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DADOS GEOESPACIAIS E ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO

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Academic year: 2021

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Joaquim Lourenço Tunga Txifunga

DADOS

GEOESPACIAIS

E

ORDENAMENTO

DO

TERRITÓRIO

DESENVOLVIMENTO DE UM GEOPORTAL PARA O SUL DE

ANGOLA COM RECURSO A FERRAMENTAS TIG OPEN SOURCE

Trabalho de Projeto de Mestrado em Tecnologias de Informação Geográfica, orientado pelo Professor Doutor José Gomes dos Santos, apresentado ao Departamento de Geografia

e Turismo da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra

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ii

FACULDADE

DE

LETRAS

DADOS

GEOESPACIAIS

E

ORDENAMENTO

DO

TERRITÓRIO

DESENVOLVIMENTO DE UM GEOPORTAL PARA O SUL DE

ANGOLA COM RECURSO A FERRAMENTAS TIG OPEN SOURCE

Ficha Técnica

Tipo de trabalho Trabalho de Projeto

Título DADOS GEOESPACIAIS E ORDENAMENTO DO

TERRITÓRIO

Subtítulo Desenvolvimento de um Geoportal para o Sul de Angola com Recurso a Ferramentas TIG Open Source

Autor Joaquim Lourenço Tunga Txifunga

Orientadores Professor Doutor José Gomes dos Santos

Professor Doutor Jose Carlos Martinéz Llaro Júri Presidente: Doutor Rui Ferreira de Figueiredo

Vogais:

1. Doutor José António Tenedório 2. Doutor José Gomes dos Santos

Identificação do Curso 2º Ciclo em Tecnologias de Informação Geográfica

Área científica Tecnologias de Informação Geográfica

Especialidade/Ramo Ambiente e Ordenamento do Território

Data da defesa 22-Outubro-2019

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i

Agradecimentos

A Deus Pai Todo-Poderoso, pela dádiva da vida e pelas bênçãos que vem me proporcionando em todos momentos deste curso.

Aos meus queridos pais Lourenço Manjolo Cabanga (In memoriam) e Helena Muginga Moisés, “obrigado pela herança ética”, “obrigado pelo sacrifício”, “obrigado pelo apoio e por acreditarem”, “obrigado por me ensinarem a ser Gente”.

A minha Esposa e aos meus filhos, pelo amor, carinho e atenção demonstrados durante esta caminhada académica, eternamente grato.

Aos meus irmãos (João, Pitra, Many, Frederico, Custa, Weza, Puto e David), amigos (Pe. Simão Mutali, Paula Pelouro, Élio Germano, Flávio Kukeinge, José Luís, Amós Katula, Filipa Ventura e Cleide Borges) e colegas (Kévin Bento e Jorge Almeida) do Mestrado em Tecnologias de Informação Geográfica (MTIG), muito obrigado.

Ao Eduardo Muachissene, confrade de “trincheira” pela conquista das nossas lutas

comuns e pelo contubérnio, muito obrigado.

Aos meus caríssimos Pais, Armando Chipema, André Muxito, Relva Cabanga, António Cabanga e Joné Cabanga, meu muito obrigado pelos ensinamentos e pelo apoio incondicional e em todos os momentos.

Os meus agradecimentos são extensivos a todos os meus Professores do MTIG, tanto da FLUC quanto da FCTUC, nomeadamente, José Paulo de Almeida, Alberto Cardoso, Cidália Fonte, Gil Gonçalves e João Fernandes, Rui Ferreira de Figueiredo, o meu muito obrigado.

Agradeço, ainda, as valiosas recomendações e sugestões para correção da versão final deste documento que em muito o enriqueceram.

Ao Ilustre Professor Doutor Jose Carlos Martinéz Llaro, meu mestre guia, muito obrigado pelos ensinamentos e pela paciência demonstrada durante a minha estadia

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ii

Ao meu inestimável Orientador, Professor Doutor José Gomes dos Santos que

incansavelmente soube sempre me acompanhar em todos os momentos e sempre que fosse necessário, pelos ensinamentos concedidos, o seu apoio e incentivos constantes foram durante os dois anos do curso a alavanca para conseguir levar a “Carta a Garcia”. É possível que este acompanhamento não se tenha esgotado pois adivinham-se novas interações para o futuro.

Ao povo angolano, meus conterrâneos queridos, aqueles que me merecem a atenção e a dedicação que canalizei para este projeto que, muito desejo, lhes possa ser útil.

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iii

Dedicatória

Este trabalho é dedicado a algumas pessoas que alimentam a minha teimosia em continuar a acreditar e a minha Fé de seguir em frente. Em primeiro lugar, destaco a memória do meu saudoso Pai, que o destino retirou precocemente da minha vida, recordando tudo o que me ensinou, os sacrifícios que fez por minha e por toda a família e o Amor que distribuiu por todos a quem queria bem. Muita falta me fazes meu Querido Velho, mas só desejo que estejas em Paz. Por cá continuarei o desígnio de honrar a tua Memória;

Em segundo lugar queria destacar a importância da minha amada e respeitável Esposa, Vanda da Conceição Marcolino Mateus Txifunga, pelo apoio incansável, permanente e incondicional; por essa razão também a ela é dedicada esta epopeia.

Por fim, mas não no fim, dedico também este trabalho aos meus queridos filhotes, Helenisa Dádiva, Crispiniano Conceição e Lweji Maria, lamentando, desde logo, o facto de, em muitos momentos ter sido forçado a ausentar-me e estar longe deles, mas a vida obriga a determinados sacrifícios e superação de barreiras que só uma força motivadora inabalável consegue derrubar. São eles o coração desta força.

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iv

Resumo

O Geoportal para apoio a uma Infraestrutura de Dados Espaciais do Namibe, adiante designado de GeoIDEN, resulta do desenvolvimento do Trabalho de Projeto

desenvolvido no âmbito do Mestrado em Tecnologias de Informação Geográfica –

perfil de Ambiente e Ordenamento do Território. A criação do geoportal, um exercício inovador, materializa o Trabalho de Projeto que decidimos fazer tendo por meta a obtenção do grau de Mestre, tendo por base a utilização de ferramentas e tecnologias TIG/SIG livres ou em Código Aberto (Open Source) para aquisição, geoprocessamento e disponibilização dos dados, da informação, do conhecimento e da inteligência geoespacial. O geoportal-plataforma de suporte da GeoIDEN, oferece ao utilizador uma interface gráfica simples e amigável que disponibiliza dados geoespaciais de acesso livre e gratuito através do acesso direto aos servidores de cartografia, de catálogo de metadados e aos padrões e especificações do Open Geospatial Consortium (OGC). Do conjunto de funcionalidades que começamos por disponibilizar destacamos as tarefas de navegação e visualização intuitiva de dados geoespaciais e, por outro lado, o facto de o utilizador poder aceder a outros dados relativos a organismos e/ou instituições fontes de dados ligados ao Geoportal, ou outras, assim como estabelecer contactos com o autor/gestor do GeoIDEN. É, portanto, uma plataforma interativa e dinâmica, que ainda pode ser considerada numa fase tardi-Beta, porque a sua estrutura, apesar de já testada e consolidada nos seus alicerces mais centrais, vai obrigar a atualizações quase constantes, à medida que novos dados sejam produzidos e/ou adquiridos e disponibilizados no Geoportal.

Destaca-se também a valência (geo)colaborativa da plataforma-geoportal, na media em que, mediante um registo prévio, a comunidade interessada pode fazer máximo uso das potencialidades oferecidas pelo Geoportal, incluindo upload e download de dados, de acordo com as camadas temáticas existentes e com os critérios formais que estão a ser definidos e virão a ser implementados, não apenas os que dizem respeito à Cartografia mas, também, ao acesso, uso e divulgação de dados de outra natureza.

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v

O seu aspeto gráfico foi beber inspiração a alguns outros geoportais que considerámos ser “referência”, e a versatilidade resultante, apenas possível porque foi definida com recurso a vários servidores, remete-nos para uma realidade que se inicia como simples plataforma de WebMapping, que foi incluindo várias funcionalidades SIG a correr na Web e, por essa razão, foi evoluindo para um conceito de plataforma WebSIG, até que outras funcionalidades para além das WebSIG se foram acrescentando, em jeito de “Full Package”, o que lhe permitiu adquirir o estatuto de Geoportal.

Do ponto de vista técnico, a construção do Geoportal obrigou-nos a recorrer a vários servidores open source (MS4W, Apache TomCat, Geoserver, Geoexplorer, GeoNetwork) para visualização e disponibilização de cartografia e de metadados, aliadas a algumas linguagens de programação utilizadas, tais como, XML, KML, GML, HTML, CSS.

Estamos, portanto, na presença de uma plataforma flexível, em evolução constante, interativa e dinâmica, que se pode adaptar a outros contextos com finalidades similares e, que se augura vir a ajudar no surgimento de outros geoportais no contexto angolano.

Palavras-chave: Angola, dados geoespaciais, geoportal, ferramentas SIG-TIG livres

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vi

Abstract

Namibe's Spatial Data Infrastructure, hereinafter referred to as GeoIDEN, resulting from a project work developed under the Master's degree in Geographic Information Technologies - Environment and Spatial Planning. The creation of the geoportal, an innovative exercise, materializes the project work that we decided to do with the goal of obtaining the Master degree, based on the use of free or open source GIT / GIS tools and technologies for acquisition, geoprocessing and availability of data, information, knowledge and geospatial intelligence. GeoIDEN 's geo-platform support now uses a simple and user-friendly graphical interface that provides free access to and access to mapping servers, metadata platform and Open Geospatial Consortium standards and specifications. (OGC). There is a set of features that are available to highlight such as navigation and intuitive visualization tasks of geospatial data and, on the other hand, the fact that the user can access other data, organisms and / or institutions data sources linked to the geoportal, or others, as well as establish contacts with the creators / managers of the geoportal. It is therefore a dynamic and interactive platform that can still be determined at a late Beta-stage, because its structure, although already tested and consolidated at its most central foundations, will require almost constant updates as new data are produced and / or purchased and made available at the Geoportal.

Also noteworthy is the collaborative (geo) valence of the geoportal platform, in that, upon prior registration, the interested community can make maximum use of the potential offered by the geoportal, including data upload and download, according to the layers existing thematic areas and with the formal criteria that are being defined and will be implemented, not only those related to Cartography but also to the access, use and dissemination of data of another nature.

Its graphical aspect was to draw inspiration from some other geoportals that we considered to be “reference”, and the resulting versatility, only possible because it was defined using several servers, brings us to a reality that starts as a simple WebMapping platform, which was including a lot of GIS features running on the Web, so it evolved into a WebGIS platform concept, until features other than WebGIS were added, in the form of "Full Package", which allowed it to acquire Geoportal status.

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vii

From the technical point of view, the construction of Geoportal has required us to use several open source servers (MS4W, Apache TomCat, Geoserver, GeoExplorer, GeoNetwork) to view and make available cartography and metadata, along with some programming languages used, such as XML, KML, GML, HTML, CSS.

We are therefore, in the presence of a flexible, constantly evolving, interactive and dynamic platform that can adapt to other contexts for similar purposes and which is expected to help in the emergence of other geoportals in the Angolan context.

Keywords: Angola, geospatial data, geoportal, free or open source GIT-GIS tools,

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viii Índice de conteúdos Agradecimentos ...i Dedicatória ... iii Resumo ... iv Abstract ... vi

Índice de conteúdos ... viii

Abreviaturas, acrónimos e siglas ... x

Índice de tabelas ... xi

Índice de figuras ... xii

Introdução ... 1

1. Motivação ... 2

2. Enquadramento terminológico e conceptual ... 4

3. Estado da arte ... 10

4. Área de implementação do projeto: aspetos gerais ... 12

Capítulo I ... 14

MARCO LEGAL: PROCEDIMENTOS NORMATIVOS NA CRIAÇÃO DA INFRAESTRUTURA DE DADOS ESPACIAIS ... 14

1. Marco legal: procedimentos normativos na criação da infraestrutura de dados espaciais .... 15

1.1. Normas, standards e recomendações ... 16

1.1.1. Normas... 16

1.1.1.1. Família da norma ISO 19100 ... 17

1.1.2. Standard... 18

1.1.3. Outros documentos ... 19

1.2. Standardização em informação geográfica ... 19

1.2.1. Standards OGC ... 19

1.3. Metadados de Informação Geográfica ... 20

1.3.1. Os metadados na criação da arquitetura de uma IDE e adaptação à construção do Geoportal GeoIDEN ... 21

1.3.2. Responsáveis pela criação de metadados ... 22

1.3.2.1. Normativa, standards e recomendações para criação de metadados ... 23

1.3.2.2. Publicação de metadados ... 24

1.4. Algumas iniciativas intracontinental ... 25

1.5. Legislação angolana e Instituições de referência ... 26

Capítulo II ... 28

METODOLOGIA DE ANÁLISE E DE DIAGNÓSTICO SOBRE MODELOS DE GEOPORTAIS: INQUÉRITOS POR QUESTIONÁRIOS - TRATAMENTO, ANÁLISE E RESULTADOS ... 28

2. Metodologia de análise e de diagnóstico sobre modelos de geoportais: inquéritos por questionários - tratamento, análise e resultados ... 29

2.1. Inquéritos por questionário I – Aspetos estruturais num geoportal ... 29

2.2. Inquéritos por questionário II – Integração temática e funcionalidades num geoportal ... 31

(11)

ix

2.3.1. Geoportais consultados: alguns exemplos de boas práticas ... 36

2.3.1.1. Caracterização genérica dos geoportais ... 38

2.3.2. Geoportal GeoIDEN: elementos de estrutura e temas a integrar ... 42

Capítulo III ... 44

CONCEÇÃO E DESENVOLVIMENTO DO GEOPORTAL ... 44

3. Conceção e desenvolvimento do geoportal ... 45

3.1. Tarefas preambulares ao desenvolvimento do Geoportal - Obtenção e/ou criação de dados geoespaciais ... 45

3.1.1. Identificação, obtenção, criação e edição de dados ... 45

3.1.1.1. Tipos de dados ... 45

3.1.1.2. Fontes obtenção de dados ... 46

3.1.1.3. Criação e/ou edição de dados ... 48

3.1.1.4. Base de dados (dbf) ... 49

3.2. Tarefas conducentes ao desenvolvimento do geoportal ... 51

3.2.1. Softwares utilizados ... 51

Capítulo IV ... 66

ESTRUTURA E FUNCIONALIDADES DO GEOPORTAL GEOIDEN ... 66

4. Estrutura e funcionalidades do geoportal GeoIDEN ... 67

4.1. Página web do GeoIDEN ... 67

4.1.1. O recurso HTML5 ... 67

4.1.2. O recurso CSS3 ... 68

4.1.3. Os recursos XML e KML ... 69

4.2. Estrutura do geoportal GeoIDEN ... 70

4.2.1. A codificação front-end da página web do GeoIDEN... 72

4.3. Funcionalidades do geoportal GeoIDEN ... 73

4.3.1. Acesso aos mapas ... 73

4.3.2. Catálogo de metadados... 78

4.3.3. Padrões OGC ... 80

4.4. Servidor de alojamento web do GeoIDEN ... 80

4.4.1. Utilizador como criador de dados ... 81

4.4.2. O autor como gestor/administrador do geoportal ... 81

Considerações finais ... 82

Bibliografia ... 84

Endereços eletrónicos consultados ... 86

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x

Abreviaturas, acrónimos e siglas AARSE - African Association of Remote Sensing of the Environment

AENOR - Associação Espanhola de Normalização e Certificação

ARSO - African Regional Standard Organization

CEN - Comité Europeu de Normalização CENFOSS - Centro de Formação em Open Source Software

CIDE - Centro de Investigação e Desenvolvimento da Educação

CIUC - Centro de Investigação da Universidade de Coimbra

CSS - Cascanding Style Sheets CSW - Catalogue Service Web

DPGEOTUR – Departamento de Geografia e Turismo

FE - Filter Encoding

FLOSS - Free/Libre/Open Source Software FOSS- Free and Open Source Software

FOSSGIS - Free and Open Source Software for Geographic Information Systems

GeoIDEN – Geoportal de Infraestrutura de Dados Espaciais do Namibe

GML - Geography Markup Language

GNSS - Global Navegation Satellite Systems GPL - General Public License

GPS - Global Position System HTML - HyperText Markup Language

IANORQ - Instituto Angolano de Normalização de Qualidade

ICAO - International Civil Aviation Organization IDE - Infraestrutura de Dados Espaciais

I-GEOSA - Geoportal de Informação Geográfica do Sul de Angola

IGU - Interface Gráfica do utilizador

INSPIRE - Infrastructure of Spatial information in Europe

IPQ - Instituto Português de Qualidade

ISCED-Huíla - Instituto Superior de Ciências da Educação da Huíla

ISO - International Standard Organization JAI - Java Advanced Imaging

KML - Keyhole Markup Language

MATRE – Ministério da Administração do Território e Reforma do Estado

MS4W - MapServer for Windows

MTIG - Mestrado em Tecnologias de Informação Geográfica

OGC - Open Geospatial Consortium ONG - Organização Não Governamental OSGeo - Open Source Geospatial Foundation OSM - OpenStreetMap

PALOP - Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa

SE - Symbology Encoding SLD - Styled Layer Descriptor

TIG - Tecnologias de Informação Geográfica TSI - Tecnologias e Sistemas de Informação UC - Universidade de Coimbra

WCS - Web Coverage Service WFS - Web Feature Service WMS - Web Map Service WMTS - Web Map Tile Service WPS - Web Processing Service WSC - Web Service Commom XML - eXtensible Markup Language

(13)

xi

Índice de tabelas

Tabela I - Geoportais de referência (consultados).

Tabela II - Normas ISO da informação geográfica consultada.

Tabela III - Serviços standard OGC relacionados com a IDE.

Tabela IV - Ferramentas e softwares livres editores de metadados. Tabela V - Resumo das normas de criação de metadados.

Tabela VI -Legislação nacional consultada.

Tabela VII - Níveis da sensibilidade dos inquiridos sobre aspetos estruturantes num geoportal.

Tabela VIII - Elementos de estrutura a integrar no Geoportal.

Tabela IX -Tópicos de temas a integrar no Geoportal.

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xii Índice de figuras

Figura 1 - Namibe, localização, limites, configuração e relevo (Fonte: elaborado pelo Autor).

Figura 2 - Namibe, municípios e comunas (Fonte: elaborado pelo Autor).

Figura 3 - Caracterização da amostra quanto ao parâmetro “Grau de familiarização do utilizador com geoportais.

Figura 4 - Distribuição geográfica (por província) dos inquiridos.

Figura 5 - Ocupação e/ou função dos inquiridos.

Figura 6 - Níveis de conhecimento de geoportais em Angola.

Figura 7 - Grau de expectativa para criação do geoportal para Sul de Angola.

Figura 8 - Geoportal como fonte de dados geoespaciais.

Figura 9 - Dados geoespaciais como via para interoperabilidade intra e interinstitucional. Figura 10 - Aspetos de interação utilizadores-geoportais.

Figura 11 - Média por país de geoportais consultados.

Figura 12 - Designação e endereço eletrónico dos geoportais consultados.

Figura 13 - Fluxo de trabalho na obtenção e criação de dados geoespaciais.

Figura 14 - Tipo de dados e sua finalidade. Figura 15 - Criação de dados a partir de mapas base.

Figura 16 - Download de dados do Open StreetMap diretamente no QGIS.

Figura 17 - Download de dados do Open StreetMap, no QGIS, com a ferramenta QuickOSM.

Figura 18 - Base de dados vectorial. Figura 19 - Base de dados matricial.

Figura 20 - Ficheiro acedido é index.phtml. Figura 21 - Acesso ao repositório Apache Tomcat.

Figura 22 - Implementação de arquivo em geoserver.war no diretório tomcat.

Figura 23 - Ativação dos servidores web. Figura 24 - Diretório de dados do Geoserver. Figura 25 - Ferramentas de administração do Geoserver.

Figura 26 - Geoexplorer, visualização das camadas do Geoserver.

Figura 27 - Edição de metadados de dados, seguindo a norma ISO 19115.

Figura 28 - Acesso ao GeoNetwork. Figura 29 - Opções de configuração do GeoNetwork.

Figura 30 - Extrato do código HTML. Figura 31- Extrato do código CSS.

Figura 32 - Extrato do código KML (XML). Figura 33 - Página web do Geoportal GeoIDEN (www.iden-geoportal.uc.pt). Figura 34 - Inspecionando a página do GeoIDEN.

Figura 35 - Comandos de navegação. Figura 36 - Interface do visualizador de cartografia.

Figura 37 - Ferramentas do GeoExplorer. Figura 38 - Painel de camadas.

Figura 39 - Barra de ferramentas de camadas. Figura 40 - Propriedades da camada.

Figura 41 - Estilos da camada.

Figura 42 - Ferramentas da vista do mapa. Figura 43 - Interface do catálogo de metadados.

Figura 44 - Acesso a um tema no catálogo de metadados.

Figura 45 - Acesso ao comando padrões OGC.

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Introdução

Enquadrado na área científica onde se destacam os dados e as ciências geoespaciais, o presente estudo, que reveste a forma de Trabalho de Projeto em TIG com vista à obtenção do grau de Mestre no perfil Ambiente e Ordenamento do Território, assenta na construção de um Geoportal para o sul de Angola. Na sequência de uma profunda reflexão individual e conjunta (desde logo com a equipa de orientadores, mas, também, com colegas, Professores e técnicos portugueses e angolanos) a designação que nos pareceu colher mais força e melhor se ajusta ao espírito do trabalho acabou por eleger o acrónimo GeoIDEN que significa “Geoportal para apoio à Infraestrutura de Dados Espaciais do Namibe”. Esta ferramenta (geotool), que está disponível para consulta no endereço eletrónico (www.iden-geoportal.uc.pt), foi desenvolvida sob orientação de dois Docentes dos Departamentos de Geografia e Turismo, e de Engenharia Cartográfica, Geodesia e Fotogrametria, das Universidades de Coimbra e Politécnica de Valência, respetivamente.

Este projeto representa a evolução de um tema iniciado na cadeira de Seminário em TIG-AOT do MTIG-UC, ministrada no segundo semestre no referido curso com o título: Tecnologias de Informação Geográfica e Software Aberto; Produção de Dados Geoespaciais de Acesso Livre, em Angola, o que, de certo modo, representa o embrião do estudo que agora se apresenta. A importância da conceção e desenvolvimento deste tipo de ferramentas pode ler-se nas palavras de Viera e Pascual (2016), ao referirem que através de plataformas geoespaciais é possível disponibilizar o acesso a grandes quantidades de dados geográficos, às instituições públicas e privadas, empresas e público em geral.

Desenvolvido em conformidade com pressupostos referidos na literatura da especialidade sobre boas práticas e sob a base de três pilares fundamentais: open mind, open government, open data, o Geoportal GeoIDEN, tem por objetivo disponibilizar dados geoespaciais obtidos e/ou criados com recursos à ferramentas de Tecnologias de Informação Geográfica, livres e de código aberto, de modo a auxiliar os utilizadores mas, também, os profissionais que tenham as competências para tomar decisão quer na gestão do ambiente, quer no ordenamento do território,

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ou seja, em domínios inequivocamente relacionados com os dados e com a informação geoespacial.

Este trabalho tem início numa nota introdutória e encerra com uma nota conclusiva, tendo de permeio, um corpo de documento dividido em duas partes, com quatro capítulos correspondentes, obedecendo a uma estrutura que se inicia com uma introdução geral, prossegue com referências às componentes normativa e metodológica implícitas na criação de Infraestrutura de Dados Espaciais, e culmina com a apresentação dos procedimentos funcionais do Geoportal e das considerações técnicas de utilização e manutenção.

1. Motivação

A escolha do tema do projeto foi despertada pelas motivações pessoais e profissionais, aliadas ao interesse pela componente de inovação que o recurso às ferramentas TIG/SIG que sempre permite, mas, também, pela carência deste tipo de serviço em Angola e pela tomada de consciência da sua enorme importância para o desenvolvimento territorial e o progresso dos povos. A opção por tecnologias e software livre e de código aberto foi profundamente convicta tomando por boa a ideia de redução de custos, para todos, criadores e utilizadores de dados geoespaciais.

Na academia como na sociedade, de um modo geral, os dados geoespaciais são extremamente necessários e úteis. A componente interdisciplinar ampla que os caracteriza confere-lhes uma transdisciplinaridade que obriga ao diálogo, reflexão e partilha entre os vários profissionais que trabalham com estes dados. A sua aplicabilidade pode ver-se consagrada em domínios diversos, mas complementares, dinâmicos e, quase sempre interdependentes e interativos, tais sejam as diversas competências relacionadas com gestão ambiental, urbanismo, planeamento e gestão de redes de transporte, evolução da paisagem e dinâmicas territoriais que, naturalmente, incluem as dinâmicas sociais e demográficas bem como as relações Homem-Meio. No entanto, o acesso real aos dados geoespaciais nem sempre é fácil nem acessível e, em geral, continua sendo uma tarefa complicada e onerosa, especialmente para usuários sem experiência em SIG. Esta reflexão vai ao encontro do referido em (Iosifescu Enescu, 2017). Para superar esta questão, vários geoportais têm sido desenvolvidos representando pontos de acesso simplificado

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para infraestruturas de dados espaciais (Dareshiri, Farnaghi, & Sahelgozin, 2017). O interesse permanente pela busca e trabalho com dados geoespaciais sobre Angola enquanto académico e profissional, permitiu constatar um conjunto de dificuldades relativas à falta de sites específicos na internet, ocasionada pela existência de poucos dados, sua indisponibilidade e falta de divulgação que, pelo contrário, facilitaria tal pretensão, estas constatações aceleraram a tomada de consciência para a importância de uma ferramenta desta natureza, reforçando a ideia que germinava já e viria a conduzir ao desenvolvimento do Geoportal.

Mas, para além das motivações invocadas, importa realçar as estimuladas pela pesquisa do que está feito em contextos semelhantes, fontes inspiradoras de bons exemplos - boas práticas de geoportais que, seguramente, serviram como ponto de partida para definição de elementos como a estrutura gráfica, estrutura funcional, softwares utilizados, tipo e fontes de dados geoespaciais a integrar no geoportal, entre outros parâmetros. Insatisfeitos com o status quo revelado pelo déficit de informação sobre IDE relativas a terras angolanas sentimos necessidade em saber o que os utilizadores e os criadores de geoportais mais valorizavam bem como o que menos lhes agradava nestas plataformas. Motivados por esta sede e curiosidade de saber, para o efeito, iniciámos o nosso trabalho com a construção de dois questionários que foram objeto de inquérito preliminar para recolha da informação referida que serviria de plataforma de lançamento da estrutura adotada para o Geoportal GeoIDEN.

De realçar que durante o processo de pesquisa que conduziu ao desenvolvimento do Geoportal, as pesquisas efetuadas na internet e as múltiplas conversas tidas e desenvolvidas com colegas portugueses e angolanos não tivemos conhecimento da existência explicita de algum geoportal em Angola. Este facto constitui outra importante fonte de motivação extrínseca por saber que o projeto em questão poderá ser de alguma forma pioneiro em Angola, para além de que, o seu carácter pioneiro podem estimular o surgimento de muitos mais geoportais em terras do Rei N’gola.

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2. Enquadramento terminológico e conceptual

É geralmente aceite a ideia de que 80% de informações possuem uma componente geoespacial. Em outras palavras, seja qual for a informação, geralmente é sobre um lugar, seja por se tratar de ser um local específico, uma área ou uma rota entre lugares (Udell, 2008). Por exemplo, as várias preocupações globais, sobretudo as alterações climáticas, requerem dados de colaboração e infraestruturas de computação para pesquisar, compartilhar e processar os crescentes dados geoespaciais, (GONG, et al., 2012). As iniciativas da GIScience como a Geospatial Cyberinfrastructure – GCI (Yang & Xu, 2014) e CyberGIS (Wang, et al., 2013) visam atender tais demandas combinando dados geoespaciais, plataformas de computação, serviços computacionais e protocolos de rede para melhor suportar a Terra e estudos geoespaciais relacionados. Para (Bone, Ager, Bunzel, & Tierney, 2016), o volume de dados geoespaciais disponíveis publicamente na Web aumenta rapidamente devido aos avanços nas tecnologias baseadas em servidor e à facilidade com que os dados podem ser criados. No entanto, permanecem os desafios para conectar indivíduos que pesquisam dados geoespaciais com servidores e sites onde esses dados existem.

Neste particular, por aquilo que é sua finalidade, a criação de uma IDE para um contexto determinado, faz todo sentido e torna-se necessário clarificar o significado de alguns conceitos devido à profusão de termos que as diferentes sensibilidades profissionais e competências académicas dos utilizadores de informação geográfica ajudam a compreender. Assim, e começando pelo conceito de “geoportal”, a literatura da especialidade refere-se a este tipo de plataformas como sendo um portal da Internet pensado para o acesso à informação geográfica. Ou seja, utiliza as funcionalidades da internet como Plataforma, (web 2.0) e recorre a uma estrutura de pensamento SIG, neste caso, WebGIS, associado a modelos poderosos de gestão de bases de dados relacionais. Por outro lado, funciona como repositório de dados geoespaciais, aos quais é possível aceder por diversas modalidades, incluindo os serviços OGC (Web Map Services, Web Feature Services), etc.

Segundo, Santos & Patriarca (Material de apoio a unidade curricular Cartografia e WebSIG, 1ºS do curso de MTIG-UC, 2017), um geoportal é um tipo específico de portal, que apresenta sobretudo (mas não só) conteúdos e recursos geoespaciais. É

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um sítio na Internet que proporciona o acesso aos dados e serviços de uma Infraestruturas de Dados Espaciais (IDE). Os geoportais constituem uma peça fundamental nas IDE. Geoportais e serviços web de informação geográfica interoperáveis, podem combinar-se livremente entre si. Os geoportais têm sido amplamente implementados pelas IDE para fornecer aos utilizadores a capacidade de pesquisar recursos geoespaciais pela Internet (Dareshiri, Farnaghi, & Sahelgozin, 2017).

A Diretiva INSPIRE (2007/2/CE), define geoportal como o portal da Internet ou equivalente que permita o acesso a serviços de busca, visualização e descarga de informação geoespacial, pelo que a maioria de geoportais, inclui um visualizador de cartografia, um serviço de gazzeteer (que permite a procura por nome geográfico) e um serviço de catálogo (para a procura de dados e serviços disponíveis).

Assim, analisado o conceito de geoportal e de modo a torná-lo mais percetível possível, resumidamente se pode entender, como sendo um portal da Internet pensado para o acesso à informação geográfica. Entretanto, deriva deste trabalho

mediante a uma análise crítica e reflexiva, a seguinte definição de Geoportal: “uma

plataforma Web que contém e disponibiliza dados geográficos para efeitos de visualização, consulta, inquirição e, em alguns casos, download e/ou upload de geodados, acesso a serviços geoweb mas, também, download de mapas gerados em modelo vectorial ou matricial”.

Uma nota de realce não menos importante recai na distinção que se pode

estabelecer entre o conceito “geoportal” e os de WebMapping e WebSIG.

Recorrendo à literatura específica, o conceito “WebMapping” é o processo de

utilização dos mapas fornecidos pelos SIG na Web mediante páginas web específicas, através das quais se disponibilizam informações de mapas (estáticos ou interativos) para utilizadores finais (técnicos ou não); ao passo que “WebSIG” é a combinação da web e dos SIG, isto é, conjunto de aplicações ou ferramentas SIG disponíveis na Internet que permitem realizar operações espaciais. Este último conceito na perspetiva de (Fu, 2018), apresenta-se como um padrão para fornecer recursos SIG e permite que membros de uma organização acessem e usem facilmente informações geográficas num ambiente colaborativo, em que os profissionais de SIG trabalham em ambientes Desktop e compartilham informações

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com os SIG na Web e estendem a inteligência geoespacial à amplos utilizadores em organizações e comunidades. Ainda para (Fu, 2018), a Web removeu a restrição de distância no ciberespaço e, assim, permite às pessoas a liberdade de interagir globalmente com aplicativos SIG e acessar informações quase instantaneamente. Para Santos & Patriarca (op. cit.), o conceito de “Infraestrutura de Dados Espaciais”, apresenta duas perspetivas:

“Sistema distribuído que permite o acesso, processamento, distribuição, uso,

manutenção e preservação de dados espaciais”; mas é também para os autores, um

conjunto de “Sistemas que visam integrar e disponibilizar dados espaciais

produzidos por distintas instituições, que geralmente se encontram dispersos e inacessíveis, surgiram na perspetiva de sistematizar parâmetros que, cumpridas as

normas, permitem organizar de modo adequado a informação geoespacial”.

Segundo (Llaro, 2018), “Uma IDE ou também conhecida como uma Infraestrutura de Informação Geográfica (IIG), é uma estrutura virtual em rede, integrada por dados e serviços de informação geográfica (descritos através de seus metadados) acessível via Internet, seguindo alguns standards e acordos (para sua disposição comum) que regulam e garantem a interoperabilidade da informação geográfica”.

A ideia que ressalta do conceito de “IDE” apresentado pelos autores, é que a mesma se materializa mediante um geoportal.

Na literatura, os termos Geoweb, web geoespacial, são de modo geral utilizados para designar a integração da informação geográfica e funções SIG na Internet. Dado que, na década de 90, ocorreram as primeiras integrações e se basearam na visualização geoespacial de mapas estáticos na Internet. Na atualidade, a tendência consiste na integração de geosserviços completos na web, promovendo a massificação da utilização de soluções espaciais, mesmo por indivíduos sem formação específica. Através de plataformas geoespaciais é possível disponibilizar o acesso a grandes quantidades de dados geográficos, para instituições publicas e privadas, empresas e público em geral. Por todas estas razões também as plataformas que disponibilizam dados e informações geoespaciais (não sendo necessariamente geoportais) são passíveis de incorporação no processo de criação de uma IDE.

(21)

Outro termo frequente utilizado é o de geobrowser (geonavegador ou de geonavegação interface), termo que tem vindo a ser utilizado no sentido de plataforma de geonavegação que permite disponibilizar todo o tipo de informação geográfica georreferenciada, permitindo a integração de dados cartográficos, com repositórios de dados georreferenciados (públicos ou privados) e com indicadores ambientais (Scharl e Tochtermann, citados por Vieira, 2016). Após o sucesso inicial de plataformas como o World Wind da NASA, o Google Earth ou o Live Local da Microsoft, multiplicaram-se as interfaces geoespaciais, que diversificaram e especializaram, promovendo a disseminação da informação georreferenciada e a disponibilização de serviços web, contribuindo para que a geoweb se possa constituir como uma web de dados geográficos, partilhados e pesquisáveis (Viera, 2016).

Segundo (Fernandes, Trigal, & Sposito, 2016), Sistemas de Informação Geográfica,

são a mais conhecida das Tecnologias de Informação Geográfica, […] conjunto de

procedimentos e/ou ferramentas informáticas destinadas a efetuar a captura, armazenamento, processamento e disponibilização de dados georreferenciados, através de suportes físicos ou numéricos (digitais), baseados em primitivas gráficas, […] o seu potencial reside no facto de conseguirem integrar dados de diferentes origens, em diferentes formatos, […] utilizando o seu denominador comum natural: a localização. De acordo com duas das maiores referências em termos de autores que se têm dedicado aos SIG – (Longley, Goodchild, Maguire, & Rhind, 2015) – em estudo recente, datado de 2015, e elaborado com a colaboração de outros autores (Longley et al. 2015), um SIG é um propósito geral e um sistema extensível de manipulação de dados relativos a localizações geográficas [...] restrito aos sistemas com a capacidade de inter-relacionar conjuntos de dados pertencentes a diferentes variáveis e ou momentos no tempo […], muitas outras definições de SIG, dependem da natureza do seu uso.

(22)

Um aplicativo ou Software Livre e de Código Aberto, é um software que obedece os quatro princípios ou liberdades fundamentais1, para o qual se pode acessar e

modificar livremente o código-fonte, normalmente trabalhado por uma comunidade de programadores voluntários.

Os termos software de código livre e aberto, ou free and open source software (F/OSS, FOSS) em inglês, e software de código livre/libre/aberto, ou free/libre/open source software (FLOSS), referem-se a um software que é duplamente, livre e de código aberto, aos utilizadores lhes é concedido o licenciamento para o direito do

uso, cópia, estudo, mudança e melhoria, através da disponibilidade do código fonte2.

Para (Wood, 2014), software de código aberto é amplamente usado internamente, tanto infraestruturalmente quanto em sistemas desktop. Para (Fleagle & Gerlek, 2007), softwares livre e de código aberto pode ser usado na criação de software geoespacial; os autores afirmam haver benefícios na sua utilização além da economia e nas taxas de licença, destacando:

“Não precisamos reinventar a roda; podemos nos concentrar em nossas principais competências; nós podemos jogar em arenas maiores; podemos alavancar códigos bem utilizados e bem testados, nós desfrutamos de vantagens não planejadas.” A discussão em torno do conceito de “geodados” é outro exemplo que gera alguma controvérsia, a começar pela terminologia. Para a (ESRI, 2018), geodados é uma

1 1ª Executar o software, para qualquer uso.

2ª Estudar o funcionamento de um programa (via código-fonte) e adaptá-lo às necessidades de cada um.

3ª Redistribuir cópias.

4ª Melhorar (desenvolver) o programa de modo a que as modificações se tornem públicas para que a comunidade inteira beneficie da melhoria.

2 Código aberto do inglês sourcecode é o conjunto de palavras ou símbolos escritos de forma ordenada, contendo instruções em uma das linguagens de programação existentes, de maneira lógica. Existem linguagens que são compiladas e as que são interpretadas. As linguagens compiladas, após ser compilado o código fonte, transformam-se em software, ou seja, programas executáveis. Este conjunto de palavras que formam linhas de comandos deverá estar dentro da padronização da linguagem escolhida, obedecendo critérios de execução. Atualmente, com a diversificação de linguagens, o código pode ser escrito de forma totalmente modular, podendo um mesmo conjunto de códigos ser compartilhado por diversos programas e, até mesmo, linguagens.

(23)

informação sobre localizações geográficas, armazenada num formato que pode ser usado com um sistema de informação geográfica; dados geográficos, informações descrevendo a localização e os atributos das coisas, incluindo suas formas e representação. Os dados geográficos são compostos de dados espaciais (informações sobre os locais e formas das características geográficas e as relações entre eles, geralmente armazenadas como coordenadas e topologia) e dados de atributo. Para (Fernandes, Trigal, & Sposito, 2016), informação geográfica, […] na norma UNE EN-ISO 19101:2016, é a informação sobre os fenómenos associados, implícita ou explicitamente à uma localização; quando se utilizam coordenadas, obtém-se uma relação explícita com uma localização sobre o terreno e fala-se de georreferenciação direta. Quando se utilizam identificadores geográficos, […] obtém-se uma associação implícita e fala-obtém-se de georreferenciação indireta. Às vezes utilizam-se outras expressões3 como sinónimos, mas é preferível o termo técnico

informação geográfica. Designa-se por informação geográfica, informação geoespacial, ou geoinformação, toda informação passível de espacialização próxima à Terra, ou seja, tem algum tipo de vínculo geográfico que permite sua localização. Este pode ser um ponto, um endereço, um território, entre outros.

Tecnologias de Informação Geográfica (TIG), é conjunto de todas as ferramentas informáticas destinadas a efetuar a captura, armazenamento, processamento de disponibilização de dados georreferenciados, ou seja, inclui os SIG, os GNSS, deteção remota e cartografia digital, podendo englobar diferentes plataformas virtuais globais, regionais e/ou locais.

A Interoperabilidade num sistema informático aparece na norma ISO 19119 como sendo, a capacidade de comunicar, executar ou transferir dados entre várias unidades funcionais de modo a que o utilizador não necessite de ter muito conhecimento das características específicas dessas unidades. A mesma norma traduz interoperabilidade geográfica, como:

3 Outras expressões são, informação espacial, informação geoespacial ou informação territorial […] A informação geográfica é geralmente pouco nítida, fractal, muito volumosa e apresenta grande dinamismo […].

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“Capacidade dos sistemas de informação de: a) trocar, livremente toda classe de informação espacial sobre a Terra e sobre os objetos e fenómenos sobre e por de baixo da superfície terrestre; b) cooperar, sobre redes, executar aplicações capazes de manipular tal informação”. Isso significa que a comunicação entre os sistemas se realiza sem conhecer as características individuais dos mesmos, se não apenas conhecendo os standards que cumprem.

Os conceitos associados apresentados, articulam-se e têm propiciado, o surgimento alargado de variadíssimos Softwares Livres e de Código Aberto para os SIG/TIG, por iniciativas de distintas comunidades pelo mundo, daí que se pode apontar a titulo de exemplo, o FOSSGIS (sigla do inglês, que significa Software Livre e de Código Aberto para Sistemas de Informação Geográfica), que é uma associação […] com o objetivo de promover software SIG gratuito e de código aberto, bem como dados geoespaciais gratuitos.

3. Estado da arte

O carácter pioneiro e inovador com que o projeto se identifica pode definir, justifica-se pela inexistência de geoportais similares em Angola que, de alguma forma permitissem visualizar, analisar e aceder a dados e informação geoespacial relativos à área de estudo. Neste particular, importa apontar alguns geoportais consultados, tutoriais e vídeos frequentado no curso sobre criação de geoportais (Tabela I), bem como algumas obras (livros e artigos) de autores, que versam sobre os pressupostos para a criação de geoportais, que seguramente serviram em grande medida de verdadeiros guias:

i. Geobrasões-Brasões de Portugal (Baptista, Sara Isabel Alves dos Santos, 2014); ii. Web Mapping and Geospatial Web Services: An Introduction (Stefanakis, Emmanuel, 2015);

iii. Web Mapping Illustrated: Using Open Source GIS Toolkits (Mitchell, Tyler, 2005); iv. Beginning Google Maps Mashups With Mapplets, KML and GeoRSS (Udell, Sterling, 2009);

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vi. Getting To Know Web GIS (Pinde Fu, 2018);

vii. The State of Open Source GIS (Ramsey, Paul. 2007);

viii. Using Free and Open Source GIS to Automatically Create Standards-Based Spatial Metadata in Academia (OSGeo Journal Volume 13, 2015);

ix. What Is Geographic Data and Where Can I Find It? (Esri International User Conference, 2012);

x. GeoSIPAM - Free and Open Source Software Applied to the Protection of the Brazilian Amazon (OSGeo Journal Volume 3, 2007);

xi. Why We Use and Support Free and Open Source Software (OSGeo Journal Volume 2, 2007);

xii. Google SketchUp and GIS An Interoperable Work Flow for Generating Elevation Data (Geosciences, 2019).

xiii. A informação geográfica em Angola: subsídios para a elaboração de uma estratégia e plano de ação de apoio à implementação do plano nacional de informação geográfica (Kitoko, D., & Painho, M., 2015).

Tabela I - Geoportais de referência (consultados).

Nome do geoportal Endereço url

Africa Geoportal https://africa.maps.arcgis.com

AMCV Geoportal http://sigamcb.pt/visualizador

Caminhos de Évora http://www.caminhosdeevora.pt/

CENSO 2011 http://mapas.ine.pt/map.phtml

Central Asian Countries Geoportal http://www.cac-geoportal.org/en/index.php

CIGeoE https://www.igeoe.pt/index.php?id=5

DGT http://www.dgterritorio.pt/

Geobrasões - Brasões de Portugal http://www.saizbel.com/geobrasoes

Geodata4edu.ch https://www.geodata4edu.ch/en/service/

Geoportal do LNEG http://geoportal.lneg.pt/

Geoportal ESDAC https://esdac.jrc.ec.europa.eu/

Geoportal INSPIRE http://inspire-geoportal.ec.europa.eu/

Geoportal SIGRia http://sig.regiaodeaveiro.pt/?lang=pt

GeoSUR* https://www.geosur.info/geosur/index.php/es

I3Geo http://mapas.mma.gov.br/i3geo

ICNF http://www2.icnf.pt/portal

Curso online IDE y Geoportal (Centro de Formación Permanente, UPV-Valência) [email protected]

IDEE https://www.idee.es/ iGEO http://www.igeo.pt/ IPMA http://www.ipma.pt/pt/ NASG http://en.nasg.gov.cn NLS geoportal https://www.maanmittauslaitos.fi OpenGeopartal http://data.opengeoportal.org/ RCMRD GEOPORTAL* http://geoportal.rcmrd.org/

SIG da DRAP Centro http://sig.drapc.min-agricultura.pt/

Spatial Portal Atlas of Living Australia http://spatial.ala.org.au/webportal/#

WebSIG http://niugis.novageo.pt/

(26)

4. Área de implementação do projeto: aspetos gerais

A análise decorrente do inquérito por questionário II (ANEXO II), mormente da

pergunta “refira qual a sua localização (província)”, apesar de o maior valor

percentual recair nas províncias do Sul de Angola (cfr. Figura 4), dentro destas a que mais inquiridos representou foi a província do Namibe (cerca de 32,9%). Foi, portanto, esta razão e outras de motivações pessoais (local de residência e de trabalho) e o facto de o Sul de Angola ser muito abrangente (quatro províncias com 34 municípios e 96 comunas), que se definiu a província do Namibe (5 municípios e 14 comunas) como área de implementação do projeto e como experiência piloto para a disseminação do projeto tanto a nível regional quanto a nível nacional.

A província do Namibe (Figura 1), está localizada no sudoeste de Angola, situando-se entre os paralelos -13 e -17 e entre os meridianos 11 e 13, geograficamente é limitada a norte pela província de Benguela, a sul pela República da Namíbia, a este e sudeste pelas províncias da Huíla e Cunene; a oeste é banhada pelo oceano atlântico.

Figura 1 - Namibe, localização, limites, configuração e altitude (Fonte: elaborado pelo Autor, com base no QGIS v3.6.2).

(27)

A sua configuração assemelha-se um retângulo com posicionamento aproximadamente meridiano, apresenta um relevo, cujas altitudes situam-se entre

0–2.479 metros (cfr. Figura 1) e possui uma superfície de cerca de 57.091 Km2. Em

consonância com a Lei 13/16, 12 de setembro, administrativamente, a província do Namibe é composta por 5 municípios e por 14 comunas (Figura 2), sendo Moçâmedes a sua cidade capital. Tem uma população estimada de 568.722 habitantes segundo dados de 2018, o que representa uma densidade populacional de 10hab./Km2.

(28)

Capítulo I

MARCO LEGAL: PROCEDIMENTOS

NORMATIVOS NA CRIAÇÃO DA

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1. Marco legal: procedimentos normativos na criação da infraestrutura de dados espaciais

Na atualidade a instrumentalização da tecnologia assume a posição-chave no processo das atividades humanas a todos os níveis, medicina, construção, produção agrícola e industrial, comunicação, ensino, transporte, gestão e planeamento, entre outros. Entretanto, procurando atingir a inclusão digital e tecnológica à escala global, Estados, governos e comunidades, trabalham visando este fim, através de estabelecimento de normas e regulamentos no fomento de Softwares Livres e de Código Aberto, bem como na adoção de boas práticas decorrentes do contexto internacional e sua adaptação a uma escala local, almejando o desenvolvimento harmonioso das sociedades e dos cidadãos. O ordenamento do território, enquanto política pública, implica uma abordagem da administração pública, interdisciplinar e integrada, orientada para o desenvolvimento equilibrado das economias regionais, a salvaguarda dos recursos naturais, a melhoria do ambiente e da qualidade de vida das populações e a utilização racional do território (usos e atividades), atua através de instrumentos de planeamento, de natureza estratégica, setorial e regulamentar à diferentes âmbitos espaciais.

A informação geográfica tem por base os dados geoespaciais, cuja sua produção, pressupõe o recurso às Tecnologias e Sistemas de Informação (TSI), mediante um processo de interoperabilidade permanente. O recurso aos Softwares Livres e de Código Aberto, visando a formulação de juízo para a tomada de decisão, é uma prática decorrente no contexto internacional e obedece às diretivas comunitárias, às normas e aos regulamentos em vigência. Em Angola, de modo genérico, ainda que de forma tímida, já se assiste a práticas com essa tendência no seio das comunidades4.

O levantamento feito sobre a legislação angolana, ressalta a inexistência de normas específicas da informação geográfica (como ocorre noutros contextos), conducentes

4 A título de exemplo, decorreu de 12-13 março de 2018 em Luanda, uma conferência sobre Software Livre e Aberto promovida

pelo Centro de Formação em Open Source Software (CENFOSS), onde foram apresentados os projetos de Apoio e Melhoria da Qualidade e Proximidade dos Serviços Públicos e o de criação de uma comunidade Free and OpenSource Software nos PALOP e Timor Leste, por se reconhecer a necessidade de sua implementação nos distintos sectores da função pública.

(30)

à criação de Infraestruturas de Dados Espaciais (IDE). Daí que, para materialização do objetivo preconizado, se fez recurso à procedimentos normativos decorrentes no contexto internacional, produzidos por instituições e organismos de referência, implicados na criação de IDE e de geoportais.

Assim, neste capítulo são apresentados de um modo geral por um lado, os mecanismos tendentes à adoção, adaptação e/ou criação de normativos, por outro, a adoção dos procedimentos normativos implicados na criação do geoportal em destaque.

1.1. Normas, standards e recomendações

Visando alcançar a interoperabilidade, as normas e os standards têm muitos benefícios como, a redução dos custos na produção, a conceptualização e a definição dos produtos. Permite criar produtos melhores e de forma mais rápida, simples e com maiores possibilidades de êxito. A adoção dos standards também fomenta o uso de tecnologias abertas em detrimento de tecnologias fechadas e/ou proprietárias (Llaro, 2018).

Normas, standards, especificações, protocolos e padrões são termos e próximos aos quais se recorre com frequência para definir uma IDE. Por exemplo, na legislação portuguesa, a observância dos mesmos é de carácter obrigatório, tal como estipulado na Lei nº36/2011, de 21 de junho (Normas abertas) e no Regulamento Nacional de Interoperabilidade Digital (RNID), no processo de criação das IDE.

1.1.1. Normas

Uma norma é todo documento que harmoniza os aspetos técnico de um produto, serviço ou componente, definido como tal, por algum organismo ou entidade oficial de normalização. As normas também são conhecidas por standard jure.

Existem diversos organismos e institutos, nacionais e internacionais, que têm competências no âmbito da definição e implementação e fiscalização do cumprimentos das normas; alguns exemplos destes institutos que consagram valências aplicadas à cartografia e aos dados geoespaciais em formato digital são a Organização Internacional para Standardização (ISO), o Comité Europeu de Normalização (CEN), a Organização Regional Africana para Normalização (ARSO),

(31)

o Instituto Português de Qualidade (IPQ), a Associação Espanhola de Normalização e Certificação (AENOR) e o Instituto Angolano de Normalização de Qualidade (IANORQ).

Fundada em 1947, ISO é uma rede de institutos de normas nacionais de 161 países, com sede em Genebra-Suíça. A ISO elabora diversas normas em várias áreas, incluindo as referentes à cartografia (agrupam-se num conjunto que se denomina família ISO 19100) e à informação geográfica. Neste último caso, o Comité Técnico 211 da ISO (http://www.isotc211.org/), é o responsável pelas séries ISO de normas de informação geográfica, estas podem especificar métodos, ferramentas e serviços para a gestão dos dados, incluindo a sua definição e descrição, aquisição, processamento, análise, acesso, apresentação e sua transferência entre os diferentes utilizadores, sistemas e localizações. Para o efeito, envolve diversos órgãos, tais como o consórcio OpenGIS, a FIG-Fédération Internationale des

Géomèters (Federação Internacional de Agrimensores/Topógrafos), a ICA –

International Cartography Association (Associação Internacional de Cartografia), o

DGIWG – Digital Geographic Information Working Group (Grupo de Trabalho de

Informação Geográfica), a ICAO - International Civil Aviation Organization (Organização Internacional de Aviação Civil) e diversas agências nacionais em vários países.

Os referidos padrões, especificações e aspetos normativos de uma IDE e de um geoportal estão de algum modo vinculados ao cumprimento das diretrizes que emanam destas ferramentas de regulamentação da produção geoespacial e, devem ser adequados às tecnologias da informação, utilizada em cada contexto específico de aplicação, como no presente caso.

1.1.1.1. Família da norma ISO 19100

Como já se pode depreender, a ISO é a organização encarregue de criar normas internacionais nos âmbitos científico, técnico e tecnológico. Dentro da referida organização, os órgãos que criam estas normas, são denominados Comités Técnicos (Technical Commitees), conhecidos pelas siglas TC. O processo de criação de normas ISO é moroso, pois passa por várias fases antes de se considerar norma internacional final, o que pode durar vários anos, basicamente o mesmo comporta as seguintes fases:

(32)

1. Elaboração do Working Draft (WD) por um grupo específico do TC;

2. Elaboração do Commitee Draft (CD) é um rascunho finalizado e é distribuído aos membros do TC para seu consenso (comentários, sugestões e recomendações);

3. Se obtém o Draft International Standard (DIS), que é distribuído a todos os países membros da ISO, para comentários e votação;

4. Aprovar as modificações do documento DIS e transformá-lo em Final Draft International Standard (FDIS). Este documento já pode ser utilizado de forma profissional pelas companhias, organizações, instituições, organismos, etc. 5. O FDIS, se converte em International Standard (IS), documento editorialmente

corrigido e admitido depois da votação final.

Assim, a família ISO através do seu Comité Técnico 211, denominado “Geomática/Informação Geográfica”, se cria normas relacionadas com os standards OGC (serviços) e com os metadados da informação geográfica, conforme a tabela a seguir:

Tabela II - Normas ISO da informação geográfica consultada.

Standard OGC Metadados

WMS 19128:2005 19115-1:2014 Informação geográfico-Metadados, Parte 1: Fundamentos. WFS 19142:2010 19115-2:2009 Informação geográfico-Metadados, Parte 2: extensões para

aquisição e processamento.

WCS 19123:2005 19119:2016 Informação geográfico-Metadados,Os requisitos da plataforma neutra e especificação de serviços específicos da plataforma. CSW 19101:2002 19139:2007 Informação geográfico-Metadados, Aplicação do esquema XML

(Especificação técnica sobre implementação de metadados).

GML 19136:2007 19139-2:2012

Informação geográfico-Metadados, Aplicação do esquema XML (Especificação técnica sobre implementação de metadados), Parte 2: extensões para grade de imagens e dados.

WPS 8601:2004 19109:2015 Informação geográfico-Metadados, regras para criar e documentar aplicação de esquemas.

Filter Encoding 19108:2002 19115-2:2019 Informação geográfico-Metadados, Parte 2: extensões para aquisição e processamento.

Norma ISO

1.1.2. Standard

Um standard é qualquer documento ou prática que, sem ser uma norma, é totalmente aceite para o uso e cumpre uma função similar ao de uma norma mesmo sem ser definido por um organismo ou entidade de normalização (Llaro,2018).

Os standards são gerados e desenvolvidos para o mercado e têm uma produção mais rápida que as normas. Se nos referirmos aos standards de informação

(33)

geográfica, geralmente são elaborados por consórcios formados por Agências Cartográficas Nacionais, universidades e Empresas, como é o caso, Open Geospatial Consortium (OGC).

Entretanto, é meio confuso o uso da expressão norma e/ou standard. Na realidade todos são standards, uns criados por organizações de normalização e outros não. Em geral, o que se pode fazer é introduzir um fator diferenciador que coloque o enfoque na expressão Norma referindo-se aos standards que se regem por um documento ISO, CEN, ARSO, IPQ, AENOR, IANORQ, e/ou outras organizações de normalização oficiais.

1.1.3. Outros documentos

Uma recomendação é uma diretriz que não é de cumprimento obrigatório e trata de harmonizar as práticas e usos dentro de uma comunidade. O êxito destas recomendações, dependem da influência exercida pelos organismos que as promovem. Enquanto que, uma especificação é uma forma de se referir a um documento técnico, detalhado de um produto ou serviço com toda informação necessária para sua produção, daí que algumas especificações podem ser adotadas como normas ou como standards.

1.2. Standardização em informação geográfica 1.2.1. Standards OGC

O OGC dispõe de muitos standards e especificações, alguns correspondentes à serviços menos utilizados e outros às linguagens ou formatos utilizados na informação geográfica. Neste particular, nos centramos nos standards do OGC referentes aos serviços mais importantes de uma IDE.

Na tabela III seguinte, se apresenta os standards do OGC mais conhecidos e tidos em conta no presente projeto, sendo que uns mais relacionados com a IDE em causa e abordados com profundidade nos capítulos posteriores e outros não menos importantes, mas utilizados de forma superficial.

(34)

Tabela III - Serviços standard OGC relacionados com a IDE.

Standards Descrição

Catalogue Service Web CSW: permite aceder e consultar os metadados dos recursos cartográficos.

Filter Encoding

Descreve uma forma neutra de expressar condições de filtro mediante XML e/ou KVP para a seleção de dados geográficos. Se utiliza em combinação com outros estândares, WFS ou SLD .

Geography Markup Language

Linguagem baseada em XML para armazenar objetos geográficos. Um documento GML se define utilizando um esquema GML. Outros estândares do OGC como o WFS utilizam o estândar GML para troca de elementos geográficos.

Keyhole Markup Language

KML, é uma linguagem baseada em XML centrada na visualização da informação geográfica, incluindo o etiquetado de mapas e imagens. Originalmente desenvolvido por Google e adotado como estândar OGC na versão 2.2.

Styled Layer Descriptor SLD: define uma codificação que expande o estândar WMS para permitir o utilizador (cliente WMS) definir a simiologia dos mapas tanto vectoriais como raster .

Symbology Encondig

Define uma linguagem baseada em XML para definir os estilos de visualização (símbolos pontuais, linhares e superficiais) e variáveis visuais (como cor, espessura, estilo) que se aplicam na informação vectorial e raster.

Web Coverage Service Permite aceder aos dados fontes utilizando o modelo raster (imagens de satélite, modelos digitais de elevação).

Web Feature Service Permite aceder e consultar atributos de fenómenos geográficos a partir de dados fontes, utilizando o modelo vectorial (pontos, linhas e polígonos).

Web Map Service Permite a visualização de uma imagem cartográfica gerada a partir de uma ou várias fontes (mapa digital, dados de um SIG, ortoimagens) provenientes de um ou vários servidores.

Web Map Tile Service Similar ao serviço WMS, mas as imagens disponíveis são tesselas o que permite sua utilização várias vezes, agilizando a resposta que tem um servidor WMS.

Web Processing Service WPS: estândar de interface que habilita o geoprocessamento remoto. Standardizar os parâmetros de entrada, a execução do processo e os parâmetros de saída.

Web Service Commom WSC: define características comuns aos estândares WMS, WFS e WCS sobretudo a partir das últimas versões destes.

O OGC dispõe de provas de conformidade nas quais as diferentes ferramentas software recebem o certificado do OGC, se passam os testes de um standard determinado. Atualmente, aparecem cerca de 179 produtos certificados, é de facto um bom ponto de partida antes de se utilizar um determinado software para implementar qualquer serviço ou standard do OGC, comprovar se está certificado no

dito standard (http://www.opengeospatial.org/resource/products/compliant).

Entretanto, importa enfatizar que o processo de certificação leva tempo e para além de não ser gratuito, pelo que é compreensível que haja ferramentas que embora sejam totalmente compatíveis, não estejam na dita listagem.

1.3. Metadados de Informação Geográfica

O conceito de “metadados” não tem uma definição exata, mas na norma ISO 19115-1:2014, definem-se os metadados como, “informação sobre um recurso” (dado ou serviço), onde se entende por recurso qualquer coisa ou ente que é útil, o que evidentemente inclui os conjuntos de dados e os serviços web.

(35)

Em geral, os metadados descrevem e resumem um determinado recurso, no nosso caso, a informação geográfica, e ajudam a localizá-lo. Em relação aos metadados dos dados geoespaciais, descrevem elementos essenciais como, o nome do conjunto de dados, a sua data de produção e de resolução, o âmbito que cobre, o autor, os idiomas que utiliza, a sua qualidade, o Sistema de Referência de Coordenadas e uma descrição do seu conteúdo. Dito de outro modo, entre outras, respondem às seguintes perguntas sobre os recursos:

O quê? Título e descrição dos dados;

Quando? Data de criação, edição, períodos de atualização;

Quem? Entidades e/ou organismos que criaram o conjunto de dados; • Onde? Área geográfica de abrangência dos dados.

Assim, os metadados para o Geoportal em questão constituirão, uma descrição que poderá servir para procurar quais os dados que estão disponíveis num catálogo, compará-los com distintos conjuntos de dados disponíveis sobre uma mesma zona e/ou tema, de modos que utilizador final, possa selecionar o que mais se ajusta às suas necessidades e para os utilizar de maneira adequada.

1.3.1. Os metadados na criação da arquitetura de uma IDE e adaptação à construção do Geoportal GeoIDEN

Elaborar um trabalho de qualidade no âmbito dos SIG pode ser uma tarefa difícil se não se dispõe dos metadados que descrevem os recursos geográficos utilizados. A inclusão de metadados numa IDE e, por consequência em plataformas que se socorrem de especificações e diretrizes inspiradas em qualquer IDE, como é o caso do Geoportal GeoIDEN, permitirá, por exemplo:

▪ Localizar os produtos geográficos em função dos critérios específicos do utilizador;

▪ Comparar distintos recursos que permitam ao utilizador selecionar o que melhor se adapte ao propósito do seu projeto;

Referências

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