no total e para cada um dos seguintes períodos: a.1) até 1 ano;
a.2) mais de 1 ano e até 5 anos; a.3) mais de 5 anos;
b) total dos pagamentos contingentes reconheci-dos como receita durante o período;
c) descrição geral dos acordos de arrendamento mercantil do arrendador.
Além dos requisitos supramencionados, o arren-dador deve observar os requisitos de divulgação do Pronunciamento Técnico CPC 01 e dos demais pronunciamentos aplicáveis aos ativos do arrendador.